Amazon inaugura quiosque na Paulista


Depois de inaugurar a sua primeira loja física de livros em Seatle, a Amazon anuncia a abertura de um quiosque interativo na Avenida Paulista para promover o Kindle, o seu e-reader. A lojinha, que abriu hoje, fica no Top Center, no número 854 da avenida-símbolo da capital paulista e, nela, clientes podem, além de conhecer os produtos da gigante de Jeff Bezos, baixar gratuitamente o app de leitura do Kindle e ganhar cupons de descontos exclusivos. No Brasil, a Loja Kindle tem disponível mais de 3,5 milhões – 60 mil deles em português – de e-books e a Amazon.com.br tem em seu catálogo mais de 10 milhões de livros físicos, 170 mil deles em português

Por Leonardo Neto | PublishNews | 26/11/2015

Amazon abre sua primeira loja física


A loja inaugurada na manhã desta terça-feira está localizada em Seatle, cidade-sede da gigante de Jeff Bezos

Amazon abre sua primeira loja física | © Amazon.com

Amazon abre sua primeira loja física | © Amazon.com

Uma notícia chacoalhou a indústria do livro o início dessa semana. Nesta segunda-feira [2], aAmazon anunciou a inauguração da sua primeira loja física. O texto, assinado por Jennifer Cast, vice-presidente da Amazon Books – nome dado à nova empreitada — , diz que a loja é uma “extensão da Amazon.com”. “Nós aplicamos 20 anos de experiência na venda de livros online para criar uma loja que integre os benefícios da venda de livros online e offline”. Uma placa no interior da loja ressalta que os preços praticados na loja de tijolos e argamassa são exatamente os mesmos da loja virtual. De acordo com o jornal The Seattle Times, a loja tem em suas prateleiras cerca de cinco mil títulos. Ainda segundo o jornal, a Amazon está apostando que os seus sofisticados mecanismos de busca e “descobertabilidade” vão lhe dar vantagens na sua nova loja física. “Mais do que a maioria dos varejistas de livros, a Amazon tem profundo conhecimento sobre os hábitos de compras de seus clientes e, assim, pode estocar em sua loja apenas os títulos com mais probabilidade de circulação”, diz o jornal.

Além de livros, a loja da Amazon vai comercializar os devices da gigante de Seattle, como o Kindle, Echo, Fire TV e Fire Tablet. “Experts nos produtos da Amazon estarão à disposição para ajudar, responder perguntas e demonstrar os produtos em ação”, disse o comunicado.

A cidade escolhida para sediar a primeira loja da Amazon é justamente Seattle, a cidade onde estão instalados os escritórios centrais da empresa de Jeff Bezos. A loja abrirá de segunda a segunda [exceto os feriados de Ações de Graças e Natal]. De segunda a sábado, das 9h às 21h e aos domingos, das 11h às 18h. A loja está instalada no número 4.601 da 26ª Avenida.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 03/11/2015

O calvário dos eBooks


Os livros digitais dão sinais de perda de fôlego nos países desenvolvidos e ainda não têm relevância nos negócios das editoras brasileiras

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Poucos setores ficaram imunes ao avanço da tecnologia digital. A indústria fonográfica, por exemplo, foi a primeira a sentir os efeitos da digitalização, que levou as principais empresas da área quase à bancarrota no início dos anos 2000. A televisão sente os efeitos da internet, com o surgimento de um telespectador que quer assistir o que quer, na hora que desejar e no dispositivo que for mais conveniente. A Netflix é o grande expoente dessa nova era. Diante disso, muitos viram no Kindle, lançado em 2007, o começo do fim do livro impresso.

O aparelho da Amazon, de Jeff Bezos, tinha tudo para fazer para a indústria editorial o que o iPod fez para o setor musical. Ledo engano. Para surpresa geral, as editoras abraçaram os livros digitais [e-books]. E logo descobriram que a margem de lucro das versões digitalizadas era o dobro da tradicional, mesmo com um preço mais baixo. Era um sinal de que a transição, considerada inevitável, do livro de papel para o digital seria feita sem grandes solavancos. Só faltou combinar com o leitor. Nos países desenvolvidos, o livro digital começa a dar sinais da falta de fôlego.

Executivos da maior cadeia de livrarias da Inglaterra, a Waterstone, declarara ao jornal Financial Times que as vendas de Kindle simplesmente desapareceram. A perda de impulso já atingiu a Simon & Schuter, membro do “Big Five”, grupo dos cinco maiores conglomerados do mundo [Penguim Random House, Hachette, HarperCollins e Macmillan completam o time]. Subsidiária do grupo de mídia CBS, a S&S registrou queda nas vendas de 3,8%, para US$ 778 milhões. O lucro caiu 5,6%, para US$ 101 milhões. Uma razão para o ano ruim foi a redução no ritmo das vendas digitais.

A fatia diminuiu de 24,4% em 2013 para 23,2% no ano passado. Não se trata de casos isolados. A consultoria americana Gartner aponta que, em 2017, os e-readers como o Kindle venderão 10 milhões de unidades, número 50% menor do que as vendas do ano passado. Com a estagnação, a alternativa é ler e-books nos tablets, que também estão passando por um declínio de vendas, e smartphones. “São aparelhos que dispersam, oferecem opções demais de entretenimento e não são apropriados para a leitura longa”, afirma Eduardo Melo, fundador da consultoria de livros digitais Simplíssimo.

Por que aparelhos como o Kindle enfrentam esse calvário? O rechaço tem a ver com sua função única. O consumidor, ao que tudo indica, quer fazer mais tarefas com uma tela. Isso fez com que as principais empresas do segmento, como Amazon e Kobo, passassem a investir na produção de tablets. Se nos países ricos os e-books patinam, no Brasil, eles nunca deixaram o gueto editorial. Apenas 2% dos R$ 5,3 bilhões faturados com livro no Brasil vêm de ebooks, segundo levantamento da Fipe de 2013 [dado mais recente]. A Biblioteca Nacional, por exemplo, expediu 16.564 ISBNs [código de identificação dos livros] para e-books no ano passado, apenas 1% a mais que no ano anterior.

De 2012 para 2013, o crescimento havia sido de 10%. Diversas iniciativas voltadas para e-books foram abandonadas, como o selo Breve Companhia, da Companhia das Letras, empresa da Penguim Random House, que publicava obras inéditas direto na mídia digital. Ela foi descontinuada no fim do ano passado. “No momento, estamos repensando o enfoque”, diz Fabio Uehara, editor de e-books da empresa. “Temos outros lançamentos digitais previstos para este ano.” A fadiga também atinge o varejo. “Crescemos dois dígitos, mas esperava um crescimento muito maior”, afirma Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, que comercializa ebooks e e-readers da Kobo.

Apesar de ser muito novo, esse mercado já mostra certa saturação”. A japonesa Rakuten, dona da Kobo, ainda é otimista. A empresa aumentou sua aposta nos livros digitais ao comprar a distribuidora de e-books Overdrive por US$ 410 milhões, em março deste ano. Amazon, Saraiva e Livraria Cultura não fornecem dados de vendas no Brasil, mas quem acompanha o setor não vislumbra um grande apelo dos e-readers. “No Brasil a leitura acontece em smartphones”, afirma Tiago Ferro, fundador da E-Galáxia, plataforma de intermediação entre autores e profissionais do mercado editorial a fim de editar e publicar e-books.

ISTO É Dinheiro | Por João Varella | 07/04/2015, às 17:30

“Vendas de livros impressos sobem, enquanto digitais perdem popularidade”, diz Financial Times


Preferência de jovens por títulos convencionais mostra tendência que contraria previsão de especialistas, diz jornal britânico

RIO | Os livros de papel estão virando o jogo na guerra contra os e-books. Contrariando expectativas do mercado, as vendas de títulos impressos vendidas nas principais livrarias dos EUA, Reino Unido e Austrália subiram em 2014, segundo reportagem publicada neste sábado pelo “Financial Times”. Enquanto isso, o desempenho de publicações eletrônicas tem desapontado quem apostou que dispositivos como o Kindle substituiriam a mídia tradicional.

De acordo com o levantamento Nielsen BookScan, citado pelo jornal britânico, o número de livros físicos vendidos nos EUA subiu 2,4% no ano passado, alcançando 635 milhões. No Reino Unido, o setor encolheu 1,3%, mas a queda representa uma melhor ante 2013, quando as vendas recuaram 6,5%.

A rede de livrarias britânica Waterstones foi uma das companhias que se beneficiou com a retomada do setor no país. As vendas da empresa subiram 5% em dezembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Não graças aos livros para Kindle, diz o diretor-executivo James Daunt, acrescentando que as vendas de títulos digitais “desapareceram”.

As coisas andam mal, mas já alcançamos o fundo do poço do mercado”, disse Sam Husain, diretor-executivo da rede de livrarias Foyles, que viu as vendas da empresa crescerem 8%, também puxadas pelos livros impressos.

PREFERÊNCIA ENTRE JOVENS

De acordo com especialistas ouvidos pelo “FT”, a tendência deve se manter nos próximos anos, já que a melhora no mercado de livros físicos tem sido influenciada fortemente pelo público mais jovem. As vendas de títulos de ficção para jovens adultos cresceram 12% em 2014, mais que os títulos voltados para adultos. Os destaques do segmento são títulos como a série “Crepúsculo” e o best-seller “A Culpa é das Estrelas”.

Jornais impressos são resistentes entre aqueles que cresceram com jornais impressos. Livros impressos são resistentes entre todos as idades”, disse Paul Lee, analista da Deloitte, que projeta que 80% das vendas de livros em 2015 serão de cópias físicas.

Pesquisa recente da Nielsen indica que a maioria dos adolescentes entre 13 e 17 anos preferem os livros de papel. O jornal não cita os percentuais do levantamento, mas a consultoria destaca que o resultado do estudo pode estar relacionado à falta de cartões de crédito entre os mais jovens. Mas também diz que a possibilidade de compartilhar os títulos preferidos conta pontos: é mais fácil compartilhar e emprestar livros impressos.

Apesar dos números melhores que o esperado frente ao mercado de ebooks, o “FT”, controlado pela editora Pearson, destaca que o setor ainda enfrenta desafios. Principalmente em relação à concorrência com a Amazon, que domina o mercado de livros digitais.

No ano passado, a empresa de Jeff Bezos e a editora francesa Hachette travaram uma longa batalha sobre o patamar dos preços dos livros. Enquanto a Amazon queria manter preços baixos, a editora queria elevar o valor dos títulos. Em novembro, as duas partes anunciaram que entraram em um acordo, para que a editora determine os preços dos livros.

O setor enfrenta várias ameaças estruturais. O domínio da Amazon significa que as negociações de preços continuarão a ser fontes de tensão. A publicação independente continua a crescer, e as editoras ainda estão esperando para ver se os modelos de assinatura — que transformaram a indústria de música — vão funcionar entre leitores”, avalia a reportagem do “FT”.

Publicado originalmente em O GLOBO | 10/01/2015, às 20:21 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

“Livros são muito caros”, diz Jeff Bezos


Bezos: 'books are too expensive'

Bezos: ‘books are too expensive’

Em uma entrevista à Business Insider,  o fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos falou sobre a solução do litígio de sua empresa com o Hachette Book Group, nos EUA, e disse que a Amazon foi “extraordinariamente bem tratada pela imprensa e pelos meios de comunicação”. Bezos disse que “ampliar o acesso à leitura implica em mais dinheiro para autores”, e que os editores “estão tendo uma rentabilidade sem igual e a indústria do livro está na sua melhor forma graças aos e-books”. Para Bezos,  é importante notar que os livros competem com pessoas lendo blogs, artigos de notícias, jogos, TV e cinema. “Se você pensa em livros concorrendo contra livros, você toma decisões muito ruins”, disse o executivo. “Se queremos uma cultura de leitura saudável e duradora, os e-books precisam ser mais baratos. Livros, na minha opinião, são muito caros. Um livro de US$ 30 é muito caro. Se eu estivesse competindo com outro livro de US$ 30, tudo bem. Mas se você perceber que está competindo de verdade com o Candy Crush, você começa a dizer: ‘meu deus! Talvez devemos trabalhar para reduzir esse atrito”.

Por Sarah Shaffi | The Bookseller | 17/12/2014

Kindle Unlimited deve chegar ao Brasil em 2015


Amazon já negocia com editoras a adesão de títulos ao seu serviço de subscrição

A Amazon tem procurado as editoras brasileiras para renegociar os descontos de e-books. Uma fonte do PublishNews disse que os contatos são quase que diários. De acordo com Lauro Jardim, titular da coluna Radar, da Veja, tem sido conversas difíceis. Não à toa. A equipe de Jeff Bezos no Brasil quer ampliar os descontos e as editoras têm se mantido irredutíveis. Mas não é só isso. Nas mesmas conversas, a Amazon tem apresentado o Kindle Unlimited, o serviço de subscrição de livros digitais, aos editores brasileiros. A previsão é que o serviço entre em funcionamento no início de 2015.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 24/11/2014

Amazon bate na porta do escritor Fernando Morais


A gigante de Seatle procurou o escritor para tentar fazer pontes com o Planalto

Um dos motivos que levou Morais a fechar o contrato com a Novo Conceito foi o envolvimento da editora nas redes sociais. “Eu sou muito antenado nesse mundo novo que está surgindo. Há muitos exemplos em todas as áreas da revolução que o mundo digital está fazendo praticamente em todas as áreas e sobretudo na área de livros”, comenta Morais que se diz um entusiasta do livro digital. Morais contou ao PublishNews que foi procurado pela Amazon para tentar convencê-lo a ajudar na campanha para aprovação das mudanças na Lei do Livro e para a equiparação de e-readers a livros físicos. “O horizonte que eles desenhavam era muito animador. Eles me disseram que, tirando livros técnicos, didáticos, cada brasileiro lê 1,5 livro por ano. Daí ele me disse que se a gente conseguisse vender o Kindle a US$ 60 no Brasil, a gente multiplica em poucos anos por quatro o índice de leitura, passa de 1,5 para 6 livros/ano.  O que não é nada, não é nada é um bilhão e 200 milhões de livros. Mas daí, eles me disseram que para vender o Kindle a US$ 60, eles precisam do benefício do livro físico”, lembra Morais que passou a mão no telefone e começou a ligar para outras pessoas para entender melhor a história. “Daí me disseram que a Amazon estava de sacanagem porque o que eles querem o benefício fiscal, mas o aparelho deles é uma caixa preta. É como se você fabricasse televisor e oferecesse uma TV de plasma a R$ 10, com benefício fiscal, mas o sujeito que ligasse só pegaria a Globo”, ponderou o escritor.

Morais retomou o contato com a Amazon no Brasil e explicou que com o sistema fechado e proprietário deles, dificilmente passaria pelo crivo de Brasília. “Eles me disseram que esse é o modelo de negócio deles e que se abrissem mão disso aqui, no dia seguinte, teriam que abrir para todo o mundo. É mais fácil desonerar desde que não seja caixa preta. Desde que o hardware lesse qualquer livro”, comentou, abrindo a sugestão para as outras plataformas já presentes no Brasil, com tecnologia aberta – o Lev, da Saraiva e o Kobo, vendido pela Cultura. “Eu sou um entusiasta, mas as coisas têm limite. Abrir mão de imposto para uma empresa que vai vender um aparelho que só lê os livros dela. Só baixa os livros da Amazon. Tudo bem, mas não com o dinheiro público. A renúncia fiscal tem que ter como contrapartida um benefício para a sociedade. Qual o benefício? Vender o e-reader a R$ 60? Mas só posso ler seus livros? Não quero, não estou interessado”.

Morais deixou escapulir ainda que Jeff Bezos estava querendo vir ao Brasil para ter uma audiência com a presidente Dilma. “Mas daí veio a campanha eleitoral e ela não tinha mais tempo, tinha que pedir votos”, desviou Morais, afinal, Jeff Bezos não vota no Brasil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 30/10/2014

Amazon inicia venda de livros físicos no Brasil


Brasileiros agora podem comprar livros em papel e ainda dispõem da funcionalidade Leia Enquanto Enviamos

A Amazon anunciou em sua página em português, nessa quinta-feira 21, em carta assinada pelo fundador e CEO Jeff Bezos, a expansão de sua loja online no Brasil. Agora, é possível comprar não só livros digitais como também em papel. A varejista, há dois anos no País, passa a oferecer 150 mil títulos em português, além dos 35 mil livros digitais já disponíveis no catálogo do Kindle.

Para quem comprar os impressos, ainda há outra novidade, a função Leia Enquanto Enviamos, que disponibiliza uma amostra digital do livro comprado para a leitura durante o envio do pedido. O acervo com essa funcionalidade, porém, é limitado a cerca de 13 mil obras, dentre elas os mais populares. Outro atrativo da loja é o frete grátis para compras a partir de R$ 69.

POR BRUNA MOLINA | Do Meio & Mensagem | 21/08/2014, às 12:26

Assinatura mensal de eBooks promete mudar relação com livros e elevar tensão com editoras


Amazon inicia serviço que é considerado o ‘Netflix dos livros’

RIO | A Amazon está habituada a lançar serviços destinados a destruir seu próprio negócio, e o Kindle é exemplo disso. Quando apresentou seu leitor de livros digitais, em 2007, a empresa de Jeff Bezos já faturava bilhões vendendo cópias em brochura e capa dura e sabia que os e-books iriam canibalizar parte considerável da receita. Porém, a companhia julgava que era melhor aniquilar seu modelo do que permitir que outra o fizesse. Sete anos após se estabelecer como força hegemônica dos e-books, a Amazon volta a recorrer à destruição criativa nesse mercado, lançando um produto que pode tornar obsoleta a venda avulsa de livros digitais — mas não sem antes aprofundar a já tensa relação com editoras, inclusive no Brasil.

O Kindle Unlimited estreou no fim de semana passado e é uma espécie de Netflix dos livros. O usuário paga US$ 9,99 por mês e pode acessar quantos livros quiser. O preço chamou atenção, já que é comum um único exemplar de e-book custar mais que isso no site. Por enquanto, o serviço só está disponível nos Estados Unidos, mas qualquer cliente que se registre no site como americano pode assiná-lo.

Grandes editoras não aderem

O catálogo tem 600 mil livros, incluindo dois mil em áudio, mas os consumidores sentirão falta de vários best sellers: as cinco maiores editoras dos EUA — que travam uma guerra contra a Amazon e já foram acusadas de formar cartel com a Apple para combater a empresa — não aceitaram participar. Embora não tenham se posicionado oficialmente, elas temem que o modelo dê ainda mais poder à Amazon sobre o preço das obras. A paciência dos investidores pode atrapalhar: as ações caíram 9,6% na sexta-feira, depois de a empresa divulgar prejuízo de US$ 126 milhões por causa do volume de investimentos.

— Será bom para as editoras se serviços de assinatura de e-books vingarem em todo o mundo. Mas será péssimo se a Amazon atingir uma posição quase monopolista, como já tem na venda de e-books nos EUA e no Reino Unido — afirma Dougal Thomson, diretor de comunicação da Associação Internacional dos Editores [IPA, sigla em inglês]. — A relação da Amazon com as editoras é cada vez mais tensa, com algumas disputas públicas sobre remuneração, como com a Hachette nos EUA e a Bonnier na Alemanha. Mas, se as assinaturas derem certo, e eu acho que vão dar, as editoras perceberão que se trata de uma fonte importante de receitas.

Nesta seara, porém, a Amazon não é pioneira. Algumas start-ups já oferecem acesso ilimitado a milhares de e-books. A principal é a americana Oyster, fundada em 2012, que cobra US$ 9,95 por mês e dá acesso a 500 mil obras, inclusive da gigante HarperCollins. A Scribd abrange 400 mil livros por US$ 8,99 ao mês. Mas, com a Amazon entrando na disputa, a coisa ganha outra proporção, avalia Carlo Carrenho, fundador do site PublishNews. A questão é se as editoras verão vantagem financeira em colaborar com a companhia.

A Amazon mantém segredo sobre o modelo de remuneração do Unlimited, mas Thomson diz que ele é semelhante ao do Oyster. Editores receberão valor equivalente à venda de uma cópia no atacado sempre que um leitor ultrapassar certo percentual de páginas de um de seus livros. No Oyster, especula-se que pelo menos 10% da obra devem ser consumidos. Um quarto da receita será repassada aos autores. Títulos independentes devem receber valor fixo, como US$ 2 por livro lido. Para Carrenho, o formato traz mudança importante na economia do setor:

— Hoje, remunera-se o livro comprado, lido ou não. No novo modelo, só gerarão receita aqueles efetivamente lidos. Isso traz grande eficiência ao processo, mas pode provocar perda absurda às editoras.

Indagada sobre quando o Unlimited chegará ao Brasil, a empresa se limita a dizer que o serviço está disponível nos EUA e que não especula sobre planos futuros. No Brasil, as editoras estão cautelosas. Procuradas, várias preferiram não se pronunciar alegando desconhecer detalhes do modelo. Para a presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [Snel], Sônia Machado Jardim, a Amazon terá que discutir com elas novos contratos para inclusão dos e-books no novo serviço.

— Os contratos assinados em 2012, quando a empresa entrou no Brasil, não contemplam esse formato de assinatura. Não sabemos como será a remuneração. Se o leitor não ler nenhum livro no mês, o valor da assinatura fica todo com a Amazon? A empresa não conversou com o setor sobre isso — observa Sônia, que também é vice-presidente do grupo Record.

Convencer consumidor é desafio

Segundo ela, o maior receio é que a Amazon negocie maiores descontos no valor dos livros para viabilizar o novo modelo. Foram discussões sobre a precificação dos e-books que atrasaram a chegada da loja virtual ao país. Para impedir que a companhia vendesse obras por valor muito inferior ao das cópias em papel, as editoras brigaram e conseguiram ter controle sobre o preço do e-book, com a Amazon recebendo comissão pelas vendas. A Amazon preferia comprar títulos no atacado e vender por quanto quisesse.

Gustavo Stephan

Gustavo Stephan

Sem incentivo. O designer Gustavo Peres usa o leitor digital, mas não está entusiasmado com o novo serviço: “Não terei interesse, não gasto nem US$ 10 por mês com livro eletrônico” – Gustavo Stephan
Embora não tenha conversado com as editoras brasileiras, o Unlimited já possui 8.402 livros em português. Segundo a Amazon, isso acontece porque obras cadastradas no KDP Select — programa de exclusividade da plataforma de autopublicação da empresa — entram automaticamente no serviço. Entre os títulos disponíveis está o best seller “Assassinato de Reputações”, de Romeu Tuma Junior. Procurada, a editora Topbooks disse que não sabia que o livro estava no Unlimited.

Questões comerciais à parte, especialistas afirmam que o formato de assinatura pode se tornar o futuro dos livros. Conseguindo atrair o catálogo de grandes editoras com um modelo atraente, esses serviços elevam a média de leitura dos usuários, afirma Galeno Amorim, diretor-executivo da Árvore de Livros. Criada em abril, a empresa vende acesso ilimitado de e-books a escolas e bibliotecas de 25 cidades, com catálogo de 14 mil obras.

Como poucas pessoas leem mais de um livro por mês, o desafio de serviços como o Unlimited é convencer o consumidor a comprometer um valor mensal com leitura. Na média, o brasileiro lê quatro livros por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil de 2012. Lorena Piñeiro, de 24 anos, está testando o Unlimited e, mesmo acostumada a devorar três obras por mês, teme não ser capaz de dar conta da oferta:

— É ótimo para conhecer novos autores, já baixei sete livros, mas só continuarei usando se conseguir absorver o que baixo.

Mesmo apaixonado pelo Kindle, o designer Guilherme Peres é menos otimista:

— Não terei interesse nem se chegar ao Brasil porque não gasto US$ 10 por mês com livros eletrônicos.

Para Susanna Florissi, diretora da Câmara Brasileira do Livro [CBL], a evolução para o modelo de assinatura vai tirar o mercado editorial da zona de conforto:

— Mas é apenas um dos modelos que, no futuro, coexistirão. A experiência será cada vez mais fragmentada — avalia.

Por Rennan Setti | Publicado originalmente em O Globo – 27/07/2014, às 9:19

Amazon lança tablets com suporte ao vivo em vídeo


Dispositivos HDX, com tela de alta definição, possuem ‘botão de socorro’

Jeff Bezos, dono da Amazon, mostrando risonho suas duas novidades AFP  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/amazon-lanca-tablets-com-suporte-ao-vivo-em-video-10134724#ixzz2fvdiHmmw  © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Jeff Bezos, dono da Amazon, mostrando risonho suas duas novidades AFP

SEATTLE | A Amazon.com anunciou dois novos tablets de alta definição na terça-feira com um recurso inédito de suporte on-line em vídeo, na esperança de que a novidade venha a dar-lhe uma vantagem sobre os dispositivos das rivais Apple e Google.

Os novos tablets Kindle Fire HDX apresentam o que a Amazon tem chamado de “Botão de Socorro” [Mayday Button], que aciona traz instantaneamente um papo em vídeo com um representante de suporte técnico que pode dizer a um usuário como operar o dispositivo ou até mesmo fazer isso por ele remotamente.

A Amazon disse que o serviço é gratuito para clientes HDX, está disponível em todos os momentos, e tem tempo previsto máximo de resposta de até 15 segundos. Os usuários podem mover a caixa de vídeo na tela a seu bel-prazer e seus rostos não podem ser vistos pelo representante da Amazon.

A maior varejista internet do mundo tem uma abordagem para o mercado de tablet diferente do da a Apple, vendendo de seus dispositivos Kindle a preços baixos e obtendo lucro com a venda de conteúdo digital, como vídeo e música, ou bens físicos, como os livros vendidos em seu site. Desde que a Amazon entrou no então nascente mercado de tablets com o Kindle Fire, em 2011, os dispositivos da empresa têm provado ser eficazes máquinas de venda automática.

Não está claro ainda como o recurso de suporte pessoal instantâneo vai afetar o custo subjacente de apoiar o Kindle.

Este é o tipo de recurso que estamos bem adaptados para oferecer”, disse o presidente-executivo da Amazon, Jeff Bezos, ao mostrar os novos tablets a jornalistas na sede da Amazon em Seattle na terça-feira. “Muitas das coisas que fizemos juntos combinam com trabalho pesado. Esta é uma dessas coisas”.

Por Reuters | 25/09/13, às 9h37 | Publicado originalmente e clipado à partir de O Globo | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Bilionário japonês quer superar o império da Amazon


Dono da loja on-line Rakuten também é conselheiro do governo do Japão

Hiroshi Mikitani obrigou os funcionários a aprender inglês para serem promovidos

Rakuten, de Hiroshi Mikitani, é o maior portal de comércio eletrônico do Japão Agência O Globo  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/bilionario-japones-quer-superar-imperio-da-amazoncom-10112638#ixzz2fpJqqyXL  © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Rakuten, de Hiroshi Mikitani, é o maior portal de comércio eletrônico do Japão | Agência O Globo

O bilionário Hiroshi Mikitani não gosta muito que sua empresa, a Rakuten, seja chamada de a “Amazon japonesa”, definição frequente na imprensa internacional. O maior portal de comércio eletrônico do Japão _ e terceiro maior do mundo _ é concorrente do império online criado por Jeff Bezos. Mikitani, presidente da Rakuten, sustenta que sua companhia não quer ser apenas uma loja com bons preços, mas um shopping center global, onde as pessoas podem passear e resolver de problemas bancários a pacotes de viagem. A meta do empresário _ famoso por quebrar tabus no cerimonioso universo corporativo japonês _ é “vencer a Amazon”, slogan que imprimiu em camisetas, além de ajudar a ressuscitar a estagnada economia de seu país.

A Rakuten ainda não vale nem metade da principal concorrente, mas cresce aceleradamente, com 85 milhões de usuários só no Japão e negócios que se espalham de Taiwan ao Brasil. A mais recente aquisição da companhia foi a Viki, plataforma de transmissão de vídeo pela internet, comprada por US$ 200 milhões. O grupo também é dono da Kobo, de eReaders; da Wuaki.tv, videoclube online com mais de cinco mil títulos; e da americana Buy.com. Investiu ainda US$ 100 milhões no Pinterest, um dos atuais fenômenos das redes sociais. A diversificação do conteúdo sob o comando de Mikitani _ um dos homens mais ricos do país _ levou o governo japonês a recrutá-lo como seu conselheiro na área de desregulamentação da economia.

A Amazon não é a única rival do fundador da Rakuten. Por discordar do conservadorismo da Keidanren _ a lendária federação das indústrias japonesas _ o empresário rompeu com a organização e ajudou a criar a Associação da Nova Economia Japonesa [Jane, na sigla em inglês], que faz pressão por reformas estruturais e reúne representantes do setor digital. Suas ideias enfrentam resistência no ultrarregulamentado Japão, mas reforçam a Abenomics, política econômica do primeiro-ministro Shinzo Abe, que vem dando resultados positivos nos últimos meses.

Quando Mikitani fala _ e ele fala muito _ Abe ouve. Após sua posse, o primeiro-ministro encontrou os membros da Jane antes de se reunir com a Keidanren.

_ Queremos ser um modelo a ser seguido, para sacudir o velho Japão e mostrar uma nova direção _ disse Mikitani a jornalistas na última sexta-feira, em Tóquio.

Aos 48 anos, com uma fortuna estimada em US$ 6,4 bilhões, o empresário ficou célebre por métodos radicais. Em 2010, determinou que o inglês seria a língua oficial das reuniões e dos e-mails internos da Rakuten. A empresa pagaria aulas para os funcionários, mas quem não passasse nos testes não seria promovido. Foi um choque num país conhecido por seu apego às tradições. Mikitani, ou Mickey, como é conhecido, acredita que essa é a única maneira de se tornar um conglomerado global.

_ Fui chamado de louco. Mas hoje a maioria dos funcionários domina o inglês. Eles também mudaram seu jeito de pensar e de ver o mundo _ disse Mikitani, que inaugurou a Rakuten no Brasil em 2012, depois de comprar a Ikeda.

O empresário estudou em Harvard e trabalhou em banco até 1995, quando sua cidade natal, Kobe, foi arrasada por um terremoto. Perdeu os tios e amigos e decidiu mudar de vida. Dois anos depois, criou o portal de e-commerce, batendo pessoalmente na porta dos lojistas para convencê-los a anunciar seus produtos na Rakuten, que cobra um percentual sobre as vendas. Começou com 13 lojas, a maioria de amigos. Hoje o shopping online engloba tanto multinacionais quanto pequenos produtores. O lucro operacional do grupo no primeiro semestre foi acima de US$ 470 milhões, 26% a mais do que no mesmo período do ano passado.

_ O Japão não é bom em criar novos negócios. _ afirma. _ Ganhamos em tecnologia, mas perdemos em gerenciamento _ critica, acrescentando que as empresas japonesas têm a aprender com concorrentes como a coreana Samsung.

Entre suas propostas para revitalizar a economia de seu país, estão a contratação de mais executivos estrangeiros; incentivos fiscais para investimentos em pesquisa e desenvolvimento; reformulação do sistema educacional para produzir profissionais globalizados e adesão a tratados de livre comércio.

_ Estou otimista. Acredito que há menos resistência a mudanças no Japão _ diz Mikitani, que além de tudo é dono de um time de beisebol, o Tohoku Rakuten.

Por Claudia Sarmento | Publicado originalmente em O Globo | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. | 24/09/2013

Decisão sobre livros eletrônicos confere vantagem à Amazon


Jeff Bezos, fundador da Amazon, adora desordenar mercados. Nesse aspecto, ele deve estar tendo um verão maravilhoso. O negócio dos livros, que costumava viver no passado quase como se fosse um ramo do comércio de antiguidades, está aberto a disputas.

Uma juíza federal decidiu na quarta-feira que a Apple se envolveu em um conluio ilegal com cinco ou seis das maiores editoras norte-americanas a fim de aumentar os preços no incipiente mercado de livros eletrônicos.

A decisão foi tomada dois dias depois que da renúncia do presidente-executivo da Barnes & Noble. A empresa anunciou que não pretende substituí-lo, o que sinaliza que a maior cadeia de livrarias físicas dos Estados Unidos pode ser imediatamente dissolvida.

O veredicto no caso da Apple podia parecer inevitável, e a juíza já havia indicado previamente qual seria sua decisão, mas ainda assim enfatiza de forma clara até que ponto as companhias convencionais do setor de livros foram completamente deslocadas.

Apenas a Amazon, liderada por Bezos, parece ter um plano. E ele o está executando com uma competência que enfurece os concorrentes e recompensa seus acionistas.

Vivemos um momento no qual o poder cultural está sendo transferido ao controle de novas forças“, diz Joe Esposito, consultor editorial. “Deus não permita que o governo dite a nossos empreendedores o que fazer, mas temos uma questão de política social aqui. Não queremos que as empresas se tornem um buraco negro que absorve toda luz exceto a delas“.

IMPACTO

O caso da Apple, aberto pelo Departamento da Justiça, terá pouco impacto imediato sobre a venda de livros. As editoras haviam aceitado um acordo quanto à queixa há tempo considerável, protestando que nada haviam feito de errado, mas afirmando que não tinham condição financeira de enfrentar o governo.

Mas deve demorar bastante para que elas voltem a tentar tomar controle de seu destino com tamanha audácia. Atrair a atenção do governo uma vez causou problemas suficientes; fazê-lo duas vezes poderia resultar em um desastre.

O Departamento da Justiça involuntariamente causou consolidação ainda maior nesse setor em um momento no qual consolidação não é necessariamente uma boa pedida“, disse Mark Coker, presidente-executivo da Smashwords, uma distribuidora de livros eletrônicos.

Se você deseja um ecossistema vibrante com múltiplas editoras, múltiplos métodos de publicação e múltiplos varejistas de sucesso, dentro de cinco, 20 ou 50 anos, o acontecido esta semana representa um passo atrás“.

GANHADORA

Algumas pessoas no setor editorial suspeitam que a Amazon tenha estimulado o governo a iniciar o processo. A companhia nega, mas ainda assim emergiu como maior ganhadora.

Enquanto a Apple será punida – a indenização ainda não foi decidida – e as editoras saíram chamuscadas, a Amazon fica livre para exercer seu domínio sobre os livros eletrônicos e para continuar a ganhar participação de mercado nos livros físicos. A companhia de varejo eletrônico se recusou a comentar, na quarta-feira.

A Amazon não está na maioria das manchetes, mas todos os grandes acontecimentos no mundo dos livros envolvem a Amazon“, disse Paul Aiken, diretor executivo da Authors Guild, uma união de escritores.

Se houve conluio das editoras, o objetivo era contestar o domínio da Amazon. Os problemas da Barnes & Noble talvez derivem do erro da empresa quanto ao tablet Nook, da mesma forma que a falência da Borders pode ter sido acelerada por erros de gestão, mas a posição precária da empresa é a mesma de qualquer varejista que pague aluguel e tenha de enfrentar um concorrente virtual dotado de amplos recursos financeiros“.

Os executivos da Amazon não gostam muito de debate público, mas argumentam que desordenar os mercados terminará resultando em mais dinheiro para mais autores e em oferecer mais livros de forma mais ampla a um público maior, e a preços mais baixos. Como discutir contra isso?

Esse modo de ver as coisas, porém, não parecia confiável a muita gente, na quarta-feira.

Os detratores da Amazon argumentam que a empresa não é uma organização sem fins lucrativos ou uma entidade pública, mas uma companhia que compete vigorosamente e cujos investidores esperam faturar muito dinheiro em breve.

Aiken diz que “as armas do Departamento da Justiça parecem estar apontadas na direção errada“.

BARNES & NOBLE

Mas a preocupação mais premente do setor é o destino da Barnes & Noble. Quando a Borders fechou as portas, dois anos atrás, analistas afirmaram que o fechamento de suas 400 lojas havia trazido uma consequência inesperada: o ritmo de crescimento dos livros eletrônicos começou a cair, porque os leitores não podiam mais examinar os novos títulos nas lojas da Borders antes de pedi-los na Amazon.

Os livros eletrônicos, em outras palavras, não eram uma tecnologia mágica que permitiria eliminar toda a infraestrutura existente no mercado editorial. Precisavam do ecossistema existente.

Se todas essas redes de livrarias operadas por grandes empresas desaparecerem, subitamente haverá muito menos espaço dedicado a exibir grande número de títulos“, disse J. B. Dickey, proprietário da Seattle Mystery Bookshop.

Provavelmente veremos queda continuada nas tiragens, talvez um número menor de títulos publicados, e as grandes editoras de Nova York se limitarão aos best sellers conhecidos. O que significa que mais autores novatos e de vendas médias terão dificuldade para ficar em catálogo e mais escritores terão de bancar a publicação de seus livros em papel – ou mais provavelmente lançarão seus trabalhos como livros eletrônicos“.

Tudo isso parece sombrio. Talvez o único consolo para aqueles que temem o poder da Amazon é o conhecimento de que todas as companhias um dia chegam a um pico de crescimento que não poderão exceder, por mais improvável que isso pareça durante sua ascensão.

Esposito lembra que 30 anos atrás foi publicado um livro chamado “The Media Monopoly”, que expressava preocupação sobre o poder excessivo da cadeia de jornais Gannett e das três grandes redes de TV norte-americanas.

É um livro que parece muito datado, hoje“, diz Esposito.

POR DAVID STREITFELD, DO “NEW YORK TIMES” | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 11/07/13 | Tradução de Paulo Migliacci

Amazon fecha acordo com editoras e chega ao Brasil até dezembro


Acordo entre maior varejista on-line do mundo e distribuidora DLD está prestes a ser assinado, dizem fontes

Consumidor brasileiro finalmente terá acesso ao leitor de ebooks mais bem conceituado do mundo | Reuters

Consumidor brasileiro finalmente terá acesso ao leitor de ebooks mais bem conceituado do mundo | Reuters

RIO | Fontes do mercado editorial confirmam a iminência do fechamento do acordo entre a Amazon.com com a distribuidora de livros digitais DLD, que engloba as editoras Rocco, Sextante, Objetiva e Record.

O acordo, que vem sendo costurado há mais de um ano entre as editoras e a maior varejista on-line do mundo, deverá ser assinado em breve — ainda este mês — e prevê a estreia da operação da Amazon no Brasil entre o final de novembro e a primeira quinzena de dezembro.

A princípio, a livraria fundada por Jeff Bezos venderá no Brasil seu leitor Kindle e títulos de ebooks. A Amazon anuncia em seu site oficial que está abrindo 15 vagas de trabalho em São Paulo.

Segundo a Reuters apurou há alguns meses, a potência americana do e-commerce deve oferecer um catálogo de dez mil livros digitais em português para o Kindle. A estratégia 100% digital permitiria à varejista minimizar custos no país.

— O Brasil seria o primeiro país em que a Amazon entra apenas com produtos digitais, e essa decisão foi tomada por motivos logísticos e dificuldades tributárias — disse então à agência uma fonte da indústria.

A Amazon é a mais recente empresa americana a buscar uma fatia do mercado de e-commerce brasileiro de US$ 10,5 bilhões. Espera-se que o segmento cresça 25% neste ano, impulsionado pelo aumento da classe média do país. Essa seria a mais recente incursão da Amazon em mercados emergentes, após seu ingresso na China, em 2004, e na Índia, neste ano.

Para adquirir fatia de mercado rapidamente no Brasil, a Amazon provavelmente venderá o Kindle a um preço subsidiado de R$ 500 [US$ 239] — três vezes mais caro que nos Estados Unidos, mas abaixo de produtos rivais no mercado brasileiro, disse a agência.

Por André Machado e Sérgio Matsuura | O Globo | 14/11/2012 | © 1996 – 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Amazon vende 6 milhões de unidades e esgota Kindle Fire


Varejista lançará novo modelo do Kindle semana que vem

Kindle Fire, tablet Android com 7", da Amazon | AP

Kindle Fire, tablet Android com 7″, da Amazon | AP

Jeff Bezos anunciou ontem que o Kindle fire está esgotado, mas que a empresa tem planos estimulantes pela frente. O CEO tem motivos de sobra para comemorar: em 9 meses de venda, o Kindle Fire vendeu 6 milhões de unidades, estima o site Publishers Weekly e, segundo a Amazon, conquistou 22% de vendas de tablets nos EUA.

Bezos chama 2012 de o “grande ano dos produtos digitais” afinal, conta ele, 10 dos 10 produtos mais vendidos na loja, entre aparelhos e conteúdo, são relacionados ao Kindle. A expectativa do mercado fica agora por conta do lançamento do novo modelo do Kindle Fire, com um frenesi que se assemelha cada vez mais às antecipações dos lançamentos da Apple.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 31/08/2012

Amazon.com chega ao Brasil em setembro


Era inevitável e até demorou demais, mas em setembro a gigante de comércio Amazon.com chega ao Brasil.

A empresa prepara seu escritório e centro de distribuição em São Paulo e está contratando talentos brasileiros para cargos técnicos e de negócios.

O impacto no mercado brasileiro será incrível, e os concorrentes diretos como B2W [Americanas, Submarino, Shoptime] e Walmart terão que rebolar para resolver a insatisfação de seus clientes e renovar seus sites obsoletos.

Para o setor de conteúdo digital, como livros, jogos e afins, mais uma porta se abre para escoar a produção nacional, seja de grandes editoras ou autores independentes, incluindo o lançamento do leitor digital Kindle no Brasil.

O desafio da Amazon de Jeff Bezos será superar a burocracia brasileira.

Por Alex Moura | O Globo | 23/07/2012

A Amazon vem aí


Jeff Bezzos: entra no Brasil este ano de qualquer jeito

Jeff Bezzos: entra no Brasil este ano de qualquer jeito

A encrencada negociação da Amazon para vender e-books [e o seu Kindle] no Brasil continua emperrada, assim como a da Apple.

A empresa de Jeff Bezos, contudo, já decidiu: entrará aqui de qualquer maneira. Até o fim do ano, desembarca no Brasil para vender de livros físicos a roupas – ou seja, tudo o que a Amazon americana vende.

Por Lauro Jardim | Veja | 11/06/2012

iBookstore, loja de eBooks da Apple, chegará ao país este mês


Fontes do mercado editorial dizem que negociações com a Apple estão avançadas

RIO — A iBookstore, loja que vende livros eletrônicos do aplicativo iBooks, da Apple, será lançada no Brasil ainda este mês, de acordo com fontes do mercado editorial ouvidas pelo GLOBO. A empresa de Tim Cook está em avançadas negociações com editoras e distribuidoras brasileiras e, pelo visto, seu modelo estará definido por aqui antes do da Amazon.

— Já praticamente fechamos contrato com a Apple, e a iBookstore tem 80% de chance de ser lançada ainda este mês. Se não for, chega bem no comecinho de maio — afirmou uma das fontes envolvidas nas negociações.

Procurada, a Apple informou através de sua assessoria que não tinha nenhum anúncio a fazer sobre sua livraria digital. O iBooks, aplicativo de download e leitura de e-books para iPad, iPhone e iPod touch, foi lançado em janeiro de 2010 junto com o iPad e, com ele, uma coleção inicial de 60 mil títulos na iBookstore. Hoje a loja tem mais de 700 mil livros. Um iPad com 16GB livres poderia em tese conter aproximadamente 8 mil livros do tamanho típico de 2MB informado pela Apple. Já alguns livros com mais conteúdo multimídia poderiam chegar a 1GB ou mais, exigindo um iPad de memória mais robusta.

Apple teria modelo mais flexível que Amazon

Segundo as fontes, as negociações do mercado editorial brasileiro com a Apple estão mais avançadas do que as feitas com a Amazon porque a companhia cofundada por Steve Jobs segue o chamado “modelo de agência”, preferido por elas, que lhes dá mais controle sobre os livros — diferentemente do chamado “modelo de distribuição” praticado pela Amazon.

— A Apple permite às editoras estabelecer os preços de suas obras, e cobra 30% sobre elas, sem interferir — explica uma fonte. — Já a Amazon quer pegar um livro que na ponta é vendido a R$ 30, R$ 40, e botar em seu Kindle a R$ 9,99. Isso pode destruir o modelo de negócio das editoras.

Outra fonte é ainda mais incisiva, dizendo que o modelo da empresa fundada por Jeff Bezos cria um monopólio onde só ela fatura, e as editoras ficam a ver navios.

— E o negócio da editora é dispendioso. Numa grande editora, um livro não vai para o prelo sem um copidesque completo, mais diversas revisões — pondera outro executivo do setor, que confirma as negociações. — Além disso, pagam-se muitas vezes adiantamentos vultosos aos autores, sem falar dos direitos autorais. Por isso o modelo seguido pela Amazon é visto como ameaça. Não vamos dizer que a Apple é boazinha, mas ela tem mais respeito pela sustentabilidade necessária ao meio editorial. Não foi por acaso que as maiores editoras dos Estados Unidos procuraram se juntar a ela.

O formato de livro digital sustentado pela iBookstore é o ePub, embora o iBooks também aceite PDFs e seu formato proprietário, o IBA.

— A questão toda com a Amazon é que ela quer ser editora e também livraria — reclama uma terceira fonte a par das negociações. — Daqui a pouco as pessoas vão achar que não precisam mais de editoras. Nada contra o self-publishing, sei que até há casos de sucesso, mas a questão é que com esse esquema as pessoas começam a publicar obras de caráter pessoal, que na maioria dos casos não passam por uma avaliação de mercado.

O GLOBO tentou contato com a Amazon, mas a empresa não retornou até o fechamento da edição.

Por André Machado | O Globo | 03/04/2012 | © 1996 – 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.