Tecnologia permite virar a página de eBook simulando o uso de um livro tradicional


Recursos ‘antiquados’ tornam as telas de toque mais confortáveis

Tecnologia permite virar a página de e-book simulando o uso de um livro tradicional | Sangtae Kim/The New York Times

Tecnologia permite virar a página de e-book simulando o uso de um livro tradicional | Sangtae Kim/The New York Times

As superfícies planas das telas de toque podem prejudicar a leitura de perto e a digitação acurada. As pessoas que folheiam páginas eletrônicas muitas vezes reportam menor retenção daquilo que leem, ante a leitura de páginas em papel, de acordo com alguns estudos. E digitar em uma superfície plana, sem teclas físicas para guiar os dedos, requer atenção visual reforçada, o que reduz a concentração quanto aos pensamentos que devem ser expressos.

Há empresas que estão tentando resolver esses problemas por meio de instrumentos adaptados do mundo analógico, a exemplo das teclas tridimensionais de máquinas de escrever, páginas tácteis em papel e provas de surpresa em salas de aula.

A Tactus Technology, de Fremont, Califórnia, está desenvolvendo um teclado com teclas que mudam de forma e saltam da superfície da tela quando necessário, disse Craig Ciesla, um dos fundadores da companhia. O fluido armazenado em microcanais eleva as teclas e depois volta a baixá-las, o que faz parecer que derreteram.

A tecnologia será oferecida neste ano como acessório para o iPad Mini, disse Ciesla. No ano que vem, será parte de muitas telas de toque usadas em tablets e smartphones.

Recursos tácteis como esses podem ajudar a criar memória muscular e melhorar a precisão perdida com a corrida para a adoção das telas de toque, disse Scott MacKenzie, professor da Universidade York, de Toronto, que se especializa em interação entre computadores e seres humanos. Muita gente que digita em telas de vidro planas precisa manter o olhar concentrado na tela a fim de atingir a tecla certa, ele diz. “As pessoas não só precisam de atenção visual como precisam de muita atenção visual“, ele diz.

Isso significa menos atenção ao ato da composição, diz Eric Wastlund, da Universidade de Karstad, Suécia.

Muitos estudos sugerem que a memória e compreensão das pessoas muitas vezes são superiores quando elas leem passagens longas em papel, e não em uma tela, diz Mariette DiChristina, editora chefe da revista “Scientific American”, que realizou uma conferência no ano passado sobre o aprendizado na era digital. Mas os livros didáticos eletrônicos estão incorporando maneiras de compensar esse problema, ela diz, “de modo que a pessoa distribua no tempo o que está aprendendo, com feedback imediato sobre o que está certo e o que está errado, a fim de ajudá-la a saber o que entendeu e o que não entendeu“.

Desacelerar os estudantes na leitura de livros eletrônicos pode ser importante, diz Marianne Wolf, neurocientista cognitiva na Universidade Tufts, em Medford, Massachusetts.

Você pode lembrar de que algo que leu ontem no jornal estava no meio da página, ou no canto direito“, diz Wastlund. “Esse tipo de mapa cognitivo é muito mais difícil de criar com páginas eletrônicas transitórias“. Pesquisadores de uma universidade sul-coreana construíram o protótipo de uma interface para tela de toque que permite que alunos folheiem um livro eletrônico como fariam com um livro em papel.

Todos esses recursos podem ajudar as pessoas que precisam desacelerar ao trabalhar com telas de toque. “Ler de passagem, ler por cima, multitarefas, tudo isso uma tela permite fazer melhor“, disse a Dra. Wolf, acrescentando que a melhora não precisa vir à custa do que ela classifica como “leitura profunda”: o aspecto contemplativo e concentrado da vida de leitura.

POR ANNE EISENBERG | DO “NEW YORK TIMES” | Publicado em português por Folha de S. Paulo | 09/07/2014 14h13 | Copyright Folha de S. Paulo. Todos os direitos reservados.

Hardware para consumo digital supera o papel em portabilidade, mobilidade e legibilidade


POR EDNEI PROCÓPIO

iPad mini supera o papel em portabilidade, mobilidade e legibilidade

iPad mini supera o papel em portabilidade, mobilidade e legibilidade

Equipamentos digitais para o consumo e acesso de conteúdo estão cada vez mais próximos da experiência, conforto e comodidade de seus predecessores em versão papel.

Depois de a Amazon e Kobo anunciarem novas edições de suas famílias de gadgets, agora é a vez da Apple que apresentou uma opção que parece difícil de ser superada pelas rivais quando falamos em estado de arte em mídias digitais.

Na última quinzena de outubro, a Apple apresentou ao mercado a segunda edição do iPad mini. Uma das maiores novidades do lançamento tem a ver com a questão da legibilidade de sua tela, com uma tecnologia de alta resolução chamada Retina, já testada em outros equipamentos da família de tablets da empresa.

Em meados de 2000, quando ainda sonhava com os Tablets PCs, a Microsoft havia lançado uma tecnologia, chamada ClearType, que tinha como objetivo melhorar a legibilidade das fontes utilizadas no aplicativo MS Reader. O objetivo da tecnologia ClearType era melhorar a qualidade dos pixels nas cores RGB [red, green e blue] e assim melhorar o conforto de se ler em uma tela.

Felizmente este tempo de tentar melhorar a legiblidade das telas usando artifícios através de softwares passou. Pois não passava de um truque, a tela da nova edição do iPad mini tem resolução nativa de 2.048 x 1.536. Sua área visível é idêntica a de um livro no formato padrão 14×21, e causa uma densidade de pixels superior e, com isto, uma nitidez maior nas fontes, imagens, etc., superior a dos livros impressos.

Adeus e-readers?

A Apple deixou o iPad do mesmo tamanho dos e-readers da primeira geração [Rocket eBook, SoftBook, Sony LIBRIè] e da segunda geração [Kindle, Kobo, Sony Reader]. Agora os e-readers [os dispositivos criados e desenvolvidos especificamente para a leitura dos eBooks] estarão cada vez mais fadados a um nicho de consumo que ainda não se solidificou. Se não for lançada rapidamente a terceira geração de e-readers com telas coloridas e dobráveis, tablets como o iPad mini terão oportunidade maior de superar seu consumo.

Os e-readers são geralmente mais baratos porque a tecnologia básica que eles guardam [a tela, o processador e bateria] são sempre mais simples e baratos de se fabricar. Os e-readers geralmente permitem apenas o acesso e a leitura dos eBooks, funções também básicas que permitem que o aparelho seja mais facilmente desenhados e projetados pelos fabricantes. Já os tablets do tipo iPad Mini, que possui o processador Apple A7, servem não só para o processamento de dados do tipo read only memory, mas também permitem o processamento de uma série de outros dados de aplicativos que usam vídeos, social media, geolocalização, games, etc.

iPad mini 2

Fonte: Folha de S. Paulo

Só para se ter uma ideia, o iPad mini é até quatro vezes mais rápido que a primeira geração da primeira edição do iPad. O que nos faz lembrar do então presidente da Intel, o Sr. Gordon E. Moore, que afirmou que o número de transistores dos chips teria um aumento de 100%, pelo mesmo custo, a cada período de 18 meses.

O Sr. Gordon estava correto, mas isto não quer dizer que os tablets vão ficar cada vez mais baratos. É o contrário, eles terão cada vez mais poder computacional, por enquanto pelo mesmo preço. Quando chegar às lojas, o iPad mini custará US$ 399. A edição anterior custava US$ 300.

Ou seja, a questão preço versus consumo de livros digitais continua. Porque tablets de alta performance acabam chegando ao Brasil por volta de R$ 1.500, aproximadamente. Os fatores do custo para o consumidor final, já conhecemos: a indexação do dólar, impostos, as taxas de importação, etc.

E não há nenhuma chance em equiparar equipamentos de alta performance da isenção de determinados impostos que hoje desfruta o mercado editorial com os livros impressos. Talvez até conseguíssemos isto com os e-readers, mas prerrogativa como esta aplicada aos tablets e smartphones não fazem sentido nenhum.

Para os leitores que adquirem um tablet de alta performance como o iPad mini, o que resta, para equilibrar os gastos com a leitura, é o consolo de que já existem dezenas de bibliotecas digitais e sites de autores, boa parte independente dos grandes selos editoriais, que já permitem o download dos eBooks em valores mais acessíveis que os praticados nas versões impressas. Em alguns casos é possível também baixar ótimos títulos com qualidade editorial e textual a preço zero.

Portabilidade, mobilidade e legibilidade

O iPad mini tem 7,5 mm de expessura. Podemos compará-lo a um livro impresso com quatro cadernos de 32 páginas. Pesa apenas 331 gramas, o equivalemte a um livro impresso de aproximadamente menos de 500 páginas. Mas as diferenças acabam por aí, ao invés de permitir a portabilidade de um livro de 128 páginas no formato 14×21, o iPad mini permite a portabilidade de centenas de aplicativos voltados para a leitura de eBooks disponíveis na App Store além de milhares de títulos de diversos canais. A medio prazo, para os leitores mais compulsivos, vale a pena a compra porque compensa. O leitor não conseguiria a mesma quantidade de títulos na versão impressa pelos mesmo custo, se comparássemos.

Falta pouco, portanto, para o restante [acessibilidade, conexão e consumo] também serem superados. Como eu reafirmo em meu próximo livro, que será lançado até o final deste ano pela Editora do Senai, em termos de portabilidade, mobilidade e legibilidade, o ecrã digital superou o papel com um equipamento leve, fino e conectado.

POR EDNEI PROCÓPIO

Kindle Fire HDX: um campeão entre os tablets pequenos


Novo aparelho da Amazon tem preço acessível e vem com o que há de mais moderno da categoria

Foto: Gizmodo

Foto: Gizmodo

O Kindle Fire HDX é um grande avanço em comparação aos seus antecessores. Ele recebeu um redesign bacana, hardware mais rápido e alguns truques novos. Acima de tudo, ele é um dos melhores tablets pequenos que existem agora.

O que é?

Um tablet de 7 polegadas de US$ 230 feito pela Amazon. É a terceira geração da linha Kindle Fire, com hardware mais poderoso, uma nova tela maravilhosa e um corpo completamente novo. Assim como o Kindle Fire original, ele é uma vitrine para comprar coisas na Amazon, porém de forma bem mais fantástica que seus antecessores.

Para quem ele foi feito?

Para quem quer ver filmes e ler livros em um tablet, e para quem está mergulhado no mundo da Amazon. Sim, a versão brasileira da loja online vende apenas e-books, mas você pode assim mesmo aproveitar o tablet por aqui. Afinal, ele também tem uma tela fantástica e alto-falantes excelentes por um bom preço. Funciona como qualquer tablet, mas funciona melhor integrado à Amazon.

Design

Uma beleza angular. Enquanto o Kindle Fire original era basicamente um retângulo, e o Kindle Fire HD era levemente curvado, o HDX mistura o que há de melhor em ambos. Ele tem um corpo de magnésio sólido, coberto por um plástico suave que oferece uma boa pegada; no entanto, ele ficará coberto de marcas dos seus dedos.

Os cantos traseiros do HDX são levemente angulados: isso não só é atraente, como faz bastante sentido ergonômico – seus dedos ficam relaxados ao segurar as bordas.

O HDX tem acabamento um pouco melhor do que seu antecessor. Ele é menos volumoso em torno das bordas, graças a uma moldura ligeiramente reduzida, mas você ainda terá dificuldade para colocá-lo no seu bolso. Com 311 gramas, o HDX é bem mais leve do que o Kindle Fire HD de 395 g, e levemente mais pesado do que o iPad Mini [303 g]. O campeão em portabilidade ainda é o novo Nexus 7, com seus 289 gramas e o bônus de ser fino o suficiente para caber no bolso. Mas o HDX aparece logo em segundo.

Os botões são melhores do que eram na versão anterior, mas ainda assim são um pouco estranhos. Como eles são côncavos, em vez de saltarem da superfície do tablet, você precisa da ponta dos dedos para encontrá-los e usá-los. Além disso, quando o tablet está em modo paisagem com a câmera frontal na parte superior, os botões de volume ficam no lado direito da parte traseira. Ao segurá-lo com a mão direita, de repente você ouve aquela explosão altíssima de som – você aumentou o volume sem querer… [Canhotos, vocês se deram bem desta vez!] Parece algo pequeno, mas neste ponto o Nexus 7 é superior.

A posição do speaker é perfeita. O Kindle Fire HD tinha problemas nessa área, mas o HDX recebeu grandes melhorias ao mover os speakers para o canto angulado traseiro, bem distante de onde seus dedos costumam ficar – assim, eles não atrapalham a emissão de som.

Outros tablets costumam ter problemas de som quando você passa o dedo por um speaker, e isso prejudica toda a experiência de ver um filme, algo que não ocorre com o HDX.

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Usando

À primeira vista, pode parecer estranho que um tablet projetado especialmente para ver filmes e ler livros e revistas tenha tanta potência: processador Snapdragon 800 quad-core de 2,2 GHz, e 2 GB de RAM. Mas quando você coloca o HDX nas suas mãos, tudo começa a fazer sentido.

Fazer qualquer coisa no HDX é prazeroso e fluido. Com uma tela 1920×1200 com 323 pixels por polegada – empatada com a tela do Nexus 7 e superada apenas pela tela do HDX 8,9 com 399 PPI – o HDX tem mais pixels do que nunca, e eles são belíssimos. Dá para passar minutos inteiros brincando no carrossel da tela inicial do HDX, apenas apreciando sua nitidez.

A enorme quantidade de pixels traz ótimos benefícios para o aparelho. A resolução permite que vídeos brilhem, e o contraste estelar e os pretos profundos da tela superam a qualidade do Nexus 7 2013 quando você os compara lado a lado.

Livros também ficam ótimos na tela, nítida o suficiente para você quase esquecer que está olhando para uma tela LCD em algumas circunstâncias. O sensor de luz ambiente do HDX- que ajuda a ajustar o contraste debaixo de luz solar – facilita a leitura em ambientes abertos e ensolarados, mas ainda assim é uma experiência ruim; você provavelmente vai preferir evitar isso.

O melhor de tudo, porém, é que o HDX economiza bateria quando está no modo leitura: conseguimos 17 horas seguidas de tela sempre ligada com apenas uma carga.

E então chegamos à qualidade do áudio, que é mesmo impressionante. É possível ouvir bem as frequências baixas de som, o que dá mais profundidade ao áudio – ele parece flutuar ao seu redor. Não parece que ele está vindo de um tablet; ele está simplesmente lá.

Software

O Kindle Fire HDX tem diversos truques diferentes de software, mas um se destaca em relação aos outros. Historicamente, a interface do Kindle Fire estava centralizada ao redor de um carrossel. Um fluxo com álbuns, livros, filmes, apps e qualquer outra coisa disponível no aparelho. Ainda é assim, mas a Fire UI 3.0 enfim adicionou uma gaveta de apps.

Isso faz do HDX um tablet completamente diferente.

Antes, a interface do Kindle Fire era carregada de apps. Não do ponto de vista de processamento [embora por vezes também isso], mas do ponto de vista organizacional. Era como uma mochila: quanto mais coisas você colocava, mais difícil ficava de encontrar algo. Mas com a nova opção de uma app drawer, os aplicativos estão muito mais acessíveis. Antes, a grade de apps ficava meio escondida – você precisava tocar a aba “Apps” no meio das categorias, e eles tinham o mesmo destaque de coisas como “Audiobooks” e “Banca de revistas”. Agora, os apps ganharam um espaço dedicado para brilharem na sua tela inicial.

E, como um sistema operacional crescido, o Fire OS 3.0 conta com multitarefa que permite que você alterne não apenas entre apps, mas também entre livros! Ou seja, como você pode alternar entre conteúdos, o tablet não vai reunir seus e-books em uma só opção “Livros” na barra de multitarefa. Não é uma mudança tão grande quando a nova gaveta de apps, mas ainda assim é um passo à frente.

Nós testamos o Mayday, o novo suporte técnico por videochamada do Kindle Fire, e ele funciona exatamente como prometido. Toquei no botão e, cerca de cinco segundos depois, estava falando com Jace, que – após confirmar meu endereço de email por motivos de segurança – começou a desenhar na minha tela e a mover seu avatar. Foi mágico. Mas mesmo que o Mayday não ative a sua câmera, ainda há algo perturbador nele. Eles não podem te ver, mas você ainda se sente vigiado.


A seta foi desenhada por ele. E o rosto pixelizado foi ideia minha, achei educado.

Vale ressaltar que o Mayday ainda não está sob muita pressão. O volume das chamadas era bem baixo, e aposto que a Amazon considerou o fato de que os primeiros suportes seriam feitos a pessoas como eu, que testam o aparelho. Ainda assim, minha experiência foi bem prazerosa, e a sua também deve ser [se você um dia precisar da ajuda dele].

O Mayday não é necessário para amantes de gadgets, ou qualquer um que entenda como funciona uma interface moderna. Mas é bom saber que aqueles com menos familiaridade têm a quem recorrer em caso de ajuda. Por enquanto não há como desabilitar o botão Mayday, que fica na área de notificações, mas nos disseram que uma configuração para isso será liberada antes do lançamento oficial do tablet.

O X-ray para músicas é mais uma ótima adição de software, apesar de não ser nada crucial. Ele permite acessar a letra de uma música e, ao tocar nas palavras, você é levado ao ponto da música onde essa palavra é cantada – algo bem divertido. E, diferentemente do X-ray para filmes, que é mais valioso como fonte de trívias, ou o X-ray para livros, que traz informações durante a leitura, o X-ray para músicas é mais como um brinquedo.

Gostei

Assistir filmes e programas de TV no HDX é demais. Entre a belíssima tela [quando está exibindo conteúdo HD], o som excelente e a ergonomia confortável do tablet, você vai se perguntar por que se preocupar em ter uma TV. O HDX não é apenas um rosto bonito, ou algo poderoso – ele é tudo isso e ainda é muito portátil.

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

A navegação geral do HDX é igualmente fantástica. Em partes por causa do processador de 2,2 GHz, mas o Jelly Bean 4.2.2 [no qual a Fire UI é baseada] também ajuda. Afinal, ele inclui o Project Butter, iniciativa do Google para tornar o Android mais rápido e fluido, e consequentemente isso acontece com o Fire UI 3.0.

Também vemos a ausência de engasgos no mundo dos apps: o Kindle Fire HDX pode rodar [e bem!] praticamente qualquer app que você quiser. Testamos Dead Trigger, um pouco de Angry Birds e alguns outros jogos, e todos pareciam um sonho. Mesmo com tantos pixels para processar, é complicado imaginar algo que dê trabalho para o HDX.

Não gostei

Os botões do Kindle Fire HDX são melhores do que os virtualmente invisíveis do Fire HD, mas, como ressaltamos, eles ainda são estranhos. E há alguns outros problemas também. A entrada microUSB, onde você encaixa o carregador, é angulada de forma estranha. Isso significa que o cabo fica em um ângulo nem um pouco natural, e plugá-lo é sempre estranho e forçado – parece que algo vai quebrar.

Não são grandes problemas, mas contribui para uma sensação geral de estranhamento. Ou talvez seja algo que diminui a sensação de solidez e normalidade. De qualquer forma, é uma desvantagem.

Existem algumas questões maiores também. A linha Kindle Fire nunca teve a intenção de ser uma máquina para e-mail e calendário. Ele foi feito para ver filmes, ler quadrinhos e livros. Tecnicamente, é um Kindle. Desta vez, o HDX tentou expandir os horizontes com hardware mais poderoso e acesso melhorado aos apps. Mas poderia ser melhor.

Existem alguns problemas como a ausência dos apps do Google, mas não é exatamente uma falha, e sim uma escolha que pode não agradá-lo. Ainda assim, esta escolha traz muitas consequências. A Amazon App Store tem uma seleção melhor do que antes – muitos dos apps famosos já estão aqui – mas ainda está distante do mundo maravilhoso do Google Play em alguns pontos importantes. Apps que você já comprou pela Play Store não podem ser transferidos para o Kindle Fire HDX. Atualizações de apps precisam ser aprovadas pela Amazon antes de chegar ao Kindle. O melhor é não pensar no Kindle Fire como um tablet com Android; o Fire OS é tão distante do Android que é uma experiência completamente diferente, com as próprias regras e próprios apps. O fato dele compartilhar algumas coisas com o Android é um bônus, não uma parte integral do que ele pretende ser.

Além disso, você não conta com acesso a serviços cada vez melhores do Google, como o Google Now, ou o Voice Search, e não há sincronização de contas entre dispositivos como no Google. É o preço a se pagar por escolher a Amazon [e seu hardware excelente e barato].

A Fire UI também tem as suas próprias deficiências. As notificações dos apps são acumuladas como meros números no topo de barra de notificações, sem nenhuma maneira mais informativa como um pop-up. Você verá apenas um “1″ ou “2″, por exemplo, e não vai ter ideia do que se trata antes de verificar a central de notificações. É algo pequeno, mas irritante.

Notas de teste

A Amazon diz que a bateria dura 17 horas no modo leitura. Parece loucura, mas é verdade: nós conseguimos mais ou menos esse tempo com ele ligado em brilho automático.

Nos testes de vídeo [10 horas de Nyan Cat, também com brilho automático] também conseguimos as 11 horas divulgadas pela Amazon.

Seria negligência da minha parte não fazer ao menos uma comparação com o iPad Mini, mas, ao mesmo tempo, isso é um tanto cruel. Não é uma briga justa. O iPad Mini já tem um ano de vida, e também está em um universo diferente de preço; o HDX custa a partir de US$ 230, enquanto o iPad Mini custa US$ 330. Mas um novo iPad Mini vem aí, e ele deve ser um grande avanço em relação ao antecessor. O HDX é melhor que o iPad Mini do ano passado, é claro. Mas com o iPad Mini 2 a história deve ser diferente.

O Kindle Fire HDX de 7 polegadas chega em diferentes opções de armazenamento e conexão. Ele custa US$ 230, US$ 270 e US$ 310 por 16GB/32GB/64GB. E então você pode adicionar US$ 100 por 4G LTE. E também pode pagar US$ 14 para eliminar os anúncios na tela de bloqueio.

Há ainda uma capa exclusiva para o HDX, que serve de suporte. Ela se chama Origami Case, se prende ao HDX através de ímãs, e pode ser colocada em modo paisagem ou retrato. Mas, por US$ 65, é um pouco caro, ainda mais para um tablet que não precisa de um case para ser bom.

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Kindle Fire HDX | Photo: Gizmodo

Eu deveria comprar um?

Com o preço inicial de US$ 230, o HDX concorre diretamente com o novo Nexus 7, e em praticamente todas as categorias ele vence. Então mesmo que o Android padrão e a Play Store sejam importantes para você, é melhor pensar bem.

Você gosta de assistir vídeos no tablet? O Kindle Fire HDX tem uma excelente tela – a melhor de todas. No Brasil, você não pode ver conteúdo da Amazon, mas pode acessar o Netflix e vídeos nativos, por exemplo. Ele tem suporte a arquivos MP4 e MKV, entre outros.

Você gosta de ouvir coisas no seu tablet sem fone de ouvido? O Kindle Fire HDX tem alto-falantes excelentes, e muito bem posicionados, o que é muito mais raro do que deveria ser.

Você gosta de uma interface de usuário fluida, capaz de rodar de tudo? O Kindle Fire HDX tem um baita processador. É um Snapdragon 800 de 2,2 GHz que continuará sendo excelente por um bom tempo. Ele roda muito bem qualquer app disponível na Amazon App Store. O Nexus 7, com seu Snapdragon 600, não tem a mesma potência.

Você gosta de checar seu email e redes sociais, além de navegar na web direto no seu tablet? O Kindle Fire HDX faz isso muito bem. O app pré-instalado de email e o navegador Silk não são os melhores da categoria, mas funcionam legal. Há também apps para Twitter, Facebook e outras redes sociais.

Você gosta de ler livros? O Kindle HDX não tem uma tela e-ink, mas possui sensor de luz que ajusta o contraste, e uma bateria que dura 17 horas no modo leitura. É a melhor experiência que você conseguirá fora de um e-reader.

Se o Android padrão e a Play Store são mais importantes do que tudo isso, compre um Nexus 7. Mas se um gadget pode fazer você reconsiderar suas prioridades, é este aqui. A linha Kindle Fire recebe críticas por não ter um tablet com Android de verdade, só que ele faz o mesmo que os outros – e até melhor, na maioria das vezes.

Mas eis algo a se levar em conta: a nova versão do iPad Mini está chegando. Não sabemos ao certo como ela é, mas pode concorrer a “melhor tablet pequeno”. O próximo grande evento da Apple para o iPad deve ser agora em outubro.

Por enquanto, o Kindle Fire HDX é vitorioso, superando o já surpreendente Nexus 7 2013. Será que a Apple supera? Talvez sim, talvez não. Mas, agora, o HDX é o grande líder da categoria.

Especificações técnicas do Kindle Fire HDX

Processador: Snapdragon 800 2.2 GHz quad-core
Tela: IPS LCD de 7 polegadas
Resolução: 1920×1200 pixels [323 ppi]
Memória: 2 GB
Armazenamento: 16GB/32GB/64GB
OS: Android 4.2.2 [Modificado]
Câmera: frontal
Gravação de vídeo: “HD”
Rede: WiFi [5GHz MIMO]
Peso: 303 gramas [Wi-Fi]; 311 g [4G]
Dimensões: 186 mm x 128 mm x 9 mm

Por Eric Limer | Publicado originalmente em Gizmodo | MSN Tecnologia | 03/10/2013

Com eBook exclusivo na Amazon, Paulo Coelho prefere o Nook


O autor de ‘Brida’ utiliza o aparelho da Barnes & Noble para suas leituras digitais

Fotógrafo: Marcos Borges

Fotógrafo: Marcos Borges

A recém-inaugurada loja brasileira da Amazon possui livros em caráter de exclusividade digital de quatro autores: Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Jeff Kinney e Paulo Coelho. Entre estes, apenas o autor de O Alquimista poderia ler seu próprio livro exclusivo em edição digital, uma vez que os dois primeiros já não estão entre nós – e a Amazon ainda não revelou planos de abrir uma loja para clientes post mortem, mas como eles nunca falam de planos futuros, vai saber… – e o terceiro autor, americano, não lê em português. Ainda assim, é provável que, enquanto O Livro dos Manuais permanecer exclusivo da Amazon, Paulo Coelho não vá lê-lo por uma simples razão: o escritor de maior sucesso comercial utiliza um leitor Nook, da Barnes & Noble, para suas leituras digitais.

Sobre a chegada das ebookstores estrangeiras ao Brasil e o crescimento local do mercado digital, Paulo Coelho mantém uma opinião bastante otimista. “É algo não só positivo, mas inevitável. O Brasil resistiu enquanto podia, já que os editores viam o livro digital como uma ameaça. Mas trata-se de algo que ajuda escritores e autores”, declarou Paulo Coelho em entrevista exclusiva ao PublishNews. “Vou dar um exemplo: imagine que uma pessoa no Gabão queira ler meu livro em português. Graças a plataformas digitais como a do Kindle, da iBookstore e de outros, ela terá acesso à minha obra.

Paulo Coelho dedicou-se ao longo dos últimos anos a comprar os direitos digitais de suas traduções em espanhol, francês e alemão. Além disso, ele tem mantido os direitos digitais de suas obras na língua pátria, e comercializa todos estes livros em acordos diretos com as grandes lojas e distribuidoras de livros digitais no mundo. “Não foi apenas uma experiência. Eu acreditava muito que os leitores em português fora do Brasil ou de outras línguas fora dos principais países que as falam devessem ter acesso aos livros”, disse Coelho para explicar a razão que o levou a distribuir ele mesmo seus livros digitais. Em um primeiro momento, poderia parecer que o escritor radicado na Suíça já não acredita no papel do editor nesta nova era do acesso digital, mas nada poderia estar mais longe da verdade. “Acredito no negócio e no sistema do livro. Os autores não têm condições de fazer tudo e vão deixar de ser escritores se abrirem mão do editor. Vão perder um tempo imenso para ganhar migalhas”, declarou. “Teoricamente, eu até poderia prescindir de uma editora no Brasil, mas isto seria uma besteira sem tamanho, que não levaria a lugar nenhum. O editor é fundamental”, continuou.

Paulo Coelho também lembrou a importância das livrarias. “[As lojas nos] tablets não são como livrarias físicas porque não se vê os livros, você não tem a sensação da visão”, explicou, lembrando o papel da descoberta das livrarias. “O tablet nunca substituirá a livraria física”, profetizou.

A exclusividade do Livro dos Manuais na Amazon foi negociada pelos agentes do autor, e o livro está sendo vendido com grande desconto por apenas R$ 2,99. Paulo Coelho lembra, no entanto, que apesar de controlar a publicação digital de várias de suas obras, ele mantém uma boa relação com seus editores e faz acordos de cavalheiro com eles. “A edição digital de Manuscrito Encontrado em Accra só foi lançada no Brasil em dezembro, bem depois dos outros países, pois eu tinha um acordo com a editora”, comentou – neste caso, a editora é a Sextante.

Sobre os aparelhos de leitura, Coelho só tem elogios ao Nook, da Barnes & Noble. “O Nook é mais eficiente, gosto demais, é leve, gostoso”, explicou. Recentemente, um iPad Mini também chegou às mãos do escritor. “Este novo iPad vai ser um e-reader. Agora é leve”, previu Coelho. Mas quando perguntado sobre seu leitor eletrônico preferido, Paulo Coelho não titubeou. “Quando viajo, gosto de ler no Nook, mas por uma razão bastante prática”, respondeu, deixando um suspense no ar. “Como moro na Europa e o catálogo do Nook não está disponível para compras por aqui, me deram um crédito de 600 dólares que ainda não terminei de gastar”, explicou, desfazendo o mistério. E talvez esta seja mais uma prova que o preço do leitor, que a Kobo já vende a R$ 399 e a Amazon venderá a R$ 299, seja de fato fundamental na disputa do mercado digital brasileiro.

Carlo Carrenho | PublishNews | 07/12/2012

Apple lança iPad Mini


Mas preço do novo tablet não é tão mini

A loja da maçã pode ter causado burburinho por aqui com suas vendas de livros brasileiros, mas no resto do mundo todos os olhares estão voltados para o novo lançamento da Apple. O iPad Mini chega ao mercado para concorrer com tablets e e-readers menores e mais baratos. Mas o preço, que deveria ser o fator diferencial do novo mimo, não é tão atrativo: o modelo mais barato sai por U$ 329 (a título de comparação, o modelo mais barato do iPad 2 sai por U$ 399), o que fez os analistas do mercado de tecnologia torcerem o nariz, afinal o preço é cerca de 130 dólares mais caro que os competidores Google Nexus e Kindle Fire.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 24/10/2012

Apple começa a publicar livros na iBookstore brasileira


Na véspera do evento da terça-feira, 23, a Apple começou a dar os primeiros passos para o lançamento da iBookstore brasileira, o que indica que ela será realmente oficializada na apresentação em San Jose, na Califórnia. Alguns títulos já apareceram nesta segunda-feira na loja virtual brasileira de livros digitais para iPhone, iPad e iPod Touch, mostrando preços em dólar e descrição em português. Oficialmente, ainda não é possível nenhuma transação, mas é provável que a Apple libere isso até o final do dia ou em tempo do evento na terça.

A iBookstore, acessível pelo aplicativo iBook, não havia sido lançada anteriormente no Brasil por um impasse entre a Apple e grandes editoras nacionais. Adotando a venda com preços em dólar, a companhia consegue escapar de burocracias tributárias para distribuição de conteúdo digital, mas esbarra na necessidade de o consumidor ter de pagar IOF de 6,38% sobre compras realizadas no exterior. No entanto, este parece ser o caminho mais adequado: a mesma prática foi adotada, com sucesso, com a categoria de jogos na App Store, lançada somente neste ano.

O evento da terça-feira, segundo rumores de mercado, deverá ser focado em educação e livros digitais, o que seria a deixa para a Apple apresentar o iPad mini, com tela de 7,85 polegadas e supostamente fabricado na planta da Foxconn no Brasil. O produto deverá ter como alvo o nicho de mercado de tablets menores, mais indicados para leitura, como o Amazon Kindle HD e o Google Nexus 7. A apresentação deverá mostrar ainda novas versões dos computadores Macs.

Publicado originalmente em TI INSIDE Online | 22 de outubro de 2012, às 13h10