Brasil pode ganhar mais uma empresa de Print on Demand em 2016


Bibliomanager, aliança de editores internacionais para criar uma plataforma de impressão por demanda, mira no Brasil

Alejandro Zenker [Solar Editores], Gustavo Vorobechick [Bibliografika] e Miguel Angel Sánchez Maza [Podiprint] na apresentação da Bibliomanager na Feira do Livro de Guadalajara | © Podiprint

Alejandro Zenker [Solar Editores], Gustavo Vorobechick [Bibliografika] e Miguel Angel Sánchez Maza [Podiprint] na apresentação da Bibliomanager na Feira do Livro de Guadalajara | © Podiprint

Em 2015, o mercado brasileiro assistiu a um renascer da Impressão sob demanda. O espaço deixado pela Singular, gráfica do grupo Ediouro que começou o negócio no Brasil, foi ocupado pela iSupply, que começou as suas operações em março, e pela BookPartners, que começou pilotos para início das operações de POD [da sigla em inglês Print on demand]. Durante a Feira do Livro de Guadalajara, que acabou no início desse mês, representantes da Bibliomanager, aliança internacional de editoras do México, Espanha, Argentina, Colômbia e Equador, anunciaram que vão investir em POD para atender a mercados da América Latina, incluindo o Brasil. A notícia foi dada pelo Publishing Perspectives. Ao veículo, Jaime Iván Hurtado, CEO da editora colombiana Hipertexto, uma das integrantes da Bibliomanager, disse: “em 2016, nós planejamos entrar no Chile, Peru e Bolívia e então, no Brasil. Nosso objetivo é também entrar no mercado hispânico dos EUA, que tem 54 milhões de falantes da língua espanhola. Esse é o nosso objetivo a médio prazo”. Atualmente, a Bibliomanager é composta, além da Hipertexto comandada por Iván, pela mexicana Solar Editores, a espanhola Podiprint, a argentina Bibliografika e equatoriana Megadocucentro.

Por Leonardo Neto e Monique Sampaio | PublishNews | 17/12/20

Pequenos editores se beneficiam com mudanças na indústria


O crescimento das tecnologias de publicação digital, a crescente popularidade de e-books e a flexibilidade de impressão sob demanda têm trazido grandes oportunidades para o negócio de pequenas editoras montadas em casa mesmo. Philip Dauncey, que já trabalhou em editoras infantis, ganhou experiência em todos os aspectos do negócio: desde a produção até as vendas. Ele decidiu usar esses conhecimentos e experiências para criar uma editora em sua própria casa, um empreendimento de baixas despesas e potencial para um salário comparado ao que tinha antes. Em 2012, ele lançou a Really Decent Books. Nesse mesmo ano, ele foi a Frankfurt com doze títulos e vendeu direitos para traduções em português, italiano, línguas africanas e hebraica. Hoje a sua editora tem cerca de 50 títulos e publica de 20 a 25 títulos por ano.

Por Alison Coleman | The Guardian | 18/03/2014

Edição digital – outros lados de várias moedas


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 20/08/2013

Normalmente a edição digital está associada aos e-books e e-readers. Mas não é tão simples assim. Já mencionei que o uso de formatos digitais pelas editoras do segmento técnico-científico está próxima de comemorar seu vigésimo aniversário.

Na área dos tradicionais livros impressos, os processos gráficos passaram, nos últimos anos, por transformações igualmente grandes e significativas. Aliás, as transformações técnicas dos processos de impressão têm impactos diretos na quantidade e na qualidade dos livros tradicionais ofertados. A mais recente dessas transformações é a da impressão digital.

A eletrofotografia [reprodução por meios eletrostáticos de um original, foto ou texto], desenvolvida pela Xerox, no final nos anos 1950, foi onde tudo começou. Anos depois a Xerox fundou o PARC – Palo Alto Research Center, matriz de inúmeras inovações tecnológicas na área da reprodução [impressoras a jato de tinta e laser], e dos computadores pessoais.

A chamada “xerografia”, como ficou popularmente conhecida, com máquinas cada vez mais complexas, desembocou nos anos 1990 na DocuTech, uma máquina apresentada como a primeira “fábrica de livros”, que imprimia página por página um original, compaginava e apresentava na ponta o miolo do livro, pronto para ser encadernado. A DocuTech foi o primeiro sistema integrado de impressão sob demanda.

Muita água rolou por baixo dessa ponte, e a Xerox há muito deixou de ser quase monopólio de copiadoras e impressoras. Várias empresas entraram no mercado, seja nas impressoras domésticas, máquinas copiadoras ou impressoras de grande porte. Nos últimos anos, os processos de impressões sob demanda [POD, em inglês] vêm assumindo importância crescente. No mercado global de impressões, a impressão digital chega a apenas 4% do total de impressos produzidos, mas o crescimento é contínuo e rápido, segundo Maurício Ferreira, gerente do segmento Indigo & Inkjet Web Press da Hewlett Packard.

Semana passada, assisti como convidado a uma apresentação sobre impressão digital promovida pela HP. Foi um evento direcionado particularmente para o mercado de livros didáticos. Hoje há máquinas capazes de competir com rotativas offset, e com uma vantagem adicional: a capacidade de produzir livros praticamente individualizados. Ou seja, o conteúdo adaptado para um único consumidor/leitor/estudante.

Uma das apresentações mais interessantes do evento foi feita por Allen C. Schulz, que trabalhou 33 anos na McGraw-Hill, onde foi um dos principais arquitetos e desenvolvedores do segmento de livros personalizados, impressos sob demanda.

Acompanho as experiências da McGraw-Hill há vários anos. A empresa foi pioneira na adoção do POD, reduzindo drasticamente estoques. Segundo Schulz, foi também pioneira na produção de livros didáticos customizados, já nos anos 1980. O processo de composição e preparação de originais utilizava a linguagem Postscript, de difícil uso para os propósitos pretendidos.

No entanto, segundo Schulz, o processo valia a pena pela diminuição dos estoques [os livros eram produzidos em tiragens específicas para cada grupo de consumidores], e diminuição do mercado de livros escolares usados. O que aqui acontece de modo quase amador, com os colégios e faculdades fazendo feirinhas nas quais os alunos repassam para os colegas mais novos os livros usados no ano anterior, nos EUA já era um negócio estruturado, com empresas especializadas na compra dos usados, limpeza e recondicionamento e venda.

Nos anos 1990, passam a ser usadas pela McGraw-Hill as suítes Adobe Acrobat e Adobe Creative, de uso bem mais fácil, padronizando os processos. Nessa época também foram instituídas as primeiras bibliotecas digitais de conteúdo. Nessas bibliotecas, os conteúdos dos livros publicados pela McGraw-Hill podiam ser “fatiados” em capítulos, e os próprios professores montavam o conteúdo dos livros adotados. Era uma “pasta do professor” impressa, legalizada e vendida na livraria da universidade. Os próprios professores foram estimulados a produzir material digital que pudesse ser incorporado aos livros [licenciado e remunerado]. Os processos gráficos foram sendo desenvolvidos a partir de uma parceria da editora com a HP e gráficas.

A partir do início do novo século começaram a testar impressoras ink-jet para a produção dos livros. Mais importante ainda, a formatação do material passou a ser em XML, a matriz de praticamente todas as linguagens de formatação gráfica existentes hoje, permitindo uma flexibilidade anteriormente mais difícil.

A associação entre a McGraw-Hill e a HP se desenvolveu em outros segmentos. A editora decidiu transferir todos seus processos de produção e pré-impressão para a Índia. A medida, entretanto, se desenvolveu com uma política estrita de imposição de qualidade e preço. É um processo comum, na situação em que uma grande empresa alcança um tamanho capaz de impor condições estritas aos fornecedores. Ou seja, não é nem privilégio nem foi invenção da Amazon, e muitas outras empresas que alcançam esse nível de controle da produção sistematicamente impõem padrões e preços. Também não é privilégio das empresas. Um exemplo parecido é a que o FNDE impõe aos editores no fornecimento dos livros didáticos aqui.

A introdução da impressão digital, com sua grande flexibilidade, permite a elaboração de conteúdos que podem ser produzidos para atender especificações dirigidas até o consumidor individual. Conjuntos de livros para classes e cursos específicos já são rotina.

Mas a impressão digital provocou outras mudanças importantes. O ajuste da oferta à demanda, por exemplo. Anteriormente, os editores tinham que calcular [com base na sua experiência, cada vez mais sofisticada, é claro], qual deveria ser a tiragem de cada título. A impressão sob demanda deixa de lado essa exigência. Não apenas podem fabricar livros individualizados, como cada tiragem é ajustada perfeitamente à demanda. Portanto, há uma menor dependência na previsão de produção.

Outro aspecto importante é o da redução dos estoques. E a redução dos estoques aliada aos processos de impressão digital, produz outros dois efeitos de grande importância na economia da editora. O primeiro é a eliminação do “mercado secundário” dos livros usados. Porém, ainda mais importante, é o processo de “obsolescência programada” das edições. Na medida em que os livros são produzidos para cada classe [ou pelo menos para cada curso], e modificados facilmente de um ano para o outro com o uso desses enormes “bancos de dados”/bibliotecas digitais de conteúdo, além das notas e contribuições de professores, os livros usados por uma turma são inaproveitáveis para as turmas seguintes. O que, evidentemente, é ótimo para a editora, e péssimo do ponto de vista social. Não existe mais o reaproveitamento do livro usado.

Os processos de “montagem” de conteúdo e impressão em pequenas tiragens permitem também o desenvolvimento de mercado de nichos, ou o teste de conteúdos em nichos específicos e de modo controlado.

Finalmente, o desenvolvimento de facilidades locais para impressão digital proporcionou ainda outra economia em logística. Quanto mais próxima estiver a gráfica digital do consumidor final, menor será o custo de transporte. Recentemente as grandes transportadoras dos EUA tiveram que refazer cálculos de produtividade e ocupação com a proliferação dos armazéns da Amazon. Como o frete é cobrado por faixas de distância calculadas em um raio a partir do ponto de recolhimento, a produção localizada começa a afetar o uso do transporte terrestre.

Essas modificações no sistema de produção gráfica e editorial, decorrentes da introdução de sistemas digitais em uma extensão cada vez maior, ocorre, evidentemente, fora dos olhos do consumidor final. O livro tradicional, impresso, também se transforma com os avanços tecnológicos.

Essas considerações aqui são feitas levando em conta o segmento dos livros didáticos [em todos os níveis de ensino, em maior ou menor grau]. No Brasil ainda estamos bem longe da sofisticação tecnológica dos EUA. Até porque, é bom não esquecer, o maior volume na produção de livros didáticos é o comprado pelos programas governamentais. Segundo informações da Abrelivros [dadas por Antonio Luiz Rios, vice-presidente da entidade no evento da HP], os programas governamentais absorvem 80% da produção, mas geram apenas 50% do faturamento das editoras do setor. Os 20% absorvidos pelo mercado geram a outra metade do faturamento, e essa faixa poderá ser melhor explorada com a sofisticação da produção de conteúdo.

Além do setor tradicional das editoras didáticas, os chamados sistemas de ensino também crescem [e quase todas as editoras também têm sistemas]. Nessa área pode haver um aumento consistente no uso desses processos digitais.

Algumas instituições de ensino superior já usam modelos parecidos. Há universidades particulares que, para alguns cursos, incluem no preço da anuidade o custo do material didático desenhado especialmente, entregue aos alunos. E a ABDR, em uma encabulada retirada da mania persecutória das reprografias, lançou a “Pasta do professor”, uma fórmula que era usada há quase trinta anos pela McGraw-Hill e outras editoras de livros técnico-científicos e universitários dos EUA.

O impacto da impressão sob demanda na área dos livros de interesse geral é outro capítulo, que tentarei abordar melhor em outra ocasião.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 20/08/2013

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Impressão digital, impressão sob demanda. Perspectivas e impasses


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 17/07/2012

Assisti mês passado à II Conferência Internacional de Impressão Digital, promovida pelo Grupo Empresarial de Impressão Digital – GEDIGI, da ABIGRAF, para entender um pouco mais dessas questões, que há muito me chamam atenção.

E me chamam atenção por várias razões. A impressão sob demanda [POD, na sigla em inglês] vem sendo utilizada já há tempos pela indústria editorial dos EUA, como meio de reduzir estoques e melhorar as condições de logística. Os processos de editoração eletrônica permitem que a transição entre a impressão tradicional e a impressão digital sejam extremamente facilitada. E mais, esses processos de editoração são fundamentais para o aumento rápido da oferta de e-books naquele mercado.

A Amazon, por sua vez, impulsionou ainda mais esse processo com sua parceria com a Lightning Source, divisão da Ingram, que é uma das maiores distribuidoras de livros impressos dos EUA. Quando se faz um pedido à Amazon, o sistema informatizado automaticamente busca o livro no estoque da livraria, no estoque da Ingram, no estoque da editora e como POD, se o livro estiver disponível nesse sistema. O meio mais rápido é o usado para garantir a entrega do livro ao cliente no prazo mais curto.

Por sua vez, a impressão digital – combinada com o livro eletrônico – deu um extraordinário impulso à autopublicação. Editoras como a Lulu permitiram a autopublicação de simplesmente centenas de milhares de títulos, com tiragens entre alguns exemplares a vários milhares. Alguns autores viraram sucesso e foram contratados pelas editoras mainstream [evidentemente esses são divulgados, os que não conseguem sucesso permanecem no anonimato de sempre].

No Brasil, entretanto, percebo que esse processo se dá a uma velocidade muito menor. A minha ida ao congresso, portanto, era a busca de algumas respostas para a razão pela qual isso acontece aqui.

Não consegui todas as respostas que queria. Mas algumas foram proporcionadas pela palestra do Hamilton Terni Costa que reproduzo integralmente aqui. Hamilton é um dos profissionais mais qualificados do setor gráfico, com uma carreira que inclui experiências com a Melhoramentos [gráfica], com a Donelly e outras importantes empresas da área. Hoje é sócio de uma consultoria. Depois do Congresso troquei alguns e-mails com o Hamilton, complementando informações.

Hamilton informou, em sua palestra, que a impressão de livros é a que teve maior expansão entre as dez maiores aplicações de impressão digital nos EUA, com mais de 48,8 bilhões de páginas impressas a mais entre 2010 e 2011, alcançando um total de perto de cem bilhões de páginas impressas. Como aplicação da impressão digital, só perde para a mala direta, que passa dos cem bilhões. O segmento “conteúdo” – majoritariamente livros, do mercado de impressão digital brasileiro – corresponde a 19% de um total de R$ 1,7 bilhão, ou aproximadamente R$ 323 milhões em 2010. Nada insignificante, mas bem longe do que poderia ser.

Uma parcela bem significativa da produção de livros POD no Brasil [assim como nos EUA] é proveniente da autopublicação. As grandes gráficas já incorporaram equipamentos de impressão digital em suas linhas de produção, mas o uso desses equipamentos para produtos editoriais ainda é relativamente pequeno.

O aumento da autopublicação é medido principalmente pelo número de ISBNs solicitados. A Bowker, que administra o ISBN dos EUA, registrou quase 1,2 milhão de solicitações para ISBN de títulos autopublicados nos EUA em 2011. Isso corresponde a quase quatro vezes o número de registros para publicações “tradicionais”, incluindo reedições.

Esse é um mercado em rápido crescimento também aqui no Brasil. A Alpha Graphics, uma multinacional do setor, através da AGBook em associação com uma empresa chamada Clube de Autores já tem um catálogo de quase vinte mil títulos publicados, com esquema de comercialização através dos dois sites [têm conteúdo praticamente idênticos]. O Clube dos Autores é uma iniciativa do i-Group, especializada em planejamento estratégico digital, com a A2C, uma agência de publicidade. É um modelo idêntico ao da Lulu.com e similares.

Scortecci, uma editora de publicação de autores independentes, já editou cerca de sete mil títulos em primeira edição e mostra um catálogo de 2.750 títulos em seus vários selos, e sua Fábrica de Livros este ano já publicou 316 títulos, projetando 632 títulos até o final do ano. Ao contrário do Clube de Autores, a Scortecci define tiragens mínimas com preços preestabelecidos de produção e preço de capa.

Esses são apenas dois exemplos de empresas que atuam no mercado brasileiro. Existem muitas outras editoras que produzem livros pelo sistema POD, acoplados ou não a versões digitais [epub, mobi ou pdf], como se pode comprovar pelo Google. A maioria absoluta, entretanto, está localizada nos estados do sudeste e sul.

O que me intrigava e continua intrigando, entretanto, é o baixo índice de aproveitamento de impressões por demanda como modo de diminuir as questões de logística da distribuição. Como mencionei no começo do artigo, esse sistema já é amplamente usado nos EUA, não apenas para atender à demanda da Amazon, mas também para suprir o mercado de livrarias tradicionais. Não é à toa que a Ingram e a Lightning Source se expandem com rapidez, assim como outros sistemas gráficos. E sabemos que os custos e a infraestrutura de transporte são muitíssimo mais eficientes por lá do que aqui.

Entretanto, é mais fácil ver algumas editoras de grande porte [especialmente as do setor didático] anunciando a criação de centros de distribuição no Nordeste que notícias sobre o uso de POD para ajudar nesse processo.

Note-se que nos principais modelos de aquisição de livros pelo governo [PNLD, PNLEM, PNBE], o custo maior de logística fica por conta do governo. As editoras entregam em bloco para os Correios, em lotes devidamente etiquetados e separados por um programa desenvolvido pelo FNDE, e é essa instituição que negocia e paga os custos do transporte para todas as escolas públicas do país. Talvez por aí se encontre um indício de explicação: o maior custo, que seria o da distribuição de livros escolares para a rede pública, não afeta as editoras. E esse é uma parcela muito grande do negócio dessas editoras.

Na troca de e-mails com Hamilton, depois do Congresso de Impressão Digital, ele me informou que, depois de sua palestra, foi procurado por uma empresa que estava interessada na formação de uma rede de gráficas em nível nacional para fazer esse atendimento. “Achei interessante encontrar empresários já pensando nessa viabilização, algo essencial em um país continental como o nosso”, disse Hamilton.

A questão da responsabilidade de baixar o custo da distribuição do livro sob demanda é tanto do editor quanto da gráfica, mas primordialmente das gráficas. E nisso reside uma excelente oportunidade de mercado para elas”, afirmou Hamilton, em outro trecho.

A próxima chegada da Amazon ao mercado brasileiro, e a possibilidade de que entre também no negócio da venda de livros impressos, pode ser um fator que provoque uma evolução rápida desse quadro. Com sua experiência, a gigante americana pode se esforçar para induzir editoras e gráficas a usarem de modo mais amplo a impressão sob demanda.

O fato da maior produção e o maior consumo de livros do Brasil se concentrarem principalmente nas regiões sudeste e sul ajuda também a explicar essa situação. Mas, ao desconsiderar a possibilidade de diminuir os custos de logística, as editoras desprezam meios para efetivamente reduzir custos e, consequentemente, diminuir o preço dos livros ou melhorar sua rentabilidade.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 17/07/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Antes que o fogo queime: desafios da chegada da Amazon no Brasil


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 03/04/2012

A chegada da Amazon no Brasil, que vem sendo cozinhada desde o começo do ano, com negociações entre os representantes da empresa de Seattle e editoras brasileiras e anúncio [informal] de algumas iniciativas, como a venda do Kindle por R$ 199,00, certamente terá um impacto significativo no mercado editorial brasileiro, tal como aconteceu em outros países.

Ainda não se sabe com certeza se a Amazon vai se limitar inicialmente à venda de livros eletrônicos [e também se já incluirá outros produtos entregues via web, como músicas e filmes] ou se também irá incluir os livros impressos, adquiridos on-line e entregues pelo correio ou porcourriers. A conhecida secretividade da empresa contribui para especulações, inclusive sobre a quantidade de editoras que já assinaram contratos com ela.

Recentemente Mike Shatzkin publicou alguns posts muito interessantes sobre a trajetória da empresa, procurando responder, basicamente, a duas perguntas: a] Quando vai terminar de crescer a parcela da Amazon no comércio de livros [nos EUA]? E b] Quem vai sobrar? Um terceiro post, igualmente importante, trata do impacto da iniciativa do site Pottermore, da J.K. Rowling, que vende seus livros sem DRM [Digital Rights Manager] e, desse modo, elimina a questão da interoperabilidade dos e-readers. Nesse último caso, além do mais, a autora do Harry Potter conseguiu o que alguns achavam impossível: o tráfego é feito através do site da empresa, encaminhado pela Amazon ou por qualquer outro varejista eletrônico. Ou seja, não é preciso estar no ecossistema “amazonian” para adquirir o livro.

Vou tentar resumir as questões do Shatzkin, evidentemente centradas no mercado dos EUA, para depois fazer observações sobre o impacto em nosso mercado.

Shatzkin enfatiza o fato de que a estratégia de começar o negócio pela venda de livros foi basicamente a de ter uma ferramenta de aquisição de clientes, e não um fim em si mesmo. Trabalhando com o estoque das editoras, da Ingram e da Baker & Taylor, a Amazon aperfeiçoou a “experiência do cliente” a um nível não alcançado antes, e “enganchou” uma base formidável de compradores para todos os demais produtos que foi paulatinamente oferecendo. Contou com a fartura de recursos proporcionada pela primeira “bolha” da Internet, mas soube aproveitá-la bem – aliás, com extrema competência.

As editoras ficaram felizes da vida com mais esse varejista, que foi paulatinamente aumentando sua participação de mercado. Quando lançou o Kindle, a posição da Amazon já era forte o suficiente para impor ao conjunto das editoras seus termos de venda dos livros eletrônicos. E aí a coisa começou a complicar. Naquela ocasião já se percebia que a Amazon estava não apenas sufocando as livrarias independentes, mas também prejudicando as grandes cadeias, como o falecimento recente da Borders e outras movimentações no mercado americano estão confirmando.

A Amazon usou amplamente as vantagens de armazenamento, distribuição e POD [printing on demand] das grandes distribuidora. A Ingram tentou, em 2007, estender as facilidades dos mecanismos de venda on-line para outros varejistas, e lançou um projeto chamado I2S2, que era uma plataforma similar à que oferecia à Amazon, para os outros. A Amazon, nessa ocasião, teve peso suficiente para fazer o projeto abortar, e seus concorrentes não dispuseram dessa ferramenta.

O lançamento do Kindle reforçou a estratégia da Amazon de modo exponencial. De fato, a empresa praticamente criou um enorme mercado a partir do que era apenas incipiente [o leitor da Sony não tinha conteúdo suficiente para oferecer]. Aumentou sua base de clientes e o poder de fogo da empresa. Acredito que o mesmo possa acontecer similarmente aqui: o Kindle a R$ 199,00 vai forçar todos a se mexerem. A Positivo está fazendo um esforço – via grupos de compra – para testar preços mais baratos para seu leitor, mas não se sabe se terá fôlego e recursos para aguentar esse tipo de concorrência.

A Amazon usa com extrema agressividade e eficiência sua política de preços na ação dupla de “enganchar” os clientes, envolvendo-os em seu ecossistema, e pressionar as editoras por margens maiores. Sem nenhuma dúvida fará isso no Brasil.

Se resolver entrar de imediato na venda de livros impressos, a Amazon enfrentará aqui algumas dificuldades que não encontrou em outros lugares, e a principal é a da logística. A precariedade da nossa distribuição é conhecida e não merece comentários adicionais; o POD, que é amplamente usado nos EUA, [inclusive para diminuir os custos de logística] também é precário por aqui. Mas já existe uma estrutura montada, que a Amazon pode aproveitar [Correios e courriers]. Aí é questão de fôlego financeiro para equacionar o problema e oferecer um serviço tão bom ou melhor do que o oferecido pelas cadeias de livraria existentes.

Um fator de dificuldade para o fortalecimento da Amazon no mercado brasileiro é o das compras governamentais, extremamente significativas para o setor de livros educacionais e cada vez maiores para a literatura, também. Como as negociações da Amazon são todas feitas com exigência de confidencialidade, é difícil saber os detalhes. Mas um dos pontos do modelo que ela vem oferecendo para as editoras brasileiras é que estas não poderiam oferecer condições melhores de venda e preço para outros clientes. Quem vende para o governo vai aceitar isso? Se aceitar, pode ter certeza que a Amazon vai usar essa cláusula para exigir as mesmas condições que o FNDE tem para suas compras. Vai ser hilário…

Outro panorama aventado por Mike Shatzkin para o crescimento da Amazon no mercado internacional é o do crescimento de seu braço editorial. Atualmente a “editora” Amazon é insignificante, comparada com as tradicionais. Mas a contratação do veterano Kirschbaum para dirigi-la mostra um empenho em fazer isso crescer. Por enquanto, ainda não conseguiu atrair grandes autores, a exceção conhecida sendo o Deepak Chopra. Mas e se contratarem grandes nomes da ficção e começarem a lançar as traduções diretamente nos mercados onde tem presença, como na Espanha, na França, e no Brasil?

Shatzkin assinala – já em uma resposta a um comentário ao seu post – que o avanço da Amazon nos outros mercados pode ser controlado por legislação local de preços.

Ou seja, o chamado “preço fixo” pode vir a ser uma defesa contra os ímpetos monopolistas da Amazon. A chegada dessa empresa pode até modificar a opinião sobre o assunto por parte das grandes editoras, até hoje refratárias à ideia, e também das cadeias, que usam a liberdade de preços para fazer, em menor escala, o que a própria Amazon faz. Duvido que tenham fôlego para aguentar a capacidade de fogo de descontos da Amazon…

O último post de Shatzkin comenta a iniciativa da J. K. Rowling, de vender as versões de e-books do Harry Potter sem o DRM. Ele assinala que em janeiro, no encontro do Digital Book World, Matteo Berlucchi, da Anobii [um varejista baseado no Reino Unido que é parcialmente de propriedade de três grandes editoras] declarou que só com a eliminação do DRM ele poderia vender para os proprietários do Kindle. Shatzkin chama a apresentação de “presciente” e congratula Charlie Redmayne, o CEO da Pottermore, por ter coragem de provar que isso é possível. A alternativa do Pottermore é uma espécie de “marca d’água” eletrônica incrustrada na cópia vendida, que apenas identifica quem a adquiriu. Diga-se que tanto o DRM quando essa “marca d’água” são possíveis graças ao desenvolvimento do DOI – Digital Object Identifier, programa patrocinado pelas grandes editoras, com o apoio da Associação Internacional de Editores, e desenvolvido em meados dos anos 1990.

Evidentemente todas essas questões estão sendo consideradas pelas grandes editoras brasileiras. Mas nada que passe pela coordenação das entidades do setor [CBL, SNEL, ABRELIVROS], e muito menos pelas redes de livraria. Espero que todos se lembrem das observações do filósofo e economista alemão do século XIX que assinalava o caráter extremamente predador das empresas capitalistas atuando em um mercado “livre”: o capitalismo sobrevive e cresce depois das crises, mas as crises chegam inevitavelmente e resultam em concentração e diminuição da concorrência. O impulso monopolista da Amazon é irrefreável se for enfrentado por cada empresa isoladamente. Assim, que não esperem que o fogo esteja lhes lambendo para que comecem a pensar em soluções legais e institucionalizadas que possam evitar o rumo monopolista que a Amazon costuma imprimir à sua atuação.

Uma última e singela observação: as disputas acerca das práticas da Amazon chegaram ao campo judicial e político nos EUA. Em um primeiro nível, a ação contra o modelo de “agenciamento” que as grandes editoras conseguiram impor depois da chegada da Apple no mercado, em plena evolução. A outra é a denúncia de que a Amazon só dá dinheiro para os Republicanos, o que é complicado lá no bipartidarismo deles. O site do San Francisco Chronicle  publicou matéria sobre o assunto, já em 2005. De lá para cá, ao que parece, piorou.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 03/04/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

KindleBookBr promove lançamento coletivo


Editora apresenta hoje 25 livros que poderão ser adquiridos em formato e-book ou impressos sob demanda

A KindleBookBr [KBR], com o apoio da Singular, realiza nesta sexta-feira, dia 27, às 19h30, a primeira edição da “Farra do POD”. Trata-se de um lançamento coletivo de 25 obras nas versões digital ou para impressão sob demanda que contará com a presença de pelo menos a metade dos autores. O evento acontece na Livraria da Travessa do Shopping Leblon [Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Loja 205 – Leblon – Rio de Janeiro/RJ]. No segundo semestre a “Farra” se associa à Livraria Cultura em sete capitais [São Paulo, Recife, Fortaleza, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre] e promove seu primeiro book tour coletivo de autores. Entre os lançamentos estão Avelã Pirata, de Simone Magno; Histórias possíveis, de André de Leones, Lucia Bettencourt e outros; Joana a contragosto, de Marcelo Mirisola, e Dança ritual urbana, de Erwin Maack.

Relação dos livros e autores

  • A escritora – Ethel Kacowicz
  • A Transilvânia é o Catete – Ricardo Hofstetter
  • A volta da mulher barbuda – Carlos H. Peixoto
  • Avelã pirata – Simone Magno
  • Contocrônicas, umas tantas – Jacob B. Goldemberg
  • Dança ritual urbana – Erwin Maack
  • Domingo, o jogo – Cassia Cassitas
  • Estrela brasileira – Claudia Vasconcelos
  • Equilíbrio – Flavia Mariano
  • Histórias possíveis – André de Leones, Lucia Bettencourt e outros
  • Hoje não quero chorar – Noga Sklar
  • Joana a contragosto – Marcelo Mirisola
  • Juntos no paraíso – Victor Almeida
  • Jurisdição do Real x Processo Penal – Alexandre Morais da Rosa
  • Luau americano– Noga Sklar
  • Navegar é preciso – Esther Frankel
  • Nuvem de Pó – Priscila Ferraz
  • O rabino e o psicanalista – Rosane Chonchol
  • O reencarnado – Eduardo Borsato
  • Poética da episteme-arte – Adão Vieira de Faria e Lilian de Faria Gomes
  • Sacerdotisa – Vera Carvalho Assumpção
  • Samba-canção – Eduardo Borsato
  • Tem uma coisa sobre mim que acho certo você saber – Eduardo Haak
  • Tzadik – Alan Sklar
  • Um Kindle pra chamar de meu – Noga Sklar

PublishNews | 27/05/2011

Bloomsburry lança novo selo digital para títulos fora de catálogo


A Bloomsburry [casa editorial de Harry Potter na Inglaterra] vai voltar a publicar, agora em e-book, 500 títulos que estavam fora de catálogo, de autores como Alan Clark, Edith Sitwell e Bernice Rubens, a partir de setembro, com o lançamento de um novo selo: o Bloomsburry Reader, que será dirigido pela diretora de mídia digital Stephanie Duncan. O novo selo publicará títulos atualmente indisponíveis no formato impresso, cujos direitos autorais para publicação em inglês retornaram para os autores. Os livros serão produzidos em formato e-book ou POD, “com preços acessíveis e na mais alta qualidade”, afirmou Stephanie. Ela disse ao The Guardian: “Com o crescimento do mercado digital, estamos descobrindo que as pessoas querem redescobrir autores que estão fora de catálogo. Ou, que elas leem um livro e depois querem ler tudo que um escritor produziu.

Por Graeme Neil | The Bookseller | 26/05/2011

De Frankfurt: o mundo está ficando menor


Mike Shatzkin

No final de mais uma Feira de Livros de Frankfurt – minha trigésima alguma coisa – aqui vai uma coisa que eu já sabia mas encaro agora de uma nova maneira: tem uma diferença enorme entre os Estados Unidos e todos os outros países do Mundo Ocidental [pelo menos] de recepção e aceitação do consumidor de e-book.

O que eu penso: isso não pode ficar assim para sempre.

O que eu deduzo: o resto do mundo está no que será, para muitos, uma viagem que os vai deixar tontos, enquanto tentam chegar neste ponto.

Parece óbvio porque os Estados Unidos estejam tão adiantados: 300 milhões de pessoas em uma única economia com uma moeda única e com um único idioma. Esses mesmos fatores explicam porque os Estados Unidos estão muito à frente também em compras de livros impressos pela internet [Há outra grande causa em jogo: a infra-estrutura dos serviços prestados por nossos atacadistas nacionais, Ingram e Baker&Taylor, sem os quais teria sido necessário um investimento inicial muito maior para começar a Amazon.com, 15 anos atrás].

Uma coisa leva à outra. Porque a Amazon havia construído, no final de 2007 quando lançou o Kindle, uma base de leais consumidores compradores de milhões de livros, eles tinham os pilares para desenvolver um e-reader. Isso realmente exigiu duas coisas que ninguém mais em nenhum outro país tem hoje: uma base de consumidores grande o bastante para alcançar uma massa crítica de consumidores sem qualquer apoio ou parcerias e proporciona grande influência junto às editoras para fazer com que elas disponibilizem seus livros em sua plataforma.

Uma coisa leva à outra. O Kindle, da Amazon, com uma seleção de títulos muito mais ampla e um caminho mais suave do arquivo do servidor para o dispositivo do que os dispositivos anteriores [o Sony Reader para alguns e leitores de PC ou dispositivos portáteis como Palm Pilots para outros; e eu estava no grupo dos portáteis], teve uma rápida aceitação. Isso levou a Barnes & Noble, que também tinha influência junto às editoras para que elas levassem seus títulos às suas lojas e acesso e credibilidade da marca com milhões de leitores, a seguir o mesmo caminho com o aparelhinho similar ao Kindle, o Nook, quase dois anos depois do Kindle. Como a maioria de nós sabe, o iPad seguiu o Nook pouco depois, entrando no mercado norte-americano em abril de 2010.

Tudo isso resultou nos Estados Unidos chegando ao ponto de, na Feira de Frankfurt 2010, uma editora norte-americana lançar um livro comum de ficção e esperar que as vendas em e-books sejam uma boa porcentagem da venda total de livro, com relatos ocasionais ainda mais dramáticos.

Uma coisa leva à outra. Como já escrevi muitas vezes, todas essas vendas baseadas na internet colocam grande pressão sobre as lojas físicas. Nós vemos os espaços nas prateleiras diminuírem e há até aqueles que acreditam que nos próximos dez anos esse espaço pode realmente desaparecer.

O Kindle não teve nem de perto o mesmo impacto dramático no exterior que teve nos Estados Unidos, por uma série de razões. A Amazon não tem a mesma audiência. Eles não têm fora dos EUA o mesmo vasto número de títulos disponíveis. E eles não tinham duas outras grandes e influentes companhias [B&N e Apple] levando a experiência com o dispositivo de leitura ao público. Parece que a chegada do iPad e do Nook serviu apenas como catalisador para a Amazon vender ainda mais Kindles e para acelerar ainda mais a absorção do e-book no mercado norte-americano.

Então nós nos vemos hoje com essa enorme lacuna entre a penetração de e-books no mercado norte-americano e a penetração deles nos mercados de outros países fora da Ásia [eu não falei com nenhuma editora asiática na Feira, e não conheço a situação lá]. Certamente [Atenção! Pressuposto: um argumento não baseado em dado algum] essa é uma situação que não pode durar para sempre. Em cinco, dez ou quinze anos a porcentagem de livros digitais e a porcentagem de livros impressos vendidos online será praticamente a mesma em todos os países desenvolvidos.

Se essa suposição estiver correta, então outros países – começando com os falantes de inglês – vão experimentar as mudanças que nós temos sentido nos Estados Unidos em um prazo muito menor.

Há barreiras legais e institucionais para mudar o que já está “funcionando”. O maior fosso natural do mundo tem protegido o mercado australiano de livros, mantendo os preços de livros impressos altos e o comércio de varejo de livros saudável. Era evidente em conversas que tive com alguns vendedores de livros australianos na última Expo Book America, em maio, que eles estão sentindo os ventos das mudanças que começam a soprar, mudanças trazidas com a chegada dos e-books da Kobo ao mercado [Kobo é um dorminhoco da perspectiva americana: uma pequena – e quase tardia – plataforma de eBook em nosso país, mas uma presença cuidadosa construída ao redor do mundo e com impressionante relação com OEM em todo lugar, incluindo os EUA]. Também a instalação da unidade de POD da Ingram na Austrália vai, certamente, introduzir muito mais títulos no mercado de livros impressos. Isso é importante porque POD leva os consumidores a comprar online ao oferecer mais títulos do que qualquer livraria pode ter em estoque.

Isso é assustador para qualquer livreiro australiano sensível.

A manutenção do preço de venda, restrições territoriais e de idioma, e regras variáveis sobre aplicação de VAT [taxa de venda para nós americanos] para livros complicam seriamente o desenvolvimento dos mercados de e-book na Europa.

Mas a maior complicação de todas, a curto prazo, é a escassez de títulos disponíveis no formato ePub em outros idiomas que não o inglês. O ePub permite fluidez do texto, o que é essencial para entregar um e-book de fácil leitura com multiplicidade de tamanhos de telas. Nós temos centenas de milhares de títulos em ePub, em inglês; nenhum outro idioma do ocidente chega perto. Esse é um assunto que chegou até mim pela primeira vez no Brasil, quando estive lá em agosto.

Uma coisa leva à outra. A consequência da lacuna do ePub levanta outro assunto sério no comércio de livros na Europa quando este procura se aproximar do norte-americano. A maioria das pessoas mais educadas dos países europeus se sente confortáveis lendo em inglês. Uma editora da pequena Eslovênia [ex-Iugoslávia] me disse que um sexto dos livros vendidos em uma grande cadeia de livrarias e na maior livraria online é em inglês. Uma outra pessoa me disse que 25% das vendas na Dinamarca são em inglês. Na Holanda, me disseram, há uma legislação recente que requer uma “janela” para e-books em inglês para títulos que tenham uma edição em holandês, segurando a edição em inglês até que a edição em holandês fique disponível por um período mínimo.

Os maiores ajustes, mesmo para os players do mercado norte-americano de livros, ainda estão por vir. Tanto quanto posso dizer, as grandes editoras não perceberam que as livrarias vão praticamente desaparecer nos próximos dez anos e, uma coisa leva à outra, vão levar as oportunidades de maior valor das grandes editoras com elas. Quase não há percepção visível de mudança do valor da propriedade intelectual para o valor da quantidade de pessoas com que você fala, que eu acredito que esteja acontecendo. Mas a mudança que tivemos e a mudança que estamos enfrentando agora no mundo editorial norte-americano é diminuída pelo que estaremos vendo e sentindo pelos nossos amigos e parceiros comerciais na Europa, e em outros lugares na próxima década.

Alguns dos assuntos tratados nesse post já foram antecipados enquanto nos preparamos para a Digital Book World, que acontecerá dias 25 e 26 de Janeiro. Nós já planejamos um painel sobre os direitos comerciais territoriais e de idiomas, que serão afetados pelo crescimento dos e-books. Agora eu penso que achei alguém que pode explicar o cenário europeu: como editoras e agente norte-americanos deveriam enxergar isso. Estou trabalhando com ela para preparar o que acho ser uma adição significante ao nosso programa cobrindo um tópico que é, como deveria ser, cada vez mais importante para os titulares de direitos norte-americanos.

Outro tópico para outro dia é que o mundo está ficando cada vez menor e editoras de todos os países vão precisar entender melhor o que está acontecendo nos mercados estrangeiros. Nós vamos falar sobre isso apenas em um pequeno seminário e em um painel ou dois na Digital Book World porque achamos que é o máximo que o público está disposto a investir nesse tópico, em relação ao monte de outras coisas que precisam ser discutidas. Em cerca de um ano, a partir de janeiro, eu acho que entender como o mercado de eBook funciona ao redor do mundo será uma das principais preocupações para cada editor e agente nos EUA.

Por Mike Shatzkin | Publicado por PublishNews | 20/10/2010

Este texto foi  publicado originalmente no  The Idea Logical Blog, e o autor muito gentilmente autoriza que o PublishNews o traduza na íntegra.

Impressão sob demanda e e-books em destaque


A segunda participação do PublishNews na Feira do Livro de Frankfurt aconteceu na manhã desta sexta-feira [8] com Carlo Carrenho, diretor do portal, entrevistando Newton Neto, da Singular, sobre o mercado do livro digital no Brasil. A sinergia – possível e importante – entre a Impressão sob demanda [POD] e o e-book foi a tônica da conversa.

Newton destacou que a empresa investiu 8 milhões só em equipamentos para POD porque acredita que nos próximos 5 a 10 anos continuará havendo uma interatividade grande entre POD e e-book. “O POD vai viabilizar a digitalização dos livros em catálogo, permitindo que também se tornem disponíveis para o formato de e-book”, disse.

Bom exemplo da sinergia entre impresso e e-book é o novo best-seller de Laurentino Gomes, 1822, que esteve na liderança da lista de Mais Vendidos do PublishNews por duas semanas e que agora ocupa e segunda posição [o livro é também um dos mais vendidos em formato digital], e, pasmem, é “DRM Free”.

Assim como no caso dos e-books, também para o POD a maior barreira é conteúdo. Até janeiro de 2011 a Singular deve contar com 4 milhões de títulos disponíveis para impressão, mas a grande maioria não é de livros nacionais.

Um grande sucesso da empresa tem sido a BlogBooks, uma editora dedicada à produção de livros com conteúdo de blogs. Em 2010, foram produzidos 20 títulos, com alguns vendendo mais de mil exemplares por mês, o que é um bom número para o mercado. Em 2011, serão 14 títulos [selecionados entre 2 mil inscritos]. A força dos livros da BlogBooks vem dos próprios blogueiros, que são excelentes marketeiros.

Por Ricardo Costa, de Frankfurt | PublishNews | 08/10/2010

Fundador da Smashwords faz palestras no Brasil


Mark Coker, o fundador da Smashwords, estará no Brasil na semana que vem para duas palestras – uma no Rio [28] e outra em São Paulo [29] – e para acertar os últimos detalhes da parceria para e-books e impressão sob demanda entre a sua empresa e a Singular, braço digital da Ediouro.

A Smashwords está mexendo com o mercado americano ao publicar, sem burocracia, livros digitais de autores independentes. Até agora, já foram mais de 20 mil. “Estou indo ao Brasil para aprender sobre o mercado editorial brasileiro e para ajudar autores e editores a publicar e-books”, disse Coker.

Além da palestra do maior nome do segmento self publishing da atualidade, intitulada “Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição”, Luis Umani Iglesias, diretor de divisão Indigo Brasil da HP, também fala neste encontro organizado pela Singular. Seu tema será “A impressão digital e o futuro”. Na sequência, uma mesa vai reunir profissioanais e um autor que já estão lidando com livros digitais.

O evento é fechado, mas o PublishNews tem 8 ingressos para cada um dos encontros. Para concorrer, basta mandar um e-mail para promocao@publishnews.com.br respondendo, em até três linhas, a pergunta “O que não pode faltar em um livro digital?” Os autores das melhores respostas ganham o ingresso. Não se esqueça de informar o nome, endereço completo e telefone. A promoção se encerra ao meio-dia da próxima segunda-feira [27].

1º ciclo de palestras sobre os vários futuros do livro

Rio de Janeiro– 28 de setembro
Av. Epitácio Pessoa, 1164 – Lagoa – Rio de Janeiro/RJ

São Paulo – 29 de setembro
Casa do Saber
Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – Jardins – São Paulo/SP

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso (apenas em SP)
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 24/09/2010

Google Cloud Print


Para poupar os usuário de incômodos na hora de imprimir trabalhos, o Google está em processo de desenvolvimento de uma tecnologia que permite impressão de documentos em qualquer impressora. A tarefa poderia ser desempenhada a partir de qualquer dispositivo, seja ele computador convecional, smartphone ou netbook.

Ainda em estágio inicial, o projeto chamado Google Could Print encaminha os trabalhos que serão impressos para um servidor na internet. Este servidor processa e direciona os arquivos para a impressora considerada mais adequada, com base na preferência e localização do usuário.

Ao invés de usar no sistema operacional – ou drivers – locais para imprimir, os dispositivos podem usar o Google Cloud Print para enviar e gerenciar tarefas de impressão“, explica o gerente de produto do Google, Mike Jazayeri.

Segundo a empresa, o recurso está dentro do Google Chrome OS. Ainda em fase de desenvolvimento, o sistema operacional feito pela gigante da web deve chegar ao mercado no final deste ano.

Olha Digital | Sexta-feira, 16 de abril de 2010 às 16h10