Congresso Mundial de Editores discute como sobreviver ao digital


O 30º Congresso Internacional de Editores abriu hoje em Bangkok, na Tailândia, com a presença de líderes do mercado editorial de todo o mundo. Durante três dias serão debatidos e analisados os desafios que o setor enfrenta. Sua Alteza Real, Princesa Maha Chakri Sirindhorn abriu o Congresso, que conta com a presença de 500 participantes de 38 países. Em seguida, a Princesa Maha Chakri Sirindhorn reuniu-se com Richard Charkin, presidente do International Publishers Association [IPA] e com Youngsuk Chi, ex-presidente do IPA.

Palestrantes da HarperCollins, Google, Bloomsbury, Elsevier, Grupo Anaya e outras empresas líderes mundiais, apresentaram informações aos editores sobre como construir negócios sustentáveis no século 21. Houve também discussões sobre novos modelos de negócios, a evolução da distribuição do digital e como incentivar jovens leitores. O objetivo é mostrar aos editores como o mercado pode se adaptar de forma eficiente na era da internet. O Congresso segue até quinta-feira, 26 de março.

Mais informações: http://ipa2014bangkok.com.

CBL

eBooks e convergência são temas da Bienal do Livro de SP


Evento começa nesta quinta-feira com a realização do 5º Congresso Internacional do Livro Digital com o tema “Cultura em Convergência”

Em 2007, a Amazon lançou a primeira edição do e-reader Kindle. Agora, sete anos depois, a empresa anuncia um serviço de assinatura para e-book e audiobook. Tanto no Brasil como internacionalmente, observou-se uma resposta positiva ao modelo. Segundo pesquisa realizada pela BookStats, a venda de livros digitais superou os impressos, gerando US$ 7,54 bilhões às editoras norte-americanas em 2013. Assim, diante da incerteza sobre o futuro dos livros tradicionais, um dos maiores eventos brasileiros do segmento decidiu apostar no tema.

Na sexta-feira, 22, inicia-se a 23ª Bienal Internacional do Livro, que, neste ano, está trabalhando diretamente com o público por meio das redes sociais e peloblog do evento. A aproximação resultou em mais de 10 mil ingressos vendidos até o momento, em comparação aos 2,6 mil da edição anterior, o que corresponde ao recorde de vendas antecipadas. Para evidenciar ainda mais o tema, a Câmara Brasileira do Livro, responsável pela Bienal, promove um dia antes, na quinta-feira, 21, o 5º Congresso Internacional do Livro Digital.

O tema deste ano é “Cultura em Convergência”, e será abordado nos dias 21 e 22 de agosto, no Auditório Elis Regina. A quinta edição do evento conta com a participação de Jason Merkoski, o primeiro evangelista de tecnologia da Amazon; Oren Teicher, presidente da American Booksellers Association [ABA]; Jose Borghino, diretor de política da International Publishers Association [IPA]; Stephen King, presidente do grupo Daisy de Londres; Olaf Eigenbrodt, diretor da Biblioteca Universitária de Hamburgo, na Alemanha; Pedro Luis Puntoni, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Cultura Digital do Cebrap; Danilo Venticinque, editor de cultura da Revista Época; entre outros.

Tradicionalmente, o Congresso acontece no primeiro semestre, mas desta vez vai anteceder a Bienal e se extender durante o evento. Além do espaço para discussão e apresentação de cases de sucesso, também serão premiados trabalhos científicos sobre o livro digital. Os três vencedores receberão um valor em dinheiro e, dependendo do tema do trabalho, serão avaliados em fast track para publicação na Revista de Gestão da USP. O primeiro colocado vai apresentar seu projeto no dia 22, às 16h30, na plenária do Congresso.

O Congresso do Livro Digital surgiu há cinco anos como parte das metas de trabalho da Câmara, com a missão de discutir o futuro do impresso e do mundo digital. Susanna Florisse, diretora da Câmara Brasileira do Livro, afirma que a ideia é debater os novos formatos, modelos de negócios e novas formas de bibliotecas. Serão abordadas as diversas possibilidades do autor, ilustrador e editor ao trabalhar com o conteúdo no impresso, aplicativo, nuvem, etc. Ou seja, toda a cadeia de produção, desde o autor até o leitor.

Apesar da presença cada vez mais forte do livro digital, Susanna acredita que o impresso não vai morrer, embora alguns realmente desapareçam do mercado ou diminuam a tiragem. Para ela, haverá um mix, em que o digital vai complementar o impresso. Os livros didáticos, por exemplo, devem manter o formato tradicional, mas com conteúdo reduzido. “Bibliotecas digitais é um modelo de negócio que faz todo o sentido. As editoras precisam sair da zona de conforto, acompanhar tendências. Em um País com tamanha dimensão geográfica, o mais óbvio seria diminuir custos com papel e com frete. Além disso, estamos vivendo a realidade de uma geração totalmente digital. As pessoas não tem mais tempo, os costumes mudaram, os hábitos mudaram”, afirma a diretora da Câmara.

Em contrapartida, a Bienal atrai um grande número de visitantes em todas as edições. Neste ano, já foram vendidos mais de 10 mil ingressos antecipados. Porém, Susanna explica que o motivo não são os livros impressos em si. Afinal, eles podem ser adquiridos pelas internet e, muitas vezes, a um preço mais acessível. “Cada vez mais as editoras vão se tornar prestadoras de serviço. A Bienal chama muita atenção, não necessariamente para venda de livros, mas para uma questão cultural.Os visitantes querem ir pelo aspecto cultural, para assistir a palestras, debates, premiação, etc”.

Com o processo da digitalização, o conteúdo também se torna mais acessível, aumentando o risco de cair na rede. Entretanto, a diretora não enxerga o problema como o maior desafio do livro impresso. Para ela, as tradições é que podem representar a principal barreira para a consolidação da leitura. “O livro sempre teve que concorrer com a pirataria. Mas, talvez o seu maior concorrente seja ter uma sociedade que prefira ter dois celulares, dois carros ou roupas de marca, em vez de um livro”.

A abertura do 5º Congresso Internacional do Livro Digital acontece na quinta-feira, 21, às 9h. As inscrições podem ser feitas pelo próprio site oficial do evento. Já a Bienal, vai até o dia 31 de agosto e também está com venda de ingressos abertas nos pontos de venda físicos e pela internet.

POR POR ERIKA NISHIDA | enishida@grupomm.com.br | Publicado originalmente em wwwproXXIma.com.br | 20/08/2014, às 19:06

IPA revisa últimas ações anti-pirataria


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/10/2012

A IPA – International Publishers Association divulgou, através de sua Secretaria Geral, apresentações feitas na reunião de seu Comitê Anti-Pirataria, durante a última Feira do livro de Frankfurt.

São três apresentações, duas em power point e uma em pdf. As apresentações podem ser solicitadas gratuitamente à secretaria da IPA através do e-mail secretariat@internationalpublishers.org. Informações adicionais sobre o assunto podem ser encontradas no site da IPA.

A primeira apresentação é sobre a situação da pirataria de livros no Egito. É, digamos assim, a mais clássica: as dificuldades de distribuição e as convulsões decorrentes da mudança de regime abriram amplo espaço para a pirataria, tanto de livros impressos quanto digitais. Acrescente-se, no caso do Egito, as dificuldades de formato para leitura em caracteres de árabe. Segundo a Associação Egípcia de Editores, os e-readers da Amazon, da Apple e da Barnes&Noble não suportam esses caracteres. Isso faz que o escaneio dos livros, no formato PDF, seja amplamente disseminado. Os editores egípcios estão tentando desenvolver uma plataforma proprietária, mas encontram dificuldades de custos e tecnologia.

A indústria editorial egípcia não é exatamente modesta. Publica cerca de 20.000 títulos ao ano, através de cerca de 500 editoras, mas com uma rede de livrarias muito precária. A apresentação não faz menção a tentativas de estabelecer sistemas de licenciamento de cópias; pelo contrário, assinala que as editoras começam a usar “estratagemas” para proteção, como hologramas e outros dispositivos anti-pirataria. O problema evidente é que, como sabemos, esses sistemas são notoriamente ineficientes. A apresentação tampouco menciona as questões relacionadas a redes de bibliotecas e meios de acesso público e legal aos livros.

Mas o Egito sofre também com a forma mais antiga de pirataria: a reprodução, em edições piratas e baratas, dos livros publicados pelos editores estabelecidos.

A solução, segundo a Associação de Editores, seria o reforço da legislação contra a pirataria e a criação de mais e melhores meios de repressão aos piratas.

A IPA não comenta a apresentação. Na minha opinião, os editores egípcios estão se enfiando em um beco sem saída: a repressão, sem alternativas para cópias legais e remuneradas, só provoca o aumento da pirataria e a criação de uma opinião pública contrária aos editores, que passam a ser sistematicamente qualificados como gananciosos.

É uma situação similar à criada no Brasil pela ação repressiva da ABDR, sobre a qual já me manifestei em diferentes ocasiões.

A segunda apresentação relata uma ação da Associação dos Editores ingleses contra o Pirate Bay, o famoso site que abre downloads através de torrent. Segundo os ingleses, 7% do total do material oferecido pelo site é de livros, o equivalente a aproximadamente 220.000 obras literárias ou científicas. Note-se que a pornografia fica com 17,99% do total, os filmes com 19,89% e a música com 25,59%.

Os editores ingleses [e as gravadoras e distribuidoras de filmes] empreenderam uma ação judicial dirigida aos maiores grupos de ISP – Internet Service Providers, pedindo à justiça que ordene que esses servidores bloqueiem o acesso ao Pirate Bay. A ação tem algumas características específicas: 1] Não pede indenizações; 2] É apenas contra os servidores, não contra o site infringente; 3] Não exige que se prove que o servidor esteja infringindo leis de copyright.

A totalidade dos provedores de serviço aceitou sem contestação a medida judicial. Afinal, por que iriam gastar dinheiro com advogados para defender o acesso a sites piratas?

Os que acessam o Pirate Bay podem usar proxys para continuar baixando conteúdo, mas o acesso certamente ficou mais difícil e menos acessível à maioria dos internautas.

Além disso, o Reino Unido dispõe de uma agência de licenciamento, a PLS – Publishers Licensing Society, que permite a aquisição de licenças para cópias de trechos de livros legalmente.

A solução britânica é mais inteligente que a egípcia, pois procura a colaboração dos provedores de serviço da Internet [a apresentação não fez menção ao Google, entretanto], ao mesmo tempo em que deixa uma janela aberta para o uso legal de trechos de obras. Note-se que a PLS é de propriedade das associações de editoras de obras gerais e das duas associações de editores de STM, e seu sistema permite que as editoras e autores acompanhem a contabilidade das licenças e recebam diretamente a parte de lhes cabe do auferido.

Finalmente, há a apresentação sobre mudanças na lei de copyright e algumas decisões da Corte Suprema do Canadá sobre a questão da pirataria e dos licenciamentos.

O Canadá foi um dos primeiros países a estabelecer métodos de remuneração de editoras e autores para o uso de materiais educacionais com proteção de copyright, assim como estabelecer remuneração para os livros emprestados pelas bibliotecas públicas. Os sistemas diferem um tanto entre o Québec e o Canadá britânico, mas há quase quinze anos está em vigor.

As recentes modificações na legislação sobre o assunto foram, entretanto, significativas. Ao mesmo tempo em que mantem a proteção contra as cópias ilegais, ampliou muito o conceito do “fair use”, previsto na legislação internacional [Convenção de Berna] e incorporado em todas as legislações nacionais.

O “fair use”, na interpretação do judiciário canadense, permite a exceção a partir do “direito dos usuários”, no sentido de manter um equilíbrio entre os direitos dos detentores de copyright e os interesses dos usuários, que assim não pode ser interpretado restritivamente. Ou seja, o exame judiciário dos casos de infringência tem que levar em consideração se existe dano comercial e intelectual, mas também o direito de cópia por parte dos usuários finais para usar o material sem ganhos comerciais e para propósitos educacionais.

A perspectiva relevante passa a ser a do usuário final, e não o de quem copia. E essa é uma alteração importante, pois abre um espaço para uma utilização mais ampla de materiais copiados para uso em salas de aula, entre outros.

A apresentação dos editores canadenses assinala pontos ainda confusos e não regulamentados, tanto das recentes modificações da legislação como da própria decisão da Corte Suprema, que terão de ser resolvidos para aclarar melhor a situação.
As três apresentações, entretanto, mostram a turbulência que vem sendo enfrentada pelos editores no mundo inteiro, com o aumento da pressão por mais exceções no uso de copyright, principalmente no âmbito educacional.

A busca de um equilíbrio entre os interesses dos criadores – autores -, difusores – editores – e usuários ainda é muito incipiente.

Do meu ponto de vista, o licenciamento e a melhoria dos sistemas de bibliotecas públicas, universitárias e escolares contribuiria decisivamente para uma convivência melhor entre as partes. Mas, como se vê, mesmo em um país que leva a sério o copyright e as necessidades de leitores e usuários desses materiais, ainda há muita discussão a ser feita e muitas disputas a serem resolvidas.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/10/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

O conselho de YoungSuk Chi


Presidente da International Publishers Association, YoungSuk Chi falou ao Sabático

Presidente da International Publishers Association, YoungSuk Chi falou ao Sabático

Presidente da International Publishers Association, YoungSuk Chi falou ao Sabático depois de sua apresentação no Congresso do Livro Digital e deixou um conselho aos editores brasileiros neste tenso momento de negociação com Amazon, Google e Apple. “Dado que não há certeza de qual será o modelo de venda de e-book no futuro, não tente adivinhar como ele será, mas experimente diferentes modelos. Você pode ter informações sobre o que estão fazendo em outros mercados, e são informações úteis, mas elas não são do Brasil. E quem sabe como isso vai se desenvolver aqui? Meu conselho é: não coloque todos os ovos na mesma cesta.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 12/05/2012

Congresso do Livro Digital começa com 450 inscritos


Plateia lota auditório na capital paulista para ouvir, em dois dias, diversos palestrantes brasileiros e internacionais

Começou hoje pela manhã o 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital com 450 inscritos, que lotaram o auditório do Centro Fecomercio de Eventos, em São Paulo. Até o fim da tarde de amanhã, 23 palestrantes [sendo 13 internacionais] farão palestras sobre vários temas ligados ao mundo da publicação digital. E ainda, na tarde de hoje, 17 teses científicas sobre o tema serão apresentadas, contra nove no ano passado.

A primeira palestra foi conferida YoungSuk Chi, presidente da International Publishers Association [a associação internacional de editores], que resumiu sua mensagem da seguinte forma: “O valor do conteúdo percebido pelos consumidores está caindo, porque conteúdo parecido, bom o suficiente, está disponível na internet de graça. O que quer dizer que nós, editores, temos que criar valor agregado, e uma experiência de leitura, para aumentar a percepção de valor”.

Para Chi, a definição de uma editora como uma empresa que fornece conteúdo impresso está totalmente ultrapassada. Mais do que nunca, o papel do editor deve ser o de selecionar conteúdo relevante – num mar cada vez maior de informações – e oferecê-lo de maneira a criar uma experiência significativa para os leitores, nas diferentes formas possíveis. “Temos que fornecer a informação certa, para a pessoa certa, no contexto certo, e fazer as três coisas ao mesmo tempo.” Palavras como “visionário” e “criador de mercado” deveriam definir o editor de hoje, defende Chi.

O presidente da IPA acredita que não importa o tamanho do conteúdo criado, mas sim a forma como ele é apresentado. “Se a série Harry Potter tivesse sido publicada em um único livro, ela não teria sido lida. Mas ela foi separada em vários livros, todos capazes de fisgar os leitores.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 10/05/2012

Direitos em discussão


Palestrantes do Congresso CBL do Livro Digital ressaltaram as questões em aberto sobre direitos autorais e reprográficos no mercado digital

Direitos autorais e reprográficos são um dos muitos polêmicos assuntos – e frequentemente apontados como os mais importantes – dentro do mundo de publicações digitais. As perguntas vão desde quanto um autor deve receber pelo e-book vendido até como os países estão revisando suas leis a respeito da reprodução de conteúdo, e quais efeitos essas revisões terão.

Em palestra no Congresso CBL do Livro Digital, hoje [10] pela manhã, Lynette Owen, diretora de copyright da Pearson Education na Inglaterra, ressaltou que ainda há muita discussão sobre a porcentagem de royalties a ser paga sobre as vendas de e-books. “Os autores ainda sentem que a venda do e-book substitui a da cópia física, e que estão recebendo uma parcela inadequada como direito autoral”, disse. Segundo ela, no Reino Unido, quando o modelo de venda é o do agenciamento, os autores têm reivindicado 50% de royalties sobre a venda líquida dos livros, e já chegaram a requisitar até 75%. “Claro, as editoras contestaram essa remuneração, porque seria impraticável, mas é um assunto em discussão.” Outra questão relevante, segundo ela, é que os autores sentem que podem publicar sem editoras. “Muitos já começam a considerar a autopublicação – com o serviço da Amazon, por exemplo, eles podem ganhar 70% de royalties.

Curiosamente, essa realidade vale para o mercado de livros trade. No mercado de livros didáticos, a situação é diferente. Em sua própria experiência na Pearson Education, Owen contou ao PublishNews que o mercado digital ainda não alterou a remuneração de autores do segmento educacional. Isso porque os didáticos físicos ou digitais da Pearson no Reino Unido, por exemplo, têm o mesmo preço (ao contrário do segmento trade, onde e-books geralmente custam menos), e a remuneração dos autores nos dois casos é feita com base nas vendas líquidas já há muitos anos.

Ela ressalta que uma das grandes preocupações hoje é com possíveis mudanças na legislação sobre a reprodução de cópias da Inglaterra. “Está em discussão no país uma nova lei de direito reprográfico [copyright] que pode ser desastrosa, porque propõe muitas exceções para a reprodução gratuita de conteúdo”, disse. Atualmente, segundo ela, as editoras inglesas fornecem licenças que permitem a reprodução de 5% de um livro, ou então de um capítulo, para uso em salas de aula. Mas a nova lei de direitos reprográficos em discussão no parlamento pode vir a liberar cópias de até 30% das obras.

As revisões desse tipo de legislação estão acontecendo em vários lugares do mundo, impulsionadas pelo mercado digital, como Canadá, Itália, Austrália, Índia e Reino Unido, pontuou Jenns Bammel, secretário geral da International Publishers Association, que participou da mesa com Owen pela manhã. As discussões, segundo ele, dizem respeito a quais medidas técnicas de proteção devem ser aplicadas ao conteúdo, DRM, como devem ser as licenças para reprodução de obras e quais são as exceções para o uso de conteúdo sem pagamento de direitos.

Bammel aproveitou para provocar o Brasil. “O Brasil tem estado quieto – e quando fez barulho, foi assustador. Por que o Brasil não está na discussão mundial sobre direitos autorais e reprográficos?”, perguntou. “Será que o governo aqui não se importa com a indústria? Será que eles entendem a indústria editorial?

Bammel ressaltou que a indústria editorial é maior do que a indústria cinematográfica e fonográfica juntas. “Minha mensagem é que vocês [editoras] mostrem quão grande são e façam o governo entender a importância de criar políticas para a indústria”, disse à plateia lotada.

O assunto é fundamental também na visão de Henrique Mota, presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que proferiu a primeira palestra da tarde sobre o desenvolvimento econômico do livro digital em território europeu. “Enquanto a legislação não garantir a proteção do copyright, vai demorar para que o e-book decole na Europa. Esse é o assunto mais importante da indústria”, afirmou. Segundo ele, a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu veem a necessidade de reforçar a legislação a esse respeito.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 10/05/2012

Livro digital: revolução ou evolução?


Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 14/04/2011

CEOs falaram sobre o presente e o futuro do mercado em Londres

O que está acontecendo neste momento com a indústria do livro é uma evolução, com editores se adaptando às mudanças naturais, ou é uma revolução, que acontece quando você é tirado repentinamente do poder? Para responder a essa pergunta e analisar o presente e o futuro da edição, a Feira do Livro de Londres convidou os CEOs da Penguin, Elsevier, China Education Publishing and Media Group e HarperCollins. As respostas foram divididas, mas todos concordaram que se o mercado editorial não acordar vai acabar perdendo espaço para outras indústrias.

Todas as empresas de TI estão tentando entender a relação entre conteúdo e veículo. Temos que ser indispensáveis para o processo para não sermos aniquilados”, disse John Makinson, chairman and CEO do grupo Penguin. Para ele, não se trata de uma evolução e essa mudança na forma de trabalho é vista em cada um dos espaços da edição. “O trabalho do editor está mudando. Temos que apender outras habilidades para continuarmos fazendo o nosso trabalho. E temos, sobretudo, que saber o que os clientes querem e o quanto eles estão dispostos a pagar, coisa com a qual nunca nos preocupamos”, comentou Makinson.

Ele disse também que é hora de tentar entender se os leitores vão continuar lendo com a mesma voracidade, se o consumidor digital vai querer ter a posse do livro e se – quando – as livrarias vão entrar em colapso. Por fim, deixou um aviso: “Quanto mais conteúdo estiver disponível, mais vamos vender. Isso se ouvirmos os consumidores”.

Li Pengyi, presidente da China Education Publishnig and Media Group, acredita que o momento está mais para evolução do que para revolução e que apesar de existirem mais de 400 e-readers diferentes na China, o mercado, em queda, ainda é reticente. “O mercado editorial chinês está caindo por causa da internet e de outras formas de diversão”, comentou. Quando à passagem para a era digital, quem está liderando o movimento são empresas de TI e de entretenimento. “A tecnologia digital permitiu que muitas outras empresas de tecnologia entrassem na indústria do livro. Elas se beneficiam de seu conhecimento tecnológico. Na China, tem empresa de jogo que já é editora“, disse.

Quanto aos editores, acredita que eles terão de aprender a coletar e processar conteúdo e desenvolver novos negócios. “Se não fizermos isso alguém vai fazer”. Mas ele ainda acredita na superioridade do mercado editorial: “o Google pode ser comparado a uma biblioteca. Já as editoras são experientes bibliotecários“.

O CEO da Elsevier e presidente da International Publishers Association [IPA], Y.S. Chi, falou sobre o momento a partir da perspectiva de quem está no segmento de CTP, que segundo ele está mais avançado do que os outros nessa questão digital. O que ainda falta para o CTP fechar o ciclo é analisar como o conteúdo pode ser melhor aproveitado e que tipo de serviço ainda podem oferecer aos seus consumidores. Pra ele, trata-se de uma evolução do mercado e brincou: “Todos preferimos que seja revolução porque é mais sexy. Pensem que é uma revolução, mas ajam como se fosse uma evolução”. Ele, no entanto, tem medo de ser substituído por alguém mais experiente em tecnologia e que vai se adaptar ao “mundo das palavras escritas”.

Quanto mais perto você chega dos consumidores, então é uma revolução. Há muitos impactos nos nossos negócios quando você pensa na mudança de consumo”, comentou Brian Murray, presidente e CEO da HarperCollins. Para aproveitar esse momento, o diretor pensa que é hora de levar pessoas com características diferentes para o dia a dia das editoras. “Esta é uma grande oportunidade para reinventar o negócio, procurar novos formatos e novas plataformas de leitura, sejam elas telas de 2 ou 10 polegadas. É a oportunidade de sermos mais criativos”. Murray se disse impressionado com a velocidade que os leitores aceitaram esse novo jeito de ler. De acordo com ele, há um ano existiam 15 milhões de e-readers no mundo. Hoje, são 40 milhões. “Isso me parece muito revolucionário e participar desta fase da história é incrível”.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 14/04/2011