Iba desiste dos eBooks


Empresa focará no serviço de assinatura de revistas

O dia está agitado no mundo da leitura digital. Não bastasse o anúncio oficial do lançamento do LEV pela Saraiva, o iba prevê para o final de agosto o fim das comercializações de e-books. A empresa, que integra o Grupo Abril, disse em comunicado que focará seu negócio exclusivamente na venda de assinaturas digitais de revistas, segmento que já conta com 570 mil assinaturas. O iba garante que os leitores de e-books que adquiriram publicações na loja continuarão com acesso integral aos conteúdos comprados por meio dos aplicativos iba, mantendo os mesmos prazos e condições acordados no momento da compra dos produtos.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 05/08/2014

Oito questões sobre as bibliotecas digitais


Joana Monteleone, da Alameda Editorial, analisa o fenômeno que tem dado o tom do mercado editorial nesse momento

A mais recente tendência do mercado de livros eletrônicos, tanto no exterior  quanto no Brasil, é a busca de composição de acervos de bibliotecas digitais. A principal diferença em relação ao modelo de livrarias é que passamos da figura do consumidor de livros para a do usuário de bibliotecas.

Essa diferença não é irrelevante. Provavelmente, os dois modelos conviverão. Mas para que ambos deem certo, é preciso pensá-los em suas especificidades.

No Brasil, há pelo menos três projetos privados significativos em andamento. Todos focam, essencialmente, possíveis compras do poder público, mas também estão em busca do usuário individual, em e-readers, tablets e telefones celulares. São eles o da Nuvem de Livros, da Gol Mobile [em operação]; o Biblioteca Xeriph, ligado ao grupo Abril [em lançamento]; e o Árvore de Livros, representado por Galeno Amorim, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional [em gestação].

Listamos abaixo oito questões que consideramos relevantes para pensar as bibliotecas digitais.

1. Biblioteca digital não substitui biblioteca física. Ambas são experiências importantes, mas complementares. O Ministério da Educação, que tem a missão de conduzir o cumprimento da Lei da Biblioteca Escolar [12.240/10], sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a gestão de Fernando Haddad como ministro da Educação, não pode abusar do artigo 2º, que permite o uso de vários suportes, para ignorar o fato de que escola sem biblioteca física operando é escola ruim. O grande desafio de melhorar a educação nacional passa por não fingir que gadgets eletrônicos são uma espécie de emplastro Brás Cubas, que tudo cura.

2. Quando o consumidor ou o governo compra um livro, ele adquire um conteúdo específico, unitário. Quando o assunto é biblioteca, busca-se um acervo. Uma livraria vive muito dos livros da estação, que todos querem ler; uma biblioteca é útil quando sua coleção é representativa, seja pela especificidade, seja pela variedade. Uma livraria não deve ignorar a bibliodiversidade [muitos autores, editores, públicos e coleções diferentes], se quer manter um público cativo; uma biblioteca simplesmente não pode.

3. Os editores independentes, boa parte deles reunidos na Libre, mas não apenas, representam o maior e mais diversificado acervo de livros comprados pelas melhores bibliotecas públicas e privadas. Qualquer modelo de livraria digital sério tem de reconhecer este valor, dialogar com esses editores e remunerá-los pela qualidade e importância de seus catálogos. Quem privilegiar apenas os grandes grupos se parecerá com um catálogo de best-sellers, não com uma biblioteca.

4. Livraria não é mídia, é ponto de venda. Biblioteca não é ponto de venda, é espaço de consulta e estudo, muito mais do que de lazer. E isso é bom. Biblioteca que seguir a lógica de ponto de venda não vai funcionar, assim como crescem rápido, mas paradoxalmente afundam, sobretudo culturalmente, mas também do ponto de vista de sustentabilidade econômica, livrarias que vendem espaços como se fossem outdoor.

5. Remunerar bem apenas quem é mais acessado é reproduzir na biblioteca a lógica da livraria que vende espaço de mídia. Ou seja, o pior dos mundos.

6. Um dos motivos do fracasso relativo da biblioteca pública como instituição nacional, amplamente difundida no território do país, é que muitos políticos as entendem como depósito de livros, e o usuário é visto primeiro como potencial ladrão de exemplares do que como alguém que acessa o serviço público. O mínimo que se espera do universo eletrônico é que ele proporcione conforto ao usuário, e excesso de restrições não vai ajudar as bibliotecas digitais a se popularizar.

7. Numa biblioteca digital, o usuário não pode ter as mesmas restrições que numa biblioteca física, como pegar fila para acessar um livro ou ter pouco tempo para ler uma obra. Aliás, o ideal é que nesse novo mundo, o tempo não seja uma questão.

8. A prestação de contas aos fornecedores e usuários tem de ser, ao mesmo tempo, a mais simples e detalhada possível. As bibliotecas são, tradicionalmente, um espaço de questionamento e transparência. Criar uma relação de confiança entre todos os envolvidos é fundamental.

Por Joana Monteleone | PublishNews | 21/02/2014 | Joana Monteleone, historiadora, é editora da Alameda.

Pedras no caminho


Até um gigante do varejo como a Amazon sofre para se viabilizar comercialmente sob o impacto do custo Brasil

Amazon

Ao anunciar sua entrada no mercado editorial brasileiro, em 6 de dezembro de 2012, a Amazon, gigante americano da venda on-line, apostava que aquele seria o Natal do Kindle, o pequeno leitor digital que dá acesso a um universo de milhões de livros. Mas não foi. 0 primeiro obstáculo apresentou-se logo na largada: o lote inicial ficou retido na alfândega de Vitória, no Espírito Santo, aguardando liberação da Anatel, e só pôde começar a ser vendido duas semanas depois. De lá para cá, tem sido uma dificuldade atrás da outra. Imprensada entre os impostos altíssimos — por causa deles, seu leitor aqui é o mais caro do mundo —, os labirintos da burocracia, a feroz resistência das livrarias e a falta de mão de obra especializada [a vaga do número 2 da operação levou meses para ser preenchida], a Amazon, um portento com faturamento de 61 bilhões de dólares em 2012, completou um ano de atividade no país em marcha lenta. Trata-se de um caso emblemático de como o custo de fazer negócios no Brasil pode minar as intenções até mesmo de uma empresa que tem poder de vida ou morte em seu setor.

Apenas 60 000 Kindles foram vendidos até agora no Brasil, contra 3 milhões de iPads. Um problemão, já que o Kindle representa arma indispensável na fidelização de clientes: é fácil de carregar, fácil de ler em qualquer lugar e nele é facílimo fazer download dos milhões de e-books à venda na Amazon — este, seu negócio mais lucrativo na livraria. Erro de estratégia? Não exatamente. A Amazon sabia o que a esperava — preparava a vinda desde 2009 —, só que o chamado custo Brasil saiu mais caro do que o previsto. O peso dos impostos é um bom exemplo. A empresa tinha plena consciência dele, tanto que contratou Welber Barrai, ex-secretário de Comércio Exterior do governo Lula, para batalhar no Congresso por um projeto de lei que, em nome da cultura, isenta o Kindle de impostos; o lobby deu resultado no Senado, mas ainda se arrasta na Câmara. Com isso, o preço ficou nas alturas: o Kindle simples está custando 299 reais. O mesmo aparelho sai pelo equivalente a 260 reais na Inglaterra, 180 reais na França e 150 reais nos Estados Unidos. “Se zerarem os impostos, como aconteceu em outros países, o preço se reduziria 60%“, afirma Alex Szapiro, presidente da Amazon no Brasil.

Além de caro, o Kindle é difícil de encontrar. As livrarias brasileiras se recusam a vendê-lo, sob o argumento [justificado, aliás] de que a Amazon é uma máquina de preços baixíssimos que já levou à falência redes tradicionais. Em demonstração explícita do exacerbado protecionismo do mercado, Marcílio Pousada, ex-presidente da Saraiva, a maior rede de livrarias do país, chegou a telefonar para os donos de editoras ameaçando boicotar quem firmasse contratos favoráveis demais com a Amazon.

Quiosques montados em shoppings fecharam por falta de compradores, e s agora a empresa parece enfim, a ponto de firmar com fornecimento com uma grande rede varejista. Também emperra os negócios da loja virtual brasileira o fato de que, dos 2 milhões de títulos oferecidos, apenas 30000 são em português. Por causa, em parte, da pressão das livrarias e, em parte, de sua própria inação, até recentemente o e-book não era prioridade nas editoras. A Amazon veio sacudir essa morosidade. Para atenuar a preocupação dos livreiros e estimular a produção de livros digitais, a empresa aceitou até uma cláusula inédita em seus contratos; nas promoções que fizer, o preço do e-book, que já é 30% menor que o do livro de papel, pode baixar no máximo 10% — nos Estados Unidos, não há limite.

Atualmente, todo novo título lançado no Brasil tem seu equivalente digital, mas poucos dos antigos estão disponíveis. “O problema é que renegociai- velhos contratos dá muito trabalho“, explica Ricardo Garrido, diretor de operações do iba, empresa do Grupo Abril que produz e comercializa títulos digitais. Diante de tantos entraves, a média diária de e-books baixados na loja brasileira da Amazon não passa de 3 000, e a operação representa apenas 1% do faturamento global da empresa — mesmo assim, ela é líder de vendas de livros digitais no Brasil [detém 40% do mercado], seguida da Apple [20%] e do Google [10%]. Outra luta inglória, esta não só da Amazon, tem sido travada contra a pirataria. No ano passado foram rastreados 108279 links para downloads ilegais de livros por brasileiros, quase 50% a mais do que em 2012, de acordo com a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos.

Criada em 1994 para vender livros físicos on-line, a Amazon comercializa de ostras a motor de lancha e tem livrarias virtuais em treze países. Em busca de alternativas agora que as vendas de e-books deixaram de aumentar em praças tradicionais, como Estados Unidos e Inglaterra [onde correspondem a 20% do faturamento das editoras], e avançam lentamente em outras, como França e Alemanha, a empresa decidiu apostar em economias emergentes; são mercados difíceis, mas promissores, como México, índia. China e o próprio Brasil. Por aqui, somente 3% dos livros vendidos são digitais. Impávida diante dos obstáculos, já anunciou que em março ou abril começará a vender livros físicos aqui, comprando nova briga com as editoras — para escapar do Judiciário brasileiro, a empresa tenta emplacar uma cláusula segundo a qual qualquer desacordo será decidido em câmaras de arbitragem, e em inglês. Aos leitores, só resta torcer por um acordo que lhes traga livros mais baratos e mais acessíveis.

Por Thiago Prado | Revista Veja | 27/01/2014

Grupo Summus investe em livros digitais


O objetivo é alcançar 50% do catálogo em formato digital

Grupo Editorial SummusO Grupo Editorial Summus chega ao final de 2012 com cerca de 100 livros em e-book, sendo boa parte em formato ePub. O grupo firmou parceria com as maiores livrarias digitais, como Livraria Cultura e Kobo, Gato Sabido, Iba [do Grupo Abril], Saraiva, Amazon, Google e Apple. A Summus aposta no lançamento simultâneo do títulos nacionais em livro impresso e e-book – a meta é ter pelo menos 50% do catálogo de mais de mais de mil títulos no formato eletrônico até o fim de 2013 e com isso aumentar em 10% o faturamento do grupo com a venda de livro digitais. Entre os e-books mais vendidos está o título Deixar de ser gordo (selo MG Editores) do psicoterapeuta Flávio Gikovate.

PublishNews | 12/12/2012