Minha Biblioteca começa 2014 com serviço de aluguel de eBooks


A plataforma conta com 5 mil títulos e atende 50 instituições de ensino superior

Minha BibliotecaMinha Biblioteca, resultado da joint venture das editoras Saraiva, GEN, Altas e Grupo A, já completou três anos de estrada. A ideia era unificar os investimentos em uma plataforma única e oferecer a universidades os seus catálogos de e-books fortemente calcados nas áreas de ciências sociais aplicadas, exatas, biociências, jurídicas e humanas. O negócio tem dado certo. Atualmente, a Minha Biblioteca tem 5 mil títulos e 50 instituições de ensino como clientes. O negócio segue os mesmos modelos que outras bibliotecas digitais: a universidade pode montar o seu próprio acervo digital, pagando pelo preço de capa por uma cópia perpétua e ou o sistema de subscrição no qual a instituição paga um valor e seus alunos têm acesso ao catálogo. Mas na virada do ano, a Minha Biblioteca montou um terceiro modelo, este voltado direto para os alunos, sem a intermediação da universidade. Ele pode comprar ou alugar e-books acessando a loja virtual da Minha Biblioteca. “No final de dezembro, colocamos um piloto no ar e foram feitas 300 transações. Agora entramos na fase de consolidação do negócio”, explica Richardt Rocha Feller, diretor executivo do consórcio.

Os valores do aluguel vão de acordo com o preço de capa. “O preço varia muito, é vinculado ao preço de mercado, por isso ainda não temos uma média de preço”, explica o diretor. Além disso, há três faixas de preço para o aluguel. O cliente pode escolher ficar 30, 60 ou 180 dias com o e-book. O livro Tratado de otorrinolaringologia, (GEN) da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facil, custa R$ 937,00 na versão digital e o aluguel é de R$ 374,80 por um mês ou R$ 562,00 pelo semestre.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 14/02/2014

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Jornais debatem seus modelos de negócios e cobrança por conteúdo na internet


A cobrança por conteúdo na internet por parte dos jornais foi o assunto principal do encontro “Novas Plataformas Editoriais, Novo Jornalismo, Novos Meios”, que ocorreu nesta quinta-feira [27] em Buenos Aires.

Promovido pelo grupo Clarín e pelo GEN [Global Editors Network], o evento contou com a participação de Ricardo Kirschbaum, editor-geral do “Clarín”, Matt Kelly, ex-publisher de internet do “Daily Mirror”, Jim Roberts, editor-assistente do “New York Times”, e Roberto Dias, editor de Novas Plataformas da Folha.

Roberts disse que a cobrança pelo conteúdo tornou o jornal “mais saudável”, mas que isso não é suficiente para lidar com as transformações no mundo das comunicações hoje. Reforçou que os jornais devem aprender com as redes sociais no sentido de que estas geram um sentimento positivo ao permitir que seus usuários compartilhem experiências.

Para ele, o uso mais recorrente dos vídeos é a alternativa mais sedutora para atingir esse objetivo. Também chamou a atenção para a necessidade de uma mudança geral no comportamento daqueles que fazem os jornais. “Temos de parar de resistir às transformações e abraçá-las“, disse.

Já Dias explicou como foi o processo de unificação das redações impressa e digital na Folha, em 2010, e a posterior implantação do “paywall” [muro de cobrança] poroso, em junho de 2011. Disse estar havendo uma “revolução cultural” dentro das redações e que é um desafio modificar os velhos costumes na produção dos jornais.

Reforçou que a circulação, a publicidade e a audiência do site da Folha não caíram com o novo sistema.

Por sua vez, Kelly se mostrou descrente com relação aos conteúdos pagos. “Não é uma opção, pelo menos no Reino Unido, sugerir que o leitor queira pagar pela informação“, disse.

Em vez disso, apresentou algumas alternativas que o “Daily Mirror” tem seguido. “É preciso conquistar novos territórios, tanto geograficamente, abrindo escritórios em outras partes do mundo, como no que diz respeito às plataformas.

O “Daily Mirror” aumentou a audiência de seu site de 5 milhões para 20 milhões de visitantes de 2007 até hoje. Entre as mudanças realizadas estão a criação de uma seção de esportes e uma de entretenimento.

O editor do “Clarín” reforçou que as redações “não têm alternativa” e que precisam investir na formação de jornalistas preparados para atuar em vários meios. O “Clarín” não cobra pelo conteúdo on-line, mas diz não ver nisso um problema. “A tendência é que o papel seja consumido por um público mais elitista no futuro, enquanto a internet será mais geral.

SYLVIA COLOMBO, DE BUENOS AIRES | Clipado de Folha de S.Paulo | 27/09/2012, às 20h03

Brasil, eBooks, educação e tecnologia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Non ducor, duco

Com seus 11 milhões de habitantes – 20 milhões, se incluirmos as cidades ao redor – e um PIB de mais de 300 bilhões de dólares, São Paulo representa o principal polo industrial e financeiro da América do Sul. Cerca de 6 milhões de automóveis transitam por sua gigantesca rede de estradas, avenidas, túneis, pontes e viadutos. Escapando do trânsito,incontáveis passageiros são transportados pelas diferentes linhas de metrô, enquanto no ar, um enxame de helicópteros aguarda o momento propício para descer no terraço de algum arranha-céu.

A cidade transmite uma intensidade extraordinária, é absolutamente multicultural e absorve tudo o que chega de fora – costumes, roupas, comidas e até palavras – com a mesma naturalidade que uma selva tropical assimila espécies novas. No entanto, tal facilidade não deveria criar nenhuma confusão: longe de adaptar-se passivamente às tendências da moda, São Paulo transforma todas a seu favor, o que talvez explique a máxima em latim que adorna sua bandeiranon ducor, duco – “não sou conduzido, conduzo”.

CONTEC: educação e tecnologia

Felizmente, a cidade conta com espaços de serenidade. O Parque Ibirapuera é um dos mais importantes de São Paulo: possui belíssimos lagos, fontes e árvores, assim como uma rica oferta cultural. No centro dele ergue-se o Auditório Ibirapuera, concebido há várias décadas pelo genial arquiteto Oscar Niemeyer e atualmente administrado pelo Instituto Itaú Cultural.

O Auditório destina-se geralmente a grandes espetáculos musicais, mas durante os dias 7 e 8 de agosto serviu de sede para o evento CONTEC, uma conferência internacional sobre educação e tecnologia organizada pela Feira do Livro de Frankfurt [FBF] – em especial por suas divisões LitCam e Frankfurt Academy –, que contou com o apoio de atores locais como PublishNewsAbeu, o Instituto Itaú Cultural, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Positivo, entre outros. Quase 700 pessoas, majoritariamente jovens, assistiram a debates atuais sobre a questão do analfabetismo, os planos de leitura do Estado brasileiro, as iniciativas de empresas locais e as incursões das empresas internacionais.

Pelo que se pôde ver, o Brasil se prepara para um grande salto tanto em educação quanto em tecnologia. Como deixou claro Karine Pansa – diretora da CBL – na abertura do evento, o Brasil ainda é um país desigual, mas a universalização da educação primária, o investimento em qualidade educativa e as novas tecnologias acabarão sendo fatores decisivos na consolidação de um mercado leitor. Para conseguir estes objetivos, o país “terá que aprender das nações que já deram esse salto”.

Um Estado poderoso

André Lázaro – que foi secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade durante a presidência de Lula da Silva – enumerou as conquistas e desafios dos planos nacionais de luta contra o analfabetismo, assim como a necessidade de trabalhar com força neste âmbito, a fim de conseguir uma democracia melhor. Como lembrou Lázaro, ainda persistem fortes diferenças entre o rico sudeste e o nordeste mais pobre, assim como entre as cidades e o campo.

Lúcia Couto – atual coordenadora geral de Ensino Elementar do Ministério da Educação – descreveu as diferentes ferramentas utilizadas pelo Estado para universalizar a alfabetização das crianças. O Brasil está discutindo atualmente os detalhes do Plano Nacional de Educação, que poderia elevar o investimento educativo a 10% do PIB nos próximos 10 anos.

Os esforços do setor público também vêm da área da cultura. Galeno Amorim – presidente da Fundação Biblioteca Nacional – expôs detalhes do Plano Nacional do Livro e da Leitura. Como apontou o presidente da FBN, o Ministério da Cultura designou quase 200 milhões de dólares a diversas iniciativas de fortalecimento das bibliotecas e de estímulo à leitura que serão realizadas até o final do ano.

Brasil na vanguarda tecnológica

Se o setor público dá sinais de se mover com decisão, as empresas privadas não ficam atrás, embora sejam conscientes de que falta muito por fazer. Cláudio de Moura Castro – assessor do poderoso grupo Positivo – afirmou que apenas 18% dos universitários possuem o hábito da leitura e que um número significativo de alunos são, na verdade, analfabetos funcionais; de fato, em todo o Brasil existem tantas livrarias quanto na cidade de Paris.

O matemático José Luís Poli – do Programa de Alfabetização em Língua Materna [PALMA], desenvolvido pela empresa IES2 – confirmou o diagnóstico negativo a respeito dos milhões de analfabetos plenos e funcionais, mas se mostrou otimista sobre as soluções aportadas pelas novas tecnologias. PALMA funciona como um conjunto de aplicativos para celulares e oferece diferentes ferramentas de escrita e compreensão de textos. É importante lembrar que no Brasil existem mais de 250 milhões de celulares – o que equivale a uma penetração de 130% – dos quais ao redor de 54 milhões são 3G. Por outro lado, os fortes investimentos em infraestrutura 4G que se avizinham permitem supor que a telefonia móvel desempenhará um papel ainda mais vital na comunicação brasileira.

Brasil 2.0

As redes sociais constituem outro dos fatores decisivos no mundo da comunicação do Brasil. O país conta com mais de 55 milhões de contas de Facebook – segundo, depois dos EUA, no ranking global de usuários. A rede social Orkut, que no Brasil é administrada pela Google, perdeu sua liderança no final de 2011, mas ainda conta com uma considerável massa de seguidores. Em relação ao Twitter, o Brasil também segue os EUA no número total de usuários, sendo São Paulo a quarta cidade com maior número de tweets do mundo, só atrás de Jacarta, Tóquio e Londres. Durante a conferência CONTECa escritora carioca mais de 200.000 leitores que a seguem.

Os meios sociais do Brasil vão, inclusive, além do Facebook, Orkut ou Twitter. Já surgiram redes locais organizadas por núcleos de interesse, que mostram uma atividade notável. Na mesa que tive a oportunidade de moderar, Viviane Lordello deu algumas cifras do Skoob, a maior rede social de leitores do Brasil: uns 600.000 internautas trocam recomendações, notas e até livros físicos que são enviados por correio postal; estes usuários são de todo o território brasileiro, no entanto mais de 45% vive em São Paulo. Também é preciso destacar o trabalho realizado pela Copia, uma plataforma de conteúdos digitais dependente do grupo DCM dos EUA; Marcelo Gioia – CEO do Copia Brasil – enumerou durante a CONTEC os planos da empresa em nível local, especialmente depois de ter fechado uma aliança com o Submarino, a principal empresa de comércio eletrônico da América Latina: desta união de forças surgiu o Submarino Digital Club, uma rede social na qual os usuários podem compartilhar anotações assim como comprar e descarregar e-books.

Local e global. CONTEC 2013

A necessidade de estabelecer alianças locais foi em parte discutida durante a sessão “Visão panorâmica: olhando a bola de cristal”, na qual participaram Tânia Fontolan – do conglomerado brasileiro Abril Educação – e Hegel Braga – diretor da Wiley Brasil – sob a coordenação de Holger Volland. Fontolan começou explicando a forma como a Abril Educação vê o mercado educativo local nos próximos anos: crescimento dos conteúdos na nuvem; proliferação de tablets e celulares; aprendizagem baseada em videogames e conteúdo aberto. Braga, por seu lado, ofereceu detalhes sobre as ações da Wiley no Brasil: a empresa abriu um escritório próprio em São Paulo há poucos meses: dali espera desenvolver acordos com sócios locais e trazer tecnologia do exterior para ajustá-la ao cliente brasileiro. Tânia Fontolan concordou com a importância de trabalhar com alianças locais, embora tenha se mostrado cética a respeito da ideia de implantar soluções tecnológicas fechadas, pois em muitas ocasiões estas se mostraram simplesmente inadaptáveis.

Jurgen Boos e Marifé Boix García – respectivamente diretor e vice-diretora da FBF – sublinharam seu compromisso de longo prazo com o Brasil e a América Latina, ao mesmo tempo em que anunciaram uma nova edição da CONTEC para junho de 2013, desta vez na forma de uma feira internacional de conteúdos e educativos e multimídia, com dias diferenciados para os profissionais e para o público. A FBF já conta com delegações de Nova Délhi, Moscou, Beijing e Nova York, e logo abrirá um escritório em São Paulo. Segundo Jurgen Boos, as redes e o know how da FBF podem ser de grande ajuda para a indústria editorial brasileira:

“O Brasil tem um mercado interno enorme, com quase 200 milhões de pessoas. No entanto, está muito focado no local, ainda carece de contatos internacionais e é aí onde acho que nós podemos desempenhar um papel importante. Gostaríamos também de trabalhar com as universidades brasileiras, porque considero que tudo que fizermos deverá ser local. Podemos trazer nossa experiência, mas são necessários profissionais do mercado local.”

eBooks na Bienal: um futuro entre o EPUB e a nuvem

No dia 9 de agosto, a uns 12 quilômetros do Parque Ibirapuera – no centro de exposições do Anhembi – foi inaugurada a 22ª Bienal do Livro de São Paulo, sob o lema “Os livros transformam o mundo, os livros transformam as pessoas”. A exposição durou 11 dias e foi visitada por mais de 750.000 pessoas, confirmando o dinamismo de uma indústria editorial que fatura quase 2,5 bilhões de dólares anuais.

Em comparação com os estandes de livros impressos, o espaço dedicado aos e-books era bastante limitado, o que acaba sendo coerente com a baixa faturação que apresenta o segmento digital: na verdade, os livros eletrônicos equivalem hoje a menos de 1% do total de ingressos da indústria editorial brasileira. Apesar disso, algumas tendências permitem antecipar um crescimento acelerado do novo mercado.

Como afirmamos antes, são numerosas as empresas estrangeiras que trabalham com aliados nativos para oferecer conteúdos digitais cada vez mais adaptados aos leitores locais. Graças ao lançamento de sua rede social de livros digitais – resultado do acordo com a Copia – o estande da Submarino foi um dos mais concorridos da Bienal.

Por outro lado, a considerável capacidade de investimento dos players autóctones possibilitou o surgimento de plataformas originais como Nuvem de Livros, desenvolvida pelo Grupo Gol, em associação com a operadoraVivo-Telefônica: durante a Bienal, os estudantes puderam se informar sobre as funcionalidades e custos desta plataforma na nuvem, que conta com 800.000 usuários e que por menos de 2 reais por semana oferece acesso a cerca de 6.500 títulos.

Da mesma forma, as editoras nacionais estão trabalhando ativamente na digitalização de seus catálogos, embora ainda haja muito a melhorar: segundo a especialista Camila Cabete, mais de 60% dos arquivos EPUB brasileiros apresentam erros de estruturação. De qualquer forma, a migração já começou: os títulos publicados em formato digital chegaram, em 2011, a 9% do total de obras registradas. Diversas editoras passaram à ofensiva comercial, em especial no terreno do livro científico: Atlas, GENEditora Saraiva e Grupo A uniram forças para oferecer seus títulos através do Minha Biblioteca, uma plataforma de conteúdo digital pensada para o mercado acadêmico.

Quem quer colocar [Kindle] um fogo [Fire] na Amazônia?

O dia 10 de agosto foi a data chave para os e-books durante a Bienal. Ao longo de toda essa jornada – “o dia D” – o público pôde escutar diferentes protagonistas da cena digital: Andrew Lowinger da Copia, Marie Pellen da OpenEdition, Jesse Potash da Pubslush, Júlio Silveira da Imã, Eduardo Melo da Simplíssimo, Marcílio Pousada da Livraria Saraiva e Russ Grandinetti da Amazon Kindle. Depois da primeira conferência, os organizadores foram obrigados a mudar o evento para uma sala maior, já que o número de participantes tinha superado as expectativas.

Quando chegou a vez de Russ Grandinetti, nem sequer a nova sala foi suficiente para conter os interessados, e um grande número de ouvintes ficou de fora. O executivo esclareceu logo no começo que não daria nenhuma data para o desembarque da Amazon no Brasil e se limitou a enumerar os pontos positivos do e-reader Kindle e o tablet Fire. Carlo Carrenho – diretor do PublishNews – coordenou o diálogo entre Grandinetti e o público, e no final lembrou uma frase de Jeff Bezos: “Quero ir à lua… e ao Brasil”, o que levou a uma pergunta que o público celebrou com gargalhadas: “Quando pensam em abrir essa filial lunar, então?” É que o lançamento da Amazon no Brasil já demorou muito – talvez um sinal de que as coisas não eram tão simples quanto pareciam. Às complexidades impostas somam-se obstáculos impensados: por exemplo, até muito pouco tempo, o domínio amazon.com.br era propriedade de uma empresa local; demorou 7 anos para a Amazon EUA conseguir um acordo com sua contraparte brasileira – porque não era simples para os norte-americanos alegarem seu direito sobre a marca, já que o rio Amazonas [“Amazon” em inglês] se encontra precisamente no Brasil. Em todo caso, a empresa de Seattle parece disposta a fazer o que for necessário para se estabelecer na América do Sul – desde adquirir empresas nativas até operar sob uma denominação diferente, entre outras alternativas.

Imediatamente depois da Amazon, chegou a vez da livraria Saraiva. Nesse momento, eram tantas as pessoas na sala que a situação se assemelhava mais a um show de rock do que a uma conversa sobre e-books. Marcílio Pousada lembrou a importância de contar com 102 lojas em todo o território brasileiro e de ser um dos principais vendedores de tablets e de livros a nível nacional. Vale a pena sublinhar que a Saraiva possui mais de 2 milhões de clientes ativos em sua divisão eletrônica. Graças a uma equipe de 60 pessoas dedicadas ao desenvolvimento digital, implementou seu próprio aplicativo de leitura e outras iniciativas pensadas especificamente em função do leitor local. Este potencial concorrente da Amazon oferece hoje em torno de 10.000 títulos em língua portuguesa e espera somar outros 5.000 até dezembro.

Quem manda no baile

No Brasil, confluem hoje forças muito poderosas, provenientes tanto do interior quanto do exterior. Como rios caudalosos que se interconectam, o setor público, as empresas locais e as empresas globais formaram um ecossistema rico e dinâmico. Este diagnóstico poderia ser aplicado a diferentes áreas da economia, por exemplo a de infraestrutura de transportes, tal como pôde ser visto nos recentes anúncios do governo para a construção de ferrovias e estradas.

No âmbito das publicações digitais, a sinergia entre os players públicos e privados, locais e globais, é especialmente clara. A envergadura dos atores envolvidos permite supor um crescimento acelerado tanto da oferta de conteúdos quanto dos ingressos econômicos. O país tem tudo para ganhar com o desembarque das multinacionais do e-book: as empresas brasileiras recebem uma forte transferência de tecnologia do exterior, ao mesmo tempo em que os consumidores nacionais têm acesso a plataformas e dispositivos de primeiro nível.

Apesar disso, também é preciso avisar que existe o perigo de uma saturação da oferta. Na verdade, muitos de meus interlocutores brasileiros estavam surpresos pelo otimismo excessivo manifestado pelas empresas internacionais, que acham que este mercado é um novo Eldorado, a ansiada fuga da crise econômica que afeta suas matrizes. E o certo é que – tal como sublinharam os criadores de políticas durante a conferência CONTEC– o Brasil continua enfrentando desafios cuja solução exigirá muito tempo e grande esforço.

De qualquer forma, apesar de todas as dificuldades, o país ganhou uma relevância ineludível e já dialoga de igual para igual com os titãs da indústria eletrônica global. E o Brasil – com seu ativo setor público, suas poderosas empresas e seu povo extraordinário – está decidido a conduzir o baile, não a ser conduzido.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

O que se ganha em um congresso?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Nos dias 26 e 27 de julho passado aconteceu o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Foram doze eventos, entre palestras e mesas-redondas, além da apresentação de trabalhos científicos em uma sala anexa. Boa frequência, apesar do preço salgado. Poucas perguntas e ainda menos discussões. A plateia permaneceu passiva depois da maior parte das palestras/mesas-redondas, e mesmo as perguntas feitas não provocaram grandes discussões.

Não pretendo comentar todas as palestras ou discussões. Quero apenas chamar atenção para alguns tópicos que me pareceram os mais interessantes.

O primeiro ponto a destacar é que esta segunda versão do Congresso do Livro Digital teve menos “vendedores de soluções” que o primeiro. Achei isso bem positivo. É um tanto abusivo pagar para ouvir um monte de gente querendo vender soluções desenhadas para outro ambiente de negócios e estágios tecnológicos muito diferentes dos que temos aqui.

Ainda assim, ausências se fizeram notar, principalmente a das empresas em desenvolvimento de distribuição e conversão de conteúdos digitais já presentes no Brasil. Não se teve notícias nem da empresa formada pelo consórcio que organizou a DLD – Distribuidora de Livros Digitais [Objetiva, Record, Sextante, Planeta, Rocco e L&PM], nem do “Minha Biblioteca”, a versão brasileira do programa iniciado pala Ingram nos EUA e que aqui inclui o GEN, Atlas, Grupo A e a Editora Saraiva. E também nada da Xeriph, distribuidora de conteúdo digital que não está vinculada a nenhum grupo editorial. Na minha opinião, faltou também outro tema relevante: o uso de conteúdo digital nas universidades públicas, já que há anos tanto a CAPES/CNPq quanto a FAPESP investem grandes somas na aquisição de revistas acadêmicas em formato digitalizado. Pode ser que em outro congresso os organizadores se lembrem disso.

Como acontece em qualquer evento do gênero, houve momentos interessantes e outros que chegaram a ser patéticos. Um deles, que vou me poupar de mencionar, me fez lembrar o movimento de criação de um partido anti-powerpoint que andou aparecendo na Europa, e “brindou” a plateia com uma dessas apresentações que às vezes aparecem na Internet, cheia de lugares comuns, fotos comovedoras e mensagens de autoajuda. Quase saí para entrar online e pedir filiação nesse partido…

Outra apresentação que chegou perto do patético foi a do representante da Digisign, empresa conceituada na certificação digital mas que, aparentemente, não sacou a dos e-books. Quer garantir a inviolabilidade do conteúdo com DRMs que funcionam com tokens ou somente online. Acabam inventando um e-book acoplado com jaca ou melancia. Imaginem se para ler um conteúdo for preciso fazer uma operação similar à de acessar a conta corrente bancária…

A palestra mais instigante e sensata, sem dúvida, foi a do Ed Nawotka, editor do Publishing Perspectives. Ed fugiu totalmente da futurologia e colocou de modo muito simples: os editores só podem – ou melhor, devem – se preparar para as contingências do futuro da edição digital com os mecanismos mais abrangentes de coleta de informações sobre seu público, com o uso amplo de metadados. Já comentei no meu blog que os editores brasileiros estão uns dez anos atrasados nisso.

Algo que perpassou várias palestras e mesas redondas foi a confusão – que acredito não deliberada, mas nem por isso menos daninha – entre os diferentes tipos de conteúdo digital que podem ser acessados pelo público leitor. Quando sabemos que o leitor de e-books mais popular no mundo é o Kindle, com sua tela sem cores e que privilegia totalmente a leitura de textos; quando sabemos que a iBookstore acoplada nos aparelhos da Apple perde feio para o iTunes, e que a venda de livros no iPad e nos iPhones está sendo muito menor que o esperado; quando sabemos que o Nook e o Kobo seguem pelo mesmo rumo do Kindle, eu me pergunto: a que vem tantas apresentações sobre “enhanced e-books” e sobre conteúdos compartilhados em redes digitais? Acredito que o conteúdo de livros didáticos e de livros infantis vá exigir telas coloridas [e a Amazon já prometeu seu tablet com essas características até o final do ano], mas, no momento e como tendência dominante, o que predomina é a leitura de texto. O resto, por enquanto, é jogo interativo online, o fenômeno “transmídia”, que ainda veremos no que vai dar.

Bob Stein, na palestra de abertura, se declarou muito feliz por ter sido pago durante anos para “pensar o futuro do livro” e veio com a ideia de que – no futuro, é claro – o conteúdo seria distribuído gratuitamente e que as pessoas pagariam para participar da “rede de leitores”. Nessa rede todos os leitores fariam anotações, comentários, glosas e o que mais lhes apetecessem acrescentar ao conteúdo original. Quem faz parte do Facebook [eu faço] sabe perfeitamente que a quantidade de comentários inanes que por ali circulam é enorme. Imaginem o sujeito ler um Balzac acompanhado de comentários mandando florzinhas ou sinaizinhos de “curti” a cada página? Se fosse um grupo fechado lendo um ensaio, vá lá. E mais, tanto o Kobo quando o próprio Kindle já permitem acesso – pelo menos parcial – a anotações de outros leitores. Se o Bob Stein ganhou para pensar isso, eu também quero me candidatar a pensador remunerado.

Uma palestra interessante foi a da Dominique Raccah – e mais como vice-presidente do BISG [Book Industry Study Group] que como CEO da Sourcebooks – por ter apresentado dados sobre a demografia comparada de leitores de livros em papel e e-books, mostrando que o fator preço é fundamental na adoção dos e-books. Os leitores do segmento trade – romances, ensaios, autoajuda, etc. – demandam sempre alguma espécie de conteúdo gratuito [download de capítulos, material adicional], além do preço substancialmente mais baixo. Esses leitores também são os que mais usam e-readers, enquanto os universitários acessam conteúdo digital principalmente através de laptops, notebooks e desktops.

A palestra de Joseph Craven [Sterling Publishing], sobre a construção de comunidades verticais desenvolvidas pelos editores em torno de livros ou coleções, também foi muito interessante. Tornou prática e consequente a conversa de uso das redes sociais no negócio de livros, chamando atenção para a interação entre o público leitor/consumidor e os editores, inclusive no que diz respeito ao conteúdo adicional aos livros.

Alguns dos palestrantes abordaram muito de leve uma questão que tem atraído bastante minha atenção. Atualmente, o segmento comercial/industrial que efetivamente está ganhando dinheiro com o conteúdo digital é o dos prestadores de serviço de acesso e as empresas de telecomunicação, que viabilizam esse acesso.

O fato é que uma parte dos custos de “logística” dos e-books é transferido para os consumidores de conteúdo digital que pagam pelo acesso à Internet. Esse é um negócio específico das empresas de telecomunicação e dos provedores de acesso. Essas empresas pressionam todos os produtores de conteúdo para receber um fluxo constante de conteúdo barato ou gratuito. Por sua vez, esse conteúdo gera mais tráfego na rede e agrega receita a essas empresas. Na discussão do conteúdo gratuito não podemos nos esquecer de que, como não existe almoço grátis, estamos pagando pelo acesso e também, com nossas contribuições blogueiras, no Facebook e no Twitter, para proporcionar conteúdo gratuito para essas gigantes que inexoravelmente apresentam suas contas.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Um ano depois…


O que mudou no mercado editorial brasileiro entre o 1° Congresso Internacional do Livro Digital e a edição que se encerra agora

Em um ano, o brasileiro parou de discutir se a chegada do livro digital representaria o fim do livro físico e colocou a mão na massa. No longínquo março de 2010, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Feira do Livro de Frankfurt realizaram o 1º Congresso Internacional do Livro Digital e o clima era de incertezas, com a maioria dos editores ainda sem coragem de arriscar e de investir dinheiro em experimentos.

Mesmo com poucos títulos convertidos para e-books, as livrarias começaram a se mexer. Em abril, a Gato Sabido deixou de reinar sozinha e teve de dividir os clientes com a Livraria CulturaA eBookstore da Saraiva seria inaugurada um mês depois. Hoje, até Ponto Frio, Casas Bahia e Extra vendem livro digital. E Ricardo Eletro, que passou a vender livros este ano, tem planos de incluir as versões digitais em seu site. E tem mais: hoje, até editoras vendem e-books diretamente para o leitor final a partir de seus sites, como é o caso da pioneira Ciência Moderna e do Grupo A.

As distribuidoras Xeriph e DLD também chegaram em 2010 para ajudar as editoras, que já conseguiram produzir, no total, 4 mil títulos em português. O número é pequeno se comparado ao de títulos importados à venda por aqui. Na Saraiva, por exemplo, eles superam os 220 mil. Essas mesmas editoras mandaram seus funcionários estudar, e nisso quem se destacou foi a gaúcha [e italiana] Simplissimo. Ela levou seu curso de produção de e-books para São Paulo e para o Rio e pode continuar viajando se conseguir fechar turmas em outros estados.

Dados de vendas ainda são um mistério, mas boas surpresas aparecem pelo caminho. O Grupo A, por exemplo, produziu um aplicativo para o livro Medicamentos de A a Z e vendeu nada menos do que 2.500 unidades só na AppStore [ele custa US$ 24,99].

As bibliotecas não ficaram de fora do movimento. Neste ano, Saraiva, Atlas, Grupo A e Gen criaram a Minha Biblioteca, uma empresa que pretende vender catálogos digitais para bibliotecas universitárias e que acaba de assinar contrato com a Ingram para a parte tecnológica.

Isso sem contar o interesse da Amazon e da Google, que estão contratando profissionais para atuar no Brasil, e da Kobo, que está trazendo o holandês Pieter Swinkels para cuidar de suas operações na América Latina.

Agora só falta o e-reader ficar mais barato, as editoras encontrarem um ponto de equilíbrio entre o preço do livro físico e do digital, os contratos serem resolvidos e o governo lançar edital para compra de obras digitais.

Ilustração: Jonas Meirelles – http://www.jonasilustracao.blogspot.com

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 28/07/2011

Parceria de peso


Criada em maio pelo Grupo A, GEN, Saraiva e Atlas para fornecer livros digitais para bibliotecas de universidades de todo o país, a Minha Biblioteca terá agora a ajuda da maior distribuidora de livros do mundo para sair do papel. Ela usará o serviço Vital Source da Ingram, especializado no gerenciamento e na distribuição de livros didáticos digitais. Já são mais de 1,6 mi de usuários cadastrados em seis mil bibliotecas de 180 países. A parceria foi fechada na última terça-feira, dia 19, e prevê que a Minha Biblioteca disponibilizará, neste primeiro momento, cerca de quatro mil e-books que poderão acessados de três formas diferentes: por download, on-line ou remotamente. Na prática, o projeto funcionará assim: com base no interesse da universidade, no número de alunos, na perspectiva de acessos e no potencial de crescimento, a empresa vai customizar um catálogo e vendê-lo inteiramente à universidade. E o aluno escolherá onde vai ler o livro digital.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente por PublishNews | 21/07/2011

Grupo A já vende eBook direto ao leitor


E lança selo para obras destinadas a alunos de cursos técnicos profissionalizantes

O Grupo A lançou seu primeiro e-book em agosto do ano passado. Tratava-se doMedicamentos de A a Z, que em sua versão impressa tinha 680 páginas e na digital ganhou algumas facilidades como a possibilidade de pesquisar, por exemplo, determinado remédio no livro e também na Farmácia Popular. Nessa mesma época, anunciou o investimento de R$ 100 mil no mercado de livros digitais. Em maio deste ano, o grupo se juntou ao GEN, Saraiva e Atlas na criação de uma nova empresa, a Minha Biblioteca, interessada em oferecer e-books para empréstimos em bibliotecas universitárias. A novidade agora é que o Grupo A começou a vender esses livros digitais em seu site, coisa rara entre as editoras. Por enquanto, são cerca de 250 títulos que custam 20% menos do que suas versões impressas. Leitores digitais de primeira viagem ainda encontram no site uma espécie de FAQ. Ao mesmo tempo em que investe nesse novo mercado, o grupo gaúcho aproveita para lançar um novo selo para obras destinadas a alunos de cursos técnicos profissionalizantes, o Tekne. O primeiro título, Eletrônica: diodos, transistores e amplificadores, de Albert Malvino, será lançado ainda em julho.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 20/07/2011

Editoras se unem e levam e-books para bibliotecas universitárias


Grupo A, GEN, Saraiva e Atlas criam a empresa Minha Biblioteca, que começa a operar em 1º de junho

Em 2010, Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM fundaram a DLD para converter seus livros para o formato digital e distribuí-los. Ontem, pouco mais de um mês desde que a DLD começou a operar, outras quatro grandes editoras, mas com forte presença no segmento de livros universitários, também se uniram para uma entrada mais agressiva no mercado de livro digital. Só que dessa vez o foco sai das livrarias e vai para as bibliotecas das universidades brasileiras.

Grupo A, GEN, Saraiva e Atlas inauguram o projeto “Minha Biblioteca” em 1º de junho. Nele, será reunido o catálogo digital das quatro sócias, estimado, hoje, em quatro mil títulos. Funciona assim: com base no interesse da universidade, no número de alunos, na perspectiva de acessos e no potencial de crescimento, a empresa, que também se chama Minha Biblioteca, customiza um catálogo e o vende inteiramente à universidade. Aos alunos dessas instituições é permitido o acesso remoto a todo o conteúdo.

À primeira vista a ideia se parece com a da Pasta do Professor, mas o diretor executivo Richardt Feller, que trocou Curitiba por São Paulo e já está se instalando no escritório da empresa na Avenida Paulista, disse que elas são diferentes. “A Pasta é mais uma contribuição do mercado para evitar a pirataria e legalizar as cópias, mas não tem formato digital. Já o Minha Biblioteca, que também é uma alternativa à pirataria, prevê o ensino de plataforma, com acesso livre de qualquer lugar”. Enquanto no projeto mais antigo é possível comprar o livro fracionado, neste novo só serão vendidos livros inteiros.

Nesse momento, nosso objetivo é levar conteúdo digital a um maior número de alunos do Brasil”, disse. Mas este é só o começo, garante. Agora, as empresas estão concentradas em colocar o “Minha Biblioteca” na rua. A partir da publicação nesta segunda-feira, 23, do comunicado da Saraiva, a equipe – são quatro funcionários – está liberada para divulgar o serviço, apresentá-lo nas universidades, fechar negócios…

O site deve entrar no ar ainda hoje – http://www.minhabiblioteca.com.br

Conheça as editoras envolvidas no projeto

O Grupo A é uma holding formada pelos selos editoriais Artmed, Bookman, Artes Médicas, McGrawHill, Penso e Tekne. Responsável pela publicação de livros científicos, técnicos e profissionais nas áreas de biociências, de ciências humanas e de ciências exatas, sociais e aplicadas, o Grupo possui, entre títulos impressos e e-books, mais de 2 mil títulos em catálogo.

A Editora Atlas, fundada em 1944, conta com mais de 3 mil títulos publicados nas áreas de Contabilidade, Economia, Administração de Empresas, Direito, Ciências Humanas, Métodos Quantitativos e Informática. Suas publicações – livros-textos, livros de referência, dicionários e livros para concursos públicos – visam à melhoria do ensino e da Educação brasileira em sua totalidade.

Formado oficialmente no segundo semestre de 2007, o Grupo Editorial Nacional [GEN] reúne as editoras Guanabara Koogan, Santos, LTC, Forense, Método, Forense Universitária, AC Farmacêutica e EPU. O objetivo do grupo é prover o mais completo conteúdo educacional para as áreas científica, técnica e profissional [CTP]. O GEN oferece um catálogo com mais de 2.800 títulos, alguns dos quais publicados também em Espanhol e distribuídos em toda América Latina.

A Editora Saraiva é a maior editora brasileira no segmento de obras jurídicas e uma das mais importantes editoras de livros universitários nas áreas de administração, economia, contabilidade, marketing e negócios, além de editar obras de interesse geral. Hoje, seu catálogo reúne cerca de 3 mil títulos para o público universitário. É também uma das primeiras no ranking de livros didáticos e paradidáticos para ensino fundamental e médio.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 24/05/2011

Saraiva anuncia nova sociedade para venda de e-books


A Saraiva anunciou nesta segunda-feira [23] a parceria com as editoras Artmed, Atlas e Gen [Grupo Editorial Nacional] para atuar no ‘promissor’ mercado de livros digitais [e-books].

As editoras criaram a Minha Biblioteca Ltda, sociedade que será voltada para a edição, distribuição e comercialização de e-books e outros conteúdos digitais. Segundo comunicado divulgado aos investidores, a Saraiva vai deter 25% do capital da nova empresa.

A atuação se dará tanto no atacado quanto no varejo, no território nacional e internacional.

“Com esta associação, a companhia alavancará sua atuação no novo e promissor mercado de conteúdo digital”, diz a Saraiva em comunicado. Segundo a empresa, o movimento é estratégico, ao incluir em seu portfólio uma plataforma de venda de conteúdo digital.

Confira a íntegra do comunicado:

Saraiva S.A. Livreiros Editores [“Companhia”], em cumprimento ao previsto no artigo 157, § 4°, da Lei n° 6.404/76, e ao disposto na Instrução Normativa da Comissão de Valores Mobiliários – CVM n° 358/02, comunica aos seus acionistas, investidores e ao mercado em geral que, nesta data, constituiu, em associação com Artmed Editora S.A., Atlas S.A. e GEN – Grupo Editorial Nacional Participações S.A., uma nova sociedade, denominada “Minha Biblioteca Ltda.”, a qual se dedicará à edição, distribuição e comercialização de livros digitais [e-books] e outros conteúdos, no mercado de atacado e varejo, no território nacional e internacional. A Companhia detém uma participação acionária na nova sociedade representativa de 25% do capital social.

Com esta associação, a Companhia alavancará sua atuação no novo e promissor mercado de conteúdo digital. Esse movimento estratégico agregará valor ao catálogo de produtos oferecidos pela Companhia, que incluirá, além da tradicional e reconhecida qualidade dos livros impressos produzidos por seus diversos editoriais, também uma moderna plataforma de venda de conteúdo digital, que atenderá demandas dos mais diversos públicos.

G1 / ValorOnLine | 23/05/2011