China investiga eBooks da Amazon


ChinaAutoridades chinesas começaram a investigar os métodos de vendas dos e-books da Amazon, um dia após a abertura da Kindle Store no país. Segundo um relatório da ZDnet, a General Administration of Press and Publication of China [GAPP] começou as investigações na última sexta-feira, 14/12, para determinar se a Amazon violou regulações nas vendas em parceria com a Chineseall.com. Na loja online do Kindle, a Amazon afirma “Chineseall.com está providenciando suporte nas operações da loja Kindle”, e a mídia interpretou que a empresa americana estava usando a licença da parceira chinesa para funcionar.

Por Lisa Campbell | The Bookseller | 18/12/2012

Onde comprar o eBook mais barato?


Amazon vs. iBooks vs. Google Play vs. Barnes & Noble

O jornal Huffington Post fez uma pesquisa de preços  de e-books, analisando os preços dos bestsellers nas quatro maiores lojas online:  iBookstore da Apple, Kindle Store da Amazon, Nook Bookstore da Barnes & Noble e Play Store da Google. Na grande maioria dos casos, os preços da Amazon foram os menores. O site Digital Book World ironizou a matéria do Huff Post, publicando uma nota com o título “Quem tem o maior desconto no e-book ?” e lembrou que, apesar da política de descontos agressivos da Amazon, o resultado do processo sobre precificação de e-books nos Estados Unidos provavelmente irá mudar este cenário.

Por Iona Stevens | Clipado de PublishNews | 18/10/2012

As últimas do mercado


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 26/04/2012

Escrevi este texto no avião, na ida para Bogotá, onde participei, representando a Xeriph, de um debate na feira internacional do livro. Na próxima coluna, poderei falar sobre o mercado editorial digital na América Latina. Por ora, comento os últimos acontecimentos e notícias em nosso mercado. Como já escrevi antes, parece que três meses equivalem a um ano de desenvolvimento. Continuo com a sensação de já estar nisso tudo há décadas. Lá vão então as pílulas:

• Notícia de que as editoras dobraram a Amazon: não vejo isso ainda como uma grande verdade. Não acreditarei até que veja o contrato assinado. E vamos ser realistas, acredito que mesmo conseguindo bons descontos agora, na entrada deles em nosso mercado, em pouco tempo os livros vendidos na Kindle Store representarão mais de 50% das vendas de e-books das editoras. A partir desse momento, a Amazon começará a barganhar por cada vez melhores descontos… Não acham que é um pensamento lógico? Agora, que eles pensaram que seria muito mais fácil, ah, isso eles pensaram.

• Notícia sobre a queda dos servidores da Livraria Cultura: verdade verdadeira. Aconteceu e num momento de lucidez resolveram deixar tecnologia nas mãos de quem entende. Fecharam com provedores e acredito muito na melhora dos sistemas da Cultura. Afinal, alguém consegue buscar um e-book e comprar sem ter que cavar bem fundo? Agora, eles poderão se concentrar na melhoria do marketing digital que vêm fazendo, melhoria do aplicativo de leitura e de seu site. E vão se concentrar em fazer o que conseguem com louvor, que é vender livros.

• Notícia sobre a Apple: numa entrevista ao Brasil Econômico, comentei que seria bem mais fácil ela entrar no Brasil com a iBooks do que os outros players internacionais. Falei isso não com provas concretas, mas também com raciocínio lógico. Ora bolas… Eles já estão vendendo músicas aqui no Brasil. Já possuem a faca e o queijo nas mãos… Se não chegarem antes, estarão sendo cavalheiros em deixar Amazon e Google passar na frente. No melhor estilo “ladies first”.

As livrarias brasileiras vão ter mesmo que se mexer. Acredito demais na coexistência de todos esses atores em palco, ao mesmo tempo. O mercado brasileiro é vastíssimo e vejo a oportunidade real da democratização da leitura. Quero mais é ter a leitura banalizada. As amarras geográficas não existem mais. Quem diria que eu estaria escrevendo num tablet do tamanho de um caderno leve este artigo, que em poucos minutos enviarei via internet? Meu celular está sendo carregado numa entrada usb na poltrona na minha frente e tenho, dentro deste tablet, mais de 50 livros para ler e minhas músicas para ouvir. Santa tecnologia!

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 26/04/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Amazon corre para aumentar oferta de títulos em português


Empresa quer estrear no Brasil com pelo menos o mesmo número de livros eletrônicos que a concorrência

Quando abrir sua loja no Brasil, a Amazon quer ter pelo menos a mesma quantidade de títulos de e-books ofertados pela concorrência, segundo o PublishNews apurou. Por ora, a companhia tem 3,8 mil títulos em português. Isso é pouco mais da metade do que tem a Gato Sabido, hoje a loja brasileira com mais variedade, e cerca de um terço do total de 11 mil e-books oferecidos no país – veja a pesquisa realizada pela Simplíssimo.

O objetivo da Amazon é ampliar o catálogo o mais rápido possível e, para isso, ela não apenas está buscando as editoras que já vendem e-books como também vai correr atrás daquelas que ainda não oferecem conteúdo digital. Isso porque a Amazon oferece o serviço de conversão para criar livros eletrônicos – mas apenas em formato .mobi, que só é lido pelo Kindle, o dispositivo de leitura da empresa.

O catálogo de 11 mil títulos em português disponível no Brasil é considerado pequeno. Em dezembro, as lojas de e-books [Kindle Store] que a Amazon abriu na Itália e na Espanha, por exemplo, foram inauguradas com mais títulos: 16 mil e 22 mil, respectivamente. E, para comparação com o mundo físico, uma livraria grande dentro de um shopping brasileiro é considerada bem servida quando tem 20 mil títulos nas prateleiras.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 10/02/2012

Avaliação: Brasil atingirá massa crítica em 2012


Editoras aderem e aumentam a oferta de conteúdo digital

Ao que tudo indica, estamos próximos da massa crítica para o mercado de e-books.

A primeira “onda” de adesão ao livro digital começou logo após o início das vendas do Kindle, internacionalmente, e colocou as livrarias em preparação para o novo mercado. Dois anos se passaram e agora viveremos uma nova onda, em que as editoras aderem e aumentam a oferta de conteúdo digital.

É um processo em andamento e ainda no início. Esta segunda onda terá como catalisador, em alguns meses (ou semanas), a influência da Amazon, desta vez com a abertura da loja de e-books [Kindle Store] brasileira – e, quem sabe, até inaugurando uma operação com livros impressos. A influência e as repercussões da Amazon no Brasil serão muito intensas, certamente mais do que teriam sido dois anos atrás.

Diferentemente daquele momento, o país agora conta com uma base mínima de aparelhos para ler e-books. Estima-se que existam algumas centenas de milhares de iPads, mais um milhão de iPhones, e, embora os números de e-readers no Brasil ainda sejam incertos, são pelo menos algumas dezenas de milhares – levando em conta que vários modelos estão à venda no país desde 2010/2011, além do Kindle. Quantos deles são Kindles, ainda não se sabe.

Estamos na iminência de mais uma mudança no mercado, no balanço de forças entre as empresas locais e no comportamento dos consumidores de livros. Este poderá ser o último ano de tranquilidade para muitas editoras, assim como o início da história de sucesso de tantas outras.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em PublishNews | 10/02/2012

Eduardo Melo é diretor do site Revolução Ebook e fundador da Simplíssimo Livros. Trabalha com e-books desde 2007, quando fundou a ONG Editora Plus. Também é graduado em História e mestre em Letras. E-mail: eduardo@simplissimo.com.br

Grandes empresas lançam aplicativos em HTML5


Na semana passada, a loja on-line Amazon, o serviço de música Grooveshark e a revista “The Economist” lançaram aplicativos para tablets e smartphones em HTML5, a nova versão da linguagem usada na construção de páginas da web.

Por esse caminho, mesmo com motivações diferentes, as três empresas almejam que seus programas funcionem da mesma forma em sistemas diferentes, tenham atualizações mais rápidas e evitem o processo de aprovação e as taxas cobradas pelas lojas virtuais de aplicativos.

Diferentemente dos programas nativos para Android e iOS, por exemplo, que precisam ser baixados e atualizados por meio das lojas virtuais do Google e da Apple, os web apps em HTML5 são acessados por meio do navegador, sem intermediários.

Para evitar a taxa de 30% cobrada pela Apple sobre conteúdo vendido na App Store, a Amazon inaugurou uma versão em HTML5 para iPad de sua loja de livros eletrônicos Kindle Store.

A “Economist”, que lançou o Electionism, app em HTML5 sobre as eleições presidenciais dos EUA, diz que a iniciativa não é um levante contra as lojas de aplicativos.

Não deixamos os apps nativos“, disse ao “Guardian” Ron Diorio, vice-presidente de desenvolvimento de negócios e inovação da “Economist” on-line. “O Electionism é só mais uma chance para explorarmos o que temos observado: que o uso de browsers em tablets é muito alto.

EM FINALIZAÇÃO

Embora uma das promessas do HTML5 seja a flexibilidade – com aplicativos funcionando da mesma forma em todos os navegadores, tanto de computadores tradicionais quanto de tablets ou celulares-, ainda há problemas de compatibilidade.

O novo app do Grooveshark, por exemplo, funciona no iOS e no Android, mas não no Windows Phone 7.

Isso ocorre porque a definição dos padrões do HTML5 está em fase de finalização – por isso, nem todos os navegadores implementaram a tecnologia de forma completa, explica Carlos Cecconi, analista de projetos do W3C [World Wide Web Consortium], consórcio que discute e desenvolve os padrões para as linguagens da web.

Ainda que neste momento haja esses problemas, há de fato um grande consenso da indústria em torno da definição da versão 5 do padrão HTML“, afirma o analista.

Isso significa que desenvolvedores de HTML não terão de fazer versões diferentes de uma aplicação para o browser A, B ou C. O mesmo código funcionará em todos.

FORA DA APP STORE

Um dos pioneiros na adoção da tecnologia foi o “Financial Times”, que em junho de 2011 tirou seu aplicativo da App Store em prol de uma versão em HTML5, que já chegou a 1 milhão de usuários.

Em dezembro, a Folha foi o primeiro grande jornal brasileiro a lançar um aplicativo para tablets e celulares em HTML5, que unifica a experiência do leitor em aparelhos diferentes.

POR RAFAEL CAPANEMA, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha.com | TEC | 25/01/2012 – 07h51

Kindle Fire terá quadrinhos da DC Entertainment com exclusividade


A DC Entertainment anunciou hoje que seus quadrinhos serão vendidos com exclusividade pela Amazon para o Kindle Fire, novo tablet anunciado ontem pela empresa.

Cem títulos estão disponíveis na Kindle Store, entre eles as famosas séries “Watchmen”, “V de Vingança”, “Superman: Earth One” [ainda inédito no Brasil], “Sandman” e “O Cavaleiro das Trevas” [veja aqui a lista completa].

“Estamos entusiasmados de trabalhar com o líder em livros digitais para trazer muitas das mais amadas e vendidas graphic novels do mundo aos leitores do Kindle”, disse Jim Lee, copublisher da DC Entertainment, ao site oficial da empresa.

Algumas dessas HQs nunca estiveram disponíveis em formato digital“, disse também ao site o vice-presidente de conteúdo do Kindle, Russ Grandinetti. “Acreditamos que os consumidores irão amá-las.

Segundo a DC Entertainment, as graphic novels estarão disponíveis para usuários do Kindle Fire na Kindle Store em breve. “Watchmen” e “Superman: Earth One” já estão disponíveeis em pré-venda, apenas para os Estados Unidos.

Jim Lee, copublisher da DC Entertainment, mostra a graphic novel "Superman: Earth One" em um Kindle Fire

Folha.com | 29/09/2011 – 16h14

Amazon permite ler livros do Kindle no navegador


A Amazon lançou nesta terça-feira [28] a versão beta do Kindle for the Web, um serviço que permite a leitura de amostras de livros da plataforma Kindle diretamente a partir de um navegador, sem a necessidade de download ou instalação. Como ainda está em fase de testes, o serviço só permite visualizar algumas poucas obras.

Na página de determinados produtos no site da Amazon já aparece um botão com a inscrição “Read first chapter FREE” [“Leia o primeiro capítulo gratuitamente”], que leva ao Kindle for the Web. Na ferramenta é possível alterar o tamanho da fonte, o espaçamento das linhas, a largura da página e a cor do fundo. O usuário ainda tem a opção de compartilhar o livro via Facebook, Twitter ou e-mail e de incorporar o serviço em outros sites ou blogs.

Segundo a Amazon, blogueiros e administradores de sites que inserirem amostras de livros em suas páginas receberão comissões sobre as vendas de obras indicadas por eles. Para ter acesso ao sistema de remuneração, é preciso ser participante do Amazon Associates Program.

Além do serviço de amostra para a web, a plataforma de livros digitais Kindle conta com aplicativos de leitura para os aparelhos Kindle, iPad, iPod touch, iPhone, Mac, PC, BlackBerry e Android – e a empresa já anunciou a criação de um aplicativo para o BlackBerry Playbook. Atualmente, a Kindle Store conta com mais de 700 mil obras à venda, além de outros 1,8 milhões gratuitos.

A empresa promete futuramente otimizar o Kindle for the Web para navegadores móveis e para outros recursos. Mais informações sobre como acessar e incorporar o serviço em sites externos podem ser encontradas no site oficial.

Por Célio Yano | Exame.com | 28/09/2010

A morte anunciada da Web, na revista Wired


Não se sabe se para vender mais revistas [revistas ainda são vendidas?] ou se para satisfazer o ímpeto revolucionário de seu editor-chefe, a Wired veio estampando, na capa, nada mais nada menos que a “morte” da Web. Depois de tantas mortes anunciadas – algumas verdadeiras “mortes morridas” –, como a do CD, dos jornais, dos DVDs, até dos livros, matar o que, há quase 20 anos, tem sido praticamente sinônimo da internet parece um exagero, a princípio. Vale esclarecer que a internet é a rede [“física”] e que a Web é a interface gráfica – inventada por Tim Berners-Lee em 1992 – pela qual navegam browsers.

A tese da Wired se baseia no fato de que, nos Estados Unidos, todos estão supostamente migrando do desktop para os chamados “dispositivos móveis”. Assim, o navegador ou browser [no PC] iria perdendo espaço para “aplicativos” em celulares como o iPhone e em tablets como o iPad. Segundo a Wired, deixaríamos progressivamente de navegar pela Web – uma plataforma, historicamente, mais aberta à inovação – para se deixar seduzir por “aplicações fechadas” como o iTunes, da Apple, e a Kindle Store, da Amazon. As consequências, até ideológicas, disso é que a internet terminaria dominada por gente como Steve Jobs, Jeff Bezos, até Eric Schmidt e Mark Zuckerberg. Enquanto outras iniciativas menos “vendáveis” – digamos assim –, como Wikipedia e WikiLeaks, deixariam de fazer sentido. Mais dia menos dia, a internet cairia na vala comum do velho mainstream, onde uma infinidade de players cederia lugar a uma meia dúzia de três ou quatro. Como acontece, justamente, na televisão, no rádio, na imprensa impressa… e em qualquer outra categoria da velha mídia que você conseguir elencar.

Parece também que existe um certo “cansaço”, por parte do velho mainstream media, de haver lutado, há quase duas décadas, para conquistar a Web e, ao contrário do Google, não ter encontrado [ainda] uma fórmula [leia-se: um modelo de negócio]. Assim, enterrar os browsers [onde ninguém paga por nada] e introduzir os “aplicativos” em iPhones e iPads [onde nos obrigariam a pagar] soaria como música aos ouvidos dos decadentes barões da mídia. Entoando o canto da sereia, ninguém menos que Steve Jobs – o homem que fez as pessoas pagarem, novamente, por música [e que poderia, em tese, convencê-las a pagar por outros tipos de mídia digital]. Todo esse discurso não parece combinar com a Wired e, sobretudo, com seu editor-chefe, Chris “Free” Anderson. A revista do futuro evocando o passado e o editor do “almoço grátis” nos incitando a pagar.

A justificativa talvez resida no fato de a Wired pertencer a um [velho] grupo de mídia [que tenta sobreviver], e ter, recentemente, contratado um novo editor, Michael Wolff [coincidência ou não, o biógrafo de Rupert Murdoch]. A revista de papel – antes de tudo – e o aliado do maior comprador de jornais impressos dos últimos anos. Chris “Long Tail” Anderson parece meio deslocado nestes “novos tempos” da Wired e, para compensar, chama, para um debate, Tim “Web 2.0” O’Reilly e John “The Search” Battelle. A conversa do trio, no fim das contas, termina mais interessante que o discurso retrô de Wolff. Ainda assim, a capa da Wired indica que o velho mainstream não vai capitular tão facilmente e que a velha mídia deve morrer lutando…

Por Julio Daio Borges | Artigo publicado originalmente em Digestivo nº 470 | Quinta-feira, 9/9/201

Lucia Riff sobre o ‘affair’ Wylie: agente não é editor


O mercado editorial americano foi sacudido na semana passada por um terremoto que promete se desdobrar em novos abalos no futuro próximo, à medida que as placas tectônicas se ajustarem num ambiente de negócios que o revolucionário livro digital, até ano passado pouco mais que uma curiosidade e uma promessa, começa finalmente a redesenhar na marra. No epicentro do fenômeno está o agente literário Andrew Wylie, de Nova York, um peso pesado que representa autores como Philip Roth e Martin Amis e, entre as obras de escritores mortos, as de Vladimir Nabokov e Jorge Luis Borges.

Wylie anunciou a criação de um selo próprio, o Odyssey, para lançar versões digitais de títulos que, presos a editoras tradicionais por contratos de edição em papel, não tinham a seu juízo – por terem sido contratados antes de 2000, quando o e-book não existia no horizonte – seus direitos digitais cedidos a ninguém. Só que as grandes editoras pensam diferente. A Random House divulgou uma nota violenta declarando que não fechará nenhum novo contrato com a Wylie Agency “enquanto essa situação não for resolvida”. O que, tudo indica, só ocorrerá nos tribunais [mais sobre o caso aquiaqui, em inglês].

A Odyssey tem contrato de exclusividade de dois anos com a Amazon, que venderá todos os títulos na Kindle Store por 9,99 dólares, e pagará direitos autorais acima da faixa de 25% que vem sendo praticada para e-books pelas casas tradicionais – especula-se que a fatia do autor possa chegar a 50%.

E nós com isso? Que lições o digitalmente atrasado mercado brasileiro pode tirar do furdunço? Quem responde é Lucia Riff, a principal agente literária do país, cuja empresa – representante de Rubem Fonseca, Luis Fernando Verissimo, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto, entre outros – completará duas décadas de atividade em janeiro do ano que vem. [No interesse da transparência, aquilo que na terra de Andrew Wylie chamam de full disclosure, convém acrescentar que também sou representado pela Agência Riff.]

Lucia conversou com o Todoprosa por e-mail:

1. A nova fronteira digital deixou o agente Andrew Wylie e as grandes editoras americanas em guerra aberta. É possível dizer quem tem razão, se é que alguém tem razão?

– Os dois lados têm razão e não têm. A questão é supercomplexa, e é provável que, infelizmente, acabe sendo decidida nos tribunais. O que está em jogo são os direitos digitais dos contratos assinados antes de 2000: foi há mais ou menos dez anos que os contratos nos EUA passaram a incluir direitos digitais de forma clara [nem todos, mas a maioria, pelo menos]. Como os contratos americanos são leoninos, abrangentes e duradouros, o que se discute agora é se as cláusulas que listavam os diversos formatos que seriam explorados pela editora nos contratos anteriores a 2000 já incluíam implicitamente formatos novos ainda por serem descobertos [como o é caso do e-book] ou não. Se discute ainda se e-book é um novo formato para um público distinto – assim como pocket book, book-club ou audiobook –, podendo então ser negociado livremente [caso não esteja citado no contrato de edição da obra], ou se entra diretamente no mesmo segmento de mercado da edição do livro trade, ficando portanto dentro da área de atuação da editora original. Além de definir quem vai poder explorar os direitos digitais, estão discutindo as bases: o mercado acordou com um padrão de 25% sobre as vendas líquidas, mas as editoras novas, que estão surgindo apenas para explorar a publicação de e-books, acenam com royalties maiores, chegando mesmo aos 50%. As editoras tradicionais, de modo geral, estão concordando que este modelo dos 25% terá que ser repensado quando o mercado de livros digitais estiver mais estabilizado. As editoras precisam pensar no front list e no back list – é todo um catálogo com centenas, às vezes milhares de livros que precisam ser preparados para serem lidos como e-books… Não é fácil, não basta um simples apertar de teclas. Além disso, temos o grande e complicadissimo problema da distribuição entre as Amazons e Apples e Barnes & Nobles da vida, cada uma com seu pacote de exigências, discussões sobre exclusividade, etc. E temos também os e-readers, que ainda estão sendo testados, aprimorados… No momento é tudo muito novo, mesmo para o mercado americano, que, de um jeito discreto mas consistente, já trabalha com e-books há pelo menos cinco anos e pensa no assunto há dez.

O Wylie entrou com um anúncio bombástico: ele está montando uma editora de e-books e vai publicar seus próprios autores. Ou seja, a questão não é apenas se o autor deve ficar fiel à sua editora e manter no mesmo selo livros em papel e e-books – ou se deve ouvir as novas editoras de e-book ou mesmo outras editoras tradicionais que possam estar fazendo um trabalho melhor com o novo formato. A questão que incomoda na posição do Wylie é que me parece haver um certo conflito de interesses quando um agente se propõe a ter uma editora. Antes desta crise do mercado com o Wylie, circulou em Frankfurt ano passado uma outra notícia alarmante: que a Simon & Schuster não cederia direitos digitais para nenhuma editora estrangeira, uma vez que traduziria e lançaria seus próprios livros em e-book, diretamente dos EUA. Não sei dizer se essa ideia foi adiante ou não. De todo modo, a declaração causou mal-estar e preocupação. O que se nota claramente é que não temos ainda nenhuma estatística confiável, nada em que possamos nos basear para realmente availiar o mercado de livros digitais. O que se vê é muito marketing, muita pressa, muitas informações vazias, dadas pela metade.

Não creio que exista uma única resposta certa para a grande questão de quem deve ter os direitos de publicar e-books: depende da editora, depende do autor, depende da obra, depende de como é o relacionamento entre as partes. Num mundo ideal, faz todo sentido que a editora de livros físicos passe também a publicar os e-books – mas a gente sabe que este “mundo ideal” não se encontra em toda esquina…

2. Entre agentes e autores parece haver a sensação cada vez mais forte de que existe margem para ampliar os 25% de royalties que vêm sendo praticados para edições digitais. Fala-se até no dobro disso. Você acredita que o Brasil também chegará lá?

– Acho que vamos, sim, ver estes 25% aumentarem nos próximos dois anos. Não sei se chegaremos aos 50% para todas as obras, mas é muito provável que a base de 25% seja aumentada quando os números melhorarem e tudo estiver mais estável. Imagino que aconteça com os e-books o que acontece nas vendas de livros em papel: passaremos a trabalhar com uma faixa de royalties que começa em 25% e vai subindo, de acordo com a força do autor, vendas, etc.

3. Que lições podem ser tiradas desse episódio para o mercado brasileiro, que está alguns passos atrás do americano na exploração do mundo digital? No aspecto jurídico da questão, nossas zonas cinzentas são parecidas?

– O mercado brasileiro está muitos passos atrás do americano na questão digital. Poderemos recuperar o tempo perdido, mas não será do dia para a noite. Para nós existe um componente de complicação adicional: ao contrário do mercado americano, que lida com poucos livros contratados de fora, cerca de 50% do que é publicado no Brasil na área de livros trade [não didáticos] é de livros estrangeiros [não sei se chega a tanto, mas de toda forma é um percentual bem alto]. Isso significa que a editora brasileira depende do que o proprietário dos direitos da obra no exterior puder negociar. Se este proprietário tiver os direitos digitais, a tendência é que se negocie um adendo ao contrato original, incluindo os e-books. Se o proprietário não tiver esses direitos, aí fica mais complicado. Nos contratos novos, já existe a preocupação de incluir os e-books [como uma obrigação contratual ou como uma simples opção]. Para os livros já lançados, com contratos mais antigos, o jeito é negociar um por um, à medida que for sendo interessante lançar a versão digital da obra. Como os e-books não têm – por definição – território, nada impede que um livro seja retraduzido e oferecido em várias linguas por uma só editora, como pretende a Simon & Schuster, o que é outra preocupação neste nada fácil mundo digital. Sem contar a pirataria, praga que atinge o mercado editorial como um todo. No mais, se pensarmos nos autores brasileiros, algumas questões são parecidas, mas os contratos brasileiros não são como os americanos, e portanto nossas zonas “cinzentas” são menores. Mas acho que é cedo para pensarmos nas lições desta ou daquela crise. O certo é que a zona de conforto do mercado pré-digital já acabou, ficou no passado. Agora temos que correr para nos adaptarmos a este novo e fascinante mundo dos e-books.

Por Sérgio Rodrigues | Veja On Line | 26/07/2010 às 14:19

5 Lojas de livros electrónicos multi-plataforma


São muitas as opções “on-line” à espera de quem pretende comprar, ou descarregar de forma gratuita livros electrónicos para o seu leitor dedicado, PC ou “smartphone”. Detalhamos algumas, escolhidas pela abrangência da oferta ou pelo importante papel que assumem na difusão do livro electrónico.

1. eBooks.com

Existe desde 2000 e na última década decorou-se de novas áreas e multiplicou a oferta disponível. A ebooks.com aposta nos títulos em inglês e destaca-se pelo facto de permitir navegar no interior de um livro antes da compra e por oferecer, para muitos dos livros disponíveis a possibilidade de ler “on-line” a obra adquirida sem necessidade de descarregar qualquer programa, como terá de fazer quem pretende ler de outra forma. A esmagadora maioria dos livros disponíveis está em inglês – assim como a plataforma – e os formatos suportados são diversos [nem todos os livros estão disponíveis em todos os formatos suportados pela loja], informação sempre detalhada na ficha que acompanha cada titulo disponível para venda. A possibilidade de imprimir os títulos adquiridos também existe, mas para um universo reduzido de títulos e só quando há autorização dos autores. A oferta divide-se entre ficção, não-ficção, livros académicos, entre outros.

Para ler no PC [Windows, Mac ou Linux], telemóvel ou “on-line”. A lista de compatibilidades é detalhada “on-line”
Formatos PDF; ePub; Microsoft Reader e MobiPocket
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis Windows, MAC, Linux, Blackberry, Sony Reader, entre outros.
Catálogo disponível 100 mil obras
Pagamento Em dólares, com cartão de crédito.
Site http://www.ebooks.com

2. Projecto Gutenberg

É um dos projectos mais antigos da Internet, nesta área da digitalização de livros, o Projecto Gutenberg. Suportado por voluntários, oferece exclusivamente conteúdos de acesso gratuito numa lógica de chegar a tantos dispositivos e plataformas quantas seja possível. Assim, a lista de compatibilidades é longa, entre leitores dedicados, smartphones, sistemas de jogos ou mesmo leitores MP3. Diferentes formatos ou dispositivos podem é estar condicionados a diferentes possibilidade de manuseamento dos livros electrónicos. Todos os livros que passam pela plataforma foram previamente editados em papel por uma editora e só depois disso digitalizados. A par da oferta directamente proporcionada pelos voluntários Gutenberg, quem passa pelo site pode ser remetido – se aceitar a proposta – para um conjunto de moradas de parceiros do projecto, com mais ofertas de livros gratuitos ou de baixo custo. O Gutenberg tem uma versão em português e catálogos que agrupam os livros na mesma língua, todos e os mais recentes.

Para ler no PC, telemóvel, MP3, leitor de livros digitais.
Formatos Mobipocket, Epub, HTML, entre outros
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis iPhone, Kindle, Sony Reader, iPad
Catálogo disponível 30 mil obras
Pagamento Todos os conteúdos são gratuitos
Site http://www.gutenberg.org

3. Kindle Store

O popular leitor de livros digitais da Amazon também dá nome a uma loja de aplicações, a Kindle Store. A plataforma começou por estar dirigida aos leitores da marca [no formato proprietário da Amazon AZW], mas há muito que a empresa percebeu que podia maximizar a utilização do serviço e começou a disponibilizar versões gratuitas do software para diversos tipos de dispositivo. A ausência mais notada é uma versão para Android, embora esteja já prometida para o verão. Para garantir compatibilidade com toda a oferta disponível para o leitor e tirar partido da aplicação para ele criada é preciso instalar software, na versão mais adequada ao dispositivo usado. No caso de ser o PC, saiba que a versão deixa de fora os conteúdos extra-livros, como jornais, revistas ou blogs e [ainda] só é compatível com Windows. Em qualquer versão do software estão à disposição várias opções de personalização, como alterações de fundo, visualização de ecrã completo ou editar notas, entre outras. É também sempre possível ler o primeiro capítulo do livro antes de decidir uma compra.

Para ler no PC, telemóvel, Kindle
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis Windows, iPhone, Blackberry, Mac
Catálogo disponível 540 mil obras [400 mil em Portugal], mais 1,8 milhões de títulos escritos antes de 1923 sem direitos de autor.
Pagamento Meios de pagamento habituais.
Site http://www.amazon.com/gp/kindle/pc [para PC, as versões móveis podem ser descarregadas das respectivas lojas de aplicações].

4. Google Books

Polémico desde o início o Google Books fica para a história como o primeiro grande esforço para criar um acervo poderoso de livros digitais. Muitas alterações à fórmula inicial têm sido feitas para acalmar ânimos. Hoje o serviço mistura ofertas pagas e gratuitas de livros, completa ou parcialmente digitalizados, a que o utilizador pode ter acesso integral – quando não há direitos de copyright em vigor – ou parcial, apenas para decidir uma compra. As obras pagas são vendidas pelos parceiros, cujas lojas “on-line” estão assinaladas na página onde é mostrado o conteúdo, mas a vertente mais interessante do projecto está no portefólio de conteúdos de acesso livre que chegaram ao projecto por via de acordos com algumas das mais importantes bibliotecas académicas dos Estados Unidos e da Europa. Muitas das ofertas de acesso gratuito disponibilizadas em algumas lojas “on-line” de livros [como na loja da Sony] resultam de parcerias com a Google.

Para ler no PC
Formatos PDF
Catálogo disponível mais de um milhão de títulos em domínio público
Site http://books.google.com

5. Diesel eBook Store

Com uma oferta capaz de merecer uns longos minutos de navegação antes de uma decisão, a Diesel eBook Store é uma opção a considerar para quem anda à procura de livros mais recentes e de autores conhecidos para consumir em versão digital. Nas 40 categorias em que divide a oferta é possível encontrar quase de tudo, com uma abrangência significativa de formas cobertos. Até porque as categorias principais se dividem em 2.700 subcategorias, para facilitar a pesquisa de quem anda à procura de conteúdos mais específicos. Por cada compra o utilizador ganha pontos que se traduzem em descontos na compra seguinte. À oferta paga junta-se uma extensa oferta de conteúdos gratuitos, dominantemente em língua inglesa, graças a uma parceria com o Google Books.

Para ler no PC, telemóvel, leitor dedicado de ebooks
Formatos Adobe PDF, ePub, Microsoft Reader, Mobipocket, eReader.
Alguns sistemas/dispositivos compatíveis iPhone, PC, Sony Reader, Palm, entre outros.
Catálogo disponível 2,2 milhões de títulos
Pagamento Meios de pagamento habituais
Site http://www.diesel-ebooks.com

Borlas a considerar

São vários os sites que disponibilizam exclusivamente ofertas gratuitas de conteúdos. Se bem que em algumas deles a oferta se cruza com a suportada em projectos como o Google Books ou o Gutenberg, vale a pena deixar alguns exemplos a explorar. O Feedbooks [http://www.feedbooks.com/] e o Manybooks [http://manybooks.net/] estão entre as alternativas sem custos que vale a pena ver, para além das que já tínhamos referido. A primeira restringe os conteúdos disponíveis à utilização em equipamentos portáteis e a segunda pode implicar alguns passos para assegurar compatibilidades, mas ambas asseguram um portefólio de conteúdos interessante. Quem estiver interessado em livros digitais para o telemóvel e for cliente da TMN ou Vodafone pode também passar pelas respectivas lojas de aplicações das operadoras onde existem ofertas pagas e gratuitas deste género. A oferta mais estendida é da Vodafone com mais de 100 mil ebooks disponíveis.

Cristina A. Ferreira / Casa dos Bits | Publicado originalmente no site Jornal Negócios Online | 09/06/2010 | 09:27

Livros digitais em todo o lado


Para ler um livro digital não é obrigatório que adquira um leitor dedicado. Na verdade, pode não ser necessário gastar um único euro, nem nos livros. Muitas lojas “on-line” oferecem conteúdos que também podem chegar ao PC ou ao telemóvel. Muitas vezes, sem custos.

Com os computadores cada vez mais portáteis e os telemóveis convertidos em sistemas de computação, faz pouco sentido que o fenómeno emergente dos livros digitais se esgote ou limite à utilização num leque restrito de equipamentos, promovidos por fabricantes que apostam em modelos fechados de plataformas de conteúdos. E de facto, é cada vez menos assim.

A oferta de livros digitais multiplataforma está a crescer e permite a quem gosta de ler e não se importa de o fazer sem tocar no papel, experimentar a versão digital sem precisar de comprar um leitor dedicado ou, mesmo que o faça, sem ficar agarrado à loja promovida pela fabricante do equipamento.

Mesmo entre as marcas com leitor dedicado para promover, nem sempre a estratégia é a de manter uma loja de livros electrónicos exclusivamente focada no seu próprio dispositivo. Que o diga a Amazon, que ao contrário da Apple – com uma loja criada apenas para alimentar o seu mediático e aguardado iPad – tem tentado assegurar massa crítica para a sua Kindle Store.

A loja pode até ter o nome do dispositivo, mas funciona de forma completamente autónoma a este produto. O suporte físico para leitura dos livros electrónicos que a Amazon se tem esforçado por multiplicar pode ser o PC, um iPhone e em breve um smartphone com Android.

A estratégia é clara. Levar os novos conteúdos a um número mais abrangente de dispositivos, num misto de ofertas gratuitas e pagas, modelo que se repete na generalidade das lojas de livros electrónicos. Também a fonte da oferta gratuita é muitas vezes a mesma: a Google, graças ao seu polémico Google Books, ou o projecto Gutenberg. A iniciativa da Google alimenta ofertas como a que lançou a Barnes & Noble no final do ano passado, quando estreou a maior livraria de conteúdos digitais nos Estados Unidos. Mais discreto, também o Gutenberg é uma peça fundamental na oferta de conteúdos digitais. Pelo acervo, mas sobretudo pelo esforço de compatibilidade com um número muito abrangente de dispositivos, como o leitor de livros da Sony, que mantém a loja oficial com funcionamento restrito aos Estados Unidos e Canadá, por exemplo.

No que se refere aos livros digitais gratuitos é no entanto preciso ter em conta que o que está disponível para os Estados Unidos pode não estar disponível em Portugal. As protecções relacionadas com direitos de autor justificam as diferenças. Uma obra que já não esteja protegida por direitos de copyright nos Estados Unidos pode ainda gozar dessa protecção na Europa. As limitações são normalmente comunicadas ao utilizador quando este tenta aceder a determinado conteúdo, mas convém ter a noção de que existem diferenças entre regiões, até para perceber porque é que, por exemplo, a oferta da Kindle Store é de 540 mil títulos nos Estados Unidos e se reduz a 400 mil obras para quem está na Europa. Mesmo assim, oferta não falta e é fácil prever que continuará a crescer. É só escolher o equipamento, o livro e uma posição confortável para entrar na história.

Cristina A. Ferreira / Casa dos Bits | Publicado originalmente no site Jornal Negócios Online | 09/06/2010 | 09:27