Dicas práticas para produção de ePub3


Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Em meu último texto, chamei atenção para algumas questões de cunho teórico que precisam ser levadas em conta quando se trata de produzir em ePub3. Dando continuidade a esse mesmo assunto, gostaria de destacar aqui alguns outros tópicos, agora de caráter mais prático. Não será um texto com tutoriais, mas com dicas gerais, inclusive de fluxo de trabalho.

Antes, vale dizer que a mesma ressalva feita no primeiro texto vale também para este: o que tenho em mente são livros de texto, não layout fixo, assunto deveras mais complexo que ficará para outra ocasião.

1. Permanecendo no Sigil até o limite

O Sigil, editor de ePub gratuito e open source que todos nós amamos, ainda não dá suporte para o ePub3, de modo que, quando um e-book já está no novo formato, o programa não é capaz de editá-lo corretamente. É bom evitar até mesmo abrir um ePub3 no Sigil, pois o código do arquivo pode acabar alterado. No entanto, o Sigil permanece sendo um dos melhores recursos na produção como um todo de um ePub3, mesmo que não seja possível editar diretamente nele.

E isso porque você não precisa, logo de saída, já ter um ePub3. Uma vez que o Sigil é tão prático, o melhor é extrair dele todo o possível antes de deixá-lo.

A recomendação é a seguinte: trate seu e-book como um ePub2 tradicional nas etapas iniciais da produção. Você pode convertê-lo pelo InDesign ou outro método do seu agrado, realizar a adaptação do projeto, inserir fontes e imagens, deixar o arquivo pronto para a revisão e inserir as emendas apontadas, tudo exatamente como teria feito por padrão se o e-book não fosse ganhar uma versão avançada. Só então, quando essas etapas [inclusive correções de texto] estiverem concluídas, prossiga para a conversão para ePub3.

Essa organização tende a otimizar o tempo, pois, do contrário, seria necessário utilizar um editor de HTML desde o início, além de compactar diversas versões do mesmo arquivo para realizar testes nos aplicativos. Concentrando a produção no Sigil até que este não possa mais ajudar, tem-se um processo mais fluído.

No caso de um projeto amplo, em que um livro precisa ter também uma versão ePub2, essa recomendação é ainda mais enfática, afinal esse arquivo será de fato necessário.

2. Conversão

O Sigil pode ser utilizado inclusive para converter seu arquivo ePub2 para ePub3. Com alguns cliques — como falei no primeiro texto, essa parte não é nem de longe a mais difícil –, você usa o plugin ePub-itizer e obtém uma versão confiável do arquivo no qual já vinha trabalhando atualizada para o novo formato. É a partir desse momento que o Sigil não poderá mais ser usado para edição. Lembre-se: você tem um arquivo já bem-encaminhado, com imagens e fontes já inseridas, bem como emendas de texto. Tudo que é comum entre o ePub2 e o ePub3 já está feito. O que vem agora é que será particular desse último.

3. Compiladores e editores de HTML

De agora em diante, você terá de trabalhar com seu arquivo descompactado. Para descompactá-lo, você pode utilizar programas como o ePubPackePubZip/Unzip [os mesmos podem ser utilizados depois para compactar] ou até mesmo abrir o ePub pelo WinRar e arrastar os conteúdos para uma pasta separada. Para editar as páginas agora descompactadas, será necessário um editor de HTML, comoNotepad++TextWrangler. Lembre-se: agora as facilidades do Sigil acabaram. Se novos arquivos, como áudios e vídeos, forem inseridos, terão de ser manualmente. Isso significa inclusive declará-los no content.opf.

4. Uma palavra sobre áudios e vídeos

Áudios e vídeos podem ficar estocados na pasta Misc, padrão em ePubs, mas você também pode, para melhor se organizar, criar pastas específicas [uma pasta “Audio” e outra “Video”].

Já que estamos falando sobre áudios e vídeos, um toque sobre suporte. Como tantos outros recursos do ePub3, estes dois não funcionam em todas as plataformas. De todas, a Apple é a quem melhor suporte. Nas outras, há limitações. O app Android da Kobo, por exemplo, não roda áudios, embora os vídeos funcionem. O mesmo ocorre com a Amazon [que tem um formato próprio para livros avaçados, como destacado no texto anterior, mas que pode ser adaptado a partir do ePub3]. Na Google, os áudios e vídeos do ePub3 de teste que utilizei não abriram nem na plataforma iOS nem na Android.

O ideal é utilizar uma mensagem de fallback, que será visualizada caso o e-book seja aberto num ambiente de leitura que não suporta algum dos recursos, como apontado nesse texto.Basta inserir a mensagem dentro da linha de código que chama o áudio ou o vídeo.

Exemplo:

<audio src=”../Audios/audio-exemplo.mp3”><p>Este conteúdo não pode ser visualizado nessa plataforma</p></audio>
Assim, a mensagem alertará o leitor de que ali há um certo conteúdo que não está sendo visualizado.

5. Testes

Para testes, recomendo priorizar o iBooks, onde o maior número de recursos funciona. Isso não exclui, naturalmente, a necessidade de testar em outras plataformas, mas, para testes rápidos, me parece a melhor opção. E agora não é mais necessário passar por um processo longo [como subir o arquivo para uma conta no Dropbox e depois abri-lo no iPad ou iPhone] para jogar o arquivo no aplicativo, já que as versões mais novas do sistema operacional contam com o iBooks para Mac.

6. Notas em pop-up na Apple

Um recurso interessante, que já abordei em outro texto de cunho mais técnico. Outras plataformas, como Kobo e Kindle, já geram a visualização de notas na forma de pop-ups em e-books tradicionais automaticamente, mas, no iBooks, é necessário fazer adaptações — um pouco complexas, é verdade complexas — no código para que o recurso funcione.

Mas pode ser interessante atentar para esse recurso na plataforma da Apple para utilizá-lo para outros fins, uma vez que, para essa plataforma, utiliza-se o <aside> para produzir as pop-ups. Essa serve para agrupar conteúdos relacionados ao principal, de modo que não é apenas nas notas que irá funcionar. Respostas para quizzes podem ficar escondidas até que um link seja acessado, por exemplo; ou, saindo um pouco da caixa, livros de ficção que se proponham interativos podem se valer dos pop-ups para escondem informações do leitor.

Esses foram alguns elementos que achei interessante destacar, muito com base na experiência que tive. Espero que possam ser úteis.

Até a próxima.

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Questões preliminares sobre ePub3


Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 1 de julho de 2015

O ePub3 é uma atualização do formato ePub que permite criar publicações digitais que operam com base em HTML5 e CSS3. Na prática, isso significa que e-books nesse formato podem conter recursos mais avançados, como áudios, vídeos, animações e certas interatividades. O IDPF, consórcio internacional que define os padrões do formato, o tem como aprovado desde 2011.

Quatro anos, e ainda assim publicar em ePub3 ainda é um desafio. Se as plataformas/ambientes de leitura dão trabalho aos mais simples arquivos ePub2, um formato mais avançado não encontraria caminho menos árduo. Os padrões variantes podem tornar a experiência um tanto complicada.

O que segue abaixo é um conjunto de observações preliminares que podem ajudar na hora de tomar a decisão de produzir ou não em ePub3, e, em caso positivo, como organizar os processos envolvidos.

Observação: o foco serão livros de texto. Não entraremos no terreno do layout fixo, assunto deveras mais complexo que ficará para uma outra ocasião.

Se você ainda está pensando no assunto, há duas questões gerais a considerar:

Não vai funcionar em todos os lugares.
Não se aventure sem ter isso em mente. O formato não é suportado por todos os aplicativos, e há variação entre os que oferecem suporte: o aplicativo iOS de uma loja pode aceitar determinado recurso que não funciona no aplicativo Android da mesma loja. Há ainda os eReaders, onde jamais funcionará. É necessário considerar essa realidade.

Podem ser necessárias várias versões.
A Coleção Ditadura, da Intrínseca, é exemplo disso. As diferenças entre as plataformas obrigaram a equipe a produzir nada menos que cinco versões de cada arquivo, uma vez que a versão “simples” [ePub2/mobi, sem recursos avançados e com preço final menor] também precisava ser lançada. O trabalho de gerenciamento, bem como de produção em si, pode ter um aumento exponencial, dependendo dos recursos que se quer utilizar. Deve-se avaliar o escopo do projeto e ver se há estrutura [e recursos] para isso.

Se já se decidiu por fazer, considere o seguinte:

A dificuldade provavelmente não está onde você imagina.
Num ePub3, o difícil não é a conversão em si para o formato nem inserir vídeos ou áudios. A conversão pode ser feita pelo próprio InDesign ou por um plugin acionado pelo Sigil, e a linha de código para chamar um vídeo ou áudio é tão simples quanto a que serviria para uma imagem. A dificuldade maior está justamente no gerenciamento da produção, sobretudo se também é necessário lançar a versão ePub2/mobi [e ainda a versão avançada para a Amazon!1], como falado acima. As dificuldades técnicas existem, naturalmente, mas — e aqui falo da minha própria experiência — é a organização do workflow que nos pega pelo pé.

1 A Amazon tem seu próprio formato para livros avançados, o KF8, que se assemelha ao ePub3 em alguns pontos. Logo, isso significa mais uma versão do e-book, agora atendendo as especificações desta loja. Detalhe: recursos como áudios e vídeos não funcionam no aplicativo do Kindle para Android, apenas iOS e, naturalmente, no Kindle Fire.

Testes, testes e mais testes.
Testes são um exercício de descoberta, como falei em outro texto. Não existe outra forma de aprender o que funciona e o que não funciona, das muitas possibilidades abarcadas pelo ePub3. Áudios, vídeos, notas em pop-up, conteúdos não lineares, javascript: é essencial conhecer o que o formato permite e refletir, a partir disso, como esses recursos podem beneficiar o projeto.

Como observação mais geral, deixo esta última:

Muito se fala sobre o uso do ePub3 [geralmente associado ao layout fixo] para publicações digitais destinadas ao público infantil, e de fato o formato cai como uma luva para livros desse tipo. No entanto, livros “adultos”, sobretudo de não-ficção, podem ser servidos pelo ePub3 de maneiras igualmente empolgantes. Bons exemplos são a biografia deGetúlio Vargas e A Grande Orquestra da Natureza [baixe uma amostra da Apple, encaixe os fones de ouvido e veja do que estou falando], em que mídias diferentes dialogam com a escrita e expandem a experiência de leitura.

Bem, estas são questões gerais que se impõem quando o assunto é produção de ePub3. Espero que possam ajudar você, editor ou autor, que está pensando no assunto.


Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 1 de julho de 2015

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Programas indies para edição, validação e testes de livros digitais


Normalmente, quando falamos em edição, validação e testes de livros digitais, falamos no Sigil, EpubCheck, Adobe Digital Editions e Readium. Para exportação: InDesign ou LibreOffice, — os mais radicais podem dizer Quark e/ou BlueGriffon Epub Edition –, certo?

Nada mais normal do que isso, afinal, são programas rotineiros no dia a dia dos desenvolvedores de e-books.
Hoje falarei brevemente sobre outras duas ferramentas não tão famosas quanto as citadas primariamente, todavia, muito interessantes tanto pelos diferentes funcionamentos quanto pelas possibilidades de serem usadas não apenas profissionalmente, mas também para estudo.

1. ePubChef

Trata-se de um projeto que tem a seguinte proposta: “acrescente os ingredientes na panela e ele cozinhará um ePub 3 para você” [impossível não lembrar do Fernando Tavares e suas analogias com comida].

Ele funciona via linha de comando a partir dos ingredientes que você adiciona às pastas dentro de uma estrutura pré-determinada, todavia, altamente customizável.

Esse caráter “customizável” do programa é extremamente útil para quem está interessado em estudar o formato e, de quebra, se estiver interessado em programação, você pode customizar o código da ferramenta em si, e não apenas os de seus arquivos. ;]

Após clonado o repositório, sua estrutura de diretórios é a seguinte:

Na pasta css você encontrará, bem, um CSS [bastante completo e cheio de comentários explicativos]. Nele, você poderá definir as diretrizes básicas do que espera do ePub a ser criado.

Se você estiver pensando em fazer alguns livros de uma mesma coleção, com valores similares, temos aí um bom começo: criar modelos de CSS.

Se você estiver pensando em fazer alguns livros de uma mesma coleção, com valores similares, temos aí um bom começo: criar modelos de CSS.

Mãos à massa: cook.py

Vá até a pasta [via terminal] e digite:

python cook.py mybook

Com esse comando ele criará os arquivos para o seu livro. Seguindo o exemplo da wiki usei o “mybook” [você é livre para escolher um nome mais criativo para o arquivo].

Você pode começar a editar e adicionar conteúdos, imagens, fontes na pasta mybook_raw e já preencher os metadados em mybook_recipe.yaml usando qualquer editor de textos simples [como o Bloco de Notas no Windows, por exemplo]. Nesse arquivo você ainda pode determinar a ordem, os nomes dos capítulos etc.

Já os conteúdos você acrescenta nos arquivos TXT. Exemplos de uso [tabelas, itálicos etc.] podem ser encontrados nos arquivos do exemplo [em demo_raw]. A cada edição, basta rodar o comando outra vez, e o programa recriará o arquivo atualizado.

Na página do projeto você encontra o tutorial da instalação e os primeiros passos para uso. Se você tem algum domínio de inglês e está interessado em aprender a fazer um e-book de dentro para fora, o ePubChef é um excelente caminho.

2. jeboorker

O jeboorker é um editor de metadados com algumas funcionalidades bastante úteis.
Para começar, ele permite a edição de metadados não apenas de arquivos ePub, mas também de CBR, CBZ e PDF, desde que os mesmos não se encontrem protegidos por DRM.

Diferente do ePubChef, o desenvolvedor já disponibiliza os pacotes de instalação para as plataformas Windows, Linux e Mac, diretamente na página do projeto no GIT.

A interface dele é bem simples, mas realiza bem o que se dispõe a fazer: editar metadados.

Uma das funções de que mais gostei no jeboorker foi o fato de poder importar diretamente uma pasta inteira em vez de um arquivo por vez, além da possibilidade de editar múltiplos arquivos de uma só vez, acrescentando a todos dados comuns presentes em um dos livros, tais como autor, coleção etc.

Outra coisa legal no programa é poder editar o UUID [arquivos exportados pelo InDesign em alguns casos apresentam um erro de validação referente a isso que, até então, eu corrigia na unha, diretamente no OPF e no NCX].

Além dessas funções, o programa permite fazer download dos metadados do título na internet a partir de dois bancos de dados [um é o do Google] e também editar os já existentes diretamente no XML.

Por fim, o programa é bem leve e não apresentou travamentos ou “comportamentos inesperados” [como fazer bagunça nos arquivos, por exemplo].

Para conhecer outras ferramentas relativas a e-books, vale verificar a listinha do EPUB Zone neste link.

  1. Ainda assim, recomendo que, no uso de Linux, a instalação seja feita diretamente através de repositórios [se disponível na sua distro]. Dessa forma você garante que receberá as atualizações automaticamente sem precisar entrar na página e baixar o programa outra vez. Se você, como eu, usa um derivado do Archlinux, no meu caso, o Manjaro, tem no AUR. ;]
Antonio Hermida

Antonio Hermida

Por Antonio Hermida | Publicado originalmente em Colofão |  29 de abril de 2015

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim [UFF] e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Questões comuns na formatação dos eBooks


Semana passada li no The Digital Reader um artigo que, por sua vez, comenta um texto publicado no Science Blog, no qual o leitor Martin Rindkvist compartilha uma experiência frustrante com leitura de e-books no app Google Play Livros. Rindkvist relata que diversos caracteres desapareceram nas versões digitais de dois de seus livros e associa essa omissão a um defeito do app do Google.

Já Nate Hoffelder, do The Digital Reader, supõe que é possível que seja um bug causado pelo conflito da linguagem do usuário com a linguagem do e-book. Eu pessoalmente apostaria em erros de fonte embutida com problemas de mapeamento, causando desaparecimento de caracteres quando a opção de fonte da editora está marcada.

Suposições à parte, acho que a maioria das pessoas que consomem livros digitais já se depararam com problemas de formatação de e-books. Apesar da necessidade de conhecimentos técnicos para identificar causa e solução, não é preciso ser nenhum especialista para percebê-los.

Com esta afirmativa em mente, pensei em expor brevemente alguns problemas muito comuns em conversões de livros digitais, os quais geralmente podem ser evitados através do processo de revisão de e-books ou no processo de diagramação dos livros impressos.

1. Hifenização

No processo de produção do livro muitas vezes colocamos hífens em palavras que coincidem com quebra de linhas. Esse hífens, que fazem total sentido na diagramação de um livro impresso, não são necessários no livro digital, uma vez que e-books têm quebra fluida de linha e/ou hifenização automática.

Se você acha esse erro irritante, deve ficar ainda mais incomodado quando, além de hifenização indevida, a hifenização que de fato é necessária não está sendo respeitada no livro. Pois é, acontece. E é irritante. Agora, por que acontece?

Isso geralmente acontece porque o sistema de conversão quer retirar os hífens desnecessários e acaba retirando os necessários. Esses erros podem ser evitados de acordo com os recursos utilizados na diagramação do livro, mas nem sempre o arquivo-base está perfeitinho do jeito que gostaríamos.

2. Espaços

Assim como a hifenização, temos erros de espaços entre palavras, tanto pela ausência quanto pela presença. A ideia é a mesma, surgem espaços onde não há necessidade, geralmente pela utilização de ligaduras ou apóstrofes.

Na eliminação de espaço entre palavras, isso ocorre porque muitas vezes estes espaços não são diagramados com uma “barra de espaço”, e esta outra formatação para o espaço não é respeitada na conversão de formatos. Ocorre às vezes desses espaços aparecerem como uma interrogação ou um quadrado no ADE antigo e no LEV.

3. Caracteres

Fontes são problemáticas, gente! São lindas e ajudam no projeto gráfico do seu livro, mas podem dar muita dor de cabeça. Os problemas geralmente são desaparecimento ou troca de caracteres e possuem a mesma origem: arquivo mal mapeado. É possível ajeitar através do FontForge, fico devendo novamente um tutorial.

4. Quebra de linha

Por fim, muitas vezes na diagramação do impresso é utilizada uma quebra de linha no meio de um parágrafo para ajeitar os espaçamentos de palavras. Esses espaçamentos são interpretados no código do e-book como tags <br /> que quebram a fluidez do texto.

Conclusão

Bom, esses erros são extremamente comuns, portanto, não se desespere se encontrá-los em seu livro. Todos eles têm solução, mais ou menos trabalhosas. Algumas já foram abordadas aqui mais minuciosamente, e outras, de maneira mais genérica. A dica que dou é: prepare bem seu arquivo antes da exportação do e-book, seja no InDesign ou no LibreOffice. E nunca elimine de sua rotina de produção uma avaliação de qualidade do produto final, pois é nela que aparecerão erros que a produção e a revisão podem ter deixado passar.

Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em Colofão | 15 de abril de 2015

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense, trabalha com livros digitais desde 2011 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

Porque um código bom é um código limpo


POR Antonio Hermida | Publicado originalmente por COLOFÃO | 12 de novembro de 2014

Antes de qualquer coisa…

Este artigo não tem pretensões de ensinar HTML ou CSS, mas de mostrar sua lógica de funcionamento e apontar o porquê de um código limpo e bem estruturado ser importante. Dito isso, seguimos:

O que você precisa saber sobre o código é o seguinte: ele é importante e quase tudo relacionado a sistemas computacionais existe a partir de suas linhas. Exemplo inocente: você já viu um arquivo docx1, do Word,  por dentro?

Ele é mais ou menos assim:

 

A importância de um código bem estruturado, além de ajudar na compreensão imediata do conteúdo [e de sua renderização], funciona como garantia de integridade do mesmo para o futuro.

Vamos supor que, em alguns anos aconteça ao ePub algo similar ao que aconteceu com os arquivos que eram produzidos com o Ventura. Digamos que a indústria adote outro formato para publicações digitais.

Um código limpo, bem construído, te permite a exportação com integridade de forma e conteúdo, evitando surpresas desagradáveis ou a necessidade de refazer todo o trabalho a partir do zero.

Por exemplo, quem está pegando os arquivos do Ventura hoje para reimprimir um livro de fundo de catálogo, tem grandes chances de ter que refazer o livro todo, usando o InDesign, provavelmente. E, nesse caso [do Ventura e do InDesign], ainda temos outro agravante: formatos proprietários não são editáveis fora de suas plataformas, no geral.

Em relação ao ePub, isso é algo com o que não precisamos nos preocupar, pois, diferentemente do mobi, da Amazon, o ePub não é um formato proprietário, pelo contrário, tem base no HTML, que é amplamente utilizado. Logo, a exportação para outro formato é viável no cenário hipotético onde ele não seria mais o padrão para publicações eletrônicas.

De qualquer forma, ter um arquivo que parece ok para quem olha num dispositivo de leitura, mas que, por baixo desta visualização, se encontra um código cheio de remendos e informações redundantes e/ou desnecessárias, pode se tornar um complicador não apenas para uma futura exportação como também para simples correções ou atualizações de conteúdo.

Lógica de funcionamento

Grosso modo, o ePub é composto por HTMLs +CSS dentro de um ZIP. Como uma página web empacotada.

O HTML [Hyper Text Markup Language] é uma linguagem de marcação, enquanto o CSS [Cascade Style Sheet] funciona como uma página de instruções para essas marcações, uma folha de estilos, por assim dizer.

Essas marcações são bastante visíveis no exemplo abaixo, reparem como o 1[body] marca o início do corpo, o h1 [Header 1] denomina o título 1, o h3,  o segundo, e o p [4] o início de um “parágrafo”.

 

Dentro do p, temos os números 5 e 6,  respectivamente, itálico [<em>, deemphasys] e negrito [<strong>].

As marcas amarelas estão sobre a barra “/” que determina o final de cada marcação.

Essa hierarquia define bem a lógica de funcionamento do HTML.

Alterando valores e classes

Tendo o CSS linkado ao arquivo HTML, podemos alterar os valores padrão de cada item e acrescentar outros que os diferenciem através das classes.

Por exemplo:

Especificamos a cor vermelha no item 1; o alinhamento para a direita, no 2; o tamanho da fonte e o tipo de fonte [3 e 4];

Não se preocupem, se vocês leram até aqui, estamos chegando ao ponto que eu estou tentando mostrar.

Da mesma forma que utilizamos os parâmetros para o <h1>, podemos podemos fazê-lo com o <p>, todavia, dificilmente um livro terá apenas um tipo de parágrafo. Nos mais simples, podemos observar pelo menos dois tipos: com recuo e sem recuo [ou, com indentação e sem indentação]. Nesses casos, criamos uma classe separada, por exemplo, “indent”.

Minha ideia aqui é unicamente deixar claro o porquê é importante manter um código bem estruturado e livre de incongruências. Como eu disse, além de garantir que seu conteúdo se apresente mais fielmente nos vários dispositivos e aplicativos de leitura, caso seja preciso exportá-lo para outro formato ou mídia, toda informação sobre seu conteúdo estará salva e legível.

Não digo que todo mundo precisa saber HTML ou CSS, mas é bom que, ao fornecer um e-book ou contratar um serviço de conversão, alguém possa analisar a qualidade do que foi entregue, afinal, é o produto que vai para o leitor.

Por fim, uma última imagem, um único parágrafo, para que meditemos a respeito da importância da beleza interior.

POR Antonio Hermida | Publicado originalmente por COLOFÃO | 12 de novembro de 2014

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim (UFF) e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Treinamento Prático de Produção de Livros Digitais no Formato ePub3 com Adobe inDesign


Participe de um treinamento prático da Escola do Livro com Jean-Frédéric Pluvinage. O curso apresentará as técnicas e procedimentos para criar e converter seus conteúdos em livros digitais com interatividade, áudio, vídeo e animações, além de outros efeitos especiais no formato ePub3 utilizando o Indesign e recursos de pós-produção.

Jean-Frédéric Pluvinage é diretor da FoxTablet, editora especializada em revistas digitais para tablets. Formado em Design Gráfico pelo SENAC, e em jornalismo pelo CEUNSP. É coautor, junto com Ricardo Minoru, do livro Revistas Digitais para Ipad e outros tabletes, primeiro livro no Brasil e no mundo sobre esse tema. Também é autor do DVD Bem-vindo ao InDesign – uma introdução à diagramação, lançado pelo Grupo PhotoPro. O evento acontecerá na sede da Câmara Brasileira do Livro, R. Cristiano Viana, 91 – Pinheiros – São Paulo/SP. Os alunos deverão trazer seus notebooks com os aplicativos e recursos InDesign CS6 ou superior; Photoshop CS3 ou superior; Dreamweaver CS3 ou superior; Calibre; Sigil; Winzip e Adobe Digital Editions já instalados. Investimento: Associados CBL – R$ 600,00; associados de entidades congêneres, professores e estudantes – R$ 960,00; Não associados – R$ 1.200,00. Consulte sobre parcelamentoem 3 vezes no cartão de crédito. Mais informações do curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

Quinta e sexta-feira, 20 e 21/3, das 10h às 18h.

Senac promove curso de InDesign


Aulas iniciam no dia 5 de outubro e acontecem aos sábados

Com o objetivo de fornecer ao aluno as competências necessárias para ingressar no mercado profissional de publicações digitais, utilizando as ferramentas e tecnologias do Adobe InDesign como base para a criação de livros, o Senac Santo André [Av. Ramiro Colleoni, 110, Santo André]  promove o curso “Publicações Digitais com InDesign”. As aulas têm início no dia 05/10 e vão até o dia 07/12, com aulas aos sábados, das 10h às 17h. O profissional formado neste curso estará apto a desenvolver publicações digitais, com recursos de interatividade. O investimento é de R$ 480.

PublishNews | 04/09/2013

Workshop Produção eBooks em ePub com inscrições abertas


Atividade ocorrerá nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre

As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre receberão nos meses de agosto e setembro o Workshop Produção eBooks em ePub [Nível 1]. A atividade é direcionada para designers, profissionais e estudantes do mercado editorial. Para participar é necessário levar notebook com InDesign CS5 [pode ser versão Trial] e Adobe Digital Editions instalados. O curso tem por objetivo transmitir as técnicas utilizadas para produção profissional do formato ePub, além de dar dicas e truques de como otimizar a produção de eBooks, através de um método de trabalho prático. Para se inscrever e conferir informações sobre o programa, datas e locais do curso nas cidades, clique aqui.

PublishNews | 26/07/2012

CBL promove Curso Avançado de ePub


José Fernando Tavares

José Fernando Tavares

O curso oferecido pela CBL acontece dias 17 e 20 de maio, das 9h30 às 18h30, visando capacitar profissionais da área para explorarem profundamente os recursos do ePub e ePub 3 [Eletronic Publication – Publicação Eletrônica]. ePub é um formato padrão de arquivo digital, livre e aberto, específico para e-Books, criado pelo International Digital Publishing Forum [CICOM].

Podem participar do curso profissionais que já trabalham na produção de e-Books em ePub e que desejam se aprofundar no assunto. O curso não se destina a principiantes na atividade. Os participantes devem trazer notebooks com os seguintes softwares instalados: InDesign 5.5 [pode ser na versão teste], Adobe Digital Editions, Sigil ou outro programapara editar código. O número de vagas é restrito a 20 pessoas. José Fernando Tavares, ministrante do curso, é fundador e diretor técnico da Simplíssimo. Mora há 17 anos na Itália, onde trabalhou como designer gráfico e no setor de pré-impressão. Desde 2008, dedica-se aos livros digitais e às técnicas de produção do formato e-Pub. Preparou pela Simplíssimo o e-book “O pensamento de Thomas Hobbes”, que recebeu o selo QED [Quality Excelence Deisgn] da conferência Digital Book World. É palestrante e professor dos cursos oferecidos pela Simplíssimo. Os interessados podem fazer a inscrição pelo telefone: [11] 3069-1300 ou e-mail escoladolivro@cbl.org.br.

CBL Informa

Vagas limitadas para segunda turma do Curso Prático de Produção de EPUBS


Fernando Quaglia

Devido à grande demanda a Escola do Livro realiza mais uma turma do curso Prático de Produção de EPUBS, que acontecerá nos dias 20 e 21 de setembro, na sede da Câmara Brasileira do Livro. O objetivo é abordar a produção de EPUBS e suas vantagens, como produzir e quais ferramentas utilizadas. Atualmente, existem diversas formas para a leitura de e-books, como os e-readers, smartphones ou softwares. O ePub possibilita o aumento do tamanho da fonte e o ajuste da dimensão das páginas de acordo com o dispositivo utilizado para leitura, adequando o e-book às necessidades do usuário. Importante: as vagas são limitadas, o aluno tem que trazer seu notebook com os softwares instalados: InDesign CS5, Word, Sigil, Calibre, Oxigen [podem ser as versões de teste]. É imprescindível que o participante tenha bons conhecimentos em InDesign e noções de CSS.

As aulas serão ministradas por Fernando Quaglia e Rones Lima. Quaglia é fundador da eBook Company, e coordenador da área de negócios internacionais da editora do Conselho Espírita Internacional. Rones é graduado em Desenvolvimento de Sistemas para a Internet, com Pós Graduação em Objetos, Sistemas Distribuídos e Internet pela UnB. É especialista na conversão de livros para o formato eBook mesclando sua experiência em design gráfico ao conhecimento de códigos, obtidos na graduação e pós-graduação. Para mais informações encaminhe seu e-mail para: escoladolivro@cbl.org.br.

CBL Informa | 30 de Agosto de 2011

Fazendo eBooks


Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 28/06/2011

Há meses vinha pensando que ninguém do mercado editorial brasileiro tinha o perfil geeknecessário para realmente explicar o que diabos era ePub. Ok, me diziam quais eram as vantagens dele em relação ao PDF, que o InDesign fazia a conversão, falavam do mercado americano, dos e-readers, dos direitos autorais, mas quando chegávamos na pergunta “mas como um arquivo .indd se ‘transforma’ num .ePub?” a conversa travava em “ah, aí é com um programador”… E a pergunta que ficava martelando na minha cabeça era: de onde tiraríamos esse programador com noções de design de livro e que aceitaria os valores por lauda do mercado editorial? E a única resposta que me vinha era: dos próprios birôs de diagramação, será apenas um serviço a mais. Assim, inventei o mundo tranquilo do editorial digital, no qual apenas os diagramadores teriam que se aventurar no mundo assustador dos códigos de programação e a nós, produtores editoriais, caberia apenas o trabalho de sempre: isbn, revisão, controle de prazos etc.

Essa tranquilidade foi desaparecendo na medida em que recebíamos os arquivos convertidos: fontes perdidas, imagem de capa desaparecida, sumários confusos ou com pouca informação, imagens que apareciam em um leitor, mas não em outros, links [notas, por exemplo] que jogavam para trechos errados do livro etc. Definitivamente, não era tranquilo pra ninguém, todo o mercado precisava estudar, não havia sequer uma empresa benchmark no setor. Na verdade, não havia nem há o setor!

Cheguei a acreditar que só nos restava esperar que os fornecedores amadurecessem, mas isso me deu um desânimo, uma sensação de impotência, que me fez perceber que eu estava no caminho errado. Um dia, ao sair do trabalho, percebi o óbvio: estava mais uma vez perdendo ânimo e energia por acreditar que o mundo [editorial ou não] é absolutamente previsível e, pior, que eu já o tinha compreendido e catalogado. Mais uma vez, estava paralisada pela odiosa arrogância de quem trabalha há anos na mesma área e abafando minhas dúvidas. Decidi que teria que me livrar de mais esses pré-conceitos, que só servem para nos fazer crer que “nada nunca irá mudar” ou “só eu me interesso por isso”, e iria achar as pessoas de programação que sabiam o que era ePub. Rapidamente a energia voltou! Fazendo buscas e buscas no Google, encontrei um fórum de discussões e me animei: achei o revolução e-book. Lendo as discussões, percebi que havia um senhor que parecia saber bastante sobre os problemas que temos no dia a dia de uma editora, peguei todos os contatos que consegui pra “um dia quem sabe…”, mas nunca tive coragem de ligar ou escrever e expor minha ignorância a ele. E, além disso, o que eu poderia falar com ele? Pedir uma aula? Uma palavra amiga? Não liguei, mas não foi necessário, pois acabamos nos conhecendo dias depois totalmente por acaso no curso da Simplíssimo em Niterói.

O tal “senhor” se chama Antonio Hermida [antoniofhermida@gmail.com] e é bem mais novo que eu… Trabalhava como estagiário de produção editorial em uma editora carioca por ainda estar cursando Letras, mas antes estudou Análise de Sistemas. Com ele inauguro uma nova coluna dentro da coluna, que se ocupará de conhecer [e apresentar] a nova geração editorial.

 
Por que você saiu da informática? Você fez Letras porque queria trabalhar com livros?
Na verdade, sim e não. Comecei a fazer Letras por gostar de latim e literaturas, mas precisava me sustentar antes, daí ter feito informática [área na qual sempre tive facilidade de transitar]. Queria poder me dedicar ao estudo da literatura sem a obrigação de me formar às pressas, com urgência do mercado de trabalho. Sempre quis trabalhar e estar entre livros, mas nunca tive uma ideia muito clara de como faria isso.

O que fazia [dentro de uma editora] quando começou?
Basicamente tudo que faz um estagiário de editorial. Cotejo, pesquisa, padronização de textos, notas, bibliografia…

Quando surgiu o ePub na sua vida? O que espera do ePub3?
Na época, os arquivos em epub estavam sendo convertidos fora do país, o que gerava uma série de problemas ortográficos e, pior que isso, uma demora absurda para correção. Um ciclo sem fim de revisão-emenda-outra revisão-novos erros-emenda-revisão etc. Peguei alguns arquivos para cotejar e, em casa, pesquisei sobre a estrutura do epub e passei a emendá-los diretamente no código. Como a lista de arquivos convertidos [e com problemas] não era curta, pude ir montando um “banco de dados” tanto de erros quanto de efeitos interessantes a serem explorados nas conversões futuras, assim como um manual de estilo para digitais. Acho que foi basicamente isso, comecei a entender os epubs consertando-os. Ainda é das coisas que mais faço [consertar], principalmente quando recebo testes de fornecedores que estão regulares e podem ser aproveitados.

Sobre o epub3, bem, eu cresci brincando com livros-jogos da série Aventuras Fantásticas, justo por isso penso em e-books não só convertidos para o formato, mas concebidos e idealizados como digitais, desde o esboço.

Um bom romance policial não precisaria ser linear, nem ter apenas um final possível, assim como você poderia escolher com que personagem seguir a história, colocar senhas, links externos, pistas em sites… Bem, a própria definição de gênero correria perigo de ser reformulada ou passar a ambientação num caso desses. Fora as demais possibilidades oferecidas por conectividade, geolocalização [no html5], suporte audiovisual…

Você gosta de ler livros digitais? Pra você, o que eles têm de melhor e de pior em relação ao livro impresso? A Faculdade de Letras já fala sobre eles?
Uma edição ruim é cansativa independente do suporte e quando trabalhamos com isso passamos a reparar em detalhes que são ignorados pela maior parte dos leitores. Dentro do que consumo, gosto, claro, de boas edições, impressas ou digitais. Por comodidade tenho lido muito mais digitais [acabo convertendo em casa os textos que recebo dos professores ou livros em domínio público utilizados em algumas literaturas], carrego a maior parte do que preciso ler em um e-reader no lugar de carregar uma resma de papel e livros que, no geral, atacariam minha rinite. É mais cômodo nesse sentido e a leitura proporcionada pela e-ink é confortável. O fato de você poder ajustar o tamanho das fontes, navegar pelas notas, fazer buscas por palavras e consultar suas definições são vantagens indiscutíveis em um e-book. A rigidez do impresso, apesar de às vezes figurar como desvantagem, tem uma segurança da qual sinto falta. Se eu passar um e-book de um e-reader para outro, perco minhas notas e marcações, o mesmo acontece quando acho algum problema na edição e resolvo corrigí-la. Não é mais o mesmo arquivo, e lá se vão minhas notas e marcações outra vez. O que mais gosto num livro é sentir-me avançando nele, por mais que tenhamos a barra de status indicando quantas páginas foram lidas /total, perdemos um pouco desse desbravar. A sensação tátil também perde um pouco, mas isso é pessoal, não acho que seja unânime, nada é. Na Letras a preocupação maior é com o texto em si, com a palavra, não com o suporte, mesmo os professores de idade mais avançada se mostram animados quando eu levo algum e-reader.

Poderia fazer um ranking dos 5 e-readers/tablets/aplicativos que você prefere e explicar o porquê da preferência?
1. Nook [1 e New Nook]: Atualizações frequentes de software, tanto para correção quanto para melhoria, excelente contraste e tempo de resposta [no New então…]. Gosto muito do Kobo Reader também. Fujo da série PRS da Sony, usei até o 600 e não gostei, tanto pelo comportamento peculiar do texto e dos links quanto pelo contraste que é fraco, além de eu ter que ficar desviando do meu reflexo para poder ler.

2. iPad: para ler revistas e livros de fotografias. Imagino que para quem consome livros de arquitetura [por exemplo] não tem opção comparável. As telas e em e-ink são quase todas de mais ou menos 6 polegadas. Excelentes para texto, mas, pelo próprio tamanho, ficam devendo.

3. Lucidor [& Lucifox, sua extensão para o Firefox] é leve, multiplataforma e, na abertura do arquivos, aponta se tem algum problema [inclusive alguns que o epubcheck deixa passar] no epub.

4. Calibre: Também é multiplataforma e funciona como um gerenciador de biblioteca, mas que também faz conversões simples para os mais variados formatos.

5. Adobe Digital Editions: É a tecnologia do ADE que pauta a compatibilidade entre a maioria dos e-readers [embora isso esteja mudando com a emergência epub3]. É leve, simples e intuitivo.

Como você avalia a oferta de fornecedores para “conversão” em ePub? Eles são mais coders ou mais diagramadores?
Melhor do que era 1 ano atrás, mas longe do ideal. No geral são diagramadores com algum suporte de um webdesigner. O maior problema está na mentalidade. “Dá para fazer isso?” [por exemplo, utilizar a tipologia do impresso]. “Dá”. “É a melhor prática?” ou “O resultado compensa?”. “No geral, não.”

Considerando que você analisa e/ou produz códigos de e-books quase todos os dias há mais de um ano, quais dicas você daria aos diagramadores e aos coders? Quais os erros mais comuns que eles cometem?
O maiores problemas são com imagens, grandes e achatadas por código [por exemplo, uma imagem de capa de 1024×1280, que vai ser exibida assim, no código: height:35%; fora isso, o trabalho com as imagens é diferente, as telas ainda são, em sua maioria, monocromáticas, o contraste varia etc.
A tipologia também é um problema. Se não tiver jeito, se uma fonte precisa mesmo ser embutida ao arquivo, dois cuidados devem ser tomados: padronização do tamanho em “Em” e conversão do tipo para otf. Parece pouca coisa, mas, em termos gráficos, são as principais características que compõem uma edição. No mais, testar sempre no maior número de aparelhos e programas a fim de observar as diferentes maneiras como cada um interpreta e, o de praxe, ferramentas como o epubcheck, o validador do Sigil etc.

E quais os erros mais comuns que os editoriais cometem contra os fornecedores de ePubs?
Todos permeiam o mesmo tema: a busca por um e-book igual à edição impressa. São edições diferentes, que se comportam de maneira diversa entre si. A melhor maneira de entender o produto que estão vendendo é consumindo-o. Manipular edições digitais como usuário é a melhor prática de julgamento e o melhor exercício de entendimento. A falta de um manual de estilo [realista] para fornecedores também gera uma série de ruídos de comunicação e não permite ao fornecedor saber o que o se espera.

Quais tipos de arquivos podem ser “convertidos”? Você trabalha com quais softwares?
Qualquer arquivo digital pode ser convertido para epub da mesma maneira que um manuscrito pode tornar-se livro. Alguns formatos dão [muito] mais trabalho que outros. O indd é o mais comum, quase um padrão. Mas não vejo problemas em arquivos de outros tipos desde que os cuidados pós “conversão” sejam feitos. Pessoalmente acho infinitamente mais rápido e fácil trabalhar com doc/odt, o código fica mais limpo, o arquivo mais leve, e fácil de editar/acrescentar coisas.

Utilizo, basicamente o seguinte:

Para edição do arquivo já em epub uso o BlueFish* ou Sigil, dependendo do que é preciso fazer.

Para imagens: Gimp e Inkscape [para imagens svg, as quais dou preferência por não perderem resolução].

Para preparar o texto antes uso o LibreOffice + algumas extensões. No caso de o arquivo ter vindo de um pdf [acontece às vezes], MyTXTCleaner.

E, insisto, o maior número de visualizadores possível.

Quais as características de um e-book bonito?
Se você lê sem notar nada de errado é um bom sinal. Se o arquivo está leve, bem ordenado, de fácil leitura e bem “diagramado” [com imagens variando de acordo com a tela e respeitando as margens], se as notas não estão abrindo entrelinhas [e os links funcionando, uma vez que não é possível ficar folheando para procurar com a mesma facilidade que se tem em uma edição impressa], se está tudo bem padronizado [os espaços, as citações, os títulos] e funcionando mesmo quando o texto é redimensionado… em suma, tudo isso, quando passa imperceptível, causa boa impressão. Os erros é que saltam aos olhos e interrompem a fluidez da leitura.

Sei que você tem prestado consultoria para algumas empresas, mas, além de você e da Simplíssimo, o que mais há que trate do código? Que dica você daria para os estudantes que querem trabalhar com e-books no futuro? Estudem o quê? Onde? Como?
Acho que é uma questão de tempo que “e-books” tornem-se disciplina em produção editorial. Enquanto isso não acontece: xhtml, css e, fundamentalmente, as miudezas que envolvem o “design” de livros. Grosso modo, um diagramador webdesign tem 80% do que é necessário para dar conta de todo o processo.

Criar um blog offline é um exercício bom, embora o formato também tenha suas próprias peculiaridades… Os sites da wc3 e da idpf fornecem material abundante.

Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 28/06/2011

Cindy Leopoldo é graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela Universidade Federal Fluminense [UFF]. Trabalha em departamentos editoriais há 7 anos. Escreve quinzenalmente para o PublishNews, sempre às terças-feiras.
A coluna Making of trata do mundo que existe do lado de dentro das editoras. Mais especificamente, dentro de seus departamentos editoriais.

Meta… o quê?


Texto escrito por Camila Cabete | Publicado originalmente em PublishNews | 10/02/2011

Vamos começar com as definições: de acordo com Wikipedia “Metadados [DD ou Dicionário de dados], ou Metainformação, são dados sobre outros dados. Um item de um metadado pode dizer do que se trata aquele dado, geralmente uma informação inteligível por um computador. Os metadados facilitam o entendimento dos relacionamentos e a utilidade das informações dos dados.” [não falei que este povo de TI gosta de complicar?]

Esta coluna é sobre o mercado editorial digital, então você pode se perguntar: “o que metadado [em inglês, metadata] tem a ver com isso?”

Soube, através de experientes editores, que havia um tipo de “marketing de balcão”, em que eles começaram a aumentar os tamanhos dos livros para que, no balcão das livrarias, suas obras tapassem os de formatos menores. “Esconder a concorrência” surtiu um efeito nas vendas, pois os menores livros ficavam no fundo e o leitor tinha acesso primeiro aos de capa maior.

Um livro digital é um arquivo, colocado em determinados sistemas para distribuição, e será encontrado via buscas e links na Web. O metadado é colocado no livro na hora da conversão. A importância do metadado é parecida com a importância dos tamanhos dos livros impressos que acabei de descrever: um livro com metadado incompleto é um livro no fundo do balcão, escondido atrás das prateleiras e só por acaso um leitor chegará à ele. Ao se fechar o arquivo, é muito importante colocar todas as informações possíveis sobre a obra: autor, título, sinopse, editora, ISBN, língua, país, CDD…

Como saber que um livro digital não possui metadado completo? Geralmente o nome de exibição aparece truncado e errado, ao clicar e ver as propriedades do arquivo, elas estarão em branco… E o pior: numa busca via Web a obra não será encontrada. Para que isso não aconteça, existem formas simples de preencher metadados de PDF, com programas específicos, no InDesign na hora da conversão dos arquivos, e no próprio arquivo do ePub [este um pouco mais complicado, mas nada impossível, pois é necessário descompactar o arquivo e abrir um xml para editá-lo – o content.opf].

Algumas livrarias, como viram que não possuiriam informações suficientes nos arquivos, pois o preenchimento destes não faz parte da rotina das editoras, dispuseram uma tabela [Excel ou via web] na hora de cadastrar as obras digitais para a venda. Tudo o que preenchessem estaria linkado ao livro e ajudaria os leitores e internautas a encontrarem um caminho que levasse até ele. É de extrema importância que preencham tudo o que for possível, mas foi com grande surpresa que, trabalhando em uma livraria digital, descobri que as editoras não têm esse hábito. A equipe de desenvolvedores e administradores do site [coitados] penam buscando as informações de livros e, ainda assim, não fica completo como deveria, se fosse preenchido pelo editor.

As tags também são de extrema importância! Definição: “uma tag, ou em português etiqueta, é uma palavra-chave [relevante] ou termo associado com uma informação [ex: uma imagem, um artigo, um vídeo] que o descreve e permite uma classificação da informação baseada em palavras-chave. [Fonte: também a Wikipedia]”

Por exemplo: se eu for lançar uma obra de literatura infanto-juvenil, como foi o caso da Caki Books com o livro A Terra do Contrário [olha o jabá aí, minha gente!], quais tags deveria colocar [geralmente as livrarias têm este campo para ser preenchido no ato do cadastro da obra – key words]? Colocamos: infantil, juvenil, terra, contrário, autor, editora, ilustrador, mp3, pdf, avesso, literatura, brasileira e por aí vai… Isso facilitará na indexação de sua obra nas buscas pela internet. A Amazon que o diga! A livraria digital do Kindle é tão grande por conta também de seus metadados. Lá, cada produto é tão bem descrito e tão bem indexado na Web, que tudo o que buscar acabará caindo em sua página. Se ainda não tinha reparado nisso, dê uma olhada e compare com os sites brasileiros.

Publicar um livro sem metadado é ter um filho e não dar nome ao coitadinho. Mas isso não me explicaram antes… Só fui aprender de verdade trabalhando na livraria digital e vivenciando os ataques de histeria dos meus queridos amigos desenvolvedores [hihi, eles vão me matar por escrever isso aqui].

Quanto à pergunta do início do post [“o que metadado tem a ver com mercado editorial digital?”] a resposta é simples – e agora acredito que você, leitor, também concorda comigo – TUDO A VER!

Falamos do ato de classificar e mostrar suas obras convertidas para o digital [mas por favor, leiam englobando também suas obras impressas e tudo o que comercializarem ou divulgarem via Web]. No próximo post falaremos sobre a entrada dos livros digitais no mercado e sobre minha experiência como Editora na comercialização do meu acervo em diversas plataformas. Gostaria de pedir que enviassem dúvidas e sugestões via Twitter e Facebook. Não quero ficar falando sozinha por aqui. Combinado?

Links relacionados ao assunto:

http://radar.oreilly.com/2011/01/metadata-digital-publishing.html

http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI4921425-EI12884,00-Adobe+apresenta+novidades+em+aplicativos.html

http://www.amazon.com/Saca-Rolhas-Repristina%C3%A7%C3%B5es-Apopl%C3%A9cticas-Portuguese-ebook/dp/B004HYHO0E/ref=sr_1_1?ie=UTF8&m=AGFP5ZROMRZFO&s=digital-text&qid=1296579709&sr=1-1

http://pt.wikipedia.org/wiki/Metadado
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tag_(metadata)

Texto escrito por Camila Cabete | Publicado originalmente em PublishNews | 10/02/2011

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Agradecimentos: @souzalaura pela revisão e sugestão, @sicurow pela ilustração e @batdanielfosco pelo link da O’Reilly.

Macworld 2011: empresa aposta em publicações digitais


Plug-in para InDesign da Aquafadas pode ajudar quem quer ter suas revistas no iPad | Foto: Sérgio Miranda/Geek

Quando foi apresentado há um ano atrás, o iPad logo de cara se mostrou como uma grande alterativa para o mercado de revistas e jornais, que sempre foram reticentes em partir para o modelo digital. Porém, demorou um pouco, mesmo depois do lançamento oficial em abril, para que os editores conseguissem encontrar uma maneira de formatar suas publicações para o novo meio.

A Aquafadas, que já há algum tempo trabalha com a criação de quadrinhos digitais, resolveu também mostrar uma solução interessante para o mercado editorial. O conceito se basea em um plug-in para o InDesign [software de edição de páginas da Adobe], com diversas ferramentas para poder criar conteúdo para o iPad, desde slideshows até incusão de vídeo entre outras.

Além do plug-in, a Aquafadas também irá oferecer um serviço para montar o aplicativo final que será vendido na App Store, ajudando a finalizar o processo para que o editor não precise conhecer nenhuma linha de código.

Ainda não formatamos o preço, pois estamos estudando valores que possam antender desde uma editora com publicações grandes, de mais de 100 páginas, como também pequenas empresas interessadas em montar newsletters ou revistas mais modestas“, e xplicou o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Aquafadas, Matthieu Kopp. Segundo ele, o plug-in será gratuito, apenas o serviço de criação do aplicativo será pago. O lançamento destas ferramentas será entre março e abril de 2011.

POR SÉRGIO MIRANDA | Direto de São Francisco, EUA | Portal Terra | 31 de janeiro de 2011 • 12h24