Dicas práticas para produção de ePub3


Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Em meu último texto, chamei atenção para algumas questões de cunho teórico que precisam ser levadas em conta quando se trata de produzir em ePub3. Dando continuidade a esse mesmo assunto, gostaria de destacar aqui alguns outros tópicos, agora de caráter mais prático. Não será um texto com tutoriais, mas com dicas gerais, inclusive de fluxo de trabalho.

Antes, vale dizer que a mesma ressalva feita no primeiro texto vale também para este: o que tenho em mente são livros de texto, não layout fixo, assunto deveras mais complexo que ficará para outra ocasião.

1. Permanecendo no Sigil até o limite

O Sigil, editor de ePub gratuito e open source que todos nós amamos, ainda não dá suporte para o ePub3, de modo que, quando um e-book já está no novo formato, o programa não é capaz de editá-lo corretamente. É bom evitar até mesmo abrir um ePub3 no Sigil, pois o código do arquivo pode acabar alterado. No entanto, o Sigil permanece sendo um dos melhores recursos na produção como um todo de um ePub3, mesmo que não seja possível editar diretamente nele.

E isso porque você não precisa, logo de saída, já ter um ePub3. Uma vez que o Sigil é tão prático, o melhor é extrair dele todo o possível antes de deixá-lo.

A recomendação é a seguinte: trate seu e-book como um ePub2 tradicional nas etapas iniciais da produção. Você pode convertê-lo pelo InDesign ou outro método do seu agrado, realizar a adaptação do projeto, inserir fontes e imagens, deixar o arquivo pronto para a revisão e inserir as emendas apontadas, tudo exatamente como teria feito por padrão se o e-book não fosse ganhar uma versão avançada. Só então, quando essas etapas [inclusive correções de texto] estiverem concluídas, prossiga para a conversão para ePub3.

Essa organização tende a otimizar o tempo, pois, do contrário, seria necessário utilizar um editor de HTML desde o início, além de compactar diversas versões do mesmo arquivo para realizar testes nos aplicativos. Concentrando a produção no Sigil até que este não possa mais ajudar, tem-se um processo mais fluído.

No caso de um projeto amplo, em que um livro precisa ter também uma versão ePub2, essa recomendação é ainda mais enfática, afinal esse arquivo será de fato necessário.

2. Conversão

O Sigil pode ser utilizado inclusive para converter seu arquivo ePub2 para ePub3. Com alguns cliques — como falei no primeiro texto, essa parte não é nem de longe a mais difícil –, você usa o plugin ePub-itizer e obtém uma versão confiável do arquivo no qual já vinha trabalhando atualizada para o novo formato. É a partir desse momento que o Sigil não poderá mais ser usado para edição. Lembre-se: você tem um arquivo já bem-encaminhado, com imagens e fontes já inseridas, bem como emendas de texto. Tudo que é comum entre o ePub2 e o ePub3 já está feito. O que vem agora é que será particular desse último.

3. Compiladores e editores de HTML

De agora em diante, você terá de trabalhar com seu arquivo descompactado. Para descompactá-lo, você pode utilizar programas como o ePubPackePubZip/Unzip [os mesmos podem ser utilizados depois para compactar] ou até mesmo abrir o ePub pelo WinRar e arrastar os conteúdos para uma pasta separada. Para editar as páginas agora descompactadas, será necessário um editor de HTML, comoNotepad++TextWrangler. Lembre-se: agora as facilidades do Sigil acabaram. Se novos arquivos, como áudios e vídeos, forem inseridos, terão de ser manualmente. Isso significa inclusive declará-los no content.opf.

4. Uma palavra sobre áudios e vídeos

Áudios e vídeos podem ficar estocados na pasta Misc, padrão em ePubs, mas você também pode, para melhor se organizar, criar pastas específicas [uma pasta “Audio” e outra “Video”].

Já que estamos falando sobre áudios e vídeos, um toque sobre suporte. Como tantos outros recursos do ePub3, estes dois não funcionam em todas as plataformas. De todas, a Apple é a quem melhor suporte. Nas outras, há limitações. O app Android da Kobo, por exemplo, não roda áudios, embora os vídeos funcionem. O mesmo ocorre com a Amazon [que tem um formato próprio para livros avaçados, como destacado no texto anterior, mas que pode ser adaptado a partir do ePub3]. Na Google, os áudios e vídeos do ePub3 de teste que utilizei não abriram nem na plataforma iOS nem na Android.

O ideal é utilizar uma mensagem de fallback, que será visualizada caso o e-book seja aberto num ambiente de leitura que não suporta algum dos recursos, como apontado nesse texto.Basta inserir a mensagem dentro da linha de código que chama o áudio ou o vídeo.

Exemplo:

<audio src=”../Audios/audio-exemplo.mp3”><p>Este conteúdo não pode ser visualizado nessa plataforma</p></audio>
Assim, a mensagem alertará o leitor de que ali há um certo conteúdo que não está sendo visualizado.

5. Testes

Para testes, recomendo priorizar o iBooks, onde o maior número de recursos funciona. Isso não exclui, naturalmente, a necessidade de testar em outras plataformas, mas, para testes rápidos, me parece a melhor opção. E agora não é mais necessário passar por um processo longo [como subir o arquivo para uma conta no Dropbox e depois abri-lo no iPad ou iPhone] para jogar o arquivo no aplicativo, já que as versões mais novas do sistema operacional contam com o iBooks para Mac.

6. Notas em pop-up na Apple

Um recurso interessante, que já abordei em outro texto de cunho mais técnico. Outras plataformas, como Kobo e Kindle, já geram a visualização de notas na forma de pop-ups em e-books tradicionais automaticamente, mas, no iBooks, é necessário fazer adaptações — um pouco complexas, é verdade complexas — no código para que o recurso funcione.

Mas pode ser interessante atentar para esse recurso na plataforma da Apple para utilizá-lo para outros fins, uma vez que, para essa plataforma, utiliza-se o <aside> para produzir as pop-ups. Essa serve para agrupar conteúdos relacionados ao principal, de modo que não é apenas nas notas que irá funcionar. Respostas para quizzes podem ficar escondidas até que um link seja acessado, por exemplo; ou, saindo um pouco da caixa, livros de ficção que se proponham interativos podem se valer dos pop-ups para escondem informações do leitor.

Esses foram alguns elementos que achei interessante destacar, muito com base na experiência que tive. Espero que possam ser úteis.

Até a próxima.

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Tendências contraditórias


Como sabem, trabalho com livro digitais, o que significa que estudos de webdesign se relacionam ao meu trabalho. Apesar do trabalho de produção de e-book não ser exatamente idêntico ao de produção de sites, muitos conhecimentos são partilhados, como noções de HTML e CSS.

Em algumas leituras e experiências com websites recentes percebi que existe uma tendência web para designs responsivos ou fluidos, assim como os comumente utilizados na produção de livros digitais baseados em texto. Isso me fez pensar no mercado de e-books, em especial, na persistente idealização de livros de layout fixo.

Livros de layout fixo geralmente são a solução para livros ilustrados, livros com formatação de almanaque e revista e quadrinhos. Muitas vezes estes livros precisam, além da formatação em layout fixo, de algum outro recurso em javascript para funcionarem perfeitamente, como os pop-ups da Amazon, por exemplo.

Vamos recapitular alguns assuntos já tratados. Já sabemos que existem variações na visualização de e-books de acordo com o player, o sistema operacional e o app utilizado para leitura, certo? Se isso acontece com um livro que é puramente HTML e CSS, com textos que correm fluidamente, se adaptando aos diferentes tamanhos de tela dos dispositivos, imaginem num livro cujos valores são todos fixos e que exige interpretação de outros códigos mais avançados?

Não estou aqui para negar a necessidade de livros em layouts fixos. Acredito que em muitos casos eles funcionam e até funcionam bem, mas os valores fixos que são intrínsecos ao formato parecem se opor à lógica web de adaptabilidade.

Hoje muitos sites possuem versão mobile ou design responsivo, e-mails marketing são feitos com templates igualmente fluidos e, aparentemente, o livro digital está indo contra esta tendência, buscando ainda uma similaridade com o livro impresso que não faz muito sentido manter.

Ok, eu compreendo. Um livro digital em layout fixo com uma diagramação fixa pode ser lindo visualmente e ser prático por estar sempre acessível, não representar peso e todas as vantagens relativas à mobilidade do meio digital. Mas não consigo enxergar essa diagramação como inerente ao formato. Parece forçado, como se não quiséssemos abrir mão de relacionar este estilo de formatação com a identidade do livro.

Na editora Rocco geralmente quando pensamos em layout fixo estamos falando de livros infantis em que gostaríamos de utilizar recursos de animação. Tenho pensado cada vez mais que talvez a saída sejam realmente os aplicativos que possam não necessariamente ser uma versão app do livro impresso, e sim ser algo complementar, como o app desenvolvido pela Spellbound [antiga Magic Book] para o livro Where the wild things are.

Vi que já existem revistas, como a ELLE, que estão usando essa tecnologia de integrar a mídia impressa com a digital. O problema é que o desenvolvimento de apps exige um investimento infinitamente superior ao de um livro de layout fixo, sem necessariamente aumentar a perspectiva de retorno. Talvez a tendência da transmídia também não seja a solução. Talvez a solução seja desapegar na mídia digital das exigências que criamos com a mídia impressa. O que sei é que, apesar de terminar este artigo cheio de incertezas, existem evidências por aí de que o layout fixo precisa ser repensado e seria besteira não prestarmos atenção nelas.

Por Lúcia Reis | Publicado originalmente em COLOFÃO | 6 de maio de 2015

Leitor digital à prova d’água pode só valer a pena se você lê na piscina


Um dos benefícios de um leitor de livros digitais é poder levar as suas leituras em um só dispositivo para todo lugar. Mas usar um aparelho assim na beira da piscina causa um certo receio por causa da água.

Lançado por R$ 799, o Aura H2O, da Kobo, tenta resolver isso e livra o usuário de preocupações com respingos ou mergulhos acidentais rasos. É o primeiro à prova d’água dessa categoria.

O aparelho pode ficar submerso por até 30 minutos numa profundidade de 1 m, desde que a tampa de vedação, na parte debaixo do aparelho, esteja fechada. Ela protege a entrada micro USB e o espaço para um cartão de memória microSD de até 32 Gbytes.

Aura H2O, que tem tela de 6,8 polegadas e boa resolução | Foto: Anderson Leonardo/Folhapress

Aura H2O, que tem tela de 6,8 polegadas e boa resolução | Foto: Anderson Leonardo/Folhapress

Ao detectar líquidos em sua tela, o aparelho exibe uma mensagem recomendando secá-la rapidamente. Isso porque a resposta do e-reader aos comandos por toque pode ficar comprometida, o que é normal enquanto ele está molhado

Mas a compra do e-reader, um dos mais caros vendidos no país, só se justifica se essa característica realmente influenciar forma como você lê seus livros.

O novo leitor eletrônico da canadense Kobo herda do modelo Aura HD a tela de 6,8 polegadas, que tem boa resolução. Mas o Aura H2O é ainda mais largo que a média e segurá-lo com uma só mão pode não ser confortável.

Apesar de não possuir ajuste automático de luz, presente no rival Kindle Voyage [e-reader “premium” da Amazon vendido nos EUA por US$ 199, ou cerca de R$650], o Aura H2O permite aumentar ou diminuir o brilho da tela deslizando o dedo pelo seu canto esquerdo, o que é prático.

Como usuário de Kindle, prefiro a interface mais informativa e elegante dos e-readers da Kobo. Opções mais avançadas de personalização tipográfica [como peso e nitidez] também são um atrativo dos modelos, que têm até uma fonte específica para disléxicos.

Não há versão com 3G: o Aura H2O só se conecta à internet por wi-fi. Em compensação, ele suporta uma gama de arquivos bem maior que os Kindles [veja na ficha técnica abaixo], e sua bateria pode durar até dois meses, segundo a Kobo.

Seu baixo poder de processamento, no entanto, pode dificultar a execução de alguns formatos de arquivos. Foi dificílimo, por exemplo, ler um arquivo em PDF durante os testes. Mas, se você usar o e-reader majoritariamente com os livros comprados na loja on-line, não terá problemas.

KOBO AURA H2O
TELA 6,8 polegadas, carta e-ink HD [1430 pixels x 1080 pixels]
PROCESSADOR 1 GHz
ARMAZENAMENTO 4 Gbytes [expansível com cartão microSD de até 32 Gbytes]
FORMATOS SUPORTADOS EPUB, EPUB3, PDF, MOBI, JPEG, GIF, PNG, TIFF, TXT, HTML, XHTML, RTF, CBZ e CRM
CONEXÕES Wi-fi e micro USB
DIMENSÕES 17,9 cm x 12,9 cm x 0,97 cm
PESO 233 g
ONDE ptbr.kobo.com/koboaurah2o
QUANTO R$ 799

POR ANDERSON LEONARDO | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 17/03/2015, às 02h00

Acesso imediato | notas em pop-up


POR Josué de Oliveira | Publicado originalmente por COLOFÃO | 26 de novembro de 2014

Em meu último texto, falei sobre o uso do RegEx [motor de busca e substituição a partir de expressões regulares] e a adaptação de notas nos livros digitais. Continuarei nesse tópico, mas com uma ênfase bem diferente: falarei sobre a criação de notas em pop-up, recurso interessantíssimo que é permitido pelo formato ePub3. O foco, novamente, será de todo prático.

Do que se trata?

A forma tradicional de adaptar as notas é com links de ida e volta, que podem ser acessados a qualquer momento da leitura. Trata-se de um salto do texto para onde as notas estão, e então um retorno do ponto do texto de onde se saiu. Com o ePub3 e os pop-ups, o leitor toca no número e uma caixa surge com o conteúdo textual da nota. A caixa some quando se toca em qualquer ponto fora dela.

Pop-up em funcionamento

Trata-se de praticidade, antes de tudo: as notas passam a ser acessadas no ponto onde surgem, sem que o leitor seja lançado de um lugar para outro do livro. Para livros com grande quantidade de notas, o recurso é muito indicado, pois tornará a leitura muito mais fluida.

Há limitações?

Infelizmente, sim. Crias do ePub3, elas só funcionam em plataformas que suportam o formato. Onde o suporte é parcial [Kobo e Google, por exemplo], nada feito. E-readers, então, nem pensar. O que nos deixa, dentre as grandes players, com uma única opção: a Apple. De modo que, caso se deseje utilizar esse recurso, uma versão do e-book exclusiva para o iBooks, que aproveite as potencialidades da plataforma, terá de ser desenvolvida – o que por si só já representa uma decisão importante para desenvolvedores que precisam lidar com diversas lojas. Em caso positivo, aqui vai um passo a passo que, espero, será útil.

  1. Fique atento à localização das notas.

Quando adaptadas para a visualização em pop-up, as notas se tornam invisíveis – o termo mais correto éconteúdos não lineares –, só aparecendo quando o link é acessado. Se as notas do livro em questão estiverem no fim dos capítulos, permanecerão ocultas quando o leitor chegar ao ponto onde estão. Mas no caso de livros com seções específicas para notas, é preciso acrescentar um parâmetro no content.opf para que toda a seçãopermaneça escondida. Afinal, não faria sentido ver a página com todas as notas quando você já pode visualizá-las ao longo do texto.

Encontre a linha correspondente ao HTML das notas no content.opf:
<itemref idref=”notas.xhtml”/> e acrescente linear=”no” ao final da linha. Ficará assim:

<itemref idref=”about.xhtml” linear=”no” />
[o nome do HTML onde estão as notas pode ser outro, naturalmente]

  1. Converta seu arquivo ePub2 para ePub3.

O cabeçalho de cada um dos HTMLs precisará ser modificado, bem como o do content.opf. Essa é a parte essencial da conversão. Até bem pouco tempo, achava que esse trabalho precisaria ser feito todo a mão [já tive que fazê-lo], mas a Lúcia me apresentou o programa 3Pub, que faz isso automaticamente, assim como outras adaptações importantes para o ePub3. Nos testes que realizei, o arquivo foi gerado sem erros.

Basta abrir seu ePub2 com o programa e clicar na opção de converter. Pronto: agora você tem um arquivo ePub3.

  1. Hora de localizar e substituir.

Perceba que o arquivo criado não está compactado, ou seja, você não poderá utilizar o Sigil para trabalhar no código. Recomendo usar o Notepad++, para Windows, ou TextWrangler, para Mac.

Primeiro, fazemos a busca padrão pelos trechos do texto com os links de ida:

<span class=”nomedaclasse”><a

“nomedaclasse” na linha de busca se refere ao estilo utilizado para deixar os números sobrescritos. A linha de substituição deve ser:

<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref”

O elemento novo é o epub:type=”noteref”. É ele que informa que a nota funcionará como pop-up. O link de ida completo deve, portanto, ficar assim:

<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref” href=”../Text/capitulo1.xhtml#nota-01? id=”nota-back-01?>1</a>
<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref” href=”../Text/capitulo1.xhtml#nota-02? id=”nota-back-02?>2</a>
<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref” href=”../Text/capitulo1.xhtml#nota-03? id=”nota-back-03?>3</a>…

E assim por diante. Caso as notas estejam num outro HTML, basta endereçar o link até ele.

Feitas essas substituições, é hora de seguir para as notas em si. Cada uma delas precisará estar dentro de um <aside>, tag que serve para agrupar conteúdos relacionados ao principal. Vamos usar as expressões regulares para efetuar o trabalho árduo para nós. Já tratamos do assunto no post anterior, recomendo que ele seja lido antes de prosseguir.

Busque exatamente por:

[<p class=”classe-notas”>][<a href=”.*?”] [id=”.*?”>][\d+][</a>][.*?][</p>]

Cada um dos elementos constitutivos do trecho procurado está entre parênteses, para facilitar a substituição. A linha de substituição ficará assim:

<aside epub:type=”footnote” \3>\6</aside>

Explicando por partes:

O <aside> em si não é tudo: a identificação epub:type=”footnote” faz toda a diferença. O pop-up não funcionará caso os dois epub:type não estejam corretamente aplicados.

O id, marcação que identifica um trecho qualquer do texto como ponto de chegada de um link, precisa ficar dentro do <aside>. Ele é substituído pelo \3. O número \6 substitui o texto da nota e o </aside> fecha a área que será abrangida pelo pop-up.

Perceba que, na substituição, descartamos diversos itens que antes estavam lá. Deixá-los não provocaria nenhum erro, mas ficariam redundantes. Em ordem:

<p class=”classe-notas”>: apagamos porque, na prática, o <aside> ignora parâmetros estabelecidos no css. Sendo assim, um estilo não faria diferença;
<a href=”.*?”: nos ePubs2, precisamos de links de ida e volta. No caso de uma nota em pop-up, a volta não é necessária, uma vez que não se sai do lugar ao acessá-la. Seria informação inútil, portanto;
\d+ e </a>: indicavam, respectivamente, o número da nota e o fechamento da área de link, já que neste número estaria o link de volta. O número pode sair porque os pop-ups utilizam automaticamente como título o texto originalmente linkado. Se a nota número 3 estiver direcionando para um pop-up, o número estará automaticamente no topo [exatamente como a imagem do início mostra]. Se o número da nota em si for mantido, teremos a mesma informação duas vezes, o que não é necessário;
</p>: fechamento do parágrafo com o estilo “classe-notas” aplicado. Pode sair, uma vez que não usaremos o estilo.

Isso feito, compactamos novamente o arquivo, o que pode ser feito com programas como o ePubpack e ePub Zip/Unzip.

Assim, temos um arquivo com notas em pop-up, muito indicado para livros de não-ficção, provando de que o ePub3 não se resume aos tão alardeados áudios, vídeos e animações, e que recursos simples podem enriquecer tremendamente a experiência de leitura.

POR Josué de Oliveira | Publicado originalmente por COLOFÃO | 26 de novembro de 2014

Josué de OliveiraJosué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de dois. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Os títulos no livro digital


POR Joana De Conti | Publicado originalmente por COLOFÃO | 19 de novembro de 2014

O texto desta semana vai tratar de um assunto aparentemente simples, mas que muitas vezes apresenta desafios bastante interessantes para a produção do livro digital: os títulos dos capítulos. Sem dúvida a primeira imagem que evocamos quando falamos do assunto é a reunião de algumas poucas palavras centralizadas e no topo de uma página, escritas em caixa alta e com um tamanho de fonte maior do que o do corpo do texto. Muitas vezes este padrão é modificado e/ou decorado com imagens, o que pode tornar o livro mais atraente e agradável de ser lido. Entretanto, são nestas variações de diagramação que residem os desafios para a produção do livro digital. Neste texto pretendo apresentar três possíveis modelos de título e as respectivas soluções apresentadas ao se produzir a versão digital de cada um deles.

1. Títulos alternados entre o lado direito e esquerdo das páginas

Para fazer uma correspondência com o lado do livro no qual o capítulo começa, que por vezes pode se alternar entre os números pares ou ímpares de página, o título é alinhado também em alternância entre os lados esquerdo e direito, como no exemplo abaixo.

Para a versão digital destes livros eu escolho alinhar o texto apenas de um lado, já que os aparelhos de leitura de modo geral não possuem o formato de página dupla e, portanto, os capítulos começam sempre no mesmo ponto.

 

Nas imagens acima há uma segunda característica que precisa ser respeitada e adaptada: a existência de uma imagem decorando o título. Seguindo o meu padrão de adaptação, coloquei a imagem sempre ao lado esquerdo do título, diminuindo-a de tamanho para que ficasse posicionada corretamente em relação ao texto.

2. Títulos grandes

Por conta dos possíveis adornos ao redor do título ou mesmo pelo tamanho deste, algumas vezes os títulos podem ocupar um
espaço grande no início do capítulo, chegando a tomar 50% da página do livro. Ao transpor isto para um aparelho de leitura pequeno, como um celular, pode tornar a leitura e visualização bastante incômodas. O título pode, inclusive, acabar ficando dividido entre várias páginas. Sugiro, nestas situações, quebrar o HTML do capítulo, separando o título do texto. Assim não haverá, por exemplo, a chance de termos uma página visualizada apenas com o título e uma linha solitária de texto no final da página.

 

3. Proporção desarmônica entre imagem e texto no título

Como é possível ver no exemplo abaixo, às vezes o título aparece inserido numa imagem que ocupa um espaço bem maior do que o texto. A solução mais óbvia seria colocar a imagem como fundo [usando para isso a propriedade background-image], deixando o texto escrito por cima dela. Porém as chances de isso apresentar erros e o texto se deslocar para fora da imagem em muitos dos aparelhos de leitura é grande. Nestes casos o ideal não é óbvio. O mais correto seria manter o texto como imagem, adaptando o seu tamanho para que ele fique maior e mais encorpado. Deste modo, o título continuará legível se a imagem for redimensionada e reduzida para se adaptar às diferentes telas.

Como é possível notar, nenhum destes modelos apresenta problemas na versão impressa. São propostas de diagramação que enriquecem o livro e dialogam com o conteúdo do texto de maneira fluída e orgânica. É importante, ao desenvolver o projeto da versão digital do livro, pensar neste diálogo e buscar soluções que o preservem, mesmo que para isso seja necessário fugir um pouco do projeto gráfico do livro impresso. Adaptações bem pensadas tornam o livro tão atraente na versão impressa quanto na digital, até mesmo quando surgem diferenças notáveis entre elas. Estudar a primeira para desenvolver a segunda é fundamental, assim como consumir livros nos dois formatos, analisando as soluções encontradas para cada desafio que se apresentou à produção de ambos.

POR Joana De Conti | Publicado originalmente por COLOFÃO | 19 de novembro de 2014

Porque um código bom é um código limpo


POR Antonio Hermida | Publicado originalmente por COLOFÃO | 12 de novembro de 2014

Antes de qualquer coisa…

Este artigo não tem pretensões de ensinar HTML ou CSS, mas de mostrar sua lógica de funcionamento e apontar o porquê de um código limpo e bem estruturado ser importante. Dito isso, seguimos:

O que você precisa saber sobre o código é o seguinte: ele é importante e quase tudo relacionado a sistemas computacionais existe a partir de suas linhas. Exemplo inocente: você já viu um arquivo docx1, do Word,  por dentro?

Ele é mais ou menos assim:

 

A importância de um código bem estruturado, além de ajudar na compreensão imediata do conteúdo [e de sua renderização], funciona como garantia de integridade do mesmo para o futuro.

Vamos supor que, em alguns anos aconteça ao ePub algo similar ao que aconteceu com os arquivos que eram produzidos com o Ventura. Digamos que a indústria adote outro formato para publicações digitais.

Um código limpo, bem construído, te permite a exportação com integridade de forma e conteúdo, evitando surpresas desagradáveis ou a necessidade de refazer todo o trabalho a partir do zero.

Por exemplo, quem está pegando os arquivos do Ventura hoje para reimprimir um livro de fundo de catálogo, tem grandes chances de ter que refazer o livro todo, usando o InDesign, provavelmente. E, nesse caso [do Ventura e do InDesign], ainda temos outro agravante: formatos proprietários não são editáveis fora de suas plataformas, no geral.

Em relação ao ePub, isso é algo com o que não precisamos nos preocupar, pois, diferentemente do mobi, da Amazon, o ePub não é um formato proprietário, pelo contrário, tem base no HTML, que é amplamente utilizado. Logo, a exportação para outro formato é viável no cenário hipotético onde ele não seria mais o padrão para publicações eletrônicas.

De qualquer forma, ter um arquivo que parece ok para quem olha num dispositivo de leitura, mas que, por baixo desta visualização, se encontra um código cheio de remendos e informações redundantes e/ou desnecessárias, pode se tornar um complicador não apenas para uma futura exportação como também para simples correções ou atualizações de conteúdo.

Lógica de funcionamento

Grosso modo, o ePub é composto por HTMLs +CSS dentro de um ZIP. Como uma página web empacotada.

O HTML [Hyper Text Markup Language] é uma linguagem de marcação, enquanto o CSS [Cascade Style Sheet] funciona como uma página de instruções para essas marcações, uma folha de estilos, por assim dizer.

Essas marcações são bastante visíveis no exemplo abaixo, reparem como o 1[body] marca o início do corpo, o h1 [Header 1] denomina o título 1, o h3,  o segundo, e o p [4] o início de um “parágrafo”.

 

Dentro do p, temos os números 5 e 6,  respectivamente, itálico [<em>, deemphasys] e negrito [<strong>].

As marcas amarelas estão sobre a barra “/” que determina o final de cada marcação.

Essa hierarquia define bem a lógica de funcionamento do HTML.

Alterando valores e classes

Tendo o CSS linkado ao arquivo HTML, podemos alterar os valores padrão de cada item e acrescentar outros que os diferenciem através das classes.

Por exemplo:

Especificamos a cor vermelha no item 1; o alinhamento para a direita, no 2; o tamanho da fonte e o tipo de fonte [3 e 4];

Não se preocupem, se vocês leram até aqui, estamos chegando ao ponto que eu estou tentando mostrar.

Da mesma forma que utilizamos os parâmetros para o <h1>, podemos podemos fazê-lo com o <p>, todavia, dificilmente um livro terá apenas um tipo de parágrafo. Nos mais simples, podemos observar pelo menos dois tipos: com recuo e sem recuo [ou, com indentação e sem indentação]. Nesses casos, criamos uma classe separada, por exemplo, “indent”.

Minha ideia aqui é unicamente deixar claro o porquê é importante manter um código bem estruturado e livre de incongruências. Como eu disse, além de garantir que seu conteúdo se apresente mais fielmente nos vários dispositivos e aplicativos de leitura, caso seja preciso exportá-lo para outro formato ou mídia, toda informação sobre seu conteúdo estará salva e legível.

Não digo que todo mundo precisa saber HTML ou CSS, mas é bom que, ao fornecer um e-book ou contratar um serviço de conversão, alguém possa analisar a qualidade do que foi entregue, afinal, é o produto que vai para o leitor.

Por fim, uma última imagem, um único parágrafo, para que meditemos a respeito da importância da beleza interior.

POR Antonio Hermida | Publicado originalmente por COLOFÃO | 12 de novembro de 2014

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas [UNESA], Letras – Português-Latim (UFF) e Letras – Português-Literaturas [UFF]. Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos [Produzindo E-Books com Software Livre] e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências. Atualmente, coordena o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify e escreve mensalmente para o blog da editora. Entre outras coisas, é entusiasta de Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

Enhanced eBooks


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Recentemente a newsletter DBW – Digital Book World Daily publicou extenso artigo sobre as razões pelas quais os chamados livros digitais enriquecidos [enhanced] não haviam ganhado impulso. O artigo, The Real Reason Enhanced Ebooks Haven’t Taken Off [Or, Evan Schnittman Was Right… For the Most Part], escrito por Peter Constanzo, destacava palestra de Evan Schnittman, pensador da indústria digital e diretor de vendas da Hachette Book Group na Feira de Londres em 2011. Nessa apresentação, Schnittman disse que o formato estava praticamente morto e era um beco sem saída para os editores.

O fato é que, alguns anos antes disso, inclusive em um dos Congressos do Livro Digital da CBL, essa moda do livro digital enriquecido – que permitia a inserção de áudio e vídeo de modo dinâmico – havia sido apresentado como a evolução mais importante do setor editorial. Esse segmento da indústria editorial, o dos livros eletrônicos, apesar de bem recente, já viveu alguns modismos que desapareceram rapidamente, como o das “leituras sociais” [quem tem paciência, mesmo, de ficar lendo em conjunto com um bando de desconhecidos?] e os apps autônomos para a publicação de livros, que só subsistem hoje para alguns livros ilustrados infantis.

Mas voltemos ao assunto.

Schnittman assinalava um ponto indiscutível, e que até hoje representa um entrave considerável. Os formatos enhanced não podem ser lidos com a mesma eficácia em todas as plataformas. O que funciona bem para tablets, e em especial para o iPad, mesmo que distribuído pela Amazon [suponho que também funcione bem para o Kindle Fire]. O formato não é “trans-plataforma”. Comparando com música e jogos, Constanzo assinala que podemos escutar a música baixada online em qualquer aparelho digital, assim como se pode jogar “Call of Duty” em várias plataformas, com o mesmo resultado. O mesmo vale para filmes vistos em streaming ou nos DVDs comprados ou alugados. Mas isso não acontecia com os livros “transmedia” elaborados com o ePub3.

Eu já havia observado publicações transmedia e em ePub 3 [ou desenvolvidos com HTML5] muito eficazes em publicações científicas. Acreditava que as editoras de CTP estavam mais bem capacitadas para usar esses formatos com grande eficiência, inclusive porque a maior parte de suas publicações era mesmo lida em desktops ou tablets, e online.

Minha experiência com leitores de e-books – tanto o Kindle como o Kobo – deixava evidente as limitações para visão de fotografias [mesmo em preto&branco] e, principalmente, de mapas e diagramas. É realmente difícil. E por isso mesmo mantinha em reserva minhas dúvidas quanto aos formatos transmedia.

Bom: Constanzo desenvolve o artigo dizendo que, em absoluto, não é o caso de desprezar os empreendimentos editoriais em ePub3 de livros enriquecidos. Diz ele que, especialmente “para livros de não-ficção selecionados, podem ser muito bem combinados com áudio e vídeos selecionados com curadoria”.

Na recente II Conferência Revolução e-Book, promovida pelo Eduardo Melo e sua equipe da Simplíssimo, assisti a uma amostra de que essa observação é realmente correta. Em casos específicos, os e-books avançados podem realmente proporcionar ao leitor uma experiência diferenciada.

A palestra de Cindy Leopoldo e Maria de Fátima Fernandes, da Intrínseca, sobre a Coleção Ditadura – a reedição dos livros do jornalista Elio Gaspari sobre o golpe civil-militar de 1964, sua evolução e dissolução final – foi muito esclarecedora.

Os livros do Gaspari  tiveram novas edições em papel e em vários formatos de e-books, como podemos ver nesta tabela que extraí da apresentação de Cindy Leopoldo durante a conferência:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

A simples tabela mostra como o conteúdo foi muito enriquecido com o formato mais avançado.

Entretanto, as limitações para leitura nos aparelhos comuns são evidentes. A tabela abaixo, também retirada da apresentação de Cindy, explicita isso:

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Fonte: Apresentação de Cindy Leopoldo

Como se vê, os livros vendidos pela Amazon só podem ser plenamente desfrutados se abertos nos apps da varejista no iPad [talvez no Kindle Fire]. Na loja brasileira da Amazon, esse tal de KEAV é acrônimo para Kindle Editions with Audio/Video. Lá diz também que esse tipo de arquivo pode ser aberto em todos os formatos do Kindle, mas eu testei e, de fato, no Kindle Paperwhite, nem o áudio nem o vídeo funcionam. Outro aviso da Amazon diz que “o título tem layouts complexos e foi otimizado para leitura em dispositivos com telas maiores”, mas não explicita suas deficiências de leitura nos Kindle normais. Pegadinha… Ou, como escreveu Erick Schonfeld no TechCrunc,“se você quiser essas características adicionais, a Amazon está basicamente lhe dizendo que compre um iPad”.

Um ponto muito importante na palestra da Cindy e da Maria de Fátima é que a produção do ePub3 e os acréscimos foram realmente objeto de uma cuidadosa curadoria, e colocados de modo que o leitor tenha acesso opcional a esses materiais adicionais. Segundo as duas, o autor fazia questões que a fluidez da leitura do texto não fosse prejudicada. Ao contrário, que pudesse ser enriquecida para os leitores que procurassem conhecer documentos originais, gravações de áudio e vídeo que estão referidos ou mencionados no texto.

Para que isso fosse possível, a Intrínseca teve que contratar assessoria específica para elaborar um verdadeiro roteiro da inserção desse material adicional. O trabalho foi muito grande, apesar das dificuldades propriamente técnicas não serem exatamente difíceis, usando as ferramentas disponíveis no HTML5.

Cindy teve a gentileza de me enviar links promocionais para baixar os livros na loja da Apple e, realmente, os livros são muito enriquecidos com esses anexos. As notas aparecem em pop-up, as transcrições de áudio e vídeo funcionam corretamente.

Na palestra, Cindy Leopoldo foi questionada sobre o resultado das vendas para a editora. Declinou responder, afirmando que não tinha informações da área comercial da editora.

Os quatro livros foram produzidos internamente na Intrínseca. O processo é realmente complexo, e no total foram produzidas vinte versões [cinco para cada tomo]. Evidentemente trata-se de um investimento de vulto que, com certeza, só poderá ser recuperado a longo prazo.

O conjunto do trabalho corrobora as observações de Constanzo. O esforço só compensa para certo tipo de livros de não ficção [ou quem sabe, algumas versões bem especiais de livros de ficção, e me ocorre particularmente a possibilidade de uma versão em ePub3 do romance The select works of T. S. Spivet, de Leif Larsen – The Penguin Press [O mundo explicado por T.S. Spivet – Nova Fronteira. Não li em português, mas a edição em inglês é belíssima e curiosa, e o livro virou filme em cartaz]. E, certamente, os livros técnico científicos.

São produções caras e trabalhosas, que produzem resultados muito interessantes. Mas as limitações para sua expansão são bem reais. Só lamento não haverem completado o esforço e os recursos do HTML5 e do ePUB3 para lançar de vez em formato acessível para deficientes visuais. Segundo Cindy, houve pressão de prazo para não perder o aniversário do triste golpe. Mas esse mercado está aí, ansioso por conteúdo.

De qualquer maneira, parabéns à Intrínseca pela iniciativa corajosa, e à Cindy Leopoldo e sua equipe pelo belo trabalho.

Comentários e observações são bem vindas no blog www.oxisdoproblema.com.br.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews o no Blog O Xis do Problema | 11/11/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Dicas de prepraração de eBooks para Amazon


POR Lúcia Reis | Publicado originalmente por COLOFÃO | 29 de outubro de 2014

No processo de produção de livros digitais, como já mencionado anteriormente, nem sempre a mesma linha de código terá uma mesma visualização nos diferentes aplicativos e dispositivos de leitura. No caso da Amazon, no entanto, não estamos lidando só com uma questão de renderização diferente dos códigos: se trata de outro formato de livro digital com diferentes potencialidades e limitações. Dessa forma, o processo de produção do livro digital para a Amazon acrescenta algumas etapas que não são necessárias para a venda nos demais players.

Neste post, resolvi enumerar as algumas questões que podem surgir e tentar explicar através delas o padrão utilizado pela Amazon.

1. Table of Contents [TOC]:

1.1] HTML de TOC

Nos ePubs nós temos um arquivo toc.ncx que serve como um sumário navegável que pode ser acessado através de um atalho do app de leitura ou e-reader. Como no formato da Amazon esse arquivo não consegue criar mais de 2 níveis hierárquicos [ou seja, é possível ter capítulos e subcapítulos, mas, se for aberto um subcapítulo do subcapítulo, esse link é perdido no toc.ncx da Amazon], se faz necessária a criação de um HTML de sumário, com a mesma função do toc.ncx.

1.2] Ordem de elementos no toc.ncx:

Mesmo após a criação deste HTML, o arquivo toc.ncx ainda precisa existir. No processo de conversão, se este arquivo estiver mal formatado, é possível que apareça o seguinte relatório de erro no Kindlegen:

Error(prcgen):E24011: TOC section scope is not included in the parent chapter:1: GENEALOGIA PATERNA
Error(prcgen):E24001: The table of content could not be built.
(…)
Warning(prcgen):W14001: Hyperlink not resolved: /tmp/mobi-fy53Lm/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3
Warning(prcgen):W14002: Some hyperlinks could not be resolved.

Este relatório acontece quando a indicação dos elementos do toc.ncx não está seguindo a ordem de leitura dos HTMLs que formam o miolo.

Para explicar este caso específico, preciso antes explicar a relação entre HTMLs, ids e links dentro dos e-books. O texto do e-book está dividido em diversos arquivos HTML. Digamos que cada HTML contenha um capítulo de seu livro. No entanto, é possível que, dentro deste capítulo, existam subcapítulos, os quais são importantes de serem linkados no seu sumário. Os links de sumário geralmente apontam para um HTML. No exemplo selecionado, ele está apontando para o capítulo 3, que está no HTML chapter03.html. Para apontar para subcapítulos, é necessário criar um link, identificado pela tag <a>, que possui um identificador ou idpara que seja possível criar um link apontando para aquele exato ponto no HTML.

No exemplo, foi criado um id=”ch3? para marcar a subdivisão do chapter03.html.

Todo id está atrelado a um HTML, o que faz com que o id seja inferior hierarquicamente ao HTML. No relatório de erro do Kindlegen acima, essa hierarquia foi quebrada, tornando impossível de se criar o TOC. Para resolver este problema, basta utilizar o programa Sigil e seguir o caminho Tools > Table of Contents > Edit Table of Contents e inverter os links de ordem: primeiro o chapter03.html e depois o chapter03.html#ch03 e demais identificadores, na ordem em que aparecem no HTML, para que a hierarquia e a ordem de leitura sejam mantidas.

2. Semânticas

2.1] Capa

O formato da Amazon também não suporta a capa em formato HTML. Ele indica a capa apenas pelo arquivo de imagem. Para conseguir fazer isso corretamente, ele precisa que o arquivo .jpg de capa seja indicado com a semântica “Cover”, ou o Kindlegen dará o seguinte Warning:

Warning[prcgen]:W14016: Cover not specified

Para acrescentar semânticas pelo Sigil, basta clicar no arquivo que você deseja acrescentar a semântica, clicar com o botão direito do mouse e clicar em Add Semantics e selecionar, no caso, “Cover Image”.

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2.2] Texto

Outra semântica importante de ser acrescentada é a “Text”, que marca o início do texto. Quem usa o Kindle já percebeu que geralmente, quando se abre um livro nele, ele já inicia no primeiro capítulo. Esse recurso é possível pelo acréscimo desta instrução. O problema é que, se o editor não marcar a semântica de texto, o Kindle marca automaticamente o primeiro HTML com mais de algumas poucas linhas de texto. Ou seja, qualquer elemento pré-textual, como dedicatórias ou epígrafes, podem ser perdidas, uma vez que dificilmente o leitor vai voltar para ver se não tinha nada antes do primeiro capítulo. Portanto, é recomendado adicionar esta semântica para se certificar que informações importantes [e sim, epígrafes são importantes] não sejam perdidas.

Para adicionar semânticas nos HTMLs, basta seguir o mesmo caminho utilizado para o .jpg de capa. No caso dos HTMLs aparecerão mais opções, como é possível visualizar na imagem acima.

2.3] TOC

É necessário também adicionar a semântica de “Table of Contents” no HTML de TOC. Quando criado pelo Sigil, a semântica já é acrescentada automaticamente, mas, de todo modo, é bom checar. Senão o link de sumário que existe nos Kindles fica inativo e, surpreendentemente, o Kindlegen não mostra Warning quando a semântica de TOC não está indicada.

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3. Media Queries

A media query é um recurso de formatação direcionada. Você basicamente diz ao seu e-book: se estiver lendo numa tela de celular, mostre meu texto com a formatação x, mas se for num tablet, mostre ele com a formataçãoy. Se você tiver sorte, ele te obedece, mas nem sempre é o caso.

Antigamente eu utilizava media queries para retirar as capitulares dos e-books da Amazon, pois o recurso float: left, que deixa a capitular flutuando à esquerda, fazia a linha quebrar na primeira letra nos Kindles antigos, que não suportavam o recurso. Este problema já foi corrigido e não ocorre mais quebra de linha; no entanto, nos Kindles que suportam float, as capitulares são visualizadas de forma muito diferente do que nos demais e-readers e apps.

Pelos testes que fiz, deduzi que o problema é uma diferença no line-height, que indica o alinhamento do texto e/ou da capitular. Modificando o line-height da classe de capitular é possível fazê-la funcionar adequadamente nos diferentes dispositivos de leitura. O que é uma saída mais confíavel do que a media query.

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Apesar do Guidelines da Amazon apresentar a media query como opção, meus testes mostraram que, na prática, o que ocorre atualmente é uma mescla do que está no código principal com o indicado na media query, ao invés de utilizar somente o código direcionado especificamente para o formato da Amazon. Como é possível ver na imagem abaixo, ele manteve a formatação em float, mas acrescentou a informação de bold, contida na media query.

Conclusão

Bom, acho que a conclusão é a mesma de sempre: é muito importante testar os arquivos, por mais que pareça que não há nada que possa dar errado com aquele livro de texto simples. Nunca se sabe quando o arquivo pode apresentar problemas inesperados ou quando atualizações de firmware criaram um novo bug que você nunca viu antes. Teste sempre, é mais seguro.

POR Lúcia Reis | Publicado originalmente por COLOFÃO | 29 de outubro de 2014

Lúcia ReisLúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense, trabalha com livros digitais desde 2011 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

LEV, o e-reader da Saraiva, já está homologado na Anatel


Aparelho eletrônico da maior livraria do país será fornecido pela francesa Bookeen e produzido na China

Fotógrafo | Divulgação

Fotógrafo | Divulgação

Na última semana, a Saraiva convidou editores e jornalistas brasileiros para um evento na próxima terça-feira [5], na sua loja do Shopping Ibirapuera em São Paulo. O convite dizia apenas que se tratava de um “grande lançamento”, sem maiores detalhes. O mercado, como lhe é costumaz, vem especulando sobre o tema e os rumores são de que a maior rede livrarias do Brasil anunciaria a chegada de um e-reader próprio. Especulações à parte – afinal só na terça-feira as mentes do mercado terão sua criativa curiosidade satisfeita–, o fato é que a Saraiva realmente planeja o lançamento de dois modelos de e-readers dedicados próprios para breve, tanto que os mesmos foram homologados na Anatel no último dia 9/5, sob o Certificado de Homologação nº 4184-13-2101.

Com o nome de LEV, o e-reader da Saraiva será fornecido pela empresa francesa Bookeen e será produzido na China. Dois modelos serão lançados. Um mais simples, sem tela iluminada, que comercialmente será chamado apenas de LEV e cujo nome técnico é Bookeen Lev – CYBOY4S-SA. Já o segundo modelo, o LEV COM LUZ, com codinome técnico Bookeen Lev com Luz – CYBOY4F-AS, trará tela com luz frontal de LED. Ambos os modelos parecem ser uma versão turbinada do leitor eletrônico Cybook Odyssey HD FrontLight, comercializado pela Bookeen na Europa e EUA, e possuem o mesmo design de seu primo estrangeiro.

O LEV trará uma tela touch-screen de 6 polegadas e de alta resolução [758 x 1024], WiFi, monitor monocromático de 16 tons de cinza, porta de conexão Micro USB e slot para cartão MicroSD para expansão de até 32 GB. Seu sistema operacional será Linux e o Adobe Mobile Reader será o software para leitura. A diferença em relação ao Cybook Odyssey é que o LEV traz memória de armazenamento de 4 GB e bateria de 1800 mAh, enquanto o modelo atualmente comercializado pela Bookeen possui memória de 2 GB e bateria de 1600 mAh. O LEV poderá armazenar cerca de 4 mil livros e sua bateria terá semanas de duração. Como o próprio nome diz, trata-se de um aparelho leve, com apenas 190 gramas.

O LEV aceitará e-books nos formatos ePub, PDF, HTML, TXT e FB2, e aceita o DRM da Adobe, como não poderia deixar de ser, já que este é o padrão de proteção usado pela Saraiva nos livros eletrônicos que comercializa. O aparelho ainda trará um sistema de “reflow” de PDF, que pode rediagramar o fluxo do texto de arquivos neste formato, permitindo uma leitura mais linear do documento.

Ainda não há informações sobre quando o LEV estará disponível nas lojas Saraiva nem de quanto irá custar. O Cybook Odyssey HD FrontLight custa 119,99 euros na Europa, mas resta saber qual será o efeito dos altos impostos de importação no preço final do Brasil. Além disso, a Saraiva sempre terá a opção de adotar uma estratégia de preços diferenciada para o LEV e vender seus e-readers a preços mais convidativos.

No que se refere a impostos e preços, aliás, a gigante paulista da rua Henrique Schaumann parece estar disposta a utilizar os conhecimentos de sua notável linha de livros de direito para diminuir o preço do LEV país afora. Afinal, a empresa já entrou com pedidos de mandado de segurança na justiça de pelo menos dois estados brasileiros para vender o LEV sem recolhimento de ICMS. São eles o Rio Grande do Norte e Goiás. O argumento utilizado pelos advogados da Saraiva é que “o referido leitor é imune a impostos por fazer às vezes do papel em relação ao livro digital, entre outros aspectos”. Uma vez que o Congresso brasileiro parece pouco disposto a equiparar os aparelhos de leitura ao livro de papel e, assim, desonerá-lo, a estratégia da Saraiva faz todo o sentido.

LEV, o e-reader da Saraiva, já está homologado na AnatelPor Carlo Carrenho | PublishNews | 01/08/2014

Como aproveitar melhor o Kindle


Como aproveitar melhor o Kindle

O KINDLE PAPERWHITE [ FOTO: FLICKR/ CREATIVE COMMONS ]

O KINDLE PAPERWHITE [ FOTO: FLICKR/ CREATIVE COMMONS ]

Reviews comparando a experiência de um Kindle com um livro impresso você já viu aos montes. E artigos falando sobre as novas funcionalidades do Kindle Paperwhite também. Já contei, em uma coluna, que essa discussão impresso x e-book já venceu e não faz lá muito sentido para meus hábitos de leitora. Então, em vez de preparar um simples review, resolvi compartilhar os macetes que aprendi nos últimos dias que permitem aproveitar ao máximo a experiência no reader e com a sua conta da Amazon.

Depois dessas dicas, vai ser difícil desgrudar do aparelho:

Envie arquivos por e-mail

Esqueça a ideia de transferir arquivos por USB – há um jeito muito mais prático de enviar arquivos para o Kindle. Quando você cadastrou a sua conta na Amazon, automaticamente foi gerado um email com final @kindle.com com suas credenciais. Normalmente, o início do email é o mesmo do email que você usou no cadastro [confirme no painel ‘Sua Conta’, após fazer login na Amazon].

Depois de confirmar o seu email @kindle, aproveite para verificar se você está autorizado a enviar mensagens e arquivos para o endereço – ele só recebe conteúdo de contas previamente selecionadas. Por default, o email que você usou para criar a conta já é autorizado. Mas, caso você use bastante outro endereço, como um email do trabalho, ou se quer autorizar outra pessoa a enviar documentos para seu gadget, autorize-os aqui.

Agora basta entrar no seu serviço de email normal e enviar um email para a conta @kindle com o conteúdo desejado anexado. Você não precisa nem ativar um comando no Kindle – basta o aparelho estar conectado à internet que o download será automático. O que quer dizer que, mesmo que seu reader esteja longe, você pode enviar documentos para ler depois através dele – se você estiver no escritório e o Kindle estiver em casa, por exemplo,

Para enviar PDFs, crie um email, anexe arquivo PDF e coloque, como assunto, ‘convert’. O comando irá fazer com que o seu gadget, assim que for conectado à internet, receba automaticamente o PDF que você enviou e o converta para leitura no reader. Sim,automaticamente.

Mas que tipos de arquivos podem ser abertos no Kindle?

Além dos PDFs em caráter experimental, podem ser convertidos  DOC, HTML, JPEG, TXT , GIF, PNG e  BMP. Seu arquivo não é de nenhum desses tipos? Use os programas online Cloud Convert e o Online Convert ou o software Calibre.

Leia artigos da web em seu Kindle

HTML pode ser convertido? Então significa que você pode ler uma página da web, digamos um artigo longo que encontrou online, no Kindle? Salve uma página da web como HTML em seu computador e então a envie para seu email @kindle. Ela continuará formatada como no browser.

A Amazon oferece também o prático app Send to Kindle. Instale o programa em seu navegador e, quando encontrar um artigo interessante, aperte o botão do aplicativo. Pronto! Ele estará te esperando no leitor. Mas, antes de começar a usá-lo, você vai precisar autorizar o email do app na sua conta da Amazon [como expliquei lá no começo].

Crie coleções

Se você, como essa que vos escreve, tem ~probleminhas~ e é viciado em livros, a melhor maneira de não se perder em sua biblioteca digital é criar coleções. Por enquanto, como não tenho tantos arquivos assim, separei meus livros em ‘lidos’, ‘lendo’, ‘não lidos’ e ‘trabalho’ [as provas que ganho para analisar aqui na GALILEU – aliás, você já leu a seção de livros da revista? ela é feita com o coração].

As amostras são suas melhores amigas

A não ser que você esteja absolutamente certo que comprar um determinado livro, recomendo de coração que você baixe a amostra dele antes de fazer a transação final. Essa funcionalidade já me salvou do frenesi polissilábico que faria com que eu comprasse livros que ficariam encostados pra sempre na minha estante digital [ou me julgando, através da coleção de ‘não lidos’].

Leia notícias em seu Kindle

Kindle 4rss cria um feed com links selecionados por você em seu Kindle. A versão gratuita suporta até 12 sites que mostram até 25 artigos por edição. Acha pouco? Por uma assinatura de US$ 1,99 você tem direito de cadastrar 300 sites e ter uma edição com número ilimitado de artigos.

POR LUCIANA GALASTRI | 17/01/2014, às 16H01

Livro Digital Etc.


Conheça dispositivos de leitura, processos de produção e modelos de negócio

Se editores e autores trabalharem juntos e conectados à demanda do mercado, verão que existe espaço para livros impressos e digitais caminharem juntos tranquilamente por muito tempo.

Porém, o leitor já não se contenta mais com apenas um canal de distribuição; ele quer escolher onde, como e quando acessar o conteúdo, seja papel, web ou dispositivos móveis, em tempo real quando for necessário ou de maneira assíncrona quando for conveniente.

Neste livro você encontrará conceitos como:

  • Rumo ao digital: a mudança de paradigma.
  • Formatos e características do livro digital: TXT, PDF, HTML, ePUB,ePUB3, iBooks, Mobi, AZW, KF8 e APPs.
  • A importância da linguagem HTML como centro nevrálgico do livro digital em seus vários formatos.
  • O formato ePUB como a grande plataforma aberta de publicação.
  • O livro na Open Web: a fusão livro/web.

Dados técnicos do livro

  • ISBN: 978-85-7452-639-3
  • Edição: 1
  • Páginas: 144
  • Largura: 14
  • Comprimento: 21
  • Lombada: 0.8
  • Volume: 235.2
  • Ano: 2014
  • Lançamento: 27/01/2014
Fábio Flatschart

Fábio Flatschart

Sobreo autor Fábio Flatschart

Marketing e Digital Publishing da Soyuz Sistemas e Sócio da Flatschart Consultoria LTDA, empresas com as quais participou do desenvolvimento e da implantação de projetos pioneiros nas áreas de Open Web Platform no Brasil e de programas de capacitação e consultoria para grandes empresas como Editora Moderna, Senac, Editora Pearson e Grupo Editorial Nacional [GEN]. Colunista do portal iMasters e colaborador de artigos para veículos como Portal G1, IBM DeveloperWorks e Portal EAD Senac. Professor dos mais renomados MBAs do Brasil [FGV, FIA e Trevisan]. Autor de “ActionScript 3.0 – Interatividade e Multimídia do Adobe Flash CS5” e “HTML5 – Embarque Imediato” e coautor de “Open Web Platform”, também publicados pela Brasport.

A arrancada dos eBooks no Brasil


Um ano após a chegada das gigantes Amazon, Kobo e Google Play Livros ao Brasil, o segmento de livros digitais chega a uma participação entre 2% e 4% do faturamento total do mercado editorial. O número pode parecer baixo, mas é festejado por especialistas e profissionais da área, que veem uma arrancada superior à de países como os EUA e estimam fatia de até 10% ao fim de 2014

Kobo Glo | Foto: Divulgação

Kobo Glo | Foto: Divulgação

No começo da noite de 5 de dezembro de 2012, a Livraria Cultura iniciou a venda do primeiro leitor digital dedicado no Brasil, o Kobo, produzido pela empresa canadense de mesmo nome, hoje uma propriedade do grupo japonês de comércio eletrônico Rakuten. Poucas horas depois, por volta da meia-noite, entravam em atividade no país, praticamente ao mesmo tempo, dois grandes nomes da tecnologia americana: a Amazon, com um site ponto-br, e as seções de livros e filmes da loja de aplicativos do Android, a plataforma móvel do Google. A chegada das gigantes do e-book causou frisson entre editores, livrarias e leitores, divididos entre as expectativas de mudanças no mercado e nos hábitos de leitura, que incluíam temores sobre o futuro do livro impresso. Foi aí, afirmam especialistas e profissionais da área, que teve início de fato o negócio do livro digital no Brasil. Em doze meses, o segmento se expandiu do traço para algo entre 2% e 4% do faturamento total de títulos comercializados. O número pode parecer baixo, mas é festejado por especialistas e profissionais da área, que veem uma arrancada superior à de países como os EUA e estimam uma participação de até 10% ao fim de 2014.

Segundo o economista Carlo Carrenho, que atua como consultor do mercado editorial, o e-book só se tornou popular no Brasil com a chegada das três gigantes. Antes, ele era vendido – de forma tímida e sem alcançar 1% do mercado total – por redes de livrarias como Saraiva e Cultura e pelo site Gato Sabido, o primeiro a comercializar livros digitais no país, ainda em 2009. De dezembro de 2012 para cá, nas contas do consultor, foram vendidos cerca de 3 milhões de livros virtuais no país.

O desempenho no período, que é considerado o início de fato do negócio no país, pode ser comparado ao americano, diz Carrenho. A curva de crescimento é semelhante, mas ainda mais acentuada por aqui. Nos Estados Unidos, o segmento fechou o que foi considerado o seu primeiro ano, o intervalo de 2007 a 2008, com algo como 1% do setor editorial total. Hoje, cinco anos depois, já passa dos 25%, patamar que o Brasil pode atingir em menos tempo, alcançando a estabilidade que se vê hoje nos EUA e também na Europa, igualmente em torno de 25%.

O patamar é entendido como um sinal de maturidade do mercado, de acordo com Mauro Palermo, diretor-geral da Globo Livros, editora que investe na digitalização de livros de olho no crescimento que se projeta pela frente. Com 30% do seu catálogo de 1.000 títulos convertidos, a Globo Livros teve de 2,5% a 3% de sua receita gerada pela venda de e-books neste ano. “Eu considero o desempenho brasileiro dentro da expectativa”, diz Palermo. “Até porque poucas pessoas têm leitores de livros digitais, os aparelhos aqui são caros se comparados aos vendidos em outros países. O número é bom para um primeiro ano.

A Globo não está sozinha na aposta no livro digital. A Intrínseca, por exemplo, já tem aproximadamente 90% de seu catálogo, formado por 250 títulos, em versão digital. “Até meados de 2014, esperamos ter o catálogo todo em e-book”, afirma o dono da editora, Jorge Oakim. No balanço da empresa, o livro virtual deve representar até 4% do faturamento em 2013. Otimista, é Oakim quem dá o maior lance nas apostas para 2014: ele acredita que o segmento digital pode atingir 10% do mercado editorial total daqui a um ano.

Os principais leitores de e-books vendidos no Brasil

O modelo de Kindle que chega ao Brasil é o básico, de quinta geração. Ele tem uma tela de 6 polegadas, 2 GB de memória interna – o que garante capacidade para 1.400 livros –  e Wi-Fi para baixar obras pela internet. É o mais leve dos dispositivos comercializados pela Amazon, pesando apenas 170 gramas. Suas medidas são 165,75 x 114,5 x 8.7 milímetros. A recarga pode ser feita via tomada, com um adaptador AC, ou pela entrada USB do desktop. Um dos pontos mais notáveis do aparelho é duração da bateria: são mais de quatro semanas seguidas, caso a conexão sem fio esteja desabilitada.  Formatos de arquivos aceitos: PDF, AZW3, AZW, MOBI, TXT, HTML, DOC, DOCX, PRC, JPEG, GIF, PNG e BMP Preço: 299 reais

O modelo de Kindle que chega ao Brasil é o básico, de quinta geração. Ele tem uma tela de 6 polegadas, 2 GB de memória interna | o que garante capacidade para 1.400 livros – e Wi-Fi para baixar obras pela internet. É o mais leve dos dispositivos comercializados pela Amazon, pesando apenas 170 gramas. Suas medidas são 165,75 x 114,5 x 8.7 milímetros. A recarga pode ser feita via tomada, com um adaptador AC, ou pela entrada USB do desktop. Um dos pontos mais notáveis do aparelho é duração da bateria: são mais de quatro semanas seguidas, caso a conexão sem fio esteja desabilitada. Formatos de arquivos aceitos: PDF, AZW3, AZW, MOBI, TXT, HTML, DOC, DOCX, PRC, JPEG, GIF, PNG e BMP
Preço: 299 reais

O Kobo, comercializado pela livraria cultura no Brasil, oferece aos leitores uma tela sensível ao toquede 6 polegadas, com tamanho idêntico à utilizada pelo rival da Amazon. Apesar da semelhança, ele ganha na capacidade de armazenamento. Sua memória interna é de 1 GB, o que é suficiente para 1.000 livros, mas ele também conta com slot para cartões de memória – o que pode elevar sua capacidade em 32 GB. O leitor pesa 220 gramas e suas medidas são: 184 x 120 x 10 milímetros. O Kobo é capaz de se conectar à internet via rede sem fio e a duração de seu bateria tem média de quatro semanas.  Formatos de arquivos aceitos: PDF, EPUB, MOBI, TXT, RTF, HTML, JPG, GIF, PNG, BMP, TIFF, CBZ e CBR Preço: 399 reais

O Kobo, comercializado pela livraria cultura no Brasil, oferece aos leitores uma tela sensível ao toquede 6 polegadas, com tamanho idêntico à utilizada pelo rival da Amazon. Apesar da semelhança, ele ganha na capacidade de armazenamento. Sua memória interna é de 1 GB, o que é suficiente para 1.000 livros, mas ele também conta com slot para cartões de memória – o que pode elevar sua capacidade em 32 GB. O leitor pesa 220 gramas e suas medidas são: 184 x 120 x 10 milímetros. O Kobo é capaz de se conectar à internet via rede sem fio e a duração de seu bateria tem média de quatro semanas.
Formatos de arquivos aceitos: PDF, EPUB, MOBI, TXT, RTF, HTML, JPG, GIF, PNG, BMP, TIFF, CBZ e CBR
Preço: 399 reais

O Cool-er, introduzido no Brasil pela Gato Sabido, foi o primeiro leitor de livros eletrônicos a chegar oficialmente ao país. Ele apresenta tela de 6 polegadas, 1 GB de armazenamento e um slot para cartões de memória com até 4 GB de capacidade. O dispositivo pesa 178 gramas, e suas dimensões são 180 x115 x 10 milímetros. A bateria tem autonomia de três semanas, ou 8.000 “viradas de páginas” – como aponta o manual do produto.  Formatos de arquivos aceitos: PDF, EPUB, TXT, RTF, HTML, PRC, FB2, MP3 e JPG Preço: 550 reais

O Cool-er, introduzido no Brasil pela Gato Sabido, foi o primeiro leitor de livros eletrônicos a chegar oficialmente ao país. Ele apresenta tela de 6 polegadas, 1 GB de armazenamento e um slot para cartões de memória com até 4 GB de capacidade. O dispositivo pesa 178 gramas, e suas dimensões são 180 x115 x 10 milímetros. A bateria tem autonomia de três semanas, ou 8.000 “viradas de páginas” – como aponta o manual do produto.
Formatos de arquivos aceitos: PDF, EPUB, TXT, RTF, HTML, PRC, FB2, MP3 e JPG
Preço: 550 reais

Lançado em 2012, o Paperwhite traz uma tela de 6 polegadas com maior definição, 212 pontos por polegada, e iluminação interna para leitura em locais com pouca luz. Apesar de ser o dispositivos mais avançado do mundo, ele traz apenas 2 GB de memória interna. Desembarcou no mercado brasileiro em março. Formatos de arquivos aceitos: Kindle (AZW), TXT, PDF, MOBI sem proteção, PRC naturalmente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP através de conversão Preço: de 479 a 699 reais.

Lançado em 2012, o Paperwhite traz uma tela de 6 polegadas com maior definição, 212 pontos por polegada, e iluminação interna para leitura em locais com pouca luz. Apesar de ser o dispositivos mais avançado do mundo, ele traz apenas 2 GB de memória interna. Desembarcou no mercado brasileiro em março.
Formatos de arquivos aceitos: Kindle (AZW), TXT, PDF, MOBI sem proteção, PRC naturalmente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP através de conversão
Preço: de 479 a 699 reais.

A Companhia das Letras tem aposta um pouco mais modesta. Fabio Uehara, responsável pelos e-books na editora, afirma que o setor pode abocanhar até 8% do bolo total em 2014 – ou seja, no mínimo dobrar a representatividade atual. Como a Globo, a empresa tem 30% de seu catálogo convertido – um catálogo que chega a 3 000 títulos. Como prova do investimento no segmento, a editora criou em julho o selo Breve Companhia, exclusivamente de e-books.

Ao todo, de acordo com Carrenho, que também dirige um site especializado no mercado editorial, o PublishNews, o catálogo brasileiro de e-books conta com cerca de 30 000 títulos. Para efeito de comparação, o chamado catálogo vivo de impressos, isto é, aquele composto por livros que estão disponíveis para a venda, possui entre 180 000 e 200 000 títulos, segundo dados da empresa de pesquisas Nielsen.

Perfil do leitor – Para Fabio Uehara, o consumidor de e-books não difere muito daquele que prefere o livro impresso. Nem a idade é vista como um diferencial – ao contrário do que pode se imaginar, os jovens não são mais atraídos pelo formato.

Susanna Florissi, diretora livreira da Câmara Brasileira do Livro (CBL), faz análise semelhante. “Não há diferença. É só uma questão de preferência e de adaptação aos novos formatos e suportes. Há sempre os extremos: pessoas que afirmam que jamais lerão livros no formato digital e outras que jamais o farão no formato impresso.

Para Palermo, da Globo, os e-readers atraem principalmente quem compra bastante livro e vê na tecnologia um investimento interessante. “Essas pessoas enxergam o leitor como um investimento, pois elas vão recuperar o valor gasto no aparelho ao economizar com os e-books, que custam cerca de 30% menos do que os livros impressos.

A evolução da família Kindle

Lançada em 2007, a primeira versão do Kindle custava 399 dólares, tinha apenas 250 MB de armazenamento interno e tela de 6 polegadas. Foi a única a trazer um slot para cartões de memória SD. Com sua tecnologia de tinta eletrônica, que forma as palavras na tela a partir de pulsos elétricos, o dispositivo foi o responsável por revolucionar o setor de livros eletrônicos. Apenas cinco horas após seu lançamento, o dispositivo já estava esgotado. A reposição levou cerca de cinco meses para acontecer, em abril de 2008.

Lançada em 2007, a primeira versão do Kindle custava 399 dólares, tinha apenas 250 MB de armazenamento interno e tela de 6 polegadas. Foi a única a trazer um slot para cartões de memória SD. Com sua tecnologia de tinta eletrônica, que forma as palavras na tela a partir de pulsos elétricos, o dispositivo foi o responsável por revolucionar o setor de livros eletrônicos. Apenas cinco horas após seu lançamento, o dispositivo já estava esgotado. A reposição levou cerca de cinco meses para acontecer, em abril de 2008.

A Amazon promoveu mudanças na modelo lançado em 2009: diminui o tamanho do Kindle e inseriu um teclado mais compacto. O slot para cartões foi removido, e a ampresa introduziu um disco de 2 GB para o armazenamento de livros eletrônicos e músicas digitalizadas. Ele custava 359 dólares.

A Amazon promoveu mudanças na modelo lançado em 2009: diminui o tamanho do Kindle e inseriu um teclado mais compacto. O slot para cartões foi removido, e a ampresa introduziu um disco de 2 GB para o armazenamento de livros eletrônicos e músicas digitalizadas. Ele custava 359 dólares.

Apresentado ao mercado em 2009, o Kindle DX tinha uma tela de 9,7 polegadas que fugia ao padrão adotado pela companhia. Além do tamanho, a principal novidade do aparelho era a capacidade de se comunicar com a rede 3G da Amazon, a Whispernet, fora dos Estados Unidos. Ele tinha 4 GB de armazenamento interno e custava 489 dólares.

Apresentado ao mercado em 2009, o Kindle DX tinha uma tela de 9,7 polegadas que fugia ao padrão adotado pela companhia. Além do tamanho, a principal novidade do aparelho era a capacidade de se comunicar com a rede 3G da Amazon, a Whispernet, fora dos Estados Unidos. Ele tinha 4 GB de armazenamento interno e custava 489 dólares.

O Kindle 3, de 2010, marcou o início de uma nova era para a Amazon. Além de ser menor que os modelos anteriores, apesar de mantar a tela de 6 polegadas, ele foi lançado em duas versões: Wi-Fi e 3G, vendidas por 139 e 189 dólares, respectivamente. Com a estratégia, a empresa conseguiu aumentar a aceitação de seu produto no mercado. No mesmo ano, a Amazon lançou uma versão especial do leitor com anúncios, que ajudaram a reduzir o preço do dispositivo para 114 dólares.

O Kindle 3, de 2010, marcou o início de uma nova era para a Amazon. Além de ser menor que os modelos anteriores, apesar de mantar a tela de 6 polegadas, ele foi lançado em duas versões: Wi-Fi e 3G, vendidas por 139 e 189 dólares, respectivamente. Com a estratégia, a empresa conseguiu aumentar a aceitação de seu produto no mercado. No mesmo ano, a Amazon lançou uma versão especial do leitor com anúncios, que ajudaram a reduzir o preço do dispositivo para 114 dólares.

Em 2011, apenas um modelo de Kindle 4 foi lançando, com uma tela de 6 polegadas, 2 GB de armazenamento e sem o teclado físico. A Amazon preferiu diminuir o aparelho, inluindo apenas os botões de navegação. Para criar anotações, o usuário precisa acessar um teclado virtual, controlado pelos quatro botões. O preço do aparelho era de 109 dólares.

Em 2011, apenas um modelo de Kindle 4 foi lançando, com uma tela de 6 polegadas, 2 GB de armazenamento e sem o teclado físico. A Amazon preferiu diminuir o aparelho, inluindo apenas os botões de navegação. Para criar anotações, o usuário precisa acessar um teclado virtual, controlado pelos quatro botões. O preço do aparelho era de 109 dólares.

Ainda em 2011, a Amazon supreendeu o mercado ao lançar um leitor de livros digitais com tela totalmente sensível ao toque. O Kindle Touch Wi-Fi chegou ao mercado por 139 dólares, com seus 4 GB de memória e tela de 6 polegadas. A versão 3G, com a mesma configuração, custava 189 dólares.

Ainda em 2011, a Amazon supreendeu o mercado ao lançar um leitor de livros digitais com tela totalmente sensível ao toque. O Kindle Touch Wi-Fi chegou ao mercado por 139 dólares, com seus 4 GB de memória e tela de 6 polegadas. A versão 3G, com a mesma configuração, custava 189 dólares.

Lançado em 2011, o Kindle Fire marcou a entrada da companhia no mercado dos tablets. Capaz de rodar jogos e filmes, o dispositivo passou a ser um ótimo canal para a distribuição do conteúdo digital da companhia. Sua tela de LCD de 7 polegadas era inferior à dos rivais, mas era no preço que ele se destacava: 199 dólares. Com ele, a Amazom passou a ser a terceira maior empresa no mercado de tablets, atrás de Apple e Samsung.

Lançado em 2011, o Kindle Fire marcou a entrada da companhia no mercado dos tablets. Capaz de rodar jogos e filmes, o dispositivo passou a ser um ótimo canal para a distribuição do conteúdo digital da companhia. Sua tela de LCD de 7 polegadas era inferior à dos rivais, mas era no preço que ele se destacava: 199 dólares. Com ele, a Amazom passou a ser a terceira maior empresa no mercado de tablets, atrás de Apple e Samsung.

Preço – Ainda que sejam financeiramente mais atraentes, os títulos digitais estão longe de ter o preço dos sonhos do consumidor. Sem custos como a impressão e a distribuição, há de se esperar que as obras tenham custo mais amigável para o bolso. Não é exatamente o que acontece. “O custo editorial de um livro vai continuar o mesmo, pois, no lugar do gasto com impressão, temos o investimento na tecnologia de digitalização e na publicidade feita nas livrarias virtuais”, justifica Mauro Palermo, da Globo Livros.

O consultor Carlo Carrenho dá outras razões para a pequena diferença de preço. “Uma das questões é que os editores não querem canibalizar as vendas, ou seja, deixar o livro digital tão barato que o leitor perca o interesse pelo físico, que continua sendo a maior fonte de renda para eles.” Além da estratégia comercial, há custos envolvidos que impedem que o e-book custe menos de 50% do que o seu equivalente impresso.

O consultor afirma ainda que agentes literários podem exigir por contrato que a diferença de preços não seja tão grande. Em defesa dos autores que representam e dos próprios ganhos, em países com o mercado digital consolidado, como os Estados Unidos e o Reino Unido, alguns agentes chegam a vender os direitos autorais de e-books por valores mais altos. “Eles argumentam que, já que as casas editoriais não pagam papel e gráfica para imprimir as obras, elas podem aumentar a quantia destinada aos autores, que acabam com uma margem de lucro maior do que têm com a publicação daqueles mesmos livros em versão impressa”, diz.

Ranking de VEJA – A partir desta semana, está no ar no site de VEJA uma lista com os e-books mais vendidos no Brasil. Os dados são fornecidos pela loja virtual da Amazon e atualizados de hora em hora. Para Alex Szapiro, gerente da gigante no país, que oferece 2,1 milhões de livros em todas as línguas, 26 000 deles em português, os brasileiros são apaixonados pela leitura, mas esbarram na ausência de livrarias em todas as cidades e no alto preço de capa dos livros impressos. Aspectos em que o digital leva vantagem e pode ajudar a vencer.

Por Meire Kusumoto | Publicado originalmente e clipado à patir de VEJA | 01/12/2013, às 09:41

Livraria Cultura lança leitor eletrônico Kobo Touch no Brasil por R$ 399


A Livraria Cultura anunciou nesta segunda [26] que venderá por R$ 399 o leitor de livros digitais Kobo Touch, trazido ao país em parceria com a fabricante do aparelho.

Consumidores que adquirirem o e-reader por meio da pré-venda, que começa nesta terça-feira [27], à 0h, por meio do site da livraria, receberão o aparelho no próximo dia 5 – quando o Kobo também chegará às lojas físicas da empresa.

Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil | Yoshikazu Tsuno - 2.jul.12/France Presse

Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil | Yoshikazu Tsuno – 2.jul.12/France Presse

Segundo a companhia, 12 mil títulos em português estarão disponíveis para aquisição e download para o dispositivo, entre os cerca de 1 milhão em outras línguas.

O aparelho tem memória interna de 2 Gbytes –expansíveis por meio de cartão SD – e suporta os formatos PDF, Mobi e ePub, além de imagens, textos em TXT, HTML e RTF e quadrinhos em CBZ ou CBR.

AMAZON

A Amazon, gigante norte-americana que fabrica os leitores Kindle, foi mencionada algumas vezes durante o evento de lançamento para a imprensa.

“Nós competimos com a Amazon globalmente, em vários países do mundo”, disse Todd Humphrey, vice-presidente executivo de desenvolvimento de negócios da Kobo.

A estratégia da Kobo é ter um parceiro forte em cada país, afirmou Humprhey. No Brasil, é a Livraria Cultura.

Sergio Herz, executivo-chefe da Livraria Cultura, reforçou o conceito de “read freely” [leia de maneira livre], que permite a leitura em aparelhos Kobo de livros comprados em outros dispositivos e plataformas. “E o livro é seu, você pode copiá-lo para outros aparelhos”, acrescentou, numa crítica implícita à Amazon, que tem uma política mais fechada –títulos comprados na loja virutal para o Kindle costumam ser compatíveis apenas com o próprio Kindle.

FUTUROS LANÇAMENTOS

Sobre a disponibilização de periódicos, Pedro Herz, presidente do conselho de administração da Livraria Cultura, disse: “Cabe aos jornais e revistas, não a nós, tomar a iniciativa de disponibilizar seus produtos em formatos eletrônicos“.

Sergo Herz revelou que a Cultura pretende lançar o tablet Kobo Arc, que diz ser mais adequado para a leitura de periódicos, no primeiro trimestre do ano que vem.

No mesmo período, devem ser lançados também o Kobo Mini, modelo de e-reader mais compacto, e o Kobo Glo, leitor com iluminação embutida.

Ainda não há previsão de data e preço para o Arc, o Mini ou o Glo.

POR EMERSON KIMURA, DE SÃO PAULO | COLABORAÇÃO PARA A Folha de S.Paulo | 26/11/2012, às 15h02

Brasileiros lançam startup no Vale do Silício capaz de gerenciar publicidade em eBooks


eBookPlus, startup do Vale do Silício, lança a primeira plataforma do mundo capaz de inserir publicidade em ebooks, tornando-os grátis ou com um bom desconto!

O mercado editorial está em plena revolução devido à popularização do livro em formato digital. Nos Estados Unidos, o faturamento com a venda de ebooks já ultrapassou a venda de livros em capa dura. Um dos motivos para essa transformação no hábito da leitura deve-se a era tecnológica na qual vivenciamos, com lançamentos constantes de tablets e afins, além da comodidade e facilidade de se transportar ebooks em vez de livros. Somando-se o fato de que os ebooks são ecologicamente corretos, evitando gastos com papel.

Para adquirir um ebook, o leitor precisa acessar sites nos quais as vendas desses são disponibilizadas via download da obra, sendo o preço do arquivo, muitas vezes, o mesmo que a versão em papel. Em alguns casos, até superando o preço de capa do livro. O que já está acarretando na propagação dos ebooks ilegais, baixados em sites sem credibilidade.

São pessoas que não aceitam pagar muito por um arquivo digital, protegido por DRM, e impossível de revender, trocar ou muito menos emprestar. Esses leitores preferem vasculhar a internet para baixar a versão pirata do ebook. Desde cópias escaneadas dos livros em papel, fotografia das páginas do livro, até os próprios arquivos epub ou pdf, sem a devida proteção do DRM [uma vez que é extremamente simples quebrar essa criptografia]. Assim, prejudicando o mercado editorial.

Para tentar minimizar esse tipo de problema é que surgiu a eBookPlus. Uma plataforma que conecta leitores, autores, editoras e anunciantes. Qualquer empresa pode criar publicidade para inserir dentro de um ebook, seja um vídeo, uma imagem estática, seja uma página em HTML, de maneira não intrusiva, inserida apenas no início de cada capítulo, tomo ou parte, de um determinado título. O leitor é mantido nesta propaganda por alguns segundos e depois pode ler o texto normalmente, sem interrupção durante a leitura do capítulo.

O valor só é debitado da conta do anunciante e creditado na conta do autor ou da editora, quando o anúncio é consumido. E tem mais: o leitor poderá configurar suas preferências para filtrar que tipo de produto ou serviços ele deseja visualizar. A maior parte do valor arrecadado com a publicidade vai direto para o bolso do autor ou da editora. Com isso, os ebooks podem ficar de graça, ou até mesmo com um desconto considerável. Além do que autores e editoras podem divulgar suas obras e ganhar muito mais.

Na plataforma da eBookPlus estarão disponíveis ebooks com publicidade ou não, quem definirá se o ebook será patrocinado são os autores ou as editoras. Esses podem comercializar os livros digitais com preço de capa habitual sem desconto e sem propaganda; com preço promocional e com anúncios; e até mesmo gratuitamente, apenas patrocinado por vários anunciantes.

Uma ótima ferramenta de divulgação para autores e editoras, principalmente, para os autores independentes e para as editoras com um catálogo com poucas vendas no formato digital.

A eBookPlus, Inc. está sendo lançada na Feira do Livro de Frankfurt, que acontece de 10 a 14 de outubro de 2012. Com sede em Palo Alto na California, a startup tem como fundadores os brasileiros Leo Mark, Fernando Santos e Robert Oliveira.

Para conhecer as muitas outras inovações que a eBookPlus.com está trazendo, basta se cadastrar e ser um dos primeiros a experimentar o sistema, acesse o site http://eBookPlus.com.

Publicado originalmente e clipado à partir de www.segs.com.br

Saiba mais sobre o ePub, um formato em constante evolução


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 15/08/2012

Cada elo da indústria do ebook experimenta um processo de mudanças profundas, desde as plataformas até os dispositivos e os formatos. O EPUB – estabelecido pelo Fórum Internacional de Edição Digital [IDPF na sigla em inglês] – é considerado o padrão mais promissor para arquivos de ebooks. Este formato redimensionável conta com grandes vantagens em relação a outros concorrentes; em especial, é gratuito e de código aberto. A seguir reproduzimos nossa conversa com Liz Castro sobre o formato EPUB e outros temas atuais vinculados aos ebooks. Liz, com uma trajetória de quase 25 anos no terreno digital, publicou mais de uma dezena de livros sobre EPUB, CSS, HTML e Blogger, e são uma referência obrigatória para qualquer editor ou escritor interessado em explorar a era eletrônica. Seu blog Pigs, Gourds, and Wikis e sua conta de Twitter [@lizcastro] são seguidos por milhares de leitores em nível mundial.

Octavio Kulesk | Um dos obstáculos para a edição digital em línguas não-latinas é que o formato EPUB nem sempre funciona adequadamente. Você já teve experiência com este tipo de idioma? O EPUB3 melhorou as coisas?

Liz Castro | O EPUB3 agora tem um bom suporte para as línguas asiáticas, como japonês. Acabo de voltar do Japão onde participei da primeira conferência do IDPF na Ásia – tratando do EPUB3 – e apresentamos vários ebooks não só com caracteres japoneses, mas também com escrita vertical, caracteres ruby, tate-chu-yoko, kenten e outras partes essenciais da tipografia japonesa. A coisa melhorou tanto que a Rakuten/Kobo oferecerá todos os livros em japonês no formato EPUB3.

OK | Como você acha que evoluirão os padrões no mundo do ebook, por causa da pressão da Amazon para impor seu próprio formato – o MOBI –, os esforços do IDPF e da maioria das editoras para padronizar o EPUB, além das tentativa de sobrevivência do PDF?

LC | Acho que as novas características do EPUB3 – e em particular seu suporte a línguas não-latinas – podem ser a chave para impor o formato e acabar definitivamente com o MOBI. A própria Amazon já está substituindo o MOBI por KF8, um formato tão parecido ao EPUB3 que poderia ser considerado algo como sua versão proprietária [combina os mesmos HTML5 e CSS3]. A Amazon já aceita arquivos EPUB3 em seu sistema e os converte automaticamente. É claro, a Amazon quer manter seu próprio formato, mas será interessante ver se as editoras estão dispostas a permitir isso. Também vimos que com a diagramação fixa – que já é padrão no EPUB3 – os grandes fabricantes de e-readers estão apoiando o novo padrão. As editoras não têm tempo nem os recursos econômicos para fazer múltiplas versões de um livro para cada leitor. O estabelecimento de um padrão permite que as editoras criem um só arquivo para todos os leitores, e assim tenham tempo para aumentar a qualidade e a quantidade de livros oferecidos.

OK | O InDesign constitui um software fundamental para a diagramação de livros em papel e no digital. No entanto, para a edição pura de livros eletrônicos, não seria mais conveniente partir de outras ferramentas [inclusive mais simples], sem ter que usar o InDesign como intermediário?

LC | O InDesign, como você explicou, é um programa potente, mas complicado e caro. Como a grande maioria das editoras nos Estados Unidos, Europa e Japão usa este programa para a diagramação de livros impressos, é uma opção natural para a criação de livros eletrônicos. Além disso, com cada nova versão, realiza este trabalho cada vez melhor. Mas nos casos em que não seja utilizado para os impressos e que não seja conhecido, nem tenha sido comprado anteriormente, suas vantagens diminuem consideravelmente. Para a criação de livros puramente eletrônicos, ainda não existem ferramentas gráficas muito boas, mas não acho que vão demorar muito para chegar. No entanto, é verdade que são necessárias ferramentas de baixo custo para criar livros eletrônicos sem precisar tocar o código de EPUB que se encontra por trás.

OK | Nestes últimos anos, você viajou por muitos países. Como vê a evolução do ebook no mundo?

LC | Vejo que todo o mundo está entendendo a utilidade de poder ler em dispositivos eletrônicos. Acho que o preço dos dispositivos é chave para sua adoção. Nos EUA, o Kindle só diminuiu de preço quando saiu o iPad – uma concorrência de verdade. Em poucos meses, foi de $400 a menos de $100. Isso está a ponto de acontecer no Japão agora, com o lançamento do leitor Kobo por menos de $100 e com a apresentação do suporte para escrita vertical. Na Argentina, onde estive em abril, acho que a falta de um e-reader acessível é uma das coisas que está segurando o mercado de livros eletrônicos. Há muita gente que lê ali, mas quem quer comprar um e-reader por 300 dólares? Então as editoras, que costumam ser mais conservadoras – e que, além disso, se acham numa situação delicada por causa da crise mundial –, têm medo de investir dinheiro para fazer as conversões necessárias e há uma falta de conteúdo. Tudo é um círculo. Mas vejo a coisa começando a girar.

OK | Que conselhos daria aos editores de países em desenvolvimento que estão querendo experimentar com o digital?

LC | Acho que é preciso levar em conta os dispositivos móveis que as pessoas já têm em sua mão ou sobre suas mesas. É possível ler EPUB gratuitamente num computador ou em muitos celulares existentes. Com isso já dá para começar. Depois, aconselharia que se relacionem diretamente com os clientes leitores, que sejam receptivos a suas necessidades e que não os tratem como piratas. Se as editoras fizerem com que seja mais cômodo e mais fácil comprar um livro que pirateá-lo – com a consequente perda de tempo e preocupações que este ato implica para o usuário –, as pessoas se comportarão corretamente. Estou convencida disso. E atuo em cima desta convicção: vendo todos meus livros sem proteção DRM e eles continuam vendendo tanto em países onde se diz que todo mundo é pirata como nos que não. Também acho que é boa ideia continuar criando livros em papel e digital ao mesmo tempo. Podem ser formatos complementares, não precisam ser exclusivos. Nestes dias, quando muita gente ainda não está acostumada a ler em formato digital, o papel continua sendo necessário para divulgar um livro.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 15/08/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

TOC Argentina divulga os primeiros palestrantes


Palestras apresentarão tendências da edição digital global, estudos de caso e hábitos de consumo, entre outros temas

O Tools of Change for Publishing [TOC], conferência internacional sobre inovação no mercado editorial, confirmou os primeiros palestrantes para a edição do evento que acontece no dia 20 de abril, durante a Feira do Livro de Buenos Aires, pela primeira vez na América Latina. Segundo a organização do TOC, a programação incluirá palestras de Newton Neto, executivo do Google no Brasil; Patricia Arancibia, diretora da Barnes & Noble; Gus Balbontin, diretor de transformação da Lonely Planet; Elizabeth Castro, autora best-seller de livros em formato ePub e HTML; Laura Dawson, da Firebrand Technologies, e Julieta Lionetti, consultora do segmento digital para editoras acadêmicas da Libros en la Nube. As sessões tratarão de tendências da edição digital global, estudos de caso, editoras inovadoras, hábitos de consumo, entre outros temas. O evento é organizado pela Feira do Livro de Frankfurt e pela O’Reilly Media. As inscrições já podem ser feitas por meio do site e têm desconto até o dia 23 deste mês – US$ 349, contra o preço normal de US$ 499.

PublishNews | 05/03/2012

Resultado da “Promoção FineReader”


Quais são as vantagens da digitalização dos livros?

O autor da resposta mais criativa [e que ganhou da ABBYY Brasil uma licença do software FineReader 11 Edição Brasil] foi Julio César de Sousa Dias com o seguinte comentário:

Digitalizar é preservar e dar liberdade. Preserva o meio-ambiente, preserva o texto, preserva o conhecimento. Dá liberdade de levar quantos livros quiser para onde quiser, dá liberdade de moldar o livro ao seu jeito, dá liberdade de uso. FineReader nos torna um leitor excelente.

Parabéns, Julio César. Manda aqui pra gente o seu e-mail.

O ABBYY FineReader 11 Edição Brasil é um software OCR que permite converter documentos em papel [livros, revistas e quaisquer documentos em geral] e arquivos PDF para formatos editáveis [por exemplo, Word, Exel, etc.] e para formatos mais usado em eBooks como ePub, FB2, HTML e o formato do Amazon Kindle.

Para participar desta promoção basta comentar este post com a sua resposta e nome e aguardar o resultado.

Até o final de fevereiro, a ABBYY Brasil irá sortear dentre os participantes aquele com a resposta mais criativa.

O resultado será publicado aqui mesmo no nosso blogsite.

Software Review: ABBYY FineReader


eBook Reader | O que é o ABBYY FineReader e para que serve?

ABBYY | O ABBYY FineReader é um software de OCR [Reconhecimento Óptico de Caracteres], que é uma tecnologia para reconhecer caracteres a partir de um arquivo de imagem, seja digitalizado ou foto.

eBook Reader | Que tipo de conteúdo o  ABBYY FineReader converte e para que serve?

ABBYY | O ABBYY FineReader converte documentos digitalizados e arquivos não editáveis [PDF, imagens digitalizadas, JPEG, etc.] para formatos que você poderá editar posteriormente [Word, Excel, TXT, etc.], ou simplesmente os converte para o formato desejado em apenas alguns cliques do mouse.

É um ajudante indispensável para pessoas que trabalham com um grande fluxo de documentos ou mesmo para pessoas que de vez em quando precisam digitalizar ou converter materiais para formatos diferentes para, por exemplo, recebê-lo no seu dispositivo de eBbooks.

eBook Reader | Me expliquem melhor como o software funciona:

ABBYY | O programa é muito fácil de usar. Iniciando o software, aparecerá uma janela com as tarefas mais comuns que você pode encontrar no seu dia-a-dia.

As tarefas padrões são a digitalização de documentos para arquivos PDF e PDF/A [PDF pesquisável] ou formatos editáveis, a conversão de documentos em PDF ou imagens para formato Word, a digitalização de documentos ou a conversão para HTML e para os formatos mais populares de e-books.

eBook Reader | Há muitas caraterísticas interessantes no ABBYY FineReader?

ABBYY | Algumas das mais importantes são:

  • Alta precisão de reconhecimento – o ABBYY FineReader pode reconhecer documentos de estrutura complexa, e permite uma reconstrução com precisão de até 99.8% do formato original do documento, com notas de rodapé, cabeçalhos, números de páginas, índice, etc.
  • A rapidez de processamento no modo colorido.
  • A rapidez maior ainda no modo P&B [preto e branco] – este é um modo ideal para quem, por exemplo, precisa converter um grande fluxo de documentos e não precisa obter o resultado final colorido. A velocidade aumenta em até 40%. É um ótimo modo para conversão de livros, revistas, contratos, etc.

Além disso, há várias outras opções para tornar o seu trabalho com documentos mais fácil e agradável. Por exemplo, o editor de imagens, onde você pode corrigir cores, brilho, etc., antes de salvar no formato escolhido, para assim obter um resultado final melhor ainda. Também, caso você precise salvar cada página ou algumas partes do documento original separadas das outras, existe uma opção especial de divisão de páginas.

eBook Reader | Como eu crio livros digitais com o ABBYY FineReader?

ABBYY | O ABBYY FineReader 11 permite aos seus usuários converter imagens e fotos de texto, documentos de papel para os formatos mais populares de leitores de livros eletrônicos, tablets e até smartphones, assim como ePub, FB2, PDF e HTML. A criação de livros eletrônicos com o ABBYY FineReader pode ser acessada diretamente a partir do menu de Tarefas Rápidas, e dura de alguns segundos até alguns minutos, dependendo de modo de conversão e do tamanho de documento original.

eBook Reader | Alguma integração com as plataformas de eBooks?

ABBYY | Sim. Uma ótima notícia para os donos do Amazon Kindle, os eBooks criados com o ABBYY FineReader 11 podem ser enviados diretamente para as contas do usuário na loja Kindle da Amazon.

eBook Reader | Como o nosso leitor pode conhecer mais a solução?

ABBYY | Para obter mais informações sobre o ABBYY FineReader 11 você pode no site oficial da empresa ABBYY: http://www.abbyy.com.br

Amazon Kindle continua com falta de suporte ao formato ePub


Kindle [AZW], TXT, PDF, Audible [Audible Enhanced [AA,AAX], MP3, MOBI não protegido, PRC nativamente; HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG, BMP por meio de conversão.

Esses são os formatos de conteúdo suportados pelo novo Kindle Touch, da Amazon. O modelo mais barato, chamado apenas de Kindle, não reproduz áudio. O tablet Kindle Fire, por sua vez, suporta mais alguns formatos, como OGG, MP4 e VP8.

Foi meio decepcionante ver que nenhum dos novos modelos de Kindle [assim como os velhos] oferece suporte a EPUB, um padrão bem difundido de distribuição de documentos digitais. Gratuito e aberto, é adotado por muitos repositórios de livros eletrônicos e compatível com leitores como Barnes & Noble Nook, iRiver Story e Sony Reader, além de vários tablets. Mas não com o e-reader da Amazon.

Vejo dois perfis de leitores que, por conta dessa limitação, podem se frustrar muito ao ter um Kindle: 1] os que leem sobretudo obras que estão em domínio público; 2] os que não querem ler em inglês.

Para os leitores do primeiro tipo, tenho a impressão de que a coisa está melhorando – parece-me cada vez mais fácil achar obras em domínio público disponíveis no formato do Kindle. Para os do segundo, o negócio é mais complicado. No Brasil, especificamente, as lojas costumam vender e-books apenas em EPUB ou PDF, e o catálogo em português na Amazon é bem limitado.

A farta disponibilidade de obras em domínio público e em português [ou outras línguas que não o inglês] no padrão PDF, que é compatível com o Kindle, não melhora muito as coisas, pois o aparelho da Amazon oferece um suporte muito limitado ao formato. Os níveis de zoom, por exemplo, são todos predefinidos [ajustar para caber, tamanho real, 150%, 200%, 300%] – não é possível dar um zoom de 130%. [Essa opinião sobre o suporte a PDF é baseada na minha experiência com o Kindle 3, atual Kindle Keyboard, mas acredito que os novos modelos – com exceção do Fire – não apresentem melhora significativa nesse quesito.]

Os donos de Kindle nos Estados Unidos ainda sofrem com o problema de muitas bibliotecas trabalharem prioritariamente com EPUB.

A questão do EPUB gera discussões intermináveis, como esta no fórum da Amazon, com 642 posts desde dezembro do ano passado. Não são raros os comentários na linha “comprei um Nook/Sony Reader/outro concorrente em vez de um Kindle por causa da falta de suporte deste a EPUB”.

Uma solução comumente utilizada é converter arquivos em EPUB [ou mesmo em PDF] para MOBI, formato semelhante ao AZW. O resultado, porém, pode variar.

Escrito por Emerson Kimura | Publicado Folha Online | 05/10/2011, 06h54

Publicando um e-book na Amazon


Por José Luiz dos Santos | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 28/02/2011

Andei cometendo livros de ficção nos últimos anos e deu-me vontade de publicar uma espécie de novela policial que intitulei Bertioga. Senti-me, porém, sem tempo ou ânimo para encarar o risco de uma maratona esquisita de contatos com editoras, sina que pode acometer autores iniciantes dessa modalidade. Como também me desinteressei pelos esquemas de publicação sob demanda, acabei arquivando o livro e a intenção. Passado um tempo me ocorreu publicá-lo na forma de e-book.

Há muitas plataformas de publicação digital e das que acessei interessei-me pela Kindle da Amazon.com, que desde o ano passado aceita livros em português. Ela me pareceu pouco complicada e com bons termos de contrato. Para fins de direitos autorais pode-se optar pelas bases de 35% ou 70% sobre o preço combinado. Consideradas as vantagens e desvantagens, optei por 70, embora essa percentagem só se aplique a compras feitas a partir de países como EUA, Canadá e Reino Unido.  No caso de compras do Brasil, valerá sempre 35%. Para autores de fora dos EUA o pagamento é feito através de cheques em dólares. O preço do livro o autor fixa a partir de parâmetros da plataforma. Fixei o meu em US$ 8.45. Novamente, esse preço é para compras nos EUA. Para compras feitas em outros países é acrescido um valor de US$ 2.00 como custo de envio eletrônico.

Faço umas sugestões abaixo para quem quiser ver como a coisa funciona.

O site da Kindle Direct Publishing [KDP] é o ponto de partida. Registre-se como autor e consulte as informações disponíveis. Há várias maneiras de preparar um texto para publicação, o que num primeiro contato pode parecer confuso. Sugiro abaixo a que me parece menos sujeita a problemas. A despeito da gíria técnica, acaba sendo fácil. Se precisar mais detalhes, procure no site.

Prepare seu texto no Word segundo as instruções do KDP clicando no Kindle Publishing Guide, depois Publish Your Content e finalmente no Simplified Guide to Building a Kindle Book. Nada de numeração de página ou notas de rodapé. Fique atento para a instrução sobre Quebra de Página fechando parágrafos e partes e após títulos de capítulo que queira isolar. Revise seu texto e salve-o como Página da Web, filtrada. Ele não será revisado pela plataforma.

Tenha pronta a capa no formato TIFF ou JPEG, com tamanho entre 500 por 1.200 pixels e 72 DPI. Muitos livros digitais dispensam índice. Se for o caso de ter um [eu não quis] prepare a relação de hipertextos usando um editor de html como oSeaMonkey. O download deste e dos dois outros programas mencionados abaixo é gratuito.

Com o programa Mobipocket Creator escolha Import From Existing File, HTML document. Em seguida localize aquele arquivo de texto em html, filtrado e importe-o. Um novo ícone será gerado e acima dele clique em Build. Na página que se abre clique em Cover Image, traga a sua capa e acione o botão Update. Se for usar índice incorpore-o através de Table of Contents. Isso feito clique na caixa Build.

O arquivo transformado pelo Mobipocket [.prc] será salvo numa pasta My Publications. É seu livro, em condições de upload para a KDP. Antes, porém, é conveniente visualizá-lo no programa Kindle Previewer. Se algo não estiver bem, por exemplo, um nome de capítulo mal centrado, o jeito é consertar a partir da versão Word e refazer todo o percurso. A publicação é rápida e não há pagamento a fazer. Menos de 72 horas após ter transferido meu arquivo lá estava meu Bertiogapublicado: http://www.amazon.com/dp/B004KZOQGU

Os procedimentos da plataforma de publicação e de informes aos autores são comandados por inteligência artificial, é claro, que até despacha e-mails de congratulação quando um livro é publicado.  Os procedimentos incluem uma central de autores concebida para que  as vendas e os direitos autorais sejam acompanhados de perto. É possível entrar em contato com pessoas através do endereço de apoio mas uma questão considerada padrão está sujeita a receber uma resposta automática.  Nos fóruns da própria KDP pode-se acompanhar  preocupações  de autores com esse sistema, seja por terem dificuldade em operá-lo, seja por desconfiarem que não funcione direito. Suas ansiedades cobrem um leque de temas, do upload de seus textos ao pagamento de seus royalties, passando pelas informações sobre seus livros e suas vendas..

É uma mudança e tanto na forma de texto. Como ficarão as editoras nisso tudo? O que significarão suas marcas e práticas longamente construídas nesse contexto de uploads, downloads, blogs, sites, reading devices e plataformas de publicação? Já os autores independentes têm novos desafios e tarefas. Cabe-lhes cuidar da revisão final e da edição de seus livros, tendo que se entender com peculiaridades do mundo digital e com seus programas. Consumada a publicação digital os autores podem ver seus livros colocados na “cauda longa” de que falou Chris Anderson e ficará a cargo deles a tarefa complexa de dar visibilidade ao que produziram.

Por José Luiz dos Santos | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 28/02/2011

* José Luiz dos Santos [jlsantos17 @ gmail.com] é um antropólogo que virou escritor. Conheceu Carlo Carrenho, editor deste blog, nos idos de 1998 quando lecionava um curso sobre Globalização na Unicamp e o Carlo era um aluno especial perdido pelos lados de Barão Geraldo. Naquela época, não havia e-books, mas Carlo enviou sua prova final por e-mail.

Na espera pelo iPad, editoras adaptam seus livros para lançamento do tablet no Brasil


Lançamento de dispositivos móveis, como o iPad, aquece o mercado de livros eletrônicos

Apple lançou o iPad oficialmente em abril, nos Estados Unidos. Desde então, o tablet já foi comprado extraoficialmente por brasileiros, chegou a diversos países e recebeu autorização da Anatel para ser vendido no Brasil – ainda assim, nada de sua comercialização ter início por aqui. Enquanto aguardam o lançamento, as editoras trabalham para disponibilizar aos consumidores versões compatíveis com o iPad de seus livros existentes no formato tradicional. Nos Estados Unidos, essa alternativa mostrou-se válida: os e-books já superaram os livros de capa dura na gigante Amazon.com.

Em agosto, por exemplo, a livraria Saraiva anunciou a disponibilidade de seu aplicativo de leitura para o iPad e iPhone, que pode ser baixado na loja de aplicativos App Store, da Apple. “Estimamos, hoje, 40 mil iPads no Brasil e é esse público que queremos atingir”, afirmou Marcílio Pousada, presidente da empresa. A Saraiva, que pretende ter até o final do ano 5 mil livros digitalizados, tem arquivos nos formatos PDF e ePUB, compatíveis com o iPad, o Alfa, da Positivo, o Sony Reader e o Cool-er, da Gato Sabido.

Os usuários de leitores digitais devem ficar sempre atentos aos formatos disponíveis para cada tipo de eletrônico – é justamente esse o desafio das editoras, que querem tornar seu material compatível com os produtos da Apple. Além de PDF e ePUB há diversas outras siglas que podem acabar confundindo e atrapalhando o consumidor: DOC, TXT, HTML, MOBI e TRT, por exemplo. A gigante Amazon, uma referência no mercado de e-books, criou até um formato próprio para o conteúdo compatível com o Kindle [AZW e AZW1].

Adaptação
A Singular, empresa da editora Ediouro, também se adapta para conquistar no Brasil novos leitores entre os fãs da Apple. “Temos arquivos digitais sendo vendidos pelos principais sites do país, que podem rodar nos aparelhos já disponíveis no Brasil. Mas ainda temos de nos adaptar à plataforma do iPad, que exige itens diferenciados, pois os arquivos serão vendidos pela loja virtual da Apple. Além disso, o gadget oferece cores e funções interativas, como som e a possibilidade de ler o texto na vertical ou na horizontal”, afirma Newton Neto, diretor de mídias digitais e tecnologia da Singular.

Essa interatividade que o aparelho possibilita funciona como um chamariz e também pode reforçar o lucro das editoras. ”Com o tablet, conseguimos dar mais realidade e nitidez aos desenhos, o que não acontece com os leitores digitais vendidos atualmente no Brasil”, explica Mauro Palermo, diretor da Globo Livros. Durante a Bienal Internacional do Livro, a empresa disponibilizou o primeiro capítulo da obra “A menina do narizinho arrebitado”, de Monteiro Lobato, para iPad. “Até o fim do ano, teremos o livro completo e outras obras ilustradas, que serão rediagramadas para se encaixarem ao tamanho e estrutura do aparelho.”

Apesar da empolgação de muitos, a editora Contexto não vê o gadget da Apple como um “divisor de águas” no setor de mídias impressas. “Faz bastante tempo que estamos nos preparando para a venda do livro digital: tanto que grande parte dos nossos contratos já tem previsto o comércio deste tipo de arquivo. Mas não vamos dar exclusividade para um aparelho ou outro. Queremos disponibilizar um e-book que rode em todos os e-readers”, explicou Daniel Pinsky, diretor da empresa.

E a pirataria?
Outra iniciativa estudada pelas editoras é oferecer, junto com os textos, vídeos e disponibilizar uma forma de escutar a versão digital. Com essas exclusividades, as empresas acreditam que será mais difícil os leitores optarem por versões pirateadas. “Estamos criando uma versão 2.0 dos e-books, à qual o consumidor terá acesso com um código passado durante o ato da compra”, explica Neto, da Singular.

O valor dos e-books deve ser mais baixo que o cobrado para os livros impressos, porque na versão tradicional está embutido o preço das obras que não foram vendidas, do frete e da gráfica, entre outras coisas. “Retirando esses custos, o produto fica cerca de 65% mais barato. Assim, o leitor que investiu no aparelho vai aos poucos recuperando o valor, economizando na compra dos livros”, afirma o diretor da Globo Livros.

Os arquivos digitais também terão o chamado DRM [Digital Rights Management; gerenciamento dos direitos digitais], uma plataforma de segurança escolhida pela maioria das editoras brasileiras para proteger os arquivos de cópias não autorizadas. Assim, o usuário baixará o arquivo e não conseguirá repassá-lo.

Por Daniel Navas | Para o UOL Tecnologia | 19/10/2010 – 10h34

PDF em xeque


Os formato .PDF não é exatamente um poço de segurança. Os arquivos do tipo permitem o alojamento de programas maliciosos – como cavalos de tróia que permitem até que o computador seja espionado e controlado remotamente.

Por isso, especialistas na área propõem o fim do formato de leitura da Adobe. Durante a conferência Virus Bulletin, em Vancouver, no Canadá, o analista de segurança realizou uma pesquisa informal entre os presentes que constatou: 97% dos 600 especialistas que estavam por lá são favoráveis à extinção do PDF.

Os problemas são antigos. No ano passado, a empresa de segurança F-Secure desestimulou o uso do Adobe Reader. Foram encontradas seis vulnerabilidades – o número colocou o software no topo da lista dos programas mais visados para ataques.

No início do mês, a própria Adobe reconheceu uma falha séria no Reader que permitia ataques com cavalos de tróia – um programa espião poderia ser instalado só com a execução de um PDF.

O problema é que as falhas do Reader, assim como no Flash Player, permitem que arquivos maliciosos se camuflem e sejam baixados pelo navegador. O Flash também é bastante criticado por suas falhas de segurança e por ser um formato proprietário – e fica em perigo agora principalmente por causa da adoção maciça do HTML5. Além disso, a Adobe é criticada por causa da lentidão em corrigir os problemas.

Por Tatiana de Mello Dias | estadao.com.br | 5/10/2010 8:57

Amazon planeja abrir Kindle para o formato ePub?


Parece que, finalmente, a Amazon está começando a incorporar o padrão para publicações eletrônicas, o ePub, dentro do formato de container deles, talvez isso signifique alguma migração de formato no futuro.

Essa mudança toda parece ocorrer num momento em que a equipe do Kindle não dára mais suporte ao KindleGen para o Linux 2.4. A equipe Kindle, a partir do dia 30 de setembro de 2010, estará incentivando todos os programadores KindleGen a atualizar o kernel para a versão Linux 2.6 ou superior.

O aplicativo KindleGen é uma uma ferramenta de linha de comando usada para criar livros eletrônicos que podem ser comercializados através da plataforma da Amazon Kindle.

Esta ferramenta é usada por  editores e autores que estão familiarizados com a linguagem HTML e querem converter seus códigos [HTML, XHTML, XML, OPF ou ePub] para o formato do Kindle [AZW].

Com isso, parece que a Amazon já está planejando, com antecedência, uma transição. Na verdade, seria talvez mais correto dizer que eles estão dando uma opção de transição.

Hoje, o KindleGen suporta imagens em tamanhos maiores, bem como as tags de áudio e vídeo para conteúdos embutidos. Só não é possível assegurar quando é que o Kindle irá efetivamente rodar vídeos, uma vez que a Amazon já disse que continuará, pelo menos por enquanto, a utilizar a tecnologia E-ink nas telas do seu produto. E o E-ink não suporta, ainda, a transmissão de vídeo, embora o Kindle rode arquivos em formato áudio.

O KindleGen pode ser baixado gratuitamente a partir do site da página “Amazon Kindle’s Publishing Program“.

Por Ednei Procópio

Livros digitais ganham força, mas falta de aparelhos complica vida dos brasileiros


Maior parte dos e-reader está disponível apenas para compra no exterior

Nook, leitor digital'Barnes & Nobles, não está disponível no Brasil. Photo: Getty Images

Quem viu de perto o surgimento do televisor, na década de 50, vivenciou também a dúvida sobre o quanto a tecnologia impactaria no futuro do rádio. E como tudo que é novo, o e-book ou livro digital , que começa a ganhar força no Brasil neste ano, chega assombrando, no caso, o livro impresso.
Quem está há muitos anos em meio a milhares de páginas garante que a tendência é irreversível, mas não dominante. O mercado de livros, nos próximos anos, não será exclusivamente online, aposta o presidente da Câmara Mineira do Livro, José de Alencar Mayrink, certo de que o primeiro exemplar de um livro dificilmente será digital.

Para ele, autores e editoras darão preferência para o lançamento nos dois formatos e só depois definirem quais obras devem ficar restrita à distribuição por meio digital.

– Brasileiro adora tecnologia e o livro digital pode até aumentar o número de leitores no país. Antes, quem não tinha disposição para abrir um livro e passar as páginas, hoje pode rolar o mouse e acompanhar a história na tela.

Apesar dos e-readers [leitores eletrônicos] terem alavancado o setor, o livro digital existe antes desses dispositivos. Há muito tempo já se usa o livro digital. Eles são “passados” para o computador em formato PDF, extensão do Adobe Reader, e lidos em notebooks, desktops e smartphones. O surgimento dos e-readers é que tornou possível transportar mais obras e ter acesso a elas a qualquer hora e lugar. Os aparelhos com menor memória cerca de 2 gigabytes armazenam até 3.000 títulos.

O mais famoso dos e-readers até por ter sido o primeiro do mundo a chegar mais perto do que desejavam os consumidores é Kindle, criado e vendido pela empresa norte-americana Amazon.

Produto sem o qual o médico Joaquim Bonfim não consegue mais viver. Ele comprou o aparelho há apenas um mês e já instalou 44 livros e assinou um jornal diário. Para quem duvida do conforto visual que esses dispositivos oferecem, o médico garante não perceber diferenças.

– Trabalho com medicina de diagnóstico por imagem. Por isso sei que a tecnologia e-ink, que imita o papel original, é perfeita para a saúde. É como ler um papel comum. Não tem comparação com a leitura em um computador ou celular.

O aparelho escolhido por Bonfim foi o Kindle DX, chamado também de internacional, que possui conexão 3G, tela de 9,7 polegadas e lê arquivos não só no formato AZW [sob o qual estão os livros vendidos no portal da fabricante] como nos primeiros modelos da Amazon, mas também PDF, TXT, PRC, DOC, MOBI, JPEG, HTML, GIF, PNG e BMP. Ou seja, dá para variar bastante.

“Diagramação” ao gosto do leitor

Mas se a moda vai pegar ou não, talvez ainda seja cedo para dizer. Há quem acredite que a adaptação ao livro digital será demorada, muito maior do que a rápida adesão aos formatos MP3 e MP4, reprodutores de música e vídeos digitais.

Para o diretor de mídias digitais da Editora Gente, Roberto Melo, a experiência de ler um livro é diferente conforme o dispositivo, ao contrário de quando se ouve música.

– Não importa se o jazz está rodando em um CD, player MP3 ou telefone celular. A música que chegará aos ouvidos é a mesma. Mas, ler um conto de Machado de Assis em um livro impresso é totalmente diferente de ler em uma tela de um smartphone ou do computador.

Mas existem pessoas que, por exemplo, preferem ler livros técnicos em leitores digitais e computadores pelo fato de poderem inserir anotações, marcações e cálculos, sem danificar a obra.

Além de afirmar que a experiência da leitura digital varia de acordo com o perfil de cada leitor, Melo diz que os e-readers podem oferecer vantagens e desvantagens. Um lado bom é a possibilidade de o usuário diagramar o texto da melhor forma que lhe convir, pois a maioria dos livros eletrônicos são editados de forma que é possível alterar a fonte e ajustar o conteúdo de acordo com o tamanho da tela.

Um deles é o ePub, arquivo programado na linguagem XML, que permite a conversão automática de conteúdos escritos. O aspecto negativo atinge os designers que trabalharam na construção do livro, que por essa possibilidade temem o desemprego. Outro fantasma que anda de mãos dadas com a tecnologia.

Poucas opções chegam ao mercado nacional

São incontáveis os fabricantes e modelos de e-readers no mercado desde o surgimento dos livros digitais. Uns mais conhecidos, outros menos. Mas pouquíssimos estão disponíveis no Brasil. A Sony, por exemplo, em 2007, logo após o lançamento do primeiro Kindle, soltou no mercado seu primeiro e-reader, para competir com o produto da Amazon: o Sony PR-300. Desde então, vem lançando vários outros modelos e os mais recentes são o PRS-600 Touch Screen e o PRS-900 Touch Screen. Mas só estão à venda na Europa e nos Estados Unidos.

A Samsung também lançou seu e-reader, em março deste ano, em Nova York. Com preço de U$299, o dispositivo tem tela 6 polegadas e, em vez de touch screen, é sensível à caneta de ressonância magnética. Aceita arquivos nos formatos ePub, PDF, TXT, BMP e JPG, com memória de 2GB que pode ser expandida com cartão SD.

Além disso, a empresa anunciou parceria com a rede de livrarias Barnes & Nobles para os usuários terem acesso ao acervo das lojas. Mais uma vez, só compra quem for à terra do Tio Sam. Além da Sony e da Samsung, fabricantes como Onyx, Neolux Corporation, Lbook, Elonex, Endless Ideas, Astak e Aluratek também investem em leitores de livros digitais e lançam novidades periodicamente.

A pouca disponibilidade desse tipo de aparelho no Brasil pode ser explicada pela recente chegada do livro eletrônico no país. Nas livrarias que já vendem as obras digitais, não há comparação entre os títulos estrangeiros com os nacionais. Os daqui, perto das mil unidades. Os de fora, ultrapassam as 100 mil. Por isso o mercado ainda não tenha visto motivos para investir nos dispositivos.

Mas se você ficou curioso ou mesmo interessado em um e-reader, fique atento a algumas dicas para comprar um que seja adequado ao seu perfil. Primeiro, veja se há necessidade de conexão sem fio e 3G – quando o cotidiano é um corre-corre, é o indicado, pois pode-se comprar livros de qualquer lugar. Se for um aficionado por livros, daqueles que lêem em filas de espera, bancos de praça, em todo lugar, o ideal é um e-reader com tela menor, que caiba na bolsa ou mochila.

Cada vez mais os e-readers adequam aos diferentes formatos, mas é bom observar esse detalhe antes de comprar. Quanto maior o suporte a diferentes arquivos, melhor. Se você gosta de fazer anotações enquanto lê, de preferência aos dispositivos com esse diferencial. Assim não é necessário um e-reader e papel e caneta ao lado.

Vale dar uma conferida para ver se o seu estilo de livros preferido já tem muitas versões digitais, para não gastar dinheiro a toa. E a pesquisa de preços continua valendo como velha e boa dica.

Por Franciele Xavier, do Hoje em Dia | Publicado no Portal R7 em 23/08/2010 às 15h44

Primeiras Impressões do Positivo Alfa



A embalagem é bonita. Uma caixa prática que protege bem o equipamento.

Recebi o Positivo Alfa no final da tarde do dia 12/8. Prazo prometido pela Livraria Cultura e pelos Correios e cumprido à risca. Após alguns dias de uso posso dizer que o produto cumpre algumas promessas e outras, não.

O leitor de livros digitais é leve, pesando 240 gramas. A tela, com tecnologia e-paper, de 15 cm de diâmetro, não cansa a vista. Após a leitura de um texto que corresponderia a 60 páginas de um livro de papel, não senti a vista cansada. O espaço para armazenar livros possui 1,3 GB, com possibilidade de expansão por cartão de memória micro SD Card. Os 2 GB informados na caixa são de “memória interna”, ou seja, incluem o espaço ocupado pelo sistema operacional. Contudo, pelo tamanho médio dos livros, o espaço é suficiente para guardar os 1.500 prometidos.

No meu caso, eu calculo que quando estiver esgotado o espaço normal do Alfa já estará na hora de comprar outro aparelho. O cartão de memória servirá para pegar livros emprestados dos amigos.

Com relação à tela sensível ao toque, há o mesmo problema encontrado em todos os aparelhos com esse tipo de tecnologia. A oleosidade natural dos dedos vai sujando a tela. Como a eficácia da tela está em sua tecnologia e-paper, que não ofusca a visão, o brilho deixado pelas marcas dos dedos acaba aparecendo um pouco, atrapalhado a leitura. Embora a moda seja a tecnologia touch, no dia à dia, a melhor solução ainda parece ser a navegação exclusiva por teclado ou botões.

Positivo Alfa

O dispositivo pode operar em português e inglês, mas só há dicionário para a língua portuguesa. Ao ler um livro em inglês, mesmo trocando a configuração do idioma, o dicionário continua fazendo as buscas em português, informando, é claro, que as palavras pesquisadas não foram localizadas.

Só para constar, os formatos suportados são epub e pdf, com e sem DRM, além de html e txt sem DRM. Não há suporte a arquivos doc/docx.

Cabe também um relato inicial sobre a busca por e-books compatíveis com o Alfa no mercado nacional e no internacional. De início, posso dizer que foi frustrante. Embora tenha encontrado a excelente loja KoboBooks, que faz venda internacional de livros em inglês por preços quase tão bons quantos os da Amazon, não há tanta variedade. No Brasil, a escassez é total. A melhor livraria, com certeza, é a Cultura, embora o número de títulos precise aumentar bastante. Minha pior experiência foi com a Livraria Saraiva. Experiência esta que vai merecer um post exclusivo de tão, tão, digamos, kafkiana que foi [tenho mensagens salvas para provar].

Pesando na balança, comprar o Alfa foi bom. Ele reacendeu meu prazer pela leitura. Nada de livros pesados e lugares que vão, aos poucos, ficando desconfortáveis durante a leitura. A leveza do aparelho e a comodidade de só precisar apertar um botão para virar a página são coisas banais que me surpreenderam de forma positiva. Não achei que a supressão desses incômodos faria uma diferença tão grande. Mas faz.

Outro fator estimulante foi a economia. Dos três livros comprados, o primeiro, Think of a Number: A Novel, custou US$ 5,99, contra os US$ 22,00 do livro impresso; o segundo, 61 Hours, US$ 9,99, ao invés de US$ 28,00; e, o último e menos barato, o brasileiro Direito Tributário – Coleção OAB, custou R$ 26,90, ao invés de R$ 34,90. Foi ótimo não precisar esperar o natural prazo de entrega dos livros impressos, nem, pagar frete. Um ótimo saldo de quase de R$ 70,00 [sem contar o frete]. Com certeza, leitores vorazes “ganharão” o aparelho em poucos meses.

Texto gentilmente cedido por Magno Kretzschmar Nardin | Publicado originalmente em Livros Elétricos