A tecnologia e os eBooks no Brasil


Preço dos dispositivos e custo de produção são barreiras para a leitura digital, mas 2012 promete mudanças

O Brasil não é um exemplo mundial quando o assunto são os livros digitais. A estimativa é de que estamos três anos atrás de grandes mercados como o norte-americano. Entretanto, 2012 promete ser o ano em que as coisas realmente irão acontecer, e por isso apresentamos aqui um apanhado sobre a tecnologia – tanto de aparelhos como de formatos – utilizada no Brasil.

Formatos

Até o momento, o formato mais utilizado para e-books no Brasil é o PDF, o que é uma lástima. Como todos sabem, o PDF não é um formato de documento indicado para livros digitais, pois se lido em um dispositivo móvel nota-se grande desconforto, uma vez que não é possível redimensionar o texto, mudar a diagramação ou ainda trocar a cor do fundo.

Há também algumas lojas e editoras que oferecem outros formatos, como o Mobi e até o antigo PRC. Entretanto, o ePub vem crescendo exponencialmente nas livrarias on-line. As editoras começaram a perceber que o formato mais indicado para e-books é o ePub, tratado como um padrão nos EUA e na Europa.

Os “livros aplicativo”, geralmente desenvolvidos para iPad, são até o momento uma exceção no mercado. Além de o comércio de tablets não estar em seu auge no Brasil, o custo para a produção de um livro interativo ainda é muito alto no país. Com preços que variam de R$ 14 mil a R$ 30 mil [entre US$ 8 mil e US$ 17 mil], apenas grandes editoras se aventuram nesse caminho. É o caso da Globo Livros, comReinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, e da Melhoramentos, com O menino da terra, de Ziraldo. Mesmo assim, esse acervo interativo deve crescer em 2012.

Aparelhos de leitura

Para que o livro digital se popularize, é necessário que existam dispositivos para a leitura digital de fácil acesso – tanto econômico quanto tecnológico. E esse, infelizmente, também não é o caso por aqui. A interface mais utilizada para a leitura de e-books no Brasil é o tradicional PC, seja desktop ou notebook. De acordo com dados da FGV, eram 60 milhões de computadores em uso em 2011, e serão 100 milhões em 2012. O principal local de acesso à internet é a lan house [31%], seguido da própria casa [27%] e da casa de parente de amigos, com 25%. Ao todo, 87% dos brasileiros já estão conectados.

Os smartphones são a segunda fonte de leitura digital, seguidos por tablets e, por último, os e-readers. Essa diferença em relação a outros países está no custo. O preço dos computadores caiu bastante nos últimos três anos e muitas famílias puderam adquirir um. Entretanto, tablets e e-readers possuem preços assustadoramente altos e ficam fora de alcance de grande parte da população.

Já encontramos vários modelos de tablets por aqui. Além do popular iPad, empresas como Motorola, Samsung, RIM, ZTE e Asus oferecem seus aparelhos para venda. Empresas brasileiras também possuem aparelhos próprios, como o Positivo Ypy e o Multilaser Elite, mas alguns deles são produtos importados da China que apenas levam a marca brasileira.

Quando falamos de e-readers, a situação fica péssima. São apenas alguns modelos disponíveis, que perdem feio em qualidade para os melhores e mais baratos disponíveis nos Estados Unidos. São aproximadamente seis aparelhos de tinta eletrônica, e alguns são tão fracos que não merecem a compra. Além do Positivo Alfa, brasileiro, temos oficialmente dois modelos da iRiver, o Story e o Cover Story. Um dos primeiros a chegar ao mercado foi o Cool-ER, da falecida Interead, que é vendido até hoje por aqui. A Amazon estuda vender o Kindle diretamente no Brasil por R$199 [US$ 115] quando abrir sua loja no país, o primeiro aparelho que seria vendido a menos de US$200 por aqui.

Muitos impostos

O grande vilão dos preços são os impostos. No Brasil, a taxa de importação para aparelhos eletrônicos chega a até 60%. E, mesmo quando os aparelhos são fabricados no Brasil, como é o caso da Samsung – e, futuramente, da Apple –, impostos sobre componentes e outros itens acabam encarecendo demais os aparelhos. Temos no Brasil os preços mais altos do mundo em relação aos produtos da Apple, por exemplo. Enquanto o modelo mais simples do iPad custa US$ 499 nos Estados Unidos, o mesmo é vendido no Brasil por R$ 1.629 [cerca de US$ 943].

A situação dos e-readers é ainda pior. A baixa demanda e os altos impostos fazem com que um aparelho de leitura fabricado no Brasil – o Positivo Alfa – seja disponibilizado a R$ 799 [aproximadamente US$ 462], enquanto um Kindle – de qualidade superior – pode ser adquirido por US$ 79 nos Estados Unidos. Uma diferença gritante.

A Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011, prevê a desoneração fiscal sobre a fabricação de tablets no país. Mais de uma dezena de empresas já está habilitada para utilizar o benefício, embora os efeitos reais sobre os preços ao consumidor ainda não tenham sido sentidos.

Em 2012

Neste ano, é esperado que bons ventos tragam crescimento no mercado tecnológico em geral. Mais tablets serão adquiridos e a possível entrada de empresas como Amazon, Google e Kobo no segmento de livros digitais promete esquentar bastante o mercado.

Por Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução Ebook

Stella Dauer é designer e eBook evangelist da Simplíssimo, além de editora doRevolução E-book. Stella é especialista em gadgets, trabalha com livros desde 2006 e pesquisa e divulga o livro digital desde 2009 | stella@simplissimo.com.br – @stelladauer

Saraiva e Cultura buscam e-readers “baratos”


Varejistas precisam solucionar problema do hardware para competir com a Amazon

A maior vendedora de livros do mundo vai instalar-se no Brasil e tem nas mãos uma peça-chave para explorar o mercado de livros digitais: o hardware. E não um hardware qualquer. O Kindle, da Amazon, não apenas costuma ser muito bem avaliado pelos usuários como é vendido a preços módicos – em território brasileiro, ele poderá desembarcar a R$ 199.

Nada mais lógico, portanto, que diante desse cenário as grandes varejistas brasileiras corram para solucionar um problema: com qual dispositivo elas vão concorrer com a Amazon?

Estamos buscando alternativas ao Kindle”, afirma Fabio Herz, diretor de marketing e relacionamento da Livraria Cultura. “E não só por causa da Amazon, mas porque no mercado de e-books o hardware é fundamental.” A perspectiva é que a Cultura ofereça, ainda este ano, uma opção de dispositivo ao consumidor brasileiro, afirma o executivo, sem dar mais detalhes.

Marcílio Pousada, diretor presidente das livrarias Saraiva, diz algo semelhante. “Estamos ativamente buscando um e-reader barato para vender no Brasil.” Segundo ele, os preços dos dispositivos exclusivos para leitura oferecidos no país não são nada competitivos – nem com o Kindle e nem com os tablets. Tanto é que a Saraiva não vende mais nenhum leitor eletrônico pelo seu e-commerce.

Acreditamos que o divisor de águas do livro eletrônico no Brasil é o tablet, e não o e-reader, mas precisamos ter uma opção de dispositivo dedicado à leitura”, afirma.

A Cultura ainda vende dois modelos de e-readers no seu site, mas os preços são salgados. O iRiver e o Positivo Alfa saem, cada um, por R$ 799.

A grande dificuldade, aponta Herz, é justamente encontrar um aparelho de leitura de qualidade que seja tão barato quanto o Kindle. “Vender algo na faixa dos US$ 100, como o Kindle é vendido nos Estados Unidos, é quase impossível por aqui”, diz.

Por ora, nenhuma das varejistas nacionais parece estar disposta a usar a mesma estratégia da Amazon, que é a de subsidiar o preço do Kindle aos consumidores, em troca do ganho de participação de mercado e da receita com a venda de conteúdo.

Sobram especulações de que, neste momento, as duas varejistas brasileiras estariam conversando com a Barnes & Noble. A maior concorrente americana da Amazon vem se pronunciando sobre expandir internacionalmente e é esperado que ela feche uma parceria com a rede Waterstones, do Reino Unido, como forma de fincar o pé na Europa. Perguntado sobre o assunto, Herz, da Cultura, responde: “São, de fato, especulações.” Procurada pelo PublishNews, a Barnes & Noble não respondeu.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 09/02/2012

Conheça alguns e-Readers com Ednei Procópio


Entrevista concedida ao curador do CBLD, Rafael Martins Trombetta, no evento preparatório ocorrido na Fnac da Paulista em agosto de 2011.

Nele o editor Ednei Procópio explica alguns detalhes e da sua opinião sobre os e-Readers a venda na referida loja. Logo após aconteceu o bate-papo com o editor do portal Yahoo Brasil, Michel Blanco.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Amazon Kindle continua com falta de suporte ao formato ePub


Kindle [AZW], TXT, PDF, Audible [Audible Enhanced [AA,AAX], MP3, MOBI não protegido, PRC nativamente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP por meio de conversão.

Esses são os formatos de conteúdo suportados pelo novo Kindle Touch, da Amazon. O modelo mais barato, chamado apenas de Kindle, não reproduz áudio. O tablet Kindle Fire, por sua vez, suporta mais alguns formatos, como OGG, MP4 e VP8.

Foi meio decepcionante ver que nenhum dos novos modelos de Kindle [assim como os velhos] oferece suporte a EPUB, um padrão bem difundido de distribuição de documentos digitais. Gratuito e aberto, é adotado por muitos repositórios de livros eletrônicos e compatível com leitores como Barnes & Noble Nook, iRiver Story e Sony Reader, além de vários tablets. Mas não com o e-reader da Amazon.

Vejo dois perfis de leitores que, por conta dessa limitação, podem se frustrar muito ao ter um Kindle: 1] os que leem sobretudo obras que estão em domínio público; 2] os que não querem ler em inglês.

Para os leitores do primeiro tipo, tenho a impressão de que a coisa está melhorando – parece-me cada vez mais fácil achar obras em domínio público disponíveis no formato do Kindle. Para os do segundo, o negócio é mais complicado. No Brasil, especificamente, as lojas costumam vender e-books apenas em EPUB ou PDF, e o catálogo em português na Amazon é bem limitado.

A farta disponibilidade de obras em domínio público e em português [ou outras línguas que não o inglês] no padrão PDF, que é compatível com o Kindle, não melhora muito as coisas, pois o aparelho da Amazon oferece um suporte muito limitado ao formato. Os níveis de zoom, por exemplo, são todos predefinidos [ajustar para caber, tamanho real, 150%, 200%, 300%] – não é possível dar um zoom de 130%. [Essa opinião sobre o suporte a PDF é baseada na minha experiência com o Kindle 3, atual Kindle Keyboard, mas acredito que os novos modelos – com exceção do Fire – não apresentem melhora significativa nesse quesito.]

Os donos de Kindle nos Estados Unidos ainda sofrem com o problema de muitas bibliotecas trabalharem prioritariamente com EPUB.

A questão do EPUB gera discussões intermináveis, como esta no fórum da Amazon, com 642 posts desde dezembro do ano passado. Não são raros os comentários na linha “comprei um Nook/Sony Reader/outro concorrente em vez de um Kindle por causa da falta de suporte deste a EPUB”.

Uma solução comumente utilizada é converter arquivos em EPUB [ou mesmo em PDF] para MOBI, formato semelhante ao AZW. O resultado, porém, pode variar.

Escrito por Emerson Kimura | Publicado Folha Online | 05/10/2011, 06h54

Chega às lojas o primeiro e-reader integrado à livraria do Google


Ele será vendido a partir do próximo domingo, dia 17 de julho

No final da tarde desta segunda-feira, dia 11, Pratip Banerji, gerente de produtos do Google Books, comentou no blog oficial do Google Books [Inside Google Books] o lançamento do primeiro e-reader integrado com a sua eBookstore [lançada nos Estados Unidos em dezembro de 2011]. O Story Drive HD, fabricado pela iriver, roda a API do Google Books, o que leva o usuário direto à eBookstore onde, segundo o Google, o leitor tem acesso a mais de 3 milhões de títulos gratuitos e a outras “centenas de milhares de e-books à venda”, nas palavras de Pratip Banerji. O Story HD estará a venda nos EUA a partir de 17 de julho, nas lojas físicas da Target e também na Target.com, pelo preço de US$ 139,99. O design do novo aparelhinho é semelhante ao Kindle, com uma tela de 6 polegadas XGA [768 x 1024], teclado físico do tipo QWERTY, e pesa 207 gramas. O site da iriver anuncia duração de 6 semanas para a bateria do Story HD, que também vem com wi-fi, o que permite a compra direta na loja do Google Books [aparelhos anteriores precisam que os e-books sejam comprados em um computador e baixados para eles via cabo] e possibilita também que a biblioteca do usuário seja guardada na nuvem, evitando a necessidade de baixar cada livro no aparelho para que seja lido. Ainda segundo Pratip, “a API usada pelo equipamento da iriver está disponível para qualquer fabricante.

Por Ricardo Costa | PublishNews | 12/07/2011

Google faz parceria para crescer no segmento de livro digital


O Google se associou à fabricante de aparelhos eletrônicos iRiver para lançar uma nova ofensiva no setor de livros virtuais. O leitor digital da empresa, Story HD, será o primeiro aparelho com acesso à plataforma de livros digitais do Google. A empresa afirmou que deve firmar mais parcerias no futuro.

A ferramenta permitirá que os usuários com uma conexão de internet sem fio comprem os títulos diretamente do Google eBooks. Antes, os arquivos tinham de ser baixados em um computador e transferidos para os mais de 80 leitores digitais compatíveis.

Segundo a empresa, a plataforma de livros oferece acesso também a cerca três milhões de títulos gratuitos.

O aparelho será vendido, a partir do próximo domingo [17], por US$ 139,99 em lojas da varejista americana Target.

A nova ferramenta é uma tentativa do Google de crescer no mercado hoje liderado pelo Kindle, da Amazon.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS| Folha.com | Mercado | 11/07/2011 – 20h48

Leitor eletrônico terá integração com plataforma do Google


A varejista norte-americana Target vai começar a vender em breve um novo leitor eletrônico que concorrerá com o Kindle, da Amazon.com, e o Nook, da Barnes & Noble.

O iRiver Story HD é o primeiro leitor eletrônico a ter integração completa com a plataforma eBooks, do Google, afirmou a Target em comunicado nesta segunda-feira [11].

Ele custará US$ 139,99 e será vendido a partir de 17 de julho, acrescentou a empresa.

Durante o primeiro trimestre, o Color Nook, da Barnes & Noble, ajudou a companhia a liderar o mercado de leitores eletrônicos pela primeira vez, de acordo com a empresa de pesquisa IDC.

O Kindle, da Amazon, foi o segundo, mas a ausência de uma opção de tela colorida claramente impactou o domínio antecedente da companhia no mercado de leitores eletrônicos“, disse o IDC em relatório na semana passada.

O IDC prevê que 16,2 milhões de leitores eletrônicos serão vendidos neste ano mundialmente, aumento de 24% sobre 2010.

A Target cobra de US$ 114 a US$ 189 pelo Kindle, dependendo da versão. A varejista também vende leitores eletrônicos da Sony, Kobo e Pandigital, assim como o iPad, da Apple, de acordo com o site da empresa.

DA REUTERS, EM SAN FRANCISCO| 11/07/2011 – 15h47

Livros de ouvir e clicar


Por Thaís Tüchumantel | O Mundo da Usinagem Digital

Audiolivros e e-books são formatos alternativos para leitura de clássicos da literatura e têm conquistado um público crescente

Muitos daqueles que folheiam com gosto as páginas de um clássico da literatura ou que sentem prazer em acomodar-se em uma poltrona para desfrutar de um bom livro ainda podem sentir certa resistência quando se deparam com tecnologias alternativas de leitura, como os audiolivros ou os e-books [abreviação de electronic books]. No entanto, estes formatos têm ganhado mais espaço no mercado editorial na última década e conquistado um público específico.

Segundo estimativas da Distribuidora de Livros Digitais [DLD], grupo que reúne sete editoras brasileiras, nos próximos anos cerca de 6,3 milhões de livros deverão estar disponíveis em formato digital no mercado brasileiro.

No mercado de audiolivros, o cenário é semelhante. Claudio Wulkan, fundador e diretor da Editora Universidade Falada – empresa que publica conteúdos literários em áudio – afirma que nos últimos quatro anos o crescimento do mercado têm sido significativo.

Claudio Wulkan, da Editora Universidade Falada: "Começamos com o objetivo de difundir a cultura por preços simbólicos e hoje já temos aproximadamente 350 produtos disponíveis"

Nossas vendas têm aumentado a cada mês e acredito que isso tenha ocorrido porque as pessoas começaram a entender pouco a pouco o que é exatamente este formato“, analisa Wulkan.

Alternativo, não substituto

Gino Murta, diretor de Planejamento da Editora Autêntica – empresa que também publica obras literárias para iPod, iPad e iTouch –, considera que estes formatos de livros são complementares aos livros impressos. “Estas tecnologias estão sendo mais difundidas ultimamente, principalmente os e-books, mas acredito que sejam apenas diferentes formas de disseminar o mesmo conhecimento, ou seja, apenas outros canais pelo qual estes produtos também podem ser consumidos“, opina Murta.

Cerca de 6,3 milhões de livros deverão estar disponíveis em formato digital no mercado brasileiro nos próximos anos

Para o diretor de Planejamento, o avanço destas tecnologias pode ser comparado ao processo pelo qual a indústria do cinema passou quando os videocassetes, e posteriormente os DVDs, colaboraram para a disseminação dos filmes. “Mesmo com estes novos suportes as pessoas não deixaram de ir ao cinema, já que a experiência é diferente entre assistir os filmes em casa e no cinema“, compara Murta.

Livro falado

Para as pessoas que têm uma rotina intensa de atividades, muitas vezes fica difícil encontrar tempo para apreciar uma boa leitura impressa. Nos anos 1990, Wulkan, fundador da Editora Universidade Falada, enfrentava esta mesma dificuldade. Trabalhava como médico dermatologista e ainda buscava tempo para se dedicar à família, e o resultado era que restava pouco tempo para estudar assuntos que lhe interessavam como astronomia, filosofia e mitologia. Para possibilitar este estudo, Wulkan recorreu aos audiolivros durante os intervalos das consultas.

Mas foi só em 2006 que o médico decidiu transformar seu hobby em profissão. Montou um estúdio profissional e trouxe locutores e professores para gravar livros em formato de áudio. “Começamos este projeto com o objetivo de difundir a cultura por preços simbólicos e hoje já temos aproximadamente 350 produtos disponíveis no Portal da Universidade Falada“, comemora. Para disponibilizar as obras, Wulkan reuniu diversas empresas que produziam audiolivros e disponibilizou as obras, em formato de CD e em MP3, para serem comercializadas.

O diretor da editora ressalta que os audiolivros são uma boa solução para pessoas que não encontram tempo para ler o livro impresso e assim podem ouvir as histórias enquanto realizam outras atividades. “Os usuários podem usufruir desta tecnologia enquanto praticam esportes ou no caminho para o trabalho e principalmente no carro, tempo que pode ser bem aproveitado com um audiolivro“, sugere.

Mas não é apenas como atividade paralela que os audiolivros podem ser utilizados. Para aqueles que não têm a possibilidade de ler um livro impresso, este formato pode ser uma solução. A Fundação Dorina Nowill para Cegos, entidade que se dedica à inclusão social das pessoas com deficiência visual, disponibiliza gratuitamente ao público obras de sua Biblioteca Circulante do Livro Falado, que conta com mais de 860 títulos. O acervo dispõe de opções variadas como as revistas Veja e Cláudia, clássicos da literatura brasileira e até best-sellers internacionais.

Milton Assumpção, da M. Books: "No caso dos livros digitais, é preciso conseguir licença dos autores e arcar com custos relacionados aos direitos autorais".

Digitalizando a cultura

Para Murta, da Editora Autêntica, os e-books não são apenas formatos práticos, mas apresentam em termos de tecnologia possibilidades inovadoras de leitura. “Principalmente para publicações técnicas, como para engenheiros, médicos ou advogados, os livros digitalizados tornam a busca de um determinado termo mais ágil, pois possuem mecanismos que facilitam este processo“, justifica o diretor.

Além de sua propriedade enciclopédica, os e-books possibilitam uma leitura mais dinâmica também nas publicações destinadas ao público infantil. “Estamos preparando histórias em quadrinhos para o ePub, que oferece a possibilidade de aumentar o tamanho dos quadros e movimentálos de acordo com a leitura”, adianta o diretor de Planejamento da Editora Autêntica.

O formato ePub é um arquivo digital utilizado para leituras de livros e periódicos em dispositivos móveis como smartphones, PDAs, tablets, computadores ultraportáteis e leitores digitais como Kindle, Nook, Sony Reader, entre outros.

Milton Assumpção, fundador e diretor executivo da M.Books, indica que os formatos digitais não exigem investimentos muito altos, por isso são mais viáveis em termos de produção. “Para este suporte, é preciso conseguir licença dos autores, caso necessário, e arcar com custos relacionados aos direitos autorais“, explica Assumpção.

Obras seguras na Internet

Uma das questões essenciais ao se tratar de livros digitais são os direitos autorais. Todos os livros que são comercializados em sites de venda de ebooks devem ser protegidos pelas leis dos direitos autorais, que dão o devido crédito ao autor da obra e à editora responsável por sua publicação impressa. Essa proteção evita que os livros sejam alterados, plagiados ou comercializados sem a autorização necessária.

No entanto, a pirataria deste tipo de produto é muito comum e pode acabar dificultando o desenvolvimento do mercado. Ednei Procópio, Coordenador Geral do Cadastro Nacional de Livro e editor especialista em livros digitais, afirma que esta é uma questão que ainda deve ser resolvida no mercado editorial. “Acredito que a tendência para os livros digitais no futuro é uma solução mista: enquanto algumas obras serão disponibilizadas sem custo e sem segurança, outras podem apresentar restrições e serem disponibilizadas a partir de um pagamento”, prevê o coordenador.

Outros leitores

Estes meios alternativos para leitura apresentam algumas particularidades quanto ao público que atingem. Ednei Procópio, Coordenador Geral do Cadastro Nacional de Livros e autor do livro O Livro na Era Digital, aponta que o maior número de leitores de livros impressos e de livros digitais estão localizados nas regiões Sul e Sudeste do País, entre as classes A e B; mas que, mesmo assim, têm perfis diferentes.

“Geralmente, os leitores de e-books são internautas e têm um perfil específico; são pessoas que preferem o meio digital ao formato impresso”, observa Procópio, que também é leitor assíduo de e-books.

Ednei Procópio, autor do livro "O Livro na Era Digital": "Base instalada de suportes para os livros digitais ainda não é favorável no Brasil"

O editor enfatiza que, apesar de a tecnologia ter apresentado crescimento, a base instalada de suportes para os livros digitais ainda não apresenta uma situação favorável. “Hoje, no Brasil, a maior base instalada é a de celulares, e depois a de computadores“, relata. “No entanto, a tela do celular é muito pequena para a leitura de livros e os computadores são muito pesados. Os smartphones, que têm a tela um pouco maior e facilitam a leitura, representam atualmente apenas 3% do total de celulares no Brasil“, informa Procópio.

Segundo o editor, outra opção seriam os tablets, suporte que no momento tem base instalada muito pequena no País. “Temos ainda um longo caminho pela frente para que esta tecnologia possa ser difundida“, opina Procópio.


Para “ler” ouvindo ou clicando

Confira os sites que disponibilizam versões digitais e de audiolivros para que você também possa aproveitar as tecnologias alternativas de leitura, seja no carro, enquanto pratica esportes ou espera na fila do banco.

* www.universidadefalada.com.br – O portal disponibiliza atualmente cerca de 350 audiolivros entre CDs e livros em formato MP3. Os produtos mais vendidos são livros de mitologia, fi losofi a e a série de Sherlock Holmes

* www.meuebook.com.br – Portal lançado em parceria com a Universidade Falada que tem como objetivo difundir a cultura pelo Brasil, na forma de e-books. As obras neste portal podem ser gratuitas [de domínio público ou não] ou pagas [pertencentes a editoras nacionais]

* www.autenticaeditora.com.br/livros_digitais – Editora disponibiliza livros que estão esgotados em formato impresso e que podem ser acessados na versão digital gratuitamente. Além disso, também oferece livros infantis neste formato

* www.brasiliana.usp.br – Portal mantém cerca de 3.000 volumes, incluindo obras raras. Digitaliza algumas das obras cedidas pela família Mindlin à Universidade de São Paulo [USP]

* www.dominiopublico.gov.br – Biblioteca digital do Ministério da Educação que dispõe obras de domínio público da língua portuguesa nos formatos de texto digitalizado, som, vídeo e imagem

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Os primórdios dos livros digitais

Apesar do crescimento recente do mercado de e-books, os formatos que deram a base para esta tecnologia já tem uma história bem mais antiga. Ednei Procópio, Coordenador Geral do Cadastro Nacional de Livro e editor especialista em livros digitais, indica que a primeira experiência com e-books foi o Projeto Gutemberg, em 1971. Já o primeiro formato adaptado para a web foi disponibilizado pela Sony em 1993, o Discdata. No Brasil, uma das primeiras bibliotecas com acervo digital foi a Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, que hoje já está fora do ar.

Para ler as publicações digitais disponibilizadas nesta época, eram utilizados os e-readers de primeira geração, como os palms, que hoje já foram substituídos por aparelhos como iPhone e Blackberry.

Segundo informações da GfK, empresa que realiza pesquisas de mercado, atualmente 67% dos brasileiros não conhece os e-books, aparelhos destinados a leitura de publicações digitais. Hoje, os aparelhos destinados especificamente a esta função que já estão disponíveis no Brasil são o Kindle, o iRiver, o Cool-er, o Alfa e o iPad, lançado no Brasil no início de dezembro do ano passado.

Por Thaís Tüchumantel | O Mundo da Usinagem Digital

Preços ameaçam adoção dos e-readers no Brasil


Aparelhos podem custar até mais de R$ 1.000; tributação é problema

Chegada de tablets ao mercado nacional também assombra a categoria, que peca por ser monofuncional

Pouco mais de um ano após a Amazon começar a vender o Kindle para o país, o brasileiro passou a ter opções “nacionais” de leitores de livros eletrônicos. Os altos preços, porém, podem fazer com que essa categoria de aparelhos não emplaque.

Além do dispositivo da Amazon, existem quatro leitores no mercado brasileiro: o Alfa, o ER-7001, iRiver Story e o Cool-er.

Todos, porém, têm o mesmo problema: preço de produto importado, que varia de R$ 599,90 [Cool-er] a R$ 1.099 [iRiver]. O Kindle com 3G, Wi-Fi e tela de seis polegadas , por exemplo, é vendido para o mercado brasileiro por US$ 409 [cerca de R$ 707]. Desse valor, quase US$ 200 são impostos.

Essa é, de fato, uma das grandes reclamações e preocupações de fabricantes e lojas. Mesmo os leitores que levam marcas nacionais são importados e, por isso, tributados como o concorrente americano.

Uma das armas da Amazon para manter a popularidade do Kindle é o preço. Em julho, a loja virtual abaixou para US$ 139 o valor do modelo mais simples. Ele não está à venda para o Brasil, mas tem especificações comparáveis às dos dispositivos encontrados por aqui.

Isso significa, por exemplo, que esse modelo do Kindle vale, com impostos, aproximadamente 12% de um salário mínimo da Califórnia [cada Estado especifica um valor mínimo; na Califórnia é US$ 8 a hora trabalhada]. No Brasil, o Cool-er, o e-reader mais barato do mercado, sai por R$ 89,90 a mais que um salário mínimo.

Marcílio D’Amico Pousada, diretor-presidente da Livraria Saraiva, fala que as vendas do Alfa na loja foram um sucesso, mas vê o preço ainda como problema. “A maior plataforma de livros eletrônicos no Brasil ainda são os PCs“, diz ele.

Porém, Isar Mazer, da Positivo, acredita que os preços cairão no futuro.

A vida dos leitores de livros eletrônicos deverá ficar ainda mais difìcil com a chegada de tablets ao país.

Além do Galaxy Tab, o iPad também terá venda oficial por aqui -nesta sexta-feira, o modelo mais simples estará nas lojas por R$ 1.649.

MAIS RECURSOS

Claro, os tablets são mais caros, mas também oferecem mais funções, como conectividade sem fio [coisa que só o Alfa tem], navegação pela internet, e-mail, maior espaço de armazenamento e tela com boa resolução.

Além disso, os tablets permitem a leitura não apenas de livros, mas também de jornais e revistas -algo que não ocorre tão bem nos e-readers.

Eu não acredito em aparelhos que sejam monofuncionais. Dessa forma, eles serão produtos de nicho“, diz Sergio Herz, presidente-executivo da Livraria Cultura.


POR BRUNO ROMANI | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA |
Folha de S. Paulo
| 01/12/2010

Saraiva lança loja on-line de livros para tablet da Apple


A Livraria Saraiva lançou, na sexta-feira [27], seu aplicativo de leitura e compra de livros para o iPad, tablet da Apple. O software grátis pode ser baixado na loja de aplicativos App Store. Ele dá acesso à livraria digital on-line da Saraiva, com 1.500 títulos nacionais e 160 mil livros estrangeiros. A expectativa, segundo Marcílio Pousada, presidente da empresa, é atingir 5.000 livros brasileiros em 2010.

O aplicativo da Saraiva para iPad é o primeiro entre as grandes redes de livrarias no país. Fnac e Livraria Cultura já comercializam livros digitais, mas as versões não são compatíveis com o aparelho.

O aplicativo levou três meses para ser desenvolvido pela equipe da Saraiva e também funciona no iPhone.

Estimamos, hoje, 40 mil iPads no Brasil e é esse público que queremos atingir“, diz Pousada. O aparelho ainda não foi lançado oficialmente no país, e a expectativa é para o quarto trimestre, embora a Apple não confirme.

A estreia da Saraiva na loja de aplicativos vem uma semana depois de a livraria iniciar as vendas dos leitores digitais da brasileira Positivo e da sul-coreana iRiver. Segundo Pousada, na primeira semana, o estoque de leitores da Positivo já está esgotado.

Publicado originalmente em Folha. com | Tec | 29/08/2010 – 07h41

Livro digital é desconhecido por 67% dos brasileiros


O e-book – aparelho para leitura de livros em formato digital – ainda é desconhecido por 67% dos brasileiros, segundo pesquisa divulgada hoje pela GfK, empresa de pesquisa de mercado. O levantamento, realizado em maio com 1 mil pessoas maiores de 18 anos em 12 regiões metropolitanas, mostrou que o e-book é menos conhecido por pessoas das classes C e D [76%], habitantes da Região Nordeste [74%], mulheres [72%] e indivíduos com idades entre 45 e 55 anos [72%]. Entre a parcela que conhece ou já ouviu falar dos livros digitais, 36% são jovens entre 18 e 24 anos, e 41% são entrevistados das regiões Norte e Centro-Oeste. A maior parte dos participantes da pesquisa, 71%, não acredita que sua chegada ao mercado seja uma ameaça ao livro tradicional.

“Ainda não está claro para as pessoas o que é o e-book, principalmente para aquelas que não têm acesso aos meios de comunicação como revistas e jornais”, disse David Rodrigues, diretor de Desenvolvimento de Negócios da GfK. “Essa pesquisa indica que, do ponto de vista do marketing, as campanhas precisam atuar no primeiro passo: tornar conhecidos os leitores eletrônicos“, avaliou. Segundo Rodrigues, porém, a pesquisa da GfK não foi encomendada por nenhum cliente específico. “Ela é destinada ao mercado e a quem trabalha com inovação“, disse.

No Brasil, os leitores de livros digitais disponíveis no mercado são o Kindle, o iRiver, o Cool-er e o Alfa, vendidos por preços a partir de R$ 800. O iPad, da Apple, tem previsão de chegar até o final do ano. Segundo estimativa da Distribuidora de Livros Digitais [DLD], grupo que reúne sete editoras brasileiras, cerca de 6,3 milhões de livros devem estar disponíveis em formato digital no Brasil nos próximos anos.

Intenção de compra
Entre as pessoas que afirmam conhecer o livro digital, 56% pretendem adquirir o aparelho se o preço for acessível. Segundo o levantamento, a intenção de compra do livro eletrônico é praticamente igual entre homens e mulheres, com 56% e 55% respectivamente, e é grande também para os entrevistados entre 25 e 34 anos, 67%.

A Região Nordeste é a mais receptiva à compra do e-book [70%], diferente da Região Sul, que aparece na pesquisa como a menos propensa à aquisição da ferramenta de leitura eletrônica [61%]. Já a análise socioeconômica mostra que as classes C e D têm intenção de compra superior a das classes A e B, com 58% contra 54%. “Nessas classes, há carência de informação. As pessoas estão buscando conhecimento e educação. Elas estão ansiosas para entrar nas universidades, no mercado e romper a barreira tradicional“, afirma Rodrigues.

Agência Estado | 18/08/2010

Saraiva começa a vender iRiver Story


iRiver Story

Mais um e-reader chega ao mercado brasileiro. A partir de amanhã [18], a Saraiva começa a vender em seu site o iRiver Story, que tem tela de 6 polegadas com resolução de 600×800 pixels. A capacidade de armazenamento é de 2 GB, mas a memória pode ser expandida com cartão SDHC de até 32GB. Ele grava voz, toca música e lê uma grande variedade de formatos [txt, epub, html, pdf, doc, xls, ppt, adobe DRM, rtf, jpg, Gif, png, mp3, bmp, wma e OGG]. Há ainda agenda e opção de fazer anotações. O leitor é o mais caro entre os disponíveis no Brasil e custa R$ 1.099. O recém-lançado Positivo Alfa vale R$ 699 e o Cool-er, R$ 599.

PublishNews | 17/08/2010

Saraiva entra no mercado de eBooks


Dois meses depois de lançar sua loja on-line de livros eletrônicos, a Saraiva, maior rede de livrarias do país, inicia a venda de leitores digitais a partir da próxima segunda-feira [16].

A companhia começa a distribuir os leitores coreanos iRiver pelo site. Com capacidade para 1.500 livros, funções de gravador de voz e reprodutor de músicas, o aparelho custará R$ 1.099.

Este é o primeiro aparelho da série de leitores digitais que pretendemos oferecer. Imaginamos ter, até o fim do ano, também o iPad, da Apple“, diz Marcílio Pousada, presidente da Livraria. O aparelho da Apple, porém, não tem data confirmada para chegar ao país.

Até o fim de agosto, a Saraiva também venderá o Alfa, da brasileira Positivo. O Alfa custará cerca de R$ 700. Em complemento às vendas pela internet, as lojas físicas da rede receberão os modelos nos próximos meses.

Também na próxima semana, a Saraiva atualiza sua loja de livros on-line. Inaugurada em junho, a loja até agora oferecia livros para serem lidos no computador. Até agora foram 12 mil títulos distribuídos. Deles, 8 mil foram obras gratuitas, fruto de parceria com a Imprensa Oficial.

O volume ainda é pequeno, mas marca o início da tendência. “Os leitores atuais são deficientes em conectividade e não têm loja embarcada, o que seria o ideal“, diz.

AMADURECIMENTO

Existem hoje cerca de 1.500 títulos nacionais em versão eletrônica, ante os 46 mil exemplares em papel editados no ano passado.

É igualmente pequena a base de leitores digitais. São 10 mil unidades, frente a 2,9 milhões nos EUA.

A entrada da Saraiva na venda destes aparelhos, ao lado de outras iniciativas recentes de Fnac, Livraria Cultura, editoras e fabricantes, devem contribuir para o crescimento do mercado.

O fenômeno pode não ser integrado como nos EUA, onde a Amazon, tradicional varejista on-line, fomentou a criação de um ecossistema completo, da distribuição do leitor Kindle até a entrega dos livros eletrônicos.

Iniciativas pontuais, porém, tendem a fazer o mercado crescer naturalmente, já que com mais leitores, mais conteúdo pode ser gerado, o que ficará mais interessante para o consumidor“, diz Duda Ernanny, da livraria Gato Sabido, que trouxe oficialmente o primeiro leitor digital ao país, em dezembro.

Hoje, além do Cool-er, Positivo, e a pernambucana Mix Tecnologia já investem nas vendas do aparelho.

Do lado das editoras, um avanço expressivo veio em junho, com a criação da Distribuidora de Livros Digitais [DLD], reunindo as editoras Objetiva, Record, Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta. A intenção é investir R$ 2 milhões até o fim de 2011.

CONTEÚDO DIFERENTE

Entre os autores não há unanimidade, mas, para alguns, os leitores digitais são o trunfo para conquistar os jovens. Segundo o gaúcho Moacyr Scliar, 73, com obras à venda na Amazon, recursos multimídia como os do iPad darão vazão a outros tipos de conteúdo. “O livro deixará de ser só texto, embora sua beleza continue nas palavras“, resume.

Folha.com | Livraria da Folha | 15/08/2010 – 10h04

Livros digitais no Brasil: como, onde e por que [talvez não] comprá-los


Foto: Flickr

Há mais de seis meses, o Kindle chegava oficialmente ao Brasil. Junto com ele desembarcava, ainda que tímida, a discussão sobre o fim do papel. A razão pela qual você não vê muita gente com e-Readers por aí é óbvia: há poucos livros nacionais sendo vendidos. Mas isso deve acabar. Livrarias e editoras parecem prontas para entrar no mercado do livro digital. Entenda a diferença dos arquivos, dos leitores e das lojas virtuais.

Formatos


ePub

Para ler livros, nada melhor do que criar um formato de arquivos especialmente para isso. Foi assim que surgiu o formato ePub, sigla para electronic publication, criado em 2007 pelo IDPF [International Digital Publishing Forum]. O formato é gratuito e aberto, além de suportar proteção de DRM, apesar de não usar um padrão único de direitos digitais. O argumento a favor do ePub é a fácil conversão de livros em arquivos digitais, além de dar liberdade para aumentar e diminuir a fonte, por exemplo, o que o torna mais fácil para ser lido em e-Readers.
Ao mesmo tempo, o ePub tem suas limitações. Voltado principalmente para os leitores com tecnologia e-ink, o formato é perfeito para livros entupidos de texto, que não usam muitas imagens. Porém, para livros que abusam de fotos ou até mesmo histórias em quadrinhos, o ePub é praticamente inviável.

PDF eBooks / Adobe Digital Editions

Não é de hoje que o formato PDF é usado para livros digitais. Muito antes do nascimento dos e-Readers era fácil encontrar e-Books usando o formato da Adobe. Como um processo natural, ele é usado por grande parte dos leitores digitais, mas agora com proteção de direitos autorais. Os arquivos trabalham em conjunto com o software Adobe Digital Editions, feito para leitura e organização de e-Books.
Livrarias como a Cultura e a Saraiva usam o sistema, que é baseado em Flash e também lê arquivos ePub. A diferença entre o PDF eBook, como é chamado, e um PDF comum, é a presença da proteção de DRM. Ou seja, para poder ler o livro em até seis desktops, notebooks ou smartphones que suportem o aplicativo, é preciso criar um Adobe ID. Mesmo sendo eficaz, o sistema de proteção e a necessidade de aplicativos, logins, senhas e downloads pode afastar o usuário comum, que gostaria de ter o mesmo processo do livro de papel no livro digital: comprar, abrir e ler, sem complicações.

AZW

O formato criado pela livraria americana Amazon foi o caminho para tornar o Kindle único. Apenas o leitor da empresa lê a extensão, e apenas a livraria vende e-Books com essa codificação. Assim, os livros da Amazon só podem ser lidos no Kindle, mas agora também podem ser acessados em smartphones que usam o sistema Android ou aparelhos com iOS [iPhones, iPads e iPods touch].

Livrarias


Cultura

Desde abril, a Livraria Cultura tem uma loja virtual de e-Books dentro de seu site. Os livros são vendidos no formato ePub e no formato PDF eBooks, que dá licença para o livro ser acessado em até seis dispositivos de leitura, desde que sejam acessados via Adobe ID. O principal empecilho que a livraria enfrenta é o mesmo de qualquer concorrente: a falta de livros nacionais. Com 110 mil títulos disponíveis na loja virtual, menos de mil são em português – e ainda assim, a maioria, traduções e obras de domínio público.
Mesmo assim, a livraria aposta muito nos e-Books – foi a primeira grande varejista a entrar no mercado. Números publicados pela Exame dizem que, em junho, foram vendidos 80 livros digitais por dia. O número pode parecer pequeno, mas a livraria comemora o aumento de 100% no número das vendas em comparação ao mês anterior. Por enquanto, a Cultura está apenas estudando se venderá e-Readers em suas lojas.

Saraiva

A Saraiva entrou no mercado há pouco mais de um mês. Os números, novamente, impressionam, mas não é preciso uma lupa para constatar o mesmo problema da Cultura: são 160 mil e-Books, e apenas 2 mil deles em português. A venda é feita por um software baseado no Adobe Digital Editions, que recebeu um tapa no visual e ganhou o nome de Saraiva Digital Reader. Apesar do visual simples e intuitivo, o aplicativo apresentou lentidão com frequência, problemas para acessar páginas e precisou ser reiniciado algumas vezes, mesmo com poucos programas abertos.
Os dez livros mais comprados e baixados na livraria da Saraiva formam uma lista bem estranha: desde “O Retrato de Dorian Gray”, clássico de Oscar Wilde, que custa 15 reais, até “Emagreça sem fome”, que custa 6 reais.

FNAC espera o iPad

Enquanto assiste às duas principais concorrentes largarem na frente no mercado dos e-Books, a FNAC espera, com um sorriso no canto da boca, como quem sabe que terá uma carta na manga. Depois de muitas especulações sobre a presença da empresa na comercialização de livros digitais e e-Readers – a coreana iRiver chegou a anunciar que venderia seu leitor digital na loja [leia mais abaixo] – os franceses da FNAC não têm mais dúvidas: “estamos trabalhando estratégias para esse mercado há três anos, mas algo de grande impacto aconteceu: o lançamento do iPad”, diz Fernando Sant’ana. A empresa espera então a chegada oficial do tablet da Apple ao Brasil, já que acredita que o mundo dos e-Readers foi “atingido fatalmente”.
E ele pode estar certo. Depois de vender 3 milhões de iPads em 80 dias, a Apple assistiu a seus concorrentes de livros digitais cortarem o preço de seus leitores em efeito dominó. Primeiro, o Nook, da Barnes & Noble. Depois, a Amazon e seu Kindle. E por último, a Sony e seu trio de e-Readers. Jason Perlow, da ZDNet, concorda com o argumento de Fernando Sant’ana, ao lembrar que há um ano e meio, o Kindle custava 399 dólares. O argumento de Perlow é que os leitores mais assíduos poderão preferir os e-Readers clássicos, mas a maioria da população gosta de muitas opções em um só aparelho:

“Realmente, o e-ink pode ser superior para a leitura sob a luz do dia, e pelo menos por enquanto, os leitores mais hardcore, a maioria deles mais velhos, preferirão comprar um Kindle ou um Nook para o consumo de livros durante um belo verão, na praia.
Mas a geração Y está muito mais interessada em seus iPhones, iPads e Androids, com coloridas telas brilhantes e nítidas, e as versões mobile das lojas de e-Books serão o suficiente para essas pessoas, pelo menos para aqueles que ainda gostam de ler livros.”

A FNAC também lembra quantos projetos foram engavetados após o lançamento do iPad, sejam de e-Readers ou até de smartbooks, aparelhos que possivelmente nós sequer veremos nascer. Mas Sant’ana reconhece um dos problemas com o iPad: o processo para adicionar livros no iBooks não será nem um pouco simples. Ele acredita que a evolução no Brasil será muito lenta, principalmente pela questão dos direitos autorais. Sobre os e-Readers, Sant’ana disse que a FNAC já recebeu mais de 10 modelos para análise, mas que o principal empecilho é a falta de assistência técnica – os aparelhos são feitos na Ásia e não têm nenhum tipo de garantia ou assistência técnica no Brasil.

Gato Sabido

Oras, você nunca ouviu falar no Gato Sabido? Pois então saiba desde já que ela foi a primeira loja virtual de e-Books no Brasil, e também é a primeira a vender seu próprio e-Reader, o Cool-er [leia mais sobre ele abaixo]. A loja conta hoje com “mais de 100 mil títulos em inglês” e 1.500 livros em português. Apesar de enfrentar agora grandes concorrentes, a experiência de alguns meses tornam a loja do Gato Sabido uma das mais intuitivas e fáceis de usar, além de ter informações detalhadas sobre os livros.
O sistema funciona por compra de créditos: você compra um valor entre 10 e 100 reais por meio de cartão de crédito, boleto bancário ou pelo PagSeguro. Para tentar ainda mais os compradores, os créditos dão bônus de até 15 reais. Apesar de também ter poucos livros em português, o site conta com categorias de fácil acesso. Os livros são baixados em PDF e ePub e, novamente, é necessário o programa Adobe Digital Editions para acessar as obras.

E as editoras? Conheça o DLD

Se o principal problema para aumentar o número de livros nacionais nas lojas de e-Books é a disponibilização de obras por parte das editoras, elas também preparam seu terreno para o novo mercado. Sete editoras [Moderna, Objetiva, Planeta, Record, Rocco, Salamandra e Sextante] criaram a Distribuidora de Livros Digitais, a DLD. A ideia é que a parceria unifique a distribuição de livros digitais para as livrarias, diminuindo a burocracia no processo de venda de direitos.
Assim, a DLD pretende aumentar o fluxo de livros nacionais digitalizados. Até o fim do ano, a parceria promete 500 novos livros. Se o número não empolga, a promessa para 2011 é ainda mais agressiva: 300 títulos serão distribuídos mensalmente aos varejistas.

e-Readers disponíveis


Kindle

O mercado americano de e-books e e-Readers já é consolidado, graças à aposta da maior livraria online dos EUA, a Amazon, no Kindle, em 2007. A parceria era perfeita: uma infinidade de livros e um leitor revolucionário, que usa a tecnologia e-ink, ou o papel eletrônico, uma tela em preto e branco que não reflete a luz ambiente e garante uma duração de bateria impressionante – a Amazon promete até sete dias longe da tomada, com 3G ligado.
Há dois modelos que nós, brasileiros, podemos comprar: o Kindle original e o Kindle DX. O primeiro teve um corte de preço recente e agora custa para nós 409 dólares, cerca de 700 reais – 200 dólares do valor são impostos. Quando foi anunciado, em outubro de 2009, o aparelho passava a casa dos 1.000 reais. Com tela de 6 polegadas, ele tem cerca de 300 gramas, 2 GB de espaço interno e entrada para chip 3G, que já vem incluso [uma grande sacada da Amazon, que paga sua navegação pelo site].
Já o Kindle DX, com tela de 9,7 polegadas, ganhou há poucos dias uma versão preta, bem classuda, mas que ainda não está à venda internacionalmente. O preço do aparelho nos EUA é 359 dólares, mas depois de passar pela taxação brasileira acaba custando 741 dólares, ou cerca de 1.300 reais.
Além do preço extremamente proibitivo, a principal limitação do Kindle é a escolha dos formatos de arquivos de texto. Em sua primeira versão, o leitor aceitava apenas arquivos AZW – formato em que os livros da Amazon são vendidos – TXT e MOBI, enquanto a maioria dos livros digitais eram distribuídos no padrão ePub e PDF – uma atualização no fim do ano passado liberou a leitura de arquivos da Adobe. E, apesar de ter uma das maiores lojas virtuais como base, a oferta por livros em português é ínfima.

Cool-er

O Cool-er é vendido pela loja virtual de e-Books Gato Sabido. O leitor, fabricado pela empresa inglesa Interead, aposta num formato mais simples do que o Kindle, eliminando o teclado físico e deixando grande parte do espaço para a tela de 6 polegadas. Assim, ele pesa menos de 200 gramas. A empresa promete bateria com duração de até “8.000 viradas de página”, que parece animar até os dispostos a ler Ulysses na telinha de 6 polegadas, também de e-ink. Para guardar os livros, 1 GB de espaço interno, mas não há nenhum tipo de opção de conectividade, como 3G ou Wi-Fi.
A grande sacada do Cool-er é ser o primeiro leitor nacional a ler arquivos no formato ePub, além de aceitar também os formatos PDF, FB2, RTF, TXT, HTML, PRC e JPG. O e-Reader usa o software Adobe Reader Mobile 9, que ainda dá mais opções para leitura de arquivos no padrão PDF. O problema é que seu preço não é tão díspar do Kindle, que conta com 3G e acesso à Amazon: o Cool-er é vendido pela Gato Sabido por 750 reais.

iRiver Story

Recém-chegada às terras brasileiras, a coreana iRiver prometeu vender o iRiver Story na FNAC a partir da segunda quinzena de julho. Pelo que nós ouvimos da empresa francesa, isso não acontecerá. Mesmo assim, o leitor já tem preço e informações no Brasil; só não sabemos ao certo se ele realmente será vendido.
Seu visual lembra bastante o primeiro Kindle, com teclado QWERTY com 5 linhas e tela de 6 polegadas. Como ponto positivo, a empresa colocou um leitor de cartões SD no aparelho, que pode ter até 32 GB de espaço interno. Mas se você tem 32 GB de livros, amigo, você pode se considerar um viciado, já que os livros ocupam pouquíssimo espaço. E o iRiver Story não tem acelerômetro, ou seja, é preciso apertar um botão para girá-lo. E também não há conexão alguma com o mundo externo – nada de Wi-Fi ou 3G.
Com todos esses detalhes, não dá para entender porque seu preço sugerido é de 1.299 reais.

Positivo Alfa

A Positivo também deve entrar em breve no mercado de e-Readers. O Alfa, que teve suas informações dissecadas pela Info, também terá 6 polegadas, mas deixou de lado o teclado físico e ganhou tela sensível ao toque. O aparelho aceitará livros no formato PDF, ePub e TXT para rechear seus 2 GB de espaço interno. Um detalhe bacana é o Dicionário Aurélio que já virá embutido no leitor. Mas, como todos os concorrentes nacionais do Kindle, o Alfa também não tem 3G ou Wi-Fi.
Segundo as informações de preço, o Alfa custará 799 reais nos primeiros meses, sofrendo um corte sutil de 50 reais a partir do terceiro mês e ainda mais uma redução de preço no Natal, época em que outros leitores deverão chegar ao país. Ainda segundo a Info, o leitor começaria a ser vendido em junho, mas já estamos quase no meio de julho e nada do Alfa.

Preço


Valor digitalmente salgado

Mas como convencer as pessoas de que é bom ler livros na tela do computador ou que vale a pena gastar um bom dinheiro em um leitor digital? A promessa dos varejistas era de que os e-Books custariam de 20% a 30% menos do que os livros impressos. Nos livros nacionais, essa promessa aparece em pouquíssimos casos, “detalhe” que deve manter distantes os novos usuários.
Um dos exemplos mais sensíveis é o Top 10 dentro do Saraiva Digital Reader. Ao clicar no livro, caso ele tenha uma versão de papel, o site o avisa e dá um link para a compra. Essa integração causa situações estranhas. O livro mais vendido em versão digital, “O Que a Vida me Ensinou”, de Mário Sérgio Braz, custa 17,92 reais em sua versão digital. Ao clicar no link para a versão impressa, o usuário descobre que o livro custa 16,40 reais na loja online da Saraiva. Em outros casos, uma pesquisa rápida na internet, hábito comum para quem compra livros, encontra a obra impressa por melhor preço, como é o caso de “Leite Derramado”, de Chico Buarque, que custa R$ 29,90 na versão digital da Saraiva, mas pode ser encontrado em sua versão impressa por R$ 27,30 na FNAC. Para usuários iniciantes nos livros digitais, por que escolher a versão eletrônica em uma situação como essa?
Por outro lado, os livros “importados” costumam valer a pena em sua versão digital. Livros como “Gil Evans: Out of the Cool: His Life and Music”, sobre um dos grandes pianistas da história do jazz, custa 27 dólares na Amazon. Na versão digital, vendida na Saraiva, o livro custa R$ 24,41. Um livro sobre o arquiteto Frank Lloyd Wright custa 26,99 dólares, o e-Book sai por R$ 43,73. Ao comprar livros importados, nenhum imposto é cobrado, mas o frete não é barato. Ou seja, “burlar” o envio e comprar a versão digital de uma obra que você só encontrará importada pode valer a pena.
Essa disparidade mostra o cenário atual dos e-Books no Brasil. Com poucos títulos e preços desestimulantes, o mercado é praticamente embrionário: é preciso esperar as negociações com as editoras avançarem e aguardar a chegada de mais e-Readers, criando concorrência e queda de preços. Por enquanto, além da sensação de estar vivendo o futuro, há poucos argumentos para entrar no mundo dos leitores digitais. Porém, a novidade ainda engatinha por aqui, e pelas promessas e apostas – tanto das editoras quanto dos varejistas – o sucesso desta tecnologia ainda está por vir. Enquanto isso, o jeito é esperar.
Por Leo Martins | Esta matéria foi publicada original mente Gizmodo Brasil | Em 09 de Julho de 2010 | 18:42
Há mais de seis meses, o Kindle chegava oficialmente ao Brasil. Junto com ele desembarcava, ainda que tímida, a discussão sobre o fim do papel. A razão pela qual você não vê muita gente com e-Readers por aí é óbvia: há poucos livros nacionais sendo vendidos. Mas isso deve acabar. Livrarias e editoras parecem prontas para entrar no mercado do livro digital. Entenda a diferença dos arquivos, dos leitores e das lojas virtuais.

Formatos


ePub

Para ler livros, nada melhor do que criar um formato de arquivos especialmente para isso. Foi assim que surgiu o formato ePub, sigla para electronic publication, criado em 2007 pelo IDPF [International Digital Publishing Forum]. O formato é gratuito e aberto, além de suportar proteção de DRM, apesar de não usar um padrão único de direitos digitais. O argumento a favor do ePub é a fácil conversão de livros em arquivos digitais, além de dar liberdade para aumentar e diminuir a fonte, por exemplo, o que o torna mais fácil para ser lido em e-Readers.
Ao mesmo tempo, o ePub tem suas limitações. Voltado principalmente para os leitores com tecnologia e-ink, o formato é perfeito para livros entupidos de texto, que não usam muitas imagens. Porém, para livros que abusam de fotos ou até mesmo histórias em quadrinhos, o ePub é praticamente inviável.

PDF eBooks / Adobe Digital Editions

Não é de hoje que o formato PDF é usado para livros digitais. Muito antes do nascimento dos e-Readers era fácil encontrar e-Books usando o formato da Adobe. Como um processo natural, ele é usado por grande parte dos leitores digitais, mas agora com proteção de direitos autorais. Os arquivos trabalham em conjunto com o software Adobe Digital Editions, feito para leitura e organização de e-Books.
Livrarias como a Cultura e a Saraiva usam o sistema, que é baseado em Flash e também lê arquivos ePub. A diferença entre o PDF eBook, como é chamado, e um PDF comum, é a presença da proteção de DRM. Ou seja, para poder ler o livro em até seis desktops, notebooks ou smartphones que suportem o aplicativo, é preciso criar um Adobe ID. Mesmo sendo eficaz, o sistema de proteção e a necessidade de aplicativos, logins, senhas e downloads pode afastar o usuário comum, que gostaria de ter o mesmo processo do livro de papel no livro digital: comprar, abrir e ler, sem complicações.

AZW

O formato criado pela livraria americana Amazon foi o caminho para tornar o Kindle único. Apenas o leitor da empresa lê a extensão, e apenas a livraria vende e-Books com essa codificação. Assim, os livros da Amazon só podem ser lidos no Kindle, mas agora também podem ser acessados em smartphones que usam o sistema Android ou aparelhos com iOS [iPhones, iPads e iPods touch].

Livrarias


Cultura

Desde abril, a Livraria Cultura tem uma loja virtual de e-Books dentro de seu site. Os livros são vendidos no formato ePub e no formato PDF eBooks, que dá licença para o livro ser acessado em até seis dispositivos de leitura, desde que sejam acessados via Adobe ID. O principal empecilho que a livraria enfrenta é o mesmo de qualquer concorrente: a falta de livros nacionais. Com 110 mil títulos disponíveis na loja virtual, menos de mil são em português – e ainda assim, a maioria, traduções e obras de domínio público.
Mesmo assim, a livraria aposta muito nos e-Books – foi a primeira grande varejista a entrar no mercado. Números publicados pela Exame dizem que, em junho, foram vendidos 80 livros digitais por dia. O número pode parecer pequeno, mas a livraria comemora o aumento de 100% no número das vendas em comparação ao mês anterior. Por enquanto, a Cultura está apenas estudando se venderá e-Readers em suas lojas.

Saraiva

A Saraiva entrou no mercado há pouco mais de um mês. Os números, novamente, impressionam, mas não é preciso uma lupa para constatar o mesmo problema da Cultura: são 160 mil e-Books, e apenas 2 mil deles em português. A venda é feita por um software baseado no Adobe Digital Editions, que recebeu um tapa no visual e ganhou o nome de Saraiva Digital Reader. Apesar do visual simples e intuitivo, o aplicativo apresentou lentidão com frequência, problemas para acessar páginas e precisou ser reiniciado algumas vezes, mesmo com poucos programas abertos.
Os dez livros mais comprados e baixados na livraria da Saraiva formam uma lista bem estranha: desde “O Retrato de Dorian Gray”, clássico de Oscar Wilde, que custa 15 reais, até “Emagreça sem fome”, que custa 6 reais.

FNAC espera o iPad

Enquanto assiste às duas principais concorrentes largarem na frente no mercado dos e-Books, a FNAC espera, com um sorriso no canto da boca, como quem sabe que terá uma carta na manga. Depois de muitas especulações sobre a presença da empresa na comercialização de livros digitais e e-Readers – a coreana iRiver chegou a anunciar que venderia seu leitor digital na loja [leia mais abaixo] – os franceses da FNAC não têm mais dúvidas: “estamos trabalhando estratégias para esse mercado há três anos, mas algo de grande impacto aconteceu: o lançamento do iPad”, diz Fernando Sant’ana. A empresa espera então a chegada oficial do tablet da Apple ao Brasil, já que acredita que o mundo dos e-Readers foi “atingido fatalmente”.
E ele pode estar certo. Depois de vender 3 milhões de iPads em 80 dias, a Apple assistiu a seus concorrentes de livros digitais cortarem o preço de seus leitores em efeito dominó. Primeiro, o Nook, da Barnes & Noble. Depois, a Amazon e seu Kindle. E por último, a Sony e seu trio de e-Readers. Jason Perlow, da ZDNet, concorda com o argumento de Fernando Sant’ana, ao lembrar que há um ano e meio, o Kindle custava 399 dólares. O argumento de Perlow é que os leitores mais assíduos poderão preferir os e-Readers clássicos, mas a maioria da população gosta de muitas opções em um só aparelho:

“Realmente, o e-ink pode ser superior para a leitura sob a luz do dia, e pelo menos por enquanto, os leitores mais hardcore, a maioria deles mais velhos, preferirão comprar um Kindle ou um Nook para o consumo de livros durante um belo verão, na praia.
Mas a geração Y está muito mais interessada em seus iPhones, iPads e Androids, com coloridas telas brilhantes e nítidas, e as versões mobile das lojas de e-Books serão o suficiente para essas pessoas, pelo menos para aqueles que ainda gostam de ler livros.”

A FNAC também lembra quantos projetos foram engavetados após o lançamento do iPad, sejam de e-Readers ou até de smartbooks, aparelhos que possivelmente nós sequer veremos nascer. Mas Sant’ana reconhece um dos problemas com o iPad: o processo para adicionar livros no iBooks não será nem um pouco simples. Ele acredita que a evolução no Brasil será muito lenta, principalmente pela questão dos direitos autorais. Sobre os e-Readers, Sant’ana disse que a FNAC já recebeu mais de 10 modelos para análise, mas que o principal empecilho é a falta de assistência técnica – os aparelhos são feitos na Ásia e não têm nenhum tipo de garantia ou assistência técnica no Brasil.

Gato Sabido

Oras, você nunca ouviu falar no Gato Sabido? Pois então saiba desde já que ela foi a primeira loja virtual de e-Books no Brasil, e também é a primeira a vender seu próprio e-Reader, o Cool-er [leia mais sobre ele abaixo]. A loja conta hoje com “mais de 100 mil títulos em inglês” e 1.500 livros em português. Apesar de enfrentar agora grandes concorrentes, a experiência de alguns meses tornam a loja do Gato Sabido uma das mais intuitivas e fáceis de usar, além de ter informações detalhadas sobre os livros.
O sistema funciona por compra de créditos: você compra um valor entre 10 e 100 reais por meio de cartão de crédito, boleto bancário ou pelo PagSeguro. Para tentar ainda mais os compradores, os créditos dão bônus de até 15 reais. Apesar de também ter poucos livros em português, o site conta com categorias de fácil acesso. Os livros são baixados em PDF e ePub e, novamente, é necessário o programa Adobe Digital Editions para acessar as obras.

E as editoras? Conheça o DLD

Se o principal problema para aumentar o número de livros nacionais nas lojas de e-Books é a disponibilização de obras por parte das editoras, elas também preparam seu terreno para o novo mercado. Sete editoras [Moderna, Objetiva, Planeta, Record, Rocco, Salamandra e Sextante] criaram a Distribuidora de Livros Digitais, a DLD. A ideia é que a parceria unifique a distribuição de livros digitais para as livrarias, diminuindo a burocracia no processo de venda de direitos.
Assim, a DLD pretende aumentar o fluxo de livros nacionais digitalizados. Até o fim do ano, a parceria promete 500 novos livros. Se o número não empolga, a promessa para 2011 é ainda mais agressiva: 300 títulos serão distribuídos mensalmente aos varejistas.

e-Readers disponíveis


Kindle

O mercado americano de e-books e e-Readers já é consolidado, graças à aposta da maior livraria online dos EUA, a Amazon, no Kindle, em 2007. A parceria era perfeita: uma infinidade de livros e um leitor revolucionário, que usa a tecnologia e-ink, ou o papel eletrônico, uma tela em preto e branco que não reflete a luz ambiente e garante uma duração de bateria impressionante – a Amazon promete até sete dias longe da tomada, com 3G ligado.
Há dois modelos que nós, brasileiros, podemos comprar: o Kindle original e o Kindle DX. O primeiro teve um corte de preço recente e agora custa para nós 409 dólares, cerca de 700 reais – 200 dólares do valor são impostos. Quando foi anunciado, em outubro de 2009, o aparelho passava a casa dos 1.000 reais. Com tela de 6 polegadas, ele tem cerca de 300 gramas, 2 GB de espaço interno e entrada para chip 3G, que já vem incluso [uma grande sacada da Amazon, que paga sua navegação pelo site].
Já o Kindle DX, com tela de 9,7 polegadas, ganhou há poucos dias uma versão preta, bem classuda, mas que ainda não está à venda internacionalmente. O preço do aparelho nos EUA é 359 dólares, mas depois de passar pela taxação brasileira acaba custando 741 dólares, ou cerca de 1.300 reais.
Além do preço extremamente proibitivo, a principal limitação do Kindle é a escolha dos formatos de arquivos de texto. Em sua primeira versão, o leitor aceitava apenas arquivos AZW – formato em que os livros da Amazon são vendidos – TXT e MOBI, enquanto a maioria dos livros digitais eram distribuídos no padrão ePub e PDF – uma atualização no fim do ano passado liberou a leitura de arquivos da Adobe. E, apesar de ter uma das maiores lojas virtuais como base, a oferta por livros em português é ínfima.

Cool-er

O Cool-er é vendido pela loja virtual de e-Books Gato Sabido. O leitor, fabricado pela empresa inglesa Interead, aposta num formato mais simples do que o Kindle, eliminando o teclado físico e deixando grande parte do espaço para a tela de 6 polegadas. Assim, ele pesa menos de 200 gramas. A empresa promete bateria com duração de até “8.000 viradas de página”, que parece animar até os dispostos a ler Ulysses na telinha de 6 polegadas, também de e-ink. Para guardar os livros, 1 GB de espaço interno, mas não há nenhum tipo de opção de conectividade, como 3G ou Wi-Fi.
A grande sacada do Cool-er é ser o primeiro leitor nacional a ler arquivos no formato ePub, além de aceitar também os formatos PDF, FB2, RTF, TXT, HTML, PRC e JPG. O e-Reader usa o software Adobe Reader Mobile 9, que ainda dá mais opções para leitura de arquivos no padrão PDF. O problema é que seu preço não é tão díspar do Kindle, que conta com 3G e acesso à Amazon: o Cool-er é vendido pela Gato Sabido por 750 reais.

iRiver Story

Recém-chegada às terras brasileiras, a coreana iRiver prometeu vender o iRiver Story na FNAC a partir da segunda quinzena de julho. Pelo que nós ouvimos da empresa francesa, isso não acontecerá. Mesmo assim, o leitor já tem preço e informações no Brasil; só não sabemos ao certo se ele realmente será vendido.
Seu visual lembra bastante o primeiro Kindle, com teclado QWERTY com 5 linhas e tela de 6 polegadas. Como ponto positivo, a empresa colocou um leitor de cartões SD no aparelho, que pode ter até 32 GB de espaço interno. Mas se você tem 32 GB de livros, amigo, você pode se considerar um viciado, já que os livros ocupam pouquíssimo espaço. E o iRiver Story não tem acelerômetro, ou seja, é preciso apertar um botão para girá-lo. E também não há conexão alguma com o mundo externo – nada de Wi-Fi ou 3G.
Com todos esses detalhes, não dá para entender porque seu preço sugerido é de 1.299 reais.

Positivo Alfa

A Positivo também deve entrar em breve no mercado de e-Readers. O Alfa, que teve suas informações dissecadas pela Info, também terá 6 polegadas, mas deixou de lado o teclado físico e ganhou tela sensível ao toque. O aparelho aceitará livros no formato PDF, ePub e TXT para rechear seus 2 GB de espaço interno. Um detalhe bacana é o Dicionário Aurélio que já virá embutido no leitor. Mas, como todos os concorrentes nacionais do Kindle, o Alfa também não tem 3G ou Wi-Fi.
Segundo as informações de preço, o Alfa custará 799 reais nos primeiros meses, sofrendo um corte sutil de 50 reais a partir do terceiro mês e ainda mais uma redução de preço no Natal, época em que outros leitores deverão chegar ao país. Ainda segundo a Info, o leitor começaria a ser vendido em junho, mas já estamos quase no meio de julho e nada do Alfa.

Preço


Valor digitalmente salgado

Mas como convencer as pessoas de que é bom ler livros na tela do computador ou que vale a pena gastar um bom dinheiro em um leitor digital? A promessa dos varejistas era de que os e-Books custariam de 20% a 30% menos do que os livros impressos. Nos livros nacionais, essa promessa aparece em pouquíssimos casos, “detalhe” que deve manter distantes os novos usuários.
Um dos exemplos mais sensíveis é o Top 10 dentro do Saraiva Digital Reader. Ao clicar no livro, caso ele tenha uma versão de papel, o site o avisa e dá um link para a compra. Essa integração causa situações estranhas. O livro mais vendido em versão digital, “O Que a Vida me Ensinou”, de Mário Sérgio Braz, custa 17,92 reais em sua versão digital. Ao clicar no link para a versão impressa, o usuário descobre que o livro custa 16,40 reais na loja online da Saraiva. Em outros casos, uma pesquisa rápida na internet, hábito comum para quem compra livros, encontra a obra impressa por melhor preço, como é o caso de “Leite Derramado”, de Chico Buarque, que custa R$ 29,90 na versão digital da Saraiva, mas pode ser encontrado em sua versão impressa por R$ 27,30 na FNAC. Para usuários iniciantes nos livros digitais, por que escolher a versão eletrônica em uma situação como essa?
Por outro lado, os livros “importados” costumam valer a pena em sua versão digital. Livros como “Gil Evans: Out of the Cool: His Life and Music”, sobre um dos grandes pianistas da história do jazz, custa 27 dólares na Amazon. Na versão digital, vendida na Saraiva, o livro custa R$ 24,41. Um livro sobre o arquiteto Frank Lloyd Wright custa 26,99 dólares, o e-Book sai por R$ 43,73. Ao comprar livros importados, nenhum imposto é cobrado, mas o frete não é barato. Ou seja, “burlar” o envio e comprar a versão digital de uma obra que você só encontrará importada pode valer a pena.
Essa disparidade mostra o cenário atual dos e-Books no Brasil. Com poucos títulos e preços desestimulantes, o mercado é praticamente embrionário: é preciso esperar as negociações com as editoras avançarem e aguardar a chegada de mais e-Readers, criando concorrência e queda de preços. Por enquanto, além da sensação de estar vivendo o futuro, há poucos argumentos para entrar no mundo dos leitores digitais. Porém, a novidade ainda engatinha por aqui, e pelas promessas e apostas – tanto das editoras quanto dos varejistas – o sucesso desta tecnologia ainda está por vir. Enquanto isso, o jeito é esperar.

Por Leo Martins | Esta matéria foi publicada original mente Gizmodo Brasil | Em 09 de Julho de 2010 | 18:42

iRiver Story, o e-Reader coreano, chega ao Brasil


Em branco, com peso de 286 gramas, exibindo alto-falantes e entrada para cartão SD. É assim que o iRiver Story, um e-Reader coreano, vai se apresentar aos brasileiros e colocar o nacional Gato Sabido e o americano Kindle no ringue da concorrência.

Embora o iRiver esteja chegando aqui um pouco tarde, ele não adota um look muito diferente para tentar surpreender. Com teclado físico e uma tela de 6 polegadas, ele tem a cara do Kindle e pode até ser confundido com sua primeira versão, também com tela de 6?. Mas um olhar mais atento revela algumas diferenças.

Em primeiro lugar, o iRiver não conta com acelerômetro interno, por isso é necessário apertar um botão para rotacionar a tela, um ponto negativo contra ele. Para balancear, um ponto a favor é que ele tem entrada para SD de até 32 GB, expandindo a capacidade inicial de 2 GB [algo impossível no Kindle, cuja primeira versão tem 2 GB e a segunda, a DX, tem 4 GB].

Comparando o peso, pode-se dizer que ele está em forma. Pesa 286 gramas, contra 293 da primeira versão do Kindle. Ambos têm alto-falantes. Dá para abrir audio books em mp3, wmv e ogg.

Algo que agrada no iRiver desde o primeiro momento é a clareza do menu, muito fácil de mexer. Na tela de abertura, você encontra a opção de ler livros ou quadrinhos, que ficam bonitos na tinta eletrônica, ou acessar suas pastas. Os comandos são por botões direcionais. Isso causa um pequeno estranhamento para quem está acostumado aos gadgets touchscreen, mas o problema é geral entre os readers.

A tela fosca é de boa qualidade e o aparelho permite dar zoom e ajusta os documentos. O acabamento é arredondado, com quatro botões laterais e teclas quadradas, firmes. Em linhas gerais, a impressão é boa, mas para comprar um desses é preciso realmente achá-lo excelente. Afinal, a intenção dele é ser seu último e definitivo livro.

O grande problema, porém, é na conectividade. A versão com Wi-Fi e 3G do iRiver Story só chega no fim do ano. Por enquanto, é preciso baixar livros no PC e transferir via cabo. Além disso, a iRiver não tem loja de e-Books. A solução é buscar os livros pela web. Em breve, espera-se que Livraria Cultura e Saraiva também vendam seus livros eletrônicos, o que ameniza a dificuldade.

Para quem gostou, já é possível fazer as contas. O preço recomendado do iRiver é de R$ 1.299 reais. Ele estará disponível na Fnac na segunda quinzena de junho e em breve migrará para outras lojas.

Por Priscila Jordão | Gadgets INFO Blogs | Segunda-feira | 17 de maio de 2010 | 12:32