Produção editorial em destaque no 1º Encontro de Comunicação da Anhembi Morumbi


Os alunos da Anhembi Morumbi, em São Paulo, terão, entre hoje [6] e amanhã [7], uma ampla programação de palestras e oficinas no 1º Encontro de Comunicação. Com o objetivo de ampliar a formação dos estudantes e reforçar seus conhecimentos sobre o que acontece de mais moderno e inovador no mercado brasileiro, foram convidados profissionais das mais diversas áreas. As múltiplas faces do mercado editorial, assessoria de imprensa para editoras, livro-arte, livro digital e mercado editorial de quadrinhos são alguns dos temas que serão abordados. Para falar sobre eles, foram convidados Gabriela Silva Cuzzuol Ribeiro, Marília Lourenço, Antoune Nakkhle, Ednei Procópio [Giz Editorial], Henrique Volpi, Carlos Eduardo Ernanny [Gato Sabido], Silvio Alexandre, Sidney Gusman e Douglas Quinta Reis.

PublishNews | 06/10/2010

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Livro digital veio para ficar, mas não para substituir


A julgar pela quantidade de pessoas circulando pelos corredores da 21ª Bienal do Livro de São Paulo com sacolinhas nas mãos, o livro impresso não está nem perto de sua morte anunciada pela chegada dos e-books, como são chamados os livros em formatos digitais, geralmente comercializados em formato PDF, e os aparelhos de leitura eletrônicos. Pelo menos não aqui no Brasil.

O livro digital foi tema de debate no Salão de Ideias da Bienal, na tarde desta quinta-feira [19]. Os rumos dessa nova tecnologia foram discutidos por Ednei Procópio, sócio-fundador da Giz Editorial e membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro, e pela escritora Regina Drummond, autora de diversos títulos infantis, como “Histórias de Arrepiar”.

Para Procópio, autor de “O livro na era digital”, um obstáculo importante para a popularização do livro digital no Brasil é o baixo acesso à internet: apenas 10 milhões de pessoas têm banda larga em casa, uma parcela pequena da população. E ainda há o custo dos aparelhos. O Kindle, leitor eletrônico comercializado pela livraria online americana Amazon, custa US$ 380, mas não é vendido no Brasil. O iPad, aparelho de leitura da Apple, vale US$ 500, mas não há confirmação de quando ele chegará ao país e qual será seu preço.

Por aqui há leitores de outras marcas. O Mix Leitor-d, primeiro leitor eletrônico com tecnologia de software nacional, sai por R$ 890 [leia mais ao final da matéria]. O Cool-er, vendido pela editora Gato Sabido, custa R$ 599. Ele usa a tecnologia de tinta eletrônica, similar à do Kindle. A Positivo também lançou o seu e-reader, o Alfa, que tem tela sensível ao toque e vem com o Dicionário Aurélio. O preço fica por volta de R$ 700.

A boa notícia é que um texto digital costuma ser mais barato do que sua contrapartida em papel – há um consenso no mercado de que ele deve custar cerca de 30% menos.

Para Ednei Procópio e Regina Drummond, é possível aproveitar o melhor de cada formato: a capacidade de armazenamento dos leitores eletrônicos, que permite carregar dezenas e até centenas de obras em um único aparelho, e o “fetiche” do livro impresso, o prazer do contato físico com o papel e a praticidade de poder ler sem se preocupar com baterias e cuidados para não estragar o equipamento. Por isso, Procópio diz que o futuro do livro não é nem digital, nem em papel – é híbrido. Sua editora, a Giz, tem 200 títulos em seu catálogo, todos eles na forma impressa e digital.
Apesar de o mercado de livros digitais no Brasil ser incipiente, outras editoras apostam no produto. A Melhoramentos, de São Paulo, produz livros digitais desde 1990, já que foi nesse ano em que a editora lançou dicionários em disquete. Em 2009 a empresa lançou seus e-books, e hoje conta com cerca de 60 títulos nesse formato. Neste ano, a editora disponibilizou no iTunes, a loja online da Apple, um aplicativo para a leitura de seus livros no celular da marca, o iPhone.

Já a editora Singular tem previsto para outubro o lançamento de outro aplicativo para iPhone e iPad que congrega junto à leitura do texto informações adicionais, como uma versão em áudio, dados históricos sobre os locais citados no texto e visualização de imagens. É o “e-book 2.0”. A primeira obra a ser vendida com o formato será “1822”, do historiador Laurentino Gomes, que terá sua versão impressa lançada em setembro pela Nova Fronteira.
“Essa deverá ser uma das tendências do mercado, trazer não só a transposição do texto do papel para o meio eletrônico, mas também novos elementos’, diz Newton Neto, diretor-executivo da Singular. Hoje a Singular tem mais de 500 mil títulos, entre obras em português e outros idiomas, para a impressão sob demanda, outra tendência de mercado apontada por Neto. São cerca de 25 mil impressões por mês, mas a empresa prevê um crescimento para 120 mil em 2011. Paralelamente, conta com 20 mil títulos em livros digitais em seu catálogo.

Outro exemplo dessa tendência do “e-book 2.0” é o lançamento digital pela Globo Livros de “A Menina do Narizinho Arrebitado”, clássico de Monteiro Lobato publicado originalmente em 1920. Na versão para iPad o leitor tem opções de interatividade, como arrastar a imagem de um vagalume pela tela para iluminá-la, ou tocar no nariz da personagem e fazê-la “espirrar”. O livro deve chegar à AppStore, a loja da Apple, em novembro.

Você sabe o que é um e-book?
Uma pesquisa realizada pela GfK, a 4ª maior empresa de pesquisa de mercado no Brasil, mostra como o livro digital ainda está longe de ameaçar o tradicional no país. De acordo com a sondagem, 67% dos entrevistados não sabem o que é o e-book. Entre os mais jovens, de 18 e 24 anos, o índice de desconhecimento foi um pouco menor: 64%.

Apesar de os mais jovens serem mais antenados, Ednei Procopio não acredita que necessariamente os livros digitais vão estimular o gosto da leitura nas crianças e adolescentes. Mas eles têm um lado muito positivo, que é colocar o tema “livro” na pauta do dia. “Mas o livro eletrônico não forma leitor, para isso precisamos da educação“, afirma Regina Drummond.

Já para Markus Dohle, diretor executivo da americana Random House, maior editora de livros em língua inglesa do mundo, as novas tecnologias podem dar sim um empurrãozinho no gosto pela leitura. “Conheço pessoas nos Estados Unidos que dizem: comecei a ler de novo por causa do meu leitor eletrônico – e também os meus filhos“, disse, em entrevista para a revista alemã Der Spiegel.

No entanto, Dohle acha exageradas as estimativas de que em 10 anos o livro digital vai substituir o impresso. Alguns analistas chegam a prever que em uma década o livro de papel vai representar apenas 25% do mercado americano, baseados em números como os divulgados pela Amazon, que anunciou que em junho vendeu 180 títulos digitais para cada 100 livros de capa dura nos Estados Unidos.

Para Ednei, esse número pode dar uma impressão enganosa, já que a livraria virtual está contabilizando apenas os livros impressos de capa dura, excluindo as brochuras da conta. “Tradicionalmente os livros capa dura são mais vendidos nas livrarias físicas, pois as pessoas gostam de manuseá-los“, diz.

Números à parte, não somos obrigados a optar por um ou outro formato. Como diz a escritora Regina Drummond, “está na dúvida entre o livro digital e o impresso? Então fique com os dois.

Serviço

21ª Bienal do Livro de São Paulo
De 13 a 22 de agosto
Das 10h às 22h*
*Dia 22, das 10h às 20h, com entrada até às 18h
Ingressos:
Público geral: R$ 10
Estudantes: R$ 5
Professores, profissionais da cadeia produtiva do livro, bibliotecários, estudantes inscritos pelo sistema de visitação escolar programada, maiores de 60 anos ou crianças com até 12 anos, mediante apresentação de documento comprobatório: entrada gratuita
Mais informações: http://www.bienaldolivrosp.com.br

Por Juliana Tiraboschi | da Redação Yahoo! Brasil | Com Agência Estado| Sexta-feira, 20 Agosto, 02h03

Giz Editorial lança obra em três formatos


A trajetória de um empreendedor é marcada por uma série de erros e acertos, mas também certamente por histórias curiosas e casos que fazem parte de seu caminho até o sucesso. Contar de forma leve e bem humorada algumas passagens que fazem parte da vida de um empreendedor nato e, com isso, transmitir uma série de ensinamentos para aqueles que querem ter um negócio próprio, é o objetivo do livro Causos de uma vida empreendedora [Giz Editorial, 112 pp., R$ 19,90]. O livro, que sai também em eBook [à venda na Gato Sabido] e audio-livro, reúne casos da trajetória de Jefferson Penteado, que hoje é presidente da BluePex Security Solutions – uma das principais empresas nacionais especializadas em equipamentos para internet e segurança de redes de computadores – e investidor do ramo imobiliário. Obra chega ao mercado na Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

PublishNews | 12/08/2010

Giz Editorial lança plataforma de mídia social para eBooks


A Giz Editorial anuncia o lançamento da versão oficial da Livrus, uma inovadora plataforma online que se vale dos princípios utilizados em serviços de mídia social para a divulgação, armazenamento e compartilhamento de informações sobre livros.

De acesso gratuito, o serviço online permite que usuários interessados criem uma base de dados sobre suas obras favoritas, criação e divulgação de resenhas e recomendações. Há também um módulo de utilização destinado a autores e editoras, que podem listar e comercializar suas obras, apresentando informações e detalhes dos livros escritos, além de divulgar sua participação em eventos como lançamento de novas publicações.

O serviço pretende aproximar leitores segundo assuntos de interesse, facilitando a troca de idéias e a recomendação de novos títulos. “O serviço se vale de processos comuns em sites de música, em que o fã de um gênero específico chega a novos músicos ou grupos com base nas indicações de pessoas com gostos similares ao dele. A Livrus segue pela mesma rota”, afirma Ednei Procópio, editor da Giz Editorial.

Segundo o executivo, o serviço quer propiciar um canal interativo,amigável e de fácil acesso entre autores e leitores. “Vamos criar pontes entre os agentes do mercado e seus consumidores, servindo de forma aberta e transparente ao ecossistema composto pelo mercado editorial e seus consumidores. Será uma base de informação que se valerá da participação ativa do público, que fará recomendações e comentários.

Fruto de um investimento inicial de US$ 25 mil em desenvolvimento, o serviço tem ainda recursos provisionados da ordem de US$ 40 mil, para um período de 12 meses. Os recursos estão sendo usados para a expansão das funcionalidades e no suporte ao crescimento na base de usuários. Os recursos foram angariados pela própria Giz Editorial, em conjunto com investidores do mercado e a expectativa é de que o serviço retorne os investimentos até o final de 2012. O foco inicial está na consolidação de uma base sólida de usuários e na manutenção de bons níveis de serviço.

Dado à gratuidade para os usuários, o site buscará receitas com a venda de anúncios publicitários de títulos, editoras e autores, com suporte a ações de rich media. Outra fonte de receita está na formação de parcerias comerciais com autores, editoras e demais agentes do mercado editorial uma vez que o site congrega uma rede social e uma livraria online ao mesmo tempo. “O que propomos é a criação de uma camada adicional de circulação e comercialização de livro que pode ser utilizada, inclusive, como ferramenta adicional para editoras, explorando o acervo de comentários e recomendações de leitores”, diz Procópio.
O site também prevê para breve módulos que permitirão realizar ações de e-commerce de parceiros. Será o primeiro online a publicar e disponibilizar obras em três formatos: impresso [incluindo print on demand], livro eletrônico [eBook] e audiobook.

Operando em caráter experimental desde junho de 2009, a Livrus iniciou suas operações em versão beta em setembro, durante a XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. A versão atualizada do site, que inclui soluções para publicações digitais, será lançada durante a 21º Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2010.

DIVULGAÇÃO — A plataforma Livrus já trará um importante auxílio aos novos autores, colaborando com a promoção de lançamentos. Este é um dos principais desafios para os novos autores, que raramente conseguem arcar com os elevados custos de divulgação pelas vias convencionais, que ainda têm a limitação de nem sempre conseguir responder aos anseios nem da indústria editorial, nem do público. “Pela nossa experiência, há sim, demanda por títulos de qualidade, dentro dos mais variados nichos. O que a Livrus propõe é uma solução prática para isto, com uma plataforma compreensiva e que utiliza o interesse do público como motor e fomento para novos e bons autores”, explica Procópio. “E antes que alguém diga que livro não vende no Brasil, basta citar exemplos como ‘Harry Potter’ ou a série ‘O Senhor dos Anéis’, que tiveram grande aceitação. E cujas franquias sobrevivem exatamente da divulgação de fandons [grupo de fãs] espalhados pelas comunidades na Internet”.

FLEXIBILIDADE — Inteiramente desenvolvido em plataformas de código aberto, o diretório http://www.livrus.com.br utiliza como base as plataformas PHP e SQL, rodando sobre uma base de servidores Apache. “A utilização destes elementos nos dá grande estabilidade, além de facilitar a implementação de novas funcionalidades no futuro”, afirma Procópio. “Permite-nos, por exemplo, expandir o acesso à Livrus para todas as comunidades lusófonas. Por enquanto não devemos disponibilizar o acesso para outros idiomas, porém não descartamos estender o suporte a outras línguas”, diz.

Adotando a abordagem de usar páginas tabless, a Livrus já nasce preparada para facilitar o acesso via plataformas móveis, como smartphones e outros dispositivos. Futuramente, estão previstos módulos que permitirão a publicação e distribuição de contos, links para mídias relacionadas como podcasts [arquivos de áudio] ou vídeos online, entre outros recursos interativos.

INOVAÇÃO — Embora seja inovadora, a Giz Editorial reconhece que a idéia da Livrus não é de todo inédita. “Há tempos existem várias plataformas eletrônicas bem-sucedidas para a recomendação de músicas, de cinema, de compras e outros itens. O que queremos é adotar a mesma lógica com foco nos livros. As primeiras reações dos nossos usuários na fase beta mostraram que esta é uma escolha acertada. Outro detalhe importante é a aposta na contribuição dos usuários. Ainda não inventaram um algoritmo que substitua a recomendação de alguém que gosta dos mesmos livros que você. A Livrus é feita por pessoas e para pessoas”, comenta Procópio. Por conta disso, o site oferecerá uma base rica para consulta, mas que também destacará os trabalhos mais comentados, o que favorecerá autores que contarem com uma base de leitores mais ativa online.

SERVIÇO: O que: Lançamento Oficial da Livrus
Onde: 21º Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2010
Quando: Dia 12 de agosto de 2010, às 10h
Estande: Pavilhão de Exposições do Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, 1.209 — São Paulo — SP

CONTATO COM A IMPRENSA:

Ednei Procópio — Editor
ednei@gizeditorial.com.br
[11] 7889-7111 móvel
[11] 3333-3059 fixo

MSN: gizeditorial@hotmail.com
Skype: giz.editora
Nextel: 9*53023

Estou na web, logo, existo


As editoras começam a despertar para o fenômeno que mobiliza bilhões, tornou-se o lazer principal dos jovens paulistanos e facilita a busca do consumidor certo

A Ediouro mergulhou nas mídias sociais. Um dos gigantes do mercado nacional, optou claramente pelo esse admirável mundo novo da web para angariar leitores. O superintendente Luiz Fernando Pedroso é taxativo nesse sentido: “Há mais de um ano, a Ediouro investe em duas mídias: pontos de venda e mídia social. Por que? Porque nelas você vai direto a quem interessa.

Sem nenhuma dúvida. No ponto de venda está o comprador típico. Nos diversos canais da mídia social, o editor pode escolher também múltiplas opções, na grande maioria convenientes para o negócio. Algumas boas razões são:

  • a cada segundo e meio, isto é, entre um gole de café e outro, um blog é criado na web;
  • 360 milhões de internautas frequentam o MySpace, bem como 150 milhões comparecem ao FaceBook e mais 60 milhões ao Orkut;
  • 72% dos jovens entre 18 e 24 anos, da cidade de São Paulo, são usuários de alguma mídia social em sua rotina diária, percentual que continua alto na população da metrópole, de 45% [Ibope Media, Agosto de 2009];
  • 24 milhões de usuários ativos, no Brasil, estão inscritos no Orkut [Nielsen Online];
  • 84% dos usuários brasileiros do Orkut acessam a rede ao menos uma vez por dia; desses, 63% o fazem várias vezes;
  • em julho passado, o Facebook superou 1 milhão de usuários no Brasil.

O mundo virtual concentra pessoas e ideias, além de toda a energia do universo. Nada detém o fenômeno que caminha para ser a mais poderosa forma de mídia jamais imaginada.

Entre os assuntos prediletos de quem acessa o Orkut, estão fotografia [67%], geral [65%], tecnologia [65%], jogos [57%]. E compras, gaveta preferida por 63% dos que entram no Orkut. A mina é logo ali, senhores editores!

Mas o que é a mídia social, que não se consegue descrever a não ser imaginando grandezas exponenciais?

A Giz Editorial domina o assunto. Comandada por Ednei Procópio, que tem dado palestras na CBL criou o [www.livrus.com.br], plataforma on line que se vale dos recursos de mídia social para compartilhar informações. O acesso é gratuito, aberto a qualquer autor e editoras. Qual a vantagem? “O leitor, o usuário ganha informação, a gente acabou criando o ‘Orkut dos livros’, em vez de você adicionar amigos, você adiciona livros.” A receptividade tem sido boa?

Por parte dos escritores, sim, responde Ednei. Por parte das editoras, não. As editoras não têm a mínima ideia do que seja isso. Não sei se é porque nós não comunicamos, não sabemos dizer o que é, ou se eles é que são mal informados.

O desenvolvimento da Livrus exigiu US$ 25 mil, com expectativa de retorno em três anos, que ele espera cobrir com publicidade de outras editoras. Compete com pelo menos duas redes. Uma é http://www.olivreiro.com.br. Outra é http://www.skoob.com.br.

Entusiasta da nova tecnologia, Ednei não sente, no entanto, essa chama aquecendo os colegas de ofício:

É muito fácil comunicar determinados livros nas redes sociais porque elas são feitas exatamente de comunidades formadas por pessoas que se juntam em torno de um tema comum. Então, as pessoas que estão na internet, conectadas, já sabem o que querem. Tem a comunidade dos leitores do ‘Crepúsculo’, assim como tem a comunidade dos leitores do ‘Pequeno Príncipe’. Ou então, tem os que se dividem entre os que gostaram da literatura da geração beatnik, ou ‘eu adoro Paulo Coelho’. Mas eu nunca vi uma editora dentro de uma comunidade de internet, de modo atuante. Quem cria o perfil do escritor é o fã.

Tem uma comunidade do H.P. Lovecraft, criador de literatura fantástica, com mais de 990 mil leitores, e o perfil dele é fake. Só que as pessoas se associam àquele perfil porque ali está escrito que é o H.P. Lovecraft. Ora, a pessoa que mantém aquela comunidade ativa é alguém que curte, sabe o que as editoras estão publicando dele. Se sair uma coletânea nova, ele avisa a comunidade. Contudo, a editora que vai publicar a coletânea não utiliza a rede para avisar os leitores, que são consumidores certos”.

Ednei vai mais longe na análise, insistindo no exemplo H. P. Lovecraft:
O nosso editor não sabe que, se quiser publicar um título novo, basta abrir o Facebook ou o Orkut – que no Brasil é mais forte – para perceber que já existe uma comunidade de amantes do Lovecrat. E que lá pode fazer a pesquisa de campo, no ato, e checar o que os fãs querem ler. Você economiza tempo da pesquisa de mercado e ganha tempo fazendo propaganda direta para o público-alvo. Esse público-alvo também é o formador de opinião, é ele que vai, depois, disseminar a informação para todo o resto”.

Essa atitude participativa, na qual os especialistas em comportamento enxergam uma nova era da humanidade, algo como ‘Eu estou na Web, portanto, existo’, leva ao compartilhamento das ideias. A divisão em tribos resulta dessa compulsão natural. Há o jovem ligado em astrofísica, o adolescente que sonha participar de uma revolução hip-hop, a mulher decidida a lançar um novo estilo. “A mídia social funciona por isso”, explica Procópio, da Giz. “O mercado editorial tem que começar a pensar com essa cabeça, porque, se a AM/FM migrou para a internet, se o jornal migrou para a internet, se a audiência da televisão caiu, o raciocínio tem que ser outro.

A tecnologia permitiu a aproximação entre as pessoas, e as redes sociais são justamente a resposta a esse anseio”, afirma Juliana Sawaia, gerente de Marketing do Ibope Media.

Em outras palavras, qualquer frase, imagem, vídeo, áudio ou conceito colocado em um Twitter [32 milhões de usuários], Sonico [38 milhões], YouTube [mais de 100 milhões de vídeos] e tantos outros canais, instantaneamente vira uma ação coletiva de milhares. Também instantaneamente, esses milhares, que podem ser milhões de acordo com a proposta do canal vira uma comunidade do tipo ‘Eu amo contos de terror’, ou pode se transformar em um blog em homenagem a Michael Jackson. As bolas de neve crescem sem parar.

A Ediouro ocupou espaço no YouTube. No seu canal, projeta vídeos dos principais lançamentos. Durante a Bienal do Livro no Rio, em setembro, promoveu o ‘BlogBook’, que vai transformar em livro a história dos melhores blogs, eleitos pela comunidade. Inscreveram-se 120, divididos em 12 categorias. Os melhores serão editados pela Ediouro, que desse modo estabelece uma via de mão dupla. “O poder da internet é inquestionável, explicou Newton Netto, diretor da Singular, empresa do grupo. O poder do livro também é inquestionável. Nada melhor que trazer os astros da internet para o mundo literário.

A Frog, que se define como ‘agência anfíbia’, atende a Ediouro, e o diretor Roberto Cassano garante: “Estamos mergulhados até o pescoço. Vivemos redes sociais 24 horas por dia”.

E que ações a Frog empreende para a Ediouro? Elas buscam cativar público? Prospectar tendências de mercado?
Atuamos de forma abrangente, incluindo o planejamento estratégico das ações, definição do plano de ação para cada livro, individualmente, produção de sites para os livros, criação e gestão de perfis e comunidades em redes sociais, incluindo Twitter, Orkut, Facebook, blogs, You Tube e redes sociais focadas em literatura”.

Uma perna importante do projeto é o mapeamento de líderes de opinião para cativarmos. Uma das coisas que fazemos é enviar livros para pessoas que terão afinidade com o tema e/ou autor/estilo para que eles possam compartilhar sua opinião sobre o livro com seus leitores/amigos. As resenhas são totalmente livres, sem qualquer compromisso por parte do blogueiro. Ele pode não falar nada ou até criticar.

Cassano confirma, a Frog vem tendo sucesso nas ações para a Ediouro. Mas não revela o santo:

Há livros que trabalhamos com excelente resultado que jamais teriam funcionado da mesma maneira se dependessem de mídia de massa. Conseguimos atuar cirurgicamente em nichos, e muito do mercado editorial se baseia em nicho. Na verdade, com as redes sociais, fica cada vez mais evidente que toda mídia cada vez mais é de nicho. Existem nichos pequenos e nichos gigantes, mas no momento em que as pessoas se reúnem por compartilharem interesses em comum, elas funcionam como um ente coletivo, um nicho.

O publicitário sente o pulso do momento, raciocina:

Com a queda nas vendas de CDs, os livros são os itens de maior giro. O mercado editorial, inclusive com o crescimento dos e-Books e a chegada de leitores eletrônicos, como o Kindle, foi, é e será profundamente impactado pelas redes sociais.

Felizmente ou infelizmente, embarcar nesse novo mundo não é uma opção”.

Mais, com menos. Esse é um dos segredos. Quando se fala em investir em publicidade e marketing, as editoras se retraem. À exceção dos megalançamentos de Paulo Coelho ou Chico Buarque, a verba é sempre pequena para os custos proibitivos de um anúncio de jornal, revista ou televisão. Sem mencionar tratar-se de público de composição pulverizada, caso das tevês, situação dramática quando se trata de livros, consumidos pela minoria das minorias, no Brasil.

Ednei Procópio, o especialista em mídias sociais, compara as situações:

As editoras não descobriram que, se criarem o perfil ou a comunidade do livro na rede social, se criarem o blog do livro ou do escritor, vão ganhar muito. O pessoal reclama: ‘tem muito lixo no Orkut’. Sim, mas isso acontece por não existir o mediador da informação, que o mercado editorial deveria implantar. Poderia fazer isso, mas não faz, prefere a assessoria de imprensa, que é cara, o anúncio no jornal, que sai caro, a resenha, que sai atrasada. O editor não percebeu que o público-alvo não está no Estado, nem na Folha, nem na revista Bravo ou na Veja. O público-alvo está dentro dos blogs temáticos. O nome já diz: ‘sou leitor de ficção científica’, ou ‘adoro poesia’. Então, basta entrar e dizer, ‘bom dia, gente, somos da editora tal e viemos aqui dizer que vamos montar um livro com essa temática’. E a comunidade começa a perguntar, como vai ser? quem é o escritor?…E o editor responde e interage. A Giz descobriu que é mais barato investir na mídia social, que é gratuita por natureza, ou melhor, de custo próximo ao zero, do que investir em anúncio.

Nesse aspecto, um canal de mídia social, bem escolhido e adequado no tempo e no espaço, tem potencial para atingir o público-alvo pretendido.

A Editora SBS, especializada em idiomas – sua cartilha ‘Bem Vindo’, que ensina português para estrangeiros, está perto da marca dos 100 mil exemplares e é adotada por universidades de renome como Harvard –, usa a mídia social para dar apoio aos professores, seus clientes. Presente no Twitter e no Orkut, oferece o programa ‘Virando a Página’, que propõe atividades para as aulas. “São 417 ideias, explica Susanna Florissi, diretora editorial. O professor vê a ideia e a adapta à sua aula. Isso gera uma espécie de criação coletiva, da qual todos querem participar. Veja o caso da Wikipedia. Ninguém recebe para redigir um verbete, mas adora contribuir. No ‘Virando a Página’, que tem vários anos na internet, montamos o que chamamos de e-talks. São palestras, textos redigidos em torno da atividade do docente, algo que gera muita leitura, posts, perguntas. E nem é on line. O texto da palestra é colocado, depois os participantes vão postando suas perguntas que em seguida, são respondidas pelo autor do conteúdo e aí vai se desenvolvendo esse trabalho coletivo.”

A SBS, sigla que quer dizer Special Book Service, ampliou sua atuação, ingressando há dois anos no nicho CTP [livros científicos, técnicos e profissionais]. Fundada em 1985, expandiu suas operações para Argentina e Peru.

As mídias sociais estão a um toque do computador. Não é por outra razão que gigantes empresariais como Claro, Natura, Coca-Cola ou Boticário aderiram ao sistema, criando inclusive a figura do ‘mediador de mídia social’. É um funcionário que, adestrado em técnicas específicas, tem a missão de monitorar o diz-que-diz em relação à empresa. Ele não pode se envolver, apresentar-se como representante, sua antena deve detectar tendências, rumores. Em uma dessas comunidades bloggers, usuárias queixaram-se de que o perfume Egeo Dolce Woman, do Boticário, havia desaparecido.

O mediador passou a informação aos canais competentes. O perfume acabou voltando às prateleiras e realizou-se uma ação para avisar as blogueiras interessadas.

Como o espaço da mídia social é aberto e, em tese, livre, não há limites para ações mercadológicas, desde que, claro, não sejam invasivas nem perturbem a sensação de controle do usuário, que pode sair do ar quando quiser – apenas para reafirmar que ele, internauta, é o patrão do mundo web.

Por que Obama explodiu na rede
A vitória de Barack Obama, o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos, deve muito à mídia social. Uma palavra de ordem criada por seu staff determinava: ‘Crie ações onde as pessoas estão, não onde você quer que elas estejam’. A partir do site mybarackobama.com desenvolveu-se uma rede social onde os eleitores puderam criar blogs próprios para debater, sugerir ações para o comando da campanha, desdobrar minissites para arrecadar doações ou organizar eventos. Na verdade, a campanha de Obama não pedia doações, apenas instalou widgets de contribuição em redes já existentes. Desse modo, os eleitores foram motivados e mobilizados através das ferramentas de interação que se espalham pelas mídias sociais.

Eram dezenas, centenas de mídias gravitando em torno do sol Mybarackobama.com, tipo Facebook – sendo um oficial, outro intitulado I’m strong [2,3 milhões de filiados] -, Black Planet, Myspace, MiGente, Twitter [130 mil seguidores], Glee, YouTube [14 milhões de views apenas do clip ‘Yes, We Can’, interpretado por Will.i.am]. No YouTube, foram lançados concursos de vídeo para manter a mobilização dos eleitores, o que transformou esse canal na ferramenta de comunicação mais utilizada. Discursos, depoimentos, videoclips, tudo o que se possa imaginar, foram colocados em canais de vídeo sharing.

Os espaços oficiais, ou seja, trabalhados pela direção da campanha, eram pensados segundo uma metodologia eleitoral, cobrindo todas as etnias possíveis e os diferentes perfis psicográficos. No auge da batalha, eram 16 redes sociais com o selo oficial, que incluía Flickr, Digg, Eventful, Linkedin, Eons, Glee, MyBatanga, AsianAve. E mais de 500 grupos no Facebook criados de maneira espontânea pelos simpatizantes.

Os números fundamentam como se deu o milagre. Pela internet, trafegaram 87% de toda a arrecadação da campanha. Apenas em setembro de 2008, as doações chegaram a US$ 100 milhões, e 93% dos contribuintes pagou menos de US$ 100.

A goleada infligida ao republicano John McCain teve volume astronômico nas mídias sociais. Exemplos:

YouTube – Barack Obama: 1 800 vídeos postados,134 mil inscritos, e 19,5 milhões de exibições;
John McCain: 330 vídeos, 29 mil inscritos, 2,1 milhões de exibições.

Twitter – de Obama: mais de 130 mil seguidores, 263 atualizações; contagem regressiva que mobiliza para o dia D da votação;
McCain: menos de 5 mil seguidores; não havia interação e houve apenas 25 atualizações em toda a campanha; não recomendou, ao seguidor, que votasse no dia da eleição!

Panorama Editorial | Edição 50