Escritora Eliana Neri lança o primeiro volume de sua trilogia


Lançamento oficial do livro que mistura aventura e emoção com toque espiritualista e de autoconhecimento será na Flip

Eliana Neri  | Fotos: Divulgação

Eliana Neri | Fotos: Divulgação

O livro publicado por editora tem melhor aceitação pelas livrarias e pelos leitores, isso é fato

Apesar de o personagem principal ser um padre e outros dois personagens terem uma grande fé em Deus, a autora não considera “Day by day” uma obra espiritualista. O primeiro volume da trilogia que Eliana Neri está escrevendo já está pronto. Mas só será lançado pela editora na Flip [Festa Literária Internacional de Paraty], no meio do ano. Até lá, quem quiser matar a curiosidade, já pode comprar seu exemplar com a própria escritora. São 384 páginas de muita aventura e emoção.

Para depois da trilogia, Eliana está com um conto infantil pronto, pretende publicá-lo por uma editora e comercializar no mercado nacional. Em seguida, vai escrever e publicar uma fábula para adultos.

Nascida em São Lourenço [MG], a autora mora em Barra Mansa desde os 7 anos. Começou a escrever contos infantis em meados de 2000. Quando foi trabalhar em outra cidade [Barra do Pirai], ficava com tempo livre à noite e surgiu a vontade de escrever. Foi quando criou os “Contos da Lili”, com o inusitado personagem Azeitona no Palito.

Depois veio a oportunidade de participar de antologias com textos infantis e para adultos e a concretização de um sonho, que era escrever um livro solo sobre a história do seu tio-avô que foi padre no século passado e tem um mistério a ser desvendado.

Sempre trabalhou na área comercial, seja em comércios ou indústrias da região, quando em janeiro recente, por conta de fechamento da empresa onde trabalhava, ficou com mais tempo para os seus projetos literários e resolveu divulgar e comercializar o primeiro volume da trilogia “Day by day”, pessoalmente, praticamente um corpo a corpo.

Quando começou a escrever essa trilogia? Por que a opção por três livros sobre o mesmo tema? Quais os títulos de cada livro?

A vontade nasceu em minha adolescência, o sonho de publicação, porém, tornou-se possível apenas em 2012. Em 2013 publiquei de forma independente a primeira parte com apenas 156 páginas, em 2014 enviei o texto completo do primeiro volume para a editora Livrus, que passou a me acompanhar.

A opção por uma trilogia deu-se por conta de ser uma história que se passa em vários períodos, precisando de muitas pesquisas e investigações, por ter um texto bastante interessante e com bastantes assuntos a serem explorados. Se agradar aos leitores, passará de trilogia para uma série. O primeiro volume: “Day by day”. O segundo volume: “Day by day, a busca é surpreendente“. O terceiro volume: “Day by day, a busca é encontro“.

"Algumas pessoas não entram em livrarias por achar que o livro no Brasil é caro" - Eliana Neri

“Algumas pessoas não entram em livrarias por achar que o livro no Brasil é caro” – Eliana Neri

Todos os textos dos três livros já estão prontos? Ou apenas o primeiro de “Day by day”?

O primeiro está pronto e já estou comercializando pessoalmente e pelos sites da editora. A versão digital já está sendo cadastrada em canais online também.

O segundo volume já está com cem páginas digitadas. Se eu não fizer mais nada, só escrever, em apenas dois meses o segundo volume poderá ficar pronto.

E em mais ou menos seis meses o terceiro volume ficaria pronto, mas creio que isso ainda não seria possível para mim.

É um livro espiritualista? Ou nada tem a ver com esse gênero? Como você classifica essa trilogia, do ponto de vista mercadológico?

Apesar de o personagem principal ser um padre e outros dois personagens terem uma grande fé em Deus, não o considero espiritualista, mas quem ler apenas o primeiro volume terá a impressão de que talvez seja. Mas não foi proposital. Acho mesmo que o livro pode ter várias classificações do ponto de vista mercadológico, tipo aventura, autoconhecimento, ficção, suspense e até espiritualista também, por que não?

Como foi [ou está sendo] o processo criativo dessa trilogia? Muito diferente do seu trabalho anterior com livros infantis?

Sim, completamente diferente dos trabalhos anteriores com livros infantis, que são pura ficção. A trilogia “Day by day” é uma mistura de ficção e fatos reais, para tal tive que fazer pesquisas, viagens, entrevistar pessoas. Então, é bem diferente sim. Até o processo criativo é mais demorado.

Os seus livros saem por uma editora, certo? Isso facilita, de certa forma, que sua obra seja mais vendável do que um livro lançado no esquema de produção independente?

A trilogia é o meu primeiro livro por uma editora, tirando, é claro, as antologias, mas livro solo é o primeiro. O livro publicado por editora tem melhor aceitação no mercado pelas livrarias e pelos leitores, isso é fato. Como é minha primeira experiência por editora, só daqui a alguns meses é que saberei o resultado, é uma experiência nova. Mas o fato é que a qualidade do livro é superior porque tive uma equipe cuidando de tudo, desde a revisão do meu texto até a capa.

Que análise você faz do atual mercado literário na região, no Brasil e no mundo?

Creio que cresceu bastante o interesse das pessoas pelos livros, com muitos autores e novos gêneros. Nós autores ainda sonhamos em publicar um livro que caia no gosto popular, que as pessoas gostem, comentem, indiquem. O mercado editorial brasileiro e mundial passa por transformações profundas e nós escritores temos que acompanhar essas transformações. Compreendê-las, tentar nos situar para publicar os nossos livros.

Quais seriam os caminhos para facilitar o acesso aos livros e à produção de obras literárias?

A produção de obras literárias não é nada barata, devido à complexidade de profissionais que se faz importante para tal, tipo: preparação, diagramação, revisão de texto, capista, gráfica, profissional de marketing etc. Existe um custo envolvido.

Mas creio que baixar os preços dos livros facilitaria o acesso. Algumas pessoas não entram em livrarias por achar que o livro no Brasil é caro.

E precisamos de mais eventos literários, feira de livros, saraus etc. Quanto mais as pessoas tiverem acesso aos livros, melhor.

Para quem pretende começar a produzir literatura, quais as dicas?

Ler bastante e focar no objetivo.

Serviço

Day by day

Autora: Eliana Neri

Preço: R$ 32

Para adquirir o livro entrar em contato pelo e-mail [eliana.neri@uol.com.br]

Facebook ou telefone [24] 9-9845-1204

Página do livro no site da editora

Por Cláudio Alcântara | Coluna Olho Pop | Publicado originalmente em OLHO VIVO | 21/04/2015, às 11:25

Nuvem de Livros lança versão de software com mais recursos técnicos


A biblioteca digital Nuvem de Livros, a maior do Brasil e que oferece acesso a cerca de 12 mil conteúdos, lançou uma versão mais atraente e com mais recursos tecnológicos, que será usada igualmente no serviço em espanhol, com previsão de lançamento para outubro.

A nova versão é mais robusta tecnologicamente, além de ser mais atraente, lógica e racional“, disse nesta quarta-feira à Agência Efe uma fonte do Grupo Gol, produtor e distribuidor de conteúdos multimídia de educação, que desenvolveu e opera uma biblioteca virtual online que já conta com cerca de 1,3 milhão de clientes no país.

De acordo com a fonte, a versão 2.0 da Nuvem de Livros conta com uma estrutura de metadatos mais complexa e rica, permitindo agilizar e melhorar as opções de busca e identificação de conteúdos.

Também apresenta um novo leitor [na tela] e um novo editor desenvolvidos pelo Grupo Gol no Brasil“, afirmou a fonte.

Além dos aproximadamente 12 mil livros, áudios, vídeos, conteúdos para reforço escolar, conteúdos interativos, jogos, cursos, reportagens e entrevistas oferecidos por esta multiplataforma, a nova versão inclui cursos de formação profissional certificados pelo Centro de Integração Empresa-Escola [CIEE].

Os conteúdos da biblioteca digital, pensada originalmente para escolas públicas e famílias, podem ser acessados a partir de qualquer plataforma com conexão à internet. O aplicativo pode ser baixado em aparelhos com sistema operacional iOS, Android ou diretamente no computador.

Apesar de ser oferecida aos clientes desde a primeira semana de julho, a versão 2.0 foi apresentada oficialmente no último fim de semana pelo presidente do Grupo Gol, Jonas Suassuna, na Festa Literária Internacional de Paraty [Flip].

O Grupo Gol também opera a Nuvem do Jornaleiro, uma plataforma digital que permite aos usuários de telefones celulares, tablets ou internautas acessar o conteúdo de 200 meios de comunicação, incluindo notícias da Agência Efe, sem baixar os arquivos nos aparelhos.

Ambas as iniciativas contam com parceria da operadora Vivo, subsidiária da espanhola Telefônica no Brasil.

Rio de Janeiro | Publicado originalmente por Yahoo | 06/08/2014 | Da Agência EFE

Consumo da literatura é mediado pelas redes sociais


Estudo apresentado na Flip mostra que web virou ferramenta para disseminar o texto literário

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

SÃO PAULO — O consumo de literatura é cada vez mais mediado pelas redes sociais. No entanto, o impacto dessas mídias na produção, consumo, distribuição e troca de trabalhos literários ainda não foi mensurado a contento. Para Fabio Malini, coordenador do Laboratório de Pesquisador sobre Imagem e Cibercultura [Labic] da Universidade Federal do Espírito Santo, essa transformação traz novos públicos, novos espaços de circulação da literatura e novos mediadores, transformando a obra literária de diferentes escritores em discursos espalhados pela internet, fazendo de alguns autores celebridades da rede.

Para preencher em parte essa lacuna, Malini dedicou-se a observar a propagação da literatura brasileira no Twitter e no Facebook. A pesquisa, encomendada pelo Itaú Cultural, será apresentada nesta quarta na programação da instituição na Flip, e publicada na edição 17 da revista “Observatório cultural”.

O estudo mostra que a propagação de citações é o modo mais utilizado para disseminar o texto literário nas redes sociais. Na literatura contemporânea, observa-se a construção de um autor que, ao mesmo tempo, publica e constitui uma relação íntima com seus públicos na rede. E estes espalham visões críticas e afetos pelas obras que lhe interessam.

— O consumo de literatura nas redes sociais vem alterando o comportamento dos escritores. Em seus perfis, eles passaram a revelar bastidores de seu processo de produção, ao mesmo tempo em que divulgam suas obras. Especialmente os autores dedicados ao público juvenil: esses estão em constante presença nas redes, quase como personagens — explica Malini, lembrando que a escritora Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook, com mais de 300 mil fãs que interagem continuamente com sua página na rede social.

Segundo o pesquisador, Thalita faz de sua página uma espécie de diário virtual reproduzindo a própria discursividade adolescente na rede. No lugar de um narrador mais recolhido, dedicado à obra, a escritora radicaliza a linguagem do selfie, com inúmeros autorretratos. Assim, seu público pode consumir não apenas a sua literatura, mas a sua vida. É uma situação de alta visibilidade em tempo real.

Mas não é só o público juvenil que está em busca de um contato mais próximo com escritores nas redes sociais. Malini acredita que essa avidez por comunicação cria uma geração de autores mais abertos em sua subjetividade literária, motivados por um público que deseja vislumbrar uma produção até então baseada no recolhimento.

— O público não só busca maior compreensão da obra de seus autores favoritos, como também gosta de observar sua visão de mundo, suas posições políticas — observa o especialista.

Outro aspecto do consumo de literatura nas redes é a cultura de fãs de autores que já morreram, tais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Paulo Leminsky e Caio Fernando Abreu.

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Os autores mais citados pelo mundo acadêmico não são os mais populares nas redes sociais. Obras de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Mário de Andrade são menos citadas, curtidas e compartilhadas. Já as do poeta Carlos Drummond de Andrade e do escritor Machado de Assis alavancam diferentes apropriações pelos usuários. As páginas de Drummond, Caio e Clarice são as campeãs de fãs no Facebook: juntas mobilizam mais de 1 milhão de seguidores.

— Os perfis desses autores brasileiros já falecidos geralmente são administrados por literatos ou escritores. Daí a cultura do remix literário, ou seja, a liberdade que esses administradores de fan pages têm em assumir características marcantes do autor e criar suas próprias frases, numa espécie de emulação. Citações que têm algo de autoajuda quando tiradas de seu contexto fazem muito sucesso. Em alguns casos, servem como indiretas ao serem compartilhadas — detalha o acadêmico sobre o comportamento do leitor brasileiro na web.

Paulo Leminski, por exemplo, começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país, há pouco mais de um ano. Esse movimento nas redes sociais levou a antologia “Toda poesia” de Leminski a figurar diversas semanas na lista de mais vendidos.

Ecoando o desejo dos manifestantes de humanizar o espaço urbano, um poema de Leminski [“Ainda vão me matar numa rua. Quando descobrirem, principalmente, que faço parte dessa gente que pensa que a rua é a parte principal da cidade”] foi retuitado centenas de vezes. Nos dias 15 e 16 de junho de 2013, a tag #todarevoluçãocomeçacomumafaísca esteve entre as mais populares no Brasil, uma alusão à trilogia juvenil “Jogos vorazes”, outro best-seller.

A tese de que perfis de redes sociais não discutem literatura em tempo real é uma especulação simplista, acredita Malini. A rede se tornou um manancial de novos críticos, novos mediadores da literatura, por onde as obras da nova geração e dos autores “mortos” ganham vida e sobrevida.

— É impressionante o que as redes sociais têm feito pela popularização da poesia brasileira, gênero historicamente renegado. É reducionista acusar a rede de gerar um consumo fácil e rápido de literatura, assim como é simplista acreditar que só o livro oferece leitura de qualidade. As redes sociais são portas de entrada para leitores, escritores e críticos, democratizando o consumo e a produção literária — acredita Malini.

Por Márcia Abos | O Globo | 30/07/2014, às 12:08