Edição digital – outros lados de várias moedas


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 20/08/2013

Normalmente a edição digital está associada aos e-books e e-readers. Mas não é tão simples assim. Já mencionei que o uso de formatos digitais pelas editoras do segmento técnico-científico está próxima de comemorar seu vigésimo aniversário.

Na área dos tradicionais livros impressos, os processos gráficos passaram, nos últimos anos, por transformações igualmente grandes e significativas. Aliás, as transformações técnicas dos processos de impressão têm impactos diretos na quantidade e na qualidade dos livros tradicionais ofertados. A mais recente dessas transformações é a da impressão digital.

A eletrofotografia [reprodução por meios eletrostáticos de um original, foto ou texto], desenvolvida pela Xerox, no final nos anos 1950, foi onde tudo começou. Anos depois a Xerox fundou o PARC – Palo Alto Research Center, matriz de inúmeras inovações tecnológicas na área da reprodução [impressoras a jato de tinta e laser], e dos computadores pessoais.

A chamada “xerografia”, como ficou popularmente conhecida, com máquinas cada vez mais complexas, desembocou nos anos 1990 na DocuTech, uma máquina apresentada como a primeira “fábrica de livros”, que imprimia página por página um original, compaginava e apresentava na ponta o miolo do livro, pronto para ser encadernado. A DocuTech foi o primeiro sistema integrado de impressão sob demanda.

Muita água rolou por baixo dessa ponte, e a Xerox há muito deixou de ser quase monopólio de copiadoras e impressoras. Várias empresas entraram no mercado, seja nas impressoras domésticas, máquinas copiadoras ou impressoras de grande porte. Nos últimos anos, os processos de impressões sob demanda [POD, em inglês] vêm assumindo importância crescente. No mercado global de impressões, a impressão digital chega a apenas 4% do total de impressos produzidos, mas o crescimento é contínuo e rápido, segundo Maurício Ferreira, gerente do segmento Indigo & Inkjet Web Press da Hewlett Packard.

Semana passada, assisti como convidado a uma apresentação sobre impressão digital promovida pela HP. Foi um evento direcionado particularmente para o mercado de livros didáticos. Hoje há máquinas capazes de competir com rotativas offset, e com uma vantagem adicional: a capacidade de produzir livros praticamente individualizados. Ou seja, o conteúdo adaptado para um único consumidor/leitor/estudante.

Uma das apresentações mais interessantes do evento foi feita por Allen C. Schulz, que trabalhou 33 anos na McGraw-Hill, onde foi um dos principais arquitetos e desenvolvedores do segmento de livros personalizados, impressos sob demanda.

Acompanho as experiências da McGraw-Hill há vários anos. A empresa foi pioneira na adoção do POD, reduzindo drasticamente estoques. Segundo Schulz, foi também pioneira na produção de livros didáticos customizados, já nos anos 1980. O processo de composição e preparação de originais utilizava a linguagem Postscript, de difícil uso para os propósitos pretendidos.

No entanto, segundo Schulz, o processo valia a pena pela diminuição dos estoques [os livros eram produzidos em tiragens específicas para cada grupo de consumidores], e diminuição do mercado de livros escolares usados. O que aqui acontece de modo quase amador, com os colégios e faculdades fazendo feirinhas nas quais os alunos repassam para os colegas mais novos os livros usados no ano anterior, nos EUA já era um negócio estruturado, com empresas especializadas na compra dos usados, limpeza e recondicionamento e venda.

Nos anos 1990, passam a ser usadas pela McGraw-Hill as suítes Adobe Acrobat e Adobe Creative, de uso bem mais fácil, padronizando os processos. Nessa época também foram instituídas as primeiras bibliotecas digitais de conteúdo. Nessas bibliotecas, os conteúdos dos livros publicados pela McGraw-Hill podiam ser “fatiados” em capítulos, e os próprios professores montavam o conteúdo dos livros adotados. Era uma “pasta do professor” impressa, legalizada e vendida na livraria da universidade. Os próprios professores foram estimulados a produzir material digital que pudesse ser incorporado aos livros [licenciado e remunerado]. Os processos gráficos foram sendo desenvolvidos a partir de uma parceria da editora com a HP e gráficas.

A partir do início do novo século começaram a testar impressoras ink-jet para a produção dos livros. Mais importante ainda, a formatação do material passou a ser em XML, a matriz de praticamente todas as linguagens de formatação gráfica existentes hoje, permitindo uma flexibilidade anteriormente mais difícil.

A associação entre a McGraw-Hill e a HP se desenvolveu em outros segmentos. A editora decidiu transferir todos seus processos de produção e pré-impressão para a Índia. A medida, entretanto, se desenvolveu com uma política estrita de imposição de qualidade e preço. É um processo comum, na situação em que uma grande empresa alcança um tamanho capaz de impor condições estritas aos fornecedores. Ou seja, não é nem privilégio nem foi invenção da Amazon, e muitas outras empresas que alcançam esse nível de controle da produção sistematicamente impõem padrões e preços. Também não é privilégio das empresas. Um exemplo parecido é a que o FNDE impõe aos editores no fornecimento dos livros didáticos aqui.

A introdução da impressão digital, com sua grande flexibilidade, permite a elaboração de conteúdos que podem ser produzidos para atender especificações dirigidas até o consumidor individual. Conjuntos de livros para classes e cursos específicos já são rotina.

Mas a impressão digital provocou outras mudanças importantes. O ajuste da oferta à demanda, por exemplo. Anteriormente, os editores tinham que calcular [com base na sua experiência, cada vez mais sofisticada, é claro], qual deveria ser a tiragem de cada título. A impressão sob demanda deixa de lado essa exigência. Não apenas podem fabricar livros individualizados, como cada tiragem é ajustada perfeitamente à demanda. Portanto, há uma menor dependência na previsão de produção.

Outro aspecto importante é o da redução dos estoques. E a redução dos estoques aliada aos processos de impressão digital, produz outros dois efeitos de grande importância na economia da editora. O primeiro é a eliminação do “mercado secundário” dos livros usados. Porém, ainda mais importante, é o processo de “obsolescência programada” das edições. Na medida em que os livros são produzidos para cada classe [ou pelo menos para cada curso], e modificados facilmente de um ano para o outro com o uso desses enormes “bancos de dados”/bibliotecas digitais de conteúdo, além das notas e contribuições de professores, os livros usados por uma turma são inaproveitáveis para as turmas seguintes. O que, evidentemente, é ótimo para a editora, e péssimo do ponto de vista social. Não existe mais o reaproveitamento do livro usado.

Os processos de “montagem” de conteúdo e impressão em pequenas tiragens permitem também o desenvolvimento de mercado de nichos, ou o teste de conteúdos em nichos específicos e de modo controlado.

Finalmente, o desenvolvimento de facilidades locais para impressão digital proporcionou ainda outra economia em logística. Quanto mais próxima estiver a gráfica digital do consumidor final, menor será o custo de transporte. Recentemente as grandes transportadoras dos EUA tiveram que refazer cálculos de produtividade e ocupação com a proliferação dos armazéns da Amazon. Como o frete é cobrado por faixas de distância calculadas em um raio a partir do ponto de recolhimento, a produção localizada começa a afetar o uso do transporte terrestre.

Essas modificações no sistema de produção gráfica e editorial, decorrentes da introdução de sistemas digitais em uma extensão cada vez maior, ocorre, evidentemente, fora dos olhos do consumidor final. O livro tradicional, impresso, também se transforma com os avanços tecnológicos.

Essas considerações aqui são feitas levando em conta o segmento dos livros didáticos [em todos os níveis de ensino, em maior ou menor grau]. No Brasil ainda estamos bem longe da sofisticação tecnológica dos EUA. Até porque, é bom não esquecer, o maior volume na produção de livros didáticos é o comprado pelos programas governamentais. Segundo informações da Abrelivros [dadas por Antonio Luiz Rios, vice-presidente da entidade no evento da HP], os programas governamentais absorvem 80% da produção, mas geram apenas 50% do faturamento das editoras do setor. Os 20% absorvidos pelo mercado geram a outra metade do faturamento, e essa faixa poderá ser melhor explorada com a sofisticação da produção de conteúdo.

Além do setor tradicional das editoras didáticas, os chamados sistemas de ensino também crescem [e quase todas as editoras também têm sistemas]. Nessa área pode haver um aumento consistente no uso desses processos digitais.

Algumas instituições de ensino superior já usam modelos parecidos. Há universidades particulares que, para alguns cursos, incluem no preço da anuidade o custo do material didático desenhado especialmente, entregue aos alunos. E a ABDR, em uma encabulada retirada da mania persecutória das reprografias, lançou a “Pasta do professor”, uma fórmula que era usada há quase trinta anos pela McGraw-Hill e outras editoras de livros técnico-científicos e universitários dos EUA.

O impacto da impressão sob demanda na área dos livros de interesse geral é outro capítulo, que tentarei abordar melhor em outra ocasião.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 20/08/2013

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Microsoft lança o tablet Surface e tenta fazer frente ao iPad, da Apple


Microsoft Surface Tablet

Microsoft Surface Tablet

Desafio. Lançamento da empresa de software traz novidades que não estão presentes nem mesmo no iPad, como uma capa que também funciona como teclado, além de marcar um distanciamento da Microsoft da estratégia que costuma usar no mercado de PCs

Com dois anos de atraso, a Microsoft, conhecida por seu domínio no desenvolvimento de softwares para PCs, apresentou ontem o Surface, um tablet com o objetivo de competir com o iPad, da Apple, ou pelo menos conquistar uma fatia do mercado em um dos setores de maior crescimento na tecnologia.

Diferentemente de outros tablets, o Surface traz inovações ausentes mesmo do iPad. A principal delas é uma capa que funciona como teclado. Há também um minitripé de suporte que, ao ser montado, praticamente transforma o aparelho em um laptop ainda mais leve do que o Macbook Air.

Quando o sistema operacional Windows 8 for lançado no fim do ano, a expectativa é de que o tablet rode o pacote de aplicativos Office. Se esse objetivo for atingido, o tablet terá uma enorme vantagem comparativa em relação ao iPad, especialmente para pessoas que queiram usar o aparelho para trabalhar.

Por enquanto, não há definição de preço ou data exata para o lançamento. O mais provável é que o custo seja similar ao dos concorrentes e as lojas comecem a vender duas versões, no outono do Hemisfério Norte, com 32 e 64 gigabytes [GB] usando o Windows RT. O Surface de 128 GB viria mais tarde, apenas depois de o Windows 8 ser implementado. Uma das versões terá o chip da Intel. Outra virá com processador de tecnologia ARM. Sua tela tem 10,6 polegadas.

“Nós acreditamos que qualquer interação entre os seres humanos e as maquinas podem ser feitas apenas quando toda a experiência – hardware e software – trabalham juntas”, disse o presidente da empresa, Steve Ballmer, ao apresentar o produto em Los Angeles. A declaração é irônica pois foi sempre a Apple, e não a Microsoft, que manteve a tradição de fabricar ambos.

O lançamento é do Surface é um divisor de águas para a empresa fundada por Bill Gates. A Microsoft historicamente se concentrou no desenvolvimento de software, deixando a parte do hardware para outras empresas como a Dell, a Sony e a HP. Um dos poucos aparelhos de sucesso da empresa é o videogame Xbox.

O anúncio gerou otimismo entre os investidores. Analistas, porém, ainda não têm condições de avaliar o Surface, porque apenas um protótipo do hardware foi apresentado.

Há pouco mais de um mês, a Microsoft também havia decidido entrar no mercado de e-readers ao anunciar uma joint venture com a Barnes & Noble, fabricante do Nook, segundo colocado no setor, atrás apenas do Kindle, da Amazon.

O evento de lançamento do Surface foi cercado de mistério, com “fontes” revelando informações seletivamente para a imprensa nos dias anteriores, como acontece com os anúncios da Apple. A Microsoft buscou mostrar que já tem tradição em hardware, lembrando que fabrica teclados e mouses.

Mercado. Atualmente, a Apple domina o mercado dos tablets com 62,5% das vendas. Os aparelhos que usam o sistema Android, do Google, têm 36,5%. O mercado deve crescer 54,4% neste ano, com 107 milhões e unidades vendidas. Já no setor de PCs, haverá uma alta de 5% para 383 milhões de unidades.

Estadão.com.br | 19 de junho de 2012 | 3h 05

Iba é lançada com seis mil eBooks


O mercado de publicações digitais ganhou ontem um concorrente de peso com o lançamento da Iba, loja do grupo Abril para jornais, revistas e livros. A plataforma, que desde o ano passado funcionava em versão experimental, foi ao ar oficialmente com oferta de 25 títulos de revista do grupo, 19 jornais e seis mil e-books de 170 editoras brasileiras, o que a coloca entre as três maiores lojas de livros eletrônicos do país – a Gato Sabido tinha cerca de 7,3 mil títulos em janeiro e a Saraiva, em torno de seis mil.

A estreia acontece num momento em que a concorrência promete se acirrar – e muito – com os desembarques da Amazon e do Google eBooks no Brasil, previstos para este ano, e do surgimento de outras plataformas nacionais – Mundo Positivo, Buqui e Travessa são alguns dos concorrentes que surgiram nos últimos meses. “Queremos estar entre as grandes do mercado de e-books”, diz Ricardo Garrido, diretor de operações da Iba. A loja recebeu até agora investimento de R$ 10 milhões e, nos próximos cinco anos, deve consumir um total de R$ 60 milhões, segundo o executivo.

Estão disponíveis os aplicativos de leitura da Iba para PC e iPad e, em breve, será lançado um para Android. “Estamos apostando no crescimento dos tablets e também na base já instalada de PCs no Brasil”, afirma Garrido. Segundo ele, a Iba estima que haverá nove milhões de tablets em uso no país nos próximos cinco anos, contra menos de um milhão existente hoje. Foi fechada parceria para que os tablets da Motorola e da Samsung – o Xoom e o Galaxy Tab – já cheguem às mãos do consumidor brasileiro com o aplicativo da Iba instalado. O mesmo acordo com feito com a HP para PCs.

Para atrair usuários, a Iba oferece gratuitamente cinco revistas, um jornal diário e mais dez livros – todos em domínio público – para quem se cadastrar até o dia 16 de abril. Ontem, segundo Garrido, três mil usuários haviam se cadastrado em menos de 24 horas. Hoje pela manhã, o aplicativo da loja para iPad era o terceiro mais baixado na App Store. A Iba permite, além da compra avulsa de exemplares, a assinatura dos jornais e revistas.

Garrido afirma esperar para os próximos meses um forte crescimento na base de e-books nacionais. “As editoras aceleraram muito a produção de e-books e acreditamos que haverá um aumento gigantesco na oferta nos próximos meses”, afirma. A Iba também deve fechar em breve acordos para a venda de títulos estrangeiros, segundo ele.

Em relação aos acordos comerciais com as editoras, Garrido afirma que os contratos variam conforme o porte e o tipo de publicação das editoras. Eles também preveem certos níveis de desconto nos preços dos livros para o consumidor final. “Mas nossa postura não é de pressionar as editoras, acreditamos numa boa convivência, como sempre foi no mundo impresso”, diz o executivo.

É uma referência sutil à Amazon, conhecida por sua prática agressiva de descontos [especialmente nos Estados Unidos], que ao longo do tempo passou a ser vista como vilã pelo mercado editorial – mas, certamente, não pelos leitores, que conseguem comprar livros por preços menores. A companhia americana planeja iniciar operações no Brasil ainda neste primeiro semestre.

Ao contrário do que se imagina, a distribuição digital não é tão barata, porque os volumes de venda são baixos no Brasil”, diz Garrido. “À medida que o volume crescer, haverá espaço para reduções maiores de preço, mas não é algo que vai acontecer no curto prazo”, avalia.

Em tempo: iba, em tupi-guarani, significa árvore, uma referência ao símbolo da Abril.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 07/03/2012

Amazon deve iniciar a produção de dois tablets próprios, o quanto antes


Parece que para o pessoal da Amazon, o sucesso do Kindle não é o suficiente para os anseios da loja virtual e ele deve ganhar alguns irmãos mais parrudos. Os rumores de que a empresa está trabalhando em tablets da própria marca também não são nada novos, mas agora a data prevista para o início da produção destes aparelhos está marcada para no máximo em outubro com vendas logo em seguida.

Assim como a Samsung, a Amazon deve apresentar dois modelos com tamanhos de tela diferentes: um de 10 e outro de 7 polegadas, sendo que o menor já estaria sendo comercializado entre outubro e novembro e o de 10 polegadas viria apenas para o ano que vem. Ainda não há qualquer indício da forma em que eles virão, mas não deve mudar muito do que encontramos em tablets com Android ou com o TouchPad, da HP.

A única informação que parece verdadeiramente sólida, é que ele virá rodando o sistema operacional móvel do Google, o Android. Mas como esta data de lançamento, para meados de outubro, está próxima, é melhor esperar e ver com os próprios olhos o que está por vir. Se é que está.

Publicado originalmente em TechGuru | 1 de setembro de 2011 – 15:14

Vendas de leitores de livros digitais devem somar 6,6 milhões no ano


As vendas globais de leitores de livros eletrônicos conectados à internet, também conhecidos como e-readers, devem totalizar 6,6 milhões de unidades este ano, aponta a consultoria Gartner. A projeção representa um salto de 79,8% em relação aos 3,6 milhões de dispositivos vendidos mundialmente em 2009.

Para 2011, a consultoria prevê que sejam comercializados 11 milhões de e-readers, o que representa um crescimento de 68,3% na comparação com o resultado estimado em 2010.

O mercado de e-readers conectados cresceu dramaticamente durante os últimos dois anos direcionado pelas vendas de leitores da Amazon, especialmente na América do Norte. Esta é a região que domina as vendas de e-readers e prevemos que deve contabilizar vendas de mais de 4 milhões de unidades este ano‘, afirma o analista de pesquisas do Gartner Hugues De La Vergne.

Embora três fornecedores prevaleçam no mercado atual de leitores eletrônicos [Amazon, Barnes & Noble e Sony], novos concorrentes devem aparecer com dispositivos de baixo custo subsidiados por empresas de conteúdo. Grandes fornecedores de computadores como HP e Dell também devem tentar se posicionar fortemente no mercado de dispositivos conectados de consumo.

Por Daniela Braun | Valor Econômico | 08/12/2010

Seminário da Singular discute self-publishing


A edição carioca do 1º Ciclo de Palestras sobre os Futuros do Livro, organizado pela Singular, braço digital do grupo Ediouro, aconteceu ontem [28], na Casa do Saber da capital fluminense. Ali, próximo à bela lagoa Rodrigo de Freitas, um grupo de 60 convidados ouviu as palestras do editor americano Mark Coker, da Smashwords, e de Luis Iglesias, executivo brasileiro da Hewlett-Packard. No final, uma mesa-redonda com Roberto Cassano [Agência Frog] e Ricardo Neves, autor de Ruptura, uma obra self-published. Os destaques ficaram para as falas de Coker e Neves. Ambos foram críticos ao modelo atual da indústria editorial de forte controle do que é ou não publicado, e defenderam o self-publishing – publicação independente pelo próprio autor – como uma alternativa importante para a democratização do acesso à publicação.

Acho que o modelo em que os editores decidem o que os leitores devem ler é errado“, afirmou Mark Coker, presidente da Smashwords, empresa norte-americana de self-publishing digital. Ele reconheceu, no entanto, a importância do editor, mas acha que as editoras estão cada vez se comportando menos como editoras. “Ao tentar minimizar os riscos, as editoras estão publicando menos, com preços mais caros e, no caso do livro digital, utilizando DRM”, afirmou. E na visão de Coker isto faz com as editoras sejam menos amigáveis aos leitores e se afastem de seu papel original. O editor da Califórnia considera isto perigoso e reconhece a importância dos editores. “Quando os editores começam a agir cada vez menos como editores, os autores começam a se perguntar porque precisam deles”.

Durante a mesa-redonda, foi o consultor Ricardo Neves quem teceu duras críticas aos editores. Com livros publicados pela Campus, Ediouro e Senac Rio, Neves decidiu lançar sua mais recente obra, Ruptura, por conta própria. “Não existe a promoção do autor nacional. O editor brasileiro quer ir para Frankfurt e encontrar o bilhete premiado”, afirmou o consultor, reclamando do trabalho das editoras brasileiras. “Falta às editoras a ousadia de fazer diferente”, complementou. Ao final de sua fala, questionado se sua crítica era ao momento editorial ou às editoras como um todo, explicou: “Minha colocação não foi algo ressentido contra as editoras. É minha forma apaixonada de falar.“. O livro Ruptura está sendo lançado este mês. Resta acompanhar como será seu desempenho quando comparado aos demais livros do autor.

Para Newton Neto, diretor da Singular, o self-publishing representa uma oportunidade e não uma ameaça às editoras tradicionais. “Com um projeto paralelo de self-publishing, as editoras não precisam dizer não a nenhum autor.”

Hoje [29] a rodada sobre o futuro do livro acontece em São Paulo. O encontro está marcado para às 14h, na Casa do Saber [Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – São Paulo/SP]

Programação

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso [apenas em SP]
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 29/09/2010

Novo Kindle disputará mercado com iPad


A nova versão do Kindle, o leitor eletrônico da Amazon, promete chamar a atenção da indústria ao competir diretamente com o iPad, o tablet da Apple.

Com o lançamento previsto para agosto, o gadget vai apostar nas falhas do concorrente para se firmar como o melhor aparelho de leitura eletrônica da atualidade. O iPad, desde seu lançamento, em abril, vem sendo duramente criticado por causa da dificuldade de ler textos em sua tela brilhante, principalmente em condições de luz natural [durante o dia, por exemplo]. Muitos especialistas afirmam que o tablet compromete a concentração, graças aos seus recursos multimídia.

O novo Kindle deve ser mais fino que seu predecessor e terá uma tela mais nítida do que a atual. O leitor, no entanto, continuará sem tela sensível ao toque e não exibirá imagens coloridas.

Além de competir com o iPad, o aparelho da Amazon também terá de “lutar” contra o Streak, tablet da Dell, e outros dispositivos similares da Nokia, Acer, HP e Toshiba.

Apesar do otimismo, o analista da TechMarketView, Richard Holway, não está tão animado com a chegada do novo Kindle: “A Amazon vendeu dois ou três milhões de aparelhos em alguns anos. A Apple vendeu isso em alguns meses“.

Eu não acho que o Kindle irá morrer, mas ele se tornará um produto de nicho. Pessoas como eu estão dispostas a ler um livro em um minuto e a checar o e-mail em seguida“, completou o especialista.

O Kindle custa hoje 259 dólares [477 reais] nos Estados Unidos, enquanto o iPad sai por 500 dólares [921 reais], em sua versão de 16 GB.

Veja | 05/06/2010 – 13:22

Rivais do iPad vão explorar seus pontos fracos e apostar em diferenciais


Tablet da Apple deve encontrar adversários de peso até o fim do ano

Há rumores de que a Microsoft vá lançar uma prancheta eletrônica (tablet) ainda neste ano. O Courier tem duas telas - que imitam um livro - e permite acionar comandos pelo toque ou por meio de uma caneta stylus (eletrônica). O dispositivo parece reconhecer a escrita a mão do usuário, tem menos de 2,5 cm de espessura e tamanho de 12,7 cm x 17,8 cm. Em vez do Windows 7 ele usa o Tegra 2, sistema operacional do Zune HD

O iPad, prancheta eletrônica da Apple, foi lançado no dia 3 de abril, nos Estados Unidos, e já provocou uma corrida entre empresas de produtos eletrônicos para atrair a atenção dos consumidores. Uma pesquisa do instituto americano In-Stat calcula que em 2014 o mundo terá 50 milhões de tablets vendidos.
Na verdade, isso começou muito antes. Em janeiro, Las Vegas, nos Estados Unidos, sediou a CES (Feira Eletrônica de Consumo, em português), o maior evento de tecnologia do mundo, que teve as pranchetas eletrônicas e as TVs 3D como maiores destaques.

A HP, a Dell e a Sony são algumas das companhias que devem lançar até o final do ano equipamentos com a missão de oferecer algo além do que o iPad já tem, como a praticamente imbatível variedade de aplicativos – são mais de 150 mil ao todo – e explorar os pontos fracos da novidade apresentada pela Apple. O tablet não tem entrada USB, que permite a conexão rápida com outros aparelhos ou pen drive, não consegue carregar sites animados que usam o formato Flash, muito usado em sites, e não tem câmera.

Até mesmo o Kindle, leitor de livros digitais da Amazon, entrou na briga. O fato do iPad permitir a leitura de livros digitais deve forçar uma adaptação de dispositivos como o Kindle para que deixem de ser apenas leitores e passem a oferecer outro tipo de conteúdo multimídia, como jogos.

Prova disso é a compra pela Amazon da Touchco, em fevereiro. Trata-se de uma fabricante de telas coloridas ultrafinas. O negócio foi suficiente para indicar uma provável remodelação do Kindle, que no futuro próximo pode ter tela sensível ao toque e colorida. Oficialmente, a dona do Kindle disse que até dezembro seu sucesso de vendas ganhará uma loja de aplicativos.

No mundo dos leitores eletrônicos, é provável que a Sony inove com um aparelho em que funcionem os jogos do PlayStation. A base para a construção dessa novidade é o seu leitor de livros digitais, o Reader, que funciona com o sistema operacional Android, do Google, e tem três tamanhos de telas diferentes.

A Dell afirmou que seu modelo de tablet, um aparelho de cinco polegadas, vai ter funções de smartphone, diferentemente do iPad, e deverá ser lançado em parceria com uma operadora celular, no máximo, em seis meses.

Enquanto isso, a HP, maior fabricante de computadores pessoais do mundo, também lançará um dispositivo no formato de prancheta eletrônica neste ano. O produto tem mais ou menos o mesmo tamanho do iPad e será compatível com o sistema operacional Windows 7, da Microsoft, que também tem sua carta na manga, com o nome de Courier. Ele se parece mais com um jornal digital, tem duas telas – que imitam um livro – com acionamento pelo toque ou por meio de uma caneta eletrônica e parece reconhecer a escrita da mão do usuário.

Por André Sartorelli | Publicado originalmente em R7 | 10/04/2010 às 08h44

Contra o iPad


Desde o início do ano, o assunto é um só: iPad, o tablet da Apple. O falatório sobre o novo gadget da Steve Jobs é tanto as outras iniciativas nessa mesma área ficam de lado. Mas a HP, fabricante de computadores, conseguiu desviar parte dos holofotes para si mesma nessa semana, ao lançar um vídeo no YouTube que mostra seu novo produto. Trata-se do Slate, o tablet da HP que irá rodar com Windows 7 e permitir a exibição de vídeos em Flash  – função que os produtos da Apple não fazem.

O vídeo mostra que o tablet da HP se parece muito com o iPad – boa resposta aos toques na tela e acesso fácil à aplicativos e jornais e revistas digitais. Detalhes de preços e data de lançamento não foram divulgados pela empresa.

À primeira vista, a maior diferença parece ser rodar vídeos em Flash, coisa que iPhone e iPods não fazem. Porém, os produtos da Apple contam com aplicativos que fazem com que seja totalmente possível a navegação no YouTube, por exemplo. Assim, o grande ponto na verdade é: o Slate terá como sistema operacional o Windows 7. Isso significa que milhões e milhões de pessoas que tem o produto de Bill Gates em seus computadores e já estão acostumadas com esse ambiente, terão a opção de um tablet “da mesma família”. Isso pode ser decisivo no sucesso do Slate.

Com esse produto, você terá uma experiência completa na navegação pela internet na palma da sua mão”, disse Phil McKinney, vice-presidente de tecnologia da HP e chefe de tecnologia, no blog oficial da empresa.

Para quem se interessou, segue abaixo um vídeo de longos cinco minutos mostrando o Slate navegando pelo New York Times, clipes e games [os dois últimos, em Flash].

Sony entrando na briga

Quem também quer uma fatia do mercado de tablets é a Sony. Nobuyuki Oneda, CEO da empresa japonesa, disse à Computerworld: “Essa é uma área que nos interessa muito. Estamos confiantes que temos a habilidade necessária para criar um bom produto. Estamos atrasados em comparação com a Apple e seu iPad, mas realmente achamos que podemos ser importantes neste setor”.

Estadão.com | 9 de março de 2010| 16h39 | Fernando Martines

Yahoo! e Google disputam livro digital


A digitalização de grandes coleções de livros se tornou um novo campo de batalha entre a Yahoo! e a Google para liderar o mercado da internet, após o anúncio das duas empresas sobre ambiciosos planos no setor.

A Yahoo! – com a Adobe, Hewlett-Packard [HP] e uma série de universidades e outras organizações – se lançou à empreitada com a criação da Aliança Aberta de Conteúdo [OCA]. Este grupo pretende digitalizar o conteúdo de uma série de livros cujos direitos de autor expiraram, são de domínio público ou foram concedidos por seus escritores. A OCA se junta, assim, ao trabalho realizado pela Google há meses, que consiste em digitalizar livros que não só são de domínio público ou seus direitos de autor expiraram, mas também os que têm a autorização de seus editores para mostrar seu conteúdo na rede.

Apesar de, a princípio, as duas iniciativas serem similares, as diferenças são grandes, entre elas o fato de que a Google restringe a busca do conteúdo a seu próprio site, enquanto a coleção da OCA estará também disponível para outros sites de busca, incluindo o próprio Google. Seja qual for o caminho escolhido, os que impulsionam estas bibliotecas virtuais afirmam ser fundamental a participação de bibliotecas “reais” no processo, pois se apenas o trabalho que atualmente está imprenso ou à venda fosse incluído, segundo estimativas, conseguiria apenas 15% dos livros existentes no mundo. Os especialistas consideram que mais que a obtenção de um grande lucro, o sistema é um passo muito importante para ganhar presença na rede.

Publicado originalmente em Gazeta Mercantil | 5/10/2005