Amazon e Twitter promovem workshop gratuito para autores independentes


TwitterA Amazon e o Twitter promovem, na próxima quarta-feira [25], um workshop gratuito para autores independentes interessados em aprender as melhores práticas para a divulgação de seus livros no Twitter. O curso também terá dicas de como melhor utilizar a plataforma de autopublicação da Amazon, o Kindle Direct Publishing [KDP]. O curso terá participação de Gabriela Comazzetto, diretora de vendas do Twitter Brasil; Eduardo Di Pietro, executivo de contas do Twitter Brasil; Ana Souza, gerente de contas do Twitter Brasil, e Luciana Syuffi, Gerente do KDP Brasil. As vagas são limitadas e as inscrições acontecem até o dia 23 de novembro através do e-mail kdp-eventos@amazon.com. Os interessados devem enviar nome completo e RG. A aula acontece no Escritório do Twitter em São Paulo [Rua Atílio Innocenti, 642, Itaim Bibi].

PublishNews | 18/11/2015

Amazon faz workshop para autores independentes


Atividade gratuita acontece no dia 6 de outubro em SP

A Amazon programou para o dia 6 de outubro um workshop gratuito para profissionais interessados em publicar livros de não ficção de maneira independente através do Kindle Direct Publishing [KDP], plataforma de autopublicação da Amazon. O curso terá dicas de como melhor utilizar a plataforma de autopublicação, bem como um debate com autores sobre escrita criativa para livros de não ficção. Participam Eldes Saullo, autor de Seu livro no Kindle: como escrever e publicar seu livro na Amazon e no Kindle e Bernardo Guimarães, autor de A riqueza da nação no século XXI. As vagas são limitadas e as inscrições acontecem até o dia 2 de outubro através do e-mail kdp-eventos@amazon.com. A atividade acontece na sede da Amazon no Brasil [Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 – Complexo JK, Torre E – 18º andar – São Paulo/SP].

PublishNews | 22/09/2015

Autopublicação – as maravilhas e agruras de cada plataforma


Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Para quem quer publicar e-books de modo independente no Brasil, há muitas opções, desde as plataformas mais conhecidas – como o Kindle Direct Publishing [KDP], da Amazon, o Kobo Writing Life [KWL], da Kobo, e o iTunes Connect, da Apple, para ficar naquelas que têm interface em português – até iniciativas locais que começam a surgir, como a Simplíssimo e a Bibliomundi. As promessas variam pouco: liberdade total para o autor; % expressivo do preço de capa; disponibilidade do seu e-book para muitas lojas virtuais mundo afora.

Depois de realizar uma série de testes com as principais plataformas, reparto aqui com vocês as experiências e aprendizados colhidos. Espero que possam ajudar a definir seu próprio plano de autopublicação.

Quais as opções?

Certamente há muitas alternativas que não experimentei, mas posso contar para vocês o que achei da Amazon, da Kobo, da Apple e da Smashwords, da qual desisti logo que as outras aportaram aqui no Brasil. Quanto às plataformas novas que estão chegando, vou me limitar a deixar os links para vocês, pois não as testei ainda.

Amazon KDP [Kindle Direct Publishing] – exclusividade ou poligamia?

Quando você vai iniciar o processo de publicação no KDP, de modo muito simples e rápido, como já expliquei aqui, perceberá a tentativa de sedução para aderir ao KDP Select. Aliás, recentemente a Amazon lançou um concurso literário para arrebanhar autores de contos, e um dos critérios para inscrição é que o conto / e-book seja publicado com adesão ao KDP Select.

São inúmeras as vantagens oferecidas: maior % de royalties, possibilidade de realizar promoções de distribuição gratuita do e-book [o que pode ser uma utilíssima estratégia de divulgação] e entrar na divisão do fundo global do KDP Select [em junho/15 o valor total a ser dividido entre os autores do KDP Select era de 8,7 milhões]. Parece óbvio que é melhor aderir, não né? Claro que não. Especialmente depois que o critério de pagamento relativo aos serviços de assinatura Kindle Unlimited [uma espécie de “Netflix de livros”] passou a ser feito pelo número de páginas do seu e-book efetivamente lido, ao invés do download simplesmente.

Aderir ao KDP Select significa que você só poderá colocar o seu e-book nessa plataforma. Ou seja, nada de facilitar a vida dos usuários da iBookstore nem agradar aos que já se acostumaram a compras online no site da Cultura.

Isso pode funcionar, entretanto, em alguns casos. Se o seu público-alvo [caso você conheça bem seus hábitos] prefere o Kindle a outros e-readers ou aplicativos de leitura, se ele é um fã dos bons serviços prestados pela Amazon, ou se sua obra está disponível em inglês e você tem chance de conseguir espaço na Amazon USA, talvez valha a pena.

Os relatórios de acompanhamento de vendas e leituras pelo serviço de assinatura são atualizados a cada hora, e o autor tem como saber em qual das lojas seu livro foi adquirido [mas pode haver desvios, pois eu, por exemplo, continuo comprando através de minha conta na Amazon USA].

Quanto ao processo de publicação em si, fiz há algum tempo uma resenha aqui [http://www.mauremkayna.com/publicando-na-amazon-com-br/]. É um artigo de 2013, mas o conteúdo todo continua válido.

Kobo Writing Life

Esta plataforma, embora disponível para autores brasileiros e com a grande vantagem de disponibilizar seus e-books na Livraria Cultura, não é toda disponível em português e tem uma chatice relevante quanto ao pagamentos dos royalties. Talvez o seu banco não esteja entre os bancos brasileiros pré-cadastrados no KWL, e então você precisará pedir help in English para o pessoal simpático da Kobo. Eles respondem relativamente rápido, mas talvez você tenha de se informar com seu banco a respeito do recebimento de remessas em moeda estrangeira. Você também precisará informar à plataforma o código Swift do seu banco para poder receber o pagamento, que é feito em dólar.

Outra peculiaridade é que os pagamentos só são enviados quando você acumular ao menos US$100 a receber. O registro da experiência que fiz com o KWL está aqui: http://www.mauremkayna.com/experiencia-de-auto-publicacao-kobo-writing-life/

iTunes Connect – Apple

Até bem pouco tempo atrás, vender na Apple exigia a obtenção de um número ITIN, um processo não tão complicado, mas que exigia realizar uma ligação internacional e se comunicar em inglês para prestar uma série de informações. Isso tudo tinha a ver com questões tributárias. Nunca tive paciência para fazer isso e acreditava que não venderia o bastante para recuperar o custo da ligação [é, não sou mesmo otimista quanto ao potencial de venda dos meus e-books, e não é por achá-los assim tão medíocres], por isso, só utilizava a plataforma para distribuição gratuita.

Como meus primeiros testes com a iBookstore começaram a partir da ferramenta [ótima, aliás] iBooks Author, tive uma série de dificuldades com o controle de qualidade da Apple. Contei a saga aqui: http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-iii/

Superadas essas travas, o que posso comentar da Apple é que a visibilidade e a facilidade de venda, mesmo para autores desconhecidos, é muito grande em comparação com outros meios. Talvez pela facilidade oferecida aos usuários no processo de download e até de pagamentos. Tive um volume de downloads impressionante do e-book Contos.com para quem não investiu em divulgação, não escreve literatura Young Adult ou qualquer outro estilo pop e não é celebridade. Não, não acho que isso se deva à descoberta de meu talento, mas à penetração dos produtos Apple e ao modo intuitivo [e também compulsivo] como as pessoas podem comprar / fazer downloads na plataforma.

As outras

Esse título fica meio pejorativo, eu sei. Mas deixemos como provocação. Cheguei a acompanhar e fazer experiências com a Publique-se, da Saraiva [http://www.mauremkayna.com/outras-experiecias-de-auto-publicacao-publique-se/] e com Smashwords http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-ii/.

Recentemente, vi que a Simplíssimo, que tem grande expertise na produção de e-books [lindos, aliás!], lançou uma plataforma para o autor. Agora com a possibilidade de conversão gratuita e distribuição nas principais lojas online e com royalties de 70% para o autor. Confesso que não testei, mesmo porque não tenho assim toneladas de textos disponíveis para publicação, mas o funcionamento é conceitualmente similar ao do Smashwords, pois seu livro é publicado nas lojas da Amazon, Google Play e Apple sem que você tenha de se cadastrar diretamente em cada uma.

Na Flip, houve o lançamento de uma outra plataforma chamada Bibliomundi, cuja proposta é similar, mas o site ainda está, parece, apenas captando e-mails.

Temos também a e-galáxia [http://e-galaxia.com.br/] que, além de fazer a publicação / disponibilização em várias lojas online, também oferece um catálogo de prestadores de serviço para revisão, edição e capa. Vale comentar que a e-galáxia conseguiu emplacar diversos e-books de contos avulsos como top list na iBookstore, graças a um bom trabalho de divulgação em um selo com curadoria.

Conclusões

A possibilidade de publicar sem intermediários é incrível. Nada de esperar meses pela negativa de uma editora ou amargar o silêncio perpétuo. Há algo, porém, que vale como dica para qualquer das plataformas que o autor venha a escolher [podem ser todas, simultaneamente, aliás]: é preciso ter senso de realidade! Com isso, quero dizer que esperar que o fenômeno E.L. James se repita com você pela simples disponibilização da sua obra para o mundo inteiro na Amazon ou na iBookstore é ingênuo. Se você acreditar que o fato de seu e-book estar disponível para venda em mais de 50 países fará com que o mundo se renda aos seus talentos, bastando postar o link para compra do seu e-book, penso que isso é quase caso de internação ou uso de medicamentos controlados. Ou, trocando em miúdos, vender livros em papel já não é fácil nem frequente se você não é conhecido, e vender e-books, no Brasil, é ainda mais difícil, especialmente dependendo do gênero que você escreve, pois a resistência de certos públicos ao formato ainda persiste.

Mas o objetivo desse parágrafo não é jogar um balde de água fria [ainda mais em pleno inverno!] na sua animação, e sim indicar que, se quiser seguir o caminho da autopublicação, vai ter que ralar. Pense, portanto, sobre o tempo de que você pode dispor para trabalhar com a publicação e a divulgação. Isso poderá fazer você decidir entre a opção de publicar em todas as plataformas ou traçar um plano específico para uma delas, ou ainda, se decidir por alguma aglutinadora como Simplíssimo ou Smashwords. Mas tenha uma certeza: publicar não é o último passo, e sim o primeiro.

Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Sou engenheira e escritora [talvez um dia a ordem se altere], bailo flamenco e venho publicando textos em coletâneas, revistas e portais de literatura na web, além de apostar na publicação “solo” em e-book desde 2010. A seleção de contos finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2009 – Pedaços de Possibilidade, foi meu primeiro e-book; depois por puro exercício e incapacidade para o ócio, fiz outras experiências de autopublicação, testando várias ferramentas e plataformas para publicação independente.

Amazon pagará autores por páginas lidas


Autores autopublicados pela plataforma  Kindle Direct Publishing [KDP], da Amazon, foram surpreendidos com a notícia de que a varejista passará a remunerar seus autores pelo número de páginas lidas e não mais pelo número de vezes que o livro é emprestado, como é feito hoje. A medida passa a valer a partir do dia 1º de julho e afeta exclusivamente os autores que optaram pelo KDP Select, programa que coloca os e-books publicados pela plataforma nos programas de subscrição da Amazon: o Kindle Unlimited — para clientes dos EUA, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália, França, Brasil, Canadá e México – e a Biblioteca de Empréstimo dos Proprietários Kindle [KOLL] — para clientes dos EUA, Reino Unido, França, Alemanha e Japão. Sempre bom ressaltar que os optantes pelo Kindle Select se comprometem a colocar o seu e-book com exclusividade na Amazon e ficam impossibilitados de distribuir o livro por qualquer outro canal.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 24/06/2015

Amazon remunerará escritores por número de páginas lidas


A partir do dia 1 de julho, a Amazon vai adotar um novo modelo de remuneração. Os autores não serão mais pagos de acordo com a quantidade de livros vendidos – mas conforme o número de páginas que tiverem sido lidas, de cada livro, ao todo, no Kindle. É uma experiência, e por enquanto só valerá para os livros publicados pela própria Amazon [no esquema Kindle Direct Publishing] e baixados por meio do Kindle Unlimited – um serviço que permite baixar livros à vontade por US$ 10 mensais. Mas não é impossível que, a depender do resultado, o novo esquema venha a ser adotado com os demais ebooks.

Segundo a Amazon, a ideia é remunerar os escritores de forma mais justa: quem escreve mais, e é mais lido, ganha mais. À primeira vista, é difícil argumentar contra essa lógica. De certa forma, só reproduz digitalmente algo que já acontece no mundo offline [livros de papel com mais páginas tendem a custar mais caro]. Mas também abre espaço para distorções preocupantes. Com o pagamento por página, os escritores passam a ter um estímulo fortíssimo para enrolar, ‘encher linguiça’. Mas o pior é que, na prática, receberão muito menos. Por um motivo simples.

As pessoas dificilmente leem 100%, de cabo a rabo, todos os livros que compram. Todo mundo para no meio, desiste às vezes. É normal. Como é normal ir ao cinema, não gostar do filme e sair na metade, ou ir a um restaurante e deixar comida no prato. Acontece. Mas, nesses casos, paga-se o preço inteiro – porque o trabalho que outras pessoas tiveram para fazer aquilo não muda por você não ter gostado.

Se a Amazon quiser ir adiante com o pagamento por página, e adotá-lo em todos os ebooks, certamente enfrentará resistência de editoras e escritores. A dúvida é quão forte, ou eficaz, ela poderá ser. Porque a Amazon é muito grande, controla mais da metade do mercado de livros na internet e tem força para impor preços e condições.Talvez o mercado de livros vá passar pelo que aconteceu com a música – onde os artistas recebem menos de US$ 0,01 a cada vez que uma de suas faixas é tocada.

Por Bruno Garattoni | Publicado originalmente em Superinteressante | 22/06/2015

Amazon faz concurso literário


A Amazon brasileira se associou ao jornal O Globo e à Samsung para criar o concurso literário Brasil em Prosa. Podem concorrer contos inéditos publicados entre 13 de junho e 31 de julho em formato digital pela plataforma de autopublicação da Amazon, o Kindle Direct Publishing [KDP]. Os contos serão avaliados pela Amazon e pel´O Globo segundo vários critérios, como criatividade, originalidade e qualidade da escrita. Os autores dos 20 contos finalistas ganharão um e-reader Kindle, 12 meses de acesso ao programa de aluguel de e-books Kindle Unlimited e uma assinatura digital do jornal O Globo por três meses. Os três vencedores serão selecionados, dentre os 20 finalistas, por um júri de jornalistas literários de diário carioca. Os contos vencedores serão publicados no caderno Prosa do jornal O Globo, traduzidos para o inglês e vendidos mundialmente nas lojas da Amazon. Eles ganharão ainda, como prêmio, uma assinatura digital de um ano de O Globo. O primeiro lugar também levará um tablet Galaxy Tab A e o segundo e o terceiro, um Galaxy Tab E, da Samsung. Para acessar o regulamento e se inscrever, clique na página do Brasil em Prosa.

PublishNews | 15/06/2015

O conteúdo exclusivo da Amazon é o próximo grande desafio para o mercado editorial?


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Alguém mais inteligente [ou mais paciente para verificar todos os dados] do que eu poderia provavelmente descobrir em que ponto se encontra esta bifurcação, mas a Amazon está fazendo o máximo para construir uma quantidade importante de conteúdo que é desejável e não está disponível para mais ninguém a não ser ela mesma.

Isto é algo que você consegue fazer quando controla perto de 70% das vendas de e-books e já tem mais da metade das vendas totais de muitos trabalhos de ficção, que é onde o mundo da autopublicação é mais forte. Não é uma oportunidade que está disponível para nenhuma outra livraria. A Apple tentou explorar e-books mais complexos para os quais forneceram ferramentas de construção de e-books e, supostamente, oferecem o ambiente de distribuição mais produtivo para conteúdo complexo. Mas estão trabalhando em um solo menos fértil e não têm nada parecido a um setor importante da audiência necessário para avançar muito com esta estratégia.

É difícil, se não for impossível, imaginar que qualquer outro ecossistema de e-books poderia oferecer os benefícios que fariam com que alguém evitasse a Amazon.

Dois acontecimentos recentes chamam a atenção para isso.

David Streitfeld informa no New York Times que a Amazon tem formado um conclave privado, apenas por convite, com escritores nos últimos quatro anos. Eu sabia disso antes porque sou assinante do Publishers Lunch e eles informaram sobre isso há uns três anos. [Gosto de falar que você deve seguir meu sócio na organização de conferências, Michael Cader, proprietário do Publishers Lunch, quando quiser informações e depois pode me seguir para ver as opiniões.]

É algo inteligente e sensível que a Amazon está fazendo. A empresa tem se mostrado bastante preocupada com a capacidade dos escritores de promover seus próprios livros para suas audiências, mas também de promover o Kindle Direct Publishing entre seus pares. Trazer autores para uma conversa privada a fim de trocar ideias não é apenas adulador para os convidados [um benefício para a Amazon], quase certamente também mostra como ter maior sucesso cortejando autores no futuro. Isso não deveria ser visto pejorativamente, apesar de que a matéria de Streitfeld e um post no blog da empresa parecem posicionar a coisa desta forma.

O outro é a ruminação em público de Hugh Howey sobre se ele deveria aceitar a exclusividade com a Amazon, na qual Howey se pergunta em voz alta se deveria continuar exclusivo com a Amazon depois do período de teste de 90 dias baseando-se em seu cálculo de que sua audiência [talvez de forma contraintuitiva] vai aumentar enquanto sua renda vai sofrer um pequeno golpe. Tive uma conversa off-line com Hugh na qual ele enfatizou o que seu post afirma: ele realmente não sabe que caminho seguir.

[Vale a pena notar, como faz Hugh, que quando ele tomar estas decisões, elas são compromissos de 90 dias de cada vez. Claro, cada vez que ele muda acaba tendo trabalho, seja colocando os títulos em outras livrarias ou tendo que retirá-los. Mas ele pode receber os benefícios da exclusividade da Amazon em porções de 90 dias sem compromissos além destes dias, podendo entrar e sair quantas vezes quiser. Hugh faz o que na minha opinião é uma comparação inválida e inútil com os acordos de direitos autorais por toda a vida que as editoras pedem em troca de adiantamentos contra royalties e investimentos em inventário que a Amazon e outras livrarias não fazem com os autores autopublicados, mas ele está certo de que é muito mais fácil tomar uma decisão quando você só tem que viver com ela por três meses.]

Seu processo de pensamento aberto se tornou o assunto de um post de Chris Meadows no Teleread. Uma coisa que Hugh estava pensando era se ele precisava ajudar a manter alternativas à Amazon viáveis contribuindo com seu conteúdo. Meadows diz que “isso não é seu problema” e concordo com ele. Cada escritor deveria tomar as decisões editoriais que são melhores para sua marca pessoal e carreira. A primeira decisão – se uma editora oferecer alguma escolha – é se deve aceitar um adiantamento e um acordo ou se deveria se autopublicar. Se preferirem a autopublicação, precisam decidir se querem ser exclusivos da Amazon ou tentar uma distribuição mais ampla possível.

A escolha reflexiva e intuitiva é conseguir a maior distribuição possível. Há certos leitores que não compram nunca na Amazon, preferindo outras livrarias. O número destas pessoas poderia até crescer por causa da recente publicidade sobre a disputa com a Hachette e os ataques contra a Amazon feitos por Authors United. Certamente há algumas pessoas que acham importante não comprar na Amazon ou comprar o mínimo possível deles. [Eu até sou amigo de algumas dessas pessoas.]

Mas com a enorme fatia de mercado da Amazon, a capacidade que ela possui de promoção tanto através do comércio normal quanto da exposição especial como seu serviço de assinatura Kindle Unlimited, e sua disposição a dar uma força nas escalas financeiras [autores do KDP Select recebem royalties maiores; recebem bônus para os que mais vendem e os maiores títulos do KU], podem compensar o que poderia ser perdido ao evitar outros canais de distribuição.

A ideia de que ter conteúdo que não está disponível em outro lugar pode fortalecer uma livraria, não é algo exclusivo da Amazon. Foi um componente central da estratégia originalmente anunciada pela livraria iniciante Zola Books.

A Amazon ainda não sugeriu que “conteúdo só disponível aqui” era parte importante de sua estratégia de marketing. [Atualização: Fui corrigido aqui. Na verdade, eles promovem sim o conteúdo exclusivo, tanto em comunicados de imprensa quanto em sua promoção online Kindle Unlimited. Eles anunciam “mais de 500 mil títulos digitais que você não encontra em nenhum outro lugar”]. A conversa sobre exclusividade ou não esteve principalmente [deveria ser: amplamente] confinada ao diálogo deles com os autores. Na verdade, o resto do mundo editorial empurrou a empresa nesta direção ao resistir a estocar livros da Amazon Publishing. Se, em um primeiro momento, o recrutamento de autores pela Amazon poderia ter significado a esperança de uma distribuição ubíqua de seus livros, o caminho para as livrarias foi efetivamente bloqueado pois os concorrentes de tijolos não quiseram apoiar o programa deles.

A revolução da autopublicação, apesar do entusiasmo de seus maiores defensores [que definitivamente incluem Hugh Howey], só conseguiu fazer pequenas incursões entre autores que possuem a opção de um substancial adiantamento pelas editoras tradicionais. Por este motivo, o conjunto de autores exclusivos da Amazon conta com poucos que poderiam mudar a escolha do consumidor de livros [exceto talvez com algum livro em particular].

Mas se alguém que vende bastante como Hugh Howey acha que poderia estar melhor aceitando os termos padronizados de exclusividade da Amazon, é um sinal perigoso para todo o resto do ecossistema editorial. Uma editora tradicional ainda oferece visibilidade em livrarias de tijolos e ganhos que a Amazon e qualquer esforço de autopublicação não consegue oferecer. A transferência de parte do mercado das lojas para online e de impresso a digital não terminou. Toda porcentagem do mercado que muda fortalece a proposta da Amazon de exclusividade e aumenta a possibilidade de que um autor de alta visibilidade fará o salto para a autopublicação. A combinação dos dois – autores com muita marca pessoal e exclusividade com a Amazon – está entre as inevitabilidades menos desejadas que o resto da indústria terá que enfrentar provavelmente nos próximos anos, se não forem meses.

A questão é que a Amazon já está juntando um repositório de conteúdo que ninguém mais tem. Quando isso vai chegar ao ponto de começar a influenciar um grande número de consumidores é outra história.

Está programada para a Digital Book World uma apresentação de Judith Curr, muito relevante para este post, presidenta da divisão Atria da S&S, sobre a matemática da decisão que o autor deve fazer para decidir se deveria procurar uma editora ou autopublicar. A divisão de Curr trabalha muito para recrutar novos autores e, na verdade, Peter K. Borland, que dirige a Keywords Press da Atria, uma parceria com a UTA para publicar livros de “influenciadores digitais” de sucesso [pessoas com grandes audiências no YouTube], participará de um painel de “novas editoras” que estão criando suas marcas. Os outros participantes naquele painel – Entangled e Georgia McBride Media – não possuem raízes nas Cinco Grandes.

Quando estávamos prontos para subir este post, começou a correr um rumor sobre um novo programa da Amazon para recrutar mais autores autopublicados. A ideia é que as apresentações de manuscritos e capas recebam uma resenha a partir do crowd-source; então os mais votados são “considerados” para um novo tipo de contrato de publicação da Amazon. Isso não parece ter sido anunciado “oficialmente”, mas dizem que a fonte foi uma conversa com uma pessoa da Amazon e quem informou, The Digital Reader, é normalmente um lugar confiável. Esta iniciativa seria uma evidência ainda maior de que a Amazon está usando sua plataforma para controlar a distribuição do conteúdo gerado pelos autores.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Com 150 mil títulos, Amazon começa a vender livros físicos no Brasil


No lançamento, varejista oferece frete grátis em compras acima de R$ 69

A partir dessa quinta-feira [21], os brasileiros poderão finalmente comprar livros físicos pela Amazon. Para o início das operações, a varejista compôs um catálogo de 150 mil títulos. Para marcar o lançamento, a Amazon oferecerá frete grátis para compras acima de R$ 69 e entrega no dia seguinte para compras feitas antes das 11h da manhã por consumidores de algumas localidades da cidade de São Paulo. Em entrevista que concedeu nesta quarta-feira, com exclusividade ao PublishNews, Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, disse que outra funcionalidade estará disponível imediatamente aos brasileiros. É o Leia Enquanto Enviamos, que permitirá que o cliente comece a ler o livro no digital – por meio do Kindle Cloud Reader – enquanto é feito o envio do livro físico. Essa funcionalidade está disponível para 13 mil títulos, com possibilidade de expansão. “Essa experiência que transita entre o digital e o físico ao mesmo tempo está no DNA da Amazon”, disse ao PublishNews.

Catálogo

O catálogo de 150 mil títulos é composto por obras de 2.100 editoras. Os títulos vão desde os best-sellers até livros de fundo de catálogo. “Estamos lançando a loja com o maior catálogo de livros em português do Brasil. Quem acompanha a história da Amazon sabe da nossa obsessão em ter certeza de que temos um catálogo muito bom, não só composto por best-sellers, mas também por títulos de cauda longa e de backlists”, disse Szapiro.

Logística

De acordo com Szapiro, outa obsessão da Amazon é pelo cumprimento de prazos prometidos. Para alguns CEPs da cidade de São Paulo, para pedidos feitos até as 11h da manhã, a Amazon promete entregar no dia útil seguinte. Para as demais localidades, a Amazon trabalha com prazos distintos. “A gente tem certeza de que aquilo que a gente promete é aquilo que a gente pode cumprir”, defendeu. “Isso já acontecia desde antes, quando começamos a oferecer o Kindle”, completou o executivo. O frete grátis para compras acima de R$ 69 vale para todo o território nacional. Outra inovação apresentada pela Amazon é a possibilidade de o cliente devolver o livro dentro do período de 30 dias, caso o produto não atenda às suas expectativas. Ao ser perguntado sobre a possibilidade de alguns clientes se aproveitarem dessa facilidade para comprar livros, ler e depois devolver, Szapiro disse que usará a tecnologia contra esses casos: “a gente tem tecnologia para saber se um cliente faz isso uma, duas, três ou quatro vezes. A gente trabalha em prol do consumidor. Não é por causa de um ou outro caso como esse que a gente tem que prejudicar todas as outras pessoas honestas. É assim que a Amazon trabalha”.

Retrospecto da Amazon no Brasil

A Amazon começou a operar no Brasil em dezembro de 2012, com o lançamento da Amazon.com.br, da loja Kindle Brasil, do Kindle Direct Publishing [KDP] e dos e-readers Kindle que eram oferecidos em lojas da Livraria da Vila e do Pontofrio.com. No ano passado, a varejista lançou a Amazon Appstore no Brasil e, no começo de 2014, iniciou as vendas de Kindle e Kindle Paperwhite diretamente pelo seu site. Agora, além do lançamento da loja de livros físicos, a Amazon fará o seu debut em uma bienal. Pela primeira vez, a varejista terá um estande na Bienal do Livro de São Paulo, que começa na próxima sexta-feira [22].

Por Leonardo Neto | PublishNews | 21/08/2014

eBook com pintura de mulher nua na capa é recusado pelo site da Amazon


A empresa de comércio eletrônico Amazon recusou a publicação de um e-book cuja capa é ilustrada com a pintura de uma mulher nua.

Do artista franco-espanhol David Uzal, 44, o livro “Princesa Lara o la Biografía Anticipada de Quien Llevó el Sexo Dicho Débil a la Cumbre del Poder” [Princesa Lara ou a biografia antecipada de quem levou o sexo dito fraco ao ponto alto do poder] seria publicado pela plataforma Kindle Direct Publishing.

Uzal escolheu uma pintura feita por ele mesmo para a capa. A Amazon informou ao autor por e-mail que a capa violava as políticas de conteúdo da empresa e pediu que ele escolhesse nova imagem. Uzal recusou-se. Recebeu novo alerta com o mesmo pedido, que novamente recusou.

Não é possível que um quadro assim não seja aceito. Desse jeito, até Picasso seria censurado“, diz Uzal, que mora no Rio há 17 anos.

A obra fala de diferença de gêneros, pela história de uma mulher que faz revolução.

De acordo com as diretrizes de conteúdo expressas no site da Amazon, a empresa não aceita “pornografia ou representações ofensivas de atos sexuais gráficos” e “conteúdo ofensivo“.

O que consideramos ofensivo é aquilo que provavelmente você também pense que possa ser“, diz a política da empresa. A Amazon também recusa “livros cujo conteúdo ofereça ao cliente uma experiência de baixa qualidade“. Cita como exemplo “título, capa ou descrição do produto enganosos” e “livros mal formatados“.

A empresa informou, por meio de sua assessoria, que não iria comentar o caso.

Por Juliana Gragnani | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 03/05/2013

Rose Marie Muraro lança livro digital


Autora utilizou plataforma de autopublicação da Amazon

A mulher no terceiro milênio [R$ 19,90], de Rose Marie Muraro, acaba de ser lançado como livro digital na Loja Kindle Brasil, que pode ser acessada pelo site amazon.com.br, e está disponível a usuários dos e-readers Kindle e dos aplicativos gratuitos de leitura Kindle para smartphones, tablets e computadores. A autora está utilizando a plataforma Kindle Direct Publishing [KDP] da Amazon, que permite a autores publicarem com facilidade suas obras sem custos e garantindo ganhos de até 70% em royalties Segundo Rose, 12 livros de sua coleção serão oferecidos como e-books pelo KDP, os demais serão publicados ao longo do ano.

PublishNews | 19/02/2014

Piratas à venda


Plataforma de autopublicação da Amazon dá margem ao comércio de obras que lesam detentores de direitos autorais e consumidores

A ferramenta de autopublicação da varejista Amazon, que tanto facilita a vida de escritores interessados em publicar e-books sem intermédio de editoras, tem estimulado um mercado que prejudica detentores de direitos autorais e consumidores.

A plataforma Kindle Direct Publishing [KDP], cuja versão nacional estreou no fim de 2012 no site Amazon.com.br, permite a autores pôr livros no ar em minutos, ganhando de 35% a 70% do valor de capa da obra, enquanto no mercado tradicional o autor fica com até 10%.

Mas a facilidade também dá margem para usuários da maior loja de e-books do mundo ganharem algum dinheiro sem esforço, simplesmente pegando obras disponíveis gratuitamente na rede, formatando-as sem cuidado e colocando-as para venda.

Para facilitar a vida desses editores improvisados, a loja mantém a privacidade de quem vende e-books pelo sistema de autopublicação. Ou seja, o consumidor não sabe de quem está comprando, a não ser que o responsável resolva se identificar.

A Amazon ressalta, nos termos do contrato do KDP, que os interessados só podem oferecer obras cujos direitos detenham ou que estejam em domínio público, ou seja, cujos autores tenham morrido há mais de sete décadas.

Mas é comum que aqueles que usam o sistema para vender obras alheias não chequem se suas traduções para o português também estão em domínio público –os tradutores também são protegidos pela Lei de Direito Autoral.

Assim, quem procurar “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, na Amazon, achará a obra na tradução de Marcelo Backes pela L&PM [R$ 6,65], mas também em uma edição mal diagramada, sem identificação de editora nem de tradutor, e mais cara que a da L&PM, a R$ 8,32.

A tradução não creditada é a do mineiro Galeão Coutinho [1897-1951], que só cai em domínio público em 2022.

A tradutora Denise Bottmann, que há anos denuncia fraudes envolvendo traduções no blog Não Gosto de Plágio, destaca que a falta de dados lesa o consumidor.

“No caso do Werther’, parece-me relevante que os leitores saibam que se trata de uma tradução dos anos 1940 de Galeão Coutinho. Isso permite inferir que foi feita [indiretamente] do francês [e não direto do alemão], que o estilo é o que prevalecia 70 anos atrás; aos interessados, o fato de o tradutor ser quem é há de ser relevante, por sua envergadura intelectual.”

Uma avaliação de leitor no site da Amazon, feita em dezembro de 2012, destaca que a edição é “mal formatada e malfeita”, mas a obra ainda estava à venda até ontem.

À Folha a Amazon informou que “respeita os direitos de propriedade intelectual”.

POR RAQUEL COZER | COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 08/02/2014

Autores independentes ganham plataforma na Amazon


Kindle Direct Publishing paga 35% das vendas aos autores

A Amazon veio e trouxe consigo sua plataforma de autopublicação Kindle Direct Publishing, conhecida como KDP. Autores independentes brasileiros podem vender seus títulos autopublicados na loja do Kindle, disponibilizando-os assim para 175 países. Apesar de vender milhões de títulos mundo afora, o escritor Paulo Coelho entrou na onda da autopublicação e está vendendo 13 e-books pela plataforma.

O serviço é gratuito, e o autor ganha 35% das vendas como direito autoral. Existe a opção de receber 70% das vendas com royalties, pelo serviço KDP Select, que torna os títulos exclusivos para o Kindle e oferece algumas ferramentas de promoção dos livros publicados.

Nesse aspecto, a Amazon chegou antes da Kobo. Apesar da empresa canadense ter grandes planos para a autopublicação, inclusive uma versão em português de sua plataforma Writing Life, ainda não há perspectiva de quando ela vai inaugurar por aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 06/12/2012

Receita maior, lucro menor, e Amazon destaca self-publishing


Vinte dos cem livros mais vendidos para Kindle foram autopublicados em programa da gigante virtual

A Amazon anunciou ontem, 26/7, seus resultados para o segundo trimestre de 2012. A gigante de Seattle registrou forte crescimento de sua receita, mas seu lucro foi baixo. A receita da empresa alcançou 12,83 bilhões de dólares no período, uma alta de 29 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. Já o lucro líquido no trimestre foi de 7 milhões de dólares, ou 0,01 dólar por ação, enquanto que no segundo trimestre de 2011 o lucro foi de 191 milhões de dólares, ou 0,41 dólar por ação.

Entre os destaques do anúncio dos resultados, que pode ser acessado em inglês, está o sucesso do Kindle Fire que, segundoa Amazon, é o produto mais vendidos da empresa entre todos os milhões de itens de seu catálogo Outro destaque é o projeto Kindle Owners’ Lending Library – que permite a proprietários de Kindle com conta Prime emprestarem e-books gratuitamente – tem agora um catálogo de mais de 170 mil títulos. A empresa ainda ressaltou que durante o segundo trimestre do ano, 20 dos 100 e-books mais vendidos para o Kindle eram de autoria de participantes do programa de autopublicação Kindle Direct Publishing.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 27/07/2012

As novidades da Apple


Companhia avança no mercado de didáticos e de autopublicação

A Apple anunciou novidades, ontem, para o mundo dos livros e da educação. A companhia americana lançou a segunda versão do aplicativo iBooks, que permite o uso de livros didáticos multimídia no iPad, de olho no aumento do uso de tablets para ensino.

A empresa também deu um passo importante para disputar o segmento autopublicação ao anunciar o iBooks Author, um app com o qual autores podem criar seus próprios e-books e colocá-los à venda na iBookstore, de forma independente.

Por fim, a Apple anunciou um novo iTunes U, que permite a educadores criar e distribuir cursos completos, com recursos de áudio e vídeo, entre outros.

O iBooks 2 foi anunciado em conjunto com uma primeira leva de e-books didáticos criados em parceria com Pearson, McGraw-Hill e Houghton Mifflin Harcourt, grandes grupos de publicações educacionais. A Apple disse que o aplicativo vai, em algum momento, incluir obras de todas as disciplinas para todos os níveis de ensino.

Os livros didáticos disponíveis para compra no iPad custarão US$ 14,99 ou menos, segundo a companhia, e oferecem diversos recursos, incluindo animação. Os estudantes também podem responder perguntas interativas sobre o conteúdo e usar o dedo para ressaltar parte dos textos.

Já o iBooks Author foi descrito como “a mais avançada, a mais poderosa e a mais divertida ferramenta para a autoria de e-books já criada”, de acordo com Phil Schiller, vice-presidente de marketing global da Apple.

O lançamento significa que a companhia passa a brigar de frente com serviços como o Kindle Direct Publishing, da Amazon, que permite que os autores publiquem seus e-books diretamente, sem o intermédio de uma editora. Segundo a Apple, o novo app permite criar um e-book atrativo, com diferentes recursos, a partir de um simples arquivo de Word. Embora o lançamento tenha sido associado ao segmento de obras educacionais, nada impede que seja usado por autores de qualquer tipo de livro.

Em entrevista ao site da The Bookseller, o agente literário Peter Cox observou que a Apple tornou mais fácil do que nunca produzir um “enhanced e-book”. “Eles [a Apple] eliminaram os obstáculos técnicos que existiam. Isso vai ter grandes implicações no crescente mercado de autopublicação – e não só nos livros didáticos.

Já a venda de livros educacionais no iPad por “14,99 ou menos” vai significar, para o agente, uma nova corrida por preços mais baixos, com impactos significativos para o mercado.

Para Gabriela Dias, gerente no Brasil de pesquisa e desenvolvimento de conteúdos digitais na Edições SM, grupo espanhol de publicações educacionais, os lançamentos da Apple abrem uma porta importante para a autopublicação, permitindo que mais autores e escolas que não usam sistemas de ensino desenvolvam e disponibilizem conteúdos próprios, a custos baixos. Por outro lado, o conteúdo serva apenas para o iPad, o que coloca a questão de quão relevante será a mudança proporcionada pela Apple. “Pelo menos no Brasil, o iPad alcança um público muito restrito, por ser muito caro. Ainda não há uma escola que faça uso massivo dele”, avalia.

Para Dias, as editoras brasileiras, que já vêm sendo pressionadas pelas escolas particulares e também pelo governo [veja a coluna escrita por ela no PublishNews], devem produzir conteúdo multiplataforma – podendo utilizar as ferramentas da Apple para produzir conteúdo para iPad, mas sem ficarem restritas a esse sistema. “A Apple sem dúvida está facilitando a produção de livros didáticos, mas ainda há barreiras para a inserção desse conteúdo na sala de aula”, diz.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 20/01/2012

Os donos do fogo


A biblioteca de empréstimos do Kindle incomodou o mercado ao relativizar a propriedade do e-book

Para o lançamento de seu mais recente tablet, o Fire, a Amazon encontrou um inesperado porta-voz na figura de Voltaire. Um anúncio de televisão, que resumia seiscentos anos de evolução do processo de publicação de forma a culminar com o Kindle Fire, foi embalado pela seguinte frase do escritor francês: “A instrução que encontramos nos livros é como o fogo [“Fire”]. Nós o buscamos nos vizinhos, o atiçamos [“Kindle”] em casa, o comunicamos com os outros, e ele torna-se propriedade de todos.

É talvez com propósito, ou com ironia, que a Amazon tenha escolhido uma citação que prega que os livros são “propriedade de todos”. Afinal, desde que o livro se tornou uma mercadoria física e estocável [mais ou menos no período de Voltaire], sabe-se que a “propriedade” de um livro divide-se entre quem o escreveu [propriedade intelectual, que seja], quem o comprou na livraria e, principalmente, quem o produziu, o detentor do copyright, a editora.

O lançamento da biblioteca de empréstimo do Kindle [Kindle Lending Library] conseguiu incomodar a todos os envolvidos — autores, agentes, editores, livrarias — ao relativizar a propriedade do livro eletrônico. Em resumo, é um sistema de assinatura, em que o leitor paga U$ 79 por ano e tem direito de baixar um livro por mês. Quando tiver lido, [ou desistir da leitura], o assinante pode baixar outro livro, e o anterior será apagado de seu Kindle. Os livros ficam brevemente em posse do leitor [no Kindle] — mas não são sua propriedade.

Um dos argumentos a favor da empreitada é a comparação com a bem-sucedida Netflix, empresa de assinatura de filmes que funciona nos mesmos moldes. Há de se considerar, porém, que o hábito de comprar filmes é bem recente. Começou com as fitas VHS nos anos 1980, passou para o DVD, e sempre conviveu com as locadoras. Já os leitores têm o peso da tradição de seis séculos de livros comprados e enfileirados nas estantes.

Assim, o que foi de fácil acepção pelo cinéfilo pode ser um choque para o leitor. A Amazon tenta anular ceticismos ao dizer que pagará às editoras, por livro “emprestado”, exatamente o que paga por livro vendido. Em resumo, ela “comprará” o livro da editora a cada vez que ele for “emprestado”. Na ponta do lápis, isso faz sentido, uma vez que uma assinatura anual de U$ 79 representa, no máximo, a venda de 12 livros ao custo unitário de U$ 6,58, o que, por sua vez, no modelo de distribuição com margem de 35%, significa preços de capa em torno de U$ 10 — não muito longe do patamar atual.

Mesmo com essa conta, as editoras continuam desconfiadas. Das grandes, somente a Houghton Mifflin Harcourt aceitou participar, porém “com oito títulos, para fazer um teste”. As Big Six, ainda ressabiadas com a pressão para abandonar o sistema de agenciamento, não querem nem ouvir falar em empréstimos.

Mais enfáticos são os agentes e escritores, que acusam a Amazon de “emprestar” livros sem a devida autorização, já que a prática não está prevista nos contratos com as editoras. A Guilda de Autores[organização de escritores] e a Associação dos Representantes de Autores [que reúne os agentes] querem que seja acordado, antes de tudo, um novo mecanismo de royalties — ou que sejam eles a negociar com a Amazon, não as editoras. [A fórmula de pagamento de direitos autorais também é uma questão a ser resolvida no projeto Nuvem de Livros, da Gol editora, como se viu em recente debate na Primavera dos Livros].

Negociação direta com os autores talvez seja exatamente o que quer a gigante de Jeff Bezos. Afinal, boa parte do que está disponível para empréstimo foi autopublicado, através das plataformas da Amazon para o escritor individual, Kindle Direct Publishing e Create Space. Outra parte veio dos selos próprios da Amazon, onde o acordo entre escritores foi fechado sem a intermediação de editoras tradicionais.

A estratégia de atrair o autor individual, no entanto, foi o que suscitou a reação mais colérica. E não foi entre as editoras tradicionais, mas entre plataformas de publicação, como a SmashWords. Tudo porque a Amazon acaba de lançar o KDP Select, um fundo de pelo menos U$ 6 milhões de dólares anuais para distribuir entre os autores que publicarem diretamente [leia-se: sem editoras ou agentes] na Amazon e liberarem seus livros na Lending Library. Pela regra, o bolo vai ser dividido entre os escritores na proporção que seus livros obtiverem no número total de empréstimos.

Considerando que, no momento, há cerca de cinco mil títulos, cada autor começa, potencialmente, com um quinhão de U$ 1.200. Segundo o próprio exemplo da Amazon, quem mantiver ao longo do ano meros 1,5% do número de empréstimos levará respeitáveis U$ 90 mil.

Mark Coker, em artigo inflamado no Huffington Post, alerta para graves riscos na iniciativa do KDP Select, e faz insinuações sombrias sobre as reais intenções da Amazon.

Aqui está a pegadinha. Na verdade, há muitos ardis no lista de Termos e Condições do programa. Alguns deles trazem implicações anticoncorrência e práticas anticomerciais. Assim que o autor inscreve seus livros no programa, ele não pode distribuir ou vender seu livro em qualquer outro lugar. Nem na Apple iBookstore, nem na Barnes & Noble, nem na Smashwords, nem na Kobo, nem na Sony — e sequer em seu blog ou site pessoal. O livro tem que ser 100% exclusivo da Amazon.

Segundo Coker, a intenção da Amazon é, em última análise, reduzir todos os papéis da indústria editorial para apenas três: os autores, os leitores e, entre eles, a Amazon. Nada de livrarias concorrentes, nada de editoras ou agentes, nada de sites de autopublicação. É o fim daquilo que ele chama de editoras e livrarias indie [independentes]. Dramático, o criador do Smashwords alerta que podemos estar nos encaminhando para uma versão editorial da Grande Fome da Irlanda, que, no século 19, matou um quarto da população morreu desnutrida depois que o país inteiro apostou em uma única fonte de alimentação: a batata.

Muitas páginas serão escritas, impressas e baixadas sobre o assunto, até que se estabeleçam as novas práticas comerciais e novos papéis. Iniciativas como a Amazon Lending Library e a Nuvem de Livros parecem indicar que o livro deixará de ser uma mercadoria para tornar-se um serviço, como a água ou a eletricidade. Pode-se apostar, porém, que, ao contrário do livro-fogo de Voltaire, o livro-Fire não será “propriedade de todos”.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 22/12/

Julio Silveira é editor, fundador da Ímã Editorial e autor do blog AUTOR 2.0.

O que as pequenas editoras, os agentes e os autores precisam saber sobre publicação de eBooks


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 14/09/2011

Mike Shatzkin

Com a aceleração na passagem de um mundo editorial centrado na impressão para outro, centrado no digital, estão surgindo cada vez mais editoras digitais.

As maiores editoras, com os recursos de departamentos de TI sofisticados para guiá-las, já são parte do jogo há alguns anos e estão prestando muita atenção desde que o Kindle foi lançado pela Amazon no final de 2007. Mas com o crescimento do mercado, também aumentou o ecossistema. Há três anos era possível alcançar uma boa parte do mercado de e-books através de uma única livraria, a Amazon, num aparelho que realmente só conseguia mostrar livros de texto narrativos lineares; agora temos muitas opções para chegar ao consumidor por causa da maior variedade de aparelhos e com apresentações que podem ser sofisticadas.

Serviços gratuitos ou muito baratos oferecidos na internet a toda editora – de qualquer tamanho –, todo agente literário e todo aspirante a autor sugerem “você pode fazer isso” e dão a entender que pode ser feito “de maneira eficiente e sem muita ajuda”. Na verdade, serviços como o KDP [Kindle Direct Publishing] da Amazon, o PubIt! da Barnes and Noble e provedores de serviços comoSmashwords e BookBaby, oferecem a possibilidade de criar um e-book a partir do seu documento e distribuí-lo através da maioria das livrarias, para quase todo os aparelhos e quase de graça.

É realmente assim tão simples? Dá para suspeitar que não, já que agências literárias estão criando editoras de e-books [por exemplo: a Diversion, agência de Scott Waxman] e um pacote de serviços [por exemplo, a The Knight Agency em Atlanta] e consultoria para ajudar os seus autores. E num nível um pouco acima, as empresas de distribuição de e-books [por exemplo: MintRight] e editoras somente de e-books [por exemplo: Open RoadRosetta, e a avó de todas elas, a e-Reads de Richard Curtis] estão criando mais alternativas, às vezes até proposições explicitamente voltadas para os agentes. Se publicar e-books para todos os canais fosse realmente uma simples questão de fazer o upload de um arquivo, dificilmente seria necessário construir toda essa infraestrutura.

Sabemos que editoras pequenas, agentes literários e autores estão se transformando em editores a uma taxa incrível. Há dois anos, quando eu estava tentando organizar um painel de agentes literários para conversar sobre o trabalho com autores com base em cobrança por serviços no lugar de uma parcela dos royalties, foi difícil encontrar voluntários para discutir novos modelos. Há duas semanas, um grande agente de fora de Nova York me disse: “todos temos de pensar sobre isso agora; não temos alternativa”.

Resumindo, não são apenas as grandes editoras que estão dispostas a desenvolver uma estratégia digital para ajustar seus negócios aos novos tempos. Os competidores menores, os agentes que dependem da distribuição do seu conteúdo e até os autores que dependiam de editoras cujo negócio sempre foi transformar um manuscrito num livro, estão todos encarando uma nova realidade. Precisam considerar quais novidades poderiam reduzir ou eliminar a necessidade de uma editora ou pelo menos reduzir sua participação.

Apesar da estratégia correta para cada um depender de fatores que diferem para cada caso, há coisas que todos os que estão entrando nesta arena precisam saber e entender.

Primeiro de tudo, quais são todas as coisas que os editores fazem para que o manuscrito se transforme em uma venda? Todas elas são necessários? Quanto custam? Edição e desenvolvimento, revisão, design, criação de metadados: são coisas feitas rotineiramente nas editoras. Elas são críticas para todo livro? Um leitor/comprador notaria se um editor novato deixasse de fazer alguma delas? Os serviços que prometem fazer e distribuir um e-book sem investimentos fazem essas coisas bem?

Os e-books em si se tornaram cada vez mais complicados. O padrão ePub [usado por quase todo e-book não direcionado ao ecossistema Kindle] melhorou para enfrentar o desafio das apps e conseguir incluir cor, vídeo, áudio e elementos de software. Todo mundo que sabe que “você recebe pelo que paga” espera que os e-books mais complexos custem mais e deem mais trabalho para ser criados do que e-books de texto narrativo tradicional. Mas o que constitui algo “complexo”? E quanto dinheiro a mais custa esse “dar mais trabalho” para o editor que quer distribuir um e-book mais complexo do que simplesmente texto?

O marketing de e-books também exige todo um novo conjunto de conhecimentos e habilidades. A chave para todo o marketing de e-book é a metadado que o acompanha. Códigos que viajam junto com o arquivo especificando a informação bibliográfica central e o preço, mas que podem também representar muito mais do que isso a uma livraria ou um mecanismo de busca. Search engine optimization [SEO] é a arte de criar metadado que faz com que o livro tenha mais possibilidades de ser encontrado em resposta a diversas buscas; isso é outro conhecimento que novos editores de e-books precisam ter.

Este é apenas o começo do que é possível [e portanto necessário] no marketing de e-book. Trechos de capítulos podem ser distribuídos de graça. Sites podem ser convidados como parceiros…

E autores e editoras podem, e devem, fazer “marketing nas redes sociais”: usar o Twitter e o Facebook para comentar em perfis de grande audiência para chamar a atenção e ganhar credibilidade com audiências mais amplas. Isso significa mais conhecimento a ser adquirido.

Qualquer novo editor vai precisar entender os caminhos para o mercado. É verdade que a Amazon tem mais da metade das vendas de e-books nos EUA e a Barnes & Noble tem a metade do que sobra. Mas isso não acontece com todo livro e ignorar os outros deixa um bom pedaço do mercado inexplorado, sendo que as coisas estão mudando muito rapidamente [a participação da Amazon no mercado caiu muito nos últimos dois anos]. A OverDrive é o principal caminho para as livrarias. A Ingram agrega muitas lojas independentes. A Baker & Taylor está abrindo mercados entre grandes varejistas. A Kobo é tão importante no Canadá quanto a B&N nos EUA e trabalha em outros mercados no mundo todo. A Google tem o ecossistema de e-books que está entrando com seriedade entre as livrarias independentes. A Sony está para apresentar novos aparelhos que podem aumentar a sua importância no mercado. E a Apple está fazendo o máximo para dominar as vendas para seus aparelhos, que constituem uma grande fatia do bolo dos consumidores de e-books.

É possível chegar a todos esses canais diretamente, mas também existem muitos serviços para fazer o trabalho incrivelmente complexo de distribuir e administrar estes múltiplos canais. Perseus ConstellationIngram DigitalINscribe DigitalLibreDigital [recém comprada pela Donnelley] eBookmasters, assim como os serviços automatizados: Smashwords, BookBaby e MintRight que já mencionamos, além de outros, oferecem pacotes de serviços que fazem as mesmas coisas e ajudam com as necessidades de criação e marketing também.

Como falamos no começo, as maiores mudanças no mercado editorial estão acontecendo na comunidade de agentes. O que foi um modelo de negócio estável durante gerações está agora, repentinamente, mudando. Parece que há tantos modelos e posturas novas quanto agências literárias. Isso acrescenta outra coisa que todas as e-editoras – algumas formadas por agentes, outras por pequenas editoras tradicionais ou escritores – precisam saber e compreender. As relações entre autores, agentes e editores estão ficando muito mais complicadas e todo mundo precisa passar algum tempo pensando nisso e discutindo o seu significado.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 14/09/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Kindle Store chega à Alemanha


E passa a abrigar o maior catálogo de livros digitais do país

Kindle Store

Ao começar a vender e-books na Alemanha na semana passada, a Amazon se tornou, instantaneamente, a maior e-bookstore daquele país.

Já na inauguração, a livraria virtualdisponibilizava 250 mil títulos, sendo que alguns deles, sobretudo clássicos alemães, podem ser baixados gratuitamente.

A empresa também está de olho nos autores independentes e anunciou que seu projeto Kindle Direct Publishing [KDP] está disponível lá. Uma das vantagens para quem optar por essa forma de publicação é o recebimento de 70% de direito autoral.

PublishNews | 26/04/2011