Livros impressos resistem aos eBooks


Os faturamentos das livrarias ainda não sentiram a presença do e-book no mercado e consumidores não acreditam no fim das páginas impressas

Apesar de o mercado digital conquistar veloz e exponencialmente vários ramos do comércio, a presença dos e-books no mercado ainda não atrapalhou os faturamentos das livrarias. É o que informam Victor Hugo Fischer, coordenador de produtos editoriais da Fnac, e Pedro Paulo Ornelas, gerente e sócio da Livraria Leitura. Talvez porque, como Pedro observou, no Brasil, a prática ainda não seja tão acessível nem difundida entre os usuários da rede. Menos ainda entre os possíveis leitores que em linha geral não consistem numa maioria dos cidadãos.

“Eu até esperava um decréscimo maior dos lucros. Talvez nos próximos anos, mas não creio. Porque ainda não está claro para a população como utilizar os e-books. Ainda é difícil e nem todos sabem como utilizar”, comenta o sócio. Ele conta que trabalhou por anos na Inglaterra numa empresa onde vendia e-books e não teve tanto retorno financeiro, mesmo onde a tecnologia já é parte incorporada da cultura. “No Brasil, ainda não é uma realidade. Nos próximos 5 anos acredito que as vendas de e-books vão aumentar, mas não irão atingir o faturamento dos livros. Tenho emprego para os próximos 10 anos, pelo menos”, brinca.

Victor Hugo concorda: “Não sentimos ainda o impacto do e-book na venda de livros. Mesmo porque a entrada deles no Brasil é recente. A cultura do livro ainda é muito forte”, observa.

Cultura do Livro

Segundo Victor Hugo, a cultura do livro entre os afins é muito forte e ele não acredita que a transição do papel para o digital será rápida. “Até nos Estados Unidos, onde a tecnologia digital é muito mais difundida, você não vê as livrarias morrendo. Porque a cultura do livro é muito forte”, avalia.

Apesar de não identificar impacto significativo nas vendas em função da concorrência do e-book, Victor acredita que este seja um processo inevitável, entretanto para um futuro a médio e longo prazo. “Falo isto mais pela cultura social da leitura pelo livro do que pela dificuldade de difusão do e-book”, pondera.

Pedro Paulo acrescenta: “Muito pelo contrário. Os faturamentos das livrarias continuam crescendo em números recordes. Principalmente na categoria infanto-juvenil, a exemplo da contemporânea Saga Crepúsculo, líder de vendas nas livrarias”.

Assim como a televisão não acabou com o rádio, nem ainternet não acabou com a TV, Pedro Paulo acredita muito mais na complementaridade do que na sobreposição dos meios.

Nisto, a estudante Gisele Amorim concorda. “Acho que são suportes diferentes e podem coexistir como o CD e o vinil. Acho que a tendência é livro virar objeto de arte, como aquele que o Zeca Baleiro lançou”, conta a futura bibliotecária que, quando questionada sobre o desaparecimento dos livros, exclama: “Espero que não! Hoje há editoras que seguem esta tendência de livros como um fetiche, mesclando bom design com traduções primorosas”, complementa.

Questão de Preferência

Gisele, sem dúvida, prefere os livros. Conta que lê, em média, três livros por mês e que este número caiu após seu casamento. “Quando era solteira, lia muito mais livros. Já li e-books, mas de assuntos acadêmicos, ou seja, porque fui forçada”, conta rindo. Surpreendentemente, a entrevistada conta que sente dificuldade de ler parada no mesmo lugar, como sentada à frente de um computador. “Leio muito andando. Tenho dificuldade de ficar parada”, diz. Em sua casa, Gisele informa que a leitura é um hábito compartilhado até pelas crianças. “A Sarah ainda não tem muita paciência. Mas a Sophia já tem sua própria biblioteca e está aprendendo a ler”, fala.

Na opinião de Gisele, além da questão que envolve um melhor conforto relacionado aos tipos de suporte para a leitura, existe um ponto mais importante no que diz respeito à formação de leitores. “O livro digital possibilita que uma comunidade mantenha um acervo, como o da biblioteca do Congresso Americano – a maior do mundo – com um custo baixo”, observa.

A acessibilidade destas bibliotecas no formato digital aproxima o e-book das realidades acadêmicas e os livros dos estudantes. Entretanto, Gisele confessa que o branco exagerado de tela lhe dá dores de cabeça e a dificuldade de manuseio do suporte a incomoda.

Thiago Santê, radialista e estudante de Jornalismo, encontrou uma solução para este problema. Como tem o hábito diário de ler, o entrevistado comprou um dispositivo eletrônico para leitura de e-books chamado leitor digital. Semelhante a um tablet, a ferramenta foi desenvolvida para tornar a leitura mais acessível em qualquer lugar porque possui uma tela antirreflexo e uma luz interna com brilho suave e ajustável que pode ser ativada ou não.

Tenho curtido muito os e-books e percebi que consigo ler até mais. Depois de comprar o leitor digital, minha escolha é pelos e-books pela praticidade. Por existir a possibilidade de comprar por valores mais baixos e até encontrar arquivos em sites de gênero gratuito ou sites de compartilhamento”, esclarece.

Thiago acrescenta que o aparelho utilizado por ele usa uma tinta digital muito semelhante à do livro e não cansa as vistas, mas só conseguiu encontrar a tecnologia disponível on-line. “Ele pode ser encontrado a partir de R$ 260. Mas o meu foi um pouco mais caro, modelo mais novo, R$ 460”.

E-Commerce

Para não perder o nicho de mercado disponível pela internet, a maioria das grandes livrarias aposta no e-commerce de livros. De acordo com o coordenador de produtos editoriais da Fnac, esta é uma fatia fundamental do faturamento da empresa no segmento.

Quando vendemos para Manaus, por exemplo, alcançamos um cliente o qual não teríamos acesso se não fosse pela internet porque não temos lojas lá. A internet concentra num único local, a baixos custos operacionais, uma capacidade enorme de conquistar clientes num território ilimitado”, avalia.

Mais importante do que o formato de leitura fica a reflexão da entrevistada: “o importante é formar leitores!”

POR RAFAELA TOLEDO | DIÁRIO DA MANHÃ | 31/01/2014 às 21h11

Do papel ao digital


Conheça um pouco mais os e-books, tecnologia que vêm modernizando os hábitos de leitura em todo o mundo

O mercado do consumo vem crescendo cada dia mais em todo o mundo, tendo sempre como fiel aliada as constantes inovações tecnológicas. Celulares, câmeras, iPods, tablets e diversos aparelhos fazem parte do cotidiano de todas as pessoas, proporcionando facilidade de acesso à informação e interligando todos os amantes da tecnologia.

O que ninguém imaginou e nem mesmo Gutenberg previu, era que esse universo tecnológico iria contagiar leitores assíduos e o universo mágico dos livros.

Até pouco tempo atrás, se ficávamos sabendo do lançamento de algum livro desejado, se nossa série favorita ganhasse uma nova continuação ou o vestibular nos exigisse alguma obra, a primeira opção seria recorrer à livraria mais próxima ou às bibliotecas. Mas agora, o surgimento dos e-books faz com que nossa necessidade de leitura seja suprida sem sair de casa.

E-book, termo de origem inglesa, é uma abreviação de electronic book. Popularmente conhecido como livro digital, apresenta a mesma obra contida na versão impressa, porém na forma de mídia eletrônica, que pode ser lida através de um computador, e-reader, smartphone ou tablet.

A tecnologia invade o mundo dos livros através dos e-books e aparelhos de leitura digital. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A tecnologia invade o mundo dos livros através dos e-books e aparelhos de leitura digital. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Para ter acesso a essas obras, existem livrarias digitais que fornecem diversos títulos disponíveis para download e cobram por isso.

Cobrar? Sim!

Segundo o especialista em e-books e membro da Comissão do Livro Digital, Ednei Procópio, “ao comprar um e-book, geralmente as plataformas permitem que o leitor baixe o arquivo do livro para diversos dispositivos e aplicativos de leitura. O leitor tem diversas opções que vão desde bibliotecas digitais até a possibilidade de baixar títulos gratuitos de modo legal”.

Além disso, existe a possibilidade dos downloads não-oficiais, que não cobram pelo e-book, mas não são recomendados, pois acarretam diversos danos, como vírus. Sobre isso, o blogueiro Caíque Fortunato, do Entre Páginas de Livros explica que “um dos grandes problemas com os livros digitais é a pirataria, que é crime, já que se pode encontrar facilmente na internet vários exemplares ilegais para download.”. Para ele, o certo e recomendável é a pessoa comprar o e-book, “já que assim o autor estará recebendo por seu trabalho e a literatura vai sendo incentivada cada vez mais”, complementa Fortunato.

E- o que?

Outra novidade que acompanha a onda dos livros eletrônicos são os e-readers, dispositivo específico para a leitura de obras digitalizadas, que pode ser encontrado no mercado em uma grande diversidade de modelos e marcas.

O mais famoso deles foi o Kindle, lançado pela Amazon Books em 2007, empresa americana de comércio eletrônico, uma das maiores bibliotecas digitais. O aparelho conquistou o mundo pela sua portabilidade e comodidade, possibilitando o download das obras pelo próprio aparelho e comportando mais de 1500 títulos.Hoje em dia, o Kindle já está em sua quinta geração, possuindo diversas funções e utilidades para os usuários.

A Amazon chegou ao Brasil em dezembro do ano passado, porém os preços de seus e-books continuam salgados, se assemelhando quase ao preço do livro impresso. No país, as principais opções de livrarias digitais são a Fnac, Saraiva, Cultura, Moby-Dick Ebooks, Gato Sabido, Travessa e Submarino.

Sobre o novo dispositivo, a blogueira Sybylla, do Momentum Saga, afirma que “a chegada dos e-readers e da Amazon impulsionaram o mercado de e-books, e a tecnologia é sempre um atrativo para as pessoas, mesmo que elas não se interessem tanto pela leitura.”. Ela acredita que para quem é leitor viciado, isso não vai mudar muito, sendo apeas uma ferramenta a mais. Entretanto, a blogueira acredita que “ isso pode impulsionar a leitura de quem antes não curtia muito.”.

Livro impresso versus e-books

As comparações começaram a se espalhar e as opiniões divergem em vários aspectos. E-books, devido à sua facilidade de acesso e seu baixo custo de produção, vêm acompanhados de um preço muito mais barato do que os modelos impressos, quase 70 % a menos.

A possibilidade de adquirir obras do mundo todo pode agradar os leitores, sem contar a facilidade do transporte e de não ocupar espaço: centenas de obras podem ser facilmente levadas de um lugar para outro com apenas um pen-drive ou tablet. Com o advento da era digital, a nova possibilidade pode agradar e incentivar o hábito da leitura para aqueles que não vivem sem estar conectados.

Já a popularidade dos livros impressos não se abala por motivos mais saudosistas. Há aqueles que afirmam que o livro é a única forma de nos desconectarmos do mundo, um bem durável que não necessita de bateria e podem ser emprestados a qualquer hora. Não possuem uma tela para incomodar a vista e nos dão o prazer da leitura, com imagens, capas, cheiro de livro novo e dedicatórias carinhosas.

E o futuro?

Várias editoras em todo o mundo já iniciaram o processo de digitalização de suas obras, alcançando assim todos os públicos. O país campeão é os Estados Unidos. No Brasil, segundo Ednei Procópio, a situação é diferente. “Até meados do segundo semestre de 2013, há um universo de aproximadamente 300 mil títulos sendo comercializados no formato impresso. Mas, no mesmo período, apenas em torno de 16 mil em formato digital. Ou seja, infelizmente, o leitor não acha qualquer livro no formato de e-book”.

eBooks já fazem sucesso no mundo todo, mas para substituir os livros impressos,ainda têm um longo caminho a percorrer. Foto: Divulgação

eBooks já fazem sucesso no mundo todo, mas para substituir os livros impressos,ainda têm um longo caminho a percorrer. Foto: Divulgação

A realidade dos e-books é realmente promissora, eles já fazem parte do cotidiano de muitos países e possuem grandes chances de se expandir também no Brasil, mas a passos lentos, pois as editoras terão que se acostumar com a nova tecnologia.

Ednei Procópio acredita que é muito cedo para afirmar que irá acontecer uma alteração no nível de leitura da população influenciada pela tecnologia. “A única coisa que pode efetivamente contribuir para elevar os níveis de leitura da população é a Educação. Sem Educação não há leitura, não há consumo nem de livros impressos digitais nem de livros digitais”, explica Procópio

Enquanto isso, as duas versões caminham tranquilamente e dividem o espaço e o gosto dos leitores em todo o mundo. Como afirmou a blogueira Sybylla: “Pintura não foi substituída pela fotografia, televisão não foi substituída pelo cinema, apenas convivem e muito bem. O mesmo com o livro físico e o e-book”.

Por Tatiana Olivetto | Publicado originalmente em WebJornal Mundo Digital Unesp | 18/09/2013

Mercado de livros digitais no Brasil se aquece à espera da Amazon


À espera do desembarque da Amazon em território nacional, o mercado de livros digitais no Brasil vem tomando fôlego para avançar em um segmento ainda incipiente, apostando em maior oferta de títulos, aumento de vendas a taxas consideráveis e parcerias que devem mudar o cenário dos chamados e-books no país.

Com grandes representantes globais do segmento se preparando para abocanhar uma fatia do promissor mercado brasileiro, hoje são as empresas nacionais que dominam o setor de livros digitais, que caminha a passos lentos e sofre pela ausência de dados sobre vendas, participação de mercado e relevância dentro do mercado de livros como um todo.

Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa deve chegar ao país no início de 2013 | Fonte: Emmanuel Dunand - 28.set.11 | France-Presse

Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa deve chegar ao país no início de 2013 | Fonte: Emmanuel Dunand – 28.set.11 | France-Presse

Líder no setor de livrarias e maior vendedora de livros via internet no país, a Saraiva ingressou em 2010 nos livros digitais, que a empresa acredita ser seu maior negócio.

Vendemos R$ 500 mil em livros digitais nos últimos 30 dias“, disse o presidente-executivo da Saraiva, Marcílio Pousada. “E vamos aumentar esse patamar mensal.

Com 12 mil títulos nacionais e 240 mil em inglês, a empresa espera encerrar este ano com mais de 15 mil nacionais e criou um aplicativo de leitura que, segundo o executivo, já supera 800 mil downloads.

Temos um caminho a percorrer. O primeiro passo é ter acervo, acompanhando o lançamento de livros físicos, além de ter instrumentos poderosos de leitura e software adequado“, disse.

Mais ousada, a Livraria Cultura apostou nos livros digitais em 2002, “no tempo certo e errado“, segundo seu presidente-executivo, Sergio Herz. Com o mercado ainda pouco maduro, a companhia interrompeu a tentativa, que foi retomada em 2010.

Embora ainda represente uma parcela inexpressiva no faturamento da empresa, a Cultura estima que a receita com livros digitais aumente em 250% este ano, consolidando a rede como a segunda maior de livros digitais do país em vendas, segundo Herz.

Apesar do otimismo, o presidente da Livraria Cultura cita questões tributárias como o maior entrave ao avanço dos ebooks no país.

Os tablets no Brasil ainda são muito caros por impostos. O Brasil não é tão amigável para o segmento quanto lá fora. Aqui pago quase o mesmo valor do produto em impostos“, afirmou Herz.

A Cultura firmou em meados de setembro uma parceria com a canadense Kobo e o número de títulos digitais oferecidos pela livraria no Brasil vai saltar dos atuais 330 mil para 3 milhões no início de novembro. A empresa também vai vender aqui os leitores digitais da Kobo. “Com a parceria, o cenário fica igual ou melhor que nos Estados Unidos“, disse Herz.

AMAZON NO FOCO

Com exceção da rede francesa Fnac, que está presente no Brasil mas com participação muito pequena em livros digitais, o mercado tem voltado as atenções à Amazon, que se prepara para instalar operações de venda de ebooks no país.

A estimativa inicial era de que o grupo norte-americano chegasse ao Brasil no atual trimestre, mas representantes do setor de comércio eletrônico já consideram que a estreia ocorra apenas no início de 2013.

A entrada da Amazon no país deve se dar inicialmente apenas com seu tablet, o Kindle, e um catálogo de e-books em português, disseram representantes de editoras locais e uma fonte da indústria a par dos planos, em junho.

Com uma abordagem totalmente digital, em um primeiro momento a Amazon minimizaria os riscos que uma estreia de maiores proporções implicariam em um país com problemas notórios de infraestrutura.

Mas a expectativa em torno de tal estreia ganhou tons de especulação, com rumores de que a Amazon estaria buscando associar-se a um grupo local para entrar no Brasil com mais força.

A líder em comércio eletrônico B2W e a própria Saraiva foram os dois principais alvos de especulações.

É natural que qualquer empresa internacional procure o líder do mercado onde vai entrar, e sempre estamos abertos a ouvir“, disse Pousada, da Saraiva, negando a existência de negociações no momento. “É mais um que vem tentar vender livros digitais e participar desse mercado.

No mesmo sentido, Herz, da Cultura, vê a chegada da Amazon como favorável ao setor. “Prefiro a Amazon no Brasil, jogando nas mesmas condições. Hoje os brasileiros já compram lá, mas ela não lida com os problemas que lidamos aqui.

A parceria com a Kobo, segundo ele, foi impulsionada pela necessidade de ganhar forças para competir com a nova rival. “Sozinhos, não concorreríamos com a Amazon“, assinalou.

VAREJO FÍSICO

Se fossem reunidos em uma única loja física, os livros digitais vendidos pela Saraiva ocupariam hoje a 11ª posição entre as 102 lojas da rede em termos de volume. Em janeiro, estavam na 79ª colocação e, no mês passado, na 49ª.

Esse avanço crescente favorece os e-books e, ao mesmo tempo, cria incertezas quanto à força do varejo físico.

A loja física está em xeque, perdeu importância no varejo global. Existe muito ponto de venda no mundo para pouco consumidor“, afirmou Herz, da Cultura, que vê espaço para crescer em lojas físicas, porém com mais critério.

A livraria se tornou uma experiência de entretenimento, muito mais que pelo produto”, disse. “O futuro das livrarias é oferecer atrativos.

DA REUTERS | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo, TEC  | 24/10/2012 – 19h04

Kobo chega a Portugal


Se o mercado editorial digital fosse o jogo “War”, a Kobo e a Amazon estariam disputando a liderança [e a Barnes&Noble estaria começando a conquistar novos territórios]. Dentro dos Estados Unidos, a Amazon abocanhou, segundo a empresa, cerca de 22% do mercado de tablets nacional graças ao Kindle Fire, enquanto que a Kobo emplacou um super acordo com as livrarias independentes. No resto do mundo, a Amazon aterrisou na Índia, que possui um mercado interno gigantesco, enquanto que a Kobo fechou acordo com as livrarias do Reino Unido, chegou antes no Brasil e, agora, em Portugal.

A canadense anunciou ontem uma parceria com a FNAC Portugal, que irá vender o catálogo de 3 milhões de títulos de e-books, além do e-reader Kobo touch, que será vendido por €99,90. A diretora da FNAC portuguesa Cláudia Almeida e Silva afirmou em nota a aposta da empresa no crescimento do número de e-books em língua portuguesa:“A língua portuguesa é herança comum de 4% dos 7 milhões de habitantes no mundo, em cinco continentes. Sentimos que a chegada do e-book no mercado português é uma prioridade para a FNAC, dado seu potencial de crescimento.”

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 25/09/2012

Livro digital em debate


A livraria Fnac de Porto Alegre promove hoje, às 19h30, um bate-papo com Paulo Tedesco e Gustavo Lima. O primeiro é editor e consultor gráfico-editorial, já Lima é fundador da “Buqui Livros Digitais”, livraria e editora especializada em e-books. O encontro versará sobre as mudanças do livro em papel para o formato digital. A entrada é franca. A livraria está localizada no Barra Shopping Sul [Av. Diário de Notícias, 300]. Mais informações pelo site

PublishNews | 18/01/2012

É muito chato ler na tela, diz Paulo Coelho sobre livro eletrônico


Paulo Coelho

Era uma vez um mago que vendia milhões de livros pelo mundo. Uma editora do seu país pensou que, a partir de histórias já existentes, ele poderia atingir mais uns milhares de leitores, especialmente estudantes, e criou um projeto com esse fim.

Ainda é cedo para saber a moral da história, mas, pelo roteiro, essa não seria má: “Se bem reciclado, o sucesso é fonte que nunca seca”.

Senão vejamos. O mago é o escritor Paulo Coelho, 64. A editora é a Saraiva [possui rede de livrarias e atua no setor de didáticos], que, por meio do selo Benvirá, acaba de lançar na Bienal do Rio “Fábulas”, com histórias de Esopo e La Fontaine adaptadas pelo autor de “Diário de um Mago”.

Além disso, o projeto de levar Coelho a crianças e jovens inclui a edição revisada de três títulos do autor [“O Alquimista”, “Veronika Decide Morrer” e “O Demônio e a Srta. Prym”] com “guias didáticos de leitura”, para serem usados em salas de aula.

O diretor editorial da Benvirá, Thales Guaracy, diz que as “Fábulas” são a primeira obra que Coelho faz por encomenda, a partir de uma sugestão da editora.

O escritor relativiza. “Não existe isso, ninguém me encomenda nada. Se eu quisesse, teria parado de trabalhar há dez anos. Faço isso porque eu adoro, não posso viver sem esse tipo de trabalho”, afirma, em entrevista à Folha, por telefone, de sua casa no interior da França.

Coelho conta ter se entusiasmado com o projeto. “Antigamente eu escutava no rádio a famosa frase ‘No tempo em que os animais falavam’. Ao reler tudo aquilo, estou aprendendo e revendo toda a minha infância, estou tentando falar para a criança que eu fui e continuo sendo.”

Ele admite que as alterações em relação às fábulas consagradas são “bem sutis” –o que indica quanto o peso da grife conta nessa jogada.

“No fundo, quanto mais próximo ficasse da ideia original, melhor. E foi o que eu fiz. É uma adaptação na qual procuro guardar o máximo de fidelidade ao original.”

Livro eletrônico e livrarias

É muito chato ler na tela. O que é que acontece: o cara baixa o meu livro –tenho todos os meus livros em todas as línguas [disponíveis para download]–, e diz: que bobagem, tô economizando nada, quando posso comprar um livro, carregar esse livro, curtir esse livro, viajar com ele, não cansar minha vista com esse livro. Aí o cara vai comprar o livro. Ele já teve uma amostra, é um trailer de um filme. Essa é a primeira coisa que as pessoas ainda não entenderam. É enxugar gelo, é irreversível.

A segunda coisa irreversível é o livro eletrônico. A França, o Brasil, a Espanha, os editores se reuniram e criaram umas corporações, “aqui não entra o livro eletrônico”. Entrou.

Mas tampouco é uma ameaça à livraria, que é um mundo mágico. Eu, por exemplo, leio muito em Kindle. Eu entro numa livraria, eu olho e posso escolher. Sempre compro mais livro do que leio. Mas vou ali, folheio, olho. Se eu quero ir no Kindle, sem conhecer o que eu quero, eu não vou achar.

Eu te dou dados concretos de amigos meus bem posicionado nessas plataformas eletrônicas: o livro eletrônico vai chegar a 25% do mercado, não vai passar disso, justamente por causa dessa ausência de [ferramentas de] procura. Quando meu Kindle fica vazio, fico desesperado, começo a procurar, procurar. Já baixei muita droga, já baixei livros que eu não imaginava que fossem bons. Você vai numa livraria, tem outras opções.

Então o que você está vendo agora é a volta das livrarias independentes. Sabe essas coisas que você não imagina, [todos pensavam que] acabou a livraria independente. As cadeias estão indo à falência, a Borders nos EUA, a Waterstones foi vendida na Inglaterra, você entra numa Fnac e vê tudo menos livro. Mas as livrarias independentes começaram a voltar, coisa que, há cinco anos, se você me perguntasse, eu diria que seria irreversível.

Leia a reportagem completa aqui.

Por Fabio Victor | Folha de S.Paulo | 10/09/2011

Enquanto isso, no Brasil…


Apesar de a Amazon ainda não ter chegado de fato ao Brasil, sua presença no País é significativa entre livrarias virtuais. Segundo o Google AdPlanner, que estima audiência de sites, a loja americana tem aqui mais visitantes únicos por mês [1,9 milhão] que a Cultura e a Fnac [com 1,2 milhão cada uma]. A Saraiva fica na frente das três, com 4,6 milhões.

Hoje, a Mondadori dá descontos de 50% em todos os seus e-books. Quer reduzir ainda mais os preços até o fim do ano.

Por Raquel Cozer | O Estado de S.Paulo | 30/07/2011

Saraiva entra no mercado de eBooks


Dois meses depois de lançar sua loja on-line de livros eletrônicos, a Saraiva, maior rede de livrarias do país, inicia a venda de leitores digitais a partir da próxima segunda-feira [16].

A companhia começa a distribuir os leitores coreanos iRiver pelo site. Com capacidade para 1.500 livros, funções de gravador de voz e reprodutor de músicas, o aparelho custará R$ 1.099.

Este é o primeiro aparelho da série de leitores digitais que pretendemos oferecer. Imaginamos ter, até o fim do ano, também o iPad, da Apple“, diz Marcílio Pousada, presidente da Livraria. O aparelho da Apple, porém, não tem data confirmada para chegar ao país.

Até o fim de agosto, a Saraiva também venderá o Alfa, da brasileira Positivo. O Alfa custará cerca de R$ 700. Em complemento às vendas pela internet, as lojas físicas da rede receberão os modelos nos próximos meses.

Também na próxima semana, a Saraiva atualiza sua loja de livros on-line. Inaugurada em junho, a loja até agora oferecia livros para serem lidos no computador. Até agora foram 12 mil títulos distribuídos. Deles, 8 mil foram obras gratuitas, fruto de parceria com a Imprensa Oficial.

O volume ainda é pequeno, mas marca o início da tendência. “Os leitores atuais são deficientes em conectividade e não têm loja embarcada, o que seria o ideal“, diz.

AMADURECIMENTO

Existem hoje cerca de 1.500 títulos nacionais em versão eletrônica, ante os 46 mil exemplares em papel editados no ano passado.

É igualmente pequena a base de leitores digitais. São 10 mil unidades, frente a 2,9 milhões nos EUA.

A entrada da Saraiva na venda destes aparelhos, ao lado de outras iniciativas recentes de Fnac, Livraria Cultura, editoras e fabricantes, devem contribuir para o crescimento do mercado.

O fenômeno pode não ser integrado como nos EUA, onde a Amazon, tradicional varejista on-line, fomentou a criação de um ecossistema completo, da distribuição do leitor Kindle até a entrega dos livros eletrônicos.

Iniciativas pontuais, porém, tendem a fazer o mercado crescer naturalmente, já que com mais leitores, mais conteúdo pode ser gerado, o que ficará mais interessante para o consumidor“, diz Duda Ernanny, da livraria Gato Sabido, que trouxe oficialmente o primeiro leitor digital ao país, em dezembro.

Hoje, além do Cool-er, Positivo, e a pernambucana Mix Tecnologia já investem nas vendas do aparelho.

Do lado das editoras, um avanço expressivo veio em junho, com a criação da Distribuidora de Livros Digitais [DLD], reunindo as editoras Objetiva, Record, Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta. A intenção é investir R$ 2 milhões até o fim de 2011.

CONTEÚDO DIFERENTE

Entre os autores não há unanimidade, mas, para alguns, os leitores digitais são o trunfo para conquistar os jovens. Segundo o gaúcho Moacyr Scliar, 73, com obras à venda na Amazon, recursos multimídia como os do iPad darão vazão a outros tipos de conteúdo. “O livro deixará de ser só texto, embora sua beleza continue nas palavras“, resume.

Folha.com | Livraria da Folha | 15/08/2010 – 10h04

Os e-books têm futuro no Brasil?


SÃO PAULO – Os livros digitais começam a sair do papel no Brasil. iniciando uma transformação nos hábitos de leitura do brasileiro.

Todas as previsões indicam que eles vão se espalhar rapidamente nos próximos anos. Mas isso não significa que você já possa começar a esvaziar a estante. Não são poucos os obstáculos que os e-books ainda enfrentam para se popularizar por aqui. Há dificuldades no processo de digitalização, resistência das editoras e pequena variedade de leitores eletrônicos, que custam caro. Enquanto lá fora os e-readers se multiplicam, por aqui só chegaram dois modelos: o Cool-er, vendido pela livraria virtual Gato Sabido, e o Kindle, da Amazon. A quantidade de obras em português cresce sempre, mas ainda é pequena. Poucos best-sellers e livros de autores consagrados estão disponíveis.

Apesar do cenário desfavorável, as empresas do setor já investem nesse novo mundo. Aos poucos, o número de livrarias que vendem conteúdo digital aumenta. A primeira a surgir foi a Gato Sabido, inaugurada no fim do ano passado. Depois, foi a vez da Livraria Cultura. Já a Saraiva planejava abrir sua loja de e-books na web até o fim de maio. Outra que tem planos de entrar na disputa é a Fnac, que pretendia iniciar a venda de e-readers neste mês. Esse movimento quase repentino tem uma razão.

Estudos indicam que o mercado de livros digitais vai crescer nos próximos anos, inclusive no Brasil.Um levantamento divulgado em abril pela empresa americana InStat aponta que serão vendidos neste ano 10 milhões de e-readers no planeta, contra 3,9 milhões no ano passado — um crescimento de 156%. A empresa prevê que, em 2013, a quantidade de equipamentos comercializados chegue a 28,5 milhões. “Esses aparelhos estão ganhando mais funções e os preços começaram a cair”, diz Stephanie Ethier, analista-sênior da InStat.

A expansão ocorre em escala global. Em 2009, 83% dos leitores digitais foram vendidos nos Estados Unidos, e apenas 17% em outros países. Em 2013, a parcela correspondente ao resto do planeta deve atingir 45%. Já a venda de tablets como o iPad, da Apple, crescerá de 2,7 milhões de unidades em 2010 para 16 milhões em 2013, prevê a InStat.

Outra análise, feita pela Forrester Research no fim de 2009, chegou a números que também indicam crescimento acelerado. As vendas de e-readers projetadas para o fim do ano nos Estados Unidos devem alcançar 6 milhões de unidades, contra 3 milhões em 2009. A empresa acredita que a chegada de uma nova geração de equipamentos, com telas coloridas e sensíveis ao toque, deve impulsionar o setor. A Forrester também destaca que o lançamento do iPad e de outros tablets aumentará o interesse por e-books.

Hora de experimentar

Entre as editoras brasileiras, a ordem é experimentar. Todas estão de olho no potencial desse mercado, mas preferem agir com cautela. A receita adotada é escolher alguns títulos, convertê-los para o formato digital e acompanhar a reação do consumidor. Um dos principais receios está na possibilidade de a obra ser baixada ilegalmente. “Na Espanha, há uma lei que obriga as editoras a digitalizar as obras. Por causa dela, a pirataria aumentou muito”, afirma Sérgio Herz, diretor de operações da Livraria Cultura. Segundo ele, também sobram dúvidas quanto aos contratos com os autores, o modelo de negócios e o preço. “Hoje, os e-books representam de 1% a 2% do mercado brasileiro”, diz.

Pode parecer pouco, mas os dados da pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, feita em 2007 pelo Observatório do Livro e da Leitura, mostram que 4,6 milhões de brasileiros já liam livros digitais na época. O levantamento indicou também que 7 milhões de pessoas têm o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. É bem possível que uma parte desse público, acostumado com o formato, passe a consumir e-books e e-readers. A adesão vai depender do preço cobrado pelos aparelhos e pelas obras. Atualmente, dá para encontrar edições por um valor médio de 25 reais e leitores na faixa entre 750 e 1 000 reais.

A aposta em formatos alternativos também pode ser uma solução. “No futuro, será possível comprar capítulos e ler livros multimídia”, afirma Marcílio D’Amico Pousada, presidente da Livraria Saraiva. Por enquanto, contudo, a empresa preferiu investir no modelo mais tradicional. A loja da Saraiva vai vender títulos nos formatos EPUB e PDF, que poderão ser lidos na tela do computador, por meio de um software. Outra opção será usar um aplicativo para iPhone e iPad, que ainda está sendo desenvolvido.

O leitor quer mais títulos

Enquanto algumas editoras brasileiras lançam um punhado de livros digitais e esperam o resultado, outras não perdem tempo. Uma das que mais têm apostado em e-books é a Zahar, que já converteu cerca de 400 obras do seu catálogo. “Tomamos essa decisão porque temos certeza de que as pessoas vão consumir livros em formatos digitais. Nossa meta era entrar nesse mundo o quanto antes”, explica Mariana Zahar, diretora-executiva da empresa.

Ao mergulhar nessa experiência, ela descobriu as limitações do formato EPUB, que está se consolidando como o padrão mundial de arquivo para e-books. “Esse formato é ultrapassado. E o processo de publicação é muito mais lento e árduo do que imaginávamos.”Converter um livro não significa que a editora vá pegar o arquivo de uma obra, clicar em “Salvar como EPUB” e esquecer o assunto. É preciso formatar o texto novamente. Os problemas são maiores quando existem imagens, gráficos e tabelas. Criar uma obra interativa, então, é missão quase impossível. Apesar das dificuldades, as editoras brasileiras e as lojas virtuais têm seguido a tendência mundial de adotar o EPUB. O formato permite incorporar proteção de direitos autorais [DRM], criar arquivos compactos e pode ser lido com o software Adobe Digital Editions, compatível com múltiplos e-readers.

Para os leitores, o pequeno volume de obras em português parece ser o principal impedimento à popularização dos e-books. Faltam principalmente títulos de ficção nas lojas virtuais. “Todo mundo construiu uma estrada em que não estão passando carros. Os clientes, muitas vezes, passam de cinco a dez minutos procurando um livro e se frustram por não achá-lo”, diz Carlos Eduardo Ernnany, presidente da Gato Sabido.

Cadê o iPad?

Colorido, com ampla tela sensível ao toque e bateria de fôlego, o tablet da Apple pode mudar radicalmente a indústria de e-books. “Existe um otimismo em relação ao iPad. Ele é visto como um dispositivo capaz de virar o jogo”, diz Fabiana Zanni, diretora de mídia digital da Editora Abril. As possibilidades oferecidas pelo aparelho vão muito além do que pode ser feito com o EPUB nos atuais e-readers. Revistas e jornais já conseguem, por exemplo, ter edições recheadas de conteúdo multimídia. O dispositivo, porém, ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Também não se sabe se a loja online da Apple [que agora vende também livros] estará disponível aqui. São sinais de que a epopeia dos e-books tem futuro, mas está só começando.

Maurício Moraes | InfoAbril | 23/07/2010