O mercado digital alemão


alemanha-brasilEnquanto nos EUA o crescimento das vendas de e-book estagnou, na Alemanha ele continua dinâmico, e livreiros online alemães, principalmente Tolino-Allianz, querem tirar a liderança da Amazon.

Os números do mercado de e-book na Alemanha são motivo de otimismo. A participação no faturamento de 2012 referente à venda de e-books triplicou em relação ao ano anterior, passando de 0,8 para 2,4% [segundo um estudo sobre o setor realizado pela Börsenverein e publicado pelo Painel do Usuário da GfK]. Mas isso não significa que o mercado de e-books não tem seus limites. As grandes taxas de crescimento anual do livro digital nos EUA chegaram a um ponto de estagnação, pelo menos por ora. Enquanto a participação no mercado ficou em 22,6% em 2012, até a metade deste ano ela não havia ultrapassado os 25%, segundo a pesquisa da BookStats, revelou Nina von Moltke, Vice Presidente da Digital Publishing Development da Random House, à revista Zeit.

Só o tempo dirá o que isso significa para o mercado alemão. Depois de anos de crescimento, é possível que a curva do faturamento diminua e passe a oscilar em torno de um patamar. Segundo Anne Stirnweis, responsável pelo livro digital na Random House de Munique, o crescimento neste setor continua, “e não esperamos nenhuma mudança. Mas a longo prazo é natural que o crescimento diminua.” Quanto à participação do livro digital no mercado alemão, seu ponto máximo também pode ficar abaixo de 25%.

No mercado alemão de e-book o foco não está somente no aumento de receita, mas também na briga pela liderança do mercado: A E-Reader-Allianz dos atacadistas Weltbild, Hugendubel, Thalia e Club Bertelsmann, assim como a Telekom, tentam atrair o grosso do mercado alemão com a ajuda do seu leitor Tolino. Segundo a GfK, a Amazon alemã teve uma participação no mercado de e-book de 41% em 2011. Diminuir essa participação do mercado de origem americana é o principal objetivo do grupo. Os sócios da Tolino conseguiram em 2011 uma participação de mercado de 35%. As lojas de e-books do leitor digital são abastecidas pela Pubbles, uma joint-venture entre DBH e Bertelsmann, cujo portal de vendas será encerrado no fim de setembro. A partir daí, a Pubbles passará a atuar somente como distribuidora.

A plataforma Libreka! pode ter um papel importante, caso se junte ao consórcio Tolino, abastecendo as pequenas e médias livrarias que queiram vender aparelhos Tolino e livros digitais. Há negociações no momento referentes à divisão de custos para este modelo de negócio, que ainda precisam ser esclarecidas.

Por enquanto é possível apenas estimar como o público do mercado alemão de livros digitais evoluiu nestes seis primeiros meses do ano, principalmente desde o lançamento do Tolino em março. Os resultados não discriminam por varejista de e-books, mas são frequentes as notícias sobre o crescimento da participação de empresas como Thalia e Weltbild/Hugendubel: as vendas do Tolino pela Weltbild e Hugendubel, que chegam a cinco dígitos, ultrapassam as expectativas, crescendo ainda mais durante o Natal.

Veja uma seleção dos portais de livros nos países de língua alemã

Amazon.de – Loja Kindle
Catálogo: cerca de 1,8 milhão, dos quais 170.000 em língua alemã.
Formatos:  AZW, PDF, TXT [exceto EPUB],  KF8 para  livros com informações extras [em sistema protegido]
Participação no mercado em 2012 [segundo a GFK]: 41%
Leitores digitais: Kindle, Kindle Paperwhite, Kindle-Fire [Tablet] e aplicativos de leitura

Thalia.de
Catálogo: cerca de 300.000, dos quais 200.000 em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GFK]: 14%
Leitores digitais: Tolino Shine, Bookeen Cybook, Tablet PC4

Weltbild.de
Servidor: DBH
Catálogo: cerca de 500.000, sem dados sobre livros em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GFK]: 13%
Leitores digitais: Tolino Shine, Trekstor Reader 4Ink
Particularidades:
– A Pubbles, uma joint-venture entre Weltbild e Bertelsmann, abastece as lojas DBH [Weltbild, Hugendubel]
– A DBH pertence à Tolino-Allianz [juntamente com Thalia, Clube Bertelsmann e Deutsche Telekom]; 100 dias após estrear no mercado, ela anunciou vendas em valores na casa dos cinco dígitos.

Libreka !
Servidor: MVB
Catálogo: cerca de 760.000, dos quais 85.000 são títulos em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Leitores digitais: Trekstor Liro Ink, Trekstor Liro Color, Trekstor Liro Mini, Trekstor Liro Tab [Tablet]
Particularidades :
– a Libreka! foi fundada como site de procura de textos e oferece e-books desde 2009.
– A Liro Shop instalada dentro do Leitor Liro é alimentada com dados da Libreka!
– Libreka! como plataforma de distribuição foca principalmente no segmento loja para loja [B2B] para editores e livreiros
– Um modelo de empréstimo está atualmente em teste; cerca de 800 títulos podem ser emprestados.

Buecher.de
Catálogo: cerca de 1,1 milhão, dos quais 400.000 em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GfK]: 5%
Leitores digitais :  Tolino Shine,
– A loja incorpora na sua página comentários de jornais como o “FAZ” [Frankfurter Allgemeine Zeitung]

Ebook.de
Servidor: Libri.de
Catálogo: cerca de 600.00, dos quais 245.000 em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GfK]: 4%
Leitores digitais: ebook.de distribui leitores de texto Sonys PRS-T2
Particularidades:
– Apesar do foco ser conteúdo digital [e-book.de], os clientes podem também pedir títulos impressos
– O acionista majoritário da empresa é o varejista Libri
– ebook.de é a sucessora de loja de varejo  libri.de [mudou de nome em outubro de 2012].

Por Conexão Alemanha-Brasil | Publicado em português por PublishNews | 05/08/2013 | Publicado orignalmente por Börsenblatt | 2/07/ 2013 | Michael Roesler-Graichen, Tamara Weise and Jens Schwarze são editores da Börsenblatt, o jornal sobre mercado editorial mais importante da Alemanha.

Die Zeit leva sua reputação para os eBooks


DIe ZeitJornal alemão lançou no mês passado uma linha fixa de livros digitais

O jornal alemão Die Zeit resiste à fórmula dos textos curtos e rasos, tão frequentemente adotada pelos jornais que veem sua sobrevivência ameaçada na era digital. O semanário, tido como o melhor da Europa, continua publicando textos longos e analíticos que continuam lhe garantindo ótima reputação e também crescimento – sua receita cresceu 2% em 2012 e alcançou € 154 milhões, a maior desde a criação do jornal em 1946. Foi com certa naturalidade então que o Zeit aderiu à onda de outros veículos da imprensa internacional [no Brasil temos o caso do jornal O Globo] e lançou no mês passado uma linha fixa de livros digitais, que têm entre 50 e 150 páginas e reúnem textos já produzidos pelo Zeit. Segundo Sandra Kreft, responsável pelas revistas e novos negócios do grupo, os e-books foram pensados para atender os leitores que desejam formatos mais concisos sobre temas específicos.

PublishNews: Por que o Die Zeit lançou e-books?
Sandra Kreft: O Zeit é uma empresa de mídia atenta aos novos desenvolvimentos dos meios de comunicação e do comportamento do leitor. Quando os e-books começaram a crescer na Alemanha, em 2011, começamos a olhar para essa área de negócio. Há leitores que desejam formatos mais concisos sobre temas específicos e essa lacuna nós preenchemos com nossos e-books, que abordam temas atuais que mexem com a sociedade. Quando um tema novo se torna relevante, podemos reagir rapidamente e produzir um e-book que apresenta o que há de mais importante sobre o tema. Queremos levar as competências do Zeit – jornalismo de qualidade e diversidade temática –para o digital.

PN: Como vocês elegem os temas dos e-books e quais públicos buscam alcançar com eles?
SK: A partir de uma grande base de assinantes e das experiências que havíamos reunido com nossos outros produtos digitais, pudemos de antemão analisar muito bem os grupos que se interessariam pelos e-books. Agora, depois do início da operação e graças à nossa loja digital própria, estamos descobrindo algo mais sobre nossos clientes todos os dias. Os assinantes são um público importante, porque confiam na marca Die Zeit e estão abertos a nossos novos produtos. Mas por meio de outras plataformas de vendas – Amazon, Apple, Google, Weltbild, Hugendubel e Kobo –, alcançamos também outros clientes que não são leitores regulares do Zeit.

PN: Qual o processo de produção dos e-books dentro do jornal?
SK: Em geral os e-books consistem em textos publicados anteriormente no Zeit ou nas revistas do grupo. Com a reunião dos textos, que antes haviam sido publicados separadamente, os leitores têm no e-book uma obra compacta, que lhes dá um panorama com as informações mais importantes sobre o tema escolhido. Para o futuro é possível que textos inéditos sejam escritos para os e-books. Trabalhamos junto com a redação, que nos ajuda na escolha dos textos e na estruturação dos livros. Então todo o material é revisado e, quando necessário, atualizado.

PN: Se os e-books são a reunião de textos já publicados, o leitor se dispõe a pagar? Por que ele simplesmente não buscaria os textos gratuitamente no site do jornal?
SK: O valor para o leitor está justamente na seleção e reunião dos textos relevantes sobre um tema especifico. Assim ele economiza o tempo e o esforço de procurar os artigos no site. Ele também pode ler o e-book em qualquer momento e em qualquer lugar, mesmo sem conexão à internet. Além disso, nem todos os textos que saem no Zeit estão disponíveis no zeit.de. Alguns e-books foram feitos com conteúdo exclusivo, um deles é o Vorsicht, gute Nachrichten! [“Cuidado, boas notícias!”], que contém o resultado de uma pesquisa conduzida pelo Zeit que ainda não havia sido publicada.

PN: Quais critérios vocês usam para estabelecer os preços? [Eles variam entre € 1,99 e 4,99]
SK: Nossos e-books mais curtos, cada um com três reportagens sobre um assunto, têm cerca de 50 páginas cada. Já os mais extensos têm cerca de 150 páginas, três vezes mais. O tamanho é um critério importante para compor o preço, mas também contam a exclusividade da informação e o valor percebido pelo leitor.

PN: Quais os resultados das vendas até agora e quais são as metas para a coleção?
SK: A nova coleção de e-books foi lançada há um mês e foi muito bem recebida. As vendas na nossa loja própria, as quais podemos analisar constantemente, evoluem de forma bem positiva. Estamos muito satisfeitos. Para o primeiro ano, não temos uma meta de vendas, já que queremos usar este tempo como fase piloto para experimentar e aprimorar. Nosso objetivo é publicar regularmente, a cada um ou dois meses, novos títulos de temas variados. Até o fim do ano queremos lançar 25 e-books.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente e clipado à partir de PublishNews | 23/07/2013