O livro digital não morreu?


Os últimos meses foram marcados por uma onda de pessimismo em relação ao desempenho dos livros digitais no mercado: depois de diversas editoras relatarem um crescimento do digital menor do que o esperado em 2015, uma matéria no New York Times concluiu – com razão – que o livro impresso está longe de morrer. Como sabemos, notícias sobre e-books no mercado editorial tendem a ganhar tons apocalípticos: da mesma forma como o Kindle foi anunciado como o assassino do livro impresso – e a notícia de que a Amazon vendia mais livros digitais do que físicos, lá em 2012, foi alardeada como o último prego no caixão do papel –, a desaceleração do crescimento dos e-books nos EUA e no Reino Unido foi encarada por muitos como uma “revanche” do livro impresso. Mas afinal, o que está, de fato, acontecendo no mercado?

É verdade que muitas editoras vêm relatando estagnação ou queda nas vendas de e-books em relação ao ano passado. O último relatório da Association of American Publishers, que reúne dados de mais de 1200 editoras dos EUA, apontou uma queda de 6,7% nos e-books adultos e 30,9% nos infanto-juvenis em julho, em relação ao mesmo mês de 2014. Dados individuais de algumas das maiores editoras americanas – como Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster – sugerem uma tendência semelhante. A participação dos e-books no faturamento das editoras parece ter se estabilizado entre 20 e 30%, uma porcentagem que, embora significativa, é muito menor do que o crescimento acelerado do digital poucos anos atrás permitia imaginar. Dito isso, algumas considerações:

1] Esta relação entre as vendas de livros impressos e de e-books – que, segundo a Nielsen, está em torno de 74% para 26% no mercado americano como um todo – é uma média do mercado, considerando todos os gêneros ou, dependendo da pesquisa, todos os e-books adultos. Dentro deste universo, existem alguns gêneros em que estas porcentagens são bem diferentes; de maneira geral, e-books tendem a ter desempenho melhor na ficção, fazendo com que esta relação possa chegar mais próxima de 50/50 ou até de uma vantagem para o digital em alguns casos. Em outros gêneros, o livro digital já sai em desvantagem simplesmente por ter recursos limitados para reproduzir determinados conteúdos; para livros de arte, por exemplo, o e-book ainda não se compara ao papel em termos de experiência e conforto.

2] Uma das explicações apontadas para a queda de desempenho dos e-books foi a alta dos preços causada pela volta do agency model para a maior parte das grandes editoras, que agora podem estabelecer seus próprios preços, sem descontos por parte das livrarias. Esta é uma hipótese que não se pode descartar: ainda segundo a Nielsen, o preço é um fator importante na escolha de formato para a maior parte dos leitores. A partir destes dados, alguns analistas concluem que o que está encolhendo não é o mercado de e-books, e sim a participação das grandes editoras nele, uma vez que o público, assustado com a alta de preços, tem preferido livros independentes, que costumam ser bem mais baratos. Esta hipótese vai contra os dados da Nielsen, que indicam, entre 2014 e 2015, um aumento da participação tanto dos livros autopublicados [de 14% para 18%] quanto das “Big Five” [de 28% para 37%], às custas das editoras pequenas e médias, que caíram de 58% para 45%. Mas é verdade que os números mais abrangentes que temos, que são os da pesquisa mensal da Association of American Publishers, consideram apenas os números de vendas fornecidos por editoras; os livros independentes são uma parte relevante do mercado que não é considerada nas pesquisas que apontam a queda dos e-books.

3] Outro fator a se considerar é o declínio dos e-readers em favor dos tablets e smartphones. Segundo a última pesquisa do Pew Research Center, a popularidade dos e-readers dedicados nos EUA caiu drasticamente em relação a 2014, com apenas 19% dos entrevistados tendo declarado possuir um, contra 32% no ano passado. Já os tablets e smartphones chegam a 45% e 68% da população, respectivamente. Embora estes últimos também sejam utilizados para leitura – os celulares, inclusive, vêm sendo apontados como a grande tendência para o mercado de e-books nos próximos anos –, eles são dispositivos multifuncionais, nos quais a leitura é apenas uma das muitas atividades possíveis. Considerando que os últimos grandes lançamentos de e-readers, o Kindle Voyage e o Kobo Aura H2O, aconteceram no ano passado, suponho [e dessa vez não tenho dados, é só especulação mesmo] que haja menos pessoas comprando e-readers este ano, o que implica menos leitores empolgados com o novo gadget e dispostos a comprar muitos e muitos e muitos novos e-books para encher suas prateleiras virtuais.

Isso significa que as editoras devem voltar a apostar todas as suas fichas no impresso e que os funcionários de seus departamentos digitais já devem começar a atualizar o LinkedIn em busca de um novo emprego no futuro próximo? Na minha humilde opinião, não. Significa que o mercado está mais maduro e que seus tempos de crescimento de dois ou até três dígitos ao ano chegaram ao fim. Agora, é importante que as editoras se empenhem, por um lado, em produzir e-books de qualidade – evitando que o digital continue a ser encarado simplesmente como um subproduto mais barato do livro físico e que novos leitores voltem correndo para o impresso depois de uma experiência com um e-book ruim –, e por outro, em inovar e aproveitar as vantagens específicas do digital. Dadas as limitações do ePub, esta tarefa nem sempre é fácil, mas, num mercado tão dinâmico, até isso pode mudar. Então, sugiro esperar mais um pouco antes de decretar a morte de qualquer formato.

Por Marina Pastore | Publicado originalmente em Colofão | 02/12/2015

Marina Pastore

Marina Pastore

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.

Fechamento da Oyster não tem nada a ver com a viabilidade da assinatura de eBooks


Não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu

A notícia de que a empresa de assinaturas de e-books Oyster está jogando a toalha não foi realmente uma surpresa. O modelo de negócio que foram forçados a adotar pelas grandes editoras – pagar o preço total para cada uso de um livro com um gatilho de pagamento a bem menos que uma leitura completa enquanto, ao mesmo tempo, oferecendo aos consumidores uma assinatura mensal que não cobria a venda de um livro, muito menos dois – era inevitavelmente pouco lucrativa. A esperança deles era que iriam construir uma audiência grande o suficiente para que as editoras se tornassem dependentes, de alguma forma, deles [pelo menos da renda que produziriam] e concordariam com termos diferentes.

Seria um erro interpretar o fechamento da Oyster como uma clara evidência de que “assinaturas para e-books não funcionam”. Claro que isso pode funcionar. Safari tem sido um negócio bem-sucedido e lucrativo por quase duas décadas. A 24Symbols da Espanha está operando um serviço de assinatura de e-books, principalmente fora dos EUA e principalmente em outros idiomas além do inglês, há vários anos e exclusivamente com dinheiro de investidores. Scribd tem publicamente [e um pouco desastrosamente, na minha opinião] ajustado seu modelo de assinatura para acomodar o que eram segmentos pouco lucrativos em e-books de romance e audiobooks. Mas a inferência seria que para outros segmentos o modelo de negócios está funcionando bem. E também está o Kindle Unlimited da Amazon, que é sui generis porque eles controlam muitas partes, incluindo a decisão mais ou menos unilateral de quanto vão pagar pelo conteúdo.

O que parecia óbvio para muitos de nós dede o começo, no entanto, era que uma oferta de assinatura para livros gerais não poderia funcionar no atual ambiente comercial. As Cinco Grandes editoras controlam a parte dos livros comerciais que qualquer serviço geral iria precisar. Todas essas editoras operam em termos de “agência”, o que torna extremamente difícil, se não impossível, que um serviço de assinaturas disponibilize esses livros a menos que a editora permita. Os termos que as editoras exigiam para participar nos serviços de assinaturas, que eram, aparentemente, o pagamento total pelo livro depois que uma certa porcentagem tenha sido “lida” por um assinante, combinada com um número limitado de títulos oferecido [não os lançamentos], faz com que a oferta de assinatura seja inerentemente pouco lucrativa.

As editoras veem as ofertas de assinatura como um negócio arriscado para livros que estão atualmente vendendo bem à la carte. Não só ameaçariam essas vendas, ameaçam transformar os leitores de compras à la carte em usuários de serviços de assinatura. Para as editoras, parece outra Amazon em potencial: um intermediário que controlaria os olhos dos leitores e com força cada vez maior para reescrever os contratos.

Então eles só participaram de uma forma limitada. A Penguin Random House [a maior e sozinha com metade dos livros mais comerciais] e o Hachette Book Group nem fizeram a experiência com os serviços de assinatura, apenas com a Amazon. HarperCollins, Simon & Schuster e, de forma menos extensa, a Macmillan, participaram de forma muito limitada. Múltiplas motivações levaram à participação que aconteceu. O principal estímulo, provavelmente, foi simplesmente enfrentar a Amazon. Ter clientes aninhados em qualquer lugar, exceto perto do monstro de Seattle, pode parecer uma boa ideia para a maioria das editoras. Mas deveria receber pelo menos parte desse dinheiro de investidores colocado em modelos de negócios com poucas chances de funcionar antes de terminar. E como as editoras é que decidem quais livros incluir, poderiam escolher títulos de catálogo que não estavam gerando muito dinheiro e que poderiam se beneficiar da “descobertabilidade” dentro do serviço de assinatura.

[Carolyn Reidy, a CEO da Simon & Schuster, deu essa dica em seu discurso na semana passada durante o BISG Annual Meeting onde mencionou especificamente o valor da descoberta que S&S viu acontecer nas plataformas de assinatura.]

Mas nem todos os serviços de assinatura eram iguais. O estabelecido Safari está em um nicho de mercado, servindo principalmente a clientes B2B em empresas de tecnologia. [Eles recentemente fizeram uma expansão na oferta porque trabalhadores da Boeing e da Microsoft não precisam apenas de livros sobre programação; também são pais e cozinheiros e jardineiros então não-ficção de interesse geral pode ter um apelo para eles. Mas essa não é a base do negócio da Safari e não estão tentando oferecer ficção.] O Scribd foi criado como um tipo de “YouTube para documentos” que o negócio de assinatura de e-books tanto construiu quanto aumentou. Para a Amazon, o Kindle Unlimited só deu a eles outra forma de fazer transações com o cliente do livro e outra saída para o conteúdo exclusivo de conteúdo para Kindle.

Só Oyster e outra start-up criada simultaneamente, Entitle [que tinha uma proposta que parecia mais um clube do livro do que um serviço de assinatura], estavam tentando transformar o fluxo de renda alternativa em um negócio independente. A Entitle faliu antes da Oyster. Librify, outra variação sobre o mesmo tema, foi comprada pelo Scribd.

Então o fracasso da Oyster é, na verdade, outra demonstração de uma “nova” realidade sobre a edição de livros, exceto que não é nova. A edição de livros — ea venda de livros — não são mais negócios independentes. Publicar e vender livros são funções, e podem ser complementares a outros negócios. E como adjuntos a outros negócios, não precisa realmente ser lucrativo para ser valioso. O que isso significa é que entidades tentando tornar os negócios lucrativo – ou pior, exigindo que seja lucrativo para sobreviver – começam com uma forte desvantagem competitiva.

A Amazon é grande mestre em tornar essa realidade bem óbvia. Lembramos que eles começaram como “loja de livros” e nada mais. Baseavam-se nos depósitos da Ingram no Oregon para permitir a existência de seu modelo de negócios, que era receber o pedido de um livro e aceitar pagamento, depois pegar esse livro da Ingram e enviar ao cliente, um pouco depois pagar a conta da Ingram. Esse modelo de fluxo de caixa positivo era tão brilhante que a Ingram poderia ter rapidamente permitido muitas cópias, e eles formaram uma divisão chamada Ingram Internet Support Services para fazer exatamente isso. Então a Amazon matou essa ideia ao cortar seus preços para o nível mais baixo possível e desencorajou outras pessoas a entrarem no jogo. Isso foi no final dos anos 1990.

Conseguiram fazer isso porque a comunidade financeira já tinha aceitado a estratégia da Amazon de usar livros para construir uma base de clientes e medir as perspectivas futuras dos negócios por LCV – o “lifetime customer value” das pessoas com quem faziam negócios. E ficou bastante claro rapidamente que podiam vender aos leitores de livros outras coisas, por isso vendas com baixa ou nenhuma margem era simplesmente uma tática de aquisição de clientes. Foi um jogo que a Barnes & Noble e a Borders não puderam disputar.

Agora as vendas de livros e e-books representam quase certamente apenas uma porcentagem de um dígito do total da renda da Amazon. Kindle Unlimited, como seus empreendimentos editoriais e ofertas de autopublicação, são pequenas partes de uma organização poderosa que possui muitas formas de ganhar com cada cliente que recrutam.

O Scribd não é tão poderoso quanto a Amazon, mas começaram com uma rede de criadores e consumidores de conteúdo. Isso deu a eles uma vantagem de marketing sobre a Oyster – nem todo cliente precisava ser adquirido a um custo alto já que muitos clientes potenciais já estavam “dentro da tenda”. Mas também deu a eles alguma estabilidade. Sobrancelhas foram levantadas recentemente quando o Scribd colocou os freios no empréstimo de romances e audiobooks. Mas ajustar o modelo de negócio para essas áreas verticais simultaneamente deixa aberto que o modelo na verdade está funcionando em outros nichos.

Podemos ver isso acontecendo de uma forma muito mais limitada nas lojas Barnes & Noble, onde os livros estão sendo substituídos nas prateleiras por brinquedos e jogos. Mas não é provável que haja diversificação suficiente no longo prazo. Certamente a B&N não vai chegar ao mesmo patamar da Amazon, onde bem mais de nove de cada dez dólares vem de algo que não são os livros. E a Barnes & Noble não está nem perto da Amazon: onde o lucro das vendas de livros é incidental se eles trouxerem novos clientes e também mantiverem a lealdade.

A história sobre a Oyster, ainda incompleta por enquanto, é que boa parte de sua equipe de gerência está indo para a Google, que, na verdade, “comprou” a empresa para tê-los. O Google parece estar tentando eliminar a ideia de que compraram a Oyster, só contrataram a equipe da Oyster. Obviamente, o Google se encaixa na descrição de uma empresa com muitos outros interesses nos quais os livros podem ser uma parte. No começo, tudo se resumia a buscas. Agora tudo tem a ver com o ecossistema Android e venda de mídia no geral. Um negócio de assinatura de e-books, ou até um negócio de assinatura de conteúdo, poderia fazer sentido no mundo do Google. Mas seria algo relativamente menor para eles. Meu palpite, e é só um palpite, é que eles estão pensando em algo mais do que um mero “serviço de assinatura de livros” e querem usar a equipe da Oyster nisso. Observadores mais inteligentes do que eu parecem acreditar que o pessoal que o Google recrutou vai fornecer conhecimento sobre a leitura móvel e a tecnologia de descoberta da Oyster. Claro, isso é informação essencial para o Google.

Da mesma forma, a Apple, que agora tem um serviço de assinatura para música, também poderia pensar em fazer um para livros – ou para toda a mídia – no iOS em algum momento. Eles não têm as vantagens da Amazon – uma grande quantidade de propriedade intelectual que controlam – mas seu negócio é criar um ecossistema no qual as pessoas entram e não querem sair. A assinatura de livros poderia aumentar isso.

Mas o ponto central que eu tiraria disso não é que a assinatura fracassou, mas que um ator de negócios puramente de livros faliu. Uma pergunta óbvia que provoca é quando vamos ver alguns sinais de sinergia entre Kobo e seus donos na Rakuten, que presumivelmente têm ambições mais ao estilo da Amazon, mas não parecem ter usado o negócio de e-book para ajudá-los a seguir nessa direção.

E o que é verdade nas livrarias também é verdade na publicação de livros, como observamos nesse espaço há algum tempo. Tanto a publicação quanto a venda de livros vão se tornar, cada vez mais, complementos a empreendimentos maiores e cada vez menos atividades isoladas às quais as empresas podem se dedicar para ter lucro.

O The New York Times publicou um artigo de primeira página afirmando essencialmente que a onda dos e-books acabou, pelo menos por enquanto, e que o negócio dos impressos parece estável. Isso é uma ótima notícia para editoras se a tendência for real. Infelizmente, alguns poucos pontos importantes foram ou suprimidos ou ignorados, e poderiam minar a narrativa.

Um é que, enquanto as editoras informam as vendas de e-books como porcentagem do total de vendas de livros com resultados regulares ou levemente em declínio, a Amazon afirma [e Russell Grandinetti foi citado no artigo] que as vendas de e-books deles está crescendo. Assumindo que tudo isso é verdade, é talvez a diferença da migração das vendas das editoras [cujas vendas seriam informadas pelas estatísticas da AAP] e passando para títulos independente mais baratos disponíveis somente através da Amazon [quais vendas não passam por ela?].

Outro é que as editoras estão aumentando os preços em e-books. Toda a resistência às vendas criada por preços mais altos resulta em vendas de impressos, ou parte disso faz com que o livro seja rejeitado por algo mais barato? Em outras palavras, poderia ser que as vendas totais de muitos títulos sejam menores do que as procuravam antes? [Pelo menos um agente me diz que é isso.]

E outra é que o ressurgimento das livrarias independentes ocorreu nos anos seguintes à falência da Border’s e a mudança para uma mistura de vários produtos na Barners & Noble. Vale a pena perguntar se as independentes são beneficiárias temporárias de uma súbita deficiência de espaço nas prateleiras ou se estamos realmente vendo não só um aumento na leitura de impressos, mas um renovado interesse dos leitores de livros em ir às livrarias para comprar um impresso. Essa pergunta não está colocada nesse post.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 25/09/2015

Mike ShatzkinMike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin

BitLit permite a compra de edições digitais de livros adquiridos em forma física, e já tem mais de 300 editores


Macmillan adere ao serviço BitLit nos EUA

A BitLit é uma start-up que permite seus cliente usuários que adquiram, normalmente por um preço inferior, edições de digitais de livros já adquiridos em forma física. Para isto, o usuário tem de utilizar o aplicativo da empresa para fotografar a página de direitos do livro com seu nome escrito no alto da mesma. Uma vez estabelecida a “propriedade” da edição física, o leitor pode então adquirir versões digitais a preços especiais. A empresa já possui contratos com mais de 300 editores, mas até agora apenas uma das parrudas editoras Big Five norte-americanas havia assinado com o serviço: a HarperCollins. A Macmillan, no entanto, acaba de fazer o mesmo e a BitLit agora possui livros de duas das cinco maiores editoras dos EUA em seu catálogo. Wiley e Elsevier também marcam presença na BitLit.

PublishNews | 05/05/2015

Serviço de subscrição para eBooks: como Netflix, como Spotify ou nada disso?


Os serviços mensais de “coma o quanto puder” já são realidade para música, filmes e TV. Será que serão populares para e-books também? Um movimento feito recentemente pela Oyster lança algumas dúvidas sobre isso. A Oyster lançou recentemente um serviço de varejo tradicional, que complementa o serviço de assinatura de US$ 10 mensais lançado há pouco mais de um ano e meio atrás. Os serviços de subscrição estão na fase de “o que vem primeiro, o ovo ou a galinha”. Por um lado, eles são um jeito totalmente novo de se consumir livros, por outro lado, a maior parte das editoras não está embarcando no modelo com entusiasmo. Nos EUA, há três serviços disponíveis: o Oyster, Scribd e Kindle Unlimited, da Amazon. Scribd e Oyster têm títulos de três das cinco maiores editoras [HarperCollins, Macmillan e Simon&Schuster], mas não tem nada da Penguin Random House ou da Hachette. E, mesmo dessas três editoras, os serviços têm apenas os livros de fundo de catálogo.  Refletindo a relação muitas vezes irritadiça entre editoras e Amazon, as Big Five não oferecem nenhum título importante pelo Kindle Unlimited.

Por Bill Rosenbaltt | Forbes | 24/04/2015

HarperCollins confirma acordo com Amazon


A HarperCollins entrou em acordo com a Amazon, e a varejista continuará vendendo os livros da editora versões impressa e digital. Os detalhes do novo contrato não foram revelados, mas o Wall Street Journal citou uma fonte familiarizada com o negócio, que relata que a HarperCollins irá definir os preços de venda dos seus livros digitais, com incentivos para que a editora forneça preços menores aos consumidores. Durante as negociações do contrato, a Amazon revelou que a sua oferta à HarperCollins foi semelhante à proposta oferecida a outras casas como Hachette, Simon & Schuster e Macmillan.

Por Joshua Farrington | The Bookseller | 14/04/2015

O calvário dos eBooks


Os livros digitais dão sinais de perda de fôlego nos países desenvolvidos e ainda não têm relevância nos negócios das editoras brasileiras

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Em queda: as vendas do Kindle, lançado pela Amazon de Jeff Bezos, despencaram, segundo varejista inglês | Foto: Ben Margot

Poucos setores ficaram imunes ao avanço da tecnologia digital. A indústria fonográfica, por exemplo, foi a primeira a sentir os efeitos da digitalização, que levou as principais empresas da área quase à bancarrota no início dos anos 2000. A televisão sente os efeitos da internet, com o surgimento de um telespectador que quer assistir o que quer, na hora que desejar e no dispositivo que for mais conveniente. A Netflix é o grande expoente dessa nova era. Diante disso, muitos viram no Kindle, lançado em 2007, o começo do fim do livro impresso.

O aparelho da Amazon, de Jeff Bezos, tinha tudo para fazer para a indústria editorial o que o iPod fez para o setor musical. Ledo engano. Para surpresa geral, as editoras abraçaram os livros digitais [e-books]. E logo descobriram que a margem de lucro das versões digitalizadas era o dobro da tradicional, mesmo com um preço mais baixo. Era um sinal de que a transição, considerada inevitável, do livro de papel para o digital seria feita sem grandes solavancos. Só faltou combinar com o leitor. Nos países desenvolvidos, o livro digital começa a dar sinais da falta de fôlego.

Executivos da maior cadeia de livrarias da Inglaterra, a Waterstone, declarara ao jornal Financial Times que as vendas de Kindle simplesmente desapareceram. A perda de impulso já atingiu a Simon & Schuter, membro do “Big Five”, grupo dos cinco maiores conglomerados do mundo [Penguim Random House, Hachette, HarperCollins e Macmillan completam o time]. Subsidiária do grupo de mídia CBS, a S&S registrou queda nas vendas de 3,8%, para US$ 778 milhões. O lucro caiu 5,6%, para US$ 101 milhões. Uma razão para o ano ruim foi a redução no ritmo das vendas digitais.

A fatia diminuiu de 24,4% em 2013 para 23,2% no ano passado. Não se trata de casos isolados. A consultoria americana Gartner aponta que, em 2017, os e-readers como o Kindle venderão 10 milhões de unidades, número 50% menor do que as vendas do ano passado. Com a estagnação, a alternativa é ler e-books nos tablets, que também estão passando por um declínio de vendas, e smartphones. “São aparelhos que dispersam, oferecem opções demais de entretenimento e não são apropriados para a leitura longa”, afirma Eduardo Melo, fundador da consultoria de livros digitais Simplíssimo.

Por que aparelhos como o Kindle enfrentam esse calvário? O rechaço tem a ver com sua função única. O consumidor, ao que tudo indica, quer fazer mais tarefas com uma tela. Isso fez com que as principais empresas do segmento, como Amazon e Kobo, passassem a investir na produção de tablets. Se nos países ricos os e-books patinam, no Brasil, eles nunca deixaram o gueto editorial. Apenas 2% dos R$ 5,3 bilhões faturados com livro no Brasil vêm de ebooks, segundo levantamento da Fipe de 2013 [dado mais recente]. A Biblioteca Nacional, por exemplo, expediu 16.564 ISBNs [código de identificação dos livros] para e-books no ano passado, apenas 1% a mais que no ano anterior.

De 2012 para 2013, o crescimento havia sido de 10%. Diversas iniciativas voltadas para e-books foram abandonadas, como o selo Breve Companhia, da Companhia das Letras, empresa da Penguim Random House, que publicava obras inéditas direto na mídia digital. Ela foi descontinuada no fim do ano passado. “No momento, estamos repensando o enfoque”, diz Fabio Uehara, editor de e-books da empresa. “Temos outros lançamentos digitais previstos para este ano.” A fadiga também atinge o varejo. “Crescemos dois dígitos, mas esperava um crescimento muito maior”, afirma Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, que comercializa ebooks e e-readers da Kobo.

Apesar de ser muito novo, esse mercado já mostra certa saturação”. A japonesa Rakuten, dona da Kobo, ainda é otimista. A empresa aumentou sua aposta nos livros digitais ao comprar a distribuidora de e-books Overdrive por US$ 410 milhões, em março deste ano. Amazon, Saraiva e Livraria Cultura não fornecem dados de vendas no Brasil, mas quem acompanha o setor não vislumbra um grande apelo dos e-readers. “No Brasil a leitura acontece em smartphones”, afirma Tiago Ferro, fundador da E-Galáxia, plataforma de intermediação entre autores e profissionais do mercado editorial a fim de editar e publicar e-books.

ISTO É Dinheiro | Por João Varella | 07/04/2015, às 17:30

A HarperCollins adere Playster App


HarperCollins adere a plataforma de subscrição de conteúdos multimídia: livros, filmes, games e músicas

A HarperCollins já adereiu ao Playster App, uma plataforma de subscrição multimídia, que vai oferecer aos seus usuários acesso ilimitado a livros, filmes, games e música a um preço fixo de US$ 15,99. Só a HC vai colocar 14 mil títulos do seu catálogo no serviço. Atualmente, os usuários podem acessar a versão beta do serviço, mas o lançamento oficial está marcado para o início do verão no hemisfério Norte, quando os usuários passarão a ter acesso ilimitado aos conteúdos.

PublishNews | 31/03/2015

Congresso Mundial de Editores discute como sobreviver ao digital


O 30º Congresso Internacional de Editores abriu hoje em Bangkok, na Tailândia, com a presença de líderes do mercado editorial de todo o mundo. Durante três dias serão debatidos e analisados os desafios que o setor enfrenta. Sua Alteza Real, Princesa Maha Chakri Sirindhorn abriu o Congresso, que conta com a presença de 500 participantes de 38 países. Em seguida, a Princesa Maha Chakri Sirindhorn reuniu-se com Richard Charkin, presidente do International Publishers Association [IPA] e com Youngsuk Chi, ex-presidente do IPA.

Palestrantes da HarperCollins, Google, Bloomsbury, Elsevier, Grupo Anaya e outras empresas líderes mundiais, apresentaram informações aos editores sobre como construir negócios sustentáveis no século 21. Houve também discussões sobre novos modelos de negócios, a evolução da distribuição do digital e como incentivar jovens leitores. O objetivo é mostrar aos editores como o mercado pode se adaptar de forma eficiente na era da internet. O Congresso segue até quinta-feira, 26 de março.

Mais informações: http://ipa2014bangkok.com.

CBL

As muitas estrelas da Digital Book World 2015


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 07/01/2015 | Tradução Marcelo Barbão

Metade da conferência DBW – Digital Book World [que começa na próxima semana, em Nova York] vai acontecer no palco principal para todos os presentes. Os palestrantes de 2015 compreendem o grupo mais ilustre que já tivemos. O ponto central é que conseguimos trazer palestrantes da Amazon e da Apple para nosso palco principal – algo que nenhuma outra conferência no mercado editorial já conseguiu fazer –, mas já estaria me sentindo orgulhoso desse programa mesmo se as duas empresas não estivessem! Além do varejo, temos três autores best-sellers, três executivos importantes de editoras [quatro se contarmos que o CEO da F+W, David Nussbaum, vai fazer o discurso de abertura], três especialistas em dados e dois líderes de indústrias próximas.

O programa vai começar com uma apresentação do autor de best-sellers Walter Isaacson, cujo livro mais recente é The innovators. Isaacson escreveu biografias importantes de Benjamin Franklin e Steve Jobs nos últimos anos, com muita repercussão no mercado editorial. Seu livro mais recente fala sobre a revolução digital em geral, o contexto em que ocorre a mudança no mercado, que é o tópico da DBW. Estabelecer contexto é sempre uma boa fomra de começar e é o que Isaacson vai fazer, sem dúvida.

Descobrimos o investidor em educação e tecnologia Matthew Greenfield durante o planejamento da DBW 2015 e pensamos que nossa audiência iria concordar que foi uma grande “descoberta”. A empresa de Greenfield, Rethink Education, investe em start-ups, que ele divide em três grupos: as que entregam livros aos leitores e conteúdo para uso em escolas; as focadas em leituras curtas, como notícias, e as que se relacionam com a escrita, o que provavelmente inclui coleções de leituras para ajudar a desenvolver escritores. Como o campo de tecnologia para educação tem muito a ver com criar novas plataformas cujo conteúdo é consumido em escolas e faculdades [assim como acrescentando valor com contexto e avaliações], ele vai incluir explicitamente conselhos para editores que vendem seu conteúdo para uso educativo e acham cada vez mais necessário vender através destas plataformas. Greenfield também faz algumas especulações interessantes sobre para onde vai a tecnologia educacional e o que podemos esperar ver em quem mais ameaça as editoras: a Amazon.

Não é possível tentar entender o futuro do mercado editorial sem conhecer o novo fenômeno do “marketing de conteúdo”. Então procurei o Fundador do Instituto de Marketing de Conteúdo, Joe Pulizzi, para que mostrasse um pouco de seu conheciento para os editores de livros. Comecei pensando que o negócio de marketing de conteúdo poderia ser bom para nosso conteúdo, mas ele me esclareceu bem rápido: esta não é a sinergia mais provável entre o que ele sabe e o que precisamos. Na verdade, Pulizzi é um especialista em como usar conteúdo para conquistar o consumidor e faz isso para organizações e marcas que precisam pagar para criar este conteúdo. Claro, nós, no mercado de livros já temos muito conteúdo e estamos prontos para ter acesso a mais dentro de nossas equipes e redes existentes. Nesta apresentação, Pulizzi vai falar sobre como podemos usar conteúdo para ganhar o consumidor e clientes leais para quem podemos fazer o marketing diretamente [pensando verticalmente]. Tudo que Pulizzi falar provavelmente vai provocar questões nos editores, por isso também demos a ele uma sessão de grupos para aqueles que quiserem ouvir mais e interagir com ele.

A primeira CEO de editora a subir ao palco será Linda Zecher da Houghton Mifflin Harcourt. Zacher dirige uma empresa que é grande no mercado educativo, mas possui livros na lista dos mais vendidos também, então é a única CEO que atinge estes dois segmentos editoriais. Ela também possui talentos raros para uma executiva do mercado editorial, já que vem da tecnologia [em seu caso, da Microsoft]. Esta entrevista com Michael Cader vai focar nas lições aprendidas do lado educacional que poderiam ser precursores dos ajustes que as editoras gerais também terão que fazer.

O seguinte será James Robinson, Diretor e Analista de Notícias do The New York Times. Robinson é, na verdade, o tecnólogo do Times na redação. Ele proporciona a visão que escritores e editores precisam para entender quem são seus leitores e, claro, não são os mesmos para todas as matérias. Ele também quer garantir que o máximo de pessoas possível veja cada história relevante, mesmo que seja uma surpresa para os leitores. Nem é preciso dizer que Robinson tem um background incrível. Ele passou vários anos trabalhando comigo na The Idea Logical Company antes de obter um Mestrado na NYU estudando com o importante líder, Clay Shirky. A forma como ele pensa em conteúdo e audiências para The Times contém lições para editores de não ficção e talvez para editores de ficção também.

A primeira manhã nas apresentações do Palco Principal vai terminar com Cader e comigo entrevistandoRuss Grandinetti, SVP, Kindle, na Amazon. Grandinetti é um executivo articulado e direto que está com a Amazon desde o começo e que cuidou do Kindle desde sua criação. Com a Amazon sendo considerada a mais poderosa e perturbadora força no mercado editorial, todos estamos interessados em ouvir o que ele pensa sobre o futuro dos livros impressos versus digital, livrarias versus compras online, e quanto vão crescer os programas editoriais e de assinaturas da própria Amazon.

A segunda manhã vai começar com Michael Cader entrevistando o guru de Internet e de marketing Seth Godin sobre o assunto: “o que vem depois?” Godin, que viu – e escreveu sobre – a importância de construir marcas pessoais e listas de e-mails no começo da era da Web, é um bem-sucedido autor de livros que acompanha há várias décadas como as editoras funcionam e fazem marketing. Nesta conversa, ele vai dar conselhos intuitivos e lógicos que muitos podem seguir. Qualquer um que já ouviu Godin falar sobre “marketing de permissão” há 20 anos e seguiu seu conselho, agora possui uma enorme lista de e-mails, que é um bem valioso de marketing. Com certeza todos os editores sairão desta sessão com algumas novas ideias para aplicar.

Em seguida, para uma entrevista comigo, estará o CEO Brian Murray da HarperCollins. Sob a direção de Murray, a HarperCollins se estabeleceu como a segunda editora em língua inglesa no mundo. Duas recentes aquisições, a editora cristã Thomas Nelson e a editora de romances Harlequin, criaram fortes bases para desenvolver grandes comunidades verticais. Além disso, a Harlequin tinha uma infraestrutura global que a HarperCollins está usando como base para construir sua própria presença global – e não apenas em língua inglesa. Murray vai discutir como estas aquisições posicionam estrategicamente a HarperCollins para competir com a Penguin Random House, bastante maior, e construir a capacidade de chegar a novos leitores, além dos que conseguem através da Amazon, Barnes & Noble, e um número cada vez menor de parceiros no varejo.

Nos últimos anos, os ebooks foram tomando espaço dos impressos no mercado, chegando a provavelmente uns 25%. Mas isso não é distribuído de forma igual por gênero ou tipo de livro. Jonathan Nowell, o CEO da Nielsen Book, vai nos ajudar a entender como a mistura do que é vendido como impresso mudou como resultado desta situação. Entender como realmente anda o mercado de impresso vai ajudar editoras e livrarias a planejar o futuro, no qual veremos provavelmente menos livros impressos no geral, mas não em todas as áreas.

Ken Auletta da The New Yorker cobre tanto a indústria de conteúdo quanto a tecnológica há várias décadas. Ninguém entende melhor do que ele como funcionam as empresas nos dois setores – incluindo suas culturas. Entre seus cinco best-sellers está “Googled: The End of the World as We Know It”. Auletta vai falar sobre “Publicar no Mundo dos Engenheiros” e como as empresas de conteúdo menores se unem a seus novos parceiros que vêm do mundo da tecnologia. O choque cultural entre fornecedores de conteúdo há muito estabelecidos e as empresas de tecnologia que valorizam muito a “ruptura” é um tema que interessa a todos e Auletta certamente vai falar um pouco disso.

Hilary Mason é uma especialista em dados que afiou seu talento em análise durante o tempo que passou na Bit.ly. Mason passou anos aprendendo sobre indivíduos através do comportamento online deles. Nesta conversa, ela vai contar aos editores o que aprendeu sobre como conhecer indivíduos e audiências e como usar estas ideias para acumular interesse e afetar comportamentos. Como Pulizzi, antecipamos que Mason vai criar muitas questões nos participantes que vão querer aprofundar a discussão sobre seus interesses particulares. Então também demos uma sessão de grupo para ela à tarde, onde os que mais se interessarem podem explorar como usar dados e análise de forma eficiente.

Judith Curr é presidente e publisher do selo Atria da Simon & Schuster. Ela sempre teve admiração por empreendedorismo e há muito tempo autores independentes a atraem como editora. [Ela lembra que Vince Flynn começou como escritor autopublicado.] Assim Curr fez alguma pesquisa e tentou descobrir como fazer do seu selo um lugar no qual um autor independente quisesse estar. Nesta conversa, outros editores que veem a importância de trabalhar com autores que querem fazer eles mesmos o marketing, dirigir suas carreiras e publicar mais rápido [ou mais curto] do que o processo convencional, podem aprender de suas ideias e experiências.

A atividade no palco principal vai concluir com uma entrevista de Michael Cader com Keith Moerer, que dirige a iBooks Store da Apple. A iBooks Store se estabeleceu como a segunda maior vendedora global de ebooks e possui planos ambiciosos de crescimento. Nunca tivemos a sorte de recebê-los na programação da DBW antes. Ficamos muito felizes de sermos capazes de fechar o dia no palco principal com a Amazon e com a Apple, dando aos editores a chance de ouvir as duas maiores livrarias do mundo.

Não falei neste post nem no anterior que nas sessões de grupos da DBW estará o excelente programa Launch Kids organizado por nossa amiga e frequente colaboradora, Lorraine Shanley da Market Partners International. O mundo dos livros juvenis e jovens provavelmente é o que mais vai mudar entre todos os segmentos editoriais e há legiões de atores, além dos que vemos no mercado editorial, trabalhando para isso. Lorraine juntou vários deles — nomes familiares como Google, Alloy, Wattpad e Amplify da NewsCorp, além de inovadores como Kickstarter, Speakaboos, Paper Lantern Lit, I See Me e o novo sucesso da Sourcebooks, Put Me In The Story. Se publicar para jovens está no seu radar, você vai querer planejar ficar nos três dias conosco e começar com Launch Kids no dia anterior ao começo da DBW 2015.

Através da seção de comentários deste blog, conheci Rick Chapman, que é um escritor autopublicado de livros sobre software [e, agora, algo de ficção também]. Os comentários de Chapman no blog foram tão inteligentes que eu o chamei para falar em um painel na DBW [citado no último post]. Ontem, Rick publicoueste artigo desafiando a sabedoria convencional de que a Amazon é a melhor amiga do escritor independente. Ele até começou uma pesquisa com autores independentes para reunir dados para sua apresentação na DBW. Independente do que pensemos sobre a Amazon, o post de Chapman é provocador e interessante. Se você ler o post, provavelmente vai querer vê-lo em seu painel na DBW.

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

‘Gerador de poesia’ vira atração na Feira de Frankfurt


Máquina que cria versos a partir de ondas cerebrais é destaque da Finlândia, país homenageado no evento

No 1º dia, executivo da inglesa HarperCollins disse que ‘o Brasil está no topo dos lugares onde queremos estar’

Um aparelho que se propõe a gerar poemas a partir da medição das ondas cerebrais dos usuários é uma atração da Feira de Frankfurt, maior evento editorial do mundo, que começou na quarta [8].

Criado pelo coletivo de arte e ciência Brains on Art, da Finlândia, o país homenageado nesta edição da feira, a divertida invenção, chamada de Brain Poetry [poesia cerebral], quer mostrar que homem e máquina podem interagir nos processos criativos.

Jukka Toivanen, doutor em inteligência artificial e membro do coletivo, explica que o padrão das ondas cerebrais define o algoritmo do poema, determinado por um estilo e uma métrica. A partir daí, palavras e frases são combinadas para ter algum sentido.

Ainda não é perfeito, mas os métodos para criar poesia e música automaticamente estão evoluindo“, diz Toivanen, citando o caso do Songsmith, aplicativo da Microsoft que gera letras de música a partir da voz do usuário.

Na feira, muitos não levaram a sério. “Não tive de fazer nada! Acho que é só brincadeira“, disse Maarit Lukkarinen, intérprete finlandesa.

A agente literária alemã Alexandra Legath ficou pensativa após “gerar” um poema. “O texto é masculino, fala sou o filho de Marte’, mas sou filha de Vênus”. Achei que sairia um poema do coração, mas é muito cerebral.

Gerar poesia, e não prosa, é o que torna o Brain Poetry possível. “Gerar prosa com sentido seria difícil. Um poema permite interpretação livre. Mesmo sem sentido claro, as pessoas veem significado“, disse o pesquisador.

A Folha testou o aparelho. O poema, em inglês, foi: “Você sossegando e tentando escalar/ Uma vez virei-me sob as copas do cedro/ Você quer/ Você, nunca um amigo /Eu sorri discretamente por toda resposta /Eu evoco a idade /Pobre e decrépita alma“.

POR ROBERTA CAMPASSI | DE FRANKFURT | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 09/10/2014

A escritora que criou a máquina para dar autógrafos à distância


Margaret Atwood Signs Autographs Via the Miracle of the Internets

Margaret Atwood Signs Autographs Via the Miracle of the Internets

Além de escritora premiada internacionalmente e hiperativa nas redes sociais, a canadense Margareth Atwood, 74, foi a visionária criadora de uma máquina para dar autógrafos à distância, antes mesmo de os e-books crescerem no mercado.

Em 2004, ciente da impossibilidade de atender aos anseios de fãs dos vários países onde seus livros são publicados, abriu uma empresa e patenteou o mecanismo que receberia o nome de LongPen.

Funcionava assim: ela se posicionava numa ponta da máquina, e o leitor, em outra, instalada em alguma livraria em outro canto do mundo. Após uma conversa por vídeo, o leitor colocava o livro no terminal. Atwood assinava em uma tela, e um jato com tinta imprimia o texto no terminal do leitor.

A máquina não chegou a ficar popular no meio literário, mas, em 2011, ganhou uma versão para os meios virtuais. O braço digital da empresa hoje se chama Fanado e combina a ideia de autógrafo à distância com videoconferências e mídias sociais.

Nessa nova fase, a autora atraiu a atenção de editoras como a Random House, a Harlequin e a HarperCollins. Em 2011, autores como Michael Chabon e Neil Gaiman a acompanharam numa demonstração do produto na feira BookExpo America.

A parte “analógica” da empreitada avançou com outras prioridades –hoje, a empresa Syngrafii, de propriedade de Atwood, é voltada à autenticação de papéis legais, e tem entre seus clientes bancos e governos.

Assinaturas à distância são uma ambição desde o século 19. Em 1888, o engenheiro elétrico americano Elisha Gray criou um mecanismo chamado Teleautograph, cuja meta era permitir “a alguém transmitir sua própria escrita à distância por meio de um circuito“.

Telautograph

Telautograph

A máquina hoje é considerada uma precursora do fax, que se popularizaria em meados do século 20 para logo se tornar defasado.

Por Raquel Cozer | COLUNISTA DA FOLHA | Folha de S. Paulo | 27/09/2014

Amazon lança biblioteca digital sem cinco maiores editoras americanas


Depois de meses de especulação, na sexta-feira [18] a Amazon lançou um serviço digital de assinaturas que oferece acesso ilimitado a livros eletrônicos e audiobooks digitais por US$ 9,99 ao mês.

O serviço, Kindle Unlimited, oferece uma abordagem em estilo Netflix que permite acesso a mais de 600 mil livros eletrônicos, entre os quais séries de sucesso como “Jogos Vorazes” e “Diário de um Banana”, obras de não ficção como “Flash Boys”, do jornalista Michael Lewis, clássicos e ficção literária.

Até o momento, nenhuma das cinco grandes editoras dos Estados Unidos está oferecendo seus livros.

A HarperCollins, a Hachette e a Simon & Schuster, por exemplo, estão fora.

A Penguin Random House e a Macmillan se recusaram a comentar, mas uma busca na Amazon sugere que os livros dessas editoras tampouco estão disponíveis.

Como resultado, alguns títulos populares eram notáveis pela ausência quando o serviço começou a operar.

E como muitos escritores oferecem livros por mais de uma editora, os assinantes podem descobrir que têm acesso a certos livros de Michael Chabon e Margaret Atwood, mas não a outros.

A introdução do serviço surge em um momento de crescente tensão no relacionamento entre a Amazon e as grandes editoras.

O grupo de varejo on-line está sofrendo escrutínio cada vez mais intenso por seu domínio do mercado de livros eletrônicos e pelas táticas duras que usa nas negociações com as editoras.

A Amazon e a Hachette estão envolvidas em um duradouro e público impasse sobre os termos de venda de livros eletrônicos da editora, e a situação não parece próxima de uma solução.

Entre as editoras que estão oferecendo títulos pela assinatura estão a Scholastic, da série “Jogos Vorazes”, e a Houghton Mifflin Harcourt.

As notícias sobre o Kindle Unlimited começaram a surgir semanas antes de seu lançamento, quando a Amazon postou acidentalmente um vídeo promocional sobre o modelo de assinatura. O vídeo foi retirado do site, mas não antes que blogs de tecnologia comentassem sobre ele.

Ao oferecer o serviço, a Amazon está ingressando em um mercado cada vez mais lotado. Concorrerá com empresas iniciantes de distribuição digital de livros que oferecem serviços semelhantes, como a Scribd e a Oyster.

A Scribd conta com cerca de 400 mil títulos, e cobra US$ 8,99 ao mês. A Oyster tem mais de 500 mil títulos e oferece acesso ilimitado aos leitores por US$ 9,95 ao mês.

Com modelos de preço semelhante, a concorrência entre os serviços de livros eletrônicos por assinatura pode ser decidida com base no conteúdo e autores disponíveis.

O serviço da Scribd inclui livros de mais de 900 editoras, entre as quais Simon & Schuster e HarperCollins.

A Oyster oferece títulos de seis das dez maiores editoras norte-americanas.

Ainda assim, a Amazon ingressa no segmento com uma imensa vantagem: seu predomínio na publicação de livros eletrônicos e sua vasta biblioteca de audiobooks, que ela está integrando ao seu serviço por assinatura.

Do “New York Times” | Publicado originalmente por UOL | 26/07, às 3:10 | Tradução de PAULO MIGLIACCI

Tudo o que você precisa saber sobre o Kindle Unlimited, o “Netflix de livros” da Amazon


Por Paulo Higa | Publicado originalmente em Tecnoblog | 18/07/2014 às 14h49

Kindle Unlimited oferece mais de 600 mil ebooks por 10 dólares mensais

A Amazon confirmou as expectativas e lançou, nesta sexta-feira [18], o Kindle Unlimited, um serviço que oferece acesso ilimitado a um catálogo de mais de 600 mil ebooks e milhares de audiobooks com uma assinatura mensal de US$ 9,99. Sem prazo de devolução, os livros podem ser lidos tanto nos leitores Kindle quanto nos smartphones, tablets e computadores com o aplicativo gratuito do Kindle.

Como funciona esse negócio?

Pensar no Kindle Unlimited como um “Netflix de livros” é a maneira mais fácil de entender como o serviço funciona. Na página da Amazon, há uma opção para degustar o Kindle Unlimited por 30 dias. Enquanto você for assinante, receberá uma cobrança mensal de 10 dólares no cartão de crédito e poderá ler quantos livros quiser nos dispositivos atrelados à sua conta. Ao cancelar a assinatura, os ebooks são automaticamente retirados da sua coleção.

Tanto no Kindle quanto na loja da Amazon, próximo ao botão de compra, haverá um botão para “ler de graça” em mais de 600 mil obras. Depois que o ebook for baixado, você pode lê-lo como se fosse seu: há sincronização com o Whispersync, o que significa que a página, as marcações e as anotações são sincronizadas entre todos os seus dispositivos.

Não há prazo de devolução, mas há um limite de 10 ebooks emprestados simultaneamente. Quando você tentar ler o décimo primeiro livro, a Amazon irá sugerir a devolução do ebook emprestado há mais tempo — mas é possível selecionar outro. A qualquer momento, um ebook emprestado anteriormente pode ser baixado novamente, inclusive com as marcações sincronizadas na nuvem.

Além de livros em texto, o Kindle Unlimited permite acessar pouco mais de 2 mil audiobooks, mas eles só podem ser ouvidos em dispositivos com som, o que não inclui nenhum dos leitores Kindle vendidos hoje [Kindle e Kindle Paperwhite], só os tablets Kindle Fire e dispositivos Android e iOS com o aplicativo oficial do Kindle. O tamanho dos arquivos varia; aqui, gastei 156 MB para baixar o audiobook de The Hobbit.

Não está disponível no Brasil, mas…

O Kindle Unlimited só foi lançado nos Estados Unidos, mas o serviço funciona no Brasil caso você possua uma conta americana da Amazon com um endereço americano. O cartão de crédito precisa ser internacional, mas não necessariamente emitido nos Estados Unidos.

Se você se enquadra no caso acima, não deve ter dificuldade para testar e assinar o serviço. Se a conta for brasileira, é possível migrá-la para uma americana sem perder as compras já realizadas [no entanto, você não poderá adquirir novos conteúdos na Amazon.com.br]. Basta entrar em Gerencie seu Kindle e selecionar “Configurações do país”. Em “Brasil”, clique no link “Mudar”, preencha com o endereço americano e salve as alterações. É possível voltar para uma conta brasileira a qualquer momento fazendo o caminho inverso.

Em comparação com a Amazon brasileira, a Amazon americana possui uma quantidade maior de ebooks [2,7 milhões contra 2,2 milhões], mas menos títulos em português [27 mil contra 35 mil]. Os preços não estão totalmente conectados: alguns livros são mais baratos na loja americana; outros, na brasileira.

Na Amazon americana, é possível comprar audiobooks e fazer assinaturas de jornais e revistas, como O GloboZero HoraThe New York TimesNational Geographic e Vogue. Estranhamente, mesmo com jornais brasileiros, a assinatura não está disponível no Brasil, por isso, se você fizer o caminho inverso [migrar uma conta americana para uma brasileira], suas assinaturas serão automaticamente canceladas.

E quando o Kindle Unlimited será lançado oficialmente no Brasil? Procurada pelo Tecnoblog, a Amazon declarou que “não comenta planos futuros”. Como o serviço ainda não funciona nem no Reino Unido, outro mercado grande para a Amazon, é bom esperar sentado.

O que tem de bom para ler?

No momento em que escrevo este parágrafo, há 639 mil livros disponíveis no Kindle Unlimited, pouco menos de um quarto dos 2,7 milhões de ebooks da loja americana. Muitos títulos não estão disponíveis, mas a Amazon destaca algumas obras conhecidas: dá para ler a trilogia de The Lord of The Rings, os sete livros de Harry Potter, bem como 2001: A Space OdysseyThe Hobbit e Life of Pi, por exemplo.

Todos os livros acima estão em inglês, mas também há pouco menos de 8 mil títulos em português no Kindle Unlimited.

O problema é que, assim como na Netflix, liberar os conteúdos exige acordos comerciais. E as cinco grandes editoras americanas [Hachette, HarperCollins, Macmillan, Penguin Random House e Simon & Schuster] não disponibilizaram muitos livros, logo, há uma série de títulos famosos faltando. Boa parte dos livros do Kindle Unlimited, incluindo as obras em português, são de pequenas editoras ou autores independentes.

Portanto, mesmo que 600 mil ebooks pareça muito, na prática a história é um pouco diferente, e o acervo ainda é fraco se você estiver interessado apenas nos best sellers.

Quão fraco? Entre a lista dos 20 ebooks Kindle mais vendidos, apenas 3 estão no Kindle Unlimited: My Mother Was Nuts, em 1º; Pines, em 13º; e One Lavender Ribbon, em 20º. Na categoria Computadores e Tecnologia, a situação melhora [10 dos 20 podem ser lidos gratuitamente], mas a maioria dos livros são guias e tutoriais — nada de ler de graça a biografia do Steve Jobs ou o novo livro de Glenn Greenwald, portanto.

Entre os livros em português, a coisa é ainda mais triste, mas isso é até compreensível se considerarmos que o serviço, oficialmente, nem funciona no Brasil. Da lista dos 20 mais vendidos, só um está no Kindle Unlimited. E, na verdade, esse único livro não é voltado para brasileiros, mas sim para estrangeiros que desejam aprender a língua portuguesa.

Vale a pena o esforço?

O preço de US$ 9,99 por mês é bem atraente. Se você considerar que muitos ebooks custam esse preço ou até mais, basta pedir apenas um ou dois livros emprestados e a assinatura mensal já valeu a pena.

Só que a Amazon ainda precisa melhorar o acervo para o Kindle Unlimited ser realmente vantajoso. 600 mil ebooks é muita coisa, mas uma parcela bem pequena desses livros representa o que as pessoas querem ler. Eu tenho certeza que grande parte dos que estão lendo este texto passariam tranquilamente 10 horas por mês assistindo a filmes e séries na Netflix, mas não gastariam a mesma quantidade de horas lendo livros aleatórios na Amazon.

Resta saber se a Amazon conseguirá aumentar a disponibilidade de livros e, mais importante, se será capaz de convencer as editoras de que o modelo de negócios é interessante. Estamos até acostumados com serviços de streaming de músicas ou filmes, mas não de livros — embora já existissem opções antes do Kindle Unlimited, como o Oyster. Eu, como leitor, acho ótimo pagar só 10 dólares para ler quantos livros quiser. Mas, se estivesse do outro lado, comandando uma editora, não sei se toparia receber só alguns centavos por usuário.

Por Paulo Higa | Publicado originalmente em Tecnoblog | 18/07/2014 às 14h49

Intrínseca publicará trilogia multimedia de James Frey no Brasil


O lançamento mundial do primeiro livro da série está previsto para 7/10

Negociados pela HarperCollins, os direitos da revolucionária série interativa Endgame, de James Frey beiraram os US$ 2 milhões. O acordo inclui três livros e nove novelas em e-books e prevê o lançamento mundial em 30 línguas. No Brasil, a série sai pela Intrínseca. O primeiro título, Endgame: the calling [ainda sem título em português] já tem lançamento mundial marcado para 7 de outubro.

A inovadora série, completamente interativa, foi criada em parceria com o Google Niantic Labs e vai convidar os leitores a participarem de uma competição em nível mundial. O vencedor levará um prêmio em ouro! Cada livro da trilogia trará um intrincado quebra-cabeças interativo composto de pistas e enigmas ao longo do texto. Com o auxílio dos mecanismos de busca do Google, os leitores vão seguir pistas espalhadas nos livros e em outras plataformas e o primeiro a encontrar a chave final que desvenda todos os mistérios da série leva o prêmio nada virtual.

A história se passa em um planeta bem parecido com a Terra onde jovens de 13 a 17 anos participam de competições para se tornarem guerreiros. Quando chegam aos 18 anos, são substituídos. Embora isso ocorra há séculos, ninguém lembra o motivo pelo qual eles são preparados para a guerra. Até que um dia esses combatentes são chamados para lutar, sob a ameaça de verem suas respectivas tribos serem exterminadas até que reste apenas uma. Os direitos para cinema foram vendidos para a Twentieth Century Fox.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 16/01/2014

Smashwords fecha parceria com Scribd


Sempre comparado a indústrias próximas como televisão e música, o mercado digital há tempos espera a expansão do “Netflix/Spotify para livros”, ou seja, modelo de leitura por assinatura. O Oyster, lançado este ano, foi o primeiro serviço que chamou um pouco mais a atenção, principalmente por contar com o catálogo da HarperCollins. E parece que tem futuro: a Perseus anunciou semana passada que seu catálogo também fará parte da biblioteca do Oyster. Outro grande passo do modelo por assinatura foi o acordo entre a gigante da autopublicação Smashwords e a Scribd. O catálogo gargantuesco de 225 mil e-books autopublicados da Smashwords farão parte da biblioteca da Scribd [por US$ 8,99 por mês].

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 23/12/2013

Vendas digitais internacionais impulsionarão crescimento diz CEO da HarperCollins


Brian Murray, CEO da editora HarperCollins, participou ontem da conferência UBS Global Media and Communications e ressaltou em sua apresentação os ventos favoráveis do mercado. Murray enfatizou que o mercado editorial não irá pelo caminho dos negócios da música ou revistas, onde alternativas digitais levaram grandes pedaços das receitas. A essa altura da transição para o digital, disse Murray, a indústria estaria vendo mais erosão na receita, se fosse o caso. […] Para o CEO, o que impulsionará o crescimento da indústria será o ‘digital’ e o ‘internacional’. Ele apontou um estudo da PricewaterhouseCoopers que prevê que, até 2017, 54% das vendas de e-books serão internacionais. Murray apresentou também dados da sua editora, que mostram que vendas de e-books para o “resto do mundo” representaram 18% da receita da HC no primeiro trimestre fiscal de 2014 [que terminou em setembro]. Ele aposta também que o número de lojas de e-books online deverá dobrar ano que vem, para cerca de 150.

Por Jim Milliot | Publishers Weekly | 12/12/2013

Leitura compartilhada


Livia Airoldi não sabe bem se fazia isso por obrigação ou por sugestão da escola, mas quando era “criancinha”ela costumava fazer resumos ilustrados de tudo o que lia. O caderninho de anotações ainda está no seu quarto [hoje abarrotado de livros] para contar essa história.

Filha de engenheiro nuclear e economista, ela não credita seu gosto pela leitura só aos pais ou à escola, geralmente os heróis e vilões dessa batalha. “Acho que é uma coisa minha mesmo. Eu me achei ali“, conta a garota de 17 anos, aluna do Cervantes, que não sai de uma livraria sem um livro embaixo do braço. As leituras deram uma desacelerada este ano por causa das obrigações escolares e do vestibular – ela quer ser advogada. Mas só um pouco. Depois das férias, resolveu encarar o complexo Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Uma atividade com contador de histórias e uma posterior explicação do professor João Jonas despertaram o interesse da aluna. “No começo, era estranho, mas fui adaptando as palavras e fui lendo mais rápido.” Ainda não terminou, como também não terminou Anna Karenina, de Tolstoi, que estava lendo em inglês. O ano está puxado.

Livia não sabe quantos livros lê por ano, mas conta que num mês de férias terminou nada menos do que oito títulos. Vale lembrar que a média nacional é de quatro livros por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura. Nessa conta, entram os começados e não terminados e as leituras obrigatórias.

A estudante não está inserida nesta estatística, assim como não estão os milhares de jovens que vêm movimentando as listas de mais vendidos ao comprarem obras de autores como Jeff Kinney, Rick Riordan, John Green, Suzanne Collins etc. São pessoas que não leem apenas o que a escola indica, que estão em contato direto com as editoras pedindo tradução de obras que já leram em inglês, que escrevem blogs e lotam livrarias em sessões concorridíssimas de autógrafos, como foi a da americana Kiera Cass, autora da trilogia A Seleção [Seguinte], sobre o universo de aspirantes a princesas. Numa noite de outubro, ela levou mais de 500 meninas à Livraria Cultura.

Leitora de blogs literários e vivendo um momento de descobertas, Livia, que ora diz que ainda quer ler Machado de Assis e tem no topo de sua lista de favoritos a série Academia de Vampiros, de Richele Mead, também queria ter ido no encontro com Kiera, mas, de novo, as provas não deixaram.

Durante os autógrafos, a autora ficou no Twitter orientando as fãs sobre filas e senhas. Um pouco antes, respondeu a uma leitora que mandou a foto da roupa que estava planejando usar: “É incrível, mas vista-se confortavelmente. Ouvi dizer que as filas são longas“.

Seguir um autor no Twitter e ser amigo dele no Facebook são marcas de um novo tempo da relação entre autores e leitores. Não basta mais só escrever um bom livro. Tem que ver, tocar, tirar foto, responder e-mail.

A musa teen Thalita Rebouças participou de 36 eventos literários este ano. A fila por um autógrafo seu chega a durar três horas, tem gente que viaja horas e horas por um segundo ao lado dela e quando ela aparece a gritaria é geral. “Nunca se leu tanto no Brasil. Não dá mais para repetir que adolescente não lê. Quando lancei meu primeiro livro, Harry Potter estava começando. O que essa série fez pela literatura juvenil é inacreditável“, diz a escritora, que tem 286 mil seguidores no Twitter, 161 mil pessoas em sua página do Facebook e que já vendeu quase 1,5 milhão de livros. A maior mudança desde que começou, há 13 anos, diz ela, foi justamente o aparecimento das redes sociais.

É por elas que os jovens leitores se informam, é lá que eles compartilham suas leituras. Pensando nisso, as editoras, que até há alguns anos mal sabiam quem eram seus leitores, que também não sabiam quem editava os livros que liam, iniciaram um importante canal de comunicação.

A Intrínseca não levou nenhum autor à Bienal do Livro do Rio este ano e mesmo assim seu estande foi concorrido. “Tinha dia que a fila dava sete voltas no estande. E algumas pessoas entravam e queriam abraçar as pessoas que trabalham na editora“, conta Jorge Oakim, proprietário da casa famosa entre os leitores mais jovens desde que publicou, em 2008, o primeiro volume da saga Crepúsculo [5 milhões de exemplares comercializados]. Um decisão simples pode justificar tanta cumplicidade. Desde o final de 2010, quem digita o endereço da editora na internet é direcionado para o perfil dela no Facebook. “Queríamos que os livros se tornassem virais. Percebemos que o leitor está on-line e que ele gosta e precisa de interação“, explica Juliana Cirne, gerente de comunicação e responsável pela produção de conteúdo e contato com os leitores. Mais de 350 mil pessoas curtiram o perfil da editora do Facebook. No Twitter, são 67 mil.

Os lançamentos também mudaram. O americano Rick Riordan [3 milhões de exemplares vendidos], por exemplo, não veio autografar A Casa de Hades, mas a Intrínseca e o fã-clube Olimpianos organizaram um dia de atividades para 500 adolescentes no Rio, com brincadeiras e concurso de fantasias inspiradas na série Os Heróis do Olimpo e em mitologia greco-romana.

De números mais modestos [6 mil no Facebook e 5 mil no Twitter], a Valentina, que estreou há um ano, também está tirando proveito das redes. Um de seus seguidores do Twitter sugeriu que a editora traduzisse Forbidden, uma história de incesto escrita por Tabitha Suzuma. Os proprietários Marcelo Fraga e Rafael Goldkorn pagaram para ver. Ao anunciarem na Bienal do Livro que editariam a tal obra, houve torcida e ouviram de um leitor animado com a notícia: “Não acredito que vocês vão ter coragem de lançar esse livro”. E mais e mais fãs foram chegando.

A WMF Martins Fontes também está às voltas com leitores. Há um abaixo-assinado on-line, com mais de 7.200 assinaturas, pedindo que ela publique a série de 12 volumes História da Terra Média, de Tolkien. “Entramos em contato com a HarperCollins e estamos considerando seriamente a possibilidade de publicar a série. Ainda precisamos calcular os custos da enorme empreitada, mas não estaríamos fazendo nada disso se não fosse a iniciativa dos fãs“, diz o diretor Alexandre Martins Fontes.

O Estado de S. Paulo | 02/12/13

‘Bundle’ mania


Editoras e lojas apostam cada vez mais na venda conjunta de e-books e livros físicos

Assim como “descobertabilidade” e outros termos ainda intraduzíveis que o mundo digital vive criando, a grande aposta do momento no mercado internacional aparentemente é bundling, ou seja, a venda conjunta de livros digitais e físicos, com descontos em um dos formatos. Seja como estratégia de marketing para vender edições de luxo, ou para captar a demanda pelo catálogo antigo em formato digital, como o MatchBook da Amazon, cada vez mais editoras e varejistas estão apostando nesse tipo de venda.

O nosso colunista Greg Bateman já havia apontado a oportunidade perdida pela Barnes & Noble de usar sua plataforma e leitor digitais para impulsionar a sua rede de livrarias físicas. Como a Foyles é leitora assídua do PublishNews, eles entenderam o recado e lançaram a sua iniciativa. Brincadeiras a parte, a rede de livrarias britânica fechou uma parceria com a HarperCollins no Reino Unido, para vender bundles de livros físicos e digitais. Clique na matéria para ler mais.

Por enquanto, apenas 8 títulos são contemplados, mas provavelmente veremos mais acordos desse tipo daqui para frente. Já no ano passado, a editora britânica Angry Robots tinha montado um projeto para apoiar as livrarias independentes, incentivando-as a fornecer os títulos da editora gratuitamente a clientes que comprassem o livro físico. Algumas editoras nos EUA, e na Alemanha, também já estão apostando da venda conjunta.

E tudo indica que o ‘bundle’ vai vingar. Um novo estudo do BISG (Book Industry Study Group) sobre a opinião do consumidor em relação ao e-book aponta que consumidores querem cada vez mais livros digitais com valor agregado. Segundo o estudo, os leitores se interessam muito pelo bundling, e “pagariam mais por uma venda conjunta do livro físico e digital do que pelos produtos independentemente”.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 31/10/2013

HarperCollins aposta em vendas de eBooks globais e diretas ao consumidor


E lança aplicativo de leitura com loja embutida

HarperCollins Readernovo CEO da HarperCollins UK Charlie Redmayne mostrou finalmente porque voltou para a editora. A HarperCollins está apostando em vendas globais de e-books direto ao consumidor, com sites de livros de autores, como o www.cslewis.com e o www.narnia.com. A empresa de consultoria e tecnologia Accenture está operando a plataforma, disponível  em 6 países de língua inglesa [Reino Unido, EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul]. Além disso, a editora também lançou um aplicativo, o HarperCollins Reader, onde o leitor pode comprar diretamente os livros do catálogo. A nova jogada da HarperCollins poderia ter sido óbvia, afinal, Redmayne tem bastante experiência (e muito bem sucedida) com esse tipo de venda e distribuição de conteúdo: antes de ir para a HC, Redmayne era CEO da Pottermore, portal que recria mundo de Harry Potter e vende e-books diretamente pelo site.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 30/10/2013

‘A indústria analisa a estratégia como se fosse Procter e Gamble. É Hermès’, diz Andrew Wylie


‘O Chacal’ critica a Amazon em entrevista ao New Republic

“O Chacal” não é o apelido de um terrorista interpretado por Bruce Willis no cinema, é a alcunha de um dos maiores [certamente o mais polêmico) agentes literários, Andrew Wylie. O agente americano chamou atenção em 2010 quando fechou um contrato com a Amazon para publicar livros eletrônicos de autores que ele representava [parece que não faz tanto tempo assim, mas em 2010 o boom dos e-books estava apenas começando). O projeto Odyssey Editions do agente deslanchou uma guerra contra as gigantes Random House e HarperCollins, que afirmavam ter os direitos das obras eletrônicas mesmo se os contratos não previam edições digitais, e foi apoiado pela Associação dos Autores de lá, que viu em Wylie o caminho para terem a mesma porcentagem de royalties no formato digital [por volta de 25%) que no impresso [cerca de 50%).

Apesar de já ter elogiado a Amazon – para Wylie era uma resposta ao modelo de grandes redes de livrarias que, segundo afirmou em 2010, não funcionam – três anos depois a admiração acabou para o Chacal. Em uma entrevista à New Republic, o agente mostra que mudou drasticamente de opinião em relação à Amazon [“Napoleão era um grande cara até ele começar a cruzar as fronteiras”) e critica duramente a varejista/editora: “Eu acredito que a Amazon possui um negócio editorial para que seu comportamento como distribuidor digital seja erroneamente interpretado pela Justiça americana e pela indústria editorial de uma forma que seja conveniente para os objetivos da Amazon”.

Além da crítica, Wylie mostra uma grande dose de desprezo pela Amazon Publishing, e é categórico ao afirmar que nunca [“a não ser que a Amazon sequestre um dos meus filhos, ameace jogá-lo da ponte e eu acreditar na ameaça”) vai vender um livro para a editora. No final do dia, segundo Wylie, “eles não conseguem colocar livros nas livrarias”. Leia a entrevista aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 18/10/2013

Tendências digitais


Nos dois países onde os e-books já correspondem a pelo menos 20% do total de vendas do mercado editorial, EUA e Reino Unido, o crescimento do segmento tende à estagnação, enquanto localidades como França, Espanha e Alemanha, nas quais os digitais beiram os 5%, crescem em ritmo similar ao dos países de língua inglesa nos últimos anos. Essa é uma das constatações da pesquisa Global eBook, que será divulgada mundialmente na terça. O relatório foi feito em parceria com publicações internacionais sobre o mercado editorial (no Brasil, o parceiro foi o Publishnews) e estará disponível de graça no mês de outubro no site global-ebook.com.

// NETFLIX DOS LIVROS

Para o austríaco Ruediger Wischenbart, coordenador da pesquisa, um dos destaques do ano foi o crescimento de serviços de assinaturas de livros digitais por mês, similares ao Netflix (de filmes) e ao Spotify (de música), “dando pista clara de que esse é o próximo passo na transformação da cadeia do livro“.

A espanhola Telefônica anunciou anteontem a estreia do Nubico, pelo qual, mediante mensalidade de 8,99 euros (R$ 27), o usuário tem acesso a 3.000 títulos.

Outros serviços similares, o Oyster e o Scribd, ganharão em breve a adesão da HarperCollins, uma das maiores editoras do mundo, que colocará 1.400 títulos na primeira plataforma e 10 mil na segunda.

// NOVA FASE

As negociações com a Amazon foram as mais demoradas, mas as 33 editoras que distribuem e-books pela Digitaliza poderão, até o final do ano, vender pela loja. Dez delas, incluindo a Aleph, a Escrituras, a Matrix e a Vermelho Marinho, já terão títulos disponíveis no mês que vem.

Um motivo para a demora –as conversas com outras lojas, como a Apple e a Saraiva, foram concluídas há meses– foi que o grupo assinou a nova versão do contrato da Amazon, que trata também da venda de livros físicos, prevista para 2014. Editores dizem que tiveram de ceder mais do que gostariam, mas que “não dava para ficar de fora”.

Por Raquel Cozer [raquel.cozer@grupofolha.com.br] | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | PAINEL DAS LETRAS | 28/09/2013

Aplicativo para iPhone oferece leitura de 100 mil livros com assinatura mensal


O aplicativo Oyster

O aplicativo Oyster

Um aplicativo chamado Oyster chegou nesta semana à App Store. Com uma assinatura de US$ 9,95 ao mês, o serviço oferece 100 mil livros para leitura. O programa funciona como uma biblioteca virtual nos moldes da Netflix, que faz isso com filme e série.

Criado em apenas um ano, o serviço oferece títulos das editoras HarperCollins, Houghton Mifflin Harcout, Workman e da gigante Smashwords. O uso é simples: basta pesquisar o livro que você busca, selecioná-lo e abri-lo. O Oyster pode ser configurado para compartilhar o que você está lendo e há sugestões de leituras baseadas no seu interesse, como acontece também com o Netflix.

Atualmente, as pessoas compram livros da mesma forma que compram lâmpadas, liquidificadores e facas de cozinha”, afirma a equipe da empresa em seu blog oficial. “O processo de encontrar o seu próximo livro é muito diferente do de comprar uma faca, e deve ser tratado dessa forma.

Nos testes do CanalTech, foi possível baixar o aplicativo usando uma conta Apple americana, no entanto, os livros estão disponíveis apenas em inglês. O Oyster ainda não tem uma versão para iPad, mas ela deve ser lançada em breve.

Os fundadores do Oyster. Eric Stromberg, Andrew Brown e Willem Van Lancker não quiseram revelar como a empresa paga as editoras pela disponibilização dos conteúdos. Por exemplo, o Netflix paga uma licença de uso, enquanto o serviço de música por streaming Spotify, que ainda não funciona no Brasil, paga os autores cada vez que uma faixa é tocada.

O lançamento do serviço é um reflexo do crescimento mundial do mercado de eBooks, devido ao lançamento de plataformas como Kindle e iPad. Segundo o jornal Washintong Post, o total de vendas de livros digitais chegou a US$ 3 bilhões em 2012. Com disso, no ano passado, esse setor teve um crescimento recorde de 134%.

A Forbes acredita que em breve as lojas que vendem livros digitais, como Amazon, iTunes Store e Google Play, irão adotar o modelo de assinatura mensal, em vez de vender produtos individualmente. Stromberg diz que isso está “fora de suas mãos”, mas enquanto as gigantes comercializam diversos conteúdos, Van Lancker indica o que parece ser sua vantagem nesse mercado: “Nosso foco é nos livros, nos dedicamos exclusivamente a eles“, afirma.

Stromberg diz ainda que optou pela plataforma móvel por que o smartphone está sempre com você. “Adoraríamos ver um mundo que quando você está 20 minutos adiantado para um café ou quando você está no metrô você encontra um ótimo livro e começa a lê-lo”, declarou.

Para abrir o negócio, a startup de Nova York arrecadou um investimento total de US$ 3 milhões no Founders Fund.

Canal Tech | 06/09/13

O desafio de manter as margens das editoras


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 07/08/2013 | Tradução: Marcelo Barbão

As grandes editoras aparentemente conquistaram uma posição comercial muito forte na transição para e-books. Eu digo “aparentemente” porque os dados que mostram o recente crescimento – uma apresentação da HarperCollins da situação atual – está um pouco incompleto.

O que Michael Cader mostrou no Publishers Lunch em 4 de junho – e que o agente Brian Defiore comentou no blog da Aardvark no mesmo dia – é que o CEO da HarperCollins, Brian Murray, tinha, em uma apresentação para os acionistas, comparado a receita padrão e os custos de livros de capa dura versus e-books. A apresentação mostrou claramente que:

1). As receitas [a linha de cima] dos e-books são menores por unidade em comparação com os livros de capa dura;

2). Os royalties dos e-books também são mais baixos por unidade do que os de capa dura;

3). As margens líquidas para as editoras em termos de produção, distribuição, retornos e royalties são consideravelmente mais altas para e-books do que para livros de capa dura.

Assim, os autores com contratos fixos ganham menos por unidade nos e-books do que com livros de capa dura, mas as editoras ganham mais. O problema aqui é o termo “contratos fixos”.

Os maiores autores não têm este tipo de contrato.

Os agentes mais espertos dos maiores autores não negociam contratos como o resto do mundo. Eles fazem uma previsão de quantas cópias o livro deve vender [autores com um passado de grandes vendas são de alguma forma mais previsíveis] e recebem um adiantamento igual a uma porcentagem alta da possível receita de vendas.

Não se espera que o adiantamento seja ultrapassado [e, pode acreditar, com adiantamentos calculados desta forma, eles quase nunca são]. Isso significa que a porcentagem de royalties acaba sendo irrelevante. Por isso escritores estrelas assinam contratos padrões e editoras afirmam que não pagam mais do que 15% do preço de capa nos impressos ou mais de 25% nos e-books.

Desta forma, a tabela de Murray é precisa, mas não cobre a realidade comercial – apesar de refletir os contratos reais – dos maiores livros.

Mas isso não muda o fato de que, ao publicar a tabela, tenha surgido uma reação adversa vinda da comunidade de agentes contra, aparentemente, uma realidade na qual as grandes editoras estão melhorando sua posição financeira às custas dos escritores. E que outras reações poderíamos esperar? A Authors Guild está brava e o blogger-repórter Porter Anderson conseguiu alguns comentários adicionais de Defiore.

Ao mesmo tempo, as editoras estão batalhando do outro lado do negócio, com livrarias que querem aumentar suas margens também. Isso não tem a ver com a Amazon. Ela domina as vendas online e é indispensável por esta razão. Mas Barnes & Noble é quase tão dominante na vendas em lojas e pelo visto está em uma disputa com a Simon & Schuster há meses, o que reduziu a presença dos livros desta editora na suas livrarias. Os resultados financeiros recém-anunciados da B&N deixam claro que eles serão mais ambiciosos e tentarão arrancar qualquer margem adicional de seus parceiros.

Quando os e-books começaram a se tornar comercialmente importantes, o que para nós foi a partir do lançamento do Kindle no quarto trimestre de 2007, as editoras tiveram que encarar o desafio de reduzir os custos indiretos do livro impresso, pois a demanda por livros em papel começou a diminuir. Você pode imprimir menos livros, mas ainda precisa preparar o original, diagramar e mandar imprimir. E a maioria das grandes editoras possui seu próprio depósito, então não era uma questão simples de reduzir o custo do estoque.

Na verdade, parece que os retornos declinaram mais do que as vendas de impressos, e ainda mais drasticamente como porcentagem das vendas gerais já que os e-books não possuem nenhum retorno. Tudo isso foi bom para a lucratividade das editoras. Vendo os dados agora, pode-se pensar se as editoras estavam em uma rota autodestrutiva quando faziam de tudo [incluindo tudo que gastaram no processo com a Apple] para preservar as vendas dos livros impressos às custas dos e-books. Eles tentaram criar janelas – atrasando a saída do e-books ao mercado por um tempo – e depois tentaram manter os preços do e-books mais altos na livraria [prática que veio à tona quando o Departamento de Justiça dos EUA entrou na história].

Mas, claro, elas não estavam sendo autodestrutivas. Como escrevi várias vezes, colocar os livros nas prateleiras é a principal proposta de valor da editora; quando esta necessidade diminui em importância, elas diminuem junto. Será difícil manter as margens altas. Agentes dos grandes autores vão buscar porcentagens maiores do lucro projetado com a mudança para digital. Como os adiantamentos das editoras para os títulos não tão grandes também estão diminuindo, os autores de segunda linha podem preferir a autopublicação ou a publicação com editoras menores, que pagam menos adiantamentos, mas royalties maiores. Enquanto isso, as maiores livrarias vão continuar pressionando para conseguir margens maiores. E a maioria das editoras não terá estômago para manter uma briga de longo prazo como a S&S está fazendo [especialmente porque ainda não há provas de que a S&S vai conseguir vencer].

As grandes editoras que estão reinvestindo sua atual margem para desenvolver a proposta de valor que será importante no futuro – que é “marketing digital em escala” – ainda podem ser capazes de prosperar com o avanço da transição. Mas seus parceiros dos dois lados – autores e livrarias – serão implacáveis na tentativa de conseguir agarrar qualquer margem “excedente” que estiverem percebendo. Michael Cader mostrou que a Amazon, conseguindo margens de menos de 1% nas vendas, tem poucos motivos para sentir simpatia por editoras reclamando de como é difícil conseguir margens de 2 dígitos. A Barnes & Noble vai precisar arrancar mais margem das editoras para manter suas lojas abertas frente ao declínio das vendas.

Há agora dois pontos que vão ser considerados pelos autores: a parcela das vendas online e a eficiência na divulgação de seus livros. O primeiro fator está fora do controle das editoras [e é difícil prever]; o segundo significa que os autores mais disputados abaixo da camada mais alta se tornarão os mais difíceis de manter.

Eu aconselhei, há algum tempo, que as editoras deveriam aumentar os royalties dos autores como uma forma de lutar contra a exigência de mais margens das livrarias. Na época, o CEO de uma grande editora me disse que havia mérito no meu conselho, mas “era bastante difícil fazer mudanças como esta com a Justiça em cima da gente”. Então talvez veremos alguns movimentos para aumentar a taxa de royalties, que está em 25%, no futuro próximo, já que o problema com a Justiça parece ter ficado no passado.

Sinto, há algum tempo, que os autores [agentes] deveriam trabalhar para conseguir uma quantia fixa por cópia vendida como royalties de e-book e abandonar as porcentagens pois, como sabemos, os e-books podem mudar de preço com frequência. Sei que isso sofreria a resistência das editoras, mas faz muito mais sentido.

O atual estado das coisas diz de forma bastante enfática o que sinto há muito tempo: a atual direção das grandes editoras é esperta e conseguiu administrar uma transição complicada de forma bastante eficiente. O que conseguiram conquistar hoje é bastante impressionante, mesmo se for impossível sustentá-la no longo prazo.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 07/08/2013 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Departamento de Justiça americano quer punir Apple


Departamento de Justiça americano quer punir Apple ainda mais. Apple chama propostas de ‘draconianas’

A juíza Denise Cote julgou em julho que a Apple é culpada de conluio no caso de precificação de e-books. Agora, o Departamento de Justiça americano (DOJ) quer que ela imponha sanções rígidas à empresa e a mantenha sob supervisão do governo pelos próximos anos. Na última sexta-feira (02/08), o DOJ colocou o pedido para que a juíza obrigue a Apple a acabar com o modelo de agenciamento pelos próximos cinco anos, não só com as editoras, mas com todos os fornecedores do iTunes, que passariam a vender conteúdo (música, vídeo, programas de TV etc.) através da app store sem pagar a taxa de 30% à Apple.

Se Cote acatar a proposta, ela estaria basicamente descartando o acordo que fechou com as editoras Hachette, HarperCollins, Simon & Schuster, Macmillan e Penguin. O argumento do DOJ toca justamente neste ponto: ele defende que, após o fim do acordo com a Justiça, em dois anos, as editoras da Defesa voltarão a negociar contratos de e-books como antes. Segundo o site Publishers Lunch, o DOJ ressaltou em seu argumento a opinião de que “vários CEOs das editoras da Defesa deram testemunhos não críveis em apoio à Apple”, e destacou ainda o CEO da Macmillam, John Sargent, que declarou “estar até mesmo orgulhoso das suas ações, não só na época como ainda hoje também.” Para o DOJ, o fato da conduta ilegal da Apple ter sido conduzida nos níveis mais altos da direção mostra uma vontade da empresa de adotar práticas de fixação de preços ilegais.

A Apple não demorou a se manifestar. Ainda na sexta-feira, à tarde, ela respondeu dizendo que as propostas do DOJ eram “uma intrusão draconiana e punitiva nos negócios da Apple, loucamente fora de proporção de qualquer mal ou prejuízo potencial julgado”. A Apple acredita que a observância do Governo seria aplicada somente à empresa e ultrapassaria “as questões julgadas no caso, ferindo a competição e consumidores e violando princípios básicos de justiça e processo legal”. Como o fantasma da gigante varejista de Seattle está sempre por perto, a Apple aproveitou para cutucar e dizer que, caso as medidas fossem adotadas e a empresa prejudicada, a “Amazon poderia usar seu poder de mercado para conseguir termos mais favoráveis que a Apple seria capaz” nos e-books. De um modo geral, a Apple defende que a sua conduta unilateral (ou seja, se não houvesse tido participação das editoras) nunca foi o problema em si, portando as imposições abrangentes não fazem sentido.

Por enquanto não houve manifestação por parte da Juíza Denise Cote, mas sua tendência favorável ao DOJ pode vir a mudar drasticamente a indústria da venda de conteúdo na internet.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 05/08/2013

Amazon vence batalha de preços de eBooks contra Apple na Europa


Autoridades regulatórias decidiram em favor da Amazon em batalha de preços de e-books contra norte-americana Apple na Europa

BRUXELAS | As autoridades regulatórias da União Europeia encerraram uma investigação antitruste sobre preços de livros digitais [e-books] nesta quinta-feira, aceitando uma oferta da Apple e de quatro editoras de afrouxar restrições de preços impostas à Amazon e outros grupos de varejo.

A decisão confere ao grupo de varejo online Amazon a vitória em sua tentativa de vender e-books a preços mais baixos que os dos rivais, em um mercado de rápido crescimento. A Reuters antecipou em novembro que a Comissão Europeia aceitaria a proposta de acordo.

A Comissão Europeia anunciou na quinta-feira que as concessões da Apple e das editoras haviam atenuado a preocupação quanto aos efeitos anticompetitivos de seus acordos de preços.

O compromisso proposto pela Apple e pelas quatro editoras irá restaurar as condições normais de concorrência nesse mercado novo e de rápido movimento, beneficiando os compradores e leitores de e-books“, disse o comissário de concorrência da União Europeia Joaquin Almunia.

A Apple e as editoras se ofereceram para permitir que os grupos de varejo determinem preços ou descontos por um período de dois anos, e suspender por cinco anos os acordos de tratamento preferencial entre elas.

Esses acordos impediam que as editoras Simon & Schuster; HarperCollins, da News Corp; Hachette Livre, da Lagardere SCA; e Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, controladora da editora alemã Macmillan, assinassem contratos com varejistas rivais que permitissem a elas vender livros a preços inferiores aos da Apple.

Os acordos, que segundo críticos impedem que a Amazon e outros grupos de varejo concorram com a Apple em termos de preço, resultaram em uma investigação antitruste da União Europeia em dezembro do ano passado.

O grupo Penguin, controlado pela Pearson e também sob investigação, não é parte do acordo desta quinta-feira. A Comissão informou que a Penguin ofereceu concessões que devem resolver as queixas das autoridades de concorrência.

Por Foo Yun Chee | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved | 13/12/2012

Os modelos de negócio estão mudando: é o momento de tentativa e erro


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 12/12/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

O anúncio no final da semana passada de que a Random House está lançando três selos que priorizam o digital foi só o exemplo mais recente de como as editoras estão explorando novos modelos de negócios. Poucos dias antes recebemos a notícia da parceria entre a Simon & Schuster e a Author Solutions fazendo com que a S&S seja a terceira maior editora – depois da titã de publicações cristãs Thomas Nelson e da Harlequin, forte na área de romances – a colocar seu nome no setor de “serviços ao autor”.

A S&S não é a primeira das Seis Grandes a dar este grande passo, a Pearson, empresa coligada à Penguin, comprou a Author Solutions há alguns meses e a HarperCollins comprou a Thomas Nelson no ano passado. Então, na verdade, três das Seis Grandes agora estão envolvidas com serviços ao autor – e são, na verdade, quatro das seis, lembrando a outra recente grande notícia de que a Penguin e a Random House estão em processo de fusão. [E não estou contando iniciativas mais modestas como o “Authonomy” da HarperCollins ou o “Book Country” da Penguin.]

Eu me lembro de ter participado de um painel no Canadá alguns anos atrás com Carolyn Pittis, a pioneira digital, uma pessoa muito inteligente, da HarperCollins, que citou a forma como a maioria das editoras faz negócios – comprando o direito de explorar copyrights e depois monetizando em cima deles – como um dos possíveis modelos de negócios para uma editora. Ela explicitamente mencionou “serviços ao autor” como outra. Isso foi antes de sua empresa ter lançado o Authonomy, alguns anos antes do “Book Country”. Em outras palavras, grandes editoras já estão pensando há um tempo sobre modelos “autor-paga” [assim como os editores profissionais].

Todos eles seguem o caminho da Amazon, que há anos vende à la carte todos os componentes de sua própria cadeia de valores. Recentemente li um e-book chamado “The Amazon Economy” publicado pelo Financial Times [um exemplo de uma editora não especializada em livros ajustando seu próprio modelo de negócios para ser uma editora de livros, falaremos mais disso outro dia] que sugeria que a Amazon na verdade ganha mais dinheiro disponibilizando sua infraestrutura para outros do que vendendo coisas.

Em outras palavras, há um potencial de lucro na desconstrução da cadeia de valor de uma empresa e a venda de acesso a ela em pedaços.

Em certo sentido, as editoras sabem disso há muito tempo. Elas tornaram a parte de suas operações externas ao livro [estoque, distribuição, crédito, recolhimento e vendas] disponíveis a outras editoras há anos. Algumas editoras, como a Random House, transformaram a distribuição em um negócio importante com suas próprias estruturas de gerenciamento dentro da corporação. A Perseus, que é uma editora montada em cima de vários selos pequenos, construiu um serviço de distribuição que possui mais de 300 clientes. A Ingram, cuja operação central é de venda por atacado combinado com a subsidiária Ligthning que montou nos anos 90 para fornecer serviços de impressão sob demanda e, mais tarde, serviços digitais, possui uma oferta de distribuição comparável.

Mas o que a Author Solutions – e vários concorrentes menos robustos [e bem mais baratos] – mostraram é que há uma forte demanda para os serviços que precedem a entrega do livro para a venda.

Não tenho outro método, a não ser a inferência, para saber como a Thomas Nelson e a Harlequin estão fazendo com sua oferta de serviços ao autor baseada na Author Solutions, mas o fato é que a Pearson, empresa-mãe da Penguin, comprou as duas e  a S&S fechou um acordo, e isso certamente sugere que a ASI possui um bom histórico. Claro, eles são líderes do mercado porque ganham dinheiro e ganham dinheiro tendo boas margens. E os preços dos serviços da iniciativa Archway – o projeto da ASI com a S&S – são mais altos do que em outras plataformas. Isso não significa que eles não vão convencer muitos aspirantes a autores a usá-los.

Isso é tudo muito lógico, mas também muito enganador. A maioria das editoras – pelo menos até bem recentemente – considerava os serviços de distribuição que eles oferecem como commodities, ou seja, amplamente disponível e altamente comparável. É verdade que qualquer uma das grandes editoras, muitas das menores, e os distribuidores, além da Ingram e da Perseus, podem distribuir as capacidades centrais: contas ativas com todos os grandes varejistas, a capacidade de fazer negócios com eles e recolher o dinheiro, e a disponibilidade do livro em toda a cadeia de suprimento. Obviamente, todos lutam para serem melhores que os concorrentes e assim justificar seus preços mais altos.

Mas, acima de tudo, o orgulho e a crença da editora em uma diferença qualitativa entre o que oferecem e o que a concorrência resulta em um valor muito maior. As editoras geralmente acreditam em seus editores e marqueteiros mais do que acreditam em suas forças de vendas e estoques. [Gente como eu, há 20 anos em vendas, costumava dizer, com ironia consciente, que havia dois tipos de livros: sucessos editoriais e fracassos de vendas e marketing.] Eles veem seu tempo e sua atenção como algo muito precioso. Eles são muito mais relutantes para tornar este tempo disponível para alugar e, de fato, parece que todos os três acordos de editoras com a Author Solutions têm como base o fornecimento dessa capacidade pela ASI. Elas não vêm das próprias editoras.

Tudo isto significa um desvio de outro componente importante para uma publicação bem-sucedida: a coordenação de todas estas atividades. A publicação bem-sucedida é o resultado de várias pequenas decisões: na edição, na apresentação [tanto do livro em si e do metadado, como cópia de catálogos e press releases, que servem como apoio], e, cada vez mais, nas tags de SEO, sinais sobre “colocação” que estão incluídos no arquivo digital do livro, ou metadado de marketing. Na era digital, estas coisas podem mudar com o tempo. As notícias diárias – sobre votos na ONU ou escândalos sexuais no Pentágono ou qualquer outra coisa – poderiam pedir uma mudança nos metadados de um livro publicado há um mês ou um ano para deixá-lo com maior probabilidade de ser mostrado pelos mecanismos de busca hoje.

[O e-book do FT sobre a Amazon, que eu recomendo, deixa claro que a empresa também vende “coordenação” do lado varejo como um valor adicional extremamente importante, e aparentemente muito apreciado.]

Na verdade, a decisão de colocar mais ou menos esforço em um livro está – ou deveria estar – baseada em uma análise de vendas e tendências de busca, assim como em medidas mais tradicionais, como análise de resenhas.

Nos velhos tempos pré-Internet, publicar livros era como lançar foguetes. A maioria caía na Terra, alguns entravam em órbita. Mas os esforços do editor – na maioria das vezes – se limitavam ao lançamento. Então, a equipe de marketing poderia entrar em ação. Isso não era uma forma de fazer negócios que agradava aos autores, mas era consistente com as realidades do mercado. As grandes redes de livrarias não matinham um título em estoque se seu apelo de vendas não ficasse evidente no caixa em 90 dias. Sem cópias de um título nas lojas, não havia motivo para a editora insistir.

Isso é algo que mudou muito na era digital. Com alguns títulos e gêneros representando metade de suas vendas através de e-books ou vendas online, não há mais limite de tempo em relação à eficiência do marketing. No que é um assunto que vamos certamente explorar em uma conferência futura, isso pode estar causando engarrafamentos nos departamentos de marketing das editoras. Eles não podem mais esperar que os títulos mais antigos continuem abrindo espaço e ao mesmo tempo trabalhar nos mais novos.

A Open Road é uma editora exclusivamente digital que trabalha principalmente, mas não exclusivamente, com catálogos. [Eles parecem estar também se especializando em publicar livros de editoras estrangeiras e em ajudar editoras de livros ilustrados a entrar no mundo dos e-books.] O que me impressionou quando eu me encontrei com eles há um ano foi que eles não distinguiam entre “lançamentos” e “catálogos”. Eles faziam marketing de acordo com o calendário, em eventos e feriados, e não nos livros mais novos. Acredito que isso na verdade trouxe maior relevância a seu marketing. Obviamente, isso também vinha de uma necessidade, pois eles não têm um fluxo de “novos” livros para agenciar. Mas também capitalizaram em cima de uma nova situação, onde os livros não ficam de repente indisponíveis porque as lojas os tiram das prateleiras.

Um produto secundário de vendas de longo prazo é a maior facilidade para as editoras agruparem os livros para o marketing. Agora quatro livros em um tópico similar podem ser unidos, mesmo se tiverem sido publicados meses ou até anos depois. A Open Road faz um amplo uso desta realidade.

Estes são desafios e oportunidades que forçam os editores a repensar a organização de seus departamentos de marketing e a disposição de seus recursos de marketing. É uma oportunidade para uma editora aumentar o valor de um autor se conseguir dar uma nova vida a um livro seis meses ou um ano depois de lançado, quando outros títulos parecidos chegarem ao mercado ou um evento faz com que um livro antigo volte a ser relevante. Como autores estão cada vez mais dispostos a fazer algumas coisas úteis por si mesmos para capitalizar nestas oportunidades, eles ficarão cada vez mais impacientes com as editoras que desistirem dos seus livros cedo demais.

Há coisas que os autores simplesmente não podem fazer. Eles não podem ajustar o metadado e adicionar tags ao livro. Eles não conseguem fazer promoção com as livrarias quando o novo livro de outra pessoa faz com que o dele volte a ser relevante. Autores tampouco têm o benefício de chegar às melhores práticas da marketing e às regras práticas ao examinar os dados de desempenho por vários grupos de títulos: grandes conjuntos de títulos, categorias, vendas comparadas e outros. Estão contando com que as editoras façam isso.

O papel da editora ao coordenar e administrar uma miríade de detalhes sempre foi uma das principais formas de acrescentar valor e pode ser ainda maior na era digital. Mas só se eles realmente fizerem isso, e há uma pequena indicação de que têm esta intenção pelos títulos que estão sendo pagos.

Jane Friedman [a blogueira e consultora para escritores, não a CEO da Open Road] aponta que sua alma mater, Writers Digest e Hay House – a editora vertical em mente-corpo-espírito que conseguiu interagir tão bem com seu público – também fez um acordo com a ASI. Ela aponta que os grandes sucessos que todos conhecemos entre os autores autopublicados – John Locke, Joe Konrath e Amanda Hocking estão entre os mais famosos – não publicaram pela ASI. Jane discorda da promessa da ASI de ajudar editoras a “monetizar manuscritos não publicados”. É difícil discordar que editoras que pagam autores para publicá-los podem estar andando na corda bamba ao ter paralelamente um modelo de negócios onde elas cobram dos autores por serviços que provavelmente não lhe trarão dinheiro.

Por outro lado, a Random House tinha feito uma declaração enfática sobre o valor que editoras legítimas podem trazer com o sucesso de Cinquenta Tons de Cinza, originalmente uma história autopublicada e agora, graças à editora, o maior sucesso comercial de todos os tempos. Nenhum livro autopublicado chegou perto e demorará muito tempo antes de aparecer outro. Vejo que esta postura de privilegiar o digital [no qual eles não são os primeiros, mas parecem ser os primeiros a promover agressivamente a diáspora de autopublicação] como um passo em direção a um modelo de negócio diferente, que reconhece as novas realidades comerciais do mercado editorial. Ele permite a publicação com menores investimentos – os autores nestas editoras digitais dificilmente receberão adiantamentos em níveis próximos aos dos livros da Random House – e talvez receberão menos atenção também. O marketing é simplificado pelo fato de que não se trata de livros impressos e, portanto, não envolve as livrarias. Assim, o limiar da lucratividade é muito mais baixo e, como descobrimos, eles ainda podem decidir dar a qualquer livro nestes novos selos o “tratamento completo” – livros impressos estocados em livrarias – mais tarde, se quiserem.

É muito cedo para julgar se a relação entre editoras e serviços de autores vai agregar valor para todos. Todas essas editoras agora têm ou terão, pelo menos, um grupo estável de autores autopublicados que estão contribuindo marginalmente a eles e que significam um interesse financeiro [mesmo sem investimento inicial]. Há definitivamente um conflito inerente entre, de um lado, tentar lucrar o máximo com um autor contratando serviços editoriais e, de outro, recrutar autores e livros que serão bem-sucedidos comercialmente.

Mas as editoras ainda sabem, mais do que o resto, como fazer para que livros com potencial comercial vendam. Se a ASI e suas editoras parceiras podem encontrar a fórmula para que a promessa inerente de sucesso da marca de uma editora chegue efetivamente aos autores que contratam serviços, será respondido nos próximos meses.

Ter mais empresas tentando descobrir isso certamente melhora as chances de alguém conseguir [e a ASI tem muito interesse em espalhar as melhores práticas quando elas aparecerem]. E com serviços cada vez mais baratos para estes aspectos de autopublicação que realmente são commodities, isso significa que ASI e todos seus parceiros terão de demonstrar de forma bastante convincente que eles podem acrescentar o marketing eficiente a sua oferta mista, isso se quiserem continuar por aqui daqui a dez anos.

Michael Cader e eu estamos fazendo nossa primeira apresentação da Authors Launch, em parceira com nossos amigos na Digital Book World, em 18 de janeiro, sexta-feira, o dia seguinte à DBW 2013. A questão de onde se unem as linhas entre os esforços das editoras e dos autores é um tópico importante. Temos um grande grupo de especialistas para trabalhar: a já mencionada Jane Friedman, junto com Porter Anderson, Jason Allen Ashlock, Dan Blank, o ex-marqueteiro da Random House Pete McCarthy, coautores Randy Susan Meyers e M. J. Rose, Meryl Moss e David Wilk. Entre os editores estão Matt Baldacci da Macmillan, Rachel Chou da Open Road, Rick Joyce da Perseus e Matt Schwartz da Random House. Esta é uma conferência realmente voltada para autores publicados em vez deautopublicados, mas ensinará habilidades e dará ideias a qualquer autor disposto a investir tempo e esforço para vender seu livro.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 12/12/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Amazon oferecerá reembolso de editoras a clientes do Kindle


Multa foi definida após um acordo judicial em uma ação contra editoras por um caso de fixação de preços

Amazon, a gigante do comércio eletrônico, disse que as quantias exatas não serão divulgadas até que a justiça finalize o acordo

Amazon, a gigante do comércio eletrônico, disse que as quantias exatas não serão divulgadas até que a justiça finalize o acordo

Nova York | A Amazon anunciou que oferecerá reembolsos aos clientes que compraram livros eletrônicos, após um acordo parcial em uma ação contra editoras por um caso de fixação de preços.

O gigante do comércio eletrônico disse que as quantias exatas não serão divulgadas até que a justiça finalize o acordo, mas indicou que os reembolsos provavelmente oscilem entre 0,30 e 1,32 dólares para certos livros para Kindle comprados entre abril de 2010 e maio de 2012.

Nas notificações aos clientes nos últimos dias, a Amazon informou que as editoras Hachette, Harper Collins e Simon and Schuster aceitaram um acordo em uma ação judicial do governo dos Estados Unidos, em que se alegava uma conspiração de fixação de preços com a Apple, prejudicial à gigante do varejo.

Os acordos criam um fundo de 69 milhões de dólares para reembolsos.

As autoridades disseram que o plano buscava terminar com os descontos da Amazon, que vendeu a maioria dos e-books a 9,99 dólares até que as editoras impusessem o novo plano de preços.

Publicado originalmente e clipado à partir de EXAME.COM | 15/10/2012, às 21:05

Amazon e Apple dão desconto nos EUA


Apple e outras cinco editoras foram processadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sob a alegação de terem conspirado para aumentar o preço dos e-books

Rio de Janeiro | A Amazon e a Apple anunciaram que compradores de e-books receberão créditos para compras futuras de livros. A ação é fruto de um acordo assinado entre três grandes editoras para solucionar um processo de fixação de preços.

Consumidores de e-books Kindle receberão descontos que variam entre US$ 0,30 e US$ 1,32 por livro, segundo estimativas da Amazon. A Apple ainda não especificou os valores.

Segundo a CNN, em abril, a Apple e outras cinco editoras foram processadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sob a alegação de terem conspirado para aumentar o preço dos e-books.

Três das editoras – Hachette Book Group, CBS Simon & Schuster e News Corp ‘s HarperCollins – firmaram um acordo para devolverem US$ 69 milhões aos consumidores afetados.

O ressarcimento é válido para quem comprou os livros eletrônicos entre 1 de abril e 21 de maio de 2012 e não será necessário solicitar os créditos, que serão utilizados automaticamente em compras posteriores.

Os clientes da Amazon também poderão usar os descontos para livros impressos.

Por Leticia Muniz | Publicado originalmente e clipado de Exame | 15/10/2012

Repensando o preço dos eBooks


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 20/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Será que eu entendi errado o efeito do impacto do Departamento de Justiça sobre os preços dos e-books? Será que a eliminação das faixas de preços exigida pela Apple poderia ser tão boa para as editoras, que soltar as restrições sobre os descontos não significaria um problema para o mercado?

As primeiras evidências parecem apontar por este caminho, mas precisamos enfatizar a palavra “primeiras”.

Cader escreveu antes de todo mundo [ele me contou em conversas antes de publicar seu post, mas obviamente eu não entendi muito bem], que a capacidade das editoras de aumentar os preços dos e-books e ignorar estas bandas seria um poderoso antídoto para a capacidade das livrarias de oferecer descontos.

Quando os títulos da HarperCollins apareceram na Amazon e outras livrarias com descontos, os primeiros relatórios não focavam no fato de que o preço base, antes dos descontos, tinha aumentado para muitos dos títulos.

Cader fez o trabalho necessário para uma boa análise: pegou a lista de preços do site da Harper [mostrando que eles tinham sido “reposicionados” para uma faixa superior, assim o desconto de 30% não mudaria os preços ao consumidor] e fez uma verificação de preços em várias contas.

Esta verificação contradiz minha especulação inicial sobre a precificação. Pensei que a Apple seria desafiada a manter sua postura: na verdade, eles eram, às vezes, os líderes dos preços baixos, superando [no momento em que Cader fazia sua pesquisa] a Amazon em vários títulos.

Então, agora que seu sentinela quase sempre confiável percebeu a estratégia razoavelmente óbvia [fico envergonhado de dizer isso, pois é uma circunstância que frequentemente me leva a dizer que não é incomum que pessoas inteligentes façam coisas tontas] de que as editoras aumentariam os preços do modelo de agência, digo o que poderemos ver no futuro.

1. Teremos, num futuro previsível, uma cadeia de suprimento de e-books dividia em três. Assumindo que a Hachette e a S&S empregarão a estratégia da Harper de aumentar os preços para que os descontos das livrarias os tragam de volta ao patamar original que o modelo de agência tinha estabelecido, teremos:

  • a] três editoras com modelo agência “leve” [mais uma vez, tiro o chapéu a Cader por esta descrição], com preços nas livrarias mais altos e descontos;
  • b] três editoras com modelo de agência “verdadeiro”, com preços mais baixos, pelo menos por um tempo, que não podem ser mexidos pelas livrarias; e
  • c] todo o resto, vendendo principalmente sob o modelo “distribuidora” a preços de lista ainda mais altos, mas fornecendo 2/3 de margens para que as lojas usem para descontos.

Isto levanta a questão de por que uma editora iria manter os termos da distribuidora – que exige colocar um preço de varejo totalmente irreal – a menos que enfrente alguém na cadeia de suprimento que não concorda em vender seus e-books sem conseguir 50% do preço listado. Eliminar o MFN [preços uniformes em todas as livrarias] faz com que a principal distinção entre agência e distribuidora seja que os e-books de agência tenham um preço de varejo sensível e defensivo, colocado pela editora, enquanto que o modelo distribuidora não permite isso. [E isso também é verdade com o aumento dos preços, apesar de um pouco menos.]

2. Os descontos que foram mostrados nos livros da Harper [também pesquisados por Cader] tinham entre 5% e 30% de desconto sobre o preço da editora, ou seja, o bom e velho $9,99. Esta é a precificação simples, colocada por seres humanos. Nem começa a testar os limites máximos que as livrarias podem fazer com descontos. Elas têm a permissão de dar descontos nos e-books de uma editora até a margem total do que ganham. Assim, para uma editora que funciona com modelo de agência de 30%, todos os livros que são vendidos em margens positivas [qualquer coisa com menos de 30% do preço total] contribui para sua capacidade de dar descontos abaixo dos custos em outros livros, se eles quiserem.

3. As editoras que assinaram o acordo têm importantes vantagens sobre suas concorrentes. Não estão restritas pela faixa de preços da Apple. Como aumentaram os preços, estão ganhando mais por unidade vendida, e como as livrarias estão recebendo uma margem menor, não estão aparecendo como menos competitivos para os clientes.

4. A Random House, que ganhou muito no ano seguinte à implementação do modelo de agência, pois continuou vendendo como distribuidora – manteve seus lucros por unidade mais altos e os preços de varejo mais baixos do que as outras editoras –, agora se encontra do outro lado. Eles, junto com a Macmillan e Penguin, que continuam o litígio, agora vêem que as editoras que assinaram o acordo estão com uma vantagem competitiva. [Claro, todas estas editoras podem reconsiderar seus preços e termos quando terminar os atuais contratos com as livrarias.]

5. Eu especulei que a Apple encontraria dificuldades para competir. Os primeiros retornos dizem que estou errado, mas ainda não estou convencido. Era possível gerenciar à mão os descontos nos recém-liberados títulos da Harper; não eram tantos títulos. E a Amazon ainda não atacou isso agressivamente. [Atacar agressivamente significaria dar descontos de mais de 30% em muitos títulos.] Ainda acredito que eles vão fazer isso [apesar de que outras pessoas, especialmente Chris Meadows da The Digital Reader, acham que não vão.] Se a Amazon forçar a barra nos descontos, então seriam necessários bots e algoritmos para acompanhá-los.

6. Há uns dois anos, um executivo da Amazon me contou que eles davam descontos grandes em 4% dos títulos que representavam 25% das vendas. Eu assumiria que o desconto que as livrarias vão querer dar agora se estenderia a uma faixa de títulos parecida. O que estamos vendo agora é uma entrega de, normalmente, 1/3 ou 2/3 da margem delas neste grupo de títulos. Abrir mão de 2/3 da margem em 25% das vendas só iria constituir um sacrifício de 16,7% da margem total. Se parar por aí, então o impacto líquido imediato do processo do Departamento de Justiça seria um aumento nos ganhos das editoras, uma redução pouco problemática nas margens para as livrarias, e algo bem perto à neutralidade dos preços para os consumidores.

Note que, se uma livraria escolheu aceitar 20% negativo de margem nestes 25% das vendas de qualquer editora em especial [vendendo cerca de 50% abaixo do preço da editora], eles ainda estariam obedecendo ao acordo de não dar mais margem do que ganharam sobre a lista de uma editora. [Esta é uma comparação complicada porque muito mais de 25% das listas das Seis Grandes entraria nos 25% do total que a Amazon anteriormente dava fortes descontos.]

Este tipo de desconto poderia ser problemático. É importante lembrar que o impacto dos descontos na mudança das vendas de impressos para digitais era a menor das preocupações das editoras em relação aos grandes descontos da Amazon. A maior preocupação era o medo de que os descontos dessem um peso enorme no mercado a ponto de que a Amazon pudesse ditar os termos dos acordo. Se os níveis de descontos que ocorrem não contribuem significativamente nem para criar dificuldades econômicas para outros players, nem aumentar a parte da Amazon, não há preocupações para as editoras.

7. Toda editora, exceto as que mantêm o modelo de agência pura, estão, na verdade, contando que as lojas dêem descontos em seus e-books. Os distribuídos pelo modelo de distribuidora sempre estavam colocados em níveis que pareceriam ridículos à maioria dos consumidores e agora os que usam o modelo de agência “leve” estão contando, da mesma forma, com que as livrarias sacrifiquem suas margens para manter seus preços competitivos.

Ainda não acho que a coisa vá ficar assim. Vou admitir antecipadamente que vai me parecer espantoso se a Amazon deixar que a Apple, ou qualquer outra, roube seu posto como a livraria com os preços mais baixos. Mas nos primeiros momentos desta nova era dos e-books, não estamos vendo os descontos que eu esperava. E não estamos conseguindo o resultado que o Departamento de Justiça queria: menores preços para os consumidores.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 20/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Apple e editoras propõem acordo antitruste à União Europeia


BRUXELAS, 19 Set [Reuters] | A Apple e quatro grandes editoras sugeriram permitir que grupos de varejo como a Amazon vendam livros com descontos, em um esforço para pôr fim a uma investigação antitruste da União Europeia, anunciou a Comissão Europeia nesta quarta-feira.

As autoridades regulatórias estão investigando os acordos de preços de livros entre Apple e Simon & Schuster, HarperCollins [unidade da News Corp], Hachette Livre [unidade do grupo francês Lagardere], Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, que controla a Macmillan na Alemanha, e o grupo Penguin, da Pearson.

Por um período de dois anos, as quatro editoras não restringirão, limitarão ou bloquearão a capacidade das empresas vendedoras de livros eletrônicos para estabelecer, alterar ou reduzir preços de varejo de livros eletrônicos e/ou oferecer descontos e promoções“, anunciou a Comissão Europeia em seu diário oficial, detalhando a oferta em consideração.

A Comissão afirmou que as editoras e a Apple também ofereceram uma suspensão dos contratos de favorecimento mútuo entre elas por cinco anos. Esse tipo de contrato proíbe editoras de fazer acordos com grupos rivais de varejo para vender livros a preços inferiores aos determinados pela Apple.

A organização de fiscalização da Comissão Europeia informou que as propostas ficarão abertas a comentários públicos por um mês e, caso a resposta seja positiva, a investigação será encerrada.

As editoras HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette chegaram a acordo com o governo norte-americano em abril por meio de propostas semelhantes.

De acordo com analistas do UBS, os livros eletrônicos respondem por 30 por cento das vendas de livros nos EUA e por 20 por cento no Reino Unido, mas ainda não são significativos em outros mercados.

Por Foo Yun Chee | quarta-feira, 19 de setembro de 2012 10:32 BRT | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved.

Palmas para a Amazon


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 11/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Quando escreverem a história de como a Amazon conseguiu dominar o mercado de consumo de livros, daqui a dez anos, haverá um capítulo intitulado “6 de setembro de 2012”.

Claro, este foi o dia em que a juíza Cote aprovou o acordo entre a HarperCollins, Hachette e Simon & Schuster, e começou a desfazer o regime de preços criados pela editora, que ficou conhecido como modelo de agência. Este modelo foi criado, na verdade, para liberar amplos descontos no mercado dos e-books e acho que logo veremos provas de que será bem-sucedido neste objetivo, muito além do que qualquer pessoa pode imaginar. [Eu muitas vezes expressei minhas preocupações sobre o que acho serão as consequências inevitáveis desta situação.]

Mas não foi só isso que a Amazon conquistou em 6 de setembro de 2012. Nem de longe. Na verdade, a única coisa que não foi boa em relação ao anúncio do juiz foi que ele tirou a atenção do feitos que não precisam da ajuda do governo.

Um dia após a concorrente Kobo tentar superá-los anunciando atualizações em seu conjunto de aparelhos, a Amazon combinou melhor desempenho e menores preços em seus aparelhos, superando não só a Kobo, mas também o Nook, Apple e Google. Não foi nem a inovação dos aparelhos que mais me impressionou. Houve várias outras inovações que vão exigir muito mais de todo mundo para competir com o ecossistema Kindle.

1. Alavancando sua propriedade da Audible, a empresa dominante em audiobooks para download, a Amazon apresentou um recurso Whispersync que permite a mudança simples entre ler um e-book e ouvir a versão audiobook. Uma das minhas cunhadas, que é professora de crianças com dificuldades de leituras e ajuda outras professoras que fazem o mesmo, me perguntou a alguns meses por que ninguém tinha feito isso antes. Perguntei por aí e me disseram que “é complicado”. Editoras não podem fazer porque não controlam os ecossistemas de entrega. Outras livrarias de e-book não podem fazer isso por que não entregam áudio.

Só a Amazon poderia ter feito. Agora, fizeram.

1A. Além do uso do Whispersync para permitir a mudança entre ler e ouvir, Kindle apresentou um recurso chamado “Immersion Reading” que permite que você leia e ouça ao mesmo tempo.

Está claro que isso cria um forte motivo para comprar tanto um audiobook quanto um e-book do mesmo título? Autores e editores podem celebrar.

Esta inovação específica é especialmente irônica se nos lembramos da seguinte história: nos primeiros dias do Kindle, Amazon queria colocar num recurso text-to-speech que entregasse um audiobook através de automação de todo e-book. Agentes e editores criaram problemas por causa dos óbvios problemas de direitos; audiobooks são uma fonte de lucros separados para todos, e ninguém com algum interesse comercial quer ver isso ameaçado, apesar de que muitos acham que a leitura automática não vai realmente satisfazer um cliente de audiobook.

Mas ninguém terá problemas com esta solução. O consumidor compra duas vezes.

E, incidentalmente, mais alguém pode escrever todo um post de blog sobre como este conjunto de recursos pode ser usado para criar oportunidades nos mercados estudantis!

2. Alavancando sua propriedade do IMDb [o banco de dados de filmes e programas de TV], a Amazon está melhorando a experiência de assistir vídeos ao fazer com que as informações sobre filmes e atores esteja disponível com um clique. No mês passado, os blogueiros estavam explicando que a Google comprou a Frommer’s de Wiley porque queriam transformar conteúdo em metadados. Agora a Amazon está demonstrando muito bem por que isso é útil e importante.

3. Alavancando seus recursos de publicação e seu papel como a única livraria com uma audiência grande suficiente para distribuir uma massa crítica de leitores sozinha, estão apresentando a serialização por assinatura com o Kindle Serials. A investida inicial é modesta: uma seleção de oito romances em série com preço baixo distribuídos em pedaços de pelo menos 10.000 palavras. Mas este “teste”, o modelo de conseguir pessoas para comprar algo antecipadamente sabendo que será entregue em partes.

[Quando explorei a viabilidade do modelo de assinatura para ebooks, especulei que a única empresa que realmente poderia montar um esquema assim para leitores em geral seria a Amazon. Agora isso parece que está começando.]

Por um lado, isso lembra o sucesso do romance parcialmente autopublicado, chamado “Wool” de Hugh Howey. Mas também poderia ser a base para algo como o modelo “publicação ágil” de Dominique Raccah, que é um experimento ativo agora em sua empresa, a Sourcebooks, com o autor David Houle. A Amazon teria a grande vantagem de possuir uma audiência muito maior para “convidar” a uma experiência deste tipo e, quando você estiver dependendo da participação para o sucesso, poder apelar a mais pessoas é uma enorme vantagem.

4. A Amazon está subsidiando todos seus aparelhos com anúncios que funcionam como telas de proteção. Eles estavam inicialmente planejando mudar a prática anterior de oferecer aparelhos com preços mais altos para que os consumidores pudessem evitar os anúncios. O primeiro anúncio afirmou que todos os aparelhos vinham com propagandas, e sem uma opção “pague mais” para evitar isso. Apesar de a reação inicial ter aparentemente forçado uma mudança, e eles agora estarem oferecendo o Kindle Fire sem anúncios por $15 a mais, isso ainda abre uma série de outros pensamentos e perguntas.

Como alguém pode competir em termos de preços de aparelhos com um concorrente que não só tem o contato mais direto com clientes, mas que também consegue anúncios para subsidiar preços mais baratos?

Isso significa que a Amazon “sabe” que a maioria dos consumidores escolheriam economizar dinheiro e não ligariam para os anúncios?

Estão montando uma rede de comunicação para promover conteúdo e cobrar os criadores de conteúdo pelo equivalente a vitrines e balcões de entrada da nova geração?

Achei que a Google era a campeã de publicidade. Por que não pensaram primeiro nisso para o Nexus 7?

5. O recurso X-Ray da Amazon, que basicamente coleta metadados [caracteres, cenas] de livros e filmes, é um bloco de construção para distribuir resumos e esboços que poderiam ser um incrível recurso adicional único da plataforma. Poderia também ser um começo de conteúdo estilo “Cliffs Notes” de geração automática que poderia ter até uma taxa de compras separada.

6. A Amazon tinha construído um recurso de controle de pais em seu ecossistema Kindle chamado FreeTime, assim as crianças podem usar o aparelho e até obter conteúdo, mas só se for aprovado. Há iniciativas novas como Storia de Scholastic e a já veterana marca da PBS, Reading Rainbow, para o qual uma das propostas centrais é criar um ambiente de leitura para crianças com controles para adultos. Estas plataformas voltadas para crianças foram obviamente criadas para apresentar ambientes que pais e professores verão como superiores para incentivar a leitura de crianças. Eles, de repente, terão concorrência mais séria vinda da plataforma mais séria que existe.

E a Amazon inseriu uma app incrível, e que os outros provavelmente nem imaginaram: eles conseguem aparentemente controlar a quantidade de tempo que uma criança pode passar fazendo várias atividades em seu aparelho, assim os pais podem organizar o tempo de leitura, o tempo de filmes e de jogos. Tenho certeza que alguns pais vão ficar maravilhados com isso.

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A decisão da juíza Cote também é uma boa notícia para a Amazon e foi por isso que os jornalistas ligaram no dia da conferência de imprensa que anunciou tudo que escrevi acima. A análise completa de Michael Cader [sobre a qual escrevi umas poucas palavras a mais acima] esclarece o que ainda não sabemos sobre a velocidade e a complexidade da implementação, inclusive sobre se haverá um apelo e se a implementação será adiada de acordo com isso.

Mas parece que há boas chances de que muitos dos controles, que evitaram que a Amazon desse descontos nos livros de alto perfil nos últimos 18 meses, terminarão em um ou talvez dois meses, antes do Natal.

Acho que a Amazon vai dar descontos agressivos. Sua “marca” tem, entre outras coisas, a ver com “baixos preços para o consumidor”. E eles sempre usaram o preço como uma ferramenta para mercado. É provável que continuem assim.

O estabelecimento de preços não será feito por humanos; será feito por bots e algoritmos, respondendo ao que está acontecendo no mercado entre seus concorrentes todo dia. A Amazon é muito boa nisso; é o que fazem há anos. É presumível que a BN.com tem um conjunto similar de habilidades e ferramentas. É presumível que todo mundo exceto a Apple tenha de precificar competitivamente pelo menos seus livros comprados de distribuidoras.

A Apple foi protegida pelos MFNs que permanecem igual para todos, menos as editoras que firmaram o acordo. Mas sem esta proteção, como a Apple vai competir? Eles nunca tiveram de trabalhar com preços competitivos de produtos antes. Eu vou ficar bem impressionado se a Apple conseguir sair desta briga de preços que está por acontecer sem um olho roxo bem óbvio. Eles não foram treinados para isso.

No geral, isso poderia significar outra explosão de crescimento no mercado de e-books, que viu uma queda importante em sua taxa de crescimento no último ano. Não veremos os ebooks crescendo em dobro novamente, mas estamos a ponto de ver uma luta de preços digitais agressiva, que irá fazer com que todos os consumidores de livros impressos se perguntem se deveriam considerar fazer a mudança que os leitores pesados já fizeram.

Quando o acordo for implementado, as três editoras que assinaram o acordo terão os preços de seus livros cortados pelas livrarias, independente de seus preços de listas, e não importa o que negociem a próxima rodada de termos comerciais. Mas as três editoras que ainda podem usar os preços de agência – Random House, e a Macmillan e a Penguin, que ainda continuam o litígio – provavelmente descobrirão que serão forçadas a baixar os preços para manter seus principais livros competitivos. Pelo menos essa é a minha expectativa. Será muito interessante ver como isso vai funcionar nos próximos meses.

Preciso agradecer a meu sócio na Publishers Lunch Conference, Michael Cader, e suas habilidades como repórter do cenário editorial. Seus quatro posts na sexta-feira: sobre a decisão da juízasobre o que acontecerá como resultadosobre o novo hardware e sobre os vários recursos de leitura e consumo que foram assunto da maior parte deste post, comprimiram – de longe – a mais clara e mais profunda explicação de um conjunto incrível de informações complexas. Claro, Michael é mais do que um repórter do setor; ele é parte dela nos últimos 25 anos.

Eu realmente não entendo como os jornalistas que não têm o benefício desta base podem justificar não lê-lo. [Paga-se $20 por mês para fazer uma assinatura. Qualquer um que trabalha no mercado editorial não terá problemas com esta proposição de valor.] Eles certamente fariam um trabalho melhor se assinassem.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 11/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Aprovado acordo de precificação de eBook nos EUA


A juíza Denise Cote aprovou semana passada o acordo entre os promotores americanos e as editoras Hachette, HarperCollins, e Simon & Schuster no caso da precificação de e-book. Segundo o site Publishers Weekly, a aprovação do acordo era esperada, apesar de ter sido relativamente rápida. A American Booksellers Association se mostrou desapontada, “estamos colossalmente desapontados pois a juíza não conseguiu entender como os consumidores serão negativamente afetados por esta decisão”, informou a ABA ao site Publishers Weekly. Para quem não entendeu muito bem do que se trata exatamente, o site Paid Content colocou o caso em formas de quadrinho, que você pode ver aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 10/09/2012

Lista dos eBooks mais vendidos nos EUA


A Digital Books World, newsletter especializada em livros eletrônicos dos EUA, divulgou várias listas de mais vendidos do setor naquele país. A DGB , associada com a Iobyte Solutions, preparou uma lista geral dos vinte e cinco mais vendidos e quatro listas segmentadas pelo preço.

A curiosidade a ser notada é que, dos vinte e cinco títulos mais vendidos, 21 foram publicados pelas “seis irmãs”, as maiores do setor, e praticamente a metade [12 títulos] foram publicados por editoras que aplicam o modelo de agenciamento, e com preços acima de US$ 10,00 [US 12,00 é o mais comum], e apenas quatro estão no segmento de preço mais baixo [de Us$ 0,00 a 2,99].

Outro detalhe significativo é que apenas dois títulos foram publicados por editoras fora do grupo das seis maiores editoras americanas [Random House, Penguin, Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins]. A Scholastic – que não está entre as seis, mas é uma grande editora [publicou o Harry Potter nos EUA] emplacou dois títulos, e a Soho Press, essa sim, independente, um título.

Ao observar as listas divididas por categorias de preço, verifica-se que apenas no segmento de preço de US$ 3. a US$ 7,99 é que começam a aparecer as independentes, com três posições. E somente no segmento mais barato [de US$ 0,0 a Us$ 3] aparecem dois autores autopublicados, Sidney Landon e Lynda Chance. Esses dois, pelo título dos romances, aparentemente produzem “romance novels”, um segmento diferenciado nos EUA, por aqui representado pelos livros de banca tipo “Sabrina”. Etc.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 20 de agosto de 2012

O mercado do eBook está a ponto de mudar… muito


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Shatzkin explica a decisão da Justiça americana, e prevê suas conseqüências.

A resposta do Departamento de Justiça aos comentários públicos demonstra que é bastante provável que o acordo negociado com a Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster será aceitado pelos tribunais. É hora de contemplar as mudanças que veremos no mercado de e-books nos dois próximos meses.

O acordo exige que as três editoras informem as livrarias trabalhando sob modelo de agência que elas podem mudar se quiserem. Isso deve ocorrer dez dias após a decisão do tribunal. As livrarias têm 30 dias para terminar o acordo, e depois as editoras têm mais 30 dias, a partir do recebimento deste aviso, para terminar de vez com o contrato.

Assim, o processo pode ser quase instantâneo, se as editoras forem notificadas imediatamente, as livrarias responderem imediatamente e as editoras reagirem à resposta imediatamente. Ou pode demorar uns 70 dias a partir do julgamento do tribunal, se todos usarem o tempo inteiro destinado pelo julgamento.

Assumindo que a Amazon vá agir com competência e rapidez em seus próprios interesses [e eu tenho certeza que irão], todo o processo pode acontecer entre 40-45 dias. Isso deve liberar a Amazon da maioria das restrições de preços sobre os livros das três editoras que aceitaram o acordo a partir do meio de setembro.

Há uma certa confusão na linguagem do acordo aqui. No mesmo parágrafo, em IV-B, que coloca as exigências de 10, 30 e 30 dias como descritos acima, também diz que 30 dias após a “entrada no julgamento final” [o início de tudo], os réus devem tomar “cada passo” para terminar ou não renovar ou estender o acordo. Talvez a linguagem faça sentido a um advogado, mas eu estou confuso. Parece que estão pedindo resultado antes do primeiro período de 30 dias ter expirado.

O acordo judicial, que não elimina diretamente o modelo de agência [apesar de distorcê-lo muito], não permite que as editoras ditem os preços de vendas finais em novos acordos, exceto para colocar um máximo [vamos analisar isso mais à frente]. Ele também impede a existência de cláusulas que protejam qualquer livraria do impacto das decisões de precificação de seus concorrentes. Estas restrições são especificadas para durar dois anos para cada livraria, a partir da data em que o velho contrato for acertado, seja pelo fim do contrato, ou por uma notificação da editora.

Novos contratos devem ser pensados. Podem ser acordos de “agência”, onde a editora coloca um preço e paga uma comissão pelas vendas baseando-se neste preço. Mas, como os contratos de agência eram atrativos porque conseguiam o que agora é uma paridade ilegal de preços no mercado, estas editoras devem repensar a eficácia do modelo. Eu faria isso.

Assim, novos contratos entre as três editoras que fazem parte do acordo judicial e todas as livrarias deverão ser escritos, negociados e assinados dentro de um prazo máximo de 70 dias.

Qualquer um que se lembra da combinação de maratona e prova de velocidade que foram essas negociações em 2010 não estará planejando suas férias para os próximos meses.

Existe uma enorme questão em aberto no acordo. As editoras têm permissão de negociar com as livrarias acordos limitando descontos a partir dos preços [agora] sugeridos pelas editoras. O acordo permite que a editora proíba descontos em seus livros que, no agregado de mais de um ano, exceda a margem que a livraria ganhou nestes livros.

Em princípio, isso não é complicado. Se uma livraria “A” vende e-books por $1 milhão num ano e ganha $300.000 em comissões, ela precisa cobrar pelo menos $700.000 dos clientes por estes livros, senão estaria violando o contrato que o acordo judicial.

Na prática, monitorar e forçar isso poderia ser um pesadelo. Exige informar ou acompanhar as vendas de e-books, e os preços que estão sendo vendidos, de uma forma ainda mais exigente do que tem sido feito até agora. Mas mesmo com dados perfeitos, ainda é extremamente difícil garantir conformidade, especialmente se uma livraria estiver disposta a “gastar” toda sua margem de desconto.

Isso também significa que as livrarias não podem trabalhar apenas com bots para estabelecer preços. Não basta a Livraria “A” monitorar os preços da Livraria “B” e automaticamente ajustar o seu preço, pois as Livrarias A e B não estão vendendo a mesma quantidade de outros livros de cada editora e, portanto, não possuem o mesmo “orçamento” para desconto. É um jogo da velha tridimensional. As livrarias precisam monitorar os concorrentes e, ao mesmo tempo, comparar como seus descontos aos consumidores estão somando às compensações que estão ganhando com as vendas acima do custo para cada uma das três editoras incluídas no acordo judicial.

E as editoras precisam acompanhar as vendas de cada uma das livrarias, presumindo que receberão os dados que agora não têm acesso, para ter certeza que cada uma permanece abaixo do teto.

Não podemos assumir muitas coisas aqui. As regras do acordo permitem que uma editora negocie um teto de desconto baseando-se na margem total, mas não exige que uma livraria concorde com ele. E não há nenhuma punição especificada para uma livraria que não respeite o teto, então isso terá de estar nos contratos que serão negociados.

O Departamento de Justiça acertou ao considerar que todo o modelo de agência não funciona se não for aplicado entre as Seis Grandes. A Random House mostrou isso no primeiro ano de agência, quando ficou de fora e colheu os frutos imediatos. Ao manterem seu modelo de preço de distribuição [no qual a livraria fica com 50% de um preço alto e pouco realista de e-book], eles ganharam mais dinheiro por cada cópia vendida do que teriam feito sob o modelo de agência [através do qual a livraria só recebe 30%, mas de um preço mais baixo e realista]. E, ao mesmo tempo, os e-books da Random House se beneficiaram dos agressivos descontos [liderados pela Amazon, mas seguido por outras livrarias] com os quais seus títulos mais populares, únicos entre o conjunto competitivo das Seis Grandes, eram oferecidos ao consumidor.

Na verdade, a Apple deixou claro para as editoras, quando foram recrutadas pela iBookstore, que a loja só abriria se pelo menos quatro delas assinassem o contrato. A Apple provavelmente estava pensando que sem ter uma massa crítica de títulos mais vendidos, a loja não teria apelo e não valeria a pena entrar em operação. O que as editoras podem ter pensado é que, se houvesse muitos títulos das Seis Grandes com desconto porque eles não estivessem cobertos pelas regras de agência, os que não estivessem perderiam muito.

Parece que a necessidade de uma ação combinada para fazer o modelo de agência funcionar é um elemento central no pensamento do Departamento de Justiça de que houve um conluio entre as editoras para que ele fosse implementado. Mas as alegações específicas do conluio [a reunião de Picholine que aconteceu muito antes de que alguém estava pensando em modelo de agência ou numa livraria da Apple e os vários exemplos onde as editoras supostamente contaram um ao outro se eles iam entrar ou sair do programa] parecem muito fracas, especialmente quando sabemos que todas elas conheciam “todas as lojas”.

Com a leitura do acordo judicial, temos a impressão de que veremos muitas diferenças nos contratos substitutos. As suspeitas do Departamento de Justiça foram levantadas pela grande similaridade entre os contratos de modelo de agência, e eles parecem estar pedindo para que não sejam tão parecidos quando forem renegociados.

Isto poderia levar a um bom número de mudanças. As editoras poderiam voltar ao modelo de distribuição. Ou poderiam tentar mudar a comissão do modelo de agência, agora fixados de forma uniforme em 30%. Até parece que está sendo dito às editoras que as comissões não precisam ser uniformes entre todas as livrarias [apesar de que negociar termos diferentes parece violar o espírito da Lei Robinson-Patman que uma geração anterior de editores cresceu acreditando que deveriam dar os mesmos termos a todas suas livrarias. Entretanto, há uma exceção na lei para relacionamentos contratuais.]

Na verdade, há uma linguagem no acordo que parece voltada a impedir que as editoras revelem os detalhes desses acordos para que os concorrentes não possam descobri-los. [Pode-se assumir que um agente com clientes em mais de uma editora seria capaz de descobrir os termos comerciais dos pagamentos de royalties. Na verdade, poderíamos assumir que um agente responsável não estaria esperando o pagamento de royalties para descobrir isso.]

As editoras terão de negociar novos contratos. As outras editoras trabalhando com modelo de agência [Macmillan e Penguin, que continuam lutando judicialmente e não aceitaram o acordo, e a Random House, desfrutando de mais um grande benefício por ter ficado de fora do modelo no início e portanto não podendo ser incluída no argumento de conluio] terão de repensar seus preços quando virem o que acontece com as mudanças no mercado.

Seguramente, uma das histórias do Natal de 2012 será sobre até que ponto as editoras com modelo de agência diminuiram os preços, em relação ao que lhes foi permitido, para encarar a concorrência, lideradas pela Amazon.

Lembrem-se que a restrição de desconto permitida é um número anual. Há um bom número de estratégias que a Amazon poderia seguir [e presumo que são espertos para escolherem a correta], mas se escolherem aproveitar ao máximo este Natal, poderiam cortar muito os preços – digamos abaixo “do custo” — e tentar criar a margem nos 9 meses que irão sobrar deste primeiro ano do contrato.

Independente do que fizerem, as editoras com modelo de agência terão de responder em seus preços também.

É uma previsão igualmente segura de que uma consequência disto será que o autores novatos vivendo dos baixos preços perderão espaço no mercado. Isso não será tão óbvio e ninguém realmente vai perceber.

Naturalmente, B&N e Kobo também terão que descobrir uma estratégia de preços e uma forma para executá-la.

A Apple precisa repensar completamente o que vai fazer como livraria, porque os preços estabelecidos por editoras foram bastante prejudicados, e eles parecem que nunca quiseram fazer isso.

E eu tenho de repensar novamente se minha convicção de que as editoras precisam vender diretamente ao consumidor final se sustenta num mundo onde a Amazon é livre para virar suas armas dos preços contra qualquer concorrente e fazer com que se pareçam a mafiosos realizando extorsões, não importa qual preço cobrem dos consumidores por seus ebooks.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Penguin volta a oferecer eBooks em bibliotecas


Editora vai disponibilizar títulos novos seis meses após terem sido lançados

Mais de quatro meses após ter retirado seus lançamentos digitais das bibliotecas americanas, a Penguin vai voltar a oferecê-los em agosto em duas instituições: a Biblioteca Pública de Nova York e a Biblioteca Pública do Brooklyn, por meio de um programa piloto de um ano, que poderá ser renovado. O acordo com as bibliotecas diz que elas poderão alugar 15 mil títulos do “frontlist” da Penguin, mas apenas seis meses depois de eles terem sido lançados. Tim McCall, vice-presidente de marketing e vendas on-line da companhia, disse ao Wall Street Journal que esse embargo tem o objetivo de “evitar que os e-books nas bibliotecas diminuam outras vendas”. Já o prazo de validade de um ano foi “planejado para imitar a vida útil de um livro impresso na prateleira”. As informações são do Publishers Lunch. Outras editoras já reviram suas políticas de venda de e-books a bibliotecas, como a Random House, que aumentou significativamente seus preços, e a HarperCollins, que limitou o número de alugueis a 26 por cópia.

PublishNews | 21/06/2012