O Livro Na Era Digtal na USP


A palestra “O Livro na Era Digital” ministrada por Ednei Procópio no dia 26/10/10, às 9h, no evento “XIII Semana do Livro e da Biblioteca”, realizado na USP/ESALQ/DIBD em Piracicaba.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Futuro do livro é digital


Não tenho dúvida: o futuro do livro é digital. Minha convicção está ainda mais reforçada depois de participar do Fórum Internacional do Livro Digital, que antecedeu a abertura da Bienal do Livro de São Paulo, na semana passada.

Com base na visão dos três palestrantes – o norte-americano Mike Shatzkin, o inglês John B. Thompson e o brasileiro Jean Paul Jacob – descrevo, por minha exclusiva responsabilidade, o que poderá ser, em 2025, a mais famosa enciclopédia virtual do mundo da UniPaedia [Universal Encyclopaedia], acessível por meio do SmartPad, o e-reader do futuro.

Essa enciclopédia conterá algo equivalente a 100 vezes mais informação do que a Wikipédia que hoje conhecemos, escrita em mais de 200 idiomas.

Veja como funcionará a UniPaedia. Enquanto aperta a tecla do microfone, você diz com clareza ao e-reader o tema de sua consulta. Por exemplo: Jean-Jacques Rousseau.

Em menos de dois segundos, abre-se a página com o artigo principal sobre o grande filósofo franco-suíço.

No lugar de uma foto central da página, você tem um display de super high definition onde se exibem vídeos, filmetes ou de recursos de multimídia.

Colaborativa. Para minha surpresa, as imagens vão se sucedendo, num audiovisual incrível. Um avatar apresenta o filósofo com texto e áudio: “Jean-Jacques Rousseau, né le 28 juin 1712 à Genève et mort le 2 juillet 1778 à Emenonville, est um écrivain, philosophe et musicien genevois de langue française…”

Como prefiro fazer a consulta em minha língua-mãe, aperto a tecla de seleção de idioma e escolho o português.

O avatar retoma sua biografia: “Jean-Jacques Rousseau, nascido no dia 28 de junho de 1712 em Genebra…” Ao fundo, o cenário da cidade suíça naquele ano.

Imagine a utilidade e o valor cultural de uma enciclopédia como essa com todos os recursos de multimídia, disponível em qualquer lugar do planeta, altamente colaborativa, permanentemente revisada e avalizada por especialistas das maiores universidades do mundo.

O livro é uma de minhas paixões. Ele me permite ler, reler e refletir no ritmo que mais me agrada, mais lento ou mais rápido, retornar às páginas anteriores, consultar o índice ou o glossário.

Mesmo assim, tenho muitas queixas do livro. À medida que a idade chega, começo a me sentir irritado com as letras miudinhas, os textos em corpo 7 ou mesmo 9, que não posso ampliar como no computador.

Imagine ler um livro de 400 páginas em corpo 7, ou, pior ainda, em dicionários e enciclopédias antigas.

A resposta a todos esses problemas é o livro eletrônico.

A Bienal de 2025. Estamos em plena Bienal do Livro de São Paulo-2010, que começou na semana passada e ainda se estende até o domingo próximo, no Anhembi.

Não perca a oportunidade de visitar o espaço da Imprensa Oficial, com uma exposição sobre o livro digital.

Visite tudo, fotografe, compre os livros que quiser, leve seus filhos, estimule-os a ler mais e registre o máximo de informações sobre o evento para compará-lo, daqui a 15 anos, com a Bienal do Livro de São Paulo-2025.

Naquele ano, você não precisará ir ao Anhembi. Até porque a Bienal não terá um local físico para sua realização, porque será inteiramente virtual, interativa, colaborativa e muito mais divertida.

Para a maioria dos especialistas, o livro como o conhecemos hoje estará praticamente extinto daqui a 30 anos, e só será encontrado em museus, nas últimas bibliotecas pessoais ou nas mãos de bibliófilos e colecionadores.

É claro que o livro impresso em papel não desaparecerá. Assim como os veleiros do século 18 não desapareceram totalmente – porque sobrevivem nos iates de luxo de hoje -, o livro poderá sobreviver, mas como um mercado de nicho, para edições de luxo, verdadeiras obras de arte, para reprodução das mais belas ilustrações.

E mesmo assim, combinando impressão especial com a tinta eletrônica [e-ink], papel eletrônico e nanopapel, capazes de resistir muito mais à ação do tempo.

Os sucessores do livro impresso em papel serão provavelmente livros digitais interativos, audiovisuais e multimídia, com novos conceitos, novos formatos e funções, como a UniPaedia acima descrita.

Mais leitores? Com o advento dos leitores eletrônicos e a universalização da tecnologia digital, é bem provável que cresça também o número de leitores, numa reversão surpreendente do declínio do hábito de leitura das novas gerações.

As primeiras ferramentas dessa revolução estão aí. São leitores eletrônicos como o Kindle DX da Amazon, o Sony e-Reader Touch PRS 500, o BeBook Neo, o Alex e-Reader, o PanDigital Novel, o Kobo e-Reader, o Barnes & Noble Nook, o Cool-er e, obviamente, a vedete mundial da Apple, o iPad. A Amazon espera lançar ainda este ano um Kindle de US$ 99.

Os e-readers atraíram e dominaram as atenções dos milhares de visitantes do Consumer Electronics Show 2010, em janeiro, na cidade de Las Vegas.

Eu já era otimista desde o lançamento dos primeiros leitores eletrônicos. Agora sou ainda mais, com os milhões de iPads vendidos pela Apple e com a informação mais impressionante da semana passada: a venda de livros eletrônicos para o e-reader da Amazon no primeiro semestre cresceu 200% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Estado de S. Paulo | 15/08/2010 | Ethevaldo Siqueira

Mike Shatzkin, o conselheiro


Mike Shatzkin é colunista do PublishNews

Os conselhos de Mike Shatzkin na noite desta terça-feira [10], na abertura do Fórum Internacional do Livro Digital: Seja vertical e saiba quem você quer que seja o seu consumidor; escolha o assunto que quer dominar; comprometa-se com uma comunidade, e não só com o seu conteúdo; se estiver no mercado de livros gerais, pense no que vai fazer quando as livrarias não mais existirem; e publique globalmente. Simples assim. Ele disse que aqueles que forem mais segmentados farão a transição para esse novo modelo de negócio que está sendo desenhado tranquilamente e terão mais sucesso.

Contou a história de uma editora pequena especializada em livros espirituais que organiza convenções capazes de mobilizar um milhão de pessoas. A Random House nunca conseguiria fazer isso, disse. Mas comentou que mesmo romances podem ser verticalizados. Afinal, todos tratam de um tema – divórcio, alcoolismo, família…

Mike Shatzkin tem 48 anos de experiência no mercado editorial, é fundador da Idea Logical, é consultor das maiores editoras e redes de livrarias internacionais, usa leitores digitais desde 1999, não lê livros em papel há três anos e meio, já usou o Kindle e o iPad mas agora prefere o iPhone, e acha que vender conteúdo vai ser mais e mais difícil.

Mike Shatzkin lembrou que tudo mudou com a internet e com a explosão do conteúdo disponível nos últimos 20 anos. Não importa o assunto, você pode sempre se aprofundar nele na internet e é isso o que as pessoas estão fazendo. “É por isso que o mundo está mais vertical. Antes, você tinha que esperar a empresa ter o dinheiro e o interesse em te dar esse conteúdo, agora não precisa mais”.

“Vai ser cada vez mais difícil cobrar por conteúdo como se fazia antes e isso vai mudar a natureza do nosso negócio”, disse. A competição vai aumentar. Deu o exemplo da ESPN, que tem tudo [público, meios] e pode a qualquer momento lançar um livro. Ele comentou que haverá muito conteúdo barato e que editoras devem pensar em outras formas de recompensa além do dinheiro. Deu outro exemplo, o dele: “Não ganho para escrever o meu blog. Se fosse anos atrás, talvez eu cobrasse pelo acesso, mas ganho dinheiro a partir do que escrevo lá”. Dali, saem convites para palestras, novos clientes e mais.

Ele alertou que ao invés de a audiência mudar de formato, ela muda de assunto e que as editoras devem estar atentas a isso. Para ele, vai ganhar quem conseguir manter os consumidores envolvidos. “Nós costumávamos ser os porteiros, mas quem manda agora é quem tem o site sobre o assunto que interessa àquela pessoa. Isso ainda vai durar mais uma década ou duas. O segredo é encontrar o caminho para reter o interesse do leitor naquele assunto.

Hoje, para cada lançamento há uma campanha de marketing. Nada se aproveita do trabalho anterior e o livro que foi lançado há pouco em não ajuda nas vendas do que está chegando agora. De novo, Shatzkin disse que a verticalização resolveria o problema. Para ele, o caminho é lançar um livro sobre determinado assunto, depois outro sobre assunto similar e por aí vai. Com isso, aproveita-se o mailing que foi criado e as relações já estabelecidas com aqueles sites que tratam daquele temas na mídia, por exemplo.

Segundo o consultor, editoras universitárias estão indo bem, mas poderiam se especializar ainda mais já que é difícil ser expert em várias coisas. Sua grande preocupação é com o setor de livros gerais, que precisam de livrarias para chegar ao conhecimento do público. Por causa do fechamento de mais e mais lojas nos Estados Unidos, estão querendo aumentar o preço dos e-books. “O mercado já entendeu que não se trata apenas de ganhar dinheiro, mas sim de manter o ecossistema”. Ninguém sabe como será, mas as livrarias estão se transformando em alguma coisa que não se restringirá à venda de livros, disse.

Lembrou ainda que poucas pessoas sabem qual é a editora que está lançando aquele livro. Hoje, quem tem o poder é o autor. E o autor não está precisando mais das editoras para ser publicado. Segundo ele, duas coisas podem ajudar: mais uma vez, a verticalização, e a transformação da marca da editora em uma grife.

Sobre outras formas de narrativa, disse: “leio romances, não estou interessado em ver filmes no meio do romance”. Comentou também que provavelmente lê mais hoje do que antes, quando não tinha sempre um livro à mão.

Ele disse que ninguém sabe realmente qual é o impacto da pirataria. “Mas para o autor, pior do que a pirataria é a obscuridade. Os grandes autores perdem dinheiro com ela, mas os novatos não têm o que perder e ainda ganham fama com o livro espalhado”.

Mercado americano
Hoje, a venda de e-books de ficção fica em torno de 8-10% dos digitais e o número chegará a 25% em meados de 2012 e mais de 60% até o meio de 2015. Existem hoje 1.500 livrarias nos Estados Unidos. Em 2015, elas não passarão de 750. As vendas on-line de livros impressos ou digitais ficam em 20% hoje. Será mais de 50% em 2012 e mais de 75% em 2015.

Hábitos
Quando ele começou a usar o Nook em 1999, não entendia como mais ninguém aderia à tecnologia. As pessoas mudam os hábitos lentamente, concluiu. “Hoje, você vê kindles em todos os cantos do metro de Nova York e todo mundo conhece alguém que lê em um leitor digital”. Escolher um aparelho tem a ver com sensações físicas e com o que ele oferece. “Não se trata de um artigo de papelaria; é uma escolha pessoal”.

E por fim
Estima-se que 230 milhões de pessoas no mundo falem português. Só nos Estados Unidos, calculam 2 milhões. O livro impresso tem muitas barreiras que o digital deve derrubar. A ideia, de acordo com o consultor, é publicar globalmente.

Ele comentou que a entrada no mundo digital não tem mais volta. “Os livros não vão ser melhores do que já são, foram muitos anos de aperfeiçoamento. Mas as telas e os e-readers vão ficar, sim, cada vez melhores”.

Para ele, o que as editoras devem compreender é que o livro passou a ser o começo de uma conversa com o consumidor, e não o fim como vem sendo tratado até hoje. E colocar o livro no Twitter e no Facebook não é suficiente.

O trabalho do mercado editorial, disse, não é mais sobre conteúdo. “É sobre pró-atividade”.

O Fórum Internacional do Livro Digital está sendo promovido pela Câmara Brasileira do Livro e pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Publicado originalmente em PublishNews | 11/08/2010 | Por Maria Fernanda Rodrigues

Fórum do Livro Digital terá mais um palestrante


Ronald Schild, CEO de uma das principais empresas européias de gerenciamento de informações para o mercado editorial, a MVB Marketing-und Verlagsservice des Buchhandels GmbH, ligada à Feira do Livro de Frankfurt, aceitou o convite da CBL para completar o quarteto de palestrantes que participam, hoje e amanhã, do Fórum Internacional de Livro Digital, em São Paulo. Ronald vai contar sobre a trajetória do “Projeto libreka!” amanhã [11], das 10h às 10h30. Antes dele, às 8h30, John Thompson fala dos livros na era digital e às 18h, Jean Paul Jacob faz a palestra “O futuro já não é mais o que era”. A abertura hoje, às 20h, fica por conta de Mike Shatzkin. Sua conferência tem o tema “O futuro do livro impresso no mercado digital”. A realização é da Câmara Brasileira do Livro e da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que já organizaram, em março deste ano, o I Congresso Internacional do Livro Digital. O evento será no Auditório Elis Regina, no Anhembi [Av. Olavo Fontoura, 1.209 – Santana – São Paulo/SP].

PublishNews | 10/08/2010

Livros digitais e de papel não coexistirão, diz cientista


Jean Paul Jacob

Jean Paul Jacob, 73 anos, não é um pesquisador qualquer. No Centro IBM de Pesquisas de Almaden, na Califórnia, Estados Unidos, há 47 anos sua especialidade é prever o futuro. Desde 1963, ele já previu o surgimento dos notebooks, das câmeras digitais, o fim dos discos de vinil, o caráter colaborativo da sociedade contemporânea e conceitos como internet das coisas e computação em nuvem. Na década de 1990, antes do lançamento dos e-readers, profetizou o surgimento dos livros digitais, que substituiriam as obras em papel.

A previsão de Jacob – que, apesar do que pode indicar o nome, é brasileiro – parece estar cada vez mais próxima de se concretizar: há duas semanas, a Amazon.com, maior loja virtual de livros do mundo, anunciou que está vendendo mais ebooks do que títulos impressos. O engenheiro, que estará em São Paulo como um dos convidados especiais do Fórum Internacional do Livro Digital, entre os próximos dias 10 e 11, conversou com o site Exame nesta semana. Ele mantém a previsão feita há quase vinte anos e garante: as obras em papel não coexistirão com o mercado editorial eletrônico. “O livro impresso vai para as cucuias“, decreta.

O cientista formou-se em 1959 pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos. Foi parar na IBM durante uma missão pessoal: queria percorrer o mundo inteiro em 25 anos. “Passaria um ano em cada país, e comecei pela França, Holanda, Suécia e acabei nos Estados Unidos. Gostei tanto da Califórnia que acabei ficando“, conta. Hoje, é pesquisador emérito da empresa, o que, segundo ele, em outras palavras, quer dizer “velho e aposentado“.

Algumas previsões de Jacob, como a que envolve os livros digitais, contrariam a de outros futurólogos. Mas ele explica que não diz nada ao acaso. “Já errei algumas vezes e aprendi muito com isso. Refletindo sobre o porquê errei, fui desenvolvendo uma metodologia para fazer meu trabalho ao longo de todos esses anos”, garante.

Três fatores principais baseiam os cenários futuros projetados pelo engenheiro: “o que está sendo desenvolvido no mundo”; “o que as pessoas querem“; e “quais são os problemas que precisam ser resolvidos“.

Tenho problemas de visão e quando vejo um livro, peço para ele aumentar o tamanho da letra. Não acontece nada no papel. Quando não entendo um termo ou uma expressão ele também não me responde. Queremos interatividade, variar o tamanho dos caracteres, deixar anotações verbais e tudo isso é impossível no livro físico, que chamo de ‘tinta sobre árvore morta‘”, sintetiza o pesquisador. “O livro digital mantém o conteúdo, que é o que importa, e permite todas essas coisas e muito mais. Na internet isso já existe há bastante tempo, só que não é portátil como em um e-reader“.

Na conversa que teve com o site Exame, Jacob falou ainda sobre os tablets, carros voadores, videochamadas e as tecnologias que vêm por aí nos próximos anos. Ele disse ainda que tem dificuldade de compreender a mentalidade da geração atual.

EXAME – Como você começou e qual é o seu trabalho exatamente na IBM?
Jacob – Sou formado em engenharia eletrônica pelo ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica], e na época que estudei tive contato com muitos professores estrangeiros. Assim, quando terminei a faculdade, resolvi que iria dar a volta ao mundo em 25 anos. Passaria um ano em cada país. Comecei pela França, Holanda, Suécia e acabei nos Estados Unidos. Gostei tanto da Califórnia que acabei ficando. Mas entrei para a IBM, na Suécia, em 1962. Eu era especialista em programação de computadores analógicos, um dos poucos do mundo, e era o perfil que a IBM buscava. Hoje sou pesquisador emérito da empresa, o que significa “velho e aposentado”. Também sou cientista em residência na Universidade da Califórnia em Berkeley. Meu trabalho é fazer previsões de possíveis cenários do futuro. Há 40 anos que vejo 10 anos a frente.

EXAME – Nesse tempo todo, quais foram seus principais erros e acertos?
Jacob – Se é verdade que errando se aprende, posso dizer que aprendi muito com minhas previsões analisando o porquê errei. Assim fui desenvolvendo uma metodologia própria para acertar na projeção de cenários futuros. Um de meus grandes erros foi prever a convergência da TV com o computador. Achava que, em um aeroporto, por exemplo, um computador poderia colocar informações sobre imagens analógicas que dissessem de onde vem um voo, para onde vai, se já está no horário. Meu erro foi não prever que o custo de coisas digitais iria abaixar assustadoramente. Na época não havia terminais coloridos, não existia computação independente. Os terminais funcionavam conectados a um mainframe.

Outro exemplo é de uma previsão que fiz que foi muito mais certa do que errada, mas que é interessante ver o ponto em que errei. Muito antes do primeiro notebook, previ a existência de um computador que seria portátil, dobrável, teria tela de cristal líquido e serviria para comunicação pessoal. Mas imaginei um equipamento com uma fresta pela qual passariam folhas de papel, uma de cada vez, que registrariam os dados. Para mim, os notebooks também teriam uma impressora acoplada. É que eu pensava que a tela dos notebooks não teriam definição suficiente para exibir caracteres.

EXAME – Como é essa metodologia que você desenvolveu para prever o futuro?
Jacob – Trabalho com a convergência de três indicadores. No primeiro deles, analiso o que está sendo desenvolvido no mundo. Passo três horas por dia acompanhando universidades, laboratórios de pesquisa, empresas como a IBM. Hoje, por exemplo, tenho mais de 200 trabalhos em análise, muita coisa sobre carros voadores. Há uma curva de aceitação de tecnologias, que funciona da seguinte maneira: as expectativas começam exageradas e logo caem. Aí vem o processo de amadurecimento que é quando a credibilidade sobe e ela volta a atingir o patamar de estabilidade. Cada tecnologia tem uma velocidade diferente: a dos wikis, por exemplo, foi percorrida rapidamente. Esperava-se muito da Wikipedia, depois disseram que inseririam humor e pornografia, a expectativa caiu, mas hoje os wikis funcionam apesar de todas as malandragens. Com as redes sociais foi a mesma coisa.

O segundo aspecto a ser levado em consideração é procurar o que as pessoas querem. Hoje, se você olhar blogs e wikis, você tem um sentimento do que as pessoas querem. Na IBM, há um programa muito bom chamado “Innovation Jam”, que espaços virtuais abertos para que qualquer um possa discutir quais são os anseios e as tendências.

O terceiro fator para se prever as tecnologias do futuro é parecida mas não tem nada a ver com a segunda. É entender quais são os grandes problemas do mundo que estamos tentando resolver. Saúde e educação estão quase sempre nessa análise, são denominadores comuns. Nos Estados Unidos, atualmente, uma área de destaque nesse sentido é a economia. Em geral os problemas do mundo tem uma intersecção com o segundo aspecto analisado, que é o que as pessoas querem.

EXAME – Olhando a partir de hoje, quais tecnologias se tornarão comuns no futuro?
Jacob – A telemedicina e a biotecnologia são áreas que vejo como essenciais no futuro. Na medicina digital temos muitos progressos a fazer, e o Brasil terá parte nisso. Hoje, a análise do DNA de uma pessoa custa cerca de US$ 10 mil. Se conseguirmos avançar para um mapeamento a um custo razoável, entre US$ 100 e US$ 200, ao invés de dar remédios que curam a doença de uma pessoa, daremos remédios que curarão a pessoa de uma doença. Há uma diferença nisso. Na fórmula levaria-se em consideração a estrutura genética do paciente. Se ela tem alergia, por exemplo, uma análise genética pode revelar antes do quadro se manifestar.
Existe um remédio contra o câncer que funciona apenas em 9% das pessoas. Descobriu-se que isso ocorre porque esse grupo de indivíduos tem um gene em comum. É um indicador de que as pessoas tem sensibilidade para esse medicamento. O conhecimento da estrutura genética de cada paciente facilitará dizer que efeito o remédio terá.

EXAME – A palestra que você dará no Fórum Internacional do Livro Digital tem o nome “O futuro já não é mais o que era”. O que quer dizer com isso?
Jacob – O futuro não é o que era porque antes olhávamos apenas para o mundo físico. O que eu vejo no futuro é uma invasão cada vez maior do mundo digital na realidade. Você viverá em um mundo físico que também terá elementos digitais e você nem se dará conta disso. Antes vivíamos em um mundo físico, nossos vizinhos eram as pessoas que moravam na casa ao lado. Hoje você se corresponde com vizinhos virtuais. Hoje, você vai ao cinema e vê um filme em que um ator parece ter corrido um grande risco para gravar a cena. Mas não foi uma pessoa que correu aquele risco, é uma imagem criada totalmente de maneira digital. É impossível detectar a diferença, e para você não interessa em que cenas é o ator real e quando é a cópia digital dele.
No dia a dia, as coisas, não as pessoas, vão perceber o que estão acontecendo no mundo. Haverá sensores em todo o mundo, sensores de temperatura, de poluição, de intensidade de trânsito, de pressão, de presença CO2 no ar. O futuro não é o que era antes. Agora o futuro depende de como esses mundos vão nos invadir.

EXAME – Você disse há alguns anos que os livros digitais substituiriam o papel. Ainda mantém a previsão?
Jacob – Eu sou diabético, tenho problemas de visão. Quando vejo um livro, peço para ele aumentar o tamanho da letra. Não acontece nada no papel. Quando não entendo um termo ou uma expressão ele também não me responde. Queremos interatividade, variar o tamanho dos caracteres, deixar anotações verbais e tudo isso é impossível no livro físico, que chamo de ‘tinta sobre árvore morta’. O livro digital mantém o conteúdo, que é o que importa, e permite todas essas coisas e muito mais. Na internet isso já existe há bastante tempo, só que não é portátil como em um e-reader. Mais para frente, o formato pode mudar, os celulares devem vir com um pequeno projetor que permitirá projetar textos em uma folha de papel ou em uma parede para que várias pessoas leiam.
Isso atende aos critérios que citei de minha metodologia. Vai existir tecnologia? Sim. Livros digitais resolvem algum problema universal? De alguma maneira sim, inclusive na área da saúde. As pessoas vão querer? Sim. Um livro eletrônico permite que você tenha vídeo, e isso ajuda o leitor a entender um conceito.

EXAME – Mas os livros digitais e físicos devem coexistir ou o papel serão completamente substituídos pelos textos eletrônicos?
Jacob – A substituição ainda é gradual, mas não vão coexistir. E antes do livro, o jornal vai desaparecer do papel. Esses dias eu soube que o Jornal do Brasil é um que vai acabar com a versão impressa. O livro impresso vai para as cucuias. O importante não é a tinta sobre a árvore morta, é o conteúdo editorial.

EXAME – E a migração será irreversível? No caso dos discos de vinil, cujo fim você também previu, hoje parece estar havendo algum processo de retorno…
Jacob – Não, os discos de vinil não estão voltando. Não dá para dizer isso só porque existem alguns saudosistas por aí. Tem gosto para tudo, mas ninguém quer ficar ouvindo música tendo o cuidado de não riscar a gravação com a agulha. Até o CD hoje em dia está sumindo.

EXAME – E os tablets, como o iPad, da Apple, irão substituir os notebooks?
Jacob – Sim, mas os próximos anos serão de definição de um formato ideal para um novo iPad. Ele precisa ser algo que possamos levar para qualquer lugar a qualquer hora. O tamanho de um smartphone é muito mais adequado, mas a tela é muito pequena. Talvez com a tecnologia de projeção no celular que falei anteriormente. Tem pesquisadores falando em roupas inteligentes, em suéter com bateria. Minha expectativa é que a tecnologia seja superportátil e invisível. Você não vai precisar carregar coisas, você vai falar e as coisas vão acontecer.

Eu não gosto de carregar muitas coisas, não gosto de ser uma árvore de Natal ambulante, mas por outro lado teria medo de colocar uma lente de contato que projetasse imagens na minha retina ou de inserir um chip no meu corpo. É uma questão de como a juventude vai evoluir.

EXAME – Mais cedo o senhor falou em carros voadores, que sempre foram o sonho dos motoristas. Quando chegará o dia em que essa tecnologia se tornará realmente cotidiana?
Jacob – Nunca se confiou nos carros voadores porque as pessoas têm medo de que o sistema não seja seguro. Há algumas semanas foi aprovada a fabricação do primeiro carro voador nos Estados Unidos. E o modelo que vai pegar não é um veículo para se dirigir na cidade e sair voando para fugir do congestionamento. Será um carro para sair da cidade, para se deslocar entre um município e outro, para um sítio no campo. Os problemas atuais são diferentes dos de antigamente. Antes a vontade de ter um carro voador era para ir para o trabalho mais rapidamente. Hoje o trabalho vem até você.

EXAME – Outra coisa que já se tentou colocar no mercado várias vezes e que nunca deu certo foram os chamados videofones – telefones que permitem ver o interlocutor durante uma conversa. Agora a Apple lançou um sistema chamado de FaceTime, no iPhone 4, que faz exatamente isso. Agora você acha que pega?
Jacob – Acho que não vai pegar. Já houve uma série de tentativas, inicialmente propondo os videofones como instrumentos sociais. Não deu certo. Aí mudaram o discurso, disseram que serviria para ver aquela pessoa da família que está distante. Eu previ isso. A razão pela qual essa tecnologia não pega é que a maioria das pessoas não quer videochamadas. Quando elas estão conversando no telefone, geralmente estão fazendo outras coisas, e não precisa ser algo pornográfico ou constrangedor, mas elas não querem ser vistas. Ver outra pessoa enquanto fala com ela à distância tem mais desvantagens do que vantagens. Claro que se sua avó ficar doente e você estiver longe é diferente, mas aí existem outras maneiras de se comunicar.

Mas as gerações mais novas pensam de forma bastante diferente das antigas. É a maior dificuldade que tenho para fazer minhas previsões hoje. Tento compensar o segundo item de minha metodologia com o terceiro, ou seja, compenso a falta de compreensão sobre “o que as pessoas querem” procurando entender melhor “quais problemas precisam ser resolvidos”. O que descobri é que os jovens de hoje são muito mais orientados à multitarefa, o que eu não sou capaz de fazer nem de compreender. Não consigo entender como eles conseguem fazer três coisas ao mesmo tempo. Não previ que uma pessoa carregaria 200 aplicações diferentes no iPhone. Se eu tivesse um celular, talvez utilizasse no máximo sete aplicativos. Mas previ que o mundo virtual seria colaborativo. Sempre disse que se alguém me forçasse a dizer uma única palavra para descrever o futuro, usaria a palavra colaboração.

Por Célio Yano | EXAME.com | 10/08/2010

Leitura aos bits


O livro digital é como o gás encanado. O produto é idêntico ao que chega pelo botijão – mas você só precisa abrir o registro para usá-lo. A comparação é de Zeca Fonseca, autor que publicou eletronicamente seu primeiro livro, O Adorador, e só depois recorreu ao papel para divulgar sua obra. Para ele, os e-books vieram para difundir todo o conhecimento criado pelas pessoas, mas de forma mais rápida.

Mike Shatzkin, fundador e CEO da The Idea Logical Company, que presta serviços de consultoria sobre toda a cadeia produtiva do livro, acredita em uma mudança de hábitos dos leitores e prevê que os livros digitais superarão em poucas décadas, em quantidade e em preferência, seus primos impressos. Ele falará sobre o futuro do livro amanhã, no Fórum Internacional do Livro Digital, evento a ser apresentado nos dois dias anteriores ao início da Bienal do Livro de São Paulo [que acontece entre os dias 12 e 22 no Anhembi].

Só nos EUA, o mercado editorial eletrônico mais que duplica a cada ano. A Amazon, por exemplo, já experimenta os efeitos dessa migração: em um ano, a venda dos mais de 630 mil títulos de e-books representaram um crescimento de 200%, superando a de livros de papel.

Pessimistas preveem o fim das editoras, mas a maioria dos especialistas acha que esse é o momento certo para elas se reinventarem. O americano Mark Coker aposta em um modelo de publicação digital baseado na autonomia dos autores e na interatividade entre leitores. Em 2009, criou a plataforma Smashwords, que hoje já conta com mais de 6.500 autores profissionais e centenas de independentes.
Funciona assim: o autor formata seu livro de acordo com um manual disponível no site e sobe o arquivo de Word no Smashwords. O site converte-o para o formato certo dos livros digitais e disponibiliza nas maiores lojas de e-books, como Kindle Store, iBooks, Sony Reader Store e Barnes & Noble. Quem determina o preço é o próprio autor, que fica com 85% da receita gerada pelas vendas [menos as taxas cobradas pelo serviço de pagamento online], contra o máximo de 25% pagos pelas grandes editoras americanas.

Esse é um modelo em que autores independentes têm mais facilidade para lançar seus livros no mercado, sem que precisem passar pelo crivo das editoras. Coker diz que não considera justo um editor julgar a obra de alguém e decidir quanto ela vale levando em conta seu potencial de venda. Para ele, o autor deve ter o direito de decidir como seu livro será oferecido aos leitores. “Todos têm o direito de publicar um livro, de fazer parte da literatura”, diz.

O risco da pirataria é superestimado, segundo Coker. Sim, no ambiente digital é mais fácil copiar livros e deixar de pagar direitos autorais. Mas o criador do Smashwords crê que os leitores estão dispostos a pagar para ler eletronicamente e que travar um arquivo – como faz a maioria das revendedoras de e-books, com o DRM – é tratar o leitor como um criminoso.

Ao contrário dos usuários exclusivos de computadores, que estão habituados a adquirir conteúdo gratuitamente, quem usa smartphones e e-readers já está acostumado a pagar pequenas quantias por aplicativos, por exemplo. Pensando nisso, distribuidores de e-books focam prioritariamente na leitura em tablets para rentabilizar seus negócios. Os irmãos Luciana e Duda Ernanny começaram a Gato Sabido, primeira e-bookstore brasileira com o propósito de vender de tudo: de best-sellers a edições que não são mais encontradas em papel e obras inéditas de autores independentes. Para incentivar a compra de livros digitais, que ainda engatinha no Brasil, importam e comercializam o Cool-er, leitor digital que usa a tecnologia de tinta eletrônica, similar a do Kindle.

O Smashwords pretende chegar em breve ao Brasil. Com uma parceria fechada com a editora Singular Digital, todo o conteúdo lá disponível será vendido nos canais brasileiros, e as obras de autores nacionais serão comercializadas nas lojas estrangeiras que abastecem os e-readers de todo o mundo. Até o fim do ano, diz Newton Neto, diretor-executivo da Singular, o Smashwords deve ser trazido completamente traduzido para o País.

Outra aposta da Singular é o livro sob demanda, que permite a impressão rentável de pequenas tiragens. Esse modelo provou ser bem sucedido com a Amazon, que já tem mais de 85% de seus livros vendidos dessa forma. Para Neto, grandes tiragens não fazem mais sentido para a maioria dos livros, pois geram um gasto desnecessário de impressão e armazenamento – além do risco de encalhe. Além disso, dificultam que os leitores encontrem essas obras quando suas edições estão esgotadas, mas ainda não há demanda suficiente para que se imprima outra. Segundo ele, a expansão do mercado de livros digitais nos Estados Unidos foi precedida, do ponto de vista das editoras, pelo modelo de impressão sob demanda, que tornou a experiência de compra mais proveitosa para o leitor e capitalizou os arquivos digitalizados das obras.

AS OPÇÕES

Publicado originalmente em ESTADÃO.COM.BR | Por Carla Peralva | 8 de agosto de 2010 | 20h00

Ainda dá tempo de se inscrever no Fórum do Livro Digital


A Câmara Brasileira do Livro começa a esquentar para a Bienal com a realização, nos dias 10 e 11 de agosto, no mesmo Anhembi que vai sediar a feira entre os dias 12 e 22, do Fórum Internacional do Livro Digital. Ainda dá tempo de se inscrever e vale a pena, já que os palestrantes são de primeira linha.

Jean Paul Jacob

Formado em Engenharia Eletrônica pelo ITA [São José dos Campos, SP] e professor na Universidade de Califórnia, Bekerley, EUA, onde também obteve um Master e um duplo Ph.D. em Matemática e Engenharia. Conferencista internacional Jean Paul previu, em 1980 o fim do vinil. Para ele, a atual revolução digital vai, efetivamente, “mudar o mercado de livros”.

John B. Thompson

Radicado na Inglaterra desde 1970, vencedor do prêmio Amalfi, um dos mais importantes da Europa, leciona Sociologia na Universidade de Cambridge. Durante três anos Thompson entrevistou 230 pessoas ligadas ao mundo do livro. Formou, assim, uma base sólida de pesquisa sobre o setor livreiro. Dessa profunda análise resultou o livro Books in the Digital Age [Livros na Era Digital].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin é fundador e CEO da The Idea Logical Company, o principal consultor para editores e empreendedores [traders] da cadeia do livro nos Estados Unidos e Canadá. É colunista do PublishNews. Vai falar sobre as mudanças trazidas pela digitalização dos livros ao mercado editorial.

PublishNews | 06/08/2010

Fórum Internacional do Livro Digital


Nos próximos dias 10 e 11 de agosto, no Auditório Elis Regina [Parque Anhembi, Zona Norte de São Paulo] como parte integrante da programação oficial da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] realiza o Fórum Internacional do Livro Digital. O Fórum vai apresentar palestrantes de renome mundial que não querem deixar sem resposta nenhuma questão sobre o assunto. Confira quem são eles:

Jean Paul Jacob

Formado em Engenharia Eletrônica pelo ITA [São José dos Campos, SP] e professor na Universidade de Califórnia, Bekerley, EUA, onde também obteve um Master e um duplo Ph.D. em Matemática e Engenharia. Conferencista internacional Jean Paul previu, em 1980 o fim do vinil. Para ele, a atual revolução digital vai, efetivamente, “mudar o mercado de livros”.

John B. Thompson

Radicado na Inglaterra desde 1970, vencedor do prêmio Amalfi, um dos mais importantes da Europa, leciona Sociologia na Universidade de Cambridge. Durante três anos Thompson entrevistou 230 pessoas ligadas ao mundo do livro. Formou, assim, uma base sólida de pesquisa sobre o setor livreiro. Dessa profunda análise resultou o livro Books in the Digital Age [Livros na Era Digital].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin é fundador e CEO da The Idea Logical Company, o principal consultor para editores e empreendedores [traders] da cadeia do livro nos Estados Unidos e Canadá. Vai falar sobre as mudanças trazidas pela digitalização dos livros ao mercado editorial.

Fonte: CBL Informa | 3/8/2010 | 21:26

O livro digital em debate


Gosto tanto de livros que, se fosse rico, investiria o máximo que pudesse em uma biblioteca particular tão grande e valiosa quanto à de meu querido e saudoso amigo José Mindlin. Por isso, não perco uma única edição da Bienal do Livro. Este ano tenho, além do prazer de visitá-la, um evento a mais para comparecer: o Fórum Internacional do Livro Digital, que será realizado nos dois dias que antecedem à Bienal.

O tema central desse fórum não é, a rigor, prever o fim do livro, mas discutir as transformações a que ele estará sujeito nos próximos anos. Por mais que me entristeça reconhecê-lo, concordo com a maioria dos estudiosos desse tema sobre as consequências das profundas inovações tecnológicas sobre o futuro do livro.

Para muitos especialistas, o livro impresso em papel estará praticamente extinto daqui a 30 anos, e só será encontrado em museus, nas últimas bibliotecas pessoais ou nas mãos de bibliófilos e colecionadores. Na melhor das hipóteses, como um mercado de nicho, sobreviverão livros de arte e obras de luxo, com as mais belas ilustrações ou reproduções de pinturas.

Em lugar dos livros de papel, teremos, provavelmente, o livro digital interativo, como um novo conceito, com novos formatos e funções. Os embriões desse novo livro já estarão tomando forma, à medida que vai desaparecendo seu antigo e secular antecessor, nascido praticamente com Gutenberg.

A boa perspectiva é que, com os leitores eletrônicos e a universalização da tecnologia digital, venha a crescer substancialmente o número de pessoas que leem, numa reversão surpreendente do declínio do hábito de leitura das novas gerações.

As ferramentas dessa revolução estão aí. São leitores eletrônicos como o Kindle DX da Amazon, o Sony e-Reader Touch PRS 500, o BeBook Neo, o Alex e-Reader, o PanDigital Novel, o Kobo e-Reader, o Barnes & Noble Nook, o Cool-er e, obviamente, a vedete mundial da Apple, o iPad.

Testemunhei em janeiro, em Las Vegas, algo surpreendente. De tal modo os e-readers atraíram e dominaram as atenções dos milhares de visitantes do Consumer Electronics Show 2010, que ouso afirmar que esses novos leitores digitais de e-books terão enorme impacto sobre a indústria do livro, bem como do jornalismo impresso. Tudo depende de alguns poucos avanços da tecnologia de monitores, bem como da capacidade de comunicação sem fio WiFi e 3G dos tablets e da disponibilidade da banda larga na maioria dos países.

A Amazon anunciou na semana passada a versão mais barata do Kindle, chamado Kindle Wi-Fi, seu leitor de livros digitais, por US$ 139. O aparelho tem apenas conexão via rede local sem fio e não 3G. Embora seja o mais barato da categoria, esse Kindle pode armazenar 3,5 mil livros. Um pouco mais cara é a versão desse e-reader com capacidade de comunicação 3G, que custará US$ 189.

Qual é o futuro do livro?

Vou conferir no fórum do livro digital na semana que vem tudo que penso sobre o tema e confrontar minhas ideias com as previsões dos especialistas. Acho que daqui a dois ou três anos, os tablets – esses modelos híbridos de mini-laptops e leitores eletrônicos – serão o grande sucesso entre os e-readers, batendo de longe a maioria dos dispositivos dedicados lançados no mercado até aqui.

Eu já era otimista desde o lançamento dos primeiros leitores eletrônicos, como o Kindle, da Amazon. Agora sou ainda mais, com os milhões de iPads vendidos pela Apple e o dado mais impressionante da semana passada: a venda de livros eletrônicos vendidos pela Amazon para o e-reader Kindle no primeiro semestres deste ano foi três vezes superiores às vendas do primeiro semestre do ano passado, ou seja, um crescimento de 200%.

Além de oferecer mais de 1,8 milhão de livros digitais gratuitos, disponíveis para download, a Amazon comercializou no último trimestre mais de 630 mil títulos, a maioria com preços até US$ 10.

O que pode quebrar todos os paradigmas atuais na disputa com os livros de papel é o fato de o leitor eletrônico não apenas armazenar milhares de livros mas também acessar jornais e revistas. Conheço dezenas de pessoas que já se tornaram usuárias habituais dos e-readers porque querem ter a liberdade de ler em viagem, em férias, em qualquer lugar, com o maior número de opções de obras, fotos, vídeos e documentos.

Com a nova tecnologia, estudantes poderão levar para o colégio ou universidade dezenas de livros de textos e dicionários, sem que isso pese um grama a mais em sua mochila. Além de tudo isso, os modelos tablets, como o do iPad serão, também, alternativas para os laptops ou netbooks.

Três palestrantes notáveis

O Fórum Internacional do Livro Digital, que acontecerá no Auditório Elis Regina, no Pavilhão de Congressos do Anhembi, terá três palestrantes imperdíveis: Mike Shatzkin, John B. Thompson e Jean Paul Jacob.

O primeiro é o norte-americano Mike Shatzkin, fundador e CEO da empresa The Idea Logical Company, que falará sobre O futuro do livro impresso num mundo digital, no dia 10, das 20h30 às 22h00. Consultor especializado na cadeia produtiva do livro, que envolve redação, edição, agenciamento, venda, marketing, produção e gestão, Shatzkin tem um dos blogs com maior audiência no mundo voltado para a discussão do impacto da mudança digital no mundo dos livros [The Shatzkin Files, http://idealog.com/blog%5D.

A segunda palestra – Os livros na Era Digital – será proferida no dia 11, das 8h30 às 10h00, pelo professor de sociologia da Universidade de Cambridge [Inglaterra] e autor do livro do mesmo nome [Books in the Digital Age, em inglês], com uma análise especial das transformações da indústria editorial do livro.

O último palestrante do Fórum Internacional do Livro Digital será o cientista brasileiro Jean Paul Jacob, ex-pesquisador da IBM em Almadén, Califórnia, e atualmente cientista-consultor da Universidade da Califórnia em Berkeley. O título de sua será O futuro já não é mais o que era, a ser proferida no dia 11, das 18h às 19h30.

Jean Paul Jacob adianta alguns aspectos de sua palestra: “O auditório fará um passeio guiado por mim por cenários que poderão fazer parte de sua vida no futuro de curto e de longo prazo. O mundo físico em que vivemos está sendo ampliado por muitos mundos digitais virtuais. No cinema, uma cena de grande perigo para um ator ou atriz é, na verdade, vivida virtualmente por desenhos ultra-reais produzidos por tecnologia digital”.

A palestra do cientista brasileiro mostrará ainda as transformações que poderão ocorrer no mundo dos livros, com a popularização dos leitores eletrônico-digitais, que usam tinta eletrônica, como o Kindle, o Sony e outros.

É nesse mundo virtual – diz Jean Paul Jacob – em que os átomos são substituídos por bits, que vamos explorar novas paisagens, nunca antes imaginadas. Páginas de livros e revistas, por exemplo, terão a possibilidade de mostrar um vídeo e até manter um diálogo por voz com o usuário”.

Por Ethevaldo Siqueira | 3 de agosto de 2010, 00h03 | Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo | Caderno de Economia & Negócios

Fórum internacional sobre livro digital é destaque na Bienal SP


A 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo terá uma programação exclusivamente voltada para profissionais da cadeia produtiva do livro. E um dos principais temas discutidos será o livro digital.

O Fórum Internacional do Livro Digital se realizará no auditório Elis Regina, no Parque Anhembi, nos dias 10 e 11 de agosto, integrando a programação oficial da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Além do Fórum, compõem ainda a programação voltada aos profissionais antecedendo a Bienal do Livro, as convenções anuais da ANL [Associação Nacional de Livrarias] e ABDL [Associação Brasileira de Difusão do Livro]. Referidas convenções também acontecem nos dias 10 e 11 de agosto no Complexo Parque Anhembi.
O Fórum Internacional do Livro Digital será composto por três palestras apresentadas por especialistas renomados na área. Um deles é o americano Mike Shatzkin, fundador e CEO da The Idea Logical Company. Presta consultoria com vasta experiência em toda cadeia produtiva do livro – redação, edição, agenciamento, venda, marketing, produção e gestão. Seu blog, The Shatzkin Files [http://idealog.com/blog] é um dos mais consultados no mundo sobre o impacto da mudança digital no mercado de livros. Na vanguarda da discussão em torno do tema, Shatzkin realiza anualmente inúmeras conferências – recentemente participou da Digital Book World. No Brasil, assina coluna no Publishnews, um dos mais influentes veículos da cadeia produtiva do livro.

O palestrante inglês John B. Thompson, autor de Books in the Digital Age [Livros na Era Digital] – ainda não traduzido para o português -, também participa do Fórum. Há duas décadas Thompson analisa a transformação da indústria editorial do livro. É professor de sociologia da Universidade de Cambridge [Inglaterra].

A teoria social e política contemporânea, sociologia da mídia e da cultura moderna, a organização social das indústrias da mídia, o impacto social e político de tecnologias de informação e comunicação e as formas de comunicação política são seus temas de investigação. Outras obras publicadas: Ideologia e Cultura Moderna [1990], The Media and Modernity [1995] e Political Scandal [2000].

O outro palestrante é Jean Paul Jacob, engenheiro eletrônico brasileiro, considerado guru do mundo digital. Citado como um dos 50 Campeões de Inovação pela revista Info, profetizou o fim do livro, a exemplo do que já havia feito na década de 1980, quando decretou o fim do vinil diante do aparecimento de CDs e DVDs. É pesquisador emérito da IBM e cientista consultor residente na Universidade da Califórnia, em Berkeley [EUA]. Despojado e comunicativo, Jean Paul leva sempre para suas entrevistas e palestras uma sacola barata, repleta de novas tecnologias que apresenta ao público.

A programação do Fórum Internacional do Livro Digital, que acontece no auditório Elis Regina, no Complexo Parque Anhembi, em São Paulo, é a seguinte:

Dia 10 de agosto
19h – Coquetel de abertura.
20h20 – Abertura oficial do Fórum Internacional do Livro Digital.
20h30 – 22h – Palestra – O futuro do livro impresso num mundo digital, de Mike Shatzikin.

Dia 11 de agosto
08h30 – 10h – Palestra Os livros na Era Digital, de John B. Thompson.

18h00 – 19h30 – Palestra O Futuro já não é mais o que era!, de Jean Paul Jacob.

A Bienal do Livro 2010
Uma programação cultural rica e diversificada, composta por mais de 700 atividades distribuídas por pelo menos 400 horas durante 11 dias é o que encontrará quem for à 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, de 12 a 22 de agosto de 2010, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, Zona Norte da capital paulista.

Nesta edição, novos formatos, grande interatividade e a presença de conceituados escritores brasileiros e autores internacionais vão formar a grade mais pluralista dos 40 anos de evento. Para enriquecer a programação, a organização da Bienal do Livro convidou conceituados profissionais para serem curadores das atividades culturais. Em 2010, a programação focará quatro temas principais: Monteiro Lobato; Clarice Lispector; Lusofonia; e Livro Digital.

Realizada pela Câmara Brasileira do Livro [CBL] e organizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo tem o objetivo de ampliar a base de leitores e democratizar o acesso ao livro ? com reflexos imediatos à cidadania.

A Bienal do Livro ocupará uma área de 60 mil metros quadrados [o equivalente a quase oito campos de futebol] do Pavilhão de Exposições do Anhembi e a expectativa é reunir 350 expositores do Brasil e de fora, que representam mais de 900 selos editoriais.

Terceiro maior evento do gênero do mundo – os dois maiores são a Feira do Livro de Frankfurt e a Feira Internacional do Livro de Turim, a Bienal do Livro chega em 2010 a sua 21ª edição, sendo um grande ambiente cultural onde se apresentam, juntas, as principais editoras, livrarias e distribuidoras do país, que destacam seus lançamentos nesse período. Assim, além da diversificada oferta de livros de qualidade e de todos os segmentos, vale enfatizar que a feira oferece uma programação cultural ampla e variada desenvolvida especialmente para despertar o gosto pela leitura em todas as faixas etárias e classes sociais.

Associados da CBL poderão inscrever-se para o Fórum Internacional do Livro Digital pelo site http://www.cbl.org.br, onde constam maiores informações. Os demais interessados deverão entrar em contato através do e-mail atendimento@cbl.org.br.

Assessoria de imprensa do Fórum Internacional do Livro Digital: Jornalista Gloriete Treviso- tel 9174-9174.

Gloriete Treviso | Ascom | 02/08/2010

O livro digital aos quatro ventos


Durante dois dias seguidos, Ethevaldo Siqueira e Heródoto Barbeiro conversaram sobre o livro digital na CBN. Na segunda [26], a assunto de destaque foi a realização do Fórum Internacional do Livro Digital nos dias 10 e 11 de agosto, às vésperas do Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Na terça [27], Ethevaldo Siqueira, que é colunista do Estado e da CBN na área de tecnologia, comentou sobre o leitor da Lenovo, com lançamento previsto para o fim do ano. O jornalista será o mediador da palestra de Jean Paul Jacob. O encontro terá ainda Mike Shatzkin e John B. Thompson como participantes.

PublishNews | 28/07/2010

Jean Paul Jacob no Fórum Internacional do Livro Digital


Jean Paul Jacob estará participando do Fórum do Livro Digital com a palestra: “O futuro já não é mais o que era!”, dia 11/08, das 18h às 19h30. Ele é brasileiro e vive em Berkeley, na Califórnia [EUA]. Considerado guru do mundo digital, Jacob é pesquisador emérito da IBM e cientista consultor residente na Universidade da Califórnia.

Como será a sua palestra?

Durante minha palestra, “O Futuro já não é mais o que era!”, faremos um passeio [com guia] por cenários que poderão fazer parte de sua vida no futuro a longo e curto prazos. O mundo físico em que vivemos está sendo ampliado por muitos mundos digitais virtuais. No cinema, uma cena de grande perigo para um ator ou atriz é, na verdade, “vivida” por desenhos ultra-reais produzidos por tecnologia digital.

E as transformações no mundo dos livros?

Nesse mundo estão os leitores eletrônico-digitais [e-readers] que usam tinta eletrônica, como o Kindle, o iPad etc. É nesse mundo virtual, em que os átomos foram substituídos por bits, que vamos explorar novas paisagens nunca antes imaginadas. Páginas de livros e revistas, por exemplo, terão a possibilidade de mostrar um vídeo e até manter um diálogo por voz com o usuário. Outro aspecto a ser visitado é o conceito de “leitura colaborativa”. O que será isso? O que mais está “lá fora” pronto para invadir as nossas vidas? Eu irei mostrar exemplos dessa invasão digital e outros mundos virtuais como sensores, redes sociais, saúde & medicina, web 3D, Internet do futuro, além de muitas inovações que estão por vir. Será um passeio pelo futuro!

Treviso Comunicação

Livro digital em debate na Bienal do Livro


Fórum acontece nos dois dias que antecedem a abertura da Bienal e contará com a presença de Mike Shatzkin, entre outros

O americano Mike Shatzkin, fundador e CEO da The Idea Logical Company – e colunista do PublishNews!, o inglês John B. Thompson, autor de Books in the Digital Age, e o engenheiro eletrônico brasileiro Jean Paul Jacob são os convidados do Fórum Internacional do Livro Digital, que será promovido pela Câmara Brasileira do Livro dentro da programação oficial da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O evento vai acontecer no auditório Elis Regina nos dias 10 e 11 de agosto. A feira será aberta ao público no dia 13. Associados da CBL vão poder se inscrever [em breve] pelo site www.cbl.org.br. O valor para eles é de R$ 350. Os demais interessados deverão entrar em contato através do e-mail atendimento@cbl.org.br. Associados de entidades do livro [exceto ANL e ABDL], professores e estudantes pagam R$ 400; grupos com até 5 pessoas têm 5% de desconto e grupos com mais de 10 pessoas ganham 10% de desconto. A inscrição para quem não se encaixa em nenhum desses grupos custa R$ 500.

10 de agosto
19h – Coquetel de abertura.
20h20 – Abertura oficial do Fórum Internacional do Livro Digital
20h30 às 22h – “O futuro do livro impresso num mundo digital”, com Mike Shatzikin

11 de agosto
08h30 às 10h – “Os livros na Era Digital”, com John B. Thompson
18hàs 19h30 — “O Futuro já não é mais o que era!”, com Jean Paul Jacob
Palestrantes

Mike Shatzkin é fundador e CEO da The Idea Logical Company. Presta consultoria com vasta experiência em toda cadeia produtiva do livro – redação, edição, agenciamento, venda, marketing, produção e gestão. Seu blog, The Shatzkin Files [http://idealog.com/blog] é um dos mais consultados no mundo sobre o impacto da mudança digital no mercado de livros. Na vanguarda da discussão em torno do tema, Shatzkin realiza anualmente inúmeras conferências – recentemente participou da Digital Book World.

John B. Thompson é autor de Books in the Digital Age, ainda não traduzido para o português. Há duas décadas Thompson analisa a transformação da indústria editorial do livro. É professor de sociologia da Universidade de Cambridge [Inglaterra]. A teoria social e política contemporânea, sociologia da mídia e da cultura moderna, a organização social das indústrias da mídia, o impacto social e político de tecnologias de informação e comunicação e as formas de comunicação política são seus temas de investigação. Outras obras publicadas: Ideologia e Cultura Moderna [1990], The Media and Modernity [1995] e Political Scandal [2000].

Jean Paul Jacob, engenheiro eletrônico brasileiro, é considerado guru do mundo digital. Citado como um dos 50 “Campeões de Inovação” pela revista Info, profetizou o fim do livro, a exemplo do que já havia feito na década de 1980, quando decretou o fim do vinil diante do aparecimento de CDs e DVDs. É pesquisador emérito da IBM e cientista consultor residente na Universidade da Califórnia, em Berkeley [EUA]. Despojado e comunicativo, Jean Paul leva sempre para suas entrevistas e palestras uma sacola barata, repleta de novas tecnologias que apresenta ao público.

A cobertura dos festivais pelo PublishNews tem o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

PublishNews | 14/07/2010

Bienal de SP terá fórum internacional sobre livro digital


A 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo terá uma programação exclusivamente voltada para profissionais da cadeia produtiva do livro. E um dos principais temas discutidos será o livro digital.

O Fórum Internacional do Livro Digital se realizará no auditório Elis Regina, no Parque Anhembi, nos dias 10 e 11 de agosto, integrando a programação oficial da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Além do Fórum, compõem ainda a programação voltada aos profissionais antecedendo a Bienal do Livro, as convenções anuais da ANL [Associação Nacional de Livrarias] e ABDL [Associação Brasileira de Difusão do Livro]. Referidas convenções também acontecem nos dias 10 e 11 de agosto no Complexo Parque Anhembi.
O Fórum Internacional do Livro Digital será composto por três palestras apresentadas por especialistas renomados na área. Um deles é o americano Mike Shatzkin, fundador e CEO da The Idea Logical Company. Presta consultoria com vasta experiência em toda cadeia produtiva do livro – redação, edição, agenciamento, venda, marketing, produção e gestão. Seu blog, The Shatzkin Files [http://idealog.com/blog] é um dos mais consultados no mundo sobre o impacto da mudança digital no mercado de livros. Na vanguarda da discussão em torno do tema, Shatzkin realiza anualmente inúmeras conferências – recentemente participou da Digital Book World. No Brasil, assina coluna no Publishnews, um dos mais influentes veículos da cadeia produtiva do livro.

O palestrante inglês John B. Thompson, autor de Books in the Digital Age [Livros na Era Digital] – ainda não traduzido para o português -, também participa do Fórum. Há duas décadas Thompson analisa a transformação da indústria editorial do livro. É professor de sociologia da Universidade de Cambridge [Inglaterra].

A teoria social e política contemporânea, sociologia da mídia e da cultura moderna, a organização social das indústrias da mídia, o impacto social e político de tecnologias de informação e comunicação e as formas de comunicação política são seus temas de investigação. Outras obras publicadas: Ideologia e Cultura Moderna [1990], The Media and Modernity [1995] e Political Scandal [2000].

O outro palestrante é Jean Paul Jacob, engenheiro eletrônico brasileiro, considerado guru do mundo digital. Citado como um dos 50 Campeões de Inovação pela revista Info, profetizou o fim do livro, a exemplo do que já havia feito na década de 1980, quando decretou o fim do vinil diante do aparecimento de CDs e DVDs. É pesquisador emérito da IBM e cientista consultor residente na Universidade da Califórnia, em Berkeley [EUA]. Despojado e comunicativo, Jean Paul leva sempre para suas entrevistas e palestras uma sacola barata, repleta de novas tecnologias que apresenta ao público.

A programação do Fórum Internacional do Livro Digital, que acontece no auditório Elis Regina, no Complexo Parque Anhembi, em São Paulo, é a seguinte:

Dia 10 de agosto
19h – Coquetel de abertura.
20h20 – Abertura oficial do Fórum Internacional do Livro Digital.
20h30 – 22h – Palestra – O futuro do livro impresso num mundo digital, de Mike Shatzikin.

Dia 11 de agosto
08h30 – 10h – Palestra Os livros na Era Digital, de John B. Thompson.

18h00 – 19h30 – Palestra O Futuro já não é mais o que era!, de Jean Paul Jacob.

A Bienal do Livro 2010
Uma programação cultural rica e diversificada, composta por mais de 700 atividades distribuídas por pelo menos 400 horas durante 11 dias é o que encontrará quem for à 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, de 12 a 22 de agosto de 2010, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, Zona Norte da capital paulista.

Nesta edição, novos formatos, grande interatividade e a presença de conceituados escritores brasileiros e autores internacionais vão formar a grade mais pluralista dos 40 anos de evento. Para enriquecer a programação, a organização da Bienal do Livro convidou conceituados profissionais para serem curadores das atividades culturais. Em 2010, a programação focará quatro temas principais: Monteiro Lobato; Clarice Lispector; Lusofonia; e Livro Digital.

Realizada pela Câmara Brasileira do Livro [CBL] e organizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo tem o objetivo de ampliar a base de leitores e democratizar o acesso ao livro ? com reflexos imediatos à cidadania.

A Bienal do Livro ocupará uma área de 60 mil metros quadrados [o equivalente a quase oito campos de futebol] do Pavilhão de Exposições do Anhembi e a expectativa é reunir 350 expositores do Brasil e de fora, que representam mais de 900 selos editoriais.

Terceiro maior evento do gênero do mundo – os dois maiores são a Feira do Livro de Frankfurt e a Feira Internacional do Livro de Turim, a Bienal do Livro chega em 2010 a sua 21ª edição, sendo um grande ambiente cultural onde se apresentam, juntas, as principais editoras, livrarias e distribuidoras do país, que destacam seus lançamentos nesse período. Assim, além da diversificada oferta de livros de qualidade e de todos os segmentos, vale enfatizar que a feira oferece uma programação cultural ampla e variada desenvolvida especialmente para despertar o gosto pela leitura em todas as faixas etárias e classes sociais.

Associados da CBL poderão inscrever-se para o Fórum Internacional do Livro Digital pelo site  www.cbl.org.br, onde constam maiores informações. Os demais interessados deverão entrar em contato através do e-mail   atendimento@cbl.org.br.

Assessoria de imprensa do Fórum Internacional do Livro Digital: Jornalista Gloriete Treviso- tel 9174-9174.

Gloriete Treviso | Ascom | 13/07/2010

Smashwords e Singular se unem para distribuição de e-books


Smashwords, líder em publicação e distribuição de ebooks, e Singular Digital, principal provedor de Impressão sob Demanda e Serviços de Publicação Digital, firmam parceria para publicação e distribuição de ebooks para autores e editoras Brasileiras e Norte-Americanas.

Esta era digital da publicação de livros proporciona aos autores e editoras a oportunidade de atingir mercados globais. Por meio da impressão sob demanda e ebooks, não há mais barreiras para entregar conteúdo em todo mundo”, diz Newton Neto, Diretor da Singular. “Queremos construir o maior catálogo de livros digitais em Português”, continua.

A Smashwords publica 1.000 novos ebooks todo mês. Este conteúdo estará disponíveis nas lojas de ebooks do Brasil. O livro digital representa uma ótima oportunidade para melhorar a rentabilidade das editoras com a impressão sob demanda e aumentar a base de leitores com os ebooks. A Singular vai trazer todo conteúdo e a plataforma da Smashwords para o mercado brasileiro.

Haverá uma integração entre o Universo do Autor [www.universodoautor.com.br] e a Smashwords. Com isso, os autores Brasileiros terão seus livros vendidos em todo mundo.

Autores independentes e editoras poderão se beneficiar de uma completa solução digital de publicação de livros, que inclui distribuição global com Impressão sob Demanda e ebooks.

Ebooks representam o segmento que mais cresce no mercado do livro atualmente. De acordo com o Fórum Internacional de Publicação Digital, as vendas no varejo de ebooks nos Estados Unidos cresceram 261% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Milhares de autores e editoras ao redor do mundo estão contribuindo com o crescimento de ebooks ao usar plataformas como as da Smashwords e Singular Digital para publicar e vender seus trabalhos a uma audiência global.

Sobre a Smashwords, Inc. – Lançada em 2008, a Smashwords opera um plataforma líder de publicação e distribuição de ebooks servindo autores, editoras, leitores e livreiros. A Smashwords torna grátis e simples para qualquer autor ou editora, de qualquer parte do globo, publicar e distribuir ebooks em diversos formatos. A Smashwords coloca autores e editoras em controle total dos preços, experimentação e distribuição de suas obras. Autores e editoras recebem até 85% das receitas liquidas com as vendas de suas obras. A Smashwords possui acordos de distribuição com Apple, Barnes&Noble, Sony e Amazon e leitores digitais como Stanza, Kobo, Aldiko, FBReaber e Word-Player, atingindo também plataformas móveis como Android, Blackberry e iPhone. A Smashwords é sediada em Los Gatos, Califórnia, podendo ser encontrada na web em http://www.smashwords.com/.

Singulardigital | 06/07/2010