Random House ganha batalha contra Andrew Wylie


A Agência Wylie vai tirar treze dos vinte títulos da lista de e-books da Odyssey Editions após chegar a um acordo com a Randon House, editora dos livros impressos. Markus Dohle, presidente e CEO da RH, e Andrew Wylie, presidente da Agência Wylie, declararam em depoimento conjunto que as duas empresas “resolveram” suas diferenças em relação aos títulos que faziam parte do programa de edição de e-books da Odyssey Editions: “Esses títulos estão sendo tirados do programa e não estarão mais à venda. Concordamos que a Random House deve ser o editor exclusivo para e-book desses títulos nos territórios onde a Random House US controla os direitos.” Segundo o Financial Times, o acordo não ofereceu nenhuma condição especial.

Por Philip Jones | The Bookseller | 25/08/2010

Digitais e gratuitos


Eis uma charada: como fazer com que seu livro emplaque na lista de mais vendidos do Kindle? Resposta: Dê exemplares de graça.

É isso mesmo. Mais da metade da lista dos “mais vendidos” no Kindle, o leitor de livros eletrônicos da Amazon.com, estão disponíveis gratuitamente. Embora alguns dos títulos sejam versões digitais de livros de domínio público – como Orgulho e preconceito, de Jane Austen – vários deles são de autores que ainda lutam para ganhar a vida com seu trabalho.

Ganhe um, compre outro Na semana passada, por exemplo, o primeiro e o segundo lugares na lista de mais vendidos do Kindle eram respectivamente Cape Refuge e Southern storm, ambos escritos por Terri Blackstock, autora de thrillers cristãos. O preço: US$ 0.

Até o fim do mês, a editora de Terri, a Zondervan [uma divisão da HarperCollins], oferece a oportunidade de baixar de graça os livros para serem lidos no Kindle, em celulares como o iPhone ou em computadores com o sistema operacional Windows.

Editoras como a Harlequin, Random House e Scholastic oferecem versões gratuitas de livros digitais à Amazon, à Barnes & Noble e outras livrarias, como uma forma de permitir aos leitores testarem o trabalho de autores pouco conhecidos.

A esperança é que os clientes gostem do que vão ler e fiquem dispostos a pagar em dinheiro por um outro título.

– Dar amostras grátis é uma ímtima maneira de cativar as pessoas e encorajá-las a comprar mais – diz Suzanne Murphy, editora da Scholastic Trade Publishing, que, pelo prazo de três semanas, está oferecendo downloads gratuitos de Suite Scarlett , romance destinado a adolescentes e jovens. A esperança é despertar a atenção sobre o próximo volume da série, Scarlett fever, que será lançado (em papel) em 1º de fevereiro. O livro gratuito chegou à terceira posição na lista de best-sellers do Kindle.

As oferendas digitais gratuitas chegam no momento em que as editoras estão em pânico sobre a questão do preço dos e-books. A Amazon e outras livrarias virtuais estipularam o preço de US$ 9,99 [cerca de R$ 18] para lançamentos e best-sellers. E as editoras agora se preocupam que esta faixa de preço crie nos consumidores a ideia de que não vale mais a pena pagar, digamos, US$ 25 [cerca de R$ 45] por um lançamento em capa dura ou mesmo US$ 13 [R$ 22] por uma brochura. Algumas editoras tentam controlar os preços segurando o lançamento das versões digitais de livros de sucesso por vários meses.

Executivos de algumas editoras dizem que dar livros de graça não passa de hipocrisia.

– Numa época em que estamos resistindo a aceitar o preço de US$ 9,99, é ilógico oferecer livros de graça – diz David Young, executivochefe da Hachette Book Group, que lança autores como James Patterson e Stephenie Meyer.

Similarmente, um representante do Penguin Group USA afirma em nota oficial: – A Penguin nunca deu nem dará livros gratuitamente.

Sentimos que o valor do livro é importante demais.

Mas algumas editoras consideram que os livros digitais gratuitos são puras ferramentas promocionais, que funcionam do mesmo modo que as provas distribuídas a livrarias e jornalistas para chamar a atenção e criar boca-a-boca sobre determinados autores.

– A maioria das pessoas compra um .llivro porque alguém o recomendou – diz Steve Sammons, vice-presidente executivo de relações com o consumidor da Zondervan.

A Amazon [e as outras livrarias digitais] não lucra nada com os livros grátis. Mas eles são um modo de atrair consumidores para seus aparelhos de leitura digital.

E-books gratuitos também são uma maneira que os autores menos conhecidos encontraram para se distinguir do turbilhão de marketing que envolve os livros mais populares.

Competição acirrada – Você precisa se mostrar às pessoas, porque há muita competição – diz Maureen Johnson, autora de Suite Scarlett e outros sete livros. – As pessoas vão a uma livraria e veêm 4 mil livros com o rosto de Robert Pattinson na capa [referindo-se à série Crepúsculo, que foi relançada em novos volumes com os atores dos filmes homônimos na capa].

Meus livros ficariam enterrados debaixo deles.

E se um eBook gratuito chega ao topo da lista de mais vendidos do Kindle ou da Barnes & Noble, isso automaticamente dá a seu autor mais visibilidade.

– Chegar ao nº1 de qualquer lista de best-sellers cria publicidade por si só – diz Brandilyn Collins, que escreve romances de suspense. Seus livros Exposure e Dark pursuit chegaram ao primeiro e segundo lugares entre os mais vendidos do Kindle [e ainda estão disponíveis gratuitamente].

Jornal do Brasil – 25/01/2010 – Por Motoko Rich – The New York Times