Brasil ganha mais dois concorrentes na gestão de metadados


CBL anuncia, na Bienal do Rio, a Books in print, ligada à Frankfurt; e Eduardo Blucher lança a ferramenta Mercado Editorial

Metadados: o nó no mercado editorial que começa a ser desatado | © www.mercadoeditorial.org

Metadados: o nó no mercado editorial que começa a ser desatado | © http://www.mercadoeditorial.org

Não raro, os colunistas do PublishNews apontam que um dos maiores gargalos do mercado editorial brasileiro é, ainda, a gestão de metadados. Em 2011, por exemplo, Camila Cabete escreveu: “publicar um livro sem metadados é como ter um filho e não dar nome ao coitadinho”. Em 2012, ao participar do debate “Dilemas e conflitos do mercado editorial”, na Bienal de SP, Felipe Lindoso creditou à falha gestão dos metadados o problema da “descobertabilidade”: “o livro brasileiro não é achado, é patético descobrir algo que você não conhece em uma livraria”. Mais recentemente, o colunista voltou ao assunto ao escrever, em março passado: “o pior é que as editoras brasileiras simplesmente mal sabem o que são metadados, não têm ideia de como incluir tags significativos do conteúdo de seus livros”. O assunto, então, deixou de ser apenas a pauta das discussões e passou a fazer as engrenagens do mercado rodarem. Do início de 2014, para cá, o PublishNews noticiou a chegada da Bookwire, que, além da distribuição, faz também a otimização de metadados, e a mudança no modelo de negócios da Digitaliza Brasil que também passou a prestar o serviço. Em 2015, noticiamos a criação da Ubiqui, plataforma que promete reduzir custos com metadados em até 70%. Mais recentemente, a Bookpartners lançou o Portal do Editor, ferramenta pela qual editores podem revisar e atualizar produtos já cadastrados no sistema da holding. Agora, para os próximos dias, duas novidades prometem dar mais força a esse mercado. É que, ainda em agosto, Eduardo Blucher promete colocar no ar o Mercado Editorial e, no dia 2 de setembro, a CBL e a MVB [empresa coligada à Feira do Livro de Frankfurt] anunciam a chegada do serviço Books in Print Brasil.

Os serviços têm em comum um painel de controle por onde editores fazem o upload das informações dos seus livros e as ferramentas padronizam conforme as necessidades de cada um dos varejistas. A Books in print Brasil leva a chancela da MVB, subsidiária da Associação de Editores e Livreiros Alemães, e tem mais de 40 anos de experiência na Alemanha. A vinda da empresa para o Brasil é fruto da parceria entre CBL e a Feira do Livro de Frankfurt, que apresentaram, no começo da semana passada, o projeto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES]. O modelo de negócios da nova empresa no Brasil ainda está em discussão. Na Alemanha, editores pagam por títulos cadastrados e distribuidores, atacadistas e quem quiser os metadados pagam por uma assinatura que varia de acordo com o tamanho da empresa. Os principais clientes lá na Alemanha são: Amazon, Nielsen, GfK e Bookwire. “O trabalho conjunto da Feira do Livro de Frankfurt com a MVB, em parceria com a CBL, vai trazer para o Brasil a mais completa e moderna plataforma de metadados do mercado. Um grande diferencial que a nossa plataforma tem é o uso de algorítimos que garante uma inteligência ao nosso banco de dados. Isso mantém o padrão de entradas, o que dá mais qualidade ao metadado cadastrado”, afirma Ricardo Costa, representante da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil. A previsão é que a empresa comece a operar dentro de um ano.

No caso da Mercado Editorial, o serviço de disparo de metadados será gratuito. Eduardo Blucher disse ao PublishNews que estuda cobrar por serviços avançados. “Optamos pelo modelo freemium nesse primeiro momento. Nem editoras e nem livrarias pagarão pelo serviço. Após lançada a plataforma, vamos testar com o mercado as formas de cobrar pelo serviço”, aponta. Blucher prevê o início das operações ainda no mês de agosto.

ISBN
O projeto da CBL prevê que o Books in print seja, além de uma plataforma de gestão de metadados, também a entrada nos cadastros de ISBN no Brasil. Caso o projeto ande, as editoras farão o input dos dados pela plataforma que se responsabilizará pela inscrição dos metadados na Biblioteca Nacional. “É assim que funciona na Alemanha. É uma experiência já consagrada”, aponta Luis Antonio Torelli, presidente da CBL. Outros projetos já foram iniciados pela Câmara, mas sem grandes sucessos, lembra Torelli. “Há alguns anos, os espanhóis cederam uma plataforma que acabou não funcionando. Abandonamos o projeto. A obsolescência de projetos assim é muito grande. A atualização constante do serviço está no DNA da empresa alemã. A pergunta que devemos nos fazer é: vamos continuar tentando ou vamos partir para uma experiência já consagrada? Não podemos errar de novo”, define Torelli.

O Books in print será apresentado oficialmente no dia 2 de setembro, das 15h às 17h30, no Hotel Grand Mercure [Av. Salvador Allende, 6.555 – Rio de Janeiro/RJ]. Na ocasião, Ronald Schild, CEO da MVB, vai apresentar a ferramenta. Segundo disse Torelli ao PublishNews, o CEO fará também uma reunião com a Fundação Biblioteca Nacional para apresentação do projeto e das possibilidades de integrar a plataforma ao serviço de cadastro do ISBN. Para a apresentação do dia 2, é necessário confirmar presença pelo e-mail eventos@cbl.org.br até o próximo dia 28.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 24/08/2015

Plataforma de gestão reduz em 70% os custos das editoras com cadastro de livros


Grande vilão das vendas no Brasil, cadastro de livros conta agora com a gestão editorial de uma plataforma unificada, que gerencia o catálogo em diversas lojas simultaneamente e gera informações estratégicas

A venda de livros impressos no Brasil representa, atualmente, 98% do total no mercado editorial brasileiro, ficando por conta dos eBooks os 2% restantes. Ainda assim, não existia no mercado editorial brasileiro uma ferramenta capaz de facilitar o cadastramento desses produtos pelas editoras junto às livrarias. Com a utilização da Ubiqui, plataforma de gestão editorial, essas empresas terão uma redução de 70% nos custos desse processo, além da otimização e agilidade nos cadastramentos.

A ferramenta surgiu, em primeiro lugar, para atender um gargalho do mercado editorial, ou seja, o cadastro de produtos e livros nas lojas. No entanto, a ferramenta atende tanto as necessidades das editoras quanto das livrarias, facilitando a realização de negócios e melhorando o desempenho nas vendas, com ótimo custo-benefício”, afirma o CEO da Ubiqui, Rafael Schaffer Gimenes.

A plataforma Ubiqui possibilita o cadastro do catálogo de livros com as mesmas informações [preço, capa, assunto, sinopse etc] em diversas livrarias, tudo isso por meio de um único ambiente. A Ubiqui entrega a cada lojista o cadastro no formato do sistema usado por ele [Onix, XML, CSV, TXT ou Excel]. Além disso, são disponibilizados módulos de serviços que possibilitam a gestão de catálogos, vendas, marketing e direitos autorais. As informações analíticas sobre as vendas, proporcionadas pela plataforma, também auxiliam as editoras na elaboração de estratégias de mercado.

KB Assessoria em Comunicação | kbcomunicacao.com.br

Metadata for Dummies


Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Colofão | 10 de dezembro de 2014

Pessoas e empresas que atuam no ramo editorial também estão vivenciando a era das palavras-chave [as chamadas keywords]. Em um novo e rico cenário onde esse atributo se torna um importante ator na busca por produtos e serviços, um leitor não conseguirá adquirir, consumir ou ler um livro, se não souber, no mínimo, da existência da obra.

Com o aprimoramento e a democratização da Tecnologia da Informação e Comunicação, as antigas barreiras para a criação, a publicação e a comercialização de livros se romperam. Em uma época em que o marketing digital domina o mercado, a aquisição de uma obra poderá estar condicionada também à qualidade empregada no tratamento dos dados sobre os livros, não somente ao conteúdo da obra em si.

Antes do advento da chamada Web 2.0, e mais tarde da Web Semântica, onde as palavras-chave ou as tags se tornariam itens de real importância na classificação de páginas, posts e produtos digitais, havia a necessidade de cadastro das nossas páginas na Internet em cada um dos buscadores até então disponíveis. Hoje, porém, através das poderosas ferramentas de SEO [Search Engine Optimization, ou otimização para mecanismos de buscas] é possível recorrer aos modernos e poderosos robôs de pesquisas para que encontrem e mostrem o conteúdo de produtos que nós, escritores e editoras, queremos divulgar, utilizando a semântica das palavras-chave.

Um dos pontos cruciais na atual questão da divulgação dos livros é a identificação dos dados sobre a obra. Sem uma identificação e classificação precisa dos dados sobre o livro, o produto não será encontrado nos diversos sistemas de buscas em bibliotecas, livrarias, sites, redes sociais especializadas etc.

I know

Os metadados são os conjuntos de dados e informações sobre os livros. Eles permitem não só que as ferramentas de Tecnologia da Informação e Comunicação busquem livros através de palavras-chave, como também identifiquem o valor de cada dado encontrado pelo usuário/leitor.

Para o website Last.fm, por exemplo, a palavra-chave identificaria o nome de um dos compositores da canção . Na ferramenta de busca do Google Play, ou Google Books, no entanto, a palavra-chave identificaria o nome do autor do livro . Através dos metadados, no entanto, os sistemas não só reconhecem como o título de um livro, e como o título de uma canção, mas também reconhecem estes dados como sendo uma identificação de objetos, de produtos digitais, de arquivos contendo música e livro. O que permite uma inteligência maior nas informações buscadas, encontradas e mostradas pelos mecanismos de pesquisa.

Esta seria uma das principais aplicações dos metadados voltados ao mercado editorial: dar valor e função a uma determinada palavra-chave para que cada dado tenha vida própria e identificação precisa.

Uma vez que sistemas inteligentes de mapeamento reconhecem como sendo um livro em si e não apenas o título de uma obra, seria mais fácil no futuro, por exemplo, permitir a rastreabilidade de livros digitais em suas versões piratas. Esta é, inclusive, uma aplicação prática em que o próprio Google poderia atuar através de filtros e seleção de conteúdo.

I like

O mercado editorial, já amplamente globalizado, sofre da oferta excessiva e generalizada de conteúdo para livros. Há livros demais sobre todos os gêneros e assuntos. Somente no Brasil, por exemplo, são lançados aproximadamente cerca de 20 a 26 mil títulos a cada ano, entre novas edições e reedições. Com o advento dos livros digitais, e vencidas algumas barreiras que não vêm ao caso neste artigo, a oferta de títulos à venda tende naturalmente a multiplicar-se com o tempo.

Mas e a demanda? Como o leitor pode saber se um determinado livro, encontrado através dos mecanismos de busca na Internet, está sendo vendido na versão impressa ou digital? Através dos metadados. Botões e banners que piscam só ajudam na tomada da decisão, não ajudam os leitores a encontrarem os formatos desejados para o consumo e leitura.

Enquanto há livros demais, os leitores já habituados ao consumo não encontram os que gostariam de ler. O excesso na oferta e a avalanche de informações desencontradas atrapalham a procura e o consumo dos mesmos produtos editoriais que gostaríamos de vender. É uma espécie de concorrência, indireta, mas que interfere diretamente quando uma editora busca atingir um determinado público-alvo.

Neste cenário de livros demais, o leitor só terá a oportunidade de decidir sobre a compra se mantiver um contato mínimo com o novo livro, lançamento ou com os demais títulos em catálogo. No caso de sites, a oferta de dados completos sobre a obra [incluindo a capa, um sumário e até um trecho] ajudaria em muito na tomada de decisão. Mas esta oferta seria apenas o início. Os canais de venda que estão conseguindo utilizar bem as ferramentas de marketing digital voltado ao mercado editorial, com a aplicação dos metadados, são hoje os canais com mais procura pelos leitores.

I want

Citando o estudo que realizei para o meu último livro “A Revolução dos eBooks” [Senai-SP Editora, 2013], as tiragens das atuais edições dos livros impressos são cada vez menores em comparação às edições de uma década atrás. Os catálogos das editoras, porém, são cada vez maiores em números e também mais ricos. Uma vez que a oferta de livros está crescendo, fica cada vez maior o desafio das editoras e autores de levar as suas obras e catálogos aos leitores.

Estimo que, até o final deste ano, sejam catalogadas, através de escritórios e bibliotecários que oferecem este tipo de serviço, cerca de 30 mil obras, no total, muitas das quais já em versão digital. Com mais opções de obras à venda, o leitor terá maior interesse em adquirir livros cuja existência e disponibilidade ele reconheça e com que, de algum modo, teve algum contato. Se o leitor não tiver a oportunidade de folhear a versão impressa da obra, deve pelo menos ter contato com a versão digital, encontrada, quase sempre, através dos ricos metadados.

I need

Os metadados podem ajudar o leitor a encontrar os livros que quer e precisa ler, para o aperfeiçoamento do seu trabalho ou mesmo para o entretenimento. Um exemplo bastante prático da utilização dos metadados aplicado ao universo dos livros é a do website “Todos tus libros” [www.todostuslibros.com], um case desenvolvido na Espanha.

Através do “Todos tus libros” é possível visualizar a capa dos livros, as informações mais básicas sobre a obra [como autor, editora, resenha, primeiro capítulo etc.], mas também é possível buscar pelas livrarias físicas da região onde o leitor se encontra e onde ele poderia comprá-los. Ou seja, definido o livro, o sistema mostra o endereço e o mapa onde o exemplar se encontra à venda.

I have

Os metadados podem ajudar as editoras a organizarem os seus catálogos. Mas quais seriam então os principais dados no caso dos livros? Os principais dados que facilitariam a pesquisa e busca das obras seriam:

#Título da obra
#Autor da obra
#Assunto/categoria/matéria
#Resenha
#Conteúdo rico [trecho da obra, sumário]

Alguns outros dados, menos bibliográficos e mais comerciais, também são considerados como itens obrigatórios quando se trata de metadados de livros:

#Número de páginas
#Preço
#Formato
#Disponibilidade
#Amostra

Através de um website como o “Todos tus libros”, editoras brasileiras podem compartilhar todos estes ricos dados de seus catálogos com distribuidoras, livrarias, bibliotecas e desenvolvedores de soluções para o mercado editorial em geral.

O maior desafio do mercado hoje é realmente estar preparado para atender toda a demanda, tanto em vendas de livrarias físicas quanto em livrarias e bibliotecas online. Não basta apenas que os livros sejam diariamente lançados às estantes, é preciso, para que os exemplares não fiquem parados nos estoques, que todas as obras possam ter os seus dados mapeados com precisão pelas ferramentas de busca para que a procura e o contato com os livros se reverta em vendas para todo o setor.

A tecnologia de metadados aplicada aos livros pode ajudar o mercado a escoar melhor os seus catálogos utilizando as mais modernas ferramentas de comunicação e divulgação de obras.

Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Colofão | 10 de dezembro de 2014

E agora divulgadores?


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2014

E agora divulgadores??

A grande pergunta que não quer calar é: Como divulgar o livro digital? Para mim, consumidora e já totalmente adaptada ao mundo digital desde 2009, não basta ser on line, tem que ser no mundo físico também.

Ninguém até hoje, investiu em divulgação de e-book, “tangibilizando”, ou seja, tornando ele um pouco palpável. Os motivos são inúmeros, a começar por problemas nas lojas por conta de sistemas de cobrança, até por falta de verba, pois a maior parte dela vai para divulgação do livro impresso.

Pensemos: o que você faria caso tivesse uma boa verba, ou mesmo que fosse meio a meio com o livro impresso? Por incrível que pareça a maioria dos setores de divulgação simplesmente não sabe, não conhece o produto e ainda é cheio de preconceitos e paradigmas.

Então por conta disso, aqui vão itens para inspirar nossos marketeiros, divulgadores, vendedores, merchandisers. Resolvi listar curiosidades dos bastidores das lojas digitais [entenda-se Kobo] e também de ideias loucas da minha cabeça, mas que acho possíveis:

– Você já parou para analisar os metadados? Ok ok, assunto velho, e já escrevi aqui muitas e muitas vezes, mas por incrível que pareça, muita gente não sabe como trabalhar com eles, ou melhor, como fazê-los trabalhar. Metadado nada mais é que as informações que você sobe nas lojas a respeito de uma obra. Você sobe sua obra no buraco negro da internet e cada dado que você vai alimentando nos sistemas, é como se fosse uma estrelinha, que aparecerá para a pessoa certa, justamente quando ela precisar [ó que lindo!]. Cada espaço/campo do metadado é valioso para você, ele te ajuda a indexar o seu e-book não só na loja, mas na internet. E qual não é o meu espanto, ao saber que a maior parte dos editores só preenchem os dados obrigatórios. Algumas empresas se superaram e passaram a usar o ONIX para subir os metadados via Excel. E qual não é minha surpresa também ao saber que elas não tem explorado nem um décimo da capacidade das tags de um ONIX. Acho que a parte operacional das editoras têm se desenvolvido bem, agora falta o trabalho de analista, analista de dados, de negócio. Alguém ali pensando em metadados, veja bem, não falo catalogação. São coisas bem diferentes. Você tem que subir o máximo de quantidades possíveis de informação!!! Por favor!!!!

– Você sabia que quantidade de download é poder? Se você tem um e-book de graça e ele tem números bons de download, você pode usar isso a seu favor, ao vender um espaço ou tentar um patrocínio?

– Sabia também que quando um leitor “ganha” um e-book de uma determinada editora, ele fica recebendo novas sugestões de leitura sempre ligadas de alguma forma a sua editora/autor/imprint? Sim meu povo, ao participar de alguma campanha, cedendo um de seus títulos, você está prendendo os leitores a vocês. Dar um livro a uma loja para participar de uma campanha de merchandising não é favor, é empreendedorismo. É como se passasse um laço no pescoço de seu leitor [eita, que grosseria] ou melhor, liga o editor/selo/autor/categoria ao leitor, ao histórico dele, forever!
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– Os espaços nas lojas de e-books não são pagos ainda =] É bem tranquilo conseguir alguma ação sem travar a infinita guerra do jabá.

– Já pensaram em acessórios? Capas de gadgets, com a arte das capas dos livros? Tiragens limitadas de e-book+capa para o Kobo+impresso+código promocional para capturar o e-book? Estamos na era dos acessórios minha gente. Quantas capinhas de celular você tem? Ou quantas tem vontade de comprar? Explore isso, a arte das capas são de vocês, editores [a maioria dos contratos de designer cedem os direitos totalmente]. Eu quero meu acessório com a minha capa de livro preferida!!!!! Capa de livro antropologicamente falando, faz com que você seja inserido no clube de determinada tribo. Você quer [na maioria da vezes] ser identificado pelo seu livro preferido do momento, não?

– Já pensaram em kits digitais de divulgação? Um wallpaper fofo, com um tema de celular, selos de divulgação e artes exclusivas, tudo isso acompanhando o e-book, para o seu blogueiro/jornalista/site preferido?

Poderia ficar páginas e páginas aqui criando coisas para se fazer com o livro digital. Algumas destas ideias já tenho tentado plantar na cabeças das minhas editoras parceiras. Mas tudo depende muito de verba, de importância que a editora dá ao produto digital. Produto este que já é uma realidade mercadológica [as e-bookstores principais, não vendem menos de 150/200 mil exemplares de e-books ao ano, só no Brasil!!!] Se isso não é um mercado aquecido… me digam o que é =]

Dicas, reclamações e sugestões de pauta camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2014

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

THEMA | A nova ferramenta de metadados para livros


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Os leitores de O Nome da Rosa, de Umberto Eco, podem lembrar que os crimesno mosteiro acontecem, no final das contas, em torno de um assunto aparentemente prosaico: a classificação a ser dada ao suposto manuscrito de Aristóteles achado na biblioteca do convento. O suposto tratado sobre o riso seria obra filosófica [no sentido dado à palavra pela escolástica], ou um texto demoníaco que negava o cristianismo? Dessa classificação dependeria o acesso ao manuscrito ou sua condenação ao “inferno” dos livros proibidos. Da disputa, surge a razão dos assassinatos.

Por isso é que às vezes eu brinco, conversando com bibliotecários, que eles são capazes de assassinar em disputas sobre a classificação. O estruturado sistema decimal usado nas bibliotecas abre espaços para esse tipo de disputas [felizmente, rara vez resultando em assassinatos, mas muitas vezes em disputas acerbas entre os bibliotecários].

O sistema decimal serve muito bem aos sistemas de bibliotecas. Mas, para a indústria editorial e para o comércio de livros resulta demasiadamente complicado. O assunto foi progressivamente sendo enfrentado pela indústria. Primeiro veio o ISBN, um identificador unívoco de cada título e edição. Mas, se não se sabe qual o ISBN, as buscas devem utilizar algum outro metadado. Os mais comuns, certamente, são o título e o nome do autor. Durante várias décadas isso funcionou bem para o mercado e foi incorporado nos sistemas de bibliotecas. Mecanismos com o protocolo Z.39.5 permitem que os computadores de diferentes bibliotecas “conversem” entre si a partir de fragmentos como esses, e importem/exportem dados de classificação cooperativa [nossa BN, infelizmente, não abre esse mecanismo. O sistema de bibliotecas das universidades paulistas abre, em parte].

Mas a classificação por “assuntos” do ISBN sempre foi muito frouxa e desregulada. Quando aconteceu o avanço do comércio internacional de livros e particularmente o surgimento dos e-books, as deficiências dos mecanismos de busca por assunto revelaram de vez suas fragilidades. Daí que as entidades ligadas aos livros, em cada país [as que levam esses assuntos a sério, é claro], começaram a enfrentar o problema. O BISG – Book Industry Study Group, dos EUA, formulou o BISAC, os ingleses criaram o BIC, os franceses o CLIL e os alemães o WGS. E começaram os remendos, com gente armando esquemas para “traduzir” as classificações de um para o outro. Isso sem falar na Amazon, que usa o BISAC, mas acrescenta um monte de outros metadados que lhe permite fazer listas de best-sellers extremamente segmentadas e tornar mais fluido seu mecanismo de buscas.

No meio do caminho apareceu o DOI – Digital Object Identifier e o consórcio EdiTeur. O EdiTeur é, digamos assim, o meta incentivador/organizador de padrões para a indústria editorial. Praticamente tudo de relevante formatado em termos de padronização surgiu de iniciativas do grupo, embora a administração de cada um deles logo tenha passado para órgãos específicos. O padrão Epubé administrado por um consórcio específico, assim como o ISBN possui um escritório central sediado em Berlim. O ONIX [ON line Interface EXchange], criado pelo BISG, também se integra a essa constelação.

Gosto de citar o DOI porque acompanhei um tanto de perto as etapas finais de sua formulação, quando ainda trabalhava na CBL, e pela sua importância nos sistemas de gerenciamento de direitos. O DOI permite que qualquer segmento de informação digital, definido como tal pelo editor [de livros, de música, de filmes], receba um identificador único. Assim, um livro inteiro pode ter um identificador, ou um capítulo, ou uma ilustração, ou um gráfico, etc. Uma vez embutido, o DOI permite, em tese, que a circulação desse documento digital possa ser rastreado na Internet. O DOI é administrado pela DOI Foundation, e conta com a participação dos mencionados segmentos de música e filmes.

A mais recente iniciativa do EdiTeur é o THEMA, um sistema internacional para classificação de assuntos. O THEMA pretende incorporar progressivamente os demais sistemas de classificação de assuntos, permitindo uma uniformização dos objetos de pesquisa.

Durante a conferência Tools ofChangena edição de 2012 da Feira de Frankfurt foi anunciado o projeto do THEMA, que imediatamente ganhou apoio das associações de mais de doze países, tanto da América do Norte quanto da Europa. Logo se construiu um projeto piloto e uma proposta para a governança do sistema, que ficou adjudicado ao EdiTeur na última Feira de Frankfurt, em 2013. Na ocasião também foi criado um comitê para dirigir o seu desenvolvimento, que deverá se reunir durante as feiras de Londres e Frankfurt para acompanhar o projeto.

A proposta do THEMA é a construção de um sistema global de classificação de assuntos, aplicável facilmente por todos os integrantes da cadeia de produção e comercialização de livros, com flexibilidade para permitir que cada mercado retenha suas especificidades culturais. Integrado ao ONIX, permitirá o uso em múltiplas plataformas de comercialização e difusão do livro.

Mas, afinal, como funciona esse tal de THEMA? O sistema estabelece uma hierarquia de assuntos, com vinte assuntos de nível máximo, cada um dividido em quantas subcategorias forem necessárias, cada uma dessas categorias inferiores identificada por códigos alfanuméricos.

As hierarquias maiores correspondem a uma letra. A, por exemplo, são as Artes. Daí em diante vão se subdividindo: AB corresponde a Artes: assuntos gerais;ABA vai para Artes – Teoria. E assim por diante. A chave, evidentemente, é manter uniformes as categorias, na medida em que sejam formadas.

A hierarquia implica que os livros devam ser classificados até o nível de detalhe mais adequado, mas sempre relacionados com os níveis superiores. Por exemplo, um livro que entre na categoria AGA [História da Arte] será também automaticamente classificado nos níveis mais gerais – AG [Belas Artes: tratamentos e assuntos] e o A.

O sistema permite também a combinação de várias classificações e o detalhamento por países, época histórica ou corrente artística, idade possível de interesse para o livro e seja lá mais que dado possa ser considerado relevante. Como os códigos serão alfanuméricos e constantes, os cabeçalhos podem ser traduzidos para qualquer idioma.

Essa classificação deverá alterar também as categorias de assuntos das empresas de pesquisa de vendas, como a BookScan e a GfK. Cada uma delas usa critérios próprios para divisão de assuntos, o que certamente dificulta a comparação de dados entre os vários países.

A atribuição dos códigos de classificação é feita pelos editores, que devem atentar para que os assuntos de cada livro sejam considerados e se tornem localizáveis pelos mecanismos de busca. E é gratuito, mesmo para as que estão em países cujas organizações profissionais não façam parte nem contribuam para o comitê de governança do THEMA.

É mais um esforço das organizações sérias de editores e livreiros para facilitar o intercâmbio internacional. Aqui ainda teremos que enfrentar vários problemas prévios, em particular que os editores e livreiros compreendam em profundidade a importância da aplicação correta de metadados em suas informações.

Mas algum dia chegaremos lá. Nem que seja pela pressão do resto do mundo, inconformado com essa balbúrdia que reina por aqui.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

PALESTRA NA BIENAL | O livro em um mundo de metadados


Palestra gratuita na Bienal do Livro abordará o tema
“a cadeia produtiva do livro integrada à mais rica fonte de metadados”

Ednei Procópio | Fonte: Maurício Burim/SE

Ednei Procópio | Fonte: Maurício Burim/SE

Durante a 22ª edição da Bienal do Livro de São Paulo, o especialista em eBooks Ednei Procópio, ministrará a palestra “O livro em um mundo de metadados“.

O objetivo da palestra é demonstrar de que modo o controle eficiente dos dados sobre os livros pode ser usado para divulgar e comunicar obras em benefício de todo o mercado editorial brasileiro.

A palestra demonstrará também de que modo a Câmara Brasileira do Livro [CBL] pretende reunir e disponibilizar a maior base de dados dos títulos publicados e comercializados em língua portuguesa. E qual é o papel do projeto Cadastro Nacional do Livro [Canal] na nova cadeia produtiva do livro [incluindo autores, editoras, distribuidoras e livrarias] frente às transformações tecnológicas e sociais.

ANOTE NA SUA AGENDA

Onde: 22ª edição da Bienal do Livro de São Paulo
Quando: dia 17/08/2012, sexta-fera
Horário: das 15h às 16h00
Local: Livros & Cia.

ENTRADA FRANCA: SERÃO DISTRIBUÍDAS SENHAS DUAS HORAS ANTES DA PALESTRA

Agora a cadeia produtiva do livro está integrada à mais rica fonte de metadados


Após finalizar os testes, a CBL já oferece para todas as editoras associadas o sistema CANAL.

O CANAL – Cadastro Nacional do Livro é uma plataforma on–line que disponibiliza a maior base de dados dos títulos publicados e comercializados no Brasil. Alinhando aos padrões internacionais, o modelo de fornecimento e tratamento de dados do CANAL irá definir o modelo de cadastro de livros no País. Editores associados, acessem o canal e cadastrem os títulos de seus catálogos na fonte de metadados acessando o site: http://www.canal.org.br.

Nielsen mais perto de lançar o BookScan no Brasil


Presidente da empresa diz que já há contratos fechados com livrarias nacionais para coletar informações sobre vendas de livros

A Nielsen está mais próxima de implementar o BookScan no Brasil, o serviço da companhia que levanta dados sobre vendas de livros e já é usado em vários países, disse o presidente da Nielsen Book, Jonathan Nowell, em entrevista ao PublishNews. Segundo o executivo, que proferiu uma palestra no primeiro dia do Congresso CBL do Livro Digital, a empresa já fechou contratos com algumas livrarias brasileiras e está em negociação com outras para começar a coletar informações sobre o mercado nacional. “Ainda não temos uma data para lançar o BookScan aqui. Mas na Índia, por exemplo, que é um mercado mais complexo e desorganizado que o brasileiro, implementamos [o serviço] em seis meses”, afirmou Nowell.

O acesso às informações coletadas pela Nielsen é pago. Além de congregar os dados dos pontos de venda, o serviço permite fazer análises do mercado por gêneros, períodos de venda, regiões geográficas etc. O BookScan já existe em países como EUA, Reino Unido e Austrália, além de Índia e na China, países onde foi implementado mais recentemente.

Nowell falou no congresso da CBL sobre “Vendas globais de livros e a importância dos metadados”, e mostrou números para comprovar que quanto mais dados uma editora disponibiliza sobre seus títulos, mais as vendas sobem. Segundo o levantamento apresentado por ele, editoras que passam a fornecer dados completos – conforme o padrão da Book Industry Communications, há onze dados básicos, como título, imagem de capa, disponibilidade e ISBN, e quatro “aprimorados”, ou “enhanced” – aumentam em 35% suas vendas “offline”, fora da internet, e em 178% as vendas on-line. “Quanto mais ricos os metadados on-line, mais vendas, porque a informação melhora muito a descoberta dos livros na internet”, disse. O estudo completo da Nielsen sobre o tema pode ser acessado aqui.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 10/05/2012

Os metadados dos livros


Por Karine Pansa

Karine Pansa

O Brasil conquistou posição relevante entre os primeiros países do mundo no ranking econômico mundial. E o mercado editorial brasileiro precisa beneficiar-se deste novo contexto. Afinal, não lhe faltam bons profissionais em toda a cadeia produtiva do livro.

Mas, para tanto, é indispensável que os próprios brasileiros leiam mais livros, que o mercado interno seja uma realidade na proporção do seu verdadeiro potencial. Para que isso aconteça, é necessário que os livros “existam”, “apareçam”, sejam encontrados e estejam a disposição do consumidor em qualquer hora e lugar.

Sem dúvida, avançamos muito na distribuição e em livrarias como, também, em bibliotecas. Mas, ainda há muito o que ser feito nesse sentido. Na era das mídias digitais, um dos modos mais eficientes de comunicar a existência de um título é pela divulgação precisa dos dados das obras [título, autor, editora, resenha, preço, capa etc] para que os robôs de buscas, os blogs, aplicativos e outras modernas e úteis ferramentas ajudem no processo.

Informações precisas, corretas e ricas sobre livros, seus autores e editoras, são hoje denominadas “metadados”.

Enfrentando os desafios

O mercado editorial brasileiro experimenta uma positiva transformação, algo sem precedentes em sua história. Neste oportuno cenário, a Câmara Brasileira do Livro acompanha de perto as mudanças, atua permanentemente para o aperfeiçoamento do mercado. São muitos e distintos os desafios da modernidade, e a CBL fortaleceu-se ainda mais ao criar a Comissão do Livro Digital. Seus grupos de trabalho têm apresentado discussões interessantes sobre temas como tributação e padrões. Além disso, são concretos e crescentes os resultados obtidos com o Congresso Internacional do Livro Digital, já em sua terceira edição, que acontecerá em maio próximo.

Mas, a CBL quer continuar avançando em outras frentes e, neste mês de fevereiro, a entidade inicia os testes do Cadastro Nacional do Livro [CANAL], com cerca de cinco editoras associadas. O Cadastro Nacional do Livro entra, portanto, em um efetivo processo de consolidação.

Um novo canal para os livros

O sistema CANAL, que já está hospedado e customizado para a realidade do Brasil, será inicialmente validado pelo que consideramos um dos mais importantes elos da corrente que integra a cadeia produtiva do livro: a editora.

As editoras convidadas poderão usar o CANAL, para que possamos atestar a eficácia do sistema. Assim, elas poderão organizar seus catálogos como nunca antes lhes foi possível.

Não é necessário instalar nenhum software ou plug-in. Basta o cadastro no CANAL para, imediatamente, iniciar a organização dos catálogos e a sua divulgação. Não é necessário qualquer conhecimento técnico. Basta preencher os dados das obras nos campos respectivos, sob regras muito bem definidas e padronizadas.

As editoras poderão extrair os dados, através de um arquivo Excel, e os enviar para os seus networks atuais. Elas também se beneficiarão do fato de que, em pouco tempo, distribuidores, livreiros, bibliotecários e outros usuários e desenvolvedores utilizarão estes mesmos dados para melhorar as suas bases em pontos de vendas, sites, blogs, aplicativos, redes sociais e uma infinidade de outros bancos de dados que já atuam na venda dos livros.

E tudo isto, graças à Onix for Books.

O padrão Onix for Books

Onix for Books é um padrão de intercâmbio de dados. Não se trata apenas de uma tecnologia, mas, acima de tudo, é uma iniciativa que pretende padronizar os dados sobre os livros no mundo. Isto implica em dizer que os livros em língua portuguesa podem circular em bancos de dados em todo o planeta, utilizando uma interface comum: o CANAL. Amazon e Apple já utilizam este padrão.

A CBL é membro ativa do Grupo de Trabalho de Metadados do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe [CERLALC], órgão intergovernamental ligado à UNESCO, que definiu os dados bibliográficos mais importantes para indústria internacional do livro.

O Grupo de Trabalho de Metadados CERLALC também definiu, em setembro de 2011, entre outras diretrizes, a adoção da iniciativa Onix for Books como padrão para o intercâmbio de metadados na Região. A iniciativa Onix for Books, desenvolvido pela EDITEUR [www.editeur.org], grupo de coordenação de infraestrutura para comércio eletrônico, está se estabelecendo como padrão internacional para representar e comunicar as informações eletrônicas sobre o produto livro.

Mas os benefícios do padrão de dados Onix for Books, adotado pela Câmara Brasileira do Livro, são, principalmente, para refletir no trabalho diário de centenas de distribuidores, livreiros e bibliotecários que necessitam das informações sobre os livros para melhorar, ainda mais, a circulação, venda e comercialização das obras.

Uma vez que o Brasil chegou aos primeiros lugares entre os maiores países do mapa econômico mundial, e a globalização do uso das tecnologias bate em nossa porta, o mercado editorial precisa estar preparado para enfrentar a concorrência de players que podem segmentar o nosso mercado tornando a concorrência global ainda mais perturbadora.

Através dos inúmeros e precisos dados disponíveis no CANAL, os livros em língua portuguesa permanecerão vivos, em prateleiras físicas ou virtuais, para que sejam catalogados, acessados, comprados e, principalmente, lidos.

Quem desejar conhecer o status do Cadastro Nacional do Livro, acesse http://www.cbl.org.br/canal.

* Karine Pansa é editora e presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL].

Publicado originalmente em CBL | 23 de Fevereiro de 2012

CBL investe R$ 197 mil no CANAL


Um projeto da Câmara Brasileira do Livro [CBL] que começou a ser desenhado há cerca de dois anos começa a sair do papel agora, com o objetivo de instituir um novo padrão de cadastramento para todos os livros publicados no Brasil, como já acontece em outros países. A promessa é que, a partir dessa iniciativa, as editoras passem a atualizar informações completas sobre seus catálogos seguindo as mesmas diretrizes e disponibilizando os dados de forma eletrônica e instantânea a todos os interessados: canais de venda, bibliotecas, leitores etc. Em resumo, a ideia é fazer com que o mercado editorial tenha acesso a informações atuais e precisas, de maneira mais prática e eficiente do que acontece hoje.

Batizada de Cadastro Nacional do Livro [CANAL], a plataforma recebeu até agora investimentos de R$ 197 mil por parte da CBL, de acordo com Karine Pansa, presidente da entidade. Ela destaca que o aporte é significativo, comparável ao custo do Censo do Livro, que é realizado anualmente pela Fipe com recursos da CBL e do Snel, o sindicato dos editores.

Este mês, o CANAL entra em período de testes com a participação de cinco editoras selecionadas pela CBL – entre elas a Saraiva, Gente e Loyola –, que começam a experimentar a plataforma. A expectativa da entidade é que a fase “beta” do projeto aponte o que precisa ser corrigido, para que o lançamento oficial do mesmo aconteça no segundo semestre do ano.

De forma simplificada, o CANAL é um software que estabelece uma série de campos que devem ser alimentados com os dados de cada livro – os “metadados”, em linguagem técnica. As editoras deverão preencher no mínimo 17 campos obrigatórios [como título e ISBN], mas há até 170 que elas podem utilizar, o que permite montar um banco de dados bastante refinado – há a possibilidade de incluir a capa e trechos da obra, por exemplo. As informações também seguem uma ordem definida.

Todo esse modelo é dado pelo Onix for Books, um padrão de intercâmbio de dados que surgiu em 2000 e, hoje, em sua terceira versão, é considerado o padrão internacional de informação eletrônica para a indústria do livro. Os mercados editoriais dos Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e Alemanha já utilizam o Ônix de forma corrente, segundo Karine Pansa. A adoção do Ônix foi definida dentro do grupo de trabalho de metadados do Cerlalc, órgão de fomento do livro na América Latina ligado à Unesco, do qual a CBL participa.

De acordo com a presidente da entidade, a utilização do CANAL por parte das editoras oferecerá uma série de vantagens. “O editor poderá gerir todo o seu catálogo por meio dessa plataforma, atualizando as informações e indicando, por exemplo, quais livros estão disponíveis ou esgotados”, afirma. “Essas informações estarão acessíveis ao mesmo tempo às livrarias, sites de comércio eletrônico, bibliotecas, enfim, a todos os interessados.” Segundo Karine, hoje, no país, esse processo acontece “manualmente”. “As livrarias têm equipes de funcionários só para receber relatórios mensais das editoras e atualizar os sistemas com as informações atualizadas.” Com o CANAL, a editora poderá atualizar as informações e as mesmas estarão disponíveis, ao mesmo tempo, para todo o mercado.

Karine destaca que a Biblioteca Nacional também vai ser beneficiada pelo uso da plataforma, pois poderá receber de volta, com mais facilidade, as informações corretas sobre os livros publicados – isso porque muitos dos dados informados pelas editoras ao pedir o ISBN dos livros ainda não são os definitivos.

O CANAL deverá ir ao ar com 450 mil títulos já cadastrados, cujos dados são provenientes da BN. Mas caberá às editoras atualizar todo esse mar de informações. A partir do lançamento oficial do projeto, a CBL informa que iniciará uma programação de cursos e palestras para ensinar e conscientizar o mercado sobre o uso da plataforma.

Para conhecer melhor o projeto, você pode acessar dois sites: o http://www.cbl.org.br/canal e o http://www.canal.org.br.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 16/02/2012

Cuide de seus metadados


Presidente da Nielsen Book contou na conferência PublishersLaunch que metadados mal feitos ou inexistentes podem derrubar as vendas em 50%

Metadado é descoberta, e descoberta é venda de livros”, resumiu Jonathan Nowell, presidente da Nielsen Book, na conferência PublishersLaunch nesta segunda-feira, dia 10, em Frankfurt. Para ele, bons metadados devem ser compreensíveis, atuais, estruturados, claros, apropriados, ricos e, principalmente, manipuláveis. “Eles vão vender mais livros para vocês”, assegurou. E provou isso com números. De um livro com cinco campos de dados preenchidos, foram vendidos 3.563 exemplares. De um outro sem metadados, foram vendidos 499 exemplares. Para Nowell, as informações mais importantes são: descrição curta, descrição longa, resenha, biografia e imagem. E isso vale para livros impressos também. “Entre 40% e 80% da venda de livros impressos é influenciada por bons metadados. Se fizer mal feito ou não fizer você pode perder 50% das vendas”, finalizou.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 11/10/2011

CERLALC reúne grupo de especialistas para definição dos metadados básicos de livros na América Latina


A Câmara Brasileira do Livro participa do grupo de trabalho que definiu os dados bibliográficos mais importantes para indústria livreira

CERLALC reúne grupo de especialistas para definição dos metadados básicos de livros na América Latina

O Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe [CERLALC], órgão intergovernamental ligado à UNESCO, reuniu, no final de setembro, em Bogotá, representantes da Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México e Panamá para discutir e estabelecer os metadados mais importantes, considerados básicos, para os livros impressos e digitais em circulação na América Latina.

O grupo de trabalho definiu, entre outras diretrizes, a adoção da iniciativa Onix for Books como padrão para o intercâmbio de metadados na região. A iniciativa Onix for Books, desenvolvido pela EDItEUR [www.editeur.org], grupo de coordenação de infra-estrutura para comércio eletrônico, está se estabelecendo como padrão internacional para representar e comunicar as informações eletrônicos sobre o produto livro.

Durante a reunião foram discutidos também temas como a necessidade de formação sobre metadados e de direitos autorais no ambiente digital.

O grupo definiu como informações básicas àquelas usadas para registro do ISBN pelas agências dos países membros da CERLALC. Farão parte destes metadados básicos as informações adicionais necessárias para identificar cada livro no circuito comercial. Campos como autor, título, formato, edição, idioma, país e assunto foram definidos a partir de dados, de uma determinada obra, considerados convergentes tanto para a versão impressa, quanto a versão em áudio ou eletrônica.

A versão final dos metadados será em breve publicada nos sites do CERLALC e do Cadastro Nacional do Livro [CANAL].

A CERLALC está trabalhando para desenvolver uma agenda permanente do grupo de trabalho para permitir a adoção de normas para a distribuição de informações de publicações iberoamericanas. Esta região pode ter mais representação nas decisões relativas às declarações de padrões do livro tomadas a nível mundial.

O CANAL, centro único de gestão e distribuição de dados de informações sobre o livro, projeto criado pela Câmara Brasileira do Livro, será o primeiro catálogo de livros a utilizar todos os metadados básicos definidos pelo grupo. Segundo Ednei Procópio, coordenador geral do CANAL e representante da CBL e Brasil no grupo de trabalho de metadados da CERLALC, “quando finalmente entrar no ar, o Cadastro Nacional do Livro unirá informações precisas sobre todos os livros em circulação em língua portuguesa através de um padrão comercial de intercâmbios.

Mais informações:

Metadata, ou quando os editores brasileiros comem moscas, cobras e largatos


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em “O Xis do Problema” | 27 de julho de 2011

A palestra mais interessante do primeiro dia do Congresso do Livro Digital da CBL foi sem dúvida a de Edward Nawotka, editor-chefe do Publishing Perspectives, já no final da tarde.

Ed tratou de vários pontos, voltando a dez anos atrás e mostrando alguns dos erros estratégicos que culminaram na falência da Borders e os perigos que rondam o mercado editorial. Mas o ponto central do que falou foi a advertência: algo que os editores podem e devem fazer para garantir seu futuro em um mercado onde pululam os autores que se auto-publicam, é trabalhar a metadata de seus livros.

De que se trata?

Metadata é o conjunto de dados sobre dados. Assim simples, parece pouco. Mas na verdade é algo realmente fundamental para adquirir o instrumento mais precioso que os editores podem ter para manter sua posição no mercado: informação.

O título de um livro, o nome do autor, da editora e o ISBN, por exemplo, são metadatas. Informações que se referem a um livro. Mas se restritos apenas a esses dados, a quantidade de informação que estes podem proporcionar é ridícula, diante da riqueza que pode ser mineirada se houver uma compreensão melhor sobre o assunto.

Agora quem recua a dez, doze anos atrás sou eu. Trabalhava na CBL, como Diretor de Relações Institucionais. Por volta de 1998/99, duas movimentações no mercado internacional atraíram minha atenção. A primeira foi a iniciativa do Book Industry Study Group – BISG [mantido pela indústria editorial americana para promover pesquisas e estudos sobre o mercado] e do Book Industry Comunication [do Reino Unido] de construir a primeira versão do ONIX – On Line Information Exchange. O padrão ONIX é desenhado para possibilitar a comunicação computador-computador entre os envolvidos na criação, distribuição, licenciamento ou qualquer outro modo de tornar disponível propriedade intelectual publicada, seja física ou digital. Todos os padrões ONIX são expressos em XML. Mais informações aqui .

A segunda iniciativa foi a da criação do DOI – Digital Object Information, também por iniciativa principalmente dos editores, destinada a identificar qualquer segmento de informação digital de forma unívoca [tal como o ISBN identifica uma edição, o DOI identifica objetos digitais]. Mais informações aqui . Qualquer segmento, nesse caso, pode significar desde o livro digital inteiro até qualquer parte dele [o título, o nome do autor, o ISBN, uma foto, a capa, um gráfico, uma ilustração, qualquer parte do objeto digital].

As duas iniciativas criaram as condições para que se pudesse rastrear a circulação na Internet de qualquer movimentação relacionada com os livros: no caso do ONIX, mesmo dos livros físicos; no caso do DOI, de qualquer segmento digital. O resultado disso foi, entre outras coisas, o surgimento dos diferentes sistemas de DRM – Digital Rights Management.

É importante destacar que o DRM pode ser um instrumento extremamente flexível e, acoplado com as informações dos arquivos no padrão ONIX e DOI, possibilitam ao editor obter dados valiosíssimos sobre a circulação das INFORMAÇÕES sobre seus produtos na Internet.

Digamos, por exemplo, que as informações sobre um título qualquer – livro físico – estão organizadas no padrão ONIX. O sistema permite que se recolham informações sobre qualquer acesso a qualquer tipo de informação que circule na Internet sobre esse livro. Se alguém acessa o site da editora e clica no título em questão, o sistema coleta informações as mais variadas a partir do IP de quem clicou. O mesmo se o título for consultado no site de uma livraria ou de um distribuidor. Depende de como foram organizados os metadados dentro do padrão ONIX. Ou seja, não é preciso que seja um livro digital para que os metadados referentes a esse livro já estejam gerando informações para os editores: sobre a distribuição geográfica dos acessos, por exemplo, que podem ser combinados com outras fontes de informações. Quem já viu as tabelas do Google Analytics pode imaginar o quanto é possível garimpar a partir de um simples clique no título do livro. E o ONIX não é apenas isso. Tem muito mais.

O DOI simplesmente amplifica essas possibilidades para os livros digitais.

As restrições à circulação dos e-books, que tornaram os DRMs mais conhecidos por conta das restrições nas transferências do conteúdo digital, são praticamente um subproduto da combinação ONIX/DOI. E a maioria das pessoas pensa que os DRMs dizem respeito apenas ao comércio dos e-books.

Nada disso. DRMs são uma expressão prática de coleta de metadados, e apenas uma delas, talvez a que tenha atraído maior rejeição por parte dos consumidores finais.

Representando a CBL, cheguei a assistir a duas séries de reuniões sobre o DOI, em Frankfurt e em Berlim, e o assunto já começava a ser discutido pela diretoria da CBL. Era uma visão de futuro para o mercado editorial.

Em 2002, na sucessão da administração do Raul Wassermann, o senhor Oswaldo Siciliano foi eleito e jogou fora tudo isso.

Somente no ano passado a CBL iniciou tratativas com a Federación de Gremios de Editores de España para adotar uma versão do padrão ONIX em um catálogo de livros disponíveis, que seria a versão brasileira do DILVE – Distribuidor de Información del Libro Español en Venta. Falou-se nisso e depois não ouvi mais a respeito. No site da CBL, não se encontra mais nada sobre o assunto.

Em resumo, no começo da década passada já se esboçava uma visão de futuro sobre a importância da coleta de informação, e da padronização do tipo de informações. O esforço foi jogado fora e interrompido.

É possível que algumas editoras mais bem informadas estejam trabalhando com o padrão ONIX. Não sei. Se estão, devem guardar esses dados como um tesouro de informações valiosíssimas.

Mas o fato é que o mercado editorial brasileiro, nessa altura dos acontecimentos, tem que correr atrás do prejuízo.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em “O Xis do Problema” | 27 de julho de 2011

CBL assina acordo dia 24/2 para criação do Cadastro Nacional do Livro


No dia 24 de fevereiro [quinta-feira], às 9 horas, na sede da Câmara Brasileira do Livro [CBL] – rua Cristiano Viana, 91, em Pinheiros -, em São Paulo, a entidade assina convênio com a Federación de Gremios de Editores de España [FGEE], para desenvolvimento do projeto de criação de um cadastro nacional de livros no país. A Fundação Biblioteca Nacional [FBN] também assinará o acordo. O evento terá ainda a participação da Associação Nacional de Livrarias [ANL].

O cadastro brasileiro deverá ter como referência de projeto a plataforma espanhola Dilve [Distribuidor de Información del Libro Español en Venta]. A iniciativa, baseada na Internet, padronizará e centralizará todas as informações das obras produzidas e comercializadas no Brasil, beneficiando toda a cadeia produtiva do livro.

A ferramenta permitirá a consulta completa de dados sobre qualquer livro publicado no País. Além disso, facilitará o processo de busca e compra de livros, simplificando o trabalho de todos os agentes do setor editorial.

Serão especialmente beneficiados com a iniciativa editores de pequeno porte, pois terão a oportunidade de dar mais visibilidade e acesso aos seus catálogos de obras a livrarias e distribuidores, além de instituições governamentais que adquirem livros, e profissionais da cultura e da educação.

No âmbito das livrarias, a disponibilidade de informação segura e padronizada possibilitará que elas mantenham cadastros atualizados, sem a necessidade de manutenção de um sistema próprio e custoso.

O padrão de dados do cadastro nacional de livros permitirá também que as informações disponíveis sejam compartilhadas com iniciativas semelhantes em grandes mercados editoriais no Exterior.

A versão oficial do cadastro para testes por todo o mercado editorial brasileiro estará no ar em julho de 2011.