Kindle Fire, da Amazon, merece sucesso, mas precisa ser refinado


Se você acha que o ritmo do progresso tecnológico já anda rápido demais, evite olhar para os leitores eletrônicos ou poderá sofrer um choque.

Os fabricantes de leitores eletrônicos estão repentinamente inundando o mercado com novos modelos, todos ao mesmo tempo. Dá quase para pensar que estamos chegando a alguma grande temporada de compras.

A maior manchete entre os leitores eletrônicos cabe sem dúvida ao novo tablet colorido e equipado com tela de toque da Amazon, o Kindle Fire. [Um trocadilho com “kindle” – alumiar – e “fire” – fogo -, percebe?] Na verdade, a grande notícia não é o aparelho, mas sim seu preço de US$ 200. Como os demais tablets custam por volta de US$ 500, um modelo vendido por US$ 200 é realmente importante. Voltaremos ao assunto em breve.

A Amazon lançou um total de três novos modelos de Kindle. Os dois mais baratos certamente atrairão menos atenção, devido à fumaça do Fire, mas é uma lástima, pois são realmente espetaculares.

KDa esquerda para a direita, os aparelhos Kindle Fire, Kindle Touch e Kindle, da Amazon

E INK

O Kindle padrão, chamado simplesmente Kindle, tem uma versão melhorada da tela E Ink padrão de seis polegadas, que mostra texto nítido, preto, e imagens em tons de cinza sobre um fundo cinza claro. O clarão irritante de branco-preto-branco que surge quando se vira uma página de tela E Ink agora só acontece a cada seis páginas. A tela está se tornando espantosamente semelhante ao papel. E, como o papel, ela não brilha; para ler com um Kindle, você precisa de luzes.

O novo Kindle é pequeno a ponto de caber no bolso da calça. Mas, de novo, a verdadeira notícia sobre ele é o preço: US$ 80.

Você faz ideia de como esse número espanta? O primeiro Kindle, lançado em novembro de 2007, custava US$ 400. O novo modelo pesa 40% menos, ocupa um terço menos de espaço e armazena sete vezes mais livros – e por 20% do preço original.

Se as coisas continuarem assim, dentro de um ano, a Amazon vai nos pagar para ler com o Kindle.

Há alguns benefícios adicionais que elevam um pouco o preço. Por exemplo, o modelo de US$ 80 exibe publicidade. Não durante a leitura –apenas na tela de “repouso” e em uma faixa na porção inferior da tela de menu. A maior parte dos anúncios oferece descontos, o que os torna bem mais palatáveis. Mas o mesmo Kindle está disponível sem publicidade ao preço de US$ 110.

O segundo modelo novo, o Kindle Touch, é quase idêntico -mas, no lugar de navegar usando um controle direcional mecânico, você usa uma tela de toque. O sistema funciona com perfeição. O modelo está disponível com anúncios por US$ 100 e sem eles a US$ 140.

Todos eles são conectáveis a redes Wi-Fi – para baixar novos livros, por exemplo. Mas o Touch também oferece conexão 3G, onde quer que você esteja. [O modelo 3G custa US$ 150 com anúncios e US$ 190 sem.] O acesso à internet é gratuito.

Kindle Fire, tablet da Amazon, é exibiado em coletiva de imprensa em Nova York | Photo Emmanuel Dunand, France-Presse

FIRE

Bem, quanto ao Kindle Fire.

É um objeto espesso, preto e reluzente, com tela de sete polegadas. Opera com o Android, software do Google que aciona diversos celulares e tablets de outras empresas, mas isso é imperceptível, porque a Amazon alterou o design do Google a ponto de quase soterrá-lo.

A página inicial é colorida e exibe uma estante de madeira. O conteúdo que essa tela oferece é acessado por meio de pequenos cartazes que mostram livros, discos, programas de TV, filmes, documentos em PDF, aplicativos e páginas de preferências na internet. Na prateleira inferior da estante, você pode colocar os ícones que usa com mais frequência.

Mas, se você sentir um sobressalto e exclamar que “é como um iPad – e por US$ 200!”, estará fazendo uma comparação perigosa.

Para começar, o Fire não é nem de longe tão versátil quanto um verdadeiro tablet. Seu design serve para consumir conteúdo, especialmente conteúdo comprado da Amazon, a exemplo de livros, jornais e música. Ele não conta com câmera, microfone, função GPS, entrada para cartão de memória ou conexão Bluetooth. O programa de e-mail é funcional, mas o aparelho não oferece agenda ou bloco de anotações.

O mais problemático é que o Fire não funciona com a elegância e a velocidade do iPad. O preço de US$ 200 se faz sentir a cada vez que você move os dedos na tela. As animações são lentas e instáveis – mesmo as viradas de páginas que, seria de imaginar, a equipe de designers do Fire está acostumada a simular. Os toques na tela ocasionalmente não são registrados. Não existem ícones de espera ou de progresso de tarefa, e por isso você muitas vezes fica sem saber se a máquina registrou sua instrução. O timing das animações não foi calculado corretamente, o que deixa tudo meio irascível.

As revistas deveriam ser uma das melhores experiências do novo aparelho. A maioria oferece duas formas de ver páginas. O modo Page View mostra o layout original da revista – mas pequeno demais para que você possa ler, porque o zoom é limitado. O modo Text View oferece apenas texto sobre um fundo branco. É ótimo para leitura, mas você perde o design e o layout, que são metade da alegria na leitura de uma revista. E o Text View às vezes come palavras, legendas de fotos e quadrinhos, etc.

Livros infantis, para os quais a cor é importante, nunca funcionaram bem nos tablets com tela E Ink, e por isso fazem com o Fire sua primeira aparição na família Kindle. A contribuição da Amazon para isso é que tocar a tela permite ampliar um bloco de texto para leitura –uma escolha peculiar, porque livros infantis já tendem a ter letras grandes.

O sistema de vídeo funciona bem, mas filmes e programas de TV não se enquadram nas proporções da tela e não é possível usar zoom para remover as faixas pretas nas laterais da tela. Reflexos também são problema, nessa tela de alto polimento.
O navegador de internet incluído supostamente acelera o download de páginas ao transferir parte da tarefa a servidores da Amazon. Além disso, se você visitar, por exemplo, a home page do “New York Times”, a Amazon tenta adivinhar que link você procura com base na popularidade dos links, e encaminha certas porções de página automaticamente ao Kindle, o que pode tornar o processo ainda mais rápido.

Na prática, a vantagem não é perceptível: o site do “New York Times” demora dez segundos para ser carregado; o do eBay, 17 segundos; e o da Amazon, oito segundos. No caso do iPad, a demora é 50% menor. Por outro lado, o Fire pode executar vídeos em Flash [ainda que aos trancos], o que o iPad não faz.

Aplicativos criados para tablets equipados com o Android precisam de adaptação para funcionar no Fire. Os essenciais já estão disponíveis – Angry Birds, Netflix, rádio Pandora, Facebook, Twitter, Hulu Plus -, e a Amazon promete milhares de outros.

Mistura de Kindle e iPad, o Fire merece ser uma força gigantesca e perturbadora, mas precisa ser refinado | Stuart Goldenberg/The New York Times

ESCOLHA

A escolha de um leitor eletrônico é decisão importante. Os livros eletrônicos de cada empresa são distribuídos em formatos fechados, e o comprador não pode vendê-los ou doá-los. Assim, se você escolher um Kindle em vez de um Nook, da Barnes & Nobles, mudar de ideia pode custar caro.

O argumento em favor da Amazon é que ela domina o mercado. Conta com lojas on-line de música e filmes. E 11 mil bibliotecas públicas nos Estados Unidos emprestam livros para o Kindle.

Tudo o que for comprado ficará armazenado em um arquivo pessoal on-line pela Amazon, e por isso você conta com backup permanente e pode acessá-lo com qualquer outro aparelho da Amazon. Se você estiver assistindo a um filme com o Fire, seu Roku ou TiVo caseiro saberão em que ponto você parou e permitirão que retome a partir dele.

O pacote Amazon Prime, que custa US$ 80 ao ano, oferece transmissão ilimitada de 13 mil filmes e programas de TV, entrega gratuita de produtos em dois dias para suas compras na Amazon e um livro grátis para empréstimo no Kindle a cada mês [mas de um acervo bastante limitado].

A Barnes & Noble, por outro lado, oferece a conveniência de assistência técnica pessoal em sua rede de 700 lojas. E também prepara um tablet baseado no Android, que resenharei assim que for lançado.

Caso a leitura seja seu interesse primário em um leitor eletrônico, a escolha óbvia é o Kindle ou o Kindle Touch.

O Fire merece ser uma força gigantesca e perturbadora – é uma mistura de Kindle e iPad, um aparelho mais compacto para ver vídeos e acessar a internet, e tem preço ótimo. Mas por enquanto ainda precisa ser refinado; se você está acostumado com o iPad ou um tablet Android “real”, os probleminhas de software vão deixá-lo furioso.

Mas a Amazon tende a remover os defeitos de suas criações 1.0 até que produza um sucesso. Ou, como se diz no mundo da tecnologia, “se a safra atual de leitores eletrônicos não o agrada, basta esperar um minuto”.

POR DAVID POGUE | Publicado originalmente em “THE NEW YORK TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado no Brasil por Folha.com | 14/11/2011 – 17h50

Amazon Kindle continua com falta de suporte ao formato ePub


Kindle [AZW], TXT, PDF, Audible [Audible Enhanced [AA,AAX], MP3, MOBI não protegido, PRC nativamente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP por meio de conversão.

Esses são os formatos de conteúdo suportados pelo novo Kindle Touch, da Amazon. O modelo mais barato, chamado apenas de Kindle, não reproduz áudio. O tablet Kindle Fire, por sua vez, suporta mais alguns formatos, como OGG, MP4 e VP8.

Foi meio decepcionante ver que nenhum dos novos modelos de Kindle [assim como os velhos] oferece suporte a EPUB, um padrão bem difundido de distribuição de documentos digitais. Gratuito e aberto, é adotado por muitos repositórios de livros eletrônicos e compatível com leitores como Barnes & Noble Nook, iRiver Story e Sony Reader, além de vários tablets. Mas não com o e-reader da Amazon.

Vejo dois perfis de leitores que, por conta dessa limitação, podem se frustrar muito ao ter um Kindle: 1] os que leem sobretudo obras que estão em domínio público; 2] os que não querem ler em inglês.

Para os leitores do primeiro tipo, tenho a impressão de que a coisa está melhorando – parece-me cada vez mais fácil achar obras em domínio público disponíveis no formato do Kindle. Para os do segundo, o negócio é mais complicado. No Brasil, especificamente, as lojas costumam vender e-books apenas em EPUB ou PDF, e o catálogo em português na Amazon é bem limitado.

A farta disponibilidade de obras em domínio público e em português [ou outras línguas que não o inglês] no padrão PDF, que é compatível com o Kindle, não melhora muito as coisas, pois o aparelho da Amazon oferece um suporte muito limitado ao formato. Os níveis de zoom, por exemplo, são todos predefinidos [ajustar para caber, tamanho real, 150%, 200%, 300%] – não é possível dar um zoom de 130%. [Essa opinião sobre o suporte a PDF é baseada na minha experiência com o Kindle 3, atual Kindle Keyboard, mas acredito que os novos modelos – com exceção do Fire – não apresentem melhora significativa nesse quesito.]

Os donos de Kindle nos Estados Unidos ainda sofrem com o problema de muitas bibliotecas trabalharem prioritariamente com EPUB.

A questão do EPUB gera discussões intermináveis, como esta no fórum da Amazon, com 642 posts desde dezembro do ano passado. Não são raros os comentários na linha “comprei um Nook/Sony Reader/outro concorrente em vez de um Kindle por causa da falta de suporte deste a EPUB”.

Uma solução comumente utilizada é converter arquivos em EPUB [ou mesmo em PDF] para MOBI, formato semelhante ao AZW. O resultado, porém, pode variar.

Escrito por Emerson Kimura | Publicado Folha Online | 05/10/2011, 06h54

Novo Kindle tem interface e navegação em português


Valor do aparelho começa em US$ 79; brasileiro paga US$ 255 por causa dos impostos

Se a popularização do e-book dependia de existir um leitor de livro digital barato, a Amazon deu ontem mais uma força para que isso aconteça de fato. De uma só vez, ela apresentou quatro novos modelos de Kindle com preços entre US$ 79 e US$ 199.

Apenas o modelo tradicional, que agora está menor, mais leve e mais barato, já está disponível para compra. Os brasileiros podem comprar a versão de US$ 109 [sem anúncio], mas o aparelho vai chegar aqui custando US$ 255,57.

Os outros três – Kindle Touch, Kindle Touch 3G e o tablet Kindle Fire – começam a ser despachados curiosamente em 21 de novembro, dia do lançamento mundial da biografia do fundador da Apple, Steve Jobs. Somando isso tudo ao interesse da empresa pelo Brasil – todos os modelos vão incluir interface e navegação em “português brasileiro”; editoras e livrarias foram procuradas pela Amazon, que quer conteúdo em português; diretores da empresa participaram da Bienal do Rio no início do mês; e a Amazon segue procurando um profissional para atuar no país – este pode ser um bom momento para os brasileiros e para o mercado editorial nacional.

Kindle

Custa apenas US$ 79 [mas vem com anúncios] e já está disponível para compra. O novo modelo é 18% mais compacto, 30% mais leve e mais barato que a versão original. De acordo com a empresa, ele também está 10% mais rápido na hora de virar as páginas. A tela e-ink, a mais parecida com o papel, é de 6 polegadas. http://www.amazon.com/kindle

Kindle Touch

A versão touch screen do Kindle custará US$ 99 [com anúncios] e US$ 139 [sem anúncios] e estará disponível a partir de 21 de novembro. A Amazon promete, com ele, um manuseio mais fácil, conforto na leitura e uma bateria mais duradoura. Essa versão virá com o que a Amazon está chamando de “X-Ray” para que os leitores possam explorar o “esqueleto do livro”. Com apenas um toque, será possível ver as passagens do livro que mencionam determinada ideia, figuras históricas, personagens e o que mais interessar ao leitor. Também será possível pesquisar na Wikipedia e na Shelfari, a enciclopédia comunitária da Amazon. Clientes americanos já podem encomendar o aparelho. http://www.amazon.com/kindletouch.

Kindle Touch 3G

A única diferença do Kindle Touch é o 3G gratuito, que permite ao usuário fazer suas compras de qualquer lugar sem depender uma conexão wi-fi. O valor é US$ 149 [com anúncios] e US$ 189 [sem anúncios] e americanos já podem fazer seus pedidos pelo site. http://www.amazon.com/kindletouch3G

Kindle Fire

Com este tablet, que roda o sistema operacional Android, a Amazon tenta se aproximar da Apple. O Kindle Fire vai custar US$ 199 [o iPad mais barato nos Estados Unidos custa US$ 499] e dará acesso a mais de 18 milhões de itens disponíveis na loja virtual, entre filmes, séries, músicas, aplicativos, jogos, revistas e, claro, livros. O conteúdo fica armazenado na nuvem e o aparelho pesa menos de meio quilo. A tela é de 7 polegadas e as dimensões são: 19 cm x 12 cm x 1.14 cm. A capacidade de armazenamento é de 8 GB, suficiente, segundo a Amazon, para guardar 80 aplicativos, 10 filmes, 800 músicas e 6 mil e-books. O Kindle Fire está disponível para encomendas e será entregue a partir de 15 de novembro. http://www.amazon.com/kindlefire.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 29/09/2011

Amazon lança tablet Kindle Fire por US$ 199 nos EUA


A varejista on-line norte-americana Amazon anunciou nesta quarta-feira [28] seu novo tablet, chamado Kindle Fire.

O aparelho, com tela de sete polegadas sensível ao toque, será vendido por US$ 199 nos EUA, menos da metade do preço do iPad mais barato, que custa US$ 499.

Kindle Fire, Kindle Touch e Kindle, os novos modelos de e-reader da Amazon

Diferente dos modelos atuais de Kindle, o tablet não tem teclado físico e é usado por meio da touchscreen, que aceita apenas dois pontos de toque simultâneos [o iPad aceita até dez].

Outra diferença do Kindle Fire em relação às versões tradicionais do e-reader está na conectividade: o novo aparelho não acessa redes 3G. Para acessar a internet, é preciso usar conexão Wi-Fi. O aparelho também não tem câmera e microfone.

O sistema operacional do Kindle Fire é o Android, do Google, com uma interface própria desenvolvida pela Amazon. Quem comprar o aparelho terá direito a um mês de acesso gratuito à Amazon Prime, serviço de streaming de filmes cuja assinatura anual custa US$ 79.

PAPEL ELETRÔNICO

A companhia também anunciou outros modelos de e-readers da família Kindle. Eles usam tela de papel eletrônico, como as versões atuais do aparelho.

Kindle Touch, novo leitor de livros eletrônicos da Amazon

O Kindle Touch é um modelo com tela sensível ao toque [via infravermelho]. Custa US$ 99 e US$ 149 – o segundo preço refere-se à versão com conexão a redes 3G [que funciona em mais de 100 países, assim como já ocorre com as versões atuais do Kindle].

O modelo mais simples da linha, chamado apenas de Kindle, perdeu o teclado – e não tem tela sensível ao toque. Tem tela de seis polegadas e, segundo a Amazon, vira páginas 10% mais rápido e pesa 30% menos do que a versão atual. Custa US$ 79.

Na página da Amazon, os modelos atuais, com teclado físico, ganharam novos nomes: Kindle Keyboard [US$ 99] e Kindle Keyboard 3G [US$ 139]. Além deles, o novo Kindle já está disponível para pronta entrega. Os outros aparelhos estão em pré-venda – as duas versões do Kindle Touch começam a ser enviadas em 21 de novembro, um pouco depois do Kindle Fire, que tem data de envio marcada para o dia 15 do mesmo mês.

Por enquanto, os produtos lançados hoje estão disponíveis apenas nos EUA. A Amazon envia os modelos atuais de Kindle ao Brasil, mas, com o pagamento de impostos e frete, eles custam em torno do dobro do valor cobrado nos EUA. Ainda não se sabe quando os novos equipamentos estarão disponíveis no Brasil.

VERENA FORNETTI | EM NOVA YORK | Com colaboração de São Paulo | Publicado em Folha.com | 28/09/2011 – 12h01