Autopublicação – as maravilhas e agruras de cada plataforma


Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Para quem quer publicar e-books de modo independente no Brasil, há muitas opções, desde as plataformas mais conhecidas – como o Kindle Direct Publishing [KDP], da Amazon, o Kobo Writing Life [KWL], da Kobo, e o iTunes Connect, da Apple, para ficar naquelas que têm interface em português – até iniciativas locais que começam a surgir, como a Simplíssimo e a Bibliomundi. As promessas variam pouco: liberdade total para o autor; % expressivo do preço de capa; disponibilidade do seu e-book para muitas lojas virtuais mundo afora.

Depois de realizar uma série de testes com as principais plataformas, reparto aqui com vocês as experiências e aprendizados colhidos. Espero que possam ajudar a definir seu próprio plano de autopublicação.

Quais as opções?

Certamente há muitas alternativas que não experimentei, mas posso contar para vocês o que achei da Amazon, da Kobo, da Apple e da Smashwords, da qual desisti logo que as outras aportaram aqui no Brasil. Quanto às plataformas novas que estão chegando, vou me limitar a deixar os links para vocês, pois não as testei ainda.

Amazon KDP [Kindle Direct Publishing] – exclusividade ou poligamia?

Quando você vai iniciar o processo de publicação no KDP, de modo muito simples e rápido, como já expliquei aqui, perceberá a tentativa de sedução para aderir ao KDP Select. Aliás, recentemente a Amazon lançou um concurso literário para arrebanhar autores de contos, e um dos critérios para inscrição é que o conto / e-book seja publicado com adesão ao KDP Select.

São inúmeras as vantagens oferecidas: maior % de royalties, possibilidade de realizar promoções de distribuição gratuita do e-book [o que pode ser uma utilíssima estratégia de divulgação] e entrar na divisão do fundo global do KDP Select [em junho/15 o valor total a ser dividido entre os autores do KDP Select era de 8,7 milhões]. Parece óbvio que é melhor aderir, não né? Claro que não. Especialmente depois que o critério de pagamento relativo aos serviços de assinatura Kindle Unlimited [uma espécie de “Netflix de livros”] passou a ser feito pelo número de páginas do seu e-book efetivamente lido, ao invés do download simplesmente.

Aderir ao KDP Select significa que você só poderá colocar o seu e-book nessa plataforma. Ou seja, nada de facilitar a vida dos usuários da iBookstore nem agradar aos que já se acostumaram a compras online no site da Cultura.

Isso pode funcionar, entretanto, em alguns casos. Se o seu público-alvo [caso você conheça bem seus hábitos] prefere o Kindle a outros e-readers ou aplicativos de leitura, se ele é um fã dos bons serviços prestados pela Amazon, ou se sua obra está disponível em inglês e você tem chance de conseguir espaço na Amazon USA, talvez valha a pena.

Os relatórios de acompanhamento de vendas e leituras pelo serviço de assinatura são atualizados a cada hora, e o autor tem como saber em qual das lojas seu livro foi adquirido [mas pode haver desvios, pois eu, por exemplo, continuo comprando através de minha conta na Amazon USA].

Quanto ao processo de publicação em si, fiz há algum tempo uma resenha aqui [http://www.mauremkayna.com/publicando-na-amazon-com-br/]. É um artigo de 2013, mas o conteúdo todo continua válido.

Kobo Writing Life

Esta plataforma, embora disponível para autores brasileiros e com a grande vantagem de disponibilizar seus e-books na Livraria Cultura, não é toda disponível em português e tem uma chatice relevante quanto ao pagamentos dos royalties. Talvez o seu banco não esteja entre os bancos brasileiros pré-cadastrados no KWL, e então você precisará pedir help in English para o pessoal simpático da Kobo. Eles respondem relativamente rápido, mas talvez você tenha de se informar com seu banco a respeito do recebimento de remessas em moeda estrangeira. Você também precisará informar à plataforma o código Swift do seu banco para poder receber o pagamento, que é feito em dólar.

Outra peculiaridade é que os pagamentos só são enviados quando você acumular ao menos US$100 a receber. O registro da experiência que fiz com o KWL está aqui: http://www.mauremkayna.com/experiencia-de-auto-publicacao-kobo-writing-life/

iTunes Connect – Apple

Até bem pouco tempo atrás, vender na Apple exigia a obtenção de um número ITIN, um processo não tão complicado, mas que exigia realizar uma ligação internacional e se comunicar em inglês para prestar uma série de informações. Isso tudo tinha a ver com questões tributárias. Nunca tive paciência para fazer isso e acreditava que não venderia o bastante para recuperar o custo da ligação [é, não sou mesmo otimista quanto ao potencial de venda dos meus e-books, e não é por achá-los assim tão medíocres], por isso, só utilizava a plataforma para distribuição gratuita.

Como meus primeiros testes com a iBookstore começaram a partir da ferramenta [ótima, aliás] iBooks Author, tive uma série de dificuldades com o controle de qualidade da Apple. Contei a saga aqui: http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-iii/

Superadas essas travas, o que posso comentar da Apple é que a visibilidade e a facilidade de venda, mesmo para autores desconhecidos, é muito grande em comparação com outros meios. Talvez pela facilidade oferecida aos usuários no processo de download e até de pagamentos. Tive um volume de downloads impressionante do e-book Contos.com para quem não investiu em divulgação, não escreve literatura Young Adult ou qualquer outro estilo pop e não é celebridade. Não, não acho que isso se deva à descoberta de meu talento, mas à penetração dos produtos Apple e ao modo intuitivo [e também compulsivo] como as pessoas podem comprar / fazer downloads na plataforma.

As outras

Esse título fica meio pejorativo, eu sei. Mas deixemos como provocação. Cheguei a acompanhar e fazer experiências com a Publique-se, da Saraiva [http://www.mauremkayna.com/outras-experiecias-de-auto-publicacao-publique-se/] e com Smashwords http://www.mauremkayna.com/tres-experiencias-de-auto-publicacao-parte-ii/.

Recentemente, vi que a Simplíssimo, que tem grande expertise na produção de e-books [lindos, aliás!], lançou uma plataforma para o autor. Agora com a possibilidade de conversão gratuita e distribuição nas principais lojas online e com royalties de 70% para o autor. Confesso que não testei, mesmo porque não tenho assim toneladas de textos disponíveis para publicação, mas o funcionamento é conceitualmente similar ao do Smashwords, pois seu livro é publicado nas lojas da Amazon, Google Play e Apple sem que você tenha de se cadastrar diretamente em cada uma.

Na Flip, houve o lançamento de uma outra plataforma chamada Bibliomundi, cuja proposta é similar, mas o site ainda está, parece, apenas captando e-mails.

Temos também a e-galáxia [http://e-galaxia.com.br/] que, além de fazer a publicação / disponibilização em várias lojas online, também oferece um catálogo de prestadores de serviço para revisão, edição e capa. Vale comentar que a e-galáxia conseguiu emplacar diversos e-books de contos avulsos como top list na iBookstore, graças a um bom trabalho de divulgação em um selo com curadoria.

Conclusões

A possibilidade de publicar sem intermediários é incrível. Nada de esperar meses pela negativa de uma editora ou amargar o silêncio perpétuo. Há algo, porém, que vale como dica para qualquer das plataformas que o autor venha a escolher [podem ser todas, simultaneamente, aliás]: é preciso ter senso de realidade! Com isso, quero dizer que esperar que o fenômeno E.L. James se repita com você pela simples disponibilização da sua obra para o mundo inteiro na Amazon ou na iBookstore é ingênuo. Se você acreditar que o fato de seu e-book estar disponível para venda em mais de 50 países fará com que o mundo se renda aos seus talentos, bastando postar o link para compra do seu e-book, penso que isso é quase caso de internação ou uso de medicamentos controlados. Ou, trocando em miúdos, vender livros em papel já não é fácil nem frequente se você não é conhecido, e vender e-books, no Brasil, é ainda mais difícil, especialmente dependendo do gênero que você escreve, pois a resistência de certos públicos ao formato ainda persiste.

Mas o objetivo desse parágrafo não é jogar um balde de água fria [ainda mais em pleno inverno!] na sua animação, e sim indicar que, se quiser seguir o caminho da autopublicação, vai ter que ralar. Pense, portanto, sobre o tempo de que você pode dispor para trabalhar com a publicação e a divulgação. Isso poderá fazer você decidir entre a opção de publicar em todas as plataformas ou traçar um plano específico para uma delas, ou ainda, se decidir por alguma aglutinadora como Simplíssimo ou Smashwords. Mas tenha uma certeza: publicar não é o último passo, e sim o primeiro.

Por Maurem Kayna | Publicado originalmente em Colofão | 8 de julho de 2015

Sou engenheira e escritora [talvez um dia a ordem se altere], bailo flamenco e venho publicando textos em coletâneas, revistas e portais de literatura na web, além de apostar na publicação “solo” em e-book desde 2010. A seleção de contos finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2009 – Pedaços de Possibilidade, foi meu primeiro e-book; depois por puro exercício e incapacidade para o ócio, fiz outras experiências de autopublicação, testando várias ferramentas e plataformas para publicação independente.

O uso de livros digitais nas salas de aula brasileiras


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 19/08/2014

Na semana passada, ajudei a administrar uma pesquisa com quase 100 diretores, professores e coordenadores de escolas particulares sobre livros digitais na sala de aula. Os resultados foram surpreendentes, mesmo para um entusiasta digital como eu. Se você está envolvido em edição de livros educativos, não pode deixar de ler isso.

A maioria dos participantes estava focado no ensino fundamental e ensino médio com 80% deles trabalhando em escolas entre 500-10 mil estudantes (nove participantes lideravam escolas maiores de 10 mil alunos). Um número incrível, ao redor de 66%, já estava usando e-books nas salas de aula com menos de 3% que não conheciam a mídia. Apesar de toda a discussão sobre os objetos de aprendizado digital, animações, interatividades e multimídia, o recurso mais importante para os educadores era “busca” – uma funcionalidade padrão em quase todas as plataformas de e-book (exceto nos sistemas que simplesmente dão suporte a uma “imagem” da página impressa).

Quanto os educadores acham que este conteúdo é valioso? Acima de 23% pagariam o mesmo ou maispelo conteúdo digital. A maioria disse que pagaria um pouco menos que a versão impressa do livro, validando a prática comum de que o e-book deveria ter um desconto valendo ao redor de 70% do custo do impresso. Quando perguntamos quais livros eles queriam em versão digital, recebemos uma lista que incluía metade de livros das cinco maiores editoras educativas, mas a outra metade era uma seleção diversa de publicações de editoras médias e pequenas. Muitos estavam exigindo bons e-books para o aprendizado a Língua Portuguesa.

Uma tendência central que vimos foi que, devido à falta de conteúdo disponível no Brasil, muitos coordenadores educacionais estão começando a criar seu próprio conteúdo com ferramentas como iBooks Author, sem paciência para esperar que as editoras atuem.

Interessado em saber mais sobre a pesquisa? Estarei na Bienal do Livro nos dias 22 e 25 e seria ótimo tomar um café com você. Posso ser encontrado em greg@hondana.com.br.

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 19/08/2014

Greg Bateman

Greg Bateman

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Direto da EDUPUB


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/11/2013

Tive o prazer de ser convidado ao EDUPUB, uma conferência global que aconteceu na semana passada em Boston para debater o futuro do conteúdo acadêmico. Com 100 outros participantes, discuti como as editoras brasileiras estão lidando com o coquetel de frutas para programas como o PNLD. Enquanto isso, empresas de tecnologia incluindo Google e Adobe deram suas visões sobre convergência digital. Aqui está o resultado da conferência:

Guerra de browsers, redux. Hoje, com o ePub3, as editoras estão sofrendo uma “guerra de browsers” de novo. Dependendo do aparelho, sistema operacional e versão, arquivos com layout fixo e e-books interativos podem aparecer diferentes. Até agora, o ePub3 tem sido um anti-padrão, onde cada aparelho leitor ou app leitora exige um arquivo um pouco diferente.

ePub3 para educação. Enquanto incontáveis startups educativas e grandes editoras ao redor do mundo introduziram padrões proprietários, havia um consenso geral de que o ePub3 deveria ser o padrão a ser usado. Ao mesmo tempo, a conferência concordou que o padrão ePub3 precisa de algumas grandes melhorias para alcançar seus objetivos educativos.

Matemática Complexa é complexa. Até com a existência de MathML como um meio para expressar equações complexas, o Google aparentemente desistiu de dar suporte total ao padrão, deixando pouco claro qual seria o futuro digital da Matemática. Na realidade, as editoras técnicas como O’Reilly desenvolveram uma estranha mistura alternativa de modo que, no pior dos casos, uma imagem de grade da equação aparece no lugar de um vetor gráfico.

Os Apps de e-book estão mortos. Todos concordam que apps de e-books personalizados estão se extinguindo rapidamente. Toda a funcionalidade que uma editora quer programar: objetos de aprendizado avançado, comunicação de duas vias e avaliação de estudantes agora foram acrescentadas ao padrão ePub3. Além do mais, alguns participantes estão desenvolvendo widgets abertos (open-source) assim os e-books interativos podem, em pouco tempo, se tornar um caso de drag-and-drop. Isso poderia permitir às editoras que foquem seus esforços (e orçamentos) na pedagogia do conteúdo em vez de passar meses programando apps personalizados.

Foco no Autor. Anteriormente, a Inkling e outras startups focadas em educação tinham modelos de negócio limitadores com compartilhamento de renda e forte controle sobre a distribuição final. No entanto, parece que a nova tendência de e-books gerais são como um suco de laranja, enquanto que os e-books educativos são como um coquetel de frutas.

Quando falamos de e-books gerais, há essencialmente um sabor: ePub2, perfeito para Harry Potter, ‘50 tons de cinza’ e ‘7 Hábitos’.

No entanto, até agora, o mundo editorial educativo está longe de convergir em um único padrão – cada contribuinte parece estar acrescentando sua própria fruta exótica em um coquetel pouco apetitoso. Sabores incompatíveis como Custom Apps, HTML5, Adobe DPS, Epub3, PDF, iBooks Author, Flash, estão sendo jogados na batedeira.

A direção agora é desenvolver ferramentas de autoria robustas para e-books educacionais – que fornecem uma alternativa, fácil de acessar, à oferta padrão do Adobe Creative Cloud. Estas ferramentas permitirão que a indústria cresça com muito mais rapidez e chegue a um acordo sobre a fruta certa para a educação.

Quer saber mais sobre a conferência EDUPUB e tendências entre livros educativos? Escreva para mim: greg@hondana.com.br

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/11/2013

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

600 mil livros em branco


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

Alguns dias atrás, tive uma ótima conversa com Sriram Peruvemba [ou Sri], o principal executivo de marketing da E-Ink, um amigo antigo dos tempos pré-Kindle. Ele me contou uma ótima história sobre tecnologia educacional – a julgar pelo alvoroço no último Congresso do Livro Digital, um assunto muito quente.

Muito do rebuliço vem do plano [demasiadamente] ambicioso do Ministério da Educação [MEC] de comprar 600 mil tablets educacionais. O engenheiro dentro de mim fica animado com a iniciativa. Mas o e-publisher dentro de mim fica chocado: 600 mil tablets sem conteúdo? Você pode imaginar comprar 600 mil livros didáticos sem uma única linha impressa?

Sri iniciou nossa conversa me contando sobre o estado atual da leitura eletrônica no mundo. “Com a chegada dos e-readers, a sociedade como um todo está lendo mais, graças à conveniência desses aparelhos, a facilidade de acesso ao conteúdo, a portabilidade, a duração mais longa da bateria, o conteúdo mais barato [e às vezes grátis]. Livros, revistas e jornais, e mesmo documentos de trabalho, estão sendo lidos em tablets e e-readers.

Isto não é novidade para os assíduos leitores do PublishNews…mas então ele deu uma visão um pouco pessimista sobre o estado da leitura em geral.

Mas livros, revistas e jornais se tornaram secundários, muitos adultos não leem muito depois de sair da escola, e mesmo os periódicos têm estado em queda constante nos últimos anos. Não há sinais de que a tendência vai se reverter.

Ele considera, no entanto, que o conteúdo educacional é o pilar mais forte da indústria editorial. “Se você é um estudante em qualquer lugar do mundo, você está usando livros didáticos e isto não é uma opção, é obrigatório.

Nos últimos tempos, surgiram muitas empresas dispostas a inovar a experiência que se tem com o livro didático ou com os aplicativos de educação para tablets.

NearPod oferece uma solução completa para a sala de aula, onde o professor se torna ele/ela mesmo/a o criador de conteúdo – convertendo PDFs em materiais de aula interativos. Eles são uma empresa brasileira, com escritório na Vila Olímpia, em São Paulo.

Inkling, que se uniu à nata das editoras americanas, desenvolveu uma plataforma impressionante que reinventa a experiência do livro no iPad.

É claro que o “elefante na sala”, o competidor grande demais para ser ignorado, é a Apple e seu iBooks Author. Essa ferramenta permite que os autores criem conteúdos específicos para o iPad com recursos interessantes. Ela cria e-books? Ou ela cria Apps? Para o desapontamento de mais de 250 milhões de usuários de dispositivos equipados com o Android, o conteúdo gerado com o iBooks só funciona em uma plataforma, o iPad.

Enquanto os Apps são chamativos, potentes e legais, eu não tenho dúvidas de que eles não são o futuro da indústria editorial. Eu reforcei minha convicção de que os padrões como o ePub vão se mostrar os mais resistentes depois que, ao atualizar o sistema iOS, a Apple “quebrou” mais de 300 de nossos aplicativos de livros eletrônicos na Vook.

E Sri me confirma: “você precisa de um suporte [para o conteúdo educacional] e esse suporte é um dispositivo portátil como um e-reader [com tecnologia E-Ink].

Espera aí, você vai dizer, você não pode ensinar sem cor, e os leitores E-Ink são preto e branco. Não mais.

A Ectaco, cliente da E-Ink, já produz um aparelho em cores chamado Jetbook, que foi originalmente lançado na Rússia com sucesso na sala de aula”. Depois dessa primeira experiência, eles lançaram o dispositivo na prestigiada Brooklyn Technical High School em Nova York.

Os testes começaram em março, com o Jetbook que tem a tela em cores E Ink Triton. Os alunos aprenderam a manejá-lo em uma hora e desde então estão usando. Eles tomam notas, marcam o texto e salvam os trechos que vão usar no futuro para referência.

E corre o boato de que a Ectaco está olhando o Brasil.

Agora, com todas essas plataformas interessantes, voltemos à questão mais importante: “Quem vai criar conteúdo para encher esses 600 mil livros?”.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

O que é a nuvem?

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Vook lança plataforma para produção de eBooks


Depois de quatro meses em teste, a Vook lançou para o público a versão de seu software de distribuição e produção de e-books. A plataforma da Vook propõe-se a ser fácil suficiente para que autores independentes publiquem seus e-books diretamente, e robusta o bastante para o uso corporativo. O serviço foi desenvolvido para permitir criar e automaticamente distribuir para as lojas da Amazon, da Barnes & Noble e da Apple tanto e-books que contêm apenas texto, como aqueles que possuem recursos multimídia. Outras plataformas de publicação que prometem ser fáceis de usar e gerar resultados impressionantes foram lançadas recentemente, como o iBooks Author, da Apple, e o Habitat, da Inkling

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 26/03/2012

Uma bolha [de livros] prestes a estourar?


A autopublicação pode ser a redenção dos escritores — ou agravar uma situação já insustentável

Minha primeira euforia de autopublicação, disparada por uma nova e revolucionária tecnologia, foi há muito tempo. Muito tempo. Um colega chegou com uma novidade incrível: poderíamos criar nossos próprios adesivos! Bastava uma tesoura e um papel mágico chamado contact. Maravilhados com a liberdade de expressão, a turma [segunda série, se não me engano] passou a recortar, adesivar e colar tudo o que achasse de [vagamente] interessante nas revistas. Aventuras do Cebolinha, campanhas educativas com o Sugismundo e robôs do recém-lançado “Guerra nas estrelas” [sim, sou velho] ganhavam, pela mágica do contact, as capas dos cadernos, os estojos, as prateleiras, as roupas, as portas, as cadeiras, janelas, o braço, a testa… No frenesi autopublicador, valia todo lugar e qualquer assunto, o importante era a brincadeira e a liberdade. Até o ponto em que a sala de aula ficou forrada de pedaços de classificados, fragmentos de quadrinhos, anúncios imobiliários. E aí cansamos. Então alguém trouxe um ioiô, a nova febre se instalou e ninguém mais quis colar nada em lugar nenhum.

Sábado passado, um amigo meu veio me mostrar o livro que ele havia “publicado” no Author, o software de edição para iPad acoplado à loja de livros da Apple. Exibiu-me deliciado as imagens rotativas, os vídeos interativos, as “páginas” autodiagramadas. Lindo. Pedi para ler com mais atenção e deparei-me com o famoso “Lorem ipsum dolor sit amet…”. O texto era cego, estava ali para ocupar espaço, somente. O “livro” [ou iBook] do meu amigo era um invólucro fascinante para um conteúdo inexistente.

Não quero aqui equiparar meu amigo a meninos de sete anos. Ele é um excelente profissional da multimídia, com muitos anos de experiência [e vai ler este artigo]. Eu compartilho plenamente sua empolgação frente às possibilidades de expressão e à liberdade conquistada com a publicação digital. Porém, por dever profissional [tanto para escrever esta coluna quanto para assegurar que eu, editor, terei uma profissão no futuro breve], tenho que refletir sobre as implicações dessa liberdade autopublicadora oferecida não só pelo sensual Author da Apple, quanto pela luxuosas opções gráficas do Lulu ou a presteza do SmashwordsPerseBookmaker, entre as dezenas de opções de autopublicação que pululam na web. E dessa reflexão vem a pergunta básica: haverá conteúdo — e leitores — suficientes para dar sentido a tantos livros?

O descompasso entre a oferta de livros e a demanda não é uma questão nova. Já o Eclesiastes advertia ao leitor para que não se angustiasse em ler tudo porque “se podem multiplicar os livros a não mais acabar” [12:12] — e olhe que a produção literária no século 5 a.C. se restringia a variações sobre a Torá. Mais tarde temos Balzac que, depois de falir como editor e tipógrafo, escreveu, apropriadamente, As ilusões perdidas [1837], e que assim retratou a resposta de um editor a um candidato a autor:

Se eu fosse dar conversa a todo escritor que põe na cabeça que eu devo ser seu editor, eu teria que fechar a loja, passaria meu tempo muito agradavelmente, mas a conversa me custaria muito. Ainda não sou rico o suficiente para ficar ouvindo todos os monólogos autocongratulatórios. Ninguém pode se prestar a isso, a não ser quando assiste tragédias gregas.

Mesmo com a resistência [ou, digamos, a triagem] exercida pelos editores antipáticos [os famigerados gatekeepers], a quantidade de livros já era avassaladora e, algumas décadas mais tarde, Eça de Queirós colocou assim seu espanto diante da enxurrada de livros recém-viabilizados pela Revolução Industrial:

Durante todo o ano não se interrompe, não cessa essa publicação fenomenal, essa vasta, ruidosa, inundante corrente de livros, alastrando-se, fazendo pouco a pouco, sobre a crosta da terra vegetal do globo, uma outra crosta, de papel impresso. […] Eu sei que estou aqui fazendo o papel ridículo[…] e balbuciando, com a boca aberta: — Jesus! tanto livro!” [Cartas da Inglaterra, 1874]

Já em nosso século, Gabriel Zaid sintetizou a questão no sombrio Livros demais!, demonstrando que o estoque de livros publicados apenas em um ano nos Estados Unidos bastaria para suprir a demanda por leitura no planeta inteiro, por décadas.

Convém ressaltar que Zaid publicou seu livro [mais um!] numa época em que ainda não se falava seriamente em e-books. Se já havia livros demais quando havia requisitos de capital, administração de estoque, frete etc., o que esperar de uma nova situação, em que não há restrições ou barreiras para quem quiser publicar? E quando gigantes como a Amazon e a Apple estão cortejando e estimulando os escritores de gaveta a se lançarem nas prateleiras?

O que vai acontecer quando a oferta de livros, que já excedia de longe a demanda, explodir com a autopublicação? A primeira consequência, se cumprirmos a lei da oferta e da procura, será a desvalorização. Quando se nota que a maioria dos e-books da lista dos mais vendidos da Amazon custa menos de um dólar [ou é gratuito], quanto valerá um e-book? “De graça é um preço caro demais para um e-book autopublicado” disse um editor tradicional inglês em recente debate onde se discutiu a relevância dos editores no futuro.

Há uma semana, Ewan Morrison alertou, no Guardian, que estamos diante de uma bolha especulativa, tão sorrateira e perigosa quanto a bolha imobiliária que estourou e pôs o mundo em recessão. Trata-se da “bolha da autopublicação”. Morrison, que já publicara o apocalíptico artigo Os livros estão mortos? Os escritores sobreviverão?, agora demonstra como a euforia autopublicadora tem paralelos notáveis com as bolhas especulativas. A mecânica é a mesma: em resumo, alguém começa a ganhar muito dinheiro de um modo ilusoriamente fácil, uma multidão segue atrás e cria-se um verdadeiro mercado para estimular esses novos integrantes [semelhantes àqueles que entram nas pirâmides financeiras para enriquecer… quem está no topo]. A euforia espalha-se como vírus, tudo cresce exponencialmente, até que para. E tudo rui. Pop!

A questão toda da autopublicação [selfpublishing] é que ela traz para o mercado ‘as pessoas que não estariam normalmente lá’. Da mesma forma como nos prometeram que poderíamos pagar boas casas com hipotecas baratas, agora eles [as empresas do digital, a Amazon, a Apple e a imprensa] nos dizem que podemos todos ser escritores, e fazer sucesso”.

Morrison ainda insinua onde está de fato o dinheiro que circula nessa história toda:

As pessoas que estão se autopublicando pela primeira vez estão também comprando seus primeiros iPads e Kindles, para entender a tecnologia. Elas podem estar dando seus livros de graça, mas estão gastando de mil a dois mil reais em aparelhos tecnológicos — mais até do que gastam em livros por ano”. E esse investimento em dinheiro não rende sequer retorno em literatura, já que o produto são “centenas de milhares de novos e-books para os quais praticamente não há leitores, porque terão visibilidade zero”.

Euforia [“liberdade ao escritor!”] e ansiedade [“os livros vão acabar!”] são comuns em fases de transição, como a que estamos presenciando. Quando não há ainda regras de funcionamento, vale tudo. Como dizem, “o ideograma chinês que representa crise também representa oportunidade”. Porém, assim como esse aforisma é simplesmente falso [pergunte a um chinês], talvez só nos venha a crise. Ou só as oportunidades. Talvez só venhamos a saber no longo prazo, quando o tempo tiver decantado o que fará sentido [econômico e cultural] publicar… e o que valerá a pena ler.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 09/02/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outro, “10 livros que abalaram meu mundo” e “Paixão pelos livros” [Casa da Palavra], “O Futuro do livro” [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

O futuro dos livros didáticos


Na quinta-feira, realizou-se a última promessa de Steve Jobs. A Apple entrou no mercado americano de livros didáticos. Associada às maiores editoras americanas, ela produzirá livros a US$ 14,99, uma verdadeira pechincha. No mesmo lance, lançou o aplicativo iBooks Author [grátis], que transforma qualquer autor num editor.

O Author turbinará o mercado de livros feitos em casa e vendidos na rede. Ele já existe, com resultados surpreendentes. Amanda Hocking, uma jovem de 26 anos movida a Red Bull que escreveu 17 livros nas horas vagas, submeteu-os a 50 editoras de papel e foi recusada por todos. Botou nove deles na rede, vendeu 1 milhão de cópias e embolsou US$ 2 milhões. O mais barato é grátis, o mais caro custa US$ 8,99. [Com seu viés açambarcador, a Apple quer que a freguesia só use o Author em Macs e que só comercialize os livros na sua loja.]

Já os e-books didáticos prenunciam uma revolução, com vídeos, áudios e imagens que mudam ao toque do freguês. Mais a possibilidade de criação de comunidades de jovens que estudam naquele volume.

Tudo isso por menos da metade do preço de um livro de papel.

Quem quiser ver o que vem por aí, pode baixar a versão para iPad ou iPhone de “Our Choice” [“Nossa Escolha – Um Plano para Resolver a Crise Climática”], de Al Gore, por US$ 4,99.

Essa revolução está na rua. Em vez de o governo pensar num modelo Kodak, comprando 500 mil laptops ou tabuletas, derramando dinheiro da Viúva com ferragens numa rede onde faltam professores e cursos de qualificação, os ministérios da Educação e da Ciência poderiam planejar o futuro.

Em 2010, o MEC gastou R$ 855 milhões no bem-sucedido Programa Nacional do Livro Didático.

Desse ervanário, pelo menos R$ 700 milhões foram gastos com papel e impressão. Coisas como alfafa e cocheiros no tempo das carruagens. Os autores ficaram com algo mais de R$ 50 milhões.

Os dias das grandes editoras de livros didáticos penduradas em parques gráficos durarão o quanto duraram os estábulos no início do século passado.

Nos próximos anos, com a disseminação e o barateamento das tabuletas, as editoras, grandes ou pequenas, se diferenciarão pelo qualidade dos seus cérebros.

Se o governo for humilde na compra de ferragens, porém ambicioso no planejamento da capacitação de professores e de técnicos capazes de estimular e organizar autores, todo mundo ganha, sobretudo a Viúva.

Por Elio Gaspari | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | São Paulo, domingo, 22 de janeiro de 2012

As novidades da Apple


Companhia avança no mercado de didáticos e de autopublicação

A Apple anunciou novidades, ontem, para o mundo dos livros e da educação. A companhia americana lançou a segunda versão do aplicativo iBooks, que permite o uso de livros didáticos multimídia no iPad, de olho no aumento do uso de tablets para ensino.

A empresa também deu um passo importante para disputar o segmento autopublicação ao anunciar o iBooks Author, um app com o qual autores podem criar seus próprios e-books e colocá-los à venda na iBookstore, de forma independente.

Por fim, a Apple anunciou um novo iTunes U, que permite a educadores criar e distribuir cursos completos, com recursos de áudio e vídeo, entre outros.

O iBooks 2 foi anunciado em conjunto com uma primeira leva de e-books didáticos criados em parceria com Pearson, McGraw-Hill e Houghton Mifflin Harcourt, grandes grupos de publicações educacionais. A Apple disse que o aplicativo vai, em algum momento, incluir obras de todas as disciplinas para todos os níveis de ensino.

Os livros didáticos disponíveis para compra no iPad custarão US$ 14,99 ou menos, segundo a companhia, e oferecem diversos recursos, incluindo animação. Os estudantes também podem responder perguntas interativas sobre o conteúdo e usar o dedo para ressaltar parte dos textos.

Já o iBooks Author foi descrito como “a mais avançada, a mais poderosa e a mais divertida ferramenta para a autoria de e-books já criada”, de acordo com Phil Schiller, vice-presidente de marketing global da Apple.

O lançamento significa que a companhia passa a brigar de frente com serviços como o Kindle Direct Publishing, da Amazon, que permite que os autores publiquem seus e-books diretamente, sem o intermédio de uma editora. Segundo a Apple, o novo app permite criar um e-book atrativo, com diferentes recursos, a partir de um simples arquivo de Word. Embora o lançamento tenha sido associado ao segmento de obras educacionais, nada impede que seja usado por autores de qualquer tipo de livro.

Em entrevista ao site da The Bookseller, o agente literário Peter Cox observou que a Apple tornou mais fácil do que nunca produzir um “enhanced e-book”. “Eles [a Apple] eliminaram os obstáculos técnicos que existiam. Isso vai ter grandes implicações no crescente mercado de autopublicação – e não só nos livros didáticos.

Já a venda de livros educacionais no iPad por “14,99 ou menos” vai significar, para o agente, uma nova corrida por preços mais baixos, com impactos significativos para o mercado.

Para Gabriela Dias, gerente no Brasil de pesquisa e desenvolvimento de conteúdos digitais na Edições SM, grupo espanhol de publicações educacionais, os lançamentos da Apple abrem uma porta importante para a autopublicação, permitindo que mais autores e escolas que não usam sistemas de ensino desenvolvam e disponibilizem conteúdos próprios, a custos baixos. Por outro lado, o conteúdo serva apenas para o iPad, o que coloca a questão de quão relevante será a mudança proporcionada pela Apple. “Pelo menos no Brasil, o iPad alcança um público muito restrito, por ser muito caro. Ainda não há uma escola que faça uso massivo dele”, avalia.

Para Dias, as editoras brasileiras, que já vêm sendo pressionadas pelas escolas particulares e também pelo governo [veja a coluna escrita por ela no PublishNews], devem produzir conteúdo multiplataforma – podendo utilizar as ferramentas da Apple para produzir conteúdo para iPad, mas sem ficarem restritas a esse sistema. “A Apple sem dúvida está facilitando a produção de livros didáticos, mas ainda há barreiras para a inserção desse conteúdo na sala de aula”, diz.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 20/01/2012

Apple lança aplicativos para criação e leitura de eBooks didáticos


A Apple lançou nesta quinta-feira [19] dois novos aplicativos: o iBooks 2, aplicativo que incorpora livros didáticos escolares, e o iBooks Author, ferramenta usada para criá-los. O anúncio foi feito em um evento em Nova York, especialmente voltado para educação.

Os livros estão, a partir de hoje, em uma nova categoria da iBookstore: os “textbooks”.

Educação está enraizada em nosso DNA“, disse Phil Schiller, vice-presidente sênior de marketing de produto da Apple, ao iniciar o evento. “E, em geral, a educação está em tempos sombrios” continuou.

Livros didáticos na iBooks, plataforma de e-books da Apple

Após a exibição de um vídeo com professores enumerando as dificuldades que os alunos têm para aprender, Schiller anunciou o iBooks 2 como uma ferramenta que reinventa os livros didáticos escolares.

Os livros didáticos não são tão portáteis, não são duráveis, não são interativos e também não é possível fazer uma busca neles. Mas o conteúdo é fantástico“, disse Schiller.

Segundo o Schiller, uma solução perfeita para o problema é a inserção desse conteúdo em um dispositivo portátil, interativo e digital – o iPad.

O iBooks Author permite a criação dos livros – com glossários, vídeos e outros elementos interativos. Pela apresentação, os comandos se mostraram bem intuitivos, e o aplicativo se encarrega da formatação de texto conforme você posiciona as imagens ou outros itens.

Os livros estarão sempre atualizados e custarão até US$ 14,99 ou menos, disse Schiller.

Outro anúncio feito pela Apple foi o novo iTunes U, uma seção da loja da iTunes voltada para publicações didáticas e lançada em 2010 para o iPad. O iTunes U já teve mais de 700 milhões de downloads, segundo Schiller. O novo iTunes U é uma ferramenta para criação de cursos on-line por professores, com vídeos, exercícios e tarefas de casa.

Os três aplicativos são gratuitos e já estão disponíveis na loja virtual da Apple.

Folha.com | 19/01/2012 – 13h31