Como se tornar um autor de sucesso 


Talvez você queira ser autor de um grande romance. Talvez queira publicar o livro de receitas da sua avó. Talvez você queira publicar a sua monografia para dar uma alavancada na sua carreira. Ou talvez você tenha a fantasia de se tornar um escritor rico e cheio de sucesso. Seja qual for a razão, esses são os sonhos de muitas pessoas. E aqui uma boa notícia. Hoje em dia, tornar esse sonho real é muito fácil. Graças a companhias como Lulu e Createspace e a leitores digitais como o Kindle, Kobo e o Nook tornou-se muito simples publicar seu próprio livro de forma profissional.  Surpreende o número de pessoas que estão fazendo isso.

Por Brett Arends  |Forbes | 03/06/2014

Anúncios

O case Booktype


Estou terminando um post sobre a história da empresa SoftBook Press, inspiradora para quem curte o mundo dos eBooks. Posto ela em breve.

Já faz algum tempo que eu deveria, porém, ter postado aqui um texto sobre a plataforma Booktype, mas, como sempre, eu estava sem tempo. Escrevi então este texto aqui ontem, em uma pousada em Olinda, quando estava descansando para a minha última palestra na Fliporto.

Booktype é uma plataforma que se diz Open Source, mas que, na prática, já demonstra um viés mais comercial com a sua versão Pro. A plataforma tem como objetivo tornar fácil para as pessoas e organizações o processo de organizar, editar e publicar livros. E promete facilitar também os processos de produção colaborativa em contraposição às plataformas wikis e os pesados CMS´s.

Booktype promete integrar o autor e aditora diretamente aos canais Amazon, Lulu, iBooks [Apple, e em uma diversidade de outros canais e-readers. Com ferramentas sociais, fluxos de trabalho simples e liberdade para escolher suas próprias licenças [Copyright ou CopyLeft], Booktype pode ser usado por editoras, autores e e instituições de ensino para a produção de jornais, serviços de impressão sob demanda.

A Sourcefabric, empresa responsável pela plataforma Booktype oferece serviços de instalação, hospedagem, atualizações e segurança. Já estamos instalando e testando o Booktype. Se valer à pena voltamos a tocar neste assunto.

POR EDNEI PROCÓPIO

Impressão digital, impressão sob demanda. Perspectivas e impasses


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 17/07/2012

Assisti mês passado à II Conferência Internacional de Impressão Digital, promovida pelo Grupo Empresarial de Impressão Digital – GEDIGI, da ABIGRAF, para entender um pouco mais dessas questões, que há muito me chamam atenção.

E me chamam atenção por várias razões. A impressão sob demanda [POD, na sigla em inglês] vem sendo utilizada já há tempos pela indústria editorial dos EUA, como meio de reduzir estoques e melhorar as condições de logística. Os processos de editoração eletrônica permitem que a transição entre a impressão tradicional e a impressão digital sejam extremamente facilitada. E mais, esses processos de editoração são fundamentais para o aumento rápido da oferta de e-books naquele mercado.

A Amazon, por sua vez, impulsionou ainda mais esse processo com sua parceria com a Lightning Source, divisão da Ingram, que é uma das maiores distribuidoras de livros impressos dos EUA. Quando se faz um pedido à Amazon, o sistema informatizado automaticamente busca o livro no estoque da livraria, no estoque da Ingram, no estoque da editora e como POD, se o livro estiver disponível nesse sistema. O meio mais rápido é o usado para garantir a entrega do livro ao cliente no prazo mais curto.

Por sua vez, a impressão digital – combinada com o livro eletrônico – deu um extraordinário impulso à autopublicação. Editoras como a Lulu permitiram a autopublicação de simplesmente centenas de milhares de títulos, com tiragens entre alguns exemplares a vários milhares. Alguns autores viraram sucesso e foram contratados pelas editoras mainstream [evidentemente esses são divulgados, os que não conseguem sucesso permanecem no anonimato de sempre].

No Brasil, entretanto, percebo que esse processo se dá a uma velocidade muito menor. A minha ida ao congresso, portanto, era a busca de algumas respostas para a razão pela qual isso acontece aqui.

Não consegui todas as respostas que queria. Mas algumas foram proporcionadas pela palestra do Hamilton Terni Costa que reproduzo integralmente aqui. Hamilton é um dos profissionais mais qualificados do setor gráfico, com uma carreira que inclui experiências com a Melhoramentos [gráfica], com a Donelly e outras importantes empresas da área. Hoje é sócio de uma consultoria. Depois do Congresso troquei alguns e-mails com o Hamilton, complementando informações.

Hamilton informou, em sua palestra, que a impressão de livros é a que teve maior expansão entre as dez maiores aplicações de impressão digital nos EUA, com mais de 48,8 bilhões de páginas impressas a mais entre 2010 e 2011, alcançando um total de perto de cem bilhões de páginas impressas. Como aplicação da impressão digital, só perde para a mala direta, que passa dos cem bilhões. O segmento “conteúdo” – majoritariamente livros, do mercado de impressão digital brasileiro – corresponde a 19% de um total de R$ 1,7 bilhão, ou aproximadamente R$ 323 milhões em 2010. Nada insignificante, mas bem longe do que poderia ser.

Uma parcela bem significativa da produção de livros POD no Brasil [assim como nos EUA] é proveniente da autopublicação. As grandes gráficas já incorporaram equipamentos de impressão digital em suas linhas de produção, mas o uso desses equipamentos para produtos editoriais ainda é relativamente pequeno.

O aumento da autopublicação é medido principalmente pelo número de ISBNs solicitados. A Bowker, que administra o ISBN dos EUA, registrou quase 1,2 milhão de solicitações para ISBN de títulos autopublicados nos EUA em 2011. Isso corresponde a quase quatro vezes o número de registros para publicações “tradicionais”, incluindo reedições.

Esse é um mercado em rápido crescimento também aqui no Brasil. A Alpha Graphics, uma multinacional do setor, através da AGBook em associação com uma empresa chamada Clube de Autores já tem um catálogo de quase vinte mil títulos publicados, com esquema de comercialização através dos dois sites [têm conteúdo praticamente idênticos]. O Clube dos Autores é uma iniciativa do i-Group, especializada em planejamento estratégico digital, com a A2C, uma agência de publicidade. É um modelo idêntico ao da Lulu.com e similares.

Scortecci, uma editora de publicação de autores independentes, já editou cerca de sete mil títulos em primeira edição e mostra um catálogo de 2.750 títulos em seus vários selos, e sua Fábrica de Livros este ano já publicou 316 títulos, projetando 632 títulos até o final do ano. Ao contrário do Clube de Autores, a Scortecci define tiragens mínimas com preços preestabelecidos de produção e preço de capa.

Esses são apenas dois exemplos de empresas que atuam no mercado brasileiro. Existem muitas outras editoras que produzem livros pelo sistema POD, acoplados ou não a versões digitais [epub, mobi ou pdf], como se pode comprovar pelo Google. A maioria absoluta, entretanto, está localizada nos estados do sudeste e sul.

O que me intrigava e continua intrigando, entretanto, é o baixo índice de aproveitamento de impressões por demanda como modo de diminuir as questões de logística da distribuição. Como mencionei no começo do artigo, esse sistema já é amplamente usado nos EUA, não apenas para atender à demanda da Amazon, mas também para suprir o mercado de livrarias tradicionais. Não é à toa que a Ingram e a Lightning Source se expandem com rapidez, assim como outros sistemas gráficos. E sabemos que os custos e a infraestrutura de transporte são muitíssimo mais eficientes por lá do que aqui.

Entretanto, é mais fácil ver algumas editoras de grande porte [especialmente as do setor didático] anunciando a criação de centros de distribuição no Nordeste que notícias sobre o uso de POD para ajudar nesse processo.

Note-se que nos principais modelos de aquisição de livros pelo governo [PNLD, PNLEM, PNBE], o custo maior de logística fica por conta do governo. As editoras entregam em bloco para os Correios, em lotes devidamente etiquetados e separados por um programa desenvolvido pelo FNDE, e é essa instituição que negocia e paga os custos do transporte para todas as escolas públicas do país. Talvez por aí se encontre um indício de explicação: o maior custo, que seria o da distribuição de livros escolares para a rede pública, não afeta as editoras. E esse é uma parcela muito grande do negócio dessas editoras.

Na troca de e-mails com Hamilton, depois do Congresso de Impressão Digital, ele me informou que, depois de sua palestra, foi procurado por uma empresa que estava interessada na formação de uma rede de gráficas em nível nacional para fazer esse atendimento. “Achei interessante encontrar empresários já pensando nessa viabilização, algo essencial em um país continental como o nosso”, disse Hamilton.

A questão da responsabilidade de baixar o custo da distribuição do livro sob demanda é tanto do editor quanto da gráfica, mas primordialmente das gráficas. E nisso reside uma excelente oportunidade de mercado para elas”, afirmou Hamilton, em outro trecho.

A próxima chegada da Amazon ao mercado brasileiro, e a possibilidade de que entre também no negócio da venda de livros impressos, pode ser um fator que provoque uma evolução rápida desse quadro. Com sua experiência, a gigante americana pode se esforçar para induzir editoras e gráficas a usarem de modo mais amplo a impressão sob demanda.

O fato da maior produção e o maior consumo de livros do Brasil se concentrarem principalmente nas regiões sudeste e sul ajuda também a explicar essa situação. Mas, ao desconsiderar a possibilidade de diminuir os custos de logística, as editoras desprezam meios para efetivamente reduzir custos e, consequentemente, diminuir o preço dos livros ou melhorar sua rentabilidade.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 17/07/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Tá “craude” na prateleira


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 14/06/2012

Para se destacar da multidão, autores estão usando o poder das massas

A internet, com as ferramentas de publicação digital, resolveu [ou promete resolver] muitos dos problemas enfrentados por quem escreve. Primeiro, ela “furou” o bloqueio das editoras, permitindo a qualquer um publicar e distribuir um livro, não requerendo prática ou habilidade, por meio de um variado cardápio de autopublicação [Amazon, Smashwords, Lulu, Per Se etc]. Segundo, ela proveu um serviço muito mais eficiente e muito mais barato do que a divulgação tradicional [propaganda e publicidade]: as redes sociais. O problema que ela não resolveu — e que talvez tenha justamente agravado – é o da visibilidade. “A obscuridade é a maior ameaça aos autores e aos criadores”, disse Tim O’Reilly, diretor da editora que leva seu sobrenome, na vanguarda dos recursos digitais na publicação.

“Mais de 100 mil livros são publicados a cada ano [só nos EUA], com milhões de exemplares impressos, porém menos de 10 mil entre esses novos livros terão alguma venda significativa, e somente uns 100 mil livros impressos chegarão a uma livraria. […] O autor acha que conseguir ser publicado é a realização de um sonho, mas, para tantos, é só o começo de uma longa decepção.

Como não descobriram a fórmula para o “boca a boca”, a obscuridade continuará a ser um problema sem resposta. Mas uma ferramenta criada para atender outra necessidade está conseguindo “desobscurecer” alguns livros e autores: o crowdfunding. Basicamente, a “verba da multidão” é um sistema pelo qual se vendem cotas de um produto que ainda não foi lançado, em troca de “recompensas” que vão desde um “obrigado” até um jantar íntimo com o criador. É um esforço coletivo e social, conectando diretamente quem cria a quem consome a criação. Sites de Crowdfunding, como Kickstarter e, no Brasil, o Catarse, já vêm viabilizando livros, como este [que eu apoio e para o qual, a propósito, peço seu apoio]. O sistema já se sofisticou a ponto de existirem sites para levantar fundos exclusivamente para livros, como o Unbound, e ainda mais específicos, como o Crowdbooks, voltado a livros de fotografia. [Ou ainda o idealista Unglue, que quer levantar dinheiro para “alforriar” livros já publicados, isto é, pagar aos autores para trocar o copyright por licenças Creative Commons não comerciais].

O que os escritores mais espertos já notaram é que o Crowdfunding vai muito além do papel de financiador. O que se obtém ao fim de uma campanha é visibilidade. O processo de “viabilizar” o livro através de contribuições é semelhante a uma guerra de trincheiras. O autor vai alastrando seu projeto por sua rede de amigos virtuais, e daí para os amigos dos amigos, recorrendo a todas as armas da mídia social para engajar “apoiadores”. Quem compra um produto que corre o risco de não chegar a existir [se não atingir o valor mínimo] sente-se ainda mais compelido a promovê-lo em sua própria rede social. O processo é rizomático e o efeito é exponencial. Antes mesmo de o livro ser lançado, o público já ouviu falar [bem] dele.

O sistema não é muito diferente da antiga prática de assinatura, onde as editoras coletavam assinantes que pré-compravam uma obra, viabilizando sua impressão — e criando expectativa no público leitor. Foi assim, por exemplo, que Ulisses de Joyce foi editado. [Quando a livreira Sylvia Beach mandou um folheto de pré-venda para Bernard Shaw, recebeu uma resposta desaforada: “se você acha que um velho irlandês gastaria 150 francos em um livro, você não conhece meus compatriotas”. Joyce, deliciado, mandou imprimir a resposta, mas acrescentou: “se você acha que um velho irlandês não gastou — anonimamente — 150 francos em um livro, você não conhece meus compatriotas”].

Fora do Crowdfunding, alguns serviços prometem aquele empurrãozinho que falta para o escritor tirar seu romance da gaveta, por meio da vitrine da comunidade leitora. É o caso do Wattpad, que se autointitula o “YouTube da escrita” e que captou este mês US$ 17 milhões com investidores. Seu único serviço oferecido é a possibilidade de colocar a obra à vista de leitores virtuais. Uma série de estímulos, como concursos, medalhas e resenhas em vídeo, é empregada para mobilizar a comunidade, e estatísticas de leitura fazem a alegria do escritor compulsivo obsessivo.

Contudo, sites como o Wattpad não permitem ainda ao escritor social a efetiva publicação de seu futuro best-seller. Esse hiato entre escrever socialmente e publicar talvez seja preenchido em breve pela Kobo. A loja de e-books que corre, com agilidade, por fora do confronto titânico Amazon e Apple, está para lançar uma plataforma de autopublicação, que promete não ser “só mais uma”. A ideia é “fazer da escrita um jogo”, e imbricar todo o processo de escrita, publicação e divulgação com as redes sociais, dando visibilidade e aumentando um pouco as chances de o livro não mofar nas estantes digitais.

Alguém precisa criar logo um site que integre exposição, financiamento e publicação, onde o escritor entre com o manuscrito — ou só uma ideia! — e saia com um livro bem divulgado e já rendendo — tudo por meio do crowdfunding. Aliás, acho que eu mesmo vou fazer esse site. E abrir um crowdfunding para custear o desenvolvimento. Quem aí quer uma cota?

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 14/06/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Uma bolha [de livros] prestes a estourar?


A autopublicação pode ser a redenção dos escritores — ou agravar uma situação já insustentável

Minha primeira euforia de autopublicação, disparada por uma nova e revolucionária tecnologia, foi há muito tempo. Muito tempo. Um colega chegou com uma novidade incrível: poderíamos criar nossos próprios adesivos! Bastava uma tesoura e um papel mágico chamado contact. Maravilhados com a liberdade de expressão, a turma [segunda série, se não me engano] passou a recortar, adesivar e colar tudo o que achasse de [vagamente] interessante nas revistas. Aventuras do Cebolinha, campanhas educativas com o Sugismundo e robôs do recém-lançado “Guerra nas estrelas” [sim, sou velho] ganhavam, pela mágica do contact, as capas dos cadernos, os estojos, as prateleiras, as roupas, as portas, as cadeiras, janelas, o braço, a testa… No frenesi autopublicador, valia todo lugar e qualquer assunto, o importante era a brincadeira e a liberdade. Até o ponto em que a sala de aula ficou forrada de pedaços de classificados, fragmentos de quadrinhos, anúncios imobiliários. E aí cansamos. Então alguém trouxe um ioiô, a nova febre se instalou e ninguém mais quis colar nada em lugar nenhum.

Sábado passado, um amigo meu veio me mostrar o livro que ele havia “publicado” no Author, o software de edição para iPad acoplado à loja de livros da Apple. Exibiu-me deliciado as imagens rotativas, os vídeos interativos, as “páginas” autodiagramadas. Lindo. Pedi para ler com mais atenção e deparei-me com o famoso “Lorem ipsum dolor sit amet…”. O texto era cego, estava ali para ocupar espaço, somente. O “livro” [ou iBook] do meu amigo era um invólucro fascinante para um conteúdo inexistente.

Não quero aqui equiparar meu amigo a meninos de sete anos. Ele é um excelente profissional da multimídia, com muitos anos de experiência [e vai ler este artigo]. Eu compartilho plenamente sua empolgação frente às possibilidades de expressão e à liberdade conquistada com a publicação digital. Porém, por dever profissional [tanto para escrever esta coluna quanto para assegurar que eu, editor, terei uma profissão no futuro breve], tenho que refletir sobre as implicações dessa liberdade autopublicadora oferecida não só pelo sensual Author da Apple, quanto pela luxuosas opções gráficas do Lulu ou a presteza do SmashwordsPerseBookmaker, entre as dezenas de opções de autopublicação que pululam na web. E dessa reflexão vem a pergunta básica: haverá conteúdo — e leitores — suficientes para dar sentido a tantos livros?

O descompasso entre a oferta de livros e a demanda não é uma questão nova. Já o Eclesiastes advertia ao leitor para que não se angustiasse em ler tudo porque “se podem multiplicar os livros a não mais acabar” [12:12] — e olhe que a produção literária no século 5 a.C. se restringia a variações sobre a Torá. Mais tarde temos Balzac que, depois de falir como editor e tipógrafo, escreveu, apropriadamente, As ilusões perdidas [1837], e que assim retratou a resposta de um editor a um candidato a autor:

Se eu fosse dar conversa a todo escritor que põe na cabeça que eu devo ser seu editor, eu teria que fechar a loja, passaria meu tempo muito agradavelmente, mas a conversa me custaria muito. Ainda não sou rico o suficiente para ficar ouvindo todos os monólogos autocongratulatórios. Ninguém pode se prestar a isso, a não ser quando assiste tragédias gregas.

Mesmo com a resistência [ou, digamos, a triagem] exercida pelos editores antipáticos [os famigerados gatekeepers], a quantidade de livros já era avassaladora e, algumas décadas mais tarde, Eça de Queirós colocou assim seu espanto diante da enxurrada de livros recém-viabilizados pela Revolução Industrial:

Durante todo o ano não se interrompe, não cessa essa publicação fenomenal, essa vasta, ruidosa, inundante corrente de livros, alastrando-se, fazendo pouco a pouco, sobre a crosta da terra vegetal do globo, uma outra crosta, de papel impresso. […] Eu sei que estou aqui fazendo o papel ridículo[…] e balbuciando, com a boca aberta: — Jesus! tanto livro!” [Cartas da Inglaterra, 1874]

Já em nosso século, Gabriel Zaid sintetizou a questão no sombrio Livros demais!, demonstrando que o estoque de livros publicados apenas em um ano nos Estados Unidos bastaria para suprir a demanda por leitura no planeta inteiro, por décadas.

Convém ressaltar que Zaid publicou seu livro [mais um!] numa época em que ainda não se falava seriamente em e-books. Se já havia livros demais quando havia requisitos de capital, administração de estoque, frete etc., o que esperar de uma nova situação, em que não há restrições ou barreiras para quem quiser publicar? E quando gigantes como a Amazon e a Apple estão cortejando e estimulando os escritores de gaveta a se lançarem nas prateleiras?

O que vai acontecer quando a oferta de livros, que já excedia de longe a demanda, explodir com a autopublicação? A primeira consequência, se cumprirmos a lei da oferta e da procura, será a desvalorização. Quando se nota que a maioria dos e-books da lista dos mais vendidos da Amazon custa menos de um dólar [ou é gratuito], quanto valerá um e-book? “De graça é um preço caro demais para um e-book autopublicado” disse um editor tradicional inglês em recente debate onde se discutiu a relevância dos editores no futuro.

Há uma semana, Ewan Morrison alertou, no Guardian, que estamos diante de uma bolha especulativa, tão sorrateira e perigosa quanto a bolha imobiliária que estourou e pôs o mundo em recessão. Trata-se da “bolha da autopublicação”. Morrison, que já publicara o apocalíptico artigo Os livros estão mortos? Os escritores sobreviverão?, agora demonstra como a euforia autopublicadora tem paralelos notáveis com as bolhas especulativas. A mecânica é a mesma: em resumo, alguém começa a ganhar muito dinheiro de um modo ilusoriamente fácil, uma multidão segue atrás e cria-se um verdadeiro mercado para estimular esses novos integrantes [semelhantes àqueles que entram nas pirâmides financeiras para enriquecer… quem está no topo]. A euforia espalha-se como vírus, tudo cresce exponencialmente, até que para. E tudo rui. Pop!

A questão toda da autopublicação [selfpublishing] é que ela traz para o mercado ‘as pessoas que não estariam normalmente lá’. Da mesma forma como nos prometeram que poderíamos pagar boas casas com hipotecas baratas, agora eles [as empresas do digital, a Amazon, a Apple e a imprensa] nos dizem que podemos todos ser escritores, e fazer sucesso”.

Morrison ainda insinua onde está de fato o dinheiro que circula nessa história toda:

As pessoas que estão se autopublicando pela primeira vez estão também comprando seus primeiros iPads e Kindles, para entender a tecnologia. Elas podem estar dando seus livros de graça, mas estão gastando de mil a dois mil reais em aparelhos tecnológicos — mais até do que gastam em livros por ano”. E esse investimento em dinheiro não rende sequer retorno em literatura, já que o produto são “centenas de milhares de novos e-books para os quais praticamente não há leitores, porque terão visibilidade zero”.

Euforia [“liberdade ao escritor!”] e ansiedade [“os livros vão acabar!”] são comuns em fases de transição, como a que estamos presenciando. Quando não há ainda regras de funcionamento, vale tudo. Como dizem, “o ideograma chinês que representa crise também representa oportunidade”. Porém, assim como esse aforisma é simplesmente falso [pergunte a um chinês], talvez só nos venha a crise. Ou só as oportunidades. Talvez só venhamos a saber no longo prazo, quando o tempo tiver decantado o que fará sentido [econômico e cultural] publicar… e o que valerá a pena ler.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 09/02/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outro, “10 livros que abalaram meu mundo” e “Paixão pelos livros” [Casa da Palavra], “O Futuro do livro” [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

No Clube de Autores, escritores sobem obras na web e leitores encomendam em papel


RIO – Enquanto meio mundo bate cabeça para saber se o futuro do livro está nas versões on-line ou nos clássicos em papel, os sócios Índio Brasileiro Guerra Neto e Ricardo Almeida juntaram as duas vertentes, mexeram bem, atraíram, em pouco mais de um ano, quase 3.500 autores e agora contemplam, contentes, o espetáculo do crescimento. Eles são os donos do Clube de Autores, que funciona com um pé em cada tecnologia: os autores sobem suas obras em formato digital, e os leitores as encomendam na forma de livros em papel, com orelha e tudo.

O sistema tem pelo menos duas grandes vantagens em relação aos processos tradicionais de autopublicação. Para início de conversa, o autor não precisa pagar nada para pôr sua obra ao alcance dos leitores; depois, como a impressão é feita sob demanda, exemplar a exemplar, não há encalhe. Em suma: desperdício zero! De quebra, a divulgação também fica mais simples, já que o site do clube funciona como uma espécie de bem fornida livraria virtual, com cerca de três mil títulos à venda.

Com 90 mil visitantes por mês, o site não pode se queixar de falta de movimento. Mas, para agitar ainda mais a freguesia, realiza-se, neste momento, o Primeiro Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea, que permite aos visitantes votarem nos seus livros favoritos. O grande vencedor, que será anunciado no final do mês, ganhará 50 exemplares do seu livro e um espaço para lançá-lo em plena Flip, em Paraty, em agosto.

Como todo mundo que trabalha na indústria editorial, Índio Brasileiro Guerra Neto, sócio-diretor do Clube de Autores, reage com certo ceticismo quando o assunto é o fim do papel. Não foi isso que viu ao longo deste último ano, em que o Clube de Autores saiu do zero para quase 30 mil exemplares vendidos. A marca impressiona sobretudo quando se leva em conta o fato de que o clube trabalha com autores virtualmente desconhecidos e sem qualquer forma de publicidade tradicional:

— Nós usamos apenas a internet – diz Índio, que se define não como um editor, mas como um facilitador de edição. – Muito marketing viral, presença em comunidades e mídias sociais.

Entender o que é a internet e usá-la a seu favor é o grande elo de ligação do clube com seus autores. O tradutor Fábio M. Said, por exemplo, autor de livros de genealogia e de tradução, é um perfeito exemplo do

netizen que se sente como um peixe nas águas do Clube de Autores. Há três anos, ele deixou a Bahia para trás e foi viver na Alemanha, numa cidadezinha a poucos quilômetros de Bonn e de Colônia:

— Moro quase na roça, mas perto de tudo e, sobretudo, com qualidade de vida. Como meu trabalho de tradutor é basicamente na internet, não importa onde eu esteja geograficamente.

Tampouco importa onde seus livros estejam: quem quiser lê-los deve procurá-los on-line, seja no Clube de Autores [http://clubedeautores.com. br] ou no lulu [http://lulu. com], um serviço semelhante, mas com sede nos Estados Unidos. O que não falta são “mapas” para encontrá-los, pois Said usa com perfeição todas as ferramentas que a web 2.0 põe a seu alcance: Twitter, YouTube, SlideShare, Prezi, Flickr, Orkut… Além disso, cada um dos seus livros tem a sua própria página na rede.

— Atribuo o sucesso das vendas à divulgação que tenho feito continuamente na internet — diz ele. — Não realizei nenhum evento presencial de lançamento. Como moro na Alemanha, e meu público leitor está no Brasil, toda a estratégia tem que ser mesmo on-line.

Pois deu tão certo essa estratégia que seu livro “Fidus Interpres: a prática da tradução profissional” está em nono lugar entre os mais vendidos do Clube de Autores. Um bom ponto de partida para descobrir o trabalho de Said on-line é ir até http://fidusinter pres.com.

A médica Lêda Rezende, também baiana, mas geograficamente mais próxima dos seus leitores – mora em São Paulo há 12 anos -, também tem absoluta intimidade com a rede. Autora de quatro livros, que vão de prosa a poesia [entre eles o romance “Vitral”, finalista do Primeiro Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea], lançou, ainda em 1995, uma enciclopédia de psicanálise na internet:

— A internet não é um monstro assustador para mim – diz Lêda. – O projeto da enciclopédia foi arrojado e tão inovador que custou a ser aceito por muitos profissionais da área, mesmo se tratando de uma profissão “subversiva”, como costumam rotular… Acredito que essa familiaridade com a internet foi um dos motivos pelos quais me senti imediatamente à vontade com o estilo do Clube de Autores.

Como Said, ela também está muito contente com os resultados, e surpresa com a repercussão e com as vendas de seus livros.

O clube atrai escritores de todos os tipos, atuando em todas as áreas possíveis e imagináveis, de administração [137 títulos] a turismo [22], passando por ciências humanas [200], espiritualismo [188], culinária [12] e ficção [689]. Diferentemente dos contratados das editoras comerciais, com percentuais de remuneração fixos, geralmente abaixo dos 10%, são eles que escolhem quanto querem ganhar de direitos autorais. Esse percentual se reflete, é claro, no preço final dos livros, no momento entre R$ 27 e R$ 135. Todos consideram o sistema de prestação de contas do site simples e transparente.

Renata Maria Costa, a Kel, carioca de 26 anos que começou a vida literária escrevendo

fanfics historinhas paralelas às tramas dos livros escritas por fãs] da série “Crepúsculo”, está muito satisfeita com a experiência. Seu primeiro romance, “The Colt’s secret” [em português, apesar do título], segue a linha das

fanfics que fizeram sucesso na internet, em http://kelcosta. net, contando aventuras de jovens vampiros. Kel não só é uma das autoras mais bem-sucedidas do site, como uma das dez finalistas do Primeiro Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea.

– Para um livro que não é vendido em livrarias e não tem selo editorial famoso, acho que as vendas estão satisfatórias — diz Kel. – Estou com a continuação de “The Colt’s Secret” quase pronta, acho que essa história vai precisar de mais uns três ou quatro livros, mas não pretendo ficar sentada esperando alguém se interessar por ela. Felizmente já tenho um vasto grupo de leitores e sei que o que eu publicar, eles compram, de modo que vou seguindo em frente.

O Globo | 11/07/2010 | Cora Rónai

Tecnologia facilita publicação de livros pelo autor


Em breve poderá haver mais pessoas que queiram escrever livros do que pessoas que queiram lê-los. Pelo menos é isso que as evidências sugerem. Vendedores de livros, atingidos pela crise econômica, estão tendo problemas para atrair clientes. Quase todas as editoras de Nova York estão demitindo editores e cortando custos. Pequenas livrarias estão fechando. Grandes cadeias estão demitindo em massa ou considerando pedir falência. Enquanto isso, existe um segmento do setor que está florescendo: capitalizando com o sonho de aspirantes a escritor de ver seu trabalho publicado, companhias que cobram de escritores e fotógrafos para publicar estão crescendo rapidamente numa época em que as grandes editoras perdem espaço.

O crédito pela explosão da publicação independente vai para autores como Jim Bendat, cujo livro Democracy’s Big Day, uma coletânea de histórias curtas sobre as cerimônias de posses presidenciais dos EUA, teve um aumento modesto nas vendas com a comoção em torno da posse do presidente Barack Obama.

Quando não conseguiu um acordo de publicação tradicional em 2000, Bendat, um advogado de defensoria pública de Los Angeles, pagou US$ 99 para publicar a primeira edição de seu livro pela iUniverse, uma editora independente que trabalha sob encomenda. Ele atualizou o livro em 2004 e 2008, e vendeu mais de 2,5 mil cópias. A iUniverse fica com uma grande parte das vendas de cada livro, atualmente na Amazon.com por US$ 11,66.

Como editoras tradicionais buscam reduzir suas listas de livros e dependem cada vez mais de grandes best-sellers, editoras independentes multiplicam seus títulos e ganham dinheiro com livros que vendem apenas cinco cópias, em parte porque o autor, não a editora, custeia o design da capa e a impressão.

Em 2008, a Author Solutions, que opera a iUniverse e outras editoras independentes como AuthorHouse e Wordclay, publicou 13 mil títulos, um aumento de 12% em relação ao ano anterior.No mês passado, a companhia, que é controlada pela Bertram Capital, uma firma de private equity, comprou a rival Xlibris, expandindo sua participação no mercado em rápido crescimento. A junção das companhias representou 19 mil títulos em 2008, quase seis vezes mais do que a Random House, a maior editora de livros para consumidores finais do mundo, lançou no ano passado.

Em 2008, quase 480 mil livros foram publicados ou distribuídos nos Estados Unidos, em comparação a quase 375 mil em 2007, segundo a Bowker, empresa que monitora o setor. A companhia atribuiu uma proporção significativa do crescimento a um aumento no número de livros publicados por encomenda.

Mesmo sentado em um jantar, se perguntarmos quantas pessoas querem escrever um livro, todas vão dizer ‘tenho um livro ou dois em mente,” disse Kevin Weiss, chefe-executivo da Author Solutions. “Não vemos diminuição no número de pessoas interessadas em escrever.

A tendência também é estimulada por profissionais que desejam usar o livro como um cartão de visitas mais elaborado, bem como por pessoas que criam livros como presentes para a família e amigos. “Costumava ser uma elite restrita,” disse Eileen Gittins, chefe-executiva da Blurb, uma editora por encomenda, cuja receita aumentou de US$ 1 milhão para US$ 30 milhões em apenas dois anos, e que publicou mais de 300 mil títulos no ano passado. Muitos desses livros eram pessoais, comprados apenas pelo autor. “Agora qualquer um pode fazer um livro que se parece exatamente com um comprado em uma livraria.

No entanto, a publicação independente é ainda apenas uma fração do amplo setor editorial. A Author Solutions, por exemplo, vendeu um total de 2,5 milhões de cópias no ano passado. A editora Little, Brown vendeu ainda mais cópias de Twilight de Stephenie Meyer apenas nos últimos dois meses de 2008.

Mas em uma era na qual qualquer um pode criar um blog ou postar seus pensamentos no Facebook ou MySpace, as pessoas ainda parecem querem a validação tangível de um livro impresso. “Queria ter a satisfação de segurar o livro nas mãos,” disse Bendat. Como resultado de seu livro lançado pela iUniverse, o canal de notícias britânico Sky News pediu que Bendat comentasse ao vivo no dia da cerimônia de posse de Obama.

Um grupo de hotéis de Washington encomendou 500 exemplares do livro para dar aos convidados que estavam na cidade para o evento. “Certo, não é um best-seller,” Bendat disse, “mas estou feliz pelo que está acontecendo.

Pressões da vaidade existem há décadas, mas a tecnologia facilitou muito a publicação sem grandes custos de livros de autores aspirantes. Já se foram os dias em que a publicação independente significava ter que produzir centenas de cópias que mofariam na garagem.

Agora, por apenas US$ 3, um autor pode carregar um manuscrito ou coletânea de fotos em um website e encomendar a impressão de um livro dentro de uma hora. Muitos livros estarão à venda no Amazon.com; outros serão vendidos através dos websites das editoras independentes. Autores e leitores encomendam mais cópias conforme necessário.

As editoras independentes geralmente ganham dinheiro cobrando taxas dos autores – que podem variar de US$ 99 a US$ 100 mil para uma variedade de serviços, incluindo design personalizado da capa, marketing e distribuição a varejistas online – ou exigindo uma parcela das vendas, ou ambos.

Algumas, como a Lulu Enterprises e a CreateSpace da Amazon.com, permitem que o autor crie um livro gratuitamente, mas ganham dinheiro através de uma pequena cobrança de impressão e da divisão de lucros com o autor.

Para alguns autores, a publicação independente é atraente porque torna possível colocar um livro no mercado muito mais rapidamente do que com editoras tradicionais.

Claro, os autores que decidem seguir esse caminho também abrem mão de muita coisa. Além de não receberem pagamento adiantado, eles freqüentemente precisam pagar de seu próprio bolso antes de ver qualquer retorno. Eles não se beneficiam da astúcia de marketing das editoras tradicionais, e têm menor acesso à vasta distribuição a livrarias que as grandes editoras podem fornecer.

No entanto, muitas editoras independentes permitem que os autores fiquem com mais do que os tradicionais 15% de direitos autorais do preço dos livros de capa dura e 10% dos livros de brochura.

Há pouco mais de um ano, Michelle L. Long, contadora que assessora pequenos negócios, publicou pela editora CreateSpace o livro “Successful QuickBooks Consulting,” um guia para outras pessoas que desejam ajudar empresas a usar um pacote de software da Intuit. Ela disse que ganhou de 45% a 55% do preço de capa e US$ 22 mil em direitos autorais com a venda de mais de duas mil cópias.

Durante a recessão econômica, livros direcionados a públicos tão pequenos podem se sair muito melhor do que títulos de editoras tradicionais que dependem de um apelo mais geral. “Muito conteúdo desse nicho está indo bem em relação ao resto da economia porque é bastante útil para as pessoas com necessidades bem específicas,” disse Aaron Martin, diretor de editoras independentes e publicação por encomenda da Amazon.

Para muitos autores independentes, o nicho é muito pequeno. Weiss da Author Solutions estima que a média de cópias vendidas dos títulos publicados por uma de suas marcas seja de apenas 150. De fato, disse Robert Young, chefe-executivo da Lulu Enterprises, a maioria dos títulos da empresa interessa pouco a qualquer um além dos autores e suas famílias. “Publicamos facilmente a maior coletânea de poesia ruim da história da humanidade,” Young disse.

Mesmo assim, o sonho de muitos autores independentes é ser descoberto por uma grande editora ¿ e isso acontece mesmo, mas raramente. Quando Lisa Genova, ex-consultora de empresas farmacêuticas, escreveu seu primeiro romance, Still Alice, a história de uma mulher com mal de Alzheimer, ela foi rejeitada ou ignorada por 100 agentes literários.

Genova pagou US$ 450 à iUniverse para publicar o livro e vendeu cópias para livrarias independentes. Outro autor descobriu o livro e apresentou Genova a um agente, e ela acabou vendendo Still Alice por um valor adiantado de seis dígitos à Pocket Books, uma editora da Simon & Schuster, que lançou uma nova edição no mês passado. O livro entrou na lista de best-sellers de ficção do New York Times.

Genova associou sua experiência àquela de bandas ou cineastas jovens que usam o MySpace ou YouTube para atrair o público. “É realmente duro entrar no modelo tradicional de se fazer as coisas,” ela disse. Louise Burke, da Pocket Books, disse que as editoras agora buscam novo material pesquisando comentários de leitores sobre livros independentes vendidos online. A publicação independente, ela disse, “não é mais uma palavra suja.

Os livros que se tornam best-sellers, no entanto, ainda são exceção. “Para cada mil títulos que são publicados, talvez existam dois que realmente deveriam ter sido publicados,” disse Cathy Langer, responsável pelo setor de compras das livrarias Tattered Cover em Denver, que recebe inúmeros pedidos de autores independentes para vender seus livros. “As pessoas pensam que só por terem escrito algo, existe mercado para ele. Não é verdade.”

Terra Tecnologia | The New York Times, Tradução: Amy Traduções | 07 de fevereiro de 2009

Internet cria legião de autores instantâneos


Ter um livro publicado não é tão difícil quanto antigamente. Agora, as tecnologias de impressão e a Internet estão transformando em autores publicados uma legiões de escritores aspirantes que, por muitos anos poderiam nunca ter a chance de ver seu trabalho impresso.

O que torna viável este tipo de publicação é a Internet, que dá a autores instantâneos acesso a um público que divide o mesmo interesse, não importa o quão obscuro. Autores usam comunidades online como blogs, redes sociais e outros para fazer publicidade.

A vasta maioria dos autores instantâneos vende apenas algumas dezenas de cópias, mas a publicação por unidade está permitindo que milhares de pessoas realizem sua ambição de ser escritor.

A editora por unidade Lulu.com já publicou 236 mil livros desde que abriu em 2002, e o número de vendas mensais cresceu a cada mês em 2007, chegando a 14.745 em novembro. A Amazon.com começou a vender publicações por unidade no meio do ano passado, através do CreateSpace, que já permitia que cineastas e músicos fizessem seus próprios DVDs e CDs.

Os programas são fáceis de usar. Autores selecionam as opções básicas, incluindo o tamanho do livro, tipo de encadernamento e se o livro terá ou não capa dura. Depois o original é enviado, usuários vão a uma página onde selecionam a fonte e design da capa. Mesmo depois de uma impressão, é possível voltar e corrigir erros de digitação para as próximas edições.

Ao contrário de outros tipos de publicação, em que autores pagam para ter uma tiragem feita em impressoras tradicionais, a publicação por unidade não custa um centavo ao autor.

As editoras produzem livros apenas depois de encomendados e pagos, eliminando a necessidade de estoques. Elas cobram por impressão ou porcentagem nas vendas, e estabelecem o sistema de pagamento, as lojas online e as ferramentoas de marketing na web.

Alguns autores publicam livros por unidade na esperança de serem vistos por uma grande editora. Mas nem todos os que utilizam este tipo de publicação querem ser famosos. O sistema também permite que pequenas empresas façam brochuras de alto nível e roteiristas vendam seus scripts, além da possiblidade de fazer livros de casamento e outros eventos para amigos e a família.

Estou impressionando por ter o livro em minhas mãos“, disse Catherine Dyer, 49 anos, de Atlanta, que escreveu um livro de receitas com suas irmãs no Lulu.com. “Eu sabia que tentar conseguir uma editora convencional levaria anos. Com isto, eu sabia que pelo menos teria uma cópia em minhas mãos“.

Terra | Tecnologia | 02 de janeiro de 2008 | 17h09