Brasil ganha mais dois concorrentes na gestão de metadados


CBL anuncia, na Bienal do Rio, a Books in print, ligada à Frankfurt; e Eduardo Blucher lança a ferramenta Mercado Editorial

Metadados: o nó no mercado editorial que começa a ser desatado | © www.mercadoeditorial.org

Metadados: o nó no mercado editorial que começa a ser desatado | © http://www.mercadoeditorial.org

Não raro, os colunistas do PublishNews apontam que um dos maiores gargalos do mercado editorial brasileiro é, ainda, a gestão de metadados. Em 2011, por exemplo, Camila Cabete escreveu: “publicar um livro sem metadados é como ter um filho e não dar nome ao coitadinho”. Em 2012, ao participar do debate “Dilemas e conflitos do mercado editorial”, na Bienal de SP, Felipe Lindoso creditou à falha gestão dos metadados o problema da “descobertabilidade”: “o livro brasileiro não é achado, é patético descobrir algo que você não conhece em uma livraria”. Mais recentemente, o colunista voltou ao assunto ao escrever, em março passado: “o pior é que as editoras brasileiras simplesmente mal sabem o que são metadados, não têm ideia de como incluir tags significativos do conteúdo de seus livros”. O assunto, então, deixou de ser apenas a pauta das discussões e passou a fazer as engrenagens do mercado rodarem. Do início de 2014, para cá, o PublishNews noticiou a chegada da Bookwire, que, além da distribuição, faz também a otimização de metadados, e a mudança no modelo de negócios da Digitaliza Brasil que também passou a prestar o serviço. Em 2015, noticiamos a criação da Ubiqui, plataforma que promete reduzir custos com metadados em até 70%. Mais recentemente, a Bookpartners lançou o Portal do Editor, ferramenta pela qual editores podem revisar e atualizar produtos já cadastrados no sistema da holding. Agora, para os próximos dias, duas novidades prometem dar mais força a esse mercado. É que, ainda em agosto, Eduardo Blucher promete colocar no ar o Mercado Editorial e, no dia 2 de setembro, a CBL e a MVB [empresa coligada à Feira do Livro de Frankfurt] anunciam a chegada do serviço Books in Print Brasil.

Os serviços têm em comum um painel de controle por onde editores fazem o upload das informações dos seus livros e as ferramentas padronizam conforme as necessidades de cada um dos varejistas. A Books in print Brasil leva a chancela da MVB, subsidiária da Associação de Editores e Livreiros Alemães, e tem mais de 40 anos de experiência na Alemanha. A vinda da empresa para o Brasil é fruto da parceria entre CBL e a Feira do Livro de Frankfurt, que apresentaram, no começo da semana passada, o projeto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES]. O modelo de negócios da nova empresa no Brasil ainda está em discussão. Na Alemanha, editores pagam por títulos cadastrados e distribuidores, atacadistas e quem quiser os metadados pagam por uma assinatura que varia de acordo com o tamanho da empresa. Os principais clientes lá na Alemanha são: Amazon, Nielsen, GfK e Bookwire. “O trabalho conjunto da Feira do Livro de Frankfurt com a MVB, em parceria com a CBL, vai trazer para o Brasil a mais completa e moderna plataforma de metadados do mercado. Um grande diferencial que a nossa plataforma tem é o uso de algorítimos que garante uma inteligência ao nosso banco de dados. Isso mantém o padrão de entradas, o que dá mais qualidade ao metadado cadastrado”, afirma Ricardo Costa, representante da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil. A previsão é que a empresa comece a operar dentro de um ano.

No caso da Mercado Editorial, o serviço de disparo de metadados será gratuito. Eduardo Blucher disse ao PublishNews que estuda cobrar por serviços avançados. “Optamos pelo modelo freemium nesse primeiro momento. Nem editoras e nem livrarias pagarão pelo serviço. Após lançada a plataforma, vamos testar com o mercado as formas de cobrar pelo serviço”, aponta. Blucher prevê o início das operações ainda no mês de agosto.

ISBN
O projeto da CBL prevê que o Books in print seja, além de uma plataforma de gestão de metadados, também a entrada nos cadastros de ISBN no Brasil. Caso o projeto ande, as editoras farão o input dos dados pela plataforma que se responsabilizará pela inscrição dos metadados na Biblioteca Nacional. “É assim que funciona na Alemanha. É uma experiência já consagrada”, aponta Luis Antonio Torelli, presidente da CBL. Outros projetos já foram iniciados pela Câmara, mas sem grandes sucessos, lembra Torelli. “Há alguns anos, os espanhóis cederam uma plataforma que acabou não funcionando. Abandonamos o projeto. A obsolescência de projetos assim é muito grande. A atualização constante do serviço está no DNA da empresa alemã. A pergunta que devemos nos fazer é: vamos continuar tentando ou vamos partir para uma experiência já consagrada? Não podemos errar de novo”, define Torelli.

O Books in print será apresentado oficialmente no dia 2 de setembro, das 15h às 17h30, no Hotel Grand Mercure [Av. Salvador Allende, 6.555 – Rio de Janeiro/RJ]. Na ocasião, Ronald Schild, CEO da MVB, vai apresentar a ferramenta. Segundo disse Torelli ao PublishNews, o CEO fará também uma reunião com a Fundação Biblioteca Nacional para apresentação do projeto e das possibilidades de integrar a plataforma ao serviço de cadastro do ISBN. Para a apresentação do dia 2, é necessário confirmar presença pelo e-mail eventos@cbl.org.br até o próximo dia 28.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 24/08/2015

eBooks já são responsáveis por 6% do mercado holandês


Um novo relatório da GfK revelou que o mercado de livros holandês encolheu no segundo trimestre, enquanto que o mercado de e-books cresceu. As vendas do livro em papel caíram 15,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo 7,9 milhões de unidades e valor de mercado saltou 11,5%, atingindo 106,1 milhões de euros. Essa má notícia para os livros de papel foi uma boa notícia para os e-books, que responderam por 6% do mercado de livros na Holanda. O mercado holandês pode não ser grande, mas tem atraído o interesse das principais plataformas de e-books.

Por Nate Hoffelder | The Digital Reader | 15/08/2014

O mercado digital alemão


alemanha-brasilEnquanto nos EUA o crescimento das vendas de e-book estagnou, na Alemanha ele continua dinâmico, e livreiros online alemães, principalmente Tolino-Allianz, querem tirar a liderança da Amazon.

Os números do mercado de e-book na Alemanha são motivo de otimismo. A participação no faturamento de 2012 referente à venda de e-books triplicou em relação ao ano anterior, passando de 0,8 para 2,4% [segundo um estudo sobre o setor realizado pela Börsenverein e publicado pelo Painel do Usuário da GfK]. Mas isso não significa que o mercado de e-books não tem seus limites. As grandes taxas de crescimento anual do livro digital nos EUA chegaram a um ponto de estagnação, pelo menos por ora. Enquanto a participação no mercado ficou em 22,6% em 2012, até a metade deste ano ela não havia ultrapassado os 25%, segundo a pesquisa da BookStats, revelou Nina von Moltke, Vice Presidente da Digital Publishing Development da Random House, à revista Zeit.

Só o tempo dirá o que isso significa para o mercado alemão. Depois de anos de crescimento, é possível que a curva do faturamento diminua e passe a oscilar em torno de um patamar. Segundo Anne Stirnweis, responsável pelo livro digital na Random House de Munique, o crescimento neste setor continua, “e não esperamos nenhuma mudança. Mas a longo prazo é natural que o crescimento diminua.” Quanto à participação do livro digital no mercado alemão, seu ponto máximo também pode ficar abaixo de 25%.

No mercado alemão de e-book o foco não está somente no aumento de receita, mas também na briga pela liderança do mercado: A E-Reader-Allianz dos atacadistas Weltbild, Hugendubel, Thalia e Club Bertelsmann, assim como a Telekom, tentam atrair o grosso do mercado alemão com a ajuda do seu leitor Tolino. Segundo a GfK, a Amazon alemã teve uma participação no mercado de e-book de 41% em 2011. Diminuir essa participação do mercado de origem americana é o principal objetivo do grupo. Os sócios da Tolino conseguiram em 2011 uma participação de mercado de 35%. As lojas de e-books do leitor digital são abastecidas pela Pubbles, uma joint-venture entre DBH e Bertelsmann, cujo portal de vendas será encerrado no fim de setembro. A partir daí, a Pubbles passará a atuar somente como distribuidora.

A plataforma Libreka! pode ter um papel importante, caso se junte ao consórcio Tolino, abastecendo as pequenas e médias livrarias que queiram vender aparelhos Tolino e livros digitais. Há negociações no momento referentes à divisão de custos para este modelo de negócio, que ainda precisam ser esclarecidas.

Por enquanto é possível apenas estimar como o público do mercado alemão de livros digitais evoluiu nestes seis primeiros meses do ano, principalmente desde o lançamento do Tolino em março. Os resultados não discriminam por varejista de e-books, mas são frequentes as notícias sobre o crescimento da participação de empresas como Thalia e Weltbild/Hugendubel: as vendas do Tolino pela Weltbild e Hugendubel, que chegam a cinco dígitos, ultrapassam as expectativas, crescendo ainda mais durante o Natal.

Veja uma seleção dos portais de livros nos países de língua alemã

Amazon.de – Loja Kindle
Catálogo: cerca de 1,8 milhão, dos quais 170.000 em língua alemã.
Formatos:  AZW, PDF, TXT [exceto EPUB],  KF8 para  livros com informações extras [em sistema protegido]
Participação no mercado em 2012 [segundo a GFK]: 41%
Leitores digitais: Kindle, Kindle Paperwhite, Kindle-Fire [Tablet] e aplicativos de leitura

Thalia.de
Catálogo: cerca de 300.000, dos quais 200.000 em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GFK]: 14%
Leitores digitais: Tolino Shine, Bookeen Cybook, Tablet PC4

Weltbild.de
Servidor: DBH
Catálogo: cerca de 500.000, sem dados sobre livros em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GFK]: 13%
Leitores digitais: Tolino Shine, Trekstor Reader 4Ink
Particularidades:
– A Pubbles, uma joint-venture entre Weltbild e Bertelsmann, abastece as lojas DBH [Weltbild, Hugendubel]
– A DBH pertence à Tolino-Allianz [juntamente com Thalia, Clube Bertelsmann e Deutsche Telekom]; 100 dias após estrear no mercado, ela anunciou vendas em valores na casa dos cinco dígitos.

Libreka !
Servidor: MVB
Catálogo: cerca de 760.000, dos quais 85.000 são títulos em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Leitores digitais: Trekstor Liro Ink, Trekstor Liro Color, Trekstor Liro Mini, Trekstor Liro Tab [Tablet]
Particularidades :
– a Libreka! foi fundada como site de procura de textos e oferece e-books desde 2009.
– A Liro Shop instalada dentro do Leitor Liro é alimentada com dados da Libreka!
– Libreka! como plataforma de distribuição foca principalmente no segmento loja para loja [B2B] para editores e livreiros
– Um modelo de empréstimo está atualmente em teste; cerca de 800 títulos podem ser emprestados.

Buecher.de
Catálogo: cerca de 1,1 milhão, dos quais 400.000 em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GfK]: 5%
Leitores digitais :  Tolino Shine,
– A loja incorpora na sua página comentários de jornais como o “FAZ” [Frankfurter Allgemeine Zeitung]

Ebook.de
Servidor: Libri.de
Catálogo: cerca de 600.00, dos quais 245.000 em língua alemã
Formatos: EPUB, PDF
Participação no mercado em 2012 [segundo a GfK]: 4%
Leitores digitais: ebook.de distribui leitores de texto Sonys PRS-T2
Particularidades:
– Apesar do foco ser conteúdo digital [e-book.de], os clientes podem também pedir títulos impressos
– O acionista majoritário da empresa é o varejista Libri
– ebook.de é a sucessora de loja de varejo  libri.de [mudou de nome em outubro de 2012].

Por Conexão Alemanha-Brasil | Publicado em português por PublishNews | 05/08/2013 | Publicado orignalmente por Börsenblatt | 2/07/ 2013 | Michael Roesler-Graichen, Tamara Weise and Jens Schwarze são editores da Börsenblatt, o jornal sobre mercado editorial mais importante da Alemanha.

ANL e Amazon e digitais. Hora de verdades?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 11/12/2012

O anúncio da chegada ao Brasil de três grandes operadoras do comércio eletrônico de livros – Amazon, Kobo e Google – coincidiu com a divulgação do “Diagnóstico ANL do setor livreiro 2012”.

Recentemente a entidade dos livreiros havia divulgado uma carta aberta ao mercado – i.e. às editoras – e ao governo, com suas sugestões para o desenvolvimento do mercado de livros digitais no país. Sugestões, não reivindicações, segundo a própria entidade.

O diagnóstico foi encomendado pela ANL junto à GfK, uma multinacional de pesquisa de mercado, que lançou no primeiro semestre deste ano seu serviço de rastreamento online da venda de livros, é concorrente ao BookScan da Nielsen [que diz que se prepara para entrar logo no mercado brasileiro].

O estudo da GfK tem algumas características interessantes. Enviou questionários, que podiam ser respondidos online, por fax ou e-mail e entrevistas por telefone junto a todos universo conhecido pela ANL, que é de 3.403 livrarias. A pesquisa recebeu respostas com informações de 716 lojas, o que equivale a 21% do total, um índice de respostas muito bom. Destas, 152 respostas foram obtidas através da central de redes de lojas, que disponibilizaram dados de suas filiais, e 564 respostas vieram diretamente de livrarias independentes e grandes redes, com um questionário respondido por cada loja, representando um total de 474 diferentes razões sociais.

Os números indicam que algumas ditas grandes redes não responderam ao questionário, e que a maior parte das respostas veio efetivamente das livrarias independentes e redes regionais, que têm uma presença maior junto à entidade.

Essa impressão é corroborada pelo dado divulgado de 62% dos respondentes possuírem apenas uma loja, e que o principal regime tributário é o simples.

Alguns destaques da pesquisa:

– Estabilidade no número das lojas independentes, e crescimento das grandes cadeias, com um achatamento na posição das cadeias médias. Na pesquisa de 2009, as grandes cadeias, com mais de cem lojas, representavam 6% do mercado livreiro, e passaram a representar 15%. O segmento das cadeias médias diminuiu de 31% para 22%. Ou seja, a concentração, que se verifica também no segmento editorial, aqui se repete. Os dados não permitem concluir se no setor livreiro ocorre a mesma taxa de alta natalidade e mortalidade no segmento das pequenas livrarias. Explico: no setor editorial, que conheço melhor, noto que todos os anos nasce uma boa quantidade de novas editoras, que não sobrevivem mais que dois ou três anos, sempre substituídas por novas levas de pequenas editoras. A estabilidade evidenciada no índice de 62% [contra 63% em 2009] de empresas que possuem apenas uma loja não permite sabermos se são as mesmas lojas, ou se novas empresas surgiram para substituir as que eventualmente fecharam.

– Distribuição das livrarias. Permanece evidente que as regiões mais ricas e escolarizadas do país são as que têm mais livrarias. O sudeste continua sendo a região com mais lojas. Notou-se, em relação aos dados de 2009, duas flutuações leves, mas significativas. Positivamente, a proporção de livrarias na região nordeste aumentou três pontos percentuais, de doze para quinze por cento do total de lojas. Inversamente, a proporção de lojas na região Sul diminuiu de dezenove para dezesseis por cento. O aumento no nordeste talvez seja explicável pelo crescimento dos investimentos em educação na região, que também registrou proporcionalmente um aumento menor na melhoria dos índices socioeconômicos.

– Uma tabela interessante é a que mostra a disposição das livrarias em investir no negócio. Entre as livrarias, 82% delas declararam que pretendem fazer investimentos em suas lojas até o final de 2013. Essa resposta pode ser lida em dois sentidos. O primeiro, positivo, é o de que a maioria dos livreiros compreende e está disposto a fazer investimentos em seu negócio. Mas o fato de 18% dos respondentes declararem que não pensam em investir nada no seu próprio negócio no ano de 2013 revela também que ainda há gente que acha que o mero fato de existir garante sua sobrevivência. Para esses, a vida vai ser complicada.

Mas, para além da decisão de investir, vale a pena ver em que os livreiros pretendem fazer isso. A maioria [71% dos que responderam que farão investimentos] diz que fará reforma na loja. Logo em seguida [64% – as respostas não eram excludentes] estão os que declaram a decisão de investir em tecnologia. A mesma proporção [64%] afirma que investirá na capacitação profissional. Finalmente, 34% afirma que investirá na abertura de novas lojas, índice que sobe para 46% entre os livreiros do nordeste e chega a 65% entre as livrarias que têm cinco ou mais lojas.

Se o investimento em capacitação revela uma preocupação positiva relacionada com o atendimento ao cliente, as perguntas relacionadas à informatização das empresas, para mim, colocam questões preocupantes. Além do fato de 12% do total das empresas não estarem informatizadas [17% entre as livrarias que possuem uma e duas lojas], verifica-se que o chamado “investimento em informática” se refere de maneira avassaladora às questões de gestão empresarial das empresas.

Há uma enorme lacuna no que diz respeito ao uso de mecanismos informatizados para o serviço ao cliente.

Vejamos os dados da pesquisa.

As “áreas informatizadas” [em porcentagens] das livrarias pesquisadas são as seguintes:

92% estão informatizadas no controle de retaguarda [controle de estoques];
89% estão com seus sistemas de caixa [emissor de cupom fiscal] informatizados;
86% estão com os controles financeiros [contas a pagar/receber/bancos/cartões, etc.] informatizados;
78% estão com seus sistemas contábeis [controle fiscal] informatizados.

Não se faz menção a investimentos nos meios informatizados para ajudar no atendimento aos clientes. Aliás, não foram feitas perguntas nesse sentido no questionário, o que revela, por parte da ANL, um desconhecimento da importância dessa questão.

Quando me refiro aos serviços aos clientes com ajuda da informática, estou remetendo principalmente aos processos informatizados para ajudar os clientes a encontrar o livro que desejam, aos processos de comunicação com os clientes, inclusive a geração de feedback sobre atendimento e busca da satisfação das necessidades dos clientes. Em uma palavra: metadados.

Ajudar os clientes a encontrar o que desejam é algo completamente diferente do simples controle de estoque, ou de ter ou não e-commerce. Não se perguntou [ou as respostas não foram tabeladas] sobre a existência de sites, uso das redes sociais [Facebook, Twitter, Orkut ou similares], emissão eletrônica de boletins de novidades. Comunicação ativa e proativa com os clientes.

Os livreiros demonstram uma preocupação crescente com a oferta de espaços “alternativos” para os clientes: áreas para leitura; cafés ou cyber cafés e espaço para eventos foram os mais citados. Da mesma maneira, o aumento da diversidade de itens comercializados é crescente, com três quartos das livrarias ofertando CDs e DVDs, além da tradicional oferta de material de papelaria, hoje acompanhados de suplementos de informática. As livrarias religiosas, particularmente as católicas, oferecem artigos religiosos [santos, quadros, terços e o resto da parafernália de culto].

A lista de tipos de livros comercializados é bem extensa, mas sua utilidade na análise do conjunto se vê prejudicada pela não apresentação de um cruzamento com o tipo de livraria. Por exemplo, 76% das livrarias declaram ter estoque de livros religiosos [contra 46% em 2009], e 69% dizem oferecer livros de autoajuda/esotéricos [contra 46% também em 2009]. Essa informação é difícil de ser processada e entendida se não for cruzada com o tipo de livraria que os oferta.

A declaração dos livreiros sobre os tipos de livros não obedece a nenhuma categorização formalizada. É a percepção sobre o “tipo” de livros que oferecem. Assim, por exemplo, não se sabe se os livros dos padres [Marcelo, Fábio Costa, etc.] estão juntos com o de Edir Macedo, ou como se misturam com os livros psicografados nas categorias de autoajuda ou esotéricos.

Essa mistura reflete, também, a pouca extensão do uso da informática para obter informações mais precisas sobre os livros solicitados/ofertados aos seus clientes. O uso sistemático e extenso de metadados produziria informações de interesse significativo para que os livreiros pudessem melhor conhecer o que, efetivamente, seus clientes buscam, encontram [ou não] e preferem.

Evidentemente esse baixo índice de uso dos mecanismos informáticos para colheita de informações não é responsabilidade apenas dos livreiros. Os editores também não sabem aplicar e usar metadados para conhecer o desempenho de seus livros, muito menos para aproveitar ao máximo as informações que possam ser coletadas.

É nesse contexto que a chegada dos grandes players do comércio eletrônico se transforma em uma ameaça muito maior para a futura saúde e progresso das livrarias independentes. A Amazon, a Google [que é, basicamente, uma empresa de sistemas de busca] e mesmo a Kobo levam isso muito a sério.

A sua chegada, além de permitir que os clientes das localidades menores e mais distantes, que nem dispõem de uma livraria física, possam conhecer e encomendar os livros simultaneamente aos mercados do sul e sudeste, apresenta um desafio adicional e muito importante para os livreiros “físicos”. Grandes e pequenos.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 11/12/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Venda de tablets mais que triplica no Brasil


O que mais contribuiu para esse crescimento foi a combinação da demanda dos usuários com o surgimento de modelos com preços mais baixos que o iPad, o precursor do mercado

Levantamento de consultoria indica que 2,6 milhões de tablets serão vendidos no Brasil até o fim deste ano | Photo Mathew Sumner Getty Images

Levantamento de consultoria indica que 2,6 milhões de tablets serão vendidos no Brasil até o fim deste ano | Photo Mathew Sumner Getty Images

São Paulo | Os tablets ganham mercado em ritmo acelerado no Brasil. Uma pesquisa divulgada pela consultoria GfK mostra que entre janeiro e agosto de 2012 houve um aumento de 267% nas vendas do produto na comparação com o mesmo período do ano passado.

O que mais contribuiu para esse crescimento foi a combinação da demanda dos usuários – cada vez mais atraídos pela portabilidade da prancheta eletrônica – com o surgimento de modelos com preços mais baixos que o iPad, o precursor do mercado.

Hoje, a versão mais básica do iPad 2 [16 gigabytes, Wi-Fi] é vendida no site da Apple por R$ 1.299. Mas, quase dois anos após o lançamento do primeiro tablet da empresa de Steve Jobs, há várias opções abaixo dos mil reais no Brasil.

O Samsung Galaxy Tab 2, de 8 gigabytes e Wi-Fi, tem o preço sugerido de R$ 699. Com especificações iguais, o Ypy, da Positivo, tem o mesmo preço. A média de preços hoje, segundo levantamento da GfK feito em agosto, é de R$ 968. Em dezembro de 2010, esse valor ultrapassava os R$ 2 mil. “Isso ilustra bem o quanto os tablets estão mais acessíveis“, diz Cláudia Bindo, gerente de telecomunicações da GFK.

Ela explica que os tablets apenas com Wi-Fi são os mais vendidos. “Mas isso não significa que os aparelhos 3G não são importantes. O uso dos produtos é que difere.” Há os usuários iniciantes que optam pelo Wi-Fi [geralmente os mais baratos] e há os que precisam da conexão de internet móvel a todo momento, segundo ela. São os usuários mais avançados.

Também são parte significativa do mercado os aparelhos de tamanho próximo a 7 polegadas. Segundo a consultoria IDC, esse modelo responde por metade das vendas no País. Com o lançamento do iPad mini, a Apple deve começar a concorrer nesse mercado, observa o analista de mercado da IDC Attila Belavary.

O último levantamento da consultoria indica que 2,6 milhões de tablets serão vendidos até o fim deste ano. Para 2013, a empresa espera que o mercado brasileiro alcance a marca de 5,4 milhões de unidades. Estão incluídos nessa estimativa os tablets adotados em empresas, universidades públicas e privadas e as cerca de 900 mil unidades que o Ministério da Educação deve entregar a escolas públicas entre o fim de 2012 e meados de 2013.

Publicado originalmente em EXAME.COM | 14/11/2012, às 11:07