Levantamento revela trechos mais grifados pelos leitores em eBooks no país


Por Maurício Meireles | Publicado originalmente em O Globo | 13/06/2015, às 6:00

Autores independentes se destacam na lista; ‘A culpa é das estrelas’ é o mais marcado

John Green: campeão de grifos na Amazon | Tom Koene / Foto Divulgação

John Green: campeão de grifos na Amazon | Tom Koene / Foto Divulgação

RIO | John Green ainda se lembra bem: estava sentado num café perto de casa, nos Estados Unidos, pensando sobre a parte de “A culpa é das estrelas” [Intrínseca] que acabara de escrever. Gus, par romântico da protagonista, dizia a ela que há algo prazeroso e puro em declarações de amor. Depois de pensar, o autor emendou: “Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.” Depois de “lutar” com esse parágrafo, John Green sentiu-se exausto, fechou o computador e voltou para casa.

Três anos depois de o romance ser lançado, o trecho acima tornou-se o mais grifado por usuários brasileiros do Kindle no e-book de “A culpa é das estrelas”. É o que mostra um levantamento exclusivo feito a pedido do GLOBO pela Amazon, a empresa que lidera o comércio de livros digitais no Brasil, sobre as passagens favoritas dos leitores nos 15 e-books mais vendidos no último ano.

A empresa também analisou algumas obras populares, mas que não apareceram entre os líderes de vendas do ano, como “Harry Potter e a pedra filosofal” [Rocco] e “Cinquenta tons mais escuros” [Intrínseca]. Se a leitura antes era uma atividade privada, o livro digital trouxe a possibilidade de espreitar o comportamento dos leitores — e é isso que a pesquisa mostra.

— Quando escrevi, esse trecho era consideravelmente maior e mais florido. Meu editor e eu cortamos muito durante a edição. Não imaginei que essa parte fosse se tornar tão popular, mas é um momento importante do livro — conta John Green. — Sempre achei interessante a ideia de que o som não pode viajar no vácuo, e muitas vezes nossos lamentos parecem não ser escutados. Por anos, eu costumava dizer meio de piada coisas como “Todo esforço é um grito no vácuo”. Não sei se ouvi ou li a frase em algum lugar, ou se veio de dentro de mim.

Tudo bem, John Green aparecer na lista não é surpresa alguma — afinal, seu livro é um best-seller internacional, e o Brasil não passou incólume a esse sucesso. Na pesquisa da Amazon, porém, a surpresa fica com a não ficção, a autoajuda e os autores independentes. Seis dos 15 livros da lista são de escritores autopublicados. A baiana Tatiana Amaral, por exemplo, aparece com dois livros da trilogia “Função CEO”: “A descoberta do amor”, o primeiro, é o quarto mais vendido; “A descoberta da verdade”, o segundo da série, é o sétimo.

FRASE AO CONTRÁRIO

Laurentino Gomes: frase de “1808” sobre “caixinha” de Dom João remete aos casos atuais de corrupção no país |  Camilla Maia

Laurentino Gomes: frase de “1808” sobre “caixinha” de Dom João remete aos casos atuais de corrupção no país | Camilla Maia

A história é quase a mesma de “Cinquenta tons de cinza”. Tatiana trabalhava como administradora numa empresa familiar de alimentos congelados, quando resolveu escrever um fan fiction sobre a saga “Crepúsculo” — que acabou servindo de ponto de partida para os romances. A série conta a história de Melissa, que vai trabalhar como secretária do CEO de uma empresa. Ele é casado, os dois se apaixonam, mas o poderosão não larga a mulher porque vive um “jogo” com ela — e quem ganhar fica com o dinheiro, as ações, tudo. A mulher do sujeito também é uma megera, que tenta até matar a secretária. A frase mais grifada mostra o momento em que o CEO pede a amante em casamento.

— Há muitos outros trechos que eu achei que iriam agradar mais às pessoas do que esse — reconhece Tatiana.

Outra surpresa aparece em “O pequeno príncipe”, sexto mais vendido no ano: a frase mais famosa do livro — “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” — só aparece em segundo lugar. A campeã de grifos é “Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”

Em livros como o terceiro volume da série “Eternidade por um fio” [Arqueiro], de Ken Follett, e “1808” [Planeta], de Laurentino Gomes, é a política que ganha destaque. No primeiro, a frase mais marcada pelos leitores está no famoso discurso “Eu tenho um sonho”, de Martin Luther King. No best-seller de Laurentino, é a intrigante passagem “Outra herança da época de Dom João é a prática da ‘caixinha’ nas concorrências e nos pagamentos dos serviços públicos.”

— O discurso do Luther King foi um marco fundamental de nossa História. Nos forçou a confrontar a crueldade do ódio racial na sociedade. Desde então, não pudemos mais fingir que era uma questão menor, que desapareceria gradualmente — afirma Follett. — O discurso ainda é profundamente comovente de se ler ou escutar. As palavras usadas e o ritmo das frases expressam a paixão e a dignidade de uma grande causa.

Ken Follett: discurso de Martin Luther King faz sucesso em “Eternidade por um fio” | Divulgação/Tom Stoddart

Ken Follett: discurso de Martin Luther King faz sucesso em “Eternidade por um fio” | Divulgação/Tom Stoddart

— No meu caso, acredito que a explicação esteja relacionada ao atual momento político brasileiro — pondera o autor de “1808”. — Inúmeros leitores me escrevem nas redes sociais perguntando a origem da corrupção no Brasil. Fiz até um post no blog citando esse primeiro trecho, sobre a prática da “caixinha” no governo de Dom João VI. A repercussão foi enorme, mais de 300 mil acessos.

Fora do ranking, um dos trechos que mais atraíram a atenção dos leitores está em “Harry Potter e a pedra filosofal” [Rocco], de J.K. Rowling: a estranhíssima frase “Oãça rocu esme ojesed osamo tso rueso ortso moãn.” Leia de frente para um espelho para decifrá-la.

Por Maurício Meireles | Publicado originalmente em O Globo | 13/06/2015, às 6:00

Quase na mesma


As vendas de livros digitais no Brasil praticamente não cresceram de 2013 para 2014, segundo algumas das maiores editoras do país, como Record e Intrínseca. No final de 2013, as vendas de e-books representavam de 2% a 3% do total das vendas dessas casas, cenário similar ao atual, em que editores falam em no máximo 3%. A exceção é a Objetiva, na qual eles hoje chegam a 4%. “Acho que estamos acima da média do mercado pela adequação do nosso catálogo a segmentos fortes no digital, como livros de negócios, e pela nossa política de marketing“, avalia o diretor Roberto Feith.

A tendência à estagnação também ocorreu nos últimos anos nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas com e-books correspondendo a mais de 20% do total das vendas das editoras. De 2009 para 2010, os EUA saltaram de 3%, patamar similar ao do Brasil em 2013, para 8%.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | Coluna Painel das Letras | 2/01/2015

eBooks, etc.


A 2.ª edição da Conferência Revolução e-Book, a ser realizada dia 5, será transmitida por streaming [com inscrições mais baratas]. Entre os palestrantes, Natalia Montuori [Amazon], Amanda Ramalho [Scielo], Cindy Leopoldo [Intrínseca] e Marcelo Gioia [Bookwire].

*

A Bookwire é uma distribuidora de livros digitais com operação na Alemanha, Rússia, Espanha e, mais recentemente, no Brasil.

*

E a Amazon, que acaba de lançar Eles Eram Muito Cavalos, de Luiz Ruffato, em inglês, prepara as próximas traduções: Elza, a Garota, de Sérgio Rodrigues, sai dia 21 e Uma Duas, de Eliane Brum, dia 18.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 17 Outubro 2014, às 20:30

Os bastidores do eBook


Interessados no processo de produção de livros digitais terão, a partir de segunda, uma nova fonte de informação: o blog Colofão [www.colofao.com.br]. Lá, serão publicados textos de profissionais que trabalham com e-books dentro das editoras brasileiras como Antonio Hermida [Cosac Naify], Joana De Conti e Lúcia dos Reis [Rocco], Josué de Oliveira [Intrínseca] e Marina Pastore [Companhia das Letras].

*

Aqui ou no exterior, a discussão acerca do livro digital é quase sempre feita por especialistas que não participam do dia a dia das editoras – e por isso a iniciativa do Colofão é ainda mais bem-vinda.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 22/02/2014

Pelas redes sociais, leitores influenciam produção de livro


Público participa sugerindo títulos a serem comprados, escolhendo capas e interferindo até na agenda de lançamento

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/pelas-redes-sociais-leitores-influenciam-producao-de-livros-11143634#ixzz2pFyuonL1  © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação

RIO – O mercado editorial é como um cassino. Nele, se investe muito dinheiro em leilões acirrados para a compra de títulos, que não passam de apostas, já que ninguém sabe qual livro pode ser o próximo best-seller, e o risco de prejuízo é grande. As editoras, claro, fazem o possível para dar uma forcinha ao imponderável. E a cartada da vez é ouvir quem faz as contas fecharem: os leitores. Pelas redes sociais, as editoras brasileiras têm se dedicado a acolher sugestões, que vão dos títulos a serem publicados, passando pela agenda de lançamentos, a melhor tradução, a melhor capa e até estratégia de divulgação, entre outras etapas do processo editorial.

Pela idade dos leitores, esse tipo de iniciativa se concentra, sobretudo, nas obras infantojuvenis e “young adult” [jovens adultos]. Segmento que está entre os maiores fenômenos de venda no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia, segundo números da GfK, multinacional que pesquisa o mercado livreiro no país, o setor foi o que mais cresceu do ano passado para cá, com um aumento de 24% nas vendas em livrarias. Não à toa, todas as grandes editoras do país têm selos voltados para o gênero.

“O livro é lançado com mais respaldo”

Em um mercado tão disputado, uma das vantagens da interação com os leitores é criar um filtro a mais. Todo grande grupo editorial contrata “scouts”, olheiros bem informados sobre as novidades internacionais, que sugerem a compra de títulos, muitas vezes superdisputados em leilões. A competição é tanta que, em alguns casos, os direitos são comprados antes mesmo de o livro ser escrito pelo autor. Mas nem tudo cai na rede do “scout”. E é aí que entram as sugestões do público.

— Os leitores estão concentrados no que está sendo lançado agora [no exterior]. É bom lembrar que os scouts trabalham com material inédito e muitas vezes sigiloso. Acho que os papéis dos dois se complementam. É ótimo receber uma dica que dá certo — diz Ana Lima, editora do selo Galera, da Record. — E é melhor tomar decisões assim. O livro é lançado com mais respaldo, fica mais interessante para as livrarias, e muitas vezes a expectativa impulsiona a pré-venda.

Diferentemente de outros editores, Ana costuma, ela mesma, trocar mensagens com leitores, não só pela página da Record no Facebook, mas também em seu perfil pessoal. Ana já até conhece alguns pelo nome, de tantos recados que recebe. Foram dicas recebidas assim que levaram a Record a publicar “Mass Effect — Revelação”, do canadense Drew Karpyshyn, baseado no game de mesmo nome.

Diante do novo cenário, há quem priorize a escalação de editores com presença já forte nas redes sociais. A Casa da Palavra, por exemplo, acaba de contratar o escritor Affonso Solano para ser curador do selo Fantasy, na vaga aberta com a ida de Raphael Draccon para a Rocco. Solano, que tem mais de 30 mil seguidores no Twitter, é o criador do podcast “Matando robôs gigantes”, no site Jovem Nerd. E já está pensando em usar a web a seu favor.

— Vamos fazer um concurso pela internet para escolher um novo autor de fantasia. A editora estava com muitos originais recebidos, e essa interação será um jeito de resolver isso — conta ele.

Há casos em que a pressão dos leitores pesa mais até do que as vendas. No ano passado, por exemplo, a Sextante havia lançado “Como se livrar de um vampiro apaixonado”, da americana Beth Fantaskey. As vendas não haviam sido muito expressivas, lembra Mariana de Souza Lima, editora do selo Arqueiro, mas a reação dos leitores foi tão boa que a empresa resolveu publicar a sequência.

— Aprendemos muito com o Paulo Coelho [autor da Sextante], que tem uma presença muito forte nas redes sociais. Trata-se de um filtro superespecializado, porque falamos com pessoas que também vão comprar o livro — diz Mariana.

A Sextante mantém um grupo no Facebook chamado “Romances de época”, que reúne fãs do gênero histórico, normalmente mulheres. Recentemente, recebeu blogueiras na editora, com sugestões de dez autoras para serem publicadas. Sem revelar nomes, Mariana afirma que decidiu comprar duas.

— É um mercado que cresceu tanto, que é difícil para um scout mapear tudo. Tem muita coisa que escapa. Também porque os scouts estão focados nos lançamentos mais disputados. Mas há séries que não têm tantos holofotes. São leitores especializados, têm um olhar muito valioso. E trazem opiniões sempre fortes e bem fundamentadas — diz Julia Moritz Schwarcz, publisher do selo Seguinte, da Companhia das Letras.

Julia lembra que, com o olhar dos leitores de hoje, dificilmente a Companhia das Letras teria perdido a chance de publicar Harry Potter no fim dos anos 1990. Em um caso já folclórico do mercado editorial brasileiro, a editora rejeitou o original, depois de receber um parecer negativo — e o sucesso de vendas caiu nas mãos da Rocco. Hoje, diz a publisher, os pareceres do selo Seguinte são encomendados a leitores da faixa etária do livro em questão.

Tradução por e-mail

Julia destaca ainda que a influência das redes sociais chega mesmo à produção gráfica. Como se trata de um público que gosta de colecionar, às vezes os leitores sugerem até o formato. Foi o caso dos romances da série “Bloodlines”, que surgiu a partir de “Academia de vampiros”. Os leitores pediram que os novos livros tivessem 23cm x 16cm, para “ficarem bonitos” na estante. No segmento de infantojuvenis, também já é comum a escolha da capa passar pelo crivo do público. A Rocco, por exemplo, lançou “O chamado do cuco”, da inglesa J. K. Rowling com a mesma capa da edição britânica, a pedidos.

Danielle Machado, editora da Intrínseca, lembra até que já recebeu e-mail com uma tradução prontinha de um livro inteiro. E conta que há casos em que a agenda de lançamentos também é influenciada por pedidos. Com o livro “A casa de Hades”, do americano Rick Riordan [o sexto mais vendido de 2013 entre os infantojuvenis, segundo o portal de notícias do setor Publishnews], a Intrínseca precisou correr para lançar o romance ao mesmo tempo que nos Estados Unidos.

— É uma coisa que eles sempre pedem. É difícil, porque precisamos receber os originais bem antes. Mas a força dos fãs até nos ajuda a negociar esse tipo de acordo com os agentes — diz Danielle.

Por Maurício Meirelles | Publicado originalmente em O Globo | 24/12/2013 | © 1996 – 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

A arrancada dos eBooks no Brasil


Um ano após a chegada das gigantes Amazon, Kobo e Google Play Livros ao Brasil, o segmento de livros digitais chega a uma participação entre 2% e 4% do faturamento total do mercado editorial. O número pode parecer baixo, mas é festejado por especialistas e profissionais da área, que veem uma arrancada superior à de países como os EUA e estimam fatia de até 10% ao fim de 2014

Kobo Glo | Foto: Divulgação

Kobo Glo | Foto: Divulgação

No começo da noite de 5 de dezembro de 2012, a Livraria Cultura iniciou a venda do primeiro leitor digital dedicado no Brasil, o Kobo, produzido pela empresa canadense de mesmo nome, hoje uma propriedade do grupo japonês de comércio eletrônico Rakuten. Poucas horas depois, por volta da meia-noite, entravam em atividade no país, praticamente ao mesmo tempo, dois grandes nomes da tecnologia americana: a Amazon, com um site ponto-br, e as seções de livros e filmes da loja de aplicativos do Android, a plataforma móvel do Google. A chegada das gigantes do e-book causou frisson entre editores, livrarias e leitores, divididos entre as expectativas de mudanças no mercado e nos hábitos de leitura, que incluíam temores sobre o futuro do livro impresso. Foi aí, afirmam especialistas e profissionais da área, que teve início de fato o negócio do livro digital no Brasil. Em doze meses, o segmento se expandiu do traço para algo entre 2% e 4% do faturamento total de títulos comercializados. O número pode parecer baixo, mas é festejado por especialistas e profissionais da área, que veem uma arrancada superior à de países como os EUA e estimam uma participação de até 10% ao fim de 2014.

Segundo o economista Carlo Carrenho, que atua como consultor do mercado editorial, o e-book só se tornou popular no Brasil com a chegada das três gigantes. Antes, ele era vendido – de forma tímida e sem alcançar 1% do mercado total – por redes de livrarias como Saraiva e Cultura e pelo site Gato Sabido, o primeiro a comercializar livros digitais no país, ainda em 2009. De dezembro de 2012 para cá, nas contas do consultor, foram vendidos cerca de 3 milhões de livros virtuais no país.

O desempenho no período, que é considerado o início de fato do negócio no país, pode ser comparado ao americano, diz Carrenho. A curva de crescimento é semelhante, mas ainda mais acentuada por aqui. Nos Estados Unidos, o segmento fechou o que foi considerado o seu primeiro ano, o intervalo de 2007 a 2008, com algo como 1% do setor editorial total. Hoje, cinco anos depois, já passa dos 25%, patamar que o Brasil pode atingir em menos tempo, alcançando a estabilidade que se vê hoje nos EUA e também na Europa, igualmente em torno de 25%.

O patamar é entendido como um sinal de maturidade do mercado, de acordo com Mauro Palermo, diretor-geral da Globo Livros, editora que investe na digitalização de livros de olho no crescimento que se projeta pela frente. Com 30% do seu catálogo de 1.000 títulos convertidos, a Globo Livros teve de 2,5% a 3% de sua receita gerada pela venda de e-books neste ano. “Eu considero o desempenho brasileiro dentro da expectativa”, diz Palermo. “Até porque poucas pessoas têm leitores de livros digitais, os aparelhos aqui são caros se comparados aos vendidos em outros países. O número é bom para um primeiro ano.

A Globo não está sozinha na aposta no livro digital. A Intrínseca, por exemplo, já tem aproximadamente 90% de seu catálogo, formado por 250 títulos, em versão digital. “Até meados de 2014, esperamos ter o catálogo todo em e-book”, afirma o dono da editora, Jorge Oakim. No balanço da empresa, o livro virtual deve representar até 4% do faturamento em 2013. Otimista, é Oakim quem dá o maior lance nas apostas para 2014: ele acredita que o segmento digital pode atingir 10% do mercado editorial total daqui a um ano.

Os principais leitores de e-books vendidos no Brasil

O modelo de Kindle que chega ao Brasil é o básico, de quinta geração. Ele tem uma tela de 6 polegadas, 2 GB de memória interna – o que garante capacidade para 1.400 livros –  e Wi-Fi para baixar obras pela internet. É o mais leve dos dispositivos comercializados pela Amazon, pesando apenas 170 gramas. Suas medidas são 165,75 x 114,5 x 8.7 milímetros. A recarga pode ser feita via tomada, com um adaptador AC, ou pela entrada USB do desktop. Um dos pontos mais notáveis do aparelho é duração da bateria: são mais de quatro semanas seguidas, caso a conexão sem fio esteja desabilitada.  Formatos de arquivos aceitos: PDF, AZW3, AZW, MOBI, TXT, HTML, DOC, DOCX, PRC, JPEG, GIF, PNG e BMP Preço: 299 reais

O modelo de Kindle que chega ao Brasil é o básico, de quinta geração. Ele tem uma tela de 6 polegadas, 2 GB de memória interna | o que garante capacidade para 1.400 livros – e Wi-Fi para baixar obras pela internet. É o mais leve dos dispositivos comercializados pela Amazon, pesando apenas 170 gramas. Suas medidas são 165,75 x 114,5 x 8.7 milímetros. A recarga pode ser feita via tomada, com um adaptador AC, ou pela entrada USB do desktop. Um dos pontos mais notáveis do aparelho é duração da bateria: são mais de quatro semanas seguidas, caso a conexão sem fio esteja desabilitada. Formatos de arquivos aceitos: PDF, AZW3, AZW, MOBI, TXT, HTML, DOC, DOCX, PRC, JPEG, GIF, PNG e BMP
Preço: 299 reais

O Kobo, comercializado pela livraria cultura no Brasil, oferece aos leitores uma tela sensível ao toquede 6 polegadas, com tamanho idêntico à utilizada pelo rival da Amazon. Apesar da semelhança, ele ganha na capacidade de armazenamento. Sua memória interna é de 1 GB, o que é suficiente para 1.000 livros, mas ele também conta com slot para cartões de memória – o que pode elevar sua capacidade em 32 GB. O leitor pesa 220 gramas e suas medidas são: 184 x 120 x 10 milímetros. O Kobo é capaz de se conectar à internet via rede sem fio e a duração de seu bateria tem média de quatro semanas.  Formatos de arquivos aceitos: PDF, EPUB, MOBI, TXT, RTF, HTML, JPG, GIF, PNG, BMP, TIFF, CBZ e CBR Preço: 399 reais

O Kobo, comercializado pela livraria cultura no Brasil, oferece aos leitores uma tela sensível ao toquede 6 polegadas, com tamanho idêntico à utilizada pelo rival da Amazon. Apesar da semelhança, ele ganha na capacidade de armazenamento. Sua memória interna é de 1 GB, o que é suficiente para 1.000 livros, mas ele também conta com slot para cartões de memória – o que pode elevar sua capacidade em 32 GB. O leitor pesa 220 gramas e suas medidas são: 184 x 120 x 10 milímetros. O Kobo é capaz de se conectar à internet via rede sem fio e a duração de seu bateria tem média de quatro semanas.
Formatos de arquivos aceitos: PDF, EPUB, MOBI, TXT, RTF, HTML, JPG, GIF, PNG, BMP, TIFF, CBZ e CBR
Preço: 399 reais

O Cool-er, introduzido no Brasil pela Gato Sabido, foi o primeiro leitor de livros eletrônicos a chegar oficialmente ao país. Ele apresenta tela de 6 polegadas, 1 GB de armazenamento e um slot para cartões de memória com até 4 GB de capacidade. O dispositivo pesa 178 gramas, e suas dimensões são 180 x115 x 10 milímetros. A bateria tem autonomia de três semanas, ou 8.000 “viradas de páginas” – como aponta o manual do produto.  Formatos de arquivos aceitos: PDF, EPUB, TXT, RTF, HTML, PRC, FB2, MP3 e JPG Preço: 550 reais

O Cool-er, introduzido no Brasil pela Gato Sabido, foi o primeiro leitor de livros eletrônicos a chegar oficialmente ao país. Ele apresenta tela de 6 polegadas, 1 GB de armazenamento e um slot para cartões de memória com até 4 GB de capacidade. O dispositivo pesa 178 gramas, e suas dimensões são 180 x115 x 10 milímetros. A bateria tem autonomia de três semanas, ou 8.000 “viradas de páginas” – como aponta o manual do produto.
Formatos de arquivos aceitos: PDF, EPUB, TXT, RTF, HTML, PRC, FB2, MP3 e JPG
Preço: 550 reais

Lançado em 2012, o Paperwhite traz uma tela de 6 polegadas com maior definição, 212 pontos por polegada, e iluminação interna para leitura em locais com pouca luz. Apesar de ser o dispositivos mais avançado do mundo, ele traz apenas 2 GB de memória interna. Desembarcou no mercado brasileiro em março. Formatos de arquivos aceitos: Kindle (AZW), TXT, PDF, MOBI sem proteção, PRC naturalmente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP através de conversão Preço: de 479 a 699 reais.

Lançado em 2012, o Paperwhite traz uma tela de 6 polegadas com maior definição, 212 pontos por polegada, e iluminação interna para leitura em locais com pouca luz. Apesar de ser o dispositivos mais avançado do mundo, ele traz apenas 2 GB de memória interna. Desembarcou no mercado brasileiro em março.
Formatos de arquivos aceitos: Kindle (AZW), TXT, PDF, MOBI sem proteção, PRC naturalmente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP através de conversão
Preço: de 479 a 699 reais.

A Companhia das Letras tem aposta um pouco mais modesta. Fabio Uehara, responsável pelos e-books na editora, afirma que o setor pode abocanhar até 8% do bolo total em 2014 – ou seja, no mínimo dobrar a representatividade atual. Como a Globo, a empresa tem 30% de seu catálogo convertido – um catálogo que chega a 3 000 títulos. Como prova do investimento no segmento, a editora criou em julho o selo Breve Companhia, exclusivamente de e-books.

Ao todo, de acordo com Carrenho, que também dirige um site especializado no mercado editorial, o PublishNews, o catálogo brasileiro de e-books conta com cerca de 30 000 títulos. Para efeito de comparação, o chamado catálogo vivo de impressos, isto é, aquele composto por livros que estão disponíveis para a venda, possui entre 180 000 e 200 000 títulos, segundo dados da empresa de pesquisas Nielsen.

Perfil do leitor – Para Fabio Uehara, o consumidor de e-books não difere muito daquele que prefere o livro impresso. Nem a idade é vista como um diferencial – ao contrário do que pode se imaginar, os jovens não são mais atraídos pelo formato.

Susanna Florissi, diretora livreira da Câmara Brasileira do Livro (CBL), faz análise semelhante. “Não há diferença. É só uma questão de preferência e de adaptação aos novos formatos e suportes. Há sempre os extremos: pessoas que afirmam que jamais lerão livros no formato digital e outras que jamais o farão no formato impresso.

Para Palermo, da Globo, os e-readers atraem principalmente quem compra bastante livro e vê na tecnologia um investimento interessante. “Essas pessoas enxergam o leitor como um investimento, pois elas vão recuperar o valor gasto no aparelho ao economizar com os e-books, que custam cerca de 30% menos do que os livros impressos.

A evolução da família Kindle

Lançada em 2007, a primeira versão do Kindle custava 399 dólares, tinha apenas 250 MB de armazenamento interno e tela de 6 polegadas. Foi a única a trazer um slot para cartões de memória SD. Com sua tecnologia de tinta eletrônica, que forma as palavras na tela a partir de pulsos elétricos, o dispositivo foi o responsável por revolucionar o setor de livros eletrônicos. Apenas cinco horas após seu lançamento, o dispositivo já estava esgotado. A reposição levou cerca de cinco meses para acontecer, em abril de 2008.

Lançada em 2007, a primeira versão do Kindle custava 399 dólares, tinha apenas 250 MB de armazenamento interno e tela de 6 polegadas. Foi a única a trazer um slot para cartões de memória SD. Com sua tecnologia de tinta eletrônica, que forma as palavras na tela a partir de pulsos elétricos, o dispositivo foi o responsável por revolucionar o setor de livros eletrônicos. Apenas cinco horas após seu lançamento, o dispositivo já estava esgotado. A reposição levou cerca de cinco meses para acontecer, em abril de 2008.

A Amazon promoveu mudanças na modelo lançado em 2009: diminui o tamanho do Kindle e inseriu um teclado mais compacto. O slot para cartões foi removido, e a ampresa introduziu um disco de 2 GB para o armazenamento de livros eletrônicos e músicas digitalizadas. Ele custava 359 dólares.

A Amazon promoveu mudanças na modelo lançado em 2009: diminui o tamanho do Kindle e inseriu um teclado mais compacto. O slot para cartões foi removido, e a ampresa introduziu um disco de 2 GB para o armazenamento de livros eletrônicos e músicas digitalizadas. Ele custava 359 dólares.

Apresentado ao mercado em 2009, o Kindle DX tinha uma tela de 9,7 polegadas que fugia ao padrão adotado pela companhia. Além do tamanho, a principal novidade do aparelho era a capacidade de se comunicar com a rede 3G da Amazon, a Whispernet, fora dos Estados Unidos. Ele tinha 4 GB de armazenamento interno e custava 489 dólares.

Apresentado ao mercado em 2009, o Kindle DX tinha uma tela de 9,7 polegadas que fugia ao padrão adotado pela companhia. Além do tamanho, a principal novidade do aparelho era a capacidade de se comunicar com a rede 3G da Amazon, a Whispernet, fora dos Estados Unidos. Ele tinha 4 GB de armazenamento interno e custava 489 dólares.

O Kindle 3, de 2010, marcou o início de uma nova era para a Amazon. Além de ser menor que os modelos anteriores, apesar de mantar a tela de 6 polegadas, ele foi lançado em duas versões: Wi-Fi e 3G, vendidas por 139 e 189 dólares, respectivamente. Com a estratégia, a empresa conseguiu aumentar a aceitação de seu produto no mercado. No mesmo ano, a Amazon lançou uma versão especial do leitor com anúncios, que ajudaram a reduzir o preço do dispositivo para 114 dólares.

O Kindle 3, de 2010, marcou o início de uma nova era para a Amazon. Além de ser menor que os modelos anteriores, apesar de mantar a tela de 6 polegadas, ele foi lançado em duas versões: Wi-Fi e 3G, vendidas por 139 e 189 dólares, respectivamente. Com a estratégia, a empresa conseguiu aumentar a aceitação de seu produto no mercado. No mesmo ano, a Amazon lançou uma versão especial do leitor com anúncios, que ajudaram a reduzir o preço do dispositivo para 114 dólares.

Em 2011, apenas um modelo de Kindle 4 foi lançando, com uma tela de 6 polegadas, 2 GB de armazenamento e sem o teclado físico. A Amazon preferiu diminuir o aparelho, inluindo apenas os botões de navegação. Para criar anotações, o usuário precisa acessar um teclado virtual, controlado pelos quatro botões. O preço do aparelho era de 109 dólares.

Em 2011, apenas um modelo de Kindle 4 foi lançando, com uma tela de 6 polegadas, 2 GB de armazenamento e sem o teclado físico. A Amazon preferiu diminuir o aparelho, inluindo apenas os botões de navegação. Para criar anotações, o usuário precisa acessar um teclado virtual, controlado pelos quatro botões. O preço do aparelho era de 109 dólares.

Ainda em 2011, a Amazon supreendeu o mercado ao lançar um leitor de livros digitais com tela totalmente sensível ao toque. O Kindle Touch Wi-Fi chegou ao mercado por 139 dólares, com seus 4 GB de memória e tela de 6 polegadas. A versão 3G, com a mesma configuração, custava 189 dólares.

Ainda em 2011, a Amazon supreendeu o mercado ao lançar um leitor de livros digitais com tela totalmente sensível ao toque. O Kindle Touch Wi-Fi chegou ao mercado por 139 dólares, com seus 4 GB de memória e tela de 6 polegadas. A versão 3G, com a mesma configuração, custava 189 dólares.

Lançado em 2011, o Kindle Fire marcou a entrada da companhia no mercado dos tablets. Capaz de rodar jogos e filmes, o dispositivo passou a ser um ótimo canal para a distribuição do conteúdo digital da companhia. Sua tela de LCD de 7 polegadas era inferior à dos rivais, mas era no preço que ele se destacava: 199 dólares. Com ele, a Amazom passou a ser a terceira maior empresa no mercado de tablets, atrás de Apple e Samsung.

Lançado em 2011, o Kindle Fire marcou a entrada da companhia no mercado dos tablets. Capaz de rodar jogos e filmes, o dispositivo passou a ser um ótimo canal para a distribuição do conteúdo digital da companhia. Sua tela de LCD de 7 polegadas era inferior à dos rivais, mas era no preço que ele se destacava: 199 dólares. Com ele, a Amazom passou a ser a terceira maior empresa no mercado de tablets, atrás de Apple e Samsung.

Preço – Ainda que sejam financeiramente mais atraentes, os títulos digitais estão longe de ter o preço dos sonhos do consumidor. Sem custos como a impressão e a distribuição, há de se esperar que as obras tenham custo mais amigável para o bolso. Não é exatamente o que acontece. “O custo editorial de um livro vai continuar o mesmo, pois, no lugar do gasto com impressão, temos o investimento na tecnologia de digitalização e na publicidade feita nas livrarias virtuais”, justifica Mauro Palermo, da Globo Livros.

O consultor Carlo Carrenho dá outras razões para a pequena diferença de preço. “Uma das questões é que os editores não querem canibalizar as vendas, ou seja, deixar o livro digital tão barato que o leitor perca o interesse pelo físico, que continua sendo a maior fonte de renda para eles.” Além da estratégia comercial, há custos envolvidos que impedem que o e-book custe menos de 50% do que o seu equivalente impresso.

O consultor afirma ainda que agentes literários podem exigir por contrato que a diferença de preços não seja tão grande. Em defesa dos autores que representam e dos próprios ganhos, em países com o mercado digital consolidado, como os Estados Unidos e o Reino Unido, alguns agentes chegam a vender os direitos autorais de e-books por valores mais altos. “Eles argumentam que, já que as casas editoriais não pagam papel e gráfica para imprimir as obras, elas podem aumentar a quantia destinada aos autores, que acabam com uma margem de lucro maior do que têm com a publicação daqueles mesmos livros em versão impressa”, diz.

Ranking de VEJA – A partir desta semana, está no ar no site de VEJA uma lista com os e-books mais vendidos no Brasil. Os dados são fornecidos pela loja virtual da Amazon e atualizados de hora em hora. Para Alex Szapiro, gerente da gigante no país, que oferece 2,1 milhões de livros em todas as línguas, 26 000 deles em português, os brasileiros são apaixonados pela leitura, mas esbarram na ausência de livrarias em todas as cidades e no alto preço de capa dos livros impressos. Aspectos em que o digital leva vantagem e pode ajudar a vencer.

Por Meire Kusumoto | Publicado originalmente e clipado à patir de VEJA | 01/12/2013, às 09:41

2012: O ano das mulheres e dos eBooks


O ano de 2012 será lembrado no mercado editorial pelos romances “pornô soft” para mulheres, com “50 tons de cinza” [Intrínseca] à frente, e também pela chegada das gigantes dos ebooks [Amazon, Google e Apple] ao Brasil. Enquanto o subgênero inaugurado pela britânica E.L. James se revelou um enorme sucesso de público [apesar do nariz torcido da crítica], trazendo na esteira diversos seguidores — que ora repetem a fórmula consagrada, ora apelam para a paródia —, a história dos livros digitais ainda contém mais dúvidas do que certezas.

Cinquenta tons de cinza

Cinquenta tons de cinza

Os livros “50 tons de cinza”, “50 tons mais escuros” e “50 tons de liberdade” narram a relação entre a ingênua e inocente Anastasia Steele e o dominador Christian Grey. Lançado em julho, o primeiro título vendeu 1,13 milhão de exemplares no país. Somados, os três venderam 2,37 milhões de cópias. Na mesma linha de romance com apimentadas cenas de sexo e sadomasoquismo, os livros “Toda sua” e “Profundamente sua” [Editora Paralela], de Sylvia Day, alcançaram a marca de 120 mil exemplares vendidos. O último livro da série, “Para sempre sua”, tem previsão de lançamento para maio de 2013. Outros exemplos de títulos que apostaram no “pornô soft” são “Luxúria” [Leya], de Eve Berlin, e “Falsa submissão” [Record], de Laura Reese. E para beliscar uma fatia desse mercado houve quem apostasse inclusive na paródia, como “50 tons do Sr. Darcy” [Bertrand Brasil], de Emma Thomas.

Entre os ebooks, E.L. James também foi sucesso com 53 mil edições comercializadas. Isso num mercado que só agora começa a amadurecer: na primeira semana de dezembro, a Livraria Cultura lançou o ereader Kobo, o Google iniciou sua operação de livros digitais e a Amazon, finalmente, estreou. Além delas, a Apple já tinha começado a vender ebooks na sua iBookStore em outubro.

Kindle

Kindle

No entanto, nem tudo foi festa para os leitores. Os ereaders caros e o preço das edições digitais decepcionaram. O Kobo sai por R$ 399, enquanto o Kindle, da Amazon, só é oferecido no modelo mais simples, por R$ 299. Nos Estados Unidos, o mesmo aparelho custa US$ 69. Como só está com a operação digital no Brasil, a Amazon fez parcerias para vender o seu ereader em lojas físicas e virtuais nacionais: com a Livraria da Vila, em São Paulo, e o site PontoFrio.com.

No caso dos ebooks, o desconto em relação à edição de papel fica, em média, entre 20% e 30%. Os leitores esperavam preços mais atraentes. Os descontos foram um ponto de atrito das editoras com a Amazon — a loja queria preços mais agressivos, as editoras não aceitaram. Porém, o impacto que os ebooks provocarão nos negócios e na própria vendagem de livros físicos só será sentido ao longo de 2013.

Por Leonardo Cazes | Globo.com | 28/12/2012

Catálogo digital de editoras mais que dobrou em 2012


Empresas agora buscam lançar simultaneamente em papel e e-book; mercado oferece 15 mil títulos nacionais

Levantamento da Folha com 12 das maiores casas do país mostra reação à estreia de lojas virtuais estrangeiras

O ano que está acabando vai entrar para a história como aquele em que as grandes editoras brasileiras enfim descobriram o livro digital.

Foi um longo percurso desde 2009, quando a Zahar se tornou a pioneira entre as grandes no segmento -àquela altura só com títulos em PDF, formato simples que hoje as empresas rejeitam.

Com a iminência da estreia das lojas da Amazon, do Google e da Apple, concretizada neste mês, as editoras trataram de multiplicar seus catálogos digitais em 2012.

A Saraiva, que em dezembro de 2011 vendia 6.500 e-books nacionais, agora oferece 15 mil, média similar à de suas novas concorrentes.

A Folha consultou 12 das maiores editoras do país sobre a evolução de seus catálogos. Sete delas [Globo, Sextante, LeYa, Companhia das Letras, Intrínseca, Objetiva e Novo Conceito] mais que dobraram seu número de títulos digitais em 2012 -a Companhia triplicou, de 200 para 600.

A Zahar, que começou antes, é a editora com maior parcela de títulos convertida, 547 de um total de 849 [64%]. A LeYa vem em seguida, com 150 de seus 280 títulos [54%].

Será mais difícil para casas de catálogo rechonchudo como a Record, que, apesar do bom número bruto – 388 obras em e-books -, só converteu 5% dos 7.500 que compõem seu portfólio.

Outra novidade foi que em 2012 as editoras passaram a lançar títulos nos dois formatos sempre que o contrato permite, em vez de reservar o digital para casos isolados.

O faturamento com o digital não costuma passar de 2% do total, mas há exceções. Com só um quarto de seu catálogo convertido [293 de 1.200 títulos], a Objetiva diz que os e-books já rendem 4% de seu faturamento total.

Esse número foi impulsionado por obras como “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Em dez semanas, foram 1.435 e-books -número que não faria feio nem se se referisse a livros impressos.

No mesmo período, o título teve 13.958 cópias vendidas na versão em papel. Ou seja, a comercialização do e-book equivaleu a mais de 10% da impressa, um caso raro.

O desafio agora é lidar com preços. Na estreia da Amazon no Brasil, predominaram entre os mais vendidos editoras independentes, com e-books a menos de R$ 5 – a KBR pôs todos a R$ 1,99. A maioria dos e-books das grandes editoras custa de R$ 20 a R$ 30.

Editoria de Arte Folhapress

RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | QUARTA-FEIRA, 26 DE DEZEMBRO DE 2012, às 09H08

Ligação direta com o leitor


Com a popularização de ferramentas para produção e venda de ebooks e o sucesso de obras lançadas sem mediação de grandes editoras, escritores investem na autopublicação, que dá nova cara ao mercado, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas

Até o meio da semana, a segunda posição da lista de ebooks mais vendidos pela Amazon nos Estados Unidos era ocupada por “Stop the wedding!”, romance da americana Stephanie Bond. O livro, sobre como uma advogada e um investidor tentam impedir seus pais de se casarem mas acabam se apaixonando, foi lançado em novembro. Ele não existe em versão física e, até o momento, não está à venda em outro lugar que não seja o site da Amazon. Sua editora é uma tal NeedtoRead Books, casa que tem em seu catálogo 16 livros. Todos de Stephanie Bond. O que a autora tem feito é utilizar os recursos da Amazon para lançar seus próprios livros, sem a necessidade de uma grande editora como intermediária. Ela é um dos mais recentes exemplos da popularização de uma prática que está transformando o mercado editorial: a autopublicação.

110_1357-Arte1

Casos como o de “Stop the wedding!” vêm se repetindo. Ao longo de 2012, foi comum a inclusão, na lista de mais vendidos do jornal “The New York Times”, de livros lançados pelos próprios autores. Foram obras como “Slammed”, de Collen Hoover, “Playing for keeps”, de R.L. Mathewson, ou “Training Tessa”, de Lyla Sinclair. Elas existem porque a Amazon tem um sistema que permite a qualquer pessoa colocar um ebook à venda no site. Em geral, são livros baratos [“Stop the wedding!”, por exemplo, custa US$ 0,99], com temas que “variam” da comédia romântica ao drama romântico, com especial destaque para o erotismo romântico — a sensação do ano, a trilogia erótica “Cinquenta tons de cinza”, de E.L. James, foi publicada pela primeira vez pela própria autora num fórum de fãs de “Crepúsculo”, antes de a editora Vintage Books lançá-la nos moldes tradicionais.

Mas há livros de turismo, acadêmicos, de fantasia ou reportagens sendo “autopublicados” com sucesso, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas. Eles representam uma democratização no acesso a um mercado antes restrito [qualquer desconhecido que já tentou publicar um livro por uma editora sabe da dificuldade que é ter seus originais aceitos] e um desafio para as editoras.

— Com a autopublicação, qualquer um, empresa, universidade ou autor, pode se tornar sua própria editora. Se as grandes casas editoriais não se mexerem, elas certamente serão afetadas por esse panorama — afirma Harald Henzler, diretor-geral da empresa alemã de consultoria para negócios digitais Smart Digits.

A história da autopublicação remonta às origens do mercado editorial. No século XIX, era comum autores que depois teriam sucesso bancarem a publicação de seus próprios livros. No século XX, mimeógrafos foram constantemente utilizados para a reprodução de livros de escritores que não conseguiam contratos com editoras ou não tinham autorização para lançar suas obras por questões políticas. Com a popularização da internet, há pouco mais de uma década, jovens autores lançaram romances em sites ou blogs. Mas o que todos queriam mesmo era um contrato com uma editora, o que possibilitaria que um livro chegasse a uma grande livraria com destaque, tivesse uma divulgação organizada e, por consequência, ganhasse mais leitores.

A diferença, hoje, é que se pode ter tudo isso por conta própria, até mesmo de uma maneira profissional. Na esteira do serviço de autopublicação da Amazon, surgiram empresas que oferecem aos autores um pouco da expertise de uma editora. Antes de pensar em lançar seu livro, o autor pode contratar a revisão, a produção da capa, a conversão do texto para o formato digital e até mesmo a edição do texto. Um livro autopublicado pode, sim, ter um tratamento tão bom quanto o oferecido por uma editora tradicional. O que ele não vai ter é a marca. E isso, para muita gente, ainda faz diferença.

— A editora sempre vai ter um peso, ao menos o peso da credibilidade — diz Ana Paula Maia, que, antes de se tornar uma escritora reconhecida, já pagou parte da publicação de “O habitante das falhas subterrâneas” em 2003, pela 7Letras [o livro será relançado na semana que vem pela editora Oito e Meio] e também publicou um romance inteiro num blog [“Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, de 2006, posteriormente lançado pela editora Record]. — Existe um valor grande agregado a uma grande editora. Ela indica para os leitores um padrão de qualidade, mas o que também não quer dizer que você é um grande autor só por estar numa editora. Neste mundo novo, acho que a editora vai ter um papel mais opinativo. Não vai ditar mais as regras, mas vai ser um filtro.

‘A marca das editoras é muito forte’

A questão é que, neste mundo novo descrito por Ana Paula, as editoras tradicionais estão tentando seguir essa estrada da autopublicação. Em julho, a Penguin comprou por US$ 116 milhões a Author Solutions, uma das principais plataformas de autopublicação na web dos EUA. O trabalho da Author Solutions consiste exatamente em oferecer a autores os recursos necessários para lançar seus livros com uma roupagem de qualidade: em seu site, a empresa fundada em 2007 diz já ter “ajudado mais de 100 mil autores a publicar mais de 170 mil títulos e alcançar seus objetivos editoriais”.

Antes, a própria Penguin já havia lançado um braço próprio para oferecer a autores a possibilidade de autopublicação, ideia que foi seguida por outras editoras, como a Random House.

— As editoras enxergam a autopublicação como uma forma de descobrir novos autores e testar novos conceitos — diz o americano Greg Bateman. — Mas elas não vão perder terreno com a prática. Com os livros digitais, haverá um espaço grande para todos crescerem. O futuro é muito bom para todos.

Bateman participou da equipe que desenvolveu o Kindle, o leitor digital da Amazon lançado em 2007, e é o criador do Vook, uma plataforma de produção de ebooks. Desde o início deste ano, ele está morando em São Paulo, justamente por acreditar que há um terreno fértil no Brasil para o crescimento do livro digital. Na próxima terça-feira, às 19h30m, ele estará no Oi Futuro do Flamengo, para participar do evento Zona Digital, em que vai abordar o tema do “livro aplicativo”.

— No Brasil, a marca das editoras é muito forte. Mas o poder do automarketing, de redes sociais como Facebook e Twitter, também é muito forte. Então as marcas não são mais 100% necessárias para vender livros. É preciso buscar outras formas, e é isso que os profissionais que lidam com autopublicação estão fazendo — afirma Bateman.

Um dos pilares da autopublicação está em se libertar do que seriam as amarras do mercado. Um autor que paga por sua obra não precisa esperar na fila de uma editora, muito menos precisa ouvir opiniões de um editor [muitas vezes duras, mas também reais] sobre seu livro. Para ele, vale a divulgação pela internet, em redes sociais e sobretudo nas resenhas escritas pelos próprios leitores [e, claro, por que não?, por amigos e parentes] no site da Amazon.

110_1357-Arte-2

De acordo com um relatório da Bowker, a agência que cuida dos registros americanos do ISBN, cerca de 87 mil ebooks foram publicados por seus próprios autores nos EUA, um número 129% maior do que o de 2006, antes de o Kindle ser lançado. Só que lançamento ainda não é sinônimo de venda. Por enquanto, a maioria dos livros de autopublicação não é comprada por mais de cem leitores.

— Uma editora tradicional sabe como trabalhar um livro comercialmente, tem todo um conhecimento que não pode ser menosprezado — afirma Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras. — Minha impressão é que a Amazon tinha a expectativa de que a autopublicação fosse estourar e dar certo muito rápido. Mas não aconteceu com a velocidade que esperavam, e a própria Amazon acabou lançando uma editora nos moldes tradicionais.

Marques da Costa argumenta, ainda, que o que vem ocorrendo hoje com o sucesso de algumas obras publicadas de forma independente é mais um fenômeno de nicho do que uma ameaça ao formato consagrado pelas editoras.

— Esses grandes fenômenos de autopublicação costumam ser romances femininos ou eróticos. Raramente algo diferente aparece. Mas, mesmo nesses casos, geralmente os autores acabam assinando depois com as grandes editoras, como foi o caso do “Cinquenta tons de cinza” — diz ele. — Para o leitor, o julgamento de uma grande editora, do que deve ou não vir a público, é muito importante.

Na última quarta-feira, a versão em ebook de “Cinquenta tons de cinza”, lançada no Brasil pela editora Intrínseca, estava em sexto lugar na lista dos mais vendidos no site brasileiro da Amazon. Já em sétimo, logo atrás do maior sucesso de 2012 no mercado editorial, aparecia um livro chamado “Paris para principiantes”, um guia de viagem com texto e fotos de Paulo de Faria Pinho.

‘A filosofia é outra’

Ao preço de R$ 1,99, “Paris para principiantes” foi lançado pela KBR, uma empresa com 91 títulos no catálogo, em que os próprios autores pagam pela publicação de seus livros. A sede da KBR fica em Petrópolis, região serrana do estado do Rio, na casa de sua fundadora, CEO, única funcionária e uma de suas principais autoras, Noga Sklar.

— O jogo ficou aberto para todo mundo. Antes da chegada da Amazon, a KBR não era nada. Agora, estou aqui pensando no que vai ser o futuro da empresa — explica Noga. — Até agora, o editor era aquele santo no altar, ninguém conseguia falar com ele. Eu como autora sempre fui maltratada, sofria rejeição. Mas há milhões de outras saídas, não precisa ficar na fila de uma editora por três anos, esperando alguma coisa acontecer.

Também no site brasileiro da Amazon, um dos livros mais vendidos dentro da categoria “erótico” é “Sem graus de separação”, um dos oito já lançados por Noga. A KBR foi criada justamente para levar à Amazon americana os livros de sua fundadora e cresceu quando ela passou a ser procurada por outros autores interessados em oportunidades semelhantes de levar sua obra para o público. Noga costuma chamar seus autores de “sócios” da empresa, já que eles financiam boa parte do trabalho de produção.

— Se as grandes editoras não perceberem que o negócio mudou, elas vão ter problemas. A filosofia é outra. Essa coisa de as editoras fazerem tiragem vai acabar. Elas também vão ter que começar a olhar mais para as redes sociais e outros canais de promoção. O que a Amazon faz melhor é tratar bem o consumidor. É tudo personalizado. Eles te chamam pelo nome, sabem seu gosto. E permitem que você compartilhe suas impressões sobre um livro em avaliações que têm tanto valor quanto a de qualquer profissional — diz Noga.

Porém, mesmo com o bom resultado de “Paris para principiantes” na lista de mais vendidos da Amazon, havia até o meio da semana uma única avaliação de consumidor sobre o livro. “O ‘Paris’ de Paulo Pinho é uma caixa de surpresas e uma joia de livro, com crônicas deliciosas, lindas fotos do próprio autor e dicas inusitadas”, diz a resenha, acompanhado da cotação máxima de cinco estrelas, escrita pela própria Noga Sklar.

Definitivamente, uma característica fundamental do universo da autopublicação é saber vender o próprio peixe.

Por André Miranda | Publicado originalmente em O Globo | 15/12/2012

Intrínseca comemora vendas no digital


Editora alcança 75 mil e-books vendidos no final de 2012

IntrínsicaAlém do grupo Summus, a Intrínseca também aposta no negócio digital, e chega ao final de um ano de comercialização de livros digitais com 75 mil e-books vendidos – A trilogia Cinquenta tons de cinza lidera os e-books mais vendidos da editora. Os títulos também estão à venda nas principais livrarias eletrônicas, como Google, Kobo, Apple, Saraiva e Amazon. Segundo o editor Jorge Oakim , a expectativa é que as vendas de e-books representem 10% das vendas totais até o final do ano que vem.

PublishNews | 12/12/2012

A lista com mais livros à venda na Amazon.com.br


No ranking do PublishNews, 64 de 100 livros mais vendidos estão à venda no site amazon.com.br

Cinquenta tons de cinza

Cinquenta tons de cinza

Se no mercado editorial a briga pelo primeiro lugar ainda está começando [Kobo, Google e Amazon], na lista de mais vendidos ele volta ao príncipe encantado de 2012, Mr Grey!

Nessa semana os três livros da trilogia Cinquenta tons de cinza [Intrínseca], ocupam as três primeiras posições na lista geral. Na mesma linha “só um tapinha não dói”, ainda temProfundamente sua Toda sua [Paralela], em 4º e 7º, e ainda o Box da trilogia em 8º. Com tanta posição a lista parece mais um Kama Sutra.

Outras novidades da semana foram: não ficção, Coragem para sonhar [Prumo]; infanto juvenil, Depois dos quinze [Gutenberg], e Terra de histórias [Benvirá]; autoajuda,Viver com fé [Casa da Palavra], Contos do dia a dia [Vida e Consciência], Kafka para sobrecarregados [Sextante] e Deus está no controle [Mundo Cristão]; ficção, A luz através da janela e Por um momento apenas [ambos Novo Conceito].

E não tem como não falar da chegada da Amazon ao Brasil, que trouxe agitação e provocou insônia no mercado editorial essa semana. Mais da metade dos livros da lista do PublishNews desta semana está disponível no site brasileiro da gigante americana. 64 livros [de 100] para ser exato.

No ranking das editoras, a Sextante emplacou 12 livros, mas logo atrás vem a Ediouro, com 10. Um dos destaques da semana foi a Companhia das Letras, que emplacou 7 livros e chegou ao terceiro lugar, junto com Record e Vergara&Riba. Dos 7 livros da Companhia, 5 são do selo Paralela.

Por Cassia Carrenho | PublishNews | 07/12/2012

Apfelstrudel de IOF


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

A Apple está vendendo livros digitais para leitores brasileiros desde o último domingo, como o site Revolução eBook noticiou em primeira mão. Pode-se concluir que foi aberta então a iBookstore brasileira? Na verdade não, pois os livros estão sendo vendidos diretamente dos Estados Unidos e em dólar. Ou seja, a Apple aplicou um jeitinho brasileiro para contornar as dificuldades fiscais e legais para comercializar e-books no Brasil, entre elas a legalidade ou não do modelo agência e a manutenção da isenção de impostos sobre o livro dentro do modelo digital de negõcio. O resultado, no entanto, não é uma iBookstore brasileira, mas uma janela de acesso aos livros brasileiros na iBookstore americana. Ao entrar na loja com livros em português da Apple, a sensação é semelhante àquela que se tem ao se entrar uma loja física de venda de produtos Apple no Brasil, uma daquelas “Apple Resellers”. Pode até lembrar uma Apple Store, mas está longe de ser uma. E assim como continuamos sem uma Apple Store de verdade no Brasil, provavelmente seguiremos sem uma iBookstore de verdade por aqui por algum tempo.

A Apple disponibilizou 3158 títulos em português para seus clientes brasileiros que acessam a loja pelo iTunes ou pelos aplicativos para iPhone e iPad. Este era o número na manhã de 23/10. Entre estes títulos, estão livros distribuídos pela Distribuidora de Livros Digitais, a DLD, o poderoso consórcio que reúne Objetiva, Record, Rocco, Sextante, L&PM, Planeta e Novo Conceito, que possui um catálogo de best-sellers estimado em 1500 títulos. Há também livros fornecidos pela distribuidora Xeriph, mas, ao contrário do que ocorre com a DLD, apenas algumas das editoras distribuídas pela agregadora carioca estão à venda na Apple, entre elas a Todolivro e a Boitempo. Intrínseca e Companhia das Letras, que estão comercializando seus livros digitais diretamente com a Apple, também marcam presença na loja da maçã. Em termos de tamanho de catálogo, merecem destaque a própria Companhia das Letras, com 494 títulos, e a L&PM, que possui 435 títulos via DLD. O grupo Record aparece com cerca de 330 títulos, também por meio da DLD. As maiores ausências são a Saraiva, dona do maior catálogo digital do país, a Globo Livros e seu mega-seller  Ágape, e a Zahar, que sempre esteve na vanguarda dos experimentos digitais.

Como todo este catálogo está a partir de agora disponível na loja americana, isto deve deixar os brasileiros da diáspora bastante felizes. E, como mencionado, estes livros digitais podem ser comprados no Brasil, em dólar, graças a uma janela de integração da iTunes Store brasileira com a americana. Os preços em dólares, aliás, são os mesmos nos EUA e no Brasil, mesmo porque, na prática, a compra se realiza na loja de lá. E embora isto represente um avanço, pois até domingo era impossível para brasileiros adquirirem qualquer livro na Apple, esta solução traz uma série de problemas que podem se revelar empecilhos ou incômodos relevantes para o leitor brasileiro.

O principal incômodo é, sem dúvida, a cobrança de IOF. Como a compra será feita no exterior e em dólares, incide a cobrança deste imposto cuja alíquota atual é 6,38%. Obviamente, não está escrito em nenhum lugar na loja da Apple que haverá esta cobrança, mas os consumidores vão descobrir isto assim que as faturas mensais começarem a chegar. Em um país onde o livro é absolutamente isento de impostos, a Apple conseguiu a proeza de vender livros do Brasil para leitores brasileiros com imposto.

Outro problema é que a compra só pode ser feita com um cartão de crédito internacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a Abecs, apenas 15% da população brasileira possui cartão de crédito internacional [veja p. 40 desta pesquisa]. Outro dado interessante é a diferença de gastos de brasileiros no exterior e no Brasil com cartões de crédito. Segundo a própria Abecs, no segundo trimestre de 2012, os brasileiros gastaram R$ 111 bilhões no Brasil contra apenas R$ 6 bilhões no exterior. É claro que a probabilidade de um usuário de iPhone ou iPad possuir um cartão internacional é muito maior e, portanto, muito mais do que 15% destas pessoas terão condições de adquirir os livros. Mas, ainda assim, esta é uma limitação que poderia ser evitada, assim como a cobrança do IOF.

Uma terceira questão é que a conversão para reais de uma compra em dólares só ocorre no fechamento da fatura e, por mais que o câmbio tenha ficado estável recentemente, a verdade é que o consumidor só saberá o preço final do livro quando pagar a conta.

Obviamente, se os preços da Apple forem mais baixos que os da a concorrência, estes problemas poderiam ser compensados e até o IOF se tornaria irrelevante. Infelizmente, uma rápida comparação mostra que os preços da maçã são muitas vezes superiores aos da concorrência. Por exemplo, a própria biografia do Steve Jobs está à venda por US$ 16,99. Convertendo-se este valor com o câmbio de hoje e aplicando-se os 6,38% de IOF, chegamos a R$ 36,60, enquanto o mesmo e-book custa R$ 32,50 na Saraiva. O best-seller Cinquenta tons de cinza sai na loja da Apple por US$ 12,99, ou R$ 27,98 após conversão e imposto, e custa apenas R$ 24,90 na Saraiva.

Embora o início das vendas de livros brasileiros pela Apple seja de fato um avanço, especialmente para o público internacional, aqui no Brasil a novidade não muda muito a vida do leitor nacional, que provavelmente continuará preferindo a Saraiva para comprar seus livros digitais. Afinal, na Saraiva há um catálogo de cerca de 11 mil títulos, não se paga IOF, não é necessário cartão de crédito internacional e o preço final é inferior. E como a empresa brasileira possui aplicativos de leitura para iPhone e iPad, a experiência de leitura é praticamente a mesma. Outra opção é comprar da Livraria Cultura e transferir o arquivo para um aplicativo de leitura da Bluefire ou da Kobo. Ah! E por falar nisso, em breve a Kobo lança junto com a Cultura sua loja, leitores e aplicativos de leitura aqui no Brasil, com vendas em reais.

No último fim de semana, enquanto a Apple começava a comercializar seus livros digitais em português, acontecia o evento FIM no Rio de Janeiro, com vários painéis que discutiram os livros digitais e as rupturas tecnoloigcas na indústria do livro. Em certo momento das conversas, o curador Julio Silveira declarou: “A Kobo é uma livraria, a Amazon é um tico-tico no fubá, e a Apple vende livro com raiva porque quer vender coisas que piscam.” Por enquanto, parece mesmo que a Apple está mais interessadas nas coisas que piscam. Se ela quiser ser um player relevante no mercado editorial brasileiro, terá de abrir uma iBookstore brasileira de verdade e completa. Até lá continuamos esperando. Assim como temos esperado por anos a abertura de uma Apple Store em uma grande metrópole brasileira.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

Livraria virtual da Apple já tem mais de mil livros em português


Nenhum anúncio oficial foi feito ainda, mas a Apple começou a vender títulos em português, de editoras brasileiras, na iBookstore, sua loja virtual de livros para tablets e celulares.

Um levantamento feito pela Folha mostra que mais de mil livros em português já estão disponíveis no acervo da loja. Os preços são em dólares, mas é possível comprar com cartão de crédito brasileiro.

Segundo a Folha apurou, os e-books de selos brasileiros começaram a entrar na iBookstore no começo do mês. São títulos como “Cinquenta Tons de Cinza”, da Intrínseca, o livro de ficção mais vendido no país atualmente. Ele aparece por US$ 12,99 [cerca de R$ 26] -o mesmo e-book na loja da Livraria Cultura, por exemplo, sai um pouco mais barato [R$ 24,90].

"50 Tons de Cinza", eBook em português à venda na iBookstore

“50 Tons de Cinza”, eBook em português à venda na iBookstore

A Intrínseca tem cerca de cem títulos na loja, enquanto a Leya conta com mais de 60 e-books. Outras editores presentes na iBookstore brasileira são: Arqueiro, com cerca de 50 títulos, incluindo “O Código Da Vinci”, de Dan Brown; Novo Conceito, com cerca de 60 títulos, incluindo os best-sellers de Nicholas Sparks “Um Porto Seguro” e “A Escolha”; Record, com cerca de 300 títulos, incluindo “A Queda”, de Diogo Mainardi; Objetiva, com cerca de 200 títulos; LP&M, com cerca de 300 títulos; e Simplíssimo, com cerca de 70 títulos.

A Apple havia previsto a estreia da livraria digital para abril deste ano, mas o projeto atrasou alguns meses por questões tributárias.

Anteriormente era possível encontrar apenas livros gratuitos e em inglês para download. Os livros ainda estão “escondidos” –na página principal da loja, os destaques ainda são títulos norte-americanos gratuitos. Só é possível encontrá-los usando o sistema de buscas da loja virtual ou clicando em sua lista de mais vendidos.

A Apple realiza amanhã nos EUA um evento para apresentar novos produtos. O principal destaque deve ser uma versão menor do iPad, que viria agora com tela de 7,85 polegadas – os modelos atuais têm tela de 9,7 polegadas.

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | TEC | 22/10/2012, às 19h05

Só em eBook


A Intrínseca, que em dezembro começou a publicar e-books, experimenta agora lançar um título exclusivamente em formato digital. Os arquivos perdidos: os legados da Número Seis [Intrínseca, 80 pp. R$ 4,99 – Trad. Débora Isidoro], de Pittacus Lore, chegará aos pontos de venda na segunda-feira como um e-book que complementa a série de ficção científica Os legados de Lorien. Os primeiros dois títulos da série — Eu sou o Número Quatro O poder dos Seis — venderam 60 mil exemplares no Brasil e 1,1 milhão de cópias nos Estados Unidos, segundo a editora. O lançamento nacional do terceiro volume, The rise of Nine [ainda sem título em português], está previsto para o segundo semestre de 2012.

PublishNews | 27/01/2012

WMF Martins Fontes lançará eBooks em 2012


Os primeiros serão títulos de J.R.R. Tolkien, seguidos de outras três obras

A editora paulista WMF Martins Fontes publicará seus primeiros e-books nos primeiros meses de 2012 para testar como seu catálogo funcionará no mundo digital. As primeiras obras em formato eletrônico serão do autor best-seller J.R.R. Tolkien: O Hobbit, O Silmarillion Os filhos de Húrin. Em seguida, serão lançados os e-books de As crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, em um único volume; Economia levada a sério, de Dean Baker, e Cavalo de guerra, de Michael Morpurgo, livro que inspirou o filme homônimo dirigido por Steven Spielberg e que estreia no Brasil dia 6 de janeiro. Segundo Jaime Carneiro, diretor comercial da WMF Martins Fontes, os títulos em formato digital custarão cerca de 30% menos do que as versões impressas. Na semana passada, a Intrínseca também anunciou o lançamento de seus 30 primeiros e-books e planos para digitalizar 95% do seu catálogo até marco do ano que vem. Em novembro, a LeYa informou divulgou que havia dado início à publicação de 40 títulos em formato eletrônico e que planejava ter 80% de seus livros transformados em e-book até o fim do ano. A Editora 34 também deu início à experiência de publicar obras digitais com o lançamento de contos separados ou 20 contos juntos, todos em e-book, do livro Nova antologia do conto russo.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 20/12/2011 

Intrínseca começa a publicar eBooks


Nesta quinta-feira, editora lança 20% do catálogo em formato digital e espera chegar a 95% até março de 2012

A Intrínseca começa a vender seus primeiros e-books na quinta-feira, dia 15, por meio das livrarias Cultura, Saraiva e Gato Sabido. Serão 30 títulos na primeira leva, que representam 20% do catálogo e que já venderam, segundo informações da própria editora, 17,5 milhões de exemplares. Até o fim do ano, a Intrínseca lança mais dez e-books e, até março de 2012, o plano é oferecer 95% do catálogo digitalizado.

Entre os primeiros e-books que serão lançados estão os livros das séries best-seller Crepúsculo ePercy Jackson e os olimpianos, e outros títulos de sucesso como Um diaA menina que roubava livros eBilionários por acaso: a criação do Facebook.

A editora começará a fazer lançamento simultâneo das versões impressa e digital, em formato ePub, em janeiro. Serão publicados A visita cruel do tempo, romance de Jennifer Egan vencedor do Pulitzer de ficção em 2011, e Silêncio, continuação da série Hush, Hush de Becca Fitzpatrick.

Segundo a Intrínseca, os e-books terão mais de 30% de desconto em relação ao preço de capa dos exemplares físicos e custarão, em média, entre R$ 19,90 e R$ 24,90. As obras digitais são compatíveis com os sistemas operacionais iOS [para produtos da Apple] e Android [presente em dispositivos de várias fabricantes, como a Samsung], além de poderem ser lidos nos e-readers da Sony e da Positivo.

Neste semestre, outras editoras, como a LeYa e a Editora 34, também lançaram seus primeiros e-books.

E-books da Intrínseca disponíveis a partir de 15/12:
 
Saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer
– Crepúsculo

– Lua nova
– Eclipse
– Amanhecer
– A breve segunda vida de Bree Tanner

Série Percy Jackson e os olimpianos, de Rick Riordan
– O ladrão de raios
– O Mar de monstros
– A maldição do Titã
– A batalha do Labirinto
– O último olimpiano
– Os arquivos do semideus

Série As crônicas dos Kane,de Rick Riordan
– A pirâmide vermelha
– O trono de fogo

Série Os heróis do Olimpo, de Rick Riordan
– O herói perdido

Série Os imortais, de Alyson Noël
– Para sempre
– Lua azul
– Terra das sombras

– Chama negra
– Estrela da noite
– Infinito

Série Riley Bloom, de Alyson Noël
– Radiante

Série Os Legados de Lorien
– Eu sou o Número Quatro, de Pittacus Lore

Outros títulos
– A hospedeira, de Stephenie Meyer
– A menina que roubava livros, Markus Zusak
– Bilionários por acaso, de Ben Mezrich
– Hell, de Lolita Pille
– O efeito Facebook, de David Kirkpatrick
– Pequena Abelha, de Chris Cleave
– Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver
– Um dia, de  David Nicholls

E-books disponíveis até o fim de 2011:
– A lebre com olhos de âmbar, de Edmund de Waal
– Como Proust pode mudar sua vida, de Alain de Botton
– Crescendo, de Becca Fitzpatrick [Série Hush, Hush]
– Dupla falta, de Lionel Shriver
– Nuvem da morte, de Andrew Lane [Série O jovem Sherlock Holmes]
– O hipnotista, de Lars Kepler
– O mundo pós-aniversário, de Lionel Shriver
– O poder dos seis, de Pittacus Lore [Série Os Legados de Lorien]
– Religião para ateus, de Alain de Botton
– Silêncio, de Becca Fitzpatrick [Série Hush, Hush]

PublishNews | 13/12/2011

Editoras e livrarias se preparam para chegada da Amazon


Por Renata Honorato | Com reportagem de Paula Reverbe l Publicado originalmente em VEJA – Vida Digital | 20/05/2011 – 19:24

A cadeia de produção e distribuição do livro deverá ser afetada pela entrada da empresa americana no mercado. E promete reagir

O Kindle: plataforma de leitura e negócios da Amazon

O primeiro passo da Amazon no Brasil será oferecer ao mercado local 5.000 livros em formato eletrônico em língua portuguesa. Será um importante incremento, uma vez que a Saraiva, maior rede de livrarias do país, e a Cultura, a mais bem equipada do ponto de vista de acervo, oferecem cerca de 3.000 títulos em português cada – além de aproximadamente 230.000 em outras línguas. Mas a Amazon poderá dar escala ao processo. Em sua loja virtual, estão à disposição de consumidores nada menos do que 950.000 e-books. A velocidade em que essa evolução se processará aqui dependerá em boa medida da decisão dos editores, detentores dos direitos de publicação das obras já editadas no país.

No Brasil, a empresa americana negocia com diversas editoras. É o caso de empresas de peso como Record, Objetiva e Ediouro. O objetivo das conversas é convencer as brasileiras a entrar de cabeça em seu sistema: em outras palavras, vender seus livros a partir de sua loja virtual, no formato compatível com o leitor Kindle. Alguns frutos desse trabalho já estão pendurados na árvore da Amazon. Segundo Newton Neto, diretor da Singular Digital, braço da Ediouro para operações eletrônicas, cerca de 120 e-books da editora já estão disponíveis na livraria americana.

Os editores brasileiros garantem que o negócio interessa. Mas, na prática, são cautelosos e evitam tratá-lo como tábua de salvação do segmento editorial local. “Levamos muito a sério as novas tecnologias”, diz Roberto Feith, presidente da Objetiva. “Mas a internet, e suas variantes, se configura apenas como mais um canal de vendas”, completa o executivo. Sérgio Machado, presidente da Record, sintetiza o impasse entre as partes. “Estamos conversando, mas ainda não encontramos um modelo de parceria que nos pareça satisfatório.

Nos bastidores, comenta-se que as editoras preparam um acordo: não liberar para venda na Amazon seus bestsellers [ou candidatos a], principal fonte de receita do setor. Além disso, Objetiva, Record, Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta articularam, em uma espécie de joint venture, a criação de uma empresa responsável pela digitalização de obras e sua distribuição a livrarias: a DLD. É uma tentativa de dominar parte do processo digital.

O modelo de parceria é de fato um dos pontos-chave do trabalhoso processo de migração do papel para o meio eletrônico. Nos Estados Unidos, onde o negócio, é claro, está mais avançado, a Amazon iniciou a operação fixando o preço de “capa” do produto final, pagando um percentual aos editores a cada venda. A intenção da gigante era forçar preços baixos e insuflar o incipiente segmento de livros eletrônicos. O modelo vigorou entre 2007 e 2010, quando a Apple lançou o iPad e a venda de e-books em sua loja virtual. Na proposta de Steve Jobs, os editores determinavam os preços, ficando a loja com a comissão de 30%. A novidade caiu como uma bomba entre as editoras americanas, que pediram a revisão de seus contratos.

A Amazon teve de ceder. E agora adota uma política similar à da Apple. O contrato, contudo, não exige exclusividade. Assim, quando as obras em português caírem definitivamente na loja da Amazon, poderão eventualmente ser encontradas em concorrentes.

Se a vida dos editores está sendo sacudida pela brisa da Amazon, a dos livreiros deve enfrentar um furacão. Ao inaugurar um escritório e uma operação dedicados ao Brasil, a Amazon, um titã que fatura 34 bilhões de dólares ao ano, passará a concorrer diretamente com as empresas estabelecidas aqui. “Acredito que as grandes livrarias estão preparadas para essa nova realidade. Mas as pequenas certamente sofrerão com isso“, diz Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL].

Saraiva e Cultura já dão como certa a entrada da empresa americana na disputa pelo leitor local. Para contra-atacar, miram no formato de livro digital vendido pela Amazon, só compatível com o leitor de e-books da marca, o Kindle. As livrarias brasileiras apostam em um formato eletrônico chamado ePUB, reconhecido por um grande número de plataformas, como tablets, celulares e computadores que rodam, entre outros, com sistemas da Apple e do Google [Android].

Estamos criando novos modelos para a distruição digital de conteúdo. Um deles é o livro-aplicativo, que pode ser baixado na Apps Store, da Apple, e, em breve, na versão Android“, diz Sergio Herz, presidente-executivo da Cultura. A Saraiva vai no mesmo caminho. E aposta no aumento da oferta de obras. “Estamos trabalhando duro para aumentar nosso acervo em língua portuguesa“, afirma o presidente da companhia, Marcílio Pousada.

Atualmente, em consequencia de um acordo firmado entre editoras e livrarias, um e-book custa, no Brasil, 20% a menos do que um livro impresso. Espera-se que a chegada de um protagonista do setor, a Amazon, ajude a derrubar ainda mais esses preços.

Por Renata Honorato | Com reportagem de Paula Reverbe l Publicado originalmente em VEJA – Vida Digital | 20/05/2011 – 19:24

Grupo de editoras investe R$ 2 milhões


A depender dos investimentos da cadeia produtiva do mercado editorial, os livros digitais devem começar a se tornar comuns ainda neste ano. Em junho, seis grandes editoras brasileiras [Objetiva e Record, Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta do Brasil] criaram a empresa DLD [Distribuidora de Livros Digitais]. Com investimentos de R$ 2 milhões até 2011, a empresa vai autorar o catálogo dessas editoras, e também de outras editoras contratantes, para comercialização pelas redes varejistas.

O varejo também se movimenta. O grupo Livrarias Curitiba espera lançar ainda em novembro seu serviço de vendas de livros virtuais pela internet. A rede negocia com a DLD e com as editoras virtuais Xeriph e Simplíssimo.

Leitores

Os aparelhos de leitura também devem estar com ampla oferta até o final do ano. A Agência nacional de Telecomunicações [Anatel] liberou, no final de setembro, o uso e venda do iPad em território nacional. Com isso, o produto da norte-americana Apple já pode ser exportado para o Brasil.

A Positivo Informática lançou neste mês a segunda versão do seu leitor digital Alfa – agora com acesso à internet sem fio. O preço sugerido é de R$ 799.

POR OSNY TAVARES | Gazeta Maringá | 14/11/2010, 00:01

Intrínseca aposta no Facebook


A Intrínseca começa hoje uma nova fase no relacionamento com seus leitores. A partir de agora, todos os esforços de divulgação dos livros, autores e eventos na internet serão concentrados no Facebook. E isso não é nenhuma estratégia de Marketing para divulgar o Bilionários por acaso, obra sobre a criação da maior rede social mundial. Juliana Cirne, diretora de comunicação da editora, disse que esta ideia surgiu de uma provocação do diretor Jorge Oakim. Ele queria que os funcionários ficassem de olho nas empresas que estão na vanguarda no uso da internet, como a Pixar. Juliana entrou então no site e descobriu que o estúdio não era assim tão moderno, mas teve o estalo de criar um espaço aberto e livre onde os leitores pudessem comentar e compartilhar informações sobre os livros. Experiência no contato direto com o leitor a editora já tem. No Twitter, são quase 14 mil seguidores. E se todos migrarem para o Facebook, a conversa é garantida. O site continuará existindo.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 03/12/2010