Questões preliminares sobre ePub3


Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 1 de julho de 2015

O ePub3 é uma atualização do formato ePub que permite criar publicações digitais que operam com base em HTML5 e CSS3. Na prática, isso significa que e-books nesse formato podem conter recursos mais avançados, como áudios, vídeos, animações e certas interatividades. O IDPF, consórcio internacional que define os padrões do formato, o tem como aprovado desde 2011.

Quatro anos, e ainda assim publicar em ePub3 ainda é um desafio. Se as plataformas/ambientes de leitura dão trabalho aos mais simples arquivos ePub2, um formato mais avançado não encontraria caminho menos árduo. Os padrões variantes podem tornar a experiência um tanto complicada.

O que segue abaixo é um conjunto de observações preliminares que podem ajudar na hora de tomar a decisão de produzir ou não em ePub3, e, em caso positivo, como organizar os processos envolvidos.

Observação: o foco serão livros de texto. Não entraremos no terreno do layout fixo, assunto deveras mais complexo que ficará para uma outra ocasião.

Se você ainda está pensando no assunto, há duas questões gerais a considerar:

Não vai funcionar em todos os lugares.
Não se aventure sem ter isso em mente. O formato não é suportado por todos os aplicativos, e há variação entre os que oferecem suporte: o aplicativo iOS de uma loja pode aceitar determinado recurso que não funciona no aplicativo Android da mesma loja. Há ainda os eReaders, onde jamais funcionará. É necessário considerar essa realidade.

Podem ser necessárias várias versões.
A Coleção Ditadura, da Intrínseca, é exemplo disso. As diferenças entre as plataformas obrigaram a equipe a produzir nada menos que cinco versões de cada arquivo, uma vez que a versão “simples” [ePub2/mobi, sem recursos avançados e com preço final menor] também precisava ser lançada. O trabalho de gerenciamento, bem como de produção em si, pode ter um aumento exponencial, dependendo dos recursos que se quer utilizar. Deve-se avaliar o escopo do projeto e ver se há estrutura [e recursos] para isso.

Se já se decidiu por fazer, considere o seguinte:

A dificuldade provavelmente não está onde você imagina.
Num ePub3, o difícil não é a conversão em si para o formato nem inserir vídeos ou áudios. A conversão pode ser feita pelo próprio InDesign ou por um plugin acionado pelo Sigil, e a linha de código para chamar um vídeo ou áudio é tão simples quanto a que serviria para uma imagem. A dificuldade maior está justamente no gerenciamento da produção, sobretudo se também é necessário lançar a versão ePub2/mobi [e ainda a versão avançada para a Amazon!1], como falado acima. As dificuldades técnicas existem, naturalmente, mas — e aqui falo da minha própria experiência — é a organização do workflow que nos pega pelo pé.

1 A Amazon tem seu próprio formato para livros avançados, o KF8, que se assemelha ao ePub3 em alguns pontos. Logo, isso significa mais uma versão do e-book, agora atendendo as especificações desta loja. Detalhe: recursos como áudios e vídeos não funcionam no aplicativo do Kindle para Android, apenas iOS e, naturalmente, no Kindle Fire.

Testes, testes e mais testes.
Testes são um exercício de descoberta, como falei em outro texto. Não existe outra forma de aprender o que funciona e o que não funciona, das muitas possibilidades abarcadas pelo ePub3. Áudios, vídeos, notas em pop-up, conteúdos não lineares, javascript: é essencial conhecer o que o formato permite e refletir, a partir disso, como esses recursos podem beneficiar o projeto.

Como observação mais geral, deixo esta última:

Muito se fala sobre o uso do ePub3 [geralmente associado ao layout fixo] para publicações digitais destinadas ao público infantil, e de fato o formato cai como uma luva para livros desse tipo. No entanto, livros “adultos”, sobretudo de não-ficção, podem ser servidos pelo ePub3 de maneiras igualmente empolgantes. Bons exemplos são a biografia deGetúlio Vargas e A Grande Orquestra da Natureza [baixe uma amostra da Apple, encaixe os fones de ouvido e veja do que estou falando], em que mídias diferentes dialogam com a escrita e expandem a experiência de leitura.

Bem, estas são questões gerais que se impõem quando o assunto é produção de ePub3. Espero que possam ajudar você, editor ou autor, que está pensando no assunto.


Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 1 de julho de 2015

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Indústria gráfica precisa repensar modelo de negócios, mas produção de impressos continua viva


Ednei Procópio aponta preferência do mercado editorial digital, mas destaca a soberania dos leitores

Para Ednei Procópio, os equipamentos totalmente dedicados à leitura se ajustam melhor ao mercado editorial

O IMPORTANTE É O CONTEÚDO

A questão do conteúdo é soberana na discussão sobre o avanço dos tablets sobre os velhos e bons livros de papel. As pranchetinhas digitais, é claro, só farão sentido à medida que houver o que se ler nelas – de maneira fácil e acessível. Polêmicas com as estratégias de produção, distribuição, divisão dos direitos autorais e incertezas diversas são marcas dessa história recente no Brasil, enquanto a indústria gráfica ainda é recalcitrante diante do tema. O especialista Ednei Procópio, autor de O livro na era digital, esteve em Belo Horizonte na última semana, para debater o assunto com profissionais da indústria gráfico-editorial, educadores e interessados, a convite da Câmara Mineira do Livro. Em conversa com o Estado de Minas, Procópio apostou na preferência pelos e-readers em relação aos tablets por parte das editoras. Elas, aliás, na opinião dele, já passaram da hora de repensar seus velhos modelos de negócios.

E-readers

Os leitores de e-books têm tela opaca, que imitam o contraste de papel, para garantir conforto na leitura. São normalmente dedicados à leitura de documentos.

Quando o .MP3 surgiu comercialmente, nos anos 1990, a indústria fonográfica duvidou do potencial do formato. E hoje ela paga um preço alto por isso. O mesmo pode ocorrer com a indústria gráfica diante dos e-books?

O .MP3 se tornou, naturalmente, o arquivo padrão de tráfego de músicas na internet sim, mas o formato .MP3 foi apenas, digamos, o catalisador de todo um cenário que já vinha se desenhando não só para a indústria fonográfica. Ela, na verdade, já estava com um modelo de negócios que não acompanhava os novos cenários da digitalidade. E não podemos nos esquecer dos programas de compartilhamento entre usuários, o que facilitou o tráfego do formato .MP3. Já a indústria gráfica voltada à produção de livros especificamente falando precisa sim repensar o seu modelo de negócios na era da internet. Mas façamos jus à verdade: a produção de material impresso continua ainda viva, independentemente do advento dos e-books, que já somam 10 anos de um mercado incipiente.

Tablets | Os aparelhos são mais compactos que os netbooks e capazes de realizar quase tudo que um computador portátil realiza. Em contrapartida, a tela brilha.

Tradicionalmente, a indústria gráfica e o mercado editorial privilegiam títulos que possam se tornar sucesso. Todo mundo quer publicar um best-seller que cubra os altos custos de produção e, claro, garanta um bom lucro. O barateamento da produção, no caso dos e-books, que dispensam papel e impressão, pode impactar na democratização da atividade?

O mercado editorial privilegia títulos que têm um apelo comercial maior e cujo nível de interesse possa atingir um público-alvo identificável. Isso facilita o trabalho de comunicação da editora e até o seu contato com a imprensa. Portanto, é natural haver títulos best-sellers. Afinal, os leitores os querem, embora a maioria do catálogo das editoras continue circulando de um modo mais modesto e com um timing diferenciado. O e-book não tem toda a sua cadeia produtiva barateada. Quando a editora decide publicar um livro na versão digital – por exemplo, no formato ePub –, os custos de seleção de originais, leitura crítica, copidésque, revisão, diagramação, imagens, capa, ficha catalográfica e composição final [com ou sem uma estética multimídia] estão todos lá. E há um custo que dobra quando se faz um livro em dois formatos distintos, o .PDF [para impressão] e o ePub [para e-readers]. Investir em best-sellers, tanto na versão impressa em papel quanto na versão eletrônica, continua, sim, sendo lucrativo. O que diferencia é o custo, que determina o maior ou menor lucro.

Como você avalia o ritmo de adesão da indústria gráfica brasileira aos novos formatos?

A indústria gráfica já aderiu há algum tempo à tecnologia por meio das máquinas portáteis de impressão sob demanda. O sistema de print on demand, que utiliza arquivos digitais em versão .PDF para a impressão sob demanda de livros, tem recebido altos investimentos de toda a indústria gráfica há uma década. Com a democratização da tecnologia e a miniaturização das máquinas, é possível hoje que um único exemplar de um determinado título seja impresso utilizando-se a tecnologia digital.

O ePub, o formato padrão proposto pelo International Digital Publishing Forum [IDPF], é um consenso?

O padrão ePub já tem uma história de 10 anos. Nasceu em 1998, de um consórcio firmado por empresas de tecnologia da informação e outras empresas do ramo editorial. Hoje, felizmente, o ePub é, para o mercado editorial, tecnicamente, um consenso. Mas ainda há dúvidas com relação aos custos de conversão de livros para esse novo formato, o que é caro por conta da falta de mão de obra identificada no mercado.

Por um lado, o Kindle busca trazer uma experiência de leitura confortável, com a tecnologia da tinta eletrônica. Por outro, o iPad procura assumir que é uma tela brilhante, colorida e vira espaço para os livros que exploram a interatividade, o toque do dedo, a narrativa marcada pelos hiperlinks. As diferenças entre a experiência de leitura digital e a leitura no papel devem ser amenizadas, como no Kindle, ou supervalorizadas, como no iPad? Quem ganha a briga?

O Kindle, assim como o Sony Reader, é equipamento dedicado inteiramente à leitura de livros digitais. O iPad não é um e-reader, não é um leitor dedicado. O iPad cai numa outra categoria de produtos, os tablets, cujo conceito, há mais de 10 anos, a indústria de tecnologia tenta inserir no mercado como um novo modo, portátil, de consumir mídia em geral. O Kindle não é o único leitor dedicado do mercado e nem foi o primeiro; assim como iPad não é o único e nem foi o primeiro tablet a ser lançado na história da indústria de tecnologia. Para o bem do mercado editorial, o mais interessante são os produtos da linha e-reader. Porém, no final, quem define qual produto se tornará mais popular para a leitura de livros é o consumidor, é o usuário.

Por Frederico Bottrel | Estado de Minas | 04/11/2010, às 17:27

IDPF irá lançar ferramenta para avaliar suporte de eReaders ao ePub3


O IDPF [International Digital Publishing Forum], entidade que organiza a padronização dos livros digitais, lançará em breve uma ferramenta de testes para avaliar o grau de compatibilidade de eReaders, apps e softwares, com o formato EPUB3.

Como paulatinamente as editoras estão descobrindo, é possível criar eBooks ricos e interativos sem tecnologia proprietária, usando o padrão EPUB3 e HTML5… só não é possível usá-los em todos os aparelhos, já que o suporte ao formato EPUB3 varia barbaramente conforme o fabricante/desenvolvedor do eReader.

A expectativa do IDPF com a nova ferramenta é revelar com mais clareza quem não dá suporte completo ao formato, quais recursos já são aceitos por algumas empresas e quais ainda não são. O exemplo dado por Bill McCoy, diretor executivo do IDPF, é o aplicativo iBooks da Apple: embora suporte vários recursos do EPUB3, o iBooks não suporta alguns elementos de Javascript e outros recursos. A ideia da nova ferramenta, portanto, é mostrar o que está faltando em cada eReader para o formato EPUB3 funcionar por completo.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 03/10/2012 –

Saiba mais sobre o ePub, um formato em constante evolução


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 15/08/2012

Cada elo da indústria do ebook experimenta um processo de mudanças profundas, desde as plataformas até os dispositivos e os formatos. O EPUB – estabelecido pelo Fórum Internacional de Edição Digital [IDPF na sigla em inglês] – é considerado o padrão mais promissor para arquivos de ebooks. Este formato redimensionável conta com grandes vantagens em relação a outros concorrentes; em especial, é gratuito e de código aberto. A seguir reproduzimos nossa conversa com Liz Castro sobre o formato EPUB e outros temas atuais vinculados aos ebooks. Liz, com uma trajetória de quase 25 anos no terreno digital, publicou mais de uma dezena de livros sobre EPUB, CSS, HTML e Blogger, e são uma referência obrigatória para qualquer editor ou escritor interessado em explorar a era eletrônica. Seu blog Pigs, Gourds, and Wikis e sua conta de Twitter [@lizcastro] são seguidos por milhares de leitores em nível mundial.

Octavio Kulesk | Um dos obstáculos para a edição digital em línguas não-latinas é que o formato EPUB nem sempre funciona adequadamente. Você já teve experiência com este tipo de idioma? O EPUB3 melhorou as coisas?

Liz Castro | O EPUB3 agora tem um bom suporte para as línguas asiáticas, como japonês. Acabo de voltar do Japão onde participei da primeira conferência do IDPF na Ásia – tratando do EPUB3 – e apresentamos vários ebooks não só com caracteres japoneses, mas também com escrita vertical, caracteres ruby, tate-chu-yoko, kenten e outras partes essenciais da tipografia japonesa. A coisa melhorou tanto que a Rakuten/Kobo oferecerá todos os livros em japonês no formato EPUB3.

OK | Como você acha que evoluirão os padrões no mundo do ebook, por causa da pressão da Amazon para impor seu próprio formato – o MOBI –, os esforços do IDPF e da maioria das editoras para padronizar o EPUB, além das tentativa de sobrevivência do PDF?

LC | Acho que as novas características do EPUB3 – e em particular seu suporte a línguas não-latinas – podem ser a chave para impor o formato e acabar definitivamente com o MOBI. A própria Amazon já está substituindo o MOBI por KF8, um formato tão parecido ao EPUB3 que poderia ser considerado algo como sua versão proprietária [combina os mesmos HTML5 e CSS3]. A Amazon já aceita arquivos EPUB3 em seu sistema e os converte automaticamente. É claro, a Amazon quer manter seu próprio formato, mas será interessante ver se as editoras estão dispostas a permitir isso. Também vimos que com a diagramação fixa – que já é padrão no EPUB3 – os grandes fabricantes de e-readers estão apoiando o novo padrão. As editoras não têm tempo nem os recursos econômicos para fazer múltiplas versões de um livro para cada leitor. O estabelecimento de um padrão permite que as editoras criem um só arquivo para todos os leitores, e assim tenham tempo para aumentar a qualidade e a quantidade de livros oferecidos.

OK | O InDesign constitui um software fundamental para a diagramação de livros em papel e no digital. No entanto, para a edição pura de livros eletrônicos, não seria mais conveniente partir de outras ferramentas [inclusive mais simples], sem ter que usar o InDesign como intermediário?

LC | O InDesign, como você explicou, é um programa potente, mas complicado e caro. Como a grande maioria das editoras nos Estados Unidos, Europa e Japão usa este programa para a diagramação de livros impressos, é uma opção natural para a criação de livros eletrônicos. Além disso, com cada nova versão, realiza este trabalho cada vez melhor. Mas nos casos em que não seja utilizado para os impressos e que não seja conhecido, nem tenha sido comprado anteriormente, suas vantagens diminuem consideravelmente. Para a criação de livros puramente eletrônicos, ainda não existem ferramentas gráficas muito boas, mas não acho que vão demorar muito para chegar. No entanto, é verdade que são necessárias ferramentas de baixo custo para criar livros eletrônicos sem precisar tocar o código de EPUB que se encontra por trás.

OK | Nestes últimos anos, você viajou por muitos países. Como vê a evolução do ebook no mundo?

LC | Vejo que todo o mundo está entendendo a utilidade de poder ler em dispositivos eletrônicos. Acho que o preço dos dispositivos é chave para sua adoção. Nos EUA, o Kindle só diminuiu de preço quando saiu o iPad – uma concorrência de verdade. Em poucos meses, foi de $400 a menos de $100. Isso está a ponto de acontecer no Japão agora, com o lançamento do leitor Kobo por menos de $100 e com a apresentação do suporte para escrita vertical. Na Argentina, onde estive em abril, acho que a falta de um e-reader acessível é uma das coisas que está segurando o mercado de livros eletrônicos. Há muita gente que lê ali, mas quem quer comprar um e-reader por 300 dólares? Então as editoras, que costumam ser mais conservadoras – e que, além disso, se acham numa situação delicada por causa da crise mundial –, têm medo de investir dinheiro para fazer as conversões necessárias e há uma falta de conteúdo. Tudo é um círculo. Mas vejo a coisa começando a girar.

OK | Que conselhos daria aos editores de países em desenvolvimento que estão querendo experimentar com o digital?

LC | Acho que é preciso levar em conta os dispositivos móveis que as pessoas já têm em sua mão ou sobre suas mesas. É possível ler EPUB gratuitamente num computador ou em muitos celulares existentes. Com isso já dá para começar. Depois, aconselharia que se relacionem diretamente com os clientes leitores, que sejam receptivos a suas necessidades e que não os tratem como piratas. Se as editoras fizerem com que seja mais cômodo e mais fácil comprar um livro que pirateá-lo – com a consequente perda de tempo e preocupações que este ato implica para o usuário –, as pessoas se comportarão corretamente. Estou convencida disso. E atuo em cima desta convicção: vendo todos meus livros sem proteção DRM e eles continuam vendendo tanto em países onde se diz que todo mundo é pirata como nos que não. Também acho que é boa ideia continuar criando livros em papel e digital ao mesmo tempo. Podem ser formatos complementares, não precisam ser exclusivos. Nestes dias, quando muita gente ainda não está acostumada a ler em formato digital, o papel continua sendo necessário para divulgar um livro.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 15/08/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Recursos multimídia são desafio


A ideia de um livro digital traz à tona uma série de possibilidades inimagináveis em uma publicação impressa. Animações e recursos de áudio e vídeo são apenas algumas dessas novidades. Mas a despeito da oferta crescente de livros digitais – e do interesse dos leitores pelos recursos interativos -, a aplicação desse tipo de tecnologia ainda está longe de se tornar maciça, disseram especialistas ouvidos pelo Valor.

A principal maneira de usar esses recursos atualmente é desenvolver o livro no formato de aplicativo. Mas nem sempre as editoras estão dispostas a arcar com os custos necessários para criar esse tipo de software. Os formatos próprios para livros digitais, por sua vez, de modo geral ainda não estão preparados para esse tipo de recurso. E há ainda um terceiro impeditivo. “‘Rodar’ essas aplicações requer uma capacidade de processamento alta, que muitos dispositivos ainda não têm”, disse Eduardo Melo, fundador e diretor executivo da Simplíssimo, empresa especializada na criação de e-books.

A expectativa é que o formato digital mais recentemente criado pela IDPF, organização internacional de publicações digitais, resolva parte desses problemas. Irmão mais velho do Epub, que não tem proprietário, e batizado de Epub 3, o formato foi feito para “rodar” recursos multimídia e de interatividade, disse Bill McCoy, diretor executivo da IDPF. “Durante esse ano, vamos ver um aumento do número de dispositivos que aceitam o Epub 3“, afirmou o executivo.

Apesar disso, os desenvolvedores ainda precisarão de algum tempo para conhecer melhor o Epub 3 e aproveitar as vantagens desse novo padrão.

Por Bruna Cortez | Valor Econômico | 06/07/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Converter livro em eBook cria novo mercado


Uma tradução bem feita não garante, por si só, o sucesso de um livro estrangeiro, mas é um elemento fundamental para que isso aconteça. As editoras sabem dessa importância e dedicam-se com afinco à escolha de bons tradutores. Agora, porém, com a disseminação do livro digital, as editoras estão tendo de lidar com um novo tipo de tradução: a tecnológica. Verter os textos para os formatos dos livros eletrônicos – que podem ser lidos em computadores, tablets, celulares ou dispositivos específicos para leitura digital – é um processo meticuloso e que requer habilidades específicas. O resultado é que essa demanda deu origem a um mercado nascente no Brasil: o de empresas de tecnologia especializadas em transformar livros em e-books.

A Simplíssimo, com sede em Porto Alegre, e a Kolekto, de São Paulo, são exemplos dessa tendência. Para dar conta da tarefa, parte do trabalho é feita com softwares de conversão, que automatizam o processo. A segunda etapa, mais complexa, requer o trabalho de um programador de sistemas. Esse profissional altera o código principal do programa de acordo com as características do livro. Se a obra é repleta de gráficos ou ilustrações, por exemplo, mais ajustes ele terá de fazer.

À medida que cresce o interesse das editoras pela publicação de livros em formato digital, mais óbvias ficam as oportunidade de negócio na área. Criada em 2010, a Simplíssimo tem cerca de 50 editoras em sua carteira de clientes. O faturamento está por volta de R$ 500 mil por ano. “Nossa meta é conseguir atender mais editoras e ampliar a receita“, disse Eduardo Melo, fundador e diretor executivo da companhia. Desde sua fundação, a Simplíssimo transformou aproximadamente 1,1 mil livros em e-books.

A Kolekto, criada pelos sócios Alexandre Monti, Reginaldo Silva, Ayala Júnior e Carlos Vicente, iniciou as operações em maio. A companhia tem um plano de investimento de R$ 7,5 milhões, baseado integralmente em recursos próprios. A maior parte do investimento será dedicada à infraestrutura tecnológica, mas a empresa já usou uma parcela desse dinheiro para comprar a CodeClick, empresa especializada em aplicativos, como são chamados os softwares com finalidades específicas para tablets e smartphones.

De acordo com Carlos Vicente, diretor de marketing da Kolekto, a aquisição segue a estratégia da companhia de converter livros tanto em e-books como em aplicativos. “Alguns livros não se enquadram nos formatos digitais próprios para e-books porque demandam outro tipo de interatividade, como animações, vídeos e outros recursos“, diz Vicente. “É justamente nesses casos que o aplicativo é mais indicado”.

Por enquanto, ainda são poucas as companhias de tecnologia brasileiras especializadas na produção de e-books. Mas a expectativa é que isso mude rapidamente, com o desenvolvimento do mercado de livros digitais no país. “Há muitas companhias no exterior dedicadas à conversão de livros para formatos digitais ou aplicativos. Tenho certeza que grande parte delas vai se interessar por oferecer seus serviços no Brasil“, afirmou Bill McCoy, diretor executivo da organização internacional de publicações digitais, a IDPF.

Fundada no fim dos anos 90, quando ainda não se ouvia falar sobre livros digitais, a IPDF foi responsável pela criação do padrão tecnológico que hoje predomina no mercado de e-books. Batizado de Epub, o formato não tem proprietário, e é baseado em HTML5 – padrão apoiado pela Apple e seguido atualmente por diversas companhias e criadores de conteúdo.

Mas o Epub não está sozinho. Existem diversos outros formatos digitais para e-books, além dos aplicativos. A escolha desses padrões digitais pelas editoras é um aspecto que divide opiniões.

Esse, aliás, é um problema enfrentado há algum tempo pelos criadores de aplicativos. Para oferecer seu produto em uma das grandes lojas virtuais de “apps”, como esses programas são conhecidos, o programador precisa escrevê-lo com base no sistema operacional adotado pelo dono da loja, como a Apple ou o Google.

Entre os executivos da área editorial ouvidos pelo Valor, a principal preocupação é que transformar um livro em um aplicativo destinado a um único sistema operacional torne a editora refém desse canal de distribuição. Padrões abertos, como o Epub – que é aceito por um número maior de softwares e dispositivos – são uma saída, mas podem deixar a obra fora de lojas de aplicativos de grande movimento, que exigem programas próprios. Outra possibilidade é fazer como muitos criadores de aplicativos e criar versões diferentes do mesmo produto, um para cada sistema. De qualquer forma, há trabalho e custo adicionais envolvidos. As editoras já devem sentir saudades do tempo em que só tinham de se preocupar em traduzir livros para o português.

Por Bruna Cortez | Valor Econômico | 06/07/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Segundo dia do Congresso CBL começa “enfático”


Novos padrões para criação de e-books e questão da qualidade foram os assuntos levantados na primeira palestra do evento

O segundo dia do 3º Congresso CBL do Livro Digital começou com alertas e declarações enfáticas. Bill McCoy, presidente do International Digitial Publishing Forum [entidade internacional que supervisiona a adoção de padrões para o livro digital], mostrou como os e-books ainda têm muito a evoluir.

Os dispositivos como tablets e smartphones, junto com o desenvolvimento do HTML5 e do ePub3 [que é baseado na versão mais recente do HTML] enquanto padrões para a criação de e-books, permitirão mais recursos visuais e ferramentas de leitura – por exemplo as ferramentas típicas de rede social aplicadas aos livros. O desafio do editor é descobrir justamente como usar esses recursos e qual a melhor forma de entregar o conteúdo, num mar de possibilidades. E defendeu que os editores trabalhem com sistemas abertos.

Em seguida, o gaúcho Eduardo Melo, fundador da Simplíssimo, monopolizou a atenção da plateia com bom humor e falas incisivas [“No Rio Grande do Sul, nós não somos grossos, somos enfáticos”, brincou]. Ele alertou os editores para a falta de qualificação existente hoje para a produção de e-books no país, e bateu muitas vezes na tecla da qualidade – do conteúdo e de sua apresentação.

Para ele, a qualidade deve ser condição sine qua non, mesmo que os livros digitais ainda não vendam em grande quantidade no Brasil. “Fazer [e-books] mal feito só porque não vende mesmo…não dá. E se vocês editores não fizerem e-books, alguém vai fazer por vocês. E tem muito pirata fazendo”, disse. Ele ressaltou o problema da pirataria, abordando casos recentes, e sugeriu que as editoras se unam para combater a prática de maneira mais efetiva.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 11/05/2012

O que o lançamento da Apple significa para as editoras


O tablet deverá elevar a expectativa dos leitores e a linha que define um e-book de qualidade

As mudanças feitas no novo iPad são principalmente no hardware – um processador A5X e uma tela “Retina”, com resolução de 2048 x 1536 pixels, o que efetivamente duplica a resolução do iPad 2 e que suporta vídeos Full HD [1080p] – veja uma comparação entre as telas.

Essas características, junto com uma câmera melhor e os aplicativos iLife, significam que o novo iPad traz impressionantes e rápidas experiências interativas de alta definição para os seus usuários.

Os consumidores de conteúdo e de mídia continuarão sendo o maior público do novo iPad. A combinação da nova tela retina com maior velocidade de processamento vai melhorar e enriquecer a experiência de leitura de livros, jornais, revistas e catálogos.

Implicações na produção

O que o novo iPad significa para a indústria editorial? E qual impacto ele vai ter na evolução do e-book?

As editoras podem usar o poder do hardware do novo iPad para criar e-books mais impactantes, com recursos interativos melhores, recursos visuais esplêndidos, gráficos 3D aperfeiçoados, e tudo isso com uma banda larga o suficiente para que todos esses componentes fluam sem interrupção por meio de redes 4G. [Note que a produção desses novos recursos melhorados têm custo maior perto dos tradicionais.]

A Apple garantiu que o novo iPad seja compatível com todos os iBooks existentes e também com os iBooks 2, lançados em janeiro.

Para as editoras, isso significa que as equipes de produção editorial vão precisar tomar decisões cuidadosas em relação a projetos de livros em andamento que têm layouts aprimorados e fixos.

Se uma editora quiser oferecer um livro com algum recurso interativo em HD, para venda exclusiva na iBook Store da Apple, então o caminho para a produção dentro do ecossistema da Apple é claro: use o aplicativo iBooks Author para produzir um arquivo em formato ibook, e mande o e-book para que a Apple o aprove e o coloque à venda na loja.

Se, no entanto, uma editora quiser distribuir e-books com recursos interativos para uma grande gama de lojas, além da iBook Store da Apple, então o planejamento do produto deve ser feito com base em tipos de arquivos que podem ser facilmente convertidos ou transformados para o formato de cada loja.

Um processo de trabalho ótimo inclui o uso de padrões abertos como o EPUB do IDPF [International Digital Publishing Forum]. A adoção do padrão EPUB como formato de e-book dá às editoras uma base para a produção de outros formatos – que podem incluir o KF8 para o Kindle Fire, da Amazon, ou algumas adaptações para os aparelhos Nook Tablet, da Barnes & Noble, ou o Kobo Vox.

As editoras devem assegurar tempo na sua grade de produção para acrescentar recursos aos e-books e para testar seus títulos em todas as plataformas para as quais estão sendo criados.

Um novo padrão para a indústria

Mais pixels e maior velocidade de processamento oferecem oportunidades únicas para criar novas experiências de uso e abrem uma gama de possibilidades para o e-book e, especialmente, para os “enhanced e-books”.

O novo iPad vai sem dúvida elevar as expectativas dos consumidores e, portanto, a linha que define um e-book de qualidade.

Enquanto os editores começam a explorar o potencial do novo iPad, a Apple pode descansar [embora rapidamente], sabendo que ultrapassou a concorrência e fez com que o resto da indústria de tablets tenha que correr atrás, mais uma vez.

Por Jean Kaplansky | Digital Book World | 07/03/2012 | Publicado originalmente em PublishNews

Livros digitais no Brasil: como, onde e por que [talvez não] comprá-los


Foto: Flickr

Há mais de seis meses, o Kindle chegava oficialmente ao Brasil. Junto com ele desembarcava, ainda que tímida, a discussão sobre o fim do papel. A razão pela qual você não vê muita gente com e-Readers por aí é óbvia: há poucos livros nacionais sendo vendidos. Mas isso deve acabar. Livrarias e editoras parecem prontas para entrar no mercado do livro digital. Entenda a diferença dos arquivos, dos leitores e das lojas virtuais.

Formatos


ePub

Para ler livros, nada melhor do que criar um formato de arquivos especialmente para isso. Foi assim que surgiu o formato ePub, sigla para electronic publication, criado em 2007 pelo IDPF [International Digital Publishing Forum]. O formato é gratuito e aberto, além de suportar proteção de DRM, apesar de não usar um padrão único de direitos digitais. O argumento a favor do ePub é a fácil conversão de livros em arquivos digitais, além de dar liberdade para aumentar e diminuir a fonte, por exemplo, o que o torna mais fácil para ser lido em e-Readers.
Ao mesmo tempo, o ePub tem suas limitações. Voltado principalmente para os leitores com tecnologia e-ink, o formato é perfeito para livros entupidos de texto, que não usam muitas imagens. Porém, para livros que abusam de fotos ou até mesmo histórias em quadrinhos, o ePub é praticamente inviável.

PDF eBooks / Adobe Digital Editions

Não é de hoje que o formato PDF é usado para livros digitais. Muito antes do nascimento dos e-Readers era fácil encontrar e-Books usando o formato da Adobe. Como um processo natural, ele é usado por grande parte dos leitores digitais, mas agora com proteção de direitos autorais. Os arquivos trabalham em conjunto com o software Adobe Digital Editions, feito para leitura e organização de e-Books.
Livrarias como a Cultura e a Saraiva usam o sistema, que é baseado em Flash e também lê arquivos ePub. A diferença entre o PDF eBook, como é chamado, e um PDF comum, é a presença da proteção de DRM. Ou seja, para poder ler o livro em até seis desktops, notebooks ou smartphones que suportem o aplicativo, é preciso criar um Adobe ID. Mesmo sendo eficaz, o sistema de proteção e a necessidade de aplicativos, logins, senhas e downloads pode afastar o usuário comum, que gostaria de ter o mesmo processo do livro de papel no livro digital: comprar, abrir e ler, sem complicações.

AZW

O formato criado pela livraria americana Amazon foi o caminho para tornar o Kindle único. Apenas o leitor da empresa lê a extensão, e apenas a livraria vende e-Books com essa codificação. Assim, os livros da Amazon só podem ser lidos no Kindle, mas agora também podem ser acessados em smartphones que usam o sistema Android ou aparelhos com iOS [iPhones, iPads e iPods touch].

Livrarias


Cultura

Desde abril, a Livraria Cultura tem uma loja virtual de e-Books dentro de seu site. Os livros são vendidos no formato ePub e no formato PDF eBooks, que dá licença para o livro ser acessado em até seis dispositivos de leitura, desde que sejam acessados via Adobe ID. O principal empecilho que a livraria enfrenta é o mesmo de qualquer concorrente: a falta de livros nacionais. Com 110 mil títulos disponíveis na loja virtual, menos de mil são em português – e ainda assim, a maioria, traduções e obras de domínio público.
Mesmo assim, a livraria aposta muito nos e-Books – foi a primeira grande varejista a entrar no mercado. Números publicados pela Exame dizem que, em junho, foram vendidos 80 livros digitais por dia. O número pode parecer pequeno, mas a livraria comemora o aumento de 100% no número das vendas em comparação ao mês anterior. Por enquanto, a Cultura está apenas estudando se venderá e-Readers em suas lojas.

Saraiva

A Saraiva entrou no mercado há pouco mais de um mês. Os números, novamente, impressionam, mas não é preciso uma lupa para constatar o mesmo problema da Cultura: são 160 mil e-Books, e apenas 2 mil deles em português. A venda é feita por um software baseado no Adobe Digital Editions, que recebeu um tapa no visual e ganhou o nome de Saraiva Digital Reader. Apesar do visual simples e intuitivo, o aplicativo apresentou lentidão com frequência, problemas para acessar páginas e precisou ser reiniciado algumas vezes, mesmo com poucos programas abertos.
Os dez livros mais comprados e baixados na livraria da Saraiva formam uma lista bem estranha: desde “O Retrato de Dorian Gray”, clássico de Oscar Wilde, que custa 15 reais, até “Emagreça sem fome”, que custa 6 reais.

FNAC espera o iPad

Enquanto assiste às duas principais concorrentes largarem na frente no mercado dos e-Books, a FNAC espera, com um sorriso no canto da boca, como quem sabe que terá uma carta na manga. Depois de muitas especulações sobre a presença da empresa na comercialização de livros digitais e e-Readers – a coreana iRiver chegou a anunciar que venderia seu leitor digital na loja [leia mais abaixo] – os franceses da FNAC não têm mais dúvidas: “estamos trabalhando estratégias para esse mercado há três anos, mas algo de grande impacto aconteceu: o lançamento do iPad”, diz Fernando Sant’ana. A empresa espera então a chegada oficial do tablet da Apple ao Brasil, já que acredita que o mundo dos e-Readers foi “atingido fatalmente”.
E ele pode estar certo. Depois de vender 3 milhões de iPads em 80 dias, a Apple assistiu a seus concorrentes de livros digitais cortarem o preço de seus leitores em efeito dominó. Primeiro, o Nook, da Barnes & Noble. Depois, a Amazon e seu Kindle. E por último, a Sony e seu trio de e-Readers. Jason Perlow, da ZDNet, concorda com o argumento de Fernando Sant’ana, ao lembrar que há um ano e meio, o Kindle custava 399 dólares. O argumento de Perlow é que os leitores mais assíduos poderão preferir os e-Readers clássicos, mas a maioria da população gosta de muitas opções em um só aparelho:

“Realmente, o e-ink pode ser superior para a leitura sob a luz do dia, e pelo menos por enquanto, os leitores mais hardcore, a maioria deles mais velhos, preferirão comprar um Kindle ou um Nook para o consumo de livros durante um belo verão, na praia.
Mas a geração Y está muito mais interessada em seus iPhones, iPads e Androids, com coloridas telas brilhantes e nítidas, e as versões mobile das lojas de e-Books serão o suficiente para essas pessoas, pelo menos para aqueles que ainda gostam de ler livros.”

A FNAC também lembra quantos projetos foram engavetados após o lançamento do iPad, sejam de e-Readers ou até de smartbooks, aparelhos que possivelmente nós sequer veremos nascer. Mas Sant’ana reconhece um dos problemas com o iPad: o processo para adicionar livros no iBooks não será nem um pouco simples. Ele acredita que a evolução no Brasil será muito lenta, principalmente pela questão dos direitos autorais. Sobre os e-Readers, Sant’ana disse que a FNAC já recebeu mais de 10 modelos para análise, mas que o principal empecilho é a falta de assistência técnica – os aparelhos são feitos na Ásia e não têm nenhum tipo de garantia ou assistência técnica no Brasil.

Gato Sabido

Oras, você nunca ouviu falar no Gato Sabido? Pois então saiba desde já que ela foi a primeira loja virtual de e-Books no Brasil, e também é a primeira a vender seu próprio e-Reader, o Cool-er [leia mais sobre ele abaixo]. A loja conta hoje com “mais de 100 mil títulos em inglês” e 1.500 livros em português. Apesar de enfrentar agora grandes concorrentes, a experiência de alguns meses tornam a loja do Gato Sabido uma das mais intuitivas e fáceis de usar, além de ter informações detalhadas sobre os livros.
O sistema funciona por compra de créditos: você compra um valor entre 10 e 100 reais por meio de cartão de crédito, boleto bancário ou pelo PagSeguro. Para tentar ainda mais os compradores, os créditos dão bônus de até 15 reais. Apesar de também ter poucos livros em português, o site conta com categorias de fácil acesso. Os livros são baixados em PDF e ePub e, novamente, é necessário o programa Adobe Digital Editions para acessar as obras.

E as editoras? Conheça o DLD

Se o principal problema para aumentar o número de livros nacionais nas lojas de e-Books é a disponibilização de obras por parte das editoras, elas também preparam seu terreno para o novo mercado. Sete editoras [Moderna, Objetiva, Planeta, Record, Rocco, Salamandra e Sextante] criaram a Distribuidora de Livros Digitais, a DLD. A ideia é que a parceria unifique a distribuição de livros digitais para as livrarias, diminuindo a burocracia no processo de venda de direitos.
Assim, a DLD pretende aumentar o fluxo de livros nacionais digitalizados. Até o fim do ano, a parceria promete 500 novos livros. Se o número não empolga, a promessa para 2011 é ainda mais agressiva: 300 títulos serão distribuídos mensalmente aos varejistas.

e-Readers disponíveis


Kindle

O mercado americano de e-books e e-Readers já é consolidado, graças à aposta da maior livraria online dos EUA, a Amazon, no Kindle, em 2007. A parceria era perfeita: uma infinidade de livros e um leitor revolucionário, que usa a tecnologia e-ink, ou o papel eletrônico, uma tela em preto e branco que não reflete a luz ambiente e garante uma duração de bateria impressionante – a Amazon promete até sete dias longe da tomada, com 3G ligado.
Há dois modelos que nós, brasileiros, podemos comprar: o Kindle original e o Kindle DX. O primeiro teve um corte de preço recente e agora custa para nós 409 dólares, cerca de 700 reais – 200 dólares do valor são impostos. Quando foi anunciado, em outubro de 2009, o aparelho passava a casa dos 1.000 reais. Com tela de 6 polegadas, ele tem cerca de 300 gramas, 2 GB de espaço interno e entrada para chip 3G, que já vem incluso [uma grande sacada da Amazon, que paga sua navegação pelo site].
Já o Kindle DX, com tela de 9,7 polegadas, ganhou há poucos dias uma versão preta, bem classuda, mas que ainda não está à venda internacionalmente. O preço do aparelho nos EUA é 359 dólares, mas depois de passar pela taxação brasileira acaba custando 741 dólares, ou cerca de 1.300 reais.
Além do preço extremamente proibitivo, a principal limitação do Kindle é a escolha dos formatos de arquivos de texto. Em sua primeira versão, o leitor aceitava apenas arquivos AZW – formato em que os livros da Amazon são vendidos – TXT e MOBI, enquanto a maioria dos livros digitais eram distribuídos no padrão ePub e PDF – uma atualização no fim do ano passado liberou a leitura de arquivos da Adobe. E, apesar de ter uma das maiores lojas virtuais como base, a oferta por livros em português é ínfima.

Cool-er

O Cool-er é vendido pela loja virtual de e-Books Gato Sabido. O leitor, fabricado pela empresa inglesa Interead, aposta num formato mais simples do que o Kindle, eliminando o teclado físico e deixando grande parte do espaço para a tela de 6 polegadas. Assim, ele pesa menos de 200 gramas. A empresa promete bateria com duração de até “8.000 viradas de página”, que parece animar até os dispostos a ler Ulysses na telinha de 6 polegadas, também de e-ink. Para guardar os livros, 1 GB de espaço interno, mas não há nenhum tipo de opção de conectividade, como 3G ou Wi-Fi.
A grande sacada do Cool-er é ser o primeiro leitor nacional a ler arquivos no formato ePub, além de aceitar também os formatos PDF, FB2, RTF, TXT, HTML, PRC e JPG. O e-Reader usa o software Adobe Reader Mobile 9, que ainda dá mais opções para leitura de arquivos no padrão PDF. O problema é que seu preço não é tão díspar do Kindle, que conta com 3G e acesso à Amazon: o Cool-er é vendido pela Gato Sabido por 750 reais.

iRiver Story

Recém-chegada às terras brasileiras, a coreana iRiver prometeu vender o iRiver Story na FNAC a partir da segunda quinzena de julho. Pelo que nós ouvimos da empresa francesa, isso não acontecerá. Mesmo assim, o leitor já tem preço e informações no Brasil; só não sabemos ao certo se ele realmente será vendido.
Seu visual lembra bastante o primeiro Kindle, com teclado QWERTY com 5 linhas e tela de 6 polegadas. Como ponto positivo, a empresa colocou um leitor de cartões SD no aparelho, que pode ter até 32 GB de espaço interno. Mas se você tem 32 GB de livros, amigo, você pode se considerar um viciado, já que os livros ocupam pouquíssimo espaço. E o iRiver Story não tem acelerômetro, ou seja, é preciso apertar um botão para girá-lo. E também não há conexão alguma com o mundo externo – nada de Wi-Fi ou 3G.
Com todos esses detalhes, não dá para entender porque seu preço sugerido é de 1.299 reais.

Positivo Alfa

A Positivo também deve entrar em breve no mercado de e-Readers. O Alfa, que teve suas informações dissecadas pela Info, também terá 6 polegadas, mas deixou de lado o teclado físico e ganhou tela sensível ao toque. O aparelho aceitará livros no formato PDF, ePub e TXT para rechear seus 2 GB de espaço interno. Um detalhe bacana é o Dicionário Aurélio que já virá embutido no leitor. Mas, como todos os concorrentes nacionais do Kindle, o Alfa também não tem 3G ou Wi-Fi.
Segundo as informações de preço, o Alfa custará 799 reais nos primeiros meses, sofrendo um corte sutil de 50 reais a partir do terceiro mês e ainda mais uma redução de preço no Natal, época em que outros leitores deverão chegar ao país. Ainda segundo a Info, o leitor começaria a ser vendido em junho, mas já estamos quase no meio de julho e nada do Alfa.

Preço


Valor digitalmente salgado

Mas como convencer as pessoas de que é bom ler livros na tela do computador ou que vale a pena gastar um bom dinheiro em um leitor digital? A promessa dos varejistas era de que os e-Books custariam de 20% a 30% menos do que os livros impressos. Nos livros nacionais, essa promessa aparece em pouquíssimos casos, “detalhe” que deve manter distantes os novos usuários.
Um dos exemplos mais sensíveis é o Top 10 dentro do Saraiva Digital Reader. Ao clicar no livro, caso ele tenha uma versão de papel, o site o avisa e dá um link para a compra. Essa integração causa situações estranhas. O livro mais vendido em versão digital, “O Que a Vida me Ensinou”, de Mário Sérgio Braz, custa 17,92 reais em sua versão digital. Ao clicar no link para a versão impressa, o usuário descobre que o livro custa 16,40 reais na loja online da Saraiva. Em outros casos, uma pesquisa rápida na internet, hábito comum para quem compra livros, encontra a obra impressa por melhor preço, como é o caso de “Leite Derramado”, de Chico Buarque, que custa R$ 29,90 na versão digital da Saraiva, mas pode ser encontrado em sua versão impressa por R$ 27,30 na FNAC. Para usuários iniciantes nos livros digitais, por que escolher a versão eletrônica em uma situação como essa?
Por outro lado, os livros “importados” costumam valer a pena em sua versão digital. Livros como “Gil Evans: Out of the Cool: His Life and Music”, sobre um dos grandes pianistas da história do jazz, custa 27 dólares na Amazon. Na versão digital, vendida na Saraiva, o livro custa R$ 24,41. Um livro sobre o arquiteto Frank Lloyd Wright custa 26,99 dólares, o e-Book sai por R$ 43,73. Ao comprar livros importados, nenhum imposto é cobrado, mas o frete não é barato. Ou seja, “burlar” o envio e comprar a versão digital de uma obra que você só encontrará importada pode valer a pena.
Essa disparidade mostra o cenário atual dos e-Books no Brasil. Com poucos títulos e preços desestimulantes, o mercado é praticamente embrionário: é preciso esperar as negociações com as editoras avançarem e aguardar a chegada de mais e-Readers, criando concorrência e queda de preços. Por enquanto, além da sensação de estar vivendo o futuro, há poucos argumentos para entrar no mundo dos leitores digitais. Porém, a novidade ainda engatinha por aqui, e pelas promessas e apostas – tanto das editoras quanto dos varejistas – o sucesso desta tecnologia ainda está por vir. Enquanto isso, o jeito é esperar.
Por Leo Martins | Esta matéria foi publicada original mente Gizmodo Brasil | Em 09 de Julho de 2010 | 18:42
Há mais de seis meses, o Kindle chegava oficialmente ao Brasil. Junto com ele desembarcava, ainda que tímida, a discussão sobre o fim do papel. A razão pela qual você não vê muita gente com e-Readers por aí é óbvia: há poucos livros nacionais sendo vendidos. Mas isso deve acabar. Livrarias e editoras parecem prontas para entrar no mercado do livro digital. Entenda a diferença dos arquivos, dos leitores e das lojas virtuais.

Formatos


ePub

Para ler livros, nada melhor do que criar um formato de arquivos especialmente para isso. Foi assim que surgiu o formato ePub, sigla para electronic publication, criado em 2007 pelo IDPF [International Digital Publishing Forum]. O formato é gratuito e aberto, além de suportar proteção de DRM, apesar de não usar um padrão único de direitos digitais. O argumento a favor do ePub é a fácil conversão de livros em arquivos digitais, além de dar liberdade para aumentar e diminuir a fonte, por exemplo, o que o torna mais fácil para ser lido em e-Readers.
Ao mesmo tempo, o ePub tem suas limitações. Voltado principalmente para os leitores com tecnologia e-ink, o formato é perfeito para livros entupidos de texto, que não usam muitas imagens. Porém, para livros que abusam de fotos ou até mesmo histórias em quadrinhos, o ePub é praticamente inviável.

PDF eBooks / Adobe Digital Editions

Não é de hoje que o formato PDF é usado para livros digitais. Muito antes do nascimento dos e-Readers era fácil encontrar e-Books usando o formato da Adobe. Como um processo natural, ele é usado por grande parte dos leitores digitais, mas agora com proteção de direitos autorais. Os arquivos trabalham em conjunto com o software Adobe Digital Editions, feito para leitura e organização de e-Books.
Livrarias como a Cultura e a Saraiva usam o sistema, que é baseado em Flash e também lê arquivos ePub. A diferença entre o PDF eBook, como é chamado, e um PDF comum, é a presença da proteção de DRM. Ou seja, para poder ler o livro em até seis desktops, notebooks ou smartphones que suportem o aplicativo, é preciso criar um Adobe ID. Mesmo sendo eficaz, o sistema de proteção e a necessidade de aplicativos, logins, senhas e downloads pode afastar o usuário comum, que gostaria de ter o mesmo processo do livro de papel no livro digital: comprar, abrir e ler, sem complicações.

AZW

O formato criado pela livraria americana Amazon foi o caminho para tornar o Kindle único. Apenas o leitor da empresa lê a extensão, e apenas a livraria vende e-Books com essa codificação. Assim, os livros da Amazon só podem ser lidos no Kindle, mas agora também podem ser acessados em smartphones que usam o sistema Android ou aparelhos com iOS [iPhones, iPads e iPods touch].

Livrarias


Cultura

Desde abril, a Livraria Cultura tem uma loja virtual de e-Books dentro de seu site. Os livros são vendidos no formato ePub e no formato PDF eBooks, que dá licença para o livro ser acessado em até seis dispositivos de leitura, desde que sejam acessados via Adobe ID. O principal empecilho que a livraria enfrenta é o mesmo de qualquer concorrente: a falta de livros nacionais. Com 110 mil títulos disponíveis na loja virtual, menos de mil são em português – e ainda assim, a maioria, traduções e obras de domínio público.
Mesmo assim, a livraria aposta muito nos e-Books – foi a primeira grande varejista a entrar no mercado. Números publicados pela Exame dizem que, em junho, foram vendidos 80 livros digitais por dia. O número pode parecer pequeno, mas a livraria comemora o aumento de 100% no número das vendas em comparação ao mês anterior. Por enquanto, a Cultura está apenas estudando se venderá e-Readers em suas lojas.

Saraiva

A Saraiva entrou no mercado há pouco mais de um mês. Os números, novamente, impressionam, mas não é preciso uma lupa para constatar o mesmo problema da Cultura: são 160 mil e-Books, e apenas 2 mil deles em português. A venda é feita por um software baseado no Adobe Digital Editions, que recebeu um tapa no visual e ganhou o nome de Saraiva Digital Reader. Apesar do visual simples e intuitivo, o aplicativo apresentou lentidão com frequência, problemas para acessar páginas e precisou ser reiniciado algumas vezes, mesmo com poucos programas abertos.
Os dez livros mais comprados e baixados na livraria da Saraiva formam uma lista bem estranha: desde “O Retrato de Dorian Gray”, clássico de Oscar Wilde, que custa 15 reais, até “Emagreça sem fome”, que custa 6 reais.

FNAC espera o iPad

Enquanto assiste às duas principais concorrentes largarem na frente no mercado dos e-Books, a FNAC espera, com um sorriso no canto da boca, como quem sabe que terá uma carta na manga. Depois de muitas especulações sobre a presença da empresa na comercialização de livros digitais e e-Readers – a coreana iRiver chegou a anunciar que venderia seu leitor digital na loja [leia mais abaixo] – os franceses da FNAC não têm mais dúvidas: “estamos trabalhando estratégias para esse mercado há três anos, mas algo de grande impacto aconteceu: o lançamento do iPad”, diz Fernando Sant’ana. A empresa espera então a chegada oficial do tablet da Apple ao Brasil, já que acredita que o mundo dos e-Readers foi “atingido fatalmente”.
E ele pode estar certo. Depois de vender 3 milhões de iPads em 80 dias, a Apple assistiu a seus concorrentes de livros digitais cortarem o preço de seus leitores em efeito dominó. Primeiro, o Nook, da Barnes & Noble. Depois, a Amazon e seu Kindle. E por último, a Sony e seu trio de e-Readers. Jason Perlow, da ZDNet, concorda com o argumento de Fernando Sant’ana, ao lembrar que há um ano e meio, o Kindle custava 399 dólares. O argumento de Perlow é que os leitores mais assíduos poderão preferir os e-Readers clássicos, mas a maioria da população gosta de muitas opções em um só aparelho:

“Realmente, o e-ink pode ser superior para a leitura sob a luz do dia, e pelo menos por enquanto, os leitores mais hardcore, a maioria deles mais velhos, preferirão comprar um Kindle ou um Nook para o consumo de livros durante um belo verão, na praia.
Mas a geração Y está muito mais interessada em seus iPhones, iPads e Androids, com coloridas telas brilhantes e nítidas, e as versões mobile das lojas de e-Books serão o suficiente para essas pessoas, pelo menos para aqueles que ainda gostam de ler livros.”

A FNAC também lembra quantos projetos foram engavetados após o lançamento do iPad, sejam de e-Readers ou até de smartbooks, aparelhos que possivelmente nós sequer veremos nascer. Mas Sant’ana reconhece um dos problemas com o iPad: o processo para adicionar livros no iBooks não será nem um pouco simples. Ele acredita que a evolução no Brasil será muito lenta, principalmente pela questão dos direitos autorais. Sobre os e-Readers, Sant’ana disse que a FNAC já recebeu mais de 10 modelos para análise, mas que o principal empecilho é a falta de assistência técnica – os aparelhos são feitos na Ásia e não têm nenhum tipo de garantia ou assistência técnica no Brasil.

Gato Sabido

Oras, você nunca ouviu falar no Gato Sabido? Pois então saiba desde já que ela foi a primeira loja virtual de e-Books no Brasil, e também é a primeira a vender seu próprio e-Reader, o Cool-er [leia mais sobre ele abaixo]. A loja conta hoje com “mais de 100 mil títulos em inglês” e 1.500 livros em português. Apesar de enfrentar agora grandes concorrentes, a experiência de alguns meses tornam a loja do Gato Sabido uma das mais intuitivas e fáceis de usar, além de ter informações detalhadas sobre os livros.
O sistema funciona por compra de créditos: você compra um valor entre 10 e 100 reais por meio de cartão de crédito, boleto bancário ou pelo PagSeguro. Para tentar ainda mais os compradores, os créditos dão bônus de até 15 reais. Apesar de também ter poucos livros em português, o site conta com categorias de fácil acesso. Os livros são baixados em PDF e ePub e, novamente, é necessário o programa Adobe Digital Editions para acessar as obras.

E as editoras? Conheça o DLD

Se o principal problema para aumentar o número de livros nacionais nas lojas de e-Books é a disponibilização de obras por parte das editoras, elas também preparam seu terreno para o novo mercado. Sete editoras [Moderna, Objetiva, Planeta, Record, Rocco, Salamandra e Sextante] criaram a Distribuidora de Livros Digitais, a DLD. A ideia é que a parceria unifique a distribuição de livros digitais para as livrarias, diminuindo a burocracia no processo de venda de direitos.
Assim, a DLD pretende aumentar o fluxo de livros nacionais digitalizados. Até o fim do ano, a parceria promete 500 novos livros. Se o número não empolga, a promessa para 2011 é ainda mais agressiva: 300 títulos serão distribuídos mensalmente aos varejistas.

e-Readers disponíveis


Kindle

O mercado americano de e-books e e-Readers já é consolidado, graças à aposta da maior livraria online dos EUA, a Amazon, no Kindle, em 2007. A parceria era perfeita: uma infinidade de livros e um leitor revolucionário, que usa a tecnologia e-ink, ou o papel eletrônico, uma tela em preto e branco que não reflete a luz ambiente e garante uma duração de bateria impressionante – a Amazon promete até sete dias longe da tomada, com 3G ligado.
Há dois modelos que nós, brasileiros, podemos comprar: o Kindle original e o Kindle DX. O primeiro teve um corte de preço recente e agora custa para nós 409 dólares, cerca de 700 reais – 200 dólares do valor são impostos. Quando foi anunciado, em outubro de 2009, o aparelho passava a casa dos 1.000 reais. Com tela de 6 polegadas, ele tem cerca de 300 gramas, 2 GB de espaço interno e entrada para chip 3G, que já vem incluso [uma grande sacada da Amazon, que paga sua navegação pelo site].
Já o Kindle DX, com tela de 9,7 polegadas, ganhou há poucos dias uma versão preta, bem classuda, mas que ainda não está à venda internacionalmente. O preço do aparelho nos EUA é 359 dólares, mas depois de passar pela taxação brasileira acaba custando 741 dólares, ou cerca de 1.300 reais.
Além do preço extremamente proibitivo, a principal limitação do Kindle é a escolha dos formatos de arquivos de texto. Em sua primeira versão, o leitor aceitava apenas arquivos AZW – formato em que os livros da Amazon são vendidos – TXT e MOBI, enquanto a maioria dos livros digitais eram distribuídos no padrão ePub e PDF – uma atualização no fim do ano passado liberou a leitura de arquivos da Adobe. E, apesar de ter uma das maiores lojas virtuais como base, a oferta por livros em português é ínfima.

Cool-er

O Cool-er é vendido pela loja virtual de e-Books Gato Sabido. O leitor, fabricado pela empresa inglesa Interead, aposta num formato mais simples do que o Kindle, eliminando o teclado físico e deixando grande parte do espaço para a tela de 6 polegadas. Assim, ele pesa menos de 200 gramas. A empresa promete bateria com duração de até “8.000 viradas de página”, que parece animar até os dispostos a ler Ulysses na telinha de 6 polegadas, também de e-ink. Para guardar os livros, 1 GB de espaço interno, mas não há nenhum tipo de opção de conectividade, como 3G ou Wi-Fi.
A grande sacada do Cool-er é ser o primeiro leitor nacional a ler arquivos no formato ePub, além de aceitar também os formatos PDF, FB2, RTF, TXT, HTML, PRC e JPG. O e-Reader usa o software Adobe Reader Mobile 9, que ainda dá mais opções para leitura de arquivos no padrão PDF. O problema é que seu preço não é tão díspar do Kindle, que conta com 3G e acesso à Amazon: o Cool-er é vendido pela Gato Sabido por 750 reais.

iRiver Story

Recém-chegada às terras brasileiras, a coreana iRiver prometeu vender o iRiver Story na FNAC a partir da segunda quinzena de julho. Pelo que nós ouvimos da empresa francesa, isso não acontecerá. Mesmo assim, o leitor já tem preço e informações no Brasil; só não sabemos ao certo se ele realmente será vendido.
Seu visual lembra bastante o primeiro Kindle, com teclado QWERTY com 5 linhas e tela de 6 polegadas. Como ponto positivo, a empresa colocou um leitor de cartões SD no aparelho, que pode ter até 32 GB de espaço interno. Mas se você tem 32 GB de livros, amigo, você pode se considerar um viciado, já que os livros ocupam pouquíssimo espaço. E o iRiver Story não tem acelerômetro, ou seja, é preciso apertar um botão para girá-lo. E também não há conexão alguma com o mundo externo – nada de Wi-Fi ou 3G.
Com todos esses detalhes, não dá para entender porque seu preço sugerido é de 1.299 reais.

Positivo Alfa

A Positivo também deve entrar em breve no mercado de e-Readers. O Alfa, que teve suas informações dissecadas pela Info, também terá 6 polegadas, mas deixou de lado o teclado físico e ganhou tela sensível ao toque. O aparelho aceitará livros no formato PDF, ePub e TXT para rechear seus 2 GB de espaço interno. Um detalhe bacana é o Dicionário Aurélio que já virá embutido no leitor. Mas, como todos os concorrentes nacionais do Kindle, o Alfa também não tem 3G ou Wi-Fi.
Segundo as informações de preço, o Alfa custará 799 reais nos primeiros meses, sofrendo um corte sutil de 50 reais a partir do terceiro mês e ainda mais uma redução de preço no Natal, época em que outros leitores deverão chegar ao país. Ainda segundo a Info, o leitor começaria a ser vendido em junho, mas já estamos quase no meio de julho e nada do Alfa.

Preço


Valor digitalmente salgado

Mas como convencer as pessoas de que é bom ler livros na tela do computador ou que vale a pena gastar um bom dinheiro em um leitor digital? A promessa dos varejistas era de que os e-Books custariam de 20% a 30% menos do que os livros impressos. Nos livros nacionais, essa promessa aparece em pouquíssimos casos, “detalhe” que deve manter distantes os novos usuários.
Um dos exemplos mais sensíveis é o Top 10 dentro do Saraiva Digital Reader. Ao clicar no livro, caso ele tenha uma versão de papel, o site o avisa e dá um link para a compra. Essa integração causa situações estranhas. O livro mais vendido em versão digital, “O Que a Vida me Ensinou”, de Mário Sérgio Braz, custa 17,92 reais em sua versão digital. Ao clicar no link para a versão impressa, o usuário descobre que o livro custa 16,40 reais na loja online da Saraiva. Em outros casos, uma pesquisa rápida na internet, hábito comum para quem compra livros, encontra a obra impressa por melhor preço, como é o caso de “Leite Derramado”, de Chico Buarque, que custa R$ 29,90 na versão digital da Saraiva, mas pode ser encontrado em sua versão impressa por R$ 27,30 na FNAC. Para usuários iniciantes nos livros digitais, por que escolher a versão eletrônica em uma situação como essa?
Por outro lado, os livros “importados” costumam valer a pena em sua versão digital. Livros como “Gil Evans: Out of the Cool: His Life and Music”, sobre um dos grandes pianistas da história do jazz, custa 27 dólares na Amazon. Na versão digital, vendida na Saraiva, o livro custa R$ 24,41. Um livro sobre o arquiteto Frank Lloyd Wright custa 26,99 dólares, o e-Book sai por R$ 43,73. Ao comprar livros importados, nenhum imposto é cobrado, mas o frete não é barato. Ou seja, “burlar” o envio e comprar a versão digital de uma obra que você só encontrará importada pode valer a pena.
Essa disparidade mostra o cenário atual dos e-Books no Brasil. Com poucos títulos e preços desestimulantes, o mercado é praticamente embrionário: é preciso esperar as negociações com as editoras avançarem e aguardar a chegada de mais e-Readers, criando concorrência e queda de preços. Por enquanto, além da sensação de estar vivendo o futuro, há poucos argumentos para entrar no mundo dos leitores digitais. Porém, a novidade ainda engatinha por aqui, e pelas promessas e apostas – tanto das editoras quanto dos varejistas – o sucesso desta tecnologia ainda está por vir. Enquanto isso, o jeito é esperar.

Por Leo Martins | Esta matéria foi publicada original mente Gizmodo Brasil | Em 09 de Julho de 2010 | 18:42

E-books estão se tornando cada vez mais populares


O eReader quadradão Libriè, da Sony, foi lançado em 2004

Eles já existem há um tempo, mas foi agora, nos últimos anos, que ganharam destaque. Os e-books [ou ebooks ou ainda eBooks, dependendo de quem escreve], do inglês “eletronic books”, são edições digitais de livros que podem ser acessados a partir de computadores e, mais recentemente, a partir de uma grande variedade de dispositivos.

Um dos mais antigos e-books, a versão digitalizada da Declaração de Independência dos Estados Unidos, foi feito por Michael Hart em 1971. Talvez você não o reconheça pelo nome, mas provavelmente conhece o trabalho iniciado por ele no mesmo ano, o Projeto Gutemberg, iniciativa voluntária para a digitalização de trabalhos culturais, em especial os literários, e que encoraja a criação e distribuição de e-books. Uma idéia simples [bem, talvez nem tanto].

Hart recebera de um amigo o privilégio de ter acesso por horas ilimitadas a um computador mainframe Xerox Sigma V na Universidade de Illinois, onde ele estudava. Para retribuir o favor do amigo, ele resolveu fazer algo que pudesse ser considerado grandioso: seu objetivo inicial era catalogar e disponibilizar de forma digital, sem ou com pouquíssimo custo para o leitor, os 10 mil livros mais consultados pelo público até o final do século XX. Apesar de não ter alcançado a sua meta, Hart alavancou o Projeto Gutemberg, que hoje conta com mais de 30 mil títulos digitalizados e disponíveis gratuitamente a partir do site.

Mas apesar de estarem por aí há décadas [tanto os legais quanto os mal-acabados e distribuídos de forma ilegal por sites de compartilhamento e redes peer-to-peer, que não são poucos], os e-books começaram a ganhar destaque mesmo há pouco tempo, com a popularização de alguns leitores eletrônicos como o Kindle, da Amazon e o Nook, da Barnes & Noble e, mais recentemente, o tablet iPad, da Apple.

Um dos grandes problemas dos leitores de e-books anteriores era a falta de conteúdo para ser consumido a partir desses dispositivos – a Sony já fabrica modelos mais “quadradões” de e-readers há anos -, demanda essa que acabou sendo suprida com uma loja inteira da Amazon, uma seção da livraria Barnes & Noble e com a chegada da iBookStore, da Apple.

Como funciona a tinta eletrônica

O desenvolvimento e a constante evolução da tecnologia e-Ink, ou “tinta eletrônica”, também foi algo que capitaneou essa recente popularização dos dispositivos de leitura. Isso porque ler em telas comuns de LCD incomoda muito os olhos: os tradicionais displays emitem luz e portanto precisam de um ambiente escuro para sua leitura.

Mesmo sendo uma luz infinitamente mais fraca que a luz do sol [ou mesmo que a de uma lâmpada], a penumbra necessária para sua leitura acaba por ferir os olhos. Some-se a isso o fato de que a tela de LCD é naturalmente brilhante e reflexiva, mesmo desligada, o que dificulta ainda mais a leitura em ambientes superiluminados.

Já a página de papel de um livro apenas reflete a luz do ambiente, de forma difusa e nada agressiva ao olho. Na tentativa de reproduzir essa sensação, foi criada a tecnologia e-Ink, um tipo de “papel eletrônico com tinta mágica”, que permite uma leitura confortável em tons de cinza.

O principal componente das telas de e-Ink são microcápsulas que contém partículas de pigmento branco ionizadas positivamente e partículas pretas ionizadas negativamente. Quando um campo elétrico negativo é ativado, as partículas brancas movem-se para o topo da microcápsula, de forma a tornarem-se visíveis, e as pretas são empurradas para baixo, ficando escondidas – isso mostra o “papel” branco.

O processo invertido, com campo elétrico positivo, faz com que as partículas pretas venham para a superfície da cápsula, tornando-se visíveis na tela e mostrando a “tinta” preta. Com esse expediente, é possível até mesmo levar um leitor de livros eletrônicos para a praia, por exemplo, sem o desconforto do reflexo das telas tradicionais.

Além disso, as telas de e-Ink utilizam pouca energia [praticamente apenas o necessário para ‘virar’ a página], o que faz os dispositivos que a utilizam serem funcionais por um longo período de tempo entre uma recarga e outra, e extremamente ecológicos.

Junto com a popularização dos e-readers e das telas de e-Ink, o ePub foi escolhido pelo Fórum Internacional de Publicações Digitais [IDPF, na sigla em inglês] como formato oficial de arquivo para a distribuição de e-books, por tratar-se de um formato aberto, gratuito, que permite o ajuste do tamanho das fontes, o uso de CSS e a inserção de licenças DRM.

Apesar do aparente constrassenso [e que já gerou alguma polêmica no mundo do software livre], o DRM é desejável por parte das editoras porque impede que o seu conteúdo seja pirateado ou compartilhado de forma não autorizada.

A grande vantagem do formato ePub é, na verdade, ser uma espécie de ‘container’. Em uma analogia com formatos de vídeo, o ePub seria como o AVI – com ele, é possível a utilização de diferentes tecnologias de DRM, por exemplo, assim como no formato AVI é possível utilizar uma série de diferentes codecs e formatos de vídeos.

No entanto, a conversão dos livros para o formato digital ainda tem um custo muito elevado. Hoje, a conversão de um livro para o formato ePub custa mais de R$ 1 por página, valor relativamente caro. Na Índia, esse custo pode chegar à metade, mas a qualidade acaba sendo prejudicada – com falta de acentos ou cedilhas, característicos do idioma português, por exemplo.

JACQUELINE LAFLOUFA | 08 de julho de 2010 | 16h38