Presidente francês quer que Google e jornais fechem acordo sobre direitos autorais


O presidente francês, François Hollande, quer que o Google e meios de comunicação fechem um acordo até o final de ano sobre direitos autorais. A informação foi dada na segunda-feira ao presidente-executivo da empresa, Eric Schmidt.

Se os jornais e o Google não conseguirem chegar a um consenso, “uma lei poderá regular a questão, a exemplo do que acontece na Alemanha“. O projeto de lei alemão estabelece que portais de busca têm que pagar para indexar os conteúdos das versões eletrônicas de jornais e revistas, por exemplo.

A companhia rechaça o projeto de lei que considera “nefasto para a internet, para os internautas e para os editores que, hoje, se aproveitam do tráfego substancial gerado pelo Google News e pelo motor de buscas“.

Na nota enviada à Folha, o Google não quis revelar detalhes sobre o teor da conversa com o presidente francês nem sobre o andamento das negociações com a imprensa francesa, mas reiterou que, caso uma lei nos moldes do texto alemão seja adotada na França, ele se “veria obrigado a não mais referenciar os sites dos jornais franceses“.

Apoiados pela ministra da Cultura e da Comunicação, Aurélie Filippetti, os sindicatos argumentam que o Google capta receitas publicitárias, mas utiliza gratuitamente os conteúdos de jornais e de sites de notícia.

Para o IPG [associação que reúne os principais veículos da imprensa francesa como os jornais “Les Échos” e “Le Monde”], os órgãos de imprensa merecem ser recompensados financeiramente “pelo valor que geram” a fim de que possam investir na melhoria da qualidade dos seus serviços.

Embora defendido pela maioria da imprensa francesa, o “imposto Google”, como tem sido chamado, encontra oposição em alguns segmentos do jornalismo. O Spiil [sindicato da imprensa independente on-line] escreve que “as dificuldades enfrentadas pela imprensa não serão superadas pela criação de um novo tipo de receita, mas, sim, por um novo ecossistema da informação digital”.

Em uma carta endereçada ao governo e aos sindicatos, o Google declarou que o desenvolvivimento do uso de smartphones e de tablets fará com que, no futuro as empresas de comunicação consigam lucrar com essas novas ferramentas.

MODELO BRASILEIRO

No Brasil, os jornais associados à ANJ [Associação Nacional dos Jornais], que representam 90% do mercado, tiraram suas matérias do buscador há mais de um ano.

Depois que o caso brasileiro repercutiu internacionalmente, a ANJ recebeu dezenas de mensagens de apoio e de pedido de informações de associações internacionais, e jornais da França, da Alemanha e do Chile, entre outros.

A disputa ganhou as manchetes de CNN, BBC, “El País” e agência EFE durante encontro da SIP [Sociedade Interamericana de Imprensa, na sigla em espanhol] em São Paulo, há cerca de dez dias, quando o assunto foi debatido em painéis com a presença de representantes do Google e da ANJ.

Para a ANJ, a experiência de ficar fora do Google News ajudou a derrubar um dos argumentos usados pelo Google, de que estar elencado nas buscas ajuda a levar mais leitores para os veículos – o que poderia se traduzir em aumento de receitas publicitárias.

Desde que os jornais associados à ANJ decidiram parar de ter suas matérias elencadas pelo buscador, o tráfego para os respectivos portais caiu, em média, menos de 5%. “É um custo muito pequeno comparado aos efeitos danosos de ter seu conteúdo distribuído de graça”, diz Ricardo Pedreira, diretor executivo da ANJ.

PROJETO LINHA 1

A decisão de romper com o Google surgiu depois de uma tentativa de acordo entre as partes, que foi o Projeto 1 Linha, de 2010.

Como o Google tem por política global não pagar para as empresas jornalísticas para exibir links de matérias na busca, os jornais propuseram limitar a uma linha de notícias o resultado das buscas, na esperança de que a curiosidade ajudaria a levar o leitor para seus respectivos sites. Durou apenas seis meses.

“Não apenas não funcionou como identificamos fragilidades no Google News”, diz Pedreira. “Eles nos diziam que o sistema eletrônico colocava em primeiro plano notícias de sites mais acessados, e a gente viu que isso não era verdade.”

Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo, TEC | 01/11/2012, às 20h42

Leitor ‘se engaja’ mais na notícia impressa


Estudo de universidade dos EUA diz que o meio é um importante indicador para a retenção de dados após a leitura

Grupo leitor do ‘NYT’ no papel recordou mais notícias, tópicos e trechos dos textos do que quem o leu no site

Consumidora de San Francisco compra exemplares do "New York Times"; leitor do impresso recorda mais que o da web

Um estudo da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, levantou que um leitor de jornal em papel retém mais que um leitor on-line.

Intitulado “Medium Matters” -“questões de meio” em uma tradução mais literal ou, em trocadilho, “o meio importa”-, é uma análise sobre o “engajamento com jornais” nos dias de hoje.

Em suma, diz o estudo, “os leitores on-line tendem a escanear os textos, enquanto os leitores de impresso tendem a ser mais metódicos“.

Mais especificamente, o leitor do “New York Times” impresso recorda em média “significativamente mais notícias” [9,6] que o leitor do site do jornal [7,3]. Ele também relembra “significativamente mais tópicos” [4,2] que o leitor on-line [2,8]. Por tópico, o levantamento entende a essência de cada texto.

Também quanto aos pontos principais -ou seja, os trechos importantes distribuídos ao longo do texto- o leitor do jornal impresso recorda mais [4] que a pessoa que lê na mídia on-line [2,8].

O único empate na comparação entre papel e site acontece na lembrança de títulos, mais superficial.

A pesquisa registrou o comportamento de 45 estudantes da própria universidade, na grande maioria [77%] habituados a obter suas notícias via internet. Eles foram divididos em dois grupos, para a leitura monitorada das versões em papel e on-line do “New York Times”.

Arthur Santana, um dos três autores da pesquisa e que foi repórter e editor do “Washington Post”, avisa que os resultados em nada alteram “o que está ocorrendo com os jornais, ao menos neste país [EUA], onde prosseguem em declínio gradual”.

O pesquisador não acredita que esses resultados sejam indicação de que “os jornais ainda têm uma função útil e necessária“. Santana afirma, entretanto, que “é importante“, inclusive para os próprios jornalistas, “saber e compreender“.

CONCENTRAÇÃO

A principal explicação para a diferença na retenção seria que um site não apresenta as notícias com a gradação de importância que o papel apresenta. Não dá tantas “indicações de ênfase” ao leitor e, assim, acaba por não cumprir a “função de estabelecer agenda”, característica histórica dos jornais impressos.

O levantamento da Universidade de Oregon também “demonstra que o desenvolvimento de formas dinâmicas [de edição nos sites] teve pouco efeito” no sentido de melhorar a retenção.

Arthur Santana lembra Nicholas Carr, autor de “The Shallows” -“os rasos”, obra traduzida no Brasil como “A Geração Artificial” [editora Agir]. O livro questiona os efeitos da internet sobre a capacidade de “concentração e contemplação”.

Para o pesquisador, as próprias pessoas hoje se condicionam a ler “apressadamente, dispersamente, desengajadamente”, seja como for.

COEXISTÊNCIA

Para Jack Shafer, crítico de mídia da agência de notícias Reuters, “embora o número de leitores testado seja pequeno, o estudo confirma meu viés de que o impresso é superior”.

Shafer passou um ano sem ler a versão impressa do “New York Times”, acreditando que não era mais necessário, pois o site já se mostrava superior. Voltou a assinar quando começou a sentir “falta das notícias”. Ele diz que gastava horas no site, mas “não lembrava”, pois a leitura on-line “havia afetado minha capacidade de retenção”.

Apesar de ter recuado ao experimentar ficar sem ler no papel, Shafer diz não ser “nenhum ludita”, referência ao movimento que reagiu às máquinas nas fábricas têxteis inglesas, no século 19, durante a Revolução Industrial.

Você não pode pesquisar em papel e você só tem acesso a um punhado de edições de fora da cidade, no dia em que são publicadas; portanto, fico contente que os dois meios coexistam.

POR NELSON DE SÁ | ARTICULISTA DA FOLHA | São Paulo, domingo, 29 de janeiro de 2012

Editores alemães denunciam Google a escritório antimonopólio


Editores de jornais e revistas alemães denunciaram o Google no Escritório Federal Antimonopólio da Alemanha pelo não pagamento de direitos pelos resultados das buscas, os chamados “snippets”, às publicações envolvidas.

O próprio site de buscas confirmou as informações publicadas por vários veículos de imprensa alemães neste fim de semana sobre as denúncias, que se somam às apresentadas pelo site Ciao, controlado pela Microsoft; e pela empresa de cartografia pela internet Eurocities.

A Confederação Alemã de Editores de Jornais [BDZV, na sigla em alemão] tinha exigido já no final do ano passado saber como e por que determinados veículos de imprensa aparecem no topo dos resultados das listas do Google; também queria uma participação nos lucros publicitários.

Nesse sentido, a BDZV destacou que o Google fatura anualmente na Alemanha cerca de 1,2 milhão de euros [US$ 1,7 milhão] pela publicidade publicada junto aos resultados das buscas.

Outros reclamantes

Já o Ciao considera que o Google violou em parte o contrato assinado pelas duas empresas para a publicidade on-line AdSense em sites de terceiros, enquanto o Eurocities considera desleal a oferta gratuita de mapas do gigante americano.

Aparentemente, o Escritório Federal Antimonopólio Alemão reivindicou uma posição do Google antes de estudar a abertura de um processo.

Um porta-voz do Google apenas confirmou as denúncias e a reivindicação do escritório, assim como a disposição da empresa de cooperar com o mesmo.

da Efe, em Berlim – 18/01/2010 – 09h06