Livro didático digital ainda não chegou aos estudantes


Por Akemi Nitahara | Edição Aécio Amado | Fonte Agência Brasil | 19/10/15, às 14h12

Apesar de estarmos vivendo num mundo cada vez mais digital, onde as crianças e adolescentes dominam as novidades tecnológicas com muita rapidez, os avanços no campo pedagógico ainda são pequenos no Brasil. A maioria das editoras de livros didáticos já oferece o conteúdo em formato digital e os recursos pedagógicos são muitos, mas a adoção deles pelas escolas ainda está lenta.

Poucos colégios já aboliram o papel, diz presidente da Abrelivros | Cecília Bastos/USP | Creative Commons | CC BY 3.0

Poucos colégios já aboliram o papel, diz presidente da Abrelivros | Cecília Bastos/USP | Creative Commons | CC BY 3.0

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares [Abrelivros], Antonio Luiz Rios da Silva, não há estatísticas sobre o mercado de livro didático digital, mas ele garante que praticamente todas as editoras do país já têm iniciativas nesse sentido. “Não são todas as coleções que têm, mas boa parte delas já conta com a possibilidade do aluno e da escola trabalharem com livro digital, que na realidade é uma reprodução do livro impresso, com algum enriquecimento, como vídeos, infográficos, jogos, links”.

O livro digital pode ser acessado de diversas formas: em dispositivos móveis [tablets e smartphones] e pelo computador ou lousa eletrônica. Além do formato PDF, que é uma cópia estática digital do livro impresso, há opções LED [Livro Educacional Digital], que são versões enriquecidas com recursos interativos; iBook, que incorpora vídeos, áudios e ampliação de imagens, específica para iPads, da Apple; aplicativos, mais usados para literatura infantojuvenil, que acompanham animações, narração, interatividade e música; e o formato ePub, que se adapta a qualquer tamanho de tela.

De acordo com Rios, o país está no começo da transição e que as escolas têm adotado o modelo híbrido, em que o aluno compra o livro impresso e ganha o acesso ao conteúdo digital. Segundo ele, poucos colégios abandonaram o papel. “Se tiver no Brasil inteiro cinco escolas que fizeram isso é muito. Nas conversas com diretores de colégio, a gente percebe que esse processo tem que ser gradual, não só com relação ao aluno, que se adapta mais rapidamente, mas principalmente por conta do professor”.

O estudo Aprendizagem Móvel no Brasil, publicado em agosto pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Colúmbia, aponta que o uso de tecnologia guiada em sala de aula pode melhorar o rendimento acadêmico dos estudantes, superando ações como a formação de professores em geral e a redução do tamanho da classe.

Mas, segundo uma das autoras do estudo, Fernanda Rosa, as políticas implementadas atualmente na área pública não têm alcançado esse objetivo. “Para avançarmos em nossa capacidade de levantar o impacto das tecnologias na aprendizagem no Brasil, o primeiro passo é ter as ferramentas digitais disponíveis, com condições de uso e conectividade, e com professores capazes de utilizá-las – realidade ainda restrita a poucas escolas”.

Para Fernanda, não se alcança esse estágio sem o envolvimento das secretarias de Educação com um planejamento de médio e longo prazo com ações simultâneas nos três pilares: infraestrutura, conteúdo digital e formação de professores.

Tradição e inovação

Entre as experiências consideradas positivas está a do Colégio Pedro II, uma das mais tradicionais instituições públicas de ensino básico do Brasil, fundado em 1837, que distribuiu este ano tablets para os alunos do primeiro ano do ensino médio. O material, comprado com verba destinada por emenda parlamentar, foi fornecido pelo Ministério da Educação.

De acordo com a chefe da Seção de Projetos Educacionais do Pedro II, Mônica Pinto, todos os departamentos do colégio e professores de todas as disciplinas estão envolvidos com a novidade. “A gente tem projetos em todas as áreas que você possa imaginar, inclusive projetos integrando várias disciplinas, e cada departamento vem usando um conjunto de objetos e desoftwares enorme. Muitas vezes, inclusive, desenvolvendo projetos especiais com alunos com dificuldade de aprendizagem, para o ensino regular, para alunos de inclusão e até mesmo para alunos de altas habilidades”, disse.

Ela explica que o uso dos tablets não tem foco nos livros. Foi criado um blog de suporte aos professores com todos os objetos educacionais digitais disponíveis e os docentes estão passando por capacitação para usar a tecnologia. “Tem uma listagem de todos os objetos de aprendizagem, aplicativos, livros digitais que são recomendados e as diretrizes da Unesco para aprendizagem móvel.

Segundo Mônica, o Departamento de Ciências da Computação fez uma série de pesquisas e agora está começando a planejar uma série de oficinas que está sendo oferecida aos professores em todos os campi do colégio, para estimular ainda mais trabalho.

No ano passado, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura [Unesco] lançou no Brasil as Diretrizes de Políticas para a Aprendizagem Móvel. Entre os benefícios, a Unesco cita a ampliação do alcance, individualização e continuidade da aprendizagem, além da otimização do tempo em sala de aula e retorno do resultado imediato. Como recomendações, estão a melhoria da conexão à internet, o acesso igualitário aos dispositivos e a capacitação de professores e estudantes.

Para que o projeto no Pedro II tenha continuidade, de acordo com Mônica, é necessário que o colégio tenha recursos para adquirir equipamentos, além da efetivação da infraestrutura de internet que ainda não está completa no país. “É essa questão do acesso de banda larga para todas as escolas, a gente só vai conseguir fazer essa migração quando conseguir resolver questões estruturais. Por ser um colégio federal, a gente está na mesma situação das outras escolas públicas brasileiras”.

Compras do governo

Apesar de o governo federal ter anunciado no fim de 2013 que, em 2015, os alunos da rede pública do país teriam acesso a livros didáticos digitais, o material até agora não foi disponibilizado. Segundo o presidente da Abrelivros, Antonio Luiz Rios da Silva, no edital de 2014 foi colocado a compra dos objetos digitais e, para este ano, estava prevista a oferta do LED pelas editoras, mas o governo não concretizou a compra. “Nós estamos numa discussão com eles para que a compra seja feita. Mas agora, com a restrição orçamentária, a coisa ficou mais complicada. As editoras produziram os livros, mas até agora não tivemos a disponibilização para as escolas porque o governo não comprou”.

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], responsável pelo Programa Nacional do Livro Didático [PNLD], foi procurado pela Agência Brasil, mas não se pronunciou. Segundo o Gerente de Tecnologia Educacional e Novos Projetos Grupo SM Brasil, André Monteiro, a editora forneceu, dentro do PNLD 2014, os chamados Objetos Educacionais Digitais.

São DVDs com objetos digitais, como áudios, vídeos, jogos e animações com orientações de uso para os professores e para os alunos. Temos produtos aprovados no formato de livro digital com objetos educacionais digitais anexados ao livro para o PNLD 2015, mas até o presente momento sem aquisição e distribuição definida pelo MEC/FNDE”.

Tanto Monteiro quanto Rios afirmam que apenas alguns países estão investindo na transição para o material didático digital, como Coreia do Sul, Finlândia e Estados Unidos. E o Brasil está bem longe disso. “Temos muito o que avançar na infraestrutura das escolas, na formação dos professores e principalmente na universalização do ensino de qualidade. O mais importante é que devemos enxergar o uso da tecnologia como uma ferramenta para impulsionar a criatividade, a inovação e a mudança no ambiente da sala de aula, principalmente na relação entre o professor e seus alunos”, disse Monteiro.

Para Fernanda Rosa, o Brasil tem um alto índice de distribuição de tecnologias digitais nas escolas. Segundo ela, 84% das unidades públicas urbanas são equipadas com laboratórios de informática e mais de 400 mil tablets entregues a professores do ensino médio. Porém, de acordo com a pesquisadora, existe uma deficiência na infraestrutura que dificulta o uso com foco na aprendizagem.

Uma pesquisa recente do Banco Mundial mostra que apenas 2% do tempo do professor brasileiro em sala de aula é utilizado com tecnologias. Outros países latino-americanos apresentam índices similares ou um pouco acima. E essa realidade dificilmente será alterada se não se pensar em políticas voltadas à aprendizagem, que se utilize dos benefícios da mobilidade que as tecnologias atuais disponibilizam”, disse.

Custo X peso

Estudantes aguardam com ansiedade o momento de trocar os livros pelo tablet. A estudante Luisa Lucas Antunes, de 14 anos, disse que no colégio particular onde estuda, na zona sul do Rio de Janeiro, ainda não adotou o livro digital, mas utiliza um aplicativo para fazer simulados. “Eu acho legal porque, pelo menos, tem um aplicativo que interage com os alunos, para preparar as provas de concurso e essas coisas. É um simulado, mas você também pode jogar, com perguntas de vários colégios”.

Para Luisa, além das possibilidades educacionais que a tecnologia oferece, o livro digital é uma oportunidade para se livrar do peso da mochila. “Eu nunca me interessei em ler livro digital, prefiro o de papel. Mas, para a escola, seria uma nova forma de ler, seria legal. O peso da mochila estraga as costas de todo mundo. Eu acho que todas as escolas já deveriam ter livro digital, em vez de continuar com as apostilas e cadernos”.

A digitalização pode significar uma redução do peso nas mochilas, mas pode aumentar o peso no orçamento dos pais, já que a produção de um livro didático é demorado e tem um custo alto, que aumenta quando se trata de autorizações para meio digital. Segundo o presidente da Abrelivros, o uso do livro digital na aprendizagem é um processo sem volta, mas ainda existem questões a resolver.

Tem a redução do custo de impressão e do custo logístico de distribuição, mas, por outro lado. tem todo o incremento do custo de você transformar aquele arquivo, que era um PDF para impressão, para ele virar um livro digital, não é um custo desprezível”.

Autora de livros infantis e juvenis, Anna Cláudia Ramos não acredita que o livro digital de literatura vá substituir o impresso, já que são plataformas diferentes que atendem a públicos diversos. Porém, para o livro didático, ela, que também é professora, é mais enfática quanto às vantagens da tecnologia.

Talvez, no futuro, os didáticos se tornem digitais. Já está se tornando, você clica no livro e já te joga para o país que você está estudando, imagina que máximo. Mas você pode conviver com as coisas todas. Tudo vai poder conviver junto e misturado. Eu acho que a grande questão é a gente não perder esse desejo de fazer livro ser uma coisa gostosa, não fazer algo para ser dever de casa, essa é a diferença”.

O estudo Aprendizagem Móvel no Brasil aponta que, para implementar o uso das tecnologias no ensino, é preciso desenvolver questões institucionais, como fortalecer o monitoramento das ações e avaliação nas secretarias de Educação, formação continuada e compartilhamento das ferramentas e experiências, além do desenvolvimento de parâmetros legais nacionais para subsidiar os avanços.

Por Akemi Nitahara | Edição Aécio Amado | Fonte Agência Brasil | 19/10/15, às 14h12

Biblioteca Central da UFPB vai digitalizar 10 mil teses e dissertações


Previsão é a de que todo o acervo esteja disponível em 2015.Em torno de 3 mil teses e dissertações já estão digitalizadas.

Em torno de 10 mil teses e dissertações impressas produzidas na UFPB vão passar pelo processo de digitalização a partir de novembro. Material será disponibilizado na internet. [Foto: Maurício Pereira da Costa ]

Em torno de 10 mil teses e dissertações impressas produzidas na UFPB vão passar pelo processo de digitalização a partir de novembro. Material será disponibilizado na internet. [Foto: Maurício Pereira da Costa ]

Teses e dissertações produzidas em quase quatro décadas na Universidade Federal da Paraíba, que antes se restringiam à consulta presencial, vão estar disponíveis a partir de 2015 com mais de 10 mil títulos correspondentes à produção de 1970 até 2007. Outros três mil títulos já estão disponíveis na plataforma da Base Digital de Teses e Dissertações Brasileiras, vinculada ao Ministério da Educação e Cultura [Mec]. A Biblioteca Central da instituição está entrando em contato com os autores para solicitar autorização de digitalização e publicação posterior.

A intenção é tornar toda a produção acadêmica da pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba acessível à população, que atualmente só tem a busca presencial como alternativa de pesquisa no próprio prédio da Biblioteca Central, no Campus I, em João Pessoa.

A bibliotecária e diretora da Divisão de Serviço ao Usuário, Susiquine Ricardo da Silva, explicou que a partir de novembro o trabalho de digitalização começa e todo o acervo deve estar disponível em 2015. “Esse trabalho vai tornar acessível todo esse trabalho de pesquisa realizado em âmbito nacional e internacional. Atualmente, esse acervo só está disponível na Biblioteca Central e não pode ser emprestado. Poucos alunos e professores têm acesso. Com a digitalização ampliamos a possibilidade de divulgação das pesquisas da UFPB”, frisou.

O Setor de Coleções Especiais, onde ficam armazenadas as coleções de dissertações e teses recebe a visita diária de 15 usuários, nos três turnos, para consultar os exemplares. O acervo impresso da Bibilioteca Central da UFPB é de 13 mil dissertações e teses impressas. Desse total, 3 mil já estão inseridas na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações [BDBT].

Por Wagner Lima | Publicado originalmente em Portal G1 | 21/09/2014

MEC estuda criar política nacional de conteúdos digitais para as escolas


O Ministério da Educação [MEC] estuda criar uma política nacional de conteúdos digitais para as escolas. A secretária de Educação Básica do MEC, Maria Beatriz Luce, adiantou à Agência Brasil que a ideia é incentivar as universidades a produzir esses conteúdos.

O nosso foco é pensar como podemos estimular as universidades, estudantes universitários, grupos de pesquisa para desenvolver esses conteúdos“, disse Beatriz. O MEC trabalha em conjunto com outros ministérios como o da Ciência, Tecnologia e Inovação e o do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. “Creio que não será complicado avançarmos bastante nos próximos meses. Espero que sim“, disse ela.

Para a secretária, o ensino precisa de inovações; de desenvolvimento científico e tecnológico. “Precisamos trabalhar na formação de pessoas e fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação no campo da educação. Pensar não apenas na aquisição [de conteúdos digitais], mas principalmente em fomentar o desenvolvimento de produtos que cheguem à escola“, disse.

Para que isso seja feito, a secretária destaca a necessidade de mais recursos, o que já está previsto no Plano Nacional de Educação [PNE], que deve ser sancionado até a próxima semana. A questão esbarra, contudo, em uma política curricular para o país: “Teremos que ter como referência a legislação vigente. Vamos ter que avaliar essas tecnologias para aquiri-las para nossas escolas“, ressaltou. Outra questão, segundo ela, é a expansão do uso de tecnologias digitais para a formação de professores da educação básica.

Beatriz participou hoje [18] do lançamento do projeto Geekie Games. Na ocasião, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira [Inep], Chico Soares, ressaltou a necessidade do uso dos conteúdos digitais: “Os jovens e as crianças de hoje já foram criados em outro ambiente, da máquina, do computador. Precisamos de ferramentas novas“.

Sobre a entrega de tablets para os professores dos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, anunciada no ano passado pelo então ministro da Educação, Aloizio Mercadante, Beatriz diz não ter conhecimento sobre quando isso será feito. “Que eu tenha conhecimento, não [vai ser feita essa ano]” destacou.

Por Mariana Tokarnia | Repórter da Agência Brasil | Edição Stênio Ribeiro | 18/06/2014

Brasília debate o futuro do livro digital


Entidades querem a redefinição do conceito de livros no Brasil, mas abrem mão da isenção fiscal a leitores digitais

Está marcada para amanhã [6] uma audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o futuro do livro digital no Brasil. No encontro, será tratado o Projeto de Lei 4.534/12, que atualiza e institui a Política Nacional do Livro [PNL], definindo, portanto o que é considerado livro no Brasil. Do jeito que está, o Projeto de Lei, cuja relatoria está a cargo da Deputada Fátima Bezerra, e-books e e-readers estão dentro do mesmo balaio, tratados como livros e, portanto, ambos receberiam a isenção prevista na Constituição Federal. E o pinga fogo vai ser daqueles. De um lado, estão as entidades do livro que defendem a isenção aos conteúdos [aos e-books, portanto] e do outro Amazon e Livraria Cultura que pelejam para que a isenção também seja levada aos leitores digitais. “Quem tudo quer nada tem. A nossa preocupação é que o PL está misturando duas coisas distintas”, comentou Sonia Jardim, presidente do SNEL. De acordo com ela, o medo é que, ao liberar os e-readers dos impostos, abra um precedente para que isente smartphones, tablets e toda sorte de aparelhos pelos quais se podem ler livros. “Numa comparação grosseira, o e-reader é uma estante e o e-book é o livro. Não faz sentido tratar como iguais coisas tão diferentes”, ilustra Sonia.

A CBL está em consonância com o SNEL no caso. A entidade observa que, desde que a questão do e-reder foi trazida para dentro das discussões do Projeto de Lei, só gerou polêmica e atrasou a tão sonhada redefinição do conceito de livro. “O que a CBL tem defendido é a atualização do conceito de livro que é bastante conservador”, observa Fernanda Garcia, gerente jurídico da casa. “A questão dos leitores digitais já atrasou o projeto. Nosso entendimento é que esse assunto deverá ser tratado em outra propositura”, arremata.

Em 2004, a Lei 10.925 foi resultado de um movimento semelhante e que levaram à desoneração de PIS/PASEP-COFINS editoras e livrarias brasileiras. Como contrapartida, os empresários deveriam doar 1% do seu faturamento para construção de um fundo para o financiamento de programas de bibliotecas e promoção da leitura. A contrapartida nunca saiu do papel. Mas as entidades garantem que, o movimento de abrir mão da isenção de e-readers não é uma forma de não trazer a tona as discussões sobre o passado. “Quando você pega a pesquisa da FIPE e compara 2004 e 2012, você vê que houve queda de 41% no preço médio dos livros no Brasil. Quem ficou com o benefício da desoneração foi o leitor”, aponta Sonia. E ela vai além e provoca os fabricantes de leitores digitais: “talvez os fabricantes de e-readers devessem assumir o compromisso de criar um fundo para fomentar as livrarias se elas vierem a ser impactadas nesse processo de migração do físico para o digital. Por que não?”, questiona Sonia.

A audiência pública está marcada para amanhã [6], a partir das 9h, no Plenário 12 da Câmara dos Deputados e terá o senador Acir Gurgacz; José Castilho Marques Neto, secretário do PNLL, a livreira Íris Borges e o escritor Fernando Morais discutindo O que é livro digital, a partir das 9h30. A segunda mesa, a partir das 11h30, vai tratar do tema Plataforma e formato dos livros digitais e terá como debatedores Monica Franco [MEC], Paula Bandeira [advogada] e Francisco Gomes [ANL]. Encerrando a audiência, a partir das 14h, a terceira mesa vai discutir o Mercado de Livros Digital no Brasil, com Fabiano Piuba [MinC], Karine Pansa [CBL], Mariana Zahar [SNEL], Alex Szapiro [Amazon], Sérgio Herz [Livraria Cultura], além de representantes do Ministério da Fazenda e da Receita Federal.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 05/05/2014

Comissões debatem o mercado de livro digital no Brasil


As comissões de Cultura; de Educação da Câmara dos Deputados promovem audiência pública nesta terça-feira [6] sobre o mercado do livro digital no Brasil e o PL 4534/12, que atualiza a definição de livro e a lista de equiparados a livro.

O PL 4534/12 inclui na definição de livro todos os títulos convertidos em formato digital, magnético ou ótico e aqueles impressos em Braille. A lei ainda equipara a livros os periódicos convertidos em formato digital, magnético ou ótico ou impressos no sistema Braille; as matérias avulsas ou artigos autorais originários de periódicos convertidos em formato digital, magnético ou ótico ou impressos no sistema Braille; os equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital e os equipamentos para audição de textos em formato magnético ou ótico de uso exclusivo de deficientes visuais.

O debate foi proposto pelos deputados Fátima Bezerra [PT-RN]; Iriny Lopes [PT-ES]; e Glauber Braga [PSB-RJ].

Foram convidados:

Mesa 1: O que é o livro digital?

  • o autor do PL 4534/2012, senador Acir Gurgacz;
  • o secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e leitura do Ministério da Cultura, José Castilho; e
  • os escritores Fernando Morais e Iris Borges.

Mesa 2: Plataforma e formato dos livros digitais

  • a representante do MEC, Monica Franco;
  • a advogada Paula Bandeira; e
  • o representante da Associação Nacional de Livrarias [ANL], Francisco Gomes.

Mesa 3: Mercado do livro digital no Brasil

  • o representante do Ministério da Cultura, Fabiano Piuba;
  • a representante da Câmara Brasileira do Livro [CBL], Karine Pansa;
  • a representante do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [SNEL], Mariana Zahar;
  • o representante da Amazon, Alex Szapiro;
  • o representante da Livraria Cultura, Sérgio Herz; e
  • representantes do Ministério da Fazenda e da Receita Federal.

O debate será realizado pela manhã, a partir das 9h30, e à tarde, a partir das 14 horas, no plenário 12.

Agência Câmara | Publicado originalmente em Correio Braziliense | 05/05/2014, às 11:34

Governo impulsiona livro digital


A inclusão de conteúdo multimídia no Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para o ensino médio de escolas públicas a partir de 2015 vai impulsionar o mercado de livros digitais, na avaliação de editoras.

A medida do governo federal será indutora [da difusão desse material]“, afirma Antonio Luiz Rios, CEO da editora FTD.

Um departamento de produção digital foi criado pela empresa e, no início deste ano, a editora lançou um canal de e-commerce exclusivo para a venda de livros didáticos multimídia ao mercado.

A receita ainda é ‘traço’ quando a gente compara com as vendas do segmento tradicional. Mas o movimento vai começar de forma intensa com a aquisição do governo.

A companhia inscreveu no programa federal 106 livros com conteúdo digital – 53 títulos voltados para alunos e o mesmo núme0ro destinado aos professores.

No ano passado, dos R$ 421 milhões que a FTD faturou com material educacional, 50% foram provenientes das vendas para a União.

No processo de compra do material para 2015, o prazo para que as editoras cadastrem suas obras terminará em 21 de junho, segundo o Ministério da Educação [MEC].

O material será selecionado no segundo semestre por uma comissão de docentes e, após essa etapa, um guia será encaminhado às escolas, que farão a escolha.

Depois dessa definição, cabe ao MEC a compra e a distribuição dos livros pelo país.

COLUNA MERCADO AERTO | Publicado originalmente em Folha de s.Paulo | 22/04/2014, às 03h00

Livros digitais nas escolas brasileiras


Google, iba e Árvore de Livros também poderão distribuir livros digitais

O caso MEC feat. Amazon iniciado no meio de março com o anúncio feito pela varejista como escolhida para distribuição de livros digitais às escolas brasileiras tem novos personagens. Já era sabido que a Saraivatambém tinha disto escolhida para a hercúlea missão de levar os livros digitais a alunos e professores da complexa rede pública de ensino brasileira. Agora, está confirmada a seleção do Google, do iba e da Árvore de Livros no páreo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/04/2014

Amazon x MEC


Amazon-21A Amazon conquistou manchetes nos jornais do mundo todo no início do mês após o envio de um comunicado à imprensa em que anunciava que o MEC, por meio do FNDE, tem trabalhado com a Amazon para converter e distribuir mais de 200 livros didáticos para centenas de milhares de professores do Ensino Médio público. Vários veículos de notícias publicaram a história. Mas isso não foi apurado de forma precisa. Sim, o governo brasileiro decidiu utilizar a plataforma Kindle para distribuir os PDFs que haviam recebido das editoras selecionadas para a edição de 2012 do Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio [PNLEM], mas a percepção de que a Amazon vai assumir ou dominar a distribuição digital de livros para o setor educacional público brasileiro é incorreta. Ela chegou a esse ponto depois de participar de um processo de licitação pública. De acordo com o documento, “as plataformas devem ser fornecidas gratuitamente” e “as parcerias podem ser estabelecidas com diferentes empresas ou não”. Em termos práticos isso significa que não há exclusividade garantida e que o governo pode optar por nunca usar uma plataforma aprovada. Além disso, a Saraiva também teve a sua plataforma aprovado no mesmo processo de licitação. A Amazon marcou um gol, mas está longe de ganhar o jogo.

Por Carlo Carrenho | Publishing Perspectives | 31/03/2014

Amazon e MEC: um divisor de águas?


Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 19/03/2014

Para quem, como eu, esperava que a grande novidade desse início de ano fosse o edital do PNLD 2016, o acordo MEC-Amazon para a distribuição de livros didáticos digitais caiu como uma bomba – daquelas bem indigestas.

Segundo nota divulgada esta semana pela própria Amazon, o acordo envolve “conversão digital e distribuição de mais de 200 livros didáticos em tablets” e “tecnologia da Amazon para gerenciar e distribuir esse catálogo de livros para professores do ensino médio de escolas públicas”. Os professores terão acesso ao material por meio de aplicativos Kindle instalados nos cerca de 600 mil tablets Android comprados pelo governo.

Pelo teor do notícia, esse primeiro convênio parece dizer respeito aos PDFs do PNLEM 2012, já negociados com as editoras. Mas as intenções da gigante norte-americana são bem mais amplas, a julgar pela declaração de Alex Szapiro, diretor geral da empresa no Brasil: “Esperamos trabalhar com o FNDE para alcançar alunos e professores em todas as séries, com o objetivo de contribuir para a melhoria da educação no país”.

O acordo acontece no âmbito de um edital de convocação publicado em outubro de 2012, que pedia “a estruturação e operação de serviço virtual para disponibilização de obras digitais e outros conteúdos educacionais digitais para professores, estudantes e outros usuários da rede pública de ensino brasileira, com ênfase nos títulos do PNLD, do PNBE e de outras ações governamentais na área de material escolar, por meio de tecnologia que assegure o atendimento em escala nacional e proteja os direitos autorais digitais e a propriedade intelectual dos acervos”. Segundo o documento, podem ser firmadas “parcerias com diferentes instituições simultaneamente ou alternadamente”, o que na prática quer dizer que outras interessadas, como Saraiva e Adobe, ainda podem estar no páreo.

O lado ruim da história

Com simultaneidade ou não, há muitos aspectos negativos para as editoras didáticas – a começar pelo fato de que elas tiveram a chance de construir uma alternativa coletiva para essa plataforma e não o fizeram. O projeto simplesmente não foi para a frente na Abrelivros em 2012/13.

Assim perdeu-se a chance de ganhar um aprendizado importante – e, sobretudo, de ter acesso direto ao próprio consumidor. Afinal, controlar a plataforma significa se relacionar com o público escolar: ter acesso a essa base de dados, saber como os livros estão sendo usados [trechos comentados, palavras consultadas, o ponto em que as pessoas deixam de ler] etc. É a chamada “big data”, tendência essencial hoje em tecnologia.

E agora uma das empresas que pode ter acesso a essas informações é a Amazon, concorrente em potencial das editoras. Lá fora, uma das apostas da empresa tem sido a autopublicação e até a edição direta de autores – em outras palavras, eles podem usar a experiência adquirida para 1] incentivar os professores a criar os próprios materiais [até aí, tudo bem] e 2] passar a criar e editar livros didáticos diretamente [alguém duvida?].

Tudo isso com tecnologia proprietária, o que quer dizer que os materiais produzidos e distribuídos talvez possam ser lidos apenas em aplicativos e plataformas da Amazon [que, é claro, rodam em qualquer dispositivo] –uma derrota também para os grupos de recursos educacionais abertos.

O imbróglio me trouxe à mente a última coluna de 2013, onde citei um artigo de Joe Wikert que vaticinava a “morte por irrelevância” das editoras. Segundo ele, “não é a Amazon que as está matando, e sim elas mesmas. Os editores […] estão se tornando menos relevantes a cada ano”.

Outra derrota para as editoras está no fato de que este é o segundo anúncio de conteúdo embarcado pelo MEC em tablets para professores no Brasil – e o segundo estrangeiro. Primeiro foram os vídeos de Khan Academy; agora, o aplicativo de leitura digital da Amazon. Corre à boca pequena, inclusive, que as editoras seriam tidas, entre as pessoas do ministério, como empresas que não entendem muito de digital.

Existe um lado bom

Feitas as devidas ressalvas, também é possível enxergar aspectos positivos no uso do app Kindle por professores de escolas públicas. Afinal, a Amazon possui talvez o maior [e melhor?] ecossistema de livros digitais do mundo; o simples fato desses docentes terem acesso a ele constituiria não só um processo de inclusão digital, mas também de incentivo à leitura.

E não é só na teoria: uma pesquisa da ONG inglesa QuickReads acaba de mostrar que leitores adultos tendem a ler mais se usam um e-reader. 48% dizem que a tecnologia os faz ler mais; mais de 40% citam a capacidade de consultar palavras no dicionário e de mudar o tamanho e aparência do texto como vantagens do digital. Por fim, 62% afirmam que o acesso a livros digitais gratuitos os faz ler títulos que normalmente não leriam.

Do ponto de vista das editoras, isso pode se traduzir em mais leitura [e vendas] de seus livros como um todo. Os professores podem se interessar por obras recomendadas nos livros didáticos, assim como por outros títulos disponíveis nas lojas digitais – e acessar tudo isso com um clique.
Da noite para o dia, um mercado de 600 mil leitores em potencial pode surgir – número nada desprezível na realidade brasileira, em que os e-readers ainda não chegam às centenas de milhares, e os tablets, já na casa dos milhões, são mais usados para acessar outros tipos de conteúdos.

Um divisor de águas

Não dá para saber ainda como vai ser o relacionamento MEC-Amazon. Segundo dito na CBN por Cristina de Luca, esse acordo ainda é um piloto – e, como todo piloto, pode ser que não funcione bem. Ao contrário da Amazon, as editoras sabem bem as dificuldades de levar esse tipo de recurso às escolas brasileiras [públicas ou particulares]. Pode ser também que outras alternativas surjam, ou até que o governo e a política mudem.

A única certeza é que esse é um acordo com potencial para ser um divisor de águas no mercado editorial brasileiro – para o bem e para o mal.

E você, o que acha?

Até a próxima,@gabidias
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Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 19/03/2014

Gabriela Dias [@gabidias] é formada em Editoração pela ECA-USP e atua desde 1996 na fronteira entre o impresso e o digital. Já fez multimídia, livro e site, mas hoje trabalha com tudo isso [e mais um pouco] na editora Moderna. Vive ainda em outras fronteiras: entre Rio e São Paulo, entre Higienópolis e Santa Cecília. É Flamengo, mas não tem uma nega chamada Teresa.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo, por dentro e por fora. Mensalmente, ela vai trazer novidades e indagações sobre o setor editorial didático e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.

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Amazon fornece tecnologia de graça para conversão de livros didáticos no Brasil


Empresa não receberá por serviço de digitalização; intenção da Amazon é ampliar uso de seu aplicativo paradidático. FOTO: Reuters

Empresa não receberá por serviço de digitalização; intenção da Amazon é ampliar uso de seu aplicativo
paradidático. FOTO: Reuters

SÃO PAULO | A varejista online Amazon anunciou nesta terça-feira que uma tecnologia da companhia foi escolhida pelo Ministério da Educação [MEC] para conversão digital e distribuição de mais de 200 livros didáticos em tablets, serviço pelo qual não será paga, conforme proposta do governo que foi aberta a companhias interessadas.

Embora a tecnologia Whispercast utilize o formato Kindle, compatível com o leitor digital de mesmo nome da Amazon, ela também roda em PCs e em tablets com sistema operacional Android, utilizado pela Samsung, e IOS, da Apple. Nos Estados Unidos, ela já é usada em diversas escolas como ponto de acesso para compra e distribuição de livros e documentos para programas educacionais.

Sem precisar o tamanho do investimento da Amazon, o diretor geral da operação brasileira, Alex Szapiro, afirmou que a companhia apostou na investida para popularizar o uso de seu aplicativo, e, principalmente, fomentar o hábito de leitura em dispositivos digitais.

Com o aplicativo gratuito, os professores podem, por exemplo, realizar anotações e usar o dicionário diretamente nos livros didáticos.

Pessoas com maior grau de leitura vão acabar consumindo mais livros. É um projeto de longuíssimo prazo“, afirmou Szapiro à Reuters. Segundo dados da Câmara Brasileira do Livro, os livros didáticos respondem por 35 por cento do faturamento do setor como um todo, considerando tanto títulos físicos quanto digitais.

No âmbito do termo de cooperação com o governo, que tem vigência até fevereiro de 2015, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE] já está utilizando a tecnologia da Amazon para gerenciar e distribuir seu catálogo de livros didáticos digitais para professores do ensino médio de escolas públicas. Até o momento, mais de 40 milhões de títulos foram entregues.

Em 2012, o MEC anunciou a compra de cerca de 382 mil tablets voltados para esse público mediante um desembolso de 117 milhões de reais. Na época, as empresas nacionais Positivo e Digibrás venceram pregão eletrônico para fornecer os equipamentos, num processo do qual a Amazon não participou.

Atualmente, o tablet da companhia norte-americana, o Kindle Fire, não é vendido no Brasil – apenas os e-readers da marca são comercializados no país. No Congresso, tramita um projeto de lei para isentar equipamentos do tipo de impostos, para que passem a receber o mesmo tratamento dos livros de papel.

Segundo Szapiro, os e-readers poderiam ser de 40 a 50 por cento mais baratos sem a incidência de IPI, imposto de importação, ICMS e PIS/Cofins, desconto que a Amazon pretende repassar aos consumidores caso a companhia deixe de arcar com os encargos tributários. O Kindle é vendido no Brasil por 299 reais, com o modelo mais caro Paperwhite chegando a 699 reais.

Após pouco mais de um ano vendendo apenas livros digitais no país, a Amazon passou a ofertar o dispositivo eletrônico em seu site brasileiro no início de fevereiro.

Por Marcela Ayres | Reuters | 18/03/2014 | Edição Juliana Schincariol | © Thomson Reuters 2014 All rights reserved.

Acordos para o PNLD 2016


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 07/03/2014

Depois de enormes investimentos digitais de editoras educativas para o PNLD [Programa Nacional do Livro Didático] 2015, muitas pessoas da comunidade de e-books ficaram surpresas com a diretriz do MEC de voltar aos PDFs para as versões estudantis [o tema foi tratado em reportagem no PublishNews]. [As versões dos professores serão totalmente digitais, mas falaremos disso mais adiante]. Pessoalmente, não fiquei muito surpreso. Acredito que o MEC tomou um gole do coquetel de frutas de padrões que descrevi no meupost de novembro e talvez teve uma reação alérgica.

Na ausência de um único padrão para livros didáticos interativos para o PNLD 2015, as editoras ficaram livres para gerar soluções. O que vimos foi uma variedade de formatos de fazer inveja a um bar de sucos no Rio. Algumas poucas plataformas proprietárias estavam replicando a experiência de um PDF, mas com nomes de arquivos diferentes e proteção anticópia especial. Outras simplesmente mostravam cada “página” do livro como uma imagem [quer dizer, a captura do texto era impossível]. Algumas soluções foram implementadas como apps totalmente personalizadas.

Mas vamos parar para pensar como os e-books interativos seriam realmente usados. Um estudante aprendendo português precisa aprender como navegar por uma app personalizada enquanto um estudante praticando inglês precisa folhear uma “revista digital”? Ou um estudante de química precisa sincronizar suas experiências com a nuvem enquanto o estudante de física precisa inserir um DVD-Rom e instalar o mais recente plug-in de Java para que a app dela funcione? A ideia de suportar tantas soluções diferentes de tantas editoras faz com que minha cabeça gire e olha que adoro tecnologia. Imagine como se sentiria um estudante usando uma tablet pela primeira vez. Não é à toa que o MEC em 2016 parece preferir os PDFs – um padrão de arquivo desde 1993 que quase todo mundo conhece.

A grande vantagem do PDF? É um formato de arquivo usado para representar documentos impressos de uma maneira independente do software, hardware e sistema operacional. A interatividade está limitada a links básicos e navegação, mas qualquer computador com a versão mais recente do Adobe Acrobat pode abrir.

Então, qual é o problema? Não deveríamos ficar feliz com o PDF e tudo bem?

Bom, eu argumentaria que 20 anos depois do PDF, temos outros padrões – tão portáteis e compatíveis quanto o PDF – só que bem mais flexíveis e interativos. Padrões como HTML5 [e seus amigos JavaScript e CSS3]. Padrões abertos que não exigem uma licença nem um grau especial de programação para dominar. Padrões que rodam em qualquer aparelho, e sistema operacional, e não exigem nenhum aplicativo ou mesmo plug-ins [só um simples browser] para funcionar. Padrões que podem ser deixados abertos para que o mundo edite [usando um editor de texto] ou embrulhado em ePub3 para entrega segura em plataformas de leitura ou até embrulhados em uma estrutura básica para lojas de app.

Então, o que fazer?

Para as versões estudantis se precisamos voltar ao básico e aceitar o PDF, que seja. Para as versões dos professores, vamos escolher um padrão aberto moderno que facilite a educação. De qualquer forma, precisamos chegar a um acordo.

Editoras do PNLD, como vocês querem produzir para o edital de 2016? Vão com uma plataforma aberta ou licenciar uma comercial? Vocês veem os padrões abertos como uma forma de facilitar seu trabalho ou sentem que precisam continuar proprietários para se diferenciar? Quero ouvir suas opiniões: greg@hondana.com.br

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 07/03/2014

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Modernos equipamentos escolares estão encaixotados no Rio Grande do Norte


Mais de 1.700 tablets comprados para alunos da rede pública de ensino do Rio Grande do Norte estão encaixotados em um galpão em Natal. Com os tablets, foram gastos R$ 820 mil e há outros R$ 3,2 milhões previstos para aquisição de lousas interativas que compõem o kit que seria utilizado nas escolas potiguares. A empresa quer um acréscimo de 16% para compensar a alta do dólar e, por isso, não entregou os projetores das lousas. O MEC proibiu os estados de completarem a verba, impasse que levou o Ministério Público a abrir um procedimento para verificar a inutilização dos tablets.

Por TV Globo | Bom Dia Brasil | Portal G1 | 05/02/2014

Mochila digital


MEC aplicou R$ 67 milhões em ferramentas digitais complementares aos livros impressos

Há 60 anos, a novidade nas listas de material escolar era a caneta tinteiro. Nos anos 50, apareceram as esferográficas e já não era preciso enfrentar derrames desastrosos de tinta. Agora, a novidade é mais clean e mais cara: os tablets. Para 2014, o MEC aplicou R$ 67 milhões em ferramentas digitais complementares aos livros impressos. Essa quantia corresponde a 6% do total de R$ 1,1 bilhão gasto por meio do PNLD em material dos ciclos Fundamental e Médio. O edital de compra para 2015 já prevê a aquisição de livros digitais e obras multimídia, com vídeos, animações, mapas interativos e outros recursos associados aos textos escritos. Em 2013, também foram repassados R$ 140 milhões para as redes estaduais para a compra de 460 mil tablets para professores do Ensino Médio.

Por Celso Ming – Colaborou Danielle Villela | O Estado de S. Paulo | 01/02/2014

Novo edital do MEC para tablets


Está no forno do FNDE um novo edital para interessados em vender uma montanha de tablets para as escolas públicas. Será pelo sistema de registro de preços em ata. Ou seja, os selecionados poderão vender e entregar diretamente para qualquer prefeitura ou governo estadual sem a necessidade de novas licitações.

Após a entrega de 640 mil tablets para professores do Ensino Médio, desta vez serão contemplados os mestres do Ensino Fundamental, que é o dobro disso. Uma parte talvez fique para 2015.

Galeno Amorim

Ministério receberá propostas de aplicativos para tablets


O Ministério da Educação abriu inscrições até 21 de setembro para o recebimento de propostas de aplicativos educativos para tablets, que tenham por objetivo enriquecer o currículo dos alunos, bem como contribuir para a formação continuada dos professores.

De acordo com o edital publicado no Diário Oficial da União, o aplicativo deve ser totalmente gratuito para o usuário, funcionar no sistema operacional Android 4.0 e ficar hospedado na loja virtual Google Play. Os aplicativos inscritos devem estar redigidos em língua portuguesa, ou traduzidos para o português do Brasil. Também serão aceitos aplicativos educativos nos idiomas inglês e espanhol, desde que sejam aplicativos de cursos dos respectivos idiomas.

Os aplicativos podem ser desenvolvidos para quatro áreas diferentes. A primeira delas é de enriquecimento curricular, voltada para as diferentes etapas da educação básica. Há também duas áreas voltadas para a capacitação dos professores e por fim, uma área para desenvolver aplicativos acessíveis para alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades-superdotação.

Em 23 de setembro, haverá a instalação de um comitê técnico, que avaliará as propostas inscritas. A homologação dos resultados será publicado no DOU em 22 de novembro. O prazo para recursos vai de 25 de novembro a 2 de dezembro. Os resultados finais sairão em 10 de dezembro.

Experiência – O professor Rony Claudio de Oliveira Freitas, do Instituto Federal do Espírito Santo, desenvolveu um aplicativo de matemática baseado no Material Dourado, criado pela educadora italiana Maria Montessori, utilizado para ensinar conceitos de número e operações aritméticas nas séries iniciais do Ensino Fundamental.

Segundo ele, a intenção é transformar o processo de aprendizagem de matemática em algo interativo e lúdico. Rony explica que o professor pode utilizar o aplicativo como forma complementar ao que já realiza em sala de aula com os materiais tradicionais. Ele pretende também criar um software para que o professor possa acompanhar o desenvolvimento da atividade nesse aplicativo, fornecendo dados sobre o desempenho dos alunos, o tempo gasto, e a trajetória de resolução.

A criação do aplicativo é fruto da continuação da pesquisa de mestrado do professor Rony, intitulada Um Ambiente para Operações Virtuais com o Material Dourado. A pesquisa de mestrado resultou em um software. Em 2012, o docente participou de um edital de incentivo a projetos de pesquisa do campus Vitória do Instituto Federal do Espírito Santo, em que foi contemplado e recebeu apoio financeiro para o projeto Um aplicativo para Android como potencializador da aprendizagem de conceitos de número e operações aritméticas. A parte técnica do aplicativo foi desenvolvida por José Alexandre Macedo, estudante do mestrado em Informática da Universidade Federal do Espírito Santo [Ufes]. O aplicativo é gratuito e pode ser baixado no Google Play.

Assessoria de Comunicação Social | Sexta-feira, 13 de setembro de 2013, às 17:58 | Com informações da assessoria de comunicação social do Instituto Federal do Espírito Santo

Mercado de livros digitais triplica vendas em 2012


O mercado de livros digitais cresceu mais de 350% de 2011 para 2012. Mesmo assim, ainda não alcança 1% do faturamento das editoras no Brasil. É o que aponta a pesquisa feita pela Câmara Brasileira do Livro [CBL]. A diretora da CBL, Susanna Florissi, garante que o livro digital, ou eBook, já é uma realidade, mas tanto o mercado editorial como os consumidores ainda precisam se adaptar à nova plataforma de leitura.

“Tem vários formatos, uns são mais simples, como o próprio PDF, que muitos profissionais não consideram como livro digital mas eu considero, temos o ePub, e existem também livros digitais muito mais elaborados, que são mais caros de serem produzidos, como os livros interativos, que tem som, movimento, vídeo no livro”.

O PDF é um formato mais “duro”, sem adequação, por exemplo, do tamanho da letra, mas é de fácil acesso e compatível com praticamente todos os computadores, tablets e smartphones. O ePub é a plataforma mais popular para eBooks, é estático e oferece adequação do tamanho da letra. Já os aplicativos são produtos desenvolvidos para ter mais interatividade e possibilidades, como movimento, áudio e vídeo.

Susanna ressalta que, no Brasil, o setor ainda está no início do desenvolvimento, mas o mundo inteiro está se acostumando a esse modelo de negócios. “Todos estão tentando ver que custo vai ter o livro de fato, qual o preço que o livro deve ser vendido, estamos todos nessa busca”.

De acordo com a pesquisa da CBL, 68% das editoras comercializam livros digitais, sendo que 59% ainda estão inseguras quanto ao formato a ser utilizado. Do total que respondeu a pergunta, 58,7% usam plataformas dos canais de venda e 52,4% usam distribuidoras digitais. A maioria, 70%, vendem o arquivo com DRM, um tipo de bloqueio que não permite que sejam feitas cópias.

Quanto ao faturamento, 54% disseram que a venda de livro digital não chega a 1% do total e 10,53% responderam que está acima de 50%. Para Suzanna, é uma questão de tempo e investimento para o mundo da leitura se fundir com o virtual. “Não que o livro impresso vá desaparecer, mas simplesmente o livro digital é um complemento, principalmente o livro didático”, diz.

“Com o passar do tempo vamos ter mais possibilidade de todo mundo entender o que é o livro digital, até por isso o nosso esforço com o Congresso, trazer pessoas de fora. Desde que a gente passou a mandar os livros para a gráfica não mais em filme, não mais em fotolito, mas sim em PDF, a gente tem o livro digital. Agora, sempre que eu começo a escrever um livro, não penso mais só naquilo que via no PDF, penso naquilo que vai também para o aplicativo, para uma nuvem onde eu tenho interatividade, então já é uma nova forma de escrever e de se publicar”.

De acordo com Suzanna, grandes corporações como Apple Store e Google Play são os principais meios de venda do livro digital. Com um estande na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o gerente de Parceiras do Google Brasil, Newton Neto, explica que o momento é de difundir o livro digital para popularizar cada vez mais a plataforma. “É um movimento natural que deve acontecer no Brasil. Ontem [quarta-feira], a gente anunciou que são mais de 1 bilhão de celulares com dispositivo Androide no mundo, então acho que as plataformas móveis vão ajudar a popularizar muito o livro digital e é um caminho natural, que vai acontecer com o tempo”.

A Google Play tem, no Brasil, 5 milhões de livros disponíveis para venda e download gratuito, das principais editoras brasileiras. Na Apple Store, estão disponíveis para o leitor mais de 1,5 milhão de livros digitais.

Na Bienal, a Google disponibilizou tablets e celulares com conteúdo pré-carregado para as pessoas testarem a plataforma. “Há um interesse muito grande, principalmente pelos jovens, na adoção do livro digital, desperta muita curiosidade. É uma oportunidade que o Brasil tem de popularizar a leitura, por meio das mídias digitais, pois os desafios logísticos no país são grande, pra você mandar um livro impresso para um leitor em Manaus é muito complicado, então a gente acredita que essa plataforma vai reduzir a distância entre os leitores e o livro”, diz Neto.

Outra prova da tendência da digitalização dos livros é o sucesso do Portal Domínio Público, do Ministério da Educação [MEC]. Criado em 2004 com 500 obras, hoje são 171.311 obras disponíveis, a maioria de textos, mas também há imagens, sons e vídeos. De acordo com o MEC, o portal está em processo de reestruturação e, apesar de estar sem atualização há três meses, continua campeão de acesso no portal do ministério, com média mensal 400 mil acessos. Além de obras que já estejam em domínio público de acordo com a lei de direitos autorais, autores que queiram divulgar seu trabalho também disponibilizam material no portal.

Entre os destaques do Domínio Público estão a obra completa de Machado de Assis, disponibilizado por ocasião do centenário de morte do escritor, em 2008, poemas de Fernando Pessoa, peças de William Shakespeare, Sófocles e Gil Vicente, livros de Joaquim Nabuco, Aluísio Azevedo, Eça de Queiroz, Miguel de Cervantes e Júlio Verne, além de literatura infantil, música erudita brasileira, hinos e a coleção História Geral da África. Os arquivos são disponibilizados em formato PDF para textos e MP3 para áudios.

O recordista de acessos no Portal Domínio Público é a Divina Comédia, de Dante Aliguieri, com mais de 2 milhões de downloads. Em segundo lugar está Angola e as Novas Tecnologias de Informação, de Victor Natanael Narciso, com 1,8 milhão de acessos, seguido de Poemas, de Fernando Pessoa, com 831 mil downloads, e Romeu e Julieta, de William Shakespeare, que foi acessado por 546 mil pessoas.

O Ministério da Educação também planeja para 2015 a inclusão de livros em formato digital na distribuição do Programa Nacional do Livro Didático.

NE10 | 05/09/13

PNLD e Bienal: realidades digitais bem distintas


Por Gabriela Dias | Publicado e clipado originalmente de PublishNews | 28/08/2013

O fim de agosto está contrapondo, sem querer, realidades digitais bem distintas. No último dia 23, acabou o prazo de entrega dos e-books do PNLD 2015 [Programa Nacional do Livro Didático]; no dia 29, começa a 16ª Bienal do Livro, que em 2013 comemora 30 anos quase sem falar de livro digital.

Com o PNLD 2015, o segmento didático parece ter dado um salto à frente do resto do mercado no que tange à cultura digital. Instigadas pelo MEC a entregar livros digitais enriquecidos, as editoras didáticas tiveram que aprender [ainda que aos trancos e barrancos] o que significa fazer um e-book – que não basta produzir no formato X ou Y, por exemplo; que há que se considerar também o peso dos arquivos, a[s] forma[s] como eles serão distribuídos e a[s] plataforma[s] de leitura nos diversos dispositivos.

Tudo isso significou um primeiro semestre muito duro para essas editoras: horas extras, incontáveis reuniões, muito investimento e experimentação. O trabalho foi tão intenso que tanto o prazo de entrega dos livros físicos quanto o dos digitais teve que ser adiado – o que, na prática, quer dizer que o segundo semestre será tão ou mais puxado que o anterior.

Mas será que valeu a pena?

Depois da tempestade, vem a bonança

Passada a tempestade de oito meses de incertezas e dúvidas, minha impressão é que esse “intensivão” teve saldo positivo. O período de reorganização de fluxos e processos não só agregou o digital de vez às estruturas produtivas das editoras didáticas, como também fez dele moeda corrente entre os funcionários em geral.

Se até 2012 o digital ainda era visto como “aquela coisa estranha que um departamento específico faz”, em 2013 ele passou a ser assunto de todos e para todos. Essa mudança de mentalidade se refletiu no organograma de algumas editoras, em que o departamento digital deixou de ser algo à parte para ser incorporado às estruturas editorais já existentes.

Pudemos sentir isso na primeira turma do curso Alt+Tab, em maio. Pensado para profissionais de qualquer setor editorial, o curso “Livro Digital: o que você sempre quis saber [mas tinha medo de perguntar]” acabou atraindo 80% de pessoas oriundas de editoras didáticas em sua edição inicial. A ansiedade era grande, e a avidez por informação também – o que se refletiu no engajamento da turma no ambiente online do curso, mesmo após as aulas terminarem.

A mudança é tão forte que até os autores de livros educativos estão começando a se preparar para a nova era. Sua associação, a Abrale, começa este mês uma série de eventos destinados ao debate sobre o livro digital.

Por enquanto, a transformação é mais intensa nas equipes ligadas à criação e à produção dos livros. Mas é questão de tempo para que a mudança se intensifique em áreas como marketing e vendas – basta chegar a hora apropriada, seguindo-se o calendário do PNLD.

Os números [não] mentem

O avanço digital do segmento didático não se refletiu ainda nos números de vendas. Na pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro” referente a 2012, divulgada em julho pela Câmara Brasileira do Livro [CBL] e Sindicato Nacional dos Editores de Livros [SNEL], o setor aparece como o último do mercado em número de e-books e aplicativos vendidos e o penúltimo em faturamento com conteúdo digital.

Mas como interpretar esses dados quando a prática do setor tem sido “dar” o digital como acessório na compra do livro impresso? E como medir a penetração do conteúdo didático digital sem considerar o uso nos sistemas de ensino, cuja venda não se baseia apenas em e-books e apps?

É por essas e outras que, quando me perguntam dos números digitais do setor, sempre digo que não há estatísticas confiáveis. Na verdade, se não nos prepararmos para fazer essa medição de modo apropriado aos novos modelos de negócio trazidos pelo digital, pode ser que continuemos tendo números irrelevantes por um tempo – o que renderia uma coluna à parte.

Enquanto isso, na Bienal…

Apenas seis dias separam a entrega dos e-books do PNLD da Bienal no Rio, mas parecem anos de distância. Só como exercício, tentem buscar a palavra “e-book” no site oficial da feira e vejam o que acontece.

Após muito esforço, consegui descobrir que o evento reservou o digital para públicos como o jovem [no#acampamentonabienal] e o profissional [com a Contec e o colóquio “O acesso à biblioteca no clique do mouse: a Mediateca Digital”]. O mesmo ocorreu na Flip em julho, quando o digital só apareceu em eventos paralelos como os da Casa Kobo Livraria Cultura.

Pelo visto, as iniciativas digitais na Bienal 2013 ficarão por conta dos expositores – Kobo [no pavilhão Azul], Amazon e Google [ambas no pavilhão Verde] terão estandes pela primeira vez. Detalhe: o IBA, plataforma digital da Abril, é patrocinador do Café Literário.

Considerando que o evento é o ponto alto do ano para os setores de obras gerais; religiosas; e científicas, técnicas ou profissionais, e que há apostas de que as vendas de e-books no Brasil cheguem a 3 milhões de unidades já em 2013, será que ainda deveria ser assim?

Por Gabriela Dias | Publicado e clipado originalmente de PublishNews | 28/08/2013

Gabriela Dias

Gabriela Dias

Gabriela Dias [@gabidias] é formada em Editoração pela ECA-USP e transita desde 1996 entre o papel e o virtual. Atualmente, presta consultoria e realiza projetos nas áreas de educação e edição digital.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo. Periodicamente, ela traz novidades e indagações sobre o setor editorial didático – e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.

eBook no Brasil: a hora da verdade!


Se tudo seguir conforme o figurino, já em 2021 talvez o governo compre só eBooks didáticos. Nessa toada, em 2018 o impresso pode vir a ser um mero anexo do livro digital e em um horizonte mais próximo, 2015, para cada livro impresso adquirido pelo MEC as editoras terão que entregar o eBook correspondente. Já sabe o impacto que isso terá no mercado editorial brasileiro e na leitura digital, incluídas as obras de literatura?!

Blog do Galeno | Galeno Amorim

FNDE busca parcerias para disponibilização de obras digitais


ASCOM-FNDE [Brasília] | Empresas interessadas em estruturar e operar serviço virtual, público e gratuito, para disponibilização, por meio da internet, de conteúdos digitais do Ministério da Educação [MEC] podem enviar propostas para firmar parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE]. As propostas podem ser entregues de hoje até o dia 15 de outubro de 2013 à Coordenação Geral dos Programas do Livro [CGPLI/FNDE, Setor Bancário Sul, Quadra 2, Bloco F, Brasília, DF, CEP 70.070-929].

O objetivo é constituir acordos de cooperação, sem ônus para o FNDE, para distribuição remota de obras digitais voltadas para professores, alunos e outros agentes da rede pública de ensino – universo estimado em até 50 milhões de usuários. Devem ser disponibilizados títulos do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD], do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE] e de outras iniciativas do MEC. Cada lote de obras digitais será disponibilizada para públicos específicos, com regras para controle de acesso e garantia aos direitos autorais e à propriedade intelectual dos acervos.

Veja o edital de convocação para a formação de parcerias tecnológicas

FNDE | 17/10/2012

Regra do MEC pode estimular demanda por eBook nas universidades


Instituições de ensino são autorizadas a ter parte do acervo das bibliotecas em formato digital

Uma mudança nas exigências do Ministério da Educação [MEC] poderá impulsionar a demanda por conteúdo eletrônico nas bibliotecas universitárias. No mais recente instrumento de avaliação de cursos de graduação, datado de fevereiro de 2012, o MEC passou a permitir que as bibliotecas das instituições de ensino superior tenham parte do acervo de bibliografia básica, exigida nos cursos, em formato digital. Antes, toda a bibliografia básica deveria estar disponível fisicamente, em quantidade de exemplares proporcional ao número de alunos. O ministério já permitia que a bibliografia complementar fosse toda digital.

A mudança pode vir a estimular a compra de conteúdo digital, já que ela pode sair mais barato do que a aquisição de exemplares físicos. No caso da Biblioteca Virtual Universitária da Pearson, por exemplo, o custo da assinatura mensal do serviço por aluno pode variar de R$ 0,70 a R$ 7,00, dependendo das condições do contrato.

De acordo com o documento do MEC, para conseguir uma nota de avaliação 3, por exemplo [numa escala de 1 a 5], uma instituição de ensino precisa ter pelo menos um exemplar dos títulos exigidos como bibliografia básica para cada grupo de 10 a 15 alunos. Porém, se a instituição oferecer esse título também digitalmente, a proporção fica sendo de um exemplar para um grupo de alunos cerca de 30% maior, que varia de 13 a 19.

Na interpretação da Pearson, isso permite que e alguns casos até 30% do acervo de bibliografia básica seja digital. Procurado pelo PublishNews, o MEC não esclareceu a regra.

O serviço de biblioteca virtual não apenas pode representar economia, mas faz com que todos os alunos possam ter acesso ao conteúdo exigido ao mesmo tempo, sem limitação de exemplares, e com várias ferramentas que facilitam a leitura”, afirma Laércio Dona, diretor da Pearson.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 07/05/2012

Pearson amplia Biblioteca Virtual


Serviço que disponibiliza livros digitais a universitários ganha novas editoras e ferramentas

Pearson lançou em abril a terceira versão da Biblioteca Virtual Universitária, expandindo os recursos e o número de editoras incluídos no serviço que dá aos alunos de ensino superior brasileiro acesso a livros digitais por meio de uma plataforma virtual.

Passam a compor o catálogo da biblioteca títulos das editoras Martins Fontes, Educs [da Universidade Caxias do Sul], Jaypee Brothers [multinacional especializada em livros médicos], Rideel e Companhia das Letras, que no ano passado vendeu 45% das ações para a Penguin, do grupo Pearson. Ao todo, são 13 editoras, incluindo a própria Pearson e outras como Manole, Contexto, IBPEX e Ática e Scipione [ambas da Abril Educação].

Lançada em 2005 com pouco mais de cem títulos, a Biblioteca Virtual agora soma 1,5 mil obras em 40 áreas do conhecimento. É o maior serviço desse tipo no Brasil, usado por pouco mais de cem instituições brasileiras de ensino superior que abarcam 2,2 milhões de alunos, segundo a Pearson. Para ter acesso à plataforma, as instituições pagam uma assinatura mensal por usuário, e estes têm acesso à leitura ilimitada dos textos digitalizados.

O concorrente mais conhecido da Biblioteca Virtual é a Minha Biblioteca, consórcio que foi formado em 2011 por Saraiva, Grupo A, Gen e Atlas, algumas das principais editoras acadêmicas nacionais, mas cujas operações ainda são tímidas perto do serviço da Pearson.

De acordo com Laércio Dona, diretor de negócios de ensino superior, idiomas e serviços educacionais da multinacional, a meta é ampliar o catálogo de títulos da em 30% até o fim de 2012. “Mas nosso objetivo não é aumentar tanto o número de editoras, porque com as que temos já conseguimos uma boa cobertura das várias áreas de conhecimento contempladas pelos cursos das instituições de ensino”, afirma.

A Biblioteca Virtual foi desenvolvida em parceria com a Digital Pages e, na sua versão 3.0, permite que os alunos façam comentários nos textos e compartilhem as anotações em redes sociais. O conteúdo também passa a estar disponível para acesso em tablets que operam no sistema Android [do Google] e iOS [da Apple]. Outra diferença é que os usuários agora podem imprimir parte das obras por meio do pagamento de uma licença, que remunera editora e autor.

A expectativa é que a demanda pelo serviço de biblioteca de livros digitais cresça significativamente graças a mudanças nas regras do Ministério da Educação. A Pearson também desenvolverá um serviço de biblioteca virtual para a educação básica, mas ainda sem data para estrear.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 07/05/2012

Comissão aprova distribuição de didáticos em formato digital


A Comissão de Educação e Cultura aprovou na ultima quinta-feira, 8,  proposta que obriga o Ministério da Educação [MEC] a oferecer suas coleções de livros didáticos e paradidáticos, destinados a alunos e professores, também em formato digital.
A medida está prevista no Projeto de Lei 965/11, do deputado Romero Rodrigues [PSDB-PB].

A relatora, deputada Alice Portugal [PCdoB-BA], argumentou que a medida deverá permitir que os docentes e estudantes tenham acesso ao material distribuído pelo MEC a qualquer tempo e em qualquer lugar.

Hoje, com o advento de novos suportes de informação, os alunos podem ter acesso aos mais diferentes recursos multimídia e de informática. Nesse sentido, os programas de distribuição de livros didáticos podem e devem se adaptar a essa nova realidade”, argumentou.

Tramitação

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada ainda pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Leia a íntegra da proposta PL-965/2011.

Agência Câmara | 09/12/2011

Adquirir conhecimentos deve ficar mais fácil com novas tecnologias


O Ministério da Educação promove nesta terça-feira, 6, no Rio de Janeiro, encontro com especialistas em novas tecnologias que mudam formas tradicionais de transmissão do conhecimento. O evento Educação e novos Paradigmas [EDUTec] segue até às 18horas.

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, a iniciativa é oportuna e importante para o futuro da educação brasileira. “A próxima década vai ser marcada por uma reforma profunda das salas de aula, dos laboratórios e das bibliotecas por meio da revolução digital”, disse em vídeo exibido na abertura do evento.

Na mesma mensagem aos participantes do EDUTec, Haddad explicou que temos que nos preparar para isso, sobretudo a partir da produção de conteúdos digitais educacionais, da convergência de mídias e de uma série de providências que precisam ser tomadas agora para que a educação tire o maior benefício das transformações tecnológicas.

Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, o EDUTec é um marco para possibilitar que as várias plataformas e ações do Ministério da Educação, como a TV Escola, se tornem mais consistentes em relação à garantia da aprendizagem. “Desejo que a gente saia daqui com conteúdos que possam nos ajudar nesse novo desenho da TV Escola e da integração das múltiplas plataformas desenvolvidas e coordenadas pela Secretaria de Educação Básica”, afirmou.

A programação do encontro está organizada em quatro blocos de curtas conferências. Além de brasileiros, conferencistas da Inglaterra, Itália, Estados Unidos, Finlândia, Malásia, Argentina, Venezuela e Espanha apresentam experiências com novas tecnologias.

Ascom SEB | 06/12/2011

Escolas testam formas de usar tablets em sala


Lançamento de novos modelos e preços mais baixos incentivam colégios a desenvolver metodologias e atividades com a ferramenta

Com o lançamento de novos modelos e a queda de preços, os tablets invadiram as escolas. Nos colégios de classe média alta, quase todos os estudantes têm o seu. Mas, passada a curiosidade inicial, o que fazer com ele?

Teoria e prática. Alunos do Dante Alighieri durante aula de física

Um colégio de São Paulo tentou entender o interesse dos adolescentes e mostrou que, quando o assunto é literatura, o livro de papel vence a concorrência. A pesquisa do colégio Humboldt, realizada em junho com 241 estudantes do ensino médio, mostrou que 84% deles não abrem mão da leitura em livros de papel, mesmo com a chegada dos e-books, que agregam vídeos e áudios.

A sensação de segurar o papel não dá para substituir. Fico animada só de ver a prateleira cheia de livros“, diz Julia Gabriel Silva, de 15 anos, que cursa o 1.º ano do ensino médio.

Em outros colégios, os coordenadores pedagógicos estão empenhados em desenvolver metodologias e atividades em que o tablet seja usado para estimular os alunos nos conteúdos de disciplinas por vezes bem áridas.

Distribuição

Sempre uso nas aulas de física, de biologia e de matemática“, diz Bárbara Carli, de 15 anos. Ela é aluna do colégio Dante Alighieri e, por já carregar o objeto na mochila, foi selecionada para fazer parte do projeto-piloto que o colégio executou no primeiro semestre.

Ao longo desse período, Bárbara usou o aparelho para resolver exercícios de lançamento horizontal na disciplina de física, trocar elétrons nas reações de química e pesquisar a biografia dos autores do arcadismo.

A partir deste mês, todos os estudantes do 1.º ano do ensino médio receberão um tablet. O colégio enxerga o uso do equipamento como uma progressão natural. “Aqui, todos já usam notebook. Na época da gripe suína, por exemplo, ficamos sem aulas presenciais, mas conseguimos validar dez dias porque tínhamos uma plataforma tecnológica de ensino a distância“, afirma a coordenadora do departamento de tecnologia educacional, Valdenice de Cerqueira.

O objetivo é estender a estratégia para o colégio inteiro em 2012. “Vamos usar esse tempo para garantir que não estamos fazendo mais do mesmo e verificar se o uso acrescentou no aprendizado“, completa Valdenice.

Interação

Qualificar o ganho educacional não é uma tarefa simples e envolve adesão e participação dos professores. De protagonistas na transmissão do conhecimento, eles adquirem, agora, um perfil de condutor do aprendizado.

Por isso, em um outro colégio da capital paulista, o Pueri Domus, os professores foram os primeiros a ser treinados. “Num primeiro momento, eles se sentiram incomodados, porque têm muitas certezas consolidadas. Mas, quando percebem o uso, até mesmo com conectividade, descobrem que é uma oferta agradável“, afirma Rose Bernardi, diretora do Pueri Domus.

Após o treinamento dos professores, chegou a vez de os alunos receberem o tablet. Na semana passada, o colégio distribuiu 170 deles aos alunos do 1.º ano do ensino médio.

O objetivo é que os professores usem um roteiro de conteúdos digitais que receberam para explicar a matéria do dia e os alunos façam exercícios para fixar o ponto apresentado.

Na lousa, é o professor que detém a tecnologia. Quando isso chega ao estudante, cria-se uma interação bem além da aula expositiva. Isso não faz com que o menino vire um autodidata. É uma sequência didática intencional“, completa Rose.

Para os especialistas, o importante é que ambos, docente e aluno, entendam o papel que têm nessa nova configuração. “O professor precisa de propostas que engajem os alunos. E deixar que o estudante produza parte do conteúdo é estimulador“, afirma Carlos Seabra, consultor e coordenador de projetos de tecnologia educacional.

Aqui, não!

No Humboldt, o tablet ainda não é utilizado em sala de aula, mas quase todos os alunos têm um, que usam para lazer. “Tenho em casa, mas gosto de ler e estudar no papel. Como o tablet tem mais funções, pode distrair“, diz Thomas Georg Grübber, de 16 anos, aluno do 2.º ano do ensino médio.

O colega Caio Vinicius Osoegawa, da mesma idade e série, acredita que o tablet deve ser usado com moderação. “Quando quero ler um Dostoievski, prefiro o papel. Mas quando é um livro que vai demorar para chegar ao Brasil, compro e leio em inglês pelo tablet.

Pelo jeito, a mochila, em vez de ser substituída e abdicar dos livros que carregava, ganhou 400 gramas a mais: o tablet.

Rede pública

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta semana que o MEC distribuirá tablets para escolas públicas em 2012. Hadadd não precisou o volume de aparelhos que será adquirido.

Por Ocimara Balmant | Especial para O Estado de S.Paulo | 04 de setembro de 2011 | 0h 00

MEC vai distribuir tablets para alunos de escolas públicas em 2012


O Ministério da Educação [MEC] vai distribuir tablets – computadores pessoais portáteis do tipo prancheta, da espessura de um livro – a escolas públicas a partir do próximo ano. A informação foi divulgada hoje [1] pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, durante palestra a editores de livros escolares, na 15ª Bienal do Livro. O objetivo, segundo o ministro, é universalizar o acesso dos alunos à tecnologia.

Haddad afirmou que o edital para a compra dos equipamentos será publicado ainda este ano. “Nós estamos investindo em conteúdos digitais educacionais. O MEC investiu, só no último período, R$ 70 milhões em produção de conteúdos digitais. Temos portais importantes, como o Portal do Professor e o Portal Domínio Público. São 13 mil objetos educacionais digitais disponíveis, cobrindo quase toda a grade do ensino médio e boa parte do ensino fundamental.

O ministro disse que o MEC está em processo de transformação. “Precisamos, agora, dar um salto, com os tablets. Mas temos que fazer isso de maneira a fortalecer a indústria, os autores, as editoras, para que não venhamos a sofrer um problema de sustentabilidade, com a questão da pirataria.

Haddad não soube precisar o volume de tablets que será comprado pelo MEC, mas disse que estaria na casa das “centenas de milhares”. Ele destacou que a iniciativa está sendo executada em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia [MCT].

O MEC, neste ano, já publica o edital de tablets, com produção local, totalmente desonerado de impostos, com aval do Ministério da Fazenda. A ordem de grandeza do MEC é de centenas de milhares. Em 2012, já haverá uma escala razoável na distribuição de tablets.

Por Vladimir Platonow | Agência Brasil | 02/09/2011

Guia do livro didático para ensino médio está disponível na web


Já está na página do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE] na internet o Guia do Programa Nacional do Livro Didático 2012, que traz o resumo das obras selecionadas pelo Ministério da Educação para uso dos alunos das escolas públicas de ensino médio a partir do próximo ano.

Com o guia em mãos, professores e diretores podem conhecer os livros e debater quais são os títulos mais adequados ao seu sistema pedagógico.

A escolha do livro didático para o ensino médio estará aberta, também no portal do FNDE, de 23 de maio a 12 de junho. Nesse período, cerca de 18 mil escolas públicas de todo o país deverão selecionar as obras que querem receber. “A previsão é de comprar 75 milhões de livros didáticos para o ensino médio, em benefício de 8 milhões de alunos”, afirma Rafael Torino, diretor de ações educacionais do FNDE.

A escolha engloba todas as disciplinas do ensino médio, como português, matemática, física, química, biologia, geografia e história. A novidade deste ano para essa etapa de ensino é o fornecimento de livros de língua estrangeira [inglês e espanhol], filosofia e sociologia.

Além de livros didáticos para todos os alunos do ensino médio, o FNDE vai enviar às escolas públicas 65 milhões de exemplares de reposição para o ensino fundamental. Com isso, deverão ser comprados 140 milhões de exemplares em 2011.

Acesse a página do FNDE.

MEC | 22/03/2011