Táxi amarelo, cachorro-quente e eBooks


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/06/2014

Voltei de Nova York bem a tempo de ver o time norte-americano mostrar que não temos a menor chance no futebol. Minha visita a Nova York se concentrou na Book Expo America [BEA], onde conheci as mais recentes e mais interessantes startups envolvidas com e-books. Aqui apresento as principais:

A próxima geração de ferramentas de autoração
Metrodigi com sede na Califórnia acabou de lançar a última versão de sua ferramenta de autoração na nuvem, Chaucer. A ferramenta produz ePub3 complexos, fornece uma interface drag-and-drop simples para facilitar o uso e permite colaboração na nuvem em tempo real. Quando se trata de desenvolver livros didáticos interativos, Chaucer significa uma boa economia em relação a sua principal concorrente, a Inkling.

Uma startup bem recente chamada Beneath the Ink está levando os livros estáticos para a geração iPad. Eles se concentram em um conceito muito simples, mas poderoso: adicionam a capacidade de fornecerpop-ups clicáveis que realçam os personagens, lugares, conceitos e palavras em livros gerais. Adorei a forma pouco distrativa com que o produto finalizado funciona, apesar de que achei que seu modelo de negócio é um pouco caro. $179 por livro e 10% da receita. As editoras brasileiras vão pagar este preço para ir “além da tinta”?

iTunes-ificação dos livros
Era questão de tempo. Da mesma forma que Pasta do Professor criou “fatias de livros” para livros impressos, Slicebooks fornece uma forma de criar “faixas do iTunes” para qualquer e-book. Certamente, isso seria um desastre para um livro de ficção, mas para um manual ou um livro didático, faz muito sentido. A plataforma deles permite que os leitores “façam a mixagem de seu próprio álbum” ou que os editores “guiem as fatias” do conteúdo.

Mais atores no grupo dos “netflix dos livros”
Os principais “netflix dos livros”, Scribd e Oyster marcaram sua presença durante toda a conferência enquanto os novatos, Bookmate e Librify apresentaram novidades no conceito. Bookmate, com o foco em países em desenvolvimento da Europa, conseguiu fazer um ótimo acréscimo de uma camada social a seu reader assim as pessoas podem compartilhar notas, citações e marcações com seus amigos. Librify, com foco exclusivamente no mercado norte-americano, está desafiando Scribd e Oyster ao oferecer uma biblioteca do mesmo tamanho [500 mil livros], uma parceria importante com a loja Target e uma forma de organizar clubes de leitura virtuais. Será suficiente para que o conceito de “Netflix” finalmente se desenvolva?

Em Nova York, pessoas lendo e-books no metrô é tão comum quanto os táxis amarelos e os carrinhos de cachorro-quente. Felizmente, estas novas startups estão trazendo inovação para a edição digital. Algum destes conceitos despertou seu interesse? Que tipo de inovações você gostaria de ver? Eu adoraria ouvir suas ideias: greg@hondana.com.br.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/06/2014

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

600 mil livros em branco


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

Alguns dias atrás, tive uma ótima conversa com Sriram Peruvemba [ou Sri], o principal executivo de marketing da E-Ink, um amigo antigo dos tempos pré-Kindle. Ele me contou uma ótima história sobre tecnologia educacional – a julgar pelo alvoroço no último Congresso do Livro Digital, um assunto muito quente.

Muito do rebuliço vem do plano [demasiadamente] ambicioso do Ministério da Educação [MEC] de comprar 600 mil tablets educacionais. O engenheiro dentro de mim fica animado com a iniciativa. Mas o e-publisher dentro de mim fica chocado: 600 mil tablets sem conteúdo? Você pode imaginar comprar 600 mil livros didáticos sem uma única linha impressa?

Sri iniciou nossa conversa me contando sobre o estado atual da leitura eletrônica no mundo. “Com a chegada dos e-readers, a sociedade como um todo está lendo mais, graças à conveniência desses aparelhos, a facilidade de acesso ao conteúdo, a portabilidade, a duração mais longa da bateria, o conteúdo mais barato [e às vezes grátis]. Livros, revistas e jornais, e mesmo documentos de trabalho, estão sendo lidos em tablets e e-readers.

Isto não é novidade para os assíduos leitores do PublishNews…mas então ele deu uma visão um pouco pessimista sobre o estado da leitura em geral.

Mas livros, revistas e jornais se tornaram secundários, muitos adultos não leem muito depois de sair da escola, e mesmo os periódicos têm estado em queda constante nos últimos anos. Não há sinais de que a tendência vai se reverter.

Ele considera, no entanto, que o conteúdo educacional é o pilar mais forte da indústria editorial. “Se você é um estudante em qualquer lugar do mundo, você está usando livros didáticos e isto não é uma opção, é obrigatório.

Nos últimos tempos, surgiram muitas empresas dispostas a inovar a experiência que se tem com o livro didático ou com os aplicativos de educação para tablets.

NearPod oferece uma solução completa para a sala de aula, onde o professor se torna ele/ela mesmo/a o criador de conteúdo – convertendo PDFs em materiais de aula interativos. Eles são uma empresa brasileira, com escritório na Vila Olímpia, em São Paulo.

Inkling, que se uniu à nata das editoras americanas, desenvolveu uma plataforma impressionante que reinventa a experiência do livro no iPad.

É claro que o “elefante na sala”, o competidor grande demais para ser ignorado, é a Apple e seu iBooks Author. Essa ferramenta permite que os autores criem conteúdos específicos para o iPad com recursos interessantes. Ela cria e-books? Ou ela cria Apps? Para o desapontamento de mais de 250 milhões de usuários de dispositivos equipados com o Android, o conteúdo gerado com o iBooks só funciona em uma plataforma, o iPad.

Enquanto os Apps são chamativos, potentes e legais, eu não tenho dúvidas de que eles não são o futuro da indústria editorial. Eu reforcei minha convicção de que os padrões como o ePub vão se mostrar os mais resistentes depois que, ao atualizar o sistema iOS, a Apple “quebrou” mais de 300 de nossos aplicativos de livros eletrônicos na Vook.

E Sri me confirma: “você precisa de um suporte [para o conteúdo educacional] e esse suporte é um dispositivo portátil como um e-reader [com tecnologia E-Ink].

Espera aí, você vai dizer, você não pode ensinar sem cor, e os leitores E-Ink são preto e branco. Não mais.

A Ectaco, cliente da E-Ink, já produz um aparelho em cores chamado Jetbook, que foi originalmente lançado na Rússia com sucesso na sala de aula”. Depois dessa primeira experiência, eles lançaram o dispositivo na prestigiada Brooklyn Technical High School em Nova York.

Os testes começaram em março, com o Jetbook que tem a tela em cores E Ink Triton. Os alunos aprenderam a manejá-lo em uma hora e desde então estão usando. Eles tomam notas, marcam o texto e salvam os trechos que vão usar no futuro para referência.

E corre o boato de que a Ectaco está olhando o Brasil.

Agora, com todas essas plataformas interessantes, voltemos à questão mais importante: “Quem vai criar conteúdo para encher esses 600 mil livros?”.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

O que é a nuvem?

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Vook lança plataforma para produção de eBooks


Depois de quatro meses em teste, a Vook lançou para o público a versão de seu software de distribuição e produção de e-books. A plataforma da Vook propõe-se a ser fácil suficiente para que autores independentes publiquem seus e-books diretamente, e robusta o bastante para o uso corporativo. O serviço foi desenvolvido para permitir criar e automaticamente distribuir para as lojas da Amazon, da Barnes & Noble e da Apple tanto e-books que contêm apenas texto, como aqueles que possuem recursos multimídia. Outras plataformas de publicação que prometem ser fáceis de usar e gerar resultados impressionantes foram lançadas recentemente, como o iBooks Author, da Apple, e o Habitat, da Inkling

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 26/03/2012