Por que telas de e-readers são melhores para leitura que tablets?


Os dois maiores sistemas operacionais móveis, Android e iOS, possuem uma loja de livros digitais. Embora muita gente leia em tablets, uma grande parcela dos usuários não suporta longos períodos de tempo lendo os livros nas telas LCD dos tablets. Isso porque a claridade agride os olhos e deixa a vista cansada. Os e-readers, no entanto, são equipamentos perfeitos para a leitura de livros digitais. Mas por que a tela destes aparelhos, como Kindle, Kobo e Lev, se assemelham ao papel e são tão mais confortáveis aos olhos?

Kindle, Lev ou Kobo: Qual e-reader oferece o melhor custo-benefício?

Os e-Readers, tais com o famoso Kindle, da Amazon, o Kobo, vendido pela Livraria Cultura e o Lev, da Saraiva, utilizam um tipo de tela chamada de e-ink [tinta eletrônica]. Esta tela tem três camadas: a primeira é para onde olhamos; logo abaixo dela há uma outra camada transparente, mas com eletrodos, que podem ser carregados positiva ou negativamente; e a terceira camada é um suporte inferior que também possui eletrodos. E é entre a camada transparente de eletrodos e a camada de suporte inferior que a mágica acontece.

Lá existem micro-esferas, praticamente invisíveis a olho nu, que abrigam pigmentos magnéticos de uma tinta especial nas cores preto e branco. Esses pigmentos são posicionados magneticamente dentro das esferas, então, ao ver um ponto preto na tela, os pigmentos pretos são posicionados na parte superior da esfera e os pigmentos brancos vão para o fundo dela. Para ver pontos brancos, acontece justamente o inverso. E se quiser ver um ponto cinza, os dois pigmentos se misturam no topo da esfera.

E é dessa forma que as letras e imagens são formadas numa tela e-ink. No local onde vemos as letras, os pigmentos pretos estão na parte superior da esfera. E onde está branco é por que os pigmentos brancos estão na parte de cima. No caso das imagens podemos ver vários tons de cinza, decorrentes da mistura desses dois pigmentos.

Esse tipo de tela não precisa de uma fonte interna de luz para exibir as letras e imagens. Se o usuário estiver em um local claro, a própria luz ambiente já faz esse serviço. No caso do Kindle Paperwhite e do Kobo Glo, que possuem luz interna, essa iluminação não é direcionada para os olhos do usuário, servindo apenas para iluminar a área de leitura. Assim a pessoa pode ler mesmo se estiver no escuro, pois o brilho não vai incomodar os olhos.

Kindle, Kobo ou Lev: qual a melhor opção?

Visto que as telas de e-ink não precisam de luz constante, a duração da bateria salta para dias e, em alguns casos, até semanas. Isso por que este tipo de tela só precisa de energia elétrica na hora de movimentar os microscópicos pigmentos das esferas. Depois disso, não se faz mais necessário o uso de energia. Por isso, praticamente, todos os leitores de livros digitais ficam com uma imagem de fundo quando desligados, uma espécie de proteção de tela, já que para a exibição daquela tela não é necessário nenhuma energia.

Assim, se você quiser colocar suas leituras em dia, o mais recomendado é que você use um e-reader, como Kindle, Kobo ou Lev, pois eles oferecem uma experiência de leitura mais agradável.

Por Felipe Alencar | Tech Tudo | 27/06/2015

* Felipe Alencar, 26 anos, reside em Fortaleza-CE. Trabalha com tecnologia há mais ou menos 5 anos e é apaixonado por tudo que tenha uma tela e um teclado. Usuário Windows, iOS e Windows Phone e, em breve, Androiod.

As capas dos eBooks e suas gradações de cores nas telas e-ink


Apesar de lidarmos frequentemente com livros digitais compostos apenas de textos, toda a produção de um e-book envolve a adaptação de pelo menos uma imagem: a capa. Muitas vezes se trata de uma adaptação bastante simples, porém é fundamental não esquecermos a importância desta imagem, pois de modo geral ela é o primeiro contato que o leitor [ou potencial leitor] terá com o livro. Este contato pode ocorrer tanto nos sites que promovem a venda dos livros digitais quanto nos aplicativos dos aparelhos de leitura. E qual a principal diferença entre estes dois suportes? As cores. Quando tal aparelho é um e-reader, ou seja, um aparelho dedicado composto por uma tela de e-ink, a imagem que poderia ser uma réplica digital da imagem impressa será visualizada em uma escala de tons de cinza.

Irei utilizar duas imagens do mesmo artista, o pintor russo Wassily Kandinsky, para tecer algumas considerações práticas sobre a adaptação das capas quando estamos analisando as gradações de cores. Por conta da exibição Kandinsky: tudo começa num ponto [que fica até dia 30 de março no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro] podemos imaginar que algumas versões digitais de livros sobre o pintor estão sendo publicadas. No primeiro livro a imagem da capa é uma pintura mais abstrata intitulada Circles in a Circle, de 1923.

Por ser composta de elementos gráficos bem demarcados e tons de cores bastante contrastantes entre si, no caso desta “capa” não é necessário fazer nenhuma adaptação. Para garantir que o resultado nas telas de e-ink será satisfatório, podemos utilizar uma ferramenta existente em qualquer editor de imagens. No Photoshop, por exemplo, basta abrir a opção Imagem no topo da barra de menu, clicar em Ajustes e selecionar o item Preto e branco. Essa ferramenta converte uma imagem colorida em tons de cinza automaticamente, fazendo um balanço controlado das cores individuais:

Tal ferramenta nos permite checar com um bom grau de fidelidade como será o resultado da capa nos aparelhos de leitura dedicados. Do mesmo modo, é necessário sempre fazer testes no maior número possível de aparelhos.

No nosso segundo exemplo a imagem escolhida para a capa foi uma pintura dos primeiros anos de Kandinsky intitulada Akhtyrka.

A proximidade entre os tons escuros e as pinceladas difusas evidenciam que a visualização desta imagem será pouco nítida na tela de e-ink:

Neste caso nós podemos ajustar alguns elementos das cores, sempre respeitando o projeto gráfico inicial do livro ou, no exemplo em questão, a obra. Os editores de imagem possuem ferramentas que modificam o brilho [ou seja, a intensidade luminosa da cor], a saturação [que define a pureza da luz dentro da faixa espectral de determinada cor], a intensidade, entre outros aspectos. Tais edições mantêm a identidade da imagem, mas permitem que a transposição para uma escala de cinza seja feita com mais nitidez.

Após as leves modificações feitas nas cores é possível perceber com mais nitidez as árvores, o rio e o edifício ao fundo na versão da escala de cinza, pois o contraste entre os tons se tornou maior.

Considerando que as capas são compostas também de palavras e frases, e que tais palavras também entram na composição das cores e precisam ser nítidas, fica clara a importância de observar as questões brevemente pontuadas neste texto. Podemos concluir, ao analisarmos o exemplo da segunda pintura, que o quadro Akhtyrka provavelmente precisaria ser recortado, já que possui uma orientação horizontal e as capas dos livros geralmente são verticais. Após feito o recorte, o título e o nome do autor poderiam ser inseridos por cima da imagem utilizando a técnica de hot stamping, que gera um efeito metálico por cima da impressão. Por produzir uma textura diferente da impressão da capa, o hot stamping cria um contraste com as cores do fundo e ajuda na composição do texto com a imagem. Porém tal textura se perde na versão digital, que não reproduz na tela o efeito metalizado. Nestes casos é fundamental trocar a cor das fontes para um tom que produza, tanto na versão em preto e branco quanto na colorida, um contraste semelhante ao gerado pelo hot stamping.

Vale ressaltar que é fundamental pensar a adaptação de quaisquer outras figuras, mapas e fotografias que componham o livro com um cuidado semelhante ao proposto aqui para a capa, proporcionando uma experiência de leitura agradável em qualquer que seja o aparelho escolhido pelo consumidor do livro digital.

Por Joana De Conti | Publicado originalmente em COLOFÃO | 04/02/2015

Joana De Conti

Joana é formada em Ciências Sociais e mestre em Antropologia, mas abandonou a academia quando descobriu os livros digitais. Neófita no meio editorial, vai escrever aqui tanto sobre suas descobertas e aprendizados técnicos quanto sobre suas impressões acerca da relação entre o digital e o impresso dentro e fora das editoras. Joana trabalha atualmente no departamento de livros digitais da editora Rocco.

O Brasil não é o país do e-reader


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado em em Tipos Digitais | 13/04/2014

Em um momento em que se discute a desoneração de e-readers dedicados no Congresso e em que o mercado de livros digitais no Brasil, embora pequeno, encontra-se em franca expansão, uma pergunta se torna bastante relevante: Qual o mercado brasileiro potencial para e-readers dedicados? Em outras palavras, quantos Kindles, Kobos e outros leitores genéricos poderiam ser vendidos no Brasil?

Acredito que o potencial do mercado brasileiro para estes aparelhos seja muito menor do que poderia parecer em um primeiro momento. Não que o consumidor brasileiro tenha um interesse limitado em livros digitais, claro que não. O que ocorre é que no Brasil há poucos “grandes leitores” – ou “heavy readers”, como se diz em inglês. Infelizmente, estamos longe dos índices de leitura dos países desenvolvidos e a parcela da população brasileira que, por exemplo, lê mais de 10 livros por ano é muito baixa. Este fato naturalmente já exerceria uma pressão negativa sobre a demanda de e-readers dedicados, mas ainda há um agravante: o brasileiro é fascinado por tecnologia. Veja por exemplo as vendas de tablets e smartphones no Brasil nos gráficos abaixo:

Venda de Smartphones no Brasil

Em um primeiro momento, pode parecer que este potencial por produtos de tecnologia tenha um impacto positivo na demanda de e-readers dedicados, e de certa forma até tem, na medida que o consumidor brasileiro aceita bem novidades tecnológicas. Mas, neste caso, há um certo paradoxo e, enquanto a leitura digital sempre será favorecida, isto não significa que Kindles, Kobos e afins com tecnologia e-ink, ou seja, os leitores dedicados, desfrutem do mesmo favorecimento.

Na verdade, fica muito claro nos gráficos acima que o mercado brasileiro possui uma demanda enorme por tablets. Portanto, não seria exagero dizer que a grande maioria dos brasileiros com interesse em tecnologia [incluindo-se aí os adeptos do livro digital] comprou ou quer comprar um tablet com todas as suas multifuncionalidades. Na maioria das vezes, portanto, a compra de um e-reader dedicado seria considerada apenas após a compra de um tablet, e ocuparia um papel de um segundo aparelho. É claro que há exceções, gente tão fascinada pela leitura que é capaz de ter um ou mais e-readers dedicados e não comprar um tablet. Aliás, há inúmeras vantagens em se ler em um e-reader dedicado como eu já abordei no post “O iPad é tão bom que perde para o Kindle” nos idos de 2010. No entanto, como já dissemos, temos poucos “grandes leitores” no Brasil, e o e-reader dedicado será majoritariamente um segundo aparelho depois do tablet.

A decisão de compra de um e-reader dedicado, portanto, passará quase sempre por duas perguntas: [1] Eu preciso e estou disposto a comprar um outro aparelho só para leitura?; e [2] Eu quero ficar carregando dois aparelhos por aí? E a resposta a ambas as perguntas está diretamente relacionada a um fator: a quantidade de livros que este consumidor lê. Para quem lê a média nacional de 4 livros por ano, incluindo-se aí livros pela metade e livros para a escola [segundo a pesquisa Retratos da Leitura / 2011], nunca valerá a pena a compra de um aparelho exclusivo para leitura, seja ele um segundo aparelho ou não. Esta decisão também vai depender da condição econômica do consumidor. Se ele pertencer à classe A, talvez já considere que valha a pena comprar um Kindle ou Kobo se estiver lendo 5 ou 6 livros inteiros por ano. Já uma pessoa da classe C talvez só investisse em um segundo aparelho se fosse ler 9 ou 10 livros, por exemplo.

Infelizmente, a pesquisa Retrato da Leitura não distribui o universo de leitores em quantidade de livros lidos por ano, mas apenas aponta o números daqueles considerados leitores [que leram pelo menos um livro ainda que incompleto nos últimos 3 meses] por classe social. Não temos, portanto, o número de “grandes leitores” no Brasil, mas com base no número de leitores podemos arriscar algumas estimativas para chegar ao tamanho potencial do mercado brasileiro de e-readers dedicados. Vejamos o gráfico abaixo com dados da pesquisa Retratos da Leitura:

Leitores brasileiros por Classe Econômica

Temos, portanto, 2,3 milhões de leitores na classe A, 25,6 milhões na classe B e 46,2 milhões na classe C. Eu estimo que não mais de 15% dos leitores da classe A poderiam ser considerados “grandes leitores” o suficiente para que, considerando suas curvas de preferência de consumo, optassem pela compra de um e-reader dedicado que quase sempre seria um segundo aparelho, depois de um tablet. Já na classe B, acho que este índice não passa de 10%, considerando a pior condição socioeconômica e uma distribuição dos leitores por quantidade de livros lidos que tende a ser inferior. Na classe C, pelos mesmos motivos, o número não deve passar de 5%. Claro que estes índices não passam de chutes ou, como dizem os ingleses elegantemente, “educated guesses”. Mas quem discordar destes índices pode fazer seu próprio chute e aproveitar a lógica e os dados de pesquisa aqui para chegar a suas próprias conclusões. Mas, enfim, utilizando-se os índices que propus, chegamos à seguinte tabela:

Milhões de Leitores % “Grandes Leitores” com potencial para aquisição Milhões de
“Grandes Leitores”
 Classe A                                  2,3 15% 0,3
 Classe B                               25,6 10% 2,6
 Classe C                               46,2 5% 2,3
 Classe D/E                               14,1 0%
 TOTAL 5,2 

 

Com base nesta estimativa, o mercado potencial de consumidores de e-readers dedicados seria de aproximadamente 5,2 milhões de pessoas. Isto equivale a 5,9% dos 88,2 milhões de leitores no Brasil. Ou seja, 5,2 milhões de pessoas leem livros em número suficiente para que a aquisição de um e-reader dedicado tenha racionalidade econômica considerando-se sua classe socioeconômica e o fato de que o e-reader provavelmente será um segundo aparelhos de leitura.

Mas vale lembrar que isto é potencial, ou seja, não serão 100% destas pessoas que vão adquirir um Kindle ou Kobo. Entre elas, há aqueles que nunca lerão livros digitais ou que lerão ambos os formatos de forma que não consumirão e-books em número suficiente para justificar uma compra. Além disso, há aqueles que nunca aceitarão a ideia de carregar mais de um aparelho. É difícil fazer qualquer estimativa de quanto deste mercado potencial será efetivamente convertido em vendas quando o mercado de leitura digital estiver amadurecido no futuro. Além disso, até que isto aconteça, os índices de leitura podem melhorar ou o preço dos e-readers baixar, aumentando a penetração dos “grandes leitores” com potencial para a compra de um e-reader dedicado. No entanto, para os próximos três anos, enquanto a leitura digital ainda se consolida e os mercados europeu e norte-americano parecem ter atingido um platô do crescimento digital, acho difícil que mais do que 20% deste mercado potencial seja atingido. Ou seja, minha estimava é que a base de e-readers instalada no Brasil ao final de 2016 não passe de um milhão de aparelhos.

E qual é esta base hoje? Difícil saber. O jornalista Thiago Prado estimou que aAmazon vendeu 60 mil kindles no Brasil em 2013. Em seguida a coluna Radar apontou a venda de 20 mil Kobos pela Livraria Cultura no ano passado. Ainda teríamos de considerar os Kindles que entram nas malas dos turistas brasileiros e outros aparelhos. Mas, mesmo assim, acho uma boa estimativa uma base de 100 mil e-readers dedicados no Brasil ao final de 2014. Ou seja, imaginar que a base de tais aparelhos chegue a um milhão em três anos ainda exige uma bos dose de fé. Mas vale lembrar que em 2010 foram vendidos apenas 110 mil tablets no Brasil, e três anos depois, em 2013, a venda chegou a quase 8 milhões.

Não podemos esquecer nesta discussão que a demanda por e-readers dedicados vem diminuindo nos mercados atuais, como mostra este artigo do PublishNews.

De qualquer forma, é inegável e os números corroboram que o Brasil é o país do tablet e do smartphone e não do e-reader dedicado. Afinal, enquanto o mercado potencial de e-readers não pode ser estimado em muito mais de cinco milhões de aparelhos, só em 2014 serão vendidos 10,7 milhões de tablets e 47 milhões de smartphones no Brasil.

Com base nisto, talvez a Amazon a Kobo deveriam apostar mais na leitura digital por meio de seus aplicativos para iOS e Android no Brasil – especialmente para o Android, que possui um market share de aproximadamente 90% no mercado brasileiro de tablets e smartphones. No entanto, os aparelhos Kindle e Kobo fazem parte do cerne da estratégia de conquista de mercado destas empresas e é difícil imaginá-las abandonando seus leitores dedicados para estimular seus leitores a ler em tablets dos concorrentes Google e Apple. Por enquanto, o que ambas as empresas fizeram, foi entrar no mercado de tablets com o Kindle Fire e o Kobo Arc, tentando garantir seu lugar ao sol, caso o e-reader dedicado sofra uma morte precoce. E o Kindle Fire nem está disponível no Brasil.

Portanto não será tão cedo que veremos uma publicidade com o slogan: “Kindle, o melhor aplicativo de leitura para seu iPad.” Mas é preciso que o mercado tenha consciência de que o Brasil não é o país do e-reader, mas sim do tablet e do smartphone.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado em em Tipos Digitais | 13/04/2014

Deu tilt na tela do Kindle


Fabricante da tela do dispositivo da Amazon enfrente crise

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração, lançado no Brasil nesta quinta [12] por R$ 479

O leitor Kindle Paperwhite de segunda geração

Um dos grandes diferenciais do Kindle sempre foi a sua tela. A tecnologia que permite baixo consumo de energia, a não emissão de luz e o consequente conforto na leitura é resultado de pesquisas feitas pela empresa E Ink, que fabrica a tela do dispositivo da Amazon. Mas as coisas não andam boas por lá. De acordo com o jornal Taipei News, a E Ink prevê perdas, reflexo da queda na demanda por devices de e-reader. As receitas deverão cair entre 5 e 10% em relação ao último trimestre. De acordo com o Chefe Financeiro da E Ink, Eddie Chen, há uma forte probabilidade de a empresa ir para o vermelho ainda no primeiro semestre de 2014. A culpa, segundo disse Chen, é a fraca demanda sazonal por e-readers. A verificação de Eddie Chen chega junto com o resultado da pesquisa feita pela Associantion of American Publishers [AAP] em parceria com o Book Industry Study Group [BISG] que apontou crescimento de apenas 3,81% mas vendas de e-books nos EUA . O índice de crescimento foi o menor desde 2012 e foi a primeira vez que ele ficou abaixo dos 10%. O futuro da E Ink, aponta Chen está na reestruturação societária e na ampliação do portfólio de produtos, inclusive fortalecendo a produção de telas para smartphones, um mercado muito mais robusto do que os e-readers. O e-Paper foi a maior fonte de renda da E Ink no ano passado, respondendo por mais de 80% da sua receita.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 07/04/2014

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio


POR EDNEI PROCÓPIO

Hoje, terça-feira, dia 25, às 18h30, estarei lançando [simultaneamente em versão impressa e digital] o meu terceiro livro sobre os eBooks. Será na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, aqui em São Paulo, e tenho o prazer convidar os colegas que acompanham este blog.

Na ocasião, ministrarei uma palestra sobre assunto onde tratarei dos dois eixos centrais que considero importante para a boa manutenção do mercado editorial brasileiro. O primeiro seria o eixo econômico, aquele que viabiliza e sustenta toda a cadeira produtiva do livro. E o segunda eixo é o político que, inevitavelmente, precede o primeiro quando se trata de políticas públicas voltadas ao livro em especial as bibliotecas públicas digitais, os livros digitais didáticos, etc…

Nos meus primeiros dois livros, eu já havia tratado e, de certo modo, refletido toda uma revolução tecnológica prevista por inúmeros especialistas como Michael Hart, Don Tapscott, Chris Anderson e Tim Berners-Lee, líderes que aprecio e cujas ideias projetaram as mídias digitais ao mainstream.

Costumo sempre reafirmar em minhas palestras, cursos e entrevistas que esta revolução tecnológica não só, finalmente, alcançou o mundo dos livros como também transformou profundamente a realidade de seu mercado criando novos horizontes, possibilidades e, claro, desafios. E a questão central agora são exatamente os desafios. O mercado editorial, mesmo com sua consagrada manufatura de produção cultural, alcançou níveis alarmantes de riscos em seu histórico modelo de negócios.

Modelo de negócios para os livros digitais é, portanto, neste meu novo livro, a preocupação central. Nele, faço uma análise profunda do futuro mercantil dos livros frente a uma iminente revolução causada pelo advento da Internet. Em “A Revolução dos eBooks” busco desmistificar os livros digitais usando conceitos básicos que ajudarão profissionais a desbravarem o que considero como um cenário único de oportunidades.

Nos vemos lá! Eddie

LCD ou e-Ink: qual é melhor para leitura?


Sem dúvida nenhuma os tablets com tela de LCD vendem muito mais do que um aparelho para leitura de livros digitais como o Kindle, da Amazon, e o Kobo, da Livraria Cultura. Nos Estados Unidos, por exemplo, com o preço de um iPad Air básico com WiFi e 16 GB, é possível adquirir quase cinco dispositivos Kindle PaperWhite com conexão sem fio.

Afinal, por qual motivo as pessoas deixam de adquirir um eReader? Ele é muito mais barato do que um tablet com tela de LCD e proporciona uma experiência de leitura melhor. Para conseguir compreender as principais diferenças entre esses dois gadgets, vamos mostrar alguns detalhes que podem fazer a diferença na hora de escolher um ou outro.

Saiba a diferença entre a tecnologia LCD e e-Ink

Apesar da semelhança visual entre eReaders e Tablets – acredite, muitas pessoas não familiarizadas com tecnologia confundem o Kindle Paperwhite de 6 polegadas com o iPad mini de 7,9 polegadas –, uma das principais diferenças é o tipo de tela presente em cada um.

A tecnologia LCD está presente na tela do seu computador, smartphone, tablet e até mesmo da televisão que você utiliza. Esse display proporciona uma grande variedade de cores com uma taxa de atualização ideal para assistir vídeos e jogar alguns games. A tela LCD ainda conta com uma forma de iluminação chamada de backlight – ou retroiluminação –, que representa uma luz por trás ou pelo lado para melhorar a legibilidade.

Com relação às telas e-Ink, elas são ideais para a leitura de textos em preto e branco – as telas e-Ink coloridas existem, mas ainda não estão disponíveis em aparelhos comerciais do tipo. Além disso, elas possuem uma taxa de atualização muito baixa, o que inviabiliza a execução de jogos e vídeos e interfere na velocidade de um navegador de internet. A maior qualidade de uma tela e-Ink é, definitivamente, a forma que ela apresenta um texto, sendo considerada por muitos especialistas como o “papel eletrônico”.

Colocando as características no papel… Quer dizer, na tela

Por ser um dispositivo muito mais simples, o eReader consome muito menos bateria. Enquanto é preciso correr diariamente para carregar a bateria de um tablet ou smartphone – aquele desespero inexplicável quando a bateria alcança menos de 10% e você está longe de casa e de uma tomada –, você pode ficar dias e até semanas sem precisar recarregar o seu aparelho para leitura de livros digitais.

Enquanto algumas companhias anunciam seus tablets com “10 horas de bateria”, o anúncio do recente lançamento da Amazon – Kindle Paperwhite – aponta “mais de 8 semanas de bateria”. Nesse quesito, o aparelho de leitura digital é a opção recomendada para longas viagens.

Se você deseja ler livros ao ar livre ou em contato direto com o sol [se você já tentou usar o smartphone em um dia ensolarado na praia sabe do que estou falando], o gadget com tela e-Ink é o ideal, já que ele proporciona uma leitura nítida como se estivesse lendo em uma revista ou jornal.

Com relação à leitura em ambientes noturnos, é claro que é possível usar os dois dispositivos. No entanto, o display LCD proporciona uma luz muito mais forte – mesmo diminuindo a luminosidade nas configurações do aparelho – do que um eReader como o Kindle Paperwhite, que também possui uma luz integrada, mas não é backlight. Caso você tenha que dormir com mais alguém no mesmo ambiente, a luz da tela LCD pode realmente incomodar, portanto o aparelho com tela e-Ink pode ser mais confortável.

Na verdade, um dos maiores fatores responsáveis – se não o maior – por influenciar na escolha do dispositivo é o preço. Sim, o valor do aparelho sempre faz algumas escolhas por nós, não é mesmo?

No caso de um gadget com tela e-Ink e LCD, o display de aparelhos para leitura digital é significantemente menor. Tablets e smartphones com telas de LCD precisam ter hardwares muito mais potentes, já que executam outras funções além da leitura, como jogos, aplicativos, vídeos etc. Em um eReader, as suas únicas tarefas são armazenar livros digitais e virar páginas em uma velocidade razoável.

Cuidado com os olhos!

Por todas as características apresentadas acima, é possível concluir que um gadget com tela e-Ink pode ser mais saudável para os olhos durante um longo período de leitura, correto? Errado! De acordo com uma pesquisa publicada em 2012 no site norte-americano PubMed, não faz diferença – em termos de cansaço visual – ler em um dispositivo com tela e-Ink ou LCD.

No entanto, se houver cansaço visual durante a leitura em dispositivos LCD antigos e com resolução baixa, isso não deve ocorrer nos aparelhos modernos e com alta resolução. Tudo depende da definição da imagem.

É claro que os testes não foram realizados com os dispositivos expostos ao sol. Se isso tivesse acontecido, o cansaço visual em dispositivos com tela LCD seria muito maior.

Tudo depende da sua necessidade

Escolher entre um tablet ou um eReader depende, é claro, da sua necessidade e do quanto você está disposto a gastar. Um não é melhor do que o outro. Se você procura uma experiência melhor para ler livros digitais – de dia, de noite e em qualquer lugar – e pretende levar o gadget para longas viagens sem a necessidade de recarregar a bateria com frequência, o eReader é a sua opção.

Caso o seu interesse seja em navegar na internet, ouvir músicas, baixar jogos, vídeos e outros diversos aplicativos, sem dúvida um tablet ou smartphone com tela de LCD é o mais recomendado para você.

Tecmundo | 11/02/14

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

A Fliporto 2013 promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em módulos, a oficina contará com aulas intensas para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
  • A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio tem 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou “Construindo uma biblioteca digital“, e em 2010 lançou “O livro na era digital“. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

Uma boa notícia para os amantes dos livros eletrônicos. A Fliporto promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site http://www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em nove módulos, a oficina contará com aulas intensas e laboratórios para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui os temas, o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
  • A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou Construindo uma biblioteca digital, e em 2010 lançou O livro na era digital. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

E-Ink registra US$ 33 milhões de prejuízo


A concorrência dos tablets está sendo duríssima com a principal fabricante de telas de ereaders, a e-Ink. Apenas no segundo trimestre de 2013, o prejuízo da empresa foi de US$ 33 milhões de dólares.

A conta negativa é atribuída à reduzida [e decrescente] demanda de novas telas pelos principais compradores da empresa – empresas como Amazon, Kobo e Sony, os fabricantes de referência de e-readers.

Embora a empresa esteja diversificando a sua atuação e procurando mercados de nicho para as telas [como empresas de marketing, sinalização, etc.], isso representa apenas 5% do volume de negócios atual da empresa.

As vendas do final de ano devem aliviar as contas da e-Ink [com uma demanda maior de Amazon & Cia], mas dificilmente serão volumosas como nos tempos “pré-tablets”.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 19/08/2013

Curso | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem falado sobre a chegada de empresas como Google, Kobo, Copia e Amazon ao Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem no entanto estar mais próximas do alcance do autor do que ele possa imaginar. Mas é preciso preparar-se.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores que desejam saber mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O Conteúdo

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

Quem Pode se Beneficiar do Curso

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

Anote na agenda

A Revolução dos Livros Digitais
Quando: 23 de fevereiro de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: 9h00 às 15h00
Valor único: R$ 170,00
Lotação: 20 vagas

Sala de aula

Rua Deputado Lacerda Franco, nº 253
CEP 05418-000 – Pinheiros, São Paulo, SP
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio

Escola do Escritor
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
http://www.escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Rival do Amazon Kindle, Kobo Touch é boa opção para ler eBooks brasileiros


E-reader lançado no Brasil pela Livraria Cultura pode ser usado com livros adquiridos em outras lojas no país

O mercado brasileiro de e-readers, os leitores de livros eletrônicos, carece de boas opções. A Livraria Cultura, em parceria com a Kobo, tenta mudar esse cenário.

A Kobo, que pertence à empresa japonesa Rakuten, é uma das principais marcas de e-reader do mundo. Seus aparelhos concorrem de igual para igual com os da Amazon [Kindle], os da Barnes & Noble [Nook] e os da Sony.

Na semana passada, a Cultura lançou no Brasil o Kobo Touch, modelo com tela sensível ao toque que foi anunciado nos EUA em maio do ano passado.

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos (e-books) lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos [eBooks] lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

Leve [185 gramas] e compacto [11,4 x 16,5 x 1 cm], ele tem construção sólida e resistente, com uma agradável textura nas costas. O acabamento emborrachado garante uma pegada firme – o aparelho escorrega menos nas mãos. É vendido em quatro cores: preto, prata, lilás e azul.

Um botão na frente do aparelho, abaixo da tela, leva o usuário à tela inicial. Outro, no topo, serve para ligar, desligar ou colocar para dormir. Na parte inferior, há uma porta micro-USB, para conexão ao computador e carregamento da bateria. Um buraco na lateral esquerda serve como leitor de cartão microSD – recurso ausente no Kindle, que não permite aumentar o espaço de armazenamento.

O Kobo não tem botões físicos para mudar a página, o que é uma pena, pois eles facilitam o manuseio do aparelho com apenas uma mão. Botões laterais, como o do Kindle Keyboard e o do Nook Touch, permitem folhear o livro com a mesma mão que segura o e-reader – basta pressioná-los com o polegar. Sem eles, é necessário deslocar o polegar até a tela para mudar a página, o que não é trabalhoso, mas exige maior cuidado e esforço ao segurar o aparelho.

A resposta ao toque na tela costuma ser rápida, mas as falhas são frequentes. Felizmente, elas raramente ocorrem ao folhear o livro – são mais comuns ao digitar, selecionar palavras no meio do texto ou tocar ícones nos cantos da tela. A borda do aparelho, alta em relação à tela [devido à tecnologia de infravermelho usada para detectar os toques], também atrapalha o acesso aos comandos nos cantos, além de causar uma pequena sombra sobre a margem da página, a depender da iluminação ambiente.

PAPEL ELETRÔNICO

A tela do Kobo usa tecnologia de papel eletrônico E Ink, presente nos principais modelos de e-reader do mercado. Ela consome pouca energia, permite a leitura mesmo sob a luz do Sol, oferece bom ângulo de visão e, teoricamente, cansa menos os olhos do que telas de LCD, por exemplo. Por outro lado, tem baixa taxa de atualização, o que deixa animações e transições lentas e travadas.

Nos próximos parágrafos, falo um pouco mais sobre o E Ink. Se o assunto não lhe interessa, pule para o infográfico, mais abaixo.

Grosso modo, a tinta eletrônica da E Ink é formada por uma camada de microcápsulas que fica entre dois elétrodos [nesse caso, placas condutoras de corrente elétrica]. Cada microcápsula tem o diâmetro de um fio de cabelo e leva em seu interior um fluido claro com partículas brancas [com carga elétrica positiva] e pretas [carga negativa] que se movem conforme a carga elétrica aplicada no elétrodo inferior.

Uma carga positiva no elétrodo inferior empurra as partículas brancas para o topo da microcápsula, deixando-as visíveis através do elétrodo superior, que é transparente – assim, a tela fica branca. Do mesmo modo, a aplicação de uma carga negativa faz com que as partículas pretas subam e escureçam a superfície da tela. A combinação dessas partículas pretas e brancas forma a imagem exibida pelo papel eletrônico.

Seu consumo de energia é baixo basicamente por dois fatores: ele não tem iluminação própria, e a retenção da imagem estática na tela não gasta energia.

Diferente de telas que são iluminadas com luz traseira [backlight], como as de LCD, o papel eletrônico é reflexivo, ou seja, reflete a luz ambiente – artificial ou natural [solar]. Por não emitir a própria luz, ele supostamente cansa menos os olhos do usuário e consome menos energia, mas normalmente não é legível no escuro sem o auxílio de iluminação auxiliar.

Outras características comuns do papel eletrônico são o bom ângulo de visão, que permite uma boa legibilidade mesmo a partir de uma posição não perpendicular dos olhos em relação à tela; a baixa taxa de atualização, o que torna animações e transições – como mudanças de página – um tanto lentas; e o “ghosting” – tendência a exibir “fantasmas” [resquícios de uma imagem anterior] – geralmente solucionado com uma atualização completa da tela antes de formar a nova imagem.

O papel eletrônico implantado em e-readers geralmente exibe imagens apenas em preto e branco. Existem modelos coloridos, mas seu uso é bastante limitado ou deixa a desejar.

Kobo TouchTELA

A resolução da tela do Kobo [600 x 800 pontos] é boa, mas inferior à dos e-readers mais modernos, que exibem desenhos e textos mais nítidos. A diferença é perceptível principalmente em caracteres menores e linhas mais finas.

Como ela tem superfície fosca, seu reflexo raramente incomoda.

A mudança de páginas ocorre com rapidez, e é possível definir o número de páginas viradas a cada atualização completa da tela – que elimina os artefatos visuais [“fantasmas”] que se acumulam a cada troca de página.

No geral, a experiência de leitura é agradável. Se julgar necessário, você poderá configurar itens como fontes tipográficas, tamanho dos caracteres, espaçamento entre as linhas, tamanho das margens e tipo de justificação. Nisso, o Kobo ganha de lavada do Kindle, que oferece opções bem mais limitadas de ajuste para a leitura.

O dicionário embutido funciona bem. Ao deixar seu dedo sobre uma palavra, uma janela aparece mostrando suas acepções. Há também a opção de traduzi-la, mas aparentemente o recurso não identifica automaticamente o idioma da palavra selecionada. O software identifica bem variações como plurais e conjugações verbais.

O aparelho ainda permite que você destaque trechos de livros e acrescente anotações. Tanto esses recursos quando os dicionários, porém, só funcionam com arquivos de alguns formatos. Nos meus testes, consegui usá-los apenas com livros em EPUB – o padrão nos livros para o Kobo e o mais comum [com o PDF] nas lojas on-line brasileiras, mas diferente do usado pela Amazon. O Kindle, por outro lado, não lê arquivos em EPUB, mas oferece um suporte melhor a PDF, com dicionário e anotações.

FORMATOS

Uma das principais atrações do aparelho é o suporte a diversos formatos de arquivo, mas o recurso ainda precisa melhorar bastante. É justamente quando você tenta ler arquivos que não usam o formato EPUB que a leitura no Kobo deixa de ser agradável.

Além das limitações no uso de dicionários e anotações, é normal ver travamentos e lentidão com livros em formatos como MOBI, PDF e até TXT. Durante os meus testes com arquivos de diferentes tipos, tive que reiniciar o Kobo diversas vezes, pois ele simplesmente parava de funcionar –isso quando o aparelho não fazia a reinicialização por conta própria, repentinamente.

É possível ler histórias em quadrinhos nos formatos CBR e CBZ, mas o tamanho diminuto da tela atrapalha.

O Kobo também sofre ao lidar com grandes quantidades de arquivos em diferentes formatos. Coloquei nele mais de 600 itens – entre livros, documentos e imagens–, mas a biblioteca do aparelho mostrava apenas cerca de 400. Vários livros em EPUB não apareciam listados. Para eles aparecerem, tive que apagar alguns arquivos e mudar uma pasta de local. Trabalhoso.

Copiei os mesmos arquivos para um Kindle. Como ele não suporta EPUB, listou um número bem menor de itens, mas, diferentemente do Kobo, exibiu todos os arquivos que tinham formatos compatíveis.

Ao fazer esse teste, tive que apagar algumas das histórias em quadrinhos que havia selecionado, pois o espaço de armazenamento do Kobo é limitado – são apenas 2 Gbytes, dos quais pouco mais de 1 Gbyte pode ser usado. Segundo a Kobo, 1 Gbyte é o suficiente para cerca de mil livros – pode ser pouco, porém, para quem deseja lotar o negócio com itens em PDF e histórias em quadrinhos. Para isso, é recomendável usar um cartão de memória microSD.

Mas o melhor mesmo é evitar colocar muita coisa no aparelho. Até porque a navegação pela biblioteca é muito ruim – faltam opções de filtros para você achar um determinado arquivo, e procurá-lo por dezenas de páginas é cansativo. A solução é usar a busca.

Navegar pela loja da Kobo é ainda mais frustrante, pois o carregamento de cada página é lento demais. Novamente, o jeito é usar a busca. Ou desistir de comprar pelo aparelho e usar um computador – ou, ainda, ir a uma loja física.

O e-reader tem quatro recursos que a Kobo define como extras: o navegador de web, que funciona muito mal e tem poucas funcionalidades [é bem inferior ao do Kindle]; o sudoku, com quatro níveis de dificuldade; o xadrez, com cinco níveis de dificuldade; e o sketchbook, um aplicativo ultrabásico para desenho e anotações.

Assim como seus principais concorrentes, o Kobo não tem suporte a áudio – não há alto-falantes nem saída para fone de ouvido. Para usar audiolivros ou algum recurso de leitura de texto [text-to-speech], você pode recorrer a um celular ou um tablet – ou, ainda, ao velho e bom Kindle Keyboard.

O Kobo também não tem opção de modelo com conexão a redes 3G, uma desvantagem em relação ao Kindle.

O aparelho vem apenas com um cabo USB, sem adaptador para ligá-lo à tomada. Para carregar a bateria [que dura cerca de um mês, segundo a Kobo], você pode conectar o e-reader ao computador – ou usar o carregador do seu celular, por exemplo.

O que vem por aíKOBO OU KINDLE?

Apesar das falhas, o Kobo Touch é um bom e-reader e, no Brasil, tem apenas um concorrente.

Mas é um concorrente e tanto: o Kindle, que começou a ser anunciado nesta quinta-feira [6] no site brasileiro da Amazon. As vendas começam “nas próximas semanas” com o “preço sugerido” [termo curioso –ou o e-reader não será vendido pela própria loja?] de R$ 299.

O modelo anunciado no Brasil é o mais básico, que leva apenas o nome Kindle e não tem tela sensível ao toque – recurso presente no Kobo Touch, vendido pela Livraria Cultura por R$ 399.

Mais do que detalhes técnicos, porém, o que deve guiar a escolha do seu e-reader é o catálogo de obras disponível para ele.

Escolher um e-reader é, também, escolher uma provedora de conteúdo. Nos EUA, por exemplo, quem é cliente ou prefere o catálogo da Barnes & Noble tem o Nook como a melhor opção; os fãs da Amazon devem escolher o Kindle. Talvez a maior desvantagem do Kobo nos EUA, aliás, seja exatamente o seu catálogo, que é bem menor do que o dessas duas.

E no Brasil, é melhor comprar um Kindle ou um Kobo?

A maioria dos potenciais compradores de e-reader no Brasil provavelmente deseja ler principalmente livros editados no país. E é para essa massa que a escolha é mais complicada, pois o nosso mercado de e-books ainda é bastante imaturo. Muitas obras ainda não ganharam formato eletrônico, poucas livrarias têm uma plataforma digital decente, e é difícil prever o que acontecerá no futuro próximo. As editoras apostarão mesmo nos e-books? Elas favorecerão algum formato? Como vai se desenvolver a relação delas com as lojas e os consumidores? Haverá outra loja forte além da Amazon e da Cultura? Isso tudo, entre outras coisas, pode fazer com que você se arrependa de ter um comprado um determinado e-reader. Ou dar-lhe a certeza de que fez um bom negócio.

Com isso, o melhor é esperar – até porque modelos melhores não devem demorar muito para chegar ao país.

Para quem não pode esperar e quer comprar já, listo três quesitos que podem ajudar na escolha:

1] Catálogo em português. A maioria das lojas brasileiras que vendem e-books trabalha com o EPUB, formato compatível com o Kobo e incompatível com o Kindle. A Amazon vende livros apenas para o Kindle. Procure descobrir qual catálogo é o melhor – o resultado poderá depender das preferências literárias de cada um. Quem gostar mais do da Amazon deverá escolher o Kindle; quem preferir o das lojas que trabalham com EPUB [Cultura, Saraiva etc.] deverá optar pelo Kobo.

2] Catálogo em outras línguas. Quem quiser ler bastante em inglês deve escolher o Kindle, pois o catálogo da Amazon é seguramente superior ao da Cultura nesse idioma. Para ler em outras línguas, o processo de escolha é mais complicado e pode variar com o país e o idioma. Em alguns, o catálogo da Amazon será superior – ponto para o Kindle. Em outros, pode haver ausência da Amazon ou presença de rivais à altura da gigante norte-americana – ponto para o Kobo, se esses rivais venderem livros no formato EPUB.

3] Características técnicas. O Kobo leva vantagem em pelo menos dois quesitos: o aparelho em si – que tem tela sensível ao toque, leitor de cartão microSD e mais opções de ajuste de leitura – e, mais importante, o suporte ao EPUB.

A Amazon usa formatos proprietários de e-book, o que “tranca” o usuário. Basicamente, livros para o Kindle só podem ser comprados na própria Amazon e lidos com os e-readers e os aplicativos da própria Amazon – estes, por sua vez, não oferecem suporte ao popular formato EPUB.

Ao usar o EPUB como padrão, o Kobo oferece mais liberdade. Livros em EPUB podem ser comprados em diversas lojas e lidos com e-readers e aplicativos de várias empresas.

Uma vantagem do Kindle sobre o Kobo é o melhor suporte a arquivos em PDF, mas tablets são mais adequados para ler conteúdo nesse formato.

Por fim, quem já tem títulos nos mais diferentes formatos e não quer comprar mais de um e-reader pode lê-los com aplicativos para celular, tablet ou computador, mas sem o conforto da tela de papel eletrônico.

FUTURO

A Livraria Cultura planeja lançar mais três aparelhos com a marca Kobo no primeiro trimestre do ano que vem: o tablet Arc e os e-readers Mini e Glo. Se você puder esperar até lá, os dois últimos podem ser opções melhores do que o Touch.

O Mini parece ser um bom aparelho para quem quiser um modelo mais compacto, e o Glo, com iluminação embutida e tela com melhor resolução [758 x 1.024 pontos], é uma evolução do Touch – superior a ele em praticamente todos os aspectos.

Nos EUA, a Amazon vende outros modelos de Kindle – os e-readers Paperwhite e Keyboard e o tablet Fire.

Lançado em 2010, o Keyboard é o Kindle mais antigo ainda à venda. Sem tela sensível ao toque, tem um teclado físico especialmente útil para fazer anotações.

O Kindle Paperwhite é o e-reader topo de linha da Amazon. Assim como o Kobo Glo, tem tela de alta resolução sensível ao toque e iluminação embutida.

A Amazon não informa se e quando esses modelos chegarão ao Brasil.

Por Emerson Kimura | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 06/12/2012

Talvez a revolução tenha chegado a um estágio evolucionário


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 04/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

O ritmo estonteante com que os consumidores norte-americanos estavam passando de impresso a digital não poderia durar para sempre. Baseado nos números publicados pela AAP, com uma grande ajuda na interpretação feita por Michael Cader da Publishers Lunch, parece que a desaceleração ficou bastante evidente nos últimos 12 meses.

Entre o final de 2007, quando saiu o Kindle, e o final de 2011, as vendas de e-book no mínimo duplicaram a cada ano. Desde setembro de 2011, quando Cader registrou que as vendas foram o dobro do ano anterior, os números mensais estão mostrando um crescimento anual muito menor [e em declínio]. Os números de abril mostraram um aumento de somente 37% em relação ao ano anterior.

Já faz um bom tempo que estive pensando sobre a diminuição do crescimento dos e-books. Em março de 2010, há 17 meses, escrevi que meu palpite era que a mudança para o digital “vai começar a diminuir quando as vendas de e-books representarem 20-25% do que uma editora espera ganhar com um novo título”. E achava que isso iria ocorrer antes da eleição presidencial de 2012. Parece razoavelmente consistente com o que está acontecendo.

Cader também cita relatórios da Penguin e da Simon & Schuster para documentar a queda. A Penguin afirma que o crescimento nas vendas de e-books foi de cerca de 33% na primeira metade de 2012. E o site Publishers Lunch informa que Carolyn Reidy, CEO da Simon & Schuster, contou que ela espera um crescimento de 30% na venda de e-books durante 2012. Isso certamente constituiria o canal de vendas com maior crescimento, mas certamente não é o dobro ou triplo [ou mais] que vimos nos últimos anos.

Algumas semanas antes, Cader dissecou os relatórios da BookStats com os números de vendas editoriais. Como os leitores deste blog sabem, acho que a métrica importante para olharmos é “vendas de lojas versus vendas online”, em vez de “impressos versus eletrônicos”. Vendas em lojas são todos impressos, mas vendas online não são somente eletrônicos. Eu acho que a distinção de canal é mais importante do que a distinção de formato, porque a escala é muito mais útil para lidar com livrarias do que lidar com qualquer conta online, por dois motivos: inventário e logística.

A BookStats informa que as vendas diretas do editor para livrarias online – isso inclui tanto impresso quanto digital, mas não inclui vendas que aconteceram através de distribuidores – estiveram ao redor de 35% do total de vendas para lojas e livrarias online juntas. Dizem que online cresceu 35% no ano passado e as lojas de tijolo caíram uns 12,6%. Minha matemática grosseira diz que o total combinado dos dois foi bastante próxima ao equivalente a uma queda de 1%. Como as vendas de e-books estão subindo e os e-books são geralmente mais baratos do que os impressos, parece que não houve mudança.

A outra coisa na qual devemos prestar atenção é a diferença na venda de e-books por tipo de livro. Baseado em evidências, acredito que as vendas de ficção de gênero e comercial podem estar se aproximando dos 50%. [A BookStats informa que as vendas de toda ficção está atualmente dividida em 64% impressa e 34% digital.] A não-ficção narrativa está mais ou menos na metade disso. Livros ilustrados de todo tipo são uma pequena parte.

Há muitas coisas que não sabemos.

Não sabemos quanto do declínio de crescimento de vendas no último ano acontece por causa do sucesso das editoras em subir os preços dos ebooks. Se esta for a causa, até certo ponto, poderíamos ver o padrão mudar de novo quando [como eu espero] o acordo do Departamento de Justiça for aprovado e terminarem a política de preço da Amazon.

Não sabemos quanto do declínio no crescimento das vendas no ano passado se deve à troca do consumidor de e-readers dedicados para aparelhos multifunção, que oferecem outras mídias e jogos – além de e-mail – para competir com livros. Se esta for a causa, a tendência de queda poderia se estender porque é provável que muitas pessoas vão passar de leitores e-ink a aparelhos multifunção, pois estes estão ficando cada vez mais baratos.

Não sabemos até que ponto o tráfego de lojas é afetado pela contínua mudança de best-sellers, especialmente em ficção, para o consumo digital. No curto prazo, há provavelmente um impacto positivo no espaço mostrado e nas oportunidades de vendas para livros ilustrados e livros infantis. Mas, no longo prazo, quantas lojas poderão sobreviver se os best-sellers não forem vendidos ali?

Não sabemos se os grandes comércios continuarão a ver livros como algo valioso para seu espaço. Eles vendem muita ficção de gênero, que é uma das áreas mais desafiadas por e-books publicados de forma independente [e nem todos são autopublicados]. As grandes lojas podem mudar rapidamente o espaço de prateleira, sem nenhuma sentimentalidade.

Mas, no geral, a queda que vimos é uma boa notícia para o estabelecimento do legado editorial, e será melhor se a tendência continuar. Qualquer coisa que diminuir o declínio na porcentagem do mercado das livrarias de tijolo e o avanço da Amazon, dá tempo para as grandes editoras e os varejistas concorrentes ajustarem suas infraestruturas e construírem novos modelos de negócios que serão mais eficientes no futuro.

Infelizmente para eles, o desenlace desta rodada do Departamento de Justiça está a ponto de mudar tudo isso.

Se entender novos modelos de negócio e as novas formas através das quais as editoras fazem seus negócios é importante para você, deveria estar no seu calendário. Vamos apresentar vários Publishing Innovators do mundo: executivos que estão inventando estes novos modelos de negócios que vão permitir que as editoras cresçam em nosso ambiente digital.

Esta conferência vale um post só para ela, e isso vai acontecer logo. Mas o final deste post parece um bom lugar para mostrar que vamos apresentar alguns dos mais incríveis executivos da indústria editorial [e não só do mundo de fala inglesa] que estão fazendo coisas que mais ninguém está. Ainda.

E mudamos o horário do nosso evento das 9 às 17 para 10:30 às 18:30 para permitir que as pessoas cheguem a Frankfurt naquela segunda de manhã e não percam nenhum pedaço de um dos melhores eventos que já fizemos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 04/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Japão e Brasil: universos digitais paralelos


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews | 06/06/2012

A relação centenária entre o Brasil e o Japão me intriga. Curiosamente, fiz meus primeiros amigos brasileiros em solo japonês, quando eles trabalhavam em uma das primeiras gerações de telas planas de TV da Sharp. Acho que podemos olhar para o Japão para aprender com os desafios do passado e ter uma ideia sobre o presente e o futuro dos e-books no Brasil. Você talvez ache esse paralelo surpreendente.

O passado

O medo, no Japão, de uma ruptura da indústria editorial retardou o crescimento daquele que poderia ser um enorme mercado para os e-books.

Aproveitando o status privilegiado que têm no varejo, as editoras japonesas controlam de perto o preço final de venda dos e-books. Além disso, elas determinam o desconto [em torno de 30%] e o posicionamento das edições digitais. Os leitores, portanto, não se beneficiam de ofertas e promoções de produtos que poderiam ser feitas pelas livrarias criativas.

Se, de um lado, a tecnologia do e-book surgiu no Japão cerca de 20 anos atrás, de outro existem menos de 50 mil e-books em japonês – é menos do que o número de títulos lançados no país em formato impresso em um único ano. Essa lacuna digital abriu espaço para que algumas empresas bastante astuciosas escaneiem e disponibilizem ilegalmente conteúdo impresso – uma prática chamada de jisui [fazer sua própria comida]. Vamos rezar para que os piratas brasileiros se tornem organizados desse jeito e transformem seu hobby em um negócio.

Uma ação coletiva por parte das 13 maiores editoras do país, que constituiu uma forte aliança de distribuição, está bloqueando a entrada de inovadores digitais estrangeiros. Acho esse espírito nacionalista de “vamos fazer aqui mesmo” muito admirável. No entanto, uma aliança tende a se concentrar mais em ações defensivas do que no desenvolvimento de algo novo, e, assim, não apenas os leitores estarão impedidos de acessar o conteúdo que desejam, como os piratas vão deitar e rolar.

O presente

As plataformas de leitura eletrônica ainda não atendem as necessidades do mercado local, retardando a adoção do e-books.

Embora eu tenha muito orgulho do meu trabalho com o Kindle e outros e-readers E-Ink, eu sou o primeiro a dizer que eles não são para todo mundo. Eles são muito grandes e não servem pra quem se espreme em trens a caminho do trabalho ou para as leitoras que carregam bolsas pequenas. E, no Brasil, com os preços de hoje, dispositivos dedicados exclusivamente à leitura são inacessíveis para todo mundo, com exceção dos aficionados por tecnologia endinheirados. Talvez você ache interessante saber que os smartphones e até os feature phones são a principal plataforma de leitura digital no Japão. O argumento de que os e-books exigem um aparelho dedicado, portanto, é discutível.

Outro aspecto a considerar é que a maneira única como os japoneses leem – de cima para baixo, da esquerda para a direita – torna simplesmente impossível importar plataformas pensadas para o leitor do inglês. Da mesma forma, o hífen é um problemaço em português. Quem desenvolve as plataformas precisa enfrentar essas questões complicadas relacionadas aos idiomas.

Como ressaltou Jonathan Newell, da Nielsen, durante o Congresso CBL do Livro Digital, em maio, o gênero romance é de longe o que motiva a adoção do e-book nos mercados americano e inglês, especialmente. Mas não para os japoneses: lá, os mangás geram 25% da receita editorial total e 75% da receita com digital. No Brasil, algo me diz que o segmento educacional poderá ser a galinha dos ovos de ouro.

O futuro

Porque o conteúdo deveria ficar limitado a telas monocromáticas de seis polegadas? O conteúdo vai estar acessível aos leitores sempre que eles quiserem consumi-lo. Para além do ecossistema fechado que a Amazon desenvolveu com o Kindle, há muita gente trabalhando em plataformas em nuvem para permitir que as pessoas acessem suas bibliotecas de smartphones, de tablets e, não se esqueça, de PCs. As soluções criadas em HTML5 significam que qualquer dispositivo com um navegador pode se transformar num e-reader.

O conteúdo vai ser “petiscável”. Quando eu tenho tempo, adoro sentar no parque do Ibirapuera ou na praia de Ipanema para ler devagar um bom romance. Mas nove em dez vezes minha experiencia de leitura está limitada a uma corrida de táxi de 20 minutos [ou às vezes 60, em São Paulo]. Os japoneses foram pioneiros no conceitos de “aperitivos” de conteúdo – uma nova experiência que pode ser digerida numa rápida viagem de ônibus para o trabalho, por exemplo. Com a obsessão dos brasileiros por pedacinhos de conteúdo no Twitter ou no Facebook, algo me diz que esta poderia ser uma receita de sucesso no país.

Os livros ilustrados também vão vir com força. Ao focarem no patrimônio nacional dos mangás, os japoneses inventaram soluções criativas para visualizar esse rico conteúdo em formato digital. Espere ver livros para crianças, conteúdo educacional e guias ilustrados incríveis iluminando as telas no Brasil e em todos os lugares do mundo.

Para navegar nesse mar de mudanças trazidas pelo e-book, precisamos olhar para fora. Mas o invés de mirarmos os Estados Unidos, nós no Brasil podemos aprender mais ainda com nossos amigos de longa data lá no Japão.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews | 06/06/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

600 mil livros em branco


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

Alguns dias atrás, tive uma ótima conversa com Sriram Peruvemba [ou Sri], o principal executivo de marketing da E-Ink, um amigo antigo dos tempos pré-Kindle. Ele me contou uma ótima história sobre tecnologia educacional – a julgar pelo alvoroço no último Congresso do Livro Digital, um assunto muito quente.

Muito do rebuliço vem do plano [demasiadamente] ambicioso do Ministério da Educação [MEC] de comprar 600 mil tablets educacionais. O engenheiro dentro de mim fica animado com a iniciativa. Mas o e-publisher dentro de mim fica chocado: 600 mil tablets sem conteúdo? Você pode imaginar comprar 600 mil livros didáticos sem uma única linha impressa?

Sri iniciou nossa conversa me contando sobre o estado atual da leitura eletrônica no mundo. “Com a chegada dos e-readers, a sociedade como um todo está lendo mais, graças à conveniência desses aparelhos, a facilidade de acesso ao conteúdo, a portabilidade, a duração mais longa da bateria, o conteúdo mais barato [e às vezes grátis]. Livros, revistas e jornais, e mesmo documentos de trabalho, estão sendo lidos em tablets e e-readers.

Isto não é novidade para os assíduos leitores do PublishNews…mas então ele deu uma visão um pouco pessimista sobre o estado da leitura em geral.

Mas livros, revistas e jornais se tornaram secundários, muitos adultos não leem muito depois de sair da escola, e mesmo os periódicos têm estado em queda constante nos últimos anos. Não há sinais de que a tendência vai se reverter.

Ele considera, no entanto, que o conteúdo educacional é o pilar mais forte da indústria editorial. “Se você é um estudante em qualquer lugar do mundo, você está usando livros didáticos e isto não é uma opção, é obrigatório.

Nos últimos tempos, surgiram muitas empresas dispostas a inovar a experiência que se tem com o livro didático ou com os aplicativos de educação para tablets.

NearPod oferece uma solução completa para a sala de aula, onde o professor se torna ele/ela mesmo/a o criador de conteúdo – convertendo PDFs em materiais de aula interativos. Eles são uma empresa brasileira, com escritório na Vila Olímpia, em São Paulo.

Inkling, que se uniu à nata das editoras americanas, desenvolveu uma plataforma impressionante que reinventa a experiência do livro no iPad.

É claro que o “elefante na sala”, o competidor grande demais para ser ignorado, é a Apple e seu iBooks Author. Essa ferramenta permite que os autores criem conteúdos específicos para o iPad com recursos interessantes. Ela cria e-books? Ou ela cria Apps? Para o desapontamento de mais de 250 milhões de usuários de dispositivos equipados com o Android, o conteúdo gerado com o iBooks só funciona em uma plataforma, o iPad.

Enquanto os Apps são chamativos, potentes e legais, eu não tenho dúvidas de que eles não são o futuro da indústria editorial. Eu reforcei minha convicção de que os padrões como o ePub vão se mostrar os mais resistentes depois que, ao atualizar o sistema iOS, a Apple “quebrou” mais de 300 de nossos aplicativos de livros eletrônicos na Vook.

E Sri me confirma: “você precisa de um suporte [para o conteúdo educacional] e esse suporte é um dispositivo portátil como um e-reader [com tecnologia E-Ink].

Espera aí, você vai dizer, você não pode ensinar sem cor, e os leitores E-Ink são preto e branco. Não mais.

A Ectaco, cliente da E-Ink, já produz um aparelho em cores chamado Jetbook, que foi originalmente lançado na Rússia com sucesso na sala de aula”. Depois dessa primeira experiência, eles lançaram o dispositivo na prestigiada Brooklyn Technical High School em Nova York.

Os testes começaram em março, com o Jetbook que tem a tela em cores E Ink Triton. Os alunos aprenderam a manejá-lo em uma hora e desde então estão usando. Eles tomam notas, marcam o texto e salvam os trechos que vão usar no futuro para referência.

E corre o boato de que a Ectaco está olhando o Brasil.

Agora, com todas essas plataformas interessantes, voltemos à questão mais importante: “Quem vai criar conteúdo para encher esses 600 mil livros?”.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

O que é a nuvem?

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

O que a Amazon sacou


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 04/04/2012

Sede da E-Ink em Cambridge, Massachusetts, EUA, ano de 2006 – a alguns minutos de caminhada da Universidade de Harvard e do MIT. Russ Wilcox, fundador da empresa, faz um discurso já familiar. Ele diz que o iPod e o mp3 revolucionaram a indústria da música. Para o vídeo, foi o DVD e o streaming na internet. Por que, ele pergunta, a indústria editorial não passou por uma revolução desde a criação da imprensa?

Certamente, não foi por falta de tentativas. Outro dia, Ednei Procópio, fundador da Livrus, em São Paulo, me mostrou com orgulho sua coleção de leitores de livros eletrônicos desde 1998. Minha aventura com os e-books começou em 2006, quando trabalhei no lançamento do Sony Reader, na sede da Sony, em Tóquio. Juntos, engenheiros e executivos da empresa havíamos refletido sobre as lições aprendidas com o fracassado lançamento do Sony Librie em 2004. Excelente aparelho, nenhum conteúdo. O novo Sony Reader era um produto bonito – uma obra de arte eletrônica – e confortável para segurar tanto com a mão direita quanto com a esquerda. Ele ostentava uma tela nítida e legível sob a luz do sol. Dezenas de milhares de e-books estavam prontos na ocasião do lançamento. Mas, embora estivesse tão à frente em vários sentidos, o Sony Reader não impressionou os leitores. O que estava faltando?

No fim de 2006, depois de comer uma tigela de noodles apimentado e bolinhos chineses fritos, eu me encontrava na tão [mal] falada linha de produção da Foxconn China. Saindo fresquinho da fábrica estava o protótipo da Lab126 do Kindle. Era grande, pesado e, francamente, não tinha uma aparência muito legal. O aparelho nos lembrava o Commodore 64 com um estojo de couro que parecia ser o resultado do trabalho manual de um escoteiro mirim. Eu não saquei a ideia. Como é que a primeira incursão própria da Amazon no mercado de eletrônicos poderia ter sucesso com essa criança feia?

Tudo fez sentido quando eu liguei o aparelho pela primeira vez algumas semanas mais tarde no laboratório da E-Ink. Após 30 segundos, o aparelho acorda e diz “Oi, Greg. Nós recomendamos estes 3 livros para você”. Um click e outros poucos 30 segundos depois, O código da Vinci magicamente aparece na tela. Tamanhos de fonte ajustáveis, marcador de página. Nenhum cadastro maluco, nem complicações com DRM, nem a necessidade de configurar a rede sem fio. Somente a pura experiência de leitura, sem interrupções. Aha!

O resto, claro, é história. Porque a Amazon “sacou” – uma experiência que vai da descoberta de conteúdo à compra do livro sem obstáculos –, leitores de todo o mundo estão lendo 40% mais títulos do que antes. Com o Kindle, aconteceu a primeira revolução real na indústria desde a criação de Gutenberg. Quem escreverá o próximo capítulo da nossa saga editorial digital?

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 04/04/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

O homem por trás do Kindle no PublishNews


Greg Bateman, que trabalhou no desenvolvimento do leitor da Amazon, estreia coluna quinzenal

Quem conversa com Greg Bateman certamente se impressiona com a trajetória profissional desse americano. As paixões pela engenharia e pela cultura japonesa levaram-no a morar no Japão, onde ele trabalhou, entre outras coisas, com o desenvolvimento de telas para produtos eletrônicos. Com essa experiência na bagagem, foi para a China em 2006 trabalhar na E Ink, empresa que está por trás da tecnologia usada nos leitores eletrônicos, cujas telas reproduzem a sensação de ler no papel. E foi lá que ele integrou a equipe envolvida na criação do Kindle, da Amazon. Greg mal sabia de início, mas, por uma incrível confluência de acontecimentos, estava ajudando a escrever um capítulo-chave na história do mundo editorial. Agora, vivendo no Brasil, de onde ele cuida dos negócios internacionais da Vook, passará a escrever quinzenalmente sobre e-books e tecnologia para o PublishNews. O nome de sua coluna não poderia ser mais bem-humorado: E-Gringo.

PublishNews | 04/04/2012

CURSO | O Livro como Mídia Digital


Ednei Procópio

As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O livro não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso “O Livro como Mídia Digital” é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO DO CURSO

  • O que é um livro digital
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA A DATA DO CURSO

Dia: 3 de março de 2012, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Escola do Escritor
Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
www.escoladoescritor.com.br

Conheça alguns e-Readers com Ednei Procópio


Entrevista concedida ao curador do CBLD, Rafael Martins Trombetta, no evento preparatório ocorrido na Fnac da Paulista em agosto de 2011.

Nele o editor Ednei Procópio explica alguns detalhes e da sua opinião sobre os e-Readers a venda na referida loja. Logo após aconteceu o bate-papo com o editor do portal Yahoo Brasil, Michel Blanco.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Tela de e-paper colorido finalmente chega às lojas com Android


Mirasol Electronic Paper Displays

A tecnologia de e-paper Mirasol da Qualcomm promete cores, baixo consumo de energia e telas semelhantes ao e-ink, e foi lançada hoje na Coreia do Sul. A Kyobo, especialista em leitores de e-books, mostrou seu Kyobo eReader, com tela de 5,7 polegadas [1024×768 pixels], Android 2.3 personalizado e bateria que dura mais de 20 dias.

O primeiro e-reader com tecnologia Mirasol possui tela capacitiva e multitoque – gestos como pinch-to-zoom funcionam na tela, mas mesmo no vídeo promocional abaixo o desempenho parece ser um pouco lento. Embaixo da tela temos uma versão irreconhecível do Android 2.3, customizado para dar foco aos e-books, e um processador Qualcomm S2 de 1GHz. Ele tem Wi-Fi, mas não 3G, e sua bateria dura mais de três semanas, segundo a fabricante.

O Kyobo eReader foi anunciado na Coreia do Sul por US$310. A Kyobo diz que o lançamento será “global” – duvido que ele venha ao Brasil, mas ele pode chegar aos EUA. Ficaremos de olho na Qualcomm em janeiro, quando acontece a feira CES, onde ela pode dar mais detalhes sobre o Mirasol.

GIZMODO | Por Gary Cutlack e Felipe Ventura | Korea Herald via SlashGear via Gizmodo UK | 22/11/2011, 16:14

Mediocridade planejada


Nem de longe o novo tablet da Amazon é tão bom quanto o iPad. Porém, é bom o bastante _ e muito barato. O Kindle Fire não é um equipamento espetacular, mas pode ser revolucionário. Isso parece contraditório, mas como já escrevi, até hoje todo concorrente do iPad prometeu fazer mais do que o tablet da Apple _ eles anunciaram desempenho melhor, melhor compatibilidade com PCs e a capacidade de rodar Flash. Mas todos fracassaram, não cumprindo o prometido. A Amazon adotou uma postura mais inteligente. Custando US$ 199, menos da metade do preço do iPad, o Kindle Fire nem sequer promete ser do mesmo nível que o aparelho da Apple. Depois de usá-lo alguns dias, cheguei à conclusão de que ele cumpre o prometido. A Amazon decidiu construir um tablet de desempenho inferior e foi exatamente isso o que fez.

O Fire _ menor e mais leve do que o iPad, e também mais volumoso e feio _ parece barato e pouco elegante nas mãos. No modo retrato, é curto demais para segurar com ambas as mãos, mas grande demais para uma só. Ele tem um dos piores alto-falantes que já vi num equipamento móvel. [Se quiser fazer qualquer coisa envolvendo áudio, você terá de usar fones de ouvido]. Também faltam no Fire importantes recursos de hardware _ como botões físicos para voltar à tela inicial e ajustar o volume _ o que não seriam um problema se a interface sensível ao toque funcionasse bem. Só que não funciona. Às vezes é preciso apertar os botões da tela várias vezes para que eles entendam, e nem assim se tem certeza que deu certo, pois o Fire costuma interpretar errado o que se pretendia pressionar.

O software está infestado não apenas de falhas _ os aplicativos embutidos “deram pau” diversas vezes, incluindo uma em que eu apenas estava tentando achar a livraria do Kindle _ como também de erros de projeto. Passar de um aplicativo para outro requer toques demais, e não existe forma de personalizar o Fire segundo suas preferências. Entre outras coisas, não dá para apagar determinados ícones da tela inicial; a primeira página do Fire apresenta um ícone grande para cada tipo de mídia encontrada no aparelho, e se quiser mostrar outra coisa, azar o seu. [Eu queria saber como o Fire lidava com revistas coloridas, e por isso comprei um exemplar da “Maxim” do aplicativo Newstand do tablet. Agora não consigo tirar a capa da “Maxim” da tela inicial. Que vergonha!]

Os fãs do iPad verão tais defeitos como uma derrota total, e muitos desprezarão o aparelho da Amazon como apenas mais um na longa lista dos matadores fracassados do iPad. Contudo, seria uma avaliação errada. O Fire tem um monte de problemas, mas nenhum deles sobrepuja sua principal vantagem _ ele é muito barato. Nos meus poucos dias usando o equipamento, consegui fazer praticamente tudo que gosto de fazer no meu iPad. Mesmo assim, quando se leva em conta suas capacidades reduzidas e interface inferior, eu o classificaria como sendo 70 por cento de um iPad. No entanto, quando se leva em consideração que o Fire custa apenas 40 por cento de um tablet da Apple, não se trata de um negócio ruim. Se gastar US$ 500 para comprar o artigo verdadeiro cabe no seu bolso, sem dúvida nenhuma vá a uma loja da Apple. Contudo, se estiver procurando algo que seja 70 por cento de um iPad, por que gastar mais?

Caso só esteja interessado somente em vídeo e livros, o Fire pode ser o tablet mais indicado para você. O Netflix roda lindamente no aparelho, e dá para comprar e ver via “stream” milhares de títulos da própria loja de vídeo da Amazon. Membros do Amazon Prime têm acesso livre a quase 13 mil filmes e programas de TV; o Fire oferece um mês de assinatura de graça do Prime, que depois passa a US$ 79 por ano. É claro, por ser um Kindle, o Fire também está ligado à imensa livraria online da Amazon. Fãs da tela E-Ink do Kindle padrão não vão curtir a de LCD do aparelho, mas para quem estiver acostumado a ler no celular ou iPad, o Fire vai parecer igual. Ao contrário da E-Ink do Kindle, também dá para ler no escuro.

A melhor forma de resumir todos os outros recursos do Fire é “É, serve”. Seu navegador não é tão veloz quanto o do iPad, mas será adequado para a maioria das pessoas. [O Fire também reproduz vídeos em Flash, embora a qualidade não seja fantástica.] A loja de aplicativos embutida do Fire tem um monte de programas populares _ Facebook, Hulu Plus, Pandora, vários clientes do Twitter _, mas se você for amigo de aplicativos, se dará melhor com o iPad. E, finalmente, embora o Fire seja bom com livros, não é tão genial com jornais e revistas. Alguns dos títulos da loja Newstand do Kindle não se esforçam muito para serem vistos no tablet _ o “New York Times”, por exemplo, publica suas reportagens como uma desinteressante lista. Outros títulos tentam copiar as páginas impressas, mas também fica esquisito. Como as páginas das revistas têm uma proporção diferente da usada pelo Fire, uma página inteira não cabe no aparelho. É preciso reduzir para vê-la por inteiro, mas tudo parece muito pequeno; se ampliar, é necessário rolar bastante a tela para vê-la por completo. Resumindo: se você curte a “Maxim”, fique com a versão impressa.

Logo depois que Jeff Bezos lançou o Fire em setembro, a empresa de pesquisa iSuppli informou que a Amazon provavelmente paga uns US$ 210 para fabricar cada unidade. Trocando em miúdos, a Amazon está perdendo pelo menos US$ 10 a cada tablet vendido. Isso não é surpresa. Bezos é o Crazy Eddie [loja famosa por promoções] do setor da tecnologia, e seu modelo de negócios, com o Fire, é levar o aparelho a milhões de pessoas e tirar a diferença com todos os livros, músicas, filmes e assinaturas do Prime que espera vender.

Antes de usar o Fire, eu pensava que essa era uma forma tortuosa de ganhar dinheiro. Embora não seja tão sinuoso quanto o plano do Google de dar o Android de graça para um dia lucrar com anúncios em celulares, nem de longe é tão direto quanto a forma antiquada pela qual a Apple ganha dinheiro _ vendendo seus produtos por mais do que gasta para fabricá-los. Ainda assim, quanto mais eu usava o Fire, mais gostava da estratégia de Bezos. O Fire, a exemplo do Kindle com E-Ink, é fenomenalmente bom em separar os usuários de seu dinheiro. Sempre se está a apenas uns cliques de uma compra, e quando você compra alguma coisa, não existem barreiras _ nem é preciso digitar a senha. Bezos uma vez contou que os donos do Kindle se tornam compradores vorazes de livros; depois que se tem um Kindle, passa-se a comprar quase duas vezes mais livros que antes. Suspeito que o Fire terá um efeito ainda maior nas compras, com uma eficácia muito grande em levar as pessoas a assinar o Amazon Prime. De acordo com estimativas, o assinante típico do Prime duplica as compras na Amazon no primeiro ano de uso do serviço. Se um Kindle Fire barato não passa de um cavalo de Tróia para vender assinaturas do Prime, então ele pode ser uma mina de ouro para a empresa.

Ainda assim, duvido que a Amazon consiga o mesmo lucro com seu tablet que a Apple com o iPad. [A Apple gasta cerca de US$ 300 para fabricar a versão mais barata; vendida a US$ 499.] Mas vejamos: se o Fire fizer sucesso, a Apple talvez não tenha escolha a não ser reduzir o preço do iPad. Isso não deve ocorrer no ano que vem, porque a demanda pelo iPad continua excepcional. Entretanto, lembre-se que Bezos vive cortando preços. Eu não me surpreenderia se, ao longo dos próximos anos, o preço do Fire caísse para US$ 150 ou mesmo US$ 100. Nessa hora, a Apple terá de responder com iPads mais baratos para todos. É por isso que todos nós devemos aclamar o tablet superbarato e não muito bom da Amazon; ser bom o bastante por não muito dinheiro pode mudar tudo.

Por Farhad Manjoo | Publicado originalmente em The New York Times News | 21/11/2011 21:23.

Farhad Manjoo é o colunista de tecnologia da Slate e autor de “True Enough: Learning To Live in a Post-Fact Society”.

The New York Times News Service/Syndicate – Todos os direitos reservados.

Kindle Fire, da Amazon, merece sucesso, mas precisa ser refinado


Se você acha que o ritmo do progresso tecnológico já anda rápido demais, evite olhar para os leitores eletrônicos ou poderá sofrer um choque.

Os fabricantes de leitores eletrônicos estão repentinamente inundando o mercado com novos modelos, todos ao mesmo tempo. Dá quase para pensar que estamos chegando a alguma grande temporada de compras.

A maior manchete entre os leitores eletrônicos cabe sem dúvida ao novo tablet colorido e equipado com tela de toque da Amazon, o Kindle Fire. [Um trocadilho com “kindle” – alumiar – e “fire” – fogo -, percebe?] Na verdade, a grande notícia não é o aparelho, mas sim seu preço de US$ 200. Como os demais tablets custam por volta de US$ 500, um modelo vendido por US$ 200 é realmente importante. Voltaremos ao assunto em breve.

A Amazon lançou um total de três novos modelos de Kindle. Os dois mais baratos certamente atrairão menos atenção, devido à fumaça do Fire, mas é uma lástima, pois são realmente espetaculares.

KDa esquerda para a direita, os aparelhos Kindle Fire, Kindle Touch e Kindle, da Amazon

E INK

O Kindle padrão, chamado simplesmente Kindle, tem uma versão melhorada da tela E Ink padrão de seis polegadas, que mostra texto nítido, preto, e imagens em tons de cinza sobre um fundo cinza claro. O clarão irritante de branco-preto-branco que surge quando se vira uma página de tela E Ink agora só acontece a cada seis páginas. A tela está se tornando espantosamente semelhante ao papel. E, como o papel, ela não brilha; para ler com um Kindle, você precisa de luzes.

O novo Kindle é pequeno a ponto de caber no bolso da calça. Mas, de novo, a verdadeira notícia sobre ele é o preço: US$ 80.

Você faz ideia de como esse número espanta? O primeiro Kindle, lançado em novembro de 2007, custava US$ 400. O novo modelo pesa 40% menos, ocupa um terço menos de espaço e armazena sete vezes mais livros – e por 20% do preço original.

Se as coisas continuarem assim, dentro de um ano, a Amazon vai nos pagar para ler com o Kindle.

Há alguns benefícios adicionais que elevam um pouco o preço. Por exemplo, o modelo de US$ 80 exibe publicidade. Não durante a leitura –apenas na tela de “repouso” e em uma faixa na porção inferior da tela de menu. A maior parte dos anúncios oferece descontos, o que os torna bem mais palatáveis. Mas o mesmo Kindle está disponível sem publicidade ao preço de US$ 110.

O segundo modelo novo, o Kindle Touch, é quase idêntico -mas, no lugar de navegar usando um controle direcional mecânico, você usa uma tela de toque. O sistema funciona com perfeição. O modelo está disponível com anúncios por US$ 100 e sem eles a US$ 140.

Todos eles são conectáveis a redes Wi-Fi – para baixar novos livros, por exemplo. Mas o Touch também oferece conexão 3G, onde quer que você esteja. [O modelo 3G custa US$ 150 com anúncios e US$ 190 sem.] O acesso à internet é gratuito.

Kindle Fire, tablet da Amazon, é exibiado em coletiva de imprensa em Nova York | Photo Emmanuel Dunand, France-Presse

FIRE

Bem, quanto ao Kindle Fire.

É um objeto espesso, preto e reluzente, com tela de sete polegadas. Opera com o Android, software do Google que aciona diversos celulares e tablets de outras empresas, mas isso é imperceptível, porque a Amazon alterou o design do Google a ponto de quase soterrá-lo.

A página inicial é colorida e exibe uma estante de madeira. O conteúdo que essa tela oferece é acessado por meio de pequenos cartazes que mostram livros, discos, programas de TV, filmes, documentos em PDF, aplicativos e páginas de preferências na internet. Na prateleira inferior da estante, você pode colocar os ícones que usa com mais frequência.

Mas, se você sentir um sobressalto e exclamar que “é como um iPad – e por US$ 200!”, estará fazendo uma comparação perigosa.

Para começar, o Fire não é nem de longe tão versátil quanto um verdadeiro tablet. Seu design serve para consumir conteúdo, especialmente conteúdo comprado da Amazon, a exemplo de livros, jornais e música. Ele não conta com câmera, microfone, função GPS, entrada para cartão de memória ou conexão Bluetooth. O programa de e-mail é funcional, mas o aparelho não oferece agenda ou bloco de anotações.

O mais problemático é que o Fire não funciona com a elegância e a velocidade do iPad. O preço de US$ 200 se faz sentir a cada vez que você move os dedos na tela. As animações são lentas e instáveis – mesmo as viradas de páginas que, seria de imaginar, a equipe de designers do Fire está acostumada a simular. Os toques na tela ocasionalmente não são registrados. Não existem ícones de espera ou de progresso de tarefa, e por isso você muitas vezes fica sem saber se a máquina registrou sua instrução. O timing das animações não foi calculado corretamente, o que deixa tudo meio irascível.

As revistas deveriam ser uma das melhores experiências do novo aparelho. A maioria oferece duas formas de ver páginas. O modo Page View mostra o layout original da revista – mas pequeno demais para que você possa ler, porque o zoom é limitado. O modo Text View oferece apenas texto sobre um fundo branco. É ótimo para leitura, mas você perde o design e o layout, que são metade da alegria na leitura de uma revista. E o Text View às vezes come palavras, legendas de fotos e quadrinhos, etc.

Livros infantis, para os quais a cor é importante, nunca funcionaram bem nos tablets com tela E Ink, e por isso fazem com o Fire sua primeira aparição na família Kindle. A contribuição da Amazon para isso é que tocar a tela permite ampliar um bloco de texto para leitura –uma escolha peculiar, porque livros infantis já tendem a ter letras grandes.

O sistema de vídeo funciona bem, mas filmes e programas de TV não se enquadram nas proporções da tela e não é possível usar zoom para remover as faixas pretas nas laterais da tela. Reflexos também são problema, nessa tela de alto polimento.
O navegador de internet incluído supostamente acelera o download de páginas ao transferir parte da tarefa a servidores da Amazon. Além disso, se você visitar, por exemplo, a home page do “New York Times”, a Amazon tenta adivinhar que link você procura com base na popularidade dos links, e encaminha certas porções de página automaticamente ao Kindle, o que pode tornar o processo ainda mais rápido.

Na prática, a vantagem não é perceptível: o site do “New York Times” demora dez segundos para ser carregado; o do eBay, 17 segundos; e o da Amazon, oito segundos. No caso do iPad, a demora é 50% menor. Por outro lado, o Fire pode executar vídeos em Flash [ainda que aos trancos], o que o iPad não faz.

Aplicativos criados para tablets equipados com o Android precisam de adaptação para funcionar no Fire. Os essenciais já estão disponíveis – Angry Birds, Netflix, rádio Pandora, Facebook, Twitter, Hulu Plus -, e a Amazon promete milhares de outros.

Mistura de Kindle e iPad, o Fire merece ser uma força gigantesca e perturbadora, mas precisa ser refinado | Stuart Goldenberg/The New York Times

ESCOLHA

A escolha de um leitor eletrônico é decisão importante. Os livros eletrônicos de cada empresa são distribuídos em formatos fechados, e o comprador não pode vendê-los ou doá-los. Assim, se você escolher um Kindle em vez de um Nook, da Barnes & Nobles, mudar de ideia pode custar caro.

O argumento em favor da Amazon é que ela domina o mercado. Conta com lojas on-line de música e filmes. E 11 mil bibliotecas públicas nos Estados Unidos emprestam livros para o Kindle.

Tudo o que for comprado ficará armazenado em um arquivo pessoal on-line pela Amazon, e por isso você conta com backup permanente e pode acessá-lo com qualquer outro aparelho da Amazon. Se você estiver assistindo a um filme com o Fire, seu Roku ou TiVo caseiro saberão em que ponto você parou e permitirão que retome a partir dele.

O pacote Amazon Prime, que custa US$ 80 ao ano, oferece transmissão ilimitada de 13 mil filmes e programas de TV, entrega gratuita de produtos em dois dias para suas compras na Amazon e um livro grátis para empréstimo no Kindle a cada mês [mas de um acervo bastante limitado].

A Barnes & Noble, por outro lado, oferece a conveniência de assistência técnica pessoal em sua rede de 700 lojas. E também prepara um tablet baseado no Android, que resenharei assim que for lançado.

Caso a leitura seja seu interesse primário em um leitor eletrônico, a escolha óbvia é o Kindle ou o Kindle Touch.

O Fire merece ser uma força gigantesca e perturbadora – é uma mistura de Kindle e iPad, um aparelho mais compacto para ver vídeos e acessar a internet, e tem preço ótimo. Mas por enquanto ainda precisa ser refinado; se você está acostumado com o iPad ou um tablet Android “real”, os probleminhas de software vão deixá-lo furioso.

Mas a Amazon tende a remover os defeitos de suas criações 1.0 até que produza um sucesso. Ou, como se diz no mundo da tecnologia, “se a safra atual de leitores eletrônicos não o agrada, basta esperar um minuto”.

POR DAVID POGUE | Publicado originalmente em “THE NEW YORK TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado no Brasil por Folha.com | 14/11/2011 – 17h50

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais

Amazon lança tablet Kindle Fire por US$ 199 nos EUA


A varejista on-line norte-americana Amazon anunciou nesta quarta-feira [28] seu novo tablet, chamado Kindle Fire.

O aparelho, com tela de sete polegadas sensível ao toque, será vendido por US$ 199 nos EUA, menos da metade do preço do iPad mais barato, que custa US$ 499.

Kindle Fire, Kindle Touch e Kindle, os novos modelos de e-reader da Amazon

Diferente dos modelos atuais de Kindle, o tablet não tem teclado físico e é usado por meio da touchscreen, que aceita apenas dois pontos de toque simultâneos [o iPad aceita até dez].

Outra diferença do Kindle Fire em relação às versões tradicionais do e-reader está na conectividade: o novo aparelho não acessa redes 3G. Para acessar a internet, é preciso usar conexão Wi-Fi. O aparelho também não tem câmera e microfone.

O sistema operacional do Kindle Fire é o Android, do Google, com uma interface própria desenvolvida pela Amazon. Quem comprar o aparelho terá direito a um mês de acesso gratuito à Amazon Prime, serviço de streaming de filmes cuja assinatura anual custa US$ 79.

PAPEL ELETRÔNICO

A companhia também anunciou outros modelos de e-readers da família Kindle. Eles usam tela de papel eletrônico, como as versões atuais do aparelho.

Kindle Touch, novo leitor de livros eletrônicos da Amazon

O Kindle Touch é um modelo com tela sensível ao toque [via infravermelho]. Custa US$ 99 e US$ 149 – o segundo preço refere-se à versão com conexão a redes 3G [que funciona em mais de 100 países, assim como já ocorre com as versões atuais do Kindle].

O modelo mais simples da linha, chamado apenas de Kindle, perdeu o teclado – e não tem tela sensível ao toque. Tem tela de seis polegadas e, segundo a Amazon, vira páginas 10% mais rápido e pesa 30% menos do que a versão atual. Custa US$ 79.

Na página da Amazon, os modelos atuais, com teclado físico, ganharam novos nomes: Kindle Keyboard [US$ 99] e Kindle Keyboard 3G [US$ 139]. Além deles, o novo Kindle já está disponível para pronta entrega. Os outros aparelhos estão em pré-venda – as duas versões do Kindle Touch começam a ser enviadas em 21 de novembro, um pouco depois do Kindle Fire, que tem data de envio marcada para o dia 15 do mesmo mês.

Por enquanto, os produtos lançados hoje estão disponíveis apenas nos EUA. A Amazon envia os modelos atuais de Kindle ao Brasil, mas, com o pagamento de impostos e frete, eles custam em torno do dobro do valor cobrado nos EUA. Ainda não se sabe quando os novos equipamentos estarão disponíveis no Brasil.

VERENA FORNETTI | EM NOVA YORK | Com colaboração de São Paulo | Publicado em Folha.com | 28/09/2011 – 12h01

Escola do Livro: Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa | 27 de Setembro de 2011

CBL oferece curso de Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa – 25 de Agosto de 2011

Curso “O Livro na Era Digital | Edição e Suportes”


As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O texto não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO

  • O que é um eBook?
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 20 de agosto de 2011, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
http://www.escoladoescritor.com.br

Amazon pode lançar tablet para baratear livro eletrônico


Objetivo seria baratear o Kindle e fazer frente ao iPad 2, mirando levar o mercado de e-readers além da América do Norte e Europa

Foto ilustrativa: Tablet da Amazon poderá usar sistema operacional Android

A fabricante taiwanesa de notebooks Quanta Computer recebeu encomenda da Amazon para a produção de tablets, de acordo com o site DigiTimes. O objetivo seria baratear o Kindle e fazer frente ao iPad 2, explorando um novo mercado.

Os aparelhos começariam a ser vendidos no segundo semestre deste ano e a produção giraria em torno de 700 mil e 800 mil unidades, representando aporte de US$ 3,5 bilhões à receita da Quanta em 2011, informa o site asiático.

O tablet da Amazon seria equipado com tela sensível ao toque da E Ink, que fabrica o papel eletrônico usado no Kindle, e poderia usar o sistema operacional Android, já que em março a empresa abriu loja de aplicativos para esta plataforma.

Lançado em 2007, o kindle é o leitor de livros eletrônicos da Amazon que em janeiro deste ano ultrapassou as vendas de livros de capa dura pela primeira vez na história da livraria online.

Com a oferta de um tablet, a Amazon planejaria baratear o Kindle, mirando levar o mercado de livros eletrônicos além da América do Norte e Europa.

Por Pedro Sirna | MSN Tecnologia | Atualizado em 3/5/2011 – 19:15 | Fonte original: DigiTimes.

Papel eletrônico usado no Kindle não deve ganhar cores neste ano


A fabricante de telas E Ink prepara um papel eletrônico com capacidade para exibir múltiplas cores, mas ele não deve ser lançado neste ano, diz o blog Crave, que entrevistou Sri Peruvemba, vice-presidente de marketing e vendas globais da empresa.

O modelo mais atual de papel eletrônico da E Ink, conhecido como Pearl, é utilizado em leitores como Amazon Kindle e Sony Reader e pode exibir apenas imagens em preto e branco. O Triton, que poderá exibir cores, ainda está em fase de desenvolvimento.

Segundo Peruvemba, o ciclo da tecnologia usada nessas telas é de dois anos. “Leva algum tempo para desenvolver e testar a próxima geração.

Com isso, os próximos leitores eletrônicos devem investir em mais rapidez, diz o blog. Avanços em processadores e software devem possibilitar telas com taxas de atualização mais altas, permitindo trocas de página mais velozes, entre outras melhoras.

Folha.com | 03/05/2011 – 09h45

Gerenciamento de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Gerenciamento de Cátalogo e Conteúdo para Livros Digitais

Novidades na leitura digital


Confira as novidades na área de livros digitais na Cebit 2011, a Feira internacional de Tecnologia da Informação, Telecomunicações, Softwares e Serviços.

Até o segundo trimestre, a Asus deve lançar dois novos modelos de leitores digitais. Um deles é o Eee Reader DR-900. Ele tem uma tela grande se comparado ao Kindle, da Amazon: 9 polegadas, em preto e branco, que usa Sipix [semelhante à tecnologia e-Ink”]. O Kindle tradicional tem 6 polegadas, mas a versão DX chega a 9,7 polegadas. A vantagem é seu sistema de bateria ultra-longa: ele só gasta energia quando o usuário toca na tela e começa a ler. Em stand-by, o consumo é zero. Assim, dá para virar 10 mil páginas sem ter de recarregá-lo.

O outro modelo de Eee Reader da Asus é o EA-800. Além de facilitar a leitura eletrônica, é possível escrever e desenhar na sua tela, com uma caneta stylus. Ele tem tela de 8 polegadas. O e-reader possui ainda conexão Wi-Fi para navegação na internet.

A Hanvon deve lançar ainda o B516, e-reader que traz botões centrais e um segundo menu de botões na lateral.

A Hanvon tem uma linha extensa de e-readers, com três novos modelos saindo do forno no próximo trimestre. O da foto é o W800, que impressiona pela qualidade da tela. Além da leitura digital, é possível escrever [e selecionar menus] com uma caneta stylus. O e-reader tem conexão Wi-Fi.

Já o modelo Wise E-reader B630 vem com um teclado QWERTY para facilitar a digitação. Ele ainda pode ser programado para virar páginas automaticamente em um intervalo definido pelo usuário. Vem com tela de 6 polegads e tecnologia e-Ink.

UOL Tecnologia | Photos & Textos por Ana Ikeda | 05/03/2010