Preços de eBooks no Brasil


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2013

Há alguns dias fiz uma pesquisa de preços para comprar um livro que me interessava. Queria ler The Financial Lives of the Poets, de Jess Walter. Sabia que havia uma tradução e resolvi verificar se leria o livro em inglês ou na tradução, e se havia disponibilidade dessa tradução em e-book, fosse no formato ePub ou Kindle.

Havia. A Benvirá, editora no Brasil, vendia [exclusivamente] na loja da sua matriz, a Saraiva,o livro em formato ePub. O preço de capa do livro impresso era R$ 39,90, adquirido na Saraiva saía por R$ 33,90 e o e-book… custava R$ 35,90! [Isso até o dia 22/07. No dia 23/07, o site apresentou uma mudança significativa: passou a vender os dois formatos pelo mesmo preço de R$ 35,90].

Ou seja, a Benvirá dava 15% de desconto para quem comprasse o livro na Saraiva, mas quem o adquirisse para ler no aplicativo da cadeia de livrarias ou em algum Kobo ou tablet, ganhava apenas 10%. A Saraiva, como se sabe, não vende nenhum e-reader próprio. Apenas disponibiliza aplicativo para quem quiser ler nos desktops ou em tablets.

À surpresa seguiu-se a perplexidade. Quem seria idiota o suficiente para comprar um e-book, depois de ter gasto no mínimo mais R$ 259,00 [Kobo mini] ou R$ 299,00 [o Kindle mais barato], para pagar mais caro que o livro impresso? Afinal, quem tem ou pensa em comprar um e-reader [ou um tablet, que é mais caro, mas é multiuso] sabe perfeitamente que a grande vantagem dos e-books está no preço, e que um leitor assíduo amortiza rapidamente o investimento com o que economiza no preço dos livros.

Eu não acompanho de perto a evolução dos preços de e-books no Brasil. Acompanhei o processo de chegada do Kobo e do Kindle, e as notícias sobre sua presença aqui, e a expectativa de que a evolução da participação de e-books no mercado tivesse evolução similar à que aconteceu em outros países. Diante da surpresa, resolvi fazer uma brevíssima pesquisa de preços. Nada científico nem sistemático. Simplesmente peguei alguns títulos de três editoras [Benvirá, Record e Companhia das Letras] para “sentir” como os preços se comportavam.

No site da Benvirá aparecem as indicações de preço [com os livros impressos referidos à loja virtual da Saraiva] e uma aba para o e-book. No site da Record, a indicação de que existe uma versão em e-book remete às lojas que a vendem, e no da Companhia das Letras aparecem os preços de capa e de e-books [oficiais], mas nem sempre está assinalado o preço do e-book.

Como se tratava apenas de uma “percepção”, procurei os preços dos e-books apenas na Amazon [Kindle] e na Kobo. Deixei de lado as demais lojas. Para ter uma referência sobre o preço praticado por cadeias de livrarias [se teriam ou não descontos], fui ver os preços no site da Livraria Cultura. Mais uma vez repito. Não pretendia destacar nem as editoras nem as livrarias. Só queria ver se o comportamento da Benvirá se repetia.

O resultado está abaixo:

 Nota: Os preços de A Vida Financeira dos Poetas no Kindle e no Kobo são das edições em inglês.

Nota: Os preços de A Vida Financeira dos Poetas no Kindle e no Kobo são das edições em inglês.

Efetivamente, pelos preços verificados, o braço editorial da Saraiva, a Benvirá, mostrou que pouco se importa com a venda de e-books. E que não usa todos os canais de venda disponíveis: nenhum de seus livros com edições eletrônicas estava disponível na loja Kindle ou na loja Kobo. Só podiam ser comprados na Saraiva.

O único livro com um desconto significativo na versão e-book foi o Deserto, do Luís Krausz, que pode ser adquirido com 50% de desconto. Nos demais, o desconto padrão era de 10% sobre o preço de capa oficial da edição impressa, e que às vezes resultava em um preço maior para o e-book vis-à-vis o preço do impresso ofertado pela Saraiva.

Nas outras editoras fica clara a existência de várias estratégias de precificação dos e-books. O livro mais conhecido da Lya Luft [Record], teve sua versão e-book ofertada com 69% de desconto no Kindle e 67% na Kobo. Já um livro em domínio público, com a tradução já paga e formato de bolso [Mansfield Park, da Jane Austen] teve apenas 5% de desconto na versão eletrônica. E assim por diante.

A grande interrogação que sobra disso, por enquanto, é sobre as intenções da Saraiva em relação aos livros eletrônicos. A empresa vende seus e-books apenas em suas lojas próprias. Não posso afirmar de modo absoluto, mas tudo indica que não vende através das outras livrarias eletrônicas. Também não dispõe de um e-reader, apenas do aplicativo. Seus livros, portanto, só podem ser lidos nos e-readers dos demais [exceto no Kindle]. E a precificação é o que vimos.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2013

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Leitor digital Kobo Glo cumpre seu papel com muito estilo e tela iluminada


Kobo Glo é vendido no Brasil pela Livraria Cultura por R$ 450; e-reader tem sistema de iluminação

Kobo Glo é vendido no Brasil pela Livraria Cultura por R$ 450; e-reader tem sistema de iluminação

O leitor digital Kobo Glo é uma gracinha, como diria a apresentadora. Com tela sensível ao toque de 6 polegadas e 1 centímetro de espessura, ele se encaixa bem até nas menores mãos adultas, oferecendo conforto na hora da leitura. De quebra, está disponível em quatro opções de cores na parte traseira – incluindo aí um pink nada discreto. Mas não se trata apenas de um corpinho bonito: o leitor oferece conteúdo, e muito. Pode armazenar até 1.000 livros em seus 2 GB ou 30 mil títulos, caso seja inserido um cartão de memória com 32 GB.

O modelo Kobo Glo é o mais caro de sua família: custa R$ 450 no Brasil. Como top de linha, é o único Kobo com um sistema de iluminação de tela que permite ler mesmo no escuro. Seus irmãos também vendidos pela Livraria Cultura são o Kobo Touch [R$ 400], com a principal diferença de não ter luz, e o diminuto Kobo Mini [R$ 290], que fica devendo também expansão de memória.

Esses e-readers usam em sua tela a tecnologia e-ink, que muitos já conhecem do concorrente Kindle. A tecnologia faz com que a tela do eletrônico imite muito bem uma folha papel , eliminando todo tipo de reflexo.

O sistema de iluminação, que num primeiro contato pode parecer uma frescura, é muito bem-vindo [dá até para controlar a intensidade do brilho]. Até então, só era possível “acender” a tela nos e-books visualizados em tablets ou no leitor Kindle Paperwhite [ainda não vendido oficialmente pela Amazon no Brasil].

Livraria

O Kobo é abastecido no Brasil pela loja virtual da Livraria Cultura, que promete um total de 1 milhão de livros digitais, sendo 13 mil em português e 12 mil gratuitos [os preços dos mais vendidos se assemelham aos valores praticados pela Amazon].

Assim como acontece com o Kindle, o usuário do Kobo pode ler um mesmo livro no leitor eletrônico, no smartphone, no tablet ou no computador – para isso, basta baixar um aplicativo gratuito.

O usuário também tem a possibilidade de transferir para o e-reader arquivos que não são da Livraria Cultura – o eletrônico é compatível com diversos formatos, inclusive PDF. Mas esses casos exigem um pouco mais de trabalho para levar o conteúdo até o e-reader: será necessário conectar o gadget ao computador e usar o software Adobe Digital Editions para fazer a transferência.

Se você se atrapalhar nesse ou em outros processos, pode sempre contar com uma central de ajuda via telefone ou e-mail, sendo que esta última alternativa promete respostas em até 24 horas [o prazo foi cumprido com antecedência no teste da reportagem].

Usabilidade

Apesar de ter um objetivo simples – funcionar como plataforma de livros digitais –, o Kobo não é o eletrônico mais fácil de usar. Para entender e se habituar aos seus comandos, o usuário deve recorrer ao manual: sem essa ajuda, a brincadeira de tentativa e erro chega a ser irritante.

O mais fácil é virar as páginas para frente ou para trás, apenas com um toque ou deslizando o dedo. Mas a reportagem apanhou um pouco – até recorrer ao manual – para entender que tipo de comando levava ao menu que permite, por exemplo, selecionar o tamanho das letras e exibir no Facebook o livro que você está lendo [essa ponte com a rede social, bastante engessada, não permite que o usuário vá muito além de mostrar o título e fazer um comentário].

Também é possível escolher o tipo de fonte, o espaçamento entre as linhas, a justificação, grifar e separar trechos do livro, recorrer ao dicionário disponível em diversas línguas, fazer buscas e usar um teclado virtual para anotações. A tela sensível ao toque, que só exibe conteúdo preto e branco, responde bem aos comandos.

Agora uma notícia boa, uma ruim. A boa é que, segundo o fabricante, a bateria dura até um mês. A ruim, que o aparelho vem apenas com cabo USB para ser carregado via computador, e não na tomada [sua entrada é Micro USB]. Na página de acessórios do leitor, é possível comprar o carregador de tomada [R$ 65] e o carregador automotivo [R$ 45].

Ele também não tem tecnologia 3G e, por isso, o usuário precisa estar sempre conectado a uma rede Wi-Fi ou a um computador com acesso à internet para poder transferir conteúdo ao e-reader.

Organização

O Kobo tem um sistema que facilita a vida do usuário, na hora de organizar sua biblioteca virtual. Ele oferece, por exemplo, um sistema de prateleiras com o qual é possível criar grupos de livros similares [“suspense”, “romance”, “biografias”, “inacabados” etc].

Ainda mais além vai a ferramenta “reading life”, que exibe estatísticas de leitura: quantas horas foram lidas e quantas páginas viradas do conteúdo em andamento. Em relação aos livros já terminados, dá para saber qual o total de títulos, quantas horas de leitura e qual a porcentagem da sua biblioteca já foi concluída.

Há também prêmios, que o usuário ganha a cada ação. O selo “era uma vez” é dado quando se começar a ler um título novo, o “hora do rush” vem quando se lê no mesmo horário em cinco dias diferentes e o “não é um livro aberto” aparece quando uma leitura é concluída. Não é mesmo uma gracinha?

  • KOBO GLO

    KOBO GLO

    Preço sugerido: R$ 450

  • Tela: 6 polegadas [sensível ao toque; tecnologia e-ink; sistema de iluminação para ler no escuro]
  • Dimensões: 11,4 x 15,7 x 1 cm
  • Peso: 185 gramas
  • Processador: 1 GHz
  • Armazenamento: 2 GB [expansível para até 32 GB]
  • Conexão: Wi-Fi e porta Micro USB
  • Bateria: Até um mês
  • Arquivos compatíveis: Epub, PDF, Mobi, JPEG, GIF, PNG, TIFF, TXT, HTML, XHTML, RTF, CBZ e CBR
  • Pontos positivos: Confortável, bonito, tela imita papel, iluminação própria, bom sistema de organização de conteúdo, compatível com diversos formatos de arquivo.

Pontos negativos: Primeiro contato não é intuitivo, não tem carregador para tomada, não tem 3G, integração com Facebook é limitada.

Por Juliana Carpanez | Publicado originalmente e clipado à partir de UOL, em São Paulo | 05/02/2013, às 10h28

Kobo lança Touch por R$ 399


E-reader foi lançado hoje na Livraria Cultura

A Kobo chegou. Não é notícia nova, mas, após tantas semanas de antecipação, e tanto debate sobre os grandes players internacionais no Brasil, é bom finalmente poder de fato comprar o tão falado e-reader. E para ter um na mão, mais especificamente um Kobo Touch, que entra em pré-venda hoje a meia-noite no site da Livraria Cultura, o leitor vai ter que desembolsar R$ 399, um preço um pouco salgado se comparado aos 100 dólares que ele custa em média nos Estados Unidos. A partir de amanhã, 12 mil títulos em português estarão disponíveis para compra no site da livraria. O e-reader começa a ser distribuído dia 5 de dezembro, tem capacidade de armazenamento de até mil livros e um ano de garantia.

Do ponto de vista orçamentário, sem levar em conta as facilidades e problemas de se ter um e-book, se fizermos o cálculo, com um preço médio de 35 reais por livro, e uma diferença de preço média de 25% em relação ao preço do livro físico [segundo Pedro Herz, o preço do e-book é entre 20 a 30% menor que o do livro físico], o preço do aparelho será compensado após a compra de 46 e-books. O que não é nada absurdo, mas que para a maioria das pessoas leva mais de um ou dois anos.

No lançamento oficial, Todd Humphrey, vice-presidente da empresa canadense, falou que, mesmo estando abertos a outros parceiros, como o são em outros países, a Livraria Cultura é a parceira-chave de longo prazo da Kobo no Brasil e que, do ponto de vista de livrarias concorrentes, o acordo é exclusivo [ou seja, não deverão entrar em parcerias com os competidores da Livraria Cultura]. O fantasma da Amazon estava no recinto, mas Todd foi sucinto e confiante: “Com a união da Kobo, Cultura e Rakuten, vai ter pouca chance para a Amazon aqui”, brincou o VP. E Sergio Herz complementou: “Não vai ser uma competição de igual pra igual, e sim de melhor para pior, a Kobo sendo, claro, a melhor”.

O plano para 2013 é lançar, logo no primeiro trimestre, o Kobo Glo, Kobo Mini e o tablet Kobo Arc – este último possibilitará a leitura de revistas e jornais. Mas os três executivos destacaram que a conversão para Epub, formato digital dos e-books que serão vendidos pela Cultura, é um movimento que deve ser feito pelas editoras. Todd Humphrey nos contou que o trabalho da Kobo no Brasil tem dois aspectos: um é a parceria com a Livraria Cultura, e o outro é o trabalho com as editoras para promover a conversão dos arquivos em Epub. Quando perguntado sobre como se sente sendo o primeiro a chegar no Brasil, Todd não poupa entusiasmo: “It feels greeeaaat!” [ou “muuuito bom!“].

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 26/11/2012

Livraria Cultura lança leitor eletrônico Kobo Touch no Brasil por R$ 399


A Livraria Cultura anunciou nesta segunda [26] que venderá por R$ 399 o leitor de livros digitais Kobo Touch, trazido ao país em parceria com a fabricante do aparelho.

Consumidores que adquirirem o e-reader por meio da pré-venda, que começa nesta terça-feira [27], à 0h, por meio do site da livraria, receberão o aparelho no próximo dia 5 – quando o Kobo também chegará às lojas físicas da empresa.

Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil | Yoshikazu Tsuno - 2.jul.12/France Presse

Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil | Yoshikazu Tsuno – 2.jul.12/France Presse

Segundo a companhia, 12 mil títulos em português estarão disponíveis para aquisição e download para o dispositivo, entre os cerca de 1 milhão em outras línguas.

O aparelho tem memória interna de 2 Gbytes –expansíveis por meio de cartão SD – e suporta os formatos PDF, Mobi e ePub, além de imagens, textos em TXT, HTML e RTF e quadrinhos em CBZ ou CBR.

AMAZON

A Amazon, gigante norte-americana que fabrica os leitores Kindle, foi mencionada algumas vezes durante o evento de lançamento para a imprensa.

“Nós competimos com a Amazon globalmente, em vários países do mundo”, disse Todd Humphrey, vice-presidente executivo de desenvolvimento de negócios da Kobo.

A estratégia da Kobo é ter um parceiro forte em cada país, afirmou Humprhey. No Brasil, é a Livraria Cultura.

Sergio Herz, executivo-chefe da Livraria Cultura, reforçou o conceito de “read freely” [leia de maneira livre], que permite a leitura em aparelhos Kobo de livros comprados em outros dispositivos e plataformas. “E o livro é seu, você pode copiá-lo para outros aparelhos”, acrescentou, numa crítica implícita à Amazon, que tem uma política mais fechada –títulos comprados na loja virutal para o Kindle costumam ser compatíveis apenas com o próprio Kindle.

FUTUROS LANÇAMENTOS

Sobre a disponibilização de periódicos, Pedro Herz, presidente do conselho de administração da Livraria Cultura, disse: “Cabe aos jornais e revistas, não a nós, tomar a iniciativa de disponibilizar seus produtos em formatos eletrônicos“.

Sergo Herz revelou que a Cultura pretende lançar o tablet Kobo Arc, que diz ser mais adequado para a leitura de periódicos, no primeiro trimestre do ano que vem.

No mesmo período, devem ser lançados também o Kobo Mini, modelo de e-reader mais compacto, e o Kobo Glo, leitor com iluminação embutida.

Ainda não há previsão de data e preço para o Arc, o Mini ou o Glo.

POR EMERSON KIMURA, DE SÃO PAULO | COLABORAÇÃO PARA A Folha de S.Paulo | 26/11/2012, às 15h02

Leitura digital brasileira


Família E-readers da Kobo | Kobos: Mini, Glo, Touch e Arc

Família E-readers da Kobo | Kobos: Mini, Glo, Touch e Arc

O livro eletrônico ainda engatinha no Brasil, onde há poucas opções de e-readers e a quantidade de títulos em português é limitada. A chegada do Kindle e da Amazon ao Brasil em dezembro deve acabar com o marasmo. Nesse contexto, a Livraria Cultura se mexe para marcar posição, lançando o e-reader Kobo.

Fabricado por uma empresa canadense, o Kobo é visto nos Estados Unidos como o leitor das livrarias independentes, quase um gadget de resistência contra o trator amazoniano. No Brasil, ele chega aliado a uma livraria com 16 lojas pelo Brasil e 65 anos de mercado nacional.

Os quatro modelos do Kobo serão lançados aqui e poderão ser comprados no site e em lojas físicas da Cultura. O primeiro a chegar é o Touch. Depois vem o Glo, o Arc e o Mini. A Cultura ainda não tem as datas de lançamento nem os preços. Nos EUA, custam entre US$ 99 e US$ 199.

O teste do Link foi feito no modelo Glo, que tem configurações bem parecidas com o Touch, o primeiro a sair no Brasil. Pesa apenas 185 gramas, tem 114 milímetros de largura, 157 mm de altura e 10 mm de espessura. Seu processador tem 1 GHz e o aparelho tem 2 GB de armazenamento, expansível para 32 GB com um cartão MicroSD, suficiente para guardar até 30 mil livros.

O Kobo Glo tem uma textura de tela agradável para a leitura. É opaca e tem o contraste acentuado de uma impressão de boa qualidade. Para ambientes escuros, a tela tem iluminação própria.

Há várias opções de fonte, tamanho e espaçamento para os textos. Virar páginas é simples, basta deslizar o dedo sobre a tela. Fazer aparecer os comandos de configurações é menos intuitivo. Nas primeiras vezes, perdi um certo tempo até conseguir.

A maior chatice do Kobo Glo é a falta de resposta da tela em muitas ocasiões. Na hora de escrever, por exemplo, é comum ter de bater mais de uma vez em uma tecla na tela em busca de uma resposta. Depois de um tempo sem uso, ele chegou a “congelar” algumas vezes. Tive de usar o botão de ligar/desligar para reativar o aparelho.

O catálogo à disposição é vasto. São três milhões de títulos da Kobo, sendo 15 mil em português, mais 320 mil títulos do acervo eletrônico da Livraria Cultura. Os preços dos importados consultados eram mais caros que no sistema Kindle/Amazon [o último livro de Tom Wolfe, Back To Blood, por exemplo, era quase US$ 15 mais barato na Amazon]. Aliás, a checagem de preço via mecanismo de busca do Kobo é um processo aborrecido. É preciso preencher dados de endereço toda vez para se chegar no valor.

O Kobo aceita vários formatos de ebook, mas “prefere” o ePUB, pois através dele recursos como integração com o Facebook são possíveis. Uma vez que um título é baixado, ele pode ser lido em outras plataformas do usuário [PC, iPhone]. Para isso basta apenas ter o aplicativo Kobo.

Kobo Glo
Preço Não divulgado
Armazenamento 2 GB, expansível para 32 GB com cartão MicroSD [equivalente a cerca de 30 mil livros eletrônicos]
Processador 1 GHz
Peso 185 gramas
Tela 6 polegadas
Conectividade Wi-Fi e Micro USB
Duração da bateria 1 mês, considerando 30 minutos de leitura por dia

Por Camilo Rocha | Publicado originalmente no BLOG HOMEM-OBJETO | LINK do Estadão | 18 de novembro de 2012, às 17h59

PublishNews entrevista CEO da Kobo


Acreditamos que será uma transformação para os próximos 25 anos”, conta Michael Serbinis

Michael Serbinis | Foto Divulgação

Michael Serbinis | Foto Divulgação

Na Feira de Frankfurt, o CEO da Kobo, Michael Serbinis, deu uma entrevista exclusiva ao PublishNews Brazil. Ele falou sobre como é ser uma start-up global, sobre a parceria com a Livraria Cultura, os aparelhos da Kobo e os planos futuros da empresa para plataformas de autopublicação. A Kobo quer, por exemplo, integrar no futuro o Writing Life, sua plataforma de autopublicação, a serviços de impressão sob demanda, permitindo que os autores tenham versões impressas de seu trabalho. Michael também falou sobre a importância de investir em boas parcerias quando a empresa não tem recursos inesgotáveis.

PublishNews Brazil | Como está sendo o processo de lançamento no Brasil?

Michael Serbinis | É muito mais fácil hoje do que era há 3 anos, quando éramos uma empresa nova, porque agora já fizemos isso algumas vezes. Realmente, criamos um modelo com a WH Smith, a FNAC, a Mondadori na Itália, indo de Portugal ao Japão. Mas ainda é uma decisão importante. As livrarias estão em processo de transição e isso é uma longa transformação. Depois da falência da Borders nos EUA, muitas pessoas pensaram: “A transformação digital vai nos destruir”. Não é o caso. Trabalhamos duro na formulação dos nossos acordos de parcerias e na maneira como nos organizamos, para ter certeza de que será uma situação onde as duas partes ganham.

PNB | Vocês tiveram que se adaptar em cada país?

MS | O que sempre acontece é que nós falamos como fizemos as coisas em outros 15 países, e as livrarias dizem que querem fazer de forma diferente. Então, discutimos um pouco no começo, mas no final quase sempre terminamos com o mesmo padrão usado nos outros países. Não é complicado, nós só comparamos nossas forças. Veja, eu acredito, como cliente de livrarias, que uma das melhores coisas que elas podem fazer é criar uma experiência que as pessoas queiram ter. Não vou a livrarias só porque quero comprar um livro. Vou lá porque gosto da experiência, e levo meus filhos também. Então comparar a força delas à nossa é algo muito importante.

PNB | Por que o Brasil é uma prioridade para a Kobo?

MS | Começamos esta empresa querendo ser a número um no mundo. É uma longa transformação, e se eu não fizer mais nada na minha vida, isso terá sido suficiente. Então, para ser o número um no mundo, é preciso ser o número um em alguns países importantes. Quando a empresa começou, tínhamos uma parceira nos EUA, mas infelizmente a Borders, por muitas outras razões, faliu.

Então quais são os países onde podemos construir uma massa crítica? Japão, Reino Unido, alguns países europeus. E acreditamos que o Brasil está na lista dos top dez. A Rakuten também acredita que o Brasil é central – eles compraram a Ikeda. Então o Brasil é importante, e é importante começar agora. Porque também sabemos que ser uma empresa pequena tem suas vantagens – não temos a maior conta bancária, mas somos os mais rápidos.

PNB | Qual é a vantagem de ser a primeira a chegar ao Brasil?

MS | Ser o primeiro em um mercado é importante se você tiver conteúdo, se tiver um ecossistema completo. Sem isso, é irrelevante. Ser o primeiro com a experiência completa é algo que estamos tentando fazer sempre. Certamente, vamos fazer isso no Brasil. Acertar os métodos de pagamento é quase tão importante quanto ter o conteúdo correto. Isso é difícil porque bancos e seus sistemas de pagamentos não são tão ágeis.

PNB | Por que escolheram a Livraria Cultura como parceira no Brasil?

MS | Essa decisão tem a ver com quais livrarias achamos que estão comprometidas e conseguem criar uma excelente experiência. O que concluímos é que, no período que queríamos inaugurar, a Livraria Cultura tinha todo o compromisso e pode criar uma boa experiência; não só no Brasil, ela também pode ser um exemplo para outros países. Estamos muito animados com eles.

PNB | Como veem o futuro desta parceria com a Cultura?

MS | Você sabe como funciona nosso modelo no Reino Unido, com a WH Smith, mas também com a British Booksellers Association. Estamos juntos nessa para ganhar no mercado, é como pensamos. No Reino Unido, certamente ter 1.100 lojas da WH Smith é algo muito valioso. Mas ter outras mil lojas de diferentes redes, com a exceção das duzentas lojas da Waterstones, é algo valioso não só para nós, como também para a própria WH Smith. Achamos que podemos fazer, provavelmente, a mesma coisa no Brasil com o tempo.

PNB | Como você acha que os brasileiros vão reagir aos aparelhos Kobo, especialmente os e-readers dedicados?

MS | Os e-readers dedicados que foram lançados no mercado brasileiro ou são muito caros, ou não são muito bons. Ouvi isso no Japão antes. As pessoas diziam: “Bom, você sabe, o mercado japonês, com toda sua tecnologia, vai ser da Sony e da Panasonic, tem mais a ver com tablets coloridos, aparelhos multiuso.” Mas não estamos vendo isso. Estamos vendo, essencialmente, que entre os leitores no mundo inteiro, há os que leem muito, e estes preferem e-ink. E é duro ganhar do o e-ink em termos de vida de bateria, portabilidade, durabilidade e como ele é leve quando se está lendo na cama.

No entanto, acredito que cor é imprescindível no longo prazo. As livrarias não vendem mais livros em preto e branco. Na maioria das livrarias, cerca de 20% das vendas são de livros infantis, às vezes até 25% ou 30%. E qual a porcentagem de HQs, livros de gastronomia e revistas? Então, para criar uma grande experiência para o conteúdo colorido, sentimos que precisávamos ter nosso próprio aparelho colorido. Então desenvolvemos o Kobo Arc, que estará chegando nas lojas em novembro. E, ao contrário de alguns dos nossos concorrentes, não paramos de desenvolver apps para outros aparelhos. Escolha uma empresa e veja quando foi a última vez que lançaram algo. Nós atualizamos todo mês, construímos a experiência HTML5 para tablets, continuamos a desenvolver apps para android, diversos idiomas, temos suporte para conteúdo de layout fixo. E em relação aos aparelhos, achamos que há espaço para os dois.

PNB | Toda a família Kobo estará disponível no Brasil?

MS | Essa é a nossa intenção. Trabalhamos com todos os parceiros para criar a estratégia mais adequada para eles. Por exemplo, acabamos de entrar na Itália com a Mondadori, e eles estão levando toda a linha. Lançamos no Japão somente com o Touch, estamos trabalhando para introduzir outros aparelhos ali.

É realmente caro ser uma jovem start-up global, mas descobrimos uma forma de fazer a coisa funcionar e ser global desde o começo. Portanto, quando anunciamos novos aparelhos, geralmente estamos prontos para enviá-los em até 4 semanas a todos os lugares onde fazemos negócios. Estamos prontos, então é questão de decidir, junto com nossos parceiros, quando é o momento certo de introduzi-los no mercado.

PNB | O governo brasileiro acabou de comprar 600 mil tablets. O que você pensa das compras governamentais de aparelhos, especialmente para crianças e estudantes?

MS | Honestamente, achamos que isso é muito importante. Uma coisa que realmente tem sido uma mudança é que, até agora, a maioria do mercado foi de consumidores através do varejo. E isso está mudando. Uma coisa que tem nos animado muito é a possibilidade de alcançar crianças e escolas, e isso é algo totalmente diferente. Por exemplo, o governo turco está estudando comprar 18 milhões de tablets. Uau! Isso muda completamente qualquer empresa que conseguir uma relação dessa, pode até quebrá-la.

Nosso novo lançamento de aparelhos inclui o Kobo Mini, por algumas razões. Uma delas é o preço, que é importante para o consumidor, para pessoas que são mais preocupadas com o custo e para pessoas mais ativas – elas precisam de algo que caiba no bolso. Mas a outra razão são as crianças. Tenho 3 filhas: estão agora começando a ler livros. Elas têm acesso a iPads em nossa casa, mas não leem neles, só assistem a filmes e ao Youtube. O Kobo Mini cabe nas mãos da minha filha, ela pode segurar com facilidade. E quando você vê a experiência de uma jovem menina segurando seu Kobo Mini e virando as páginas, lendo alguns capítulos antes de dormir, parece a coisa mais natural do mundo.

PNB | Então se os e-readers forem isentos de impostos no Brasil, será ótimo para a Kobo.

MS | Uma das coisas que precisamos enfrentar em todo o mundo são as diferentes regras de alfândega e impostos. Acreditamos que tratar um e-reader como um tablet de 500 dólares não faz sentido, enquanto que tratá-lo mais como um livro, acreditamos, é uma boa solução.

PNB | E o Writing Life, a plataforma de autopublicação da Kobo? Há planos para levá-la ao Brasil?

MS | Acabamos de anunciar o Writing Life em outras línguas. Do jeito que está agora, autores de 80 países, de 20 ou 30 idiomas diferentes, colocam seus livros na Kobo. Então, vamos tornar a plataforma disponível em novos idiomas como francês, espanhol, alemão, português e holandês, e vamos continuar a desenvolvê-lo. Mas, pensando na evolução de uma parceria em um país, tudo começa com o lançamento. É algo difícil, mas na verdade é a parte mais fácil. A prioridade é aprender juntos como construir o mercado – porque é o que estamos realmente fazendo; estamos descobrindo como construir o mercado. Então, quando passamos esse primeiro ano, começamos a falar sobre autopublicação. Agora, todos nossos parceiros europeus estão esperando pelo Writing Life e pelo seu papel em nossa parceria na autopublicação. Por exemplo, eles poderiam oferecer versões impressas destes livros, podendo o escritor ter ou não uma editora, ou podemos fazê-lo através de parcerias de impressão sob demanda.

PNB | Estão pensando em imprimir também?

MS | Certamente. Acabamos de anunciar a aquisição da empresa francesa Aquafadas, que possui uma plataforma de publicação digital para revistas em quadrinhos, livros infantis, etc. Então eles possuem as ferramentas para montar um arquivo ePub, um formato especial ou uma app. A editora pode então começar a distribuir, seja pela Kobo ou alguma outra empresa. Deixaremos as ferramentas da Aquafadas disponíveis para as editoras, mas vamos conectá-las também ao Writing Life. As ferramentas que estarão disponíveis para o Writing Life serão então “superturbinadas”. Também estamos estudando soluções de impressão sob demanda e outros tipos de serviços de publicação.

Acho que o mais interessante é ver como isso vai funcionar com, digamos, a Cultura, apresentando autores independentes ou autopublicados em uma parte especial da loja, criando eventos com estes autores, etc. Não é uma coisa puramente digital, ela se liga à experiência da livraria.

PNB | Mas existe uma data de início do Writing Life no Brasil?

MS | Sei que a Livraria Cultura está muito animada, mas por agora o foco é no lançamento, então só podemos pensar nisso em 2013, não antes.

PNB | Você mencionou o trabalho com conversão, vocês vão oferecer conversão às editoras brasileiras também?

MS | Vamos. No geral, gostamos de entrar em um mercado e ver que os arquivos ePub já estão saindo das editoras, mas nem sempre é o caso. E alguns mercados são muito complicados – o Japão seria o exemplo mais complicado. Lideramos o mercado de conversão ao ePub lá, pois mais ninguém no mercado estava passando para o ePub. Então financiamos, ou co-financiamos com editoras, a conversão de conteúdo. É caro – já está mais barato, com certeza, mas é custoso se você se preocupa com a qualidade. Muitas empresas vão dizer que possuem serviços de conversão de baixo custo, principalmente de mercados emergentes, mas somos nós que recebemos as ligações de clientes dizendo: “Comprei este livro de vocês e está tudo de cabeça para baixo.” As editoras não ouvem as reclamações. Nós nos preocupamos com a qualidade e por isso não é um processo barato.

PNB | Mas vocês vão cobrar por esta conversão? Quanto?

MS | Vamos. E o preço vai depender. Vamos trabalhar com editoras e livrarias para encontrar um bom preço. Como disse, não somos uma empresa com orçamentos ilimitados e olhamos para todo país pensando “como podemos vencer neste país”? Não temos um modelo único para todos os lugares.

PNB | Este é o diferencial da Kobo?

MS | O que muitas pessoas não sabem sobre nós é que estamos aperfeiçoando este modelo local há 3 anos. A parceria não é um contrato, são 500 pessoas na Kobo que sabem como trabalhar com estes parceiros, não só com livrarias. Eles sabem como fazer merchandise, preço, como treinar, como vender aparelhos, etc. Algumas empresas falam em “acrescentar um novo país” quando estão na verdade somente acrescentando um novo idioma. Se fosse só isso, estaríamos em uns cem países agora. Acreditamos que é uma transformação de uns 25 anos, e que o prêmio é grande o suficiente para justificar o investimento.

Por Carlo Carrenho e Iona Stevens | PublishNews | 25/10/2012

Kobo inicia vendas na Itália


Dando continuidade ao seu plano de expansão mundial, a Kobo inaugurou hoje sua parceria com a livraria italiana Mondadori, com o início das vendas dos eReaders Kobo Mini [79 euros], Kobo Touch [99 euros] e Kobo Glo [129 euros].

Para quem não conhece, a Mondadori está para a Itália assim como a Saraiva está para o Brasil – é a maior rede de livrarias físicas do país e uma das maiores lojas online da Itália.

Segundo relatos recentes, o mercado de eBooks na Itália está experimentando alguma aceleração – dizem que os eBooks já correspondem a cerca de 4% das vendas.

Por Eduardo Melo | Clipado de Revolução eBook | 02/10/2012