Preços de eBooks no Brasil


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2013

Há alguns dias fiz uma pesquisa de preços para comprar um livro que me interessava. Queria ler The Financial Lives of the Poets, de Jess Walter. Sabia que havia uma tradução e resolvi verificar se leria o livro em inglês ou na tradução, e se havia disponibilidade dessa tradução em e-book, fosse no formato ePub ou Kindle.

Havia. A Benvirá, editora no Brasil, vendia [exclusivamente] na loja da sua matriz, a Saraiva,o livro em formato ePub. O preço de capa do livro impresso era R$ 39,90, adquirido na Saraiva saía por R$ 33,90 e o e-book… custava R$ 35,90! [Isso até o dia 22/07. No dia 23/07, o site apresentou uma mudança significativa: passou a vender os dois formatos pelo mesmo preço de R$ 35,90].

Ou seja, a Benvirá dava 15% de desconto para quem comprasse o livro na Saraiva, mas quem o adquirisse para ler no aplicativo da cadeia de livrarias ou em algum Kobo ou tablet, ganhava apenas 10%. A Saraiva, como se sabe, não vende nenhum e-reader próprio. Apenas disponibiliza aplicativo para quem quiser ler nos desktops ou em tablets.

À surpresa seguiu-se a perplexidade. Quem seria idiota o suficiente para comprar um e-book, depois de ter gasto no mínimo mais R$ 259,00 [Kobo mini] ou R$ 299,00 [o Kindle mais barato], para pagar mais caro que o livro impresso? Afinal, quem tem ou pensa em comprar um e-reader [ou um tablet, que é mais caro, mas é multiuso] sabe perfeitamente que a grande vantagem dos e-books está no preço, e que um leitor assíduo amortiza rapidamente o investimento com o que economiza no preço dos livros.

Eu não acompanho de perto a evolução dos preços de e-books no Brasil. Acompanhei o processo de chegada do Kobo e do Kindle, e as notícias sobre sua presença aqui, e a expectativa de que a evolução da participação de e-books no mercado tivesse evolução similar à que aconteceu em outros países. Diante da surpresa, resolvi fazer uma brevíssima pesquisa de preços. Nada científico nem sistemático. Simplesmente peguei alguns títulos de três editoras [Benvirá, Record e Companhia das Letras] para “sentir” como os preços se comportavam.

No site da Benvirá aparecem as indicações de preço [com os livros impressos referidos à loja virtual da Saraiva] e uma aba para o e-book. No site da Record, a indicação de que existe uma versão em e-book remete às lojas que a vendem, e no da Companhia das Letras aparecem os preços de capa e de e-books [oficiais], mas nem sempre está assinalado o preço do e-book.

Como se tratava apenas de uma “percepção”, procurei os preços dos e-books apenas na Amazon [Kindle] e na Kobo. Deixei de lado as demais lojas. Para ter uma referência sobre o preço praticado por cadeias de livrarias [se teriam ou não descontos], fui ver os preços no site da Livraria Cultura. Mais uma vez repito. Não pretendia destacar nem as editoras nem as livrarias. Só queria ver se o comportamento da Benvirá se repetia.

O resultado está abaixo:

 Nota: Os preços de A Vida Financeira dos Poetas no Kindle e no Kobo são das edições em inglês.

Nota: Os preços de A Vida Financeira dos Poetas no Kindle e no Kobo são das edições em inglês.

Efetivamente, pelos preços verificados, o braço editorial da Saraiva, a Benvirá, mostrou que pouco se importa com a venda de e-books. E que não usa todos os canais de venda disponíveis: nenhum de seus livros com edições eletrônicas estava disponível na loja Kindle ou na loja Kobo. Só podiam ser comprados na Saraiva.

O único livro com um desconto significativo na versão e-book foi o Deserto, do Luís Krausz, que pode ser adquirido com 50% de desconto. Nos demais, o desconto padrão era de 10% sobre o preço de capa oficial da edição impressa, e que às vezes resultava em um preço maior para o e-book vis-à-vis o preço do impresso ofertado pela Saraiva.

Nas outras editoras fica clara a existência de várias estratégias de precificação dos e-books. O livro mais conhecido da Lya Luft [Record], teve sua versão e-book ofertada com 69% de desconto no Kindle e 67% na Kobo. Já um livro em domínio público, com a tradução já paga e formato de bolso [Mansfield Park, da Jane Austen] teve apenas 5% de desconto na versão eletrônica. E assim por diante.

A grande interrogação que sobra disso, por enquanto, é sobre as intenções da Saraiva em relação aos livros eletrônicos. A empresa vende seus e-books apenas em suas lojas próprias. Não posso afirmar de modo absoluto, mas tudo indica que não vende através das outras livrarias eletrônicas. Também não dispõe de um e-reader, apenas do aplicativo. Seus livros, portanto, só podem ser lidos nos e-readers dos demais [exceto no Kindle]. E a precificação é o que vimos.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2013

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Conheça a eBooks Patagonia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 18/07/2013

A América Latina se converteu em um território fértil para a edição digital e a experimentação com novos formatos. O Brasil é, sem dúvida, o líder na região, mas já surgem atores inovadores em outros países. Nesta ocasião conversamos com Javier Sepúlveda Hales, diretor de Ebooks Patagonia, uma editora eletrônica de Santiago de Chile.

OK: Você poderia apresentar brevemente seu perfil e o da Ebooks Patagonia?
JSH: Fundei a Ebooks Patagonia em 2010. Sou engenheiro civil industrial, tenho um mestrado em negócios pela Thunderbird School of Global Management e outro em gestão da Universidad de Chile. Ebooks Patagonia é uma editora digital de autores latino-americanos que hoje colabora com autores e editoras da região para levá-los às principais lojas e bibliotecas do mundo. Alcançamos um catálogo que chega perto dos 50 e-books, com autores da Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, México, Nicarágua, Guatemala e Peru. Oferecemos também serviços de diagramação digital em formato Epub, distribuição digital global para editoras e autores, design e criação de aplicações culturais, bibliotecas digitais para colégios e consultoria em planificação estratégica digital.

OK: Qual foi até agora a atitude dos leitores chilenos em relação ao livro eletrônico?
JSH: Devemos levar em conta que os níveis de leitura no Chile são muito baixos há muito tempo. Não tenho dados atuais, mas posso contar minha percepção e o que resgato de conversas na rua e nas redes sociais. Vi uma grande militância a favor do livro impresso, por suas virtudes como objeto; ao mesmo tempo, o livro digital é frequentemente apresentado como uma ameaça, como um ataque… Mas às vezes vi grandes leitores adotarem o e-book por questões de comodidade, sem deixar de comprar exemplares em papel. Um segmento importante são os maiores de 50 anos, que valorizam a possibilidade de aumentar o tamanho da letra.

A cada dia eu me encontro com mais pessoas no metrô de Santiago lendo em e-readers; alguns até leem em seus celulares. Há uns anos, eu até me atrevia a me aproximar de quem tinha um e-reader e interrompia sua leitura para conversar com eles. A queixa era a falta de livros em espanhol, e eu aproveitava para recomendar a Ebooks Patagonia!

Em relação ao DRM, foi impressionante a quantidade de vezes que tivemos que enviar instruções sobre como abrir o texto no dispositivo depois da compra. Lembro uma vez em 2011 quando tive que ajudar por Skype uma usuária de Porto Rico que tinha comprado um e-book nosso e não conseguia carregá-lo em seu tablet de jeito nenhum. Com o tempo produzimos vídeos tutoriais para explicar cada passo. Contudo, nossa experiência indica que se o cliente sobrevive à primeira compra de um e-book protegido, já não há como voltar atrás. Depois que o leitor autentica seu dispositivo com usuário e senha de DRM, tudo é simples: o primeiro download é complexo, mas os seguintes fluem com um clique.

Finalmente, sabemos que os e-books vendidos são lidos principalmente nos EUA, México e Chile.

OK: E a atitude dos editores?
JSH: Os editores no Chile geralmente têm a mente colocada no dia-a-dia e nas compras do Estado. As aquisições do setor público são consideráveis e explicam boa parte do ingresso das editoras. Há anos, quando pedia uma reunião com as editoras para trabalhar com elas em temas digitais, me solicitavam mais tempo para pensar. Hoje todos consideram o digital como algo que devem fazer em algum momento, mas o certo é que as urgências consomem o tempo deles. São poucos os que estão migrando seu catálogo para Epub e é frequente que façam isso mais por pedido de seus autores do que por inciativa própria.

Vejo com entusiasmo o surgimento de novas editoras que graças aos e-books e à impressão sob demanda conseguem publicar e tornar seus autores conhecidos. Também está ficando massivo a autopublicação digital no mercado chileno: isso acontece porque as editoras estão investindo pouco em novos autores ou que já têm programado seu ano de produção.

Tenho a impressão de que os editores locais estão muito focados no papel, ou no máximo em migrar seu catálogo a uma loja que recebe PDF. Faltam mais projetos pensados diretamente em digital, que não dependam do papel.

OK: Como trabalham com as editoras?
JSH: Basicamente nos ocupamos de externalizar sua área digital, em especial a distribuição. Quando uma editora tem mais de 20 títulos em digital [Epub ou PDF], bonificamos o custo de upload dos títulos: nós simplesmente ganhamos uma porcentagem das vendas. Aí está nosso incentivo e nos esforçamos ao máximo para vender.

OK: Amazon, Apple e outras empresas internacionais começaram a vender e-books na América Latina. Você vê estas empresas como aliados ou como concorrentes?
JSH: Estas empresas são aliadas para nós. Elas nos ajudam a massificar a leitura digital através de seus dispositivos. Temos acordos comerciais e trabalhamos estreitamente com elas para aumentar o conteúdo latino-americano no mercado global.

Acho que a chegada desses atores deveria preocupar os que são simplesmente livreiros. Um pouco na linha da queda da Blockbuster depois do surgimento da Netflix. Ou a bancarrota da Borders e ainteressante aposta da Barnes & Noble pelo futuro eletrônico.

OK: Em uma ocasião você comentou que o digital “nivela a partida e muda as regras do jogo”. Em geral, qual o futuro que você vislumbra para o e-book na América Latina?
JSH: Vislumbro o melhor dos futuros. O livro eletrônico permitirá a integração de nossas culturas e facilitará que um leia a produção do outro. Um exemplo: com a editora Resistencia do México criamos umconcurso binacional de contos para autores com pelo menos um livro publicado onde o jurado era totalmente externo às editoras, e publicamos uma antologia digital com os contos ganhadores, quatro contos de cada país. No Facebook pude ler como um dos jurados expressava sua alegria por ter conhecido dois autores chilenos muito bons.

Na editora publicamos, além disso, uma coleção de contos de autores latino-americanos de maneira exclusiva na iBookstore e na Amazon. Chama-se “Ebooks Patagonia Singles” e cada conto é vendido a US$ 0,99. Entre os autores estão Mario Benedetti [Uruguai], Andrés Neuman [Argentina], Pablo Simonetti[Chile], Tryno Maldonado [México] e Carlos Wynter [Panamá].

Quando afirmo que o digital “nivela a partida e muda as regras do jogo”, penso especialmente nas grandes corporações editoriais dirigidas da Espanha ou dos EUA e do uso que podemos fazer da tecnologia. Imaginemos o poder acumulado pela recente fusão de Penguin e Random House em relação aos autores, agentes, distribuidores e demais atores tradicionais da cadeia do livro.

Na minha opinião, a única via livre para uma editora independente latino-americana enfrentar uma megacorporação editorial é o livro eletrônico. Os custos de publicar um livro novo caíram e agora trata-se na verdade de ver como fazer uma boa divulgação do livro nas redes especializadas ou nos círculos de potenciais leitores. No mundo digital, as diferenças entre uma pequena editora e uma multinacional não estão mais tão marcadas.

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Garanta sua leitura digital com o Calibre


CalibreHá quem prefira ler livros no tablet, com cores e mais opções de aplicativos. Outros preferem as vantagens dos leitores com tinta eletrônica [e-ink], que cansam menos os olhos e podem ser usados sob o sol. Para fãs de livros em qualquer plataforma, o aplicativo Calibre é a melhor opção para gerenciar, converter e fazer quaisquer tarefas com arquivos dos tablets e e-readers. O programa é compatível com praticamente qualquer plataforma [Windows 32 e 64, Mac OS e Linux, além de ter uma versão portátil] e permite o controle total do conteúdo a ser lido ou guardado. Por trazer todos esses recursos, o Calibre é um pouco complexo. Por isso, selecionamos algumas das melhores dicas para explorá-lo ao máximo.

Primeiros passos

Baixe o Calibre. Depois da instalação, rode o aplicativo e escolha o idioma [Português Brasileiro] da interface e selecione o tipo de aparelho que é usado para leitura de livros. Pode ser um tablet ou um e-reader, e há várias marcas para escolher, incluindo opções genéricas, caso seu fabricante não esteja na lista. Se você tem um Kindle, é possível indicar o e-mail para envio de conteúdo diretamente ao aparelho. Depois das configurações, surge a tela principal do Calibre.

Enviar para o dispositivo

Para incluir um item, é só clicar em Adicionar Livro, localizar o arquivo e clicar em Abrir. O Calibre reconhece praticamente quaisquer formatos, desde TXT e DOC até PDF, ePub e Mobi. Ao conectar o tablet ou e-reader ao micro, o Calibre deve achá-lo de forma automática. Daí, é só clicar no item correspondente a um livro com o botão direito do mouse e escolher um dos subitens do menu Enviar Para Dispositivo, conforme o local onde se deseja gravar o conteúdo [na memória principal ou num cartão conectado ao tablet ou e-reader].

Mais recursos com plug-ins

Além de ter montes de opções na instalação básica, o Calibre também conta com suporte a plug-ins para receber mais recursos. O melhor local para achar os plug-ins é na seção dedicada ao Calibre do fórum MobileRead. Depois de baixar o arquivo ZIP correspondente ao plug-in, pressione o botão Preferências e clique em Extensões. Pressione Load Plugin From File, localize o arquivo ZIP baixado e clique em Abrir. Reinicie o Calibre e pronto. O plug-in está instalado.

Livros com mais informações

Há três formas de preencher as informações de um livro adicionado ao Calibre. A maneira mais simples é clicar no item duas vezes [não é um duplo clique, espere um segundo entre cada clicada]. Depois, é só preencher os campos básicos, como Título e Autor. Para adicionar mais detalhes, clique no item do livro e, depois, em Editar Metadados. A janela que surge permite indicar editora e língua, entre outras informações. Mas o recurso mais interessante é a possibilidade de baixar esses dados de forma automática. Para isso, na janela de edição de metadados, forneça título e autor e, depois, clique em Baixar Metadados. Na configuração de fábrica, o Calibre busca metadados no Google e na Amazon, o que pode ser um problema para publicações nacionais. Para melhorar isso, adicione o plugin do site brasileiro Skoob ao Calibre.

Capas improvisadas

Depois de adicionar um arquivo ao Calibre, ele pode não ter uma capa, especialmente se a origem foi um documento nos formatos DOC ou TXT. Nesse caso, é possível criar automaticamente uma capa simples, mas que ajuda a reconhecer o conteúdo nos tablets ou e-readers. Para isso, clique no item relativo ao livro e, depois, no botão Editar Metadados. Na janela que surge, pressione o botão Gerar Capa. Clique em Certo. Feito! Note que a capa será gerada com base no título e autor já preenchidos. Por isso, tecle essas informações antes de criar a capa automática.

De um formato para outro

Um dos recursos mais úteis do Calibre é a possibilidade de conversão entre formatos de livros eletrônicos e documentos. Se você já enviou algum item para seu e-reader ou tablet em formatos não suportados por ele, certamente notou que o Calibre fez a conversão de forma automática. É possível fazer também a conversão manualmente. Para isso, clique no item e, depois, no botão Converter Livros. Na janela que surge, é possível fazer montes de ajustes, que vão desde o tipo de fonte e justificação de parágrafos até opções específicas do formato de saída. Como padrão, o Calibre converte para o formato mais compatível com seu e-reader ou tablet [por exemplo, Mobi para Kindle ou ePub para iPad]. Mas é possível escolher outro padrão no campo Formato de Saída. Depois de ajustar tudo, clique em Certo e espere o final da conversão. Para vários livros, selecione-os, segurando a tecla Ctrl e marcando cada um com o mouse. Depois, clique com o botão direito na seleção e escolha Converter Livros > Conversão em Massa.

Conversão proibida

O Calibre não faz diretamente a conversão de um formato com proteção ou criptografia, como arquivos ePub comprados em lojas online ou AZW adquiridos na Amazon. Ainda é possível copiar o arquivo para o HD do micro, para fins de backup, no entanto.

Direto para o HD externo

É possível levar sua coleção de livros para qualquer lugar com a versão portátil do Calibre, que pode ser instalada num pen drive ou HD externo. Basta rodar o arquivo de instalação e indicar a pasta na qual o Calibre será gravado. Se você já tem uma coleção em outra instalação do programa, basta copiar a pasta Calibre Library no local escolhido para a versão portátil. Uma ideia interessante também é manter sempre os mesmos arquivos em cada instalação do Calibre, portátil ou não. Nesse caso, você pode usar um aplicativo de sincronia de arquivos, como o Toucan, fazendo com que as pastas Calibre Library de cada instalação fiquem idênticas entre si.

Acesso pela rede

Em vez de plugar cada e-Reader ou tablet ao micro com o Calibre, é possível compartilhar o acesso à biblioteca do Calibre pela rede local. Para isso, é só clicar no botão Conectar/Compartilhar e escolher Iniciar Servidor de Conteúdo. O acesso é feito pelo navegador, acessando o endereço http://ip_do_micro:8080, substituindo ip_do_micro pelo endereço IP do computador que está rodando o Calibre. A interface web permite fazer buscas e baixar os livros diretamente. Há alguns aplicativos que detectam de forma automática quando o Calibre compartilha livros na rede local. No iOS, o Stanza é um deles.

Dedicado ao Android

Se você usa um tablet Android para ler livros e gostou do Calibre, vale a pena usar um aplicativo feito especificamente para ele. Trata-se do Calibre Companion. Abra o Calibre no micro, pressione Conectar/Compartilhar e escolha Start Wireless Device Connection. Pressione Certo para confirmar. O Windows deve pedir a confirmação do acesso pelo firewall do sistema, então pressione Permitir Acesso. Aí é só rodar o Calibre Companion no tablet com Android e tocar em Connect para acessar toda a coleção de livros. Ao contrário do acesso pelo navegador, é possível inclusive mandar livros do tablet para a coleção do Calibre usando o Companion.

Baixe os artigos

Existem vários serviços que guardam artigos da web para leitura posterior, como o Pocket e o Instapaper. Para quem usa um tablet, é só usar o próprio aplicativo de cada serviço para baixar e ler os artigos guardados. Mas, para quem tem um e-reader, o Calibre resolve o problema. Clique no botão Obter Notícias. Na janela que surge, abra as opções do item Desconhecido[a]. Clique em Pocket ou Instapaper, conforme o serviço usado. Depois, preencha seus dados de login e senha e clique em Baixar Agora. Os artigos serão trazidos e reunidos no formato de livro. Note que também há opções para baixar notícias de diversos países e fontes, incluindo jornais e sites do Brasil [no item Português Brasileiro]. Você também pode agendar o download de artigos ou notícias, marcando o item Agendar Para Baixar. Nesse caso, o Calibre fará o download de forma automática, se estiver rodando, ou em sua próxima execução, caso contrário.

Publicado originalmente e clipado à partir de Info | 16/07/13

CURSO | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem estudado sobre a atuação de empresas como Google, Kobo, Apple e Amazon no Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem estar mais próximas do alcance das editoras, e do autor, do que possa imaginar. Mas ainda é preciso preparar-se para um novo cenário no mercado editorial.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores e profissionais que desejam compreender mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O CONTEÚDO

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE O PROFESSOR

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 13 de Julho de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: Das 9h00 às 15h00
20 vagas | Valor único: R$ 170,00

INSCRIÇÕES

Escola do Escritor
Rua Deputado Lacerda Franco, 253 | Pinheiros
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Curso | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem falado sobre a chegada de empresas como Google, Kobo, Copia e Amazon ao Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem no entanto estar mais próximas do alcance do autor do que ele possa imaginar. Mas é preciso preparar-se.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores que desejam saber mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O Conteúdo

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

Quem Pode se Beneficiar do Curso

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

Anote na agenda

A Revolução dos Livros Digitais
Quando: 23 de fevereiro de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: 9h00 às 15h00
Valor único: R$ 170,00
Lotação: 20 vagas

Sala de aula

Rua Deputado Lacerda Franco, nº 253
CEP 05418-000 – Pinheiros, São Paulo, SP
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio

Escola do Escritor
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
http://www.escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Workshop Produção de eBooks com inscrições abertas


Aulas ocorrerão no Rio de Janeiro e em São Paulo

Estão abertas as inscrições para as novas turmas do Workshop Produção de e-books em ePub, produzido pela Simplíssimo, no Rio de Janeiro, nos dias 4 e 5/03, e em São Paulo, nos dias 7 e 8/03. Dedicado a designers e profissionais do mercado editorial, o curso funciona em formato de laboratório, no qual os participantes levam seus notebooks e aprendem a fazer e-books de modo prático. Ministrado por José Fernando Tavares, sócio e diretor técnico da Simplíssimo, o Workshop ensina técnicas para a produção profissional de e-books em formato ePub, ensinando como produzir a partir do InDesign, além de dicas e truques para otimizar a produção. Inscrições podem ser feitas pelo email sac@simplissimo.com.br ou pelo site da Simplíssimo.

PublishNews | 24/01/2013

Os autores e os ambientes digitais | Como publicar no formato digital


Os Autores e os Ambientes Digitais: Como publicar no formato digital

Muito se tem falado sobre  tablets, e-readers, smartphones, aplicativos e plataformas de livros digitais, mas esses termos parecem estar distantes do alcance do autor. Pensando em desmistificar esse assunto aparentemente complicado, será ministrado, durante o “13º Encontro de Férias HUB/SBS | Tecnologia e Educação: desconstruindo mitos e receios“, o workshop OS AUTORES e OS AMBIENTES DIGITAIS: Como publicar no formato digital. O workshop especialmente criado para escritores que desejam saber mais desse novo meio de edição abordará a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo digital.

O workshop OS AUTORES e OS AMBIENTES DIGITAIS: Como publicar no formato digital será ministrado pelo editor Ednei Procópio, que é especialista em eBooks e autor de livros sobre o tema. Mantém o Blog eBook Reader [www.ebookreader.com.br]. É membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e CEO da startup Livrus Negócios Editorais, uma empresa especializada e com o objetivo levar autores e obras para a Era Digital.

ANOTE NA SUA AGENDA

Workshop: Os Autores e os ambientes Digitais: Como publicar no formato digital
Quando: 17 de janeiro, quinta-feira, às 14h
Onde: Instituto Cervantes
Avenida Paulista, 2.439 | Metrô Consolação
Inscrições gratuitas

Smashwords, anote este nome na sua lista


SmashwordsSmashwords é uma empresa de auto-publicação de ebooks, com sede nos EUA. O serviço é basicamente o seguinte: o autor sobe seu livro no Smashwords, e a empresa coloca o livro à venda em inúmeras livrarias internacionais – a mais destacada delas é a Apple, e a lista também inclui Kobo, Barnes & Noble, entre outras menos conhecidas. Aberto desde maio de 2008, o Smashwords distribui hoje mais de 190 mil ebooks de autores e editoras independentes – 98 mil foram adicionados apenas em 2012. Esses números tornam a empresa uma das mais conhecidas e utilizadas pelos autores que publicam ebooks sem editoras. A empresa conta atualmente com 19 funcionários e registra lucro há mais de dois anos, sem interrupção.

Por que você deve anotar este nome na sua lista? É um concorrente da Amazon, que está ficando mais forte a cada dia que passa, literalmente. A empresa vem registrando números extraordinários com a venda de ebooks, especialmente através da Apple, onde distribui cerca de 125 mil títulos – nem todos os títulos do Smashwords vão para a Apple, pois os autores é que são responsáveis por providenciar arquivos de qualidade para seus eBooks, que passem pelo padrão de qualidade da Apple.

Evolução das unidades vendidas na Apple, de 2010 a 2012Há 27 meses, a empresa tem lucro de forma ininterruptacom a venda de ebooks – pagando aos autores entre 60% e 85% do valor líquido das vendas. E esses resultados aconteceram, sem que o Smashwords vendesse eBooks com a Amazon – a única grande livraria de ebooks com a qual o Smashwords não trabalha. A Amazon também oferece um serviço de auto-publicação próprio, bastante forte, e não tem interesse em dar fôlego para a concorrência do Smashwords.

Além disso, o Smashwords acaba de lançar oficialmente o seu novo canal de distribuição, diretamente em formato ePub. Até poucos dias atrás, um autor que desejasse publicar através do Smashwords precisava enviar um arquivo em Word, que era transformado em eBook através de um processo automático – com resultados pobres, geralmente. Desde o começo de 2013, autores e editores já podem fazer o upload de um arquivo ePub diretamente, com toda a qualidade possível.

Como a empresa opera somente nos EUA, não é tão interessante para os autores brasileiros, por conta dos impostos americanos descontados na remessa de pagamentos para o Brasil. Porém, conforme o Smashwords cresce e se consolida, cedo ou tarde conhecerá uma expansão internacional. Anote aí – este serviço ainda chegará ao Brasil.

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Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 04/01/2013

Kindle começa a ser vendido on-line; lojas venderão a partir de quinta


Anunciado na primeira semana de dezembro junto com a chegada da Amazon ao Brasil, o Kindle já pode ser comprado por meio do site do Ponto Frio.

O aparelho começará a ser vendido em lojas físicas na próxima quinta-feira [20], em parceria com a Livraria da Vila – que não comercializa e-books.

A Amazon havia dito que o início das vendas on-line, carro-chefe nos EUA, começaria “nas próximas semanas”. No entanto, o site do Ponto Frio colocou o produto à venda antes do anúncio oficial, na noite desta terça [18].

O e-reader, que custa R$ 299, é a versão mais simples da linha da Amazon. Ele tem tela de seis polegadas que não emite luz, 16 níveis de cinza e navegação por botões [não tem touch].

CONCORRÊNCIA

A entrada da Livraria da Vila como parceira da Amazon na venda de Kindles ocorre em oposição à Livraria Cultura, que vende o e-reader canadense Kobo Touch no Brasil.

Com o mesmo tamanho de tela, mas mais versátil – já que lê arquivos EPUB, popular formato de e-books–, o Kobo Touch custa R$ 100 a mais que o concorrente. Veja comparações abaixo.

Editoria de Arte/Folhapress

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 18/12/2012, às 18h18

Rival do Amazon Kindle, Kobo Touch é boa opção para ler eBooks brasileiros


E-reader lançado no Brasil pela Livraria Cultura pode ser usado com livros adquiridos em outras lojas no país

O mercado brasileiro de e-readers, os leitores de livros eletrônicos, carece de boas opções. A Livraria Cultura, em parceria com a Kobo, tenta mudar esse cenário.

A Kobo, que pertence à empresa japonesa Rakuten, é uma das principais marcas de e-reader do mundo. Seus aparelhos concorrem de igual para igual com os da Amazon [Kindle], os da Barnes & Noble [Nook] e os da Sony.

Na semana passada, a Cultura lançou no Brasil o Kobo Touch, modelo com tela sensível ao toque que foi anunciado nos EUA em maio do ano passado.

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos (e-books) lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos [eBooks] lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

Leve [185 gramas] e compacto [11,4 x 16,5 x 1 cm], ele tem construção sólida e resistente, com uma agradável textura nas costas. O acabamento emborrachado garante uma pegada firme – o aparelho escorrega menos nas mãos. É vendido em quatro cores: preto, prata, lilás e azul.

Um botão na frente do aparelho, abaixo da tela, leva o usuário à tela inicial. Outro, no topo, serve para ligar, desligar ou colocar para dormir. Na parte inferior, há uma porta micro-USB, para conexão ao computador e carregamento da bateria. Um buraco na lateral esquerda serve como leitor de cartão microSD – recurso ausente no Kindle, que não permite aumentar o espaço de armazenamento.

O Kobo não tem botões físicos para mudar a página, o que é uma pena, pois eles facilitam o manuseio do aparelho com apenas uma mão. Botões laterais, como o do Kindle Keyboard e o do Nook Touch, permitem folhear o livro com a mesma mão que segura o e-reader – basta pressioná-los com o polegar. Sem eles, é necessário deslocar o polegar até a tela para mudar a página, o que não é trabalhoso, mas exige maior cuidado e esforço ao segurar o aparelho.

A resposta ao toque na tela costuma ser rápida, mas as falhas são frequentes. Felizmente, elas raramente ocorrem ao folhear o livro – são mais comuns ao digitar, selecionar palavras no meio do texto ou tocar ícones nos cantos da tela. A borda do aparelho, alta em relação à tela [devido à tecnologia de infravermelho usada para detectar os toques], também atrapalha o acesso aos comandos nos cantos, além de causar uma pequena sombra sobre a margem da página, a depender da iluminação ambiente.

PAPEL ELETRÔNICO

A tela do Kobo usa tecnologia de papel eletrônico E Ink, presente nos principais modelos de e-reader do mercado. Ela consome pouca energia, permite a leitura mesmo sob a luz do Sol, oferece bom ângulo de visão e, teoricamente, cansa menos os olhos do que telas de LCD, por exemplo. Por outro lado, tem baixa taxa de atualização, o que deixa animações e transições lentas e travadas.

Nos próximos parágrafos, falo um pouco mais sobre o E Ink. Se o assunto não lhe interessa, pule para o infográfico, mais abaixo.

Grosso modo, a tinta eletrônica da E Ink é formada por uma camada de microcápsulas que fica entre dois elétrodos [nesse caso, placas condutoras de corrente elétrica]. Cada microcápsula tem o diâmetro de um fio de cabelo e leva em seu interior um fluido claro com partículas brancas [com carga elétrica positiva] e pretas [carga negativa] que se movem conforme a carga elétrica aplicada no elétrodo inferior.

Uma carga positiva no elétrodo inferior empurra as partículas brancas para o topo da microcápsula, deixando-as visíveis através do elétrodo superior, que é transparente – assim, a tela fica branca. Do mesmo modo, a aplicação de uma carga negativa faz com que as partículas pretas subam e escureçam a superfície da tela. A combinação dessas partículas pretas e brancas forma a imagem exibida pelo papel eletrônico.

Seu consumo de energia é baixo basicamente por dois fatores: ele não tem iluminação própria, e a retenção da imagem estática na tela não gasta energia.

Diferente de telas que são iluminadas com luz traseira [backlight], como as de LCD, o papel eletrônico é reflexivo, ou seja, reflete a luz ambiente – artificial ou natural [solar]. Por não emitir a própria luz, ele supostamente cansa menos os olhos do usuário e consome menos energia, mas normalmente não é legível no escuro sem o auxílio de iluminação auxiliar.

Outras características comuns do papel eletrônico são o bom ângulo de visão, que permite uma boa legibilidade mesmo a partir de uma posição não perpendicular dos olhos em relação à tela; a baixa taxa de atualização, o que torna animações e transições – como mudanças de página – um tanto lentas; e o “ghosting” – tendência a exibir “fantasmas” [resquícios de uma imagem anterior] – geralmente solucionado com uma atualização completa da tela antes de formar a nova imagem.

O papel eletrônico implantado em e-readers geralmente exibe imagens apenas em preto e branco. Existem modelos coloridos, mas seu uso é bastante limitado ou deixa a desejar.

Kobo TouchTELA

A resolução da tela do Kobo [600 x 800 pontos] é boa, mas inferior à dos e-readers mais modernos, que exibem desenhos e textos mais nítidos. A diferença é perceptível principalmente em caracteres menores e linhas mais finas.

Como ela tem superfície fosca, seu reflexo raramente incomoda.

A mudança de páginas ocorre com rapidez, e é possível definir o número de páginas viradas a cada atualização completa da tela – que elimina os artefatos visuais [“fantasmas”] que se acumulam a cada troca de página.

No geral, a experiência de leitura é agradável. Se julgar necessário, você poderá configurar itens como fontes tipográficas, tamanho dos caracteres, espaçamento entre as linhas, tamanho das margens e tipo de justificação. Nisso, o Kobo ganha de lavada do Kindle, que oferece opções bem mais limitadas de ajuste para a leitura.

O dicionário embutido funciona bem. Ao deixar seu dedo sobre uma palavra, uma janela aparece mostrando suas acepções. Há também a opção de traduzi-la, mas aparentemente o recurso não identifica automaticamente o idioma da palavra selecionada. O software identifica bem variações como plurais e conjugações verbais.

O aparelho ainda permite que você destaque trechos de livros e acrescente anotações. Tanto esses recursos quando os dicionários, porém, só funcionam com arquivos de alguns formatos. Nos meus testes, consegui usá-los apenas com livros em EPUB – o padrão nos livros para o Kobo e o mais comum [com o PDF] nas lojas on-line brasileiras, mas diferente do usado pela Amazon. O Kindle, por outro lado, não lê arquivos em EPUB, mas oferece um suporte melhor a PDF, com dicionário e anotações.

FORMATOS

Uma das principais atrações do aparelho é o suporte a diversos formatos de arquivo, mas o recurso ainda precisa melhorar bastante. É justamente quando você tenta ler arquivos que não usam o formato EPUB que a leitura no Kobo deixa de ser agradável.

Além das limitações no uso de dicionários e anotações, é normal ver travamentos e lentidão com livros em formatos como MOBI, PDF e até TXT. Durante os meus testes com arquivos de diferentes tipos, tive que reiniciar o Kobo diversas vezes, pois ele simplesmente parava de funcionar –isso quando o aparelho não fazia a reinicialização por conta própria, repentinamente.

É possível ler histórias em quadrinhos nos formatos CBR e CBZ, mas o tamanho diminuto da tela atrapalha.

O Kobo também sofre ao lidar com grandes quantidades de arquivos em diferentes formatos. Coloquei nele mais de 600 itens – entre livros, documentos e imagens–, mas a biblioteca do aparelho mostrava apenas cerca de 400. Vários livros em EPUB não apareciam listados. Para eles aparecerem, tive que apagar alguns arquivos e mudar uma pasta de local. Trabalhoso.

Copiei os mesmos arquivos para um Kindle. Como ele não suporta EPUB, listou um número bem menor de itens, mas, diferentemente do Kobo, exibiu todos os arquivos que tinham formatos compatíveis.

Ao fazer esse teste, tive que apagar algumas das histórias em quadrinhos que havia selecionado, pois o espaço de armazenamento do Kobo é limitado – são apenas 2 Gbytes, dos quais pouco mais de 1 Gbyte pode ser usado. Segundo a Kobo, 1 Gbyte é o suficiente para cerca de mil livros – pode ser pouco, porém, para quem deseja lotar o negócio com itens em PDF e histórias em quadrinhos. Para isso, é recomendável usar um cartão de memória microSD.

Mas o melhor mesmo é evitar colocar muita coisa no aparelho. Até porque a navegação pela biblioteca é muito ruim – faltam opções de filtros para você achar um determinado arquivo, e procurá-lo por dezenas de páginas é cansativo. A solução é usar a busca.

Navegar pela loja da Kobo é ainda mais frustrante, pois o carregamento de cada página é lento demais. Novamente, o jeito é usar a busca. Ou desistir de comprar pelo aparelho e usar um computador – ou, ainda, ir a uma loja física.

O e-reader tem quatro recursos que a Kobo define como extras: o navegador de web, que funciona muito mal e tem poucas funcionalidades [é bem inferior ao do Kindle]; o sudoku, com quatro níveis de dificuldade; o xadrez, com cinco níveis de dificuldade; e o sketchbook, um aplicativo ultrabásico para desenho e anotações.

Assim como seus principais concorrentes, o Kobo não tem suporte a áudio – não há alto-falantes nem saída para fone de ouvido. Para usar audiolivros ou algum recurso de leitura de texto [text-to-speech], você pode recorrer a um celular ou um tablet – ou, ainda, ao velho e bom Kindle Keyboard.

O Kobo também não tem opção de modelo com conexão a redes 3G, uma desvantagem em relação ao Kindle.

O aparelho vem apenas com um cabo USB, sem adaptador para ligá-lo à tomada. Para carregar a bateria [que dura cerca de um mês, segundo a Kobo], você pode conectar o e-reader ao computador – ou usar o carregador do seu celular, por exemplo.

O que vem por aíKOBO OU KINDLE?

Apesar das falhas, o Kobo Touch é um bom e-reader e, no Brasil, tem apenas um concorrente.

Mas é um concorrente e tanto: o Kindle, que começou a ser anunciado nesta quinta-feira [6] no site brasileiro da Amazon. As vendas começam “nas próximas semanas” com o “preço sugerido” [termo curioso –ou o e-reader não será vendido pela própria loja?] de R$ 299.

O modelo anunciado no Brasil é o mais básico, que leva apenas o nome Kindle e não tem tela sensível ao toque – recurso presente no Kobo Touch, vendido pela Livraria Cultura por R$ 399.

Mais do que detalhes técnicos, porém, o que deve guiar a escolha do seu e-reader é o catálogo de obras disponível para ele.

Escolher um e-reader é, também, escolher uma provedora de conteúdo. Nos EUA, por exemplo, quem é cliente ou prefere o catálogo da Barnes & Noble tem o Nook como a melhor opção; os fãs da Amazon devem escolher o Kindle. Talvez a maior desvantagem do Kobo nos EUA, aliás, seja exatamente o seu catálogo, que é bem menor do que o dessas duas.

E no Brasil, é melhor comprar um Kindle ou um Kobo?

A maioria dos potenciais compradores de e-reader no Brasil provavelmente deseja ler principalmente livros editados no país. E é para essa massa que a escolha é mais complicada, pois o nosso mercado de e-books ainda é bastante imaturo. Muitas obras ainda não ganharam formato eletrônico, poucas livrarias têm uma plataforma digital decente, e é difícil prever o que acontecerá no futuro próximo. As editoras apostarão mesmo nos e-books? Elas favorecerão algum formato? Como vai se desenvolver a relação delas com as lojas e os consumidores? Haverá outra loja forte além da Amazon e da Cultura? Isso tudo, entre outras coisas, pode fazer com que você se arrependa de ter um comprado um determinado e-reader. Ou dar-lhe a certeza de que fez um bom negócio.

Com isso, o melhor é esperar – até porque modelos melhores não devem demorar muito para chegar ao país.

Para quem não pode esperar e quer comprar já, listo três quesitos que podem ajudar na escolha:

1] Catálogo em português. A maioria das lojas brasileiras que vendem e-books trabalha com o EPUB, formato compatível com o Kobo e incompatível com o Kindle. A Amazon vende livros apenas para o Kindle. Procure descobrir qual catálogo é o melhor – o resultado poderá depender das preferências literárias de cada um. Quem gostar mais do da Amazon deverá escolher o Kindle; quem preferir o das lojas que trabalham com EPUB [Cultura, Saraiva etc.] deverá optar pelo Kobo.

2] Catálogo em outras línguas. Quem quiser ler bastante em inglês deve escolher o Kindle, pois o catálogo da Amazon é seguramente superior ao da Cultura nesse idioma. Para ler em outras línguas, o processo de escolha é mais complicado e pode variar com o país e o idioma. Em alguns, o catálogo da Amazon será superior – ponto para o Kindle. Em outros, pode haver ausência da Amazon ou presença de rivais à altura da gigante norte-americana – ponto para o Kobo, se esses rivais venderem livros no formato EPUB.

3] Características técnicas. O Kobo leva vantagem em pelo menos dois quesitos: o aparelho em si – que tem tela sensível ao toque, leitor de cartão microSD e mais opções de ajuste de leitura – e, mais importante, o suporte ao EPUB.

A Amazon usa formatos proprietários de e-book, o que “tranca” o usuário. Basicamente, livros para o Kindle só podem ser comprados na própria Amazon e lidos com os e-readers e os aplicativos da própria Amazon – estes, por sua vez, não oferecem suporte ao popular formato EPUB.

Ao usar o EPUB como padrão, o Kobo oferece mais liberdade. Livros em EPUB podem ser comprados em diversas lojas e lidos com e-readers e aplicativos de várias empresas.

Uma vantagem do Kindle sobre o Kobo é o melhor suporte a arquivos em PDF, mas tablets são mais adequados para ler conteúdo nesse formato.

Por fim, quem já tem títulos nos mais diferentes formatos e não quer comprar mais de um e-reader pode lê-los com aplicativos para celular, tablet ou computador, mas sem o conforto da tela de papel eletrônico.

FUTURO

A Livraria Cultura planeja lançar mais três aparelhos com a marca Kobo no primeiro trimestre do ano que vem: o tablet Arc e os e-readers Mini e Glo. Se você puder esperar até lá, os dois últimos podem ser opções melhores do que o Touch.

O Mini parece ser um bom aparelho para quem quiser um modelo mais compacto, e o Glo, com iluminação embutida e tela com melhor resolução [758 x 1.024 pontos], é uma evolução do Touch – superior a ele em praticamente todos os aspectos.

Nos EUA, a Amazon vende outros modelos de Kindle – os e-readers Paperwhite e Keyboard e o tablet Fire.

Lançado em 2010, o Keyboard é o Kindle mais antigo ainda à venda. Sem tela sensível ao toque, tem um teclado físico especialmente útil para fazer anotações.

O Kindle Paperwhite é o e-reader topo de linha da Amazon. Assim como o Kobo Glo, tem tela de alta resolução sensível ao toque e iluminação embutida.

A Amazon não informa se e quando esses modelos chegarão ao Brasil.

Por Emerson Kimura | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 06/12/2012

Amazon chega ao Brasil


AmazonE a Amazon chegou ao Brasil. Apenas 5 horas da Kobo comemorar sua chegada ao Brasil em parceira com a Livraria Cultura, a gigante de Seattle abriu sua loja online na internet brasileira. A loja começou a subir às 00h20 desta quinta-feira e, em www.amazon.com.br, já é possível adquirir Kindles e e-books. O Kindle oferecido pela Amazon é um modelo básico, com WiFi, mas sem 3G ou touch screen. O custo: R$ 299,00. A Google consegui se antecipar e lançou sua livraria brasileira na Google Play às 00h05.

Entre os livros digitais oferecidos pela Amazon merecem destaque as obras de Ziraldo e Paulo Coelho. Uma edição de O Menino Maluquinho é usada para ilustrar as imagens de tablets e smartphones com os aplicativos da Amazon. Além disso, há uma edição gratuita de Os Haicais do Menino Maluquinho. Já Paulo Coelho possui uma página especial própria.

E foi uma longa caminhada desde as primeiras investidas no Brasil do peruano Pedro Huerta, responsável pela operação Kindle na America Latina, que começou a conversar com empresas brasileiras no início de 2011. As negociações não foram fáceis. O grupo Ediouro, por exemplo era, até muito recentemente, uma das editoras que não haviam fechado negócio com a Amazon. Até o último momento. “Fizemos o acordo”, confirmou na última quarta-feira, 5/12, Luiz Fernando Pedroso, vice-presidente do grupo, logo após assinar o contrato. “A expectativa é de que venham com tudo, mais uma varejista no mercado, e num mercado novo”, contou o executivo. A editora vai entrar no mercado digital com 500 e-books, entre os vários selos. Os contratos com a Saraiva e Kobo também foram assinados na mesma hora.

A editora Companhia das Letras confirmou semana passada o acordo com a varejista americana, após longa negociação: “Vimos uma série de detalhes, porque o digital é assim, tem que prever todas as situações possíveis, então acaba sendo muito demorado”, afirmou Fabio Uehara, responsável pelo departamento digital da editora. “Estamos bem animados nesse final de ano, após a onde de especulação, estamos aliviados que vai começar mesmo, a loja da Kobo está no ar, a da Apple também, eu acho que esse natal vai ser muito bacana”, completou Uehara. A editora está investindo pesado no digital, no início de 2010 eram 200 e-books, terminam o ano com 600 e esperam dobrar esse número em 2013. “Queremos publicar todos os lançamentos em e-book simultaneamente, estamos trabalhando no backlist, e pensando em novas possibilidades”, declarou Uehara.

Uma das editoras que estão mais presentes na chegada da Amazon é a Vergara&Riba, V&R, que começou as negociações do acordo com a Amazon logo no primeiro semestre desse ano. A chegada da varejista é promissora: a loja do Kindle tem uma página especial só para a série best-seller Diário de um Banana. O dois primeiros livros da série já estão a venda na loja, e semana que vem os números 3, 4 e 5 também estarão. “Estamos contentes com a entrada deles”, conta Sevani Matos, diretora da VR Brasil, “vai ser interessante ver como eles vão criar o mercado do Kindle no Brasil. É preciso fazer uma campanha de marketing para estimular a compra do e-reader aqui, para não ficar só na mão de um consumidor que foi no exterior e comprou o aparelho, depois de todo o trabalho de transferência para o ePub”. Outros títulos também estarão à venda, como a coleção Maze Runner, e a editora se prepara para um 2013 digital: “Estamos conversando com a Saraiva, e na sequência deve ser a Kobo”, prevê a diretora, “como tem essa limitação do aparelho é interessante estar no maior número de lojas virtuais possível”.

Fernando Baracchini, presidente da Novo Conceito, editora acionista da DLD, também está animado com a chegada da Amazon, e promete que a Novo Conceito terá presença forte na loja virtual.“É um marco, um divisor de águas, no mercado editorial vai ter uma era ‘antes da Amazon’ e ‘depois da Amazon’. E depois vai ser melhor, acho que é uma empresa séria, competente”, afirmou o presidente, que disse estar satisfeito com o acordo que a DLD fechou com a varejista, “foi bom para o mercado”. A editora de Baracchini está mergulhando de cabeça nessa nova fase do mercado, negociando com outros players como Apple, Google e Saraiva: “O Brasil está caminhando para um amadurecimento e o mercado editorial também está passando por isso. Quem está se preparando melhor para esses novos negócios no final das contas vai ter vantagem competitiva, vai valer a pena. Não tenho medo da chegada da Amazon, tenho entusiasmo”, concluiu o presidente.

A editora Intrínseca também se preparou para a chegada da Amazon e outros players internacionais “A Intrínseca tem orgulho de ser a única editora que lança o livro imediatamente no digital, junto com o livro físico, acredito que até o fim do ano que vem as vendas de e-books representarão 10% das vendas”, acredita Jorge Oakim, fundador e diretor da editora carioca. Para ele a chegada da Amazon é “uma oportunidade fantástica para o mercado editorial brasileiro, os livros vão ser mais baratos, a facilidade de compras vai ser maior. Vai ser ótimo para os leitores e, portanto, para as editoras também”, afirmou o editor, que fechou negócio com todos os outros players digitais, como a Kobo, Saraiva e Apple.

Por Iona Stevens e Carlo Carrenho | PublishNews | 06/12/2012

Kobo lança Touch por R$ 399


E-reader foi lançado hoje na Livraria Cultura

A Kobo chegou. Não é notícia nova, mas, após tantas semanas de antecipação, e tanto debate sobre os grandes players internacionais no Brasil, é bom finalmente poder de fato comprar o tão falado e-reader. E para ter um na mão, mais especificamente um Kobo Touch, que entra em pré-venda hoje a meia-noite no site da Livraria Cultura, o leitor vai ter que desembolsar R$ 399, um preço um pouco salgado se comparado aos 100 dólares que ele custa em média nos Estados Unidos. A partir de amanhã, 12 mil títulos em português estarão disponíveis para compra no site da livraria. O e-reader começa a ser distribuído dia 5 de dezembro, tem capacidade de armazenamento de até mil livros e um ano de garantia.

Do ponto de vista orçamentário, sem levar em conta as facilidades e problemas de se ter um e-book, se fizermos o cálculo, com um preço médio de 35 reais por livro, e uma diferença de preço média de 25% em relação ao preço do livro físico [segundo Pedro Herz, o preço do e-book é entre 20 a 30% menor que o do livro físico], o preço do aparelho será compensado após a compra de 46 e-books. O que não é nada absurdo, mas que para a maioria das pessoas leva mais de um ou dois anos.

No lançamento oficial, Todd Humphrey, vice-presidente da empresa canadense, falou que, mesmo estando abertos a outros parceiros, como o são em outros países, a Livraria Cultura é a parceira-chave de longo prazo da Kobo no Brasil e que, do ponto de vista de livrarias concorrentes, o acordo é exclusivo [ou seja, não deverão entrar em parcerias com os competidores da Livraria Cultura]. O fantasma da Amazon estava no recinto, mas Todd foi sucinto e confiante: “Com a união da Kobo, Cultura e Rakuten, vai ter pouca chance para a Amazon aqui”, brincou o VP. E Sergio Herz complementou: “Não vai ser uma competição de igual pra igual, e sim de melhor para pior, a Kobo sendo, claro, a melhor”.

O plano para 2013 é lançar, logo no primeiro trimestre, o Kobo Glo, Kobo Mini e o tablet Kobo Arc – este último possibilitará a leitura de revistas e jornais. Mas os três executivos destacaram que a conversão para Epub, formato digital dos e-books que serão vendidos pela Cultura, é um movimento que deve ser feito pelas editoras. Todd Humphrey nos contou que o trabalho da Kobo no Brasil tem dois aspectos: um é a parceria com a Livraria Cultura, e o outro é o trabalho com as editoras para promover a conversão dos arquivos em Epub. Quando perguntado sobre como se sente sendo o primeiro a chegar no Brasil, Todd não poupa entusiasmo: “It feels greeeaaat!” [ou “muuuito bom!“].

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 26/11/2012

Livraria Cultura lança leitor eletrônico Kobo Touch no Brasil por R$ 399


A Livraria Cultura anunciou nesta segunda [26] que venderá por R$ 399 o leitor de livros digitais Kobo Touch, trazido ao país em parceria com a fabricante do aparelho.

Consumidores que adquirirem o e-reader por meio da pré-venda, que começa nesta terça-feira [27], à 0h, por meio do site da livraria, receberão o aparelho no próximo dia 5 – quando o Kobo também chegará às lojas físicas da empresa.

Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil | Yoshikazu Tsuno - 2.jul.12/France Presse

Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil | Yoshikazu Tsuno – 2.jul.12/France Presse

Segundo a companhia, 12 mil títulos em português estarão disponíveis para aquisição e download para o dispositivo, entre os cerca de 1 milhão em outras línguas.

O aparelho tem memória interna de 2 Gbytes –expansíveis por meio de cartão SD – e suporta os formatos PDF, Mobi e ePub, além de imagens, textos em TXT, HTML e RTF e quadrinhos em CBZ ou CBR.

AMAZON

A Amazon, gigante norte-americana que fabrica os leitores Kindle, foi mencionada algumas vezes durante o evento de lançamento para a imprensa.

“Nós competimos com a Amazon globalmente, em vários países do mundo”, disse Todd Humphrey, vice-presidente executivo de desenvolvimento de negócios da Kobo.

A estratégia da Kobo é ter um parceiro forte em cada país, afirmou Humprhey. No Brasil, é a Livraria Cultura.

Sergio Herz, executivo-chefe da Livraria Cultura, reforçou o conceito de “read freely” [leia de maneira livre], que permite a leitura em aparelhos Kobo de livros comprados em outros dispositivos e plataformas. “E o livro é seu, você pode copiá-lo para outros aparelhos”, acrescentou, numa crítica implícita à Amazon, que tem uma política mais fechada –títulos comprados na loja virutal para o Kindle costumam ser compatíveis apenas com o próprio Kindle.

FUTUROS LANÇAMENTOS

Sobre a disponibilização de periódicos, Pedro Herz, presidente do conselho de administração da Livraria Cultura, disse: “Cabe aos jornais e revistas, não a nós, tomar a iniciativa de disponibilizar seus produtos em formatos eletrônicos“.

Sergo Herz revelou que a Cultura pretende lançar o tablet Kobo Arc, que diz ser mais adequado para a leitura de periódicos, no primeiro trimestre do ano que vem.

No mesmo período, devem ser lançados também o Kobo Mini, modelo de e-reader mais compacto, e o Kobo Glo, leitor com iluminação embutida.

Ainda não há previsão de data e preço para o Arc, o Mini ou o Glo.

POR EMERSON KIMURA, DE SÃO PAULO | COLABORAÇÃO PARA A Folha de S.Paulo | 26/11/2012, às 15h02

Leitura digital brasileira


Família E-readers da Kobo | Kobos: Mini, Glo, Touch e Arc

Família E-readers da Kobo | Kobos: Mini, Glo, Touch e Arc

O livro eletrônico ainda engatinha no Brasil, onde há poucas opções de e-readers e a quantidade de títulos em português é limitada. A chegada do Kindle e da Amazon ao Brasil em dezembro deve acabar com o marasmo. Nesse contexto, a Livraria Cultura se mexe para marcar posição, lançando o e-reader Kobo.

Fabricado por uma empresa canadense, o Kobo é visto nos Estados Unidos como o leitor das livrarias independentes, quase um gadget de resistência contra o trator amazoniano. No Brasil, ele chega aliado a uma livraria com 16 lojas pelo Brasil e 65 anos de mercado nacional.

Os quatro modelos do Kobo serão lançados aqui e poderão ser comprados no site e em lojas físicas da Cultura. O primeiro a chegar é o Touch. Depois vem o Glo, o Arc e o Mini. A Cultura ainda não tem as datas de lançamento nem os preços. Nos EUA, custam entre US$ 99 e US$ 199.

O teste do Link foi feito no modelo Glo, que tem configurações bem parecidas com o Touch, o primeiro a sair no Brasil. Pesa apenas 185 gramas, tem 114 milímetros de largura, 157 mm de altura e 10 mm de espessura. Seu processador tem 1 GHz e o aparelho tem 2 GB de armazenamento, expansível para 32 GB com um cartão MicroSD, suficiente para guardar até 30 mil livros.

O Kobo Glo tem uma textura de tela agradável para a leitura. É opaca e tem o contraste acentuado de uma impressão de boa qualidade. Para ambientes escuros, a tela tem iluminação própria.

Há várias opções de fonte, tamanho e espaçamento para os textos. Virar páginas é simples, basta deslizar o dedo sobre a tela. Fazer aparecer os comandos de configurações é menos intuitivo. Nas primeiras vezes, perdi um certo tempo até conseguir.

A maior chatice do Kobo Glo é a falta de resposta da tela em muitas ocasiões. Na hora de escrever, por exemplo, é comum ter de bater mais de uma vez em uma tecla na tela em busca de uma resposta. Depois de um tempo sem uso, ele chegou a “congelar” algumas vezes. Tive de usar o botão de ligar/desligar para reativar o aparelho.

O catálogo à disposição é vasto. São três milhões de títulos da Kobo, sendo 15 mil em português, mais 320 mil títulos do acervo eletrônico da Livraria Cultura. Os preços dos importados consultados eram mais caros que no sistema Kindle/Amazon [o último livro de Tom Wolfe, Back To Blood, por exemplo, era quase US$ 15 mais barato na Amazon]. Aliás, a checagem de preço via mecanismo de busca do Kobo é um processo aborrecido. É preciso preencher dados de endereço toda vez para se chegar no valor.

O Kobo aceita vários formatos de ebook, mas “prefere” o ePUB, pois através dele recursos como integração com o Facebook são possíveis. Uma vez que um título é baixado, ele pode ser lido em outras plataformas do usuário [PC, iPhone]. Para isso basta apenas ter o aplicativo Kobo.

Kobo Glo
Preço Não divulgado
Armazenamento 2 GB, expansível para 32 GB com cartão MicroSD [equivalente a cerca de 30 mil livros eletrônicos]
Processador 1 GHz
Peso 185 gramas
Tela 6 polegadas
Conectividade Wi-Fi e Micro USB
Duração da bateria 1 mês, considerando 30 minutos de leitura por dia

Por Camilo Rocha | Publicado originalmente no BLOG HOMEM-OBJETO | LINK do Estadão | 18 de novembro de 2012, às 17h59

Indústria gráfica precisa repensar modelo de negócios, mas produção de impressos continua viva


Ednei Procópio aponta preferência do mercado editorial digital, mas destaca a soberania dos leitores

Para Ednei Procópio, os equipamentos totalmente dedicados à leitura se ajustam melhor ao mercado editorial

O IMPORTANTE É O CONTEÚDO

A questão do conteúdo é soberana na discussão sobre o avanço dos tablets sobre os velhos e bons livros de papel. As pranchetinhas digitais, é claro, só farão sentido à medida que houver o que se ler nelas – de maneira fácil e acessível. Polêmicas com as estratégias de produção, distribuição, divisão dos direitos autorais e incertezas diversas são marcas dessa história recente no Brasil, enquanto a indústria gráfica ainda é recalcitrante diante do tema. O especialista Ednei Procópio, autor de O livro na era digital, esteve em Belo Horizonte na última semana, para debater o assunto com profissionais da indústria gráfico-editorial, educadores e interessados, a convite da Câmara Mineira do Livro. Em conversa com o Estado de Minas, Procópio apostou na preferência pelos e-readers em relação aos tablets por parte das editoras. Elas, aliás, na opinião dele, já passaram da hora de repensar seus velhos modelos de negócios.

E-readers

Os leitores de e-books têm tela opaca, que imitam o contraste de papel, para garantir conforto na leitura. São normalmente dedicados à leitura de documentos.

Quando o .MP3 surgiu comercialmente, nos anos 1990, a indústria fonográfica duvidou do potencial do formato. E hoje ela paga um preço alto por isso. O mesmo pode ocorrer com a indústria gráfica diante dos e-books?

O .MP3 se tornou, naturalmente, o arquivo padrão de tráfego de músicas na internet sim, mas o formato .MP3 foi apenas, digamos, o catalisador de todo um cenário que já vinha se desenhando não só para a indústria fonográfica. Ela, na verdade, já estava com um modelo de negócios que não acompanhava os novos cenários da digitalidade. E não podemos nos esquecer dos programas de compartilhamento entre usuários, o que facilitou o tráfego do formato .MP3. Já a indústria gráfica voltada à produção de livros especificamente falando precisa sim repensar o seu modelo de negócios na era da internet. Mas façamos jus à verdade: a produção de material impresso continua ainda viva, independentemente do advento dos e-books, que já somam 10 anos de um mercado incipiente.

Tablets | Os aparelhos são mais compactos que os netbooks e capazes de realizar quase tudo que um computador portátil realiza. Em contrapartida, a tela brilha.

Tradicionalmente, a indústria gráfica e o mercado editorial privilegiam títulos que possam se tornar sucesso. Todo mundo quer publicar um best-seller que cubra os altos custos de produção e, claro, garanta um bom lucro. O barateamento da produção, no caso dos e-books, que dispensam papel e impressão, pode impactar na democratização da atividade?

O mercado editorial privilegia títulos que têm um apelo comercial maior e cujo nível de interesse possa atingir um público-alvo identificável. Isso facilita o trabalho de comunicação da editora e até o seu contato com a imprensa. Portanto, é natural haver títulos best-sellers. Afinal, os leitores os querem, embora a maioria do catálogo das editoras continue circulando de um modo mais modesto e com um timing diferenciado. O e-book não tem toda a sua cadeia produtiva barateada. Quando a editora decide publicar um livro na versão digital – por exemplo, no formato ePub –, os custos de seleção de originais, leitura crítica, copidésque, revisão, diagramação, imagens, capa, ficha catalográfica e composição final [com ou sem uma estética multimídia] estão todos lá. E há um custo que dobra quando se faz um livro em dois formatos distintos, o .PDF [para impressão] e o ePub [para e-readers]. Investir em best-sellers, tanto na versão impressa em papel quanto na versão eletrônica, continua, sim, sendo lucrativo. O que diferencia é o custo, que determina o maior ou menor lucro.

Como você avalia o ritmo de adesão da indústria gráfica brasileira aos novos formatos?

A indústria gráfica já aderiu há algum tempo à tecnologia por meio das máquinas portáteis de impressão sob demanda. O sistema de print on demand, que utiliza arquivos digitais em versão .PDF para a impressão sob demanda de livros, tem recebido altos investimentos de toda a indústria gráfica há uma década. Com a democratização da tecnologia e a miniaturização das máquinas, é possível hoje que um único exemplar de um determinado título seja impresso utilizando-se a tecnologia digital.

O ePub, o formato padrão proposto pelo International Digital Publishing Forum [IDPF], é um consenso?

O padrão ePub já tem uma história de 10 anos. Nasceu em 1998, de um consórcio firmado por empresas de tecnologia da informação e outras empresas do ramo editorial. Hoje, felizmente, o ePub é, para o mercado editorial, tecnicamente, um consenso. Mas ainda há dúvidas com relação aos custos de conversão de livros para esse novo formato, o que é caro por conta da falta de mão de obra identificada no mercado.

Por um lado, o Kindle busca trazer uma experiência de leitura confortável, com a tecnologia da tinta eletrônica. Por outro, o iPad procura assumir que é uma tela brilhante, colorida e vira espaço para os livros que exploram a interatividade, o toque do dedo, a narrativa marcada pelos hiperlinks. As diferenças entre a experiência de leitura digital e a leitura no papel devem ser amenizadas, como no Kindle, ou supervalorizadas, como no iPad? Quem ganha a briga?

O Kindle, assim como o Sony Reader, é equipamento dedicado inteiramente à leitura de livros digitais. O iPad não é um e-reader, não é um leitor dedicado. O iPad cai numa outra categoria de produtos, os tablets, cujo conceito, há mais de 10 anos, a indústria de tecnologia tenta inserir no mercado como um novo modo, portátil, de consumir mídia em geral. O Kindle não é o único leitor dedicado do mercado e nem foi o primeiro; assim como iPad não é o único e nem foi o primeiro tablet a ser lançado na história da indústria de tecnologia. Para o bem do mercado editorial, o mais interessante são os produtos da linha e-reader. Porém, no final, quem define qual produto se tornará mais popular para a leitura de livros é o consumidor, é o usuário.

Por Frederico Bottrel | Estado de Minas | 04/11/2010, às 17:27

Minha nova preocupação de estimação


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 25/10/2012

Em minha última viagem, participei da semana acadêmica de Comunicação da UFSM, como palestrante da recém-criada cadeira de Produção Editorial. Fiquei muito feliz por encontrar uma equipe de mestres e doutores com uma visão tão esclarecida do mercado. Pode ser que eu tenha me enganado – afinal isso é uma coluna e não tenho compromisso com dados – mas acredito que seja a grade mais completa e atualizada do mercado, e se ainda não for, contam com profissionais preparados e engajados para transformar essa cadeira em referência nacional. Fiquei muito feliz mesmo.

Após a palestra, um aluno querido me perguntou se eu podia indicar um pacote básico de conhecimentos na área, para que ele pudesse se preparar minimamente para o mercado. Então falei que, em primeiro lugar, eles precisavam consumir o produto e-book. Como seriam capazes de desenvolver produtos digitais se nem conhecem suas utilidades, praticidades e também suas falhas?

Em segundo lugar, expliquei que deveriam amar a tecnologia, se atualizar e consumir, na medida do possível. Recomendei também que aprendessem o básico sobre HTML e programação de ePub, afinal, mesmo que não trabalhem como diagramadores, que ao menos saibam dialogar com os profissionais. Finalmente, sugeri que entendessem de metadados em ONIX, o sistema de catalogação e atualização de dados dos e-books. A planilha Excel pode suprir essa deficiência mas, já que é uma deficiência, por que não estudar logo ONIX? Sabiam que ele é mais simples de manusear que uma planilha?

O melhor de tudo foi ver olhinhos brilhando. Precisamos de profissionais com olhos brilhando. E o melhor, profissionais preparados para encarar as novas rotinas de atualização profissional do editor do futuro.

Mas, como nem tudo são flores, a decepção da semana ficou por conta dos escritores e futuros escritores que ainda pensam dentro da caixa. Sinto uma eterna amarra na imagem do cultuado e isolado autor, com olheiras e trancado em sua casa com fumaça de cigarro, remoendo o quanto a vida é injusta por não reconhecerem sua genialidade, seu brilhantismo. O que será de nós editores se nossos autores, criativos e coração de todo o processo, não conseguirem visualizar as possiblidades e maravilhas do mundo digital? Fiquei preocupada com isso. Acho que foi a primeira vez que voltei minha atenção para esse fenômeno, que chamarei carinhosamente de “síndrome-do-autor-tuberculoso-do-século-XIX”.

Vamos discutir esse assunto? Vamos voltar nossos olhos para o coração de nosso processo de produção? Enquanto ficamos alimentando a “síndrome-do-autor-tuberculoso-do-século-XIX”, nossas crianças já consomem conteúdo digital e, por falta de autor pensando fora da caixa, teremos uma geração alfabetizada em inglês. Sim, pois elas só encontram aplicativos e livros que condizem com sua realidade digital em inglês.

Pensei que o autor quisesse muito ser lido, independentemente do meio, mas pelo visto não… Continuam apegados ao objeto, não conseguindo enxergar as maravilhas da distribuição digital. Estão apegados à imagem do autor-mártir, que não vive de literatura e aceita isso, e acham heresia tentar viabilizar comercialmente um conteúdo. Realmente este tipo de visão, no meio de todos os furacões de chegadas de gigantes do e-book no Brasil, me fez perder o sono. De que adianta ter gigantes para viabilizar a distribuição de conteúdo, se as mentes criativas e provedoras só precisam de um exemplar impresso, de um objeto de estante, para serem completos e felizes?

Para o bem ou para o mal, me escrevam camila.cabete@gmail.com.

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 25/10/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

O vilão do eBook no Brasil


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 27/09/2012

Sim, temos taxas e impostos insanos. Mas, mesmo com todo imposto do mundo sobre as nossas costas, vejam nas ruas quantas pessoas têm smartphones. Então eu me pergunto: se, mesmo pagando muito mais, os brasileiros continuam consumindo tecnologia, qual é o problema dos e-books? Qual é a maior barreira que players e editoras estão enfrentando no Brasil?

Fiz algumas perguntas, para algumas pessoas, e cheguei a algumas conclusões.

Temos dois entraves no mercado editorial digital brasileiro: o medo e a ignorância.

O medo vem em forma de atraso, de enrolação, de medo de dizer não e, principalmente, da mania do brasileiro de não ser objetivo [pera lá… também sou assim, luto todo dia para me tornar uma pessoa objetiva]. Muito trabalho para pouca gente? Muito contrato para poucos advogados? O que vocês acham? Acham que os contratos é que são os problemas nisso tudo?

A outra barreira é a ignorância de uma série de coisas a respeito dos e-books. Uma e-book store que possui uma boa solução de aplicativo e distribuição não aceitará mais PDF. PDF não tem uma boa experiência de leitura. Mas isso todo mundo já sabia, né? É só ler minhas colunas anteriores. Os editores logo correram e converteram alguns livros para o formato ePub, só que esqueceram que, depois da conversão, deve-se checar a quantidade de erros e, mais importante ainda, consertá-los.

Outro erro: falta de ISBN. As editoras ignoram o fato de terem que registrar no ISBN seus formatos de livros digitais, e muitas lojas exigem isso.

Como abrir uma loja de e-books no Brasil sem acervo? De que adianta os advogados acertarem todos os contratos e conseguirem todas as assinaturas, se mais de 70% dos ePubs nacionais estão com algum defeito?

Portanto, neste momento, além de se preocuparem com os contratos, por favor, consertem seus ePubs. O leitor, quando começar a comprar e-reader e e-books nas diversas livrarias digitais, devices e sites que surgirão, vão devolver o livro que estiver com problemas de formatação. Muitos já fazem isso. Sim, as livrarias têm que estornar as vendas de acordo com o direito do consumidor.

Força tarefa então para checar seus ePubs. Pressão nos advogados para assinarem e desenrolarem contratos. Acho que com isso resolvido o Natal digital promete!

Links que ajudam a resolver problemas estruturais em ePubs:
EpubCheck
KindlePreviewer
# Desabafe, abra seu coração: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 27/09/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Brasil, eBooks, educação e tecnologia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Non ducor, duco

Com seus 11 milhões de habitantes – 20 milhões, se incluirmos as cidades ao redor – e um PIB de mais de 300 bilhões de dólares, São Paulo representa o principal polo industrial e financeiro da América do Sul. Cerca de 6 milhões de automóveis transitam por sua gigantesca rede de estradas, avenidas, túneis, pontes e viadutos. Escapando do trânsito,incontáveis passageiros são transportados pelas diferentes linhas de metrô, enquanto no ar, um enxame de helicópteros aguarda o momento propício para descer no terraço de algum arranha-céu.

A cidade transmite uma intensidade extraordinária, é absolutamente multicultural e absorve tudo o que chega de fora – costumes, roupas, comidas e até palavras – com a mesma naturalidade que uma selva tropical assimila espécies novas. No entanto, tal facilidade não deveria criar nenhuma confusão: longe de adaptar-se passivamente às tendências da moda, São Paulo transforma todas a seu favor, o que talvez explique a máxima em latim que adorna sua bandeiranon ducor, duco – “não sou conduzido, conduzo”.

CONTEC: educação e tecnologia

Felizmente, a cidade conta com espaços de serenidade. O Parque Ibirapuera é um dos mais importantes de São Paulo: possui belíssimos lagos, fontes e árvores, assim como uma rica oferta cultural. No centro dele ergue-se o Auditório Ibirapuera, concebido há várias décadas pelo genial arquiteto Oscar Niemeyer e atualmente administrado pelo Instituto Itaú Cultural.

O Auditório destina-se geralmente a grandes espetáculos musicais, mas durante os dias 7 e 8 de agosto serviu de sede para o evento CONTEC, uma conferência internacional sobre educação e tecnologia organizada pela Feira do Livro de Frankfurt [FBF] – em especial por suas divisões LitCam e Frankfurt Academy –, que contou com o apoio de atores locais como PublishNewsAbeu, o Instituto Itaú Cultural, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Positivo, entre outros. Quase 700 pessoas, majoritariamente jovens, assistiram a debates atuais sobre a questão do analfabetismo, os planos de leitura do Estado brasileiro, as iniciativas de empresas locais e as incursões das empresas internacionais.

Pelo que se pôde ver, o Brasil se prepara para um grande salto tanto em educação quanto em tecnologia. Como deixou claro Karine Pansa – diretora da CBL – na abertura do evento, o Brasil ainda é um país desigual, mas a universalização da educação primária, o investimento em qualidade educativa e as novas tecnologias acabarão sendo fatores decisivos na consolidação de um mercado leitor. Para conseguir estes objetivos, o país “terá que aprender das nações que já deram esse salto”.

Um Estado poderoso

André Lázaro – que foi secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade durante a presidência de Lula da Silva – enumerou as conquistas e desafios dos planos nacionais de luta contra o analfabetismo, assim como a necessidade de trabalhar com força neste âmbito, a fim de conseguir uma democracia melhor. Como lembrou Lázaro, ainda persistem fortes diferenças entre o rico sudeste e o nordeste mais pobre, assim como entre as cidades e o campo.

Lúcia Couto – atual coordenadora geral de Ensino Elementar do Ministério da Educação – descreveu as diferentes ferramentas utilizadas pelo Estado para universalizar a alfabetização das crianças. O Brasil está discutindo atualmente os detalhes do Plano Nacional de Educação, que poderia elevar o investimento educativo a 10% do PIB nos próximos 10 anos.

Os esforços do setor público também vêm da área da cultura. Galeno Amorim – presidente da Fundação Biblioteca Nacional – expôs detalhes do Plano Nacional do Livro e da Leitura. Como apontou o presidente da FBN, o Ministério da Cultura designou quase 200 milhões de dólares a diversas iniciativas de fortalecimento das bibliotecas e de estímulo à leitura que serão realizadas até o final do ano.

Brasil na vanguarda tecnológica

Se o setor público dá sinais de se mover com decisão, as empresas privadas não ficam atrás, embora sejam conscientes de que falta muito por fazer. Cláudio de Moura Castro – assessor do poderoso grupo Positivo – afirmou que apenas 18% dos universitários possuem o hábito da leitura e que um número significativo de alunos são, na verdade, analfabetos funcionais; de fato, em todo o Brasil existem tantas livrarias quanto na cidade de Paris.

O matemático José Luís Poli – do Programa de Alfabetização em Língua Materna [PALMA], desenvolvido pela empresa IES2 – confirmou o diagnóstico negativo a respeito dos milhões de analfabetos plenos e funcionais, mas se mostrou otimista sobre as soluções aportadas pelas novas tecnologias. PALMA funciona como um conjunto de aplicativos para celulares e oferece diferentes ferramentas de escrita e compreensão de textos. É importante lembrar que no Brasil existem mais de 250 milhões de celulares – o que equivale a uma penetração de 130% – dos quais ao redor de 54 milhões são 3G. Por outro lado, os fortes investimentos em infraestrutura 4G que se avizinham permitem supor que a telefonia móvel desempenhará um papel ainda mais vital na comunicação brasileira.

Brasil 2.0

As redes sociais constituem outro dos fatores decisivos no mundo da comunicação do Brasil. O país conta com mais de 55 milhões de contas de Facebook – segundo, depois dos EUA, no ranking global de usuários. A rede social Orkut, que no Brasil é administrada pela Google, perdeu sua liderança no final de 2011, mas ainda conta com uma considerável massa de seguidores. Em relação ao Twitter, o Brasil também segue os EUA no número total de usuários, sendo São Paulo a quarta cidade com maior número de tweets do mundo, só atrás de Jacarta, Tóquio e Londres. Durante a conferência CONTECa escritora carioca mais de 200.000 leitores que a seguem.

Os meios sociais do Brasil vão, inclusive, além do Facebook, Orkut ou Twitter. Já surgiram redes locais organizadas por núcleos de interesse, que mostram uma atividade notável. Na mesa que tive a oportunidade de moderar, Viviane Lordello deu algumas cifras do Skoob, a maior rede social de leitores do Brasil: uns 600.000 internautas trocam recomendações, notas e até livros físicos que são enviados por correio postal; estes usuários são de todo o território brasileiro, no entanto mais de 45% vive em São Paulo. Também é preciso destacar o trabalho realizado pela Copia, uma plataforma de conteúdos digitais dependente do grupo DCM dos EUA; Marcelo Gioia – CEO do Copia Brasil – enumerou durante a CONTEC os planos da empresa em nível local, especialmente depois de ter fechado uma aliança com o Submarino, a principal empresa de comércio eletrônico da América Latina: desta união de forças surgiu o Submarino Digital Club, uma rede social na qual os usuários podem compartilhar anotações assim como comprar e descarregar e-books.

Local e global. CONTEC 2013

A necessidade de estabelecer alianças locais foi em parte discutida durante a sessão “Visão panorâmica: olhando a bola de cristal”, na qual participaram Tânia Fontolan – do conglomerado brasileiro Abril Educação – e Hegel Braga – diretor da Wiley Brasil – sob a coordenação de Holger Volland. Fontolan começou explicando a forma como a Abril Educação vê o mercado educativo local nos próximos anos: crescimento dos conteúdos na nuvem; proliferação de tablets e celulares; aprendizagem baseada em videogames e conteúdo aberto. Braga, por seu lado, ofereceu detalhes sobre as ações da Wiley no Brasil: a empresa abriu um escritório próprio em São Paulo há poucos meses: dali espera desenvolver acordos com sócios locais e trazer tecnologia do exterior para ajustá-la ao cliente brasileiro. Tânia Fontolan concordou com a importância de trabalhar com alianças locais, embora tenha se mostrado cética a respeito da ideia de implantar soluções tecnológicas fechadas, pois em muitas ocasiões estas se mostraram simplesmente inadaptáveis.

Jurgen Boos e Marifé Boix García – respectivamente diretor e vice-diretora da FBF – sublinharam seu compromisso de longo prazo com o Brasil e a América Latina, ao mesmo tempo em que anunciaram uma nova edição da CONTEC para junho de 2013, desta vez na forma de uma feira internacional de conteúdos e educativos e multimídia, com dias diferenciados para os profissionais e para o público. A FBF já conta com delegações de Nova Délhi, Moscou, Beijing e Nova York, e logo abrirá um escritório em São Paulo. Segundo Jurgen Boos, as redes e o know how da FBF podem ser de grande ajuda para a indústria editorial brasileira:

“O Brasil tem um mercado interno enorme, com quase 200 milhões de pessoas. No entanto, está muito focado no local, ainda carece de contatos internacionais e é aí onde acho que nós podemos desempenhar um papel importante. Gostaríamos também de trabalhar com as universidades brasileiras, porque considero que tudo que fizermos deverá ser local. Podemos trazer nossa experiência, mas são necessários profissionais do mercado local.”

eBooks na Bienal: um futuro entre o EPUB e a nuvem

No dia 9 de agosto, a uns 12 quilômetros do Parque Ibirapuera – no centro de exposições do Anhembi – foi inaugurada a 22ª Bienal do Livro de São Paulo, sob o lema “Os livros transformam o mundo, os livros transformam as pessoas”. A exposição durou 11 dias e foi visitada por mais de 750.000 pessoas, confirmando o dinamismo de uma indústria editorial que fatura quase 2,5 bilhões de dólares anuais.

Em comparação com os estandes de livros impressos, o espaço dedicado aos e-books era bastante limitado, o que acaba sendo coerente com a baixa faturação que apresenta o segmento digital: na verdade, os livros eletrônicos equivalem hoje a menos de 1% do total de ingressos da indústria editorial brasileira. Apesar disso, algumas tendências permitem antecipar um crescimento acelerado do novo mercado.

Como afirmamos antes, são numerosas as empresas estrangeiras que trabalham com aliados nativos para oferecer conteúdos digitais cada vez mais adaptados aos leitores locais. Graças ao lançamento de sua rede social de livros digitais – resultado do acordo com a Copia – o estande da Submarino foi um dos mais concorridos da Bienal.

Por outro lado, a considerável capacidade de investimento dos players autóctones possibilitou o surgimento de plataformas originais como Nuvem de Livros, desenvolvida pelo Grupo Gol, em associação com a operadoraVivo-Telefônica: durante a Bienal, os estudantes puderam se informar sobre as funcionalidades e custos desta plataforma na nuvem, que conta com 800.000 usuários e que por menos de 2 reais por semana oferece acesso a cerca de 6.500 títulos.

Da mesma forma, as editoras nacionais estão trabalhando ativamente na digitalização de seus catálogos, embora ainda haja muito a melhorar: segundo a especialista Camila Cabete, mais de 60% dos arquivos EPUB brasileiros apresentam erros de estruturação. De qualquer forma, a migração já começou: os títulos publicados em formato digital chegaram, em 2011, a 9% do total de obras registradas. Diversas editoras passaram à ofensiva comercial, em especial no terreno do livro científico: Atlas, GENEditora Saraiva e Grupo A uniram forças para oferecer seus títulos através do Minha Biblioteca, uma plataforma de conteúdo digital pensada para o mercado acadêmico.

Quem quer colocar [Kindle] um fogo [Fire] na Amazônia?

O dia 10 de agosto foi a data chave para os e-books durante a Bienal. Ao longo de toda essa jornada – “o dia D” – o público pôde escutar diferentes protagonistas da cena digital: Andrew Lowinger da Copia, Marie Pellen da OpenEdition, Jesse Potash da Pubslush, Júlio Silveira da Imã, Eduardo Melo da Simplíssimo, Marcílio Pousada da Livraria Saraiva e Russ Grandinetti da Amazon Kindle. Depois da primeira conferência, os organizadores foram obrigados a mudar o evento para uma sala maior, já que o número de participantes tinha superado as expectativas.

Quando chegou a vez de Russ Grandinetti, nem sequer a nova sala foi suficiente para conter os interessados, e um grande número de ouvintes ficou de fora. O executivo esclareceu logo no começo que não daria nenhuma data para o desembarque da Amazon no Brasil e se limitou a enumerar os pontos positivos do e-reader Kindle e o tablet Fire. Carlo Carrenho – diretor do PublishNews – coordenou o diálogo entre Grandinetti e o público, e no final lembrou uma frase de Jeff Bezos: “Quero ir à lua… e ao Brasil”, o que levou a uma pergunta que o público celebrou com gargalhadas: “Quando pensam em abrir essa filial lunar, então?” É que o lançamento da Amazon no Brasil já demorou muito – talvez um sinal de que as coisas não eram tão simples quanto pareciam. Às complexidades impostas somam-se obstáculos impensados: por exemplo, até muito pouco tempo, o domínio amazon.com.br era propriedade de uma empresa local; demorou 7 anos para a Amazon EUA conseguir um acordo com sua contraparte brasileira – porque não era simples para os norte-americanos alegarem seu direito sobre a marca, já que o rio Amazonas [“Amazon” em inglês] se encontra precisamente no Brasil. Em todo caso, a empresa de Seattle parece disposta a fazer o que for necessário para se estabelecer na América do Sul – desde adquirir empresas nativas até operar sob uma denominação diferente, entre outras alternativas.

Imediatamente depois da Amazon, chegou a vez da livraria Saraiva. Nesse momento, eram tantas as pessoas na sala que a situação se assemelhava mais a um show de rock do que a uma conversa sobre e-books. Marcílio Pousada lembrou a importância de contar com 102 lojas em todo o território brasileiro e de ser um dos principais vendedores de tablets e de livros a nível nacional. Vale a pena sublinhar que a Saraiva possui mais de 2 milhões de clientes ativos em sua divisão eletrônica. Graças a uma equipe de 60 pessoas dedicadas ao desenvolvimento digital, implementou seu próprio aplicativo de leitura e outras iniciativas pensadas especificamente em função do leitor local. Este potencial concorrente da Amazon oferece hoje em torno de 10.000 títulos em língua portuguesa e espera somar outros 5.000 até dezembro.

Quem manda no baile

No Brasil, confluem hoje forças muito poderosas, provenientes tanto do interior quanto do exterior. Como rios caudalosos que se interconectam, o setor público, as empresas locais e as empresas globais formaram um ecossistema rico e dinâmico. Este diagnóstico poderia ser aplicado a diferentes áreas da economia, por exemplo a de infraestrutura de transportes, tal como pôde ser visto nos recentes anúncios do governo para a construção de ferrovias e estradas.

No âmbito das publicações digitais, a sinergia entre os players públicos e privados, locais e globais, é especialmente clara. A envergadura dos atores envolvidos permite supor um crescimento acelerado tanto da oferta de conteúdos quanto dos ingressos econômicos. O país tem tudo para ganhar com o desembarque das multinacionais do e-book: as empresas brasileiras recebem uma forte transferência de tecnologia do exterior, ao mesmo tempo em que os consumidores nacionais têm acesso a plataformas e dispositivos de primeiro nível.

Apesar disso, também é preciso avisar que existe o perigo de uma saturação da oferta. Na verdade, muitos de meus interlocutores brasileiros estavam surpresos pelo otimismo excessivo manifestado pelas empresas internacionais, que acham que este mercado é um novo Eldorado, a ansiada fuga da crise econômica que afeta suas matrizes. E o certo é que – tal como sublinharam os criadores de políticas durante a conferência CONTEC– o Brasil continua enfrentando desafios cuja solução exigirá muito tempo e grande esforço.

De qualquer forma, apesar de todas as dificuldades, o país ganhou uma relevância ineludível e já dialoga de igual para igual com os titãs da indústria eletrônica global. E o Brasil – com seu ativo setor público, suas poderosas empresas e seu povo extraordinário – está decidido a conduzir o baile, não a ser conduzido.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Livraria Cultura quer vender leitor eletrônico mais barato que a Amazon


Varejista fecha acordo com a canadense Kobo para trazer ao Brasil quatro modelos de e-readers e catálogo de 3 milhões de livros

SÃO PAULO | A briga pelo nascente mercado brasileiro de livros digitais promete esquentar. A Livraria Cultura anunciou nessa quinta-feira, 13, uma parceria com a canadense Kobo para trazer leitores eletrônicos e livros digitais para o País, na preparação para a chegada da operação de varejo da americana Amazon. “A parceria deve impulsionar o mercado de e-books por aqui“, afirmou Sergio Herz, presidente da Livraria Cultura.

A empresa planeja vender quatro modelos de e-readers da Kobo, sendo um deles um tablet com sistema operacional Android. Os planos são agressivos. “Ainda não definimos os preços, mas o primeiro modelo deve ser mais barato que o Kindle importado”, disse Sergio Herz. Com lançamento previsto para o fim do próximo mês, o primeiro modelo será o Kobo Touch, que custa US$ 99 nos Estados Unidos. Um Kindle International, comprado diretamente do site americano da Amazon, sai no Brasil por cerca de R$ 450, com impostos.

Ninguém faz dinheiro vendendo o aparelho“, disse Pedro Herz, presidente do conselho da Cultura. Essa também é a estratégia da Amazon, que usa o Kindle para alavancar a venda de livros, música e filmes digitais. Com o acordo com a Kobo, o catálogo de livros digitais da Livraria Cultura vai subir de 330 mil títulos para 3 milhões. Somente 15 mil estão em português.

Espero que nosso lançamento venha a incentivar as editoras brasileiras“, disse Pedro Herz. “Elas já estão lançando os livros novos também na versão digital, mas existe uma oportunidade muito grande no catálogo.” Assim como a Amazon, a Kobo tem um sistema em que escritores independentes podem publicar seus livros digitais diretamente. Esse serviço não será trazido ao Brasil no mês que vem, mas está nos planos da Cultura oferecê-lo por aqui.

A Livraria Cultura prevê faturar R$ 430 milhões este ano, um crescimento de 20% sobre 2011. Desse total, 19% são provenientes do site, e somente 1% das receitas de seu comércio eletrônico vêm dos livros digitais. Sediada no Canadá, a Kobo é controlada pela japonesa Rakuten, que lançou este ano um shopping virtual no Brasil.

Negociação

Sergio e Pedro admitem ter conversado com representantes da Amazon que, segundo eles, queriam convencê-los a vender o Kindle em suas lojas. É um modelo que, para a Cultura, não fazia sentido, já que colocaria nas mãos de seus clientes um equipamento ligado à loja virtual da Amazon. Eles negaram que a Amazon tenha tentado comprar a Livraria Cultura. “O que eles fariam com nossas 14 lojas?“, questionou Sergio.

A expectativa sobre a chegada da Amazon no Brasil é grande. A empresa tenta negociar acordos com editores e tenta aquisições. Apesar de não existirem informações oficiais, pessoas do mercado diziam, há alguns meses, que o lançamento seria em setembro. Agora, muita gente já diz que a estreia da operação de varejo provavelmente ficou para o ano que vem.

Os leitores eletrônicos da Kobo adotam formatos abertos, como ePub e PDF e, dessa forma, os leitores podem comprar livros em outras lojas. A vantagem para a Cultura, no entanto, é que o aparelho estará ligado diretamente à sua loja virtual, permitindo que os usuários do Kobo comprem livros com um clique.

A primeira tentativa da Cultura de entrar no mercado de e-books aconteceu em 2002, mas foi muito cedo. Em 2010, a varejista fez uma nova investida, com o leitor digital Alpha, da Positivo Informática, que já deixou de vender. “O Alpha era um leitor mais simples, que não tinha solução de compra”, explicou Sergio Herz.

Com o Kobo, a empresa oferece uma solução completa, com compra de livros no aparelho e aplicativos para PCs, iPhones e iPad e aparelhos com o sistema Android.

Por Renato Cruz, de O Estado de S. Paulo | 13 de setembro de 2012 | 21h 59

Atheneum oferece simplificação na distribuição de eBooks


O mercado de livros digitais não pára de crescer pelo mundo. No Brasil, não poderia ser diferente. Diariamente, grandes nomes passam a aderir a esse meio, convertendo seus livros ou realizando lançamentos já no formato digital. Pesquisas recentes mostram a crescente venda de tablets e outros readers para a população, que passa a vê-los como um meio precioso para carregar com facilidade seu material de leitura para qualquer lugar.

Percebendo essa tendência, e visando suprir uma necessidade emergente no país, em 2009 surgiu o projeto Atheneum. Suas características de inclusão e o conceito de comunidade, que alia o acesso à leitura com as possibilidades de compartilhamento de grupos, e também via redes sociais, chamou a atenção da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos do Governo Federal, que aprovou a sua subvenção e, assim, viabilizou o projeto. Naquele momento, iniciou-se o desenvolvimento da plataforma que, no decorrer do tempo e com a evolução da tecnologia, foi ganhando novas funcionalidades e agora está sendo disponibilizada para o mercado editorial.

O Atheneum é um produto desenvolvido pela Mobiltec – Sistemas de Computação Móvel Ltda., que visa oferecer uma solução completa para a publicação, venda, distribuição, proteção de direitos autorais, leitura de livros digitais, em formatos ePUB e PDF, além da possibilidade de compartilhamento e comentários sobre o conteúdo entre grupos de leitores.

As funcionalidades do Atheneum podem ser adotadas em conjunto ou de forma isolada. Por exemplo, ele contempla toda a estrutura de um e-commerce, desde a inclusão de produtos, precificação, carrinho de compras, relatórios gerenciais e tudo mais que se necessita para comercializar e entregar livros digitais pela internet. Porém, se a empresa que for utilizá-lo já tiver um e-commerce, ele poderá será integrado à solução já existente sem conflitá-la.

E, falando em livros digitais, é impossível não nos deparar com um grande problema, que é a proteção dos direitos autorais. Temos aí outro grande destaque do Atheneum, que traz uma solução própria de DRM [Digital Rights Management], que visa criar barreiras de proteção ao conteúdo, evitando sua difusão não autorizada. Vale destacar que hoje em dia as empresas brasileiras que oferecem livros digitais vêm utilizando soluções estrangeiras, que são bastante onerosas e fora do seu controle.

O Atheneum cumpre plenamente o papel da proteção, a custos compatíveis, porque oferece os seus próprios leitores digitais para todas as plataformas de dispositivos móveis.

Não podemos também deixar de destacar a funcionalidade de autopublicação, ou self-publishing, a qual permite que autores independentes, utilizando os recursos do Atheneum, publiquem suas obras, com ou sem a intervenção direta da editora, mas podendo ter auxilio e o suporte desta. Trata-se de uma importante evolução na forma de relacionamento dentro do mercado editorial, desde a criação até a venda e entrega dos livros digitais.

Outro ponto de destaque do Atheneum é que ele possui leitores digitais próprios [aplicativos para leitura], disponíveis para os principais dispositivos do mercado, tais como: tablets, smartphones, desktops ou notebooks, operando com os principais sistemas operacionais, como: Android, iOS, Windows, Windows Phone e, brevemente, o Windows 8. Isso garante ao leitor a possibilidade de carregar, com segurança, sua biblioteca particular em múltiplos e diferentes dispositivos, para fazer a leitura como lhe for mais conveniente, dispondo de funcionalidades que permitem tornar essa leitura mais agradável. Esta característica permite que o usuário do Atheneum, além do Portal, também ofereça os leitores digitais com a sua própria marca.

O Atheneum foi totalmente desenvolvido aqui no Brasil para funcionar em ambientes de internet de baixa velocidade e só exige a conexão para fazer a compra e baixa do[s] livro[s] adquirido[s]. Depois de carregado no dispositivo, o livro pode ser lido em modo off-line, a menos que o leitor queira compartilhar citações nas redes sociais, o que também é possível. Por exemplo, um professor pode criar uma comunidade de seus alunos para compartilharem comentários e experiências de leitura de uma determinada obra apenas entre eles.

Enfim, o Atheneum é uma solução única, muito completa, e que oferece muitos recursos para serem explorados. Vale à pena conhecê-lo.

Por Roni Silveira, Presidente da Mobiltec

Quatro capitais receberão workshop de produção de eBooks em ePub


Encontros ocorrerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre

Para editoras e designers em busca de capacitação para a produção de e-book, em agosto e setembro a Simplíssimo promove o Workshop Produção de e-books em epub, com turmas em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. O curso acontece nos dias 27 e 28 de agosto [São Paulo], 30 e 31 de agosto [Rio de Janeiro], 03 e 04 de setembro [Curitiba] e 13 e 14 de setembro [Porto Alegre].

Ministrado por José Fernando Tavares, sócio e diretor técnico da Simplíssimo, o Workshop irá transmitir as melhores técnicas utilizadas para produção profissional de e-books em formato epub, como produzir o epub a partir do InDesign, além de dicas e truques de como otimizar a produção de e-books. O investimento é de R$ 950 e as inscrições podem ser feitas pelo email sac@simplissimo.com.br ou através do site da Simplíssimo. Para mais informações, clique aqui.

PublishNews | 17/08/2012

O ePub e os players internacionais


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/08/2012

Engraçado que muita gente ainda fala do mercado digital no futuro, confabulando como vai ser, o que vai acontecer. O mercado digital já está aqui. E algumas coisas mudaram. Escrevo hoje sobre essas mudanças com a “humilde” intenção de servir de guia. Será que sua empresa, do setor editorial, está seguindo a tendência? Será que esta tendência é a que deve ser seguida? Vamos por partes!

Setor comercial: o setor comercial está se aproximando cada vez mais dos setores de marketing e editorial. Diria até que muitos comerciais estão fazendo às vezes o papel do setor editorial, quando se trata de livro digital. Parece que sobrou pra eles – Comercial, aproveita que já tem os contatos, se vira aí e coloca os ebooks no ar!…mais ou menos isso. Coitados…mas daí estão saindo vários profissionais muito bons, capacitados e apaixonados pelo assunto digital.

Setor editorial: parece que ainda pensam demais em papel, mas numa boa, estou me surpreendendo com as iniciativas. Como comercial de uma agregadora, estamos fazendo cada vez mais um atendimento passivo. As editoras estão vindo atrás de soluções tecnológicas, segurança, diversidade de formatos. Claro, poderia ser melhor, mas vejo movimento e isso pra mim, que no início falava muitas vezes sozinha, é demais!

Setor de design: os diagramadores realmente estão se superando e buscando melhorias. A tendência é serem quase programadores. Os ePubs no Brasil ainda são muito defeituosos. De todos os ePubs comercializados na base que conheço, a Xeriph, mais da metade apresentaram defeitos que acabam não passando no padrão de qualidade de alguns players. Atenção: não é porque você abre o ePub no Adobe Digital Editions, que ele está dentro dos padrões de qualidade mundial… O resultado é uma correria atrás dos consertos dos epubs. O designers que trabalham mais na parte estética ainda pensam demais em papel. Muito raro ver uma capa de e-book funcional e bonita para Web e devices

Setor de desenvolvimento tecnológico: ainda inexistente nas editoras, mas recomendo fortemente!

Setor de marketing: ahhhh esse tem que melhorar! Ainda estão muito presos às ações de marketing físicas, ou melhor, com os livros físicos. Sim, poderiam fazer mais ações de marketing físicos para promover o digital. Não é porque o livro é digital que as ações devam se limitar às mídias sociais… Acho que o que falta é esse pessoal começar a consumir o produto. Muitos deles nem sabem que produto é este… #ficaadica …Não esquecendo que muitos setores de marketing das empresas se limitam às ordens do comercial e editorial. Comercial e editorial: deem mais liberdade pra eles, vai! Por favor, se souberem de ações legais de marketing para divulgação de e-book no Brasil, não deixem de me enviar.

O setor de livros digitais já é uma realidade e estou muito feliz com isso. Espero na próxima coluna falar somente de novidades… Mas como passei por férias colunísticas, resolvi começar do começo e remexer as bases.

Dúvidas e sugestões: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/08/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Saiba mais sobre o ePub, um formato em constante evolução


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 15/08/2012

Cada elo da indústria do ebook experimenta um processo de mudanças profundas, desde as plataformas até os dispositivos e os formatos. O EPUB – estabelecido pelo Fórum Internacional de Edição Digital [IDPF na sigla em inglês] – é considerado o padrão mais promissor para arquivos de ebooks. Este formato redimensionável conta com grandes vantagens em relação a outros concorrentes; em especial, é gratuito e de código aberto. A seguir reproduzimos nossa conversa com Liz Castro sobre o formato EPUB e outros temas atuais vinculados aos ebooks. Liz, com uma trajetória de quase 25 anos no terreno digital, publicou mais de uma dezena de livros sobre EPUB, CSS, HTML e Blogger, e são uma referência obrigatória para qualquer editor ou escritor interessado em explorar a era eletrônica. Seu blog Pigs, Gourds, and Wikis e sua conta de Twitter [@lizcastro] são seguidos por milhares de leitores em nível mundial.

Octavio Kulesk | Um dos obstáculos para a edição digital em línguas não-latinas é que o formato EPUB nem sempre funciona adequadamente. Você já teve experiência com este tipo de idioma? O EPUB3 melhorou as coisas?

Liz Castro | O EPUB3 agora tem um bom suporte para as línguas asiáticas, como japonês. Acabo de voltar do Japão onde participei da primeira conferência do IDPF na Ásia – tratando do EPUB3 – e apresentamos vários ebooks não só com caracteres japoneses, mas também com escrita vertical, caracteres ruby, tate-chu-yoko, kenten e outras partes essenciais da tipografia japonesa. A coisa melhorou tanto que a Rakuten/Kobo oferecerá todos os livros em japonês no formato EPUB3.

OK | Como você acha que evoluirão os padrões no mundo do ebook, por causa da pressão da Amazon para impor seu próprio formato – o MOBI –, os esforços do IDPF e da maioria das editoras para padronizar o EPUB, além das tentativa de sobrevivência do PDF?

LC | Acho que as novas características do EPUB3 – e em particular seu suporte a línguas não-latinas – podem ser a chave para impor o formato e acabar definitivamente com o MOBI. A própria Amazon já está substituindo o MOBI por KF8, um formato tão parecido ao EPUB3 que poderia ser considerado algo como sua versão proprietária [combina os mesmos HTML5 e CSS3]. A Amazon já aceita arquivos EPUB3 em seu sistema e os converte automaticamente. É claro, a Amazon quer manter seu próprio formato, mas será interessante ver se as editoras estão dispostas a permitir isso. Também vimos que com a diagramação fixa – que já é padrão no EPUB3 – os grandes fabricantes de e-readers estão apoiando o novo padrão. As editoras não têm tempo nem os recursos econômicos para fazer múltiplas versões de um livro para cada leitor. O estabelecimento de um padrão permite que as editoras criem um só arquivo para todos os leitores, e assim tenham tempo para aumentar a qualidade e a quantidade de livros oferecidos.

OK | O InDesign constitui um software fundamental para a diagramação de livros em papel e no digital. No entanto, para a edição pura de livros eletrônicos, não seria mais conveniente partir de outras ferramentas [inclusive mais simples], sem ter que usar o InDesign como intermediário?

LC | O InDesign, como você explicou, é um programa potente, mas complicado e caro. Como a grande maioria das editoras nos Estados Unidos, Europa e Japão usa este programa para a diagramação de livros impressos, é uma opção natural para a criação de livros eletrônicos. Além disso, com cada nova versão, realiza este trabalho cada vez melhor. Mas nos casos em que não seja utilizado para os impressos e que não seja conhecido, nem tenha sido comprado anteriormente, suas vantagens diminuem consideravelmente. Para a criação de livros puramente eletrônicos, ainda não existem ferramentas gráficas muito boas, mas não acho que vão demorar muito para chegar. No entanto, é verdade que são necessárias ferramentas de baixo custo para criar livros eletrônicos sem precisar tocar o código de EPUB que se encontra por trás.

OK | Nestes últimos anos, você viajou por muitos países. Como vê a evolução do ebook no mundo?

LC | Vejo que todo o mundo está entendendo a utilidade de poder ler em dispositivos eletrônicos. Acho que o preço dos dispositivos é chave para sua adoção. Nos EUA, o Kindle só diminuiu de preço quando saiu o iPad – uma concorrência de verdade. Em poucos meses, foi de $400 a menos de $100. Isso está a ponto de acontecer no Japão agora, com o lançamento do leitor Kobo por menos de $100 e com a apresentação do suporte para escrita vertical. Na Argentina, onde estive em abril, acho que a falta de um e-reader acessível é uma das coisas que está segurando o mercado de livros eletrônicos. Há muita gente que lê ali, mas quem quer comprar um e-reader por 300 dólares? Então as editoras, que costumam ser mais conservadoras – e que, além disso, se acham numa situação delicada por causa da crise mundial –, têm medo de investir dinheiro para fazer as conversões necessárias e há uma falta de conteúdo. Tudo é um círculo. Mas vejo a coisa começando a girar.

OK | Que conselhos daria aos editores de países em desenvolvimento que estão querendo experimentar com o digital?

LC | Acho que é preciso levar em conta os dispositivos móveis que as pessoas já têm em sua mão ou sobre suas mesas. É possível ler EPUB gratuitamente num computador ou em muitos celulares existentes. Com isso já dá para começar. Depois, aconselharia que se relacionem diretamente com os clientes leitores, que sejam receptivos a suas necessidades e que não os tratem como piratas. Se as editoras fizerem com que seja mais cômodo e mais fácil comprar um livro que pirateá-lo – com a consequente perda de tempo e preocupações que este ato implica para o usuário –, as pessoas se comportarão corretamente. Estou convencida disso. E atuo em cima desta convicção: vendo todos meus livros sem proteção DRM e eles continuam vendendo tanto em países onde se diz que todo mundo é pirata como nos que não. Também acho que é boa ideia continuar criando livros em papel e digital ao mesmo tempo. Podem ser formatos complementares, não precisam ser exclusivos. Nestes dias, quando muita gente ainda não está acostumada a ler em formato digital, o papel continua sendo necessário para divulgar um livro.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 15/08/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Enquanto isso, no mercado editorial…


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2012

Engraçado que muita gente ainda fala do mercado digital no futuro, confabulando como vai ser, o que vai acontecer. O mercado digital já está aqui. E algumas coisas mudaram. Escrevo hoje sobre essas mudanças com a “humilde” intenção de servir de guia. Será que sua empresa, do setor editorial, está seguindo a tendência? Será que esta tendência é a que deve ser seguida? Vamos por partes!

Setor comercial: o setor comercial está se aproximando cada vez mais dos setores de marketing e editorial. Diria até que muitos comerciais estão fazendo às vezes o papel do setor editorial, quando se trata de livro digital. Parece que sobrou pra eles – Comercial, aproveita que já tem os contatos, se vira aí e coloca os ebooks no ar!…mais ou menos isso. Coitados…mas daí estão saindo vários profissionais muito bons, capacitados e apaixonados pelo assunto digital.

Setor editorial: parece que ainda pensam demais em papel, mas numa boa, estou me surpreendendo com as iniciativas. Como comercial de uma agregadora, estamos fazendo cada vez mais um atendimento passivo. As editoras estão vindo atrás de soluções tecnológicas, segurança, diversidade de formatos. Claro, poderia ser melhor, mas vejo movimento e isso pra mim, que no início falava muitas vezes sozinha, é demais!

Setor de design: os diagramadores realmente estão se superando e buscando melhorias. A tendência é serem quase programadores. Os ePubs no Brasil ainda são muito defeituosos. De todos os ePubs comercializados na base que conheço, a Xeriph, mais da metade apresentaram defeitos que acabam não passando no padrão de qualidade de alguns players. Atenção: não é porque você abre o ePub no Adobe Digital Editions, que ele está dentro dos padrões de qualidade mundial… O resultado é uma correria atrás dos consertos dos epubs. O designers que trabalham mais na parte estética ainda pensam demais em papel. Muito raro ver uma capa de e-book funcional e bonita para Web e devices

Setor de desenvolvimento tecnológico: ainda inexistente nas editoras, mas recomendo fortemente!

Setor de marketing: ahhhh esse tem que melhorar! Ainda estão muito presos às ações de marketing físicas, ou melhor, com os livros físicos. Sim, poderiam fazer mais ações de marketing físicos para promover o digital. Não é porque o livro é digital que as ações devam se limitar às mídias sociais… Acho que o que falta é esse pessoal começar a consumir o produto. Muitos deles nem sabem que produto é este… #ficaadica …Não esquecendo que muitos setores de marketing das empresas se limitam às ordens do comercial e editorial. Comercial e editorial: deem mais liberdade pra eles, vai! Por favor, se souberem de ações legais de marketing para divulgação de e-book no Brasil, não deixem de me enviar.

O setor de livros digitais já é uma realidade e estou muito feliz com isso. Espero na próxima coluna falar somente de novidades…Mas como passei por férias colunísticas, resolvi começar do começo e remexer as bases.

Dúvidas e sugestões: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Workshop Produção eBooks em ePub com inscrições abertas


Atividade ocorrerá nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre

As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre receberão nos meses de agosto e setembro o Workshop Produção eBooks em ePub [Nível 1]. A atividade é direcionada para designers, profissionais e estudantes do mercado editorial. Para participar é necessário levar notebook com InDesign CS5 [pode ser versão Trial] e Adobe Digital Editions instalados. O curso tem por objetivo transmitir as técnicas utilizadas para produção profissional do formato ePub, além de dar dicas e truques de como otimizar a produção de eBooks, através de um método de trabalho prático. Para se inscrever e conferir informações sobre o programa, datas e locais do curso nas cidades, clique aqui.

PublishNews | 26/07/2012

Impressão digital, impressão sob demanda. Perspectivas e impasses


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 17/07/2012

Assisti mês passado à II Conferência Internacional de Impressão Digital, promovida pelo Grupo Empresarial de Impressão Digital – GEDIGI, da ABIGRAF, para entender um pouco mais dessas questões, que há muito me chamam atenção.

E me chamam atenção por várias razões. A impressão sob demanda [POD, na sigla em inglês] vem sendo utilizada já há tempos pela indústria editorial dos EUA, como meio de reduzir estoques e melhorar as condições de logística. Os processos de editoração eletrônica permitem que a transição entre a impressão tradicional e a impressão digital sejam extremamente facilitada. E mais, esses processos de editoração são fundamentais para o aumento rápido da oferta de e-books naquele mercado.

A Amazon, por sua vez, impulsionou ainda mais esse processo com sua parceria com a Lightning Source, divisão da Ingram, que é uma das maiores distribuidoras de livros impressos dos EUA. Quando se faz um pedido à Amazon, o sistema informatizado automaticamente busca o livro no estoque da livraria, no estoque da Ingram, no estoque da editora e como POD, se o livro estiver disponível nesse sistema. O meio mais rápido é o usado para garantir a entrega do livro ao cliente no prazo mais curto.

Por sua vez, a impressão digital – combinada com o livro eletrônico – deu um extraordinário impulso à autopublicação. Editoras como a Lulu permitiram a autopublicação de simplesmente centenas de milhares de títulos, com tiragens entre alguns exemplares a vários milhares. Alguns autores viraram sucesso e foram contratados pelas editoras mainstream [evidentemente esses são divulgados, os que não conseguem sucesso permanecem no anonimato de sempre].

No Brasil, entretanto, percebo que esse processo se dá a uma velocidade muito menor. A minha ida ao congresso, portanto, era a busca de algumas respostas para a razão pela qual isso acontece aqui.

Não consegui todas as respostas que queria. Mas algumas foram proporcionadas pela palestra do Hamilton Terni Costa que reproduzo integralmente aqui. Hamilton é um dos profissionais mais qualificados do setor gráfico, com uma carreira que inclui experiências com a Melhoramentos [gráfica], com a Donelly e outras importantes empresas da área. Hoje é sócio de uma consultoria. Depois do Congresso troquei alguns e-mails com o Hamilton, complementando informações.

Hamilton informou, em sua palestra, que a impressão de livros é a que teve maior expansão entre as dez maiores aplicações de impressão digital nos EUA, com mais de 48,8 bilhões de páginas impressas a mais entre 2010 e 2011, alcançando um total de perto de cem bilhões de páginas impressas. Como aplicação da impressão digital, só perde para a mala direta, que passa dos cem bilhões. O segmento “conteúdo” – majoritariamente livros, do mercado de impressão digital brasileiro – corresponde a 19% de um total de R$ 1,7 bilhão, ou aproximadamente R$ 323 milhões em 2010. Nada insignificante, mas bem longe do que poderia ser.

Uma parcela bem significativa da produção de livros POD no Brasil [assim como nos EUA] é proveniente da autopublicação. As grandes gráficas já incorporaram equipamentos de impressão digital em suas linhas de produção, mas o uso desses equipamentos para produtos editoriais ainda é relativamente pequeno.

O aumento da autopublicação é medido principalmente pelo número de ISBNs solicitados. A Bowker, que administra o ISBN dos EUA, registrou quase 1,2 milhão de solicitações para ISBN de títulos autopublicados nos EUA em 2011. Isso corresponde a quase quatro vezes o número de registros para publicações “tradicionais”, incluindo reedições.

Esse é um mercado em rápido crescimento também aqui no Brasil. A Alpha Graphics, uma multinacional do setor, através da AGBook em associação com uma empresa chamada Clube de Autores já tem um catálogo de quase vinte mil títulos publicados, com esquema de comercialização através dos dois sites [têm conteúdo praticamente idênticos]. O Clube dos Autores é uma iniciativa do i-Group, especializada em planejamento estratégico digital, com a A2C, uma agência de publicidade. É um modelo idêntico ao da Lulu.com e similares.

Scortecci, uma editora de publicação de autores independentes, já editou cerca de sete mil títulos em primeira edição e mostra um catálogo de 2.750 títulos em seus vários selos, e sua Fábrica de Livros este ano já publicou 316 títulos, projetando 632 títulos até o final do ano. Ao contrário do Clube de Autores, a Scortecci define tiragens mínimas com preços preestabelecidos de produção e preço de capa.

Esses são apenas dois exemplos de empresas que atuam no mercado brasileiro. Existem muitas outras editoras que produzem livros pelo sistema POD, acoplados ou não a versões digitais [epub, mobi ou pdf], como se pode comprovar pelo Google. A maioria absoluta, entretanto, está localizada nos estados do sudeste e sul.

O que me intrigava e continua intrigando, entretanto, é o baixo índice de aproveitamento de impressões por demanda como modo de diminuir as questões de logística da distribuição. Como mencionei no começo do artigo, esse sistema já é amplamente usado nos EUA, não apenas para atender à demanda da Amazon, mas também para suprir o mercado de livrarias tradicionais. Não é à toa que a Ingram e a Lightning Source se expandem com rapidez, assim como outros sistemas gráficos. E sabemos que os custos e a infraestrutura de transporte são muitíssimo mais eficientes por lá do que aqui.

Entretanto, é mais fácil ver algumas editoras de grande porte [especialmente as do setor didático] anunciando a criação de centros de distribuição no Nordeste que notícias sobre o uso de POD para ajudar nesse processo.

Note-se que nos principais modelos de aquisição de livros pelo governo [PNLD, PNLEM, PNBE], o custo maior de logística fica por conta do governo. As editoras entregam em bloco para os Correios, em lotes devidamente etiquetados e separados por um programa desenvolvido pelo FNDE, e é essa instituição que negocia e paga os custos do transporte para todas as escolas públicas do país. Talvez por aí se encontre um indício de explicação: o maior custo, que seria o da distribuição de livros escolares para a rede pública, não afeta as editoras. E esse é uma parcela muito grande do negócio dessas editoras.

Na troca de e-mails com Hamilton, depois do Congresso de Impressão Digital, ele me informou que, depois de sua palestra, foi procurado por uma empresa que estava interessada na formação de uma rede de gráficas em nível nacional para fazer esse atendimento. “Achei interessante encontrar empresários já pensando nessa viabilização, algo essencial em um país continental como o nosso”, disse Hamilton.

A questão da responsabilidade de baixar o custo da distribuição do livro sob demanda é tanto do editor quanto da gráfica, mas primordialmente das gráficas. E nisso reside uma excelente oportunidade de mercado para elas”, afirmou Hamilton, em outro trecho.

A próxima chegada da Amazon ao mercado brasileiro, e a possibilidade de que entre também no negócio da venda de livros impressos, pode ser um fator que provoque uma evolução rápida desse quadro. Com sua experiência, a gigante americana pode se esforçar para induzir editoras e gráficas a usarem de modo mais amplo a impressão sob demanda.

O fato da maior produção e o maior consumo de livros do Brasil se concentrarem principalmente nas regiões sudeste e sul ajuda também a explicar essa situação. Mas, ao desconsiderar a possibilidade de diminuir os custos de logística, as editoras desprezam meios para efetivamente reduzir custos e, consequentemente, diminuir o preço dos livros ou melhorar sua rentabilidade.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 17/07/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Tensão pré-Amazon


Chegada da loja ao Brasil mexe com mercado editorial, que se mostra reticente à concorrência. Mas livros são só o começo

SÃO PAULO – “A palavra é apreensivo. A Amazon deixou o mercado brasileiro apreensivo.” A visão de Guto Kater, um dos representantes da Associação Nacional das Livrarias [ANL], ilustra o sentimento da indústria editorial do País, que conta os meses que faltam para a chegada da gigante americana do varejo online, a Amazon.

A previsão era de que a empresa iniciaria as operações em setembro, o que por enquanto está descartado. Segundo um dos envolvidos ouvidos pelo Link, os contratos com quase 30 editoras e distribuidoras estão assinados ou em fase de conclusão. Questões de logística estão praticamente solucionadas.

Problemas relacionados a impostos seriam o fator de impedimento. A empresa teria dificuldades em conciliar o sistema usado internacionalmente com os daqui. Além disso, corre no Senado um projeto de lei que tenta incluir e-readers entre os produtos que recebem isenção total na importação, com livros e tablets.

Durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, entre 9 e 19 de agosto, um grupo de executivos da Amazon vem de Seattle para “um grande anúncio”. Entre eles estão Pedro Huerta, que cuida das operações da Amazon na América Latina, e Russ Grandinetti, responsável pelo conteúdo do Kindle, o e-reader da empresa.

No anúncio, é provável que as dúvidas em torno da chegada da empresa sejam esclarecidas. Lá, os executivos devem dizer se, além de dar início à comercialização de e-books, a Amazon estreia também a venda nacional do e-reader e do tablet Kindle Fire e se venderá mais itens digitais e, em caso positivo, quando.

O que se sabe é que o primeiro passo no Brasil de fato será com livros digitais. Na verdade, seria o segundo passo, já que São Paulo já é endereço [o único na América do Sul] de um data center da empresa, utilizado para serviços de computação em nuvem que a Amazon também oferece.

A venda “completa”, de artigos que vão de games, a barracas de camping e pneus de carro, demandaria um trabalho infinitamente maior – de estoque e logística, por exemplo – e, por isso, demoraria mais.

Pressão. Logo que a Amazon deu início às negociações com as editoras por aqui, há um ano e meio, as livrarias começaram um jogo de pressão. Livrarias, pequenas, médias e grandes se posicionaram contra e começaram a pressionar editoras para que elas não fechassem acordos – ou pelo menos para retardar a chegada da loja ao País.

Para as editoras, o negócio é interessante. A Amazon seria mais um cliente, comprando todo o acervo de livro digital que oferecem. Porém, os mais conservadores têm medo de que o livro digital reduza as vendas dos exemplares de papel.

“Isso é medo do futuro”, diz Carlos Eduardo Ernnany, dono da primeira vendedora de livros digitais do País, a Gato Sabido, e da distribuidora Xeriph. “O editor, que lucra com os livros físicos, tem de sacrificar o que lhe dá dinheiro para investir num mercado que ainda é pequeno, mas que poderá ser importante no futuro. Mas o futuro é daqui 30 dias.”

O presidente da Livraria Saraiva, Marcílio Pousada, não vê necessidade de pressa e diz que ainda “tem muito livro físico para se vender no Brasil para podermos discutir se o digital vai ser mais importante”.

Apesar disso, ele reconhece que a chegada da Amazon é um momento importante para o mercado nacional e prevê disputas. “Ela vai ter de competir com todos nós, que já temos experiência com o Brasil. Vai ter de lidar com rua esburacada, tributos, deficiência dos Correios, malha logística insuficiente. Por isso digo que o serviço de entrega da Amazon não vai ser melhor do que o do resto do mercado.

Mas o dono de uma das maiores livrarias do País não é pessimista. “Vamos competir sem problemas. Estamos preparados. Que venham os concorrentes!

Kater, vice-presidente da ANL, acredita que a salvação das pequenas e médias livrarias está na oferta de serviços, de um melhor relacionamento com o cliente, atendimento personalizado e na aprovação da lei de um preço único para lançamento, evitando práticas anticompetitivas de mercado. “Se as livrarias entenderem que não venderemos mais só livros, mas serviço, pode deixar a Amazon vir”, diz.

Fábio Uehara, chefe do departamento digital e responsável por aplicativos e e-books da Companhia das Letras, diz ser difícil avaliar o impacto da Amazon, mas ele vê a chegada positivamente. “Eu acredito que sempre é importante ter vários players de peso no mercado. A concorrência é saudável”, diz.

A editora é dona de um catálogo de quase 4 mil livros, mas dispõe atualmente de um número dez vezes menor de e-books. Isso porque a conversão do formato PDF para o padrão de e-book [ePub] leva tempo e dinheiro. Mas Uehara garante que a tendência é que logo os títulos sejam lançados nos dois formatos – físico e digital – ao mesmo tempo.

Estamos comprometidos, convertendo tudo o que podemos. Lançamos nosso primeiro título em abril de 2010. No início deste ano, tínhamos 200. Agora temos 400. A meta é chegar no fim do ano com 800 e-books.

A conversão dos livros digitalizados pelas editoras é apontada como um desafios a serem superados para que esse mercado decole. Somando todo o catálogo nacional em português, é possível chegar a um número aproximado de 11 mil títulos. Em comparação, o acervo da Amazon tem quase 1 milhão.

Para Ernnany, a entrada da Amazon pode incentivar as editoras a acelerar esse processo, que diz ser bastante custoso. Para a conversão de cada livro gasta-se em média R$ 450. “O problema é a falta de capacidade de investimento das pequenas e médias editoras brasileiras em converter seu acervo para ePub.

Ele prevê que a Amazon ocupe de 50% a 60% do mercado e, apesar do abalo, isso deve impulsionar a profissionalização do setor e a popularização dos livros digitais, ainda restritos. “Essa história pode custar caro para algumas livrarias que não se prepararam até hoje. Não tem como ficar olhando para ver o que acontece. Se quiser manter os clientes, que faça isso agora”, diz.

O IMPACTO DA AMAZON NO BRASIL

Maior loja online do mundo deverá ser uma pedra no sapato para muita gente:

E-commerce | Sites de varejo online como Submarino [e todo o grupo B2W], Ricardo Eletro, Nova Pontocom e Casas Bahia poderão ter o novo concorrente em 2013.
E-reader | O Kindle não terá dificuldades contra leitores eletrônicos no Brasil; seus maiores rivais serão os tablets, presentes em apenas 1% dos domicílios brasileiros.
Livros | Livrarias físicas e vendedores online de livros ou e-books como Cultura, Saraiva, Submarino e Gato Sabido, serão os primeiros afetados pela gigante americana.
Música | Contra o iTunes da Apple, a Amazon tem lá fora um catálogo de 20 milhões de músicas à venda e um serviço de armazenamento na nuvem.
Filmes | Se a Amazon trouxer seu serviço de filmes por streaming, Netflix, NetMovies, Saraiva Digital, Terra TV Video Store e Net Now serão os mais afetados por aqui.

QUEM AINDA PODE VIR

Kobo | A empresa canadense fundada em 2009 é um dos gigantes neste mercado internacional. Após ser comprada pela japonesa Rakuten em 2011, começou sua expansão pelo mundo e deve chegar ao Brasil no segundo semestre deste ano, garantiu o vice-presidente da empresa, Todd Humphrey, durante um evento em São Paulo em abril.

Apple | A iBook Store, seção de livros digitais da loja virtual da Apple, está disponível no Brasil desde o ano passado quando o iTunes chegou por aqui. No entanto, o acervo disponível se resume a e-books gratuitos de domínio público, por exemplo, clássicos como Moby Dick e algumas obras de Jane Austen. Mas já fala-se que o acervo deve ser expandido em breve.

Google | Segundo o brasileiro Hugo Barra, diretor de produtos para a plataforma móvel Android, a loja de conteúdo digital do Google – Google Play – deve passar a comercializar livros no Brasil a partir dos próximos meses. Com isso, deve ser estreada uma forma de pagamento nova, que deverá incluir as compras do usuário na fatura do aparelho.

Por Murilo Roncolato | O Estado de S. Paulo | 08/07/2012

Recursos multimídia são desafio


A ideia de um livro digital traz à tona uma série de possibilidades inimagináveis em uma publicação impressa. Animações e recursos de áudio e vídeo são apenas algumas dessas novidades. Mas a despeito da oferta crescente de livros digitais – e do interesse dos leitores pelos recursos interativos -, a aplicação desse tipo de tecnologia ainda está longe de se tornar maciça, disseram especialistas ouvidos pelo Valor.

A principal maneira de usar esses recursos atualmente é desenvolver o livro no formato de aplicativo. Mas nem sempre as editoras estão dispostas a arcar com os custos necessários para criar esse tipo de software. Os formatos próprios para livros digitais, por sua vez, de modo geral ainda não estão preparados para esse tipo de recurso. E há ainda um terceiro impeditivo. “‘Rodar’ essas aplicações requer uma capacidade de processamento alta, que muitos dispositivos ainda não têm”, disse Eduardo Melo, fundador e diretor executivo da Simplíssimo, empresa especializada na criação de e-books.

A expectativa é que o formato digital mais recentemente criado pela IDPF, organização internacional de publicações digitais, resolva parte desses problemas. Irmão mais velho do Epub, que não tem proprietário, e batizado de Epub 3, o formato foi feito para “rodar” recursos multimídia e de interatividade, disse Bill McCoy, diretor executivo da IDPF. “Durante esse ano, vamos ver um aumento do número de dispositivos que aceitam o Epub 3“, afirmou o executivo.

Apesar disso, os desenvolvedores ainda precisarão de algum tempo para conhecer melhor o Epub 3 e aproveitar as vantagens desse novo padrão.

Por Bruna Cortez | Valor Econômico | 06/07/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Converter livro em eBook cria novo mercado


Uma tradução bem feita não garante, por si só, o sucesso de um livro estrangeiro, mas é um elemento fundamental para que isso aconteça. As editoras sabem dessa importância e dedicam-se com afinco à escolha de bons tradutores. Agora, porém, com a disseminação do livro digital, as editoras estão tendo de lidar com um novo tipo de tradução: a tecnológica. Verter os textos para os formatos dos livros eletrônicos – que podem ser lidos em computadores, tablets, celulares ou dispositivos específicos para leitura digital – é um processo meticuloso e que requer habilidades específicas. O resultado é que essa demanda deu origem a um mercado nascente no Brasil: o de empresas de tecnologia especializadas em transformar livros em e-books.

A Simplíssimo, com sede em Porto Alegre, e a Kolekto, de São Paulo, são exemplos dessa tendência. Para dar conta da tarefa, parte do trabalho é feita com softwares de conversão, que automatizam o processo. A segunda etapa, mais complexa, requer o trabalho de um programador de sistemas. Esse profissional altera o código principal do programa de acordo com as características do livro. Se a obra é repleta de gráficos ou ilustrações, por exemplo, mais ajustes ele terá de fazer.

À medida que cresce o interesse das editoras pela publicação de livros em formato digital, mais óbvias ficam as oportunidade de negócio na área. Criada em 2010, a Simplíssimo tem cerca de 50 editoras em sua carteira de clientes. O faturamento está por volta de R$ 500 mil por ano. “Nossa meta é conseguir atender mais editoras e ampliar a receita“, disse Eduardo Melo, fundador e diretor executivo da companhia. Desde sua fundação, a Simplíssimo transformou aproximadamente 1,1 mil livros em e-books.

A Kolekto, criada pelos sócios Alexandre Monti, Reginaldo Silva, Ayala Júnior e Carlos Vicente, iniciou as operações em maio. A companhia tem um plano de investimento de R$ 7,5 milhões, baseado integralmente em recursos próprios. A maior parte do investimento será dedicada à infraestrutura tecnológica, mas a empresa já usou uma parcela desse dinheiro para comprar a CodeClick, empresa especializada em aplicativos, como são chamados os softwares com finalidades específicas para tablets e smartphones.

De acordo com Carlos Vicente, diretor de marketing da Kolekto, a aquisição segue a estratégia da companhia de converter livros tanto em e-books como em aplicativos. “Alguns livros não se enquadram nos formatos digitais próprios para e-books porque demandam outro tipo de interatividade, como animações, vídeos e outros recursos“, diz Vicente. “É justamente nesses casos que o aplicativo é mais indicado”.

Por enquanto, ainda são poucas as companhias de tecnologia brasileiras especializadas na produção de e-books. Mas a expectativa é que isso mude rapidamente, com o desenvolvimento do mercado de livros digitais no país. “Há muitas companhias no exterior dedicadas à conversão de livros para formatos digitais ou aplicativos. Tenho certeza que grande parte delas vai se interessar por oferecer seus serviços no Brasil“, afirmou Bill McCoy, diretor executivo da organização internacional de publicações digitais, a IDPF.

Fundada no fim dos anos 90, quando ainda não se ouvia falar sobre livros digitais, a IPDF foi responsável pela criação do padrão tecnológico que hoje predomina no mercado de e-books. Batizado de Epub, o formato não tem proprietário, e é baseado em HTML5 – padrão apoiado pela Apple e seguido atualmente por diversas companhias e criadores de conteúdo.

Mas o Epub não está sozinho. Existem diversos outros formatos digitais para e-books, além dos aplicativos. A escolha desses padrões digitais pelas editoras é um aspecto que divide opiniões.

Esse, aliás, é um problema enfrentado há algum tempo pelos criadores de aplicativos. Para oferecer seu produto em uma das grandes lojas virtuais de “apps”, como esses programas são conhecidos, o programador precisa escrevê-lo com base no sistema operacional adotado pelo dono da loja, como a Apple ou o Google.

Entre os executivos da área editorial ouvidos pelo Valor, a principal preocupação é que transformar um livro em um aplicativo destinado a um único sistema operacional torne a editora refém desse canal de distribuição. Padrões abertos, como o Epub – que é aceito por um número maior de softwares e dispositivos – são uma saída, mas podem deixar a obra fora de lojas de aplicativos de grande movimento, que exigem programas próprios. Outra possibilidade é fazer como muitos criadores de aplicativos e criar versões diferentes do mesmo produto, um para cada sistema. De qualquer forma, há trabalho e custo adicionais envolvidos. As editoras já devem sentir saudades do tempo em que só tinham de se preocupar em traduzir livros para o português.

Por Bruna Cortez | Valor Econômico | 06/07/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

O futuro do livro já chegou e as editoras ainda não perceberam


Gutenberg construiu um dos mais fantásticos dispositivos da história, o livro impresso do famoso alemão recebeu e reproduziu nos últimos 500 anos, com poucas modificações, infinitos softwares: da Bíblia ao Alcorão, da Divina Comédia ao Almanaque do Biotônico Fontoura.

A revolução digital quebrou este paradigma, as “instruções” antes impressas nas páginas dos livros agora são binárias, podem ser lidas por qualquer dispositivo digital. O meio deixa de ser a mensagem, aliás, não importa mais o meio, a mensagem é ubíqua, multiforme, se adapta ou pelo menos busca desesperadamente adaptar-se ao meio. É a inversão do vetor de McLuhan, após séculos de escravidão, a mensagem libertou-se do meio.

Neste novo cenário, surgiram e continuam surgindo uma infinidade de dispositivos que agora são o suporte deste conteúdo flexível, fluído e não mais limitado por átomos, mas sim por bits: Computadores, notebooks, ereaders, tablets, smartphones e uma infinidade de outros aparelhos e neologismos como netbooks e phablets , sim, eu disse phablets !

Alguns deles, como por exemplo, os ereaders, já nascem com uma função claramente transitória, fazendo uma ponte entre velhas e novas soluções, assim como foram os saudosos palmtops !

Muitos estão maravilhados com o universo dos tablets, mas eles também são uma ponte para soluções que já estão chegando, telas flexíveis, dispositivos interativos de realidade aumentada e “the internet of things”

Em relação ao conteúdo ocorre também o mesmo “deslumbramento adolescente”. As pessoas estão impressionadas com livros e revistas para tablets que mais lembram um projetor de slides, onde a cada “toque mágico” um novo diapositivo é exibido ! Outro dia ouvi em uma grande editora : Mas nosso livro é interativo, o personagem “X” mexe os olhinhos [sic]. Sério que vocês acham que isto é o futuro ?

Slides de João e Maria - Coleção Disquinho

Slides de João e Maria – Coleção Disquinho

Desculpem, mas em 1974 meu pai já fazia isto comandando um velho projetor e sincronizando cada novo slide com o som que saia de um disquinho vermelho de vinil que contava a mim e a meus irmãos a história de João e Maria.

É neste contexto que o mercado editorial, temeroso em perder o bonde da história como ocorreu com o mercado fonográfico, se faz a pergunta mais importante e crucial desde Gutenberg: eBook ? Web ? Aplicativo ?

Vocês devem ter visto inúmeras soluções algumas boas, outras nem tanto, que tentam responder à estas perguntas. Algumas focam a solução nos dispositivos[iPad x Kindle], outras em sistemas operacionais [iOS x Android], em modelos de negócios [soluções fechadas x soluções abertas], em formatos [ePub x ePub3 x iBook x KF8] e outras são uma mistura de todas estas opções o que gera milhões de possibilidades…alguns autores já usam o termo BApp [ eBook + App] para classificar soluções híbridas que estão aparecendo no mercado.

Não sou o portador do Santo Graal e nem guru da pós-modernidade, mas a Web é a resposta para a maioria destas perguntas. A “Open Web Platform”, formada por tecnologias, serviços e formatos que orbitam ao redor do HTML5 permitem soluções que “dão nova vida” ao conteúdo: plasticidade, organicidade, modularidade e interatividade e o que é melhor, ubiquidade !

Leia o livro, ouça o livro, converse com o livro, rabisque o livro, brinque com o livro, estique o livro, amplie o livro, mergulhe no livro, compartilhe o livro, mude o livro, seja co-autor do livro, traduza o livro, projete o livro como um holograma, vista o livro ! Não são apenas metáforas, são ações reais que estão ao alcance do leitor no mundo digital e muitas delas já podem ser experimentadas hoje.

Ao contrário de alguns “neo-chatos” que clamam, proclamam e comemoram o fim do impresso, eu acredito que conviveremos com ele por bastante tempo, mas é inevitável atestar a velocidade exponencial com que as mudanças estão se anunciando.

Esta decisão rumo ao futuro  não é só uma questão de tecnologia é uma questão de posicionamento estratégico onde inovação, consolidação, diferencial competitivo, custos e eficiência são as palavras chave.

Open Your Mind,

Open Web Platform

POR Fábio Flatschart | Publicado originalmente no Blog Soyuz | 28/05/2012 às 14:17:55

Mais uma vez, o ePub


Escola do Livro promove curso que ensina a explorar os recursos do formato

Nas próximas segunda e terça-feira, 21 e 22 de maio, a Escola do Livro [Rua Cristiano Viana, 91, Pinheiros – São Paulo/SP. Tel: XX11 3069-1300] promove um curso avançado em ePub. As atividades ocorrerão das 9h30 às 18h30, e pretendem capacitar os participantes para explorar os recursos do ePub e do ePub 3. Serão abordados assuntos como o mercado de produção, o futuro e a atualidade do ePub3 e o uso do iBooks Author, da Apple. O palestrante será José Fernando Tavares, fundador e diretor técnico da Simplíssimo. O investimento é de R$ 580 para associados da CBL, R$ 920 para associados de entidades congêneres, professores e estudantes, e R$ 1.160 para não associados. Para se inscrever,clique aqui.

PublishNews | 17/05/2012