App reúne em mapa locais ligados à obra de Machado de Assis


Bentinho e Capitu, personagens do romance “Dom Casmurro” [1899], foram moradores da rua Riachuelo, na Lapa. Já em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” [1881], o narrador reencontra uma antiga paixão ao caminhar pela rua do Ouvidor, no centro da cidade.

As referências à cidade que pontuam a ficção de Machado de Assis [1839-1908] motivaram o projeto “Rio de Machado”, que lista 81 endereços citados nos livros do autor, além de 20 locais associados à rotina do escritor.

Idealizadoras do projeto, a curadora Daniela Name e a consultora digital Gabriela Dias reuniram, em um aplicativo, um mapa no qual cada local aparece contextualizado em relação à vida e à obra do escritor.

Fonte: Editoria de Arte | Folhapress

Fonte: Editoria de Arte | Folhapress

Desenvolvido pela produtora 32 Bits, o programa estará disponível para download gratuito em tablets e celulares a partir de 1º de outubro.

No dia 2, terá início uma exposição nos pilotis do Museu de Arte do Rio [MAR], na praça Mauá, baseada no conteúdo do “Rio de Machado”.

É um jeito de comunicar muito contemporâneo, que pode ajudar a formar e a conquistar novos leitores. Na Inglaterra, por exemplo, fizeram um aplicativo do [Charles] Dickens com quatro percursos pela cidade de Londres vinculados a personagens do autor“, conta Dias.

Por cinco semanas, a cada sábado [a partir do dia 4 de outubro], os organizadores do projeto vão promover visitas guiadas gratuitas por mais de dez endereços associados a Machado de Assis pelo centro da cidade.

O ponto de partida do passeio será o MAR, que receberá também um seminário sobre a obra do escritor, nos dias 1º e 2 de outubro.

POR FABIO BRISOLLA | Publicado originalmente em Folha Online | 22/09/2014, às 02h29

Editora brasileira leva eBook às listas de mais vendidos


Empresa vendeu, desde o começo do ano, um livro a cada 30 minutos em média

Sediada em São Paulo, empresa também publica Machado de Assis, Euclides da Cunha e outros autores em domínio público

A página de venda do ebook 'Mein Kampf' na Amazon Reprodução  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/editora-brasileira-leva-ebook-mein-kampf-de-hitler-as-listas-de-mais-vendidos-11255628#ixzz2q0mcoIOK  © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

A página de venda do ebook ‘Mein Kampf’ na Amazon

RIO – A edição digital do livro-manifesto de Hitler, “Mein Kampf” [minha luta, em português], no qual ele expressou suas ideias de supremacia racial e lançou os fundamentos ideológicos do nacional-socialismo, teve um aumento súbito de vendas nas principais livrarias digitais do mundo, atingindo destaque nas lojas da Amazon nos Estados Unidos e na Inglaterra. E, no meio desse sucesso, está uma pequena editora brasileira, a Montecristo, sediada em São Paulo, que vendeu 509 livros desde o dia 1º de janeiro, o que dá, em média, um exemplar a cada 30 minutos.

Até o fechamento desta edição, o “Mein kampf” da Montecristo estava em primeiro lugar entre os ebooks mais vendidos da categoria “propaganda e psicologia política” na lista de mais vendidos da Amazon americana. Na lista geral da mesma livraria, com todas as obras, o livro estava em 837º. Já na versão britânica da livraria, o manifesto de Hitler figurava em 14º entre os mais vendidos na categoria “política e ciências sociais”. A obra sai por US$ 0,99, nos EUA, e £ 0,99, no Reino Unido.

O fato foi antecipado, na tarde de ontem, pelo site Vocativ.com, do jornalista americano Chris Faraone. A Montecristo, com capital social no valor de R$ 3 mil, tem como sócios o advogado Alexandre Pires Vieira e sua mulher, Renata Russo Blazek. Procurado pelo GLOBO, o advogado, que criou a editora há dois anos e vende só livros em domínio público, ficou surpreso com a notícia.

— Não estava sabendo dessas vendas. Eu só recebo relatórios da distribuidora digital a cada 60 dias. Criei a Montecristo meio informalmente, há dois anos, com vários livros em domínio público — diz Vieira. — Da primeira vez que tentei vender “Mein Kampf” na loja da Apple, eles se recusaram a vendê-lo. Recebi um email dizendo que contrariava as normas da iBookstore, por se tratar de propaganda nazista.

Alexandre Pires Vieira que escreveu para a empresa contestando a posição de proibir a venda da obra.

— Se você tomar ao pé da letra, até é propaganda nazista. Mas minha ideia é que as pessoas leiam e vejam quão absurdo eram as ideias de Hitler — afirma Vieira, lembrando que nenhuma outra loja digital [ele também a vende na Kobo] se recusou a disponibilizar a obra.

Perguntado sobre o porquê de ter escolhido publicar uma obra tão polêmica, Vieira diz que escolheu o que achava “mais interessante”, mas ressalta que não compactua com as ideias expressas na obra.

O advogado diz ainda que o livro costumava vender no máximo 30 cópias por mês. O mesmo que medalhões da literatura brasileira publicados por ele, como Machado de Assis, Euclides da Cunha, Lima Barreto, entre outros. A Montecristo tem 50 títulos em domínio público disponíveis em ebook.

Por Maurício Meireles | O Globo | 10/01/2014 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Site sobre Machado de Assis é inaugurado na Espanha


Machado de Assis

Machado de Assis

A Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes inaugurou nesta quinta-feira um novo site dedicado ao escritor Machado de Assis [1839-1908], um dos grandes mestres do realismo e o primeiro grande contista latino-americano.

Nascido no Rio de Janeiro, Machado de Assis, que escreveu romances, contos, teatro, poesia e crítica, é “um dos melhores escritores do século XIX e o melhor da América Latina”, segundo a acadêmica, diretora de cinema e intelectual americana Susan Sontag.

Machado era um autodidata e começou a se introduzir no meio jornalístico e literário como revisor no jornal “Correio Mercantil” e também foi co-fundador da revista “Espelho”. Seus primeiros livros publicados não tiveram muito reconhecimento, mas sim os poemas românticos de “Crisálidas” [1864].

Com a publicação do romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas” [1881], o autor atingiu sua maturidade, que ficou consolidada com “Quincas Borba” [1891], “Dom Casmurro” [1899] e “Memorial de Aires” [1908], e também pelos contos “Papéis Avulsos” [1882], “Histórias Sem Data” [1884], “Várias Histórias” [1896] e “Páginas Recolhidas” [1899].

O diretor do site e professor da Universidade de Valência, Francisco José López Alfonso, descreve Machado de Assis como “um dos grandes professores do realismo arcaico” e, “talvez, o primeiro grande contista latino-americano”.

Também destacou que o número de estudos sobre sua obra “continua crescendo de maneira impressionante” não somente no Brasil, mas também “no mundo anglo-saxão”. “Tomara que o site sirva para que aqueles leitores, principalmente os hispânicos, que ainda não conhecem a obra de Machado de Assis desfrutem desse prazer” afirmou López Alfonso na apresentação do site sobre o escritor.

A Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes foi criada em 1999 por iniciativa da Universidade de Alicante, do Banco Santander e da Fundação Botín. Em 2001 foi constituída a Fundação Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes que, desde então, trabalha para transformar seu grande acervo digital em uma referência da literatura hispânica na internet.

Para visitar: http://www.cervantesvirtual.com

Publicado originalmente e clipado à partir de Exame.com | 11/07/13