Dicas práticas para produção de ePub3


Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Em meu último texto, chamei atenção para algumas questões de cunho teórico que precisam ser levadas em conta quando se trata de produzir em ePub3. Dando continuidade a esse mesmo assunto, gostaria de destacar aqui alguns outros tópicos, agora de caráter mais prático. Não será um texto com tutoriais, mas com dicas gerais, inclusive de fluxo de trabalho.

Antes, vale dizer que a mesma ressalva feita no primeiro texto vale também para este: o que tenho em mente são livros de texto, não layout fixo, assunto deveras mais complexo que ficará para outra ocasião.

1. Permanecendo no Sigil até o limite

O Sigil, editor de ePub gratuito e open source que todos nós amamos, ainda não dá suporte para o ePub3, de modo que, quando um e-book já está no novo formato, o programa não é capaz de editá-lo corretamente. É bom evitar até mesmo abrir um ePub3 no Sigil, pois o código do arquivo pode acabar alterado. No entanto, o Sigil permanece sendo um dos melhores recursos na produção como um todo de um ePub3, mesmo que não seja possível editar diretamente nele.

E isso porque você não precisa, logo de saída, já ter um ePub3. Uma vez que o Sigil é tão prático, o melhor é extrair dele todo o possível antes de deixá-lo.

A recomendação é a seguinte: trate seu e-book como um ePub2 tradicional nas etapas iniciais da produção. Você pode convertê-lo pelo InDesign ou outro método do seu agrado, realizar a adaptação do projeto, inserir fontes e imagens, deixar o arquivo pronto para a revisão e inserir as emendas apontadas, tudo exatamente como teria feito por padrão se o e-book não fosse ganhar uma versão avançada. Só então, quando essas etapas [inclusive correções de texto] estiverem concluídas, prossiga para a conversão para ePub3.

Essa organização tende a otimizar o tempo, pois, do contrário, seria necessário utilizar um editor de HTML desde o início, além de compactar diversas versões do mesmo arquivo para realizar testes nos aplicativos. Concentrando a produção no Sigil até que este não possa mais ajudar, tem-se um processo mais fluído.

No caso de um projeto amplo, em que um livro precisa ter também uma versão ePub2, essa recomendação é ainda mais enfática, afinal esse arquivo será de fato necessário.

2. Conversão

O Sigil pode ser utilizado inclusive para converter seu arquivo ePub2 para ePub3. Com alguns cliques — como falei no primeiro texto, essa parte não é nem de longe a mais difícil –, você usa o plugin ePub-itizer e obtém uma versão confiável do arquivo no qual já vinha trabalhando atualizada para o novo formato. É a partir desse momento que o Sigil não poderá mais ser usado para edição. Lembre-se: você tem um arquivo já bem-encaminhado, com imagens e fontes já inseridas, bem como emendas de texto. Tudo que é comum entre o ePub2 e o ePub3 já está feito. O que vem agora é que será particular desse último.

3. Compiladores e editores de HTML

De agora em diante, você terá de trabalhar com seu arquivo descompactado. Para descompactá-lo, você pode utilizar programas como o ePubPackePubZip/Unzip [os mesmos podem ser utilizados depois para compactar] ou até mesmo abrir o ePub pelo WinRar e arrastar os conteúdos para uma pasta separada. Para editar as páginas agora descompactadas, será necessário um editor de HTML, comoNotepad++TextWrangler. Lembre-se: agora as facilidades do Sigil acabaram. Se novos arquivos, como áudios e vídeos, forem inseridos, terão de ser manualmente. Isso significa inclusive declará-los no content.opf.

4. Uma palavra sobre áudios e vídeos

Áudios e vídeos podem ficar estocados na pasta Misc, padrão em ePubs, mas você também pode, para melhor se organizar, criar pastas específicas [uma pasta “Audio” e outra “Video”].

Já que estamos falando sobre áudios e vídeos, um toque sobre suporte. Como tantos outros recursos do ePub3, estes dois não funcionam em todas as plataformas. De todas, a Apple é a quem melhor suporte. Nas outras, há limitações. O app Android da Kobo, por exemplo, não roda áudios, embora os vídeos funcionem. O mesmo ocorre com a Amazon [que tem um formato próprio para livros avaçados, como destacado no texto anterior, mas que pode ser adaptado a partir do ePub3]. Na Google, os áudios e vídeos do ePub3 de teste que utilizei não abriram nem na plataforma iOS nem na Android.

O ideal é utilizar uma mensagem de fallback, que será visualizada caso o e-book seja aberto num ambiente de leitura que não suporta algum dos recursos, como apontado nesse texto.Basta inserir a mensagem dentro da linha de código que chama o áudio ou o vídeo.

Exemplo:

<audio src=”../Audios/audio-exemplo.mp3”><p>Este conteúdo não pode ser visualizado nessa plataforma</p></audio>
Assim, a mensagem alertará o leitor de que ali há um certo conteúdo que não está sendo visualizado.

5. Testes

Para testes, recomendo priorizar o iBooks, onde o maior número de recursos funciona. Isso não exclui, naturalmente, a necessidade de testar em outras plataformas, mas, para testes rápidos, me parece a melhor opção. E agora não é mais necessário passar por um processo longo [como subir o arquivo para uma conta no Dropbox e depois abri-lo no iPad ou iPhone] para jogar o arquivo no aplicativo, já que as versões mais novas do sistema operacional contam com o iBooks para Mac.

6. Notas em pop-up na Apple

Um recurso interessante, que já abordei em outro texto de cunho mais técnico. Outras plataformas, como Kobo e Kindle, já geram a visualização de notas na forma de pop-ups em e-books tradicionais automaticamente, mas, no iBooks, é necessário fazer adaptações — um pouco complexas, é verdade complexas — no código para que o recurso funcione.

Mas pode ser interessante atentar para esse recurso na plataforma da Apple para utilizá-lo para outros fins, uma vez que, para essa plataforma, utiliza-se o <aside> para produzir as pop-ups. Essa serve para agrupar conteúdos relacionados ao principal, de modo que não é apenas nas notas que irá funcionar. Respostas para quizzes podem ficar escondidas até que um link seja acessado, por exemplo; ou, saindo um pouco da caixa, livros de ficção que se proponham interativos podem se valer dos pop-ups para escondem informações do leitor.

Esses foram alguns elementos que achei interessante destacar, muito com base na experiência que tive. Espero que possam ser úteis.

Até a próxima.

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 26 de agosto de 2015

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Questões preliminares sobre ePub3


Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 1 de julho de 2015

O ePub3 é uma atualização do formato ePub que permite criar publicações digitais que operam com base em HTML5 e CSS3. Na prática, isso significa que e-books nesse formato podem conter recursos mais avançados, como áudios, vídeos, animações e certas interatividades. O IDPF, consórcio internacional que define os padrões do formato, o tem como aprovado desde 2011.

Quatro anos, e ainda assim publicar em ePub3 ainda é um desafio. Se as plataformas/ambientes de leitura dão trabalho aos mais simples arquivos ePub2, um formato mais avançado não encontraria caminho menos árduo. Os padrões variantes podem tornar a experiência um tanto complicada.

O que segue abaixo é um conjunto de observações preliminares que podem ajudar na hora de tomar a decisão de produzir ou não em ePub3, e, em caso positivo, como organizar os processos envolvidos.

Observação: o foco serão livros de texto. Não entraremos no terreno do layout fixo, assunto deveras mais complexo que ficará para uma outra ocasião.

Se você ainda está pensando no assunto, há duas questões gerais a considerar:

Não vai funcionar em todos os lugares.
Não se aventure sem ter isso em mente. O formato não é suportado por todos os aplicativos, e há variação entre os que oferecem suporte: o aplicativo iOS de uma loja pode aceitar determinado recurso que não funciona no aplicativo Android da mesma loja. Há ainda os eReaders, onde jamais funcionará. É necessário considerar essa realidade.

Podem ser necessárias várias versões.
A Coleção Ditadura, da Intrínseca, é exemplo disso. As diferenças entre as plataformas obrigaram a equipe a produzir nada menos que cinco versões de cada arquivo, uma vez que a versão “simples” [ePub2/mobi, sem recursos avançados e com preço final menor] também precisava ser lançada. O trabalho de gerenciamento, bem como de produção em si, pode ter um aumento exponencial, dependendo dos recursos que se quer utilizar. Deve-se avaliar o escopo do projeto e ver se há estrutura [e recursos] para isso.

Se já se decidiu por fazer, considere o seguinte:

A dificuldade provavelmente não está onde você imagina.
Num ePub3, o difícil não é a conversão em si para o formato nem inserir vídeos ou áudios. A conversão pode ser feita pelo próprio InDesign ou por um plugin acionado pelo Sigil, e a linha de código para chamar um vídeo ou áudio é tão simples quanto a que serviria para uma imagem. A dificuldade maior está justamente no gerenciamento da produção, sobretudo se também é necessário lançar a versão ePub2/mobi [e ainda a versão avançada para a Amazon!1], como falado acima. As dificuldades técnicas existem, naturalmente, mas — e aqui falo da minha própria experiência — é a organização do workflow que nos pega pelo pé.

1 A Amazon tem seu próprio formato para livros avançados, o KF8, que se assemelha ao ePub3 em alguns pontos. Logo, isso significa mais uma versão do e-book, agora atendendo as especificações desta loja. Detalhe: recursos como áudios e vídeos não funcionam no aplicativo do Kindle para Android, apenas iOS e, naturalmente, no Kindle Fire.

Testes, testes e mais testes.
Testes são um exercício de descoberta, como falei em outro texto. Não existe outra forma de aprender o que funciona e o que não funciona, das muitas possibilidades abarcadas pelo ePub3. Áudios, vídeos, notas em pop-up, conteúdos não lineares, javascript: é essencial conhecer o que o formato permite e refletir, a partir disso, como esses recursos podem beneficiar o projeto.

Como observação mais geral, deixo esta última:

Muito se fala sobre o uso do ePub3 [geralmente associado ao layout fixo] para publicações digitais destinadas ao público infantil, e de fato o formato cai como uma luva para livros desse tipo. No entanto, livros “adultos”, sobretudo de não-ficção, podem ser servidos pelo ePub3 de maneiras igualmente empolgantes. Bons exemplos são a biografia deGetúlio Vargas e A Grande Orquestra da Natureza [baixe uma amostra da Apple, encaixe os fones de ouvido e veja do que estou falando], em que mídias diferentes dialogam com a escrita e expandem a experiência de leitura.

Bem, estas são questões gerais que se impõem quando o assunto é produção de ePub3. Espero que possam ajudar você, editor ou autor, que está pensando no assunto.


Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Por Josué de Oliveira | Publicado originalmente em COLOFÃO | 1 de julho de 2015

Josué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Leitor digital à prova d’água pode só valer a pena se você lê na piscina


Um dos benefícios de um leitor de livros digitais é poder levar as suas leituras em um só dispositivo para todo lugar. Mas usar um aparelho assim na beira da piscina causa um certo receio por causa da água.

Lançado por R$ 799, o Aura H2O, da Kobo, tenta resolver isso e livra o usuário de preocupações com respingos ou mergulhos acidentais rasos. É o primeiro à prova d’água dessa categoria.

O aparelho pode ficar submerso por até 30 minutos numa profundidade de 1 m, desde que a tampa de vedação, na parte debaixo do aparelho, esteja fechada. Ela protege a entrada micro USB e o espaço para um cartão de memória microSD de até 32 Gbytes.

Aura H2O, que tem tela de 6,8 polegadas e boa resolução | Foto: Anderson Leonardo/Folhapress

Aura H2O, que tem tela de 6,8 polegadas e boa resolução | Foto: Anderson Leonardo/Folhapress

Ao detectar líquidos em sua tela, o aparelho exibe uma mensagem recomendando secá-la rapidamente. Isso porque a resposta do e-reader aos comandos por toque pode ficar comprometida, o que é normal enquanto ele está molhado

Mas a compra do e-reader, um dos mais caros vendidos no país, só se justifica se essa característica realmente influenciar forma como você lê seus livros.

O novo leitor eletrônico da canadense Kobo herda do modelo Aura HD a tela de 6,8 polegadas, que tem boa resolução. Mas o Aura H2O é ainda mais largo que a média e segurá-lo com uma só mão pode não ser confortável.

Apesar de não possuir ajuste automático de luz, presente no rival Kindle Voyage [e-reader “premium” da Amazon vendido nos EUA por US$ 199, ou cerca de R$650], o Aura H2O permite aumentar ou diminuir o brilho da tela deslizando o dedo pelo seu canto esquerdo, o que é prático.

Como usuário de Kindle, prefiro a interface mais informativa e elegante dos e-readers da Kobo. Opções mais avançadas de personalização tipográfica [como peso e nitidez] também são um atrativo dos modelos, que têm até uma fonte específica para disléxicos.

Não há versão com 3G: o Aura H2O só se conecta à internet por wi-fi. Em compensação, ele suporta uma gama de arquivos bem maior que os Kindles [veja na ficha técnica abaixo], e sua bateria pode durar até dois meses, segundo a Kobo.

Seu baixo poder de processamento, no entanto, pode dificultar a execução de alguns formatos de arquivos. Foi dificílimo, por exemplo, ler um arquivo em PDF durante os testes. Mas, se você usar o e-reader majoritariamente com os livros comprados na loja on-line, não terá problemas.

KOBO AURA H2O
TELA 6,8 polegadas, carta e-ink HD [1430 pixels x 1080 pixels]
PROCESSADOR 1 GHz
ARMAZENAMENTO 4 Gbytes [expansível com cartão microSD de até 32 Gbytes]
FORMATOS SUPORTADOS EPUB, EPUB3, PDF, MOBI, JPEG, GIF, PNG, TIFF, TXT, HTML, XHTML, RTF, CBZ e CRM
CONEXÕES Wi-fi e micro USB
DIMENSÕES 17,9 cm x 12,9 cm x 0,97 cm
PESO 233 g
ONDE ptbr.kobo.com/koboaurah2o
QUANTO R$ 799

POR ANDERSON LEONARDO | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 17/03/2015, às 02h00

Acesso imediato | notas em pop-up


POR Josué de Oliveira | Publicado originalmente por COLOFÃO | 26 de novembro de 2014

Em meu último texto, falei sobre o uso do RegEx [motor de busca e substituição a partir de expressões regulares] e a adaptação de notas nos livros digitais. Continuarei nesse tópico, mas com uma ênfase bem diferente: falarei sobre a criação de notas em pop-up, recurso interessantíssimo que é permitido pelo formato ePub3. O foco, novamente, será de todo prático.

Do que se trata?

A forma tradicional de adaptar as notas é com links de ida e volta, que podem ser acessados a qualquer momento da leitura. Trata-se de um salto do texto para onde as notas estão, e então um retorno do ponto do texto de onde se saiu. Com o ePub3 e os pop-ups, o leitor toca no número e uma caixa surge com o conteúdo textual da nota. A caixa some quando se toca em qualquer ponto fora dela.

Pop-up em funcionamento

Trata-se de praticidade, antes de tudo: as notas passam a ser acessadas no ponto onde surgem, sem que o leitor seja lançado de um lugar para outro do livro. Para livros com grande quantidade de notas, o recurso é muito indicado, pois tornará a leitura muito mais fluida.

Há limitações?

Infelizmente, sim. Crias do ePub3, elas só funcionam em plataformas que suportam o formato. Onde o suporte é parcial [Kobo e Google, por exemplo], nada feito. E-readers, então, nem pensar. O que nos deixa, dentre as grandes players, com uma única opção: a Apple. De modo que, caso se deseje utilizar esse recurso, uma versão do e-book exclusiva para o iBooks, que aproveite as potencialidades da plataforma, terá de ser desenvolvida – o que por si só já representa uma decisão importante para desenvolvedores que precisam lidar com diversas lojas. Em caso positivo, aqui vai um passo a passo que, espero, será útil.

  1. Fique atento à localização das notas.

Quando adaptadas para a visualização em pop-up, as notas se tornam invisíveis – o termo mais correto éconteúdos não lineares –, só aparecendo quando o link é acessado. Se as notas do livro em questão estiverem no fim dos capítulos, permanecerão ocultas quando o leitor chegar ao ponto onde estão. Mas no caso de livros com seções específicas para notas, é preciso acrescentar um parâmetro no content.opf para que toda a seçãopermaneça escondida. Afinal, não faria sentido ver a página com todas as notas quando você já pode visualizá-las ao longo do texto.

Encontre a linha correspondente ao HTML das notas no content.opf:
<itemref idref=”notas.xhtml”/> e acrescente linear=”no” ao final da linha. Ficará assim:

<itemref idref=”about.xhtml” linear=”no” />
[o nome do HTML onde estão as notas pode ser outro, naturalmente]

  1. Converta seu arquivo ePub2 para ePub3.

O cabeçalho de cada um dos HTMLs precisará ser modificado, bem como o do content.opf. Essa é a parte essencial da conversão. Até bem pouco tempo, achava que esse trabalho precisaria ser feito todo a mão [já tive que fazê-lo], mas a Lúcia me apresentou o programa 3Pub, que faz isso automaticamente, assim como outras adaptações importantes para o ePub3. Nos testes que realizei, o arquivo foi gerado sem erros.

Basta abrir seu ePub2 com o programa e clicar na opção de converter. Pronto: agora você tem um arquivo ePub3.

  1. Hora de localizar e substituir.

Perceba que o arquivo criado não está compactado, ou seja, você não poderá utilizar o Sigil para trabalhar no código. Recomendo usar o Notepad++, para Windows, ou TextWrangler, para Mac.

Primeiro, fazemos a busca padrão pelos trechos do texto com os links de ida:

<span class=”nomedaclasse”><a

“nomedaclasse” na linha de busca se refere ao estilo utilizado para deixar os números sobrescritos. A linha de substituição deve ser:

<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref”

O elemento novo é o epub:type=”noteref”. É ele que informa que a nota funcionará como pop-up. O link de ida completo deve, portanto, ficar assim:

<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref” href=”../Text/capitulo1.xhtml#nota-01? id=”nota-back-01?>1</a>
<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref” href=”../Text/capitulo1.xhtml#nota-02? id=”nota-back-02?>2</a>
<span class=”nomedaclasse”><a epub:type=”noteref” href=”../Text/capitulo1.xhtml#nota-03? id=”nota-back-03?>3</a>…

E assim por diante. Caso as notas estejam num outro HTML, basta endereçar o link até ele.

Feitas essas substituições, é hora de seguir para as notas em si. Cada uma delas precisará estar dentro de um <aside>, tag que serve para agrupar conteúdos relacionados ao principal. Vamos usar as expressões regulares para efetuar o trabalho árduo para nós. Já tratamos do assunto no post anterior, recomendo que ele seja lido antes de prosseguir.

Busque exatamente por:

[<p class=”classe-notas”>][<a href=”.*?”] [id=”.*?”>][\d+][</a>][.*?][</p>]

Cada um dos elementos constitutivos do trecho procurado está entre parênteses, para facilitar a substituição. A linha de substituição ficará assim:

<aside epub:type=”footnote” \3>\6</aside>

Explicando por partes:

O <aside> em si não é tudo: a identificação epub:type=”footnote” faz toda a diferença. O pop-up não funcionará caso os dois epub:type não estejam corretamente aplicados.

O id, marcação que identifica um trecho qualquer do texto como ponto de chegada de um link, precisa ficar dentro do <aside>. Ele é substituído pelo \3. O número \6 substitui o texto da nota e o </aside> fecha a área que será abrangida pelo pop-up.

Perceba que, na substituição, descartamos diversos itens que antes estavam lá. Deixá-los não provocaria nenhum erro, mas ficariam redundantes. Em ordem:

<p class=”classe-notas”>: apagamos porque, na prática, o <aside> ignora parâmetros estabelecidos no css. Sendo assim, um estilo não faria diferença;
<a href=”.*?”: nos ePubs2, precisamos de links de ida e volta. No caso de uma nota em pop-up, a volta não é necessária, uma vez que não se sai do lugar ao acessá-la. Seria informação inútil, portanto;
\d+ e </a>: indicavam, respectivamente, o número da nota e o fechamento da área de link, já que neste número estaria o link de volta. O número pode sair porque os pop-ups utilizam automaticamente como título o texto originalmente linkado. Se a nota número 3 estiver direcionando para um pop-up, o número estará automaticamente no topo [exatamente como a imagem do início mostra]. Se o número da nota em si for mantido, teremos a mesma informação duas vezes, o que não é necessário;
</p>: fechamento do parágrafo com o estilo “classe-notas” aplicado. Pode sair, uma vez que não usaremos o estilo.

Isso feito, compactamos novamente o arquivo, o que pode ser feito com programas como o ePubpack e ePub Zip/Unzip.

Assim, temos um arquivo com notas em pop-up, muito indicado para livros de não-ficção, provando de que o ePub3 não se resume aos tão alardeados áudios, vídeos e animações, e que recursos simples podem enriquecer tremendamente a experiência de leitura.

POR Josué de Oliveira | Publicado originalmente por COLOFÃO | 26 de novembro de 2014

Josué de OliveiraJosué de Oliveira tem 24 anos e trabalha com e-books há pouco mais de dois. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Livros em 2020


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 12/11/2014

Apesar de uma queda notável no número de participantes, festas com champanha e hors d’oeuvres, além do burburinho de livros, eu achei que este ano a Feira do Livro de Frankfurt foi mais inspiradora que nunca. O digital estava no ar [literalmente] já que livros didáticos conectados e startups de big data substituíram os fornecedores de serviços terceirizados nos Hotspots por toda Frankfurt Messe.

Vou mostrar algumas das tendências digitais que acho que vão transformar a palavra escrita nos próximos cinco anos.

Livros Didáticos “Context-Aware”
LearnFwd, uma empresa de tecnologia romena com sede em Londres deu incríveis saltos em sua plataforma de livros didáticos colaborativos no último ano. Todos os queixos de uma sala de conferência caíram quando seus próprios celulares foram conectados a uma sala de aula especial através de um livro no browser, simples de usar. LearnFwd é pioneira em uma tecnologia que eles chamaram de livros didáticos “context-aware”. Usando funcionalidades de padrões abertos como JavaScript e CSS, eles desenvolveram mais de 15 widgets ou “mix-ins” que você pode usar no HTML5 com um design receptivo [pense num ePub3 sem o envoltório]. Estes mix-ins transformam o conteúdo em um livro didático context-aware que sabe quando está numa sala de aula, que pode funcionar perfeitamente online e offline e que conecta as salas de aula [diretamente dentro do próprio livro]. Salva seu progresso, suas respostas, além de permitir trabalho em grupos. E tudo dentro do melhor “reader” do mundo: seu próprio browser. Realmente algo do futuro, mas com tecnologia de hoje.

Aprendizado Adaptativo
Apesar de que os Learning Management Systems [LMS] e SCORM já existem há anos, o uso deles se limitava a capturar respostas de testes e uso de estatísticas de uma forma bastante estática. Aquafadas, ao usar a próxima geração de SCORM, chamado TIN CAN ou API de Experiência está provando que o mundo não precisa ser desse jeito. Em Frankfurt, eles mostraram o aprendizado adaptativo, onde a experiência de leitura de um livro didático ou conteúdo educativo muda dependendo das entradas dos usuários. As possibilidades são literalmente infinitas, pois cada estudante pode aprender a seu próprio ritmo, ser desafiado segundo o nível apropriado dele e recompensado pelas respostas corretas. Ao mesmo tempo, a plataforma pode capturar dados sobre os padrões de aprendizado assim as escolas e as editoras podem adaptar as entregas de conteúdo, melhorando continuamente.

Grandes [e pequenos] dados
O Google Analytics já existe há anos. Mas só recentemente os fornecedores da plataforma alavancaram esta captura analítica tanto online quanto offline para que todos na cadeia de valor da indústria editorial pudessem se beneficiar. Alguns poucos fornecedores de apps de leitura começaram a abrir o acesso a estas chamadas estatísticas “big data” como a porcentagem de tempo gasto em um capítulo. Certamente as implicações destes dados são profundas já que também fornecem acesso a “small data” onde os resultados não são necessariamente anônimos e os dados do usuário final [quem lê qual livro] também podem ser expostos. Os riscos de tais posturas ficaram claras com o escândalo Adobe Digital Editions – onde padrões de leitura específicos de usuários eram enviados de volta em texto sem encriptação para um servidor centralizado. No entanto, o uso responsável pode fornecer informações importantes para a indústria de conteúdo, como a Kobo nos mostra aqui.

Animado? Eu estou. Vou apresentar estas tendências e os planos da Hondana para usá-las no Ciclo de Palestras do Centro de Inovação C.E.S.A.R em Recife nesta semana. No espírito da “captura de dados”, seu feedback é sempre bem-vindo! greg@hondana.com.br.

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 12/11/2014

Greg Bateman

Greg Bateman

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Fundação Dorina lança app de leitura cegos em 3 idiomas


A Fundação Dorina Nowill para Cegos lança um aplicativo inédito no Brasil para os leitores com deficiência visual. O DDReader – Dorina Daisy Reader para Android é um app gratuito e com interfaces em português, inglês e espanhol. O leitor de livros digitais para tablets e smartphones em formato Daisy amplia o acesso dos portadores de deficiência visual à leitura e passa a ser o primeiro app brasileiro para aparelhos móveis que poderá atender a demanda de pessoas que precisam de livros digitais com acessibilidade.

O app DDReader para Android permite ler com os dedos e os ouvidos, facilitando ainda mais o acesso à leitura para as pessoas com deficiência visual. Com este app, que está disponível no Google Play desde o dia 15 de agosto, além do transporte dos livros, mantêm-se as vantagens do livro digital Daisy, que possibilita a leitura dos conteúdos da mesma forma que um livro impresso: com inserção de marcações, anotações ou observações, consideradas intervenções facilitadoras para o público que busca conteúdos específicos, como consultas a dicionários, por exemplo.

“Este aplicativo é um passo muito importante para o público com deficiência, pois aumenta significativamente o acesso às bibliotecas virtuais, com acervo formado por títulos em vários idiomas e que, em breve, serão conectadas ao aplicativo, dando mais liberdade, facilidade e acesso à leitura”, explica Pedro Milliet, desenvolvedor do APP na Fundação Dorina. “Com a evolução do aplicativo, prevê-se a integração com displays braille, além da implementação da capacidade da leitura de arquivos em formato EPUB3”.

Serão disponibilizados cerca de dois mil títulos em português e não é necessário estar conectado à internet para ler os livros que forem adicionados à biblioteca pessoal do usuário. Quem utilizar o app do DDReader e for cadastrado na biblioteca online acessível BookShared – http://www.bookshare.org terá acesso a um acervo ainda maior, com mais de 9 mil títulos em outros idiomas. Vale lembrar que o Brasil tem 18 milhões de tablets em funcionamento, segundo a FGV – Fundação Getúlio Vargas, e o público com deficiência visual também está incluído digitalmente.

Instituições de outros países como o INCI – Instituto Nacional Para Ciegos, da Colômbia, e a Benetech/Bookshare.org, dos Estados Unidos, também deverão adotar o uso do app gratuito e em código aberto. A novidade ainda permite o acesso a bibliotecas virtuais via smartphones e tablets, devido à mobilidade em nuvem, desde que o usuário seja cadastrado em bibliotecas online que tenham acervo de livros em Daisy.

O aplicativo é um desenvolvimento da Fundação Dorina em parceria com a Results, empresa de softwares acessíveis.

Sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos

A Fundação Dorina Nowill para Cegos atua há 68 anos facilitando a inclusão de crianças, jovens e adultos cegos e com baixa visão, por meio de serviços gratuitos e especializados de reabilitação, educação especial, clínica de visão subnormal e programas de empregabilidade. A instituição foi fundada por Dorina de Gouvêia Nowill, que ficou cega aos 17 anos e percebeu a defasagem de livros para pessoas com deficiência visual no Brasil. A partir disso, iniciou um trabalho para que os livros em braille e a alfabetização por este método chegassem ao país. Com o passar do tempo, a Fundação do Livro para o Cego no Brasil tornou-se Fundação Dorina Nowill para Cegos e passou a oferecer novos produtos e serviços, além dos livros em braille. Atualmente, a instituição é referência na produção de livros e revistas acessíveis nos formatos braille, falado e digital Daisy, distribuídos gratuitamente para pessoas com deficiência visual e para mais de 2500 escolas, bibliotecas e organizações em todo o Brasil.

Mais informações: http://www.fundacaodorina.org.br

Publicado originalmente em http://www.joribes.com.br | 04/09/2014

Táxi amarelo, cachorro-quente e eBooks


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/06/2014

Voltei de Nova York bem a tempo de ver o time norte-americano mostrar que não temos a menor chance no futebol. Minha visita a Nova York se concentrou na Book Expo America [BEA], onde conheci as mais recentes e mais interessantes startups envolvidas com e-books. Aqui apresento as principais:

A próxima geração de ferramentas de autoração
Metrodigi com sede na Califórnia acabou de lançar a última versão de sua ferramenta de autoração na nuvem, Chaucer. A ferramenta produz ePub3 complexos, fornece uma interface drag-and-drop simples para facilitar o uso e permite colaboração na nuvem em tempo real. Quando se trata de desenvolver livros didáticos interativos, Chaucer significa uma boa economia em relação a sua principal concorrente, a Inkling.

Uma startup bem recente chamada Beneath the Ink está levando os livros estáticos para a geração iPad. Eles se concentram em um conceito muito simples, mas poderoso: adicionam a capacidade de fornecerpop-ups clicáveis que realçam os personagens, lugares, conceitos e palavras em livros gerais. Adorei a forma pouco distrativa com que o produto finalizado funciona, apesar de que achei que seu modelo de negócio é um pouco caro. $179 por livro e 10% da receita. As editoras brasileiras vão pagar este preço para ir “além da tinta”?

iTunes-ificação dos livros
Era questão de tempo. Da mesma forma que Pasta do Professor criou “fatias de livros” para livros impressos, Slicebooks fornece uma forma de criar “faixas do iTunes” para qualquer e-book. Certamente, isso seria um desastre para um livro de ficção, mas para um manual ou um livro didático, faz muito sentido. A plataforma deles permite que os leitores “façam a mixagem de seu próprio álbum” ou que os editores “guiem as fatias” do conteúdo.

Mais atores no grupo dos “netflix dos livros”
Os principais “netflix dos livros”, Scribd e Oyster marcaram sua presença durante toda a conferência enquanto os novatos, Bookmate e Librify apresentaram novidades no conceito. Bookmate, com o foco em países em desenvolvimento da Europa, conseguiu fazer um ótimo acréscimo de uma camada social a seu reader assim as pessoas podem compartilhar notas, citações e marcações com seus amigos. Librify, com foco exclusivamente no mercado norte-americano, está desafiando Scribd e Oyster ao oferecer uma biblioteca do mesmo tamanho [500 mil livros], uma parceria importante com a loja Target e uma forma de organizar clubes de leitura virtuais. Será suficiente para que o conceito de “Netflix” finalmente se desenvolva?

Em Nova York, pessoas lendo e-books no metrô é tão comum quanto os táxis amarelos e os carrinhos de cachorro-quente. Felizmente, estas novas startups estão trazendo inovação para a edição digital. Algum destes conceitos despertou seu interesse? Que tipo de inovações você gostaria de ver? Eu adoraria ouvir suas ideias: greg@hondana.com.br.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/06/2014

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

O livro está morto, viva o livro!


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/05/2014

No mês passado, eu acordei com uma notícia alarmante: o crescimento dos e-books nos EUA ficou estagnado – um pequeno aumento de 4% no rendimento. Em um mercado que esteve crescendo pelo menos 3% ano a ano desde o lançamento do Kindle, parece uma Grande Depressão.

Mas dificilmente podemos dizer que houve alguma inovação no e-book nos últimos dois anos. A Barnes & Noble que esteve liderando as inovações com Nook Study e Nook Kids agora está recuando em sua permanente batalha contra a Amazon. Esta continua a avançar com seus Paperwhites mais brancos, acrescentando algumas quinquilharias, mas a tecnologia central continua estagnada. A Apple colocou o iBooks pré-instalado em seus novos OS X para desktop, mas limitado à mesma funcionalidade de seus apps iOS.

Todas as grandes livrarias de e-book ainda estão com o foco no mercado geral.

Talvez para balançar a Grande Depressão dos e-books, a indústria deveria correr alguns riscos e sair da zona de conforto dos “livros gerais”. Agora temos um padrão ePub3 estabelecido que dá às editoras quase todas as ferramentas que precisam para fazer um livro de referência “não-linear” para Direito, Engenharia ou Medicina. Ou talvez um livro de texto que libere testes de autoavaliação a partir de suas encarnações estáticas no corpo e se reprograme em objetos interativos. Um dos meus novos favoritos no mundo da culinária é “Speakeasy Cocktails“. Claro que foi feito usando uma plataforma especial de autoria para livros HTML5, mas nada aqui poderia ser feito com o padrão ePub3.

Os desenvolvedores do app e-book certamente não estão ajudando a questão. Mesmo o reader mais importante, iBooks, tem apenas 68% de suporte à especificação do ePub 3 necessária para toda interatividade. Sem mencionar que temos pelo menos duas grandes livrarias de e-books no Brasil com zero suporte ao padrão. Poucas editoras arriscariam um grande investimento em livros interativos se menos da metade das livrarias vão ajudar a recuperar esta aposta.

Mas antes de começarmos a reclamar da falta de apoio a conteúdo inovador no ecossistema do e-book, vamos tratar de um assunto bem mais alarmante: os brasileiros não leem livros. Ou pelo menos é o que parece desta última pesquisa pela Secretaria de Comunicação Social [obrigado, Carlo Carrenho, por me mostrar esta pesquisa]. O brasileiro médio gasta pelo menos seis horas por semana na Internet, seis horas na TV, seis horas ouvindo rádio, uma hora lendo revistas e uma hora lendo jornais. Livros nem são listados como uma forma de mídia na pesquisa!

Livros parecem não estar registrados como uma mídia relevante para os brasileiros.

Grande problema para as editoras de livros? Sim. Epidemia social? Não na minha opinião. Nós, como criadores de conteúdo e curadores, temos a responsabilidade de tornar o conteúdo mais relevante para o público. Certamente, se um brasileiro quiser passar mais de 18 horas por semana na tv+internet+rádio, por que não tentamos criar uma experiência de conteúdo que una o melhor de todos os mundos? Livros de história ganham vida com um vídeo que mostre como era aquela época. Livros espirituais narrados por uma pessoa respeitada. Livros “sociais” conectados via internet que permitem perguntas e respostas feitas a um especialista.

Então, se acreditamos na revolução do e-book brasileiro e queremos que ela continue bem além dos 30% de penetração que já chegou nos EUA, precisamos de duas coisas simples:

1. As livrarias de e-book devem atualizar sua tecnologia para permitir mais criatividade.

2. As editoras precisam correr alguns riscos e pensar diferente sobre seu conteúdo

O livro está morto, longa vida ao livro!

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/05/2014

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Treinamento Prático de Produção de Livros Digitais no Formato ePub3 com Adobe inDesign


Participe de um treinamento prático da Escola do Livro com Jean-Frédéric Pluvinage. O curso apresentará as técnicas e procedimentos para criar e converter seus conteúdos em livros digitais com interatividade, áudio, vídeo e animações, além de outros efeitos especiais no formato ePub3 utilizando o Indesign e recursos de pós-produção.

Jean-Frédéric Pluvinage é diretor da FoxTablet, editora especializada em revistas digitais para tablets. Formado em Design Gráfico pelo SENAC, e em jornalismo pelo CEUNSP. É coautor, junto com Ricardo Minoru, do livro Revistas Digitais para Ipad e outros tabletes, primeiro livro no Brasil e no mundo sobre esse tema. Também é autor do DVD Bem-vindo ao InDesign – uma introdução à diagramação, lançado pelo Grupo PhotoPro. O evento acontecerá na sede da Câmara Brasileira do Livro, R. Cristiano Viana, 91 – Pinheiros – São Paulo/SP. Os alunos deverão trazer seus notebooks com os aplicativos e recursos InDesign CS6 ou superior; Photoshop CS3 ou superior; Dreamweaver CS3 ou superior; Calibre; Sigil; Winzip e Adobe Digital Editions já instalados. Investimento: Associados CBL – R$ 600,00; associados de entidades congêneres, professores e estudantes – R$ 960,00; Não associados – R$ 1.200,00. Consulte sobre parcelamentoem 3 vezes no cartão de crédito. Mais informações do curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

Quinta e sexta-feira, 20 e 21/3, das 10h às 18h.

Direto da EDUPUB


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/11/2013

Tive o prazer de ser convidado ao EDUPUB, uma conferência global que aconteceu na semana passada em Boston para debater o futuro do conteúdo acadêmico. Com 100 outros participantes, discuti como as editoras brasileiras estão lidando com o coquetel de frutas para programas como o PNLD. Enquanto isso, empresas de tecnologia incluindo Google e Adobe deram suas visões sobre convergência digital. Aqui está o resultado da conferência:

Guerra de browsers, redux. Hoje, com o ePub3, as editoras estão sofrendo uma “guerra de browsers” de novo. Dependendo do aparelho, sistema operacional e versão, arquivos com layout fixo e e-books interativos podem aparecer diferentes. Até agora, o ePub3 tem sido um anti-padrão, onde cada aparelho leitor ou app leitora exige um arquivo um pouco diferente.

ePub3 para educação. Enquanto incontáveis startups educativas e grandes editoras ao redor do mundo introduziram padrões proprietários, havia um consenso geral de que o ePub3 deveria ser o padrão a ser usado. Ao mesmo tempo, a conferência concordou que o padrão ePub3 precisa de algumas grandes melhorias para alcançar seus objetivos educativos.

Matemática Complexa é complexa. Até com a existência de MathML como um meio para expressar equações complexas, o Google aparentemente desistiu de dar suporte total ao padrão, deixando pouco claro qual seria o futuro digital da Matemática. Na realidade, as editoras técnicas como O’Reilly desenvolveram uma estranha mistura alternativa de modo que, no pior dos casos, uma imagem de grade da equação aparece no lugar de um vetor gráfico.

Os Apps de e-book estão mortos. Todos concordam que apps de e-books personalizados estão se extinguindo rapidamente. Toda a funcionalidade que uma editora quer programar: objetos de aprendizado avançado, comunicação de duas vias e avaliação de estudantes agora foram acrescentadas ao padrão ePub3. Além do mais, alguns participantes estão desenvolvendo widgets abertos (open-source) assim os e-books interativos podem, em pouco tempo, se tornar um caso de drag-and-drop. Isso poderia permitir às editoras que foquem seus esforços (e orçamentos) na pedagogia do conteúdo em vez de passar meses programando apps personalizados.

Foco no Autor. Anteriormente, a Inkling e outras startups focadas em educação tinham modelos de negócio limitadores com compartilhamento de renda e forte controle sobre a distribuição final. No entanto, parece que a nova tendência de e-books gerais são como um suco de laranja, enquanto que os e-books educativos são como um coquetel de frutas.

Quando falamos de e-books gerais, há essencialmente um sabor: ePub2, perfeito para Harry Potter, ‘50 tons de cinza’ e ‘7 Hábitos’.

No entanto, até agora, o mundo editorial educativo está longe de convergir em um único padrão – cada contribuinte parece estar acrescentando sua própria fruta exótica em um coquetel pouco apetitoso. Sabores incompatíveis como Custom Apps, HTML5, Adobe DPS, Epub3, PDF, iBooks Author, Flash, estão sendo jogados na batedeira.

A direção agora é desenvolver ferramentas de autoria robustas para e-books educacionais – que fornecem uma alternativa, fácil de acessar, à oferta padrão do Adobe Creative Cloud. Estas ferramentas permitirão que a indústria cresça com muito mais rapidez e chegue a um acordo sobre a fruta certa para a educação.

Quer saber mais sobre a conferência EDUPUB e tendências entre livros educativos? Escreva para mim: greg@hondana.com.br

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/11/2013

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Associação das Editoras Americanas adota plano ambicioso para adoção em massa do ePub3


Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

O plano, ambicioso, também inclui obter um amplo suporte  entre os vendedores em até seis meses.

Certamente a adoção de um padrão comum, para algo complexo como um livro digital, não é tarefa fácil. Quando o assunto é ePub3, existem vários motivos para os sistemas de leitura [leia-se: os grandes vendedores de ebooks] ainda não aceitarem o formato de forma uniforme. Até agora, a Apple é a livraria que oferece mais suporte. Há previsão de que até o final do ano, a Apple ganhará a companhia de Kobo e Google na arena do ePub3.

Um cenário com mais harmonia, padronização na aceitação do ePub3, tornaria o trabalho e a produção de ebooks avançados bem mais simples, e mais barato, para as editoras. Com isto em mente, a AAP [Association of American Publishers] convidou os maiores vendedores e editoras para participar da sua nova iniciativa, uma série de encontros para esquematizar a adoção do EPUB3. Chamado de “Projeto de Implementação do ePub3?, o objetivo é avançar rapidamente uma harmonização no uso do formato por editoras e vendedores. A informação é do Digital Book World.

A meta da associação é lançar um grande número de títulos em ePub3 no primeiro trimestre de 2014.

A AAP afirma que as editoras americanas estão trabalhando juntamente com “vendedores, distribuidores de conteúdo digital, fabricantes, provedores de sistemas de leitura, especialistas em tecnologia e organização de padrões”. Mas a entidade não comenta ainda quais editoras e vendedores decidiram participar até agora. A entidade afirma estar convidando todos os integrantes do mercado para sentar à mesa.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

Hachette adere ao formato ePub3


O grupo Hachette está planejando lançar livros digitais em EPub3 e começará com 16 títulos no formato, que é um padrão interativo e focado em multimídia para e-books enhanced, entre novembro 2012 e março 2013. O lançamento marca o compromisso da Hachette com o formato, e a casa planeja lançar todos seus títulos de ficção em EPub3 até março 2013. […] Além de facilitar o desenvolvimento de conteúdo interativo e multimídia para e-books enhanced, o presidente do grupo Ken Michaels disse que o padrão EPub3 permite que o conteúdo seja lido em qualquer suporte. “A indústria precisa de formatos como o EPub3, que permitem uma maior gama de criatividade editorial no tratamento de layouts complexos, capacidades de mídia e interatividade ricas”, disse Michaels.

Publishers Weekly | 15/11/2012