eBooks já foram lidos por 26% dos brasileiros, diz pesquisa


Pesquisa foi feita pelo Ibope, sob encomenda do Instituto Pró-Livro. Levantamento mostra evolução do total de leitores no Brasil.

Os livros digitais já foram lidos por 26% dos entrevistados ouvidos pela 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope sob encomenda do Instituto Pró-Livro.

A pesquisa apontou que o número de leitores no Brasil cresceu 6% entre 2011 e 2015 , e que o total de livros lidos nos três meses anteriores à pesquisa foi de 2,54 obras.

Entre os chamados “Leitores” o percentual de quem já leu livro digital é 34%. E já entre quem gosta muito de ler, 38%. A metodologia da pesquisa considera como leitor, aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses.

O celular foi o dispositivo de leitura mais comum, usado por 56% dos leitores de livros digitais. Na sequência aparecem: computador [49%], tablet [18%], leitores digitais, como Kindle, Kobo e Lev [4%].

Entre as formas de acesso, 88% afirmaram ter baixado gratuitamente na internet e 15% disseram ter pago o download. Livros de literatura, como contos, romances ou poesias são os preferidos, com 47, logo depois seguidos por livros técnicos, para formação profissional, com 33%.

Entre aqueles que leem livros digitais, 91% são considerados leitores pelos critérios da pesquisa, ou seja, leram pelo menos um livro inteiro ou em partes nos 3 meses anteriores à pesquisa. Em relação à edição de 2011, houve um crescimento significativo da proporção de pessoas que já ouviram falar em livros digitais, 11 pontos percentuais. Entre esses, cerca de um quarto já leu algum livro digital“, aponta o estudo.

Metodologia

A edição 2016 é a quarta edição da pesquisa, que teve também outras publicações referentes a dados coletados nos anos de 2000, 2007, 2011. A pesquisa teve abrangência nacional, com 5012 entrevistas pessoais, feitas nos domicílios dos entrevistados entre 23 de novembro e 14 de dezembro de 2015. Foram ouvidos brasileiros a partir de 5 anos, alfabetizados ou não.

Perfil da amostra

Entre os ouvidos pela pesquisa em 2015, 8% se declarou “não alfabetizado” ou que “não frequentou escola formal”. Outros 21% disseram ter ensino fundamental I [1º ao 5º ano], 25% declararam ter o fundamental II [6º ao 9º ano], 33% o ensino médio e 13% o ensino superior.

Responsável pela pesquisa, o Instituto Pró-Livro [IPL] foi criado em 2006 pelas entidades do setor do livro – Associação Brasileira de Livros Escolares [Abrelivros], Câmara Brasileira de Livros [CBL] e Sindicato dos Editores de Livros [SNEL]. É mantido por contribuições dessas entidades e de editoras, com o objetivo principal de fomento à leitura e à difusão do livro.

Desde a segunda edição o Instituto adotou metodologia que considera as orientações do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe [Cerlalc], da Unesco, e pela Organização dos Estados Ibero-americanos [OEI]. O objetivo foi buscar um padrão internacional de medição que permita eventuais comparações e estudos sobre a questão da leitura nos países da região.

Fonte: Publicado originalmente no portal G1, em São Paulo | Por Mariana Nogueira | 19/05/2016 12h12

Decisão nega imunidade de Pis/Cofins para leitores de livros digitais


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Decisão do desembargador federal Marcelo Saraiva, da Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região [TRF3], negou pedido da Saraiva e Siciliano S/A de extensão aos leitores de livros eletrônicos digitais [e-readers] da inexigibilidade de PIS/CONFINS concedida para o papel destinado à impressão de livros, jornais e revistas. A empresa buscava a aplicação dessa imunidade tributária, prevista na Constituição Federal, aos modelos Bookeen Lev e Bookeen Lev com luz.

O relator do caso explicou que uma interpretação teleológica e extensiva do artigo da Constituição poderia levar à conclusão da possibilidade jurídica da tese sustentada pela empresa. Isso porque, explica o magistrado, “a imunidade tributária conferida ao papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, tem o escopo de impedir a oneração de tributos sobre o acesso do cidadão à informação e a cultura e, equiparando-se à finalidade do leitor eletrônico e-readers ao do papel”.

Contudo, o desembargador federal concluiu que, como a empresa não informou as especificações dos equipamentos, não foi possível verificar se as potenciais aplicações disponibilizadas ao usuário substituem, de fato, o papel ou, ao contrário, se equiparam-se aos demais equipamentos multimídias disponíveis no mercado.

Além disso, embora possam aparentemente conter finalidade educativa, o relator entende que os e-readers não podem ser equiparados ao papel destinado à impressão de livros para fins de extensão da imunidade tributária, pois a Constituição prevê que são contemplados pela imunidade, exclusivamente, “livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão“.

Apelação Cível nº 0007994-45.2014.4.03.6119/SP

Redação Justiça em Foco | Com Tribunal Regional Federal da 3ª Região | 17/11/2015

Por que telas de e-readers são melhores para leitura que tablets?


Os dois maiores sistemas operacionais móveis, Android e iOS, possuem uma loja de livros digitais. Embora muita gente leia em tablets, uma grande parcela dos usuários não suporta longos períodos de tempo lendo os livros nas telas LCD dos tablets. Isso porque a claridade agride os olhos e deixa a vista cansada. Os e-readers, no entanto, são equipamentos perfeitos para a leitura de livros digitais. Mas por que a tela destes aparelhos, como Kindle, Kobo e Lev, se assemelham ao papel e são tão mais confortáveis aos olhos?

Kindle, Lev ou Kobo: Qual e-reader oferece o melhor custo-benefício?

Os e-Readers, tais com o famoso Kindle, da Amazon, o Kobo, vendido pela Livraria Cultura e o Lev, da Saraiva, utilizam um tipo de tela chamada de e-ink [tinta eletrônica]. Esta tela tem três camadas: a primeira é para onde olhamos; logo abaixo dela há uma outra camada transparente, mas com eletrodos, que podem ser carregados positiva ou negativamente; e a terceira camada é um suporte inferior que também possui eletrodos. E é entre a camada transparente de eletrodos e a camada de suporte inferior que a mágica acontece.

Lá existem micro-esferas, praticamente invisíveis a olho nu, que abrigam pigmentos magnéticos de uma tinta especial nas cores preto e branco. Esses pigmentos são posicionados magneticamente dentro das esferas, então, ao ver um ponto preto na tela, os pigmentos pretos são posicionados na parte superior da esfera e os pigmentos brancos vão para o fundo dela. Para ver pontos brancos, acontece justamente o inverso. E se quiser ver um ponto cinza, os dois pigmentos se misturam no topo da esfera.

E é dessa forma que as letras e imagens são formadas numa tela e-ink. No local onde vemos as letras, os pigmentos pretos estão na parte superior da esfera. E onde está branco é por que os pigmentos brancos estão na parte de cima. No caso das imagens podemos ver vários tons de cinza, decorrentes da mistura desses dois pigmentos.

Esse tipo de tela não precisa de uma fonte interna de luz para exibir as letras e imagens. Se o usuário estiver em um local claro, a própria luz ambiente já faz esse serviço. No caso do Kindle Paperwhite e do Kobo Glo, que possuem luz interna, essa iluminação não é direcionada para os olhos do usuário, servindo apenas para iluminar a área de leitura. Assim a pessoa pode ler mesmo se estiver no escuro, pois o brilho não vai incomodar os olhos.

Kindle, Kobo ou Lev: qual a melhor opção?

Visto que as telas de e-ink não precisam de luz constante, a duração da bateria salta para dias e, em alguns casos, até semanas. Isso por que este tipo de tela só precisa de energia elétrica na hora de movimentar os microscópicos pigmentos das esferas. Depois disso, não se faz mais necessário o uso de energia. Por isso, praticamente, todos os leitores de livros digitais ficam com uma imagem de fundo quando desligados, uma espécie de proteção de tela, já que para a exibição daquela tela não é necessário nenhuma energia.

Assim, se você quiser colocar suas leituras em dia, o mais recomendado é que você use um e-reader, como Kindle, Kobo ou Lev, pois eles oferecem uma experiência de leitura mais agradável.

Por Felipe Alencar | Tech Tudo | 27/06/2015

* Felipe Alencar, 26 anos, reside em Fortaleza-CE. Trabalha com tecnologia há mais ou menos 5 anos e é apaixonado por tudo que tenha uma tela e um teclado. Usuário Windows, iOS e Windows Phone e, em breve, Androiod.

Como escolher um e-reader para comprar?


O leitor de e-books é uma boa opção para quem lê muito e procura mais praticidade. No mercado brasileiro, existem bons modelos disponíveis, como o Kindle, da Amazon, o Lev, da Saraiva, e o Kobo, da Livraria Cultura. Mas independente da marca, para ter certeza de que o e-reader vai suprir suas necessidades, é necessário ficar atento a alguns fatores: compatibilidade, memória, conectividade são alguns deles. Confira.

Design e Conforto

Para começar, a ideia do e-reader é ser leve e compacto para ser transportado com facilidade e ler os títulos em qualquer lugar. Então, vale conferir nas especificações dos dispositivos o peso e as dimensões, em comparação com o tamanho da tela. Normalmente, um leitor de e-book tem o tamanho aproximado ao de um livro de bolso. Se ele for muito pesado será um desconforto durante a leitura, e o braço pode se cansar facilmente.

Para ter uma ideia, o novo Kindle da Amazon, por exemplo, tem dimensões de 169 mm de altura, 119 mm de largura, 10,2 mm de espessura e pesa 191 gramas. Já o Lev, da Saraiva, tem design com 166 mm de altura, 120 mm de largura, 9 de espessura e pesa 190 gramas. Essas dimensões oferecem ao usuário uma uma experiência confortável, então, o modelo não deve ultrapassar muito dessa faixa.

É interessante também observar o material do e-reader e verificar se ele oferece alguma textura para evitar que o dispositivo escorregue das mãos. As bordas proporcionais também são importantes para oferecer uma leitura mais agradável, com espessura suficiente para o apoio dos dedos nas laterais. Uma dica é observar o dispositivo em mãos para ver se ele é o que se está planejando e evitar futuras frustrações, já que as fotos nas lojas online nem sempre são tão precisas.

Formatos aceitos e compatibilidade

Muitos livros digitais são arquivos em formatos EPUB ou MOBI. É importante que o leitor digital de sua escolha tenha suporte às duas extensões, assim, você não deixa de ler um livro por causa do tipo de arquivo. Um dos formatos mais populares para textos é o PDF, não é aceito em muitos e-readers não oferece suporte completo para ele.

Caso tenha muitos textos acadêmicos ou pessoais para ler em PDF, vale conferir nas configurações do leitor de e-books antes de investir em um deles. Alguns modelos oferecem uma tecnologia chamada PDF Reflow, que ajustam o PDF na tela para que as letras não fiquem muito pequenas, distorcidas e ilegíveis.

Os e-readers, em geral, oferecem uma loja interna para a compra e descoberta de novos e-books. Dessa forma, a busca por um determinado título é ainda mais simples. Uma dica é conferir na Internet, antes de comprar, qual marca oferece mais títulos e se estão disponíveis em português.

Recursos extras e conectividade

A iluminação é um dos recursos extras de destaque em um leitor de e-book. Isso porque sem ela os usuários ficam limitados a um ambiente com luz natural ou artificial bem clara para ler de forma confortável. Então, na hora de escolher, vale checar se a iluminação está entre as especificações.

Outro fator que pode influenciar bastante na agilidade de uso é a tela sensível ao toque. Com ele, o funcionamento é mais fluido, assim como a ação de passar a página e demais ajustes sem botões físicos. Então, para conferir se o aparelho não apresenta delay ou travamentos nessa função, também vale ir até uma das lojas físicas e experimente seus recursos.

A maior parte dos modelos vem com conexão Wi-Fi no dispositivo básico, para fazer o download de e-books, opção de salvar na nuvem e mais funções. O que pode incrementar é o uso da conexão de Internet 3G e demais redes móveis. Isso vai da necessidade de cada usuário: se você viaja muito e não sabe se terá um Wi-Fi disponível em cada parada, talvez seja interessante investir em uma dessas funções no seu e-reader.

Os leitor digital costuma incluir ter entrada USB para o carregamento da bateria e conexão com o computador. Isso faz com que ele seja compatível com notebooks e computadores com Windows, Mac OS, Linux e os principais sistemas operacionais. Para muitos modelos, não é necessário fazer uso do cabo para transmitir os livros, já que ele dispõe de conexão Wi-Fi, e pode receber os arquivos pela Internet.

Memória

Os livros em formato digital como MOBI ou EPUB costumam ter um tamanho reduzido, o que ajuda na hora de acumular títulos em seu e-reader. No entanto, é fundamental um dispositivo com um armazenamento suficiente para suas leituras. Um dado importante é que os arquivos em PDF podem ser mais pesados, e vão ocupar mais o espaço interno.

Alguns modelos de dispositivos oferecem ainda um serviço interno de nuvem para guardar seus e-books, e isso pode ser bem interessante para os leitores mais assíduos. O novo Kindle e o Lev vêm com 4 GB. Isso oferece espaço para milhares de títulos nos formatos de e-books mais leves. Deve ser suficiente para sua leitura, mas caso aparelho fique lotado, a dica é guardar no sistema de nuvem e baixar quando precisar.

Tela e resolução

A resolução da tela é outro fator fundamental para comprar um leitor de e-books. Isso porque ele interfere diretamente na forma como o texto é projetado. Caso a resolução seja boa, HD ou Full HD, as imagens e letras não devem ficar pixeladas. Resoluções menores do que essas poderão ficar ultrapassadas rápido e o usuário pode se arrepender.

A tela do e-reader não é muito grande como as de alguns tablets do mercado. Até porque a função do leitor é ser mais portátil, como um livro de bolso. Portanto, é comum encontrar modelos na faixa de 6 polegadas. A tecnologia e-ink, conhecida como “tinta digital” é o que dá essa sensação de que o leitor está se deparando com papel e tinta impressa. Ela é emitida em preto e branco, e esses fatores oferecem o conforto de leitura, ao contrário das telas de tablets.

Bateria

Outro ponto para observar antes da compra é a duração da bateria do e-reader. Lembre-se de contabilizar as horas de uso, enquanto o aparelho está ligado, e em modo stand-by. Dessa forma, você poderá escolher um modelo conforme sua necessidade diária de leitura.

Por causa da tela e-ink e sua transmissão em preto e branco, o que demanda menos bateria, a carga do leitor digital costuma durar várias horas. Não se assemelha em nada com os smartphones, que precisam de carga todos os dias. Um e-reader de qualidade deve durar cerca de uma semana sem precisar ser plugado na tomada.

Além disso, vale lembrar que o carregamento via USB é mais lento do que diretamente na eletricidade de casa. Então, em caso de pressa, vale investir em um adaptador para tomada.

Preço

Os e-readers mais básicos, sem recursos extras como 3G ou iluminação, estão na faixa de R$ 299 ou menos, dependendo da loja de compra. No entanto, é interessante investir um pouco mais em um modelo mais completo, que não vai te decepcionar quando a luz ambiente estiver fraca ou precisar se conectar longe de uma rede Wi-Fi.

Publicado originalmente em Techtudo | 24/05/2015

Questões comuns na formatação dos eBooks


Semana passada li no The Digital Reader um artigo que, por sua vez, comenta um texto publicado no Science Blog, no qual o leitor Martin Rindkvist compartilha uma experiência frustrante com leitura de e-books no app Google Play Livros. Rindkvist relata que diversos caracteres desapareceram nas versões digitais de dois de seus livros e associa essa omissão a um defeito do app do Google.

Já Nate Hoffelder, do The Digital Reader, supõe que é possível que seja um bug causado pelo conflito da linguagem do usuário com a linguagem do e-book. Eu pessoalmente apostaria em erros de fonte embutida com problemas de mapeamento, causando desaparecimento de caracteres quando a opção de fonte da editora está marcada.

Suposições à parte, acho que a maioria das pessoas que consomem livros digitais já se depararam com problemas de formatação de e-books. Apesar da necessidade de conhecimentos técnicos para identificar causa e solução, não é preciso ser nenhum especialista para percebê-los.

Com esta afirmativa em mente, pensei em expor brevemente alguns problemas muito comuns em conversões de livros digitais, os quais geralmente podem ser evitados através do processo de revisão de e-books ou no processo de diagramação dos livros impressos.

1. Hifenização

No processo de produção do livro muitas vezes colocamos hífens em palavras que coincidem com quebra de linhas. Esse hífens, que fazem total sentido na diagramação de um livro impresso, não são necessários no livro digital, uma vez que e-books têm quebra fluida de linha e/ou hifenização automática.

Se você acha esse erro irritante, deve ficar ainda mais incomodado quando, além de hifenização indevida, a hifenização que de fato é necessária não está sendo respeitada no livro. Pois é, acontece. E é irritante. Agora, por que acontece?

Isso geralmente acontece porque o sistema de conversão quer retirar os hífens desnecessários e acaba retirando os necessários. Esses erros podem ser evitados de acordo com os recursos utilizados na diagramação do livro, mas nem sempre o arquivo-base está perfeitinho do jeito que gostaríamos.

2. Espaços

Assim como a hifenização, temos erros de espaços entre palavras, tanto pela ausência quanto pela presença. A ideia é a mesma, surgem espaços onde não há necessidade, geralmente pela utilização de ligaduras ou apóstrofes.

Na eliminação de espaço entre palavras, isso ocorre porque muitas vezes estes espaços não são diagramados com uma “barra de espaço”, e esta outra formatação para o espaço não é respeitada na conversão de formatos. Ocorre às vezes desses espaços aparecerem como uma interrogação ou um quadrado no ADE antigo e no LEV.

3. Caracteres

Fontes são problemáticas, gente! São lindas e ajudam no projeto gráfico do seu livro, mas podem dar muita dor de cabeça. Os problemas geralmente são desaparecimento ou troca de caracteres e possuem a mesma origem: arquivo mal mapeado. É possível ajeitar através do FontForge, fico devendo novamente um tutorial.

4. Quebra de linha

Por fim, muitas vezes na diagramação do impresso é utilizada uma quebra de linha no meio de um parágrafo para ajeitar os espaçamentos de palavras. Esses espaçamentos são interpretados no código do e-book como tags <br /> que quebram a fluidez do texto.

Conclusão

Bom, esses erros são extremamente comuns, portanto, não se desespere se encontrá-los em seu livro. Todos eles têm solução, mais ou menos trabalhosas. Algumas já foram abordadas aqui mais minuciosamente, e outras, de maneira mais genérica. A dica que dou é: prepare bem seu arquivo antes da exportação do e-book, seja no InDesign ou no LibreOffice. E nunca elimine de sua rotina de produção uma avaliação de qualidade do produto final, pois é nela que aparecerão erros que a produção e a revisão podem ter deixado passar.

Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em Colofão | 15 de abril de 2015

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense, trabalha com livros digitais desde 2011 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

e-Reader a energia solar? Em 2016 será realidade


Bookeen, mesmo fabricante do LEV, anunciou a novidade na última segunda-feira

Na última segunda-feira [2], a Bookeen, empresa francesa que fabrica e-readers, anunciou o lançamento de um leitor digital que poderá ser carregado com energia solar. Previsto para ser lançado em 2016, o novo device usa células fotovoltaicas que prometem deixar no passado as questões de recarga de bateria. e-Readers consomem muito menos energia do que outros dispositivos móveis. A tecnologia usada em suas telas permite consumo menor do que telas de LCD ou plasma, geralmente usadas em tablets ou smartphones. Com os componentes prometidos pela Bookeen [em parceria com a empresa de tecnologia Sunpartner], o disposto carregará suas próprias baterias através da luz [do sol ou artificial]. Sempre bom lembrar que o LEV, o e-reader da Saraiva, é fabricado pela Bookeeen, mas ainda é muito cedo para dizer quando o dispositivo chegará ao mercado brasileiro.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 04/03/2015

E-reader LEV, da Saraiva, fica livre de impostos em Goiás


O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás [TJ/GO] expediu mandado de segurança, concedendo à Saraiva o direito de comercializar o seu e-reader – o LEV – com isenção do ICMS. No entendimento da 5ª Câmara Cível do TJ/GO, a restrição à imunidade já garantida ao formato em papel seria como “fechar os olhos aos inegáveis avanços que a tecnologia proporciona e vem proporcionando dia a dia, tributando-se ainda mais a liberdade ao conhecimento, à cultura e à manifestação do pensamento deste país”.

A decisão é contrária ao entendimento do Governo do Estado que argumenta que a decisão de equiparação dos e-readers ao livro em papel é restrita ao Legislativo. Na Câmara dos Deputados, tramita um Projeto de Lei que atualiza a Lei do Livro e prevê, entre outras coisas, esta equiparação. No dia 29 de janeiro passado, foi apresentado o relatório feito pela Comissão de Constituição e de Justiça e de Cidadania [CCJC] apontando a inconstitucionalidade do pedido de equiparação. Para o desembargador goiano, a norma constitucional deve ser considerada em perspectiva temporal, já que, na época de sua promulgação, não existiam os meios que existem hoje. “Não se previa que um dia a internet se transformaria em um dos mais importantes veículos de comunicação, com capacidade para unir o mundo e as pessoas, disseminando informação, cultura, conhecimento, notícias, entretenimento, num universo de mais de 800 milhões de usuários em todo o mundo”, disse o desembargador. À decisão do Tribunal de Justiça, cabe recurso e, ao que tudo indica, o Governo do Estado deve recorrer, levando a decisão ao Superior Tribunal de Justiça.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 02/02/2015

LEV atualizado


Saraiva fez a primeira atualização do seu e-reader. Entre as novidades, um dicionário em inglês.

Usuários do LEV, o e-reader proprietário da Saraiva, já podem baixar gratuitamente a atualização do seu sistema operacional. Para fazer o download, é só ligar o aparelho, entrar na loja e seguir as instruções para baixar a atualização. Entre as melhorias, está o Dicionário Cambridge inglês-inglês e inglês-português. Além disso, a atualização permite a otimização do uso da bateria e a reconfiguração da tela sensível ao toque para uma resposta mais ágil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 22/12/2014

Michel Levy deixa Saraiva


Executivo deixa o grupo depois de um ano. Jorge Saraiva Neto passa a liderar o grupo executivo da companhia

Michel Levy, que ocupava o cargo de diretor superintendente da companhia

Michel Levy, que ocupava o cargo de diretor superintendente da companhia

Um comunicado enviado na última sexta-feira [7] aos acionistas do grupo Saraiva anunciou a saída de Michel Levy, que ocupava o cargo de diretor superintendente da companhia. O comunicado diz que a saída foi consensual e partiu do executivo o pedido de desligamento. Jorge Saraiva Neto, vice-presidente do Conselho de Administração e diretor presidente da Saraiva, passa a liderar o grupo executivo da companhia. Michel, que teve passagem pela Microsoft e que estava na Saraiva havia um ano, colocou a tecnologia no centro dos negócios do grupo – foi na sua gestão o lançamento do LEV, por exemplo – e é apontado como um dos responsáveis pela aproximação dos braços editorial e de varejo do grupo. Recentemente, ao ser provocado pelo editor do Publishing Perspectives, Ed Nawotka, sobre a luta interna dos dois braços da companhia que impedia até a presença de livros da editora Saraiva em lojas do próprio grupo, Levy respondeu: “em abril, nós integramos os depósitos que distribuem para livrarias e a editora, e hoje você até consegue encontrar alguns livros da nossa editora em livrarias Saraiva”. Embora não seja possível afirmar que a saída de Levy seja a responsável, mas, até o fechamento desta edição, às 11h, as ações da Saraiva estavam em queda. Na abertura do pregão, o papel [SLED 4] valia R$ 13,04 e caiu para R$ 12,59,apresentando queda de 3,45% nessa manhã. As ações da Saraiva apresentam hoje o menor preço dos últimos 12 meses.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 08/11/2014

Mudanças na Saraiva aproximam físico e digital


Diretor de Produtos Digitais agora também é o diretor de Compras do grupo

Deric Guilhen, diretor de Produtos Digitais da saraiva

Deric Guilhen, diretor de Produtos Digitais da saraiva

O homem por trás do LEV, Deric Guilhen, diretor de Produtos Digitais, agora está acumulando também o cargo de diretor de Compras. A mudança, de acordo com comunicado enviado pela companhia, “está alinhada ao novo posicionamento da Saraiva de criar e distribuir conteúdo, tecnologia e serviços disponíveis em qualquer dispositivo e formato, e acessíveis a qualquer hora e em qualquer lugar”. Na prática, a Saraiva está estreitando a distância entre o físico e o digital e Deric, além de responder pelo braço digital do grupo, cuidará também da interface com as editoras, já que estará na linha de frente das compras de livros de interesse geral, CTPs, revistas, música, filmes, papelaria e brinquedos.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 06/11/2014

Amazon bate na porta do escritor Fernando Morais


A gigante de Seatle procurou o escritor para tentar fazer pontes com o Planalto

Um dos motivos que levou Morais a fechar o contrato com a Novo Conceito foi o envolvimento da editora nas redes sociais. “Eu sou muito antenado nesse mundo novo que está surgindo. Há muitos exemplos em todas as áreas da revolução que o mundo digital está fazendo praticamente em todas as áreas e sobretudo na área de livros”, comenta Morais que se diz um entusiasta do livro digital. Morais contou ao PublishNews que foi procurado pela Amazon para tentar convencê-lo a ajudar na campanha para aprovação das mudanças na Lei do Livro e para a equiparação de e-readers a livros físicos. “O horizonte que eles desenhavam era muito animador. Eles me disseram que, tirando livros técnicos, didáticos, cada brasileiro lê 1,5 livro por ano. Daí ele me disse que se a gente conseguisse vender o Kindle a US$ 60 no Brasil, a gente multiplica em poucos anos por quatro o índice de leitura, passa de 1,5 para 6 livros/ano.  O que não é nada, não é nada é um bilhão e 200 milhões de livros. Mas daí, eles me disseram que para vender o Kindle a US$ 60, eles precisam do benefício do livro físico”, lembra Morais que passou a mão no telefone e começou a ligar para outras pessoas para entender melhor a história. “Daí me disseram que a Amazon estava de sacanagem porque o que eles querem o benefício fiscal, mas o aparelho deles é uma caixa preta. É como se você fabricasse televisor e oferecesse uma TV de plasma a R$ 10, com benefício fiscal, mas o sujeito que ligasse só pegaria a Globo”, ponderou o escritor.

Morais retomou o contato com a Amazon no Brasil e explicou que com o sistema fechado e proprietário deles, dificilmente passaria pelo crivo de Brasília. “Eles me disseram que esse é o modelo de negócio deles e que se abrissem mão disso aqui, no dia seguinte, teriam que abrir para todo o mundo. É mais fácil desonerar desde que não seja caixa preta. Desde que o hardware lesse qualquer livro”, comentou, abrindo a sugestão para as outras plataformas já presentes no Brasil, com tecnologia aberta – o Lev, da Saraiva e o Kobo, vendido pela Cultura. “Eu sou um entusiasta, mas as coisas têm limite. Abrir mão de imposto para uma empresa que vai vender um aparelho que só lê os livros dela. Só baixa os livros da Amazon. Tudo bem, mas não com o dinheiro público. A renúncia fiscal tem que ter como contrapartida um benefício para a sociedade. Qual o benefício? Vender o e-reader a R$ 60? Mas só posso ler seus livros? Não quero, não estou interessado”.

Morais deixou escapulir ainda que Jeff Bezos estava querendo vir ao Brasil para ter uma audiência com a presidente Dilma. “Mas daí veio a campanha eleitoral e ela não tinha mais tempo, tinha que pedir votos”, desviou Morais, afinal, Jeff Bezos não vota no Brasil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 30/10/2014

Editora lança plataforma de educação


Vivaz, a plataforma ‘gamificada’, é destinada a alunos dos primeiros anos do Ensino Fundamental

 

Em outubro do ano passado, quando Michel Levy [ex-Microsoft] assumiu o cargo de CEO da Saraiva, a gigante da Av. Henrique Schaumann sinalizava que, dali em diante, suas investidas em tecnologia seriam cada vez mais frequentes. Não demorou muito para que a Saraiva lançasse seu e-reader proprietário, o LEV. Agora, a empresa acaba de anunciar a expansão do seu portfólio de soluções de aprendizagem digital, com o lançamento da Vivaz, o game do conhecimento, plataforma digital direcionada ao Ensino Fundamental [1º ao 5º ano]. A ferramenta, desenvolvida em parceria com a startup Tamboro, permite que seus conteúdos sejam adaptados às necessidades individuais de cada estudante, direcionando sua trajetória dentro do jogo de acordo com seu desempenho. “Estamos dedicados à criação de soluções criativas e efetivas com o propósito de levar a tecnologia para dentro da sala de aula. Acreditamos que Vivaz tem o potencial de impulsionar o ensino com sua plataforma ‘gamificada’, entre outros motivos, porque promove maior engajamento dos alunos nos estudos”, afirma Maurício Fanganiello, vice-presidente de Negócios Editoriais da Saraiva. “Nosso negócio vai muito além da venda de livros. Nós criamos e distribuímos conteúdo, tecnologia e serviços, que podem estar disponíveis em qualquer dispositivo e formato, e acessíveis a qualquer hora e qualquer lugar”, completa Maurício.

Relatórios gerados em tempo real permitem aos educadores acompanharem o desempenho de cada um de seus alunos, da classe, da escola e até de uma rede de colégios. Os pais também podem acompanhar o desenvolvimento dos filhos, mas sem interferir no desenvolvimento das atividades. Essa função é exclusiva dos professores. No banco de dados da Vivaz, estão mais de 10 mil questões nas principais áreas do conhecimento: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e História. Neste primeiro momento, a plataforma está disponível para usuários das coleções Prosa e Português Linguagens, 1º ao 5º ano, editadas pela Saraiva.  Em breve a oferta será ampliada ao catálogo disponível. Para apresentar a ferramenta, a Saraiva colocou em seu canal do Youtube um vídeo explicativo. Para acessá-lo, é só clicar aqui.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 22/09/2014

A Saraiva evolui sob a liderança de um novo CEO focado em tecnologia


A Saraiva trouxe um novo CEO com conhecimentos tecnológicos que está integrando as operações de varejo e edição enquanto explora opções em educação e tecnologia.

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

A Saraiva é editora e a principal rede de livrarias no Brasil. Se fosse nos EUA, seria uma Barnes & Noble; se fosse no Reino Unido, uma Waterstones. A empresa opera 114 lojas, possui 60 milhões de clientes visitando suas livrarias anualmente [9 milhões dos quais são membros do Cartão Preferencial da Saraiva]. Em 2013, as vendas totais alcançaram os 2,1 bilhões de dóalres e agora eles empregam 3,5 mil pessoas. Entre as mais recentes contratações está Michel Levy, o novo CEO da empresa.

Levy veio da Microsoft e, algo pouco surpreendente, diz que a “tecnologia está no centro de todo o negócio da Saraiva. Acreditamos que estamos no negócio de produzir e distribuir conteúdo, serviço e tecnologia, em qualquer formato, para qualquer plataforma, em qualquer momento e em qualquer lugar.”

No começo deste mês, Levy liderou o lançamento da LEV, plataforma de e-books proprietária da Saraiva e leitor de e-ink – um movimento ousado para prevenir a invasão da Amazon, que lançou o Kindle no Brasil no ano passado e começou nessa semana a distribuição física de livros.

Dito isto, o movimento mais significativo da administração de Levy não tem nada a ver com tecnologia, mas com pragmatismo: ele juntou o lado editora e livraria da Saraiva, depois de anos nos quais os dois setores estavam em luta interna tão grande que dizia-se que não dava nem para encontrar um livro da Saraiva em uma livraria Saraiva. “Em abril, nós integramos os depósitos que distribuem para livrarias e a editora, e hoje você até consegue encontrar alguns livros da nossa editora em livrarias Saraiva”, ele fala piscando o olho.

A Editora como um Centro Lucrativo

O braço editorial permanece o verdadeiro centro de lucro para a empresa, que produz um conjunto amplo de títulos e é líder em livros didáticos, cursos de tecnologia, educação superior, livros de Direito e preparação para exames legais e concursos – segmento no qual possuem 40% do mercado. Com os livros didáticos, o governo brasileiro continua sendo um cliente central, representando 25% das vendas de livros para a educação inicial e 50% de suas vendas para a educação superior.

Voltando ao tema da tecnologia, Levy gosta de sublinhar que quando a Saraiva está falando sobre edição, está realmente falando sobre “criação de conteúdo”.

“Ser uma editora é uma pequena parte do que somos no sentido de conteúdo. Somos agregadores.” Desta forma, a companhia está diversificando seu braço editorial e está se movendo para novas áreas, incluindo aprendizado a distância e jogos. “É a nossa chance de aumentar nosso relacionamento com o cliente e aproveitar nosso relacionamento com instituições de educação superior e melhorá-los.”

É onde a rede online e física de lojas Saraiva se torna central para o crescimento estratégico a longo prazo. As vendas comparáveis por loja cresceram a uma taxa de 10-11% por ano e a empresa agora está se expandindo para aeroportos para aproveitar o mercado criado por uma classe média que cada vez mais está viajando mais dentro do país.

Expansão do Financiamento, Expansão da Educação

Para alimentar a expansão, a empresa conseguiu um empréstimo de R$ 628 milhões do BNDES, o maior empréstimo que a empresa já pediu em toda sua história. A expectativa é que sejam criados 700 novos empregos nos próximos anos.

Inevitavelmente, boa parte do futuro da empresa parece voltar para o setor de livros didáticos, que é um negócio em crescimento, por causa do crescimento exponencial de estudantes matriculados no ensino superior profissionalizante e particular. Chegar a estes estudantes, muitos dos quais estão nos cantos mais distantes do país, é um desafio. “Distribuição é muito cara”, nota Levy, “então o que estamos fazendo agora é dedicar representantes de vendas para servir às universidades e trabalhando para que os professores venham a nossas lojas. Agora temos nove filiais onde as universidades podem usar nossas lojas como uma base de apoio.”

Claro, elas sempre têm como fazer pedidos online como uma opção também. “Mas eu não vejo o físico como sendo independente do virtual e estamos nos movendo rápido na integração”, diz Levy.

Além disso, Levy diz que a Saraiva criou um fundo financeiro para investir em startups e novas tecnologias, que puderem ser adaptadas para fornecer novas ferramentas para o mercado didático. “Queremos ser fornecedores de serviço completo e entregar soluções para as companhias que entregam educação.”

Perguntado como um consumidor brasileiro vê a Saraiva hoje, Levy responde: “Existe a percepção de que a Saraiva é apenas uma livraria, e que existe a outra empresa que publica livros. Mas somos mais do que isso. Estamos no mercado de varejo, tanto virtual quanto físico. Somos criadores de conteúdo, preparação, distribuição de livros didáticos para ensino inicial, médio, profissional e superior. Trabalhamos com tecnologia e aprendizado adaptativo. Vendemos para indivíduos e empresas. Somos tanto o fornecedor de conteúdo quanto a plataforma. Somos um shopping center. Estamos desenvolvendo um novo O que é a Saraiva Hoje.”

O CEO do Grupo Saraiva, Michel Levy, e o Diretor Gerente da Editora Saraiva, Mauricio Fanganiello, vão participar no Business Club deste ano da Feira do Livro de Frankfurt.

Edward Nawotka | PublishNews | 22/08/2014 | Este artigo foi publicado originalmente no Publishing Perspectives.

Saraiva X Amazon


As duas gigantes terão 80% do mercado digital no fim de 2014

O ano de 2013 terminou com Amazon e Apple disputando o primeiro lugar no mercado de livros digitais, seguidos por Google e Saraiva disputando a terceira posição. A grosso modo, uma estimativa aproximada mostraria o seguinte market share nacional:

  • Amazon: 30%
  • Apple: 30%
  • Saraiva: 15%
  • Google: 15%
  • Kobo: 5%
  • Outros: 5%

A explicação para o sucesso de Apple e Google é a forte base de tablets e smartphones com sistemas iOS ou Android instalados no Brasil, o que facilitou a venda de e-books nestes ambientes – muitas vezes para clientes que já compravam outros produtos nas lojas da Apple e Google.

Passados quase oito meses de 2014, no entanto, percebe-se um crescimento da Saraiva e da Amazon. A loja brasileira investiu em seu e-commerce e nos aplicativos de leitura para Android e iOS, o que levou a um aumento das vendas. Já a Amazon continuou crescendo organicamente, aumentando tanto seu catálogo tradicional como o de livros auto-publicados, e ainda investiu fortes em ações demerchandising. Google e Apple, portanto, perderam fatias de mercado, o que é absolutamente natural já que ambas as empresas não focam livros. A Google quer aumentar seu faturamento de publicidade e a Apple, como bem já colocou o editor pernambucano Julio Silveira, está mais interessada em vender coisas que brilham. Vale também lembrar que a IBA, a e-bookstore mais forte entre as classificadas como “Outros” e propriedade da toda-poderosa Abril, está encerrando suas operações.

Atualmente, portanto, o mercado provavelmente apresenta um market share como este a seguir, com uma margem de erro [enorme] de 5%:

  • Amazon: 38%
  • Apple: 25%
  • Saraiva: 20%
  • Google: 10%
  • Kobo: 5%
  • Outros: 2%

Mais importante do que se prender nos números é  enfocar o ranking em si, já que estes números não passam de guesstimates ou, em bom português, chutes estimados. De qualquer forma, não há dúvida que a Amazon assumiu a dianteira e que a Saraiva conquistou a terceira colocação.

E neste mês de agosto, tivemos novidades. Dois lançamentos importantes aconteceram no mercado de livros. A Saraiva lançou seu leitor digital dedicado, o LEV, entrando para o clube das e-bookstores com devices próprios. E a Amazon lançou sua loja de livros físicos. Ou seja, em movimentos curiosamente contrários, a Saraiva entrou de vez na briga do mercado de e-books, enquanto a Amazon estreou na venda de livros físicos.

Embora o potencial do mercado brasileiro de leitores dedicados não seja tão grandeem minha opinião, a chegada do LEV representa muito mais que um gadgetexclusivo para a Saraiva. Na verdade, o lançamento do LEV – feito com maestria pela equipe saraivana liderada por Deric Guilhen – representou toda uma nova postura da empresa em relação ao digital. A Saraiva agora usa sua rede de 114 lojas espalhadas pelo Brasil para promover sua plataforma de livros digitais, conseguiu encantar seus próprios funcionários com um endomarketing bem bolado que envelopou de portas de elevadores a cadeiras de reunião em sua sede paulistana, e ainda convenceu o mercado de que ela está levando o livro digital a sério e que não está para brincadeira. E tudo isso não seria possível sem um marco e sem um símbolo. Daí a importância do LEV. O aparelho da Saraiva é a materialização da estratégia digital da empresa e, ainda que o LEV venda pouco, ele fará toda a diferença.

Já a Amazon, que prometeu a abertura de sua loja de livros físicos para o dia 21 de agosto, passará a ter muito mais tráfego em sua loja. Se antes apenas leitores já convertidos ao digital e consumidores de apps para Android frequentavam suas prateleiras virtuais, agora qualquer leitor de livros estará por lá. Com isso, um público muito maior ficará exposto à plataforma e ao leitor Kindle, com uma conversão não desprezível de leitores de livros físicos em leitores de livros digitais. Vale lembrar que a Amazon mostrará a opção de compra da edição digital nas páginas dos livros físicos. E além disso, oferece 13 mil títulos no seu programa Leia Enquanto Enviamos, onde o consumidor recebe os primeiros trechos do livro em formato digital para iniciar sua leitura enquanto o livro físico não chega. Quantos leitores não responderão ao canto da sereia amazônica de preços menores e acesso mais prático ao conteúdo que os livros do Kindle oferecem?

Considerando as últimas novidades de Amazon e Saraiva, é natural estimar que as duas empresas serão as grandes concorrentes do mercado brasileiro de e-books no fechamento de 2014. A Saraiva seguramente passará a Apple – que continua vendendo em dólar, com IOF – e alcançará a segunda posição. Somadas, as empresas que hoje já possuem cerca de 60% do mercado devem chegar a  80%, obrigando Apple, Google e Kobo a se dilacerarem pelos 20% que sobram. É esperar para ver – de preferência, lendo um e-book.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 21/08/2014

Saraiva lança leitor de livros digitais por R$ 300


Aparelho permite acesso a acervo de 30 mil títulos em português e 450 mil em outras línguas

Aparelho permite acesso a acervo de 30 mil títulos em português e 450 mil em outras línguas

 

A Saraiva anunciou, nesta terça-feira [5], o Lev, leitor de livros digitais que chega para concorrer com aparelhos como o Kindle, da Amazon, e o Kobo, da Rakuten, que no Brasil é comercializado pela Livraria Cultura.

Produzido pela companhia francesa de eletrônicos Brookeen, o e-reader será comercializado em duas versões –uma sem luz de fundo, por R$ 300, e uma com luz por R$ 478 [R$ 400 até o dia 31 de agosto, em promoção de lançamento].

Em comparação, o Kindle Paperwhite [com tela retroiluminada] custa R$ 479 –no momento, está em promoção de Dia dos Pais por R$ 399.

O dispositivo vem com 14 títulos gratuitos e dá acesso ao acervo digital da Saraiva, que inclui mais de 30 mil obras em português e 450 mil em língua estrangeira que podem ser baixadas pelo próprio Lev.

A empresa informa que o aparelho possui integração com o aplicativo de leitura Saraiva Reader para iOS e Android, o que permite armazenar os livros em nuvem e acessá-los por meio de outras plataformas.

Com tela sensível a toque de 6 polegadas e resolução HD [758 x 1024 pixels], o aparelho possui memória interna de 4 Gbytes –o suficiente para guardar cerca 4 mil livros de acordo com a loja– com espaço para cartão MicroSD e bateria de 1800 mAh que dura até três semanas.

O produto pode ser adquirido tanto nas lojas físicas da Saraiva por todo o Brasil quanto no serviço de e-commerce da livraria.

SONY

Também nesta terça-feira, a Sony anunciou sua saída do mercado global de e-readers.

Não temos mais planos de desenvolver um novo leitor de livros digitais“, disse a empresa à BBC. O último dispositivo do tipo lançado pela companhia japonesa foi o PRS-T3, que também não será mais produzido.

A Sony já havia fechado a sua loja de e-books nos Estados Unidos e Europa no começo do ano, quando passou a redirecionar seus clientes para a loja de livros digitais da rival Kobo.

FOLHA DE S. PAULO | 05/08/2014 15h27

Saraiva lança o LEV


O e-reader já está disponível em todas as lojas da rede, pela internet e pelo walmart.com

Uma prateleira inteira da loja da Saraiva no Shopping Ibirapuera amanheceu vazia nessa terça-feira [5]. Com isso, a livraria queria demonstrar que livros de uma prateleira inteira cabem no LEV, o e-reader que a varejista acaba de lançar. A notícia foi adiantada pelo PublishNews na última sexta-feira [1º]. O produto, que será oferecido por todas as lojas da Saraiva [físicas e de e-commerce] do Brasil e pelo Walmart.com, chega ao mercado ao preço de R$ 299 o modelo de entrada e de R$ 4.79 o LEV com luz [até o dia 31 de agosto, o LEV com luz está em promoção, saindo a R$ 399]. Michel Levy, CEO do Grupo Saraiva, e Deric Guilhen, diretor de produtos digitais, confirmaram as especificações técnicas adiantadas pelo PublishNews: o LEV traz tela touch-screen de 6 polegadas e de alta resolução [758 x 1024], WiFi, monitor monocromático de 16 tons de cinza, porta de conexão Micro USB, memória interna de 4G e slot para cartão MicroSD para expansão de até 32 GB. O LEV pode armazenar cerca de 4 mil livros e sua bateria pode durar até três semanas. Como o próprio nome diz, trata-se de um aparelho leve, com apenas 190 gramas. O LEV vem de fábrica com dez títulos gratuitos [veja lista completa no final da matéria] e os usuários podem escolher outros quatro títulos da lista de mais vendidos da Saraiva para compor o seu acervo particular. A Saraiva mantém o seu costumaz mistério em relação aos planos para o novo produto. “Por ser uma empresa de capital aberto, não podemos adiantar a nossa previsão de vendas, mas temos planos audaciosos para o novo produto”, contou ao PublishNews Deric. A promoção de lançamento do LEV, que começou hoje ao meio dia em todas as lojas da rede, é focada na degustação do dispositivo. Deric adianta que 100% dos funcionários foram capacitados para o atendimento ao cliente que poderão, nos pontos de venda, experimentar o LEV.

O lançamento, de acordo com Levy, está em consonância com o posicionamento da Saraiva, de oferecer uma experiência completa de leitura. Na apresentação, Levy relembrou a entrada da Saraiva no mundo digital, em 2010, quando lançou o app Saraiva Reader. No ano de lançamento, o aplicativo angariou oito mil usuários que tinham acesso a um acervo de mil títulos de 40 editoras. Em 2014, o app tem 4,6 milhões de usuários, mais de 30 mil títulos em português produzidos por 643 editoras. “Com o lançamento do LEV, damos aos nossos clientes soluções completas para leitura digital”, comemora o CEO.

A viabilidade do device foi estudada pela Saraiva que detectou em pesquisa que 70% do universo pesquisado nunca tinha utilizado um dispositivo dedicado à leitura e destes, 87% demonstraram interesse em saber mais sobre o aparelho. Questionado sobre o fôlego de um aparelho exclusivo para leitura, Levy apontou que o grande diferencial do LEV é que o dispositivo funciona como uma extensão das lojas Saraiva. “Não é só um aparelho tecnológico é uma extensão das lojas físicas e o nosso objetivo com ele é alcançar leitores de livros”, disse.

O aparelho é resultado de um trabalho de mais de um ano, que aliou o conhecimento do Grupo Saraiva em varejo e mercado editorial brasileiro à expertise da Bookeen, líder europeu em dispositivos para leitura, e do Centro de Estudos Avançados do Recife [C.E.S.A.R], que atuou na criação do software e na integração com a biblioteca de livros digitais e o e-commerce da Saraiva.

Isenção

Também como o PublishNews adiantou, a Saraiva entrou com um instrumento jurídico para comercializar o LEV com isenção fiscal. Os porta-vozes do Grupo confirmaram a informação, mas preferiram não entrar em detalhes. “A Saraiva acredita que o produto é um livro e, por isso, merece o mesmo tratamento dado aos livros físicos, já que é um produto 100% voltado para a leitura”, disse Deric.

Assinatura
No primeiro momento do LEV, a Saraiva não colocará à disposição o serviço de subscrição de e-books, como sugeriu a IstoéDinheiro em matéria publicada ontem. A venda, no primeiro momento, será apenas por unidade, mas, de acordo com os porta-vozes da empresa, a Saraiva está antenada na onda de serviços por assinatura, mas isso, por enquanto, é plano para o futuro.

Títulos embarcados no aparelho

  • As cidades e as serras, de Eça de Queiros [Saraiva de Bolso]
  • Alguém especial, de Ivan Martins [Benvirá]
  • Fábulas selecionadas, de Paulo Coelho [Benvirá]
  • Heróis, deuses e monstros da mitologia grega – mitos selecionados [Benvirá]
  • Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antonio de Almeida [Saraiva de Bolso]
  • Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis [Saraiva de Bolso]
  • Nocatue – conto selecionado, de Jack London [Benvirá]
  • O cortiço, de Aluisio Azevedo [Saraiva de Bolso]
  • Pássaros na boca – contos selecionados, de Samanta Schweblin [Benvirá]
  • Resenha esportiva – crônicas selecionadas, de Nelson Mota [Benvirá]

Por Leonardo Neto | PublishNews | 05/08/2014

LEV, o e-reader da Saraiva, já está homologado na Anatel


Aparelho eletrônico da maior livraria do país será fornecido pela francesa Bookeen e produzido na China

Fotógrafo | Divulgação

Fotógrafo | Divulgação

Na última semana, a Saraiva convidou editores e jornalistas brasileiros para um evento na próxima terça-feira [5], na sua loja do Shopping Ibirapuera em São Paulo. O convite dizia apenas que se tratava de um “grande lançamento”, sem maiores detalhes. O mercado, como lhe é costumaz, vem especulando sobre o tema e os rumores são de que a maior rede livrarias do Brasil anunciaria a chegada de um e-reader próprio. Especulações à parte – afinal só na terça-feira as mentes do mercado terão sua criativa curiosidade satisfeita–, o fato é que a Saraiva realmente planeja o lançamento de dois modelos de e-readers dedicados próprios para breve, tanto que os mesmos foram homologados na Anatel no último dia 9/5, sob o Certificado de Homologação nº 4184-13-2101.

Com o nome de LEV, o e-reader da Saraiva será fornecido pela empresa francesa Bookeen e será produzido na China. Dois modelos serão lançados. Um mais simples, sem tela iluminada, que comercialmente será chamado apenas de LEV e cujo nome técnico é Bookeen Lev – CYBOY4S-SA. Já o segundo modelo, o LEV COM LUZ, com codinome técnico Bookeen Lev com Luz – CYBOY4F-AS, trará tela com luz frontal de LED. Ambos os modelos parecem ser uma versão turbinada do leitor eletrônico Cybook Odyssey HD FrontLight, comercializado pela Bookeen na Europa e EUA, e possuem o mesmo design de seu primo estrangeiro.

O LEV trará uma tela touch-screen de 6 polegadas e de alta resolução [758 x 1024], WiFi, monitor monocromático de 16 tons de cinza, porta de conexão Micro USB e slot para cartão MicroSD para expansão de até 32 GB. Seu sistema operacional será Linux e o Adobe Mobile Reader será o software para leitura. A diferença em relação ao Cybook Odyssey é que o LEV traz memória de armazenamento de 4 GB e bateria de 1800 mAh, enquanto o modelo atualmente comercializado pela Bookeen possui memória de 2 GB e bateria de 1600 mAh. O LEV poderá armazenar cerca de 4 mil livros e sua bateria terá semanas de duração. Como o próprio nome diz, trata-se de um aparelho leve, com apenas 190 gramas.

O LEV aceitará e-books nos formatos ePub, PDF, HTML, TXT e FB2, e aceita o DRM da Adobe, como não poderia deixar de ser, já que este é o padrão de proteção usado pela Saraiva nos livros eletrônicos que comercializa. O aparelho ainda trará um sistema de “reflow” de PDF, que pode rediagramar o fluxo do texto de arquivos neste formato, permitindo uma leitura mais linear do documento.

Ainda não há informações sobre quando o LEV estará disponível nas lojas Saraiva nem de quanto irá custar. O Cybook Odyssey HD FrontLight custa 119,99 euros na Europa, mas resta saber qual será o efeito dos altos impostos de importação no preço final do Brasil. Além disso, a Saraiva sempre terá a opção de adotar uma estratégia de preços diferenciada para o LEV e vender seus e-readers a preços mais convidativos.

No que se refere a impostos e preços, aliás, a gigante paulista da rua Henrique Schaumann parece estar disposta a utilizar os conhecimentos de sua notável linha de livros de direito para diminuir o preço do LEV país afora. Afinal, a empresa já entrou com pedidos de mandado de segurança na justiça de pelo menos dois estados brasileiros para vender o LEV sem recolhimento de ICMS. São eles o Rio Grande do Norte e Goiás. O argumento utilizado pelos advogados da Saraiva é que “o referido leitor é imune a impostos por fazer às vezes do papel em relação ao livro digital, entre outros aspectos”. Uma vez que o Congresso brasileiro parece pouco disposto a equiparar os aparelhos de leitura ao livro de papel e, assim, desonerá-lo, a estratégia da Saraiva faz todo o sentido.

LEV, o e-reader da Saraiva, já está homologado na AnatelPor Carlo Carrenho | PublishNews | 01/08/2014