Brasileiro cria “Cosmic” para estimular HQs nacionais


Plataforma Cosmic disponibilizará acervo de HQs a 16 reais mensais e reverterá 70% da receita aos autores e editoras. Lançamento acontece em novembro

Uma nova plataforma promete revolucionar o mercado nacional de quadrinhos. Chamado de Cosmic, o aplicativo de leitura digital vai disponibilizar um acervo de HQs seguindo o modelo de assinatura de streaming, que busca oferecer facilidade de acesso e disponibilidade em diversos dispositivos. O serviço tem lançamento previsto para novembro, com mensalidade de 16 reais.

De acordo com seus idealizadores, o Cosmic quer incentivar a criação nacional, cortando os custos de impressão e distribuição dos quadrinhos, proibitivos à maioria dos artistas independentes, que são obrigados a recorrer a sites de financiamento coletivo para viabilizar suas publicações.

Nos últimos anos, o preço cada vez mais alto do papel tem dificultado a venda e o acesso aos quadrinhos. Reduzindo custos de distribuição, pretendemos potencializar o papel mais importante das editoras, que é encontrar grandes talentos, criar selos e editar material de qualidade”, afirma Ramon Cavalcante, criador das webcomics Até o Fim do Mundo e Barafunda e um dos idealizadores da plataforma. “Nosso objetivo é facilitar a publicação digital para criadores e oferecer ao público de quadrinhos uma plataforma digital com todas as funcionalidades indispensáveis”.

O Cosmic se baseia em um sistema de remuneração por volume de leitura, onde 30% do valor das assinaturas fica com a plataforma para cobrir os custos de servidores, manutenção e equipe. Os 70% restantes são encaminhados às editoras e autores independentes proporcionalmente ao número de páginas lidas de suas respectivas obras.

Acreditamos que esse sistema recompensa editoras e autores que realmente trazem leitores e sustentam rendimento. Ele permite que um público razoável, mas fiel, gere renda significativa para a publicação”, explica Cavalcante.

Para o idealizador, o Brasil tem uma cultura de quadrinhos tradicionalmente rica, com editoras de sucesso e autores que publicam fora do país. Estudos internos do Cosmic apontaram para o hábito nacional de ler quadrinhos em dispositivos digitais visando comodidade e facilidade de acesso.

O mercado digital de leitura é uma tendência mundial, e o Brasil não é diferente. O leitor de quadrinhos gosta de colecionar, de ter a obra física para preservar e guardar, mas também gosta de experimentar e de ler muitas obras com facilidade, até para poder escolher o que vai comprar no impresso. Acreditamos que nosso modelo se encaixa perfeitamente nessa demanda”, pontua.

O cronograma de lançamento da plataforma ainda está em fase inicial e a periodicidade das atualizações, as editoras envolvidas e o tamanho do acervo inicial ainda não foram divulgados. “Pretendemos disponibilizar quadrinhos com uma boa frequência, com uma periodicidade que nos permita ter acesso a obras de alta qualidade e diversidade. No caso de séries, dependerá muito do ritmo do autor e será alinhado individualmente com autores e editoras”, esclarece Cavalcante, antecipando que nomes de renome integrarão o projeto, que prevê dezenas de títulos para seu lançamento.

O aplicativo gratuito do Cosmic poderá ser utilizado como solução única para a leitura de HQs baixadas pelo usuário [sendo ou não assinante], organizando os arquivos em uma biblioteca pessoal. As funcionalidades do leitor estarão disponíveis ainda este mês para Windows, Mac OS X e Linux. Para o lançamento do serviço de assinatura, o app ganha versões para Android e iOS.

Por Maria Clara Moreira | Publicado originalmentem em IDG NOW | 16/07/2015, às 16:57

IDGNow! é marca registrada da International Data Group, licenciada exclusiva no Brasil pela DigitalNetwork!Brasileiros, divisão de mídia digital da Brasileiros Editora

Como escolher um e-reader para comprar?


O leitor de e-books é uma boa opção para quem lê muito e procura mais praticidade. No mercado brasileiro, existem bons modelos disponíveis, como o Kindle, da Amazon, o Lev, da Saraiva, e o Kobo, da Livraria Cultura. Mas independente da marca, para ter certeza de que o e-reader vai suprir suas necessidades, é necessário ficar atento a alguns fatores: compatibilidade, memória, conectividade são alguns deles. Confira.

Design e Conforto

Para começar, a ideia do e-reader é ser leve e compacto para ser transportado com facilidade e ler os títulos em qualquer lugar. Então, vale conferir nas especificações dos dispositivos o peso e as dimensões, em comparação com o tamanho da tela. Normalmente, um leitor de e-book tem o tamanho aproximado ao de um livro de bolso. Se ele for muito pesado será um desconforto durante a leitura, e o braço pode se cansar facilmente.

Para ter uma ideia, o novo Kindle da Amazon, por exemplo, tem dimensões de 169 mm de altura, 119 mm de largura, 10,2 mm de espessura e pesa 191 gramas. Já o Lev, da Saraiva, tem design com 166 mm de altura, 120 mm de largura, 9 de espessura e pesa 190 gramas. Essas dimensões oferecem ao usuário uma uma experiência confortável, então, o modelo não deve ultrapassar muito dessa faixa.

É interessante também observar o material do e-reader e verificar se ele oferece alguma textura para evitar que o dispositivo escorregue das mãos. As bordas proporcionais também são importantes para oferecer uma leitura mais agradável, com espessura suficiente para o apoio dos dedos nas laterais. Uma dica é observar o dispositivo em mãos para ver se ele é o que se está planejando e evitar futuras frustrações, já que as fotos nas lojas online nem sempre são tão precisas.

Formatos aceitos e compatibilidade

Muitos livros digitais são arquivos em formatos EPUB ou MOBI. É importante que o leitor digital de sua escolha tenha suporte às duas extensões, assim, você não deixa de ler um livro por causa do tipo de arquivo. Um dos formatos mais populares para textos é o PDF, não é aceito em muitos e-readers não oferece suporte completo para ele.

Caso tenha muitos textos acadêmicos ou pessoais para ler em PDF, vale conferir nas configurações do leitor de e-books antes de investir em um deles. Alguns modelos oferecem uma tecnologia chamada PDF Reflow, que ajustam o PDF na tela para que as letras não fiquem muito pequenas, distorcidas e ilegíveis.

Os e-readers, em geral, oferecem uma loja interna para a compra e descoberta de novos e-books. Dessa forma, a busca por um determinado título é ainda mais simples. Uma dica é conferir na Internet, antes de comprar, qual marca oferece mais títulos e se estão disponíveis em português.

Recursos extras e conectividade

A iluminação é um dos recursos extras de destaque em um leitor de e-book. Isso porque sem ela os usuários ficam limitados a um ambiente com luz natural ou artificial bem clara para ler de forma confortável. Então, na hora de escolher, vale checar se a iluminação está entre as especificações.

Outro fator que pode influenciar bastante na agilidade de uso é a tela sensível ao toque. Com ele, o funcionamento é mais fluido, assim como a ação de passar a página e demais ajustes sem botões físicos. Então, para conferir se o aparelho não apresenta delay ou travamentos nessa função, também vale ir até uma das lojas físicas e experimente seus recursos.

A maior parte dos modelos vem com conexão Wi-Fi no dispositivo básico, para fazer o download de e-books, opção de salvar na nuvem e mais funções. O que pode incrementar é o uso da conexão de Internet 3G e demais redes móveis. Isso vai da necessidade de cada usuário: se você viaja muito e não sabe se terá um Wi-Fi disponível em cada parada, talvez seja interessante investir em uma dessas funções no seu e-reader.

Os leitor digital costuma incluir ter entrada USB para o carregamento da bateria e conexão com o computador. Isso faz com que ele seja compatível com notebooks e computadores com Windows, Mac OS, Linux e os principais sistemas operacionais. Para muitos modelos, não é necessário fazer uso do cabo para transmitir os livros, já que ele dispõe de conexão Wi-Fi, e pode receber os arquivos pela Internet.

Memória

Os livros em formato digital como MOBI ou EPUB costumam ter um tamanho reduzido, o que ajuda na hora de acumular títulos em seu e-reader. No entanto, é fundamental um dispositivo com um armazenamento suficiente para suas leituras. Um dado importante é que os arquivos em PDF podem ser mais pesados, e vão ocupar mais o espaço interno.

Alguns modelos de dispositivos oferecem ainda um serviço interno de nuvem para guardar seus e-books, e isso pode ser bem interessante para os leitores mais assíduos. O novo Kindle e o Lev vêm com 4 GB. Isso oferece espaço para milhares de títulos nos formatos de e-books mais leves. Deve ser suficiente para sua leitura, mas caso aparelho fique lotado, a dica é guardar no sistema de nuvem e baixar quando precisar.

Tela e resolução

A resolução da tela é outro fator fundamental para comprar um leitor de e-books. Isso porque ele interfere diretamente na forma como o texto é projetado. Caso a resolução seja boa, HD ou Full HD, as imagens e letras não devem ficar pixeladas. Resoluções menores do que essas poderão ficar ultrapassadas rápido e o usuário pode se arrepender.

A tela do e-reader não é muito grande como as de alguns tablets do mercado. Até porque a função do leitor é ser mais portátil, como um livro de bolso. Portanto, é comum encontrar modelos na faixa de 6 polegadas. A tecnologia e-ink, conhecida como “tinta digital” é o que dá essa sensação de que o leitor está se deparando com papel e tinta impressa. Ela é emitida em preto e branco, e esses fatores oferecem o conforto de leitura, ao contrário das telas de tablets.

Bateria

Outro ponto para observar antes da compra é a duração da bateria do e-reader. Lembre-se de contabilizar as horas de uso, enquanto o aparelho está ligado, e em modo stand-by. Dessa forma, você poderá escolher um modelo conforme sua necessidade diária de leitura.

Por causa da tela e-ink e sua transmissão em preto e branco, o que demanda menos bateria, a carga do leitor digital costuma durar várias horas. Não se assemelha em nada com os smartphones, que precisam de carga todos os dias. Um e-reader de qualidade deve durar cerca de uma semana sem precisar ser plugado na tomada.

Além disso, vale lembrar que o carregamento via USB é mais lento do que diretamente na eletricidade de casa. Então, em caso de pressa, vale investir em um adaptador para tomada.

Preço

Os e-readers mais básicos, sem recursos extras como 3G ou iluminação, estão na faixa de R$ 299 ou menos, dependendo da loja de compra. No entanto, é interessante investir um pouco mais em um modelo mais completo, que não vai te decepcionar quando a luz ambiente estiver fraca ou precisar se conectar longe de uma rede Wi-Fi.

Publicado originalmente em Techtudo | 24/05/2015

Escribo entra no mercado do livro didático digital


Uma tecnologia made in Pernambuco poderá ser acessada por 15 milhões de alunos a partir do próximo ano. A empresa pernambucana Escribo vai disponibilizar o livro digital junto com o livro didático de papel aos alunos das escolas públicas comprados pelo governo federal a duas grandes editoras, que detêm 25% do mercado do livro didático brasileiro. “Os alunos vão receber um voucher que dá direito a baixar o livro digital. Ainda não sabemos quantos estudantes e professores vão fazer isso”, explica o diretor presidente da Escribo, Américo Amorim. A Escribo é o novo nome da empresa D’accord que começou fazendo softwares para ensinar as pessoas a tocarem instrumentos em 2001.

O livro digital produzido pela Escribo tem o mesmo conteúdo do impresso, acrescentando um conteúdo interativo, que inclui jogos e simulações. “Customizamos o leitor digital com a cara da editora que é a nossa cliente. Fornecemos à editora mecanismos para acelerar a produção de conteúdo digital interativo com mais rapidez e menos custos”, diz Américo. A empresa investiu mais de R$ 1 milhão este ano na melhoria da plataforma do Livro Educacional Digital [LED] e contou com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos [Finep] do governo federal e do CNPq para desenvolver essa tecnologia.

A plataforma é complexa e inclui desde o software para a criação do livro até o sistema operacional usado pelo usuário. A plataforma faz a adaptação ao sistema operacional usado pelo usuário, tornando possível a leitura em vários sistemas, como o Linux, Android, IOS, entre outros. “Para as empresas, o custo de fazer essa adaptação seria alto, porque envolve o custo do desenvolvimento e o dos testes”, explica Américo.

A entrada da empresa no mercado de livros ocorreu aos poucos. Em 2010, começou a comercializar os livros impressos [dos alunos e dos professores] para auxiliar os softwares desenvolvidos com a finalidade de habilitar os mestres de artes a ensinar música. Hoje, seis prefeituras usam esse sistema.

A inovação é uma matéria-prima da Escribo que hoje concorre com uma empresa de São Paulo e com uma grande multinacional americana no mercado do livro didático digital brasileiro. “O nosso foco está mais nas escolas. É um mercado que está pipocando. A nossa ideia é que mais uma grande editora passe a usar a nossa plataforma”, conta Américo. Se isso ocorrer, a Escribo passará a ter 50% do mercado do livro digital didático no Brasil.

Ainda na época da D’Accord, a empresa ganhou os Prêmios Finep de Inovação em 2009 e 2012, além do Santander Inovação. “Isso foi muito importante para ter respaldo e conversar com empresas grandes. Geralmente, as corporações maiores têm medo de fornecedores pequenos e nordestinos”, afirma. Outro fator que contribuiu muito para o crescimento da empresa foi um aporte financeiro realizado pelo Criatec, o fundo semente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES].

A empresa espera registrar um crescimento entre 30% e 40% este ano e emprega 20 pessoas. O faturamento da Escribo no ano passado chegou a R$ 1,6 milhão. Desse total, 80% representam o livro digital e 20% os softwares que ensinam música.

A empresa nasceu dentro do Centro de Informática [CIn] da Universidade Federal de Pernambuco [UFPE] com a ideia de fazer um software para ensinar as pessoas a tocarem violão. “Agora, somente a parte musical continuará com o nome da D’Accord, que passou a ser uma parte da Escribo. A palavra significa a pessoa que escreve em espanhol”, conclui Américo.

Jornal do Commercio Online | 23/11/2014