Plataforma de autopublicação fecha os olhos para pirataria


Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em eBookNews | 21/09/2015 | clique para acessar a matéria original

Esta semana, abri conta em uma plataforma muito conhecida de autores e leitores, a Wattpad. É uma mescla de rede social e plataforma de publicação, pela qual um autor pode escrever e publicar seus textos diretamente para os leitores. A empresa, capitalizada por vários fundos de risco, se definiu durante alguns anos como o “Youtube dos livros” – hoje afirma ter 40 milhões de usuários. A Wattpad aceita publicações em português, e o que você encontrará lá é surpreendente: uma pirataria de ebooks correndo totalmente solta.

Logo que comecei a navegar na Wattpad e abri a primeira categoria, Aventura, uma enxurrada de ebooks piratas, em português, surgiram na tela]. Dezenas deles. Edições de Harry Potter, Maze Runner, Jogos Vorazes, vários Percy Jackson, entre outros mais ou menos conhecidos do público jovem. Todos completos [no Wattpad o “autor” também pode publicar aos poucos, por capítulos].

Os leitores destas versões piratas, estariam dispostos a pagar pelos livros? Provavelmente não. Talvez pirateassem em outro lugar. Mas o viés, aqui, é outro. A Wattpad demonstra interesse em combater esta pirataria?

Autores e editoras se queixam há anos da pirataria na plataforma. Os problemas remontam a 2009, quando a empresa enfrentou críticas por hospedar ebooks pirateados. Na época, respondeu ter instalado um “filtro” para detectar e eliminar os piratas. Se para os conteúdos publicados em inglês existe algum filtro para eliminar as cópias piratas, o privilégio é negado às edições brasileiras. Divergente, de Veronica Roth, publicado no Brasil pela Rocco, está disponível no Wattpad desde 20 de julho, com mais de 1.800 leituras até agora, segundo a página da versão pirata. Ora, se a cópia pirata de um ebook conhecido permanece intocada durante meses, é sinal que nenhum filtro, ou qualquer funcionário da empresa, confere se o conteúdo publicado é legal ou não!

Os filtros automáticos, quando existem, são burlados pelos piratas de forma insidiosa. O pirata, para publicar um ebook, altera o título do livro, o nome da autora e a capa. O caso ocorreu ano passado, com a autora Jasinda Wilder. Ela soube da pirataria por intermédio de um leitor, que detectou a cópia e escreveu avisando. A autora conseguiu remover a cópia pirata do ebook My Dominant Alpha, após denunciar o usuário ao Wattpad. Apesar disso, a plataforma recusou fornecer dados do usuário pirata — alegou que precisava proteger a privacidade do usuário. Sobre isto, a designer Britt Imogen relatou uma situação, na época, que descreve como certos piratas são persistentes:

Wattpad não faz nada para ajudar a prevenir o plagiarismo, além de um tapa na mão. Um amigo meu foi virtualmente perseguido e plagiado por um único usuário. Toda vez que era pego, a pirata deleteva sua conta, abria uma nova, e começava tudo de novo. Após alguma pesquisa, nós descobrimos que a pirata tinha mais de 300 contas, nas quais ela copiava múltiplas histórias e shows de televisão. [traduzido do inglês]

O fato é que a negligência da Wattpad tem um efeito concreto: ela se torna beneficiária da pirataria. Afinal, é indiscutível que livros de qualidade atraem e fidelizam leitores. Nunca saberemos quantos usuários abriram uma conta só para poder acessar os ebooks pirateados, mas, a julgar pela profusão da oferta de títulos e dos leitores de cada obra, não foram poucos.

Escrevemos para a assessoria de imprensa da Wattpad, questionando se a empresa implementa alguma verificação nos títulos em português. Quando/se recebermos resposta, publicarei aqui. Enquanto isso, um sem número de leitores segue aproveitando vários ebooks “grátis”. A empresa enviou na quarta-feira, 23/09, uma resposta, confira aqui.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em eBookNews | 21/09/2015 | Clique para acessar a matéria original

Livrus e Simplíssimo são cases no Congresso do Livro Digital


Startups apresentam seus projetos durante
4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital

O empreendedorismo no emergente mercado do livro digital parece ir de vento em popa — novos modelos de negócios na área surgem a cada oportunidade. Mas como fazer para transformar ideias em negócios? O que é determinante para a sobrevivência de um business focado em livros digitais, em seus primeiros meses de vida? Que questões e desafios surgem para o novo empreendedor, e como encará-los?

Com o tema “O empreendedorismo no mercado do livro digital – Transformando Ideia em Negócios“, dois empreendimentos voltados para o livro digital são analisados pelos seus fundadores. O case será apresentado durante o 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital com o testemunho dos fundadores de duas startups, Livrus Negócios Editoriais e Simplíssimo Livros, em um relato das suas vivências e experiências com a abertura e a manutenção dos seus negócios.

As apresentações dos cases serão breves [um terço do tempo de apresentação, para cada um dos dois ministrantes]. O terço final do tempo restante será reservado para participação e perguntas do público presente. Serão enfatizados os desafios que precisam ser superados no início do negócio, a postura que o mercado espera dos novos empreendedores e os problemas práticos que surgem pelo caminho [e algumas soluções adotadas].

Anote em sua Agenda

Case: O empreendedorismo no mercado do livro digital
14 de junho, sexta-feira, das 10 às 11 horas
4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital
Centro Fecomercio de Eventos | Auditório B | 1º. Andar

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Ministrantes

Ednei Procópio | Especialista em livros digitais, trabalha com o assunto desde 1998. Já escreveu livros sobre o tema e mantém o blog eBook Reader. É Diretor Executivo da Livrus Negócios Editoriais, empresa criada com o objetivo levar autores e obras para a Era Digital.

Eduardo Melo

Eduardo Melo

Eduardo Melo | Fundador e Diretor Executivo da Simplíssimo Livros, empresa especializada em produção e publicação de eBooks. Eduardo, que trabalha com eBooks desde 2007, também é editor-chefe do site de notícias Revolução eBook. Sua formação acadêmica inclui graduação em História e mestrado em Letras.

Bienal tem seu dia D


Amazon, Saraiva, Copia, Pubslush e OpenEdition marcam o dia digital na Bienal de São Paulo

O espaço Livros & Cia da 22ª Bienal do Livro de São Paulo discute o negócio do livro, as questões da indústria editorial e outros aspectos mais ligados ao mercado. E, nesta sexta-feira, 10 de agosto, Carlo Carrenho media a programação do espaço, que considera imperdível. Pela manhã, Andrew Lowinger, CEO do Copia Interactive, fala sobre a plataforma Copia, que já está operacional no Brasil em uma parceria com a Submarino. À tarde teremos ninguém menos que Russ Grandinetti, vice-presidente da Amazon, com a palestra “A Amazon e o Novo Normal”, onde ele conta a história que mudou o mercado editorial.

Após o Mr. Kindle deixar o palco, será a vez de Marcílio Pousada, CEO da Livraria Saraiva, contar, a partir das 15h, o que a empresa brasileira tem feito na área digital. Em seguida, a francesa Marie Pellen falar sobre “OpenEdition: uma solução Freemium para a publicação acadêmica de ciências humanas”. Pellen é coordenadora para língua portuguesa do programa conhecido como OpenEdition Freemium, uma plataforma que traz um modelo econômico inovador com base no acesso livre para publicações científicas.

Mais à noite, o irreverente Jesse Potash, criador da editora Pubslush, fala sobre “A revolução digital e os novos modelos de negócio”. Para terminar o dia, às 19h30, uma conversa com dois brasucas: Julio Silveira, da Imã Editorial, e Eduardo Melo, da Simplíssimo. O primeiro, um editor pernambuco-carioca, vai abordar as oportunidades e ameaças que a revolução digital traz para autores e editores. Já o gaúcho Eduardo vai apresentar sua bem-humorada visão do editor brasileiro em meio ao tiroteio digital do mercado. Carlo Carrenho fala mais sobre a programação do dia digital da Bienal aqui.

PublishNews | 07/08/2012