BitLit permite a compra de edições digitais de livros adquiridos em forma física, e já tem mais de 300 editores


Macmillan adere ao serviço BitLit nos EUA

A BitLit é uma start-up que permite seus cliente usuários que adquiram, normalmente por um preço inferior, edições de digitais de livros já adquiridos em forma física. Para isto, o usuário tem de utilizar o aplicativo da empresa para fotografar a página de direitos do livro com seu nome escrito no alto da mesma. Uma vez estabelecida a “propriedade” da edição física, o leitor pode então adquirir versões digitais a preços especiais. A empresa já possui contratos com mais de 300 editores, mas até agora apenas uma das parrudas editoras Big Five norte-americanas havia assinado com o serviço: a HarperCollins. A Macmillan, no entanto, acaba de fazer o mesmo e a BitLit agora possui livros de duas das cinco maiores editoras dos EUA em seu catálogo. Wiley e Elsevier também marcam presença na BitLit.

PublishNews | 05/05/2015

Serviço de subscrição para eBooks: como Netflix, como Spotify ou nada disso?


Os serviços mensais de “coma o quanto puder” já são realidade para música, filmes e TV. Será que serão populares para e-books também? Um movimento feito recentemente pela Oyster lança algumas dúvidas sobre isso. A Oyster lançou recentemente um serviço de varejo tradicional, que complementa o serviço de assinatura de US$ 10 mensais lançado há pouco mais de um ano e meio atrás. Os serviços de subscrição estão na fase de “o que vem primeiro, o ovo ou a galinha”. Por um lado, eles são um jeito totalmente novo de se consumir livros, por outro lado, a maior parte das editoras não está embarcando no modelo com entusiasmo. Nos EUA, há três serviços disponíveis: o Oyster, Scribd e Kindle Unlimited, da Amazon. Scribd e Oyster têm títulos de três das cinco maiores editoras [HarperCollins, Macmillan e Simon&Schuster], mas não tem nada da Penguin Random House ou da Hachette. E, mesmo dessas três editoras, os serviços têm apenas os livros de fundo de catálogo.  Refletindo a relação muitas vezes irritadiça entre editoras e Amazon, as Big Five não oferecem nenhum título importante pelo Kindle Unlimited.

Por Bill Rosenbaltt | Forbes | 24/04/2015

HarperCollins confirma acordo com Amazon


A HarperCollins entrou em acordo com a Amazon, e a varejista continuará vendendo os livros da editora versões impressa e digital. Os detalhes do novo contrato não foram revelados, mas o Wall Street Journal citou uma fonte familiarizada com o negócio, que relata que a HarperCollins irá definir os preços de venda dos seus livros digitais, com incentivos para que a editora forneça preços menores aos consumidores. Durante as negociações do contrato, a Amazon revelou que a sua oferta à HarperCollins foi semelhante à proposta oferecida a outras casas como Hachette, Simon & Schuster e Macmillan.

Por Joshua Farrington | The Bookseller | 14/04/2015

O calvário dos eBooks


Os livros digitais dão sinais de perda de fôlego nos países desenvolvidos e ainda não têm relevância nos negócios das editoras brasileiras

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Poucos setores ficaram imunes ao avanço da tecnologia digital. A indústria fonográfica, por exemplo, foi a primeira a sentir os efeitos da digitalização, que levou as principais empresas da área quase à bancarrota no início dos anos 2000. A televisão sente os efeitos da internet, com o surgimento de um telespectador que quer assistir o que quer, na hora que desejar e no dispositivo que for mais conveniente. A Netflix é o grande expoente dessa nova era. Diante disso, muitos viram no Kindle, lançado em 2007, o começo do fim do livro impresso.

O aparelho da Amazon, de Jeff Bezos, tinha tudo para fazer para a indústria editorial o que o iPod fez para o setor musical. Ledo engano. Para surpresa geral, as editoras abraçaram os livros digitais [e-books]. E logo descobriram que a margem de lucro das versões digitalizadas era o dobro da tradicional, mesmo com um preço mais baixo. Era um sinal de que a transição, considerada inevitável, do livro de papel para o digital seria feita sem grandes solavancos. Só faltou combinar com o leitor. Nos países desenvolvidos, o livro digital começa a dar sinais da falta de fôlego.

Executivos da maior cadeia de livrarias da Inglaterra, a Waterstone, declarara ao jornal Financial Times que as vendas de Kindle simplesmente desapareceram. A perda de impulso já atingiu a Simon & Schuter, membro do “Big Five”, grupo dos cinco maiores conglomerados do mundo [Penguim Random House, Hachette, HarperCollins e Macmillan completam o time]. Subsidiária do grupo de mídia CBS, a S&S registrou queda nas vendas de 3,8%, para US$ 778 milhões. O lucro caiu 5,6%, para US$ 101 milhões. Uma razão para o ano ruim foi a redução no ritmo das vendas digitais.

A fatia diminuiu de 24,4% em 2013 para 23,2% no ano passado. Não se trata de casos isolados. A consultoria americana Gartner aponta que, em 2017, os e-readers como o Kindle venderão 10 milhões de unidades, número 50% menor do que as vendas do ano passado. Com a estagnação, a alternativa é ler e-books nos tablets, que também estão passando por um declínio de vendas, e smartphones. “São aparelhos que dispersam, oferecem opções demais de entretenimento e não são apropriados para a leitura longa”, afirma Eduardo Melo, fundador da consultoria de livros digitais Simplíssimo.

Por que aparelhos como o Kindle enfrentam esse calvário? O rechaço tem a ver com sua função única. O consumidor, ao que tudo indica, quer fazer mais tarefas com uma tela. Isso fez com que as principais empresas do segmento, como Amazon e Kobo, passassem a investir na produção de tablets. Se nos países ricos os e-books patinam, no Brasil, eles nunca deixaram o gueto editorial. Apenas 2% dos R$ 5,3 bilhões faturados com livro no Brasil vêm de ebooks, segundo levantamento da Fipe de 2013 [dado mais recente]. A Biblioteca Nacional, por exemplo, expediu 16.564 ISBNs [código de identificação dos livros] para e-books no ano passado, apenas 1% a mais que no ano anterior.

De 2012 para 2013, o crescimento havia sido de 10%. Diversas iniciativas voltadas para e-books foram abandonadas, como o selo Breve Companhia, da Companhia das Letras, empresa da Penguim Random House, que publicava obras inéditas direto na mídia digital. Ela foi descontinuada no fim do ano passado. “No momento, estamos repensando o enfoque”, diz Fabio Uehara, editor de e-books da empresa. “Temos outros lançamentos digitais previstos para este ano.” A fadiga também atinge o varejo. “Crescemos dois dígitos, mas esperava um crescimento muito maior”, afirma Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, que comercializa ebooks e e-readers da Kobo.

Apesar de ser muito novo, esse mercado já mostra certa saturação”. A japonesa Rakuten, dona da Kobo, ainda é otimista. A empresa aumentou sua aposta nos livros digitais ao comprar a distribuidora de e-books Overdrive por US$ 410 milhões, em março deste ano. Amazon, Saraiva e Livraria Cultura não fornecem dados de vendas no Brasil, mas quem acompanha o setor não vislumbra um grande apelo dos e-readers. “No Brasil a leitura acontece em smartphones”, afirma Tiago Ferro, fundador da E-Galáxia, plataforma de intermediação entre autores e profissionais do mercado editorial a fim de editar e publicar e-books.

ISTO É Dinheiro | Por João Varella | 07/04/2015, às 17:30

Macmillan faz acordo com Amazon, nos EUA


Nos EUA, Macmillan fechou acordo de longo prazo com a Amazon, incluindo o contrato dentro do modelo agência. Mas em seu blog, o presidente da Macmilann John Sargent criticou a incapacidade de se resolver “um dos grandes problemas no mercado digital”, ou seja, que a Amazon detenha a expressiva parcela de 64% das vendas de livros digitais da editora nos EUA. Sargent revelou ainda que a empresa planeja testar um modelo de assinatura nas próximas semanas, apesar de ter sido historicamente contrária ao modelo de subscrição. É que a editora notou que precisava de abrir “canais mais amplos com nossos leitores”. Macmillan é a terceira editora a tornar público um acordo com a Amazon. Antes dela, fecharam Simon & Schuster ] e Hachette.

Por Sarah Shaffi | The Bookseller | 18/12/2014

Amazon lança biblioteca digital sem cinco maiores editoras americanas


Depois de meses de especulação, na sexta-feira [18] a Amazon lançou um serviço digital de assinaturas que oferece acesso ilimitado a livros eletrônicos e audiobooks digitais por US$ 9,99 ao mês.

O serviço, Kindle Unlimited, oferece uma abordagem em estilo Netflix que permite acesso a mais de 600 mil livros eletrônicos, entre os quais séries de sucesso como “Jogos Vorazes” e “Diário de um Banana”, obras de não ficção como “Flash Boys”, do jornalista Michael Lewis, clássicos e ficção literária.

Até o momento, nenhuma das cinco grandes editoras dos Estados Unidos está oferecendo seus livros.

A HarperCollins, a Hachette e a Simon & Schuster, por exemplo, estão fora.

A Penguin Random House e a Macmillan se recusaram a comentar, mas uma busca na Amazon sugere que os livros dessas editoras tampouco estão disponíveis.

Como resultado, alguns títulos populares eram notáveis pela ausência quando o serviço começou a operar.

E como muitos escritores oferecem livros por mais de uma editora, os assinantes podem descobrir que têm acesso a certos livros de Michael Chabon e Margaret Atwood, mas não a outros.

A introdução do serviço surge em um momento de crescente tensão no relacionamento entre a Amazon e as grandes editoras.

O grupo de varejo on-line está sofrendo escrutínio cada vez mais intenso por seu domínio do mercado de livros eletrônicos e pelas táticas duras que usa nas negociações com as editoras.

A Amazon e a Hachette estão envolvidas em um duradouro e público impasse sobre os termos de venda de livros eletrônicos da editora, e a situação não parece próxima de uma solução.

Entre as editoras que estão oferecendo títulos pela assinatura estão a Scholastic, da série “Jogos Vorazes”, e a Houghton Mifflin Harcourt.

As notícias sobre o Kindle Unlimited começaram a surgir semanas antes de seu lançamento, quando a Amazon postou acidentalmente um vídeo promocional sobre o modelo de assinatura. O vídeo foi retirado do site, mas não antes que blogs de tecnologia comentassem sobre ele.

Ao oferecer o serviço, a Amazon está ingressando em um mercado cada vez mais lotado. Concorrerá com empresas iniciantes de distribuição digital de livros que oferecem serviços semelhantes, como a Scribd e a Oyster.

A Scribd conta com cerca de 400 mil títulos, e cobra US$ 8,99 ao mês. A Oyster tem mais de 500 mil títulos e oferece acesso ilimitado aos leitores por US$ 9,95 ao mês.

Com modelos de preço semelhante, a concorrência entre os serviços de livros eletrônicos por assinatura pode ser decidida com base no conteúdo e autores disponíveis.

O serviço da Scribd inclui livros de mais de 900 editoras, entre as quais Simon & Schuster e HarperCollins.

A Oyster oferece títulos de seis das dez maiores editoras norte-americanas.

Ainda assim, a Amazon ingressa no segmento com uma imensa vantagem: seu predomínio na publicação de livros eletrônicos e sua vasta biblioteca de audiobooks, que ela está integrando ao seu serviço por assinatura.

Do “New York Times” | Publicado originalmente por UOL | 26/07, às 3:10 | Tradução de PAULO MIGLIACCI

Tudo o que você precisa saber sobre o Kindle Unlimited, o “Netflix de livros” da Amazon


Por Paulo Higa | Publicado originalmente em Tecnoblog | 18/07/2014 às 14h49

Kindle Unlimited oferece mais de 600 mil ebooks por 10 dólares mensais

A Amazon confirmou as expectativas e lançou, nesta sexta-feira [18], o Kindle Unlimited, um serviço que oferece acesso ilimitado a um catálogo de mais de 600 mil ebooks e milhares de audiobooks com uma assinatura mensal de US$ 9,99. Sem prazo de devolução, os livros podem ser lidos tanto nos leitores Kindle quanto nos smartphones, tablets e computadores com o aplicativo gratuito do Kindle.

Como funciona esse negócio?

Pensar no Kindle Unlimited como um “Netflix de livros” é a maneira mais fácil de entender como o serviço funciona. Na página da Amazon, há uma opção para degustar o Kindle Unlimited por 30 dias. Enquanto você for assinante, receberá uma cobrança mensal de 10 dólares no cartão de crédito e poderá ler quantos livros quiser nos dispositivos atrelados à sua conta. Ao cancelar a assinatura, os ebooks são automaticamente retirados da sua coleção.

Tanto no Kindle quanto na loja da Amazon, próximo ao botão de compra, haverá um botão para “ler de graça” em mais de 600 mil obras. Depois que o ebook for baixado, você pode lê-lo como se fosse seu: há sincronização com o Whispersync, o que significa que a página, as marcações e as anotações são sincronizadas entre todos os seus dispositivos.

Não há prazo de devolução, mas há um limite de 10 ebooks emprestados simultaneamente. Quando você tentar ler o décimo primeiro livro, a Amazon irá sugerir a devolução do ebook emprestado há mais tempo — mas é possível selecionar outro. A qualquer momento, um ebook emprestado anteriormente pode ser baixado novamente, inclusive com as marcações sincronizadas na nuvem.

Além de livros em texto, o Kindle Unlimited permite acessar pouco mais de 2 mil audiobooks, mas eles só podem ser ouvidos em dispositivos com som, o que não inclui nenhum dos leitores Kindle vendidos hoje [Kindle e Kindle Paperwhite], só os tablets Kindle Fire e dispositivos Android e iOS com o aplicativo oficial do Kindle. O tamanho dos arquivos varia; aqui, gastei 156 MB para baixar o audiobook de The Hobbit.

Não está disponível no Brasil, mas…

O Kindle Unlimited só foi lançado nos Estados Unidos, mas o serviço funciona no Brasil caso você possua uma conta americana da Amazon com um endereço americano. O cartão de crédito precisa ser internacional, mas não necessariamente emitido nos Estados Unidos.

Se você se enquadra no caso acima, não deve ter dificuldade para testar e assinar o serviço. Se a conta for brasileira, é possível migrá-la para uma americana sem perder as compras já realizadas [no entanto, você não poderá adquirir novos conteúdos na Amazon.com.br]. Basta entrar em Gerencie seu Kindle e selecionar “Configurações do país”. Em “Brasil”, clique no link “Mudar”, preencha com o endereço americano e salve as alterações. É possível voltar para uma conta brasileira a qualquer momento fazendo o caminho inverso.

Em comparação com a Amazon brasileira, a Amazon americana possui uma quantidade maior de ebooks [2,7 milhões contra 2,2 milhões], mas menos títulos em português [27 mil contra 35 mil]. Os preços não estão totalmente conectados: alguns livros são mais baratos na loja americana; outros, na brasileira.

Na Amazon americana, é possível comprar audiobooks e fazer assinaturas de jornais e revistas, como O GloboZero HoraThe New York TimesNational Geographic e Vogue. Estranhamente, mesmo com jornais brasileiros, a assinatura não está disponível no Brasil, por isso, se você fizer o caminho inverso [migrar uma conta americana para uma brasileira], suas assinaturas serão automaticamente canceladas.

E quando o Kindle Unlimited será lançado oficialmente no Brasil? Procurada pelo Tecnoblog, a Amazon declarou que “não comenta planos futuros”. Como o serviço ainda não funciona nem no Reino Unido, outro mercado grande para a Amazon, é bom esperar sentado.

O que tem de bom para ler?

No momento em que escrevo este parágrafo, há 639 mil livros disponíveis no Kindle Unlimited, pouco menos de um quarto dos 2,7 milhões de ebooks da loja americana. Muitos títulos não estão disponíveis, mas a Amazon destaca algumas obras conhecidas: dá para ler a trilogia de The Lord of The Rings, os sete livros de Harry Potter, bem como 2001: A Space OdysseyThe Hobbit e Life of Pi, por exemplo.

Todos os livros acima estão em inglês, mas também há pouco menos de 8 mil títulos em português no Kindle Unlimited.

O problema é que, assim como na Netflix, liberar os conteúdos exige acordos comerciais. E as cinco grandes editoras americanas [Hachette, HarperCollins, Macmillan, Penguin Random House e Simon & Schuster] não disponibilizaram muitos livros, logo, há uma série de títulos famosos faltando. Boa parte dos livros do Kindle Unlimited, incluindo as obras em português, são de pequenas editoras ou autores independentes.

Portanto, mesmo que 600 mil ebooks pareça muito, na prática a história é um pouco diferente, e o acervo ainda é fraco se você estiver interessado apenas nos best sellers.

Quão fraco? Entre a lista dos 20 ebooks Kindle mais vendidos, apenas 3 estão no Kindle Unlimited: My Mother Was Nuts, em 1º; Pines, em 13º; e One Lavender Ribbon, em 20º. Na categoria Computadores e Tecnologia, a situação melhora [10 dos 20 podem ser lidos gratuitamente], mas a maioria dos livros são guias e tutoriais — nada de ler de graça a biografia do Steve Jobs ou o novo livro de Glenn Greenwald, portanto.

Entre os livros em português, a coisa é ainda mais triste, mas isso é até compreensível se considerarmos que o serviço, oficialmente, nem funciona no Brasil. Da lista dos 20 mais vendidos, só um está no Kindle Unlimited. E, na verdade, esse único livro não é voltado para brasileiros, mas sim para estrangeiros que desejam aprender a língua portuguesa.

Vale a pena o esforço?

O preço de US$ 9,99 por mês é bem atraente. Se você considerar que muitos ebooks custam esse preço ou até mais, basta pedir apenas um ou dois livros emprestados e a assinatura mensal já valeu a pena.

Só que a Amazon ainda precisa melhorar o acervo para o Kindle Unlimited ser realmente vantajoso. 600 mil ebooks é muita coisa, mas uma parcela bem pequena desses livros representa o que as pessoas querem ler. Eu tenho certeza que grande parte dos que estão lendo este texto passariam tranquilamente 10 horas por mês assistindo a filmes e séries na Netflix, mas não gastariam a mesma quantidade de horas lendo livros aleatórios na Amazon.

Resta saber se a Amazon conseguirá aumentar a disponibilidade de livros e, mais importante, se será capaz de convencer as editoras de que o modelo de negócios é interessante. Estamos até acostumados com serviços de streaming de músicas ou filmes, mas não de livros — embora já existissem opções antes do Kindle Unlimited, como o Oyster. Eu, como leitor, acho ótimo pagar só 10 dólares para ler quantos livros quiser. Mas, se estivesse do outro lado, comandando uma editora, não sei se toparia receber só alguns centavos por usuário.

Por Paulo Higa | Publicado originalmente em Tecnoblog | 18/07/2014 às 14h49

Editora francesa Hachette revela o peso da Amazon na venda dos seus eBooks


Grupo está em disputa com a gigante americana do varejo sobre margens de lucro

Livros da filial do grupo francês nos Estados Unidos aparecem como indisponíveis no site da varejista | Karen Bleier/AFP/9-12-2010

Livros da filial do grupo francês nos Estados Unidos aparecem como indisponíveis no site da varejista | Karen Bleier/AFP/9-12-2010

RIO – O grupo francês Hachette revelou, pela primeira vez, o peso da Amazon na venda de seus e-books nos Estados Unidos e no Reino Unido: 60% e 78% do total, respectivamente. O número foi divulgado no site da companhia numa apresentação para investidores e mostrou como as contas da editora estão sendo afetadas pela disputa com a gigante americana do varejo. Há um mês, a Amazon retirou o botão “encomendar por antecipação com um só clique” dos livros do Hachette Book Group [a filial americana do grupo] e ainda impôs prazos de entrega de “três a cinco semanas” na venda de seus livros eletrônicos.

A medida, chamada de “opção nuclear”, foi uma resposta da Amazon pela Hachette — a menor das cinco grandes editoras americanas — não ter aceitado diminuir suas margens de lucro em favor da gigante do varejo online. O mesmo já tinha acontecido com a Macmillan em 2010. Pouco se sabe sobre os termos da negociação, mas é notório que a Amazon pegou pesado. A retaliação atinge best-sellers, como a escritora J.K. Rowling, cujo último livro, “The Silkworm” [“O bicho da seda”, em tradução livre], começará a ser vendido no dia 19 pela Hachette.

Segundo analistas, a situação do grupo francês pode ficar ainda mais delicada se as restrições impostas pela Amazon no mercado americano forem estendidas ao britânico. Em comunicado, a empresa apontou que o equilíbrio entre as vendas de livros virtuais devem representar entre 25% e 35% das vendas totais nos Estados Unidos e 35% no Reino Unido em 2017. “Editoras estão agora lidando com gigantes da tecnologia que possuem considerável poder de barganha”, diz o texto, “uma lógica econômica diferente dos revendedores tradicionais”. E complementa: “As editoras precisam de tamanho e musculatura para manter controle das relações com os autores e sobre preços e distribuição”.

No comunicado, a Hachette também se mostrou confiante que as editoras tradicionais permanecerão mais atrativas para os autores por causa dos “serviços exclusivos” que podem oferecer, como adiantamentos, expertise editorial e marketing e deu o exemplo de autores que começaram na auto-publicação e depois migraram para grandes grupos.

O Globo | 13/06/2014

Editoras precisam se conectar diretamente com seus leitores


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 03/04/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Desde a fusão que criou a Penguin Random House, houve pouca especulação [exceto por mim, até onde sei] sobre o que este novo mamute na publicação de livros gerais poderia fazer para explorar suas escala de formas novas e inovadoras.

A vantagem de escala deles é enorme. A PRH tem algo perto da metade dos livros gerais publicados, dos best-sellers para baixo. [Você vê análises que dizem que é 25%, mas na maioria das vezes as estimativas giram ao redor dos 40%]. Por várias décadas, os grandes clubes do livro norte-americanos — Book-of-the-Month Club e o Literary Guild — mostraram que ter metade dos livros era “suficiente” para que um grande número de pessoas se sentisse confortável de que suas escolhas do que ler dentro deste grupo de títulos seria suficiente para suas necessidades.

Meus palpites iniciais, ainda não realizados, eram que a PRH iria lançar um serviço de assinatura com apenas seus livros, e através do uso de inventários gerenciados por vendedores, criar canais exclusivos de distribuição em lojas que não estariam disponíveis em nenhum de seus concorrentes. [Um executivo sênior de um concorrente a quem descrevi este cenário, disse de forma honesta, “colocaríamos nossos melhores livros disponíveis para eles através do canal proprietário se fosse a nossa única forma de conseguir distribuição”].

Um executivo da PRH me explicou a inerente resistência da empresa com o modelo de assinatura, que parece apelar mais aos que mais leem e procuram uma barganha. Como o maior ator do mercado, a PRH não está querendo reduzir o gasto das pessoas que são as maiores fontes de renda da indústria, o que uma oferta de assinatura bem-sucedida faria inevitavelmente. [Este modelo de assinatura, ou “Netflix para e-books”, é complexo em sentidos que são geralmente ignorados, mas que Joe Esposito explica bastante claramente.] Claro, isso não significa que a empresa não deveria considerar a proposta em um ambiente onde os serviços de assinatura estão ganhando a maior parte da audiência [certamente não é o caso ainda, mas vejamos o que acontece se o Scribd, Oyster, Entitle ou o novo Rooster forem bem-sucedidos]. Parece dizer que eles não serão pioneiros neste campo. E não há sinal ainda de que vão usar minha ideia de usar VMI para criar suas próprias livrarias, também.

Mas a PRH UK — repetindo o que me disse Markus Dohle, o CEO da RH US faz alguns anos – anunciou agora que se tornou uma editora focada no consumidor. Hannah Telfer, que se tornou “diretora de grupo, desenvolvimento de consumidor e digital” em janeiro, diz que a capacidade de descoberta depende de “construir uma relação direta com os consumidores”. E ela afirma que “nossa escala” é uma forma central de como fazer isso “de forma apropriada”. Isso é inovador, já que a maioria do pensamento da indústria sobre como usariam a escala parece estar mais ligado a consolidar depósitos do que aproximar-se de forma mais inteligente dos consumidores.

Um artigo no The Bookseller detalha as mudanças de equipe e iniciativas ao redor deste objetivo. [E outro expressa algum ceticismo sobre se seus planos são adequados para a tarefa. Esta segunda matéria sugere que precisam pensar em vendas diretas, uma recomendação sobre a qual expressei algumas reservas.] Por um lado, o primeiro artigo sugere alguns objetivos realmente amplos, de toda a empresa, incluindo “o potencial para que a Penguin Random House seja uma usina de força cultural e de entretenimento; espaço para todas as audiências”. Na recente conferência de vendas deles. O CEO Tom Weldon descreveu a oportunidade para a PRH “criar o mapa de uma marca editorial como marca para os consumidores e, ao fazer isso, capturar a atenção do mundo para as histórias, ideias e escrita que importa”. Isto parece um grande marca.

Ao mesmo tempo, havia um claro reconhecimento da importância do que chamamos “verticalidade” ou “foco na audiência”. Um “projeto de segmentação de audiência” foi anunciado. Assim como a atenção cruzada para assuntos específicos, com “gastronomia” e “crime” citados. Uma ferramenta que é claro que a Penguin Random House tem e vai usar chama-se Bookmarks, descrita como “o painel dos leitores da Random House”. Novos planos querem que isso “se transforme em um recurso da PRH, dando a todas as partes da empresa acesso a mais de 3,5 mil leitores por meio de pesquisas e focus groups”

Claro, dependendo de quantas formas diferentes a empresa quiser usar este painel, mais difícil será conseguir dados úteis. Na verdade, parece que ele foi feito para um processo contínuo de “painelização”, através do qual novas pessoas estão sendo acrescentadas todo o tempo a um número de painéis que podem responder a questões sobre diferentes interesse das comunidades. Um painel não pode servir a todos os propósitos.

Isso traz dois tópicos para um ousado alívio que historicamente não foram parte do pensamento ou dos conjuntos de habilidades de uma editora.>

1. Pede um pensamento novo e cheio de nuances sobre as marcas.

2. Pede um plano multifacetado para se relacionar com consumidores individuais.

Existem muitos conselhos direcionando editoras para pensar em branding para consumidores hoje em dia.Desde que comecei a pensar e escrever sobre mercado editorial e brands, algo importante aconteceu, algo que não pensei na época: auto publicação. Minha ideia original era que o desafio era estabelecer marcas com claras identidades verticais e centrada na audiência. Provavelmente o melhor exemplo de sucesso entre as grandes editoras norte-americanas foi o estabelecimento, pela Macmillan, da Tor como uma marca para ficção científica e tor.com como site de destino para amantes da ficção científica. Já faz mais de dois anos desde que escrevi que a tor.com tem centenas de milhares de endereços de e-mail que eles podem usar para promoções com resultados bastante bons.

Tor.com dá à lista de ficção científica da Macmillan um claro rótulo de não autopublicação. Mas fora da Tor, para sua lista geral, a Macmillan usa muitos nomes de selos. Um romance poderia ser publicado como St. Martin’s, Holt, Farrar Straus ou Thomas Dunne Books [entre outros], cada um dos quais provavelmente faz “sentido” aos compradores em grandes contas, grandes bibliotecas e resenhistas de livros, mas que significa muito pouco para o público em geral. A pessoa média conhece estes nomes melhor do que conhecem, digamos, Thomas & Mercer [o novo selo da Amazon] ou Mike & Martha Books [um nome que acabei de inventar]?

[Notem que a Macmillan está sendo usada aqui para propósitos ilustrativos; toda grande editora tem as mesmas questões com marcas de selos que são realmente criadas por motivos B2B, não para o consumidor].

Mas no final, é importante para a Macmillan, e para toda editora, colocar a marca de “grande editora” em seus livros para deixar que o público saiba que “isto vem de uma editora estabelecida há muito tempo” com a suposição, que eu concordaria, de que as pessoas que não conhecem os nomes confiariam mais em uma instituição do que em um indivíduo com interesses próprios para “escolher” seus livros.

[Obviamente, a maioria das pessoas escolhe seus livros por causa do autor, do assunto, de uma recomendação de um amigo ou até baseado em alguma combinação de capa, descrição e preço. Quanto da audiência seria influenciada por conhecer que uma grande editora está por trás do livro? Não sabemos disso, e não sabemos se este livro vai crescer ou diminuir baseado na sempre crescente produção de material autopublicado que não passou pela edição e pelo rigor de formatação de uma editora. E, por falar nisso, fazer branding agressivo significa que as editoras precisam prestar ainda mais atenção à edição e formatação. Cada exemplo de um produto com marca inferior chegando ao mercado vai enfraquecer o valor da marca].

Então aqui está a regra sobre branding. Cada editora importante deveria pegar um nome que está no seu guarda-chuva. Todo livro é importante para estabelecer a empresa como uma fonte maior de literatura de qualidade, leitura agradável e informação empacotada como livro. Tentando ter um alvo mais preciso do que isso deveria ser o trabalho da marca do “selo” debaixo do guarda-chuva. E esta marca deveria ser vertical, identificando assunto ou audiência. Esta é a Tor no exemplo da Macmillan acima. Note que no momento a Macmillan não é uma marca sendo usada por qualquer uma das empresas norte-americanas na família Macmillan.

O plano para conectar-se com consumidores é muito mais complicado e tem muitos componentes. Um é simplesmente coletar endereços de e-mail e permissões para entrar em contato e depois fazer isso. Girar quase todos os esforços de marketing que puder para criar uma máquina de reunir emails é uma boa parte disso. Este é um jogo que todo mundo deveria se envolver: todas as livrarias, todas as editoras e todos os autores. Sabemos por alguns trabalhos recentes em nossa empresa de marketing digitalque os agentes literários mais espertos estão descobrindo como ajudar seus autores a fazer isso. Não estamos longe do dia em que um agente vai perguntar a um editor “quantos e-mails relevantes você tem para promover o próximo livro do meu autor?”

Mas listas de e-mail, como a declaração da PRH UK sugere, é apenas um aspecto do relacionamento com o consumidor. E as declarações da PRH também afirmam implicitamente que uma empresa muito maior tem mais facilidade para conseguir esta lista. Tirando a capacidade de analisar os endereços de e-mail existentes entre seus assinantes ou que eles encontram por outros meios [acesso a seus websites, autoidentificação na mídia social] para entender e chegar a maiores audiências, as grandes companhias conseguem criar listas verticais especiais de interesse para aumentar o tráfego [impulsionando cadastros de e-mail] e usando várias oportunidades promocionais. Vemos Simon & Schuster fazendo muito isso. Eu recebo diariamente o , um e-mail de sua nova lista vertical de livros de negócios que resume a proposta central de um livro de negócios todo dia. Se este ou outros esforços verticais deste tipo que a editora está tentando, poderá se transformar em uma comunidade web remunerada ou até um bom lugar para lançar um livro, ainda é uma pergunta sem resposta. Mas é o tipo de experiência que poderia produzir uma plataforma de lançamento que realmente poderia ajudar a S&S com livros de negócios.

Afirmamos também que a noção de que criar painéis dinâmicos de consumidores para contar coisas – coisas que você pode perguntar o tempo todo – também é algo valioso. Sabemos a história de uma revista de nicho que está sempre usando o Twitter para pedir a opinião de seus leitores sobre várias coisas, como qual ângulo usar em uma reportagem. Eles conseguem respostas muito rápidas desta forma. Sabemos que a Osprey, a editora de história militar, sempre pede a opinião de sua audiência quando estão escolhendo entre assuntos para o desenvolvimento de um livro. [E é importante notar que Random House UK contratou a enérgica e visionária CEO da Osprey, Rebecca Smart, para dirigir seu selo Ebury. Esta é outra forma de usar a escala: contrate o talentoso executivo de uma companhia menor!]

Uma boa política para uma editora grande que pode coletar um grande número de endereços de e-mail seria perguntar rotineiramente aos consumidores se eles gostariam de ser consultados com perguntas que irão guiar as estratégias de publicação e marketing da editora. Fazer isso funciona como uma forma de conseguir novos nomes. O que a Osprey faz com sua audiência especializada poderia se tornar uma prática rotineira para uma editora com uma lista de e-mail grande o suficiente. Seria possível perguntar aos consumidores se um tópico é bom para ser lançado antes de a editora assinar um contrato. Também poderiam ser questionados sobre capa e preço. E se este tipo de interação fosse construída na prática geral a editora, com o tempo eles aprenderiam quando as opiniões dos consumidores são um bom guia a ser seguido e quando não são [porque nem sempre serão!]

Estamos nos primeiros dias de um período em que as grandes editoras estão passando da quase total dependência de intermediários para chegar a seus mercados, para outro de relacionamento direto com os consumidores. Por enquanto, a maioria das editoras está bastante quieta sobre o que estão fazendo, parcialmente porque acham que estão inventando algo e parcialmente porque não sabem como isso vai funcionar. Mas o relativo silêncio não deveria ser interpretado como inação ou desatenção relativa. Não é nenhuma novidade para as grandes editoras que elas precisam conversar diretamente com suas audiências. A Penguin Random House tem vantagens de tamanho em relação às outras Cinco Grandes, mas estas têm vantagens de tamanho em relação a todo o resto.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 03/04/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Departamento de Justiça americano quer punir Apple


Departamento de Justiça americano quer punir Apple ainda mais. Apple chama propostas de ‘draconianas’

A juíza Denise Cote julgou em julho que a Apple é culpada de conluio no caso de precificação de e-books. Agora, o Departamento de Justiça americano (DOJ) quer que ela imponha sanções rígidas à empresa e a mantenha sob supervisão do governo pelos próximos anos. Na última sexta-feira (02/08), o DOJ colocou o pedido para que a juíza obrigue a Apple a acabar com o modelo de agenciamento pelos próximos cinco anos, não só com as editoras, mas com todos os fornecedores do iTunes, que passariam a vender conteúdo (música, vídeo, programas de TV etc.) através da app store sem pagar a taxa de 30% à Apple.

Se Cote acatar a proposta, ela estaria basicamente descartando o acordo que fechou com as editoras Hachette, HarperCollins, Simon & Schuster, Macmillan e Penguin. O argumento do DOJ toca justamente neste ponto: ele defende que, após o fim do acordo com a Justiça, em dois anos, as editoras da Defesa voltarão a negociar contratos de e-books como antes. Segundo o site Publishers Lunch, o DOJ ressaltou em seu argumento a opinião de que “vários CEOs das editoras da Defesa deram testemunhos não críveis em apoio à Apple”, e destacou ainda o CEO da Macmillam, John Sargent, que declarou “estar até mesmo orgulhoso das suas ações, não só na época como ainda hoje também.” Para o DOJ, o fato da conduta ilegal da Apple ter sido conduzida nos níveis mais altos da direção mostra uma vontade da empresa de adotar práticas de fixação de preços ilegais.

A Apple não demorou a se manifestar. Ainda na sexta-feira, à tarde, ela respondeu dizendo que as propostas do DOJ eram “uma intrusão draconiana e punitiva nos negócios da Apple, loucamente fora de proporção de qualquer mal ou prejuízo potencial julgado”. A Apple acredita que a observância do Governo seria aplicada somente à empresa e ultrapassaria “as questões julgadas no caso, ferindo a competição e consumidores e violando princípios básicos de justiça e processo legal”. Como o fantasma da gigante varejista de Seattle está sempre por perto, a Apple aproveitou para cutucar e dizer que, caso as medidas fossem adotadas e a empresa prejudicada, a “Amazon poderia usar seu poder de mercado para conseguir termos mais favoráveis que a Apple seria capaz” nos e-books. De um modo geral, a Apple defende que a sua conduta unilateral (ou seja, se não houvesse tido participação das editoras) nunca foi o problema em si, portando as imposições abrangentes não fazem sentido.

Por enquanto não houve manifestação por parte da Juíza Denise Cote, mas sua tendência favorável ao DOJ pode vir a mudar drasticamente a indústria da venda de conteúdo na internet.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 05/08/2013

Macmillan finaliza acordo de eBook, e pagará US$ 26 milhões


Os detalhes: o preço a ser pago pela Macmillan é de US$ 26 milhões, em vez dos US$ 20 milhões anunciados inicialmente. O acordo final inclui US$20 milhões para compensação dos usuários; US$ 3 milhões para cobrir os custos de ‘investigação’ e litígio; US$ 2,5 milhões para os advogados. […] Apesar do acordo, a Macmillan nega ter feito algo errado, e o relatório inclui uma cláusula indicando que a editora não participará do julgamento de e-books que ocorrerá no dia 3 de junho, com Apple e Penguin na defesa.

Por Andrew Albanese | Publishers Weekly | 29/04/2013

Executivo da Apple terá que testemunhar em caso de livros eletrônicos


O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, deverá prestar depoimento no processo do governo norte-americano contra a companhia por conta de acusações de fixação de preços no mercado de livros eletrônicos, decidiu um juiz nesta quarta-feira [13].

A juíza distrital Denise Cote, de Manhattan, concedeu o pedido do Departamento de Justiça para exigir que Cook testemunhe por quatro horas sobre o processo, que acusa a Apple de conspirar com cinco editoras a fim de elevar os preços dos livros digitais.

Executivo-chefe da apple, Tim Cook, em evento da empresa em março; juíza intima executivo para depor | Fonte da imagem: Paul Sakuma, by Associated Press

Executivo-chefe da apple, Tim Cook, em evento da empresa em março; juíza intima executivo para depor | Fonte da imagem: Paul Sakuma, by Associated Press

O governo norte-americano argumentou que Cook provavelmente tinha informação relevante sobre a entrada da Apple sobre o mercado dos chamados ebooks. A empresa também disse que Cook provavelmente teve conversas relacionadas a esse tópico com o ex-presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, que morreu em 2011.

A Apple rebateu o pedido, chamando o testemunho de Cook de “acumulativo e duplicativo”, já que o governo já havia usado depoimentos de 11 outros executivos da fabricante do iPad.

Mas a juíza, em uma teleconferência, citou a Morte de Jobs como um motivo importante para a convocação de Cook.

“Por causa dessa perda, acredito que o governo tem o direito de tomar o testemunho de executivos de alto nível de dentro da Apple sobre tópicos relevantes ao caso do governo”, assim como para refutar os argumentos da Apple, disse ela.

Um porta-voz da Apple não respondeu imediatamente a um pedido de comentários.

A Apple é o único réu no processo, que foi iniciado em abril de 2012 na Corte Distrital de Nova York.

Todas as editoras envolvidas, incluindo a Penguin, da Pearson; a HarperCollins, da News Corp e a Simon & Schuster, da, já fizeram acordos para resolver o caso. A última editora, a Macmillan, fez acordo em fevereiro.

Um julgamento é esperado para junho. O governo não pede indenizações, mas sim descobrir que a Apple violou leis antitruste e ordenar um bloqueio para que realize novamente conduta semelhante.

DA REUTERS, EM NOVA YORK | Publicado e clipado originalmente à partir de Folha de S.Paulo | TEC| 13/03/2013, 16h48

Macmillan vai pagar US$ 20 milhões para processos de eBooks


MacmillanA editora Macmillan fechou acordo com o Departamento de Justiça americano na última sexta-feira, no caso de alegado conluio na precificação de e-book, e vai fazer acordo nos processos de classe e dos estados restantes. A Macmillan vai pagar US$ 20 milhões aos consumidores, representados por procuradores de 33 estados e advogados. O pagamento de US$ 20 milhões da Macmillan se adiciona aos 69 milhões de dólares que a Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster concordaram em pagar os consumidores. O dinheiro será repartido na forma de pequenos créditos em lojas de e-book.

Por Laura Hazard Owen | Paid Content | 11/02/2013

Empréstimo de livros digitais opõe bibliotecas e editoras


As primeiras querem oferecer e-books para seus leitores, mas enfrentam resistência das segundas.

Em meio à tendência de revitalização de bibliotecas e sua adequação às novas demandas dos leitores, muitas passaram a adquirir dispositivos [como Kindle] e livros digitais [e-books].

Na Biblioteca de São Paulo [zona Norte da cidade], por exemplo, Kindles estão disponíveis para os usuários, mas só podem ser usados dentro da própria biblioteca.

Nos EUA e em países da Europa e da Oceania, já existem empresas como a Public Library Online, que prestam serviço a bibliotecas, disponibilizando acervo digital para os usuários destas.

Com isso, usuários das bibliotecas que adquirem o serviço podem emprestar livros digitais pela internet, baixando-os para lê-los em seus próprios dispositivos eletrônicos.

Nesse modelo, o livro só pode ser baixado por um aparelho de cada vez e, passado o prazo de validade do aluguel, o arquivo se fecha.

Ainda assim, a questão envolve uma polêmica a respeito de direitos autorais das obras emprestadas online e coloca bibliotecas e editoras de livros em campos opostos nos EUA.

Em seu relatório mais recente, a Associação de Bibliotecas da América [ALA, na sigla em inglês] diz que “o crescimento dos e-books estimulou a demanda, mas as bibliotecas têm acesso limitado a eles por causa de restrições das editoras”.

Limitações

O relatório diz que grandes editoras, como Macmillan, Simon and Schuster e Hachette, têm se recusado a fornecer livros digitais às bibliotecas.

A editora Harper Collins, por sua vez, limita a 26 o número de vezes que um livro digital pode ser emprestado [ou baixado] pela biblioteca que o adquirir. E a editora Random House aumentou o preço dos e-books vendidos às bibliotecas, também segundo o relatório.

Em um momento de duras restrições orçamentárias, aumentos nos preços impedem na prática o acesso de muitas bibliotecas [ao e-book]“, diz o texto.

As editoras, por sua vez, dizem estar defendendo os direitos dos autores e argumentam que os limites de acesso levam em conta a vida útil que um livro em papel teria.

Maureen Sullivan, presidente da ALA, disse à BBC Brasil que há conversas com as editoras para chegar a um acordo e que algumas bibliotecas estão testando modelos alternativos.

Um exemplo ocorre no condado de Douglas, no Estado americano do Colorado, onde as bibliotecas firmaram contrato diretamente com as editoras, evitando as distribuidoras de livros e passando a ser donas dos arquivos dos e-books.

Segundo Sullivan, o setor bibliotecário está disposto a aceitar limites de downloads como os impostos pela Harper Collins, “desde que o preço seja razoável“.

No Brasil, onde o acervo nacional em e-books é menor, ainda não há portais como a Public Library Online provendo serviço de empréstimo às bibliotecas nem conversas avançadas entre o setor e as editoras, segundo Adriana Ferrari, coordenadora da unidade de bibliotecas da Secretaria da Cultura paulista.

O Estado de S. Paulo | 25 de janeiro de 2013, às 9h 33 | BBC Brasil – Todos os direitos reservados.

Tablets e e-readers mudam hábitos de leitura nos EUA


Parcela dos americanos que leem livros digitais subiu de 16% para 23%, enquanto os leitores de livros impressos caíram de 72% para 67%

A obsessão dos Estados Unidos pelos tablets começa a provocar um aumento da leitura de livros eletrônicos, mostra uma recente pesquisa, uma tendência que deverá reduzir o apelo dos livros impressos e abalar o negócio secular das editoras.

A parcela de americanos que leem livros digitais aumentou de 16% para 23%, enquanto o número de adultos que leem livros impressos caiu de 72% para 67%, de acordo com os dados de um estudo divulgado na quinta-feira pela Pew Internet & American Life Project.

A rápida e dramática mudança dos hábitos de leitura foi produzida pelo aumento da popularidade dos tablets e dos aparelhos para leitura, que foram adquiridos por um terço da população americana até este momento.

Os tablets – uma categoria criada pela Apple há apenas dois anos – ultrapassaram os leitores eletrônicos, como o Nook, da Barnes & Noble, ou o Kindle, da Amazon, segundo a Pew. Um em cada quatro livros eletrônicos está sendo lido num tablet, em comparação com um em cada dez, no ano passado.

“Ainda não chegamos a este ponto, mas podemos imaginar que a experiência com livros no futuro será drasticamente diferente do que é hoje”, disse Lee Rainie, diretor da Pew Internet & American Life Project. “Será uma experiência multimídia, extremamente socializada e talvez implique até uma ampla colaboração.” Os tablets, como o iPad, foram vendidos a um ritmo recorde tratando-se de um novo hardware, e o apetite dos consumidores por estes gadgets não dá sinais de se reduzir.

Outras companhias, que tentam abocanhar a fatia de mercado da Apple, trataram de lançar rapidamente ofertas mais baratas, como os tablets Nexus, do Google, e o Kindle Fire, da Amazon.

As vendas tornaram a leitura digital uma tendência dos negócios totalmente peculiar este ano, dizem os analistas. A IDC, empresa de pesquisa na área de tecnologia, elevou suas previsões de vendas dos tablets para 122,3 milhões para este ano, afirmando que a demanda de aparelhos de computação móveis foi muito maior do que o previsto.

Editoras. A evolução para os livros eletrônicos começa a afetar a economia das editoras de livros modernos. A Borders, gigante das livrarias, faliu no ano passado por não conseguir manter o custo de suas lojas físicas. Ao mesmo tempo, a Barnes & Noble luta para permanecer concorrendo no mercado com o seu Nook.

Até o momento, as editoras se beneficiaram com as vendas de livros eletrônicos. Elas conseguem margens de lucro maiores com os livros digitais porque estes não precisam ser impressos nem distribuídos. Uma vez baixados, muitos títulos podem ser compartilhados e guardados de forma permanente.

Mas o fenômeno do livro eletrônico também concentrou o poder de fixação dos preços nas mãos de um número menor ainda de varejistas.

Neste campo, as vendas são dominadas pela Amazon. No início deste ano, algumas grandes editoras de livros e a Apple foram acusadas de conluio para elevar os preços dos títulos digitais.

A maior parte dessas companhias optou por acordos extrajudiciais, embora a Apple e a Macmillan tenham prometido contestar as acusações.

Os especialistas não acreditam que os livros digitais superarão as páginas impressas. Os livros físicos se prestam mais para presentes, e fotografias e imagens ficam melhor no papel do que na tinta digital, na opinião de Jeremy Greenfield, diretor editorial da Digital Book World.

Mas os livros eletrônicos acabarão talvez se tornando a maneira mais comum de ler livros, particularmente porque as escolas começaram a adotar os tablets, dizem os especialistas.

Um grande número de escolas públicas e privadas adotou programas que colocam tablets nas mãos de crianças em idade pré-escolar. As editoras de livros de texto fizeram parcerias com a Apple e outras fabricantes de aparelhos para colocar mapas, livros de história e revistas de palavras cruzadas nos aplicativos. Cresce o número de bibliotecas que oferecem títulos digitais que podem emprestados, segundo a Pew.

A leitura eletrônica está sendo adotada muito mais rapidamente por adultos ricos, brancos e negros, do que por hispânicos, americanos mais pobres e com um grau de escolaridade menor, disse a pesquisa, destacando uma crescente discrepância em matéria de renda entre os leitores de livros eletrônicos e os que dependem dos impressos.

E quanto leem os americanos? Segundo a Pew, pessoas a partir dos 16 anos leram em média seis livros – digitais ou de papel – no ano passado.

Para a sua pesquisa, a Pew entrevistou por telefone 2.252 pessoas com mais de 16 anos.

1.Os tablets, como o iPad, e e-readers, como o Kindle, já foram adquiridos por cerca de um terço da população americana, o que deu impulso aos livros digitais.

2. Os tablets ganham cada vez mais importância nesse cenário: um em cada quatro livros eletrônicos já está sendo lido em um tablet. No ano passado, essa proporção era de um para cada dez.

POR CECILIA KANG, THE WASHINGTON POST | Publicado originalmente em português em O Estado de S.Paulo | 29 de dezembro de 2012 | 2h 05

Amazon vence batalha de preços de eBooks contra Apple na Europa


Autoridades regulatórias decidiram em favor da Amazon em batalha de preços de e-books contra norte-americana Apple na Europa

BRUXELAS | As autoridades regulatórias da União Europeia encerraram uma investigação antitruste sobre preços de livros digitais [e-books] nesta quinta-feira, aceitando uma oferta da Apple e de quatro editoras de afrouxar restrições de preços impostas à Amazon e outros grupos de varejo.

A decisão confere ao grupo de varejo online Amazon a vitória em sua tentativa de vender e-books a preços mais baixos que os dos rivais, em um mercado de rápido crescimento. A Reuters antecipou em novembro que a Comissão Europeia aceitaria a proposta de acordo.

A Comissão Europeia anunciou na quinta-feira que as concessões da Apple e das editoras haviam atenuado a preocupação quanto aos efeitos anticompetitivos de seus acordos de preços.

O compromisso proposto pela Apple e pelas quatro editoras irá restaurar as condições normais de concorrência nesse mercado novo e de rápido movimento, beneficiando os compradores e leitores de e-books“, disse o comissário de concorrência da União Europeia Joaquin Almunia.

A Apple e as editoras se ofereceram para permitir que os grupos de varejo determinem preços ou descontos por um período de dois anos, e suspender por cinco anos os acordos de tratamento preferencial entre elas.

Esses acordos impediam que as editoras Simon & Schuster; HarperCollins, da News Corp; Hachette Livre, da Lagardere SCA; e Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, controladora da editora alemã Macmillan, assinassem contratos com varejistas rivais que permitissem a elas vender livros a preços inferiores aos da Apple.

Os acordos, que segundo críticos impedem que a Amazon e outros grupos de varejo concorram com a Apple em termos de preço, resultaram em uma investigação antitruste da União Europeia em dezembro do ano passado.

O grupo Penguin, controlado pela Pearson e também sob investigação, não é parte do acordo desta quinta-feira. A Comissão informou que a Penguin ofereceu concessões que devem resolver as queixas das autoridades de concorrência.

Por Foo Yun Chee | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved | 13/12/2012

Apple e editoras propõem acordo antitruste à União Europeia


BRUXELAS, 19 Set [Reuters] | A Apple e quatro grandes editoras sugeriram permitir que grupos de varejo como a Amazon vendam livros com descontos, em um esforço para pôr fim a uma investigação antitruste da União Europeia, anunciou a Comissão Europeia nesta quarta-feira.

As autoridades regulatórias estão investigando os acordos de preços de livros entre Apple e Simon & Schuster, HarperCollins [unidade da News Corp], Hachette Livre [unidade do grupo francês Lagardere], Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, que controla a Macmillan na Alemanha, e o grupo Penguin, da Pearson.

Por um período de dois anos, as quatro editoras não restringirão, limitarão ou bloquearão a capacidade das empresas vendedoras de livros eletrônicos para estabelecer, alterar ou reduzir preços de varejo de livros eletrônicos e/ou oferecer descontos e promoções“, anunciou a Comissão Europeia em seu diário oficial, detalhando a oferta em consideração.

A Comissão afirmou que as editoras e a Apple também ofereceram uma suspensão dos contratos de favorecimento mútuo entre elas por cinco anos. Esse tipo de contrato proíbe editoras de fazer acordos com grupos rivais de varejo para vender livros a preços inferiores aos determinados pela Apple.

A organização de fiscalização da Comissão Europeia informou que as propostas ficarão abertas a comentários públicos por um mês e, caso a resposta seja positiva, a investigação será encerrada.

As editoras HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette chegaram a acordo com o governo norte-americano em abril por meio de propostas semelhantes.

De acordo com analistas do UBS, os livros eletrônicos respondem por 30 por cento das vendas de livros nos EUA e por 20 por cento no Reino Unido, mas ainda não são significativos em outros mercados.

Por Foo Yun Chee | quarta-feira, 19 de setembro de 2012 10:32 BRT | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved.

Lista dos eBooks mais vendidos nos EUA


A Digital Books World, newsletter especializada em livros eletrônicos dos EUA, divulgou várias listas de mais vendidos do setor naquele país. A DGB , associada com a Iobyte Solutions, preparou uma lista geral dos vinte e cinco mais vendidos e quatro listas segmentadas pelo preço.

A curiosidade a ser notada é que, dos vinte e cinco títulos mais vendidos, 21 foram publicados pelas “seis irmãs”, as maiores do setor, e praticamente a metade [12 títulos] foram publicados por editoras que aplicam o modelo de agenciamento, e com preços acima de US$ 10,00 [US 12,00 é o mais comum], e apenas quatro estão no segmento de preço mais baixo [de Us$ 0,00 a 2,99].

Outro detalhe significativo é que apenas dois títulos foram publicados por editoras fora do grupo das seis maiores editoras americanas [Random House, Penguin, Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins]. A Scholastic – que não está entre as seis, mas é uma grande editora [publicou o Harry Potter nos EUA] emplacou dois títulos, e a Soho Press, essa sim, independente, um título.

Ao observar as listas divididas por categorias de preço, verifica-se que apenas no segmento de preço de US$ 3. a US$ 7,99 é que começam a aparecer as independentes, com três posições. E somente no segmento mais barato [de US$ 0,0 a Us$ 3] aparecem dois autores autopublicados, Sidney Landon e Lynda Chance. Esses dois, pelo título dos romances, aparentemente produzem “romance novels”, um segmento diferenciado nos EUA, por aqui representado pelos livros de banca tipo “Sabrina”. Etc.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 20 de agosto de 2012

A Amazon é “predatória”, diz a Penguin


Editoras se defendem das acusações de cartel para fixar preços de e-books

A Penguin e a Macmillan, as únicas editoras que resolveram enfrentar nos tribunais as acusações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de que, junto com a HarperCollins, Simon & Schuster, Hachette e Apple, fizeram um conluio ao adotar o modelo de agenciamento e fixar os valores dos e-books, impedindo a redução de preços praticada especialmente pela Amazon, enviaram documentos com suas defesas na terça-feira, 29 – as outras editoras fizeram acordos com a Justiça americana.

Nos documentos, a Penguin acusou a Amazon de ter um comportamento “predatório” e “monopolista”, que poderia vir a prejudicar a indústria editorial no longo prazo. A editora argumentou ainda que a maior parte das conversas entre as editoras, usadas pela Justiça americana como prova de que elas fizeram um cartel, eram na verdade discussões sobre o “Projeto Z” – agora revelado como o aNobii – e o “Projeto Muse”, que é o Bookish.

A Macmillan também negou qualquer comportamento anticoncorrencial e afirmou que não há “nenhuma prova direta de conspiração”. Na semana passada, a Apple, que também não fez acordo e foi para os tribunais, argumentou em sua defesa que o governo estava se aliando ao “monopólio, e não à concorrência”. Com informações do site da The Bookseller.

PublishNews | 31/05/2012

Acusação “não é verdadeira”, diz Apple


Empresa diz que iBookstore quebrou o controle monopolista da Amazon

Depois de ser alvo de um processo aberto na quarta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos junto com cinco das maiores editoras do mundo, a Apple se defendeu das acusações de que o grupo de empresas fez um conluio para evitar a redução do preço dos e-books por meio da adoção do modelo de agenciamento na venda dos livros. A empresa foi a última entre as acusadas a se pronunciar.

Em comunicado assinado pelo porta-voz Tom Neumayr, a Apple afirmou que as acusações “simplesmente não são verdadeiras”. “O lançamento da iBookstore em 2010 estimulou inovação e concorrência, quebrando o controle monopolista da Amazon sobre a indústria editorial. Desde então os consumidores se beneficiam de e-books que são mais interativos e atrativos. Da mesma forma como permitimos que os desenvolvedores definam os preços na App Store, as editoras definem os preços na iBookstore”, diz a companhia.

Estima-se que a Amazon tenha 60% do mercado norte-americano de e-books, enquanto a Barnes & Noble fica com cerca de 30%. Acredita-se que a participação da Apple não passe de 5%.

Enquanto as editoras HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette fizeram acordo com a Justiça americana para encerrar o caso, a Apple, junto com as editoras Penguin e Macmillan, vão enfrentar o tribunal.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 13/04/2012

Processo contra editoras muda o jogo do preço do eBook


Justiça dos EUA conclui que adoção conjunta do modelo de agenciamento por grandes editoras foi concorrência desleal; Amazon sai fortalecida

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou a Apple e cinco das maiores editoras do mundo, ontem, sob a acusação de que as empresas fizeram um conluio para evitar a redução no preço dos e-books quando passaram a usar o “modelo de agenciamento”, em 2010, que visou especialmente impedir que a Amazon vendesse livros a preços reduzidos. A ação judicial é um revés para as editoras envolvidas, que podem vir a pagar milhões de dólares em ressarcimento aos consumidores, e uma vitória para o modelo comercial defendido pela Amazon, empresa que domina o mercado de livros nos EUA.

A Justiça americana concluiu que a Apple junto com a HarperCollins, Hachette, Simon & Schuster, Macmillan e Penguin praticaram concorrência desleal ao adotar um sistema em que são as próprias editoras que definem os preços dos e-books e que de fato realizam a venda, enquanto o varejista atua apenas como um “agente” da venda. É diferente do modelo tradicional de distribuição, em que quem define o preço final e faz a venda é a empresa varejista. Na prática, livros que poderiam ter custado US$ 9,99 por decisão da Amazon, por exemplo, com o modelo de agência ficavam entre US$ 12,99 e US$ 14,99, os preços impostos pelas editoras. Você pode ver a íntegra do processo e seus detalhes [em inglês] aqui.

Como resultado da alegada conspiração, acreditamos que os consumidores pagaram milhões de dólares a mais por alguns dos títulos mais populares“, disse Eric Holder, promotor geral dos EUA, durante uma entrevista coletiva em Washington onde ele anunciou o processo.

Acordos

As editoras Hachette [do grupo Lagardère], Simon & Schuster [da CBS] e HarperCollins [da News Corp.], já fecharam acordos com o Departamento de Justiça para não enfrentar o processo judicial. Ontem, as duas primeiras soltaram comunicados rebatendo as acusações e afirmaram não ter agido ilegalmente, mas de qualquer forma já se comprometem a encerrar os contratos nos moldes do agenciamento com a Apple. Pelo acordo, elas também ficam proibidas de impor pelo prazo de dois anos quaisquer restrições aos preços dos e-books definidos por varejistas.

Já a Penguin [grupo Pearson], a Macmillan [grupo Georg von Holtzbrinck]e a Apple não fizeram acordos e vão enfrentar a ação na Justiça – o principal executivo da Macmillan, John Sargent, escreveu uma carta em que faz veemente defesa da empresa, e o principal executivo da Peguin, John Mackinson, também assinou comunicado afirmando que a empresa não fez “nada errado”. Segundo ele, a ação americana “contém uma série de distorções e omissões materiais, que nós esperamos ter a oportunidade de corrigir no tribunal“.

As editoras que fizeram o acordo conseguiram garantir pelo menos uma limitação contra as agressivas políticas de descontos da Amazon: a de que a gigante varejista não possa vender todo o catálogo de uma editora a preços abaixo do que custa o e-book para ela. No entanto, de acordo com uma reportagem do The Wall Street Journal, se a Amazon vender um best-seller abaixo do custo e compensar com o lucro de outra venda, as editoras não poderão fazer nada.

Restituição milionária

Embora os acordos fechados pela Harper, S&S e Hachette não incluam compensação financeira, duas dessas editoras podem vir a ter que pagar restituições milionárias devido a uma ação aberta ontem por um grupo de 16 estados americanos, liderados por Connecticut e Texas, contra a Apple, a HarperCollins e a Hachette.

Segundo informações do The Wall Street Journal, já há tentativa de acordo em andamento com as duas últimas empresas. Elas já teriam concordado, a princípio, em pagar nada menos do que US$ 51 milhões em ressarcimento a consumidores, também segundo o jornal.

Investigação na Europa

Na Europa, as investigações contra as empresas, que começaram antes do que nos Estados Unidos, continuam em andamento pela Comissão Europeia. O The Wall Street Journal informou que, segundo o comissário de concorrência do órgão, Joaquin Almunia, a Apple já propôs mudanças e que quatro editoras internacionais propuseram acordos para encerrar a questão.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 12/04/2012

Apple é processada nos EUA por preços de livros eletrônicos


O Departamento da Justiça dos Estados Unidos abriu processo contra a Apple e cinco das maiores editoras de livros do planeta, na quarta-feira, alegando conluio para elevar os preços dos livros eletrônicos, o que pode ter custado “dezenas de milhões de dólares” aos consumidores.

A queixa, apresentada no distrito sul da Justiça federal em Nova York, alega que executivos da Apple e das editoras chegaram a um acordo para adotar resposta comum à política de preços da Amazon, por meio de conversas telefônicas, troca de e-mails e refeições em “salas privativas de restaurantes finos de Manhattan“. A Amazon, que vinha desafiando o setor com um preço máximo de US$ 9,99 para os livros eletrônicos, não foi citada entre os acusados.

As editoras acusadas no processo são o Hachette Book Group, parte do grupó Lagardère; a HarperCollins, da News Corp; a Holtzbrinck, controladora da Macmillan; a Simon & Schuster, subsidiária da CBS; e a Penguin, controlada pelo grupo Pearson, também controlador do “Financial Times”.

O Departamento da Justiça alegou que a Apple e as editoras elevaram os preços dos best sellers em entre US$ 2 e US$ 5 ao introduzir um modelo de negócios de “agência”, simultaneamente ao lançamento do tablet Apple iPad, sob o qual os preços de varejo são determinados pelas editoras. A insistência da Apple em uma cláusula de proteção sob a qual as editoras se comprometem a não vender seus livros a preço mais baixo para outros grupos de varejo – e a pagar 30% de comissão à Apple sobre cada venda – forçou outros grupos de varejo a adotar termos semelhantes, de acordo com o departamento.

Executivos dos escalões mais elevados das empresas citadas nos processos de hoje, preocupados com a redução de preços promovida pelo varejo de livros eletrônicos, agiram de modo coordenado para eliminar a concorrência entre as lojas que vendem livros eletrônicos, o que resulta em aumento do preço final para os consumidores“, afirmou o secretário federal da Justiça norte-americano, Eric Holter, ao anunciar o processo em Washington.

O iBooks, plataforma de e-books da Apple, foi anunciado no evento de lançamento do iPad, em janeiro de 2010 | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

O iBooks, plataforma de e-books da Apple, foi anunciado no evento de lançamento do iPad, em janeiro de 2010 | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

ACORDOS

A Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster aceitaram acordo imediato para encerrar os processos contra elas, mas a Apple, MacMillan e Penguin pretendem contestar as acusações no tribunal.

Um processo separado envolvendo diversos Estados norte-americanos trouxe acusações semelhantes contra a Apple, Macmillan, Simon & Schuster e Penguin. A Hachette e a HarperCollins vão pagar US$ 52 milhões aos Estados para encerrar os processos contra elas.

Joaquin Almunia, vice-presidente de política de competição da União Europeia, acrescentou que a Apple, Simon & Schuster, HarperCollins, Hachette e Holtzbrinck haviam recomendado possíveis mudanças em suas operações de negócios, como parte de um esforço para concluir uma investigação paralela europeia sobre livros eletrônicos.

Nem todas as editoras envolvidas comentaram de imediato, mas já haviam negado anteriormente qualquer conluio para aumento de preços, e defenderam o modelo de “agência” como uma forma de promover maior competição ao desafiar o domínio da Amazon sobre o mercado de livros eletrônicos, que vem crescendo rapidamente.

O processo federal norte-americano alega que Steve Jobs, presidente-executivo da Apple morto no ano passado, havia se envolvido pessoalmente na adoção do modelo de agência. “A Apple claramente compreendia que sua participação no esquema resultaria em preços mais altos para os consumidores“, o processo alega. Também cita Jobs como tendo declarado que “o consumidor pagará um pouco mais, mas é isso que vocês [as editoras] querem, de qualquer modo“. Um porta-voz da Apple se recusou a comentar.

REUNIÕES

De setembro de 2008 até 2009, os presidentes-executivos das editoras supostamente realizaram reuniões trimestrais para discutir “assuntos confidenciais e mercados competitivos, o que incluía as práticas de varejo de livros eletrônicos da Amazon“, afirmou o Departamento da Justiça. O departamento menciona jantares executivos dos quais participaram John Makison, da Penguin, e John Sargent, da Macmillan, na “adega do chef”, uma sala privada no restaurante Picholine, em Nova York.

O acordo, que terá de ser aprovado pelo tribunal, requereria que a Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster permitam que grupos de varejo como a Amazon e a Barnes & Noble determinem os preços que preferirem para os livros eletrônicos. Também requereria que suspendam sua preferência à Apple e que não troquem informações importantes sobre assuntos de competição por pelo menos cinco anos.

A HarperCollins anunciou o acordo sem admitir culpa, e o definiu como “decisão de negócios para encerrar a investigação do Departamento da Justiça e evitar uma batalha judicial potencialmente longa“.

POR DAVID GELLES & ANDREW EDGECLIFFE-JOHNSON | DO “FINANCIAL TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado por Folha.com | 11/04/2012 – 12h19

Novo embate entre a Amazon e as Big Six


Reportagens de sites no exterior afirmam que as maiores editoras do mundo se recusaram a assinar o contrato anual com a varejista on-line

As relações de boa parte do mercado editorial com a Amazon, pelo menos nos Estados Unidos, já são temperadas por doses de rancor e revolta em relação ao domínio da gigante. Elas agora ganharam um pouco mais de pimenta. De acordo com uma reportagem divulgada no Salon, as chamadas Big Six –HarperCollins, Random House, Hachette, Simon & Schuster, Penguin e Macmillan – pela primeira vez se recusaram a assinar o contrato anual com a Amazon, especialmente devido ao aumento “exorbitante” de certo tipo de taxa promocional sobre e-books cobrada pela empresa. Segundo a matéria, que cita um editor a par do assunto, em alguns casos a Amazon elevou os valores em 30 vezes em relação a 2011. O assunto repercutiu e outra reportagem no PaidContent informou que pelo menos duas das seis grandes editoras se recusaram a assinar os contratos. O texto ressalta, contudo, que os títulos de todas as casas continuam à venda no site da varejista de Seattle. As seis editoras, junto com a Apple, continuam sendo investigadas nos EUA e no Reino Unido sob suspeita de terem decidido conjuntamente, de forma ilegal, pela implementação do “modelo de agenciamento” para venda de e-books, diferente do modelo de distribuição, que a Amazon aplica.

PublishNews | 11/04/2012

Nook, e-reader da Barnes & Noble, é a esperança das editoras de livro nos EUA


A Barnes & Noble, gigante que ajudou a tirar do mercado tantas livrarias independentes, trava agora a luta da sua vida. E seu Nook, concebido em segredo numa antiga padaria, é a grande esperança eletrônica da rede e, na verdade, de muita gente do setor editorial.

O Nook – e, por extensão, a própria B&N – parece ser a única coisa que separa as editoras tradicionais da irrelevância.

Dentro das grandes editoras – nomes como Macmillan, Penguin e Random House – há inquietação com o futuro da B&N, que é a última grande rede de livrarias. Primeiro, as megalojas expulsaram as pequenas, depois as redes foram engolidas pela migração dos consumidores para a internet.

O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble: grande esperança da rede de livrarias e do setor editorial

Ninguém acha que a B&N vai sumir da noite para o dia. A preocupação é que ela míngue lentamente, conforme mais leitores adotem os e-books. E se a B&N virar pouco mais do que um café com um ponto de conexão digital? Tais temores vieram à tona no começo de janeiro, quando a empresa previu que sofrerá neste ano um prejuízo ainda maior do que Wall Street esperava. Suas ações caíram 17% naquele dia.

À espreita por trás disso tudo está a Amazon, força dominante no comércio eletrônico de livros. Muitos profissionais do ramo editorial enxergam a Amazon como um inimigo que, se não for controlado, poderá ameaçar toda a indústria e o ganha-pão dessas pessoas.

As editoras estão cortando custos e demitindo funcionários. Os livros eletrônicos estão bombando, mas não são muitos os editores que desejam que eles substituam os livros impressos. Já o presidente da Amazon, Jeff Bezos, quer eliminar os intermediários – ou seja, os editores tradicionais- ao lançar e-books por conta própria.

Por isso, a B&N agora parece tão crucial para o futuro do setor. Em muitas localidades, suas lojas são as únicas com uma ampla seleção de títulos. Se algo acontecer com a B&N, a Amazon pode se tornar ainda mais poderosa.

Seria como ‘A Estrada'”, disse um executivo de editora, referindo-se, meio de brincadeira, ao romance de Cormac McCarthy. “O mundo editorial pós-apocalíptico, com editores empurrando carrinhos de compras pela Broadway.

Mas William Lynch, presidente da B&N, se diz preparado para a batalha. Com apenas três anos de experiência como livreiro, ele precisa encontrar um equilíbrio: preparar um futuro digital para a rede, mas sem abrir mão do seu passado com livros físicos – e tudo isso em meio às pressões sobre o valor das ações da empresa, com os clientes fugindo para a internet e com a Amazon rondando.

Lynch, que foi criado no Texas e tem a intensidade nervosa de um executivo de tecnologia, considera disparatada a ideia de que equipamentos como o Nook, o Kindle ou o iPad levarão as livrarias à obsolescência.

Nossas lojas não vão para lugar nenhum“, disse Lynch. Ele citou um faturamento surpreendentemente robusto no fim do ano passado. E, no segundo semestre de 2011, a B&N capturou uma grande fatia do negócio deixada por um concorrente quebrado, a rede Borders.

Mas, em 5 de janeiro, a B&N anunciou que deve ter um prejuízo de até US$ 1,40 por ação no ano fiscal de 2012. E Lynch disse que os acionistas parecem estar subestimando tanto o potencial do Nook que talvez a empresa estivesse melhor se abandonasse o negócio digital.

Wall Street chiou e as ações da B&N ainda não se recuperaram totalmente. Uma pequena boa notícia para a empresa é que ela agora detém cerca de 27% do mercado do livro eletrônico, segundo Lynch. A Amazon tem pelo menos 60%.

Em 20 de janeiro, a Amazon divulgou um comunicado dizendo que “as vendas unitárias do Kindle, tanto do Kindle Fire quanto de leitores de e-book, aumentaram 177% sobre o mesmo período do ano passado“.

William Lynch, executivo-chefe da Barnes & Noble, no estabelecimento da empresa no Vale do Silício

A B&N não tem exatamente o mesmo charme [nem o dinheiro] de um Google ou um Facebook. “Não vemos todas aquelas ações, o sushi bar gratuito e todo o resto que você encontra no Google, mas existe muita responsabilidade“, disse Bill Saperstein, 62, vice-presidente de engenharia de equipamentos digitais da Barnes & Noble. “Era algo em que eu acreditava fortemente, que é a leitura.

No mês passado, engenheiros nos laboratórios da empresa no Vale do Silício faziam os últimos acertos no quinto leitor de e-books da empresa. Paralelamente, Lynch trabalha para reformular as lojas B&N. No ano passado, a empresa ampliou as seções de jogos e de brinquedos e criou novas vitrines para promover o Nook. O executivo espera eliminar dentro de dois anos as seções dedicadas a CDs e a DVDs. E também pretende testar formato de lojas ligeiramente menores.

Alguns analistas se perguntam se Lynch não teve os olhos maiores do que a boca. No entanto, a B&N talvez tenha de se adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

Acho que eles percebem que não podem continuar no ritmo que estão indo“, disse o consultor editorial Jack Perry. “Eles precisam de mais dinheiro para investir, para poder brigar.

Desde 2002, os EUA perderam cerca de 500 livrarias independentes. Umas 650 sumiram quando a Borders deixou de funcionar no ano passado.

Alguns editores de Nova York já tentaram imaginar o setor sem a B&N, e a ideia não é nada boa: haveria menos lugares onde vender livros. Os independentes respondem por menos de 10%, e os grandes magazines têm seções de livros menores do que as livrarias tradicionais.

Sem a B&N, a proposta de marketing das editoras desmorona. A ideia de que as editoras são capazes de identificar, moldar e publicar novos talentos e, então, levar as pessoas a comprar livros a preços que façam sentido economicamente, de repente, parece forçada. Divulgar livros pelo Twitter, ou depender de críticas, propaganda e talvez uma aparição na TV não parece ser um plano vencedor.

O que as editoras esperam da livraria é o “efeito folheada”. As pesquisas indicam que, das pessoas que entram em uma livraria e saem com um livro, apenas um terço já chegou com o desejo específico de comprar algo.

O espaço de exposição que eles têm na loja é realmente um dos lugares mais valiosos que existem neste país para comunicar ao consumidor que um livro é um grande negócio“, disse Madeline McIntosh, presidente de vendas da Random House.

A venda de livros mais antigos, que tradicionalmente responde por algo entre 30% a 50% da receita das grandes editoras, sofreria terrivelmente.

Jeff Bezos, da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa domina o mercado de livros eletrônicos nos EUA

Para todas as editoras, é importante que o varejo físico sobreviva”, disse David Shanks, presidente do Grupo Penguin nos EUA. “Quanto mais visibilidade um livro tem, mais inclinado o leitor fica [a comprá-lo].

Carolyn Reidy, presidente da Simon & Schuster, diz que o maior desafio é, em primeiro lugar, dar às pessoas uma razão para entrar nas lojas B&N. “Eles descobriram como usar a loja para vender e-books“, disse ela. “Agora, tomara que a gente descubra como fazer com que esse ciclo se complete, e ver como os e-books podem vender os livros impressos.

Bezos, por exemplo, não está esperando. A Amazon já criou sua própria editora. E a cada dia as Bolsas dão um soturno aviso de que Bezos tem os bolsos mais fornidos que Lynch.

John Sargent, presidente da Macmillan, disse que a questão não interessa apenas às editoras. “Qualquer um que seja um autor, um editor ou que ganhe a vida distribuindo propriedade intelectual em forma de livro fica seriamente prejudicado se a B&N não prosperar.

POR JULIE BOSMAN | DO “NEW YORK TIMES“, EM PALO ALTO, CALIFÓRNIA | 15/02/2012 – 07h51

A corrida da livraria Barnes & Nobles pela sobrevivência


Em março de 2009, uma eternidade atrás no Vale do Silício, uma pequena equipe de engenheiros estava com muita pressa de repensar o futuro dos livros. Estavam virando de cabeça para baixo a maneira como livros são publicados, vendidos, adquiridos e lidos: e-books [livros eletrônicos] e e-readers [leitores de livros digitais]. Trabalhando em segredo, atrás de uma porta sem identificação numa antiga padaria, eles se mobilizaram na tentativa de criar um aparelho capaz de captar a imaginação dos leitores e, quem sabe, até salvar a indústria do livro. E tiveram seis meses para fazê-lo.

Por trás dessa corrida estava a Barnes & Noble, a gigante que ajudou a tirar tantas livrarias do negócio e que agora se vê lutando pela própria vida. O que seus engenheiros inventaram foi o Nook, um parente temporão do e-reader que, no entanto, tornou-se a grande esperança eletrônica da Barnes & Noble e, na verdade, de muitos no negócio de livros.

Nas grandes editoras, como Macmillan, Penguin e Random House, há um sentimento de desconforto com o destino a longo prazo da Barnes & Noble, a última grande rede de livrarias que restou, com 703 unidades. O receio é que ela possa murchar paulatinamente à medida que mais leitores forem optando pelos e-books. Temores como esse vieram à tona no começo de janeiro quando a companhia fez projeções de que neste ano teria um prejuízo maior do que o projetado por Wall Street. O preço das ações caiu 17% naquele dia.

Por trás disso tudo emerge o vulto ameaçador da Amazon. Como muitas empresas em dificuldade, as editoras de livros estão cortando custos e enxugando pessoal. Sim, o negócio de livros eletrônicos está em franca expansão, às vezes com lucro, mas não são muitas as editoras que querem e-books para suplantar os livros impressos. O presidente executivo da Amazon, Jeffrey Bezos, quer eliminar os intermediários – isto é, as editoras tradicionais – publicando e-books diretamente.

Essa é a razão por que a Barnes & Noble, que já foi vista como a capitalista brutal no ramo de livros, agora parece tão crucial para o futuro do setor. Claro, é possível comprar best-sellers nas lojas Walmart e literatura barata em supermercados, mas em muitos pontos de venda, a Barnes & Noble é a única que oferece uma ampla seleção de livros. Se ela simplesmente reduzir suas ambições, a Amazon poderá se tornar ainda mais poderosa.

Seria como A Estrada [romance de Cormac McCarthy] o mundo pós-apocalíptico da publicação, com editores empurrando carrinhos de supermercado pela Broadway“, disse um executivo editorial de Nova York.

Mas William Lynch Jr., CEO da companhia, diz que está preparado para a batalha. Do alto de seus três anos de experiência na venda de livros, ele precisa preparar um futuro digital para a rede sem abandonar seu passado de livros impressos, num momento em que os lucros e o preço das ações estão pressionados, seus consumidores estão fugindo para a Web e a Amazon cresce.

Para alegria das editoras, ela entrou firme nos e-books e, com a ajuda do Nook, conseguiu abocanhar uma parte do mercado da Amazon. Mas Lynch ainda está fazendo o papel de Davi diante do Golias de Bezos. Enquanto a Barnes & Nobles vale cerca de R$ 700 milhões, a Amazon é avaliada em mais de US$ 80 bilhões.

“Nós poderíamos ficar aqui batendo com a cabeça na parede e ficar enjoado com isso, como já ficamos, a cada semana”, disse Lynch, 41 anos, sobre a cotação das ações. Mas ele garante que entrar no campo dos e-books com o Nook é o caminho certo, o único, talvez, de avançar.

Avanço. A pequena boa notícia para a companhia é que, graças ao Nook, ela agora detém 27% do mercado, um número que as editoras confirmam alegremente. A Amazon detém pelo menos 60%.

A Barnes & Noble está tentando atacar a Amazon com um outro aparelho. Em seus laboratórios no Vale do Silício, engenheiros davam os retoques finais, há poucas semanas, no seu quinto aparelho de e-reading.

Dentro de pouco tempo, executivos levarão o Nook ao exterior – uma grande virada já que a Barnes & Noble se concentrou quase exclusivamente no mercado americano durante décadas. A primeira parada deve ser na cadeia de livrarias Waterstones na Grã-Bretanha.

Isso tudo seria um trabalho gigantesco para qualquer CEO, e alguns analistas se perguntam se Lynch pôs no prato mais do que conseguirá comer. Mas no ritmo com que o setor está se transformando, a Barnes & Noble terá de adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

O Estado de S.Paulo | The New York Times | TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK | 06/02/2012

Comissão Europeia poderia aplicar multas milionárias a editoras


As cinco editoras que estão sendo investigadas a respeito do preço de seus e-books poderiam receber multas de muitos milhões de euros se for descoberto pela Comissão Europeia que elas implementaram práticas anticoncorrenciais. Hachette Livre, HarperCollins, Simon & Schuster, Penguin and Macmillan — as cinco editoras que criaram o modelo de “agência” – foram nomeadas pela Comissão Europeia na semana passada, quando o órgão formalmente iniciou uma investigação acerca da criação de preços fixos digitais com a ajuda da Apple. Muitas editoras suspeitam que a Amazon, que tanto de forma pública e privada rejeitou os acordos no modelo de agência, fez lobby com as autoridades responsáveis pela concorrência para que a investigação fosse aberta. Há casos antitruste similares que estão pendentes nos Estados Unidos, incluindo vários processos privados abertos por indivíduos que acreditam que pagaram demais pela compra de e-books.

Por M J Deschamps e Keith Nuthall | The Bookseller | 09/12/2011

Kate Wilson e o livro infantil digital


Editora britânica faz palestras em Passo Fundo e em São Paulo para contar sua experiência à frente da Nosy Crow

Kate Wilson

Kate Wilson é uma editora com experiência de 25 anos [quase todos editando livros infantis]. Foi diretora editorial da Macmillan e diretora executiva da Scholastic. Agora, na casa dos 40 e mãe de duas crianças, uma de 12 e a outra de 10, resolveu abrir uma editora. Eram dois os objetivos iniciais: ser dona do seu próprio nariz e explorar o novo universo do livro digital. Ao término deste primeiro ano da londrina Nosy Crow – o primeiro título saiu em janeiro de 2011, ela terá editado 23 livros, cinco e-books e três aplicativos. Isso com a ajuda de 13 funcionários, sendo que nem todos trabalham em tempo integral.

No Brasil para conferências na Jornada Nacional de Literatura e no SESC Belenzinho e para se reunir com editores brasileiros, ela contou que em seu país, a Inglaterra, também é muito caro produzir um aplicativo, mas segundo Kate vale a pena. Ela contou que seus dois primeiros títulos, Os três porquinhos e Cinderela [confira os vídeos], vendem muito bem em seu país, na França e na Alemanha. Aliás, a estratégia da Nosy Crow para aplicativos é a mesma usada por editoras inglesas na época dos livros pop-up. A produção torna-se viável se feita pensando em mercados maiores. Dessa forma, a Nosy Crow lançou os dois aplicativos no Reino Unido por conta própria e também na França, com a ajuda da Gallimard, e na Alemanha, em parceria com a Carlsen.

A ideia de começar por esses dois clássicos, que inspiraram as brincadeiras de diferentes gerações, surgiu para que os pais, mais do que as crianças, sentissem a diferença ao experimentar o novo formato e se animassem em comprar os novos livros para seus filhos ainda não alfabetizados. Além disso, são histórias com movimento, imprescindível em um aplicativo.

Nem todos os livros têm vocação para aplicativo e isso os editores vão aprendendo no dia a dia e com a ajuda de todos os profissionais da empresa. Na opinião de Kate, os editores de livros infantis que quiserem sobreviver à transição para a era digital devem ter em mente duas coisas. A primeira é falar com o cliente certo. “Precisamos parar de pensar, pelo menos na Inglaterra, que os nossos clientes são as livrarias e começar a ver que na verdade nossos clientes são os leitores, ou os pais dos leitores, e achar uma forma de nos comunicarmos com eles”. Nesse sentido, o site da editora é bastante interessante. A outra é agir como uma figura central no processo de produção de um livro, ou seja, organizar para que todos – editores, escritores, ilustradores, diagramadores, programadores e quem mais estiver envolvido naquele projeto – pensem o livro juntos.

Imaginação X independência

As crianças estão gastando mais tempo na frente das telas e com isso terão menos oportunidade para ler. Para Kate, esta é a hora de o editor se perguntar o que pode fazer para não perder de vez esse leitor. E é aí que entram os livros digitais interativos, especialmente quando o público for formado por crianças que ainda não sabem ler. Se sobra espaço para a imaginação? Kate diz que sim porque eles não são passivos. Mas mais importante que isso é a possibilidade de a criança fazer algo melhor do que apenas sentar na frente da tela. “Além disso, a criança não precisa esperar alguém parar para ler para ela”, comentou.

O maior problema é que ninguém sabe que tipo de leitor essa criança que foi apresentada a livros digitais interativos tão cedo se tornará. Ela vai se contentar com um e-book simples, só de texto? “Não sabemos, mas este não é motivo para enfiarmos a cabeça na terra como um avestruz e não fazermos nada.”

Kate no Brasil

Passo Fundo
Experiências de formação de leitores: ampliando redes
Sexta-feira, 26/8, às 8h30
Palestra encerra a programação do 10º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio, que acontece paralelamente à Jornada Nacional de Literatura. Além de Kate Wilson, participam Flourish Klink [MIT Estados Unidos], Elias Torres Feijó [Universidad de Santiago de Compostela/Espanha], César Piva [Programa Cultura Viva], Laura Niembro [FIL Guadalajara/México], Maria Elvira Charria Villegas [Cerlalc/Colômbia], Rita de Cássia Tussi [Programa Bebelendo], Natália Klidzio [Universidade Marie Curie – Sklodowska de Lublin/Polônia], Frieda Liliana Morales Barco [Municipalidad de Guatemala]

Formação do leitor contemporâneo
Sexta-feira, 26/8, às 14h
No palco principal da Jornada Nacional de Literatura, Kate Wilson conversa com a crítica Beatriz Sarlo e os escritores Alberto Manguel e Affonso Romano de Sant’Anna

São Paulo
Conversa com Kate Wilson
Sábado, dia 27/8, às 18h30
Com mediação de Carlo Carrenho, Kate Wilson fala sobre sua experiência profissional e o que é ser um editor na era digital. Discute hábitos e atitudes de leitura a partir de dados do Reino Unido e EUA. O encontro faz parte da exposição Linhas de histórias: Um panorama do livro ilustrado no Brasil
SESC Belenzinho [Rua Padre Adelino, 1.000, Belenzinho – São Paulo/SP. Tel.: 11 2076-9700]
Grátis

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 26/08/2011

Random House adere ao modelo de agência


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 16/03/2011

Mike Shatzkin

Agora todas as Big Six estão vendendo livros pelo modelo de agência. A Random House se uniu a suas cinco concorrentes.

Faz quase um ano que a Apple lançou o iPad, abriu a iBookstore e entregou às grandes editoras uma oportunidade para reescrever as regras do mercado de e-book, pelo menos para seus próprios livros e por algum tempo. Como leitores desse blog certamente sabem, cinco das maiores editoras (Hachette, HarperCollins, Macmillan, Penguin e Simon & Schuster) usaram a oportunidade apresentada pela chegada da Apple à cena e implementaram a mudança para o modelo de agência para todos seus clientes. A Random House, por motivos que fizeram sentido para mim na época – e quase certamente ganhando algumas vantagens competitivas no último ano, julgando pela raiva entre muitos de seus concorrentes de igual tamanho –, ficou com o modelo de distribuição original.

A vantagem competitiva vinha do fato de que todas editoras com modelo agência “forçavam” uma margem de 30% no canal de venda de e-book enquanto que a Random House pode ter, no final da história, abocanhado mais margem do canal de varejo.

Estas são minhas interpretações sobre essa mudança:

1. O modelo agência foi bem-sucedido em quebrar a hegemonia da Amazon sobre o mercado de e-book. Um ano atrás, parecia possível que a Amazon conseguisse manter de forma duradoura entre 75% ou 80% do mercado de e-book. Hoje, apesar de ainda terem a maior fatia, e quase certamente terem mais do que o dobro de qualquer outro, o modelo de agência permitiu que se desenvolvesse uma competição real com a iBookstore, o Nook da B&N, Kobo e Google. E os independentes servidos por Google, Ingram e Overdrive ao redor do mundo podem oferecer uma alavancagem de mercado em potencial, se não forem expulsos do jogo pela competição do preço. A Amazon ainda é um gigante, mas não é o único player do mercado. Ao implantar o modelo de agência agora tanto a Random House como a Amazon ganham alguma vantagem comparativa. Se a Amazon ainda tivesse 80% do mercado, não veríamos essa mudança.

2. A Google pode não estar vendendo (ainda) muitos e-books (o sentido de não terem uma grande fatia do mercado), mas estão abrindo cada vez mais espaço para os independentes. Estes conversam com representantes de venda e a Random House possui mais representantes do que qualquer outro. Eu imagino que a empresa começou a sentir um certo desconforto com o feedback que estavam do varejo que eles querem manter vivo.

3. Até o momento, nenhuma das grandes editoras tomou a iniciativa de vender agressivamente e-books diretamente para os consumidores online. Mas elas acabarão tendo de fazer isso. Vocês podem se lembrar que o CEO da Random House, Markus Dohle, me contou no ano passado que tinha percebido que as editoras precisariam se tornar B2C. Ele não estava sugerindo que venderia livros direto ao consumidor no momento; na verdade, ele insistia que havia outras formas de manifestar aquela visão que não fossem vendas diretas. Mas se alguma vez você pensar em vender direto e dedicar quinze minutos a isso, vai perceber que ou terá de fazer sob termos de agência ou enfrentará complicadas e bastante problemáticas conversas com seus varejistas.

E é isso que estou vendo.

No momento, até onde posso afirmar, há muito pouco uso, entre as grandes editoras, de sua capacidade de gerenciar os preços no mercado. Não conheço muitas experiências sendo feitas. Não conheço nenhum especialista em marketing direto ou em dinâmica de preços (duas coisas que seriam relevantes) sendo contratados por grandes editoras para ajudá-las a perceber o potencial das oportunidades. E só posso lembrar de um executivo sênior conhecido que possui um interesse pessoal em dinâmica de preços.

Talvez seja diferente com a Random House. Eles são os líderes tradicionais da indústria em termos de operações e análises. Fazem inventários gerenciados por vendedores para as contas de varejo; não conheço nenhuma outra grande editora que faça o mesmo. Possuem um sofisticado gerenciamento de cadeias de suprimento há anos.

Agora têm a vantagem de ver o que seus concorrentes fizeram e o que não fizeram, durante o primeiro ano de preços pelo modelo de agência. Será importante ver se aproveitam de forma mais enérgica a oportunidade com o gerenciamento de preços do que as outras editoras fizeram até o momento.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 16/03/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Estado de Connecticut investiga Apple e Amazon por e-books


O procurador-geral do Estado norte-americano de Connecticut, Richard Blumenthal, está investigando acordos fechados entre a Amazon.com e a Apple com editoras para vender livros digitais a preços mais acessíveis, alegando que esses pactos impedem que seus concorrentes consigam oferecer valores igualmente competitivos.

No começo do ano, as duas empresas fecharam um acordo de preços mais favoráveis com grandes editoras, assegurando que suas rivais não possam negociar preços mais baixos“, disse Blumenthal.

Ele citou editoras como Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins e Penguin. Blumenthal enviou cartas à Amazon e à Apple solicitando uma reunião com seus executivos para discutir a questão.

O mercado de livros digitais está prestes a explodir com analistas prevendo que e-readers serão um dos eletrônicos mais vendidos da temporada de Natal, o que gerou a revisão sobre o possível impacto negativo ao consumidor“, afirmou Blumenthal em comunicado. “Essa restrição bloqueia preços mais baratos e competitivos para os consumidores.

A Amazon e a Apple são as principais concorrentes do mercado de e-books, junto com redes de livrarias norte-americanas como Barnes & Noble e Borders Group.

Não foi possível contatar as duas empresas ou a editora Penguin para comentar o caso. Já as editoras Simon & Schuster e HarperCollins se recusaram a comentar.

Reuters | 03 de agosto de 2010 às 17h02

Acordo entre Apple e Amazon será investigado


O procurador-geral do Estado norte-americano de Connecticut, Richard Blumenthal, está investigando acordos fechados entre a Amazon e a Apple com editoras para vender livros digitais a preços mais acessíveis, alegando que esses pactos impedem que seus concorrentes consigam oferecer valores igualmente competitivos.

“No começo do ano, as duas empresas fecharam um acordo de ‘preços mais favoráveis’ com grandes editoras, assegurando que suas rivais não possam negociar preços mais baixos”, disse Blumenthal.

Ele citou editoras como Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins e Penguin. Blumenthal enviou cartas à Amazon e à Apple solicitando uma reunião com seus executivos para discutir a questão.

O mercado de livros digitais está prestes a explodir – com analistas prevendo que e-readers serão um dos eletrônicos mais vendidos da temporada de Natal -, o que gerou a revisão sobre o possível impacto negativo ao consumidor”, afirmou Blumenthal em comunicado. “Essa restrição bloqueia preços mais baratos e competitivos para os consumidores.

A Amazon e a Apple são as principais concorrentes do mercado de e-books, junto com redes de livrarias norte-americanas como Barnes & Noble e Borders Group.

Não foi possível contatar as duas empresas ou a editora Penguin para comentar o caso. Já as editoras Simon & Schuster e HarperCollins se recusaram a comentar.

POR ALEXANDRIA SAGE | REUTERS | 3 de agosto de 2010 | 8h55

Agência literária publica e-books!


Todos nós já vimos autor virar editor, editor virar autor, mas agente virar editor era novidade… Não é mais!

The Wylie Agency[1] fechou negócio com a Amazon[2] e, agora, você pode saborear as “kindle-letras” de autores como: Saul Bellow, Jorge Luis Borges, William S. Burroughs, John Cheever, Ralph Ellison, Louise Erdrich, Norman Mailer, Vladimir Nabokov, V.S. Naipaul, Orhan Pamuk, Philip Roth, Salman Rushdie, Oliver Sacks, Hunter S. Thompson, John Updike, Evelyn Waugh entre outros que virão, claro.

O fato novo é que não iremos refletir sobre uma agência qualquer, com quaisquer autores. O nome da empresa é The Wylie Agency[3], a qual tem negócios com editoras de porte, como Random House[4], Macmillan[5] e muitas mais. Se você está pensando que isto parece “briga de cachorro grande”, saiba que não parece, é mesmo. A decisão básica da The Wylie em abrir a empresa Odyssey Editions[6]para publicar os e-books de seus autores gerou reações nada simpáticas, bem como reflexões sobre os papéis dos profissionais no mercado editorial[7].

As considerações revêem os contratos já firmados para língua inglesa pela agência, sua nova posição de “concorrente” das editoras com as quais trabalha, sua postura de aumentar as porcentagens de direitos autorais para seus autores, além de questionar a exclusividade com o Kindle como nada interessante para o leitor. E não param por aí, até porque nem todas as questões esgotaram-se. A internet só está começando a questionar os modelos de negócios das publicações. Vamos pensar a respeito:

1. Contratos via agentes: não é comum agentes cederem direitos para vários tipos de publicação e de uso de uma obra a uma editora. As ofertas em dinheiro, para conseguir os direitos de uma obra, ajudam muito a ampliar ou reduzir os meios para publicar nos acordos entre editoras-agentes-autores. Logo, até aqui, The Wylie não criou nada de novo nessas relações comerciais.

2. Agência-editora: a pergunta que se faz agora com a internet é – Com quem você está negociando direitos autorais? Com editoras, distribuidoras ou livrarias? Um portal ou site[8] na internet é uma editora, distribuidora ou livraria? Concordo, com quem está lembrando, que o Kindle é entendido mais como uma distribuidora do que uma editora. Porém, pense comigo, uma obra só de texto que entra em formato digital pré-determinado, precisa de um novo processo editorial? A abertura da empresa Odyssey Editions, realmente, pode ser entendida que a Wylie “virou concorrente das editoras”, ou é apenas uma formalização administrativa exigida para negociar suas obras em e-books? Será que a novidade é a agência[9] atualizar-se com a nova maneira de negociar direitos autorais…?

3. Porcentagens maiores de direitos autorais: agentes literários começaram a negociar no final dos anos 1800, na Inglaterra. Temos aqui, mais ou menos, 200 anos de história desse tipo de negócio e suas necessidades. Quem defende a ideia que as novas formas de publicações com custos diferentes não iriam modificar os antigos modelos das porcentagens de direitos autorais, pode começar a repensar seus argumentos…

4. O kindle é o limitador até 2012[10]: como leitora, até hoje, já com mais de 200 páginas de leitura na internet sobre os modelos que recebem os e-books, confesso que não consegui me decidir entre qual comprar. Acredito que irei ficar assim até que editoras, distribuidoras, plataformas físicas de e-books, agora agências, consigam lembrar que nós, leitores, não colecionaremos instrumentos eletrônicos para as palavras digitais. Queremos apenas ler! No meu caso, sonho com o dia em que um livro de 700 páginas irá pesar tanto em minhas mãos quanto outro de 100 páginas.

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[1] http://www.wylieagency.com/
[2] http://mashable.com/2010/07/23/amazon-deal-threatens-ebook-market/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=hellotxt&utm_campaign=Feed%3A+Mashable+%28Mashable%29
[3] http://harvardmagazine.com/2010/07/fifteen-percent-of-immortality
[4] http://www.thebookseller.com/news/124089-random-house-says-it-will-no-longer-deal-with-wylie-agency.html.rss?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
[5] http://blog.macmillanspeaks.com/macmillan-response-to-wylie-exclusive-publishing-deal/#comment-1229
[6] http://www.odysseyeditions.com/
[7] http://www.gather.com/viewArticle.action?articleId=281474978390186
[8] Site que se propõe a ser a porta de entrada da Web para as pessoas em geral. Tipicamente, um portal possui um catálogo de sites e um mecanismo de busca. http://tecnologia.uol.com.br/dicionarios/
[9] http://www.ft.com/cms/s/0/36ad8464-981e-11df-b218-00144feab49a.html
[10] http://jwikert.typepad.com/the_average_joe/2010/07/how-will-ebookstores-earn-your-loyalty.html

Por Marisa Moura | Publicado originalmente em PublishNews | 27/07/2010

Admirável Livro Novo


Quem compraria de olhos fechados um produto que ninguém experimentou, que ainda não tem certeza de como funciona e que nem sabe exatamente para que vai servir? A partir deste mês, milhares de pessoas [por ora apenas nos Estados Unidos] terão a oportunidade de ver como é realmente o iPad, o mítico e-reader da Apple, aquele que pode fazer com o livro em papel o mesmo que o iPod fez com o CD: torná-lo dispensável. Seriam esses computadores pessoais em formato de prancheta e tela sensível ao toque, chamados tablets, “assassinos tecnológicos”, capazes de transformar o livro impresso em objeto de museu, ao lado dos daguerreótipos, dos gramofones e até dos primeiros leitores digitais, como o Kindle?

Como em todas as discussões milenaristas, os debatedores podem ser divididos em duas correntes: os “apocalípticos” e os “integrados”, para usar os termos do filósofo italiano Umberto Eco – que é, aliás, uma voz importante também nessa questão. Na obra Não Contem Com o Fim dos Livros, que sai no fim do mês no Brasil, ele e o escritor francês Jean-Claude Carrière procuram tranquilizar, numa série de conversas, os que temem que a era tecnológica se transforme num apocalipse que não deixará página sobre página. Ao mesmo tempo, é um exemplo de como a discussão sobre o fim do livro é inútil, porque na maior parte do tempo é baseada em achismos e experiências pessoais que não são necessariamente compartilhadas pelas novas gerações. Mesmo quando o debate é liderado por pensadores de renome.

Quem lê o livro percebe que a confiança expressa na capa não reflete o conteúdo. O que sobressai é o lamento de dois homens brilhantes que, como muitos de seus contemporâneos, se veem como dinossauros soterrados por uma revolução nas formas de escrever, ler e transmitir o conhecimento. Carrière fica surpreso, por exemplo, quando o amigo Eco revela ser um velho jogador de fliperama [!] atordoado por uma “derrota acachapante” de 280 a 10 para o neto de 7 anos num videogame. O placar leva o autor de O Nome da Rosa a reconhecer que, por mais que tenha devorado bibliotecas, é incapaz de acompanhar a revolução que se anuncia. “Nossa insolente longevidade não deve nos mascarar o fato de que o mundo do conhecimento está em revolução permanente e de que não fomos capazes de captar plenamente alguma coisa senão no lapso de um tempo necessariamente limitado.

Apesar de inflamar corações e mentes, a discussão sobre o fim do livro é apenas a ponta do iceberg de outra revolução em curso: a das novas possibilidades de narrar e ler abertas pelas tecnologias digitais. Essas inovações convergem de tal forma que, no futuro, as experiências de ler, ouvir e ver não serão mais distintas. Uma nova semântica já começa a se instaurar a partir da internet. Os próprios conceitos de livro e literatura já não parecem mais tão claros diante das novas mídias.

A QUARTA TELA
A revolução que torna incerto o futuro do livro questiona a noção de autoria, abala as bases da indústria editorial e muda as formas de leitura já é chamada pelos especialistas de Quarta Tela – as três primeiras são a da televisão, a do computador pessoal e a do telefone celular. A quarta tela com que vamos nos acostumar a interagir diariamente será a do tablet. O iPad é a estrela desta nova geração de computadores, mas nem de longe a única. Calcula-se que ele dividirá o mercado com pelo menos 50 modelos nos próximos meses.

A Hewlett-Packard, por exemplo, promete para breve o Slate, que usará o Windows como sistema operacional. A Samsung também anunciou o seu E6, um e-reader que permite anotações a mão, e a Asus inova com um e-reader com duas telas, simulando a leitura de um livro. Até o Brasil entrou na corrida. De Recife, a Mix Tecnologia anunciou o lançamento para junho do primeiro leitor eletrônico com software 100% nacional, a um preço que varia entre R$ 650 e R$ 1,1 mil. O investimento parece alto, mas milhares de e-books são oferecidos pelas livrarias virtuais gratuitamente, como os clássicos em domínio público. E o download de um lançamento custa em geral metade do preço de um livro em papel.

Tablets têm uma série de vantagens sobre os dispositivos que apenas exibem textos digitalizados, como os pioneiros Kindle, da livraria Amazon, e o nook, da livraria Barnes & Noble, além de sua tela colorida. “Ele abre uma nova gama de experiências que ultrapassa a da leitura do livro impresso”, afirma o brasileiro Julius Wiedemann, editor-chefe da área de design da Taschen, que já testa um programa para simular livros de arte no novo e-reader, com direito a multimídia e interatividade. “Vivemos uma mudança radical de paradigma”, acredita. Opinião parecida tem o editor da revista americana Wired, Chris Anderson. “Daqui a 10 anos vamos ver que este foi um momento significativo”, afirmou numa conferência em São Francisco em março, quando apresentou um vídeo com a versão da revista, uma espécie de bíblia das novas tecnologias, para o iPad.

A verdade é que, até o mês passado, e-readers eram suportes eletrônicos para livros comuns, e os e-books não passavam de versões digitalizadas de textos produzidos para serem impressos. Mas, de agora em diante, o livro — assim como os jornais e revistas — pretende ser muito mais do que um texto adaptado para o novo formato. Nascidos digitais, os novos livros podem prescindir da leitura linear, integrar-se à internet, misturar palavra, vídeo, foto, som e animação, e literalmente explodir em 3D nas telas. Neste novo universo, real e virtual não são mais mundos separados. Os novos livros poderão ainda ser reescritos por seus leitores, em experiências interativas e colaborativas que colocam em questão o conceito de autoria e propriedade intelectual.

O CHEIRINHO DO LIVRO
Ainda é cedo para medir o impacto na criação narrativa dessa literatura sem papel. O livro eletrônico poderia desenvolver novas formas expressivas — assim como o livro impresso possibilitou o boom do romance, e a câmera filmadora a explosão do cinema? Boa parte das obras produzidas no novo formato ainda é experimental. No entanto, as editoras comerciais já começam a fazer suas próprias experiências. A Penguin e a Macmillan colocaram na rede vídeos mostrando como seus livros serão reinventados, ganhando recursos interativos e multimídia, espaço para comentários, mecanismos de busca e comunidades virtuais de leitores para trocar ideias.

Segundo o executivo-chefe da Penguin, John Makinson, a editora criará grande parte de seu conteúdo digital em HTML [linguagem para escrever páginas da internet] em vez do formato ePub, usado nos livros eletrônicos. “A própria definição de livro está aberta”, acredita. De fato, há dúvidas sobre como classificar as obras produzidas a partir das estratégias narrativas abertas pelas novas tecnologias. Seriam livros ou alguma forma nova, que já é chamada de transmídia, que conviverá em separado com o mercado editorial tradicional, como a televisão adquiriu uma linguagem diferente do cinema?

Apesar de toda essa excitação, não faltam leitores que não pretendem abandonar o papel por nada. Seus argumentos são pertinentes. Ler num computador não é tão confortável como ler uma obra impressa [por outro lado, uma biblioteca inteira cabe num levíssimo e-reader]. É difícil ler na tela porque os olhos se cansam da luminosidade [aparentemente não os das novas gerações, habituadas às telas do computador]. As baterias acabam, enquanto livros duram quase uma eternidade [em compensação os livros impressos não podem ser baixados para o seu e-book quando se está há horas esperando na antessala do médico]. Para praticamente todo argumento contra um tipo de livro há um a favor.

Resta o insubstituível “cheirinho do livro”. Para quem não abre mão dele, uma história divertida é a relatada pelo historiador americano Robert Darnton em A Questão dos Livros: Passado, Presente e Futuro, que sai no Brasil em maio. Conta que uma pesquisa com estudantes constatou que 43% deles consideravam o cheiro uma das maiores qualidades dos livros. E a única que aparentemente não poderia ser suplantada pelos livros eletrônicos. Mas uma editora online, a CaféScribe, já apareceu com uma solução: oferecer um adesivo para ser colado em seus computadores com um aroma similar.

Especialista na história do livro, Darnton mostra que o livro impresso é também uma tecnologia de leitura, que já desbancou outras, no passado: os rolos de pergaminho e as obras manuscritas, mesmo que sob severos protestos de seus defensores. Nesta área, as mudanças têm sido cada vez mais rápidas. “Da descoberta da escrita até o codex [o formato atual do livro], passaram-se 4.000 anos; do codex à tipografia, 1.150 anos; da tipografia para a internet, 524 anos; da internet para os mecanismos de busca, 17 anos; deles para o Google, 7 anos; e quem sabe o que estará ali na esquina ou vindo na próxima onda?”, pergunta.

Com ou sem cheirinho, os e-readers prometem revolucionar os hábitos de leitura, assim como o codex fez com os rolos de papiro. Em vez de duas páginas lado a lado, teremos uma única, que também servirá para exibir vídeos, acessar a internet e nos comunicar com os amigos. Podemos retomar o hábito de fazer anotações nas margens, sublinhar e usar etiquetas virtuais [tags] para catalogar o que nos interessa. Em vez de comprar livros, poderemos baixá-los numa livraria virtual imediatamente — e talvez impulsivamente, porque o preço será bem menor. Será muito simples buscar palavras-chave num grande volume de textos e assim destrinchar em poucos minutos a obra de um grande pensador sobre determinado assunto. Ou mesmo de vários pensadores ao mesmo tempo. Vamos poupar muitas árvores de serem abatidas à toa, para a publicação de livros sem importância. Mas qual será o custo disso para o universo da leitura tal como conhecemos hoje?

O tempo dirá quem vai pagar a conta.

CROWDSOURCING
Elaboração dos mais diversos conteúdos de maneira coletiva. O desenvolvimento de ferramentas interativas e o sucesso do twitter deu novo fôlego às experiências colaborativas em rede na área acadêmica e literária.

APLICAÇÕES
A enciclopédia virtual Wikipédia é um exemplo de narrativa colaborativa: em vez de especialistas contratados, quem escreve os verbetes são os leitores. Na wikiliteratura, eles também são convidados a contribuir para o desenvolvimento da história.

TÍTULOS
De olho no fenômeno, a editora americana Penguin criou o projeto A Million Penguins, que chamou de exercício de escrita criativa colaborativa com base no twitter. Nela, todas as contribuições podem ser editadas, alteradas ou removidas pelos colegas. E a BBC Audiobooks convidou o escritor Neil Gaiman para dar o pontapé inicial de um conto com uma frase de 140 caracteres, complementado depois pelos seguidores cadastrados.

INTERATIVIDADE
Total. A própria ideia de autoria se desfaz nestes projetos baseados no conceito de inteligência coletiva.
VEJA: http://www.amillionpenguins.com

FICÇÃO HIPERTEXTUAL
Também chamada de ficção não-linear, permite que o texto tome vários caminhos e até ter vários finais possíveis. Não nasceu na internet, mas ganhou impulso nela pela facilidade de criar hiperlinks, que possibilitam navegar pela história.

APLICAÇÃO
Tem grande aplicação na literatura, adequada para a criação de nova narrativas não-lineares, ou na adaptação de já existentes, como O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar.

TÍTULOS
Alguns dos mais interessantes exemplos podem ser consultados na Biblioteca Cervantes Virtual, sob a rubrica hipernovela. Vale conferir títulos como Condições Extremas, de Juan B. Gutierrez.

INTERATIVIDADE
Pode ser de dois tipos: explorativa e construtiva. Na primeira, o autor define os rumos da história, mas permite ao leitor decidir seu trajeto de leitura. Na segunda, o leitor pode inclusive modificar a história.
VEJA aqui.

HIPERMÍDIA
Narrativa que faz uso de texto, áudio, animações e vídeo para contar uma história ou desenvolver uma tese. A hipermídia não é a mera reunião da várias mídias, mas sim a fusão delas numa nova narrativa.

APLICAÇÃO
Permite que várias mídias sejam integradas e formem uma nova linguagem, com sua própria gramática. Já imaginou um livro como A Volta ao Mundo em 80 dias usando o Google Maps? É útil também em ensaios – um livro sobre a ópera, por exemplo, pode trazer imagem e áudio das encenações.

TÍTULOS
O premiado Alice Inanimada, produzida por Kate Pullinger e Chris Joseph, é um romance que utiliza uma combinação das várias mídias. Durante dez episódios vemos a menina sair de uma região remota da China para se tornar uma designer de jogos.

INTERATIVIDADE
Nem sempre é necessária. O leitor pode simplesmente acompanhar a história da forma como ela é narrada. Ou eventualmente jogar com ela.
VEJA: http://www.inanimatealice.com/

FAN FICTION
Obra de ficção criada por fãs com base em personagens de livros, filmes, mangás e animações consagradas. Sem se importar com direitos autorais, os fãs podem também tomar emprestadas situações das histórias originais.

APLICAÇÃO
Criado para diversão, o gênero também tem um potencial didático que já foi descoberto por professores de português. Em sala de aula, pode-se criar fan fictions de obras clássicas – inventado mais peripécias, por exemplo, para Leonardo Pataca, protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

TÍTULOS
Embora os primeiros blogs sejam dedicados a aventuras inspiradas pela série Harry Potter, de J. K. Rowling, há histórias baseadas em Senhor dos Anéis, de J. K. Tolkien, e em Eragon, de Christian Paolini, entre outros.

INTERATIVIDADE
Em sites, blogs, fóruns e redes de e-mail, um “autor” pode controlar um personagem, discutindo com os amigos os rumos da história.
VEJA: http://fanfiction.nyah.com.br/

GAMES
Modelo narrativo não-linear, que leva o leitor a “jogar” uma história, em vez de acompanhar passivamente a trama arquitetada por um autor.

APLICAÇÃO
Atraente especialmente para o público juvenil, acostumado a interagir com videogames. Os educadores já estão de olho no potencial do formato para atualizar os livros didáticos. Já pensou estudar Geografia procurando um tesouro nos Andes?

TÍTULOS
Em 2008, a editora americana Scholastic publicou o primeiro livro da série The 39 Clues – lançado no Brasil pela Ática. Escrito por Rick Riordan, autor de Percy Jackson & Os Olimpianos, o livro entrou imediatamente nas listas de mais vendidos nos Estados Unidos.

INTERATIVIDADE
No caso de The 39 Clues, um website, figurinhas colecionáveis, quebra-cabeças, jogos on-line ajudam o leitor-jogador a seguir as pistas que revelam o passado da família Cahill e de personagens históricos, como Benjamin Franklin e Anastasia Romanov.
VEJA: http://www.the39clues.com

REALIDADE AUMENTADA
Marcada com um código especial, uma página de livro exibe objetos tridimensionais na tela do computador quando colocada em frente à webcam. São imagens, sons e textos que acrescentam informações ao conteúdo impresso, numa mistura de mundo virtual e real.

APLICAÇÃO
Útil para livros infantis e enciclopédias, que poderiam trazer mapas, gráficos e objetos animados e em 3D.

TÍTULOS
As crianças que foram à Feira de Frankfurt em 2008 puderam se deliciar com as experiências da Metaio, uma empresa alta tecnologia alemã que apresentou os livros Aliens & UFOs. Este ano, as inglesas Salariya Book Company e Carlton lançaram títulos como O que Lola Quer… Lola Tem e Dinossauros Vivos!

INTERATIVIDADE
O que diferencia essa tecnologia dos pop-ups tradicionais [livros de papel em que as ilustrações são montadas em 3D] é que os objetos em 3D se mexem e acompanham o leitor, seguindo seus movimentos.
VEJA: http://www.metaio.com

VOOK
Um livro em que a informação do texto é complementada com vídeo – algo parecido com o jornal Profeta Diário dos filmes de Harry Potter, em que as reportagens trazem, em vez de foto, personagens em movimento.

APLICAÇÃO
Útil para livros de receitas culinárias ou de ginástica, em que o leitor poderá ver os movimentos necessários em vídeo. Em ficção, contudo, seu uso é polêmico, por tirar do leitor o prazer de imaginar rostos e cenários.

TÍTULOS
Disponíveis hoje para iPhone e tablets – não para Kindle. Em ficção, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, e A Estranha História do dr. Jekyll e mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson. Há ainda obras exclusivas para o formato, como Promessas, de Jude Deverauz.

INTERATIVIDADE
O leitor pode se conectar com o autor, acessar links úteis e comentar a história com seus amigos ou outros leitores nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook.
VEJA: http://www.vook.com

Cristiane Costa – Sean Mackaoui – Revista BRAVO – Abril 2010

Editora teme guerra de preços com iPad


A Random House, maior editora de livros do mundo em vendas, poderá manter suas publicações fora do iPad, da Apple, quando o aparelho for colocado à venda no mês que vem. A unidade do grupo Bertelsmann teme os efeitos do aparelho sobre os preços dos livros eletrônicos.

Segundo se comenta no mercado, as cinco maiores concorrentes da Random House – Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, Harper-Collins e Penguin – já aderiram à iBookstore, o site de varejo onde os e-books para o iPad serão vendidos.

Mas a ausência da líder do mercado de livros será um golpe para a Apple. Markus Dohle, executivo-chefe da Random House, não excluiu, ontem, a possibilidade de um acordo antes do início das vendas do iPad, em 3 de abril, mas disse que está dando seus passos com cuidado, uma vez que o regime de fixação de preços da Apple poderia prejudicar as práticas das editoras.

Até agora, as livrarias tradicionais e os grupos varejistas da internet como a Amazon vinham comprando livros das editoras com descontos para depois remarcá-los e vendê-los com lucro para os leitores.

Mas, numa ampliação do modelo de preços estabelecido para os aparelhos que já vende, a Apple quer que as editoras estabeleçam os preços que serão pagos pelos usuários de sua iBookstore – ficando a própria Apple com 30% das vendas resultantes.

Dohle disse que o iPad e a iBookstore significam “mudanças, em especial para os nossos acionistas“, que exigiriam que a editora consultasse mais os autores e seus agentes.

Hartmut Ostrowski, executivo-chefe da Bertelsmann, usou a entrevista anual concedida pelo grupo para dizer que o iPad e outros aparelhos, como o Reader, da Sony, chegaram para ficar, e estão influenciando o setor da mídia “mais do que qualquer outra coisa”.

A Bertelsmann registrou perdas no ano passado. A crise econômica afetou as receitas publicitárias e forçou o grupo a fazer uma baixa contábil no valor de seus ativos. Após os pagamentos a acionistas minoritários em joint ventures, o prejuízo foi de € 82 milhões [US$ 110,7 milhões], frente ao lucro líquido de € 142 milhões em 2008. As receitas caíram 5,4%, para € 16,2 bilhões.

Os custos de reestruturação e reavaliação de ativos eliminaram € 730 milhões do lucro operacional, que ficou em € 1,4 bilhão – contra € 1,6 bilhão em 2008. Os pagamentos de juros e impostos reduziram ainda mais os ganhos, rendendo ao grupo um lucro líquido de € 35 milhões.

O desempenho do grupo, que também controla o canal de TV RTL e a editora de revistas G+J, foi reforçado por um corte de custos de € 1 bilhão. O endividamento total caiu 9% para € 6 bilhões.

Thomas Rabe, diretor financeiro, disse que a Bertelsmann espera uma estabilização da economia mundial neste ano. Como resultado, a companhia prevê vendas e lucro operacional estáveis, além de um lucro líquido entre € 400 milhões e € 500 milhões.

Rabe confirmou o possível interesse da Bertelsmann nos ativos da EMI Music Publishing [de administração dos direitos de composições musicais], através de sua própria joint venture no segmento com a Kohlberg Kravis Roberts, a BMG Rights Management. “Não sabemos se e quando a EMI vai colocá-los à venda. Mas se isso acontecer, daremos uma olhada“, disse o executivo.

Gerrit Wiesmann | Financial Times | 24/03/2010

Arena digital opõe editoras a grupos de TI


Um dia depois de a Apple anunciar seu iPad, John Sargent, da Macmillan, se dirigia à sede da Amazon.com, em Seattle, para uma visita arranjada às pressas. O executivo-chefe da respeitável editora chegou com um ultimato para a maior vendedora de livros do mundo – ou ela deixava a Macmillan cobrar mais por seus livros eletrônicos ou teria que esperar seis dolorosos meses para vendê-los, depois que os novos títulos já tivessem sido distribuídos a outros pontos de venda, inclusive via iPad.

A Amazon se recusou. Quando Sargent chegou a Nova York, no começo da noite do mesmo dia, a empresa havia começado a remover todos os títulos da Macmillan – tanto e-books como livros físicos – de seu site na internet. Se a Macmillan queria ser durona, iria se ver com a Amazon.

Mas apenas um dia depois, a Amazon capitulou, concordando em princípio em elevar os preços dos e-books da Macmillan. O lançamento do iPad havia ressaltado a competição cada vez mais dura que ela vem enfrentando no negócio dos livros digitais, de rápido crescimento, e a Amazon simplesmente não poderia se dar ao luxo de perder os títulos da Macmillan, que incluem “best-sellers” como “Wolf Hall”, “The Politician” e “The Checklist Manifesto”  [ainda sem tradução para o português].

Esses foram os primeiros movimentos de uma batalha que vai determinar o futuro da publicação de livros, à medida que o setor, a exemplo das indústrias da música e do cinema, migra para a internet. Todos os negócios de mídia que fizeram essa transição tiveram seus aspectos econômicos destruídos no processo. Agora, subitamente, isso está acontecendo com os livros. De algo não pensado há apenas seis meses, as vendas dos livros eletrônicos tornaram-se, da noite para o dia, o foco do setor e um novo campo de batalha potencialmente lucrativo para companhias de tecnologia como a Amazon e a Apple.

“Trata-se de um momento extremamente importante porque eu acho que estamos vendo uma mudança fundamental em direção ao produto digital”, afirma John Makinson, executivo-chefe do Penguim Group, que, assim como o “Financial Times”, é controlado pela Pearson. Se as editoras errarem agora nas negociações de preços, elas poderão transferir o controle de seu futuro para umas poucas companhias de tecnologia.

As mudanças têm como pano de fundo um mercado mundial de livros impressos para o consumidor que saiu de um crescimento lento para entrar em um declínio lento. A consultoria PricewaterhouseCoopers [PwC] prevê que o movimento do setor vai cair de US$ 72,6 bilhões em 2008 para US$ 71,9 bilhões em 2013. Os gastos com livros eletrônicos deverão crescer de US$ 1,1 bilhão para US$ 4,1 bilhões no mesmo período.

Embora ainda representem uma parcela pequena do total, essas previsões mostram que a maior esperança das editoras está nos e-books. Amazon, Sony e Barnes & Noble já operam suas próprias lojas de livros eletrônicos. A Apple vai lançar a iBookstore quando o iPad estiver disponível, neste mês, e o Google prepara um ponto de venda de livros eletrônicos.

Confrontadas com o futuro digital mais rapidamente do que haviam previsto, as editoras estão lutando para conseguir vantagens. Com uma única reunião em Seattle, Sargent arrancou o controle de preços dos livros eletrônicos das mãos da Amazon, que até agora vinha determinando os preços graças à participação de mercado de seu dispositivo Kindle, estimada em 80%. Uma semana depois de sua viagem, Sargent enviou uma carta aberta aos funcionários e escritores contratados pela Macmillan. “Nas últimas três semanas, demos a largada para um novo modelo de negócios”, afirmou.

As regras básicas da indústria editorial eletrônica estão sendo delineadas em ritmo acelerado e de maneira pública. Mas embora a Amazon tenha concordado em permitir que a Macmillan estabelecesse os preços de seus livros eletrônicos, e vá fazer o mesmo com outras editoras, a briga não terminou. Da mesma maneira que a Apple rapidamente estabeleceu uma posição de domínio na música on-line por meio do iPod, conseguindo assim controlar os preços, a liderança inicial obtida pela Amazon no negócio de e-books é parte de uma estratégia calculada. Com as vendas físicas ameaçadas, a vendedora de livros só tem a perder se não tiver um pé no novo mundo.

“A Amazon está tentando usar todo o poder que tem com seu negócio de produtos físicos para garantir uma posição dominante no negócio digital”, afirma Benedict Evans, da consultoria Enders Analysis.

Ela vem fazendo isso vendendo e-books com prejuízo – US$ 9,99 para a maioria dos títulos nos Estados Unidos. Isso atraiu consumidores, que estavam presos à plataforma Kindle devido ao seu software de gerenciamento de direitos digitais, ou seja, só podiam ler seus e-books no leitor eletrônico da Amazon.

As editoras reclamam que em sua busca por participação de mercado a Amazon fixou os preços dos e-books em um patamar artificialmente baixo. Rupert Murdoch, executivo-chefe da News Corp., cujas propriedades incluem a editora HarperCollins, demonstrou recentemente essa preocupação durante uma conferência telefônica. “Não gostamos do modelo da Amazon de vender tudo a US$ 9,99“, disse. “Achamos que ele, na verdade, desvaloriza os livros e isso afeta todos os varejistas.

Agora, as editoras estão tentando tomar o controle de volta. Em vez de deixar a Amazon determinar os preços, elas exigem preços mais flexíveis para suas mercadorias digitais. “Os e-books são vistos como uma parte muito importante da sobrevivência das editoras“, diz Mike Shatzkin, da consultoria Idea Logical, que trabalha com editoras em suas estratégias digitais. “Portanto, as editoras estão tentando obter algum controle sobre os preços no varejo.

Até agora, vendedores de livros eletrônicos como a Amazon e a Sony, com seu aparelho Reader, trabalharam sob um modelo atacadista. Eles compram e-books das editoras por 50% dos preços das versões físicas e então os vendem pelo valor que querem. Frequentemente, isso significa que a Amazon paga US$ 15 por um e-book, vendendo-o ao consumidor com um prejuízo de mais de US$ 5. A Amazon mostrou-se disposta a sofrer esse golpe para obter uma participação de mercado que lhe proporcionasse influência sobre a indústria editorial nos próximos anos.

Mas a Macmillan forçou a Amazon a adotar o mesmo modelo “agencial” que as editoras praticam com as livrarias do mundo real. Sob esse acerto, as editoras estabelecem o preço de um título e ficam com 70% das vendas, deixando 30% para as livrarias.

A HarperCollins também deverá pressionar pelo modelo “agencial”. Murdoch disse que a Apple está sendo flexível nos preços estabelecidos em sua iBookstore e deu indicações de que a Amazon será a próxima. “Parece que a Amazon agora está pronta para novamente sentar conosco e renegociar os preços”, disse ele. A Penguin também afirma que vê com bons olhos um modelo de negócios digital mais consistente. A Hachette anunciou recentemente que começará a usar o modelo agencial para vender e-books.

A onda de negociações foi desencadeada pelas notícias de que a Apple concordou em adotar o modelo agencial para a iBookstore. Para as editoras, subitamente a Amazon deixou de ser a única opção. Ao ameaçar retirar seus livros da Amazon, as editoras poderão agora apresentar suas próprias condições.

As editoras acreditam que o aumento dos preços dos e-books terá um efeito duplo sobre seus negócios. No longo prazo, isso vai estabelecer um referencial maior para os preços dos e-books, tão importante quanto o aumento dos volumes de vendas. No curto prazo, poderá evitar o declínio das vendas dos livros físicos. “Ganharemos menos dinheiro com a venda de e-books, mas teremos um mercado estável e racional“, disse Sargent.

Por mais que apregoem a adoção dos livros digitais, as seis grandes editoras continuam dependentes, pelo menos por enquanto, do sucesso do atual modelo de distribuição – as livrarias. “As editoras estabelecidas ainda querem que as livrarias durem o maior tempo possível”, afirma Shatzkin. “O modelo de negócios está construído sobre a experiência que elas [as livrarias] têm em pilotar o setor.

As editoras afirmam que o custo físico de um livro – papel, impressão, estocagem, remessa e manejo – respondem por cerca de 10% do total. A distribuição digital não elimina a necessidade de gastos com adiantamentos aos autores, edição, marketing e outras atividades. Mesmo assim, uma parte significativa da vasta infraestrutura editorial corre o risco de ser radicalmente transformada quando todo o processo passar a ser on-line. À medida que a indústria editorial caminha para um futuro digital, esses ativos não terão o mesmo valor de outrora. “Nenhuma editora diz quanto, mas elas querem que essa queda ocorra com a maior lentidão possível“, diz Shatzkin.

Com uma ruptura garantida na indústria do livro, as editoras preparam-se para o que deverá ser uma transição dolorosa. “Uma vez que você passou para o mundo digital, não há volta“, diz Steve Haber, presidente da divisão de leitura digital da Sony. Assim que surgiram as câmeras digitais, “o filme perdeu sua vez“.

As editoras esperam que ao estabelecer preços maiores para os e-books, elas possam construir um negócio sustentável para o futuro – ao mesmo tempo em que adiam sua chegada pelo maior tempo possível. “A indústria editorial precisa fazer as duas coisas ao mesmo tempo“, diz Tom Allen, da Association of American Publishers, a associação das editoras dos Estados Unidos. “Elas precisam continuar colocando preços nos livros no formato tradicional, e precisam se adaptar ao mundo digital, que está mudando em ritmo acelerado.

Aumentar os preços dos livros digitais, porém, é um tiro que poderá sair pela culatra. As editoras não querem ser acusadas de atrasar a marcha para o mundo on-line – se os consumidores começarem a chamar as editoras de gananciosas por aumentar os preços dos e-books, que possuem custo marginal zero, a indústria do livro poderá enfrentar uma crise de relações públicas e ser forçada a reduzir os preços.

Ao mesmo tempo, Amazon, Apple e Google brigam por uma grande fatia do negócio dos livros digitais. A liderança inicial da Amazon a deixa bem posicionada para ganhos futuros, mas ela não terá o mercado para si. A Apple não faz nada pela metade e traça planos para ser uma grande vendedora de e-books com sua iBookstore. Enquanto isso, o Google poderá conseguir uma grande fatia de mercado graças à sua enorme base de usuários.

Diante dessas incertezas, representantes do setor recorrem a declarações de fé sobre a durabilidade de seu negócio. “A indústria editorial é essencial para a civilização”, afirma Allen. “Os livros são um veículo que ajuda as pessoas a entender como vivemos e como enfrentar o futuro. Isso continuará assim, com os livros sendo lidos no papel ou nos aparelhos digitais.

Esses sentimentos podem não ser suficientes com uma reestruturação da indústria atacadista de livros a caminho. O refinado negócio dos livros está sendo empurrado para um choque entre os titãs da tecnologia e, se as editoras não jogarem as cartas certas, poderão acabar como um dano colateral desse choque.

As companhias de conteúdo estão entrando em uma área na qual existem empresas de tecnologia poderosas, que não têm nenhum interesse particular nelas”, diz Evans. “Como alguém já disse, o Google destrói setores inteiros sem ao menos perceber.” [Tradução de Mário Zamarian]

Música abriu precedente perigoso

As editoras de livros enfrentam um precedente preocupante à medida que iniciam a marcha rumo à digitalização. Dez anos atrás, o negócio da música ainda dependia muito das vendas de CDs em lojas. Mas o que começou como um filete de músicas pirateadas na internet transformou-se em uma torrente, depois que os consumidores descobriram maneiras fáceis de obter música gratuitamente.

Em meio a essa anarquia, a Apple entrou em cena. Com o iPod e a loja virtual iTunes, o grupo de tecnologia ofereceu às gravadoras um meio fácil de vender música pela internet, e, aos consumidores, uma maneira fácil de comprá-la. Mas ao encorajar as vendas de músicas individuais e estabelecer o preço de todas as faixas em US$ 0,99, a Apple também minou o modelo histórico da indústria do disco – o das vendas de álbuns. As gravadoras nunca se recuperaram disso. A indústria da música descobriu que transferir o controle dos preços para uma companhia de tecnologia é uma coisa muito perigosa.

As editoras sabem que precisam evitar os mesmos erros. John Makinson, executivo-chefe da Penguin, diz que as editoras estão “analisando constantemente como o negócio da música foi desmantelado por uma combinação de mudança nos preços e compartilhamento ilegal de arquivos”. É imperativo, diz ele, “que não fiquemos nessa posição”.

As gravadoras ainda lamentam o fato de não ter sido capazes de apresentar uma frente unida à Apple – todas as tentativas associadas de aumentar os preços foram tratadas pelas autoridades reguladoras como evidência de conluio, desencadeando processos que ainda não foram resolvidos. As editoras estão cientes de que não podem conspirar para fixar os preços dos e-books, mas precisam negociar individualmente com as gigantes de equipamentos e de comércio eletrônico .

Makinson vê diferenças fundamentais entre livros e música: do fato de que os leitores querem histórias inteiras, e não apenas capítulos, ao de que os consumidores não podem levar para a internet seus livros físicos, da maneira como fazem com seus CDs.

A nova iBookstore, exibida quando a Apple anunciou o iPad, animou os críticos, mas Makinson está convencido de que o livro de papel continua sendo um formato atraente – algo de que a indústria da música carece desde o fim dos discos de vinil. “Eu acho que o livro é um objeto durável“, diz ele, embora isso possa não ser suficiente para proteger o modelo de negócios do setor. “Há um risco enorme de complacência.

Valor Econômico – 02/03/2010 – Por David Gelles e Andrew Edgecliffe-Johnson