Pirataria na mira: editoras descobrem novo site com livros


Marcio Fernandes/Estadão

Marcio Fernandes/Estadão

Às vésperas do segundo aniversário [pelo que dizem na apresentação], só agora o site Le Livros começa a ser descoberto por editoras brasileiras. Ali, podem ser lidos ou baixados [epub, mobi e pdf] mais de 3 mil livros em português, incluindo os lançamentos O Irmão Alemão, de Chico Buarque; Eternidade Por Um Fio, de Ken Follett; e O Capital no Século 21, de Thomas Piketty. Sem pagar nada. É o site mais profissional já criado em português para esse fim polêmico – a discussão pirataria X acesso à cultura é antiga. Há dois meses, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos recebeu a primeira denúncia de um autor. Uma ou outra editora também reclamou. A Record, por exemplo, só tomou conhecimento na quinta, pelo Estado. O passo agora é descobrir os responsáveis e tomar providencias jurídicas – para a tristeza dos mais de 400 mil seguidores no Facebook [muitos dos quais profissionais do mercado editorial e escritores].

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 28 novembro 2014 | 21:18

Escrita compartilhada


Esqueça a imagem do escritor fechado em casa, sozinho, diante da impassível página em branco. Contas de Facebook e Twitter desativadas. Internet desconectada. Nada que possa desviar a atenção durante o processo de escrita da sua obra. O que temos aqui é um novo tipo de experiência produtiva na qual o autor da história não é mais soberano e não há espaços para bloqueios criativos. Tudo porque os leitores estão sendo convidados a acompanhar, às vezes em tempo real, o processo. E opinam, sugerem mudanças e caminhos – que vão sendo incorporados, ou não, pelo autor. O escritor Luiz Bras entrou na onda da editora Sesi-SP, que queria fazer algo diferente no ambiente digital, além de divulgar seu Clube do Livro. Desde meados de julho, ele está concentrado na escrita de um romance juvenil interativo. Já foram dois capítulos e funciona assim: depois de publicar uma parte da história no blog Participe do Romance, os leitores mandam seus comentários. Ele filtra as mensagens, aceita ou não as sugestões e, então, escreve o capítulo seguinte. A cada 15 dias, o processo reinicia.

POR MARIA FERNANDA RODRIGUES | O ESTADO DE S. PAULO | 12/08/2015

Livraria causa burburinho na internet com pergunta sobre cenários de livros


Postagem viralizou e já foi compartilhada por mais de cinco mil usuários

Se você acordasse no cenário do último livro que leu, onde você estaria?” Com esta pergunta postada no domingo, em sua página do Facebook, que a rede de livrarias Cia. dos Livros causou certo furor na internet. A postagem viralizou: até o momento, já foi compartilhada 5.113 vezes e recebeu 2.121 comentários, além de milhares de curtidas. Dentre os comentários, alguns são bastante peculiares. Um internauta “estaria no Egito, trocando altos bafos com Tutancâmon”, outro “estaria na Tchecoslováquia ocupada pelos nazistas, lutando pela revolução ao lado do poeta Jaromil” e um terceiro, “em meio ao Atlântico Sul, navegando em um barco a remo junto com o Amyr Klink”. [nota do editor: no fechamento da edição do PublishNews, o post já tinha sido compartilhado 8.728 vezes]

Por Rodrigo Casarin | Blog Página Cinco | UOL | 01/04/2015

Plataforma reúne autoras de literatura para meninas


Iniciativa visa maior proximidade entre autoras e leitores nacionais

Será no próximo dia 28 de março o lançamento da primeira etapa do projeto multiplataforma LitGirls, idealizado pela Punch! Comunicação. A iniciativa consiste na exibição de vídeos em formato jornalístico-documental, inéditos e desenvolvidos por dez autoras nacionais. A iniciativa quer estreitar o relacionamento e ampliar a troca de conteúdos entre autoras e seus fãs. Na oportunidade será lançado um site que reunirá informações sobre as escritoras, atualizações sobre suas carreiras e novidades do projeto, além de um aplicativo com conteúdos inéditos e exclusivos de curiosidades sobre as escritoras para iPhone e iPad e mídias sociais [YouTube, Twitter e Facebook]. Para marcar o lançamento, acontece um evento na Livraria Cultura Cine Vitória [Rua Senador Dantas, 45, Centro, Rio de Janeiro/RJ] e haverá duas mesas redondas, com todos os participantes, das 13h às 17h. Haverá distribuição de senhas uma hora antes do evento, sujeito à lotação.

PublishNews | 13/03/2015

Os melhores ‘apps’ para ler e estudar


unnamedFolhas de papel, agendas, cadernos, livros. Quilos e quilos de papel que até poucos anos atrás pesavam sobre as costas e ocupavam mochilas, bolsas e mesas. Estão desaparecendo, pouco a pouco, da vida dos estudantes. A digitalização dos alunos nas universidades caminha no mesmo ritmo que eles; segundo o último estudo do serviço de telefonia Tuenti Móvil e da empresa de pesquisa de mercado IPSOS, 84% dos jovens pesquisados se conecta à Internet a partir do telefone celular e 40% utiliza o aparelho para estudar, trocar anotações ou trabalhar em grupo.

Celulares e tablets foram banindo a caneta e o papel para melhorar, maximizar e otimizar as tarefas dos universitários; deixaram que ser um elemento de distração durante as aulas para se tornarem uma ferramenta de trabalho. Quase sempre. Álex Rayón é professor na Faculdade de Engenharia da Universidade de Deusto e responsável pela TI [Tecnologia da Informação] nesse centro universitário. É ele quem está colocando em funcionamento a maquinaria que habilita as tecnologias de informação e comunicação na universidade basca: “Todo o plano de formação em competências digitais. Acredito que com isso é preciso ser valente”.

Os alunos ainda sentem dificuldades no uso dos aplicativos durante as aulas, embora fora delas isso já se tornou um hábito. “Os professores demoram em se acostumar. O maior medo é que, com o telefone na mão, os alunos possam estar fazendo outras coisas que não sejam da disciplina”. Facebook, Twitter, Whatsapp. “O que acontece então? Os celulares são proibidos em sala de aula”, conta Rayón. “Mas o que devemos fazer, e o que eu tento a cada dia, é levar as aulas ao celular, monopolizar a atenção dos alunos”.

Rayón dá aulas de Inovação e empreendedorismo na Universidade de Deusto e de Estratégia digital na Deusto Business School. Uma parte delas navega na nuvem, no Youtube e no Google Drive. “Quando os alunos fazem seminários, peço que gravem; depois postamos o material em canais temáticos que criamos no Youtube e se faz uma revisão por grupos. É uma das formas de levar a aula ao ambiente dos dispositivos móveis”. Com a ajuda de aplicativos como o Evernote, para gestão de conteúdos, e o Mindomo, para criar mapas conceituais, Rayón consegue colocar a aula no celular. “E não ao contrário, para aproveitar ao máximo todos os recursos disponíveis”.

Para ajudar a atingir esse objetivo, apresentamos os melhores aplicativos de iOS, Android e Windows Phone para compactar o curso.

Com a mão levantada

Para não perder o hábito de mover o pulso e o cotovelo ao escrever, reunimos aplicativos com os quais você poderá continuar escrevendo de forma tradicional, mas sobre uma tela.

  • Penultimate: Um aplicativo simples, intuitivo, extremamente bem cuidado visualmente e com uma gestão impecável da tinta. Pode-se escrever com o dedo, mas para aproveitá-lo ao máximo um stylus é a melhor opção. Disponível para iPad e gratuito.
  • Papyrus: Clara e fácil de usar, essa ferramenta tem uma janela para os clientes do Google Play for Education, que podem instalar este app e o Papyrus Licence EDU 2014-2015 para desbloquear as vantagens da versão premium. Disponível para Android e gratuito.
  • OneNote: A ferramenta para tomar notas do pacote Office da Microsoft é uma plataforma agradável e limpa visualmente. Permite escrever à mão, embora seja recomendável um lápis adequado. Disponível para Windows Phone, iOS e Android de forma gratuita.

Organizado e a tempo

Para quem não se importa em prescindir de agendas, post-its e papeizinhos no meio de dezenas de cadernos, seis ferramentas que ajudam a organizar, lembrar e guardar.

  • Evernote: Para tomar notas, fazer fotos, criar listas, gravar voz, guardar links. Tem sincronização na nuvem e capacidade para fazer apresentações com um clique. Gratuito. Para iOS, Android e Windows Phone em versão gratuita, premium [5 euros por mês, cerca de 14,65 reais] e business [10 euros por mês como usuário].
  • iStudiez Pro: Combina agenda, lista de tarefas e anotações com uma interface fluída e visualmente bonita. Disponível para iOS e Windows Phone por 8,7 euros.
  • My Study Life: Agenda, lista de tarefas e avisos em um único aplicativo para iOS, Android e Windows Phone. Gratuito.
  • Any.do: Combina tudo, do calendário à lista de tarefas. Sincroniza e compartilha com outros dispositivos. Com cada nova mudança, seus desenvolvedores sempre repetiram o mesmo: “Há muitos apps para cada coisa, por que não usar um que sincronize tudo?”. Disponível para iOS e Android de forma gratuita.
  • FantastiCal 2: Um calendário intuitivo, completo e com aperfeiçoamentos contínuos. Só está disponível para iOS, por 4,99 euros.
  • Wunderlist: Um aplicativo simples e intuitivo para organizar e compartilhar tarefas. Para iOS e Android, tem uma versão gratuita e outra paga, por 4,20 euros.

Guardar e compartilhar

Antes, se tiravam fotocópias. Agora, sobem-se arquivos à nuvem. Três lugares virtuais onde armazenar qualquer tipo de arquivo e poder acessá-lo a partir de qualquer dispositivo, compartilhar com os colegas do grupo de trabalho ou com os professores.

  • Google Drive: Compartilha, edita e guarda de forma instantânea. Disponível para iOS, Android e Windows Phone e gratuito.
  • Dropbox: Tudo vai para a nuvem, para consultar e sincronizar de forma instantânea com outros dispositivos. Para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.
  • OneDrive: É o serviço de armazenamento de arquivos da Microsoft, embora tenha aplicativos para iOS e Android. Gratuito até 15 GB.

Página a página

Para muitos, o romantismo de virar as páginas dos livros e sentir seu aroma não é motivo suficiente. Nos leitores digitais se podem armazenar milhares de títulos, todos disponíveis de forma imediata.

  • iBooks: É o aplicativo da Apple para baixar e ler livros, sublinhar e acrescentar notas. Tem acesso direto à biblioteca da empresa da maçã.
  • GoodReader: Para ler e tomar notas em arquivos; sincroniza com o Dropbox, OneDrive, SugarSync, e qualquer servidor SFTP, FTP, SMB, AFP ou WebDAV. Disponível apenas para iOS, por 4,2 euros.
  • Kindle: A experiência e a interface dos clássicos do Kindle transformados em um aplicativo disponível para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.

Sempre útil

Para escanear, fazer cálculos ou desconectar a rede wifi, que às vezes se torna mais tentação do que ajuda, uma reunião de aplicativos que podem ser um auxílio pontual.

  • Quick Graph: Uma potente calculadora gráfica com versão premium por 1,7 euros. Disponível apenas para iOS, embora seus desenvolvedores estejam trabalhando em uma versão para Android.
  • Genius Scan e CamScanner: Dois aplicativos para escanear, digitalizar, editar e enviar documentos e fotografias. Ambos disponíveis para iOS, Android e Windows Phone de forma gratuita.
  • Ommwriter: Se você não é capaz de desconectar a rede wifi do tablet ou não consegue pôr o celular em modo avião, este aplicativo lhe ajudará a se concentrar para trabalhar. Enquanto estiver aberto, as notificações não o atrapalharão. Disponível apenas para iOS, por 4,99 euros.
  • Pocket: Bolso virtual que permite guardar artigos, vídeos ou fotografias a partir de qualquer Web ou aplicativo para vê-los mais tarde. Disponível para iOS e Android e é gratuito.

El País | 28/01/2015

O ano do livro para Zuckerberg


Parceria entre Facebook e 24symbols promete dar acesso gratuito e-books a 2/3 da população mundial que não está conectada à internet

Depois de declarar 2015, um ano de livros, o Facebook, fundado por Mark Zuckerberg, acaba de fechar parceria com a 24symbols, empresa de serviço de assinatura de e-books, para oferecer acesso gratuito à sua plataforma de leitura digital. A parceria foi fechada por meio da Internet.org , iniciativa liderada pelo Facebook cujo objetivo é tornar o acesso à internet economicamente acessível para os dois terços do mundo ainda não conectados. Os assinantes terão acesso a um conjunto de serviços básicos gratuitos através do app do Internet.org, que pode ser baixado pelo Google Play ou visitando a página do projeto na internet, por meio de um aparelho móvel. O primeiro passo dessa colaboração entre o Internet.org e a 24symbols foi dado na Colômbia e, de acordo com a 24symbols, muitos outros países, de diferentes línguas, farão a adesão ao projeto nos próximos meses. A 24symbols tem um catálogo de mais de 200 mil títulos em dez idiomas e atualmente presta serviços a mais de 650 mil usuários registrados em todo o mundo. Este acordo, segundo a empresa, vai aumentar consideravelmente o número de usuários da plataforma de leitura.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 16/01/2015

Clube de leitura de Zuckerberg faz vendas de livro dispararem


Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook,

Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook,

Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook, traçou um plano para 2015: ler um livro a cada quinze dias e comentá-lo na rede social. Na verdade, a ideia é mais elaborada: Zuckerberg escolhe uma obra, informa o título aos participantes do clube do livro, página que ele criou [chamada A Year of Books], e duas semanas depois realiza um debate público com o autor da obra. Nesta terça-feira, ocorreu o primeiro encontro virtual, com o escritor venezuelano Moisés Naím, autor de O Fim do Poder.

Desde 3 de janeiro, o clube do livro de Zuckerberg atraiu 248.000 pessoas. De quebra, alavancou a venda de livros. Somente nos Estados Unidos, o livro de Naím vendeu mais de 20.000 cópias em dois dias, de acordo com a editora Basic Books, responsável pela publicação do título no país. Esse número é maior do que toda a venda registrada pelo livro desde sua primeira impressão, em março de 2013.

A ação também repercutiu no Brasil. Publicado pela Editora Leya, o livro se tornou um dos mais vendidos na Amazon.com.br e já esgotou em livrarias como a Saraiva. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a editora pretende reimprimir a obra com um selo que remeterá à indicação literária do fundador de Facebook.

Outro efeito do clube do livro foi aumentar a fama virtual de Naím, que ganhou mais de mil novos fãs no Facebook. Seu perfil no Twitter aponta a realização de entrevistas para publicações americanas, inglesas e colombianas nos últimos dias.

Economista e escritor de assuntos políticos, Naím aborda no livro a fragmentação do poder: nos dias de hoje, afirma, as grandes corporações e governos estão perdendo espaço para organizações menores. A maioria das perguntas ao autor foi feita pelos fãs da página A Year of Books.

Zuckerberg, dono do espaço, fez apenas uma pergunta e aproveitou para agradecer o autor. “Obrigado por participar dessa conversa“, escreveu. “Realmente gostei de ler seu livro. Foi um belo jeito de começar meu ano!” O escritor, é claro, concorda.

Veja.com | 13/01/2015

Pra começar


Milhões de livros vendidos e poucas pessoas na sessão de autógrafos, incluindo parentes e funcionários [constrangidos] da editora. No estande ao lado, centenas de jovens e adolescentes disputam um clique para eternizar o encontro com a nova sensação das letras. Desconhecido até pouco tempo atrás, vende mais livros em um mês do que muitos “imortais” em vários anos.

A cena ocorrida num evento recente ilustra que o segmento literário mudou. Quem vai colar os caquinhos do velho mundo? Não podemos controlar as mudanças, mas temos a chance de decidir qual será a nossa reação a elas. Amar os livros pressupõe um apetite insaciável por conhecimento e refletir sobre as transformações deve sempre fazer parte do cardápio.

Somos o povo que passa mais tempo online nas redes sociais. 69% dos brasileiros concordam que a publicidade online os motivou a procurar informação extra sobre o produto/marca oferecido. Projeção da PricewaterhouseCoopers aponta que em 2018 o lucro das editoras com livros digitais será superior ao da venda de livros impressos. O faturamento do e-commerce no Brasil deve crescer 20% neste ano, atingindo 43 bilhões de reais.

Os sinais estão por toda a parte e não podem ser ignorados. O desafio que proponho neste espaço é abrangente e vale para diversas áreas da vida, inclusive para a corporativa. Em vez de discutir ou tentar mudar as paisagens, podemos ajustar o foco. O cenário às vezes permanece inalterado, porém passamos a vislumbrar possibilidades antes escondidas.

Essa visão ampla traduz de forma quase poética o que é marketing, palavra que ainda provoca confusão e muxoxos de desprezo. “Aquele livro ruim só fez sucesso graças ao marketing.” “Se não fosse aquele marqueteiro, jamais a Sicrana teria vencido as eleições.

Em tempos de reducionismo alçado a sinônimo de erudição nas redes sociais, é preciso lembrar: marketing não é sinônimo de propaganda enganosa e usa a verdade como um de seus principais ingredientes. Não confundam Joseph Goebbels com Philip Kotler. #pfvr

Sob o gigante guarda-chuva do marketing digital, vamos conversar sobre Facebook, Twitter, Instagram e blogs literários, entre outros temas. Numa seara em que as verdades podem durar apenas algumas horas, o único requisito para o papo é a disposição de refletir. Como diz o adágio, “toda banda larga é inútil, se a mente for estreita”.

“Se tudo caiu, que tudo caia, pois tudo raia. E o mundo pode ser seu” – Marina Lima

Publicado originalmente em Publishnews | 09/01/2015

Apaixonado por livros e por Internet, Sérgio Pavarini atua na área editorial há mais de 15 anos. Jornalista e blogueiro, foi editor e gerente de marketing antes de abrir sua agência especializada em digital.
A Internet é sinônimo de transformação permanente. Este espaço aborda todos os meses temas como redes sociais, blogs literários e tudo relacionado ao admirável mundo novo digital e como eles podem influenciar na indústria do livro. A partir da sua experiência profissional, Sérgio Pavarini vai dar toques, dicas e contar histórias que vão enriquecer o repertório de quem lida com o marketing digital nas editoras ou livrarias.

Zuckerberg se impôs o desafio de ler 2 livros por mês


Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook

Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook

São Paulo | Como qualquer outro mortal, Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, adora fazer resoluções de Ano Novo.

A cada mudança no calendário, ele gosta de lançar desafios para si próprio. Em 2011, declarou à revista Fortune que comeria apenas a carne de animais que ele próprio matou. Em 2013, ele se propôs a conhecer uma pessoa nova por dia.

Desta vez, a resolução de Zuckerberg é se tornar um leitor voraz e até criar uma espécie de “clube do livro” na rede social que fundou. A decisão surgiu depois de uma consulta – via Facebook, claro – sobre qual deveria ser o seu próximo desafio.

Em seu perfil no site, ele disse que pretende ler um livro a cada duas semanas durante os próximos 365 dias. O primeiro será “The end of power”, de Moisés Naím.

Para incrementar o desafio literário, ele se comprometeu a compartilhar cada novo título que cai em suas mãos, além de convidar outros leitores para participarem da conversa sobre a obra na página “A Year of Books”.

Veja a seguir a publicação de Zuckerberg em seu perfil no Facebook:

“Meu desafio para 2015 é ler um livro novo a cada duas semanas – com ênfase em aprender sobre diferentes culturas, credos, histórias e tecnologias.

Obrigado a todas as 50 mil pessoas na nossa comunidade que me deram sugestões para desafios diferentes.

Muitos de vocês propuseram desafios ligados à leitura. Cynthia Greco sugeriu que eu lesse um livro por mês que outra pessoa escolhesse – e conseguiu 1.900 “likes” em sua sugestão. Rachel Brown, Bill Munns, Marlo Kanipe e outros sugeriram que eu lesse a Bíblia. Meu amigo e colega Amin Zoufonoun sugeriu que eu lesse e aprendesse tudo o que pudesse sobre um novo país toda semana.

Eu estou entusiasmado com o meu desafio de leitura. Descobri que ler livros é muito satisfatório intelectualmente. Livros permitem que você explore completamente um assunto e mergulhe de uma forma mais profunda do que outras mídias de hoje. Estou ansioso para levar a minha “dieta de mídia” mais na direção dos livros.

Se você quer participar do meu desafio e ler os mesmos livros que eu leio, eu criei uma página, chamada “A Year of Books”, onde eu vou publicar o que estou lendo. Por favor participe das discussões apenas se você realmente leu os livros e tem observações relevantes para acrescentar. O grupo será moderado para manter o foco.

Nosso primeiro livro do ano será “The End of Power”, de Moisés Naím. É um livro que explora como o mundo está mudando para dar aos indivíduos mais poder, que tradicionalmente era detido apenas por grandes governos, forças militares e outras organizações. Eu acredito profundamente na tendência em direção a dar mais poder para as pessoas, e estou ansioso para ler esse livro e explorar isso com mais detalhes.

Gostei muito de todas as suas outras sugestões para outros possíveis desafios. Muitos de vocês sugeriram que eu desse dinheiro para ajudar pessoas com necessidades – e Priscilla e eu queremos totalmente continuar a fazer isso pelo nosso trabalho filantrópico. Nós teremos mais a discutir sobre isso em breve. Alguns de vocês sugeriram que eu conhecesse uma pessoa nova por dia. Isso foi na verdade o meu desafio para 2013. Outros sugeriram que eu desse aulas. Eu já fiz isso também, e adoraria fazer novamente e me envolver mais com educação no ano que vem.

Obrigado novamente por todas as sugestões, e estou ansioso para um ano de livros!”

Publicado originalmente em Exame.com | 04/01/2015

Site “Le Livros” está ameaçado de sair do ar


São 3 mil títulos, entre lançamentos e best-sellers; associação que representa editores ainda investiga os responsáveis pelo projeto

No ar há quase dois anos, o site Le Livros construiu um acervo de mais de três mil obras [o último de Chico Buarque já está lá], atraiu 402 mil seguidores no Facebook e, mais incrível, manteve-se fora do radar das editoras e da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. Os livros oferecidos lá gratuitamente são protegidos pela Lei de Direitos Autorais e envolveram diversos profissionais em sua produção. A questão é polêmica. Trata-se de pirataria ou de democratização do acesso à cultura?

Acreditamos que o conhecimento deva ser livre, que todos necessitam ter acesso à cultura. E que se o sistema e os governantes fazem nada ou muito pouco, nós o faremos, é nosso dever ajudar as pessoas”, disse um dos representantes do grupo, por e-mail, ao Estado. Mas, enquanto uma nova lei de direitos autorais ainda é discutida, o argumento não convence juízes. Agora mesmo, a ABDR ganhou uma ação contra uma pessoa que oferecia três obras acadêmicas para download. A indenização, pela lei, seria no valor de 3 mil exemplares de cada obra. Mas foi fixada em 100 exemplares porque não houve venda.

Lançamentos, como "O Irmão Alemão", de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Lançamentos, como “O Irmão Alemão”, de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Entre janeiro e setembro, foram excluídos 92.847 links desse tipo. Só não é possível saber a quantidade de downloads. As editoras mais pirateadas são acadêmicas e a Record encabeça a lista das de interesse geral. As denúncias chegam a partir de autores e editoras. A ABDR, a quem as editoras delegam a questão, ainda briga na Justiça com o site Livros de Humanas, que foi muito popular e está fora do ar. E há dois meses ela mira no Le Livros, embora não saiba, ainda, a identidade dos responsáveis. Segundo o advogado da entidade, Dalton Morato, um mês depois de conseguir a informação, ele terá uma liminar para retirar o site do ar. “Não há dúvidas de que ele viola a lei de direitos autorais. Ele não cobra pelo conteúdo, mas aceita publicidade”, comentou.

O Le Livros sabe que está em perigo. “Quem luta por uma revolução sabe que cedo ou tarde cairá, mas que sua morte não será em vão, pelo contrário! Servirá para conscientizar milhares e posteriormente estes entrarão na luta e um dia a sede de conhecimento vencerá a ganância por dinheiro”, escreveram também no e-mail.

O site faz frequentemente vaquinhas online para pagar a hospedagem e comprar títulos. Aos usuários, pedem que doem os e-books comprados e o único vídeo no canal deles no YouTube ensina a tirar a proteção dos e-books da Amazon – ao que a gigante americana respondeu: “Respeitamos direitos autorais e esperamos que os consumidores também os respeitem. A política de nossa empresa é tentar prevenir a pirataria, oferecendo uma alternativa legal de baixo custo”.

Um dos argumentos de quem adere à prática é que o produto é caro, e o escritor Carlos Henrique Schroeder concorda. “Como autor, acho que o meio termo é o melhor caminho, e que a pirataria é um aviso válido: ou as editoras baixam o preço dos livros ou ela só vai crescer.

Se as bibliotecas já tivessem encontrado um bom modelo de empréstimo de livro digital, é possível que esse tipo de site não tivesse mais função. Eduardo Spohr, um dos best-sellers do Grupo Record e cujos títulos estão no Le Livros, vê o compartilhamento do arquivo como um empréstimo de volume físico. No entanto, faz um alerta aos leitores – não falando exatamente sobre o novo portal, que conheceu pela reportagem: “É preciso tomar cuidado com sites hipócritas que usam a imagem de que estão fazendo um favor e democratizando a cultura, mas quando você vê eles têm fins lucrativos. O leitor é manipulado. Não paga um tostão, mas é vítima da publicidade. Não é pela grana, é pela justiça”.

Sobre baixar livros de modos alternativos, a escritora Luisa Geisler conta: “Se a ideia é matar a curiosidade de algo que todo mundo anda falando, faço isso do mesmo jeito como pegaria emprestado. Me sinto bastante culpada, se gosto do livro, compro pelo menos o e-book. E, se gosto muito do e-book, compro o livro em papel, porque nada compensa o livro na estante”. Se suas obras dependessem só de seu trabalho – e porque não se vive de direitos autorais – ela não veria problema em encontrá-los em sites como esse, mas não acha justo com a editora e as pessoas envolvidas, afinal, o livro é um produto comercial.

Cristiane Costa analisa a questão com suas três experiências. Como professora e ex-aluna de universidade pública, ela vê que os estudantes teriam uma bibliografia mais limitada se ficassem restritos às bibliotecas tradicionais. “Sempre que consigo um download gratuito de um livro importante, disponibilizo no grupo fechado no Facebook”, disse.

Como ex-editora, diz que se menos pessoas compram obras acadêmicas, menos obras serão publicadas. “E como autora desse tipo de livro, me pergunto: ainda vale a pena tentar a publicação em papel ou por uma editora de e-book? Depois do Google Acadêmico, a pior coisa que pode acontecer para um pesquisador é ter seu trabalho enterrado numa publicação em papel ou fechada em DRM e que não será encontrada em livraria nenhuma. Nesse sentido, ter seu conteúdo aberto significa mais chances de outras pessoas saberem que sua pesquisa existe.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 2/12/2014, às 18h56

Livros publicados em rede social ganham páginas impressas


Autores revelados pelo Wattpad, rede social literária, atraem a atenção de editoras brasileiras

Nomes como Anna Todd, de ‘After’, chegam às livrarias do país após alcançarem até um bilhão de visualizações

RIO | Anna Todd era uma pós-adolescente recém-casada, que não sabia bem o que queria da vida. Ávida leitora, a americana descobriu numa rede social gratuita com foco em celulares e tablets a solução para o tédio atrás do balcão da loja em que trabalhava. Com o Wattpad, pegou gosto pelas histórias escritas pelos próprios usuários, publicadas em pequenos capítulos, geralmente semanais, formatadas para serem lidas em pequenas telas. Um belo dia, começou ela mesma a escrever e dali saiu uma fan fiction cujos personagens eram os integrantes da boy band One Direction transportados para uma universidade, com um leve toque erótico, formatado para adolescentes. De repente, boom. “After”, sua primeira trilogia, teve mais de um bilhão de visualizações e seis milhões de comentários no aplicativo, arrebanhando uma legião de fãs [outra de detratores] e, claro, chamando a atenção de grandes editoras do mundo todo e dos estúdios de cinema — a trama será adaptada pela Paramount.

No Brasil, “After” acaba de sair assim, com o título em inglês mesmo [a pedido das fãs de Anna], pelo selo Paralela, da Companhia das Letras. Chega às livrarias com 50 mil cópias, tiragem de best-seller, e a marca do Wattpad na capa. A versão impressa foi revisada, reformatada e ganhou trechos exclusivos, que apimentam a relação do protagonista [no papel, ele deixou de ser uma ficcionalização do cantor Harry Styles, rebatizado de Hardin Scott, como será no filme]. A segunda parte será lançada em janeiro, a terceira em fevereiro e a quarta em março, seguindo a estratégia do mercado internacional.

A americana Anna Todd, autora de 'After' | Foto: Divulgação

A americana Anna Todd, autora de ‘After’ | Foto: Divulgação

Mercado esse que está atento para absorver outros talentos surgidos na plataforma. A galesa Beth Reekles, que publicou “The kissing booth” na rede social quando tinha apenas 15 anos, entrou na lista de adolescentes mais influentes de 2013 da “Time”. Por aqui, já foram lançadas a paulistana Lilian Carmine [“Lost boys”, Leya], a sul-mato-grossense Camila Moreira [“O amor não tem leis”, Objetiva] e a americana Laurelin Paige [“Por você”, Rocco]. Em 2015, é a vez da carioca Nana Pauvolih [“A redenção do cafajeste”, Rocco], em fevereiro; da pernambucana Mila Wander [“O safado do 105”, Planeta], em março; e do inglês Taran Matharu [“The summoner”, ainda sem título em português, Galera Record], em maio. Os gêneros vão da ficção adolescente à ficção erótica, passando pela fantasia.

— Comecei a escrever fan fiction porque amava ler isso. Ser escritora era um sonho que eu nem sabia que tinha até começar. Quando publiquei o primeiro capítulo, nem fazia ideia de que alguém iria lê-lo, muito menos esperar que a coisa toda ficaria tão grande — conta Anna Todd, hoje com 25 anos, que escreveu “After” pelo diminuto teclado do celular pela facilidade de poder fazê-lo em qualquer lugar, e chegou às editoras tradicionais graças à equipe do Wattpad, que funcionou como um agente literário. — Quando vi as contas falsas nas redes sociais se comunicando como se fossem os personagens do livro pensei: “uau, os fãs realmente amam esses caras!”.

VERSÃO “BAUNILHA” DE “50 TONS”

A devoção dos fãs é fator essencial nessa onda. Graças ao empenho dos leitores em acompanhar as histórias, comentando e sugerindo modificações, os autores do Wattpad acabam ganhando edição gratuita, feita pelo principal alvo da indústria de best-sellers. A participação, por sua vez, faz com que os leitores se sintam responsáveis por aquela obra.

— De certa forma, estou surpresa por ver tantos fãs comprando um livro que já leram, mas eles sempre foram tão apaixonados pela história que me parece que querem ter uma peça sólida para poder pegar com as mãos — justifica Anna, que recebe, diariamente, uma enxurrada de vídeos e fotos dos fãs posando com o livro, uma versão “baunilha” de “50 tons de cinza”, como a própria autora define.

O escritor inglês Taran Matharu, autor de 'The summoner' | Foto: Divulgação

O escritor inglês Taran Matharu, autor de ‘The summoner’ | Foto: Divulgação

Acessível a qualquer pessoa com um computador [ou smartphone, ou tablet…] com conexão com a internet, o Wattpad é uma rede social como qualquer outra, reunindo autores com trajetórias diversas. Um dos mais aclamados é o inglês Taran Matharu, filho de um indiano e de uma brasileira. Bem diferente de Anna, que caiu nessa de paraquedas, o jovem de 23 anos sempre escreveu, mas guardava suas histórias para si. Quando começou a publicar “The summoner”, saga fantástica com elementos de “Harry Potter”, “Pókemon”, “O Senhor dos Anéis” e videogames como “Skyrim”, prometeu publicar um capítulo por dia e, no fim de um mês, já tinha cem mil leitores. No único dia em que resolveu tirar folga [era seu aniversário], levou bronca dos fãs. Isso o encorajou a dar passos maiores. Na época, Matharu estagiava no departamento de vendas digitais da Penguin Random House, uma das principais editoras do mundo.

— Perguntei para o meu então chefe quem eram os melhores agentes do Reino Unido. Mandei mensagem para seis deles pelo Facebook mostrando meus números no Wattpad e três horas depois um deles me ofereceu representação. O livro nem estava pronto quando fechamos o contrato — conta Matharu, arranhando o português, e frisando que, apesar da boa relação que mantém com o Wattpad, o aplicativo não intermediou sua publicação por editoras tradicionais. — Minha primeira oferta veio do Brasil, e meu livro foi para leilão em Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, além de ser vendido na Espanha, na França e na Polônia. Até agora, foram mais de cinco milhões de visualizações.

Para agradecer aos leitores pelo apoio, Matharu está publicando no Wattpad um adendo à sua trilogia, contando a história anterior à de seu primeiro livro.

A carioca Nana Pauvolih escrevia há 25 anos, mas só começou a tornar suas histórias públicas há três, quando ficou viciada em autopublicação. Professora de História e Filosofia, chegou a reduzir sua carga horária para se dedicar à escrita, publicando sua literatura erótica em blogs e grupos do Facebook.

CONEXÕES E CONCURSO

Nana começou a tirar uns trocados com a venda de e-books na Amazon, e chegou ao Wattpad em busca de mais visibilidade.

— No começo, não entendia os métodos de divulgação, mas a própria comunidade me ensinou as técnicas. Em menos de um mês, tive 700 mil acessos — explica Nana, que costuma remover os capítulos do Wattpad depois de um tempo para estimular a venda dos e-books. Mesmo assim, a série “Redenção” teve mais de um milhão de acessos na plataforma, e o terceiro livro ainda está na metade. Atualmente, ela está licenciada do magistério e se dedica apenas a escrever.

Para Allen Lau, CEO do Wattpad, o alcance dos autores em outras mídias é benéfico para todos, inclusive para a rede.

— O Wattpad nasceu como um meio de dar às pessoas a chance de ler em qualquer lugar, bem como de permitir com que qualquer um compartilhasse conteúdo original. É um espaço em que escritores podem se expressar, testar ideias e se conectar com outros escritores e leitores — explica Lau. — Estamos orgulhosos de ter wattpadders reconhecidos dentro e fora da plataforma. Temos projetos que ajudam editores a conectar seus autores aos fãs, além de descobrir novos autores como o concurso que fizemos com a [editora] Harlequin, “So you think you can write” [“então você acha que pode escrever”, paródia de um reality show popular no Reino Unido].

Por Liv Brandão | Publicado originalmente em O Globo | 02/12/2014, às 10:44 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Dupla usa o Instagram para fazer resenha de livros


‘Livrogram’, criado pelas amigas Denise Schnyder e Livia Piccolo, ganha cada vez mais fãs

Foto do Livrogram - Reprodução | Denise Schnyder

Foto do Livrogram – Reprodução | Denise Schnyder

RIO | Foi-se o tempo em que falar de literatura para o grande público era tarefa restrita a intelectuais. A produção de conteúdo para a internet só cresce e, na mesma onda, novos projetos literários em plataformas e redes sociais ganham cada vez mais seguidores.

Criado pelas amigas Denise Schnyder, 25 anos, e Livia Piccolo, 29, o Livrogram é um desses canais que vêm ganhando fãs na rede. Formadas em Artes Cênicas, as duas se conheceram trabalhando em um projeto e hoje, além de participarem do mesmo coletivo de teatro, compartilham o amor pela literatura com mais de 6 mil seguidores.

Tudo começou no fim de 2013, quando Denise leu um livro que adorou e resolveu postar no Instagram uma foto da capa acompanhada de pequena resenha para os amigos. Todo mundo curtiu a ideia e ela resolveu que faria todas as resenhas de livros que mereciam ser lidos pelas pessoas próximas. O perfil foi crescendo e muita gente começou a curtir, comentar e indicar leituras.

— Uma dessas pessoas era a Livia. Ela fazia comentários excelentes que me deixavam pensando por dias e tinha um gosto muito parecido com o meu — conta Denise, que fez uma página também no Facebook.

A paixão pelos livros veio cedo para as duas. Denise era disputada pelos amigos da escola para ler livros pelo telefone [para a desgraça de seu pai, que nunca entendia o motivo de a conta vir sempre tão alta], já Livia caiu de amores pela literatura na adolescência.

— Comecei a enxergar os livros como interlocutores poderosos. Neles eu passei a encontrar ideias e situações que eu não encontrava na vida, e isso começou a me instigar imensamente — conta Livia.

Com textos curtos postados semanalmente, a dupla fala sobre livros de forma leve, passando pelos mais variados títulos sem distinção de gênero.

MANEIRAS DE VIVER OS LIVROS

O objetivo é indicar literatura com foco em editoras e selos pequenos, atraindo jovens leitores interessados em ampliar seus universos de leitura.

— A vida é corrida demais e ler é uma atividade que parece não se encaixar nos dias de hoje, mas existem milhares de maneiras de viver a literatura — explica Denise.

O passo seguinte foi se juntarem a Diogo de Nazaré, namorado da Livia, para produzir vídeos para o YouTube no canal Livrogram, com entrevistas, leituras e cobertura de eventos independentes de literatura.

Por Carol Luck | Publicado originalmente em O Globo Online | 28/11/2014, às 6:00 | Carol Luck escreve na página Transcultura, publicada às sextas-feiras no Segundo Caderno.

As implicações da passagem do computador de sua mesa para seu bolso


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Benedict Evans da Andreessen/Horowitz [um indispensável observador da mudança digital na mídia, e analista que explica a Amazon melhor do que qualquer outro que eu conheço] fez uma apresentação chamada “O Celular está Comendo o Mundo”. Ele esclarece o fato de que todo mundo vai ter smartphones com conectividade em pouco tempo. Um slide [o slide número 6] na apresentação dizia que no final de 2017 — daqui a pouco mais de três anos — pouco menos de 30% das pessoas no planeta não vão ter um smartphone. Isso significa que 95% dos conhecidos de pelo menos 95% das pessoas que estão lendo este post vão ter um. Outro slide [o de número 28] diz que já estamos no momento em que, durante a vasta maioria das horas que uma pessoa está acordada, elas dedicarão entre 40% e 70% deste tempo a atividades de mídia ou comunicação.

Evans e outros analistas estão sugerindo que estas mudanças vão refazer o uso de websites e apps e nos tornar mais confiantes em “cards”, objetos digitais agnósticos em relação a sistemas e aparelhos que podem fornecer tanto informações quanto a capacidade de agir sobre ela. Vemos o começo disso agora nos negócios de livros com o Aerbook de Ron Martinez, que coloca “conteúdo no fluxo social” e Citia de Linda Holliday, que se afastou dos aplicativos estilo card voltado à indústria do livro para servir a indústria da publicidade.

Acho que seria interessante que as editoras de livros focassem nas oportunidades de marketing e consumo que estas mudanças permitem [ou exigem] em vez de permitir que esta mudança tecnológica faça com que se afastem de novo, como fizeram com os enhanced e-books. O uso do celular substituindo o PC na verdade favorece a velha leitura de livros, já que o espaço limitado das telas não é um problema. Mas os processos de descoberta e os meios de compra poderiam mudar radicalmente.

Um texto muito inspirador que li [mas não consigo encontrar mais] sugeria que tudo isso significa uma forte redução do uso do e-mail, algo que Evans confirma em uma tabela mostrando que crianças entre 12-15 anos [no Reino Unido], não usam muito. Elas mudaram para redes sociais como Facebook e Twitter como canais de comunicação. Elas nem mesmo falam no celular. Há uma nova categoria de “mídia efêmera”; ela faz o que tem que fazer e depois a comunicação desaparece. Claro, não sabemos realmente como será o comportamento comunicativo daqui a 20 ou 30 anos de alguém que hoje está com 12-15, e o e-mail ainda é muito importante para o marketing. Enquanto isso, continuam as tentativas de melhorar o e-mail, incluindo a mais recente do Google.

Há duas grandes mudanças que são realmente obrigatórias para a migração ao celular. A grande mudança óbvia é uma redução no espaço de tela em um celular, em comparação com um PC. A menos óbvia, mas que ameaça o uso do e-mail, é a perda dos teclados com muitas funções e grande tamanho. Estas duas grandes mudanças não foram citadas especificamente nas apresentações que vi sobre isso, incluindo a de Evans.

A mudança na tela poderia terminar sendo a de menor problema. Como o crescimento nos celulares é real, também é a ubiquidade de telas de muitos tamanhos em muitos lugares. A tecnologia para permitir que algo enviado de um celular seja “jogado” em outra tela é bastante trivial – o bluetooth já existe e outras coisas novas, como Chromecast, que permite a reprodução da tela de um aparelho com Internet em uma TV, estão sempre chegando. Não é difícil imaginar que telas maiores estarão disponíveis para celulares que poderão informar sobre quase tudo. E apesar de que sempre haverá uma tendência natural a preferir ver no aparelho que você segura na mão e com o qual controla toda sua navegação [uma grande vantagem para livros], se uma tela maior for necessária, sempre haverá uma disponível quando você precisar.

Mas o problema do teclado pode ser mais complicado. Teclados portáteis e dobráveis já foram desenvolvidos, e já são usados para transformar tablets em laptops. Se serão tão populares ou tão facilmente compatíveis quanto as telas é algo duvidoso. Eles não funcionaram para Palm Pilots e ainda estamos esperando para ver se seu uso vai ficar popular no Microsoft Surface.

O que atenua a perda dos teclados é o aumento do uso de ditado por voz para substituir a digitação. Sempre que clico no meu app Google no iPhone, ele me convida a simplesmente falar o que eu quero. Claro, transcrever textos ditados introduz novas possibilidades de erro. Mesmo assim, teclados ineficientes poderiam não ser tão ruins para escrever e-mails para uma parte substancial da população que não tem entre 12-15 anos, e que ainda estará usando este meio de comunicação por décadas, como os atuais hábitos dos usuários do século XXI parecem sugerir.

Você pode, claro, simplesmente falar com Siri [ou Google] em voz alta qual é o best-seller do NY Times que quer e pedir para navegar até um site onde pode baixar uma amostra ou comprar, e chegará lá.

Existe ainda mais motivos para acreditar que websites vão continuar mesmo se os cards se tornarem mais populares. Com a atomização da criação de conteúdo [cada vez mais criadores de conteúdo, alguns deles podem ser bem pequenos], entender a “autoridade” deles será cada vez mais importante. Por enquanto, Google é a empresa que mais dependemos para abordar este desafio [outras que tentaram incluem Bong, Wolphram, Alpha, Duck Duck Go] e sites são uma ferramenta fabulosa para o Google entender quem é alguém e se eles sabem de onde falam ou escrevem.

Este exame de autoridade provavelmente será cada vez mais importante e percebido desta forma pelos consumidores de conteúdo. [Na verdade, isto está acontecendo agora, apesar de que a maioria dos consumidores não perceba que está acontecendo.] Se isso for verdade, websites oficiais e úteis [ou meios equivalentes, que são proprietários ou editáveis, para consolidar informação ao redor de uma pessoa que procura uma audiência – como Wikipedia, Google+, Amazon Author Central, e outras páginas autênticas] podem continuar a ser importantes para o Google e, portanto, para todos nós.

O que é certo é que no mundo desenvolvido quase todo mundo vai ter um computador em suas mãos o tempo todo que poderá acessar quase tudo na web ou em qualquer app. [Isso já é, em grande parte, verdadeiro, mesmo que seja pouco usado ou subestimado.] Estamos nos sentindo cada vez mais confortáveis usando o celular livremente, sem estarmos presos a horários e lugares. Também podemos estar livres da ignorância a maior parte do tempo, se quisermos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 12/11/2014 | Tradução Marcelo Barbão

[Mike Shatzkin é presidente da conferência DBW – Digital Book World, marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York [EUA]. O PublishNews é media sponsor do evento e os seus assinantes têm desconto especial na inscrição. Para garantir o direito ao desconto, basta informar o código PNDBW15 no ato da inscrição].

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

O livro mais marcante para os brasileiros no Facebook


Títulos da saga bateram o bestseller ‘A Culpa é das Estrelas’ e a ‘Bíblia’.Nos EUA, ‘O Alquimista’ está no top 20 dos livros mais marcantes.

Livro 'Harry Potter e o Cálice de Fogo', de J.K. Rowling

Livro ‘Harry Potter e o Cálice de Fogo’, de J.K. Rowling

Os títulos da saga “Harry Potter”, de J.K. Rowling, lideram a lista de livros que mais marcaram os usuários brasileiros do Facebook, após deixar o best-seller “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, para trás.

A lista foi elaborada pela rede social após uma brincadeira circular no site. Um usuário desafiava um amigo a enumerar dez livros que o marcaram. Há um mês, o Facebook compilou as sugestões feitas em inglês e elaborou uma lista dominada por atualizações feitas por norte-americanos em inglês.

Os títulos da série “Harry Potter” também foram os mais citados. No top 20, o único brasileiro a aparecer é “O Alquimista”, de Paulo Coelho, que ocupa a 20ª posição.

Conforme o desafio se espalhou pela rede, o Facebook avaliou as menções feitas em outras línguas, como o português, italiano, espanhol e francês.

De acordo com a empresa, o levantamento das citações de livros foi feito por meio de uma técnica de agrupamento de dados anônimos. Essas informações foram analisadas para que trechos comuns de textos que pudessem designar livros fossem identificados.

No Brasil, a idade média dos participantes do desafio era de 28 anos e 72% dos usuários que caíram na brincadeira eram mulheres.

1 – Harry Potter – J.K. Rowling
2 – A Culpa é das Estrelas – John Green
3 – O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
4 – A menina que roubava livros – Markus Zusak
5 – A Cabana – William P. Young
6 – Caçador de Pipas – Khaled Hosseini
7 – Jogos Vorazes – Suzanne Collins
8 – A Seleção – Kiera Cass
9 – Coração de Tinta – Cornelia Funke
10 – Bíblia

Veja a versão lista dos livros que mais marcaram usuários dos EUA e Reino Unido:

1 – Série “Harry Potter” – J.K. Rowling
2 – O Sol É Para Todos – Harper Lee
3 – O Senhor dos Anéis – JRR Tolkien
4 – O Hobbit – JRR Tolkien
5 – Orgulho e Preconceito – Jane Austen
6 – Bíblia
7 – Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams
8 – Trilogia Jogos Vorazes – Suzanne Collins
9 – O Apanhador no Campo de Centeio – J.D. Salinger
10 – As Crônicas de Nárnia – C.S. Lewis
11 – O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
12 – 1984 – George Orwell
13 – Mulherzinhas – Louisa May Alcott
14 – Jane Eyre – Charlotte Bronte
15 – A Dança da Morte – Stephen King
16 – E o Vento Levou – Margaret Mitchell
17 – Uma Dobra no Tempo – Madeleine L’Engle
18 – O Conto da Aia – Margaret Atwood
19 – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa – C.S. Lewis
20 – O Alquimista – Paulo Coelho

Publicado originalmente em Portal G1 | 16/10/2014

Amazon brasileira tenta popularizar loja de apps


Mais conhecida pela venda de livros, empresa faz promoção que oferece de graça títulos que normalmente são pagos

SÃO PAULO | Apesar de mais conhecida por seu negócio de venda de livros, a Amazon no Brasil vem procurando reforçar sua presença também através de sua loja de aplicativos.

Já há um bom tempo, a Amazon App Store oferece todos os dias um aplicativo pago de graça, através do programa App Grátis do Dia. Como parte desta ação, a loja disponibilizará 24 apps e jogos pagos gratuitamente. Segundo a empresa, os apps e jogos somados valem mais de R$ 330. A promoção é válida de hoje até sábado.

Considerando que os aplicativos mais populares já são gratuitos [como WhatsApp e Facebook], quais seriam os benefícios da promoção para o usuário? “Os apps que estamos oferecendo são ‘premium’”, explica Milton Neto, diretor da Amazon App Store no Brasil. Entre os títulos oferecidos na promoção estão o Genius Scan+, que custa originalmente R$ 15,49, e o dicionário de língua inglesa Merriam-Webster’s Third New International, que, de acordo com a empresa, custa R$ 131,27.

A loja da Amazon distribui apenas aplicativos compatíveis com o sistema operacional Android. De acordo com a empresa, o consumidor tem como vantagem procurar títulos em sua loja em vez de ir na Play Store, do Google, porque sua curadoria seria mais rigorosa. A empresa também procura parcerias para lançar apps em primeira mão em sua loja.

Neto afirmou também que a empresa procura apoiar desenvolvedores brasileiros de aplicativos, inclusive promovendo suas criações em filiais da loja no exterior. O executivos citou como exemplo o jogo Coelhadas da Mônica, que traz a personagem de Mauricio de Sousa e que ganhou o nome de Monica’s Bunny Bashings no exterior.

Por Camilo Rocha | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 25/09/2014

Consumo da literatura é mediado pelas redes sociais


Estudo apresentado na Flip mostra que web virou ferramenta para disseminar o texto literário

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

SÃO PAULO — O consumo de literatura é cada vez mais mediado pelas redes sociais. No entanto, o impacto dessas mídias na produção, consumo, distribuição e troca de trabalhos literários ainda não foi mensurado a contento. Para Fabio Malini, coordenador do Laboratório de Pesquisador sobre Imagem e Cibercultura [Labic] da Universidade Federal do Espírito Santo, essa transformação traz novos públicos, novos espaços de circulação da literatura e novos mediadores, transformando a obra literária de diferentes escritores em discursos espalhados pela internet, fazendo de alguns autores celebridades da rede.

Para preencher em parte essa lacuna, Malini dedicou-se a observar a propagação da literatura brasileira no Twitter e no Facebook. A pesquisa, encomendada pelo Itaú Cultural, será apresentada nesta quarta na programação da instituição na Flip, e publicada na edição 17 da revista “Observatório cultural”.

O estudo mostra que a propagação de citações é o modo mais utilizado para disseminar o texto literário nas redes sociais. Na literatura contemporânea, observa-se a construção de um autor que, ao mesmo tempo, publica e constitui uma relação íntima com seus públicos na rede. E estes espalham visões críticas e afetos pelas obras que lhe interessam.

— O consumo de literatura nas redes sociais vem alterando o comportamento dos escritores. Em seus perfis, eles passaram a revelar bastidores de seu processo de produção, ao mesmo tempo em que divulgam suas obras. Especialmente os autores dedicados ao público juvenil: esses estão em constante presença nas redes, quase como personagens — explica Malini, lembrando que a escritora Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook, com mais de 300 mil fãs que interagem continuamente com sua página na rede social.

Segundo o pesquisador, Thalita faz de sua página uma espécie de diário virtual reproduzindo a própria discursividade adolescente na rede. No lugar de um narrador mais recolhido, dedicado à obra, a escritora radicaliza a linguagem do selfie, com inúmeros autorretratos. Assim, seu público pode consumir não apenas a sua literatura, mas a sua vida. É uma situação de alta visibilidade em tempo real.

Mas não é só o público juvenil que está em busca de um contato mais próximo com escritores nas redes sociais. Malini acredita que essa avidez por comunicação cria uma geração de autores mais abertos em sua subjetividade literária, motivados por um público que deseja vislumbrar uma produção até então baseada no recolhimento.

— O público não só busca maior compreensão da obra de seus autores favoritos, como também gosta de observar sua visão de mundo, suas posições políticas — observa o especialista.

Outro aspecto do consumo de literatura nas redes é a cultura de fãs de autores que já morreram, tais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Paulo Leminsky e Caio Fernando Abreu.

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Os autores mais citados pelo mundo acadêmico não são os mais populares nas redes sociais. Obras de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Mário de Andrade são menos citadas, curtidas e compartilhadas. Já as do poeta Carlos Drummond de Andrade e do escritor Machado de Assis alavancam diferentes apropriações pelos usuários. As páginas de Drummond, Caio e Clarice são as campeãs de fãs no Facebook: juntas mobilizam mais de 1 milhão de seguidores.

— Os perfis desses autores brasileiros já falecidos geralmente são administrados por literatos ou escritores. Daí a cultura do remix literário, ou seja, a liberdade que esses administradores de fan pages têm em assumir características marcantes do autor e criar suas próprias frases, numa espécie de emulação. Citações que têm algo de autoajuda quando tiradas de seu contexto fazem muito sucesso. Em alguns casos, servem como indiretas ao serem compartilhadas — detalha o acadêmico sobre o comportamento do leitor brasileiro na web.

Paulo Leminski, por exemplo, começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país, há pouco mais de um ano. Esse movimento nas redes sociais levou a antologia “Toda poesia” de Leminski a figurar diversas semanas na lista de mais vendidos.

Ecoando o desejo dos manifestantes de humanizar o espaço urbano, um poema de Leminski [“Ainda vão me matar numa rua. Quando descobrirem, principalmente, que faço parte dessa gente que pensa que a rua é a parte principal da cidade”] foi retuitado centenas de vezes. Nos dias 15 e 16 de junho de 2013, a tag #todarevoluçãocomeçacomumafaísca esteve entre as mais populares no Brasil, uma alusão à trilogia juvenil “Jogos vorazes”, outro best-seller.

A tese de que perfis de redes sociais não discutem literatura em tempo real é uma especulação simplista, acredita Malini. A rede se tornou um manancial de novos críticos, novos mediadores da literatura, por onde as obras da nova geração e dos autores “mortos” ganham vida e sobrevida.

— É impressionante o que as redes sociais têm feito pela popularização da poesia brasileira, gênero historicamente renegado. É reducionista acusar a rede de gerar um consumo fácil e rápido de literatura, assim como é simplista acreditar que só o livro oferece leitura de qualidade. As redes sociais são portas de entrada para leitores, escritores e críticos, democratizando o consumo e a produção literária — acredita Malini.

Por Márcia Abos | O Globo | 30/07/2014, às 12:08

Folhetim digital


Ricardo Lísias, a convite do SESC SP, escreve livro pelo Facebook

No começo do ano, quando os olhos de alguns brasileiros estavam voltados para o Big Brother Brasil, na França, os telespectadores ficavam sabendo de um reality show literário que prometia trancafiar em um castelo 20 escritores. Por aqui, algumas iniciativas semelhantes já começaram a aparecer. Há algumas semanas, o escritor Vinicius Campos começou a escrever o seu livro Minha vida cor-de-rosa #SQN (Rocco) ao vivo e com a participação de seus leitores. Agora, com o incentivo do SESC-SP, é a vez de Ricardo Lísias que encarou um folhetim digital publicado pela página do Facebook da unidade Ipiranga do SESC SP. O projeto, intitulado É logo ali, relembra as memórias afetivas do autor em relação ao bairro paulistano do Ipiranga. Serão quinze capítulos publicados diariamente, sempre às 20h30. É acompanhar para ver até onde vai essa história.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 27/05/2014

Grupo Amigos dos Editores Digitais no Facebook lança desafio em busca de projetos inovadores


Amigos dos Editores Digitais [AED] – grupo de discussões no Facebook que se propõe a discutir temas relacionados ao universo do livro digital – colocou na rede um desafio. Os membros do grupo foram convidados a elaborar três projetos editoriais inovadores. Para a missão, os participantes podem se engajar em grupos ou mesmo propor soluções individuais. “A gente sempre reclama que as editoras fazem mais do mesmo, que não há preocupação com inovação, que os produtos são ditados pelos editais, que lá fora tem um monte de coisas legais, pena que aqui não… O Desafio AED é uma resposta a tudo isso”, comenta Lorena Vicini, uma das organizadoras do grupo. “A ideia é funcionar como um coletivo, estimulando a produção de projetos inovadores”, explica Gabriela Dias, moderadora do grupo e colunista do PublishNews

Foram selecionados três cases: Antologia VivaSP, criado por Juliano Spyer para comemorar os 450 de São Paulo; Caindo no Brasil, com conteúdo de Caio Dib sobre práticas escolares inovadoras pelo Brasil e Cartilha digital Safernet, dedicada à segurança digital para crianças. Os participantes do desafio terão que propor soluções digitais para esses projetos que serão avaliados e receberão votos, até o dia 26 de março, de outros integrantes do AED.  Mais informações, clique aqui.

PublishNews | 21/03/2014

Memeoirs permite criar livro com todas as suas mensagens no Facebook


O Memeoirs é um serviço que transforma todas as suas mensagens privadas do Facebook em um livro. A funcionalidade já existia, mas era usada apenas para converter as conversas de e-mail em memórias literárias. Agora, usuários da rede social também podem aproveitá-lo.

Para transformar as mensagens em um livro, basta acessar a página do Memeoirs e clicar sobre a opção “Star making your book” [comece a fazer seu livro, em tradução livre]. Em seguida, o usuário deve escolher se quer usar os dados do Facebook ou de algum dos servidores de e-mail disponíveis.

É necessário permitir que o aplicativo web do serviço tenha acesso às suas informações na rede social eletrônico, no formato e-book. Na nova página que abrir, basta escolher as conversas com amigos que deseja organizar nas páginas de um livro. Depois, é possível ainda pensar em um nome, fazer o upload de uma imagem para a capa e outra para a contracapa, escrever prefácio e até mesmo agradecimentos.

Depois, o usuário pode conferir a prévia de seu livro e reviver conversas com as pessoas que foram selecionadas para a publicação. “Memeoirs faz todo o download, filtra e exibe o conteúdo. O usuário é capaz de fazer uma pré-visualização que corresponde ao livro que vai ser enviado à sua porta”, diz a Memeoirs.

Se gostar do resultado, é possível pedir para que a empresa imprima e envie o livro. O preço varia entre 40 libras e 60 libras [o mais caro para edição em capa dura]. De acordo com o site da companhia, a entrega é feita em qualquer lugar do mundo em um período máximo de 15 dias. No modo comum, custa 10 libras e via serviço expresso sai por 20 libras [e o produto chega em até cinco dias].

A ideia pode soar um pouco estranha para alguns, mas pode ser um presente interessante para dar aos amigos, familiares ou namorado[a]. Já havia disponível um serviço que permitia transformar os posts do Facebook em um livro, o Book of Fame, mas o Memeoirs é o primeiro a fazer isso com mensagens privadas.

Para conhecer o serviço, acesse o site do Memeoirs.

Techtudo | 13/03/14

Pelas redes sociais, leitores influenciam produção de livro


Público participa sugerindo títulos a serem comprados, escolhendo capas e interferindo até na agenda de lançamento

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/pelas-redes-sociais-leitores-influenciam-producao-de-livros-11143634#ixzz2pFyuonL1  © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Capas de livros Montagem sobre fotos de divulgação

RIO – O mercado editorial é como um cassino. Nele, se investe muito dinheiro em leilões acirrados para a compra de títulos, que não passam de apostas, já que ninguém sabe qual livro pode ser o próximo best-seller, e o risco de prejuízo é grande. As editoras, claro, fazem o possível para dar uma forcinha ao imponderável. E a cartada da vez é ouvir quem faz as contas fecharem: os leitores. Pelas redes sociais, as editoras brasileiras têm se dedicado a acolher sugestões, que vão dos títulos a serem publicados, passando pela agenda de lançamentos, a melhor tradução, a melhor capa e até estratégia de divulgação, entre outras etapas do processo editorial.

Pela idade dos leitores, esse tipo de iniciativa se concentra, sobretudo, nas obras infantojuvenis e “young adult” [jovens adultos]. Segmento que está entre os maiores fenômenos de venda no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia, segundo números da GfK, multinacional que pesquisa o mercado livreiro no país, o setor foi o que mais cresceu do ano passado para cá, com um aumento de 24% nas vendas em livrarias. Não à toa, todas as grandes editoras do país têm selos voltados para o gênero.

“O livro é lançado com mais respaldo”

Em um mercado tão disputado, uma das vantagens da interação com os leitores é criar um filtro a mais. Todo grande grupo editorial contrata “scouts”, olheiros bem informados sobre as novidades internacionais, que sugerem a compra de títulos, muitas vezes superdisputados em leilões. A competição é tanta que, em alguns casos, os direitos são comprados antes mesmo de o livro ser escrito pelo autor. Mas nem tudo cai na rede do “scout”. E é aí que entram as sugestões do público.

— Os leitores estão concentrados no que está sendo lançado agora [no exterior]. É bom lembrar que os scouts trabalham com material inédito e muitas vezes sigiloso. Acho que os papéis dos dois se complementam. É ótimo receber uma dica que dá certo — diz Ana Lima, editora do selo Galera, da Record. — E é melhor tomar decisões assim. O livro é lançado com mais respaldo, fica mais interessante para as livrarias, e muitas vezes a expectativa impulsiona a pré-venda.

Diferentemente de outros editores, Ana costuma, ela mesma, trocar mensagens com leitores, não só pela página da Record no Facebook, mas também em seu perfil pessoal. Ana já até conhece alguns pelo nome, de tantos recados que recebe. Foram dicas recebidas assim que levaram a Record a publicar “Mass Effect — Revelação”, do canadense Drew Karpyshyn, baseado no game de mesmo nome.

Diante do novo cenário, há quem priorize a escalação de editores com presença já forte nas redes sociais. A Casa da Palavra, por exemplo, acaba de contratar o escritor Affonso Solano para ser curador do selo Fantasy, na vaga aberta com a ida de Raphael Draccon para a Rocco. Solano, que tem mais de 30 mil seguidores no Twitter, é o criador do podcast “Matando robôs gigantes”, no site Jovem Nerd. E já está pensando em usar a web a seu favor.

— Vamos fazer um concurso pela internet para escolher um novo autor de fantasia. A editora estava com muitos originais recebidos, e essa interação será um jeito de resolver isso — conta ele.

Há casos em que a pressão dos leitores pesa mais até do que as vendas. No ano passado, por exemplo, a Sextante havia lançado “Como se livrar de um vampiro apaixonado”, da americana Beth Fantaskey. As vendas não haviam sido muito expressivas, lembra Mariana de Souza Lima, editora do selo Arqueiro, mas a reação dos leitores foi tão boa que a empresa resolveu publicar a sequência.

— Aprendemos muito com o Paulo Coelho [autor da Sextante], que tem uma presença muito forte nas redes sociais. Trata-se de um filtro superespecializado, porque falamos com pessoas que também vão comprar o livro — diz Mariana.

A Sextante mantém um grupo no Facebook chamado “Romances de época”, que reúne fãs do gênero histórico, normalmente mulheres. Recentemente, recebeu blogueiras na editora, com sugestões de dez autoras para serem publicadas. Sem revelar nomes, Mariana afirma que decidiu comprar duas.

— É um mercado que cresceu tanto, que é difícil para um scout mapear tudo. Tem muita coisa que escapa. Também porque os scouts estão focados nos lançamentos mais disputados. Mas há séries que não têm tantos holofotes. São leitores especializados, têm um olhar muito valioso. E trazem opiniões sempre fortes e bem fundamentadas — diz Julia Moritz Schwarcz, publisher do selo Seguinte, da Companhia das Letras.

Julia lembra que, com o olhar dos leitores de hoje, dificilmente a Companhia das Letras teria perdido a chance de publicar Harry Potter no fim dos anos 1990. Em um caso já folclórico do mercado editorial brasileiro, a editora rejeitou o original, depois de receber um parecer negativo — e o sucesso de vendas caiu nas mãos da Rocco. Hoje, diz a publisher, os pareceres do selo Seguinte são encomendados a leitores da faixa etária do livro em questão.

Tradução por e-mail

Julia destaca ainda que a influência das redes sociais chega mesmo à produção gráfica. Como se trata de um público que gosta de colecionar, às vezes os leitores sugerem até o formato. Foi o caso dos romances da série “Bloodlines”, que surgiu a partir de “Academia de vampiros”. Os leitores pediram que os novos livros tivessem 23cm x 16cm, para “ficarem bonitos” na estante. No segmento de infantojuvenis, também já é comum a escolha da capa passar pelo crivo do público. A Rocco, por exemplo, lançou “O chamado do cuco”, da inglesa J. K. Rowling com a mesma capa da edição britânica, a pedidos.

Danielle Machado, editora da Intrínseca, lembra até que já recebeu e-mail com uma tradução prontinha de um livro inteiro. E conta que há casos em que a agenda de lançamentos também é influenciada por pedidos. Com o livro “A casa de Hades”, do americano Rick Riordan [o sexto mais vendido de 2013 entre os infantojuvenis, segundo o portal de notícias do setor Publishnews], a Intrínseca precisou correr para lançar o romance ao mesmo tempo que nos Estados Unidos.

— É uma coisa que eles sempre pedem. É difícil, porque precisamos receber os originais bem antes. Mas a força dos fãs até nos ajuda a negociar esse tipo de acordo com os agentes — diz Danielle.

Por Maurício Meirelles | Publicado originalmente em O Globo | 24/12/2013 | © 1996 – 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Marketing digital para editoras


PublishNews estreia novo ciclo de cursos sobre mercado editorial

Novos tempos exigem novas ferramentas e novos conhecimentos, principalmente quando o assunto é mercado digital. Hoje em dia, é fundamental que o profissional esteja atualizado sobre as novas possibilidades na sua área, e o marketing, como já apontaram especialistas, é uma força cada vez mais presente no mercado editorial. Foi pensando nisso que o PublishNews criou o curso “Marketing digital para editoras”, que inaugura um novo ciclo de cursos do PublishNews para 2014. O curso será ministrado pelo jornalista, blogueiro e consultor em Marketing Digital Sérgio Pavarini, e acontecerá no dia 7 de novembro, das 13h30 as 16h30, na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509). O conteúdo falará sobre a qualificação dos profissionais que administram redes sociais e abordará as diversas redes, como Twitter, Facebook, Skoob e blogs. A tarde será finalizada com uma mesa de debate com convidados. O investimento é de R$179,00 (até dia 31/10) ou R$199,00 (após 31/10). Para mais informações, clique aqui. Para inscrições, escreva paracurso@publishnews.com.br.

PublishNews | 28/10/2013