Com 150 mil títulos, Amazon começa a vender livros físicos no Brasil


No lançamento, varejista oferece frete grátis em compras acima de R$ 69

A partir dessa quinta-feira [21], os brasileiros poderão finalmente comprar livros físicos pela Amazon. Para o início das operações, a varejista compôs um catálogo de 150 mil títulos. Para marcar o lançamento, a Amazon oferecerá frete grátis para compras acima de R$ 69 e entrega no dia seguinte para compras feitas antes das 11h da manhã por consumidores de algumas localidades da cidade de São Paulo. Em entrevista que concedeu nesta quarta-feira, com exclusividade ao PublishNews, Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, disse que outra funcionalidade estará disponível imediatamente aos brasileiros. É o Leia Enquanto Enviamos, que permitirá que o cliente comece a ler o livro no digital – por meio do Kindle Cloud Reader – enquanto é feito o envio do livro físico. Essa funcionalidade está disponível para 13 mil títulos, com possibilidade de expansão. “Essa experiência que transita entre o digital e o físico ao mesmo tempo está no DNA da Amazon”, disse ao PublishNews.

Catálogo

O catálogo de 150 mil títulos é composto por obras de 2.100 editoras. Os títulos vão desde os best-sellers até livros de fundo de catálogo. “Estamos lançando a loja com o maior catálogo de livros em português do Brasil. Quem acompanha a história da Amazon sabe da nossa obsessão em ter certeza de que temos um catálogo muito bom, não só composto por best-sellers, mas também por títulos de cauda longa e de backlists”, disse Szapiro.

Logística

De acordo com Szapiro, outa obsessão da Amazon é pelo cumprimento de prazos prometidos. Para alguns CEPs da cidade de São Paulo, para pedidos feitos até as 11h da manhã, a Amazon promete entregar no dia útil seguinte. Para as demais localidades, a Amazon trabalha com prazos distintos. “A gente tem certeza de que aquilo que a gente promete é aquilo que a gente pode cumprir”, defendeu. “Isso já acontecia desde antes, quando começamos a oferecer o Kindle”, completou o executivo. O frete grátis para compras acima de R$ 69 vale para todo o território nacional. Outra inovação apresentada pela Amazon é a possibilidade de o cliente devolver o livro dentro do período de 30 dias, caso o produto não atenda às suas expectativas. Ao ser perguntado sobre a possibilidade de alguns clientes se aproveitarem dessa facilidade para comprar livros, ler e depois devolver, Szapiro disse que usará a tecnologia contra esses casos: “a gente tem tecnologia para saber se um cliente faz isso uma, duas, três ou quatro vezes. A gente trabalha em prol do consumidor. Não é por causa de um ou outro caso como esse que a gente tem que prejudicar todas as outras pessoas honestas. É assim que a Amazon trabalha”.

Retrospecto da Amazon no Brasil

A Amazon começou a operar no Brasil em dezembro de 2012, com o lançamento da Amazon.com.br, da loja Kindle Brasil, do Kindle Direct Publishing [KDP] e dos e-readers Kindle que eram oferecidos em lojas da Livraria da Vila e do Pontofrio.com. No ano passado, a varejista lançou a Amazon Appstore no Brasil e, no começo de 2014, iniciou as vendas de Kindle e Kindle Paperwhite diretamente pelo seu site. Agora, além do lançamento da loja de livros físicos, a Amazon fará o seu debut em uma bienal. Pela primeira vez, a varejista terá um estande na Bienal do Livro de São Paulo, que começa na próxima sexta-feira [22].

Por Leonardo Neto | PublishNews | 21/08/2014

Amazon resolve desafio logístico e começa a operar com produtos físicos no Brasil


Por Carlo Carrenho | Publicado origialmente em Tipos Digitais | 07/02/2014

As relações que a Amazon vinha mantendo com o mercado brasileiro até agora eram parecidas com sexo virtual, pois algo fundamental para um bom e-commerce – e para um bom sexo – estava ausente: o aspecto físico. Afinal, a gigante de Seattle só vendia e-books e apps em sua loja brasileira, e para isto não era preciso nenhum tipo de operação logística em terras tupiniquins, apenas um bom sistema de pagamentos em reais. Por isso, os aparelhos de leitura Kindle eram comercializados por parceiros, seja virtualmente como na Ponto Frio ou em lojas físicas como na Livraria da Vila. Até quiosques para a venda de Kindles em shopping centers foram tentados, e a última novidade é que a carioca Casa & Video vai comercializar o aparelho.

Mas agora a Amazon resolveu levar seu romance com o mercado brasileiro para o patamar físico e desde hoje pela manhã já está comercializando seus Kindles diretamente em sua loja, responsabilizando-se por todo o processo de faturamento e entrega. Aos olhos mais inocentes, isto pode não parecer grande coisa, mas na verdade a inauguração da logística da Amazon é mais importante que a própria abertura de sua loja. Afinal, muitos apostavam que a empresa norte-americana teria imensas dificuldades para aportar por aqui, justamente devido aos desafios que a péssima logística brasileira impõe a qualquer varejista. Ainda resta ver qual será a qualidade do serviço oferecido e até que ponto a Amazon realmente resolveu seu maior desafio. Mas o fato é que a empresa não costuma lançar nada abaixo de um certo padrão de qualidade e teria feito inúmeros testes de envio a várias cidades brasileiras para poder garantir as expectativas dos consumidores locais.

Para a indústria de livros, a entrada da empresa de Jeff Bezos no e-commerce de mercadorias físicas é um divisor de águas. Enquanto atuava apenas na venda de e-books em sua loja brasileira, a gigante de Seattle estava mais para a anã da Berrini [seu escritório em São Paulo fica próximo à avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini]. Em 2012, a participação dos livros digitais no mercado de livros de interesse geral ficou em no máximo 3% e a Amazon teria cerca de 30% deste mercado. Ou seja, a empresa norte-americana não teria nem 1% do mercado de livros de interesse geral. Se considerarmos o mercado editorial inteiro, com CTP [Cientifico, Técnicos e Profissinais] e Didáticos, sua participação então seria ínfima. Neste cenário, a Amazon tinha pouquíssimo poder de barganha junto aos editores, em uma situação completamente diferente daquela de outros mercados onde a empresa vende livros físicos com eficiência. Isto explica as concessões que a empresa teve que fazer ao negociar seus contratos digitais no Brasil, aceitando até limitações aos descontos que poderia oferecer na loja, os quais, em alguns casos, não podem ser superiores a 5%.

Mas agora o jogo é outro. A Amazon já estava desde o ano passado negociando contratos para venda de livros físicos com as editoras brasileiras, embora ainda não tivesse uma operação logística em funcionamento. Agora, a operação está ativa. Quem despacha Kindle, despacha qualquer coisa, e não há dúvidas de que livros físicos estão na mira da empresa para entrarem na loja o mais rápido possível. Aliás, além dos três modelos de Kindle, a loja brasileira da Amazon já está vendendo capas e adaptadores de tomada para os aparelhos. E quando os livros físicos chegarem aos seus estoques, a Amazon ganha poder de barganha e uma proteção contra as barreiras criadas por alguns concorrentes brasileiros que usaram sua força no físico para tentar retardar a entrada da Amazon no digital. Agora, o jogo começa a se inverter., pois quando estiver operando com livros físicos, serão os editores que terão interesse em vender para a Amazon mais do que a Amazon terá interesse em comprar dos editores, como foi até agora.

No que tange à venda direta de Kindles pelo seu próprio site, algumas observações são importantes. Em primeiro lugar, os preços são os mesmos que eram oferecidos antes pelos parceiros de distribuição da Amazon. O modelo Kindle continua a R$ 299, o Paperwhite a R$ 479 e o Paperwhite 3G a R$ 699. Preços ainda longe dos valores cobrados nos EUA, devido à alta tributação brasileira. Fica a dúvida então de por que a Amazon não aproveita a venda direta para reduzir os preços do Kindle oferecendo ao consumidor a margem que antes ficava com seus parceiros. Talvez ela não queira prejudicar as empresas que a apoiaram e que ainda têm estoques do aparelho, mas não será nenhuma surpresa se os preços caírem em breve. De qualquer maneira, o frete oferecido pela Amazon é grátis.

Vale também observar que as entregas serão feitas pelos Correios e pela Directlog. Uma entrega em São Paulo ou no Rio de Janeiro está prometida dentro do prazo de 1 a 3 dias úteis. Já os compradores de Macapá, por exemplo, terão de esperar de 8 a 11 dias úteis.

A ferramenta de 1-Clique, que permite compras com apenas um clique do mouse e sem redigitar dados e número do cartão de crédito, já está em operação também. Quem sabe o e-commerce brasileiro se inspire na ideia e pare de pedir o número de cartão de crédito a cada compra.

Agora é esperar os livros físicos, lembrando que a Amazon já é uma das maiores varejistas de livros importados no Brasil, que são vendidos diretamente da matriz americana. Nada impede, portanto, que tais livros importados sejam vendidos em breve na loja brasileira, em reais e com redução de custos de frete para o consumidor brasileiro.

E é só agora, com a Amazon levando sua relação com o mercado brasileiro para um patamar físico e palpável, que está de fato começando a disputa por esta grande musa: os leitores brasileiros.

Por Carlo Carrenho | Publicado origialmente em Tipos Digitais | 07/02/2014

Com Kindle, Amazon estreia venda física em site no país


A Amazon inicia nesta sexta-feira [07] a venda de produtos físicos no Brasil. Neste primeiro momento, a varejista americana vai vender apenas o leitor digital Kindle [em três modelos] e mais acessórios para o aparelho.

O gerente da Amazon Brasil, Alex Szapiro, não revela quando a empresa vai iniciar a venda de livros no país, mas a expectativa do mercado editorial é de que isso aconteça ainda no início deste ano.

A maior varejista do mundo, que nasceu vendendo livros físicos, estreou no Brasil em dezembro de 2012 apenas com versões digitais. No país, a empresa perde para a Apple na venda de livros digitais em português, devido, principalmente, à maior penetração de iPads em relação ao Kindle.

Inaugurado há pouco mais de um ano, o mercado de livros digitais em português representa de 3% a 4% das vendas de livros do país. São quase 30 mil títulos – de um total de quase 100 mil títulos à venda no país.

Nos EUA, os livros digitais já representam de 25% a 30% do mercado, mas eles existem há sete anos. Por aqui estamos crescendo, toda semana batemos recordes“, diz Szapiro, que não revela números sobre a operação brasileira.

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

O Kindle será vendido em três versões, já disponíveis no mercado brasileiro por meio de varejistas selecionados. O modelo básico custa R$ 299. O produto mais caro, o PaperWhite 3G, versão em que o usuário tem acesso a qualque

RESISTÊNCIA

A Amazon enfrentou resistência de algumas varejistas e livrarias para vender o Kindle. Atualmente, o aparelho está disponível no Extra e no Ponto Frio [lojas e e-commerce], na Livraria da Vila e na Casa & Video.

Meu público alvo são todos os brasileiros que sabem ler. Queremos que o consumidor descubra o Kindle“, diz Szapiro. Pesquisas da Amazon mostram que clientes de livros físicos passam a consumir quatro vezes mais livros [físicos ou digitais] depois de adquirir um Kindle.

Diferentemente dos aparelhos vendidos em lojas de terceiros, os Kindles comprados diretamente na Amazon serão pré-registrados. Se o consumidor já tiver uma biblioteca de livros digitais, receberá o Kindle em casa com todo o acervo já baixado.

Szapiro diz que a empresa esperou mais de um ano para iniciar a venda do Kindle por meio da sua própria plataforma de e-commerce pois queria “estar preparada para melhorar a experiência do cliente“.

Questionado se o fato de a empresa agora estar preparada para vender o Kindle significa que o início da venda de livros pela internet estaria próximo, Szapiro desconversou: “essa é uma avaliação sua“.

O Brasil foi o primeiro país no mundo em que a empresa estreou com a venda de livros digitais exclusivamente. Em outros países, o e-commerce de livros físicos começou seis meses depois. A mesma estratégia foi adotada no México.

POR MARIANA BARBOSA, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 07/02/2014, às 03h00

Amazon lança leitor ‘top’ e cresce com promoções no Brasil


A Amazon começa a vender hoje no Brasil seu modelo mais avançado de leitor eletrônico, o Kindle Paperwhite, com tela iluminada e sensível ao toque.

Passa a oferecer também a opção com 3G gratuito, sem mensalidade, que permite baixar livros a qualquer momento, de qualquer lugar.

O aparelho sai por R$ 479 [com wi-fi] ou R$ 699 [com wi-fi e 3G] no pontofrio.com.br, na Livraria da Vila e em quiosques em shoppings no Rio e em São Paulo. Na importação pelo site americano, com taxas, sairia por R$ 620 ou R$ 851.

“Deixamos de ganhar no aparelho para ganhar na venda de e-books”, diz Alex Szapiro, vice-presidente da Amazon Kindle. Os aparelhos da concorrente canadense Kobo custam de R$ 289 a R$ 449.

Até hoje, a Amazon só vendia por aqui, a R$ 299, seu modelo mais simples, sem tela sensível ao toque nem iluminação interna. Com o Paperwhite, espera melhorar seu desempenho no país.

O lançamento ocorre após o início de uma série promoções semanais, de até 70% -definidas caso a caso com as editoras, segundo Szapiro-, com as quais a Amazon vem crescendo no mercado.

“Crash” [LeYa, 2011], de Alexandre Versignassi, por exemplo, passou de R$ 27,99 para R$ 9,90 na sexta-feira, pulando da 800ª posição para a 11ª na lista da Amazon em menos de 24 horas. Com isso, tornou-se o segundo e-book mais vendido da LeYa nos últimos sete dias, consideradas as vendas em todas as lojas.

RANKING

Os primeiros meses de operação no Brasil foram difíceis para a varejista. Ela estreou em dezembro, junto com a Kobo [parceira da Livraria Cultura] e a venda de e-books nacionais pelo Google Play.

Por semanas, penou o penúltimo lugar entre as grandes do gênero no Brasil, à frente só da Kobo/Cultura. A Apple, que entrou nesse mercado em outubro, sempre manteve a liderança com folga.

Recentemente, a Amazon deixou para trás o Google e a Saraiva. No geral, é a segunda loja que mais vende no país.

Sua estratégia, avaliam editores, é ganhar mercado no chamado fundo de catálogo, com livros mais antigos. É mais fácil negociar descontos neles sem incomodar concorrentes.

O desafio é crescer nos lançamentos. Um problema é a proporção de aparelhos: enquanto há estimados 3 milhões de iPads e iPhones no país, o Kindle alcança só dezenas de milhares de leitores.

POR RAQUEL COZER | Publicado e clipado à partir de Folha de S.Paulo | 19/03/2013, às 03h20

Kindle ou Kobo, eis as questões


Com a chegada dos leitores da Kobo e da Amazon ao mercado brasileiro, muita gente tem se perguntado qual o melhor deles, e se vale a pena pagar R$ 100 a mais pelo Kobo Touch, oferecido pela Livraria Cultura a R$ 399. O Kindle de 4ª geração está à venda nas lojas da Livraria da Vila e no site da Ponto Frio por R$ 299. Pode parecer uma questão simples, que exige apenas uma comparação técnica entre os dois aparelhos, mas isto está longe da realidade. O processo de compra de um Kobo ou Kindle passa, na verdade, por três decisões. Vamos a elas:

Kobo vs Kindle

Kobo vs Kindle

1. A decisão entre um leitor dedicado e um tablete multifuncional

Tanto a Kobo como a Amazon oferecem aplicativos de ponta para iOS e Android. Portanto, não é necessária a aquisição de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle para se ter acesso ao catálogo de livros digitais à venda. Qualquer leitor pode comprar um livro na Amazon ou na Livraria Cultura e lê-lo em seu iPad, iPhone, tablet Android ou mesmo no computador. Quem preferir comprar na Google ou na Saraiva também poderá ler os livros em seus aplicativos para as mesmas plataformas. E, é claro, quem optar pela Apple, poderá ler sua biblioteca no iPad e no iPhone. Mas vale a pena adquirir um leitor dedicado? Esta é uma decisão que cabe a cada leitor ou consumidor. A s principais vantagens de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle são as seguintes:

  • Tela monocromática com tecnologia e-Ink, que não cansa a vista e permite leitura sob o sol, pois não possui luz própria.
  • Formato menor e mais leve que um tablete.
  • Permite uma leitura focada e tranquila sem as distrações dos tablets [veja este meu outro post]
  • Preço inferior

A desvantagem é clara: o leitor dedicado não é um tablete e, portanto, se você precisa de um equipamento para checar e-mails, navegar na net, ouvir música e jogar Angry Birds, você vai acabar com dois apetrechos na bolsa ou na mochila – a não ser que você se satisfaça em fazer tudo isso no seu smartphone. Na prática, acredito que esta decisão depende do quanto a pessoa lê normalmente. Para quem lê um livro por ano, nunca valerá a pena ter um leitor dedicado. Mas quem lê quatro livros por mês com certeza vai preferir ter um Kobo Touch ou Kindle além do tablet.

Isto leva à seguinte questão: Até que ponto o Brasil possui leitores frequentes suficientes para que haja uma demanda relevante por leitores dedicados? Ainda é cedo para dizer, mas vamos descobrir em breve. Minha impressão é que o leitor dedicado terá muito mais uma função de marketing e promoção no Brasil, ao ocupar espaço nas mãos de formadores de opinião e nas livrarias, do que uma função crucial na expansão da leitura digital. Tendo a achar que os brasileiros, que já lêem tão pouco, vão preferir ler seus e-books nos tablets – entre uma partida e outra de Angry Birds.

2. A decisão entre uma plataforma aberta e uma plataforma proprietária

Os livros digitais da Amazon [chamados pela empresa de Kindle books] só podem ser lidos em Kindles ou nos aplicativos Kindles. Os aparelhos da gigante de Seattle, por sua vez, só conseguem ler e-books em Mobi, seu formato proprietário. Sim, é possível ler PDFs no Kindle, assim como tecnicamente é possível mascar chiclete e assobiar ao mesmo tempo. Tente e descubra. Se o e-book for em formato padrão ePub e não possuir DRM [a trava anti-cópia do e-book; clique aqui para entender o DRM], é possível convertê-lo facilmente ao formato Mobi e lê-lo no Kindle como qualquer livro comprado na Amazon. O software gratuito Calibre é a melhor opção para isso. No entanto, por hora, são raras as editoras comercializando livros digitais sem DRM. A Apple também possui formato proprietário e os livros comprados na iBookstore só podem ser lidos nos aparelhinhos piscantes da empresa de Cupertino. E-pubs sem DRM, no entanto, são lidos facilmente em seu aplicativo de leitura. Sem falar que qualquer e-bookstore que se preze possui apps de leitura para iOS. Já a Kobo, a Google, a Saraiva e demais varejistas de livros digitais, possuem uma plataforma aberta e não proprietária, utilizando um controle de DRM comum, fornecido pela Adobe. Com isso, um livro comprado em uma dessas livrarias pode geralmente ser lido nos aplicativos e e-readers da outra. Por exemplo, você pode comprar um livro na Saraiva ou na Gato Sabido e lê-lo em um Kobo Touch adquirido na Livraria Cultura. Os livros digitais comprados na Google Play também podem ser transferidos para o leitor da Kobo e vários outros, como o Nook da Barnes & Noble, por exemplo. E livros comprados em outras e-bookstores no exterior, como na excelente Bajalibros da Argentina também podem ser lidos nos aparelhos e apps de empresas que optaram por um modelo de negócios não proprietário.

A vantagem de uma plataforma aberta é óbvia: você não fica dependente de um livraria apenas. A desvantagem é que estes processos de comprar e-book aqui e ler ali consomem tempo e paciência, e nem sempre funcionam 100%. Já as plataformas proprietárias, por terem sido desenvolvidas com apenas um formato e um leitor e seus aplicativos em mente, costumam ser mais robustas e confiáveis. Além disso, no caso da Amazon, é importante lembrar que a conexão em 3G oferecida nos melhores modelos, que ainda não estão à venda no Brasil, funciona perfeitamente no mundo todo. Sem pagar roaming, você abaixa amostras ou compra livros em 60 segundos do Panamá à Alemanha [já testei nos dois países].

Mais uma vez, cabe aqui ao leitor decidir entre uma plataforma proprietária e uma aberta. Ou, caso já pretenda ter um tablet e um leitor dedicado, poderá optar por um e-reader proprietário e usar aplicativos de plataformas abertas com DRM da Adobe no seu iPad ou Samsung.

3. A decisão entre o Kobo Touch e o Kindle de 4ª geração

Ao se decidir pela compra de um dos dois leitores dedicados à venda no Brasil, a primeira coisa a se considerar, como já vimos, é que o Kindle possui uma plataforma proprietária e o Kobo não. Em seguida, deve se considerar o preço. A Livraria Cultura vende o Kobo Touch por R$ 399 e a Livraria da Vila e o site da Ponto Frio vendem o Kindle de 4ª geração por R$ 299. Por que a diferença de preço? Simples: o aparelho da Kobo possui tela touch screen, enquanto o Kindle oferecido no Brasil exige que o leitor pressione botões no melhor estilo BlackBerry para ler seus livros. Na minha opinião, portanto, considerando-se apenas as diferenças técnicas entre os dois aparelhos, vale a pena colocar a mão no bolso e, por R$ 100 a mais, levar um leitor com tela sensível ao toque.

No que se refere às telas, ambos os aparelhos são praticamente iguais, ambos usando tecnologia e-Ink. Em termos de processamento, o Kindle pode ser um pouco mais rápido, mas nada que faça diferença, a não ser que alguém queira usar o e-reader para treinar leitura dinâmica.

Mas a Amazon não se gaba de sua tecnologia? Como a Kobo poderia ser melhor? Mais uma resposta no estilo “Elementar, meu caro Watson”. Na verdade, a empresa de Bezos optou por oferecer o leitor mais barato que pudesse no mercado brasileiro e, para isso, trouxe seu leitor mais simples. Da mesma 4ª geração de leitores, a Amazon oferece aparelhos mais caros com 3G e touch screen nos EUA, mas preferiu não colocá-los à venda no Brasil ainda. Em entrevista ao PublishNews, no entanto, o executivo amazônico David Naggar garantiu que todos os aparelhos chegarão ao Brasil. Quando? “A Amazon não discute planos futuros”, seria a resposta padrão.

Hoje, o melhor modelo do Kindle é o Paperwhite, um aparelho com 25% a mais de contraste que os Kindles de 4ª geração, 3G gratuito e luz embutida para leitura no escuro. Este brinquedo sai por US$ 199 nos EUA [sem publicidade], enquanto o modelo igual ao Kindle da Vila custa US$ 89 [sem publicidade] ou US$ 69 [com publicidade]. Aplicando-se uma simples regra de três, o modelo top da Amazon custaria R$ 669 no Brasil, bem acima do preço do Kobo Touch. Mais uma vez, o consumidor e leitor deve fazer sua opção aqui.

Mas para quem optar pela plataforma da Amazon e for comprar um Kindle, eu tenho um conselho: espere seu cunhado viajar para os EUA, compre o Paperwhite de última geração na Amazon com entrega no hotel, e peça para o dito cujo trazer o mesmo com a discrição que a alfândega brasileira exige. O conselho também se aplica no caso de tios, primos, irmãos, mães e avôs.

Por Carlo Carrenho | Tipos Digitais | 20/12/2012

Kindle na Vila e na Ponto Frio: faz sentido?


Livraria da VilaQuando todo mundo acha a que o Natal da Amazon passaria em branco, ou melhor, sem Kindles no Brasil, a gigante de Seattle tirou um coelho do gorro do Papai Noel aos 43 minutos do segundo tempo. Aliás, um coelho não, mas dois, pois o Kindle começou a ser vendido ontem na loja online do Ponto Frio e estará a partir de amanhã, 20/12, nas prateleiras físicas das sete lojas da Livraria da Vila. E a pergunta que não quer calar é: Faz sentido a Livraria da Vila a Ponto Frio comercializarem o e-reader da Amazon?

A ideia não é nova. Em maio deste ano, a Amazon fechou um acordo semelhante na Inglaterra com a Waterstones, maior rede de livrarias do país de Shakespeare. E ninguém entendeu nada por lá. Por que o maior livreiro do Reino Unido ajudaria seu maior concorrente iminente? A verdade é que não houve alma que conseguiu responder esta pergunta satisfatoriamente. No caso da Waterstones, o acordo prevê não apenas um lucro comercial na venda dos aparelhos, mas também um participação nas vendas de conteúdo digital da Amazon desde que feitas no wifi das livrarias da rede inglesa. Ainda assim, ninguém entendeu. O caso tem dado margem para teorias da conspiração interessantes. Uma delas é que a Amazon teria um acordo com o proprietário da Waterstones, o bilionário russo Alexander Mamut, para que o mesmo fosse um sócio ou parceiro da Amazon em sua futura entrada na Rússia. Como disse, é uma teoria da conspiração, que ouvi de jornalistas ingleses, mas, honestamente, é a única coisa que ouvi a respeito deste acordo que parece fazer algum sentido.

Mas e a Livraria da Vila? Não se divulgou muita coisa a respeito de seu negócio com a Amazon, mas parece ser improvável que o acordo envolva participação nas vendas de conteúdo digital, como no caso da Waterstones. E mesmo que envolvesse, não teria como ser algo relevante. Paradoxalmente, dos grupos livreiros brasileiros, a Livraria da Vila é o que possui a menor presença virtual e o e-commerce menos desenvolvido. Em seu site, não há sistema de busca no catálogo e apenas 24 produtos são passíveis de compra. O Kindle, por enquanto, não é um deles. A atualização também deixa a desejar: ao se clicar na área sobre a Livraria da Vila, acessa-se um texto de 2010. Portanto, é um paradoxo que a menos digital das livrarias brasileiras seja onde Kindle será vendido. No entanto, talvez a lógica do acordo com a Amazon esteja neste paradoxo. A verdade é que a Livraria da Vila perdeu a corrida das vendas online. Imaginar que a loja ainda lance um e-commerce fantástico, capaz de superar Saraiva, Cultura, Submarino e outros me parece um tanto fantasioso. A charmosa rede de livrarias parece fadada ao mundo analógico, e este pode ser um modelo de negócios. Assim como a Taschen continuará publicando seus livros por muitos anos, haverá livrarias vendendo tais obras e outros livros de papel que não desaparecerão tão cedo. A aposta da Livraria da Livraria, portanto, talvez esteja em se manter como uma livraria butique, de livros físicos de qualidade. E charme e elegância ela tem de sobra para isso.

Portanto, pensando desta forma, e praticamente desistindo da corrida digital, o que a Livraria da Livraria teria a perder vendendo Kindles? Se ela já está fora do jogo virtual, isto não deve afetar muito seu destino. Se o futuro não tiver espaço para livrarias físicas butiques como a da Vila, ela já está fora do mercado de qualquer jeito, com ou sem Amazon. E se o futuro tiver este espaço, a Amazon pode até ajudá-la quebrando livrarias físicas concorrentes, mas com outra proposta. Nesta situação, por que não vender Kindles, mostrar uma cara moderna além de charmosa, conquistar novos clientes e ainda embolsar uma grana? Consigo ver bastante sentido nisto. E a Amazon, claro, está rindo à toa, pois conseguiu um caminho para chegar aos grandes leitores, que são, via de regra, assíduos frequentadores de livrarias como a da Vila.

Já a Ponto Frio, eu não vejo nenhuma lógica. Mais uma vez, a ideia de se vender Kindles em grandes varejistas físicos não é nova. Nos EUA, o aparelho esteve à venda em redes como a Wal-Mart e a Target, mas ambas as redes desistiram de oferecer o aparelho quando se deram conta de que estavam ajudando um concorrente em potencial, especialmente com a venda do modelo Fire do Kindle. Explica-se: este modelo é um verdadeiro tablet, e como tal permite ótima navegação na internet e compras na loja da Amazon. Ou seja, se tornou um verdadeiro cavalo de Tróia amazônico dentro dos varejistas concorrentes.

É bem verdade que o modelo Kindle à venda na Ponto Frio está longe disso. Além disso, neste momento, vendendo apenas e-books, a Amazon ainda não compete com o varejo físico brasileiro. Mas apesar de a empresa de Jeff Bezos se gabar de nunca revelar planos futuros, não é novidade para ninguém que eles vão trazer a loja inteira para cá. Os candidatos a vagas de Coordenador de Transportes e Gerente de Imóveis que a Amazon tem oferecido que o digam. Ou seja, a Ponto Frio parece estar apenas ajudando quem será seu maior concorrente em alguns meses. E se a Amazon conseguir trazer sua mentalidade centrada no cliente e de ótimo atendimento – e entrega! – para o Brasil, a Ponto Frio vai ter de melhorar bastante para manter seus clientes. Por isso, ao vender Kindles, a Ponto Frio parece ter entrado em uma fria.

Atualização I
Vale lembrar que a relação entre Amazon e Livraria da Vila é completamente diferente daquela entre Kobo e Livraria Cultura. O primeiro caso, pelo menos por enquanto, é apenas uma relação comercial. Já o modelo de negócios da Kobo, aplicado não só no Brasil com a Cultura, mas também em outros países, é uma verdadeira parceira da empresa nipo-canadense com uma rede de livrarias local. No caso da Kobo com a Cultura, há acordos de exclusividade e de cooperação mútua nos mais diversos sentidos.

Atualização II
Kindles já estão à venda na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em São Paulo, desde as 9h da manhã de 19/12, como mostra a foto abaixo. Por segurança, a empresa havia divulgado a data de 20/12 para começar a vender o aparelho, mas conseguiu realizar as primeiras vendas do mesmo um dia antes.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 19/12/2012

Kindle chega para o Natal em São Paulo, e para o Dia de Reis no resto do país


Livraria da Vila e Ponto Frio vendem Kindle

KindleO “Mistério dos Kindles” terminou. A Amazon colocou as fichas em um varejista de grande porte e uma livraria tradicional para competir com o leitor da Kobo: a Ponto Frio e a Livraria da Vila já estão vendendo os aparelhos da 4ª geração do Kindle, sem 3G e sem touch screen. O preço é o mesmo prometido no site da Amazon.com.br: R$ 299. Nos EUA, o mesmo modelo pode ser adquirido por US$ 69.

Neste ano que termina, no meio de toda a discussão sobre leitores digitais, muito se falou sobre a possibilidade de se alcançar leitores fora do eixo Rio-São Paulo, e é para Anindeua, cidade vizinha à capital paraense Belém, que a Ponto Frio despachou um de seus primeiros Kindles vendidos, para Vanessa Tourinho. Ela contou ao PublishNews que nunca usou o Kindle, nem seus aplicativos em outra plataforma, e que o preço foi decisivo na escolha do leitor digital.

A ampliação do público consumidor está em sintonia com a política do outro vendedor do Kindle. A Livraria da Vila, que nunca foi vista como grande entusiasta do e-commerce, entra na onda digital para buscar novos mercados, ajudar a formar novos leitores e trazer de volta os que perderam o hábito. Sobre o paradoxo de ter uma livraria ajudando o que todas as outras olham como o apocalipse livreiro, Samuel Seibel, presidente da rede da Vila, afirma que “essa discussão tem sido muito focada no ‘eliminatório’, na ideia de que uma plataforma vai prevalecer sobre a outra. A minha percepção é de que deve haver uma convivência entre as formas de leitura, precisamos criar mais leitores, as livrarias têm de ser centros culturais onde as pessoas tenham vontade de consumir. Talvez mais pessoas se sintam atraídas por esse jeito kide ler”.

A rede paulista, que conta com 6 lojas na capital e uma em Campinas, pode não conseguir levar o Kindle até o Pará por enquanto como a Ponto Frio, mas tem suas cartas na manga. O leitor digital é vendido fisicamente com exclusividade nas lojas da rede até o final de janeiro, e, pelo menos na filial da Fradique, quem comprar um Kindle tem 10% de desconto nas compras de livros físicos, o que ilustra bem a filosofia de coexistência de plataformas da livraria. De qualquer maneira, a Vila também está se preparando para vender conteúdo na loja. Seibel nos conta que a livraria está mudando o sistema para comercializar e-books. O acordo com a Amazon também não restringe a Livraria da Vila à venda apenas do Kindle, mas Samuel quer antes “sentir o que acontece, queremos ser uma livraria que oferece o produto, conserva e amplia seu público”.

O livreiro que declaradamente prefere o livro físico não descarta a possibilidade do livro digital ser uma ameaça, mas não acha que o problema seja uma única empresa [no caso, a Amazon], e sim a forma de leitura como um todo. “Se o público optar por um tipo de leitura que não inclua o livro físico, a ameaça existe sim, mas o que tenho visto é que não há uma eliminação, e sim uma criação de mercado, você divide o bolo com mais pessoas só que o bolo vai ficando maior”, nos conta o presidente.

Assim como o vice-presidente da Amazon David Naggar, que quer vender milhões de aparelhos, Seibel é otimista sobre as vendas do aparelho. “Estamos trabalhando com a expectativa de vender muitos”.

Por Carlo Carrenho e Iona Stevens | PublishNews | 19/12/2012

Kindle começa a ser vendido on-line; lojas venderão a partir de quinta


Anunciado na primeira semana de dezembro junto com a chegada da Amazon ao Brasil, o Kindle já pode ser comprado por meio do site do Ponto Frio.

O aparelho começará a ser vendido em lojas físicas na próxima quinta-feira [20], em parceria com a Livraria da Vila – que não comercializa e-books.

A Amazon havia dito que o início das vendas on-line, carro-chefe nos EUA, começaria “nas próximas semanas”. No entanto, o site do Ponto Frio colocou o produto à venda antes do anúncio oficial, na noite desta terça [18].

O e-reader, que custa R$ 299, é a versão mais simples da linha da Amazon. Ele tem tela de seis polegadas que não emite luz, 16 níveis de cinza e navegação por botões [não tem touch].

CONCORRÊNCIA

A entrada da Livraria da Vila como parceira da Amazon na venda de Kindles ocorre em oposição à Livraria Cultura, que vende o e-reader canadense Kobo Touch no Brasil.

Com o mesmo tamanho de tela, mas mais versátil – já que lê arquivos EPUB, popular formato de e-books–, o Kobo Touch custa R$ 100 a mais que o concorrente. Veja comparações abaixo.

Editoria de Arte/Folhapress

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 18/12/2012, às 18h18

Aplicativo da Livraria da Vila para iPhone está no ar


App Imaginaria permite fazer check-in em locais citados em livros

O aplicativo Imaginaria, produzido pela Livraria da Vila em parceria com a agência JWT, já está no ar há alguns dias. Ele permite ao usuário fazer check-in em lugares citados em livros, compartilhar o que está lendo e publicar comentários e opiniões a respeito. O aplicativo conecta automaticamente os amigos do Facebook e Twitter que o utilizam, possibilitando a troca de informações e experiências de leitura em rede.

A cada local visitado, o usuário ganha pontos que são acumulados conforme a quantidade de livros lidos e de check-ins. Esta pontuação é exibida como um ranking e indica o nível do leitor e de seus amigos dentro de Imaginaria. O usuário também pode liberar badges, consultar lugares nunca antes visitados, quais os mais acessados, etc. Os lugares descritos nos livros podem ser adicionados pelos próprios leitores, garantindo a constante atualização do aplicativo.

PublishNews – 20/07/2012