Crise provoca queda inédita até no comércio eletrônico


Em agosto, o volume de pedidos de consumidores no comércio eletrônico teve a primeira queda desde 2000, início da série histórica da consultoria especializada E-bit. O recuo foi de 7% em relação ao mesmo mês do ano passado, reflexo do desaquecimento do varejo e da economia como um todo. A situação tornou mais distante para as companhias de varejo virtual a meta de sair do vermelho. Para minimizar os efeitos da crise, as empresas do setor estão enxugando custos. Companhias de comércio eletrônico como Cnova e B2W amargaram prejuízos na primeira metade do ano, mesmo obtendo crescimento nas vendas. A Cnova teve prejuízo de € 95,8 milhões de janeiro a junho, ante perda de € 45,1 milhões no mesmo intervalo de 2014. A B2W Digital fechou o semestre com prejuízo de R$ 132,8 milhões, após resultado negativo de R$ 122,2 milhões um ano antes.

POR CIBELLE BOUÇAS | VALOR ECONÔMICO | 26/10/2015

Pra começar


Milhões de livros vendidos e poucas pessoas na sessão de autógrafos, incluindo parentes e funcionários [constrangidos] da editora. No estande ao lado, centenas de jovens e adolescentes disputam um clique para eternizar o encontro com a nova sensação das letras. Desconhecido até pouco tempo atrás, vende mais livros em um mês do que muitos “imortais” em vários anos.

A cena ocorrida num evento recente ilustra que o segmento literário mudou. Quem vai colar os caquinhos do velho mundo? Não podemos controlar as mudanças, mas temos a chance de decidir qual será a nossa reação a elas. Amar os livros pressupõe um apetite insaciável por conhecimento e refletir sobre as transformações deve sempre fazer parte do cardápio.

Somos o povo que passa mais tempo online nas redes sociais. 69% dos brasileiros concordam que a publicidade online os motivou a procurar informação extra sobre o produto/marca oferecido. Projeção da PricewaterhouseCoopers aponta que em 2018 o lucro das editoras com livros digitais será superior ao da venda de livros impressos. O faturamento do e-commerce no Brasil deve crescer 20% neste ano, atingindo 43 bilhões de reais.

Os sinais estão por toda a parte e não podem ser ignorados. O desafio que proponho neste espaço é abrangente e vale para diversas áreas da vida, inclusive para a corporativa. Em vez de discutir ou tentar mudar as paisagens, podemos ajustar o foco. O cenário às vezes permanece inalterado, porém passamos a vislumbrar possibilidades antes escondidas.

Essa visão ampla traduz de forma quase poética o que é marketing, palavra que ainda provoca confusão e muxoxos de desprezo. “Aquele livro ruim só fez sucesso graças ao marketing.” “Se não fosse aquele marqueteiro, jamais a Sicrana teria vencido as eleições.

Em tempos de reducionismo alçado a sinônimo de erudição nas redes sociais, é preciso lembrar: marketing não é sinônimo de propaganda enganosa e usa a verdade como um de seus principais ingredientes. Não confundam Joseph Goebbels com Philip Kotler. #pfvr

Sob o gigante guarda-chuva do marketing digital, vamos conversar sobre Facebook, Twitter, Instagram e blogs literários, entre outros temas. Numa seara em que as verdades podem durar apenas algumas horas, o único requisito para o papo é a disposição de refletir. Como diz o adágio, “toda banda larga é inútil, se a mente for estreita”.

“Se tudo caiu, que tudo caia, pois tudo raia. E o mundo pode ser seu” – Marina Lima

Publicado originalmente em Publishnews | 09/01/2015

Apaixonado por livros e por Internet, Sérgio Pavarini atua na área editorial há mais de 15 anos. Jornalista e blogueiro, foi editor e gerente de marketing antes de abrir sua agência especializada em digital.
A Internet é sinônimo de transformação permanente. Este espaço aborda todos os meses temas como redes sociais, blogs literários e tudo relacionado ao admirável mundo novo digital e como eles podem influenciar na indústria do livro. A partir da sua experiência profissional, Sérgio Pavarini vai dar toques, dicas e contar histórias que vão enriquecer o repertório de quem lida com o marketing digital nas editoras ou livrarias.

Chegada da Amazon ao Brasil acirra guerra de preços de livros


A entrada da Amazon Brasil na venda de livros físicos, há três meses, abalou a estrutura do mercado editorial e acirrou a guerra de preços entre livrarias e o comércio on-line. O resultado é que alguns títulos impressos estão com valores mais baixos que as versões digitais.

Com um alcance maior dos clientes, promoções e facilidade na compra, o e-commerce se fortalece a cada ano.

Porém, com a política de preço cada vez mais agressiva, existe medo de que pequenas livrarias desapareçam.

Para o presidente da ANL [Associação Nacional de Livrarias], Ednilson Xavier, a gigante americana “prejudicou, está prejudicando e irá prejudicar ainda mais” o mercado de livros no país. “A vinda da Amazon só veio ratificar uma condição já existente no Brasil há bastante tempo, que é a concorrência predatória“, afirma.

Leitora faz compras em livraria de SP; concorrência faz títulos impressos ficarem mais baratos que versões digitais | Foto: Davi Ribeiro - 4.jul.2014/Folhapress

Leitora faz compras em livraria de SP; concorrência faz títulos impressos ficarem mais baratos que versões digitais | Foto: Davi Ribeiro – 4.jul.2014/Folhapress

Carlo Carrenho, especialista em mercado editorial e fundador do PublishNews, explica que a Amazon revê os preços de todos os livros de hora em hora, equiparando os valores de qualquer site.

Ninguém chega perto de ter isso no Brasil.

TROCA-TROCA

No início deste mês, o título “Fim”, de Fernanda Torres, era vendido na Amazon Brasil por R$ 16,90. Sua versão digital custava R$ 21,66.

O mesmo livro impresso estava à venda na loja virtual da Livraria Cultura por R$ 25,88 e o digital, por R$ 22,80. Na Saraiva, o exemplar custava R$ 25,90 e o e-book, R$ 22,80. Uma semana depois, a loja americana aumentou o preço para R$ 19,90 e foi desbancada pela Submarino.com, que está vendendo o exemplar por R$ 17,51.

No entanto, quem ganhou essa batalha foi o site Extra.com, que anunciou o livro físico por R$12,90.

Todas as empresas colocaram o valor abaixo do sugerido pela própria editora, a Companhia das Letras, que é de R$ 34,50 para a versão física e R$ 24 para a digital.

Além disso, o preço do livro físico, em muitos casos, é menor que o digital. Carrenho explica que o contrato de livros digitais no Brasil limita o desconto a no máximo 5%.

Há praticamente um preço fixo do livro digital“, diz.

Para Sônia Jardim, presidente da SNEL [Sindicato Nacional dos Editores de Livros], a regra para a venda de títulos às livrarias é uma só. “As editoras sugerem um preço e vendem ao varejista com um desconto de até 50%. Mas alguns estão abrindo mão desse desconto para conquistar mais clientes“, conclui.

Ednílson Xavier diz que a concorrência que parece benéfica ao consumidor, no longo prazo, não é. “Ela impede que as pequenas e médias livrarias sobrevivam e tenham diversidade de títulos. Quando o mercado fica concentrado na mão de grandes, evidentemente se prioriza as mercadorias que têm giro“.

Não vamos dar a receita do bolo“, diz o diretor geral da Amazon no Brasil, Alex Szapiro, quando questionado como a empresa consegue baixar tanto os preços.

Repetindo o lema da empresa, se recusa a falar sobre política de preços e diz que a principal meta da livraria eletrônica é “usar a tecnologia em prol do cliente“.

Carrenho afirma que combater a Amazon com política de preço fixo do livro é “ingenuidade”. Para ele, é preciso melhorar os processos do setor e dar à indústria capacidade para competir.

POR THAIS FASCINA DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 23/11/2014, às 02h00

Livraria Saraiva lança nova plataforma de e-commerce


Novo site é mais interativo e dinâmico e oferecerá navegação mais rápida e fácil

Livraria SaraivaO Grupo Saraiva apresenta hoje [30] ao mercado seu novo e-commerce e m-commerce. O novo site oferece ao consumidor uma experiência com acesso a uma gama de conteúdos relacionados ao mix de produtos disponíveis, como vídeos, resenhas, curiosidades, biografias, áudios, entre outros. O e-commerce da Saraiva possui mais de dois milhões de itens. Com a nova plataforma, a Saraiva customizou os ambientes do site com ênfase aos conteúdos gerando uma maior interação com o consumidor, já que é possível ler um trecho de um livro, ver o trailer de um filme, ouvir um trecho de música e descobrir informações de um item sob a forma de degustação, sem nem precisar sair da página inicial. O novo site de comércio eletrônico estará disponível também para usuários de dispositivos móveis, por meio do m-commerce.

PublishNews | 30/09/2014

Twitter vira novo canal de vendas da Amazon


A Amazon uniu forças com o Twitter a fim de facilitar a compra de produtos a partir do microblog.

Funciona assim: ao receber um tuíte com link de produto da Amazon, o usuário pode adicioná-lo a seu carrinho de compras ao responder com a hashtag #AmazonCart.

A iniciativa faz parte dos esforços do setor de tecnologia para encontrar maneiras de combinar a mídia social e o comércio eletrônico.

O recurso visa fazer do Twitter uma nova vitrine para a Amazon, que nunca se envolveu muito com mídia social, em parte porque Jeff Bezos, seu presidente executivo, não deseja compartilhar os clientes de sua empresa com outras companhias, segundo ex-subordinados.

A despeito do potencial, para os consumidores, de obter ideias de consumo com amigos e especialistas em sites como Twitter e Facebook, até o momento a mídia social teve sucesso limitado na geração de transações bem-sucedidas de e-commmerce.

Ainda que o Twitter não vá faturar diretamente com as vendas na Amazon, espera encorajar outros sites de comércio eletrônico a gastar mais em publicidade.

Os “cartões” do Twitter – widgets dentro de um tuíte individual usados mais comumente para mostrar fotos e vídeos – já vêm sendo utilizados por grupos de varejo on-line como o eBay a fim de mostrar mais informações quando um usuário acessa o Twitter para postar links para um produto. Mas o consumidor ainda precisa clicar para chegar ao site e fazer a compra.

Em vídeo sobre o acordo, a Amazon exorta: “Não é mais preciso mudar de app ou lembrar de que produtos você viu no Twitter”.

Sucharita Mulpuru, analista da Forrester Research, afirma não crer que isso seja “necessário [para a Amazon], porque o melhor uso das redes sociais é para conscientização, e a Amazon não tem problemas quanto a isso -todos sabem que ela existe“.

INFORMAÇÃO

A Amazon Appstore brasileira, loja com aplicativos para Android

A Amazon Appstore brasileira, loja com aplicativos para Android

Ela diz que, quando muitos se interessam por um produto, a probabilidade de o procurarem na Amazon é igual à de que o façam no Google.

O problema é que o Twitter é um fluxo de notícias e informação, não de comércio”, diz. “As experiências de compras que ocorreram até o momento no microblog não vêm mostrando muito sucesso.

A parceria envolve questões mais amplas sobre que proporção de sua vida a pessoa deseja revelar na mídia social e sobre se sua propensão a compartilhar interesses e hábitos se estende às compras.

DO “FINANCIAL TIMES” | Publicado originalmente por Folha de S. Paulo | 06/05/2014 | Tradução de PAULO MIGLIACCI

Vendas online de livro na China tiveram boom em 2013


As vendas varejistas de livros da China tiveram boom em 2013, com o valor das vendas online superando 16 bilhões de yuans [US$ 2,56 bilhões], uma alta anual de 30%, de acordo com um relatório publicado nesta quinta-feira pelo Diário do Povo.

O relatório foi divulgado conjuntamente pela Televisão Central da China, Diário do Povo, sites de venda de livros, e pelo Horizon Research Consultancy Group.

De acordo com os dados fornecidos pela baidu.com, a maior companhia de pesquisa na internet da China, as pessoas aos 20 a 39 anos procuram livros no motor de busca mais do que outros grupos. Homens buscam geralmente livros sobre artes, compêndios, ciência e literatura, enquanto mulheres preferem livros de ciências sociais.

Nos últimos três anos, chineses vêm lendo mais livros em dispositivos móveis.

A varejista online jd.com informou que usuários de dispositivos móveis lêem em média livros eletrônicos por 30 minutos, cinco vezes por dia, geralmente em casa ou no metrô.

Embaixada da China | 24/04/14

Com Kindle, Amazon estreia venda física em site no país


A Amazon inicia nesta sexta-feira [07] a venda de produtos físicos no Brasil. Neste primeiro momento, a varejista americana vai vender apenas o leitor digital Kindle [em três modelos] e mais acessórios para o aparelho.

O gerente da Amazon Brasil, Alex Szapiro, não revela quando a empresa vai iniciar a venda de livros no país, mas a expectativa do mercado editorial é de que isso aconteça ainda no início deste ano.

A maior varejista do mundo, que nasceu vendendo livros físicos, estreou no Brasil em dezembro de 2012 apenas com versões digitais. No país, a empresa perde para a Apple na venda de livros digitais em português, devido, principalmente, à maior penetração de iPads em relação ao Kindle.

Inaugurado há pouco mais de um ano, o mercado de livros digitais em português representa de 3% a 4% das vendas de livros do país. São quase 30 mil títulos – de um total de quase 100 mil títulos à venda no país.

Nos EUA, os livros digitais já representam de 25% a 30% do mercado, mas eles existem há sete anos. Por aqui estamos crescendo, toda semana batemos recordes“, diz Szapiro, que não revela números sobre a operação brasileira.

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

Alex Szapiro, gerente de Brasil da Amazon. Amazon anuncia novidades para o mercado brasileiro | Créditos da Foto | Leonardo Soares/Folhapress

O Kindle será vendido em três versões, já disponíveis no mercado brasileiro por meio de varejistas selecionados. O modelo básico custa R$ 299. O produto mais caro, o PaperWhite 3G, versão em que o usuário tem acesso a qualque

RESISTÊNCIA

A Amazon enfrentou resistência de algumas varejistas e livrarias para vender o Kindle. Atualmente, o aparelho está disponível no Extra e no Ponto Frio [lojas e e-commerce], na Livraria da Vila e na Casa & Video.

Meu público alvo são todos os brasileiros que sabem ler. Queremos que o consumidor descubra o Kindle“, diz Szapiro. Pesquisas da Amazon mostram que clientes de livros físicos passam a consumir quatro vezes mais livros [físicos ou digitais] depois de adquirir um Kindle.

Diferentemente dos aparelhos vendidos em lojas de terceiros, os Kindles comprados diretamente na Amazon serão pré-registrados. Se o consumidor já tiver uma biblioteca de livros digitais, receberá o Kindle em casa com todo o acervo já baixado.

Szapiro diz que a empresa esperou mais de um ano para iniciar a venda do Kindle por meio da sua própria plataforma de e-commerce pois queria “estar preparada para melhorar a experiência do cliente“.

Questionado se o fato de a empresa agora estar preparada para vender o Kindle significa que o início da venda de livros pela internet estaria próximo, Szapiro desconversou: “essa é uma avaliação sua“.

O Brasil foi o primeiro país no mundo em que a empresa estreou com a venda de livros digitais exclusivamente. Em outros países, o e-commerce de livros físicos começou seis meses depois. A mesma estratégia foi adotada no México.

POR MARIANA BARBOSA, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 07/02/2014, às 03h00

Amazon no Brasil: o que esperar da chegada da gigante do varejo


Gigante norte-americana pretende chegar ao mercado nacional em 1º de setembro e deve causar frisson no setor de livros digitais. Concorrentes precisarão se adaptar

A chegada da Amazon ao Brasil, prevista para o dia 1º de setembro, promete ser apenas a ponta do iceberg na movimentação do e-commerce no país. Focada no primeiro momento no setor de livros, com destaque para os e-books, a marca terá como concorrentes diretos as livrarias Saraiva e Cultura e os grupos B2W, que inclui Submarino, Americanas.com e Shoptime, e Nova Pontocom, com Ponto Frio, Casas Bahia e Extra. As metas da norte-americana são ousadas: até o fim de 2012, a Amazon espera vender 1,1 milhão de produtos e, em 2013, chegar a 4,8 milhões.

A principal diferença da gigante do varejo mundial em relação às empresas atuantes no mercado brasileiro, indicam especialistas da área, é que a marca fundada por Jeff Bezos em 1994 assimilou desde sua origem a importância da experiência de compra dos consumidores. Com interação customizada, a Amazon proporciona uma loja ideal para cada tipo de perfil e dialoga bem com todos eles, o que parece estar ainda longe da realidade dos grupos brasileiros.

Entre as dificuldades, o consumidor encontra desrespeito no tratamento e justificativas desnecessárias. “Aqui se aceita baixo nível no atendimento ao cliente, com prazos ridículos, quebras de promessa constantes e problemas de reclamação e devolução. Nosso pós-venda ainda tem muita percepção de risco. A Amazon não discute, ela troca seu produto e pronto. No Brasil, as marcas exigem provas constantes da necessidade real de trocar qualquer coisa”, avalia Nino Carvalho, Coordenador dos Cursos de Marketing Digital da FGV no Brasil e Consultor em Estratégias de Marketing Digital, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A boa política de relacionamento com o consumidor será uma das armas da norte-americana na hora de deixar as concorrentes para trás. Somado a isso, muitos brasileiros já realizam compras no site e a vinda da Amazon para o país reflete no estreitamento dos laços. Com força local, os analistas preveem uma aceleração no tempo de entrega dos produtos e, vencida as barreiras burocráticas, uma consolidação que levará entre 12 e 18 meses. “A distância em relação a outros players será folgada”, completa Carvalho.

Com um faturamento de US$ 48 bilhões em 2011, os livros digitais serão apenas o começo da estratégia da Amazon no Brasil. O objetivo é inserir no e-commerce nacional, aos poucos, 131 outras categorias em que atua nos Estados Unidos. A chegada da norte-americana deve alavancar ainda mais as vendas do varejo eletrônico brasileiro, que em 2011 registrou 31,9 milhões de e-consumidores e movimentou R$ 18,7 bilhões, um aumento de 26% comparado a 2010, segundo dados da e-bit.

Aprendizado e crescimento

As dificuldades das marcas brasileiras em concorrer com a Amazon em um primeiro momento podem se transformar em aprendizado e adaptação a médio prazo. O principal passo é a atualização nos sistemas de inteligência, banco de dados, sistema de estruturas e até mesmo novas contratações. “Isso vai imprimir nos players brasileiros conhecimento em tecnologia, estrutura, infraestrutura, pessoal, cultura organizacional e desenho do fluxo de processos”, indica Carvalho.

Outro ponto positivo é que a entrada de uma empresa de grande porte representa aumento de concorrência e, por consequência, disputa por melhores preços. A união dos fatores reflete nas escolhas dos consumidores do e-commerce, que passaram de 9,5 milhões em 2007 para 31,9 milhões no último ano, número que representa 53,7 milhões de pedidos pela internet.

Para a disputa acirrada não ficar só no papel, no entanto, um obstáculo da Amazon é na logística e distribuição dos produtos. Apesar de gigante, a companhia encontra dificuldades em reunir conteúdo para a venda de e-books. Com o objetivo de fechar acordos com 100 editoras até abril deste ano, em março, a Amazon havia assinado apenas 10 contratos, um provável reflexo da força dos concorrentes nacionais.

A plataforma para leitura dos livros digitais também é outro desafio. Para ter acesso às obras, é necessária a aquisição do leitor Kindle, aparelho que a Amazon quer vender na faixa de R$ 149,00 a R$ 199,00 no país. O preço seria tentador, já que produtos de outras marcas no Brasil, como o Alfa, da Positivo, e o Cool-er, importado pela primeira livraria virtual do país, a Gato Sabido, não saem por menos de R$ 600,00. Especialistas apontam, no entanto, que para ter um preço abaixo dos aparelhos disponíveis hoje no mercado brasileiro, a Amazon teria de fabricar o Kindle aqui ou importá-lo com isenção de impostos.

Esbarrando na lei

O momento considerado economicamente positivo para a inserção de uma empresa de grande porte como a Amazon, em um mercado emergente como o do Brasil, não impede que a marca encontre dificuldades com a legislação brasileira. O grande desafio é o despreparo do país, que não possui leis específicas para a internet e para o comércio eletrônico.

Os conteúdos digitais não têm tributação específica e a interpretação é vaga quanto ao item comprado ser serviço ou mercadoria. “Essa é uma barreira de entrada da Amazon e a empresa precisa olhar com atenção na hora de chegar a países assim. Ela precisará fazer um investimento e não sabe se calcula os ganhos, ou melhor, se tem lucro ou prejuízo, porque também desconhece quanto terá que pagar de imposto”, explica Mauricio Salvador, Sócio Diretor da GS&Virtual, braço da GS&MD, e especialista em Comércio Eletrônico e Cross Channel, em entrevista ao portal.

Na opinião de Salvador, a entrada da empresa no mercado brasileiro pode chamar a atenção do poder público e ser o empurrão necessário para discutir a criação de legislações tributárias no mundo digital. Com a definição de parâmetros, grupos internacionais poderiam definitivamente mirar no país sem receio de investir. “Temos três problemas graves: a burocracia, a corrupção e a tributação. Quando qualquer investidor estrangeiro olha para o Brasil e vê essas barreiras titubeiam. Temos confusão e deslealdade e a entrada de um grande player mostra ao mundo inteiro o que está acontecendo. A torcida é para que dê certo e que novos empreendimentos sejam abertos”, diz.

Por Isa Sousa | Publicado originalmente em Mundo do Marketing | 26/07/2012

Estados americanos vão à briga contra a Amazon


Livraria virtual se beneficia de isenções fiscais para vender mais barato que lojas físicas; Estados tentam agora começar a cobrar impostos da empresa

Enquanto as livrarias fecham as portas nos Estados Unidos, a Amazon, maior vendedora de livros no país através da internet, não precisa pagar uma série de impostos estaduais aplicados sobre vendas. Essa isenção da gigante do varejo eletrônico tem irritado alguns Estados e os concorrentes que possuem lojas físicas.

A vantagem da Amazon se deve a uma lei antiga que tenta controlar as vendas interestaduais. Mas essa legislação é anterior ao advento do comércio na internet, que hoje domina muitos setores, incluindo o de livros. Deixando de arrecadar bilhões todos os anos, a Califórnia foi o primeiro Estado a instituir impostos sobre o comércio online.

A Amazon e outras empresas, como a eBay, têm recorrido à Justiça e tentam até mesmo organizar um referendo. A tendência, segundo analistas, é de que muitos eleitores, que consomem seus produtos, se posicionem a favor das empresas, porque eles chegam a pagar até 8% menos graças a essa isenção.

Ainda assim, outros Estados, incluindo Nova York, também passaram a pressionar a Amazon para conseguir ampliar a sua receita, sem a necessidade de elevar impostos sobre a população. O senador democrata Dick Durbin, de Illinois, apresentou nesta semana um projeto de lei no Congresso para regulamentar as vendas interestaduais.

Diferença. Nos EUA, os Estados e mesmo municípios adotam taxas e impostos sobre vendas distintos, o que complica na hora de verificar as compras realizadas em outras jurisdições. O Wall Street Journal publicou, nesta semana, reportagem dizendo que a Amazon aconselha seus funcionários a evitarem alguns Estados.

Além dos governos estaduais, as livrarias com base física também reclamam dos benefícios da Amazon e de outras empresas que vendem livros por meio da internet. Além de precisarem pagar pelo espaço físico de suas lojas, essas empresas são obrigadas a aplicar o imposto sobre as vendas, que chega a atingir 8% em alguns Estados, como justamente a Califórnia e também Nova York. Consequentemente, os livros ficam mais caros, e alguns consumidores optam por encomendar na internet.

Diante da crise que afeta as livrarias, nenhuma das duas maiores redes dos EUA, a Barnes & Noble e a Borders, possuem lojas na região central de San Francisco. Elas também fecharam algumas de suas principais filiais em Manhattan neste ano. Para complicar, a Borders decretou concordata e a rival Barnes & Noble enfrenta uma crise financeira. Para se adaptar aos novos tempos, tenta migrar para o mercado de vendas via da internet.

Os leitores eletrônicos [e-readers], como o próprio Kindle, da Amazon, também afetam as livrarias tradicionais, que temem sofrer o mesmo destino das lojas de CDs. Estas praticamente desapareceram com o advento dos tocadores de música digital [mp3] e a possibilidade de baixar músicas na internet.

Por Gustavo Chacra | O Estado de S.Paulo | CORRESPONDENTE / NOVA YORK | 5 de agosto de 2011 | 0h 00

Comércio eletrônico cresce 40% no Brasil em 2010


SÃO PAULO – O e-commerce brasileiro teve um desempenho acima do esperado em 2010. O faturamento do setor apresentou um crescimento nominal de 40% alcançando R$ 14,8 bilhões frente aos R$ 10,6 bilhões em 2009.

O balanço divulgado hoje no 23º relatório WebShoppers, elaborado pela e-bit com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico [camara-e.net], superou a previsão da consultoria que havia estimado um faturamento de R$ 14,5 bilhões para o setor em 2010.

O resultado é atribuído principalmente às vendas na Copa do Mundo e à entrada de pequenos e médios fornecedores novos no mercado, assim como à consolidação de grandes grupos de varejo e ao aumento da renda do consumidor.

O tíquete médio do ano foi de R$ 373 – alta de 11% em relação a 2009 quando o valor médio das compras online foi de R$ 335.

Em todo o ano passado foram feitos mais de 40 milhões de pedidos no varejo online por cerca de 23 milhões de consumidores.

Entre as categorias que mais se destacaram nas vendas via internet em 2010 o setor de Eletrodomésticos estreou no topo do ranking do e-commerce brasileiro com expansão de 14% em relação a 2009. Na sequência estão Livros, Revistas e Assinaturas de jornais, com crescimento de 12% no período, Saúde, Beleza e Medicamentos também com 12% de alta, Informática e Eletrônicos com 11% e 7% e crescimento, respectivamente.

O e-commerce passa por um período de maturação. Isso se deve à grande aceitação do comércio eletrônico entre os brasileiros, que estão comprando produtos de maior valor agregado como eletrodomésticos, itens informática, eletrônicos e telefonia – mais especificamente notebooks, desktops e televisores”, afirma o diretor-geral da e-bit Pedro Guasti.

Para 2011, a consultoria espera que o e-commerce mantenha o ritmo de crescimento e feche o ano com faturamento de R$ 20 bilhões – avanço de 30% em relação a 2010.

Segundo Guasti, o Brasil é a locomotiva que puxa o avanço do e-commerce na América Latina. “O Brasil é responsável por 60% do faturamento do comércio eletrônico na região”, destaca.

Por Tatiana Schnoor | Valor Econômico | 22/03/2011

Especialistas desvendam caminho das pedras para comércio eletrônico


Em 1919, um escritor paulista decide simplesmente revolucionar o então mercado livreiro no Brasil. Quando tira da gráfica de O Estado de São Paulo a primeira fornada de mil exemplares de sua coletânea de contos Urupês, encontra um gargalo dos mais sérios: no Brasil havia pouco mais de 30 livrarias, ou quase isso, para se vender livros. Seu achado foi procurar o Departamento dos Correios e levantar mais de mil agências pelo país. Escreve a cada agente postal uma carta comercial pedindo indicação de qualquer comércio nas proximidades, indicação de alguma casa comercial, seja qual a finalidade, para tê-la como ponto de venda. Mais de mil bazares, bancas de jornal e até casas de secos e molhados formaram sua malha de parceiros.

Pois um segundo grande pulo, quase 100 anos depois, está provocando mudanças tão grandes como essa primeira: o chamado comércio eletrônico [ou ­e-commerce] pela rede mundial de computadores. Os grandes editores – como o Grupo Record e a Companhia das Letras – contam com as vendas diretas entre eles e seus leitores, como uma das modalidades usuais de comércio de livros. Essas ferramentas tecnológicas via website agora também são acessíveis a médios e pequenos editores.

Apoios e restrições a essa modalidade de relacionamento com o cliente final estão presentes nessa recente movimentação. Ponderando possibilidades, Panorama Editorial encontrou um dos maiores especialistas e pioneiro no e-commerce no Brasil, Álvaro Machado. Ele iniciou do zero há 10 anos pela Cosac Naify como webmaster [responsável desde o projeto estético e funcional do site até a sua administração] para se dedicar à sua chancela Ópera Prima e ainda prestar estes serviços a mais sete casas publicadoras: Cosac Naify, Editora 34, Iluminuras, Instituto Lina Bo Bardi, Terceiro Nome, Terra Virgem e Zouk pelo seu portal Ópera Prima Cultural www.operaprimacultural.com.br. Ao mesmo tempo em que conta sua trajetória, ele dá uma série de dicas dos caminhos das pedras nada virtuais para quem quiser entrar neste segmento. Ainda foram ouvidos editores que expõem seus pontos de vista sobre esta nova perspectiva.

100 livros
O jornalista Álvaro Machado colaborou como repórter e editor nos cadernos culturais de Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo entre 1989 e 2003, especialmente destacado crítico de cinema. Também atuou como organizador e tradutor nas editoras Attar, Ground, Ópera Prima, Sesc-SP, SESI e Cosac ­Naify. A sua experiên­cia como jornalista a cobrir o setor e essas atividades editoriais o levaram a aceitar, em 2000, o desafio de erguer o e-commerce do portal da recém-fundada Cosac Naify [cosacnaify.com. br].

Desde a formação do portal, em 2001, já se mesclava informação geral sobre livros e literatura e catálogo on-line. Ou seja, a editora foi inovadora também neste sentido, por nunca ter um catálogo impresso. O que, para Machado, é positivo, é muito consultado e libera a editora da dificuldade de atualização, resultando em maior agilidade.

O primeiro site já reunia o esforço de várias pessoas por mim coordenadas. O designer inicial foi Raul Loureiro e, depois, Elaine Ramos – ambos profissionais do livro premiados com vários prêmios Jabutis”, conta. O catálogo da editora não passava então de 250 títulos. “Este número já justificava a iniciativa da construção do portal, pois não considero prático ou com retorno suficiente construir e-commerce para editoras de catálogos menores, ou seja, com menos de 100 títulos, mesmo com a facilidade atual de modelos de lojas virtuais gratuitas que são ofertadas na Internet”.

Nesse caso, é preferível indicar, para a compra, o site livreiro de um parceiro privilegiado, desde que este tenha sempre os livros do catálogo em estoque para envio imediato, e muitas editoras procedem exatamente dessa maneira. O editor contabiliza nessa relação entre custo e benefício outros componentes fundamentais para uma loja virtual própria de editora. O investimento contempla manutenção da loja e, sobretudo em pessoal: desde programadores para a customização da mecânica de compra até redatores de conteúdo e de webdesigner, passando por webmaster em plantão permanente para responder aos leitores e pessoal para cuidar da certificação financeira para os créditos ingressados via cartões, boletos entre outras formas de pagamento. Além de uma equipe treinada para a expedição ágil e correta de mercadorias. “Tudo somado significa no, mínimo, uma brigada de 10 pessoas trabalhando sob uma coordenação eficiente”, contabiliza.

Na Cosac Naify, além de editor do portal, Machado atuou como webmaster ou responsável pela administração interna de caixas postais e manutenção da rede até 2009. Ele também cuidou, em 2009, da transição de equipes de programadores e de pessoal interno para que o site fosse reinaugurado no final deste mesmo ano com novas mecânicas de navegação, design, serviços, seções entre outros aspectos.

Novas funcionalidades
No portal da editora, Machado estruturou outras funcionalidades que julga essenciais em lojas virtuais hoje em dia, [como coordenar a construção da ferramenta de organização e expedição de mailing interno onde se armazenam dados de consumidores como nomes, endereços, características do consumidor entre outros] especialmente para marketing direto. Outro aspecto importante para e-commerce agilizado no portal da Cosac Naify foi a construção de uma loja especial do professor, para abrir 40% de desconto para profissionais da rede privada previamente cadastrados na editora, iniciativa repetida depois por duas casas editoriais com algum fôlego.

Em 2010, Machado passou a se dedicar à sua própria editora e distribuidora de livros, a Ópera Prima Cultural, lançando edições em literatura brasileira e construindo um portal que inclui uma “livraria de descontos” em lançamentos e seleções dos melhores livros de marcas como a própria Cosac Naify, Editora 34, Iluminuras, Zouk [de Porto Alegre], edições Instituto Lina Bo Bardi, Terceiro Nome, Terra Virgem e Ópera Prima. Logo, são oito editoras agrupadas nesse site sempre com descontos significativos para livros novos e antigos. Para ele, este é outro elemento importante em loja virtual, manter público leitor fiel com promoções. Isso é possível, entre outros elementos, pelo fato de não haver a figura da distribuidora tradicional no processo.

Também há uma seção de catálogos independentes de arte, fotografia e arquitetura e venda de CDs de música brasileira, especialmente música antiga [erudita] e, finalmente, seção de comércio de obras de arte originais como desenhos, fotografias e gravuras assinadas de autores novos e também de nomes consagrados. Ele ainda inovou com a venda de desenhos originais utilizados em livros ilustrados. O portal inclui um blog literário e uma revista eletrônica, esta com textos não apenas sobre literatura, mas sobre teatro, cinema, artes visuais e comportamento. Estes e outros elementos são igualmente atrativos para manter o público consumidor envolvido com o portal, sendo quase uma comunidade virtual para troca de ideias e uma maneira ágil e confiável de levantar demandas destes consumidores.

Curto prazo
O mercado de compra e livros pela Internet está cada vez mais fortalecido, sinaliza Machado. Um dos aspectos para tal está nas distribuidoras tradicionais, que parecem ter capacidade de colocar apenas os best-sellers das várias listas e mais nada. “Mesmo assim, as dificuldades financeiras desse setor são enormes e os calotes e falências são constantes”, afirma. Por outro lado, edições menores e menos apelativas às vezes retornam ao editor sem qualquer colocação efetiva em livrarias, em operações que acarretaram custos de fretes e administração, tempo de trabalho de departamentos comerciais entre outro passos dessa linha de comércio, explica. Nesta realidade, as chamadas “ponto com” têm algumas vantagens competitivas. Muitas não necessitam de grandes estoques físicos – o que diminui custos vários – e as compras das editoras podem ser feitas praticamente sob demanda do leitor. Porém, lojas virtuais surgem praticamente toda a semana e os diferenciais apontados anteriormente – como descontos, brindes e atendimento eficiente – são muito importantes.

Enfim, para Machado, se houver volume suficiente de livros vendidos, boa administração de expedição, fretes com preços competitivos pode existir compensação financeira para a iniciativa. “Agora é ver como as “ponto com” mais tradicionais entrarão no mercado em aquecimento de livros virtuais. Para leitores eletrônicos, por enquanto essa oferta de e-books está restrita a dois ou três sites, no máximo”, projeta.

Relação com as livrarias
No início do jogo da Internet, lembra Machado, o site de vendas de uma editora era visto pelas livrarias tradicionais mais ou menos como competição desleal, mesmo que aqueles não oferecessem descontos em lançamentos. Como é até hoje a política de Cosac Naify e de várias editoras que copiaram seu exemplo, até mesmo a Companhia das Letras, que entrou nesse mercado de venda direta via site alguns anos depois. Mas hoje, percebe o webmaster, as livrarias não se sentem tão atingidas, talvez porque os sites de vendas – com descontos ou não – multiplicaram-se até o patamar do incontável e porque as editoras também passaram a manter negociações diferenciadas para cada título lançado, com descontos e vantagens específicas para as livrarias físicas, o que compensa a ação de venda própria via web.

O site próprio para editoras com bom fundo de catálogo possibilita também o lançamento de promoções-relâmpagos, que muitas vezes diminuem sensivelmente um estoque de difícil saída, aponta. “Um exemplo pontual foi uma venda de 24 horas com desconto de 50% em outubro de 2008 para centenas de títulos da Cosac Naify, o que deu um retorno de cerca de 4.500 pedidos pagos com venda média de três títulos em cada compra. Essa ação se repetiu em 2010 e eu não tenho números desta última, mas creio que a venda anterior ainda constitui um case exemplar na história do e-commerce brasileiro, até hoje dificilmente superável”.

Para reforçar essa avaliação, Machado recorda que em 2008 ainda eram incipientes os multiplicadores rápidos de informação, como Twitter e outras redes sociais rápidas. O grande problema desse episódio, continua, foi a logística de expedição de tantos pedidos simultaneamente. “O departamento comercial não estava preparado para isso e não se quis frustrar os leitores interrompendo a promoção no curso do período anunciado. Em compensação, os problemas para entrega correta de pacotes prolongaram-se por cerca de 40 dias”.

Quando a conta fecha
O investimento exigido para a construção de um site de vendas bem feito, com um mínimo de apelo comercial, é de quatro meses no mínimo de trabalho de um coordenador, de uma equipe de programação e de um departamento para tratar da contratação e funcionamento correta dos métodos de pagamento, pois os estabelecimentos comerciais devem ser específicos de e-commerce, desdobra o especialista. “Calculo seis meses no mínimo para pagar o investimento realizado”. Já o retorno financeiro depende enormemente da criatividade em ações promocionais e a divulgação do endereço virtual.

A construção de uma boa carteira de clientes, com pelo menos mil compradores regulares, jamais será efetivada em menos de 12 meses de funcionamento, pois a compra de malas-diretas prontas ou mesmo a utilização de softwares dedicados a colher e-mails roboticamente em sites vários não surte efeito algum, avisa.

É preciso ainda constituir confiabilidade de compradores, pela entrega rápida e correta dos pedidos e também de trocas realizadas de forma ágil, quando for o caso, além de resposta via e-mail imediata para consultas variadas.

Na contramão
As lojas virtuais de editoras têm vários aspectos positivos, inclusive quando o leitor provoca uma trajetória de contramão nas relações estabelecidas. Paulo Wassermann, diretor de mar­keting do Grupo Editorial Summus, vê esse tipo de fato quando livros que não são pedidos pelos compradores de lojas físicas acabam fazendo parte de pedidos de suas próprias lojas virtuais. “Ou seja, o comprador da loja acha que não vende, mas o leitor quer comprar e procura na Internet.” O grupo congrega os selos Summus, MG Editores, Selo Negro, Edições L, Agora e Mescla.

O site do Grupo Editorial Summus tem uma loja virtual desde 2002. A exemplo de Machado, Wassermann vê o mercado on-line em franco crescimento. “Como cada livro é um produto único, isso facilita a pesquisa e todo o processo de compra sem o contato físico com o livro”. Além da comodidade de fazer tudo isso sem sair de casa. Para ele, estes são os motivos pelos quais o livro é um dos produtos mais vendidos pela rede mundial de computadores. Porém, destaca que é grande a fatia de consumidores que prefere ir a ponto de venda físico e tocar no livro antes de comprar, o que não deixa de ser importante para o mercado editorial.

O diretor não é excludente entre a loja física ou virtual. Para ele, se os clientes não conseguem encontrar todos os títulos do grupo nos pontos de vendas tradicionais, é preciso criar meios para facilitar esse processo. Assim, é importante ter um site próprio de vendas. No caso da Summus, todos os títulos estão disponíveis, além de links diretos para algumas livrarias. O cliente pode comprar o livro com a editora, ou através de uma das livrarias virtuais. “Não temos como objetivo concorrer com as livrarias e sim apenas servir como opção caso o cliente não encontre o livro”, acentua.

A Summus visa, principalmente, a divulgação de seus produtos, tanto que vendem a preço de capa mesmo quando alguma outra loja virtual dá descontos.

Outro lado
A Martins Fontes não vê necessidade de realizar e-commerce através do seu site da livraria também físicawww.martinsfontespaulista.com.br. “Isso pode mudar um dia, mas acreditamos que o grande incentivo para a compra de nossos livros deva levar o leitor para os nossos parceiros. Para a editora, é melhor que um cliente compre na Livraria da Vila, por exemplo, do que no nosso site”, informa o relações-públicas da editora, Felipe Teixeira. Para a editora, a compra na livraria parceira fortalece o ponto de venda que batalha clientes e expõe os livros o ano inteiro. Se um dia o e-commerce for adotado pela editora, pondera, será apenas para oferecer mais um canal.

O site está no ar desde maio de 2007 e o grande custo está na construção do site em si, tanto no sistema de funcionamento quanto na sua “aparência”, ou seja, o design. E há também a logística. “Uma vez isso montado, há manutenção, claro, mas o fato da livraria virtual poder funcionar a portas fechadas, sem a necessidade de dezenas de vendedores especializados atendendo a cada minuto o público que vem comprar ou visitar, também oferece uma vantagem significativa em relação ao custo operacional. No nosso caso, após dois anos de funcionamento, o site já estava se pagando”. Teixeira informa que nos atuais moldes, o site é vantajoso para a editora.

Representa de 20 a 25% de nossas vendas”, finaliza.

Por Gutemberg Medeiros | Panorama Editorial | 01/02/2011

Cresce o comércio virtual de livros


A Livraria Cultura, uma das grandes livrarias do País, tem na web um poderoso instrumento, capaz de rivalizar com uma de suas nove lojas físicas. Uma das primeira a lançar um site de venda de livros, a Cultura estima em 18% o faturamento gerado online. “É mais uma loja que temos“, alegra-se o Diretor de Operações, Sérgio Herz.

Revista Panorama Editorial – Ano V – Número 51 – Janeiro de 2010