A questão dos reviews


Fato: leitores gostam de falar sobre o que leem. Em rodas de amigos, reuniões de família, na fila do banco. Gostamos de emitir juízos de valor, dizer que amamos ou odiamos o último livro do Autor X e por que ele é muito melhor ou pior que o do Autor Y. Esse impulso naturalmente foi abarcado pela internet, que fornece ferramentas para que leitores possam expressar suas opiniões acerca dos livros que consomem.

Blogs literários, redes sociais como Goodreads e Skoob, canais de booktubers no Youtube, as páginas dos livros em sites de livrarias, posts no Facebook e tweets: essas são apenas algumas das maneiras do leitor se manifestar a respeito do que lê. E é bastante razoável pensar que o constante diálogo sobre livros propiciado por essas plataformas pode trazer benefícios ao mercado editorial. As constantes parcerias estabelecidas entre editoras e blogs e vlogs literários indicam que o que os leitores têm a dizer sobre seus livros ajuda a promovê-los.

Varejistas de e-books também disponibilizam espaço para que os leitores expressem opiniões sobre os títulos que leram. São as avaliações [ou reviews], geralmente encontradas na parte inferior da página de venda de cada e-book e acompanhadas por uma pontuação mais genérica, em que o leitor atribui uma certa quantidade de estrelas [1-5] ao título. É assim com os quatro grandes players mundiais na venda de livros digitais: Amazon [única das quatro que também vende livros físicos e, fora do Brasil, diversos outros produtos, cabe lembrar], Apple, Google e Kobo.

Mas é a Amazon que certamente se destaca nesse quesito. E como quase tudo no comportamento da gigante de Seattle, sua política de envio de avaliações não é ponto pacífico entre seus clientes.

Mas comecemos pelo que é absolutamente inegável: das grandes lojas, a Amazon é a que mais demonstra preocupação e cuidado com os reviews escritos por clientes. Uma olhada na política de envio de avaliações [que não serve apenas para livros] deixa isso claro. Para começar, a loja dá dicas de como construir uma “ótima avaliação”, que incluem apresentar os motivos — é desejável que o leitor diga por que gostou/detestou aquele produto, e não apenas que uma coisa ou a outra –, ser específico no que apreciou ou não apreciou — um caminho para a relevância, segundo a Amazon –, ser objetivo — textos nem muito curtos nem muito longos — e ser honesto — afinal, sua opinião pode influenciar a compra de outro cliente.

Há também uma preocupação em comunicar claramente o que não é permitido num review enviado à Amazon. Reclamações sobre o serviço de entrega ou sobre a disponibilidade do produto [e outras semelhantes, naturalmente, embora não se listem outras] não são aceitas; o caminho nesses casos é entrar em contato com a loja, que é conhecida pelo ótimo atendimento. Conteúdo inapropriado — palavrões, ofensas, informações sobre terceiros etc. –, discurso de ódio e incentivo à conduta ilegal também não são permitidos.

O ponto seguinte da política de avaliações é o mais interessante. Nele, a loja declara que avaliações promocionais e pagas não serão aceitas. As do primeiro tipo incluem avaliações escritas pelo próprio fornecedor a seu produto, o que inclui o autor e seus próprios livros; reviews escritos por amigos e parentes do fornecedor também não são permitidos. Já as avaliações pagas são aquilo que o termo indica: textos elogiosos escritos em troca de algum tipo de benefício, seja financeiro ou de qualquer outra ordem. No caso de um produto fornecido gratuitamente a um cliente — como um livro cedido a um blogueiro, por exemplo –, a loja orienta que essa informação seja explicitada na avaliação, para que esta seja transparente.

Tanto as dicas quanto as especificações do que não é aceito são apresentadas com detalhes e objetividade. Fica evidente que a Amazon se importa com a experiência de seu cliente até mesmo após a compra, no momento do compartilhamento dos produtos adquiridos. Chega a dar dicas a ele de como avaliá-lo melhor, e discrimina todas as razões pelas quais sua avaliação pode ser negada. É apenas mais uma das formas da empresa marcar seu posicionamento no mercado, que inclui o foco constante na experiência do cliente — e algumas outras coisas das quais falamos, por exemplo, no texto sobre o concurso literário Brasil em prosa. Apenas a título de comparação, a política de avaliações da Kobo é muito menor e inclui apenas dicas de como escrever um bom review, mas não com o mesmo nível de detalhamento. Isso não quer dizer que a Kobo dá pouca importância às avaliações, apenas que a Amazon demonstra o seu próprio interesse nessa parte da experiência do cliente de modo mais explícito.

Nos últimos meses, porém, algumas notícias e análises em tom crítico sobre o assunto têm pipocado, sobretudo em sites especializados em e-books. Em sua grande maioria, elas se devem a um recente enrijecimento da varejista em seus critérios para identificar reviews “tendenciosos”. Agora, conhecer ou manter uma relação com um autor pode significar que sua avaliação não será aceita:

“Se […] notarmos que você tem uma relação próxima com o escritor ou o artista, nós provavelmente iremos remover sua avaliação.”

O problema é que o conceito de “ter uma relação próxima com o escritor ou artista”, em alguns casos, tem resultado no apagamento de avaliações de leitores cuja única relação com o autor se dá online. É o que escreveu em julho a autora independente Imy Santiago, ao ter reviews rejeitados pela Amazon sob a alegação de conhecer os autores [“A atividade da sua conta indica que você conhece o autor”]. Santiago afirma que a alegação é falsa, e que sua relação com os autores em questão se dava sobretudo via redes sociais, embora o fato de também ser autora independente indique que poderiam circular nos mesmos meios.

O caso não indica necessariamente que qualquer tipo de interação online com autores resultará na recusa de uma avaliação [Chris Meadows, em artigo no TeleRead, especula quais poderiam ser os critérios utilizados pela Amazon], mas ainda assim a situação gera perguntas. O simples fato de conhecer pessoalmente um autor automaticamente inviabiliza seu julgamento crítico sobre um livro? Conhecer um autor pessoalmente é de fato suficiente para determinar que uma opinião dessa natureza é tendenciosa?

Outra questão levantada é que autores independentes precisam de reviews para vender seus trabalhos, bem como de uma forte presença online, o que inclui interagir com fãs nas redes sociais. Mas e se isso for o que gerará a suspeita por parte da Amazon? Além disso, é comum que autores leiam as obras uns dos outros e se avaliem. Esse tipo de relação será também considerada tendenciosa?

A resposta para todas essas perguntas é “não sabemos”, pois a Amazon não revela seus métodos nem como seus algoritmos trabalham.

Mas o que podemos de fato perceber dessa situação, apesar das críticas que se possa levantar, é que a Amazon segue procurando cultivar seu valor como a cuidadora do bem-estar do leitor — a partir de seus próprios critérios, é claro. Tudo é feito em nome do leitor, até mesmo apagar reviews tidos como tendenciosos, pois isso pode enganar o cliente. É novamente a questão do posicionamento. É assim que a Amazon parece querer ser vista, como uma grande mente que pensa em cada pequena fração da experiência do freguês.

Pode-se argumentar que a loja ainda falha em sua política, por não demonstrar, ao menos ainda, uma atitude a respeito de campanhas como a movida contra a autora Scarlett Lewis, ou fazer vista grossa para reviews mal escritos ou pouco claros. Mas o ponto é que suas atitudes atuais, tal como hoje se configuram, são mais um meio pelo qual a loja enfatiza e reforça o que se propõe a ser: uma empresa que sabe o que é melhor para você. Mesmo que seus termos não agradem a todos. Mesmo que não agradem completamente a você.

Publicado originalmente em COLOFÃO | 16 de dezembro de 2015

Josué de Oliveira tem 25 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Demonstração de que a Amazon ajuda mais os interesses do autor do que os editores


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 29/07/2015

A Authors Guild e seus aliados recentemente apelaram ao Departamento de Justiça para investigar o possível controle monopolista da Amazon do negócio do livro. É difícil discutir com o fato de que a Amazon vende mais livros para os consumidores do que qualquer conta única já fez e que a empresa está, inevitavelmente, mudando a economia do mercado como resultado disso.

Embora aqueles que lutam contra a Amazon possam e irão apontar as situações nas quais, eles consideram, a Amazon leva uma vantagem injusta por sua posição no mercado, existem dois aspectos no que aconteceu nos últimos 20 anos que os críticos que defendem a intervenção do governo quase certamente ignoram.

A maior parte do sucesso da Amazon é devido ao seu próprio desempenho estelar: inovando, investindo, executando e tendo uma visão do que poderia acontecer quando eles crescessem.

A maior parte do que a Amazon fez para construir seu negócio – quase tudo o que eles fizeram até os últimos anos de dominação do Kindle – beneficiou a maioria das editoras e ajudou no crescimento de suas vendas e sua rentabilidade. [Na verdade, a indústria editorial foi o único setor no mercado de mídia que não caiu de um penhasco na década ao redor do milênio e um forte argumento poderia ser o de que a Amazon na verdade foi quem os salvou.]

Isso não terminou. O exemplo mais recente foi anunciado recentemente. A Amazon agora permite que os leitores se inscrevam nas páginas de seus autores favoritos para receberem notificação dos próximos livros. Isso demonstra mais uma vez a disposição da Amazon para inovar. E ao fazer isso, também beneficia as editoras – um aumento imediato na venda de novos livros para os membros dessas listas dos autores. Mas existem grandes chances de que os autores ficarão mais interessados do que os editores. Esse aspecto da iniciativa vai alimentar a reclamação de que “a Amazon está querendo dominar tudo!”.

Em nosso negócio de marketing digital, muitas vezes mostramos a editoras e autores que a criação de uma página do autor robusta e completa na Amazon deveria ser um elemento-chave da pegada digital de qualquer autor. É vista por um monte de gente e será indexada pelo Google, reforçando a compreensão do Google de quem é o autor e aumentando a probabilidade de que ele será encontrado através de uma busca, até mesmo buscas que não incluam seu nome ou seus títulos de livros. Olhando para tudo isso da perspectiva da editora como tendemos a fazer neste blog, defendemos que as editoras precisam incentivar – ou criar – sites para o autor bem feitos e com bom SEO ou vão correr o risco de que a página do autor na Amazon, ou até mesmo a página do livro, se torne o resultado principal quando alguém fizer uma busca pelo nome do autor.

Quando falamos de site do autor, enfatizamos a importância de construir a base de fãs em tamanho e intensidade. Entre as grandes agências literárias que investem em ajudar os autores com sua presença digital [e são muitas], ajudamos uma a descobrir as técnicas para ensinar seus autores a reunir nomes em listas de e-mail [ou o que Seth Godin chamou de “permissões” pela primeira vez há cerca de duas décadas, quando foi um dos primeiros a ver o valor da construção de listas de e-mails].

Agora a Amazon fez, da forma como sempre faz [simples e só para ela], com que isso seja incrivelmente fácil. Conhecemos editores que se perguntam por que um autor precisaria de um site próprio, em vez de apenas uma página no site da editora. Há muitos motivos que podem ser verdadeiros, incluindo a aparente relutância de muitos editores de “promover” os livros que um autor publicou com outra editora antes. Mas agora os editores poderiam ouvir autores fazendo essa pergunta mas de uma maneira diferente. Por que eles precisam de outra página na web, além da que possuem na Amazon?

Esta discussão não é nova. Goodreads, que foi comprado pela Amazon, faz tempo que permitiu que os fãs se inscrevessem na página de autores, um recurso que foi atualizado recentemente. Da mesma forma que algumas editoras, mas muito raramente para ser algo eficaz. Elas costumam colocar as páginas dos autores em silos – como um “catálogo” – que não vai ter muito tráfego e pouca participação. As páginas de autor estão incompletas. Não fazem promoção interativa.

Assim, ainda há uma resposta à pergunta do autor: o que mais eles podem precisar? O que a Amazon criou não entrega verdadeira conexão direta entre autores e fãs. Na verdade, os fãs estão se inscrevendo na Amazon – através da página do autor – para receber notificações que virão da Amazon. Há pouca indicação de que haverá algum outro compartilhamento da lista do autor, ou quaisquer outras oportunidades criadas para o autor e a base de fãs de se comunicarem [embora “autores convidados” poderão conseguir criar uma mensagem personalizada junto com o anúncio]. Mas a coisa mais importante que um autor gostaria de dizer aos seus/suas fãs é “eu tenho um novo livro saindo” e a Amazon resolveu isso.

E ao fazer isso, eles aumentaram o controle que têm do mercado editorial e destacaram mais uma vez que parte do terreno que estão tomando é aquele que as editoras simplesmente cedem. Qualquer editora que não esteja ajudando os autores a se relacionarem com seus leitores e criando ativamente suas próprias listas de e-mail para alertar os interessados sobre os novos livros percebeu agora que estão atrasados. Mas uma coisa ainda é verdade: melhor tarde do que nunca.

Ajudar autores com a pegada digital deles precisa subir na lista de prioridades de cada editora.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 29/07/2015

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organizada anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

 

Instagram para leitores


Instagram, a rede social de compartilhamento de fotos, já ultrapassou a marca dos 100 milhões de usuários. E, da mesma forma que aconteceram com os blogueiros e os vlogueiros, as editoras passaram a enxergar nos instagramers um novo nicho editorial. As editoras Terceiro Nome e Madalena se associaram e preparam para abril o lançamento do livro Rever, que reúne 211 imagens postadas pela artista plástica Gabriela Machado [@gabmachado] no seu perfil na rede social. Mas não é só isso. A Rocco acaba de comprar os direitos de dois livros da sensação Joe Wicks [@thebodycoach], que usa a rede social para dar dicas de emagrecimento. Com quase 200 mil seguidores, Wicks faz um plano de emagrecimento para ser cumprido em 90 dias. O seu perfil no Instagram é repleto de fotos de “antes e depois” de pessoas que aderiram ao seu método. O livro sai pelo selo Bicicleta Amarela, o novo selo de bem-estar da editora. Mas nem só de fotografias vive o mercado editorial. A Record, V&R e Intrínseca bateram o martelo e fecharam negócios na última semana. A Intrínseca comprou o juvenil Amy Chelsea Stacie Dee, previsto para ser publicado só em 2017. O livro conta a história de uma garota de 16 anos sequestrada junto com seu primo. Libertada depois de seis anos, ela está traumatizada, mas percebe que precisa encarar o passado para construir um futuro. Ainda dentro do universo infantojuvenil, a V&R comprou Every last promise, de Kristin Halbrook. O pano de fundo do livro também uma história de violência. Kayla, a protagonista, presencia uma agressão sexual contra uma colega e tem que decidir entre manter o silêncio e denunciar o agressor. No Goodreads, Every last promise, recebeu 31 reviews. Já a Record apostou forte no novo romance de Michelle Cuevas e comprou os direitos de Confessions of na imaginary friend em pre-empt. O negócio foi intermediado pela Agência Riff.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 30/03/2015

Oito aplicativos para fazer de você um leitor melhor


A leitura é extremamente importante para o desenvolvimento pessoal. Porém, poucas pessoas se interessam verdadeiramente pelos livros. Se você não se sente tentado a ler e gostaria de mudar essa situação, a tecnologia pode ser uma ótima aliada. Cada vez mais aplicativos são voltados para essa área. Confira 8 que podem tornar você um leitor melhor:

1. Instapaper

O aplicativo permite que você salve e descarregue textos da web para consumi-los off-line. O texto é reformatado, dando um formato mais limpo e fácil de ler, permitindo que você se concentre no mais importante: o conteúdo.

2. Syllable

O principal objetivo deste app é ajudar seus usuários a aprender a velocidade correta para a leitura. Você pode escolher o texto e ele faz o restante para você, deixando seu ritmo e agrupamento completamente personalizáveis.

3. Dictionary.com Dictionary & Thesaurus

Além da funcionalidade óbvia como dicionário, o aplicativo também funciona como uma enciclopédia digitalizada repleta de palavras do cotidiano.

4. Readmill

O Readmill é um aplicativo de e-reader que também permite que o usuário participe de uma comunidade de discussões e análises de qualquer livro que este esteja lendo. Caso seja do seu interesse, você pode ver destaques públicos de outros usuários do app, além de fazer destaques de sua preferência.

5. Goodreads

Com este aplicativo você pode ler, escrever comentários, ranquear livros e ver comentários da comunidade. Além disso, ele também recomenda títulos baseando-se em suas listas de leitura.

6. Longform app for iPad

O Longform também transfere livros para que você leia off-line, mas possui curadoria de artigos para que você não encontre os mesmos conteúdos.

7. Lumosity

O Lumosity tem como objetivo melhorar a memória, o foco e as funções gerais do cérebro de seus usuários. Fazendo o treinamento corretamente, você poderá apresentar melhorias na capacidade de leitura também.

8. Audible

Se você não tem tempo ou não se sente empolgado em pegar um livro ou abrir um aplicativo de leitura, pode contar com o Audible, aplicativo que oferece mais de 150.000 títulos em formato de áudio.

Universia Brasil | 11/11/13

Amazon e Goodreads: o casamento imperfeito


Usuários rejeitam novas políticas da rede social

GoodreadsEm Frankfurt, na conferência Publishers Launch, o CEO da Goodreads Otis Chandler não escondeu a empolgação ao mencionar que os Kindles Paperwhite da Amazon incluem agora o aplicativo da rede social. De fato, esse equilíbiro entre o social e a leitura privada é uma das principais preocupações dos produtores de leitores digitais, e tudo indicava que os 20 milhões de leitores da Goodreads se beneficiariam de sua compra pela Amazon [e vice-versa, claro], em maio deste ano. Mas parece que o casamento é um pouco problemático. Após mudanças na política de moderação dos comentários da empresa [que os usuários do site atribuíram à Amazon], a rede social está “presenciando” uma série de protesto de leitores. A Goodreads não permite mais que resenhistas façam comentários sobre o comportamento e personalidade do autor, e chegou até a remover comentários, o que enfureceu ainda mais os usuários. Os “protestantes” começaram então a “hydrar”, ou seja, replicar resenhas deletadas [curiosamente, assim como o termo “meme”, essa ação própria da internet também tem origem grega, vem do monstro Hydra, que ganhava mais cabeças quando tinha uma cortada]. A jornalista Laura Miller aponta, em seu artigo sobre esse atrito, uma possível causa do perrengue que a Goodreads está passando: de consumidores, os leitores da rede social viraram agora produto.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 29/10/2013

Skoob inaugura loja online


Rede social de leitores inaugura livraria online

A Skoob, a rede social para amantes dos livros [a nossa Goodreads brasileira], inaugurou, há alguns meses e sem muito alarde, sua livraria online. A rede conta com 850 mil usuários, que podem agora fazer resenhas e comprar diretamente pelo portal. A Livraria Skoob é administrada pela i-Supply, empresa de tecnologia, distribuidora e logística especializada no mercado editorial.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 25/10/2013

Os dois lados do livro digital


Poucas invenções humanas foram tão importantes para o desenvolvimento da espécie quanto a Escrita. Alfabetos, desde o cuneiforme, se responsabilizaram pela nobre tarefa de preservar e perpetuar as ideias e histórias além das restrições de tempo e espaço.

Para transportar essas descobertas surgiu outra ideia grandiosa: o livro encadernado. Descobertas científicas, textos sagrados, tratados comerciais, leis e documentos cartoriais diversos foram acumulados ao longo dos anos, transformando bibliotecas de meros depósitos a verdadeiros santuários, cultuados e temidos. Não há regime fechado que não tenha seu índex de livros proibidos.

A edição bibliográfica sempre foi uma indústria parcialmente democrática. Se por um lado qualquer pessoa poderia submeter seu manuscrito para publicação, a produção e distribuição era um negócio de risco. Na forma de cópias caligráficas em pergaminhos de pele de ovelha ou, mais tarde, impressa em tipos móveis, fotolitos ou chapas digitais, a produção era cara e precisava se pagar.

Para minimizar o risco surge o conselho editorial, que decide o que seria publicado. Se é verdade que alguns de seus erros relegaram histórias e invenções brilhantes ao anonimato, não se pode negar seu valor em buscar exatidão científica e apuro literário.

Livros, no entanto, nunca foram perfeitos. Como toda invenção, sempre estiveram sujeitos a críticas. Durante muito tempo suas melhorias estiveram no processo de impressão, buscando legibilidade, qualidade de imagens e cores. As árvores mortas para produzir papel, o cloro necessário para alvejar páginas e a toxicidade da tinta eram considerados efeitos colaterais, males necessários. O impacto ambiental do seu transporte o desperdício de encalhes não-recicláveis nem eram levados em consideração.

Símbolos de status intelectual, estantes de livros em casa são cultuadas, a ponto de decoradores buscarem as encadernações mais belas em sebos para adornar as bibliotecas de abastados cuja profundidade literária não costuma ir além das revistas de celebridades. Livros de mesa, pesados, enormes e vistosos com suas fotos de castelos e flores, adornam mesinhas de centro e servem de apoio para taças de vinho daqueles que nunca tiveram a intenção de lê-los e os avaliaram pela capa. Ou pela cor.

Fazendas de ácaros e cupins, livros acumulam poeira e ocupam espaço. Suas páginas mofam, enrugam, rasgam, amarelam e incham com água. Qualquer texto destacado ou anotado nelas passa a fazer parte do livro, maculando o objeto, obstruindo a leitura posterior, inacessível para quem o anotou se não lembrar a página e volume em que a anotação se deu. Estava na hora de uma atualização digital do formato.

e-books não são “apenas” livros. São uma espécie de software. Como tal, podem ser consumidos em diversos aparelhos, desde os trambolhos de tablets que adoramos hoje até na forma de áudio, “lidos” por sistemas de narração. Podem ser alugados, baixados, armazenados em bolsos, discos rígidos e na nuvem. Acessíveis a qualquer hora, podem ser compartilhados, buscados, anotados sem comprometer o original e ter todos os destaques compilados. Acima de tudo, podem ser compartilhados à vontade, sem que se perca a posse do original. O que, aliás, é um original?

Como a música, o vídeo e outras formas de produção cultural convertida em software, há questões de formato e propriedade que precisam ser discutidas. Mas não há dúvida que logo surgirão aparelhos leves, dobráveis e de altíssima definição, que reproduzirão todas as “vantagens” que saudosistas teimam em ver nos livros em papel, acrescidas de dicionários, links, referências bibliográficas e outras formas de acesso direto à web. Tanto a Amazon quanto redes sociais como Goodreads buscam tirar proveito do novo formato, estimulando o compartilhamento de ideias, trechos e recomendações entre leitores.

Mas não se pode esquecer que o Livro é mais do que um objeto. Ele também é um formato de comunicação, importantíssimo, cuja extinção é preocupante. Por demandar uma leitura contínua, concentrada e dedicada, o livro estimula a reflexão. Seu raciocínio estruturado e envolvente cria uma pausa quase meditativa na correria do cotidiano.

Como há espaço para enumerar, desenvolver e, acima de tudo, fundamentar os argumentos expostos, é possível criar linhas de pensamento das quais qualquer um pode concordar ou discordar, parcial ou completamente. Só não se pode ignorá-las. Livros estimulam e fundamentam qualquer discussão.

Se a popularização dos e-books é bem-vinda por se sobrepor ao objeto livro, ela é preocupante por colocar em risco o formato literário, longo, reflexivo e profundo, fundamental em tempos impulsivos de excesso de informação e decisões por impulso. Pontos de referência em um universo de estímulos, livros editados representam a curadoria do conhecimento acumulado ao longo da história, que não pode ser ignorada.

A partir do ponto em que qualquer um pode publicar suas opiniões sem a necessidade de um editor, que o leitor pode consumir vários textos ao mesmo tempo, compartilhar trechos pelo Twitter em um clique ou se perder em links pela rede, fecha-se o que o pesquisador dinamarquês Thomas Pettitt define como “Parêntese de Gutenberg”, rebaixando as opiniões escritas ao nível das opiniões faladas, aleatórias, em que a probabilidade de se encontrar alguém interessante para uma conversa em profundidade é cada vez menor.

Se o objeto Livro já vai tarde, o formato Livro –com sua fundamentação de ideias e curadoria de conteúdo– deve ser preservado no mundo digital. Sem livros o mundo é minúsculo, pouco importa o tamanho da rede.

Por Luli Radfahrer | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 05/08/2013, às 03h00

Sete princípios de marketing para livros digitais


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/08/2013 | Tradução: Marcelo Barbão

Os tempos estão mudando no mercado editorial e as editoras sabem disso. Quase toda editora reconhece que seu valor para os autores depende da capacidade de fazer um marketing eficiente em escala. Hoje em dia isso significa marketing digital, “impulsionado por dados” e que muda o tempo todo. Há dez anos, muitos dos componentes mais importantes do marketing digital para os livros hoje – Twitter, Facebook, Goodreads – não existiam ainda.

Editoras não podem enfrentar este desafio do marketing digital simplesmente gastando mais porque as escolhas no marketing digital são infinitas. Elas precisam saber o que fazem. Ou seja, precisam ser espertas sobre algo para o qual há pouca sabedoria estabelecida e quase nenhuma experiência dentro das editoras.

Durante uma boa parte do ano passado, estive estudando o marketing digital para livros do homem que chamo de O Mestre. É Peter McCarthy. Pete começou sua carreira trabalhando quase 3 anos no The Reader’s Catalog, New York Review of Books e na família de publicações da Granta. Depois Pete passou seis anos na Penguin nos primeiros dias digitais ajudando a montar um sistema DAM e a publicar e-books pela primeira vez, seguido de seis anos na Random House com os primeiros esforços de marketing digital.

Peter afirmou várias vezes que muito do que ele sabe, faz e está me ensinando já é bem entendido no mundo moderno do branding e do marketing. As diferenças entre psicografia, demografia e comportamento, e sua importância no marketing, eram algo novo para mim, mas são coisas corriqueiras para pessoas que vendem Pepsi ou carros Toyota. Pete realmente inventou algo novo no mercado editorial. Ele procurou produtos comparáveis mas que não fossem outros livros, em outros mercados, ou seja produtos parecidos mas que não são exatamente iguais. As técnicas que Pete emprega para encontrar as audiências para um livro são ferramentas padronizadas no mercado consumidor fora do mundo editorial.

Mas isto não significa que as editoras podem simplesmente contratar grandes agências digitais para ajudá-las. Não vai funcionar. Porque enquanto o mercado editorial consegue usar técnicas que marqueteiros sofisticados estão usando para vender outros produtos em outros lugares, o mundo mais complexo dos livros é bem mais complicado. E os orçamentos de marketing para um título que raramente chega a cinco dígitos, geralmente estão em 3.

As grandes agências na verdade não têm ideia de como lidar com milhares de produtos altamente diferenciados mas que, ao mesmo tempo, têm alguma interconexão entre eles, mas no geral não estão relacionados. E isso faz com que percam valor de duas formas:

1. Elas não têm técnicas para aplicar otimização massiva através de centenas ou milhares de “produtos” muito diferenciados, porque o trabalho que fazem não exige isto;

2. Elas não têm a capacidade que as grandes editoras precisam para realizar centenas (ou talvez até milhares) de campanhas ao mesmo tempo com “orçamentos” em tempo real (ou decisões de momento).

Então as grandes agências não saberiam como lidar com uma editora. A granularidade iria frustrá-las e elas cobrariam em cada ISBN  um valor muito alto.

Isso deixa a maioria das editoras abandonadas, com provedores de serviço dando alguma assistência por título (você pode contratar alguém para tuitar pelo autor), mas com as editoras tendo que descobrir como usar o máximo a presença social e digital de um autor para elevar as vendas. E não é realmente surpreendente que Pete McCarthy, tendo a oportunidade de responder ao desafio de marketing entre milhares de títulos e autores, com centenas de gêneros, tópicos e edições, tenha descoberto muitas coisas que as editoras não percebem.

Pete articulou muitos princípios que fazem muito sentido, até para alguém que não conhecia nada de demografia e psicografia.

1. O menu de marketing digital contém um número quase infinito de itens. Isto leva a uma tremenda quantidade de esforços perdidos tentando coisas que um pouco de pesquisa teria indicado que não ia nunca funcionar.

2. A chave para conseguir vendas é colocar a mensagem correta à frente da pessoa correta no momento correto. Pesquisar encontra a pessoa correta; testar encontra a mensagem correta e o momento correto.

3. As várias ferramentas permitem que você entenda o perfil dos “seguidores” de um livro ou autor no Facebook, Twitter ou Linkedin e isso vai permitir que você entenda, para cada um deles, que tipo de seguidor possuem. Esta é uma pesquisa crítica a ser feita antes de investir esforço e tempo em marketing.

4. Outro elemento chave de pesquisa é escolher com cuidado sua nomenclatura. Ferramentas também podem contar como várias palavras e termos comuns estão em pesquisas feitas no Google, Amazon e outros sites. Isto pode informar as melhores escolhas para metadata, claro, mas também poderia afetar o título de um livro.

Entender as conexões digitais do livro e do autor, e a linguagem correta para descrever o livro que você está vendendo são elementos “fundacionais”; tudo flui a partir deles.

5. Todo o conceito de “criar um orçamento” de marketing precisa ser repensado. Enquanto a armadilha ou perigo no marketing digital é seu infinito número de possibilidades, a oportunidade é que os resultados dos esforços sejam visíveis e mensuráveis. Então tudo que é tentado deveria ser medido e avaliado, continuado se estiver funcionando e alterado ou eliminado, se não estiver.

Esta realidade colide com as práticas históricas e as realidades comerciais das editoras, especialmente as grandes editoras. Editores, que precisam contratar livros e manter agentes e autores felizes, querem contar a estes quais serão os orçamentos e esforços de marketing. Independente do sucesso comercial do livro, agentes e autores não querem ouvir que o gasto de marketing foi cancelado porque os esforços não estavam acrescentando valor. Mas uma editora não pode simplesmente aumentar o orçamento quando algo está funcionando ou não cancelar tudo quando não está, ou vão falir.

6. Todo o conceito de “tempo” também precisa ser repensado, tanto “tempo no relógio” (trabalho que as pessoas fazem) e “tempo no calendário” – não só por quanto tempo os programas são mantidos (como acima), mas também quando eles acontecem em relação ao ciclo de vida do livro. Na era digital, o fato de livros estarem bem representados nas livrarias não determina necessariamente como eles vão vender, por isso faz sentido divulgar um livro do catálogo que pode estar mal distribuído, mas cujo timing é perfeito (“o calendário”). E há cinco ou dez anos, livros que não estavam nas livrarias não ganhariam nenhum esforço de marketing. Também é verdade que os custos externos de marketing digital podem ser muito baixos, mas uma campanha poderia consumir muito tempo interno (“o relógio”) com criação, design e postagem.

7. A chave para um marketing digital bem-sucedido é fazer a pesquisa que encontra as mensagens e os alvos corretos, testar as mensagens para os alvos procurando um resultado definido, medir o impacto e depois ajustar a mensagem e o alvo. Pete chama isso de “enxaguar e repetir”. O objetivo é encontrar ações replicáveis que fornecem resultados com um retorno sobre investimento que pode ser continuado até seu fim.

Com a ajuda de Peter McCarthy e em conjunto com Digital Book World, Cader e minhas Publishers Launch Conferences organizaram uma Modern Book Marketing Conference para estabelecer os princípios básicos do marketing digital para editoras. (Assim todos nós podemos aprender de Pete McCarthy.)

Depois que Pete abrir o dia apresentando o básico de suas ideias, teremos um painel de top estrategistas do mercado – Rick Joyce da Perseus, Angela Tribelli da HarperCollins, Matt Litts do Smithsonian e Jeff Dodes da St. Martin’s Press – falando sobre como eles aplicam o marketing digital em suas empresas. Depois Murray Izenwasser da Biztegra, uma empresa de marketing digital, vai esclarecer os princípios básicos de uso da demografia, psicografia e dados comportamentais dos consumidores antes que Susie Sizoler da Penguin discorra como as editoras podem construir importantes bases de dado de clientes e leitores. Os especialistas em marketing Matt Schwartz da Random House, Rachel Chou da Open Road Integrated Media e Brad Thomas Parsons da Houghton Mifflin Harcourt vão contar como promovem, incluindo uma rodada de comentários sobre como e quando usam as ferramentas e sites mais importantes: página de autor da Amazon, Facebook, Goodreads e muitas outras.

Vamos ter uma rodada de reuniões individuais rápidas, assim os participantes podem se encontrar com os patrocinadores principais e os especialistas em pequenos grupos e conseguir que suas perguntas individuais sejam respondidas. E vamos concluir o dia com Erica Curtis da Random House sobre as práticas recomendadas para medir e analisar seu ROI (retorno sobre investimento) no marketing e dois painéis. O primeiro, sobre “como o marketing digital muda o orçamento e o timing”, vai apresentar cases de Sourcebooks, Running Press e pelo menos uma outra editora. O segundo sobre a nova colaboração exigida entre autores e marqueteiros, vai apresentar a agente Laura Dail, além da consultora de marketing Penny Sansevieri, Miriam Parker da Hachette e um editor que ainda será escolhido.

Esta Marketing Conference acontecerá junto com nossa Publishing Services Expo, que eu já descrevi em um post anterior e os participantes da Marketing Conference são bem-vindos para participar da Expo também. Entre os painéis, os patrocinadores e muitos dos conferencistas dos dois eventos estarão disponíveis para as audiências dos dois eventos.

Um “anúncio” antecipado: Pete McCarthy e eu estamos montando uma agência de marketing digital para usar o conhecimento dele para ajudar editoras, autores e agentes. Vamos revelar mais detalhes, incluindo nossos trabalhos iniciais, nas próximas semanas.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/08/2013 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Blogueiros resenhistas dizem que chegam a ler 70 livros em um só ano


POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Não é fácil medir o impacto que resenhas da internet têm sobre a venda de livros, mas um exemplo permite entender por que editoras têm investido nesse cenário.

O juvenil “A Seleção”, de Kiera Cass, lançado há sete meses pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras, vendeu 16 mil cópias quase sem aparecer na imprensa. Mas foi resenhado por blogs como o Garota It e o Literalmente Falando, que recebem uns 100 mil acessos por mês cada um.

Enquanto críticas feitas por especialistas em jornais fazem livreiros dar destaque aos títulos nas lojas, blogueiros atraem leitores de gosto similar e alimentam o boca a boca.

É bem pessoal. Eles deixam claro que é o canto deles“, diz a gerente de marketing da Intrínseca, Heloiza Daou.

O discurso não é ‘esse livro é ruim’, é ‘não gostei desse livro‘”, diz Diana Passy, gerente de mídias sociais da Companhia das Letras. “E não basta escrever bem, tem que ser bom blogueiro, interagir com leitores, o que dá trabalho. É isso o que traz audiência.

Os livros avaliados tendem a diferir daqueles que frequentam cadernos de cultura. Embora blogs como o Posfácio priorizem não ficção e literatura adulta, predominam entre parceiros de editoras os juvenis, femininos e de fantasia.

Costumamos dizer ‘esse livro funciona para blog’ e ‘esse funciona para a imprensa‘”, diz Tatiany Leite, 20, analista de comunicação na LeYa e fruto desse cenário -foi trabalhar na editora após se destacar com o blog Vá Ler um Livro.

A proximidade dos blogs também serve para as editoras conhecerem seu público, com estatísticas. Segundo a Instrínseca, 82% de seus blogueiros são mulheres e 63% moram na região Sudeste.

Dos 779 que disputaram vagas em janeiro na Companhia das Letras, a maioria tem de 20 a 24 anos [30%] e diz ler de 51 a 70 livros ao ano [22%]. Isso num país em que a média anual é de quatro livros incompletos, segundo a pesquisa Retratos da Leitura de 2012.

INDEPENDÊNCIA

Um ponto delicado diz respeito à independência de blogueiros que fecham acordos com editoras ou daqueles que fazem resenhas pagas.

O paulista Danilo Leonardi, 26, que desde 2010 comanda no YouTube o Cabine Literária, com resenhas em vídeo, diz não ficar constrangido de avaliar negativamente obras de editoras de quem é parceiro.

A partir do momento em que dediquei meu tempo ao livro, me sinto no direito de falar o que achei. Mas já aconteceu de eu desistir de resenhar um livro que achei ruim de uma editora menor, para evitar prejudicá-la.

Cobrar por críticas seria antiético, considera ele, que fatura só com vídeos não opinativos –recebe até R$ 700 por entrevistas com autores independentes. A meta de Danilo, servidor da Caixa Econômica Federal, é fazer do Cabine seu ganha-pão.

A tradutora carioca Ana Grilo, 37, que mora na Inglaterra, assina com uma amiga o blog The Book Smugglers [os contrabandistas de livros], escrito em inglês, e colabora como resenhista para o Kirkus Review, que cobra até R$ 1.000 por resenha.

Diz que o pagamento não altera resultados. “Temos controle sobre o que escrevemos. Raramente damos nota acima de oito para os livros.

Já em seu próprio blog, Ana resenha por hobby, sem cobrar. Aceita anúncios, que rendem até R$ 2.200 ao mês.

Os 110 mil acessos mensais do Book Smugglers a fazem receber, a cada mês, cem livros de autores e editoras, dos quais ela diz ler uns quatro por semana. “Lemos muita coisa ruim, mas também verdadeiros tesouros.

AMAZON E GOODREADS

Perder tempo com má literatura é algo que o empresário Donald Mitchell, 66, diz se recusar a fazer. Integrante do “hall da fama” de resenhistas da Amazon, ranking dos usuários que mais avaliaram livros no site, já publicou mais de 4.200 avaliações positivas.

A proficuidade e a benevolência lhe rendem um assédio de 40 pedidos diários de resenhas. “Digo aos autores que não vou resenhar se não gostar“, diz ele, que lê até três livros por semana e os resenha, por gosto, desde 1999.

Por anos, Mitchell pediu doações para a ONG cristã Habitat for Humanity em troca das resenhas. Chegou a levantar R$ 70 mil. “Nunca toquei no dinheiro, mas a Amazon reclamou e eu parei.

Ele se refere a uma mudança de regras da loja, em 2012. Ao perceber que o comércio de avaliações tirava a credibilidade desse espaço no site, deletou várias delas. Uma pesquisa da Universidade de Illinois constatara que 80% das resenhas na loja davam aos livros quatro ou cinco estrelas, as duas maiores cotações.

Outra prova de que a loja valoriza resenhas on-line foi a compra, em março, do GoodReads, rede de indicações de livros com 17 milhões de membros. Suzanne Skyvara, vice-presidente de comunicação do GoodReads, diz que a transparência é o segredo. “Mostramos quanta resenhas cada usuário faz e sua média de cotações.”

POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Amazon anuncia compra do Goodreads, rede social de recomendação de livros


A Amazon anunciou a compra do Goodreads, rede social de recomendação de livros com cerca de 16 milhões de usuários. Baseada em São Francisco, California, o Goodreads gerou mais de 23 milhões de visualizações.

A Amazon é conhecida pela venda de vários tipos de produtos e serviços, incluindo serviços de armazenamento e de transmissão de filmes e séries, mas os livros ainda são a marca da empresa.

No Goodreads os utilizadores podem atribuir uma classificação aos livros, escrever uma crítica, criar “estantes virtuais” com os livros que já leram, os que estão lendo e os que querem ler, bem como seguir a atividade de outros usuários do site.

Os detalhes do negócio não foram revelados mas, em comunicado, o vice-presidente da Amazon, Russ Grandinetti, lembrou que o Goodreads tinha “ajudado a mudar a maneira como nós descobrimos e discutimos os livros e agora temos a intenção de conceber novas maneiras de surpreender leitores e autores”.

De acordo com a agência de notícias Reuters, os termos do negócio, que deverá estar concluído no segundo trimestre deste ano, ainda não estão fechados.

Página da rede social Goodreads, em que usuários se reúnem para classificar livros, escrever críticas e criar estantes virtuais

Página da rede social Goodreads, em que usuários se reúnem para classificar livros, escrever críticas e criar estantes virtuais

Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 02/04/2013, às 11h32

Por que a descoberta dos livros online não funciona


E-reader in stack of books isolated on white background. Photo by Shutterstock

E-reader in stack of books isolated on white background. Photo by Shutterstock

ma nova pesquisa mostra que compradores frequentes visitam sites como Pinterest e Goodreads regularmente, mas essas visitas não levam à compra de livros. 61% das compras de livros por compradores frequentes acontecem online, mas somente 7% desses compradores disseram ter descoberto o livro online, enquanto lojas físicas de livros representam 39% das unidades vendidas e 20% da descoberta.

As estatísticas são de Peter Hildick-Smith, fundador e CEO do Codex Group. Ele afirma que descoberta e disponibilidade estão sendo dissociadas online. Em outras palavras, o leitor compra o livro após ter tido informações sobre ele em outro sítio. “Tem algo realmente, cronicamente, em falta na descoberta do varejo online”, disse Hildick-Smith. “Varejo em lojas físicas funciona se você o protege. (…) Produtores de vídeos o fazem [protegem cinemas]. Eu acho que editoras não estão fazendo o suficiente para ajudar as livrarias”.

Por Laura Hazard Owen | Paid Content | 17/01/2013

Você conhece a Pubslush?


Inovador e irreverente, Jesse Potash mostra quais são as empresas que estão abalando os conceitos tradicionais do mercado editorial

Apelidado de “new kid on the block” do mercado editorial, Jesse Potash, fundador da Pubslush, mostrou em sua passagem ao Brasil quais são os cases que estão abalando os conceitos tradicionais dos editores.

Em relação ao mercado editorial como um todo, Jesse aposta em um futuro de “publicação informada”, onde as pessoas não vão tentar adivinhar o que vai acontecer com os livros publicados, e que este seria possivelmente um novo espaço de atuação do publisher: condensar e analisar a imensa quantidade de dados existentes. Ele insiste também que as editoras esqueceram do ponto principal do livro digital: é para ser compartilhável.

O primeiro case que rompe com os conceitos tradicionais é a própria Pubslush e sua ideia de “pre-publishing”: trata-se de uma plataforma de publicação de livros baseada no crowdfunding, que oferece serviços editoriais, assistência ao autor e informação sobre seu público. Jesse Potash saiu do mercado financeiro para trabalhar com livros, inspirado em J.K.Rowling, que teve seu livro Harry Potter rejeitado 12 vezes. “Eu não conseguia acreditar que ela teve de passar por alguém que disse  ‘não’ pra ela” disse Jesse na sua apresentação na Bienal.

O segundo case se refere ao conceito de distribuição. Jesse Potash cita então a Bookbaby, uma bem-sucedida distribuidora digital de autores independentes.

Espresso Books, um dos cases mais interessantes, resolve a questão do inventário nas livrarias. Trata-se, basicamente, de uma impressora de livros: o consumidor escolhe o livro que quer comprar, faz o pagamento e em minutos recebe o livro impresso. O mapa de localidades da empresa mostra que a Espresso já está presente em lugares como República Dominicana, Ucrânia e até na biblioteca de Alexandria, no Egito.

Sobre “discoverability” Jesse coloca o caso da famosa Goodreads, sobre a qual o nosso colunista e-gringo já falou por aqui também.

Não só de empresas americanas é feita a lista de Jesse: a espanhola 24 symbols é uma solução para problemas de consumo, oferecendo leitura baseada no modelo de assinatura. Outra empresa inovadora nesse aspecto é a Valobox, e seu serviço de leitura “pay as you go”, onde você pode comprar apenas trechos de livros.

Finalmente, a Writer Cube é uma ferramenta de dados de marketing, muito útil para autores.

Para Jesse Potash, todos esses casos mostram que o modelo de negócio está mudando completamente. Ele não acredita que o publisher em si irá desaparecer, mas, segundo ele: “É melhor você pensar em arranjar uma nova função, porque a função que você tinha é agora irrelevante”, recado dado.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 16/08/2012

Ganhe uma medalha de ouro na Olimpíada das Descobertas


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 02/08/2012

Para as livrarias tradicionais de tijolo e cimento, melhorar a capacidade de descobertas é razoavelmente simples. Tudo que você precisa fazer é encontrar uma forma de colocar seus livros na entrada da loja, bem ali onde todo mundo passa ao entrar. Um especialista em marketing chamaria isso de “placement”.

Você pode fazer algo parecido no digital – conseguindo um placement na primeira página, seu conteúdo vai vender exponencialmente mais do que se estivesse enterrado na página 17. Para aqueles que possuem algum amigo trabalhando como chefe de merchandising em alguma livraria online, é mais fácil conseguir um bom placement. Mas para o resto, “rankings” podem servir muito a nosso favor.

Placement nos rankings também é bastante simples. Quanto mais seus livros vendem, mais alto eles sobem nos rankings, e a maioria das lojas possui rankings em suas homepages. Estar no top-100 garante uma medalha de bronze – seu eBook “existe” para pessoas navegando atrás de conteúdo. A maioria dos leitores para de olhar depois do posto número 30 – então se o seu eBook está melhor do que isso, você ganhou uma de prata. Claro que estar entre os top-10 garante uma medalha de ouro. Todo este sistema de ranking parece paradoxal, no entanto. “Meu livro precisa estar alto no ranking para vender, mas para estar alto no ranking ele precisa vender bem.” Aqui está uma dica rápida: não vou contar como precificar seus livros [isso virá num post futuro], mas garanto que um livro com preço razoável vai subir mais rápido no ranking.

Os sistemas de rankings das livrarias possuem suas limitações. Como você pode imaginar, ajustando o preço é possível “enganar” o sistema. Apesar de que, na minha opinião, um preço justo é definitivamente uma grande estratégia, também é possível colocar seus livros como “grátis” temporariamente para subir no ranking, premiando editoras menores que tem menos a perder. Também estes rankings estão limitados a somente uma loja. E se a Apple ainda não tem aquele livro incrível que todo mundo adora? Bom, o New York Times começou uma “e-“ versão de sua famosa lista de best-sellers que cobre todas as principais livrarias. Eu adoraria ver uma lista parecida aqui no Brasil [está ouvindo, Globo?] – é só uma questão de tempo, acho.

A descoberta social também é outra grande ferramenta – quem sabe quais eBooks você iria gostar mais do que seus amigos e familiares? Com sete milhões de usuários, Goodreads tem feito um incrível trabalho de criação de uma comunidade de leitores [apesar do site só estar disponível em inglês] com seus amigos, familiares e leitores com gostos parecidos. Se você quer aprender todos os detalhes sobre “descoberta social”, veja a apresentação bem informativa do CEO Otis Chandler aqui. Também estou muito impressionado com as boas resenhas estilo “peer review” [e rankings associados] da recém-chegada iDreamBooks [estou menos impressionado com o nome do site].

Como você pode notar, nenhuma dessas grandes ferramentas de descoberta chegou ao Brasil ainda – mas pode ter certeza que quando os eBooks alcançarem uma massa crítica, vão aparecer muitas formas de ajudar leitores ávidos a matar sua vontade de ler. E pessoalmente, eu adoraria ver uma forma brasileira de descobertabilidade – talvez camisetas de futebol com “Companhia de Letras” impresso na frente???

Espero que todos tenham “descoberto” algo interessante neste post.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 02/08/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Propaganda de eBooks ainda é um problema


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin

Desde os meus oito anos, sempre estou lendo pelo menos um livro. Quando era criança, os encontrava em casa [papai trabalhava na indústria] ou na biblioteca da cidade, Croton-on-Hudson, ou na biblioteca da escola. Às vezes situações fora do comum me traziam um monte de material de leitura. Nos últimos dias do segundo ano da escola, peguei catapora e fiquei na cama por umas duas semanas. Já tinha desenvolvido uma afinidade com a série de livros infantis da Random House sobre história norte-americana chamada Landmark Books, que ainda está disponível. Papai conhecia a pessoa na gráfica responsável pela conta da Random House e uma caixa com 40 livros chegou um dia depois que fui diagnosticado. Quando finalmente pude sair da cama, já tinha lido todos.

Quando estava no ensino médio, descobri que uma grande farmácia na esquina da Rua 42 com a Rua Vanderbilt, na Grand Central Station, tinha uma enorme seleção de livros paperback e ela se tornou um destino de compras pra mim por um bom tempo.

Quando adulto, as compras e as descobertas passaram a acontecer nas livrarias. E apesar de, ocasionalmente, encontrar ideias sobre o que ler em resenhas de livros ou recomendações de amigos, normalmente eu simplesmente ia até a livraria e comprava. Ia dar uma espiada nas seções de história norte-americana, biografias ou esportes [besisebol tem sua própria estante dentro de esportes].

Nunca me tomou muito tempo encontrar o que eu queria ler até chegar aos e-books.

Na era dos e-books pré-Kindle, eu era cativo da loja Palm Digital, porque lia num Palm e sua postura era não permitir que outras lojas vendessem seu formato. As escolhas eram limitadas porque as editoras, antes da chegada do Kindle, relutavam em fazer os investimentos necessários para publicar livros para mim e para as outras quatro pessoas que liam e-books na época. Isso mudou imediatamente quando o Kindle chegou e, por causa dele e de outros grandes formatos que chegaram ao mercado desde então, as opções são muito maiores agora. Quase todo livro novo que quero ler está disponível para o aparelho que escolhi [o iPhone] e a digitalização do catálogo continua acontecendo nas editoras.

Mas a propaganda, pelo menos para alguém que compra num iPhone [é um pouco melhor através de outros aparelhos ou PCs], deixa muito a desejar. Minhas experiências de compra são, na verdade, parecidas a uma caminhada aleatória. Eu peço para a minha loja me mostrar os livros por categoria e, como minhas categorias não mudam muito [e não mudaram muito desde que sou criança], tendo a ver os mesmos livros muitas vezes, muitos dos quais já li [talvez em outros formatos].

Há pouco tempo, estava comprando minha próxima leitura no iPhone. Comecei a comprar com o Kindle e depois com o Nook, mas alguns minutos em cada site mobile não mostraram nada que me animasse. Aí, no Google eBooks, encontrei Making of the President 1968, de Theodore White. Esse era o que eu queria ler. Comprei e já estou na metade.

Não existe nenhuma garantia especial de que vou encontrar meu próximo livro na Google. Ainda não encontrei nenhum padrão claro entre as quatro lojas em que compro normalmente [Kobo é a quarta]. Obviamente, se eu soubesse que queria ler outro thriller de James Patterson ou John Locke, os dois estariam em poucos minutos no meu iPhone sem grandes problemas. É quando estou buscando por assunto que encontrar uma boa opção de leitura parece ser um golpe de sorte. Com certeza não estou ajudando as livrarias ao ficar fazendo compras em vários lugares; mesmo se alguma delas tivesse um bom motor de busca para guardar as minhas compras anteriores, ler o meu perfil e fazer uma excelente recomendação, eu estaria complicando por ficar espalhando meus dados por aí.

Tudo isso mostra a dificuldade do desafio enfrentado por Bookish nos EUA e aNobii no Reino Unido, dois sites para “encontrar a próxima leitura”, financiados por grandes editoras. E eles se juntam a uma longa lista de sites que tentaram construir recomendações e conversas comunitárias baseadas no que as pessoas estão lendo: Goodreads, Shelfari, Library Thing, e a nova plataforma de e-books, Copia.

Acontece que a nossa empresa está agora se dedicando a colocar o livro do “The Shatzkin Files” em plataformas diferentes da sua inicial, a Kobo [os 60 dias de exclusividade terminaram]. Quando encontramos um limite de sete palavras-chave no processo de upload do Kindle, comecei a questionar: “Por que esse limite?”

E tive uma boa resposta. Acontece que a inclinação de qualquer autor ou editor seria colocar um monte de palavras-chave. Essa era a minha intenção. Ia pegar toda palavra-chave de todo post e colocar no livro. Mas, depois de refletir, como meu amigo na Amazon sugeriu, isso realmente não ajudaria o leitor que estava procurando o meu livro. O fato de um post no blog falar sobre um sobrevivente do Holocausto não quer dizer que alguém procurando esse tópico vai querer meu livro, cujo resto do conteúdo fala sobre coisas totalmente diferentes.

Acontece que a Amazon usa algoritmos criados por busca de texto completo para melhorar o que eles mostram em resposta às buscas que o editor e o autor não necessariamente pensam quando criam metadados. Como exemplo, ele mostrou um livro que você vai encontrar na Amazon se procurar por “erasure coding”, um termo de arte que poderia muito bem não ter sido incluído por um autor ou editor ao inserir palavras-chave, mas que os métodos mais sofisticados da Amazon permitem que seja usado para buscas.

Meu amigo na Amazon não disse isso, e talvez eu esteja lendo muito sobre o que eles fazem, mas quase parece que as palavras-chave que colocamos poderiam ser supérfluas e a capacidade que eles têm de fazer análises e algoritmos sobre textos completos na verdade mandam no que descobrimos. Talvez a solicitação de palavras-chave a autores e editores seja “só pra inglês ver”, mas é claro que não espero que a Amazon admita isso.

Eu estava apenas procurando por “história norte-americana” quando encontrei Making of the President 1968 no Google [e não encontrei em nenhum outro lugar quando procurei]. Então, as sofisticadas capacidades da Amazon não funcionaram para mim e agora o mecanismo deles não sabe que esse era um livro que eu queria, porque comprei em outro lugar.

Mas estou realmente feliz por ter encontrado este livro, que deve ter saído bem recentemente em formato e-book. Eu fui bastante ativo naquela campanha e na Convenção Democrática em Chicago, onde era o assistente de Pierre Salinger na primeira campanha de George McGovern. O autor dos livros da sérieMaking of the President, Theoore White, era amigo de Salinger e eu o conheci na convenção. Mas vou guardar as histórias dessa campanha para outro post, em outro dia.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Cinco tecnologias que podem te ajudar a aproveitar melhor seus livros de papel


Por Fabio Bracht | Publicado originalmente em Gizmodo | 28 de Abril de 2011 – 13:32

Quase sempre que tecnologia e livros são discutidos, a soma dos dois assuntos parece resultar em e-books. Mas não precisa ser assim. As páginas de papel dos livros físicos ainda serão folheadas por muito tempo, a tecnologia pode estar presente na vida de um leitor ávido de várias formas, mesmo que ele não saiba nada sobre Kindles e Nooks e iBookstores da vida. Veja a seguir algumas dessas formas.

Goodreads

Basicamente, se você lê bastante, principalmente se consegue ler obras em inglês, não tem por que não fazer uma conta no Goodreads  agora mesmo. Ele é uma rede social para leitores, onde você pode avaliar os livros que leu, incluir os que está lendo e listar os que ainda pretende ler. Há grupos de discussão e bastante interação entre os usuários nas páginas de cada livro, e é bem fácil começar e manter a sua atividade por lá, já que ele procura amigos entre os seus contatos de email e do Facebook, e depois continua enviando emails com novidades deles e lembretes para que você atualize sua vida literária.

Skoob

Skoob  [“books” ao contrário, viu que esperto?) é o Goodreads brasileiro. Grande parte das funções do site gringo também existem nele. O visual é mais moderno, mas ao mesmo tempo ele não é tão eficiente quanto o Goodreads em promover interações e discussões entre os usuários – elas ficam mais confinadas aos grupos, que são semelhantes às comunidades do Orkut. Com o pagamento de uma taxa única, de R$ 10, você ganha um Perfil PLUS que permite a troca de livros entre outros membros, colocando as suas velharias para circular.

EstanteVirtual

Uma das maiores vantagens dos e-books é o seu acesso incrivelmente fácil. Com uma loja tão completa quanto a Kindle Store da Amazon, ou um sistema tão acessível quanto a iBookstore, eu mesmo já me vi comprando um livro totalmente no impulso, após ouvir alguém falando bem dele em uma palestra. Com os livros físicos, a coisa já é mais difícil. Basta querer ler alguma coisa mais antiga ou específica que torna-se difícil encontrar o livro até mesmo em livrarias brasileiras enormes e de renome.

Entra aí o EstanteVirtual, um site que em 2005 teve a ótima ideia de agrupar e disponibilizar online o acervo de qualquer sebo que quisesse participar. Como qualquer leitor ávido sabe, em sebos encontra-se de tudo, mas normalmente é preciso bater pernas por alguns até encontrar o que se procura. Na EstanteVirtual eu já consegui, com poucos minutos de cliques, encontrar livros que alguns dos meus amigos já tinham desistido de procurar há muito tempo, e, como você está meramente usando o site como ferramenta para entrar em contato direto com algum sebo perdido pelo país, o preço muitas vezes é bastante convidativo.

Delicious Library

Se você é daqueles que vem lendo há muito tempo e já acumulou uma biblioteca digna de admiração e de ser exibida na melhor estante da casa, um aviso: o Delicious Library pode ser viciante. De modo simplificado, ele é um software de catálogo: usando uma webcam, ele lê os códigos de barras dos seus livros [também funciona com CDs, DVDs, games e outros itens colecionáveis) e vai catalogando-os um a um em uma bonita interface que simula prateleiras.

A brincadeira já seria divertida se parasse por aí, mas vai além. Cada livro catalogado já aparece automaticamente com a sua capa e diversas informações retiradas do sistema da Amazon, como resenhas, ficha técnica, avaliações de outros usuários e recomendações de livros relacionados. Além disso, o Delicious Library também tem recursos para que você catalogue empréstimos dos seus livros e sempre saiba com quem está cada um.

O problema do Delicious Library é que ele é um software exclusivo para Mac. Os usuários de Windows têm opções como MediaMan e AllMyBooks, com recursos bem similares, ainda que não sejam tão bacanas no quesito interface.

BookCrossing

Ao contrário das pessoas que normalmente se interessariam pelo Delicious Library, quero apresentar oBookCrossing aos que gostam de ler, mas não têm interesse em acumular enormes bibliotecas e preferem passar os seus livros adiante. O BookCrossing é uma comunidade mundial de leitores que se organizam em torno de umaideia muito bacana: “libertar” os seus livros depois de terminar de lê-los.

Para entrar no mundo do BookCrossing, tudo o que você precisa fazer é escolher um livro que queira soltar no mundo, entrar no site, fazer o seu login e registrar o livro. Ele vai ganhar um código único, que deve ser colado com uma etiqueta que você pode imprimir em casa. Feito isso, você simplesmente “esquece” o seu livro em qualquer lugar – em um caixa eletrônico, elevador, praça de alimentação de shopping, onde quiser. Quem encontrar o livro vai ler na etiqueta uma pequena explicação sobre a ideia do BookCrossing, e vai poder entrar no site e digitar o código do livro para dizer que o encontrou. Assim, você também vai poder acompanhar por onde anda o seu livro.

É uma comunidade ativa não só no Brasil, mas no mundo inteiro, e nos fóruns do site você descobre alguns “pontos de libertação” mais comuns no Brasil, para também receber os livros libertados por outros usuários.

Por Fabio Bracht | Publicado originalmente em Gizmodo | 28 de Abril de 2011 – 13:32

Dez sites para os fanáticos por livros


Ela levou um pouco mais de tempo do que a música e o cinema para ser distribuída online, porém, como as outras artes, a literatura ganhou sites e redes sociais especificas para os seus aficionados.

Por aqui, os leitores contam com duas redes sociais exclusivas, onde podem compartilhar informações sobre obras e seus autores, além de sites para a compra e o escambo de exemplares. Confira nossa relação de dez sites para os fanáticos por livors.

1 – Skoob

Rede social voltada para os amantes da leitura, o site permite fazer buscas por obras, autores e editoras.Também possibilita pesquisar quais usuários já leram as obras, as notas que eles deram a elas, comunidades e outros livros relacionados. Conta com 165.546 usuários, segundo o site.

http://www.skoob.com.br

2 – O livreiro

Lançado durante a Festa Literária Internacional de Parati (Flip) do ano passado, a rede social permite aos seus usuários cadastrar os livros lidos, escrever resenhas, e criar comunidades sobre os autores. Também conta com a participação de escritores. O layout é intuitivo, o que facilita a navegação. Conta com 85 mil membros.

http://www.olivreiro.com.br

3 – Goodreads

Serviço parecido com o O Livreiro e com o Skoob, porém, em inglês. Permite pesquisar pelos mais populares, melhores do século, mais lidos na semana etc. Em um de seus serviços mais interessantes, é possível pesquisar citações dos autores presentes nas obras.

http://www.goodreads.com

4 – We Read

Também no formato de rede social, o site permitir pesquisar por autores e livros e suas resenhas relacionadas. Também conta com um acervo de 58 mil livros digitais disponíveis para a leitura. Possui integração com orkut, Facebook, Hi5 e MySpace.

http://weread.com

5 – Google Books

Site do gigante das buscas para a pesquisa de livros. Permite encontrar reviews, capas, obras relacionadas e referências. Também oferece links para a compra de exemplares em lojas virtuais.

http://books.google.com

6 Visual Bookshelf

Esse aplicativo para o Facebook permite ao usuário cadastrar os livros os quais ele já leu e aqueles os quais ele está lendo no momento. Também possibilita a criação de uma estante virtual com os exemplares para ser colocada na página inicial do perfil. Conta com 548 mil usuários cadastrados.

http://bit.ly/14WR71

7 – 22books

Indicado para quem gosta de criar listas. O Site permite elaborar uma relação com o título, a capa e comentários sobre a obra, para serem publicadas em redes sociais, sites e blogs. A temática é livre e fica ao gosto do usuário.

http://www.22books.com

8 – Estante Virtual

O Estante Virtual é um site que conta com 6,8 milhões de livros cadastrados, espalhados em sebos por todo o Brasil. Após realizar a busca, o usuário pode fazer contato com o livreiro via telefone ou via site. Possui 1 749 vendedores cadastrados. É o maior sebo online do país.

http://www.estantevirtual.com.br

9 Trocando Livros

Indicado para os usuários interessados em realizar trocas de exemplares. Após enviar um livro para um colega, a pessoa ganha um crédito, que pode ser usado para solicitar uma outra obra cadastrada no acervo. Conta com mais de 20 000 títulos, segundo o site.

http://www.trocandolivros.com.br

10 – Clube de Autores

Indicado para escritores que desejam publicar seus livros de forma independente, o site trabalha com o sistema de impressão sob demanda. O autor faz o upload da obra e o site a coloca à venda. Toda vez que é uma compra é realizada, o serviço ordena a impressão do exemplar. O autor fica com parte dos lucros.

http://www.clubedeautores.com.br

INFO Online | Blogs | Geek List | Por Vinicius Aguiari | 7 de Julho de 2010 | 16:42