Pioneira do netbook entra na era do iPad


Depois de criar o primeiro minilatop, Asustek enfrenta desafio de disputar segmento dos tablets

Computadores minúsculos têm sido benéficos para a Asustek. A companhia taiwanesa lançou em 2007 o primeiro netbook, os minilaptops de baixo preço que têm sido o produto de crescimento mais acelerado no setor de PCs nos dois últimos anos. Os netbooks representam 40% das vendas da marca Asus atualmente e ajudaram a Asustek a empatar com a Lenovo na posição de quinta companhia de computadores portáteis do mundo, de acordo com o instituto de pesquisas International Data Corp. [IDC].

Agora, parece que a locomotiva de crescimento dos netbooks está perdendo vigor. A fatia dos netbooks no mercado global de PCs provavelmente permanecerá inalterada neste ano, em 12%, estima o IDC. Em vez disso, os consumidores estão se aglomerando em torno de tablets como o iPad, da Apple, que oferece grande parte das vantagens dos netbooks. Para a Asustek, isso significa tomar um grande impulso rumo aos tablets, ao mesmo tempo em que tenta convencer empresas e consumidores de que os netbooks ainda apresentam vantagens.

Em 31 de maio, a Asustek revelou suas primeiras armas na batalha contra o iPad. A exemplo do aparelho da Apple, o Eee Pad – que estará disponível no próximo verão – terá tela sensível ao toque, um teclado integrado e recurso de videoconferência. Ao contrário do iPad, a máquina Asus ostentará um processador Intel e usará o sistema operacional Windows 7. O Eee Tablet, que chegará ao mercado no começo de 2011, é um leitor eletrônico de livros com uma tela sensível ao toque e câmera embutida que permite aos usuários escrever anotações em fotografias. As novas engenhocas poderão ser “importantes impulsionadores para a expansão dos lucros e das vendas nos próximos anos“, escreveu a analista Angela Hsiang, do banco de investimentos KGI Securities, em um relatório de 1º de junho.

A Asustek terá farta concorrência, mesmo à parte do iPad. A Dell apresentou um minitablet chamado “The Streak” [raio de luz] e quase todos os demais fabricantes de PC têm um tablet a caminho, embora alguns tenham adiado os lançamentos na esteira do iPad. Não obstante as novas máquinas Asus chegarem às lojas antes da maioria da concorrência, os investidores claramente alimentam dúvidas sobre a estratégia da Asustek. As ações da empresa, listadas na bolsa de Taipé, tiveram queda de 18% no ano até 17 de maio, quando a venda das ações foi suspensa na iminência do desmembramento da divisão fabril da companhia. Uma das preocupações dos investidores é que a Asustek não possa oferecer o mesmo número de aplicativos da Apple.

Eles têm um produto muito bom, mas o ambiente ainda não está pronto; ainda não há suficiente conteúdo“, diz Robert Cheng, analista do banco Credit Suisse em Taipé. Outro problema é que a bateria do Eee Pad terá cerca de seis horas de duração, quatro horas a menos que o iPad.

O executivo-chefe da Asustek, Jerry Shen, acredita que ainda pode explorar um vasto mercado empresarial para netbooks. A companhia está retocando o design e abandonando o visual atual, de “casca” de ostra, para criar modelos de uma só peça – um tipo de tablet, mas com teclado físico. A Asustek “terá muitos tipos diferentes de netbooks que ainda podem fornecer uma experiência melhor para o usuário“, na comparação com os tablets, diz Shen.

Para se proteger de uma grande queda na popularidade do netbook, a Asustek está se dirigindo à faixa mais afluente do mercado. Em maio, a companhia lançou notebooks com sistemas de som Bang & Olufsen e apresentou uma linha de laptops com bambu na tampa, usando 20% menos plástico que as demais máquinas. “Ainda temos uma grande quantidade de inovação acontecendo“, diz o presidente do conselho de administração, Jonney Shih, exibindo o laboratório particular contíguo ao seu escritório, onde ele se recolhe para desanuviar a mente, fazendo pequenas modificações nas engenhocas Asus.

Uma das inovações mais incomuns da Asustek é sua estratégia de teste de produto. Shih, um budista vegetariano, é um apoiador da Fundação Tzu Chi, uma das maiores instituições beneficentes budistas de Taiwan. Ele convocou a Venerável Mestre Dharma Cheng Yen, a fundadora de 73 anos da fundação, para ajudar a testar os leitores eletrônicos. Cheng Yen “representa a melhor garantia de qualidade”, diz Shih. “Ela é tão paciente”. À medida que tenta se equiparar ao iPad, a Asustek precisará também contar com a paciência dos clientes.

Valor Econômico | 21/06/2010 | Publicado originalmente Bloomberg BusinessWeek | Por Bruce Einhorn e Tim Culpan