Sem demanda


A Singular, braço digital da Ediouro, anunciou a clientes a suspensão de suas operações nesta semana, “em razão de mudanças estratégicas” no grupo, que agrega as editoras Nova Fronteira e Agir, as revistas de passatempo Coquetel e parte da Thomas Nelson Brasil.

O segmento foi criado em 2009 oferecendo a outras editoras os serviços de impressão sob demanda [em que as cópias são feitas só quando há encomenda, sem que a editora precise estocar livros] e formatação e distribuição de e-books. Na ocasião, anunciou investimentos de R$ 8 milhões em equipamentos. Em 2012, encerrou as operações envolvendo e-books e se manteve como um dos maiores fornecedores de impressão e distribuição de baixas tiragens de livros.

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A Ediouro não se manifesta sobre a Singular, mas a coluna apurou que é um encerramento definitivo. Nos últimos anos, o serviço perdeu clientes como a 7Letras, a KBR e a Vermelho Marinho devido a questões como aumento nos preços do serviço e problemas de execução.

A decisão também teria relação com uma negociação envolvendo a gráfica do grupo –que, entre outras mudanças recentes, vendeu a editora de revistas Duetto e reduziu a participação na Thomas Nelson Brasil.

Para a Ímã Editorial, a notícia preocupa. “Eram meus principais fornecedores. Estou até pensando em mudar meu modelo de negócios“, diz o editor Julio Silveira. Alberto Schprejer, da Ponteio, diz que a vantagem era a distribuição para redes. “Uma boa parte do meu catálogo circulava sem esforço. Terei de repensar isso.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 20/12/2014

Nasce o ubook, serviço de audiolivros por streaming


Os brasileiros contam com uma nova forma de consumir literatura. Em vez de ler, podem ouvir os livros. Nasceu há cerca de um mês o ubook, primeiro serviço de assinatura de audiolivros por streaming. Seu conceito é similar ao do Netflix para vídeos ou do Rdio para música: por uma mensalidade fixa, é possível ter acesso ilimitado a todo o catálogo através de um app móvel, hoje disponível para iOS e HTML5 e, em breve, para Android. Nas primeiras duas semanas, conquistou mais de 40 mil assinantes, a maioria na Claro, primeira operadora com a qual firmou acordo de carrier billing, para cobrança da assinatura na conta telefônica. A projeção é superar 1,5 milhão de assinantes dentro de um ano somente entre as teles – acordos de carrier billing com Oi e TIM entrarão no ar em breve. A mensalidade custa R$ 18,90 no cartão de crédito ou US$ 6,90, pelo iTunes billing. Com as operadoras a cobrança é semanal: R$ 4,99.

O ubook conta hoje com um catálogo entre 800 e 1 mil livros. E 25 novos títulos são acrescentados por semana. A ideia é manter um catálogo enxuto, girando entre 1,5 mil e 2 mil livros, sempre novos. “Não quero ter cauda longa. Fazemos uma curadoria rigorosa. Se um livro ficar seis meses sem nenhum acesso, é retirado de catálogo“, explica Flávio Osso, fundador e CEO do ubook.

As editoras recebem uma remuneração fixa por cada título adicionado ao catálogo e outra que varia de acordo com a audiência do livro. O ubook tem contrato assinado com a Ediouro e com a Novo Conceito, e promete fechar nas próximas semanas com outras dentre as maiores de best sellers do Brasil, diz o executivo.

As editoras reclamam que os jovens não têm hábito de leitura. Mas observamos que esse grupo está sempre com fone no ouvido e celular no bolso. Se o objetivo é fazê-lo consumir cultura, não importa se ele vai ler ou ouvir… Nosso discurso para as editoras é: se você tem dificuldade de entregar esse conteúdo no papel, por que não tentar através de um canal que está no bolso do consumidor?“, relata Osso.

O público-alvo não se restringe aos jovens, mas também àqueles leitores que trabalham muito e tem pouco tempo para a leitura. O executivo cita a si próprio como exemplo: ele escuta livros dentro do carro, durante o trajeto que faz até o trabalho. “Eu passo mais de duas horas no trânsito por dia, tanto para ir quanto para voltar. Cada livro tem entre oito e dez horas de duração. Consigo ler, ou ouvir, um por semana“, afirma. Ele acredita que o serviço não canibalize a venda de livros digitais ou em papel. Pelo contrário, serviria de porta de entrada, fazendo com que o consumidor acabe comprando aqueles títulos que mais gostou de escutar.

O aplicativo do ubook permite que o usuário baixe os livros para escutá-los offline, tal como oferecem alguns serviços de streaming de música. É possível marcar trechos para escutá-los de novo depois e até gravar comentários sobre eles. O app também permite o compartilhamento de trechos nas redes sociais. A empresa planeja lançar uma versão para TVs conectadas no futuro, de forma que o usuário possa continuar a audição de casa do mesmo ponto em que parou no smartphone.

Produção

A produção do áudio é feita pelo própria ubook, com dubladores contratados para a narração. Um livro de 400 páginas gera um arquivo com duração entre oito e dez horas, o que demanda entre 15 e 20 horas de produção a um custo de aproximadamente R$ 15 mil. O valor, contudo, sobe bastante quando são convidadas celebridades como narradores. O livro “1822”, por exemplo, é narrado pelo Pedro Bial. O ator Bruno Mazzeo, por sua vez, foi convidado para narrar “As mentiras que os homens contam”, de Luís Fernando Veríssimo. E Paulo Betti emprestou sua voz em “O selvagem da ópera”, de Rubem Fonseca. Em alguns casos, os próprios autores são convidados para esse trabalho, como Nelson Motta, de “Vale tudo”, biografia do Tim Maia.

História

O mercado editorial chegou a tentar vender audiolivros em CDs no passado, mas o produto não decolou por diversas razões, como, por exemplo, a briga por espaço com os próprios livros nas estantes das livrarias. A experiência do consumidor também não era das melhores: quando parava a audição, não podia retomá-la do mesmo ponto depois. “Costumo dizer que o mercado de audiolivro nem sequer começou no Brasil. Não foi lançado na mídia correta e nem no tempo certo“, avalia Osso.

O ubook se inspirou no modelo da norte-americana Audible, que também cobra uma mensalidade para acesso a audiobooks, mas com limite de um livro por mês. A Audible foi vendida alguns anos atrás para a Amazon por US$ 300 milhões. O ubook tem como investidora a Bizvox, empresa brasileira especializada em portais de voz. Para o ano que vem, a empresa planeja exportar seu serviço para outros mercados da América Latina.

Fernando Paiva | Moble Time | 29/10/14

O Iba completa dois anos no mercado


Para marcar a data, plataforma coloca mais de 100 obras em promoção

iba, plataforma brasileira de venda, distribuição e consumo de conteúdo digital, completa dois anos de lançamento em março e, para comemorar, oferece aos leitores descontos que alcançam até 88% em mais de 100 publicações, entre e-books e revistas. “Para conseguirmos oferecer os descontos agressivos, fechamos parcerias com as principais editoras do país, como Ediouro, Arqueiro, Record, Elsevier, Planeta, Novo Conceito, Companhia das Letras, Universo dos Livros, Cosac Naify e Rocco”, afirma Michelle Ramos, gerente de marketing do iba. A promoção vale só até hoje.

PublishNews | 12/03/2014

Amazon diz que toma ‘medidas cabíveis’ em casos de pirataria


Empresa divulga dados de editores de obras irregulares quando ‘apropriado para cumprimento da lei’

Levei quatro anos para traduzir. É claro que me aborrece‘, diz tradutor que teve trabalho vendido ilegalmente

Por dois anos, as traduções do carioca Fernando Py para os sete volumes de “Em Busca do Tempo Perdido” foram comercializadas irregularmente na plataforma de autopublicação da Amazon.

Cada um dos sete livros era vendido a R$ 8,31, sem a identificação de Py nem a anuência da Ediouro, para a qual ele fez as traduções.

Levei quatro anos para traduzir a obra. É claro que isso me aborrece. Nem tanto pelo dinheiro, mas, principalmente, pela exclusão do meu nome como tradutor“, disse Py, ao tomar conhecimento.

No caso, dada a qualidade das edições, não seria melhor se lhe fosse dado o crédito.

Há tantos erros de grafia, de formatação, de português, que fica difícil avaliar a qualidade da tradução e impossível aproveitar a leitura de um escritor que por si é de difícil leitura“, escreveu, em setembro, um dos leitores que criticaram as edições no site.

Questionada pela Folha, a Amazon informou que “medidas cabíveis são tomadas quando descobrimos títulos infringentes em nossa loja ou quando somos notificados por proprietários dos direitos sobre títulos infringentes“.

Sem o conhecimento da Ediouro [cujas edições estão indisponíveis] nem do tradutor, a loja só tirou os e-books do ar após a Folha questioná-la. Por “proteção à privacidade do usuário”, não informou quem os vendia.

Liberamos informações pessoais e sobre contas quando acreditamos que a liberação é apropriada para cumprimento da lei“, esclarece a empresa em seu site.

Há dezenas de edições do gênero à venda na loja brasileira da Amazon [veja ao lado como reconhecê-las].

Casos similares também foram identificados em outros países. Em 2012, depois que uma autora de livros eróticos descobriu dezenas de edições irregulares nos EUA, a rádio americana NPR questionou a empresa a respeito.

Recebeu resposta similar à enviada agora à Folha,e concluiu que, “uma vez que você [o usuário] concorda com os termos [do contrato], a Amazon não é responsável“.

Pela Lei de Direito Autoral brasileira, quem vende uma obra fraudulenta é “solidariamente responsável com o contrafator“. Gustavo Almeida, advogado especialista em direitos autorais, diz que a loja pode ser multada caso não tome medidas após alertas.

Para ele, esse é um exemplo típico do “problema da transição de Gutenberg para o digital”. “É algo a ser contemplado pelo Marco Civil da Internet“, diz, sobre a regulamentação que abrange a responsabilidade de usuários e provedores e que tramita há anos na Câmara.

COMO RECONHECER O CLÁSSICO PIRATA

  • Falta de informações

Em edições piratas de clássicos, a página de apresentação do livro não discrimina o nome da editora nem o do tradutor da obra

  • Sem folha de rosto

Baixando a amostra grátis do e-book, pode-se ver se há a chamada “folha de rosto”, presente em toda boa edição, com dados sobre a obra. Nas piratas, em geral entra-se direto no texto do livro

  • Diagramação ruim

Edições piratas costumam ter problemas na formatação do texto, como quebras no meio de frases ou todo o conteúdo da obra num parágrafo só

  • Comentários de leitores

Quem teve experiências ruins com a qualidade da edição costuma deixar críticas na página do livro no site

POR RAQUEL COZER | COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 08/02/2014

Linha de chegada


Amazon, Kobo e Google estrearam com pendências para não perderem a corrida dos livros digitais no país.

Após avisar editoras de que ficariam fora da estreia se não mandassem seus arquivos até terça, a Amazon entrou no ar inclusive sem títulos enviados meses atrás.

E alguns textos do site foram vertidos via tradutores on-line, caso de “Companheiro Inesperado”, de Toni Griffin. “Quebrando fora da cidade pequena, nunca Brian pensou que ele encontrar seu companheiro”, diz a sinopse do livro.

O Google estreou sem grandes editoras como Companhia das Letras e Ediouro, ainda em negociações.

E a Kobo pôde oferecer só 8.000 dos 15 mil e-books nacionais da Livraria Cultura, já que nem todos os arquivos em PDF foram convertidos ao formato ePub.

Mas a loja canadense teve bons números. Antes da estreia, já tinha vendido mil aparelhos de leitura. Desde quarta, 20% dos e-books vendidos foram para o novo aparelho.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 10/12/2012

Amazon divulga domínio .br e deve chegar ao País


O endereço ‘amazon.com.br’ pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará

SÃO PAULO | A chegada da Amazon ao Brasil, especulada para o mês de dezembro, parece estar mesmo iminente: a empresa enviou a autores e editores um e-mail de confirmação com o endereço amazon.com.br – domínio brasileiro da gigante do varejo.

A mensagem foi revelada pelo escritor David Gaughran, que postou a imagem  em seu Twitter. O e-mail foi enviado autores e editoras recém-cadastradas no Kindle Direct Publishing, o programa de publicação próprio da empresa.

amazon.com.br

O site ‘amazon.com.br’ antes pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará. A varejista, no entanto, venceu a disputa pelo domínio em setembro. A empresa paraense mudou seu site para www.amazonet.com.br.

A divulgação do novo domínio reforça rumores de que a empresa chegaria ainda neste ano.

Por aqui, a empresa acaba de selar acordos com a Companhia das Letras, além de outros já firmados com a Distribuidora de Livros Digitais – que agrega Rocco, Novo Conceito, Planeta, Objetiva, Record, LPM e Sextante, Ediouro e Globo Livros.

A Cia das Letras afirmou em comunicado que seu catálogo de livros digitais – mais de 500 títulos – estarão acessíveis “em breve” nos leitores eletrônicos da Amazon, o Kindle.

Concorrência

Amazon chegará no País com seu e-reader Kindle. | Foto: Eric Thayer/REUTERS

Amazon chegará no País com seu e-reader Kindle. | Foto: Eric Thayer/REUTERS

Em outubro, a loja virtual da Apple já começou a comercializar livros para brasileiros – além dos clássicos gratuitos do Project Gutenberg. Desde julho, o Google anunciava sua chegada ao País. No último mês, soube-se concretamente de acordos selados entre a empresa americana e editoras, mas não se confirma ainda a data de estreia do serviço no País.

Neste mês, a canadense Kobo [pertencente à japonesa Rakuten] fincando os pés no Brasil com sua parceria com a Livraria Cultura, anunciou o início das vendas do seu leitor eletrônico, previsto para o início de dezembro. O e-reader pode ser encomendado pelo site da livraria por R$ 399.

Conforme apuramos em julho, o mercado brasileiro já se prepara para a chega iminente da varejista americana, mas se mostra confiante. O presidente da Livraria Saraiva, Marcílio Pousada, à época dizia que não temia a sobreposição dos e-books ao livros tradicionais. “Ela vai ter de competir com todos nós, que já temos experiência com o Brasil. Vai ter de lidar com rua esburacada, tributos, deficiência dos Correios, malha logística insuficiente. Por isso digo que o serviço de entrega da Amazon não vai ser melhor do que o do resto do mercado”, afirmou. “Tem muito livro físico para se vender no Brasil para podermos discutir se o digital vai ser mais importante”.

Por Redação Link | 30 de novembro de 2012, às 20h44

Editoras brasileiras avançam nas negociações com Amazon


Ao contrário do que aconteceu no mercado americano, a gigante Amazon está cedendo na ‘queda de braço’ com as editoras brasileiras. Inicialmente, a varejista americana queria vender os livros digitais com um desconto de 70% sobre o preço de capa do livro impresso. Depois, baixou para 50% e, ainda assim, as casas editoriais não aceitaram a proposta. As editoras querem que o abatimento seja de 30%, segundo o Valor apurou.

Ainda de acordo com fontes da área editorial, a varejista americana inicia sua operação de venda de livros no Brasil até meados do próximo ano. A Agência Nacional de Telecomunicações [Anatel] já liberou duas versões do leitor Kindle para venda no Brasil. Nos Estados Unidos, os modelos homologados são vendidos por US$ 79 e US$ 149, respectivamente. Procurada, a Amazon não respondeu aos contatos do Valor.

A última reunião entre a companhia e as editoras aconteceu na semana passada. Nesse encontro, as brasileiras reivindicaram também que o preço dos livros continue sendo definido pelas editoras. Nos Estados Unidos, a Amazon é quem determina o valor. Porém, no mercado americano houve uma quebradeira de importantes livrarias, como a rede Borders, em parte por conta dos descontos praticados pela varejista on-line. “Tivemos uma discussão muito produtiva e, no momento, estamos aguardando o envio de contrato para examinarmos as condições. Mas já deixamos bem claro que não queremos guerra de preço“, diz Marcos Pereira, sócio da Sextante, destacando que não pode dar mais detalhes por conta de sigilo na negociação.

As casas editoriais brasileiras mostraram-se unidas com a entrada da Amazon no país. Seis grupos editoriais (LPM, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante) criaram uma distribuidora que atuará como um acervo de títulos digitais. A nova empresa, batizada de DLD, terminará o ano com mil títulos. “A distribuidora é uma espécie de portal em que temos controle dos downloads. Seria um risco alto dar nosso acervo digital aos lojistas sem esse controle“, diz Sonia Jardim, vice-presidente da Record.

A Ediouro também tem atuado fortemente no mundo digital. No fim de 2009, a editora carioca criou uma nova empresa, chamada Singular, para digitalização de livros. Hoje, a Singular conta com um acervo digital de 150 títulos.

Um fator que tem dado poder às brasileiras é que a varejista americana ainda não atua no país. “Nos Estados Unidos, a Amazon já vendia livros em papel antes de começar a vender no on-line. Então, havia mais poder de barganha com as editoras locais. Aqui, é diferente porque a Amazon não existe e as nossas vendas continuam mesmo sem eles“, diz Mauro Palermo, diretor da Globo Livros.

A questão do direito autoral também está gerando debates. Com a redução do preço do livro no varejo on-line, o percentual a ser pago para o autor da obra sobe dos atuais 10% [papel] para 20% em livros digitais. O mercado brasileiro ainda é tímido. Há cerca de 6 mil títulos disponíveis para leitores digitais, segundo a Câmara Brasileira do Livro [CBL]. A Companhia das Letras, uma das maiores do mercado, por exemplo, vai encerrar o ano com 200 e-books, menos de 10% do catálogo.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 15/12/2011

O Google vem aí


O início das operações do Google Books no Brasil está mais perto do que se imaginaria – e pode acontecer antes mesmo que a concorrente Amazon consiga preencher a vaga de gerente aberta por aqui desde maio. No dia 8 de dezembro, Tom Turvey, diretor de parcerias, e James Crowford, diretor de engenharia, recebem editores brasileiros para um café da manhã na sede da empresa, em São Paulo. Eles vão apresentar “os produtos e as novidades para o mercado de livros no Brasil“. Recentemente, a empresa americana contratou Newton Neto, ex-diretor da Singular, o braço digital da Ediouro, para preparar sua entrada no mercado brasileiro.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 19/11/2011

Por R$ 0,99 por semana, brasileiro terá acesso à biblioteca digital


Projeto Nuvem de Livros foi apresentado no Bienal do Livro do Rio

Até 2020, todas as escolas brasileiras deverão ter uma biblioteca. Partindo da ideia de que existem quase 68 mil escolas no país e que 34% delas não têm nenhuma sala com livros, e ainda que o Brasil é o 3º país em número de celulares, o 5º em número de computadores, e que mais de 38 milhões já têm banda larga, Jonas Suassuna, do grupo Gol, viu aí uma oportunidade de negócio. Ele sabe das dificuldades envolvidas no cumprimento dessa diretriz governamental. Por que não construir, então, uma grande biblioteca digital?

Depois de três anos maturando a ideia, pesquisando, criando plataformas e pensando no conteúdo, a Gol Mobile apresentou sua Nuvem de Livros na Bienal do Livro do Rio. Com curadoria editorial de Antônio Torres e uma licença de uso semanal de R$ 0,99, o projeto conta com parceria de empresas como Telefônica, Vivo, Estadão, O Globo e Itautec, o que já dá, de saída, 82 milhões de clientes à biblioteca.

Os livros poderão ser lidos no computador, leitores digitais, tablets e celulares e a Gol criou seu próprio DRM para evitar a pirataria. O acesso amplo e simultâneo está garantido. “Tem que dar acesso geral. Se milhões de pessoas quiserem ler o mesmo livro ao mesmo tempo, elas vão ler”, comentou Suassuna. Hoje, a biblioteca conta com 3 mil títulos, e isso inclui 1.500 teleaulas fornecidas pela Fundação Roberto Marinho. Já o CCAA ficou responsável por todo o conteúdo em língua estrangeira.

Livros de 25 editoras como Moderna, Ediouro e seus selos, Conrad, A Girafa, Vermelho Marinho e outras também integram o catálogo. A forma de remuneração talvez seja a maior novidade do projeto. O fato de o livro estar na biblioteca já garante um pagamento à editora. Se ele for selecionado para ficar como destaque ou integrar coleções e ainda se for muito acessado, isso quer dizer que a editora ganhará um extra. Participar do projeto não é difícil. Se já tiver os livros digitalizados, tanto melhor. Se não tiver, a Gol cuida de convertê-los.

Outra novidade é que professores vão poder acompanhar a leitura dos alunos, conferir os livros pesquisados e saber se eles fizeram de fato o download da obra para embasar seus trabalhos.

Mas a Nuvem de Livros não foi pensada para ser usada apenas por alunos nas escolas; ela terá conteúdo para toda a família. A seu favor, Suassuna tem os apartamentos cada vez mais compactos. “Os apartamentos têm hoje, em média, 45 m2. Coloque uma estante de livros no meio disso tudo e falta espaço para a geladeira ou para a cama”, comentou.

Criamos um modelo para ganhar pouco dinheiro de muita gente”, comentou Suassuna, que não pretende resolver o problema da biblioteca pública no Brasil. “Se eu conseguir fazer os 82 milhões de usuários terem uma boa experiência com bons livros já posso ir embora dessa terra para as nuvens” brincou.

Essa conta que faz remonta ao número de clientes de seus parceiros. Por exemplo, todos os computadores da Itautec virão com a biblioteca digital. Os 80 milhões de usuários da Vivo terão 30 dias de acesso gratuito e depois, se quiserem, assinam o serviço por R$ 0,99 por semana. O mesmo vai acontecer com os clientes dos 25 países onde a Telefônica atua e os assinantes dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo.

Esta é a segunda iniciativa na área de bibliotecas digitais feita por empresas que não são exatamente bibliotecas no Brasil. A primeira, Minha Biblioteca, acaba de firmar parceria com a Ingram e ainda está sendo formatada para em breve ser oferecida para universidades do país. A Nuvem de Livros deve chegar antes, já que a previsão de lançamento é para 1º de outubro.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 08/09/2011

Com baixa procura, grupos brasileiros adiam investimentos


Editoras brasileiras investem em e-books em ritmo muito mais lento do que as de mercados como Estados Unidos e Inglaterra.

E apostar em edições vitaminadas para o formato app é algo que adiam ainda mais.

Monteiro Lobato é um dos autores nacionais que mais têm títulos migrados para as tabuletas: são oito, além de cinco adaptações para quadrinhos, que podem ser lidos no iPad. Lançadas há um mês, essas obras já tiveram cerca de 7.300 downloads, segundo a Globo Livros.

Os títulos de Lobato não possuem, porém, recursos interativos. Permitem apenas a leitura no tablet.

Mais experimental será a edição em quadrinhos de “As Grandes Histórias do Menino Maluquinho”, de Ziraldo, que a editora anuncia para a Bienal do Rio, no mês que vem. Entre as ferramentas incluídas, há uma que vai permitir a gravação de voz do leitor.

Ainda é relativamente caro produzir apps, porque a base de tablets no país é pequena“, afirma Mauro Palermo, diretor da Globo Livros. “O investimento crescerá na medida em que o número de usuários aumentar“, acescenta Palermo.

Editoras de pequeno e médio portes dedicadas ao público infantil têm experimentado mais no formato que as grandes casas.

Pela Peirópolis, por exemplo, saíram dois títulos, “Meu Tio Lobisomem”, de Manu Maltês, e “Crésh”, de Caco Galhardo. Este ano, estão previstas obras de Angela Lago, Lalau e Laurabeatriz, Chico dos Bonecos e Guazzelli.

A DCL, de grande porte, prevê lançar seu catálogo infantil no mercado de apps apenas no ano que vem. Não será em ritmo acelerado. Serão cerca de três por ano. Em eBook, serão cerca de 30.

O grupo Ediouro diz que só em 2012 deve começar a migrar títulos para o formato. Os projetos para apps previstos para este ano foram adiados porque a equipe do seu braço digital, a Singular, teve de se concentrar em outra área, a de impressão sob demanda.

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | 24/08/2011

Estação das Letras lança curso sobre livro digital


Curso pretende preparar profissional do livro para o já real cenário digital; curadoria é do PublishNews

Até bem pouco tempo, os livros digitais eram uma realidade distante. Mas nos últimos dois anos, os e-books saltaram da quase ficção científica para a realidade. Nos Estados Unidos, responderam, só no ano passado, por cerca de 9% do faturamento, crescimento de 200% em relação a 2009 e de 800% em relação a 2008. No Brasil, as grandes livrarias já lançaram, ou estão lançando, suas lojas de e-books; há duas distribuidoras digitais em operação e nenhuma editora pode mais se dar ao luxo de ignorar o que antes era chamado futuro digital.

Com este cenário em mente, a Estação das Letras, no Rio, coloca na rua o curso “Editando livros digitais”, inédito no país. Com uma carga horária de 22h, o curso será realizado em junho e julho e terá aulas ministradas por profissionais do mercado de livros digitais e aborda desde a produção e a criação literária de e-books até o marketing, a distribuição e a comercialização de conteúdo digital. A curadoria do curso é do PublishNews.

“Ainda não havia no mercado brasileiro um curso pragmático e rápido que oferecesse uma visão ampla não apenas do futuro do livro digital, mas também do seu presente e das práticas que o mercado já vem adotando”, explica Carlo Carrenho, fundador do PublishNews e coordenador do curso na Estação.

O objetivo, segundo Carrenho, é que cada aluno, ao fim do curso, esteja preparado para o futuro digital e consciente desta realidade, que já existe tanto no mercado brasileiro quanto no internacional.

Para José Henrique Grossi, consultor comercial da distribuidora digital Xeriph, o curso é de fato bem-vindo. “Depois de anos no mercado editorial de livros de papel, eu migrei recentemente para o mercado de e-books. Este é o curso que eu gostaria de ter feito no momento da minha transição”, afirma Grossi, que ministrará a aula “O mercado nacional de livros digitais”.

Os outros professores são Cristiane Costa [UFRJ], Roberto Cassano [Agência Frog], Bruno Valente [Punch], Camila Cabete [Gato Sabido], Newton Neto [Singular Digital] e Carlo Carrenho [PublishNews].

Serviço
“Editando livros digitais”
Dias 18 e 25 de junho / 2 e 9 de julho, das 10h às 17h [total 22h/aula]
Local: a definir
Preço: R$ 900
Inscrições: 21 3237-3947
Organização: Estação das Letras
Apoio e curadoria: PublishNews

Estação das Letras
Rua Marquês de Abrantes, 177 – Loja 107 Flamengo/RJ
Telefone: [21] 3237-3947

Programa do curso Editando livros digitais

18 de junho

Aspectos gerais do mercado digital – Uma introdução | 2 horas | Carlo Carrenho

Apresentação do curso
Apresentação dos alunos
Um panorama geral do cenário digital
Os últimos acontecimentos do mercado digital
Conceitos básicos

O mercado internacional de livros digitais | 3 horas | Carlo Carrenho

Os números do mercado dos EUA
Um panorama do resto do mundo
Os três mosqueteiros: Amazon, Apple, Google e Kobo
A Barnes&Noble
Self-publishing & outros modelos
Os livros texto digitais

Carlo Carrenho é formado em Economia pela FEA-USP e especializou-se em Editoração no Radcliffe College, da Universidade de Harvard. Já possui 15 anos de experiência no mercado editorial, tendo passado por editoras acadêmicas, religiosas e de mercado geral, como a Thomas Nelson Brasil. Em 2001, criou o PublishNews, um informativo diário com todas as notícias do mercado editorial brasileiro que hoje já possui mais de 10 mil assinantes. Atualmente acompanha de perto a revolução digital do mercado editorial e atua como consultor para empresas do setor. Apesar de paulista, é flamenguista.

25 de junho

Novas estratégias narrativas para a mídia digital |3 horas | Cristiane Costa

As tecnologias do livro: do manuscrito ao iPad
Leitor passivo x leitor ativo
Novas estratégias de storytelling

Cristiane Costa é pesquisadora do pós-doutorado do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ, onde desenvolve estudo sobre novas estratégias narrativas em mídias digitais, com o apoio da Faperj. Coordenadora do curso de Jornalismo da ECO-UFRJ, é uma das curadoras do ciclo Oi Cabeça, dedicado à literatura eletrônica.

O mercado nacional de livros digitais | 2 horas | José Henrique Grossi

Os principais players
Os distribuidores digitais brasileiros
As e-bookstores brasileiras
Os desafios do mercado digital nacional
Estratégias sadias para o sucesso digital

José Henrique Grossi é consultor comercial da distribuidora digital Xeriph. Economista, entrou no mercado editorial em 1973 como divulgador da editora Saraiva, empresa de onde saiu nove anos depois como gerente de promoção. Trabalhou na Abril Educação e na Nova Cultural e, em 1997, criou a Grossi Representações. Foi vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro em 1999. É santista roxo.

2 de julho

Livros Digitais, pequenas editoras e processo de produção | 3 horas | Camila Cabete

Os desafios de se montar uma editora digital
Definindo uma estratégia
Negociação com os grandes players
O processo de produção

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis.

As vantagens da impressão por demanda e como aproveitá-las | 3 horas | Newton Neto

Como funciona a impressão por demanda
O status atual da impressão por demanda nos EUA
O status atual da impressão por demanda no Brasil
Os benefícios da impressão por demanda para editoras
Os benefícios da impressão por demanda para autores
Self-publishing no Brasil

Newton Neto é diretor-executivo da Singular, braço do grupo Ediouro [do qual fazem parte as editoras Agir, Nova Fronteira, Plugme, entre outras] dedicado às novas tecnologias. Possui uma experiência de oito anos na área de conteúdo e tecnologia, abrangendo desde conteúdo para celulares a livros digitais. Recifense, é fanático pela Santa Cruz.

9 de julho

Marketing Digital para Livros Digitais | Roberto Cassano [Agência Frog] | 3 horas

O que é marketing digital
As mídias sociais: Facebook, Orkut, Twitter e FourSquare
Estratégias de sucesso para o marketing online de livros
Os erros e acertos dos sites de editoras, livros e autores
Métrica de resultados

Roberto Cassano é formado em Jornalismo, com MBA em Marketing. Atua em Publicidade desde 2001 e em Mídia On-line desde 1996. Participou dos movimentos iniciais do primeiro jornal brasileiro na internet, o JB On-Line, e das pioneiras revistas “internet.br” e “Internet Business”. Foi executivo do portal de tecnologia Canal Web e diretor de Mídias Digitais na Seluloid. É diretor de Criação e Estratégia da Agência Frog, com ênfase em mídias sociais e palestrante em instituições como Fundação Getulio Vargas, Facha e Casa do Saber

E-books e apps | 3 horas | Bruno Valente

Uma breve história dos e-books
Uma breve história das Apps
ePubs: o caminho para chegar até eles
Erros e acertos na produção de ePubs
Apps: o caminho para chegar a elas
Uma questão de equilibro: até onde uma app pode chegar antes de virar filme ou vídeo-game?
Aspectos financeiros de apps e e-books

Bruno Valente é formado em Comunicação Social [Rádio e TV] pela UFRJ, onde produziu uma das pesquisas sobre HDTV no Brasil. Pós-graduado no MBA Film & Television Business pela Fundação Getúlio Vargas. Atua no Mercado Audiovisual há 15 anos. É sócio diretor da Punch! Comunicação & Tecnologia, que desenvolve aplicativos móveis de produtos, marcas e educacionais para Apple[ iPhone, iPads, iPod Touch], Research in Motion [Blackberry] e Android, além de trabalhar com produção audiovisual transmídia e captação de recursos para projetos variados através de leis de incentivo. No Mercado Editorial, realiza aplicativos de editoras, livros e publicações e conversão de livros para o formato ePUB, sempre tendo como objetivo divulgar o conteúdo, gerar público e receita para seus clientes.

PublishNews | 13/05/2011

Enquanto tablets se expandem no Brasil, livro digital ainda engatinha


SÃO PAULO. Enquanto a base de proprietários de tablets, como o iPad, cresce em ritmo acelerado no Brasil, a oferta de livros digitais engatinha, devido a obstáculos que vão da renegociação de direitos autorais à preocupação com pirataria. Paulo Rocco, dono da editora Rocco, conta que alguns agentes cedem os direitos autorais para o livro digital por apenas dois anos, a título de experiência.

A editora começou a vender e-books há um mês. São 50 títulos, tirados dos contratos mais novos, que preveem a cessão de direitos para livros digitais.

Apesar das dificuldades, as editoras querem dar este ano um salto no número de e-books. A LP&M, hoje com 200 títulos, pretende chegar a 450. A Zahar quer passar de 300 para 450, e a Sextante, de 50 para 100.
– Se você procura um livro digital que não existe, a chance é maior que ele seja pirateado – diz Marcos Pereira, editor e sócio da Sextante.

Download é pouco se comparado à venda impressa

O consumo ainda é modesto. O best-seller “A cabana”, da Sextante, atingiu em seis meses mil downloads, contra 200 mil cópias em papel vendidas no período. Já “Comer, rezar e amar”, da Objetiva, teve 75 downloads em abril, contra 10 mil impressos vendidos.

Na Zahar, que produz livros digitais há dois anos, o faturamento destes é de apenas 0,1% do total. A editora, forte em livros acadêmicos, vende títulos por 30% menos que nas livrarias e oferece capítulos separadamente, por até R$ 1,90.

De olho na demanda futura, LP&M, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante criaram em 2010 a Distribuidora de Livros Digitais [DLD]. Ela entrou efetivamente em operação há um mês, com catálogo de 400 obras, vendidas por Saraiva e Livraria Cultura e preço 30% menor que a versão em papel. Roberto Feith, diretor-presidente da Objetiva e presidente do Conselho da DLD, aposta na forte expansão quando os e-readers forem acessíveis à classe média.

Na Ediouro, a ênfase ainda é nas classes A e B. Ela tem hoje 200 livros digitais. Já a Record vem apostando em títulos para o público jovem.

Por Paulo Justus | Publicado por Globo.com | Digital & Mídia | 11/05/2011 às 00h50m | Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Metamorfose para o livro digital 2.0


Infantis, arte e quadrinhos são as primeiras áreas em que as editoras nacionais investem de olho na expansão do público devotado aos tablets, o que já está mudando o perfil de produção das obras

Desde janeiro, editores e designers da paulistana Bei convivem com um corpo estranho para o ambiente de trabalho ao qual estavam habituados. A mais recente contratação da casa, especializada em títulos de arte, culinária e turismo, foi a de um cinegrafista, Marco Aslam. A existência na editora de um funcionário fixo responsável pela produção de vídeos, algo inimaginável anos atrás, reflete uma evolução do mercado que, com a chegada de tablets [computadores portáteis] como o iPad e o Galaxy, começa a ganhar força no Brasil.

Trata-se dos enhanced e-books [livros digitais aprimorados] ou, como preferem alguns editores por aqui, e-books 2.0, capazes de oferecer recursos interativos como áudio, vídeo, foto e animação. No limiar entre o livro e alguma coisa tecnológica demais para ser aceita como tal pelos mais tradicionais [na verdade, recebem o nome de aplicativos], essas publicações eletrônicas ganharam no segundo semestre do ano passado suas primeiras versões nacionais, por editoras como a Bei, a Saraiva e a Globo – a pioneira, com uma versão lite de A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato, disponibilizada de graça desde agosto na loja da Apple. Vários outros projetos estão em andamento em casas como a Peirópolis, que prepara quadrinhos e obras infantis, e a Ediouro, que aposta nos recursos para obras de não ficção.

Assim como aconteceu com os e-books para Kindle e outros leitores eletrônicos do gênero, as editoras que começam a entrar nesse filão o fazem mais por precaução do que qualquer outra coisa. Não se espera nenhum fenômeno de vendas, mas o que não dá é para correr o risco de ficar para trás. O discurso, com variações mínimas entre editores, é resumido por Renata Borges, diretora da Peirópolis, que desenvolve quatro projetos de livros animados ou interativos: “Estamos trabalhando com um modelo de negócios que ninguém conhece ainda muito bem. Não tem retorno garantido, até porque nem os e-books só de texto têm números representativos no Brasil, mas é melhor estar preparado para o que vier.” O que pode vir desse formato será um dos temas centrais, por exemplo, da próxima Feira de Bologna [Itália], a mais importante do mundo na área de infantis e juvenis.

E não é um investimento baixo. Um dos projetos mais simples em desenvolvimento pelo Grupo Ediouro, a versão em aplicativo da biografia de Lobão, 50 Anos a Mil [que terá apenas áudio e vídeos além do texto digital], sairá por algo em torno de R$ 25 mil. Quando estiver pronto, em março ou abril, o livro para iPad custará entre R$ 25 e R$ 30, enquanto a versão impressa está sendo vendida a R$ 59,90. “A expectativa de retorno não é alta. O importante agora é oferecer um produto multiplataforma para mostrar o que a editora é capaz de fazer”, diz Alexandre Mathias, diretor-executivo da área de livros do grupo.

Os trabalhos são realizados pela Singular, braço digital da Ediouro, que atualmente centra esforços no aplicativo de 1822, de Laurentino Gomes. A versão para iPad incluirá o áudio de Pedro Bial [já gravado e à venda] e também ilustrações e mapas pelos quais o leitor poderá “percorrer” o caminho feito por d. Pedro I até anunciar a Independência do Brasil às margens do Ipiranga. “No aplicativo será possível, por exemplo, clicar numa pintura e ver em que museu a tela está disponível hoje“, explica Newton Neto, diretor da Singular. O modelo desse livro, cuja produção envolve o trabalho de 12 pessoas, incluindo produtor, diretor e roteirista, servirá de base para todos os próximos a serem lançados pelo grupo. A previsão é que até dezembro saiam dez títulos, com destaque para o novo de Luiz Eduardo Soares, autor do livro que inspirou o filme Tropa de Elite.

Editoras focadas em literatura adulta não têm pressa em ingressar nesse formato por uma razão simples – do que se viu até agora de lançamentos no exterior, o gênero é o que apresenta menos possibilidades de exploração multimídia. Pelas alternativa no uso de imagens em movimento, são os livros de arte, quadrinhos e infantis que lideram essa investida. A Bei, por exemplo, tem muito material arquivado de livros já publicados que poderá ser aproveitado nas edições para tablet. Entre seus próximos lançamentos para iPad estão Ricardo Legorreta – Sonhos Construídos e Oscar Niemeyer – Uma Arquitetura da Sedução, cuja produção para papel precisou deixar de lado material precioso: longas entrevistas em vídeo com os arquitetos. No entanto, a editora optou por um título inédito para entrar nesse mercado. Lançado em dezembro em papel e para iPad, Fernando de Noronha 3º50″S 32º24″W teve mil exemplares vendidos na versão impressa e 60 na loja da Apple. “O curioso é que, mesmo lançado só em português, o livro para iPad teve boa parte de suas vendas fora do País, já que é uma obra muito focada nas imagens“, diz Tomas Alvim, diretor editorial da Bei. Para ampliar o público, próximos títulos sairão também em inglês.

O idioma é só um dos entraves na dimensão das vendas para tablets. Renata Borges, da Peirópolis, destaca a dificuldade de criar para os diferentes tipos de plataformas. Por critérios de padronização, um livro criado para iPad não roda num Galaxy – os dois tablets têm inclusive tamanhos diferentes. As lojas nacionais de livros eletrônicos, como a Gato Sabido e a da Livraria Saraiva, também não suportam conteúdo animado. “Comercializar aplicativos é um plano, mas não a custo prazo“, informa a Saraiva aos interessados. Um problema e tanto para a Peirópolis, que, ainda neste mês, pretende lançar o aplicativo de Cresh!, de Caco Galhardo, e, em maio, Meu Tio Lobisomen, de Manu Maltez

Nesse universo ainda a explorar, editores têm mais uma razão para investir nos projetos multimídia: no meio deste ano, deve ser apresentado a versão 3.0 do ePub, o formato padrão dos e-books, o que permitirá livros multimídia até nos aparelhos que hoje só permitem a leitura de texto.

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 12/02/2011

Na espera pelo iPad, editoras adaptam seus livros para lançamento do tablet no Brasil


Lançamento de dispositivos móveis, como o iPad, aquece o mercado de livros eletrônicos

Apple lançou o iPad oficialmente em abril, nos Estados Unidos. Desde então, o tablet já foi comprado extraoficialmente por brasileiros, chegou a diversos países e recebeu autorização da Anatel para ser vendido no Brasil – ainda assim, nada de sua comercialização ter início por aqui. Enquanto aguardam o lançamento, as editoras trabalham para disponibilizar aos consumidores versões compatíveis com o iPad de seus livros existentes no formato tradicional. Nos Estados Unidos, essa alternativa mostrou-se válida: os e-books já superaram os livros de capa dura na gigante Amazon.com.

Em agosto, por exemplo, a livraria Saraiva anunciou a disponibilidade de seu aplicativo de leitura para o iPad e iPhone, que pode ser baixado na loja de aplicativos App Store, da Apple. “Estimamos, hoje, 40 mil iPads no Brasil e é esse público que queremos atingir”, afirmou Marcílio Pousada, presidente da empresa. A Saraiva, que pretende ter até o final do ano 5 mil livros digitalizados, tem arquivos nos formatos PDF e ePUB, compatíveis com o iPad, o Alfa, da Positivo, o Sony Reader e o Cool-er, da Gato Sabido.

Os usuários de leitores digitais devem ficar sempre atentos aos formatos disponíveis para cada tipo de eletrônico – é justamente esse o desafio das editoras, que querem tornar seu material compatível com os produtos da Apple. Além de PDF e ePUB há diversas outras siglas que podem acabar confundindo e atrapalhando o consumidor: DOC, TXT, HTML, MOBI e TRT, por exemplo. A gigante Amazon, uma referência no mercado de e-books, criou até um formato próprio para o conteúdo compatível com o Kindle [AZW e AZW1].

Adaptação
A Singular, empresa da editora Ediouro, também se adapta para conquistar no Brasil novos leitores entre os fãs da Apple. “Temos arquivos digitais sendo vendidos pelos principais sites do país, que podem rodar nos aparelhos já disponíveis no Brasil. Mas ainda temos de nos adaptar à plataforma do iPad, que exige itens diferenciados, pois os arquivos serão vendidos pela loja virtual da Apple. Além disso, o gadget oferece cores e funções interativas, como som e a possibilidade de ler o texto na vertical ou na horizontal”, afirma Newton Neto, diretor de mídias digitais e tecnologia da Singular.

Essa interatividade que o aparelho possibilita funciona como um chamariz e também pode reforçar o lucro das editoras. ”Com o tablet, conseguimos dar mais realidade e nitidez aos desenhos, o que não acontece com os leitores digitais vendidos atualmente no Brasil”, explica Mauro Palermo, diretor da Globo Livros. Durante a Bienal Internacional do Livro, a empresa disponibilizou o primeiro capítulo da obra “A menina do narizinho arrebitado”, de Monteiro Lobato, para iPad. “Até o fim do ano, teremos o livro completo e outras obras ilustradas, que serão rediagramadas para se encaixarem ao tamanho e estrutura do aparelho.”

Apesar da empolgação de muitos, a editora Contexto não vê o gadget da Apple como um “divisor de águas” no setor de mídias impressas. “Faz bastante tempo que estamos nos preparando para a venda do livro digital: tanto que grande parte dos nossos contratos já tem previsto o comércio deste tipo de arquivo. Mas não vamos dar exclusividade para um aparelho ou outro. Queremos disponibilizar um e-book que rode em todos os e-readers”, explicou Daniel Pinsky, diretor da empresa.

E a pirataria?
Outra iniciativa estudada pelas editoras é oferecer, junto com os textos, vídeos e disponibilizar uma forma de escutar a versão digital. Com essas exclusividades, as empresas acreditam que será mais difícil os leitores optarem por versões pirateadas. “Estamos criando uma versão 2.0 dos e-books, à qual o consumidor terá acesso com um código passado durante o ato da compra”, explica Neto, da Singular.

O valor dos e-books deve ser mais baixo que o cobrado para os livros impressos, porque na versão tradicional está embutido o preço das obras que não foram vendidas, do frete e da gráfica, entre outras coisas. “Retirando esses custos, o produto fica cerca de 65% mais barato. Assim, o leitor que investiu no aparelho vai aos poucos recuperando o valor, economizando na compra dos livros”, afirma o diretor da Globo Livros.

Os arquivos digitais também terão o chamado DRM [Digital Rights Management; gerenciamento dos direitos digitais], uma plataforma de segurança escolhida pela maioria das editoras brasileiras para proteger os arquivos de cópias não autorizadas. Assim, o usuário baixará o arquivo e não conseguirá repassá-lo.

Por Daniel Navas | Para o UOL Tecnologia | 19/10/2010 – 10h34

Seminário da Singular discute self-publishing


A edição carioca do 1º Ciclo de Palestras sobre os Futuros do Livro, organizado pela Singular, braço digital do grupo Ediouro, aconteceu ontem [28], na Casa do Saber da capital fluminense. Ali, próximo à bela lagoa Rodrigo de Freitas, um grupo de 60 convidados ouviu as palestras do editor americano Mark Coker, da Smashwords, e de Luis Iglesias, executivo brasileiro da Hewlett-Packard. No final, uma mesa-redonda com Roberto Cassano [Agência Frog] e Ricardo Neves, autor de Ruptura, uma obra self-published. Os destaques ficaram para as falas de Coker e Neves. Ambos foram críticos ao modelo atual da indústria editorial de forte controle do que é ou não publicado, e defenderam o self-publishing – publicação independente pelo próprio autor – como uma alternativa importante para a democratização do acesso à publicação.

Acho que o modelo em que os editores decidem o que os leitores devem ler é errado“, afirmou Mark Coker, presidente da Smashwords, empresa norte-americana de self-publishing digital. Ele reconheceu, no entanto, a importância do editor, mas acha que as editoras estão cada vez se comportando menos como editoras. “Ao tentar minimizar os riscos, as editoras estão publicando menos, com preços mais caros e, no caso do livro digital, utilizando DRM”, afirmou. E na visão de Coker isto faz com as editoras sejam menos amigáveis aos leitores e se afastem de seu papel original. O editor da Califórnia considera isto perigoso e reconhece a importância dos editores. “Quando os editores começam a agir cada vez menos como editores, os autores começam a se perguntar porque precisam deles”.

Durante a mesa-redonda, foi o consultor Ricardo Neves quem teceu duras críticas aos editores. Com livros publicados pela Campus, Ediouro e Senac Rio, Neves decidiu lançar sua mais recente obra, Ruptura, por conta própria. “Não existe a promoção do autor nacional. O editor brasileiro quer ir para Frankfurt e encontrar o bilhete premiado”, afirmou o consultor, reclamando do trabalho das editoras brasileiras. “Falta às editoras a ousadia de fazer diferente”, complementou. Ao final de sua fala, questionado se sua crítica era ao momento editorial ou às editoras como um todo, explicou: “Minha colocação não foi algo ressentido contra as editoras. É minha forma apaixonada de falar.“. O livro Ruptura está sendo lançado este mês. Resta acompanhar como será seu desempenho quando comparado aos demais livros do autor.

Para Newton Neto, diretor da Singular, o self-publishing representa uma oportunidade e não uma ameaça às editoras tradicionais. “Com um projeto paralelo de self-publishing, as editoras não precisam dizer não a nenhum autor.”

Hoje [29] a rodada sobre o futuro do livro acontece em São Paulo. O encontro está marcado para às 14h, na Casa do Saber [Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – São Paulo/SP]

Programação

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso [apenas em SP]
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 29/09/2010

Fundador da Smashwords faz palestras no Brasil


Mark Coker, o fundador da Smashwords, estará no Brasil na semana que vem para duas palestras – uma no Rio [28] e outra em São Paulo [29] – e para acertar os últimos detalhes da parceria para e-books e impressão sob demanda entre a sua empresa e a Singular, braço digital da Ediouro.

A Smashwords está mexendo com o mercado americano ao publicar, sem burocracia, livros digitais de autores independentes. Até agora, já foram mais de 20 mil. “Estou indo ao Brasil para aprender sobre o mercado editorial brasileiro e para ajudar autores e editores a publicar e-books”, disse Coker.

Além da palestra do maior nome do segmento self publishing da atualidade, intitulada “Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição”, Luis Umani Iglesias, diretor de divisão Indigo Brasil da HP, também fala neste encontro organizado pela Singular. Seu tema será “A impressão digital e o futuro”. Na sequência, uma mesa vai reunir profissioanais e um autor que já estão lidando com livros digitais.

O evento é fechado, mas o PublishNews tem 8 ingressos para cada um dos encontros. Para concorrer, basta mandar um e-mail para promocao@publishnews.com.br respondendo, em até três linhas, a pergunta “O que não pode faltar em um livro digital?” Os autores das melhores respostas ganham o ingresso. Não se esqueça de informar o nome, endereço completo e telefone. A promoção se encerra ao meio-dia da próxima segunda-feira [27].

1º ciclo de palestras sobre os vários futuros do livro

Rio de Janeiro– 28 de setembro
Av. Epitácio Pessoa, 1164 – Lagoa – Rio de Janeiro/RJ

São Paulo – 29 de setembro
Casa do Saber
Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – Jardins – São Paulo/SP

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso (apenas em SP)
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 24/09/2010

Estou na web, logo, existo


As editoras começam a despertar para o fenômeno que mobiliza bilhões, tornou-se o lazer principal dos jovens paulistanos e facilita a busca do consumidor certo

A Ediouro mergulhou nas mídias sociais. Um dos gigantes do mercado nacional, optou claramente pelo esse admirável mundo novo da web para angariar leitores. O superintendente Luiz Fernando Pedroso é taxativo nesse sentido: “Há mais de um ano, a Ediouro investe em duas mídias: pontos de venda e mídia social. Por que? Porque nelas você vai direto a quem interessa.

Sem nenhuma dúvida. No ponto de venda está o comprador típico. Nos diversos canais da mídia social, o editor pode escolher também múltiplas opções, na grande maioria convenientes para o negócio. Algumas boas razões são:

  • a cada segundo e meio, isto é, entre um gole de café e outro, um blog é criado na web;
  • 360 milhões de internautas frequentam o MySpace, bem como 150 milhões comparecem ao FaceBook e mais 60 milhões ao Orkut;
  • 72% dos jovens entre 18 e 24 anos, da cidade de São Paulo, são usuários de alguma mídia social em sua rotina diária, percentual que continua alto na população da metrópole, de 45% [Ibope Media, Agosto de 2009];
  • 24 milhões de usuários ativos, no Brasil, estão inscritos no Orkut [Nielsen Online];
  • 84% dos usuários brasileiros do Orkut acessam a rede ao menos uma vez por dia; desses, 63% o fazem várias vezes;
  • em julho passado, o Facebook superou 1 milhão de usuários no Brasil.

O mundo virtual concentra pessoas e ideias, além de toda a energia do universo. Nada detém o fenômeno que caminha para ser a mais poderosa forma de mídia jamais imaginada.

Entre os assuntos prediletos de quem acessa o Orkut, estão fotografia [67%], geral [65%], tecnologia [65%], jogos [57%]. E compras, gaveta preferida por 63% dos que entram no Orkut. A mina é logo ali, senhores editores!

Mas o que é a mídia social, que não se consegue descrever a não ser imaginando grandezas exponenciais?

A Giz Editorial domina o assunto. Comandada por Ednei Procópio, que tem dado palestras na CBL criou o [www.livrus.com.br], plataforma on line que se vale dos recursos de mídia social para compartilhar informações. O acesso é gratuito, aberto a qualquer autor e editoras. Qual a vantagem? “O leitor, o usuário ganha informação, a gente acabou criando o ‘Orkut dos livros’, em vez de você adicionar amigos, você adiciona livros.” A receptividade tem sido boa?

Por parte dos escritores, sim, responde Ednei. Por parte das editoras, não. As editoras não têm a mínima ideia do que seja isso. Não sei se é porque nós não comunicamos, não sabemos dizer o que é, ou se eles é que são mal informados.

O desenvolvimento da Livrus exigiu US$ 25 mil, com expectativa de retorno em três anos, que ele espera cobrir com publicidade de outras editoras. Compete com pelo menos duas redes. Uma é http://www.olivreiro.com.br. Outra é http://www.skoob.com.br.

Entusiasta da nova tecnologia, Ednei não sente, no entanto, essa chama aquecendo os colegas de ofício:

É muito fácil comunicar determinados livros nas redes sociais porque elas são feitas exatamente de comunidades formadas por pessoas que se juntam em torno de um tema comum. Então, as pessoas que estão na internet, conectadas, já sabem o que querem. Tem a comunidade dos leitores do ‘Crepúsculo’, assim como tem a comunidade dos leitores do ‘Pequeno Príncipe’. Ou então, tem os que se dividem entre os que gostaram da literatura da geração beatnik, ou ‘eu adoro Paulo Coelho’. Mas eu nunca vi uma editora dentro de uma comunidade de internet, de modo atuante. Quem cria o perfil do escritor é o fã.

Tem uma comunidade do H.P. Lovecraft, criador de literatura fantástica, com mais de 990 mil leitores, e o perfil dele é fake. Só que as pessoas se associam àquele perfil porque ali está escrito que é o H.P. Lovecraft. Ora, a pessoa que mantém aquela comunidade ativa é alguém que curte, sabe o que as editoras estão publicando dele. Se sair uma coletânea nova, ele avisa a comunidade. Contudo, a editora que vai publicar a coletânea não utiliza a rede para avisar os leitores, que são consumidores certos”.

Ednei vai mais longe na análise, insistindo no exemplo H. P. Lovecraft:
O nosso editor não sabe que, se quiser publicar um título novo, basta abrir o Facebook ou o Orkut – que no Brasil é mais forte – para perceber que já existe uma comunidade de amantes do Lovecrat. E que lá pode fazer a pesquisa de campo, no ato, e checar o que os fãs querem ler. Você economiza tempo da pesquisa de mercado e ganha tempo fazendo propaganda direta para o público-alvo. Esse público-alvo também é o formador de opinião, é ele que vai, depois, disseminar a informação para todo o resto”.

Essa atitude participativa, na qual os especialistas em comportamento enxergam uma nova era da humanidade, algo como ‘Eu estou na Web, portanto, existo’, leva ao compartilhamento das ideias. A divisão em tribos resulta dessa compulsão natural. Há o jovem ligado em astrofísica, o adolescente que sonha participar de uma revolução hip-hop, a mulher decidida a lançar um novo estilo. “A mídia social funciona por isso”, explica Procópio, da Giz. “O mercado editorial tem que começar a pensar com essa cabeça, porque, se a AM/FM migrou para a internet, se o jornal migrou para a internet, se a audiência da televisão caiu, o raciocínio tem que ser outro.

A tecnologia permitiu a aproximação entre as pessoas, e as redes sociais são justamente a resposta a esse anseio”, afirma Juliana Sawaia, gerente de Marketing do Ibope Media.

Em outras palavras, qualquer frase, imagem, vídeo, áudio ou conceito colocado em um Twitter [32 milhões de usuários], Sonico [38 milhões], YouTube [mais de 100 milhões de vídeos] e tantos outros canais, instantaneamente vira uma ação coletiva de milhares. Também instantaneamente, esses milhares, que podem ser milhões de acordo com a proposta do canal vira uma comunidade do tipo ‘Eu amo contos de terror’, ou pode se transformar em um blog em homenagem a Michael Jackson. As bolas de neve crescem sem parar.

A Ediouro ocupou espaço no YouTube. No seu canal, projeta vídeos dos principais lançamentos. Durante a Bienal do Livro no Rio, em setembro, promoveu o ‘BlogBook’, que vai transformar em livro a história dos melhores blogs, eleitos pela comunidade. Inscreveram-se 120, divididos em 12 categorias. Os melhores serão editados pela Ediouro, que desse modo estabelece uma via de mão dupla. “O poder da internet é inquestionável, explicou Newton Netto, diretor da Singular, empresa do grupo. O poder do livro também é inquestionável. Nada melhor que trazer os astros da internet para o mundo literário.

A Frog, que se define como ‘agência anfíbia’, atende a Ediouro, e o diretor Roberto Cassano garante: “Estamos mergulhados até o pescoço. Vivemos redes sociais 24 horas por dia”.

E que ações a Frog empreende para a Ediouro? Elas buscam cativar público? Prospectar tendências de mercado?
Atuamos de forma abrangente, incluindo o planejamento estratégico das ações, definição do plano de ação para cada livro, individualmente, produção de sites para os livros, criação e gestão de perfis e comunidades em redes sociais, incluindo Twitter, Orkut, Facebook, blogs, You Tube e redes sociais focadas em literatura”.

Uma perna importante do projeto é o mapeamento de líderes de opinião para cativarmos. Uma das coisas que fazemos é enviar livros para pessoas que terão afinidade com o tema e/ou autor/estilo para que eles possam compartilhar sua opinião sobre o livro com seus leitores/amigos. As resenhas são totalmente livres, sem qualquer compromisso por parte do blogueiro. Ele pode não falar nada ou até criticar.

Cassano confirma, a Frog vem tendo sucesso nas ações para a Ediouro. Mas não revela o santo:

Há livros que trabalhamos com excelente resultado que jamais teriam funcionado da mesma maneira se dependessem de mídia de massa. Conseguimos atuar cirurgicamente em nichos, e muito do mercado editorial se baseia em nicho. Na verdade, com as redes sociais, fica cada vez mais evidente que toda mídia cada vez mais é de nicho. Existem nichos pequenos e nichos gigantes, mas no momento em que as pessoas se reúnem por compartilharem interesses em comum, elas funcionam como um ente coletivo, um nicho.

O publicitário sente o pulso do momento, raciocina:

Com a queda nas vendas de CDs, os livros são os itens de maior giro. O mercado editorial, inclusive com o crescimento dos e-Books e a chegada de leitores eletrônicos, como o Kindle, foi, é e será profundamente impactado pelas redes sociais.

Felizmente ou infelizmente, embarcar nesse novo mundo não é uma opção”.

Mais, com menos. Esse é um dos segredos. Quando se fala em investir em publicidade e marketing, as editoras se retraem. À exceção dos megalançamentos de Paulo Coelho ou Chico Buarque, a verba é sempre pequena para os custos proibitivos de um anúncio de jornal, revista ou televisão. Sem mencionar tratar-se de público de composição pulverizada, caso das tevês, situação dramática quando se trata de livros, consumidos pela minoria das minorias, no Brasil.

Ednei Procópio, o especialista em mídias sociais, compara as situações:

As editoras não descobriram que, se criarem o perfil ou a comunidade do livro na rede social, se criarem o blog do livro ou do escritor, vão ganhar muito. O pessoal reclama: ‘tem muito lixo no Orkut’. Sim, mas isso acontece por não existir o mediador da informação, que o mercado editorial deveria implantar. Poderia fazer isso, mas não faz, prefere a assessoria de imprensa, que é cara, o anúncio no jornal, que sai caro, a resenha, que sai atrasada. O editor não percebeu que o público-alvo não está no Estado, nem na Folha, nem na revista Bravo ou na Veja. O público-alvo está dentro dos blogs temáticos. O nome já diz: ‘sou leitor de ficção científica’, ou ‘adoro poesia’. Então, basta entrar e dizer, ‘bom dia, gente, somos da editora tal e viemos aqui dizer que vamos montar um livro com essa temática’. E a comunidade começa a perguntar, como vai ser? quem é o escritor?…E o editor responde e interage. A Giz descobriu que é mais barato investir na mídia social, que é gratuita por natureza, ou melhor, de custo próximo ao zero, do que investir em anúncio.

Nesse aspecto, um canal de mídia social, bem escolhido e adequado no tempo e no espaço, tem potencial para atingir o público-alvo pretendido.

A Editora SBS, especializada em idiomas – sua cartilha ‘Bem Vindo’, que ensina português para estrangeiros, está perto da marca dos 100 mil exemplares e é adotada por universidades de renome como Harvard –, usa a mídia social para dar apoio aos professores, seus clientes. Presente no Twitter e no Orkut, oferece o programa ‘Virando a Página’, que propõe atividades para as aulas. “São 417 ideias, explica Susanna Florissi, diretora editorial. O professor vê a ideia e a adapta à sua aula. Isso gera uma espécie de criação coletiva, da qual todos querem participar. Veja o caso da Wikipedia. Ninguém recebe para redigir um verbete, mas adora contribuir. No ‘Virando a Página’, que tem vários anos na internet, montamos o que chamamos de e-talks. São palestras, textos redigidos em torno da atividade do docente, algo que gera muita leitura, posts, perguntas. E nem é on line. O texto da palestra é colocado, depois os participantes vão postando suas perguntas que em seguida, são respondidas pelo autor do conteúdo e aí vai se desenvolvendo esse trabalho coletivo.”

A SBS, sigla que quer dizer Special Book Service, ampliou sua atuação, ingressando há dois anos no nicho CTP [livros científicos, técnicos e profissionais]. Fundada em 1985, expandiu suas operações para Argentina e Peru.

As mídias sociais estão a um toque do computador. Não é por outra razão que gigantes empresariais como Claro, Natura, Coca-Cola ou Boticário aderiram ao sistema, criando inclusive a figura do ‘mediador de mídia social’. É um funcionário que, adestrado em técnicas específicas, tem a missão de monitorar o diz-que-diz em relação à empresa. Ele não pode se envolver, apresentar-se como representante, sua antena deve detectar tendências, rumores. Em uma dessas comunidades bloggers, usuárias queixaram-se de que o perfume Egeo Dolce Woman, do Boticário, havia desaparecido.

O mediador passou a informação aos canais competentes. O perfume acabou voltando às prateleiras e realizou-se uma ação para avisar as blogueiras interessadas.

Como o espaço da mídia social é aberto e, em tese, livre, não há limites para ações mercadológicas, desde que, claro, não sejam invasivas nem perturbem a sensação de controle do usuário, que pode sair do ar quando quiser – apenas para reafirmar que ele, internauta, é o patrão do mundo web.

Por que Obama explodiu na rede
A vitória de Barack Obama, o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos, deve muito à mídia social. Uma palavra de ordem criada por seu staff determinava: ‘Crie ações onde as pessoas estão, não onde você quer que elas estejam’. A partir do site mybarackobama.com desenvolveu-se uma rede social onde os eleitores puderam criar blogs próprios para debater, sugerir ações para o comando da campanha, desdobrar minissites para arrecadar doações ou organizar eventos. Na verdade, a campanha de Obama não pedia doações, apenas instalou widgets de contribuição em redes já existentes. Desse modo, os eleitores foram motivados e mobilizados através das ferramentas de interação que se espalham pelas mídias sociais.

Eram dezenas, centenas de mídias gravitando em torno do sol Mybarackobama.com, tipo Facebook – sendo um oficial, outro intitulado I’m strong [2,3 milhões de filiados] -, Black Planet, Myspace, MiGente, Twitter [130 mil seguidores], Glee, YouTube [14 milhões de views apenas do clip ‘Yes, We Can’, interpretado por Will.i.am]. No YouTube, foram lançados concursos de vídeo para manter a mobilização dos eleitores, o que transformou esse canal na ferramenta de comunicação mais utilizada. Discursos, depoimentos, videoclips, tudo o que se possa imaginar, foram colocados em canais de vídeo sharing.

Os espaços oficiais, ou seja, trabalhados pela direção da campanha, eram pensados segundo uma metodologia eleitoral, cobrindo todas as etnias possíveis e os diferentes perfis psicográficos. No auge da batalha, eram 16 redes sociais com o selo oficial, que incluía Flickr, Digg, Eventful, Linkedin, Eons, Glee, MyBatanga, AsianAve. E mais de 500 grupos no Facebook criados de maneira espontânea pelos simpatizantes.

Os números fundamentam como se deu o milagre. Pela internet, trafegaram 87% de toda a arrecadação da campanha. Apenas em setembro de 2008, as doações chegaram a US$ 100 milhões, e 93% dos contribuintes pagou menos de US$ 100.

A goleada infligida ao republicano John McCain teve volume astronômico nas mídias sociais. Exemplos:

YouTube – Barack Obama: 1 800 vídeos postados,134 mil inscritos, e 19,5 milhões de exibições;
John McCain: 330 vídeos, 29 mil inscritos, 2,1 milhões de exibições.

Twitter – de Obama: mais de 130 mil seguidores, 263 atualizações; contagem regressiva que mobiliza para o dia D da votação;
McCain: menos de 5 mil seguidores; não havia interação e houve apenas 25 atualizações em toda a campanha; não recomendou, ao seguidor, que votasse no dia da eleição!

Panorama Editorial | Edição 50