Site disponibiliza obra completa de Machado de Assis para download


Retrato do escritor brasileiro Machado de Assis [1839-1908] | Fundo Correio da Manhã | Arquivo Nacional

Retrato do escritor brasileiro Machado de Assis [1839-1908] | Fundo Correio da Manhã | Arquivo Nacional

A Coleção Digital Machado de Assis, parceria entre o portal Domínio Público [a Biblioteca Digital do MEC] e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística [Nupill], da Universidade Federal de Santa Catarina, disponibilizou a a obra completa do escritor [1839-1908] para download gratuito.

Além dos principais clássicos de Machado no romance [“Memórias Póstumas de Brás Cubas”,”Quincas Borba”, “Dom Casmurro”] e no conto [“Papéis Avulsos”], o projeto também apresenta facetas menos conhecidas do autor.

Estão lá o Machado poeta, cronista, dramaturgo e tradutor [verteu para o português livros de Alexandre Dumas Filho, Victor Hugo e Charles Dickens].

Também é possível ler as críticas literárias que escreveu ao longo de toda a carreira —destaque para o seminal “Notícia da Atual Literatura Brasileira: Instinto de Nacionalidade” e “Eça de Queirós: O Primo Basílio”, famosa diatribe que lançou ao autor português.

Fora os textos de Machado, há teses e dissertações sobre seus livros, textos de contemporâneos ilustres do escritor [Euclydes da Cunha, José Veríssimo, Rui Barbosa] e um vídeo que retrata sua carreira.

Publicado originalmente e clipado à partir de Folha Online | 28/04/2014

Editora brasileira leva eBook às listas de mais vendidos


Empresa vendeu, desde o começo do ano, um livro a cada 30 minutos em média

Sediada em São Paulo, empresa também publica Machado de Assis, Euclides da Cunha e outros autores em domínio público

A página de venda do ebook 'Mein Kampf' na Amazon Reprodução  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/editora-brasileira-leva-ebook-mein-kampf-de-hitler-as-listas-de-mais-vendidos-11255628#ixzz2q0mcoIOK  © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

A página de venda do ebook ‘Mein Kampf’ na Amazon

RIO – A edição digital do livro-manifesto de Hitler, “Mein Kampf” [minha luta, em português], no qual ele expressou suas ideias de supremacia racial e lançou os fundamentos ideológicos do nacional-socialismo, teve um aumento súbito de vendas nas principais livrarias digitais do mundo, atingindo destaque nas lojas da Amazon nos Estados Unidos e na Inglaterra. E, no meio desse sucesso, está uma pequena editora brasileira, a Montecristo, sediada em São Paulo, que vendeu 509 livros desde o dia 1º de janeiro, o que dá, em média, um exemplar a cada 30 minutos.

Até o fechamento desta edição, o “Mein kampf” da Montecristo estava em primeiro lugar entre os ebooks mais vendidos da categoria “propaganda e psicologia política” na lista de mais vendidos da Amazon americana. Na lista geral da mesma livraria, com todas as obras, o livro estava em 837º. Já na versão britânica da livraria, o manifesto de Hitler figurava em 14º entre os mais vendidos na categoria “política e ciências sociais”. A obra sai por US$ 0,99, nos EUA, e £ 0,99, no Reino Unido.

O fato foi antecipado, na tarde de ontem, pelo site Vocativ.com, do jornalista americano Chris Faraone. A Montecristo, com capital social no valor de R$ 3 mil, tem como sócios o advogado Alexandre Pires Vieira e sua mulher, Renata Russo Blazek. Procurado pelo GLOBO, o advogado, que criou a editora há dois anos e vende só livros em domínio público, ficou surpreso com a notícia.

— Não estava sabendo dessas vendas. Eu só recebo relatórios da distribuidora digital a cada 60 dias. Criei a Montecristo meio informalmente, há dois anos, com vários livros em domínio público — diz Vieira. — Da primeira vez que tentei vender “Mein Kampf” na loja da Apple, eles se recusaram a vendê-lo. Recebi um email dizendo que contrariava as normas da iBookstore, por se tratar de propaganda nazista.

Alexandre Pires Vieira que escreveu para a empresa contestando a posição de proibir a venda da obra.

— Se você tomar ao pé da letra, até é propaganda nazista. Mas minha ideia é que as pessoas leiam e vejam quão absurdo eram as ideias de Hitler — afirma Vieira, lembrando que nenhuma outra loja digital [ele também a vende na Kobo] se recusou a disponibilizar a obra.

Perguntado sobre o porquê de ter escolhido publicar uma obra tão polêmica, Vieira diz que escolheu o que achava “mais interessante”, mas ressalta que não compactua com as ideias expressas na obra.

O advogado diz ainda que o livro costumava vender no máximo 30 cópias por mês. O mesmo que medalhões da literatura brasileira publicados por ele, como Machado de Assis, Euclides da Cunha, Lima Barreto, entre outros. A Montecristo tem 50 títulos em domínio público disponíveis em ebook.

Por Maurício Meireles | O Globo | 10/01/2014 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Respeitável público


Por Tatiana de Mello Dias | Publicado originalmente em LINK do Estadão | 7 de agosto de 2011| 20h00

Como o formato digital está ajudando a ampliar o acesso a produções que perderam os direitos autorais

Alice no País das Maravilhas | A obra de Lewis Carrol é pública. Mas as adaptações, como a recente versão de Tim Burton no cinema, são protegidas.

2012 será um ano importante para os fãs do escritor irlandês James Joyce. É que, a partir de 1o de janeiro, sua obra inteira entra em domínio público – e o clássico Ulisses poderá então ser reproduzido, remixado, reeditado e revendido por qualquer um. E isso é especialmente importante porque o neto do escritor, Stephen Joyce, sempre fez questão de restringir ao máximo o uso dos textos do avô. A partir do ano que vem, Joyce estará livre.

Como seres humanos, nós precisamos ter um grande espaço livre para nos comunicar uns com os outros, sem as limitações impostas pelo copyright”, disse ao Link o pesquisador holandês Joost Smiers, autor do livro Imaginem o Mundo Sem Direitos de Autor Nem Monopólios, de 2005 [leia a entrevista aqui].

O domínio público é o mecanismo legal que garante que obras sejam liberadas do copyright após um determinado prazo.

Sigmund Freud | Todos os livros do psicanalista entraram em domínio público na virada de 2010. Isso fez que surgissem novas e melhores edições de suas obras.

Por definição, domínio público é a extinção dos direitos autorais – principalmente os patrimoniais, que garantem a exclusividade para exploração econômica da obra.

E se grande parte das obras que já estão em domínio público está guardada em museus ou bibliotecas, a digitalização e a internet têm um papel importante para garantir a principal função do domínio público: possibilitar o acesso a esse material. “A internet veio redefinir tanto o papel do direito autoral quanto o do domínio público”, crava Sérgio Branco, professor da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro e autor do livro O Domínio Público no Direito Autoral Brasileiro, que será lançado em setembro. Só que essa relação não é tão simples – governos e instituições ainda não aprenderam a respeitar os princípios básicos do domínio público.

Desrespeito. O autor constatou uma série de problemas em relação à maneira como governos e instituições tratam o domínio público – no Brasil e no mundo. “Fiz uma pesquisa em quatro instituições de arquivos públicos e verifiquei um grande desrespeito às obras”, diz. A rigor, tudo o que está em domínio público deve ser acessível por qualquer um, para qualquer finalidade. Mas as instituições costumam exigir declarações sobre o uso que se dará à obra e vetam qualquer uso diferente.

Guimarães Rosa | Os livros do escritor só entram em domínio público em 2037. Até lá, a família tem total controle sobre a forma como as obras serão publicadas.

A Lei de Direitos Autorais no Brasil não regula o tema. “A lei me parece pouco eficiente”, diz Branco. “Ela não prevê o domínio público voluntário. Não há razão para isso”, critica. A lei simplesmente determina o prazo de proteção no Brasil: 70 anos após a morte do autor, prazo considerado longo por instituições como a ONG Consumers International, que colocou o Brasil como o país com a quarta pior lei de copyright do mundo em relação ao acesso à cultura e uso educacional. “A rigor, podemos dizer que o prazo hoje vigente no Brasil já é suficientemente longo para representar um desequilíbrio nas relações entre autor e sociedade”, diz Branco em sua tese. “Parece claro que os frutos econômicos decorrentes da exploração da obra se esgotam, em regra, muito antes de expirado o prazo de proteção.

No ano passado, a Argentina aprovou uma lei para estender de 50 para 70 anos o prazo de proteção de obras fonográficas. Um dos motivos era o de que um disco da cantora Mercedes Sosa entraria em domínio público em 2012. Detalhe: o LP estava fora de catálogo há 48 anos, portanto sem gerar renda para a família da cantora. “São histórias absurdas porque você está protegendo algo que não está sendo explorado e impedindo o acesso àquela obra”, diz Branco.

Nos anos 60, o compositor Carlos Imperial virou dono da canção “Meu Limão, Meu Limoeiro”. Registrou a cantiga popular como sua composição. Sua mãe ficou indignada: “Mas, Carlos, como você teve coragem? Eu cansei de embalar você à noite cantando essa música”. Ele respondeu: “Música e mulher para mim não têm dono, vou lá e pego”. Até hoje, toda vez que alguém tocar publicamente a cantiga popular, terá de pagar direitos autorais à família Imperial.

Parabéns a você | A música só entra em domínio público nos EUA em 2030.

Faz sentido? O que Imperial fez é um exemplo extremo de uma prática comum da indústria cultural: pegar uma obra em domínio público torná-la uma obra protegida por direitos autorais. É só lembrar dos clássicos da Disney [adaptações de contos de fadas já em domínio público].

Nos EUA, a pressão da indústria fará que nenhuma obra entre em domínio público no período que vai de 1998 até 2018. A lei, conhecida como Mickey Mouse Act, foi aprovada após uma pressão no Congresso porque os primeiros filmes da Disney entrariam em domínio público. “O maior problema é que, quando você prolonga o prazo, carrega consigo não só os filmes da Disney, mas toda a cultura norte-americana. Com isso você tem não só a perda da reciclagem das obras, porque a película se deteriora e o livro sai de catálogo, mas também uma perda econômica”, diz Branco. “Se uma obra intelectual não foi remunerada nos primeiros anos, dificilmente será 70 anos depois, ou 90. Não faz sentido manter essa proteção tão longa”.

Noel Rosa | As músicas do compositor morto precocemente estão livres desde 2008, quando sua morte completou 70 anos

No ano passado, toda a obra do psicanalista Sigmund Freud entrou para domínio público. Ninguém perdeu dinheiro com isso – pelo contrário. “Apareceram novas e melhores edições das obras. Há competição: se não tem mais monopólio, várias editoras podem publicar a obra”, diz Branco.

O BÁSICO

• Domínio público é a extinção do direito patrimonial do autor sobre a obra [ou seja, do monopólio de exploração comercial].
• Não é possível licenciar uma obra em domínio público. Mas há alternativas, como a licença CC0, da organização Creative Commons, que sinaliza que o autor abriu mão de todos os direitos.
• Uma vez em domínio público, não é possível aos detentores recuperarem os direitos sobre a obra.

ONDE ENCONTRAR

• Internetarchive.org: Tem de tudo. Vídeos, livros, fotos, softwares e sites.
• The Public-Domain Movie Database: O visual é terrível, mas há um bom acervo de filmes, séries e documentários.
• Project Gutenberg: Reúne mais de 36 mil livros para Kindle, Android, iPad e iPhone.
• Domíniopúblico.gov.br: Imagens, sons e livros, como a obra completa de Machado de Assis.
• Publicdomainworks.net: Todo o tipo de conteúdo, como artigos acadêmicos.

Por Tatiana de Mello Dias | Publicado originalmente em LINK do Estadão | 7 de agosto de 2011| 20h00

Portal de arte e literatura cadastra 3 mil obras por mês


Um dos sites educacionais mais procurados na internet no Brasil, o portal Domínio Público, do Ministério da Educação, aumenta mensalmente seu acervo digital em cerca de 3 mil obras, desde agosto de 2010. Em janeiro deste ano foram cadastradas 3.471 obras. O número considerável de novas mídias resulta da parceria com outros ministérios e bibliotecas nacionais. Existem hoje 187.533 obras cadastradas em formato de textos, imagens, sons e vídeos.

A intenção é de que o Domínio Público deixe de ser apenas um portal do Ministério da Educação, para ser um portal de conteúdo de todo o governo federal”, diz José Guilherme Ribeiro, diretor de infraestrutura em tecnologia educacional do MEC. O Domínio Público foi criado em 2004, com acervo inicial de 500 obras, para promover o acesso gratuito a obras literárias, artísticas e científicas.

No período de férias escolares, o portal recebe 500 mil visitas e dobra a quantidade de acessos durante o período letivo. “O MEC quebrou um paradigma ao começar a oferecer material de qualidade gratuitamente, sejam filmes, partituras, obras literárias ou animações”, ressalta.

De todo esse material, os mais procurados são os textos, que já tiveram quase 24 milhões de downloads. A Divina Comédia, de Dante Alighieri, poemas de Fernando Pessoa e clássicos de William Shakespeare e Machado de Assis estão entre os mais acessados. Entre as 11.906 imagens que constam no acervo, as famosas pinturas de Leonardo da Vinci, como a Adoração dos Magos, A Última Ceia e La Gioconda lideram a lista das mais procuradas.

Uma nova versão do portal entra no ar ainda neste semestre. O Domínio Público migra para a web 2.0, o que vai tornar a forma de acesso mais rápida e fácil. Uma rede social educacional, com fórum de discussões de obras, também deve ser inserida na nova versão. Todo o material que consta no portal está em domínio público ou conta com a devida licença por parte dos titulares dos direitos autorais.

Acessos do exterior – O Portal do Professor, que também pode ser acessado pela página do MEC, registra números iguais de acesso. As aulas prontas, de diferentes assuntos, postadas por professores, são o material mais acessado. “Dez por cento do Portal do Professor é acessado por pessoas de fora do Brasil. Os Estados Unidos, por exemplo, são um dos países que mais o acessam. Nós fazemos coisas que os outros países estão tentando aprender conosco”, afirma José Guilherme.

Assessoria de Comunicação Social do MEC | Quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 – 16:43