O futuro dos dicionários


Por Ednei Procópio

Pessoal, descobri um dicionário sensacional. Trata-se de um mashup, uma aplicação web, personalizado, que usa conteúdo de mais de uma fonte e cria um serviço completamente novo. O dicionarioportugues.org usa os serviços da Google Search, Wikipédia, Google Books, etc. Acesse o dicionarioportugues.org e façam um teste! O mercado editorial precisa de avançar um pouco mais nas ideias, pois o futuro aponta para um modo completamente descentralizado no oferecimento de produtos editoriais.

Metadata for Dummies


Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Colofão | 10 de dezembro de 2014

Pessoas e empresas que atuam no ramo editorial também estão vivenciando a era das palavras-chave [as chamadas keywords]. Em um novo e rico cenário onde esse atributo se torna um importante ator na busca por produtos e serviços, um leitor não conseguirá adquirir, consumir ou ler um livro, se não souber, no mínimo, da existência da obra.

Com o aprimoramento e a democratização da Tecnologia da Informação e Comunicação, as antigas barreiras para a criação, a publicação e a comercialização de livros se romperam. Em uma época em que o marketing digital domina o mercado, a aquisição de uma obra poderá estar condicionada também à qualidade empregada no tratamento dos dados sobre os livros, não somente ao conteúdo da obra em si.

Antes do advento da chamada Web 2.0, e mais tarde da Web Semântica, onde as palavras-chave ou as tags se tornariam itens de real importância na classificação de páginas, posts e produtos digitais, havia a necessidade de cadastro das nossas páginas na Internet em cada um dos buscadores até então disponíveis. Hoje, porém, através das poderosas ferramentas de SEO [Search Engine Optimization, ou otimização para mecanismos de buscas] é possível recorrer aos modernos e poderosos robôs de pesquisas para que encontrem e mostrem o conteúdo de produtos que nós, escritores e editoras, queremos divulgar, utilizando a semântica das palavras-chave.

Um dos pontos cruciais na atual questão da divulgação dos livros é a identificação dos dados sobre a obra. Sem uma identificação e classificação precisa dos dados sobre o livro, o produto não será encontrado nos diversos sistemas de buscas em bibliotecas, livrarias, sites, redes sociais especializadas etc.

I know

Os metadados são os conjuntos de dados e informações sobre os livros. Eles permitem não só que as ferramentas de Tecnologia da Informação e Comunicação busquem livros através de palavras-chave, como também identifiquem o valor de cada dado encontrado pelo usuário/leitor.

Para o website Last.fm, por exemplo, a palavra-chave identificaria o nome de um dos compositores da canção . Na ferramenta de busca do Google Play, ou Google Books, no entanto, a palavra-chave identificaria o nome do autor do livro . Através dos metadados, no entanto, os sistemas não só reconhecem como o título de um livro, e como o título de uma canção, mas também reconhecem estes dados como sendo uma identificação de objetos, de produtos digitais, de arquivos contendo música e livro. O que permite uma inteligência maior nas informações buscadas, encontradas e mostradas pelos mecanismos de pesquisa.

Esta seria uma das principais aplicações dos metadados voltados ao mercado editorial: dar valor e função a uma determinada palavra-chave para que cada dado tenha vida própria e identificação precisa.

Uma vez que sistemas inteligentes de mapeamento reconhecem como sendo um livro em si e não apenas o título de uma obra, seria mais fácil no futuro, por exemplo, permitir a rastreabilidade de livros digitais em suas versões piratas. Esta é, inclusive, uma aplicação prática em que o próprio Google poderia atuar através de filtros e seleção de conteúdo.

I like

O mercado editorial, já amplamente globalizado, sofre da oferta excessiva e generalizada de conteúdo para livros. Há livros demais sobre todos os gêneros e assuntos. Somente no Brasil, por exemplo, são lançados aproximadamente cerca de 20 a 26 mil títulos a cada ano, entre novas edições e reedições. Com o advento dos livros digitais, e vencidas algumas barreiras que não vêm ao caso neste artigo, a oferta de títulos à venda tende naturalmente a multiplicar-se com o tempo.

Mas e a demanda? Como o leitor pode saber se um determinado livro, encontrado através dos mecanismos de busca na Internet, está sendo vendido na versão impressa ou digital? Através dos metadados. Botões e banners que piscam só ajudam na tomada da decisão, não ajudam os leitores a encontrarem os formatos desejados para o consumo e leitura.

Enquanto há livros demais, os leitores já habituados ao consumo não encontram os que gostariam de ler. O excesso na oferta e a avalanche de informações desencontradas atrapalham a procura e o consumo dos mesmos produtos editoriais que gostaríamos de vender. É uma espécie de concorrência, indireta, mas que interfere diretamente quando uma editora busca atingir um determinado público-alvo.

Neste cenário de livros demais, o leitor só terá a oportunidade de decidir sobre a compra se mantiver um contato mínimo com o novo livro, lançamento ou com os demais títulos em catálogo. No caso de sites, a oferta de dados completos sobre a obra [incluindo a capa, um sumário e até um trecho] ajudaria em muito na tomada de decisão. Mas esta oferta seria apenas o início. Os canais de venda que estão conseguindo utilizar bem as ferramentas de marketing digital voltado ao mercado editorial, com a aplicação dos metadados, são hoje os canais com mais procura pelos leitores.

I want

Citando o estudo que realizei para o meu último livro “A Revolução dos eBooks” [Senai-SP Editora, 2013], as tiragens das atuais edições dos livros impressos são cada vez menores em comparação às edições de uma década atrás. Os catálogos das editoras, porém, são cada vez maiores em números e também mais ricos. Uma vez que a oferta de livros está crescendo, fica cada vez maior o desafio das editoras e autores de levar as suas obras e catálogos aos leitores.

Estimo que, até o final deste ano, sejam catalogadas, através de escritórios e bibliotecários que oferecem este tipo de serviço, cerca de 30 mil obras, no total, muitas das quais já em versão digital. Com mais opções de obras à venda, o leitor terá maior interesse em adquirir livros cuja existência e disponibilidade ele reconheça e com que, de algum modo, teve algum contato. Se o leitor não tiver a oportunidade de folhear a versão impressa da obra, deve pelo menos ter contato com a versão digital, encontrada, quase sempre, através dos ricos metadados.

I need

Os metadados podem ajudar o leitor a encontrar os livros que quer e precisa ler, para o aperfeiçoamento do seu trabalho ou mesmo para o entretenimento. Um exemplo bastante prático da utilização dos metadados aplicado ao universo dos livros é a do website “Todos tus libros” [www.todostuslibros.com], um case desenvolvido na Espanha.

Através do “Todos tus libros” é possível visualizar a capa dos livros, as informações mais básicas sobre a obra [como autor, editora, resenha, primeiro capítulo etc.], mas também é possível buscar pelas livrarias físicas da região onde o leitor se encontra e onde ele poderia comprá-los. Ou seja, definido o livro, o sistema mostra o endereço e o mapa onde o exemplar se encontra à venda.

I have

Os metadados podem ajudar as editoras a organizarem os seus catálogos. Mas quais seriam então os principais dados no caso dos livros? Os principais dados que facilitariam a pesquisa e busca das obras seriam:

#Título da obra
#Autor da obra
#Assunto/categoria/matéria
#Resenha
#Conteúdo rico [trecho da obra, sumário]

Alguns outros dados, menos bibliográficos e mais comerciais, também são considerados como itens obrigatórios quando se trata de metadados de livros:

#Número de páginas
#Preço
#Formato
#Disponibilidade
#Amostra

Através de um website como o “Todos tus libros”, editoras brasileiras podem compartilhar todos estes ricos dados de seus catálogos com distribuidoras, livrarias, bibliotecas e desenvolvedores de soluções para o mercado editorial em geral.

O maior desafio do mercado hoje é realmente estar preparado para atender toda a demanda, tanto em vendas de livrarias físicas quanto em livrarias e bibliotecas online. Não basta apenas que os livros sejam diariamente lançados às estantes, é preciso, para que os exemplares não fiquem parados nos estoques, que todas as obras possam ter os seus dados mapeados com precisão pelas ferramentas de busca para que a procura e o contato com os livros se reverta em vendas para todo o setor.

A tecnologia de metadados aplicada aos livros pode ajudar o mercado a escoar melhor os seus catálogos utilizando as mais modernas ferramentas de comunicação e divulgação de obras.

Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Colofão | 10 de dezembro de 2014

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio


POR EDNEI PROCÓPIO

Hoje, terça-feira, dia 25, às 18h30, estarei lançando [simultaneamente em versão impressa e digital] o meu terceiro livro sobre os eBooks. Será na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, aqui em São Paulo, e tenho o prazer convidar os colegas que acompanham este blog.

Na ocasião, ministrarei uma palestra sobre assunto onde tratarei dos dois eixos centrais que considero importante para a boa manutenção do mercado editorial brasileiro. O primeiro seria o eixo econômico, aquele que viabiliza e sustenta toda a cadeira produtiva do livro. E o segunda eixo é o político que, inevitavelmente, precede o primeiro quando se trata de políticas públicas voltadas ao livro em especial as bibliotecas públicas digitais, os livros digitais didáticos, etc…

Nos meus primeiros dois livros, eu já havia tratado e, de certo modo, refletido toda uma revolução tecnológica prevista por inúmeros especialistas como Michael Hart, Don Tapscott, Chris Anderson e Tim Berners-Lee, líderes que aprecio e cujas ideias projetaram as mídias digitais ao mainstream.

Costumo sempre reafirmar em minhas palestras, cursos e entrevistas que esta revolução tecnológica não só, finalmente, alcançou o mundo dos livros como também transformou profundamente a realidade de seu mercado criando novos horizontes, possibilidades e, claro, desafios. E a questão central agora são exatamente os desafios. O mercado editorial, mesmo com sua consagrada manufatura de produção cultural, alcançou níveis alarmantes de riscos em seu histórico modelo de negócios.

Modelo de negócios para os livros digitais é, portanto, neste meu novo livro, a preocupação central. Nele, faço uma análise profunda do futuro mercantil dos livros frente a uma iminente revolução causada pelo advento da Internet. Em “A Revolução dos eBooks” busco desmistificar os livros digitais usando conceitos básicos que ajudarão profissionais a desbravarem o que considero como um cenário único de oportunidades.

Nos vemos lá! Eddie

Construindo uma Biblioteca Digital Escolar


Por Ednei Procópio

Por Ednei Procópio

Atualmente, ouço muitas pessoas dizendo que “é preciso colocar a mão na massa” quando tratam do tema eBook. Por um lado, isso é realmente importante, verdade, mas, por outro, é a primeira vez, em anos, que percebo mais gente dizendo que “é preciso colocar a mão na massa“, do que gente que realmente colocou a mão na massa durante todo esse tempo.

Nascida na década de 1990, a Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro [mais tarde anexada ao Portal Domínio Público] foi uma das primeiras plataformas brasileiras, juntamente com a eBooksBrasil.org [e minha antiga eBookCult, nascida em 2001], a incentivar e tentar um modelo para operacionalização das chamadas bibliotecas digitais. Praticamente duas décadas depois, o tema volta ao cerne das discussões mais uma vez acompanhada de uma velha-nova tentativa de se testar e estabelecer um novo-velho modelo de mimetizar as tais bibliotecas em um cenário digital. Felizmente, porém, o cenário agora se mostra bem mais favorável. Tão favorável que praticamente a totalidade das ferramentas disponíveis são hoje commodities.

Em meu primeiro livro, “Construindo um Biblioteca Digital“, escrito em 2004 [ou seja, há exato uma década atrás] cito exemplos de bibliotecas que estavam no ar testando a internet, traço um cenário para o desenvolvimento de uma biblioteca digital usando as ferramentas disponíveis naquela época de web 1.0.

Aqui, este meu novo artigo [necessariamente extenso], escrito em meados de novembro de 2013, apenas reforço os itens que considero essenciais à construção de uma biblioteca digital, desta vez, voltada ao universo escolar. Este artigo é voltado também ao encorajamento daqueles que pretendem iniciar a criação de sua própria biblioteca digital escolar. Iniciativas de todos os lados são bem-vindos, é claro, mas considero ainda mais importante aprendermos a construir as nossas próprias soluções a fim de criarmos um ambiente bem mais pulverizado, menos concentrado, mais criativo e dinâmico.

O novo cenário

A tecnologia está focando a educação. Recentemente a Google lançou a plataforma educativa YouTube Edu, com 8 mil videoaulas gratuitas [de vinte e seis canais brasileiros]. A plataforma é voltada para estudantes, educadores e colégios do ensino médio, inicialmente.

Pouco tempo depois, a mesma Google também anunciou uma parceria com o governo de São Paulo para capacitar, em 2014, cerca de 300 mil professores da rede estadual dos ensinos fundamental e médio para que estes utilizem nas atividades complementares as ferramentas online como o Gmail e o Google Docs. Na época, não foi citado o Google Books [e deve haver uma razão bem particular para isto].

O governo paulista também anunciou, no final de outubro, através do projeto Escola Virtual de Programas Educacionais [EVESP] uma parceria com a norte-americana Microsoft Corp para utilizar o pacote Office gratuitamente na rede estadual.

Em um último exemplo, o empresário Nolan Bushnell, criador do antológico Atari, sugere uso de videogames e jogos eletrônicos nas escolas como ferramentas de aprendizagem.

Como dito, a tecnologia está focando na educação. Mas, e os livros? Como ficam os livros nesta história toda? O mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é, sem sombra de dúvida, um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks. Só para se ter uma ideia, a educação básica no Brasil possui pelo menos 50 milhões de alunos que necessitam de conteúdo de qualidade para seus estudos diários. E, segundo projeção do Ministério da Educação [MEC], até 2022 deve haver um incremento de 120 bilhões de reais no orçamento da educação.

Se o próximo grande desafio do Brasil é elevar a qualidade da educação, nosso País necessitará de um ecossistema de armazenamento e compartilhamento de conteúdo digital que seja de fácil entendimento e manuseio pelas partes que compõe os ambientes pedagógicos.

Mas como desenvolver um ecossistema de leitura digital voltado à educação?

Neste novo mercado prestes a se intensificar, a questão da interoperabilidade [entre o hardware, o software e o conteúdo] se mostra um dos itens mais importantes para que as bibliotecas digitais não se tornem estantes inacessíveis. O hardware, em sua maioria, são os dispositivos de leitura [reading devices] fabricados por empresas privadas com interesses mercantis bastante díspares. O software, o mediador entre a máquina e o leitor, oscila entre linguagens de programação proprietárias e os chamados códigos abertos [open source]. E o conteúdo, nosso principal item, sempre dependerá dos dois primeiros para ser efetivamente acessado e usado em sala de aula.

Para que os agentes envolvidos e interessados na utilização das bibliotecas escolares [governo, editoras, autores, professores, alunos, etc.] se beneficiassem igualitariamente de um repositório digital, o desenvolvimento de seu ecossistema pode se basear no conceito de open source. Ou seja, de código fonte aberto, de acesso livre e irrestrito. A open source permitiria a democratização do acesso aos eBooks e, a meu ver, é o caminho mais próximo do ideal em médio e longo prazos.

Os acervos digitais, porém, devem estar sustentados por modernos modelos de negócios, porque um dos principais entraves para a construção de bibliotecas digitais é o investimento para se montar sua estrutura de trabalho. O investimento inclui desde a aquisição, a digitalização de obras, quando houver esta necessidade, até o emprego da tecnologia de Digital Rights Management [DRM] empregada para os controles de acesso as obras.

Minha proposta, descrita a seguir, é simular um ecossistema de conteúdo digital voltado à educação. Nesta proposta de trabalho, iremos levar em conta o emprego da tecnologia da informação, porque ela ainda é central quando se fala livros digitais [didáticos, paradidáticos ou de leitura complementar]. Propomos criar uma alternativa, uma solução para a problemática do livro em repositórios bibliodigitais, para que os profissionais interessados possam enfim vislumbrar um projeto factível e voltar suas atenções ao que realmente importa: a formação e a aprendizagem.

Leitura e educação na era digital

Antes de avançar com uma parte mais técnica, vamos contextualizar o cenário de onde partiremos. Algumas ações gerais podem nos ajudar a permear uma escola de leitores, entre elas, o desenvolvimento de uma rotina de leitura e o estímulo à indicação de livros.

Para estas ações anteriormente descritas se desenvolverem na prática, faz-se necessária a criação e manutenção de diversos ambientes interativos, ou salas de leitura digitais e conectadas. E o principal investimento é a criação de um acervo misto de livros em versão digital disponibilizado através do que chamaremos de Biblioteca Digital Escolar que, entre outros benefícios, deve permitir:

O acesso aos livros através de um rico acervo.
A possibilidade dos próprios alunos escolherem os livros que desejam ler.
Atender mais leitores com menos títulos.
Retiradas, devoluções e recolocações automáticas nas prateleiras digitais.
Adicionar mais títulos ao acervo já criado, sem a necessidade de investimentos em espaço físico, infraestrutura ou dispêndio operacional.
Um mecanismo de busca de uma Biblioteca Digital Escolar que permita a pesquisa de palavras em uma obra ou em uma coleção inteira de livros.
Análise dos relatórios detalhados sobre a utilização da biblioteca, melhorando a qualidade das decisões de aquisição de novos títulos.
E deve permitir os mesmos dispositivos de direitos de propriedade dos livros impressos [através de um sistema de gerenciamento digital de Direitos Autorais, o já citado DRM].

Estes e outros benefícios antes descritos podem ser o atrativo para os leitores que estão mais dispersos em outras mídias digitais interativas, fora dos ambientes pedagógicos tradicionais. Uma Biblioteca Digital Escolar é a solução mais adequada para atender a alunos de cursos à distância, ou iniciativas de inclusão digital, por exemplo, que necessitam de acesso a uma biblioteca completa.

Nosso ecossistema terá um servidor central de conteúdo. Este servidor irá literalmente servir as estantes virtuais de eBooks que poderão ser criadas pelos próprios usuários. Estas estantes poderão ser temáticas conforme a necessidade de cada educador ou grupo de alunos. E estas estantes, por fim, irão alimentar as salas de leitura que serão formadas pelos usuários para que se possam realizar os trabalhos pedagógicos comuns a eles [como nas comunidades virtuais de ensino].

O servidor de conteúdo

Podemos utilizar se quisermos as soluções prontas, daquela empresa que quer dominar o mundo. Ou podemos desenvolver nossas próprias soluções. Iremos pelo caminho que nos trará mais aprendizado. Para construir nossa Biblioteca Digital Escolar precisaremos de um servidor de conteúdo, ele será o alicerce do nosso repositório, do nosso acervo central. Por servidor de conteúdo entende-se o sistema tecnológico que irá salvaguardar os objetos digitais e permitirá sua circulação para os usuários nas salas de leitura.

Tecnicamente, vamos chamar a base para a construção da nossa Biblioteca Digital Escolar de Library Content Server. O nome é apenas uma alegoria. Nossa biblioteca digital necessitará de um servidor de conteúdo escalonável e seguro, que pode ser um servidor dedicado ou podemos também, para minimizar os nossos custos, usar um servidor compartilhado de algum serviço de cloud computing [computação em nuvem].

No caso de projetos ligados às iniciativas públicas, há algumas instituições que já mantêm o seu próprio parque tecnológico que pode eventualmente ser usado para suportar nosso servidor. Como dito, o que realmente importa é que o nosso servidor de conteúdo digital será a base tecnológica da nossa biblioteca.

Ainda estamos no campo das ideias, mas o objetivo da nossa Library Content Server será tornar possível a customização de uma central de armazenamento e distribuição de eBooks para alunos e professores, com o controle dos usuários desde o login [ou seja, a entrada do leitor] até o acesso seguro aos conteúdos digitais [já que as editoras e autores fazem tanta questão]. Nossa proposta é uma solução que servirá para a hospedagem, armazenamento, distribuição, acesso e compartilhamento dos livros digitais.

Whitelabel pages

Para melhorar a rotina de utilização, nossa Library Content Server deverá permitir a criação de páginas customizadas para bibliotecas públicas e até particulares. Elas poderão ser usadas para a circulação de livros usando, neste módulo específico, o conceito de whitelabel. Ou seja, de páginas criadas de modo customizado conforme as necessidades e realidade do intermediador do conteúdo [que pode ser o próprio bibliotecário, já que uma lei assim impõe] ou do moderador da leitura [que pode, por exemplo, ser o educador].

Com esta ferramenta, cada escola pode criar a sua própria sala de leitura com suas estantes temáticas, a partir do repositório central, enchê-las de títulos e, mais tarde, permitir o compartilhamento das obras. Com este módulo, cada aluno ou educador poderá criar a sua própria página e organizar a sua própria estante de livros e também compartilhar conteúdo seguro através e com outras salas de leitura.

Através dos principais módulos, nossa Biblioteca Digital Escolar permitiria:

  • Criação de páginas customizadas [salas de leitura] para escolas, professores e alunos.
  • Criação de estantes e bibliotecas digitais portáteis e acessíveis.
  • Acesso ao painel de controle das salas, estantes e eBooks.
  • Acesso ao painel de controle dos Direitos Autorais em tempo real.

Open share

O código-fonte por trás da estrutura da nossa Library Content Server deve ser baseado em uma licença freeware, livre de pagamento de royalties. Os provedores de conteúdo [autores, editoras, distribuidores, etc.] podem obter lucro com a exploração comercial do conteúdo disponibilizado, como hoje ocorre com o mercado de livros impressos, mas não seria estimulada a exploração comercial em cima da plataforma em si [com exceção do suporte técnico necessário].

Há custos envolvendo o desenvolvimento do acervo digital, principalmente na instalação, configuração e manutenção do sistema. Mas instituições, escolas, bibliotecas públicas e entidades que cuidam da questão da leitura poderão desenvolver o servidor de livros digitais Library Content Server sem os altos custos de licenças geralmente existentes em sistemas de igual complexidade.

As tecnologias que podem ser usadas na estrutura da Library Content Server são populares na internet e já amplamente difundidas e utilizadas por milhares de empresas no mundo todo. Nossa Library Content Server teria, salvaguardando alguns pormenores aqui ainda não detalhados, a seguinte estrutura tecnológica básica:

  • Servidor
  • Código fonte [linguagem de programação]
  • Scripts de segurança
  • Banco de dados
  • Front-end de leitura
  • Gateway de e-commerce
  • eBooks

As tecnologias devem ser de uso padrão e podem ser implantadas por profissionais facilmente encontrados em nosso mercado. Estes profissionais já estão familiarizados com estas tecnologias citadas e só precisam de um bom mapa de desenvolvimento para, enfim, construir o acervo central.

Por uma biblioteca descentralizada

Para que o projeto da nossa Biblioteca Digital Escolar não esbarre em corporativismos o e burocracias, precisamos criar mecanismos que criem a independência necessária principalmente para os casos em que nosso projeto esteja abaixo do poder público. Nada contra, creio apenas que o controle da nossa biblioteca deve ser feito de modo prático, descentralizado, com capacidade operacional plena.

Já existe hoje uma diversidade de programas governamentais, como é o caso do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE], Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Prossionais da Educação [Fundeb] e Plano de Ações Articuladas [PAR]. É possível levantar patrocínio através da iniciativa privada, que podem nos ajudar a enriquecer o nosso acervo sem precisarmos necessariamente ficar atrelados à supervisão ou controle que burocratize o projeto e torne os livros digitais tão inacessíveis quanto são hoje os livros impressos nas bibliotecas físicas em geral.

Vencido qualquer cenário burocrático neste sentido, há casos, e não é raro, em que o arquivo do livro, por conta de restrições contratuais e ou técnicas, não se encontrará ‘fisicamente’ dentro de nosso repositório central. Neste caso específico, nós poderíamos recorrer [se for o caso] aos metadados. A equação aqui é mais simples que lhe dar com burocratas. Precisamos estabelecer um padrão, de preferência aberto [um exemplo é a Onix for Books, mas, no Brasil, se usa geralmente o protocolo Marc 21] para os dados completos sobre o livro. Criamos uma rica indexação de obras com o objetivo único e final de levar o nosso usuário até os livros, independente de onde os arquivos estejam disponíveis.

Com o uso dos metadados, os dados sobre os livros, nossa biblioteca pode oferecer aos usuários comodidade na busca por títulos, assuntos, temas, escritores, coleções, e uma infinidade de palavras-chave que poderão direcioná-los até a estante mais próxima. O usuário poderá enfim encontrar o conteúdo que busca, mesmo que o material esteja longe do nosso próprio acervo.

Conforme dito, o servidor de nossa biblioteca pode ser construído em cloud computing [computação em nuvem], o mais importante, porém, é que os recursos da Library Content Server devam permitir que os objetos digitais armazenados possam ser acessados prioritariamente via web browsers [navegadores] a qualquer momento, a partir de qualquer dispositivo móvel.

O sistema das salas de leitura não deve restringir ou obrigar o usuário/leitor/aluno à instalação de nenhum aplicativo, componente ou plug-in em seu reading device [dispositivo de leitura]. O ideal é que os recursos de leitura e conteúdo estejam disponíveis dentro da própria solução e ambiente virtual de acesso. Os aplicativos, neste cenário, podem existir desde que não criem nenhum tipo de interferência [dependência] no acesso aos livros. Embora muitos aplicativos ajudem na exploração e experiência, muitos acabam criando muros maiores que os das bibliotecas físicas.

O front-end do sistema Library Content Server [ou seja, a interface final com o usuário — responsável pela montagem de cada estante, sala de leitura ou páginas dos livros] deve ser baseado no conceito de acessibilidade total. Isto quer dizer não só que os objetos digitais possam ser acessados e livremente lidos através principalmente dos navegadores que permitam o acesso à internet, mas que a rotina que permite a leitura deva obedecer às regras básicas da World Web Consortium [W3C] e do consórcio International Digital Publishing Forum [IDPF].

O front-end da biblioteca digital deve ‘rodar’ em qualquer navegador através de hardwares de leitura como desktops, notebooks, laptops, netbooks, ultrabooks, tablets, smartphones, e-readers e até nas lousas digitais. O sistema deve permitir, enfim, o acesso e a leitura de arquivos nos formatos já amplamente utilizados pelos provedores de conteúdo, como PDF, Daisy, HTML5 e, claro, ePub.

O gerenciamento de Direitos Autorais

Os eBooks armazenados na Library Content Server devem ser tratados como objetos independentes, o que permitirá o compartilhamento seguro entre os usuários previamente cadastrados [bibliotecários, professores, alunos, escola, etc.], cada um com o seu perfil de acesso, com login e senha.

Os eBooks devem ser completamente livres de criptografias restritivas para que, portanto, possam ser acessados à partir de qualquer suporte de leitura, bastando apenas haver no mínimo o navegador com conexão via web.

A segurança dos objetos digitais deverá existir, é claro, mas podem tecnicamente estar alocadas em cada biblioteca, estante ou sala de leitura que, por sua vez, estará atrelada a conta de usuário, que necessitará estar previamente registrado na biblioteca para ter acesso aos livros liberados. Livros digitais em regime de Domínio Público, por exemplo, podem ser armazenados no sistema sem a necessidade de criptografia, senhas ou segurança. E, portanto, podem ser acessados mais rapidamente pelos usuários cadastrados.

Muito se tem falado a respeito do empréstimo nas bibliotecas digitais, mas a equação para esta questão é simples. Se há, por exemplo, apenas 100 exemplares digitais de um determinado título, licenciados e a disposição na biblioteca, somente estes 100 exemplares digitais poderão ser emprestados para os usuários. O usuário de número 101 na fila de leitura deve aguardar a devolução de um exemplar para o acervo central de um dos exemplares já emprestados da obra.

Para os livros em regime de Direito Autoral, um gateway de pagamento atrelado a Library Content Server pode permitir os pagamentos. E o repasse dos Direitos Autorais, dos casos específicos, pode ser realizado em tempo real tanto para a editora ou distribuidor, quanto para o autor, que podem resgatar os valores através de um dashboard [painel de controle].

Nenhum livro, porém, deve ‘subir’ para o servidor da Library Content Server sem a autorização prévia da editora, autor, distribuidor ou do detentor dos Direitos Autorais [através de um contrato, de preferência por escrito, de autorização]. Desencorajamos qualquer ação contrária nesse sentido.

É importante incluir no projeto de desenvolvimento uma rotina de trabalho de convencimento dos detentores de conteúdo com relação às licenças, através de uma política de aquisições clara, objetiva e transparente.

Definindo a política de aquisições

Embora tenhamos o desafio nas aquisições dos títulos frente a um mercado carente de entendimento, a logística do livro digital é mais simples do que o problema enfrentado com relação à distribuição e logística dos livros físicos. No caso dos livros impressos, o trabalho do bibliotecário é realizado de modo mais tranquilo porque historicamente os autores e editoras já conhecem a finalidade das compras.

A aquisição de um eBook por parte de um bibliotecário torna-se, porém, um desafio na medida em que os detentores dos Direitos Autorais [editoras, distribuidores, autores] insistem em saber como, onde e de que forma os livros adquiridos serão acessados pelos usuários.

A questão que surge é que não há um nível seguro de conhecimento de todos os envolvidos que permita uma rápida tomada de decisão. O que pode tornar o processo mais lento. E para que o trabalho cotidiano do bibliotecário não se altere drasticamente, o ideal é que o profissional tenha em mãos os limites territoriais, de idioma e de temporalidade de sua biblioteca digital para que o detentor dos Direitos Autorais possa enfim licenciar as obras [e colaborar com o projeto].

Para obter uma quantidade maior de títulos, uma biblioteca não precisa necessariamente estar diretamente atrelada a, por exemplo, uma plataforma de autopublicação. É muito importante ponderar, em nosso projeto, a fase de aquisição de conteúdo digital, e o seu modelo, e separarmos da seção de oferta de títulos para o leitor. Ou seja, em uma ponta nós iremos adquirir os títulos, neste momento, poderíamos até eventualmente manter parceria com projetos de autopublicação; mas, na outra ponta, teremos a disponibilização dos títulos. Uma ferramenta de autopublicação atrelada a nossa biblioteca só iria atrapalhar a nossa curadoria de conteúdo.

Na hora de adquirirmos os títulos para o nosso repositório, temos de ter a clara noção do nosso modelo de oferta. Se a aquisição é perpétua, por meio de uma licença, por um longo ou curto período de tempo, o ideal é que esta aquisição esteja sempre vinculada à demanda e direcionada unicamente ao usuário. Lá na ponta, o usuário tem de estar bastante familiarizado com as possibilidades de acesso ofertadas [assinatura, aluguel, pay per view, etc].

Nossa biblioteca poderá adquirir os títulos através dos próprios autores, de suas respectivas editoras, ou de distribuidores, o que for melhor em cada caso, dependendo da oferta e da demanda do acervo central. Em cada um dos casos, o ideal é que haja um contrato firmado e registrado que estipule as regras mínimas de compartilhamento do conteúdo adquirido.

Para eliminar custos na aquisição de conteúdo, o ideal é que o nosso acervo central seja o próprio ‘agregador’ de conteúdo, dessa forma estaremos mais aptos a negociação com os detentores dos Direitos Autorais.

A aquisição do conteúdo digital será quase sempre orientada ao usuário [usando a aplicação do conceito patron driven acquisition] e independente da política de acesso dispensada ao leitor, o ideal é que esta aquisição do exemplar digital em si seja sempre perpétua.

O ideal também é que toda essa gestão de aquisições e do controle de acesso dos usuários seja realmente desenhada pelo profissional bibliotecário. Que deve estudar minuciosamente o seu público leitor antes de definir prioritariamente a política de acesso [que será obviamente baseada no modelo de negócios], para, enfim, definir o modelo de aquisição dos títulos.

A aquisição de conteúdo estará intimamente ligada com o nosso modelo de disponibilização. Ao mesmo tempo em que elaboramos de que modo podemos adquirir conteúdo para a nossa biblioteca digital, precisamos pensar também de que modo iremos compartilhar este conteúdo com o nosso usuário final [escola, professor, aluno, etc.].

Definindo a política de acesso

Conforme nossa biblioteca for crescendo em tamanho de títulos e usuários, outros desafios virão. A começar pela própria bibliodiversidade até o número de exemplares digitais disponíveis para cada título [que, como já dito, estará por sua vez automaticamente ligado ao modelo de permissão de acesso ao usuário].

A política de acesso de cada biblioteca digital estará intimamente ligada com o seu modelo de negócios. Ou seja, as aquisições e compras só poderão ser efetuadas se o modelo de acesso for bem especificado. Por exemplo, a biblioteca pode ter um modelo na qual o usuário pague uma assinatura [pay per view]. O usuário pode optar pelo empréstimo em curto ou longo prazo.

Cada biblioteca digital pode ter definidas as suas próprias políticas de acesso aos conteúdos. Cada política de acesso deve estar visivelmente bem clara a todos os atores do projeto para que a comunicação, desde a aquisição das coleções, até a sua disponibilização, se mantenha clara e objetiva.

Propomos enfim, em nosso projeto, uma política de acesso universal e irrestrita que mantenha ao mesmo tempo resguardados os Direitos Autorais, mas, principalmente, o direito do acesso à informação e ao conhecimento em primeiro plano.

Eis aqui o nosso check list básico:

  • Definição da política de acesso dos leitores/usuários.
  • Definição da política de compra dos eBooks.
  • Definição do modelo de negócios da biblioteca.

Estes três itens básicos irão melhorar o desempenho da nossa Biblioteca Digital Escolar na medida em que irá baixar o nível de convencimento dos detentores de Direitos Autorais e propiciará melhora na comunicação com o leitor, usuário, aluno, etc.

Nossa arquitetura bibliodigital

Independente do modelo de negócios por trás de um acervo [público ou privado], e para que o modelo a ser seguido obtenha um alto valor agregado, uma arquitetura bibliodigital deve ser inteiramente portátil, ou seja, deverá ser carregada através de qualquer dispositivo móvel.

Insisto [já pedindo desculpas pelas repetições] que essa arquitetura deva ser inteiramente acessível, ou seja, deve permitir o armazenamento e acesso de conteúdo através das tecnologias populares e já amplamente conhecidas.

Desenvolver uma arquitetura bibliodigital exigirá, do projeto e da equipe envolvida, interoperabilidade computacional, integração do ecossistema com outras soluções de ensino a distância, portais de conteúdo e plataformas de eBooks. Estes itens devem ser minuciosamente observados levando-se em conta àqueles tantos outros tão importantes já citados, como:

  • A computação em nuvem [ou seja, uso dos serviços de acesso sob demanda e utilizando-se de recursos computacionais compartilhados].
  • A mobilidade da biblioteca digital proposta.
  • A portabilidade do conteúdo através de diversos dispositivos de leitura.
  • A bibliodiversidade do conteúdo na biblioteca.
  • A acessibilidade total a biblioteca através do uso de softwares livres.

Professor também é leitor

Nossa Biblioteca Digital Escolar poderá ser utilizada não somente pelos alunos, mas também pelos professores, que também carecem muitas vezes de seu próprio hábito de leitura. Se o professor tem a oportunidade de melhorar sua leitura, se tornará ainda mais producente criar e incentivar este hábito no educando.

O educador não precisa substituir o profissional bibliotecário, em seu trabalho mais técnico, mas pode ser o agente de leitura nas salas que permitiremos criar. O educador pode ser o moderador das salas de leitura [comunidade de leitores].

Pensando em um cenário onde ambos os profissionais possam atuar em nosso ambiente de leitura, nós podemos contar com a colaboração tanto dos professores quanto dos bibliotecários nos aspectos que tangem:

A organização do acervo com uma variedade reconhecível de títulos.
Ajudar o leitor a desenvolver o senso crítico do mundo que o cerca.
Colaborar com o desenvolvimento intelectual do aluno.
Colaborar com a formação e o crescimento cultural e, portanto, social dos alunos através de uma leitura complementar.

Ao criar um espaço conectado, de livre frequência, estaremos possibilitando o acesso aos livros sem as intermediações que hoje criam obstáculos para a formação de novos leitores. O ideal é que a nossa biblioteca também crie para o professor a oportunidade de ter acesso a uma produção editorial, tanto quanto os alunos que farão uso para os mais variados objetivos.

Fazendo-se cumprir a lei

A Biblioteca Digital Escolar pode se transformar em uma coleção de livros, materiais e documentos registrados em suporte digital, destinado à consulta, pesquisa, estudo e leitura. Com a Biblioteca Digital Escolar, o professor pode ter em mãos uma poderosa ferramenta de estímulo ao desenvolvimento de jovens estudantes nos campos de leitura e um verdadeiro acervo para a construção da arte do saber e do conhecimento.

Segundo a Lei N°12.244, decretada pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Governo em 25 de maio de 2010, todas as instituições públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País deverão contar com bibliotecas. Com a Biblioteca Digital Escolar, a instituição de ensino poderá se preparar e se antever a realidade da Lei N°12.244 que diz:

“Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos”.

Segundo Dados do Censo Escolar, de 2009, há 99.896 escolas do Ensino Fundamental e 7.174 escolas do Ensino Médio sem bibliotecas. Segundo o Censo Escolar de 2011, seria 113.269 escolas públicas sem biblioteca. É fato que praticamente 80% das escolas públicas não têm bibliotecas. Mas é fato também que, para melhorar o nível de leitura nas escolas, não precisaríamos de novas leis [como é o caso daquela de número 12.244], se realmente colocássemos a mão na massa. Mas já que a lei foi criada, nós podemos usar de suas prerrogativas para ajudar a levar livros às escolas através das bibliotecas conectadas.

Em meados de agosto de 2013 foi aprovada no Congresso Nacional uma lei que destina 75% dos royalties do pré-sal para a educação. É importante lembrar que uma biblioteca digital também pode cumprir o papel de uma biblioteca pública. Um espaço de leitura conectado não deve substituir as tão sonhadas bibliotecas físicas escolares, mas podem criar um caminho alternativo para a construção de um País letrado.

Uma das metas do Plano Nacional de Educação é que pelo menos metade das escolas de educação básica seja de tempo integral até o início da década de 2020, quando se deve alcançar o incremento de 120 bilhões de reais oriundos dos royalties do pré-sal. Se estudantes das escolas públicas terão mais tempo dentro das escolas, precisaremos de mais ferramentas em quantidade e qualidade para aprender mais e melhor.

O País precisaria construir mais de 100 mil bibliotecas até 2020 para cumprir a Lei [mais de 30 unidades por dia]. Precisaremos investir ao mesmo tempo em mais bibliotecas, para atender a lei 12.244 e, ao mesmo tempo, precisaremos de mais laboratórios ou salas de informática. Poderíamos ganhar tempo com a construção das bibliotecas digitais e reinvestir o montante da diferença dos exemplares impressos em mais títulos digitais.

Uma biblioteca digital pode ajudar no desenvolvimento da educação com investimentos menores do que a construção de bibliotecas de tijolos. Nossa ideia, com o nosso projeto de instalação de ambientes de leituras conectados, é criar maneiras sustentáreis de se fazer cumprir a lei, e de colaborar com a expansão do número de leiturasem nosso País.

Inúmeras oportunidades de crescimento

A tecnologia está com seus olhos voltados para a educação e o mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks.

Conforme registrado, os futuros royalties do pré-sal podem gerar um incremento da ordem de mais de 120 bilhões de reais no orçamento da educação até 2022, segundo projeção do próprio Ministério da Educação. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], autarquia do MEC responsável pelos programas do livro didático e da biblioteca da escola, mostram que as escolas públicas da educação básica receberam 43 milhões de livros de literatura infantil e infanto-juvenil, no período de2005 a 2010.

Outros números apontam que haverá um aumento de 42% no gasto por estudante da educação básica entre 2014 e 2022. No mesmo período, a média de alunos na pirâmide demográfica brasileira será de aproximadamente 50 milhões de jovens entre 5 e 19 anos.

Existem 5.564 secretarias municipais, e 27 secretarias estaduais, cuidando da educação no País com quem podemos firmar convênios para a construção das salas de leitura digital. Entre elas aquela já citada no início deste artigo que comporta a VESP. No geral, são 190 mil escolas públicas de ensino fundamental e médio. Com dois milhões de professores de educação básica.

Repositórios digitais no futuro

Embora os eBooks possam ser utilizados como ferramenta complementar no sistema de ensino aprendizagem, eles ainda não estão amplamente sendo utilizados na área da educação. Isto ocorre porque ainda estamos em uma fase onde inúmeros projetos ainda tentam de certo modo mimetizar os processos de acesso aos conteúdos já existentes, ao invés de criar um novo cenário utilizando as inúmeras possibilidades que a tecnologia da informação nos permitiria.

Um dos principais motores dessa transformação no modo de ‘ambientalizar’ o processo de aprendizagem é a disseminação dos recursos onipresentes da computação, entre eles a própria internet. Já existem boas alternativas, mas ainda há muitos entraves de ambos os lados, tanto pelo lado da educação, que ainda tenta testar o modelo nas escolas, quanto da própria tecnologia que ainda não se provou realmente eficiente na falta, muitas vezes, do equilíbrio entre a teoria e a prática.

Os impeditivos da utilização dos eBooks na educação passam também pela chamada exclusão digital, pelo analfabetismo funcional, pela falta de acesso e conexão à internet, entre outras questões ainda mais sérias e infelizmente não resolvidas. Os números da falta de leitura no Brasil, por exemplo, são alarmantes. Em qualquer pesquisa ou estudo que se analise, entre eles o indicador Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], o que se percebe é uma lentidão generalizada na construção de novas bibliotecas, na abertura de novas salas de leitura e na formação de novos leitores.

E é neste sentido que a tecnologia do livro digital pode ajudar na disseminação da literatura através de dispositivos móveis em lugares aonde as bibliotecas de tijolos não chegarão até 2020.

Um texto forma uma página. Uma página forma um livro. Um livro forma uma estante. Uma estante forma uma biblioteca. E uma biblioteca pode ajudar na formação de um leitor usando os ambientes virtuais como as salas de leitura aqui propostas.

Os eBooks devem transformar a realidade das bibliotecas no Brasil e no mundo. Com apenas um único dispositivo de leitura em mãos, o leitor pode acessar infinitas páginas, de diversos livros, de muitas estantes, de uma Biblioteca Digital Escolar. E a educação,em nosso País, deve se preparar para lidar com uma nova demanda que já foi criada com o advento do livro digital. Para isso, o reinvento das bibliotecas se torna o próximo desafio para toda a sociedade.

* Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998.

Publicado originalmente em Notícias do Blog do Galeno | 31/01/2014

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

Biblioteca Digital Escolar


Por Ednei Procópio

Por Ednei Procópio

A tecnologia está focando a educação. Recentemente a Google lançou a plataforma educativa YouTube Edu, com 8 mil videoaulas gratuitas [de vinte e seis canais brasileiros]. A plataforma é voltada para estudantes, educadores e colégios do ensino médio, inicialmente.

Pouco tempo depois, a mesma Google também anunciou uma parceria com o governo de São Paulo para capacitar, em 2014, cerca de 300 mil professores da rede estadual dos ensinos fundamental e médio para que estes utilizem nas atividades complementares as ferramentas online como o Gmail e o Google Docs. Na época, não foi citado o Google Books [e deve haver uma razão bem particular para isto].

O governo paulista também anunciou, no final de outubro, através do projeto Escola Virtual de Programas Educacionais [EVESP] uma parceria com a norte-americana Microsoft Corp para utilizar o pacote Office gratuitamente na rede estadual.

Em um último exemplo, o empresário Nolan Bushnell, criador do antológico Atari, sugere uso de videogames e jogos eletrônicos nas escolas como ferramentas de aprendizagem.

Como dito, a tecnologia está focando na educação. Mas, e os livros? Como ficam os livros nesta história toda? O mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é, sem sombra de dúvida, um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks. Só para se ter uma ideia, a educação básica no Brasil possui pelo menos 50 milhões de alunos que necessitam de conteúdo de qualidade para seus estudos diários. E, segundo projeção do Ministério da Educação [MEC], até 2022 deve haver um incremento de 120 bilhões de reais no orçamento da educação.

Se o próximo grande desafio do Brasil é elevar a qualidade da educação, nosso País necessitará de um ecossistema de armazenamento e compartilhamento de conteúdo digital que seja de fácil entendimento e manuseio pelas partes que compõe os ambientes pedagógicos.

Mas como desenvolver um ecossistema de leitura digital voltado à educação?

Neste novo mercado prestes a se intensificar, a questão da interoperabilidade [entre o hardware, o software e o conteúdo] se mostra um dos itens mais importantes para que as bibliotecas digitais não se tornem estantes inacessíveis. O hardware, em sua maioria, são os dispositivos de leitura [reading devices] fabricados por empresas privadas com interesses mercantis bastante díspares. O software, o mediador entre a máquina e o leitor, oscila entre linguagens de programação proprietárias e os chamados códigos abertos [open source]. E o conteúdo, nosso principal item, sempre dependerá dos dois primeiros para ser efetivamente acessado e usado em sala de aula.

Para que os agentes envolvidos e interessados na utilização das bibliotecas escolares [governo, editoras, autores, professores, alunos, etc.] se beneficiassem igualitariamente de um repositório digital, o desenvolvimento de seu ecossistema pode se basear no conceito de open source. Ou seja, de código fonte aberto, de acesso livre e irrestrito. A open source permitiria a democratização do acesso aos eBooks e, a meu ver, é o caminho mais próximo do ideal em médio e longo prazos.

Os acervos digitais, porém, devem estar sustentados por modernos modelos de negócios, porque um dos principais entraves para a construção de bibliotecas digitais é o investimento para se montar sua estrutura de trabalho. O investimento inclui desde a aquisição, a digitalização de obras, quando houver esta necessidade, até o emprego da tecnologia de Digital Rights Management [DRM] empregada para os controles de acesso as obras.

Minha proposta, descrita a seguir, é simular um ecossistema de conteúdo digital voltado à educação. Nesta proposta de trabalho, iremos levar em conta o emprego da tecnologia da informação, porque ela ainda é central quando se fala livros digitais [didáticos, paradidáticos ou de leitura complementar]. Propomos criar uma alternativa, uma solução para a problemática do livro em repositórios bibliodigitais, para que os profissionais interessados possam enfim vislumbrar um projeto factível e voltar suas atenções ao que realmente importa: a formação e a aprendizagem.

Leitura e educação na era digital

Antes de avançar com uma parte mais técnica, vamos contextualizar o cenário de onde partiremos. Algumas ações gerais podem nos ajudar a permear uma escola de leitores, entre elas, o desenvolvimento de uma rotina de leitura e o estímulo à indicação de livros.

Para estas ações anteriormente descritas se desenvolverem na prática, faz-se necessária a criação e manutenção de diversos ambientes interativos, ou salas de leitura digitais e conectadas. E o principal investimento é a criação de um acervo misto de livros em versão digital disponibilizado através do que chamaremos de Biblioteca Digital Escolar que, entre outros benefícios, deve permitir:

O acesso aos livros através de um rico acervo.
A possibilidade dos próprios alunos escolherem os livros que desejam ler.
Atender mais leitores com menos títulos.
Retiradas, devoluções e recolocações automáticas nas prateleiras digitais.
Adicionar mais títulos ao acervo já criado, sem a necessidade de investimentos em espaço físico, infraestrutura ou dispêndio operacional.
Um mecanismo de busca de uma Biblioteca Digital Escolar que permita a pesquisa de palavras em uma obra ou em uma coleção inteira de livros.
Análise dos relatórios detalhados sobre a utilização da biblioteca, melhorando a qualidade das decisões de aquisição de novos títulos.
E deve permitir os mesmos dispositivos de direitos de propriedade dos livros impressos [através de um sistema de gerenciamento digital de Direitos Autorais, o já citado DRM].

Estes e outros benefícios antes descritos podem ser o atrativo para os leitores que estão mais dispersos em outras mídias digitais interativas, fora dos ambientes pedagógicos tradicionais. Uma Biblioteca Digital Escolar é a solução mais adequada para atender a alunos de cursos à distância, ou iniciativas de inclusão digital, por exemplo, que necessitam de acesso a uma biblioteca completa.

Nosso ecossistema terá um servidor central de conteúdo. Este servidor irá literalmente servir as estantes virtuais de eBooks que poderão ser criadas pelos próprios usuários. Estas estantes poderão ser temáticas conforme a necessidade de cada educador ou grupo de alunos. E estas estantes, por fim, irão alimentar as salas de leitura que serão formadas pelos usuários para que se possam realizar os trabalhos pedagógicos comuns a eles [como nas comunidades virtuais de ensino].

O servidor de conteúdo

Podemos utilizar se quisermos as soluções prontas, daquela empresa que quer dominar o mundo. Ou podemos desenvolver nossas próprias soluções. Iremos pelo caminho que nos trará mais aprendizado. Para construir nossa Biblioteca Digital Escolar precisaremos de um servidor de conteúdo, ele será o alicerce do nosso repositório, do nosso acervo central. Por servidor de conteúdo entende-se o sistema tecnológico que irá salvaguardar os objetos digitais e permitirá sua circulação para os usuários nas salas de leitura.

Tecnicamente, vamos chamar a base para a construção da nossa Biblioteca Digital Escolar de Library Content Server. O nome é apenas uma alegoria. Nossa biblioteca digital necessitará de um servidor de conteúdo escalonável e seguro, que pode ser um servidor dedicado ou podemos também, para minimizar os nossos custos, usar um servidor compartilhado de algum serviço de cloud computing [computação em nuvem].

No caso de projetos ligados às iniciativas públicas, há algumas instituições que já mantêm o seu próprio parque tecnológico que pode eventualmente ser usado para suportar nosso servidor. Como dito, o que realmente importa é que o nosso servidor de conteúdo digital será a base tecnológica da nossa biblioteca.

Ainda estamos no campo das ideias, mas o objetivo da nossa Library Content Server será tornar possível a customização de uma central de armazenamento e distribuição de eBooks para alunos e professores, com o controle dos usuários desde o login [ou seja, a entrada do leitor] até o acesso seguro aos conteúdos digitais [já que as editoras e autores fazem tanta questão]. Nossa proposta é uma solução que servirá para a hospedagem, armazenamento, distribuição, acesso e compartilhamento dos livros digitais.

Whitelabel pages

Para melhorar a rotina de utilização, nossa Library Content Server deverá permitir a criação de páginas customizadas para bibliotecas públicas e até particulares. Elas poderão ser usadas para a circulação de livros usando, neste módulo específico, o conceito de whitelabel. Ou seja, de páginas criadas de modo customizado conforme as necessidades e realidade do intermediador do conteúdo [que pode ser o próprio bibliotecário, já que uma lei assim impõe] ou do moderador da leitura [que pode, por exemplo, ser o educador].

Com esta ferramenta, cada escola pode criar a sua própria sala de leitura com suas estantes temáticas, a partir do repositório central, enchê-las de títulos e, mais tarde, permitir o compartilhamento das obras. Com este módulo, cada aluno ou educador poderá criar a sua própria página e organizar a sua própria estante de livros e também compartilhar conteúdo seguro através e com outras salas de leitura.

Através dos principais módulos, nossa Biblioteca Digital Escolar permitiria:

  • Criação de páginas customizadas [salas de leitura] para escolas, professores e alunos.
  • Criação de estantes e bibliotecas digitais portáteis e acessíveis.
  • Acesso ao painel de controle das salas, estantes e eBooks.
  • Acesso ao painel de controle dos Direitos Autorais em tempo real.

Open share

O código-fonte por trás da estrutura da nossa Library Content Server deve ser baseado em uma licença freeware, livre de pagamento de royalties. Os provedores de conteúdo [autores, editoras, distribuidores, etc.] podem obter lucro com a exploração comercial do conteúdo disponibilizado, como hoje ocorre com o mercado de livros impressos, mas não seria estimulada a exploração comercial em cima da plataforma em si [com exceção do suporte técnico necessário].

Há custos envolvendo o desenvolvimento do acervo digital, principalmente na instalação, configuração e manutenção do sistema. Mas instituições, escolas, bibliotecas públicas e entidades que cuidam da questão da leitura poderão desenvolver o servidor de livros digitais Library Content Server sem os altos custos de licenças geralmente existentes em sistemas de igual complexidade.

As tecnologias que podem ser usadas na estrutura da Library Content Server são populares na internet e já amplamente difundidas e utilizadas por milhares de empresas no mundo todo. Nossa Library Content Server teria, salvaguardando alguns pormenores aqui ainda não detalhados, a seguinte estrutura tecnológica básica:

  • Servidor
  • Código fonte [linguagem de programação]
  • Scripts de segurança
  • Banco de dados
  • Front-end de leitura
  • Gateway de e-commerce
  • eBooks

As tecnologias devem ser de uso padrão e podem ser implantadas por profissionais facilmente encontrados em nosso mercado. Estes profissionais já estão familiarizados com estas tecnologias citadas e só precisam de um bom mapa de desenvolvimento para, enfim, construir o acervo central.

Por uma biblioteca descentralizada

Para que o projeto da nossa Biblioteca Digital Escolar não esbarre em corporativismos o e burocracias, precisamos criar mecanismos que criem a independência necessária principalmente para os casos em que nosso projeto esteja abaixo do poder público. Nada contra, creio apenas que o controle da nossa biblioteca deve ser feito de modo prático, descentralizado, com capacidade operacional plena.

Já existe hoje uma diversidade de programas governamentais, como é o caso do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE], Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Prossionais da Educação [Fundeb] e Plano de Ações Articuladas [PAR]. É possível levantar patrocínio através da iniciativa privada, que podem nos ajudar a enriquecer o nosso acervo sem precisarmos necessariamente ficar atrelados à supervisão ou controle que burocratize o projeto e torne os livros digitais tão inacessíveis quanto são hoje os livros impressos nas bibliotecas físicas em geral.

Vencido qualquer cenário burocrático neste sentido, há casos, e não é raro, em que o arquivo do livro, por conta de restrições contratuais e ou técnicas, não se encontrará ‘fisicamente’ dentro de nosso repositório central. Neste caso específico, nós poderíamos recorrer [se for o caso] aos metadados. A equação aqui é mais simples que lhe dar com burocratas. Precisamos estabelecer um padrão, de preferência aberto [um exemplo é a Onix for Books, mas, no Brasil, se usa geralmente o protocolo Marc 21] para os dados completos sobre o livro. Criamos uma rica indexação de obras com o objetivo único e final de levar o nosso usuário até os livros, independente de onde os arquivos estejam disponíveis.

Com o uso dos metadados, os dados sobre os livros, nossa biblioteca pode oferecer aos usuários comodidade na busca por títulos, assuntos, temas, escritores, coleções, e uma infinidade de palavras-chave que poderão direcioná-los até a estante mais próxima. O usuário poderá enfim encontrar o conteúdo que busca, mesmo que o material esteja longe do nosso próprio acervo.

Conforme dito, o servidor de nossa biblioteca pode ser construído em cloud computing [computação em nuvem], o mais importante, porém, é que os recursos da Library Content Server devam permitir que os objetos digitais armazenados possam ser acessados prioritariamente via web browsers [navegadores] a qualquer momento, a partir de qualquer dispositivo móvel.

O sistema das salas de leitura não deve restringir ou obrigar o usuário/leitor/aluno à instalação de nenhum aplicativo, componente ou plug-in em seu reading device [dispositivo de leitura]. O ideal é que os recursos de leitura e conteúdo estejam disponíveis dentro da própria solução e ambiente virtual de acesso. Os aplicativos, neste cenário, podem existir desde que não criem nenhum tipo de interferência [dependência] no acesso aos livros. Embora muitos aplicativos ajudem na exploração e experiência, muitos acabam criando muros maiores que os das bibliotecas físicas.

O front-end do sistema Library Content Server [ou seja, a interface final com o usuário — responsável pela montagem de cada estante, sala de leitura ou páginas dos livros] deve ser baseado no conceito de acessibilidade total. Isto quer dizer não só que os objetos digitais possam ser acessados e livremente lidos através principalmente dos navegadores que permitam o acesso à internet, mas que a rotina que permite a leitura deva obedecer às regras básicas da World Web Consortium [W3C] e do consórcio International Digital Publishing Forum [IDPF].

O front-end da biblioteca digital deve ‘rodar’ em qualquer navegador através de hardwares de leitura como desktops, notebooks, laptops, netbooks, ultrabooks, tablets, smartphones, e-readers e até nas lousas digitais. O sistema deve permitir, enfim, o acesso e a leitura de arquivos nos formatos já amplamente utilizados pelos provedores de conteúdo, como PDF, Daisy, HTML5 e, claro, ePub.

O gerenciamento de Direitos Autorais

Os eBooks armazenados na Library Content Server devem ser tratados como objetos independentes, o que permitirá o compartilhamento seguro entre os usuários previamente cadastrados [bibliotecários, professores, alunos, escola, etc.], cada um com o seu perfil de acesso, com login e senha.

Os eBooks devem ser completamente livres de criptografias restritivas para que, portanto, possam ser acessados à partir de qualquer suporte de leitura, bastando apenas haver no mínimo o navegador com conexão via web.

A segurança dos objetos digitais deverá existir, é claro, mas podem tecnicamente estar alocadas em cada biblioteca, estante ou sala de leitura que, por sua vez, estará atrelada a conta de usuário, que necessitará estar previamente registrado na biblioteca para ter acesso aos livros liberados. Livros digitais em regime de Domínio Público, por exemplo, podem ser armazenados no sistema sem a necessidade de criptografia, senhas ou segurança. E, portanto, podem ser acessados mais rapidamente pelos usuários cadastrados.

Muito se tem falado a respeito do empréstimo nas bibliotecas digitais, mas a equação para esta questão é simples. Se há, por exemplo, apenas 100 exemplares digitais de um determinado título, licenciados e a disposição na biblioteca, somente estes 100 exemplares digitais poderão ser emprestados para os usuários. O usuário de número 101 na fila de leitura deve aguardar a devolução de um exemplar para o acervo central de um dos exemplares já emprestados da obra.

Para os livros em regime de Direito Autoral, um gateway de pagamento atrelado a Library Content Server pode permitir os pagamentos. E o repasse dos Direitos Autorais, dos casos específicos, pode ser realizado em tempo real tanto para a editora ou distribuidor, quanto para o autor, que podem resgatar os valores através de um dashboard [painel de controle].

Nenhum livro, porém, deve ‘subir’ para o servidor da Library Content Server sem a autorização prévia da editora, autor, distribuidor ou do detentor dos Direitos Autorais [através de um contrato, de preferência por escrito, de autorização]. Desencorajamos qualquer ação contrária nesse sentido.

É importante incluir no projeto de desenvolvimento uma rotina de trabalho de convencimento dos detentores de conteúdo com relação às licenças, através de uma política de aquisições clara, objetiva e transparente.

Definindo a política de aquisições

Embora tenhamos o desafio nas aquisições dos títulos frente a um mercado carente de entendimento, a logística do livro digital é mais simples do que o problema enfrentado com relação à distribuição e logística dos livros físicos. No caso dos livros impressos, o trabalho do bibliotecário é realizado de modo mais tranquilo porque historicamente os autores e editoras já conhecem a finalidade das compras.

A aquisição de um eBook por parte de um bibliotecário torna-se, porém, um desafio na medida em que os detentores dos Direitos Autorais [editoras, distribuidores, autores] insistem em saber como, onde e de que forma os livros adquiridos serão acessados pelos usuários.

A questão que surge é que não há um nível seguro de conhecimento de todos os envolvidos que permita uma rápida tomada de decisão. O que pode tornar o processo mais lento. E para que o trabalho cotidiano do bibliotecário não se altere drasticamente, o ideal é que o profissional tenha em mãos os limites territoriais, de idioma e de temporalidade de sua biblioteca digital para que o detentor dos Direitos Autorais possa enfim licenciar as obras [e colaborar com o projeto].

Para obter uma quantidade maior de títulos, uma biblioteca não precisa necessariamente estar diretamente atrelada a, por exemplo, uma plataforma de autopublicação. É muito importante ponderar, em nosso projeto, a fase de aquisição de conteúdo digital, e o seu modelo, e separarmos da seção de oferta de títulos para o leitor. Ou seja, em uma ponta nós iremos adquirir os títulos, neste momento, poderíamos até eventualmente manter parceria com projetos de autopublicação; mas, na outra ponta, teremos a disponibilização dos títulos. Uma ferramenta de autopublicação atrelada a nossa biblioteca só iria atrapalhar a nossa curadoria de conteúdo.

Na hora de adquirirmos os títulos para o nosso repositório, temos de ter a clara noção do nosso modelo de oferta. Se a aquisição é perpétua, por meio de uma licença, por um longo ou curto período de tempo, o ideal é que esta aquisição esteja sempre vinculada à demanda e direcionada unicamente ao usuário. Lá na ponta, o usuário tem de estar bastante familiarizado com as possibilidades de acesso ofertadas [assinatura, aluguel, pay per view, etc].

Nossa biblioteca poderá adquirir os títulos através dos próprios autores, de suas respectivas editoras, ou de distribuidores, o que for melhor em cada caso, dependendo da oferta e da demanda do acervo central. Em cada um dos casos, o ideal é que haja um contrato firmado e registrado que estipule as regras mínimas de compartilhamento do conteúdo adquirido.

Para eliminar custos na aquisição de conteúdo, o ideal é que o nosso acervo central seja o próprio ‘agregador’ de conteúdo, dessa forma estaremos mais aptos a negociação com os detentores dos Direitos Autorais.

A aquisição do conteúdo digital será quase sempre orientada ao usuário [usando a aplicação do conceito patron driven acquisition] e independente da política de acesso dispensada ao leitor, o ideal é que esta aquisição do exemplar digital em si seja sempre perpétua.

O ideal também é que toda essa gestão de aquisições e do controle de acesso dos usuários seja realmente desenhada pelo profissional bibliotecário. Que deve estudar minuciosamente o seu público leitor antes de definir prioritariamente a política de acesso [que será obviamente baseada no modelo de negócios], para, enfim, definir o modelo de aquisição dos títulos.

A aquisição de conteúdo estará intimamente ligada com o nosso modelo de disponibilização. Ao mesmo tempo em que elaboramos de que modo podemos adquirir conteúdo para a nossa biblioteca digital, precisamos pensar também de que modo iremos compartilhar este conteúdo com o nosso usuário final [escola, professor, aluno, etc.].

Definindo a política de acesso

Conforme nossa biblioteca for crescendo em tamanho de títulos e usuários, outros desafios virão. A começar pela própria bibliodiversidade até o número de exemplares digitais disponíveis para cada título [que, como já dito, estará por sua vez automaticamente ligado ao modelo de permissão de acesso ao usuário].

A política de acesso de cada biblioteca digital estará intimamente ligada com o seu modelo de negócios. Ou seja, as aquisições e compras só poderão ser efetuadas se o modelo de acesso for bem especificado. Por exemplo, a biblioteca pode ter um modelo na qual o usuário pague uma assinatura [pay per view]. O usuário pode optar pelo empréstimo em curto ou longo prazo.

Cada biblioteca digital pode ter definidas as suas próprias políticas de acesso aos conteúdos. Cada política de acesso deve estar visivelmente bem clara a todos os atores do projeto para que a comunicação, desde a aquisição das coleções, até a sua disponibilização, se mantenha clara e objetiva.

Propomos enfim, em nosso projeto, uma política de acesso universal e irrestrita que mantenha ao mesmo tempo resguardados os Direitos Autorais, mas, principalmente, o direito do acesso à informação e ao conhecimento em primeiro plano.

Eis aqui o nosso check list básico:

  • Definição da política de acesso dos leitores/usuários.
  • Definição da política de compra dos eBooks.
  • Definição do modelo de negócios da biblioteca.

Estes três itens básicos irão melhorar o desempenho da nossa Biblioteca Digital Escolar na medida em que irá baixar o nível de convencimento dos detentores de Direitos Autorais e propiciará melhora na comunicação com o leitor, usuário, aluno, etc.

Nossa arquitetura bibliodigital

Independente do modelo de negócios por trás de um acervo [público ou privado], e para que o modelo a ser seguido obtenha um alto valor agregado, uma arquitetura bibliodigital deve ser inteiramente portátil, ou seja, deverá ser carregada através de qualquer dispositivo móvel.

Insisto [já pedindo desculpas pelas repetições] que essa arquitetura deva ser inteiramente acessível, ou seja, deve permitir o armazenamento e acesso de conteúdo através das tecnologias populares e já amplamente conhecidas.

Desenvolver uma arquitetura bibliodigital exigirá, do projeto e da equipe envolvida, interoperabilidade computacional, integração do ecossistema com outras soluções de ensino a distância, portais de conteúdo e plataformas de eBooks. Estes itens devem ser minuciosamente observados levando-se em conta àqueles tantos outros tão importantes já citados, como:

  • A computação em nuvem [ou seja, uso dos serviços de acesso sob demanda e utilizando-se de recursos computacionais compartilhados].
  • A mobilidade da biblioteca digital proposta.
  • A portabilidade do conteúdo através de diversos dispositivos de leitura.
  • A bibliodiversidade do conteúdo na biblioteca.
  • A acessibilidade total a biblioteca através do uso de softwares livres.

Professor também é leitor

Nossa Biblioteca Digital Escolar poderá ser utilizada não somente pelos alunos, mas também pelos professores, que também carecem muitas vezes de seu próprio hábito de leitura. Se o professor tem a oportunidade de melhorar sua leitura, se tornará ainda mais producente criar e incentivar este hábito no educando.

O educador não precisa substituir o profissional bibliotecário, em seu trabalho mais técnico, mas pode ser o agente de leitura nas salas que permitiremos criar. O educador pode ser o moderador das salas de leitura [comunidade de leitores].

Pensando em um cenário onde ambos os profissionais possam atuar em nosso ambiente de leitura, nós podemos contar com a colaboração tanto dos professores quanto dos bibliotecários nos aspectos que tangem:

A organização do acervo com uma variedade reconhecível de títulos.
Ajudar o leitor a desenvolver o senso crítico do mundo que o cerca.
Colaborar com o desenvolvimento intelectual do aluno.
Colaborar com a formação e o crescimento cultural e, portanto, social dos alunos através de uma leitura complementar.

Ao criar um espaço conectado, de livre frequência, estaremos possibilitando o acesso aos livros sem as intermediações que hoje criam obstáculos para a formação de novos leitores. O ideal é que a nossa biblioteca também crie para o professor a oportunidade de ter acesso a uma produção editorial, tanto quanto os alunos que farão uso para os mais variados objetivos.

Fazendo-se cumprir a lei

A Biblioteca Digital Escolar pode se transformar em uma coleção de livros, materiais e documentos registrados em suporte digital, destinado à consulta, pesquisa, estudo e leitura. Com a Biblioteca Digital Escolar, o professor pode ter em mãos uma poderosa ferramenta de estímulo ao desenvolvimento de jovens estudantes nos campos de leitura e um verdadeiro acervo para a construção da arte do saber e do conhecimento.

Segundo a Lei N°12.244, decretada pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Governo em 25 de maio de 2010, todas as instituições públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País deverão contar com bibliotecas. Com a Biblioteca Digital Escolar, a instituição de ensino poderá se preparar e se antever a realidade da Lei N°12.244 que diz:

“Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos”.

Segundo Dados do Censo Escolar, de 2009, há 99.896 escolas do Ensino Fundamental e 7.174 escolas do Ensino Médio sem bibliotecas. Segundo o Censo Escolar de 2011, seria 113.269 escolas públicas sem biblioteca. É fato que praticamente 80% das escolas públicas não têm bibliotecas. Mas é fato também que, para melhorar o nível de leitura nas escolas, não precisaríamos de novas leis [como é o caso daquela de número 12.244], se realmente colocássemos a mão na massa. Mas já que a lei foi criada, nós podemos usar de suas prerrogativas para ajudar a levar livros às escolas através das bibliotecas conectadas.

Em meados de agosto de 2013 foi aprovada no Congresso Nacional uma lei que destina 75% dos royalties do pré-sal para a educação. É importante lembrar que uma biblioteca digital também pode cumprir o papel de uma biblioteca pública. Um espaço de leitura conectado não deve substituir as tão sonhadas bibliotecas físicas escolares, mas podem criar um caminho alternativo para a construção de um País letrado.

Uma das metas do Plano Nacional de Educação é que pelo menos metade das escolas de educação básica seja de tempo integral até o início da década de 2020, quando se deve alcançar o incremento de 120 bilhões de reais oriundos dos royalties do pré-sal. Se estudantes das escolas públicas terão mais tempo dentro das escolas, precisaremos de mais ferramentas em quantidade e qualidade para aprender mais e melhor.

O País precisaria construir mais de 100 mil bibliotecas até 2020 para cumprir a Lei [mais de 30 unidades por dia]. Precisaremos investir ao mesmo tempo em mais bibliotecas, para atender a lei 12.244 e, ao mesmo tempo, precisaremos de mais laboratórios ou salas de informática. Poderíamos ganhar tempo com a construção das bibliotecas digitais e reinvestir o montante da diferença dos exemplares impressos em mais títulos digitais.

Uma biblioteca digital pode ajudar no desenvolvimento da educação com investimentos menores do que a construção de bibliotecas de tijolos. Nossa ideia, com o nosso projeto de instalação de ambientes de leituras conectados, é criar maneiras sustentáreis de se fazer cumprir a lei, e de colaborar com a expansão do número de leiturasem nosso País.

Inúmeras oportunidades de crescimento

A tecnologia está com seus olhos voltados para a educação e o mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks.

Conforme registrado, os futuros royalties do pré-sal podem gerar um incremento da ordem de mais de 120 bilhões de reais no orçamento da educação até 2022, segundo projeção do próprio Ministério da Educação. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], autarquia do MEC responsável pelos programas do livro didático e da biblioteca da escola, mostram que as escolas públicas da educação básica receberam 43 milhões de livros de literatura infantil e infanto-juvenil, no período de2005 a 2010.

Outros números apontam que haverá um aumento de 42% no gasto por estudante da educação básica entre 2014 e 2022. No mesmo período, a média de alunos na pirâmide demográfica brasileira será de aproximadamente 50 milhões de jovens entre 5 e 19 anos.

Existem 5.564 secretarias municipais, e 27 secretarias estaduais, cuidando da educação no País com quem podemos firmar convênios para a construção das salas de leitura digital. Entre elas aquela já citada no início deste artigo que comporta a VESP. No geral, são 190 mil escolas públicas de ensino fundamental e médio. Com dois milhões de professores de educação básica.

Repositórios digitais no futuro

Embora os eBooks possam ser utilizados como ferramenta complementar no sistema de ensino aprendizagem, eles ainda não estão amplamente sendo utilizados na área da educação. Isto ocorre porque ainda estamos em uma fase onde inúmeros projetos ainda tentam de certo modo mimetizar os processos de acesso aos conteúdos já existentes, ao invés de criar um novo cenário utilizando as inúmeras possibilidades que a tecnologia da informação nos permitiria.

Um dos principais motores dessa transformação no modo de ‘ambientalizar’ o processo de aprendizagem é a disseminação dos recursos onipresentes da computação, entre eles a própria internet. Já existem boas alternativas, mas ainda há muitos entraves de ambos os lados, tanto pelo lado da educação, que ainda tenta testar o modelo nas escolas, quanto da própria tecnologia que ainda não se provou realmente eficiente na falta, muitas vezes, do equilíbrio entre a teoria e a prática.

Os impeditivos da utilização dos eBooks na educação passam também pela chamada exclusão digital, pelo analfabetismo funcional, pela falta de acesso e conexão à internet, entre outras questões ainda mais sérias e infelizmente não resolvidas. Os números da falta de leitura no Brasil, por exemplo, são alarmantes. Em qualquer pesquisa ou estudo que se analise, entre eles o indicador Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], o que se percebe é uma lentidão generalizada na construção de novas bibliotecas, na abertura de novas salas de leitura e na formação de novos leitores.

E é neste sentido que a tecnologia do livro digital pode ajudar na disseminação da literatura através de dispositivos móveis em lugares aonde as bibliotecas de tijolos não chegarão até 2020.

Um texto forma uma página. Uma página forma um livro. Um livro forma uma estante. Uma estante forma uma biblioteca. E uma biblioteca pode ajudar na formação de um leitor usando os ambientes virtuais como as salas de leitura aqui propostas.

Os eBooks devem transformar a realidade das bibliotecas no Brasil e no mundo. Com apenas um único dispositivo de leitura em mãos, o leitor pode acessar infinitas páginas, de diversos livros, de muitas estantes, de uma Biblioteca Digital Escolar. E a educação,em nosso País, deve se preparar para lidar com uma nova demanda que já foi criada com o advento do livro digital. Para isso, o reinvento das bibliotecas se torna o próximo desafio para toda a sociedade.

* Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998.

Publicado originalmente em Notícias do Blog do Galeno | 31/01/2014

Google derrota autores em ação contra biblioteca online


O Google venceu, na semana passada, um longo processo aberto por escritores e editoras que o acusavam de copiar, sem permissão, milhões de livros para sua biblioteca online. O juiz Denny Chin, de Manhattan, aceitou o argumento da empresa de que a digitalização de mais de 20 milhões de livros para a ferramenta Google Books e a disponibilização de trechos dos textos online constituía “fair use” [algo como uso justo, ou aceitável] sob a lei de direitos autorais dos EUA. Se sobreviver a uma esperada apelação, a decisão permitirá que o Google continue a expandir sua biblioteca – que, de acordo com a companhia, ajuda os leitores a ter acesso a livros que não encontrariam em outro lugar.

O juiz afirmou que a digitalização dos livros facilita a vida de estudantes, professores, pesquisadores e do público em geral, enquanto mantém uma “consideração respeitosa” pelos direitos dos autores. Ele acredita que a iniciativa do Google é “transformadora”, dando aos livros um novo sentido, e deve impulsionar as vendas, e não prejudicá-las. Chin ressaltou ainda que a empresa tomou as medidas necessárias para evitar que as pessoas tenham acesso às cópias completas dos livros. “Na minha opinião, o Google Books tem benefícios públicos significativos. De fato, toda a sociedade se beneficia”, completou.

Vida nova a livros esquecidos

Paul Aiken, diretor executivo do sindicato dos autores dos EUA – instituição que abriu o processo, em 2005 – afirmou que o grupo ficou desapontado com a decisão e que planeja apelar. “O Google fez edições digitais sem autorização de quase toda a valiosa literatura mundial protegida por direitos autorais, e lucra com a exposição destes trabalhos. Tal digitalização de massa e exploração excede os limites da defesa do fair use”, declarou.

O Google deu início à biblioteca online em 2004 depois de chegar a acordos com grandes bibliotecas de pesquisa para digitalizar obras atuais e esgotadas. Entre as parceiras do projeto estão as bibliotecas das universidades de Harvard, Oxford, Stanford, Universidade da California, Universidade do Michigan e a Biblioteca Pública de Nova York. Segundo o juiz, a digitalização deu “vida nova” a livros esgotados e antigos que “estavam esquecidos” nos cantos das bibliotecas.

Observatório da Imprensa | 19/11/13

Google vence escritores em julgamento sobre digitalização de livros


O Google venceu nesta quinta-feira [14] uma disputa jurídica contra um grupo de escritores que acusava a empresa pela digitalização de milhões de livros por meio do Google Books.

O juiz Denny Chin, de Nova York, aceitou o argumento da companhia de que a digitalização de mais de 20 milhões de livros e a disponibilização de fragmentos na internet não infringiam leis de direitos autorais americanas.

Caso a associação de escritores não recorra da decisão, o Google poderá continuar a expandir sua biblioteca on-line. A empresa afirma que o escaneamento dos livros ajuda os leitores a localizar obras que não poderiam ser encontradas de outra forma.

A decisão representa uma virada na disputa judicial, que começou em 2005, quando escritores e editoras entraram com um processo. O Google estima que deveria mais de US$ 3 bi [R$ 6,9 bi] às editoras se a Authors Guild, associação de advogados que defende os autores, vencesse. A defesa pedia US$ 750 [R$ 1.746] para cada livro digitalizado.

“Essa é uma grande vitória para o Google e dá amparo à defesa de outros resultados de busca com os quais a empresa trabalha, como notícias e imagens“, afirma James Grimmelmann, professor de direito da Universidade de Maryland, que acompanhou o caso.

Para o juiz Chin, a digitalização facilita que estudantes, professores, pesquisadores e o público encontre livros, mantendo “consideração respeitosa” pelos direitos autorais. Ele também disse que o escaneamento é “transformador”, dando aos livros novos propósitos e caráter. Também avaliou que a medida aumentaria as vendas, ao invés de diminui-las.

RECURSO

Paul Aiken, diretor executivo da Authors Guild, disse que o grupo está decepcionado e pretende recorrer da decisão. “O Google faz edições digitais não autorizadas de quase todas as valiosas obras de literatura que possuem direitos autorais e lucra com elas.”

O Google lançou o Google Livros após um acordo em 2004 com as principais bibliotecas acadêmicas para digitalizar obras atuais e fora de circulação. Entre as instituições estavam as bibliotecas das universidades de Harvard, Oxford, Stanford, Califórnia, Michigan e a biblioteca pública de Nova York.

DA REUTERS | 14/11/2013, às 18h16

Vitória do Google: Juiz apoia Google Books


Google BooksDepois de mais de oito anos de litígio, o juiz Denny Chin dispensou o processo da Associação dos Autores [Authors Guild – AG] sobre o projeto de digitalização do Google. “Na minha opinião, o Google Books traz benefícios públicos significativos,” escreveu Chin. “Ajuda o progresso das artes e ciências, ao mesmo tempo mantendo uma consideração respeitosa dos direitos dos autores e outros indivíduos criativos, sem impactar negativamente nos direitos de copyright”, afirmou.

Em resposta à afirmação da AG de que a digitalização teria efeito negativo no mercado de livros, Chin rebateu, dizendo que a declaração não faz sentido: “Pelo contrário, é razoável assumir que o Google Books apenas aumenta as vendas de livros, para o benefício dos detentores de copyrights”. Paul Aiken, diretor da AG, contou ao Publishers Weekly que a irá recorrer da decisão. “O Google fez edições digitais não autorizadas de quase toda a literatura mundial protegida por copyright e lucra com a divulgação desses trabalhos. Do nosso ponto de vista, uma digitalização e exploração de massa assim excede em muito os limites do fair use, usados na defesa”.

Por Andrew Albanese | Publishers Weekly | 14/11/2013

Os autores e os ambientes digitais | Como publicar no formato digital


Os Autores e os Ambientes Digitais: Como publicar no formato digital

Muito se tem falado sobre  tablets, e-readers, smartphones, aplicativos e plataformas de livros digitais, mas esses termos parecem estar distantes do alcance do autor. Pensando em desmistificar esse assunto aparentemente complicado, será ministrado, durante o “13º Encontro de Férias HUB/SBS | Tecnologia e Educação: desconstruindo mitos e receios“, o workshop OS AUTORES e OS AMBIENTES DIGITAIS: Como publicar no formato digital. O workshop especialmente criado para escritores que desejam saber mais desse novo meio de edição abordará a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo digital.

O workshop OS AUTORES e OS AMBIENTES DIGITAIS: Como publicar no formato digital será ministrado pelo editor Ednei Procópio, que é especialista em eBooks e autor de livros sobre o tema. Mantém o Blog eBook Reader [www.ebookreader.com.br]. É membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e CEO da startup Livrus Negócios Editorais, uma empresa especializada e com o objetivo levar autores e obras para a Era Digital.

ANOTE NA SUA AGENDA

Workshop: Os Autores e os ambientes Digitais: Como publicar no formato digital
Quando: 17 de janeiro, quinta-feira, às 14h
Onde: Instituto Cervantes
Avenida Paulista, 2.439 | Metrô Consolação
Inscrições gratuitas

Kobo fecha acordo livrarias do Reino Unido


3.000 livrarias poderão usar a plataforma da empresa canadense

Depois de substituir o Google Books no acordo com associação de livrarias independentes dos Estados Unidos [ABA], a Kobo anunciou ontem que firmou acordo similar com a Booksellers Association [associação de livrarias do Reino Unido e Irlanda], segundo o site The Bookseller. O acordo permitirá que 3.000 livrarias do Reino Unido e Irlanda vendam e-books e e-readers através da plataforma white label da Kobo.

Segundo o site Digital Book World, das 3.000 livrarias associadas à BA, 1.000 são independentes. O gerente da Kobo no Reino Unido, Phil Wood, disse ao Bookseller que a recepção das livrarias foi positiva, e que espera que muitas entrem no acordo, pois elas estão buscando uma alternativa para enfrentar a Amazon.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 20/09/2012

Google vai combater pirataria de eBooks


O Google está lançando novas atualizações no sistema de busca que irão reduzir bastante a quantidade de pirataria que aparece como resultado de uma consulta por um ebook ou uma determinada música, por exemplo. O novo mecanismo de procura irá filtrar os sites que possuem reclamações ativas no DMCA [Digital Millennium Copyright Act], e também sites piratas conhecidos. Google afirma que esta mudança tem a intenção de ajudar os usuários que estão em busca de distribuidores de conteúdo legítimo, como Apple, Amazon, Spotify e Google Books, e fazer com que seja mais difícil para o usuário casual encontrar um site pirata.

Por Adriana Pires | Revolução eBook | 14/08/2012

Google e editoras francesas têm acordo sobre digitalização de livros na Internet


Gigante norte-americana quer digitalizar todos os livros do mundo até ao final da década apesar das queixas recorrentes em tribunais. Fotografia: AFP

Gigante norte-americana quer digitalizar todos os livros do mundo até ao final da década apesar das queixas recorrentes em tribunais. Fotografia: AFP

A Google conseguiu finalmente chegar a um acordo com o Sindicato Nacional da Edição [SNE] francês, para a digitalização de obras de autores franceses e a sua disponibilização no serviço de livros Google Books, informou ontem a Reuters.

De acordo com a agência, até aqui a França opunha-se à passagem dos livros para o universo online da Google e levou a tribunal, em diversas ocasiões, a empresa norte-americana.

Nos últimos anos, a Google digitalizou diversos livros franceses disponíveis em bibliotecas norte-americanas sem autorização dos autores nem das editoras, o que levou a um braço de ferro nos tribunais ente as editoras francesas e a gigante norte-americana. Em 2009, a Google acabou mesmo por ser condenada ao pagamento de uma multa por violação dos direitos de autor.  Este é o segundo acordo que acontece em França, um dos países europeus que mais tem batalhado para proteger os direitos dos seus autores e editores, depois de no ano passado a Hachette Livre ter permitido a digitalização e venda online de mais de 40 mil livros, dos quais milhares não estão comercialmente disponíveis, mas estão abrangidos pelos direitos de autor.

Muitas das obras digitalizadas, por serem antigas, já se encontravam esgotadas, estando a partir de então disponíveis para venda na plataforma da Google.

Com este novo acordo, assinado na segunda-feira e que, segundo a SNE, “respeita os direitos de autor”, a França passa a ter mais autores e editoras representados no serviço da Google.

Este anúncio marca um avanço positivo para actualizar a herança impressa de França no âmbito dos direitos de autor e contribui para alargar a disponibilidade de livros digitais”, escreveu o Sindicato Nacional da Edição, que representa cerca de 600 editoras e seis mil autores franceses e francófonos.

Segundo o acordo, as editoras é que decidem que livros são digitalizáveis e se são para venda ou não, ficando salvaguardado que se as editoras quiserem podem solicitar a retirada de uma obra já digitalizada.  “Cabe agora a cada editora decidir se quer ou não estabelecer um acordo com a Google sobre os direitos de autor”, disse à BBC Antoine Gallimard, presidente da SNE, explicando que as receitas das vendas das obras vão ser divididas entre a Google, as editoras e os autores. Nos Estados Unidos têm sido recorrentes as queixas em tribunais contra a empresa norte-americana, que quer digitalizar todos os livros do mundo até ao final da década. Até agora, a empresa Google conta já com mais de 20 milhões de obras digitalizadas.

Publicado originalmente em Jornal de Angola |  16/06/2012

O iRiver Story HD chega oficialmente ao fim


E-reader não consegue competir com outros dispositivos e deixará de ser vendido em lojas americanas

Conforme contou Michael Kozlowski no site especializado Goodereader.com, o iRiver Story HD foi o primeiro e-reader da empresa sul-coreana iRiver a ganhar projeção no mercado mundial. Quando o equipamento foi lançado, a empresa estabeleceu uma parceria com a cadeia de lojas norte-americana Target, para distribuí-lo em todas as suas lojas físicas e na internet. Com isso a iRiver esperava que sua sorte mudasse no competitivo mercado de e-readers. Evidentemente, isso não aconteceu e sua produção chegou ao fim. No mercado atual, observa Kozlowski, o iRiver Story HD simplesmente não consegue competir com os dispositivos de Barnes & Noble, Kobo e Amazon. Várias lojas da Target confirmaram que a partir de hoje todas as suas unidades deixam oficialmente de vender o aparelho.

Quando foi lançado, em 2011, o Story HD tinha duas trunfos que o diferenciavam no mercado: foi o primeiro e-reader do mundo a ter acesso direto ao ecossistema de livros digitais do Google Books. O problema com isso veio quando o Google Books foi integrado à plataforma Google Play e o firmware do equipamento não recebeu atualização e não pode mais ter acesso aos e-books. A outra vantagem era ter a melhor resolução de tela do mercado – o Kindle tem resolução de 600 x 800, enquanto o iRiver tem 1024 x 768.

PublishNews | 26/04/2012

CURSO | O Livro como Mídia Digital


Ednei Procópio

As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O livro não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso “O Livro como Mídia Digital” é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO DO CURSO

  • O que é um livro digital
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA A DATA DO CURSO

Dia: 3 de março de 2012, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Escola do Escritor
Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
www.escoladoescritor.com.br

Évora fecha com Google Books


A editora paulistana Évora fechou uma parceira com o Google e irá disponibilizar 20% do conteúdo dos livros no Google Books para visuzaliação. A ideia, segundo a editora, é permitir aos leitores conhecer um pouco sobre as obras antes de comprá-las. O catálogo completo da casa estará disponível em 2012, mas já é possível vizualizar alguns dos principais títulos lançados, como A biografia de Roger Federer e A revolução da inovação aberta. O acordo não inclui a venda de e-books por meio do Google eBooks, um dos negócios que a empresa americana busca estruturar no Brasil.

PublishNews | 03/01/2012

Brasil é a bola da vez, aposta Google


O clima na saída da apresentação que o Google fez sobre a e-bookstore que quer inaugurar no Brasil em 2012, e que reuniu editores e livreiros em São Paulo na última quinta-feira, reflete bem o momento vivido pelo País na área de livros digitais. Do lado de quem ainda só assiste às mudanças, o sentimento era de animação pelas possibilidades que se abrem com a chegada da gigante americana, que promete até dar um empurrão para que pequenas livrarias também vendam e-books – coisa que já faz com cerca de 300 independentes nos EUA e algumas grandes na Austrália.

Aqui, todas estão na mira, e o fato de a Saraiva e a Cultura já terem feito investimentos nesse sentido não será um obstáculo para futuras parcerias, disse James Crawford, diretor de engenharia da empresa, em entrevista exclusiva ao Estado. “Elas ainda estão muito no início: não têm uma solução em nuvem nem o esquema que possibilita ler em qualquer aparelho.” Representantes das duas redes estavam lá. Na outra ponta, entre os que, de algum modo, já começaram seus catálogos digitais, a sensação foi de nada novo no front. Mas o Google veio para ficar.

O que faz de nós um mercado interessante para a empresa? “O Brasil é o sexto maior mercado do Google e isso é grande. O sistema operacional Androide está se popularizando. E em dois anos os e-books vão decolar no País. Enfim, é um ótimo momento.”

O Estado de S. Paulo | Coluna Babel| 10/12/2011

Para o Google, editoras brasileiras estão no caminho certo


Confira a entrevista com Tom Turvey, diretor de parcerias da empresa

Tom Turvey

Há oito dias, alguns dos principais executivos do Google responsáveis pelas parcerias da unidade de livros da empresa – que inclui o Google Books e o Google eBooks – apresentaram seus serviços oficialmente às editoras e livreiros brasileiros, durante um evento em São Paulo.

A companhia americana pretende lançar sua loja de e-books no Brasil em 2012 – já foram abertas lojas nos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido e outras na Europa devem ser inauguradas em breve – e busca parceiros locais, tanto editoras que fornecerão os produtos, quanto varejistas que tenham interesse em usar a plataforma do Google para vender livros digitais.

Tom Turvey, diretor de parcerias estratégicas da companhia, que esteve no Brasil na semana passada, deu uma entrevista por telefone ao PublishNews da sede do Google, na Califórnia. Ele explicou um pouco sobre como a empresa pretende trabalhar com parceiros locais, suas vantagens competitivas e a integração entre Google Books e eBooks. Também comentou sua percepção sobre o mercado editorial brasileiro. “Toda a indústria parece estar pensando nas coisas certas e se preparando para a inevitabilidade do livro digital. Isso é parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos há alguns anos”, disse o executivo.

Também não faltaram comparações veladas com a Amazon, no que diz respeito ao fato de que a varejista americana, que atualmente domina o mercado de livros digitais no mundo, vem criando operações próprias em vários países e concorrendo diretamente com as livrarias locais, além de vender e-books num sistema “fechado”. Só quem tem o seu dispositivo Kindle pode comprar os produtos da Amazon – e só dela.

Turvey também afirmou, sem entrar em detalhes, que a estratégia de venda de livros que será implantada no sistema operacional Android, nos próximos anos, “vai beneficiar os editores de uma maneira que eles nunca viram”. Leia os principais trechos da entrevista.

Google e editoras

“O Google vai vender os e-books de cada editora em condições aceitáveis para as duas partes. Vamos assegurar que esses e-books estejam disponíveis para o mercado local, na maior quantidade de formatos possível. Temos uma plataforma aberta e isso é importante para que os consumidores possam comprar e ler e-books em quaisquer dispositivos, de um jeito que é muito parecido com a forma de comprar livros físicos hoje. Quando você compra um livro impresso da Saraiva ou da Cultura, você não é obrigado a comprar o próximo livro só da Saraiva ou só da Cultura. Você pode comprar de qualquer lugar que você queira.”

O serviço de digitalização do Google

“Os editores que digitalizam seus próprios livros obviamente são livres para fornecer para qualquer canal de vendas. No caso dos livros que o Google digitaliza de graça, nós mantemos esse arquivo conosco, para vender pelo próprio Google ou pelo site de nossos parceiros.

O que aconteceu com algumas de nossas editoras parceiras foi que elas investiram primeiro na digitalização dos seus best-sellers, e permitiram que nós digitalizássemos, de graça, a parte do catálogo que elas tinham dúvidas se venderia bem ou não. Ou seja, elas não precisaram digitalizar tudo de uma vez e puderam ver o que estava vendendo, para então investir recursos próprios na criação dos e-books. Normalmente, depois que elas fazem isso, distribuem os livros para todos os varejistas.”

Google e varejistas

Diferente de outras empresas, queremos ter parcerias locais com fornecedores locais de livros. Não queremos entrar num mercado e forçar os consumidores a comprar do Google. Queremos assegurar que quem já está no mercado possa ganhar com a transição do impresso para o digital. Por isso incluímos os varejistas que querem vender e-books, mas não têm uma plataforma para fazer isso.

Como qualquer empresa, queremos fechar parcerias com as grandes varejistas. Nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, pudemos fechar negócios com as livrarias independentes. Em ambos os casos, queremos ter certeza de que o esforço vai recompensar os dois lados (varejistas e Google). No Brasil, já há muitos anos temos uma parceria com a Livraria Cultura, que usa o Google Preview em seu site. Podemos estender essa relação para a venda de e-books – não estou afirmando que vamos fazer, mas apenas citando um exemplo do nosso interesse por parceiros locais.

Google Books e Google eBooks


O Google Books é o maior catálogo de livros do mundo. Nele, há mais de 20 milhões de obras, entre as que digitalizamos em bibliotecas, as que recebemos das editoras, por meio do Preview etc. Desses 20 milhões, entre dois milhões e três milhões são os livros que recebemos sob autorização das editoras por meio do Google Preview. Já fechamos acordos individuais com 40 mil editoras e estamos começando a vender os livros delas nos mercados em que já lançamos nossa loja de e-books (a Google eBooks): Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália. Vamos vender esses livros diretamente e também por meio das parcerias com varejistas que querem vendê-los em seus próprios sites.

O mercado brasileiro de e-books


Mesmo que os e-books ainda representem menos de 1% do mercado no Brasil, parece que todos estão pensando seriamente na transição do impresso para o digital. As editoras, pelo menos as maiores, estão ativamente garantindo os direitos de publicação digital para suas obras. Os varejistas também parecem estar fazendo os investimentos certos em seus sites, e interessados em oferece algum aparelho de leitura.

Toda a indústria está pensando nas coisas certas e se preparando para a inevitabilidade do livro digital. Isso é parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos. Há cinco anos, o mercado de livros digitais respondia por menos de 5% das receitas da indústria americana, e agora representa mais de 20% – é um intervalo de tempo relativamente curto. Aqueles que fizeram os investimentos certos e pensaram em como as coisas poderiam mudar, estão indo muito bem por aqui. Vejo evidências desse mesmo tipo de pensamento no Brasil, e saí daí muito encorajado.

O diferencial competitivo do Google


O que o Google está trazendo para esse mercado? Bem, há um par de vantagens que o Google usa para ajudar os editores a vender seus livros. Uma delas é a liderança e a popularidade da nossa ferramenta de busca. No caso do Google Books, por meio da nossa ferramenta de busca, as palavras buscadas podem ser encontradas em qualquer página de qualquer livro. Estamos permitindo que esses livros sejam encontrados de alguma forma, o que é realmente único. Os editores também estão vendo o tráfego aumentar na visualização de livros – e, consequentemente, estão vendo as vendas crescerem.

A outra vantagem é termos o Android, que nos próximos dois anos vai colocar em prática estratégias de varejo muito focadas e vai beneficiar os editores de uma maneira que eles nunca viram. Na medida em que os dispositivos equipados com o sistema operacional Android decolarem – smartphones, tablets – e que as pessoas começarem a comprar mais livros por meio de nosso aplicativo, haverá grandes mudanças.

E-readers


Embora no momento não descartemos nenhuma possibilidade, neste momento não estamos trabalhando para fabricar nenhum e-reader.

Perguntado se o Google busca parceiros para desenvolver esses aparelhos no Brasil, a resposta foi que a empresa não comenta especulações. No dia 8, o Google mencionou o iRiver, e-reader que, nos EUA, já vem com uma plataforma do Google eBooks.

Por Roberta Campassi e Ricardo Costa | Publicado originalmente em PublishNews | 16/12/2011

O Google está com a cabeça nas nuvens?


Por Ednei Procópio

Google Books é uma plataforma excelente, muito boa, mas ainda tomando forma.

Forma de uma nuvem, pois, dependendo do vento que nela bate, uma hora ela é uma coisa, outra hora é pode ser outra coisa.

Quanto mais as plataformas móveis, os tablets e o sistema Android em especial avançam, mais a gente percebe que o mercado de eBooks no Brasil é realmente uma nuvem. Literalmente uma gigantesca e tempestuosa nuvem.

Se não, vejamos. Todos nós sabemos que a nuvem é a união de partículas em suspensão que se apresenta de diversas formas e que pode variar em suas dimensões, números, distribuição espacial, etc. Aliás, conforme descrito na Wikipédia, a forma da nuvem aparecer lá no céu depende também dos ventos atmosféricos.

A forma e cor da nuvem depende da intensidade e da cor da luz que a nuvem recebe, bem como das posições relativas ocupadas pelo observador e da fonte de luz [sol, lua, raios] em relação à nuvem.

Entendeu?

Eu penso que, essencialmente, este é o verdadeiro problema do Google quando ele chega ao Brasil, de novo, dizendo as mesmas coisas sobre a sua solução para eBooks. Me parece que as editoras talvez ainda não tenham entendido a forma.

Agora, o Google nos trás o conceito da tal da nuvem, em sua solução para a circulação de eBooks, que não nasceu dentro da empresa e que portanto não faz dela uma pioneira na área.

Com a cabeça nas nuvens

O conceito da cloud computing começou lá atrás, com alguma coisa na área da telefonia. Se eu não estiver enganado, o termo foi criado na década de 1960 por um cientista da computação chamado John McCarthy [falecido recentemente]. Amazon, Apple, AT&T, HP, IBM, Microsoft e Yahoo são apenas alguns exemplos que me lembro, de cabeça, de empresas que entraram nesta onda de “tentar convencer o mercado a utilizar os meus serviços usando um termo da moda”.

Eu chamo isto de “vapoware”, ou seja, uma novidade tão efêmera que se desmancha com uma leve brisa, tal a sua força em comparação às tentativas de convencimentos anteriores.

O programa de parceiros do Google foi lançado em 2004. Portanto, já faz algum tempo que o Google vem tentando convencer o mercado editorial a utilizar a sua ferramenta como forma de comunicar livros.

Ou o mercado editorial brasileiro ainda não entendeu qual é a do Google [não é possível!] ou me parece que, depois de estar presente em mais de 100 países, com 40 mil editoras parceiras e com 2 milhões de títulos, o Google já deveria ter aprendido que, no Brasil, as coisas são bem diferentes. Cafezinho e tapinha nas costas não resolve a questão.

Às vezes brinco com meu filho de ver formas nas nuvens. Aí eu digo pra ele: “Olha, estou vendo um chapéu”. E ele me responde: “Não, ‘c’ tá maluco. Aquilo não é um chapéu, aquilo é uma jiboia engolindo um elefante. Então talvez o problema do Google seja este: pra uns o Google Books tem a forma de um chapéu, customizado dependendo do tamanho do seu catálogo, pra outros talvez seja uma jiboia engolindo um elefante.

“As jiboias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão.

Eu sou nuvem passageira

Aqui, no Brasil, a expressão “céu de brigadeiro” quer dizer um céu sem nuvens. E eu penso que isto de certo modo reflete nos números do Google no país: são apenas 200 editoras e 30 mil livros presentes na plataforma.

No Brasil, não é a primeira vez que o Google reúne o mercado para tentar vender o projeto Google Books e para tentar esclarecer as inúmeras dúvidas que norteiam não a plataforma, mas que norteiam a quase histórica descrença de um mercado cercado de vícios.

Hoje, quinta-feira, dia 8 de dezembro, na parte da manhã, o Google reuniu, mais uma vez, o mercado editorial brasileiro para [puts, como é que eu explico isto?] reapresentar a plataforma Google Books, agora em formato de nuvem.

Mas onde está a novidade? Usando uma frase que li hoje num newsletter, o que o Google disse aos livreiros e editores brasileiros?

Porra nenhuma. Sejamos francos, e não precisamos ‘fazer média’. Nada do que nós já não sabíamos.

Já não era óbvio que a ideia do Google era digitalizar os livros para, somente depois, lá na frente, bem lá no futuro, começar a comercializá-los? Então porque é que o Google já não disse isto lá atrás pra economizar o tempo de todo mundo?

Apesar de que, se não me falha a memória, o Google afirmou, categoriamente, que não, que não iria comercializar os livros eletrônicos, que a digitalização ia apenas ajudar na busca pelas obras impressas.

Parece-me que o conceito de nuvem se aplica bem aos negócios que ainda não estão bem, digamos, condensados, só para usar um termo da Física. Pois vejamos: a ideia original do Google Books era digitalizar o conteúdo offline de livros e, através das ótimas ferramentas do próprio Google, ajudar o usuário a encontrar um livro, em versão impressa, em uma estante em uma biblioteca ou livraria [físicas].

Só que vem um vento, soprando, que batizo de iCloud, e muda a direção das nuvens. Aí o Google muda de ideia também. E aí o Google passa a querer distribuir e comercializar o que já estava digitalizado.

Que com o vento se vai

Todos nós sabemos que a missão original do Google era “organizar as informações do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis”. Depois, o Google queria ser um indexador. O Google queria ser um buscador. Depois, o Google queria ser um digitalizador de coisas offline. Depois o Google queria ser uma biblioteca digital mundial, queria ser a única. E aí um distribuidor de eBooks comercializáveis. Depois uma plataforma para autores. E, por fim, bem, seria interessante se o Google fosse o seu próprio criador de conteúdos. Sugiro que o Google seja também o seu próprio consumidor e usuário. Já que ele agora pelo que me parece quer fazer de um tudo.

Mas do que eu estava falando mesmo? Ah, sim, do mercado editorial lá reunido, a cúpula, talvez a elite, digamos assim, reunida para que o Google pudesse mais uma vez tentar convencê-los de algo que nem o próprio Google em 2004, nem a Gato Sabido, nem a Xeriph, nem a Minha Biblioteca, nem a Nuvem de Livros, etc., etc., etc., conseguiu. E antes de todos eles a eBooksBrasil, a VirtualBooks, e muitos outros.

Os números

O Google nos diz, em uma das suas telas apresentadas no evento de hoje de manhã, que somos 80 milhões de internautas. Número que eu, mais uma vez, pela enésima vez, aliás, discordo em gênero, número e grau. Na minha percepção, o número é muito menor do que este. Mas tudo bem, eles são o Google, né?

Depois, o Google diz que as pessoas passam 28 horas por semana online. OK, perfeito, legal. Mas quanto deste tempo, as pessoas passam lendo livros?

Segundo a Anatel, nos números apresentados pelo Google, somos 232 milhões de celulares. De novo. OK, perfeito, legal. Mas quantos celulares são pós-pagos e quantos celulares são pré-pagos? E, mais do que isto, quantos têm a conta do tipo 3G? Afinal, para consumir livros digitais é preciso estar conectado. E quantos são smarts com telas pra leitura?

Alguns outros números apresentados, no entanto, foram muito interessantes.

A plataforma Google Books, integrada ao Android, já foi lançada no EUA, Canadá, Austrália, Inglaterra e países da Europa. No total, são mais de 7 mil editoras mantendo seus livros na plataforma.

Mais de 300 livreiros nos EUA e Reino Unido.

Mais de 600 varejistas nos EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália.

Os números mostram 112 milhões de eBooks vendidos em 2010. O que soma $ 3,38 bilhões. E são 3,5 milhões de instalações do aplicativo do Google eBooks.

Mais do mesmo

Mas tirando os números acima citados, duvido que alguém ali tenha notado isto, a apresentação começou com algumas telas ensinando o que era o Google. O que demonstra o tom, um indício de com quem o Google achava que estava falando.

Aliás, eu achei sensacional esta parte inicial da apresentação porque eu já havia me esquecido como era o buscador do Google, de tanto usar o Bing.

Está bem, talvez eu não devesse escrever isto aqui, mas me parece que é sempre mais do mesmo, um blá, blá, blá sobre internet, redes sociais, compras online, um falatório sem fim, um viés de convencimento que simplesmente me pareceu desnecessário.

Ouvindo estas palestras sobre eBook me parece até que os profissionais do mercado ainda não se convenceram, ou realmente não estão preparados para o mundo digital. Então precisa de um café da manhã para, sei lá, dar um ultimato de quem não convence nem a si mesmo.

Raios e trovões

Uma coisa que o Google não conseguiu explicar direito, fora a questão dos percentuais das vendas para editores e livreiros, vamos dizer que talvez por causa do tempo curto, foi a questão da leitura offline dos eBooks ‘presos’ à nuvem. Me parece que a segurança do arquivo no caso da plataforma envolve um cash em pastas encripturadas. Algo que eu até já estava estudando para a nossa solução na Livrus.

Preciso ver isto mais de perto.

Mas mesmo com o bom crescimento do Android para smarts e tablets, o Google percebeu que existem outras plataformas de hardwares que ainda não utilizam o seu sistema. Com isto, o Google percebeu que haveria a necessidade de integração com outras plataformas. É o que aconteceu com o hardware iRiver Story HD, cuja integração foi necessária por conta desta leitura offline em e-readers. E aí, neste caso, a integração ficou perfeita, muito boa, bem diferente do casamento Adobe CS/Sony Reader.

Em resumo, para o a circulação de eBooks usando o conceito de nuvens, o desafio ainda é a segurança quando se quer ler a obra estando offline. E esta segurança é relativa quando se trata de conteúdo que veio lá da nuvem.

Enfim, creio que o que possam nascer desse cenário todo de nuvem pra cá, nuvem pra lá, sejam raios, relâmpagos e trovões.

Um raio, segundo a página digital do Sr. Jimmy Wales, “é um fenômeno em que para acontecer é preciso que existam cargas opostas entre nuvens”. É uma descarga elétrica que se produz pelo contato entre nuvens, pois “quando isso acontece, a atração é muito forte, então temos uma enorme descarga elétrica”. Disto isso, imaginemos, por exemplo, o que poderia acontecer com iniciativas como a  Nuvem de Livros quando se percebe que projetos como este concorrem diretamente com o Google eBooks?

Temos um mercado que se reúne várias vezes, sem rumo, como se um raio não caísse duas vezes num mesmo lugar.

Entro nessa?

Se vale à pena entrar no Google Books?

Mas é claro que sim. Vale muito à pena.

Ironias à parte, sei que exagero [ é que, às vezes, chega uma hora que é necessário], e levando em conta que o Google faz segredos sobre percentuais, mas assim que eu descobrir eu publico aqui, considero a plataforma do Google, de longe, a melhor de todas. Melhor que a plataforma da Apple. Melhor que a plataforma da Amazon. Não que as outras não sirvam, não é isto, mas levando em conta as nossas especificidades, sem sombra de dúvidas é uma das melhores opções para as editoras no Brasil.

Se o Google realmente trouxer, como prometeu, a plataforma Google eBooks integrada ao Android para 2012 creio que teremos finalmente uma solução inteligente para os nossos negócios.

É isto, testem a API do Google Preview. Que é maravilhoso. E, na boa, foi a única coisa bacana que eu gostei deles terem mostrado hoje.

Mas enfim

Eu saí da apresentação de hoje de manhã com a sensação de que o Google está querendo dizer o seguinte: “Venha para minha plataforma porque afinal eu sou o Google”. Então eu não deveria ter ido lá, eu teria ficado com aquela imagem sóbria que eu tinha do Google, de uma empresa com um motor de inovação sem igual, que não precisa convencer nenhuma empresa editorial brasileira do óbvio.

Mas já que eu fui, eu poderia agora mesmo acessar o buscador Google, que pretende um dia a tudo responder, e perguntar: Porque um usuário compraria um livro digital no Google eBooks se no Google Preview o acesso é gratuito?

Hoje, na apresentação, o Google citou uma música do Red Hot Chili Peppers, mas fico com a canção de Bob Dylan:

The answer, my friend, is blowin’ in the wind. The answer is blowin’ in the wind”.

Por Ednei Procópio

O que o Google disse aos livreiros e editores


Em apresentação oficial, empresa chamou atenção para o mercado de e-books, divulgou serviços e abriu as portas para negociações – mas não deu detalhes sobre modelo de negócios

Já faz algum tempo que o Google vem conversando com editores e livreiros brasileiros, mas hoje de manhã a empresa marcou sua presença oficialmente, ao reunir, em São Paulo, potenciais parceiros para apresentar suas ferramentas e loja digital voltadas ao mercado de livros. Num momento em que gigantes como a Amazon e a Apple têm interesse declarado pelo Brasil, o Google acelera a busca por editores e varejistas para conseguir colocar seu modelo de negócios em pé no país.

Num evento que reuniu cerca de 150 pessoas, o Google apresentou seus serviços em linhas gerais e respondeu perguntas dos participantes. Mas manteve-se calado, pelo menos publicamente, sobre os detalhes do modelo de negócios e de remuneração. “Todas essas informações serão discutidas individualmente, caso a caso” repetiu algumas vezes Newton Neto, responsável no Brasil por desenvolver as parcerias no mercado de livros. Já se sabe, porém, que o padrão usado pelo Google nos Estados Unidos determina que ele retenha 65% do valor das transações quando atua como distribuidor, e depois divida essa fatia com os varejistas, em proporções que não foram mencionadas.

Em resumo, o Google apresentou suas principais ferramentas e citou vários números para convencer os participantes de que o crescimento do mercado de e-books é um caminho sem volta. De acordo com Tom Turvey, diretor de parcerias estratégicas para serviços de busca do Google, as receitas de editoras americanas com livros digitais, que eram de apenas 0,5% e 6,2% em 2010, já chegam a 23% em 2011. “A migração é inevitável. Vocês podem lutar contra ou investir para fazer parte. É o que falamos no Google: você pode ficar na frente do ônibus ou dentro dele.

Uma das ferramentas apresentadas, já mais conhecida por editoras e livreiros, é o Google Preview, onde as editoras parceiras disponibilizam trechos digitalizados de seus livros. Por meio dessa ferramenta, os livros passam a fazer parte dos resultados da busca tradicional do Google [sem que as editoras tenham que pagar por isso] além de poderem ser visualizados no site de varejistas e também no Google Books.

O Google Books é um serviço de busca para livros, em que o internauta digita um termo e encontra as obras que têm ligação relevante com a palavra. A ferramenta permite a compra do exemplar do livro físico redirecionando o usuário para o site de um varejista parceiro. No mundo, o serviço está disponível em cem países e tem 40 mil editoras participantes com dois milhões de livros cadastrados. No Brasil, são 200 editoras e 30 mil livros no total.

Mas o Google Books também passará a incluir e-books, e esse é o grande interesse da companhia e de onde virá a maior parte de suas receitas no negócio de livros. A aba “e-books” ainda não está disponível no Brasil, mas à medida que as parcerias forem fechadas ela será criada.

No esquema do Google eBooks, as editoras deverão entregar os arquivos dos seus livros digitalizados – em PDF ou ePub – ou então entregarão os livros físicos ao Google, que vai digitalizá-los gratuitamente “de forma mais rápida e com mais qualidade do que qualquer outra empresa”, afirma Chris Palma, responsável pelo desenvolvimento de parceiros estratégicos do Google. Os livros digitalizados ficarão na nuvem do Google, ou seja, não haverá “download” de arquivos, e sim acesso a eles.

Uma vantagem? A editora pode passar a ter seu acervo digitalizado sem custo nenhum. Uma desvantagem? O arquivo digitalizado não é entregue à editora e fica exclusivamente na nuvem do Google.

É a editora quem decidirá, ao se juntar à empresa americana, em quais territórios os e-books podem ser vendidos, os aparelhos em que podem ser acessados e quanto do livro pode ser “copiado e colado” ou impresso.

O Google não terá apenas editoras como parcerias, mas também livrarias, que poderão passar a utilizar a ferramenta do Google para fazer a venda de e-books. Vale para os varejistas que ainda não têm uma plataforma de venda do produto, e também para quem já tem. “Uma das vantagens da plataforma do Google é que ela tem recursos tecnológicos que a nossa ainda não oferece”, afirmou Mauro Widman, responsável pela área de e-books da Livraria Cultura, ao PublishNews.

No mundo, o Google tem 600 livrarias parcerias, praticamente todas independentes. “Mas não vemos isso acontecendo no Brasil. Gostaríamos de trabalhar com os líderes de mercado aqui, funcionando como distribuidores para eles”, afirmou Neto.

Um dos itens que o Google oferece é a sincronização de leitura dos títulos comprados em diferentes dispositivos – seja tablet, smartphone, e-reader, PC etc. Por outro lado, uma das desvantagens para a livraria, segundo Widman, é que a proposta do Google prevê que a compra seja finalizada em seu ambiente. Para simplificar, o carrinho de comprar não é da livraria, e sim do Google, o que reduz o controle que a varejista tem sobre o que o cliente está comprando. É algo a ser observado na medida em que o Google avança nas conversas aqui no Brasil.

O Google também pretende lançar a sua Google Store no país, acessível pela web ou por aplicativos, que funcionam no sistema operacional Android e outros, inclusive o iOS da Apple.

Segundo Newton Neto, a loja no Brasil será lançada ainda em 2012 – já há lojas em funcionamento nos EUA, Canadá, Austrália, Inglaterra.

Quanto o Google vai ganhar com tudo isso? Vários participantes fizeram a pergunta e a resposta repetida foi que serão feitas negociações individuais – e elas começam já. Mas, segundo Chris Palma, em declaração ao PublishNews, o Google tem um padrão estabelecido nos Estados Unidos: fica com 65% do valor quando atua como uma distribuidora [e depois divide essa porção com a varejista parceira] e com 55% quando atua diretamente como varejista.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 08/12/2011

O Google vem aí


O início das operações do Google Books no Brasil está mais perto do que se imaginaria – e pode acontecer antes mesmo que a concorrente Amazon consiga preencher a vaga de gerente aberta por aqui desde maio. No dia 8 de dezembro, Tom Turvey, diretor de parcerias, e James Crowford, diretor de engenharia, recebem editores brasileiros para um café da manhã na sede da empresa, em São Paulo. Eles vão apresentar “os produtos e as novidades para o mercado de livros no Brasil“. Recentemente, a empresa americana contratou Newton Neto, ex-diretor da Singular, o braço digital da Ediouro, para preparar sua entrada no mercado brasileiro.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 19/11/2011

Como baixar livros pelo Google Books


Os direitos autorais levantam perguntas de usuários do Google Books: é possível baixar livros pelo Google Books? Como? A resposta é: depende.

O Google Books é um serviço voltado para a pesquisa de livros e pertence ao Google. O objetivo do site é facilitar que o usuário encontre livros correspondentes aos temas de seu interesse. Dessa forma, o Google Books recomenda livros relacionados aos termos buscados pelo usuário, permite pesquisas por livros, autores e temas, faz buscas on-line, possibilita o acesso rápido às referências bibliográficas dos livros, direciona o usuário para locais de compra e empréstimo dos livros desejados etc.

Para visualizar as obras, o usuário encontra restrições caso o livro em questão seja protegido por direitos autorais. Caso não seja ou se a editora permitir, a visualização pode ser feita a partir de trechos do livro, ou mesmo do texto na íntegra.

Caso a obra pesquisada seja de domínio público, é possível baixar uma cópia em PDF. Neste tutorial, segue um passo a passo de como baixar livros do Google Books, nesta situação.

Passo 1. Clique no livro desejado no site do Google Books. Caso não tenha uma obra especifica, na barra de opções à esquerda da página, clique no tema desejado e, em seguida, em Visualização completa;

Passo 2. Após clicar, verifique se o livro escolhido está disponível para download. Se estiver, irá aparecer na barra à direita da tela Obter agora;

Passo 3. Clique em Leia no seu aparelho. Essa opção, torna possível baixar o arquivo em formato PDF, para Android, iPad, Iphone e para visualização em tela;

Passo 4: Aguarde o download do arquivo e confira se a obra está completa.

O livro The Prince está disponível para download, se desejar, clique no link para testar se o download será realizado corretamente.

Confira mais.

Claudia Bozza |  TechTudo | 19/08/2011

Harry Potter na nuvem


eBooks da série criada por JK Rowling serão armazenados na biblioteca Google Books nas nuvens

Depois de decidir que os e-books e audiolivros da série Harry Potter só seriam vendidos pelo recém-criado site Pottermore [que só entrará de fato no ar em outubro], JK Rowling anunciou que fez uma parceria com o Google e agora os fãs poderão armazenar os e-books do bruxinho em suas bibliotecas do Google Books. Vai funcionar assim: o leitor compra o livro pelo site, paga pelo sistema do Google Checkout e acessa o livro “na nuvem” a partir de qualquer aparelho.

PublishNews | 21/07/2011

Google Books anuncia parceria com site de J.K. Rowling


J.K. Rowling na premiere do filme "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2"

O Google Books divulgou hoje que fará uma parceria com o Pottermore, site voltado à série “Harry Potter”, da escritora britânica J.K. Rowling, que será aberto ao público em outubro.

Num post em seu blog, o Google Books disse que a parceria vai permitir a integração do Pottermore com alguns aplicativos e produtos do Google.

Com o acordo, usuários americanos do Pottermore poderão baixar os livros da série e guardá-los na biblioteca do Google Books.

O acerto também prevê que o Google Checkout será a plataforma terceirizada preferencial para compras de produtos no Pottermore.

Folha.com | 20/07/2011 – 18h34

Chega às lojas o primeiro e-reader integrado à livraria do Google


Ele será vendido a partir do próximo domingo, dia 17 de julho

No final da tarde desta segunda-feira, dia 11, Pratip Banerji, gerente de produtos do Google Books, comentou no blog oficial do Google Books [Inside Google Books] o lançamento do primeiro e-reader integrado com a sua eBookstore [lançada nos Estados Unidos em dezembro de 2011]. O Story Drive HD, fabricado pela iriver, roda a API do Google Books, o que leva o usuário direto à eBookstore onde, segundo o Google, o leitor tem acesso a mais de 3 milhões de títulos gratuitos e a outras “centenas de milhares de e-books à venda”, nas palavras de Pratip Banerji. O Story HD estará a venda nos EUA a partir de 17 de julho, nas lojas físicas da Target e também na Target.com, pelo preço de US$ 139,99. O design do novo aparelhinho é semelhante ao Kindle, com uma tela de 6 polegadas XGA [768 x 1024], teclado físico do tipo QWERTY, e pesa 207 gramas. O site da iriver anuncia duração de 6 semanas para a bateria do Story HD, que também vem com wi-fi, o que permite a compra direta na loja do Google Books [aparelhos anteriores precisam que os e-books sejam comprados em um computador e baixados para eles via cabo] e possibilita também que a biblioteca do usuário seja guardada na nuvem, evitando a necessidade de baixar cada livro no aparelho para que seja lido. Ainda segundo Pratip, “a API usada pelo equipamento da iriver está disponível para qualquer fabricante.

Por Ricardo Costa | PublishNews | 12/07/2011

Google lança leitor adaptado à sua biblioteca online


Story Drive HD

Story Drive HD

O gigante da internet Google anunciou nesta segunda-feira o lançamento de um novo leitor eletrônico adaptado à sua biblioteca online Google Books, que estará a venda a partir de 19 de julho nos Estados Unidos e vai custar cerca de 140 dólares, o preço médio dos principais concorrentes.

O aparato, batizado de Story HD, é um pequeno tablet com teclado, parecido com o dispositivo líder fabricado pela Amazon, o Kindle.

Com o Story HD agora podemos buscar, comprar e ler e-books Google via wifi [internet sem fio], ao invés de baixar e transferir de um computador para o leitor com um cabo como já podíamos fazer com mais de 80 aparelhos compatíveis“, afirmou um responsável do Google Books, Pratip Banerji, no blog do grupo.

O Google lançou em dezembro sua livraria on-line – que pode ser acessada na página books.google.com – que oferece “centenas de milhares de e-books Google à venda e mais de três milhões [de obras] grátis“, graças a sua associação com 4 mil editoras.

France Presse | 11/07/2011

Como ganhar a briga pela venda dos e-books?


Eu leio todos meus livros no meu iPhone e costumo ter diferentes livros abertos em vários e-book readers ao mesmo tempo. Essa é uma mudança drástica no velho hábito de ler um livro por vez. Nunca pensei que seria divertido ler dessa forma porque as limitações físicas de carregar vários livros de papel para todos os lados nunca me encorajou a pensar em algo assim.

No momento estou lendo Joe Cronin, de Mark Armour, e Crossing the Chasm, de Geoffrey A. Moore no Google Books; Washington, de Ron Chernow no Nook reader [que agora percebi que não marcou minha última leitura e está me forçando a descobrir em que parte eu estava, o que não é nada bom]; Brooklyn Dodgers: The Last Great Pennant Drive, de John Nordell no Kobo; e The Autobiography of Mark Twain, no Kindle. Tenho o iBooks reader no telefone, mas não compro na loja dele porque nunca vi nenhuma vantagem especial no reader e a loja possui bem menos títulos do que os concorrentes.

Agora, você se importou com os detalhes do que falei? Aposto que a maioria dos leitores não, a não ser dentro do limite de que esperam que eu faça alguma discussão conceitual sobre esses detalhes pessoais que falei no parágrafo anterior [e é claro que vou fazer]. Meu palpite é que a maioria leu o primeiro parágrafo curto e passou por cima do segundo que, francamente, não é realmente necessário para mostrar minha ideia. Mas creio que alguns poucos ficaram bastante interessados. [Mas por favor não me contem seus detalhes, eu faço parte da maioria].

Onde eu compro os livros é algo bem caótico. Minha ordem de preferência para ler [no momento porque isso muda e eu uso todas as possibilidades] é Kobo, Kindle, Google, Nook. Kobo, Kindle e Nook possuem dicionários incluídos; pressione [só tocar não adianta] em cima da palavra e aparecerá uma definição e a possibilidade de criar uma nota, ou então um link para a Google ou a Wikipedia. O problema para mim é que, no iPhone, nem sempre consigo fazer esse recurso funcionar. Minha experiência pessoal mostra que a funcionalidade é mais confiável no Kobo e bem menos no Kindle e na B&N, mas não sei se essa experiência pode ser considerada representativa em comparação com outras pessoas com iPhones, dedos e livros diferentes.

A Google ainda não oferece essa capacidade, nem mesmo simples marcação de página [que todos os outros têm], mas aposto que isso não vai demorar para ser implementado.

Nenhuma das plataformas oferece um desempenho perfeito na minha experiência de uso [e a sua pode ser diferente]. Meu Kobo já “travou”, forçando-me a reiniciar o telefone para que voltasse a funcionar. A formatação do “Mark Twain” do Nook no meu iPhone era um desastre. [Falei sobre isso com algumas pessoas da B&N; talvez tenham consertado. Quando perguntei ao editor da UC Press, a resposta foi que o arquivo funcionava bem no aparelho Nook, mas sei que não funcionava no meu Nook para iPhone. Dá para ler muito bem no Kindle para iPhone.] O Kindle é frustrante para mim porque eu gosto muito de ler com alinhamento à esquerda e, até onde sei, o Kindle sempre mostra as páginas justificadas e não há como mudar. Acho que a navegação do Google e do Kobo são mais intuitivas para mim e me dão mais controle da experiência de leitura. O Nook não parece ter uma forma de travar com a tela na vertical então não dá para ler na cama de lado.

Se penso num livro que quero quando estou lendo outro, é mais provável que compre no reader que estou usando só porque é o que está aberto. Graças à combinação de modelo de agência e monitoramento do preço em tempo integral, é improvável que haja qualquer vantagem financeira de ficar procurando em várias lojas. Se eu sei exatamente qual livro quero, não existe nenhuma diferença especial entre os quatro em termos de facilidade de uso ou velocidade de transação.

Há uma dinâmica que claramente favorece o Kindle. Tenho um aparelho Kindle, que comprei nas primeiras semanas em que este saiu ao mercado. Li muitos livros nele no primeiro ano. Dei o aparelho para minha mulher quando o Kindle colocou sua vasta seleção disponível no iPhone. Martha lê muito mais livros do que eu; mas os gostos são muito diferentes. Quando decidi que queria ler Stieg Larsson, ela já tinha comprado para Kindle, então li no aparelho [é tudo a mesma conta.] E quando comprei o novo Ken Follett do Nook, ela o acessou em Nova York enquanto eu estava lendo em Frankfurt usando o iPad que compartilhamos [mas que nenhum dos dois gosta de usar para ler livros porque é muito pesado.]

Tudo isso leva à pergunta conceitual que prometi acima: o que uma loja deve fazer para fidelizar seus clientes? E para responder essa pergunta devemos também ter algo em mente: os pequenos grupos são importantes.

Vamos olhar no passado e dizer que havia um relativamente pequeno grupo de usuários iniciais do Kindle que foram os principais catalisadores de cada vez mais profundas mudanças na edição de livros [mudanças que ainda estão começando]. A Amazon estava numa posição única para entregar uma proposta nova e com valor para as pessoas que podiam se beneficiar mais dos aparelhos de leitura. E eles capturaram e, por um tempo, fidelizaram um grupo relativamente pequeno de pessoas que leem muito, porque quanto mais livros você lê, maior o benefício relativo do Kindle, em termos de funcionalidade e de economia.

Pode ser que um dia o formato de arquivo [relativamente] fechado do Kindle se torne um problema para as vendas, mas é difícil ver que isso vai acontecer agora, principalmente se a Amazon cumprir com seu recente anúncio de que em breve vai produzir um Kindle baseado em browser. [Eu deveria acrescentar que li relatórios de que o Google books funciona bem num aparelho Kindle através do web browser do aparelho. Como meu Kindle é um dos primeiros modelos, sem wi-fi e com uma conexão muito lenta, não estou em posição de confirmar isso.] Mas, por agora, a Amazon possui muitos milhões de felizes donos de aparelhos para quem comprar um livro de qualquer outra forma seria mais um problema do que uma solução.

Então, de qual outra forma a loja pode fidelizar o cliente? A Google tentou vender o valor de que você será o gerente da sua “estante” onde todos seus livros estarão disponíveis o tempo todo, em qualquer aparelho, etc. A ideia parece ser tirada do conceito do iTunes, mas esse é outro exemplo que nos faz lembrar que “livros não são iguais a música”. É importante ter toda sua música num só lugar. Nunca vou ter nenhum motivo para precisar que “Washington” e “Joe Cronin” estejam no mesmo reader, mas seria importante ter uma música de 1958 e uma de 1992 tocando consecutivamente quando eu quiser.

Então, o importante para a iTunes foi: a] permitir que fosse fácil ripar facilmente seus CDs, e para isso o banco de dados de metadata foi um recurso extremamente importante; e b] permitir que se comprasse qualquer outra música que se quisesse pelo método de download em algum sistema de hospedagem. Posso ser um extremo na desorganização dos meus hábitos de leitura, mas acho que poucas pessoas iriam exigir algo parecido às capacidades de agregação do iTunes para seu material de leitura.

Então, o que mais? A The Copia [nosso cliente durante uma boa parte do ano passado, que estará no meu iPhone assim que o aplicativo deles estiver pronto] possui uma proposta para tentar resolver isso, que é criar um aplicativo de rede social em conjunto com o leitor. Se eu estivesse no The Copia e tivesse todos os livros dos quais estou falando no aplicativo deles, vocês seriam capazes de ver os detalhes que eu apresentei no segundo parágrafo sem que eu tivesse de contar.

E isso me leva à segunda questão: que pequenos grupos são importantes. Porque, claramente, há pessoas que se importam com o que os outros estão lendo e que querem compartilhar suas anotações para que os outros possam ver. E se eu me importar em mostrar minhas experiências de leituras, vou querer que todos meus livros estejam no The Copia. Isso é um método de fidelização. E, quem sabe, pode ser que eu descubra que vale a pena compartilhar informações com outras pessoas loucas pela história do beisebol. [Apesar de que me pergunto se sou a única pessoa que acha o sublinhado sutil do Kindle, que mostra, quando você passa o mouse sobre um item, que “87 pessoas destacaram essa passagem”, ao mesmo tempo inútil e distrativo.]

Fidelizar um pequeno grupo é o que a Kobo está pensando com os novos recursos de leitura social que acabaram de introduzir. Estão disponíveis agora somente na versão iPad do aplicativo, mas eles “acompanham” sua leitura, dão recompensas por terminar um livro e permitem que o mundo saiba em que ponto você está de um livro. As pessoas que acham isso bom, e existem algumas, agora terão um motivo para usar o Kobo e somente o Kobo, assim como as pessoas que possuem um Kindle tem uma razão para usar somente a Amazon e o The Copia espera ganhar as pessoas que gostam de redes sociais e que conseguem ver menos valor no resto.

Por outro lado, espero que as capacidades centrais fiquem mais parecidas com o tempo. A Google vai acrescentar links externos para dicionários e fontes de referência. Todas as plataformas vão melhorar a resposta de seus aplicativos para meus dedos gordos no iPhone. Se as estatísticas sociais da Kobo provarem ser algo que arrasta os consumidores, os outros vão acrescentar algo parecido.

Uma coisa que descobri ser muito legal de fazer no iPhone é a capacidade de copiar a tela como se fosse uma foto, o que me permite enviar por e-mail. Há um fabuloso gráfico no novo livro de Robert Reich, “Aftershock”, que deixa muito claro o fato de que uma coisa que atrapalha muito a economia norte-americana é que o 1% dos mais ricos é dono de uma parte muito grande da renda nacional. Adorei ser capaz de copiar aquela tabela como foto e enviá-la para meus amigos. Acho que uma tela de iPhone de conteúdo é pequena o suficiente para não ser considerada pirataria. [Essa é a minha versão e eu a defendo.]

Mas o que mais me importa é a experiência de merchandising e de compra, que a Kobo parece estar ganhando até o momento, mas que não é excelente a ponto de não poder ser superada. [E, como eu apontei acima, se você sabe qual livro em especial quer comprar, todas as lojas são iguais e é difícil que se destaquem.] Há muitas formas de melhorar a experiência de compra, mas eu vou deixar meus pensamentos para outro post.

Então, a maioria dos cavalos já saiu da linha de largada e a Amazon está claramente na dianteira. Mas qualquer um que acha que a corrida pela venda de e-books terminou deveria pensar nisso: não sabemos ainda nem qual é o conjunto de recursos que irá ganhar, muito menos quem vai conseguir descobri-lo no longo prazo.

Sei que essa análise está incompleta. Não leva em conta os readers exclusivos como o IBIS Reader da Liza Daly nem as lojas de e-book independentes como a pioneira Diesel Ebooks. Não fala da Sony, que pode ainda ter um pedaço maior do mercado do que a Kobo [apesar de que, se possuem, minha previsão é que não será por muito tempo]. Nos dias antes do Kindle, quando eu lia meus e-books em formato Palm num aparelho Palm ou outro PDA, comprava na Diesel. Não descarto as chances de ninguém nesse momento, já que ainda é o princípio do desenvolvimento da infraestrutura da leitura digital, mas acho que meu iPhone e esse post capturam as fontes que oferecem a maior seleção de conteúdo que poderiam me interessar. E estou razoavelmente certo de que estou falando aqui das empresas que fornecem a grande maioria dos e-books lidos nos EUA, no geral mais de 90% e provavelmente perto de 95%.

Texto escritor por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 23/12/2010

Digitalização de livros revela “genoma” da cultura


Estudo analisou conteúdo de mais de 5 milhões de livros e servirá de banco de dados para compreensão de fenômenos de comportamento

O artista Marc Chagall e seu vitral no prédio das Nações Unidas: estudo mostrou claramente a censura a seu trabalho na Alemanha nazista. Foto: Getty Images

Um estudo da Universidade de Harvard digitalizou 5.195.769 livros – aproximadamente 4% de todos os livros publicados até agora – para criar um mosaico de como a linguagem mudou ao longo dos últimos dois séculos. Entre as constatações: de que Deus não está morto, mas já esteve mais em voga; Freud é muito mais influente que Darwin, Galileu ou Einstein; e que as celebridades estão ficando cada vez mais jovens e efêmeras.

Conseguimos uma vasta base de dados. Sabíamos que as palavras entravam e saíam de uso, agora isto pode ser comprovado e quantificado, agora teremos um grande trabalho pela frente para analisar esta quantidade imensa de dados”, disse Jean Baptiste Michel do departamento de psicologia da Universidade de Harvard e autor do estudo que levou quatro anos para ser concluído, e que está publicado na edição de hoje do periódico científico Science.

A equipe, que incluiu pesquisadores de Harvard, Google, Encyclopaedia Britannica, e American Heritage Dictionary, apelidou o estudo de “culturomics”, fazendo um paralelo ao genoma – traduzindo para o português, seria algo como “culturoma”. O conjunto de dados, que está disponível para download em http://www.culturomics.org, tem cerca de 72% de texto em inglês, com quantidades menores em francês, espanhol, alemão, chinês, russo e hebraico.

O estudo começou quando Michel e seu colega Erez Lieberman Aiden, também do programa de Dinâmica Evolutiva da Universidade de Harvard, estudavam quando verbos irregulares em inglês passavam a ser regulares. Para isto, descobriram uma ferramenta importante e fizeram uma parceria com o Google Books. O passo seguinte foi analisar a evolução das palavras.

Gráfico em forma de nuvem mostra palavras mais frequentes do estudo do "genoma cultural". Foto: Science/AAAS

Pizza, só a partir de 1960

“Agora temos mais dúvidas do que respostas. Temos um longo trabalho que será analisar o motivo que fez com que estas palavras se tornassem mais comuns ou menos comuns”, disse Michel dando o exemplo de “pizza”, que só começou a aparecer na literatura em inglês a partir da década de 1960.

Primeiro pensamos que poderia ser por causa da imigração italiana nos Estados Unidos, mas depois nos demos conta de que a imigração ocorreu muito antes dos anos 1960, então acreditamos que isto esteja relacionado com a guerra, quando os americanos foram para a Itália e aprenderam o quanto a comida italiana é boa. Isto teve reflexo nos livros”, disse Michel ao iG.

A frequência das palavras vai mudando mesmo com o passar do tempo. A começar pelo número de vocabulário. Nos anos 1800 eram 60 milhões de palavras diferentes por ano; em 1900, 1.4 bilhões e em 2000 o número saltou para 8 bilhões. “Existem várias hipóteses, mas acreditamos que este aumento se deve ao avanço da ciência e da medicina que incrementou o vocabulário”, disse.

Cerca de 8.500 novas palavras surgem no inglês, anualmente, impulsionando um crescimento de 70% do léxico entre 1950 e 2000. Mas o estudo constatou que muitas dessas palavras não podem ser encontradas em dicionários.

Celebridades e censurados

O estudo também constatou que a fama vem cada vez mais cedo, de forma mais intensa e efêmera. Celebridades nascidas em 1950 tendiam a alcançar a fama com idade média de 29 anos, contra 43 anos das nascidas em 1800. A análise de livros mostrou ainda que os atores atingiram a fama mais cedo [por volta dos 30 anos] do que os escritores mais famosos [cerca de 40 anos de idade] e políticos [após os 50 anos]. Mas os políticos acabam muito mais famosos, e por um período mais longo, que os atores mais conhecidos.

Outro ponto intrigante é o que se refere às figuras censuradas na história. O estudo analisou o caso de Marc Chagall: o pintor judeu foi mencionado apenas uma vez nos livros alemães digitalizados que foram publicados entre 1936 e 1944. Por outro lado, neste mesmo período, sua menção cresceu cerca de cinco vezes nos livros em inglês do mesmo período. Fenômenos parecidos aconteceram com o nome de Leon Trotski, nos livros russos e o termo “Praça da Paz Celestial”, nos chineses.

De acordo com Michel, a nova ferramenta poderá servir como uma comprovação para inúmeras hipóteses sobre questões históricas. “Os dados não mentem, são informações quantitativas, podemos usar isto como uma espécie de fóssil que pode evidenciar fenômenos das ciências sociais e humanidades”, disse.

Por Maria Fernanda Ziegler  | Publicado originalmete por iG São Paulo | 16/12/2010, 17:10

O Livro Na Era Digtal na USP


A palestra “O Livro na Era Digital” ministrada por Ednei Procópio no dia 26/10/10, às 9h, no evento “XIII Semana do Livro e da Biblioteca”, realizado na USP/ESALQ/DIBD em Piracicaba.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Google chega a acordo com editora para digitalização de livros


FRANÇA | O Google firmou um acordo com a maior editora de livros da França, a Hachette Livre, para escanear e vender livros esgotados, o que garante à Hachette amplo controle sobre o preço e conteúdo.

O acordo, anunciado nesta quarta-feira, cobre cerca de 50 mil títulos em francês, incluindo literatura, obras acadêmicas e livros de referência.

O acerto é simbolicamente importante em um cenário no qual editoras pelo mundo tentam proteger seus negócios da canibalização da Internet.

A Hachette tem frequentemente se mostrado agressiva na defesa do modelo de negócio da indústria de livros contra participantes da Internet tentando abocanhar parte do valor da cadeia de publicação.

Controlaremos o preço dos livros‘, disse o presidente-executivo da Hachette Livre, Arnaud Nourry em teleconferência. ‘Isso deixa para trás anos de discordâncias com o Google.

O Google tem tido atritos com editoras pelo mundo sobre seu projeto, de 2004, que visa a criação de uma biblioteca universal online com conteúdo digitalizado.

Sob os termos do acordo, o Google fará uma lista das obras que deseja escanear à Hachette todo trimestre e a editora poderá dar ou não autorização.

O Google então disponibiliza os livros esgotados para leitura e compra na plataforma Google Books, mas a Hachette estabelece o preço.

Por Leila Abboud | Agência Reuters | 17/11/2010

Google diz que há 130 milhões de livros no mundo


Uma pesquisa realizada pelo Google na semana passada divulgou que há 129.864.880 de livros no mundo. A pesquisa teve como base o Google Books, projeto de digitalização de livros da empresa.

Para chegar ao número, o Google coletou informações com mais de 150 fontes do mundo, incluindo bibliotecas, livrarias, catálogos coletivos nacionais e provedores comerciais.

O primeiro resultado desta triagem apontou a existência de quase 600 milhões de volumes no mundo.

A segunda etapa da contagem tentou identificar as várias edições de um mesmo livro ou então obras que são lançadas por editoras diferentes, com nomes distintos.

Segundo a equipe da pesquisa, o livro “Programando em Perl, 3ª edição”, por exemplo, tem 96 registros diferentes em 46 fornecedores. Outro caso é “At the Mountains of Madness and Other Tales of Terror”, de H.P. Lovecraft, lançado nos EUA por duas editoras diferentes.

Após a nova apuração, a quantidade caiu para 210 milhões de obras diferentes no mundo. Houve então uma nova avaliação, que excluiu textos impressos como relatórios, transcrição de gravações, mapas e outras publicações que não poderiam ser classificadas como livro.

O Google calculou, por fim, 146 milhões de exemplares impressos e encadernados. A última etapa da pesquisa excluiu documentos governamentais e folhetins e artigos autônomos que, na verdade, foram idealizados como um volume único.

Chegou-se ao número de 129.864.880 de livros diferentes no mundo. Os dados referem-se, porém, apenas até o último domingo.

Segundo o Google, o ISBN, sistema internacional padronizado que identifica numericamente os livros segundo o título, o autor, o país e a editora, foi apenas parcialmente considerado pela pesquisa, porque só passou a ser amplamente adotado no mundo no início dos anos 1970.

Folha de S. Paulo | 10/08/2010 – 09h33 | Com agências internacionais