Mais uma editora adere à Distribuidora de Livros Digitais


DLD passará a fazer a distribuição digital dos e-books da editora

Resultado do consórcio das editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, LP&M e Novo Conceito para distribuição digital de seus e-books, a DLD começou recentemente a distribuir e-books de outras editoras. A primeira casa a aderir – como cliente e não como sócia – é a Cosac Naify. Em comunicado enviado à redação do PublishNews, a DLD informa que “esta iniciativa se integra ao processo de fortalecimento da atuação da Cosac Naify no digital”. “Iniciando o trabalho de distribuição de e-books integrado a uma plataforma, automatizamos uma grande parte do operacional para que possamos focar no que nos é mais importante: os livros“, se pronunciou a Cosac também via comunicado. Atualmente, a editora dispõe de 140 e-books em seu catálogo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/06/2015

Esquenta a disputa pela distribuição digital


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 17/06/2015

DldO PublishNews noticia hoje que a Cosac Naify é a primeira editora a ser distribuída pela DLD sem fazer parte do consórcio que a controla, formado por sete editoras brasileiras. Serão 140 e-books da editora paulistana que passarão a integrar o catálogo da agregadora. Este anúncio é de extrema importância porque marca a entrada da DLD na disputa pelo controle da distribuição digital no Brasil. Se antes a empresa só aceitava distribuir sócios e se comportava mais como um clube, agora ela se torna um agregador comercial de fato. A empresa carioca, aliás, não foi atrás apenas da Cosac Naify, mas tem conversado com vários editores que parecem fazer parte de uma seleção criteriosa, sempre para oferecer seus serviços de distribuição.

Em minha opinião, o lento crescimento do mercado digital brasileiro em 2014 e início de 2015 se deve, em parte à ausência de bons serviços de agregadores no país. Até o ano passado, havia, na prática, apenas a Xeriph e a DLD operando em maior escala no Brasil. E se por um lado a Xeriph merece aplausos e reconhecimento por ter sido a pioneira e por ter feito um excelente trabalho de agregação de conteúdo no mercado brasileiro [arrisco-me a dizer que sem ela, a Amazon teria
Logo_xeriph_bigretardado muito mais sua entrada no Brasil], a verdade é que até o ano passado pelo menos, a empresa ainda não conseguia oferecer aos editores brasileiro o mesmo tipo de serviço e plataforma que empresas estrangeiras como Ingram, Overdrive e DeMarque colocam à disposição no exterior. Enquanto isso, a DLD não tinha interesse em distribuir não-sócios e empresas como Acaiaca Digital e Digitaliza ainda estavam começando. Assim, a distribuição digital no Brasil deixou muito a desejar em 2014.

Agora o cenário é outro, e não apenas pela entrada da DLD na briga. Afinal, já no início de 2015, a distribuidora digital Bookwire iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma filial em São Paulo, capitaneada por Marcelo Gioia. Desde então, a empresa já fechou contrato com cerca de 80 editoras e já está distribuindo o conteúdo de 60 delas. A seu favor, Bookwireconta o fato de que a plataforma alemã já é mundialmente reconhecida como um dos melhores sistemas de distribuição de digital do mercado. Além disso, a empresa tem mostrado eficiência em otimização de metadados e serviços de marketing no exterior.

A carioca Xeriph, por sua vez, resolveu questões internas ligadas a saída do grupo Abril do controle da empresa em setembro do ano passado e, depois de avaliar possíveis compradores, decidiu seguir sozinha na operação podendo agora focar mais no negócio da distribuição e menos em assuntos corporativos. Uma das vantagens comparativas da empresa dirigida por Duda Ernanny é seu projeto de plataforma de biblioteca digital que ela vem desenvolvendo.

DigitalizaA Digitaliza, capitaneada por Igdal Parnes, ex-Elsevier, também começa a mostrar a que veio. Seu diferencial é oferecer financiamento dos custos de conversão para os editores que aderirem a sua plataforma. Na Digitaliza, portanto, os editores não precisam desembolsar capital para converter os títulos de seu catálogo. A empresa já distribui cerca de 30 editoras.

AcaiacadigitalFinalmente, a Acaiaca Digital, que chegou a negociar a compra da Xeriph em março e que distribui o catálogo digital da plataforma de self-publishing Clube de Autores, entre outros, parece mais ávida pelo quinhão digital, tanto que quase arrematou a Xeriph. A negociação só naufragou nos momentos finais. E a empresa conta com executivos do calibre de José Henrique Grossi.

Para um mercado que passou 2014 sem grandes opções de distribuição digital para os editores, o segundo semestre de 2015 promete. Agora são cinco agregadores digitais em atuação e, verdade seja dita, não há espaço para todos. Mas a concorrência é sempre saudável e que vença o melhor. Ou, ainda, que vença o livro digital. Ou, mais que isso, que vença o livro.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 17/06/2015

Empresa faz conversão de eBooks sem custos iniciais para editoras


Digitaliza Brasil aposta na parceria com editoras para fazer o mercado do livro digital crescer no Brasil

Em atividade desde 2013, a Digitaliza Brasil acaba de colocar na rua um novo modelo de negócio. A empresa, especializada em conversão e distribuição digital de livros, está abrindo às editoras a possibilidade de converter seus livros para o digital sem nenhum custo inicial. A proposta é fazer a conversão, organizar os metadados e começar a distribuição sem que as editoras coloquem a mão no bolso. A remuneração pela conversão é descontada quando o livro for vendido. Uma vez que os custos da conversão tenham sido cobertos, a empresa passa a fazer a ser remunerada apenas pela distribuição. Para Igdal Parnes, sócio-fundador da empresa, é uma forma de aumentar o número de editoras brasileiras no mundo digital. “Se a gente não for parceiro das editoras, o mercado de e-books não vai decolar no Brasil. Nesse modelo, as editoras entram no mundo digital sem colocar um tostão no negócio”, comentou Igdal que deixou a direção geral da Campus em 2012 e montou a Digitaliza. A empresa, que segundo Igdal tem pouco mais de 30 editoras na cartela de clientes, faz a distribuição digital para as maiores plataformas de vendas de e-books: Amazon, Apple, Google, Saraiva, Cultura e Barnes & Noble. “A nossa filosofia é passar a maior porcentagem de receitas para as editoras. É uma maneira de mostrar para o mercado que a gente está junto com as editoras”, disse. Nesse modelo recém lançado, a Digitaliza diz que já está convertendo cerca de 500 livros e a expectativa é que esse número chegue a seis mil até o fim do ano. “Temos capacidade para isso”, bate no peito. Sobre a chegada da BookWire ao mercado brasileiro [leia matéria sobre isso clicando aqui], Igdal diz estar confiante no potencial da Digitaliza. “Acredito que o mercado brasileiro é ainda muito pequeno, mas torço para que tenha espaço para todos”, disse ao PublishNews. Atualmente, no Brasil, há, além da Digitaliza e da BookWire, outros três players: Xeriph, DLD e Acaiaca. Contatos com a Digitaliza podem ser feitos pelo e-mail igdal@digitalizabrasil.com.br.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 26/02/2015

Empresa alemã de distribuição digital chega ao Brasil


BookWire quer, a partir do Brasil, conquistar a América Latina

ens Klingelhöfer, CEO da BookWire

ens Klingelhöfer, CEO da BookWire

A BookWire, a agregadora digital que abocanhou boa parte do portentoso mercado alemão, chegou ao Brasil há pouco mais de um ano. O objetivo é fincar bandeira por aqui para conquistar a América Latina e alcançar a liderança do serviço de distribuição digital no Brasil, hoje ocupado pela Xeriph e pela DLD. De Frankfurt, Jens Klingelhöfer, CEO da BookWire, disse ao PublishNews que a “América Latina é um grande mercado a ser explorado, em especial para o negócio do livro digital. Esse mercado no Brasil apresenta grande dinamismo e nós vemos um grande potencial para as editoras”, comentou. A estrutura brasileira, por enquanto, é enxuta. A subsidiária brasileira é capitaneada por Marcelo Gioia e tem representações em São Paulo e no Rio de Janeiro. De acordo com Jens, a estrutura é ainda enxuta, mas a equipe conta com o apoio do escritório na Alemanha. “Nesse primeiro momento, faremos investimentos significantes na nossa equipe local e na infraestrutura. Além disso, as operações brasileiras se beneficiam em muito das nossas realizações em outros mercados. Somos uma equipe muito ágil e inovadora e, claro, nós tentamos criar sinergias entre as nossas equipes sempre que isso é possível”, disse ao PublishNews.

A BookWire hoje opera fortemente na Alemanha, Áustria, Espanha e Suíça; já marca presença no México e na Rússia e tem parceiros em alguns países da América Latina. Só na Europa, a empresa é responsável pela distribuição de mais de 800 editoras. A presença no Brasil ainda é tímida, mas, a expectativa é crescer muito nos próximos 18 meses, como explica Marcelo Gioia: “estamos bastante conscientes das dificuldades do mercado brasileiro, mas a nossa expectativa é alcançar, nos próximos 18 meses, se não a liderança do mercado, pelo menos, ficar entre as grandes”. Indo pelo mesmo caminho, Jens disse que o foco agora está na aquisição de conteúdos e na conquista de novas editoras para “relações duradouras e de confiança”. “A equipe local vai crescer ao longo dos anos para estabelecer a BookWire como um player relevante no mercado brasileiro”, disse esperançoso Jens.

Além da DLD e da Xeriph, a BookWire tem como concorrentes a Acaiaca e a Digitaliza. “Eu acredito que essas companhias que já atuam no Brasil têm feito um excelente trabalho para desenvolver o mercado. Ao mesmo tempo, estou certo de que nós podemos ser mais competitivos ao oferecer a nossa abordagem de serviços de 360 graus, que permitirá aos editores brasileiros desenvolver seu negócio rapidamente e com êxito”, disse Jens. “A tecnologia da BookWire já é consolidada, parruda, segura e, ao mesmo tempo, simples do ponto de vista da interface com as editoras. Esses pontos aliados à inteligência de marketing e de metadados já desenvolvida pela BookWire são diferenciais importantes da empresa”, comentou Gioia. “Nossa filosofia é baseada na combinação de alta tecnologia e serviços locais que vêm de mãos dadas com uma abordagem global de distribuição. Com isso esperamos atingir a nossa finalidade de alcançar mercados relevantes para os nossos clientes”, completou Jens.

Metadados, como se sabe, é um dos maiores percalços da distribuição digital no Brasil. A insuficiência de dados muitas vezes, se não impede, atrapalha, a “descobertabilidade” e a distribuição. Sabendo dessas questões, Jens não se desanima e se diz otimista com o desafio. “Nós temos larga experiência em desenvolver todos os processos que gravitam em torno da distribuição de e-books e de audiobooks. Os metadados é uma das expertises da BookWire. Nossa plataforma ‘BookWire MACS’ faz um excelente trabalho para facilitar a administração de metadados e de e-books, o que nós consideramos fundamental para o sucesso de distribuição. Além disso, nossa equipe tem um grande know-how para criar ‘produtos perfeitos’ do ponto de vista de metadados. Acreditamos que, em breve, os editores brasileiros caminharão para o entendimento do protagonismo dos metadados no crescimento do mercado digital”, disse.

Os editores que quiserem utilizar os serviços da BookWire não têm que desembolsar nada. Não há custos iniciais e nem riscos. A BookWire recebe uma comissão de distribuição sobre o preço do livro. “A nossa comissão é cobrada a partir do preço efetivo do livro, ou seja, aquele praticado na venda, além disso, não há upload fee ou outras taxas iniciais. A nossa participação depende do sucesso da editora”, enaltece Gioia.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 10/02/2015

Kindle Unlimited começa hoje


O serviço de subscrição da Amazon brasileira começa com 700 mil títulos, dez mil deles em português

A Amazon brasileira inicia nesta quinta-feira [11] a operar o Kindle Unlimited, o seu serviço de subscrição de livros. O modelo está em operação nos EUA desde julho deste ano. Ao todo, são oferecidos 700 mil títulos, a grande maioria deles em outras línguas. O catálogo em português é composto por dez mil títulos de editoras como Gente, Globo, LeYa, PandaBooks, Universo dos Livros, Vergara & Riba [V&R] e Zahar. Não aderiram ao serviço grandes editoras como as que compõem o pool DLD [L&PM, Novo Conceito, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante], a Companhia das Letras, a Intrínseca e a Ediouro. A varejista não dá detalhes da negociação com as editoras, mas, pelo que apurou o PublishNews, não foi uma lida fácil. Editores ficaram relutantes pela proposta feita pela Amazon. Em alguns casos, a gigante de Jeff Bezos ofereceu um fee fixo pelo catálogo, independente da quantidade de vezes que cada obra fosse acessada. Não se sabe, no entanto, se esse é o único modelo e nem se foi o aceito pelas editoras que passam a fazer parte do serviço.

Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, recebeu o PublishNews para falar sobre o Kindle Unlimited na tarde da última quarta-feira. “Por questões contratuais, não podemos dar detalhes da negociação com as editoras. O que podemos dizer é que, como aconteceu nos EUA, a tendência é que esse catálogo cresça”, disse o executivo. “Grandes editoras resolveram não entrar nesse momento, mas o que a gente tem escutado é que elas preferem esperar um pouco mais. As negociações são contínuas”, disse. Szapiro lembra que, também nos EUA, a adesão ao Kindle Unlimited foi paulatina. “Na nossa visão, esse programa vai evoluir. Hoje temos na nossa loja, cerca de 43 mil títulos em português, ou seja, um quarto dos livros da Amazon.com.br estão no Kindle Unlimited. Quando lançamos a loja, há dois anos, o catálogo era de 13 mil títulos e evoluiu para 43 mil em 2014. A gente acredita que essa mesma evolução vai acontecer com o Kindle Unlimited”, completou o country manager.

O serviço

O Kindle Unlimited sai a R$ 19,90 [nos EUA, o serviço é oferecido a US$ 9,90 ou algo em torno de R$ 26]. Para identificar os títulos participantes do serviço, os usuários verão na tela de compra o ícone do Kindle Unlimited e um botão “Leia de Graça” na parte superior direita, onde normalmente fica o botão “Compre agora com um clique”. Ao clicar no “Leia de Graça”, o livro será automaticamente baixado para os dispositivos do usuários [o aparelho Kindle ou os apps de leitura Kindle]. Cada usuário poderá ficar com até dez livros por vez. Para pegar o 11º título ele precisa “devolver” um livro que já esteja na sua lista. Os trinta primeiros dias do Kindle Unlimited são gratuitos. Entre os títulos disponíveis estão os das séries Harry Potter [Pottermore], A guerra dos tronos [LeYa] e Diário de um banana [V&R].

Por Leonardo Neto | PublishNews | 11/12/2014

E a Distribuidora de Livros Digitais?


Quando as primeiras negociações começaram para a criação da Distribuidora de Livros Digitais, codinome DLD, nos idos de 2009, a ideia era unir o maior número de editoras sob o guarda-chuva de um agregador digital que as distribuiria com exclusividade. Dentro do melhor espírito “A união faz a força”, um dos maiores atrativos do consórcio era a possibilidade de se negociar em bloco com os varejistas que ameaçavam chegar ao Brasil, entre eles a todo-poderosa Amazon. Na época, editoras como Ediouro, Intrínseca e Companhia das Letras foram sondadas, mas a DLD acabou nascendo em março de 2010 com os seguintes sócios: Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM. As operações começariam apenas em abril de 2011 e, em agosto de 2012, a editora ribeirão-pretana Novo Conceito se tornaria a sétima sócia do empreendimento.

A Companhia das Letras optou por navegar sozinha pelas águas digitais, mas acabou ganhando o importante apoio da Penguin, que adquiriu 45% de participação na editora paulistana em dezembro de 2011. O grupo inglês já vinha navegando pelos mares dos e-books por vários anos e tal experiência foi bastante útil para a Companhia das Letras. Hoje, a Companhia está entre as editoras que mais vendem livros digitais em qualquer um dos varejistas com atuação no Brasil.

A DLD, por sua vez, capitaneada pelo executivo Roberto Vaz Moreira, vem dedicando-se desde sua fundação a desenvolver uma boa plataforma tecnológica para distribuição de e-books e a negociar contratos em bloco com os varejistas digitais que surgiam. Particularmente neste processo de negociação estratégica, a editora Objetiva teve um papel fundamental na figura de seu diretor geral, o jornalista Robert Feith. Foi ele um dos principais responsáveis pelos excelentes resultados que a DLD obteve na extenuante negociação com a Amazon. Graças à estratégia encabeçada por Feith, a DLD e suas editoras conseguiram limitar radicalmente, por contrato, o desconto que a Amazon pode oferecer na sua loja sem que acordos pontuais sejam feitos. Fontes do mercado falam que o desconto não pode passar de 5% e basta olhar os descontos no site e constatar este número. Isto é um exemplo do que talvez tenha sido a melhor negociação que editores já tenham conseguido fazer com a empresa de Bezos mundo afora.

Mas agora surge a Penguin Random House Brasil unindo a Companhia das Letras e a Objetiva sob suas asas. A primeira possui uma estratégia digital de sucesso atuando de forma independente. A segunda não só faz parte da DLD como é em grande parte responsável pelo sucesso dela, tanto que o conselho da distribuidora é presidido por Robert Feith, que segue sendo fundamental para a estratégia da DLD. E é difícil imaginar que cada uma das empresas continue com estratégias de distribuição digital tão distintas.

A médio prazo, é bem provável que uma destas duas situações ocorra: [1] a Companhia das Letras passe a integrar a DLD; ou [2] a Objetiva saia do consórcio. Na primeira situação, a DLD sairia extremamente fortalecida e continuaria sendo um fornecedor com alto poder de negociação junto à Amazon, Kobo, Saraiva, Google etc. No segundo cenário, a DLD ficaria bastante enfraquecida, não apenas pela saída do excelente catálogo da Objetiva, mas por perder Robert Feith, um de seus maiores estrategistas.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir de Tipos Digitais | 20/03/2014

Estimada em 0,29 por cento a participação de eBooks no mercado brasileiro em 2012


Por Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir de Tipos Digitais | 01/08/2013

A pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro referente a 2012 e divulgada esta semana pela Câmara Brasileira do Livro e Sindicato Nacional dos Editores de Livros traz dados interessantes sobre o incipiente mercado do livro digital brasileiro no ano passado. É a segunda vez que a pesquisa coleta dados do mercado de eBooks, mas em 2011 o mercado era tão infinitesimal que os números não diziam muita coisa. Além disso, nesta nova pesquisa, mais dados foram coletados como, por exemplo, o número de e-books vendidos.

[Para saber mais sobre o desempenho dos livros físico no mercado brasileiro em 2012, leia as matérias “Indústria editorial tem pior queda de faturamento desde 2002” e “Segmento de Obras Gerais apresenta crescimento real em 2012” noPublishNews.]

Mas vamos aos dados. Segundo o estudo, as 197 editoras pesquisadas pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas [FIPE] faturaram R$ 3,85 milhões em vendas de e-books e aplicativos de conteúdo em 2012. Em número de “exemplares” vendidos, a pesquisa aponta que foram vendidos 235.315 unidades. Antes de continuarmos, uma ressalva: como não há séries histórica dos livros digitais, os pesquisadores da FIPE não se aventuraram a extrapolar a amostra e inferir números relativos ao universo, i.e. ao mercado inteiro, como fazem com os dados de livros físicos. Portanto, estes números são exatamente o que foi apurado na amostra.

Abaixo os gráficos de faturamento e unidades vendidas com as divisões por subsetor da indústria:

Número de exemplares vendidos

Número de exemplares vendidos

Faturamento

Faturamento

Se comparado com os números de 2011, o crescimento do faturamento foi de 343,44%, uma vez que a pesquisa apontou um faturamento de R$ 868 mil em 2011. Na prática, este número pouco significa, pois o mercado era tão ínfimo em 2011 e a pesquisa digital tão nova, que os números deste ano devem ser vistos sempre com um certo ceticismo, apesar do esforço da FIPE.

A primeira coisa que quis fazer ao receber a pesquisa foi comparar seus achados com a estimativa que fiz no post “E-books responderão por 2,63% do mercado em 2013” para o mercado em 2012. Chamar de estimativa talvez seja até um exagero, pois eu tinha pouquíssimos dados. Eram apenas declarações de um dos diretores da distribuidora DLD publicadas em O Estado de S.Paulo pela competente jornalista Maria Fernanda Rodrigues. Ainda assim, arrisquei calcular uma curva de crescimento e apontar que no ano passado as vendas de unidades de e-books ficaram em 632.546 e equivaleram a 0,47% das vendas de livros nos setores de CTP e Obras Gerais [Trade]. Na época, optei por considerar a soma destes dois segmentos como base e tive que usar os números de 2011 para estimar seu tamanho, pois os dados de 2012 não estavam disponíveis. “No caso do mercado digital, não faria sentido considerar nem didáticos e nem religiosos, cuja participação ainda é irrelevante. Já CTP é um setor que já começa a encontrar representatividade, até porque a Editora Saraiva possui o maior catálogo digital no Brasil”, explico no post.

E como fica este número se utilizarmos os dados da pesquisa CBL/SNEL de 2012? O total de e-books vendidos dos segmentos CTP e Obras Gerais pelas 197 editoras pesquisadas em 2012 foi  179.375. E o total de exemplares físicos vendidos pelo setor foi de 144.400.213. O problema é que não podemos comparar o total físico, extrapolado, com o total digital, que é apenas uma amostra. Não existe nenhuma saída muito digna aqui. A solução menos pior seria utilizar a participação da amostra da pesquisa no universo de livros físicos para se inferir o mercado. Tal participação é de 54% e o resultado inferido seria de 332.176 exemplares. Tal número de exemplares vendidos significaria então uma participação digital de 0,23% em 2012.

Acredito que este número esteja de fato mais próximo da realidade de 2012. E digo isso baseado em outros números aos quais tive acesso ao longo do ano depois de publicar aquele post em janeiro. Basicamente, ao calcular a curva de vendas, limitado pelos poucos dados à disposição, eu considerei um crescimento mais constante ao longo dos meses, quando na verdade o crescimento de vendas deu grandes saltos em outubro [com a entrada da Apple no mercado] e em dezembro [com a entrada de Kobo, Amazon e Google], fazendo com que a curva ficasse em uma posição inferior e que a quantidade vendida em 2012 fosse quase 50% menor.

Aqui está a curva original, calculada em janeiro de 2012:

Vendas de e-books no Brasil

Vendas de e-books no Brasil

E aqui está uma curva reajustada e mais compatível com os dados da CBL e com números aos quais tive acesso recentemente:

Resta saber como fica então minha previsão de que terminamos 2013 com 2,63% de participação dos e-books no total dos livros vendidos nos segmentos de CTP e Obras Gerais. E apesar deste reajuste que tive que fazer para 2012, os dados que tenho tido acesso ao longo dos últimos meses têm confirmado minha previsão e não há razão para rever este número por enquanto. Continuo apostando que terminamos o ano com mais de 3 milhões de e-books vendidos. E, sim, isto é quase 10 vezes mais que as vendas do ano passado.

No exterior, as estatísticas publicadas de participação do mercado do digital via de regra se referem ao faturamento – não unidades vendidas – do segmento de obras gerais [trade]. E os números da CBL/SNEL deste ano permitem um cálculo com as mesmas premissas. Segundo o estudo, as 197 editoras pesquisadas faturaram R$ 1,8 milhão em e-books no ano passado no segmento de Obras Gerais. Se usarmos a relação amostra/universo para inferirmos o mercado total [e eu sei que estou usando uma bela licença poético-estatística aqui; sorry FIPE] chegamos a uma venda de R$ 3,35 milhões, o que equivaleria a 0,29% do faturamento total do segmento de Obras Gerais. Algo ainda muito longe das participações acima de 25% nos EUA e por volta de 12% no Reino Unido.

Mas vale lembrar que a brincadeira por aqui só começou de verdade em outubro, quando a Apple começou a vender livros digitais brasileiros, e só ganhou força máxima no Dia D, 5 de dezembro de 2012, quando Amazon, Google e Kobo chegaram juntas ao Brasil.

Finalmente, uma última observação. O preço médio do livro digital de Obras Gerais em 2012 foi de R$ 13,90, em valores recebidos pelas editoras. No mercado físico, sem vendas para o governo, o preço médio foi de R$ 8,94. Se considerarmos descontos médios praticados pelas editoras de 50% no físico e 40% no digital, podemos inferir que os preços médios de capa digitais e físicos ao consumidor sejam, respectivamente, R$ 23,17 e R$ 17,88. Ainda que os valores de preço médio não possam ser usados como índice de preços, uma vez que o próprio livro médio varia em formato e tamanho de ano para ano e nos segmentos físico e digital, chama a atenção o preço médio superior das edições digitais. Estes dados merecem um estudo mais aprofundado.

Por Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir de Tipos Digitais | 01/08/2013

Vendas aumentam no primeiro Natal digital


Resultado do final do ano sugere que o livro eletrônico deixa de ter valor simbólico nas contas de livrarias e editoras

Foi um longo período de preparação e especulação até que as empresas de tecnologia Amazon, Kobo e Google entrassem no mercado de livros do País. Mais desconhecida dos brasileiros, a Kobo fez uma parceria com a Livraria Cultura e foi a primeira. Momentos depois da festa de lançamento, em 5 de dezembro, a loja do Google entrava no ar. E minutos depois disso, a Amazon completava o novo cenário digital. Esse lançamento tardio não atrapalhou o que se esperava ser o primeiro Natal digital do Brasil.

A venda dos e-books distribuídos pela DLD cresceu exatamente dez vezes de dezembro de 2011 a dezembro de 2012. O crescimento de novembro para dezembro foi de 110%, fruto da entrada em operação da Amazon e do Google ao longo de dezembro“, analisa Roberto Feith, diretor da Objetiva e presidente do conselho da DLD, distribuidora de livros digitais que reúne editoras como a própria Objetiva, Record e Novo Conceito, entre outras.

Para Feith, os e-books deixaram de ter um peso simbólico nas contas das editoras. Só a DLD vendeu 50 mil unidades em dezembro. Ele espera um crescimento contínuo em 2013, mas não na velocidade observada neste final de ano [1000%]. Os índices devem ficar entre 200% e 300%. Isso, claro, dependendo da compra de e-readers pelos brasileiros.

Na Companhia das Letras, as cifras também foram comemoradas. Fabio Uehara, coordenador de Negócios Digitais, não acredita exatamente em um Natal digital, mas diz que dezembro, sim, foi um mês digital. Nesse período, a editora vendeu 400% mais e-books do que tinha vendido em dezembro de 2011. O crescimento anual também foi de 400%, e se somarmos as vendas de novembro e dezembro de 2012, ultrapasse-se com folga o total de e-books comercializados em todo o ano de 2011. As vendas no dia 26 de dezembro foram 20% maiores do que a média do mês. Segundo Uehara, elas flutuam muito, e ainda não dá para dizer se esse aumento tem a ver com o fato de as pessoas terem ganhado e-readers e tablets neste Natal.

Mas a Saraiva vendeu mais tablets neste fim de ano. “É um mercado fabuloso no momento. Foi neste Natal que comprovamos a força dessa categoria“, diz Frederico Indiani, diretor comercial da maior rede de livrarias do País. A empresa não fala em números nem em porcentual de crescimento. Diz apenas que foi um aumento de dois dígitos na venda dos aparelhos. Smartphones também têm um papel fundamental. “Foi uma outra categoria que vimos ascender neste final de ano. Tem bastante gente lendo em celular e o aplicativo de leitura da Saraiva tem mais de 1,2 milhão de usuários ativos“, conta.

Já na área de e-books, o crescimento foi de “três robustos dígitos, com curvas ascendentes verticais“.

O Natal foi um espetáculo, sem comparação com o de 2011. Os números mostram que há um caminho interessante pela frente a percorrer. É um mercado em franca descoberta e teremos muitas alegrias ainda“, diz Indiani. Hoje, em volume de vendas, o digital representa a 13.ª loja da rede. Em dezembro de 2011, ocupava a 64.ª posição. Cresce no digital, mas sem esquecer as lojas físicas. Com 102 livrarias espalhadas pelo Brasil, inaugura, em março, uma em Londrina e outra em abril, em Niterói.

Na Livraria Cultura, o crescimento também foi expressivo. Vendeu 250% mais e-books em dezembro de 2012 do que no mesmo período do ano anterior. Se o e-reader Kobo tivesse chegado um pouco antes, talvez os índices fossem ainda melhores. A primeira leva do leitor digital já está acabando, e outras remessas chegam para manter a Cultura na disputa com a Amazon.

Entre as editoras, a Zahar é pioneira na venda de e-books no País. Mariana Zahar, diretora executiva da casa carioca, conta que comparando a média do ano, dezembro foi muito bom. Só na Saraiva, vendeu 80% mais. “Mas o resultado da Amazon foi bastante animador e surpreendeu positivamente. Vendeu superbem, já com números muito mais significativos. E vendemos muito todos os livros. Giramos o catálogo, o que era uma preocupação nossa“, diz. Para a editora, a Amazon já tinha uma base de leitores Kindle no Brasil, o que pode ter ajudado a impulsionar os números.

MARIA FERNANDA RODRIGUES | O Estado de S.Paulo | 09 de janeiro de 2013, às 2h08

Livro digital pode dar impulso ao mercado editorial no país


Para um país de mais de 5.500 municípios e apenas 3.481 livrarias, a perspectiva de desenvolvimento do mercado de livros digitais, fortalecida agora com a abertura das filiais brasileiras da Amazon, Kobo e Google – a Apple também já vende e-books nacionais, mas faz isso a partir de sua loja internacional, o que torna o livro mais caro -, é vista com bons olhos por quase todos.

Poder comprar um lançamento no dia em que as livrarias paulistas e cariocas recebem os títulos era, até agora, algo impensável para leitores do interior desses Estados ou para os das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as que mais sofrem com a falta de lojas, segundo levantamento da Associação Nacional de Livrarias. Hoje, tendo um e-reader – há modelos a partir de R$ 299 -, o leitor compra e recebe instantaneamente – assim é esperado – a obra. E também não gasta com frete.

Abre-se caminho, também, para autores que não têm espaço em editoras tradicionais e autopublicam seus livros, oferecendo-os para leitura digital e impressão sob demanda – outro mercado que tende a crescer.

Passada a fase da insegurança, as editoras, que tinham medo da pirataria e de que os e-books arruinassem o negócio do livro impresso, seu ganha-pão e uma indústria consolidada no Brasil, também estão animadas com a ampliação da área de atuação. Sabem que seu futuro caminha para a produção e distribuição de conteúdo. Onde o consumidor vai ler esse material é decisão dele.

O investimento é alto e foram quase dois anos de preparação para se chegar até aqui – calcula-se que existam 8 mil e-books brasileiros, o dobro de um ano atrás. Essas editoras frequentaram congressos no Brasil e no exterior sobre o tema, observaram os erros e acertos das editoras internacionais e, por fim, colocaram a mão na massa: revendo os contratos com os autores, convertendo os arquivos e discutindo meses a fio os contratos que começam a assinar com esses grandes players, que chegam agora para o terror das pequenas e médias livrarias.

Elas, que resistem bravamente, têm receio de que o digital precipite o funeral das lojas de rua – fenômeno observado nos Estados Unidos e na Inglaterra e que a França tenta conter com uma série de medidas estatais. Aqui, a Associação Nacional de Livrarias pede, em carta endereçada a Dilma Rousseff, Marta Suplicy, editoras e entidades do livro, que a versão digital seja lançada 120 dias depois da versão em papel e que o desconto não ultrapasse 30%. Tudo para não tirar as lojas independentes do jogo. Mas, se elas quiserem vender e-book, também podem, já que há uma série de empresas oferecendo e-bookstores terceirizadas. Contrata-se o serviço, o site vira uma loja virtual e uma distribuidora fica responsável pela venda. O lucro é dividido.

Nem tudo são flores também para as editoras. Para fazer frente às gigantes de tecnologia, algumas delas se uniram para criar a também gigante DLD, que reúne e negocia o conteúdo digital de editoras como a Record, a maior do país, e a Novo Conceito, uma das editoras com maior número de títulos nas listas de mais vendidos. Outras se mantiveram sós, firmes na negociação, como a Companhia das Letras que, durante um ano e meio de idas e vindas, no caso da Amazon, discutiu item por item do contrato. Uma postura prudente – as editoras estrangeiras que o digam.

A oferta de e-readers com preços competitivos e livros mais baratos – editores optaram por descontos em torno de 20%, 30% – são passos importantes para o desenvolvimento do mercado digital e para o acesso ao conhecimento. Mas isso não é tudo. O Brasil não é, ainda, um país de leitores – lê-se, em média, quatro livros por ano, contando a leitura obrigatória na escola. Portanto, não é um grande consumidor de livros.

O que movimenta quase um terço do mercado editorial brasileiro, estimado pela Fipe em R$ 4,8 bilhões, e sustenta muitas editoras, são as compras governamentais. O governo ainda não compra e-book, mas começa a adquirir obras em CD-Rom. Quando o livro digital estiver na mira dos ministérios e secretarias, aí sim todo o investimento poderá ser compensado. A Amazon sabe disso e, antes de inaugurar sua loja, já conversava com o Ministério da Educação.

Hoje, editoras dizem que o faturamento com o digital não chega a 1% do total das vendas. Algumas casas preveem que o valor chegará a 10% em 2013 – isso, só contando com os leitores que embarcarem na leitura digital ou os adeptos da compra por impulso, também bastante comemorada pelo setor. Quando as compras governamentais começarem, a história ganhará outro importante capítulo.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S.Paulo | 06/12/2012

Com livros digitais, Amazon inicia operação no Brasil


A Amazon acaba de iniciar suas operações no Brasil, após ter assegurado o catálogo digital das mais importantes livrarias do país.

A empresa fechou na semana passada acordos com a Companhia das Letras e com a Intrínseca, editora que detém o título “Cinquenta Tons de Cinza”, um dos mais vendidos no momento.

Há duas semanas, a empresa já tinha firmado acordo com a DLD [Distribuidora de Livros Digitais], que reúne as editoras Sextante, Rocco, Objetiva, Record, Novo Conceito, LP&M e Planeta.

O site brasileiro da Amazon estreou apenas com livros digitais e mais o leitor Kindle. A empresa prevê montar uma operação completa de e-commerce, mas ainda não há data para isso.

O Kindle Fire, tablet da Amazon, que iniciou suas operações no Brasil nesta quinta-feira

O Kindle Fire, tablet da Amazon, que iniciou suas operações no Brasil nesta quinta-feira

O acordo da Companhia das Letras com a Amazon acontece um mês depois de a editora assinar com a iBookstore, da Apple.

O catálogo digital da Companhia das Letras já soma 537 títulos. Até o fim deste mês serão 600 – três vezes mais do que em janeiro.

As vendas de janeiro a outubro já superam em duas vezes as vendas de livros digitais do ano passado.

Dos 400 livros digitais lançados neste ano, cerca da metade é novidade, e metade é livro de catálogo.

Em um comunicado enviado para a imprensa, a Amazon ressalta que oferece mais de 1,4 milhão de eBooks aos consumidores brasileiros com preços em reais, incluindo mais de 13 mil eBooks em português.

Estamos entusiasmados em lançar esta nova Loja Kindle para consumidores brasileiros que oferece os best sellers mais populares de muitos dos grandes escritores brasileiros, todos com preço em reais“, diz Alexandre Szapiro, vice presidente do Kindle do site da Amazon no Brasil.

A empresa anuncia ainda que o Kindle será vendido no país, mas não definiu a data de início das vendas. O preço sugerido ao varejo será de R$ 299.

“Com o lançamento dos aplicativos de leitura gratuitos do Kindle em português, qualquer pessoa com um smartphone ou tablet Android, iPhone ou iPad, PC ou Mac pode começar a ler os eBooks Kindle hoje”, conclui Szapiro.

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 06/12/2012, às 15h55

Amazon vaza imagens do ‘Kindle brasileiro’


Ilustrações do site promocional do leitor digital estão no site da loja

Imagens do Kindle brasileiro estão escondidas no site da Amazon Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/amazon-vaza-imagens-do-kindle-brasileiro-6932073#ixzz2ECFYKnbP © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Imagens do Kindle brasileiro estão escondidas no site da Amazon

RIO | Em mais um episódio que mostra a proximidade da chegada da Amazon no Brasil, o site da loja virtual deixou vazar links com imagens promocionais do Kindle brasileiro, incluindo o logotipo “Amazon.com.br”. São traduções para o português das ilustrações da página de apresentação do leitor digital.

Em uma das imagens, é possível ver as opções “eBooks por menos de R$ 4,99” e “eBooks por menos de R$ 9,99”, mostrando que o leitor terá opções de livros baratos. Em outra imagem, uma passagem to livro “As Valkírias”, de Paulo Coelho. As imagens foram publicadas primeiramente pelo blog do Jotacê.

Na sexta-feira passada, a loja virtual fechou acordo com três grandes editoras nacionais: Companhia das Letras, Globo Livros e Intrínseca. A Amazon já havia assinado contrato com a DLD, que representa as editoras Rocco, Sextante, Objetiva, Planeta, LP&M e Record.

Globo.com | 04/12/2012 | © 1996 – 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Livro digital estimula novos gêneros e outro perfil de leitor


“Certos gêneros podem ter um desempenho acima da curva no formato digital”, diz Roberto Feith, da Objetiva e da DLD

Talvez não seja tão picante quanto “50 Tons de Cinza” ou violento como “As Crônicas de Gelo e Fogo”, mas a saga do livro digital no Brasil também reserva uma carga de emoção para seus próximos capítulos: à medida que novos personagens finalmente entram na história, como a Amazon, a expectativa é de mudanças também no perfil de leitor e, consequentemente, no padrão de consumo, com a ascensão de gêneros como ficção científica e mistério e uma maior oferta de textos como ensaios e grandes reportagens.

Essa é a aposta de Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva e presidente do conselho da DLD [Distribuidora de Livros Digitais, empresa que representa as editoras Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin]. “Estamos efetivamente à beira do ponto de inflexão do consumo do livro digital no Brasil. Agora ele vai começar a representar uma parcela significativa do mercado.”

A DLD acaba de fechar acordos com a Amazon e com o Google – “a expectativa é que estreiem antes do Natal“, diz Feith. Na segunda, a Livraria Cultura deu início das vendas do leitor Kobo. E na semana passada, a Objetiva lançou um selo exclusivo para obras digitais.

O diferencial do selo Foglio está no tamanho dos textos: a ideia é publicar obras de até 15 mil palavras. Trata-se de uma estratégia que já vem sendo adotada nos últimos dois anos por editoras como Random House, Penguin e Pan Macmillan. No Brasil, a meta é utilizar as vantagens do formato digital para popularizar gêneros que não têm muito espaço no meio impresso tradicional.

Um deles é o ensaio, conta Arthur Dapieve, editor de não ficção nacional da Objetiva e do selo Foglio. “Atualmente, eles estão limitados a revistas de fundo educacional. Podemos ajudar a tirá-lo da invisibilidade.

Outra aposta é relacionada a grandes reportagens sobre temas em destaque no noticiário – “o ‘instant book’ nunca deu certo no Brasil”, comenta Dapieve. São textos que precisam de mais espaço do que o disponível em jornais e revistas e de uma publicação mais ágil do que as editoras conseguem. Problemas superados com o livro eletrônico, acredita Feith. “No formato digital, é possível levar esse tipo de obra para o público em um intervalo de algumas semanas ou um mês“, afirma.

Na ficção, a ideia é que a oferta de textos curtos e mais baratos [os livros da Foglio custaram entre R$ 4 e R$ 8] facilitem o contato dos leitores com escritores que ainda não conhecem.

Mas isso não significa que a leitura nos livros digitais seja predominantemente de textos curtos. Segundo Feith, caso o Brasil siga uma tendência já observada em outros países onde equipamentos como Kindle e Nook estão mais disseminados, o que o mercado deve observar daqui para a frente é a ascensão de alguns gêneros, como ficção científica. Isso se deve a uma provável mudança no perfil do consumidor.

“O dispositivo de leitura mais comum até agora no Brasil é o iPad. É um produto relativamente caro [o de terceira geração custa a partir de R$ 1.549 no país] e, por isso, o consumidor do livro digital tende a ser de uma faixa etária mais alta, acima de 30 anos”, observa Feith. Isso explica, segundo ele, o fato de o livro eletrônico mais vendido na Objetiva atualmente ser “O Poder do Hábito” [Charles Duhigg]: “É um livro que tem relevância para pessoas interessadas em sucesso profissional”.

A chegada de outros aparelhos vem acompanhada de alguns fatores. Em primeiro lugar, eles têm um preço mais acessível: o Kobo é vendido por R$ 399, e a expectativa é que o Kindle custe aproximadamente R$ 550. Em segundo, está o fato de que eles servem apenas para a leitura, diferentemente do iPad, que tem várias funções.

“Quem compra um Kindle, por exemplo, é por definição uma pessoa que já lê muito”, afirma Feith. E, frequentemente, continua ele, esse consumidor é fã de algum gênero específico. Junte-se a isso o fato de que esse leitor terá mais facilidade para comprar no meio digital [tanto pelo preço quanto pela comodidade]. O resultado, segundo Feith, é uma maior demanda por livros de certos gêneros e temas [como a Segunda Guerra]. Agora é preciso ver se o Brasil seguirá o script.

Por Amarílis Lage, de São Paulo | Valor Econômico | 28/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Amazon assina contrato com as maiores editoras


Após cerca de três anos de negociações acirradas, a Amazon finalmente fechou acordo com as maiores editoras brasileiras para vender seus livros em formato digital, para leitura no Kindle. Na semana passada, a varejista americana assinou contrato com a DLD – empresa responsável pelos livros on-line da Record, Objetiva, Sextante, Rocco, Planeta, LPM, Novo Conceito e da canadense Harlequin. Além disso, está em negociações avançadas com a Companhia das Letras e a Globo Livros e mantém conversas com a Ediouro. A varejista americana também já tem em seu catálogo os livros da Melhoramentos, que edita as obras do escritor Ziraldo, segundo o Valor apurou.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 27/11/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Livro digital: você ainda vai ler um


Com a estreia de suas operações no Brasil prevista para antes do Natal, Amazon e Google Play Books chegam para popularizar os chamados e-books no mercado nacional

LÁ VEM ELE | Presidente da Amazon, Jeff Bezos exibe seus leitores digitais Kindle, porta de entrada para um acervo com 1,7 milhão de livros

LÁ VEM ELE | Presidente da Amazon, Jeff Bezos exibe seus leitores digitais Kindle, porta de entrada para um acervo com 1,7 milhão de livros

Cerca de 40 milhões de americanos têm um aparelho leitor de livros digitais em mãos. Esse número alavanca outros. A receita de venda dos e-books subiu de US$ 551 milhões para US$ 3,3 bilhões de 2009 a 2012. Gigantes da tecnologia apostam num crescimento ainda maior e abastecem as suas estantes virtuais. Somente na loja de e-books do Google, a Play Books, há cerca de quatro milhões de títulos.

Com seus modestos 20 mil títulos digitalizados em português, o Brasil ainda engatinha nesse mercado. Mas o quadro está prestes a mudar, e rapidamente. São cada vez mais claras as evidências de que a Amazon vai finalmente inaugurar seu site brasileiro de venda de livros eletrônicos no final deste mês ou começo de dezembro e trazer para o País o seu leitor digital, o Kindle. Alimenta os rumores o fato de a empresa americana ter fechado acordo com a Distribuidora de Livros Digitais [DLD], que reúne editoras como Sextante, Objetiva e Record. A Amazon também estaria contratando 14 profissionais no Brasil.

Esse não é o único grande movimento no setor. Pressionado pelo concorrente, o Google estaria acelerando o lançamento de seu tablet Nexus 7 por estas bandas, assim como o início das operações do Google Play Book. Contatadas por ISTOÉ, as empresas não confirmam as informações, mas gente de dentro do mercado e a imprensa especializada apostam que as empresas chegam ao Brasil antes do Natal. Elas estão motivadas pela perspectiva de o consumidor brasileiro se deixar seduzir pelos benefícios dos livros digitais. Entre eles, o preço cerca de 30% menor de cada obra, a capacidade de armazenar centenas de obras e a preservação do ambiente – além de economizar papel, o e-book não necessita de transporte motorizado.

SEM SOMBRA | Com telas que imitam a relação entre tinta e papel, a tela de alguns e-readers não reflete a luz e permite a leitura sob o sol

SEM SOMBRA | Com telas que imitam a relação entre tinta e papel, a tela de alguns e-readers não reflete a luz e permite a leitura sob o sol

Há ainda a comodidade e a rapidez. Se um best-seller sobre bruxos é lançado à meia-noite em Londres, um minuto depois você já pode estar lendo a obra, sem apertos nem filas. Facilidades como essas animam os consumidores ouvidos pela eCRM123, empresa especializada no relacionamento com clientes nas redes sociais. Em estudo publicado nesta semana, 84% dos entrevistados disseram aprovar o desembarque da Amazon no Brasil.

NúmerosSegundo Ednilson Xavier, presidente da Associação Nacional de Livrarias, a expectativa para a chegada da empresa é grande – e preocupante. “A Amazon impõe condições draconianas em relação aos preços e mata livrarias menores”, afirma. Para protegê-las, a associação presidida por Xavier pede que haja um intervalo de 120 dias entre o lançamento de um livro impresso e sua versão digital; que os descontos da editora para as livrarias sejam uniformes, ou seja, que as pequenas consigam os mesmos preços que as gigantes; que os livros digitais sejam no máximo 30% mais baratos que os de papel e que, caso as editoras vendam títulos virtuais diretamente ao consumidor, o desconto não passe de 5%.

Para Ednei Procópio, que trabalha com livros eletrônicos desde 1998 e é proprietário de uma editora [a LIVRUS] que leva escritores às plataformas digitais, a vinda da Amazon será positiva para editores e autores, que terão um novo canal de vendas, mas concorda que as livrarias poderão sofrer. “As lojas físicas terão de buscar outros modelos. Uma saída é virar um aparelho cultural, como a Livraria Cultura, que oferece música, teatro, café e promove lançamentos”, diz. A Cultura é, inclusive, uma das empresas nacionais que já correm para enfrentar a concorrência. Irá lançar o Kobo, e-reader fabricado por uma empresa canadense e que será vendido nas lojas da rede. O aparelho terá acesso a um acervo de três milhões de títulos digitais, 15 mil deles em português.

Outra empresa brasileira com armas para enfrentar a nova concorrência é a Gato Sabido, que inaugurou o mercado nacional de livros digitais em dezembro de 2009. Para tanto, conta com seu próprio aparelho, o Cool-er, produzido de forma terceirizada na China e vendido no País a partir de R$ 579. Com ele, o consumidor pode comprar obras com descontos consideráveis. A versão impressa de “Cinquenta Tons de Cinza” tem o preço recomendado de R$ 39,90. No Gato Sabido, o livro sai por R$ 19,92. É bom, mas apenas isso não irá proteger as empresas nacionais contra o rolo compressor que vem por aí. Inovação e qualidade no serviço serão fundamentais.

Fotos: JOE KLAMAR/AFP Photo; EyesWideOpen/Getty Images

Fotos: JOE KLAMAR/AFP Photo; EyesWideOpen/Getty Images

POR Juliana Tiraboschi | Revista ISOTÉ | N° Edição: 2246 | 23.Nov.12, às 15:32

Amazon fecha acordo com editoras e chega ao Brasil até dezembro


Acordo entre maior varejista on-line do mundo e distribuidora DLD está prestes a ser assinado, dizem fontes

Consumidor brasileiro finalmente terá acesso ao leitor de ebooks mais bem conceituado do mundo | Reuters

Consumidor brasileiro finalmente terá acesso ao leitor de ebooks mais bem conceituado do mundo | Reuters

RIO | Fontes do mercado editorial confirmam a iminência do fechamento do acordo entre a Amazon.com com a distribuidora de livros digitais DLD, que engloba as editoras Rocco, Sextante, Objetiva e Record.

O acordo, que vem sendo costurado há mais de um ano entre as editoras e a maior varejista on-line do mundo, deverá ser assinado em breve — ainda este mês — e prevê a estreia da operação da Amazon no Brasil entre o final de novembro e a primeira quinzena de dezembro.

A princípio, a livraria fundada por Jeff Bezos venderá no Brasil seu leitor Kindle e títulos de ebooks. A Amazon anuncia em seu site oficial que está abrindo 15 vagas de trabalho em São Paulo.

Segundo a Reuters apurou há alguns meses, a potência americana do e-commerce deve oferecer um catálogo de dez mil livros digitais em português para o Kindle. A estratégia 100% digital permitiria à varejista minimizar custos no país.

— O Brasil seria o primeiro país em que a Amazon entra apenas com produtos digitais, e essa decisão foi tomada por motivos logísticos e dificuldades tributárias — disse então à agência uma fonte da indústria.

A Amazon é a mais recente empresa americana a buscar uma fatia do mercado de e-commerce brasileiro de US$ 10,5 bilhões. Espera-se que o segmento cresça 25% neste ano, impulsionado pelo aumento da classe média do país. Essa seria a mais recente incursão da Amazon em mercados emergentes, após seu ingresso na China, em 2004, e na Índia, neste ano.

Para adquirir fatia de mercado rapidamente no Brasil, a Amazon provavelmente venderá o Kindle a um preço subsidiado de R$ 500 [US$ 239] — três vezes mais caro que nos Estados Unidos, mas abaixo de produtos rivais no mercado brasileiro, disse a agência.

Por André Machado e Sérgio Matsuura | O Globo | 14/11/2012 | © 1996 – 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

[Quase] Tudo pronto


Amazon Kindle

Amazon Kindle

A DLD, a distribuidora de livros digitais que reúne Rocco, Sextante, Objetiva e Record, finalmente se acertou com a Amazon. Há mais de um ano a varejista americana negocia, negocia, mas nada concluía. Agora, se acertaram. Só falta assinar.

Tudo caminha mesmo para que a Amazon faça sua estreia no Brasil entre o final deste mês e a primeira quinzena de dezembro. Inicialmente, venderá apenas e-books e o Kindle.

Por Lauro Jardim | Coluna Radar | Veja | terça-feira, 13 de novembro de 2012

Apfelstrudel de IOF


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

A Apple está vendendo livros digitais para leitores brasileiros desde o último domingo, como o site Revolução eBook noticiou em primeira mão. Pode-se concluir que foi aberta então a iBookstore brasileira? Na verdade não, pois os livros estão sendo vendidos diretamente dos Estados Unidos e em dólar. Ou seja, a Apple aplicou um jeitinho brasileiro para contornar as dificuldades fiscais e legais para comercializar e-books no Brasil, entre elas a legalidade ou não do modelo agência e a manutenção da isenção de impostos sobre o livro dentro do modelo digital de negõcio. O resultado, no entanto, não é uma iBookstore brasileira, mas uma janela de acesso aos livros brasileiros na iBookstore americana. Ao entrar na loja com livros em português da Apple, a sensação é semelhante àquela que se tem ao se entrar uma loja física de venda de produtos Apple no Brasil, uma daquelas “Apple Resellers”. Pode até lembrar uma Apple Store, mas está longe de ser uma. E assim como continuamos sem uma Apple Store de verdade no Brasil, provavelmente seguiremos sem uma iBookstore de verdade por aqui por algum tempo.

A Apple disponibilizou 3158 títulos em português para seus clientes brasileiros que acessam a loja pelo iTunes ou pelos aplicativos para iPhone e iPad. Este era o número na manhã de 23/10. Entre estes títulos, estão livros distribuídos pela Distribuidora de Livros Digitais, a DLD, o poderoso consórcio que reúne Objetiva, Record, Rocco, Sextante, L&PM, Planeta e Novo Conceito, que possui um catálogo de best-sellers estimado em 1500 títulos. Há também livros fornecidos pela distribuidora Xeriph, mas, ao contrário do que ocorre com a DLD, apenas algumas das editoras distribuídas pela agregadora carioca estão à venda na Apple, entre elas a Todolivro e a Boitempo. Intrínseca e Companhia das Letras, que estão comercializando seus livros digitais diretamente com a Apple, também marcam presença na loja da maçã. Em termos de tamanho de catálogo, merecem destaque a própria Companhia das Letras, com 494 títulos, e a L&PM, que possui 435 títulos via DLD. O grupo Record aparece com cerca de 330 títulos, também por meio da DLD. As maiores ausências são a Saraiva, dona do maior catálogo digital do país, a Globo Livros e seu mega-seller  Ágape, e a Zahar, que sempre esteve na vanguarda dos experimentos digitais.

Como todo este catálogo está a partir de agora disponível na loja americana, isto deve deixar os brasileiros da diáspora bastante felizes. E, como mencionado, estes livros digitais podem ser comprados no Brasil, em dólar, graças a uma janela de integração da iTunes Store brasileira com a americana. Os preços em dólares, aliás, são os mesmos nos EUA e no Brasil, mesmo porque, na prática, a compra se realiza na loja de lá. E embora isto represente um avanço, pois até domingo era impossível para brasileiros adquirirem qualquer livro na Apple, esta solução traz uma série de problemas que podem se revelar empecilhos ou incômodos relevantes para o leitor brasileiro.

O principal incômodo é, sem dúvida, a cobrança de IOF. Como a compra será feita no exterior e em dólares, incide a cobrança deste imposto cuja alíquota atual é 6,38%. Obviamente, não está escrito em nenhum lugar na loja da Apple que haverá esta cobrança, mas os consumidores vão descobrir isto assim que as faturas mensais começarem a chegar. Em um país onde o livro é absolutamente isento de impostos, a Apple conseguiu a proeza de vender livros do Brasil para leitores brasileiros com imposto.

Outro problema é que a compra só pode ser feita com um cartão de crédito internacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a Abecs, apenas 15% da população brasileira possui cartão de crédito internacional [veja p. 40 desta pesquisa]. Outro dado interessante é a diferença de gastos de brasileiros no exterior e no Brasil com cartões de crédito. Segundo a própria Abecs, no segundo trimestre de 2012, os brasileiros gastaram R$ 111 bilhões no Brasil contra apenas R$ 6 bilhões no exterior. É claro que a probabilidade de um usuário de iPhone ou iPad possuir um cartão internacional é muito maior e, portanto, muito mais do que 15% destas pessoas terão condições de adquirir os livros. Mas, ainda assim, esta é uma limitação que poderia ser evitada, assim como a cobrança do IOF.

Uma terceira questão é que a conversão para reais de uma compra em dólares só ocorre no fechamento da fatura e, por mais que o câmbio tenha ficado estável recentemente, a verdade é que o consumidor só saberá o preço final do livro quando pagar a conta.

Obviamente, se os preços da Apple forem mais baixos que os da a concorrência, estes problemas poderiam ser compensados e até o IOF se tornaria irrelevante. Infelizmente, uma rápida comparação mostra que os preços da maçã são muitas vezes superiores aos da concorrência. Por exemplo, a própria biografia do Steve Jobs está à venda por US$ 16,99. Convertendo-se este valor com o câmbio de hoje e aplicando-se os 6,38% de IOF, chegamos a R$ 36,60, enquanto o mesmo e-book custa R$ 32,50 na Saraiva. O best-seller Cinquenta tons de cinza sai na loja da Apple por US$ 12,99, ou R$ 27,98 após conversão e imposto, e custa apenas R$ 24,90 na Saraiva.

Embora o início das vendas de livros brasileiros pela Apple seja de fato um avanço, especialmente para o público internacional, aqui no Brasil a novidade não muda muito a vida do leitor nacional, que provavelmente continuará preferindo a Saraiva para comprar seus livros digitais. Afinal, na Saraiva há um catálogo de cerca de 11 mil títulos, não se paga IOF, não é necessário cartão de crédito internacional e o preço final é inferior. E como a empresa brasileira possui aplicativos de leitura para iPhone e iPad, a experiência de leitura é praticamente a mesma. Outra opção é comprar da Livraria Cultura e transferir o arquivo para um aplicativo de leitura da Bluefire ou da Kobo. Ah! E por falar nisso, em breve a Kobo lança junto com a Cultura sua loja, leitores e aplicativos de leitura aqui no Brasil, com vendas em reais.

No último fim de semana, enquanto a Apple começava a comercializar seus livros digitais em português, acontecia o evento FIM no Rio de Janeiro, com vários painéis que discutiram os livros digitais e as rupturas tecnoloigcas na indústria do livro. Em certo momento das conversas, o curador Julio Silveira declarou: “A Kobo é uma livraria, a Amazon é um tico-tico no fubá, e a Apple vende livro com raiva porque quer vender coisas que piscam.” Por enquanto, parece mesmo que a Apple está mais interessadas nas coisas que piscam. Se ela quiser ser um player relevante no mercado editorial brasileiro, terá de abrir uma iBookstore brasileira de verdade e completa. Até lá continuamos esperando. Assim como temos esperado por anos a abertura de uma Apple Store em uma grande metrópole brasileira.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

Loja de eBooks da Apple está aberta no Brasil


Aparentemente, a Apple ganhou a corrida contra a Amazon e chegou primeiro ao Brasil.

A iBookstore brasileira e da América Latina abriu suas portas neste domingo. A loja também está disponível na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela, e também para países da América Central, incluindo o Mexico. O Uruguai não está listado. Os preços estão em dólar, como previsto em  algumas semanas pelo Revolução.

Além dos eBooks da Simplíssimo, também os ebooks da DLD estão disponíveis.

Certamente a abertura da loja de eBooks está relacionada com o anúncio de amanhã [23/10] da Apple, com o aguardado lançamento do iPad Mini.

Aqui vão duas telas, uma do iPad e outra do iTunes, mostrando a disponibilidade dos títulos brasileiros.

Antes dessa mudança, o usuário brasileiro só podia baixar ebooks gratuitos ou de domínio público. A loja pode não ter preços em reais, mas o simples fato de permitir a compra, para quem tem conta brasileira na Apple/iTunes, é uma tremenda novidade – tanto para leitores, quanto para as editoras. É um grande avanço, e não só para os consumidores – a presença de um competidor à altura da Amazon também é um alento para as editoras.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook

Linha de chegada


A concorridíssima corrida pelo mercado de livros digitais no Brasil deve fazer com que Amazon, Google, Kobo e Apple estreiem aqui em novembro com poucos dias de diferença. Quem conhece a Amazon acha improvável que ela compre a Saraiva, conforme rumores recentes, mas acredita na estreia da amazon.com.br, com venda de e-books em português, no mês que vem. Embora a venda do Kindle no Brasil esteja indefinida, há 300 mil usuários do Kindle Books em português no mundo, o que torna a venda só de e-books um bom negócio por ora.

A empresa já fechou com quase 200 editoras nacionais, a maior parte representada pela distribuidora Xeriph, mas ainda não com as seis representadas pela DLD, que respondem por cerca de 35% dos best-sellers no país. A mesma DLD, no entanto, fechou com Kobo – que estreia já com um modelo de e-reader- Google e Apple.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 22/10/2012

Leitura no trem e eBook grátis


Livros como Última Noite de Inocência e Sem Compromisso estão entre os títulos que a Harlequin doará ao projeto Livro Livre, que vai distribuí-los, entre 29 e 31 de outubro, em cinco estações da CPTM.

*

Com atuação em 114 países, a editora de livros românticos começou há pouco a vender e-books no Brasil e já conseguiu um feito: vai poder distribuir gratuitamente essas obras digitais como faz em todo o mundo. É sua estratégia de marketing.

Aqui, ela é uma joint venture da matriz canadense com a Record e sua operação digital é feita pela DLD, que tem uma política mais restritiva com relação à distribuição de e-books. Em meados de novembro, quem baixar o aplicativo vai ganhar um livro digital e poder comprar outros.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 20/10/2012

A Amazon vai comprar a maior rede de livrarias do Brasil?


Livrarias raramente causam rebuliço na Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo. Afinal, só uma rede de livrarias, a Saraiva SA Livreiros Editores [SLED4] – a maior do Brasil – é negociada por lá. Portanto o que aconteceu na última quarta-feira na Bolsa, poucos minutos antes do fechamento do pregão, foi realmente algo extraordinário e, talvez, simbólico das novas águas que a indústria editorial tem navegado ultimamente. O fato é que quando aBloomberg noticiou que a Amazon estava negociando a compra da Saraiva, as ações da livraria subiram até R$ 28, o valor mais alto alcançado nos últimos 12 meses, representando uma alta de 7,28% no dia – dos quais 7% aconteceram nos minutos finais do pregão.

Outro varejista ligado ao mercado de livros e listado na Bovespa, a B2W [BTOW3], conhecido também como Submarino, não teve tanta sorte. Antes visto como um potencial alvo de aquisição da Amazon, suas ações caíram 4,34%, chegando a R$ 11,47. No dia seguinte, as ações da B2W caíram mais 8,54% até R$ 10,49, enquanto as ações da Saraiva permaneceram estáveis, caindo meros 0,36% para R$ 27,90.

A Amazon poderia chegar ao Brasil em novembro

Rumores sobre a atividade da Amazon no Brasil já circulam há anos, com cada vez mais intensidade. O fato é que não se pode mais chamá-los de rumores. Ainda não se sabe se vai acontecer com ou sem a compra da Saraiva, mas a fonte anônima da Bloomberg parece estar correta. Na semana passada, o jornalista brasileiro Lauro Jardim publicou no Radar On-Line que a Amazon decidiu que a data de lançamento no Brasil será em novembro. Todo mundo sabe, no entanto, que a Amazon raramente usa o tempo futuro em seus comunicados, portanto isso só pode ser visto como especulação, apesar de ser uma especulação bastante plausível.

E por quê? Duas razões. Primeiro, as negociações com a DLD [Distribuidora de Livros Digitais] estão perto de serem finalizadas. A DLD é um consórcio de sete grandes editoras brasileiras que controla ao redor de 35% da lista de best-sellers no país. Elas sempre negociam em conjunto e estão fazendo assim com a Amazon. E são, de longe, o maior desafio para os executivos de Seattle, já que estas editoras estão agressivamente exigindo condições comerciais favoráveis e o controle final sobre os preços. Limitar os agressivos descontos da Amazon são uma condição sine qua non para este grupo de sete empresas. No entanto, fontes no mercado já deixaram claro que um acordo com a DLD está muito perto e deve  acontecer antes do fim do ano. Além disso, de acordo com o noticiário local, a Amazon já conseguiu um acordo com a Xeriph, a principal agregadora de e-books, para distribuir pelo menos uma parte de seu catálogo digital. Então, é fato que a Amazon ou já tem ou está a ponto de ter conteúdo suficiente para abrir sua loja de e-books brasileira. Portanto, um lançamento em novembro não parece algo muito absurdo.

E os leitores digitais?

Se a Amazon chegar realmente, será que conseguirá disponibilizar Kindles no Brasil em tão pouco tempo? Bem, depende do que significa “disponibilizar no Brasil”. Se significa ter Kindles estocados localmente ou vendido em lojas físicas, a resposta é provavelmente “não”. A menos que os aparelhos já tenham chegado ao Brasil ou pelo menos já tenham sido despachados, é difícil imaginar que todo o processo de importação possa levar apenas poucas semanas, incluindo a liberação alfândegária. No entanto, se “disponibilizar no Brasil” significa que os brasileiros podem comprar Kindles online diretamente dos EUA e recebe-los em suas casas, então isto isso já é uma realidade operacional.

Por uns US$ 216 [o preço do Kindle e-ink da geração anterior mais barata] entregue em um endereço brasileiro, com os impostos incluídos, a Amazon possui o e-reader dedicado mais barato do Brasil. Agora, imaginem se a Amazon der um desconto especial ou oferecer entrega expressa gratuita a clientes brasileiros. Nesse caso, não seria necessário um grande processo de importação. Esta é a segunda razão que torna plausível uma especulação de que a Amazon vai abrir no Brasil antes do final do ano. Quanto aos preços competitivos dos Kindles, não podemos esquecer que a Kobo e a Livraria Cultura prometeram disponibilizar seus e-readers antes de dezembro. Podemos então esperar algo como uma guerra de preço na disputa pelos clientes na época do Natal.

Mas a Amazon realmente vai comprar a Saraiva?

Não vamos esquecer o outro cenário: os rumores da aquisição da Saraiva. Se isto for verdade, as coisas poderiam acontecer de forma diferente, talvez com maior rapidez. Para entender melhor esta possibilidade, no entanto, devemos conhecer um pouco mais sobre a maior rede de livrarias brasileira.

A Saraiva foi fundada em 1914 por um imigrante português como uma livraria de livros usados especializada em Direito. Três anos depois, começou a publicar livros. Hoje, quase 100 anos e várias aquisições depois, o grupo Saraiva inclui a maior rede brasileira de livrarias e uma das editoras mais importantes do país, forte na área de didáticos – onde se beneficia das enormes compras governamentais – e na área de Direito. Outras áreas de atuação incluem mercado geral, infantis, negócios e outros setores Acadêmicos. No lado do varejo, a Saraiva possui 102 lojas, das quais 47 são megastores. Em 2008, o grupo adquiriu a Siciliano, a segunda maior rede de livrarias brasileira, e se consolidou como a maior livraria no país [para comparar, imagine a Barnes & Noble comprando a Borders, se esta ainda existisse].

De acordo com a Bloomberg, o capital da Saraiva é de US$ 355 milhões, e o grupo Saraiva foi uma das três editoras brasileiras a entrar na lista anual das maiores empresas editoriais do mundo compilada pelo consultor editorial austríaco, Rüdiger Wischenbart.

Todo o mercado editorial brasileiro está avaliado em US$ 6,7 bilhões, de acordo com o último Global Ranking of the Publishing Industries. Para dar uma idéia do poder da Saraiva, a empresa teve uma receita total de R$ 1,889 bilhões em 2011 – apesar de que mais de um terço de suas vendas venham de outros itens e não de livros. E este número continua crescendo: a empresa teve um crescimento de 20,7% em 2011 em relação a 2010, com ganhos [Ebitda] de R$ 172,6 milhões ou 9,1% de receita. Na primeira metade de 2012, a receita foi de R$ 889 milhões, um crescimento de 8,9% sobre o mesmo período de 2011. Os lucros também cresceram de R$ 65,6 milhões para R$ 79,29 milhões na primeira metade de 2012, com uma margem de 8,9%. As livrarias Saraiva, no entanto, não vendem apenas livros, mas também CDs, DVDs, computadores, aparelhos eletrônicos e suprimentos para escritório. O site deles, lançado em 1998, vende uma seleção ainda maior de itens, de bicicletas a geladeiras. Em 2011, R$ 810,3 milhões de vendas vieram de produtos que não eram livros, correspondendo a 56,2% da receita da rede.

Os números são ainda mais interessantes quando se compara o desempenho da rede de livrarias da Saraiva ao da editora Saraiva. Em 2011, só 23,7% da receita do grupo veio da editora, um valor de R$ 447,1 milhões. No mesmo ano, no entanto, os ganhos [Ebitda] do negócio editorial forma de R$ 96,7 milhões e corresponderam a 55% dos ganhos de todo o grupo. Isso foi possível porque a margem de lucro das livrarias Saraiva foi de apenas 5,4% no ano passado, enquanto que a margem da editora chegou a 19,3%. Também é importante lembrar que 35,9% ou R$ 517,3 milhões da receita de varejo eram provenientes do e-commerce.

A análise destes números é crucial para se entender os possíveis caminhos que uma aquisição da Saraiva pela Amazon poderia tomar. Há basicamente três opções:

1] A Amazon adquire todo o grupo Saraiva
Esta é certamente a opção menos favorável, pois a Saraiva provavelmente não venderia sua unidade editorial, que é a parte mais lucrativa do negócio. A Amazon, por outro lado, provavelmente pensaria duas vezes antes de se tornar concorrente de outras editoras no Brasil antes mesmo de abrir sua própria loja local. Não faria sentido estratégico entrar no negócio editorial antes de começar sua atividade livreira em um novo mercado.

2] A Amazon adquire a divisão de vendas de livros da Saraiva
Este poderia ser o cenário dos sonhos para a Saraiva, já que venderia sua divisão menos lucrativa e manteria seu negócio com melhores resultados. A editoria e a livraria Saraiva já estão separadas em duas entidades legais diferentes, facilitando o processo de uma possível venda parcial. Claro que neste caso alguma sinergia se perderia, mas nada que um bom contrato com obrigações futuras não possa superar. E as margens de lucro são tão diferentes entre os dois negócios que tais sinergias não seriam suficientes para evitar um acordo. Do lado da Amazon, no entanto, não parece fazer muito sentido comprar 102 livrarias. Seria a primeira vez que a gigante de Seattle teria lojas físicas. É difícil imaginar que a Amazon mudaria sua estratégia global só para entrar no mercado brasileiro. Sim, o Brasil é o país da vez, mas o mundo é um lugar muito grande e é possível imaginar a Amazon em mercados como Escandinávia, Europa Oriental, Rússia ou África do Sul antes de imaginá-la repensando sua raison d’être ou vendendo sua alma ao demônio das lojas físicas.

3] A Amazon adquire somente a loja online da Saraiva
O site da Saraiva é responsável por 27,4% das receitas da Saraiva. Se a Amazon pudesse adquirir somente o negócio online, isto rapidamente abriria caminho no mercado e permitiria que ela superasse vários obstáculos sem precisar se envolver com a administração de lojas físicas. No entanto, isso não faria sentido para a Saraiva. O que seria de uma rede de livrarias sem um site no mundo de hoje? É difícil imaginar a Saraiva cometendo o mesmo erro que a Borders cometeu, deixando sua presença na web brasileira desaparecer ao vender, se associar ou fazer uma joint venture com uma empresa de e-commerce como a Amazon.

Se uma negociação entre os dois grupos realmente existe, faz sentido acreditar que ela acontece em torno das opções 2 ou 3. Uma decisão entre uma dessas opções favorece ou Amazon ou a Saraiva, dependendo de qual for a direção tomada, mas a inclusão ou não das 102 lojas físicas deve ser o ponto nevrálgico da negociação.

Brasileiros, cuidado

Qualquer que seja o modelo adotado, no entanto, uma possível aquisição da Saraiva pela Amazon não é razão para que as editoras brasileiras comemorem. Se a Amazon comprar a Saraiva, a Submarino afunda, provavelmente deixando o mercado de livros – isto se não sair do mercado de vez no médio prazo – já que aquisição fortaleceria mais ainda a posição já forte da Saraiva no mercado. O resultado final seria, ironicamente, menos competição, mais consolidação e um mercado mais difícil para as editoras.

Mais cedo ou mais tarde, a Amazon fará um comunicado. E será escrito com os verbos no passado. Até lá, tudo que podemos fazer é esperar pelo próximo capítulo da novela “A chegada da Amazon no Brasil”, enquanto day traders ganham algum dinheiro com toda a confusão.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Publishing Perspectives | Clipado à partir de Tipos Digitais | Tradução: Marcelo Barbão | 19/10/2012

Roberto Feith: ‘A pirataria online pode minar a produção do conhecimento’


Diretor da Objetiva diz que seu maior arrependimento foi deixar passar a edição de ‘Harry Potter’

Não, não é porque diz sentir falta da “adrenalina da TV” que o ex-repórter carioca Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva, uma das maiores editoras de livros do País, pode ser considerado ainda jornalista, a despeito dos mais de 20 anos que deixou a profissão. Ex-correspondente da TV Globo na Europa e ex-editor chefe do Globo Repórter, Feith aceitou em 1991 a proposta de dois conhecidos e comprou 60% de uma editora inexpressiva – ela mesma, a Objetiva. Àquela altura, tocava uma produtora, a Metavídeo, após ter estado com Walter Salles na Intervídeo, que fazia trabalhos para a extinta TV Manchete. Não entendia nada de editora, mas como bom repórter diante de um furo em potencial, decidiu arriscar – seguindo critérios jornalísticos.

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz | Clayton de Souza/AE

Começou mal. Apostou numa biografia de Boris Ieltsin – política internacional era sua especialidade -, que resultou num enorme fracasso. Aos poucos, porém, foi ajustando o foco. “Como correspondente e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e o trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para contar determinada história. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, em função dessas características“, diz ele na entrevista a seguir. Confortavelmente instalado num hotel da região da Avenida Paulista, Feith conversou com uma equipe do Estado: Rinaldo Gama, editor do Sabático; os repórteres Antonio Gonçalves Filho e Maria Fernanda Rodrigues, e Ubiratan Brasil, editor do Caderno 2.

Por três horas, seu raciocínio cristalino e a fala assertiva – educada pelos sinais elétricos dos microfones e uma longa convivência com a escrita – atravessaram um largo espectro de temas ligados ao livro: o dia a dia do processo editorial, os erros [Harry Porter lhe foi oferecido com insistência e ele deixou passar], os acertos [Inteligência Emocional, que vendeu meio milhão de exemplares], pirataria online [“o Google e o Yahoo são ‘sócios’ do Megaupload”, alfineta], o futuro do e-book no Brasil e da própria literatura brasileira, para o qual, aliás, ele acenou publicando novos talentos em um número especial da revista Granta. Aos 60 anos, Roberto Feith não é mais majoritário na Objetiva: em 2005, vendeu 76% da empresa para a Santillana, que participou da criação do prestigioso jornal espanhol El País. Sim – mesmo sem a adrenalina da TV, Feith, de certo modo, está em casa.

Que interesse o senhor tinha no mercado editorial para entrar de sócio na Objetiva?

Um dos projetos importantes que fizemos na Metavídeo foi uma série de seis documentários sobre a história do cinema no Brasil. Produzimos tanto, que uma grande parte desse material fotográfico e de entrevista ficou inédito. Então, surgiu a ideia de fazer um livro usando esse conteúdo. A Nova Fronteira coeditou. Lá, o Alfredo Gonçalves e o Armando Campos tocaram o projeto comigo. Passou-se um tempo e nunca mais os vi, mas soube que seis meses depois eles saíram para criar uma editora, com o apoio de um investidor. A editora não conseguiu evoluir. Anos depois, esse sócio saiu e eles me procuraram. Foi assim que eu entrei no negócio. O meu sonho profissional era ser jornalista de imprensa escrita; entrei para a TV por mero acaso. Mas sempre fui um leitor voraz, rato de livraria. Minha mulher foi a única pessoa que me incentivou a investir numa editora. Todo mundo me dizia que eu estava maluco, que televisão era o veículo de maior poderio e projeção no Brasil, que aqui ninguém lê. Depois que entrei, continuei anos com a produtora enquanto tentava entender como funcionava o mercado e uma editora. [Gonçalves deixou a editora em 2004 e Campos, em 2006]

Quando o senhor fez o negócio, tinha um modelo de editor na cabeça?

Não. E não tinha por ignorância.

Alguma linha editoria em mente?

Hoje poderia falar sobre isso de um modo mais coerente. Na época, foi uma mistura de oportunidades que surgiam aleatoriamente com as minhas experiências pessoais. Eu me lembro de contratar direitos de tradução de muitos títulos sobre política internacional, um grave equívoco, nenhum deles vendeu nada. Era o assunto que eu conhecia e gostava. Um dos primeiros livros que compramos foi uma biografia do Boris Yeltsin. Imagine se alguém ia ler um livro do Yeltsin! Aprendi isso a duras penas. E o outro tipo de livro que a gente acabou trabalhando foram aqueles que surgiram por circunstâncias aleatórias. O Lair Ribeiro é um bom exemplo disso. Não me lembro como apareceu a oportunidade, mas aproveitamos e ele foi nosso primeiro best-seller.

Qual sua participação ao entrar na editora?

Se não me engano comprei 60% da empresa em 1991. O que veio a ser um investimento mais substantivo não foi a compra das cotas, mas sim a tentativa de fazer a editora decolar.

Quanto pagou?

Não tenho a menor ideia. Mas foi pouco. Talvez o valor de um carro usado.

Muitos editores dizem que publicam best-sellers para ter recursos que possibilitem vencer o leilão de um título de qualidade literária indiscutível. Essa também foi a estratégia da Objetiva a partir de sua entrada?

Havia a ideia de que publicando autores comercialmente potentes teríamos condições de desenvolver a editora na linha de um projeto mais consistente.

Ainda sobre best-sellers, o senhor criou a Plenos Pecados, uma série com autores de prestígio escrevendo a respeito de temas mais palatáveis. Como é a reação de autores consagrados quando se oferece a eles a oportunidade de escrever um livro para uma série como essa?

Uma das razões de montar esse projeto era atrair autores de renome para uma editora ainda sem grande visibilidade ou uma trajetória consolidada. Fiz o projeto com Isa Pessoa, que trabalhava na editora. Levou quase um ano para fecharmos a lista dos sete autores. Convidamos o Mario Vargas Llosa, e ele disse que escreveria contanto que fosse sobre a luxúria. Mas a luxúria já estava tomada pelo João Ubaldo. A coleção deu certo, trouxe autores de grande qualidade e sucesso comercial, e pudemos começar a montar a editora que sonhávamos.

E qual era essa editora?

Como disse antes, eu não tinha um modelo de editora – nem mesmo considerando as estrangeiras. Se olharmos a trajetória da Objetiva, veremos que ela não é igual a nenhuma outra. Acho que é um pouco pela experiência de vida das pessoas da equipe – havia muito o viés jornalístico.

De que modo ter atuado como jornalista contribui para o trabalho da editora?

Como repórter e correspondente internacional e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e do trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para um determinado tema, procurando como contar determinada história. Às vezes, você vê um assunto que tem consistência, que tem interesse ou relevância, mas precisa encontrar uma outra maneira de tratá-lo. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, ou a da ficção dirigida, encomendada, em função dessas características.

O modelo do publisher americano parece que vingou no Brasil – e o europeu ficou um pouco esquecido. Filho de americano, o senhor acabou unindo as duas pontas: o pragmatismo de um publisher dos EUA, atento à performance de vendas, e uma visão europeia, marcada mais pela vontade de publicar qualidade literária, independentemente dos resultados financeiros. Como se deu isso?

Ser filho de americano não teve, na prática, nenhuma influência. Como mencionei, acredito que a vivência que mais marcou meu papel na editora foi a jornalística. Acho que há pessoas que tocam editoras lendo e editando e outras não. Sou editor-geral de uma editora que faz as duas coisas. Desde o início.

Sua editora cresceu muito. O senhor ainda consegue estar em todas as frentes?

Conciliar tudo tem sido um exercício. A palavra publisher evoca uma pessoa que não edita. Não me sinto totalmente encaixado nesse conceito porque não é bem esse o meu cotidiano. Continuo avaliando manuscritos, vou a feiras, converso com os agentes.

O senhor edita algum autor que não vende, mas dá prestígio ao catálogo da editora?

Naturalmente. Prestígio, prazer de publicar. Mas essa não é uma decisão puramente romântica, porque poder publicar grandes autores, ainda que comercialmente não sejam tão bem-sucedidos, é uma forma de você qualificar o selo e atrair outros escritores. Tem outro componente relevante no universo editorial brasileiro: esses grandes autores podem não vender muito, mas periodicamente são adotados num vestibular ou entram numa compra pública. Lobo Antunes é um exemplo disso. Os Cus de Judas foi um livro dele que vendeu mais de 20 mil exemplares por causa de um vestibular.

Qual foi o seu maior sucesso de vendas?

Comédias Para se Ler na Escola, do Verissimo. Mais de 1 milhão de exemplares.

Quando seguiu sua intuição na hora de adquirir um livro, qual foi seu maior equívoco e o maior êxito?

O maior equívoco é fácil. Tessie Barham, hoje uma importante agente literária, nos ajudava na avaliação de textos. Naquela época, ela ainda estava tateando e me propôs uma série juvenil maravilhosa, a Fronteiras do Universo, de Philip Pullman. Compramos, investimos pesado em marketing, e nada aconteceu. Paradoxalmente, anos depois vendeu mais de 100 mil exemplares.

E o arrependimento?

Foi nos anos 90. Um dia, Tessie me mandou um e-mail assim: “Roberto, tem aqui outro livro juvenil para você comprar. Muito bom, você tem de comprar. Chama-se Harry Potter.” E eu: “Olha, Tessie, me desculpe, mas não vou comprar.” Ela ficava mandando e-mail dizendo que eu iria me arrepender. E eu: “Tessie, lembra o que aconteceu com o Pullman?” Bem, ela estava certa, claro; eu me arrependi amargamente. Errei e continuo errando. Mas se o editor ficar desanimado quando errar, ele vai mudar de profissão.

Algum outro acerto?

Nessa linha um pouco anedótica da intuição e do imponderável, comprei os direitos de um livro que vendeu maravilhosamente bem [meio milhão de exemplares], que foi o Inteligência Emocional, do Daniel Goleman. Li o informe do nosso scout e intuitivamente achei aquilo muito forte. Entrei no leilão em Frankfurt, suei, mas consegui.

Os grandes livros não são mais vendidos em Frankfurt, são? Perdeu-se um pouco do frenesi dos leilões?

Hoje, os agentes literários e as editoras que têm uma grande oferta de direitos autorais para tradução, deliberadamente, esperam até a véspera da feira para distribuir alguns de seus títulos mais potentes, porque eles compreendem que a dinâmica da pré-feira leva a uma disputa mais acirrada pelos editores de cada país por aqueles direitos.

Os brasileiros estão pagando valores irreais nos leilões?

Houve num passado recente e continua havendo uma exuberância irracional, para tomar emprestada uma expressão do Alan Greenspan, em relação à compra de direitos de tradução. Adquirir um livro que exija torná-lo um mega best-seller para recuperar esse investimento é um exercício perigoso. Isso é realidade e tem a ver com o aumento da concorrência.

Enquanto as grandes editoras criam selos para organizar melhor o catálogo, as de menor porte têm se especializado em determinado segmento. Isso terá lugar no futuro ou acha que as pequenas serão incorporadas por grandes grupos?

Sempre houve e haverá espaço para pequenas editoras focadas em determinados nichos. Isso não é novo. Novo são editoras importantes buscando diversidade de linhas de atuação criando novos selos, de uma forma semelhante ao que adotamos há cinco anos. Isso está acontecendo de forma sistemática. A tendência é que nenhuma editora se limite a atuar só num gênero.

O que leva a isso?

Hoje, a diversidade é um bem em si no mercado editorial, dado o grau de competição visto na última década.

No início do ano, o senhor escreveu um artigo investindo contra a campanha das gigantes da internet contra a lei antipirataria. Como vê o futuro do mercado digital, as leis antipirataria?

Fico feliz que tenham levantado esse assunto, que é importante. Vivemos a era do conhecimento. A produção do conhecimento é fundamental para o avanço de qualquer país. E esse tipo de produção tem de ser incentivada, e não minada. As empresas, ou pessoas, que defendem a pirataria online, ou a cópia irrestrita online, estão minando a produção do conhecimento nos seus respectivos países. Da mesma forma que não existe o milagre da multiplicação dos peixes, não existe o milagre da multiplicação do conhecimento. Sua produção exige formação, trabalho, investimento, e tudo isso tem de ser remunerado. Ninguém imagina que uma pessoa possa entrar numa livraria, pegar uma dúzia de livros e sair sem pagar. Mas algumas pessoas argumentam que na internet você pode e deve fazer isso.

A Objetiva sofre com a pirataria?

O Sindicato Nacional de Editores apoia um grupo de trabalho que identifica a oferta de conteúdo ilegal e pirata online. Em maio, no caso da Objetiva, havia 1.600 títulos oferecidos ilegalmente – 90% em um só site, o Fourshared. Esse site americano está ganhando dinheiro com escritores que publicamos, e alguns deles são brasileiros. Para isso as pessoas não atentam. O Fourshared e o Megaupload não têm estrutura para vender publicidade pelos quatro cantos. Eles usam estruturas criadas para esse fim por grandes corporações da internet, como o Google e o Yahoo. Então, o Google e o Yahoo são “sócios” do Megaupload e, indiretamente, se apropriam de obras dos escritores brasileiros para faturar milhões de dólares. E faturam literalmente milhões de dólares. Assim, quando uma grande corporação da web defende a pirataria na internet, argumentando que é uma questão de liberdade de expressão, estamos diante do mais puro oportunismo e demagogia. É preciso que a sociedade se conscientize, porque se a pirataria for consolidada como prática na web, a produção de conhecimento vai atrofiar aqui, e o brasileiro será obrigado a consumir conhecimento produzido nos países onde essa atividade é estimulada.

No momento em que o e-book se difundir efetivamente, o que o livro impresso precisará ter para não perder vendas?

O e-book é coisa do futuro e será uma coisa do presente. Mas eu não vejo o livro físico sendo a parte menor do mercado. Não vejo o digital ocupando a maior parte do mercado brasileiro no horizonte de uma década.

A Objetiva tem uma equipe focada na questão do livro digital?

Não, acho isso um erro. Todos têm de entender do digital para fazer seu trabalho. Mas uma das coisas que fiz tendo em vista essa transformação foi propor a criação da Distribuidora de Livros Digitais, que toma grande parte do meu tempo e tem como sócias as editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, L&PM e Novo Conceito.

Por que uma distribuidora?

Quando formamos a DLD, pretendíamos participar da definição de como o livro digital iria se consolidar e se implantar no Brasil. Essa preocupação se traduz em três objetivos. Primeiro, trazer para o consumidor brasileiro o que existe de melhor no exterior, em termos de experiência de consumo de livro digital, sem que isso signifique que empresas vindas de fora tenham condições de concorrência, no relacionamento com as editoras, superiores àquelas disputadas pelas empresas brasileiras que atuam no entorno digital. Segundo, garantir uma oferta diversificada e ampla de conteúdo. E terceiro, trabalhar com preços que sejam atraentes para o consumidor, mais baratos que o livro impresso, mas que remunerem o trabalho do escritor, da editora e da livraria.

De quanto é o desconto da DLD?

Nosso e-book tende a ser de 30% a 40% mais barato que o livro impresso; em julho, o preço médio do livro vendido pela DLD foi de cerca de R$ 16. Ou seja, menos que US$ 9.

Como estão as negociações com as empresas estrangeiras que querem atuar no País?

Estamos conversando com cinco empresas e muito perto de fechar acordos – acho que até o fim do ano teremos novidades. Para que o livro digital dê corda no Brasil, precisamos de três coisas: dispositivos de leitura bons e baratos, livrarias virtuais com facilidade de uso e oferta ampla e diversificada de títulos pelas editoras. A conclusão desse tripé é que teremos, ainda este ano, dispositivos de leitura lançados aqui, de primeira geração, a preços acessíveis. Penso que teremos o primeiro Natal digital.

Quais são as cinco estrangeiras que estão negociando para atuar aqui?

Amazon, Apple, Google, Kobo e nós, na Objetiva, estamos negociando com a Barnes & Noble, mas não para o Brasil.

Falamos em concorrência, em e-book, mas existe também a questão da territorialidade. Até pouco tempo atrás, era possível comprar um e-book de um autor português editado no Brasil pela Alfaguara diretamente da editora portuguesa desse autor.

Você está se referindo a um livro de António Lobo Antunes. Foi uma falha da editora portuguesa, já foi sanada. Isso se chama territorialidade. Hoje, quando você faz o upload de um título, tem de indicar para que países tem os direitos de venda.

Como fazer para que as pessoas leiam independentemente de obrigações escolares ou profissionais? Há, de modo recorrente, a queixa de que o livro no Brasil é caro.

O Snel e a Câmara Brasileira do Livro vêm contratando pesquisa de mercado há mais de uma década, que é feita pela Fipe. A última pesquisa, de 2011, identificou que no setor de obras gerais o número de lançamentos aumentou 8,6%, o número de exemplares vendidos aumentou 0,2%, e o faturamento, em reais, caiu 11%. Se considerar o acumulado de 2004 até 2011, em obras gerais, em valores nominais, a queda no preço médio foi de 26%. Em valores reais, compensados a inflação, 45% de redução. Eu pergunto: que outro produto teve uma queda de 45% no seu preço médio, real, nos últimos sete anos?

Por que o preço caiu?

Competição, competição. Há outros fatores: Avon, com vendas de porta em porta, os selos de bolso, a desoneração, no caso de livros de obras gerais.

Essa queda está chegando ao limite?

Sim. A criatividade dos editores está sendo cada vez mais exigida. Acredito que as margens têm sido comprimidas por esses processos. O que aconteceu de 2007 para 2011 não pode se repetir. A tendência é desacelerar, mas não posso afirmar que não haverá mais uma queda de preço.

A Alfaguara Brasil lançou recentemente uma edição da Granta com novos talentos do País. Essa seleção consolidou alguns autores que, nos últimos anos, começaram a se posicionar como promessas. O que sua editora, dentro ou não da Granta, faz para descobrir, de fato, novos valores na ficção?

A maioria das editoras que publicam ficção está sempre louca para encontrar jovens talentos. Eu sei que muita gente comenta que é difícil conseguir ser publicado, mas é difícil encontrar talento também. Temos conseguido atrair grandes autores da literatura brasileira, nomes como João Ubaldo, João Cabral de Melo Neto, e agora o Mário Quintana. Mas fiquei preocupado que o selo se tornasse clássico demais, com pouca vitalidade e criatividade. Por isso, temos feito grande esforço para encontrar e trazer jovens autores. Hoje em dia, temos quatro ou cinco novos escritores com muito potencial. Laura Erber é uma jovem que tem muito a dizer, domina a técnica da escrita. O Ricardo Lísias nem se fala, ele é completamente original, uma coisa difícil de encontrar.

Fazer uma seleção como a da Granta é uma experiência de risco.

Sim, dá dor de cabeça. Mas olhando em retrospecto, posso dizer que deu tudo certo. Estávamos preocupados. Quando anunciamos o projeto, não sabíamos se seria bem-sucedido. Era efetivamente um risco. A primeira coisa que nos tranquilizou foi a quantidade e a qualidade de textos submetidos. Depois, conseguimos montar um grupo de jurados de inegável qualidade e qualificação. O resultado da revista foi muito bom. Há desigualdades, diversidade. Alguns textos são melhores que os outros e nunca tive expectativa de achar que os 20 seriam extraordinários, isso não acontece em coletânea nenhuma. O resultado tem quantidade suficiente – na minha opinião pessoal – de escritores de talento para que se possa dizer: está justificado o esforço.

Leituras afins

O LIVRO NO BRASIL: SUA HISTÓRIA, DE LAURENCE HALLEWELL [VÁRIOS TRADUTORES, EDUSP, 816 PÁGS., R$ 253]
MOMENTOS DO LIVRO NO BRASIL. ORGANIZAÇÃO/EDIÇÃO: ÁTICA [216 PÁGS.; ESGOTADO – PROCURE EM SEBOS]
COLEÇÃO EDITANDO O EDITOR, VOL. 3 – ÊNIO SILVEIRA [EDUSP, 168 PÁGS., R$ 28]
A QUESTÃO DOS LIVROS, DE ROBERT DARNTON [TRAD. DE DANIEL PELLIZZARI, COMPANHIA DAS LETRAS, 232 PÁGS., R$ 45]

Por Rinaldo Gama, Antonio Gonçalves Filho, Maria Fernanda Rodrigues e Ubiratan Brasil | O Estado de S. Paulo | 24/08/2012

Livro digital conquista confiança do mercado


Grandes livrarias e editoras acreditam que os e-books ganharão espaço no mercado nacional em 2012 e 2013

As apostas nos livros digitais estão em alta. Grandes livrarias e editoras acreditam que os e-books ganharão espaço no mercado nacional em 2012 e 2013. As projeções mais otimistas os colocam como responsáveis por 10% do faturamento das vendas do setor em 2014. O índice em 2011 foi 0,025%. A esperança está depositada na chegada de gigantes internacionais e na produção doméstica de tablets, que poderá baratear os aparelhos.

Segundo a Câmara Brasileira do Livro [CBL], há cerca de 10 mil títulos em formato digital no País. Desses, 5.235 foram lançados em 2011, conforme pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo [Fipe/USP]. “A maior produção ocorreu no último período. Então, também deve haver um número significativo em 2012”, diz a presidente da CBL, Karine Pansa, que não arrisca projeções. A receita com vendas de e-books foi de R$ 868 mil.

O diretor-presidente da Saraiva, Marcílio Pousada, considera o e-book um negócio importante para a empresa, cujo acervo digital é de 10 mil títulos em português e 240 mil em inglês. “Estamos nos preparando com força, inclusive vendendo tablets. Também desenvolvemos um software de leitura”, diz Pousada, que espera fechar o ano com a oferta de 16 mil títulos nacionais.

A ideia de oferecer aparelhos de leitura para impulsionar a venda de conteúdo deu certo com a Amazon, nos Estados Unidos. Desde que o Kindle, e-reader da empresa, foi lançado, em 2007, os e-books vêm ganhando mercado. Em 2011, tinham 15%, ante 6% em 2010, conforme a Association of American Publishers.

Agora, a Amazon pretende entrar no Brasil. O início das operações está previsto para o último trimestre deste ano, mas já existem negociações com empresas locais, como as distribuidoras de e-books Xeriph, que reúne cerca de 200 editoras, e DLD, formada por sete. Comenta-se, porém, que há dificuldades para fechar acordos com a multinacional, que se recusaria a aceitar peculiaridades do mercado nacional, como a divisão de receitas. A companhia foi procurada pela reportagem, mas não se pronunciou.

Outras livrarias

Outras grandes livrarias virtuais também devem aportar no País. A Google eBookstore, a iBookstore [da Apple], a Barnes & Noble e a Kobo, por exemplo, negociam com a Xeriph, de acordo com o CEO da empresa, Francisco Paladino. “Ainda neste semestre, deveremos ter dois contratos em operação e três assinados.” Segundo ele, o catálogo da Xeriph tem 10 mil livros e deve alcançar 12 mil até o fim de 2012.

As esperanças também recaem sobre a fabricação de tablets no País, estimulada com incentivos fiscais e iniciada em 2011, por Samsung, Motorola, Semp Toshiba, Positivo e Aix. A estrela do setor é a Foxccon, que produz iPads em Jundiaí [SP] . O governo espera que os preços caiam 40%. Para o especialista em livros digitais Ednei Procópio, da CBL, porém, a popularização dos tablets não dependerá das grandes companhias. “Elas sempre vão lançar equipamentos de grife. Mas haverá quem faça modelos mais acessíveis.”

POR TIAGO CISNEIROS e VANESSA BELTRÃO | Especial para o Estadão | 12/08/2012

Mercado começa a aquecer e Cosac se rende


A Cosac Naify, que até agora não tinha apostado no livro digital, se rende às novas tecnologias e contrata Antonio Hermida para cuidar dessa área. Ele, que deixa o cargo de gerente de produção de e-book da Simplíssimo, no Rio, e se muda para São Paulo, começou na Zahar, pioneira na edição digital. O momento é propício.

Segundo Roberto Feith, diretor da Objetiva e idealizador da DLD, a distribuidora de livros digitais formada pela própria Objetiva, além de Sextante, Record, Rocco, Planeta, L&PM e, desde ontem, pela Novo Conceito, até o fim do ano o e-book terá uma participação mais efetiva no mercado de livros do Brasil. Isso porque essas e outras editoras estão assinando contrato com a Amazon – o vice-presidente da empresa está em São Paulo esta semana -, Apple, Google e Kobo. Sozinha, a Objetiva negocia com a Barnes & Noble para suas obras serem vendidas pela rede americana. O mercado, ínfimo em 2011 – segundo a última pesquisa Fipe Produção e Venda de Livros foram vendidos 5.235 e-books aqui em 2011 -, vem sendo lentamente aquecido. A Companhia das Letras, por exemplo, vendeu 9 mil e-books só no primeiro semestre de 2012.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 11/08/2012

Os eBooks estão chegando


O desembarque da Amazon e da livraria digital da Apple no Brasil agita as editoras nacionais e promete mudar o hábito de leitura de milhões de brasileiros

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

A constante reclamação de que o brasileiro lê pouco não incomoda os executivos da Amazon e da Apple, os dois gigantes globais dos livros eletrônicos. Esse “pouco” foi suficiente para fazer com que pelo menos um deles chegue ao País em breve, segundo rumores do mercado editorial. Aproveitando os entraves que tomaram conta das já avançadas negociações entre a Amazon – maior livraria online do mundo – e as editoras nacionais, a Apple mandou executivos para o Brasil, que já teriam firmado acordos para começar nas próximas semanas as vendas de títulos em português pelo aplicativo iBooks, disponível para iPad.

Apesar de planejar o início das operações no Brasil para o segundo semestre, a Amazon pretendia ter em seu portfólio pelo menos 100 editoras nacionais, mas fechou acordo com apenas dez, sendo só uma de grande porte. Está claro, portanto, que o grande obstáculo para a implantação da loja virtual criada pelo americano Jeff Bezos, presente em nove países e criadora do leitor Kindle, é vencer a resistência das editoras brasileiras. Segundo fontes ouvidas por ISTOÉ, elas temem sofrer represálias das livrarias físicas presentes no País, caso fechem um acordo com a Amazon.
Outro entrave é o contrato-padrão da livraria eletrônica, com cláusulas que incluem o acesso a todo o catálogo da editora para a digitalização, pedidos de exclusividade e comissões em torno de 50% do preço. No Brasil, esse percentual para as edições em papel é, em média, de 35%. A demora nas negociações e a chegada da Apple podem fazer com que a Amazon flexibilize suas regras. Mas Bezos é conhecido pela agressividade nos negócios. Uma das alternativas que ele tem na manga é entrar de sola também no mercado tradicional de livros de papel, tranquilizando as editoras que temem um boicote das livrarias. Cabe lembrar que a Amazon surgiu na era anterior aos e-books, vendendo obras de papel na internet.

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

É uma questão de mercado. Alguém vai acabar cedendo”, diz Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL], que promove um congresso sobre obras digitais em maio. Se apenas a Apple firmar um acordo com as maiores editoras brasileiras, nada muda para a publicitária Alana Della Nina, que comprou um Kindle nos EUA há dois anos e adquire ao menos quatro e-books [em inglês] por mês na Amazon americana. “O Kindle é quase prosaico. Essa é a grande sacada dele. O iPad não serve para ler textos grandes. A leitura se torna desconfortável em pouco tempo”, diz.

A mesma opinião tem a escritora Thalita Rebouças, que já vendeu mais de um milhão de livros de papel. “Tenho iPad e Kindle e adoro os dois”, diz. “Mas o primeiro é bom para assistir a vídeos e ler, no máximo, uma revista. Já o outro é leve e tem uma tela tão confortável para os olhos quanto o papel”, compara. Dos 13 títulos publicados pela autora, nove estão disponíveis no formato e-book nos sites de livrarias como Saraiva, Cultura, Submarino e Positivo, entre outras.

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Para ter mais poder de barganha nas negociações das versões eletrônicas de seus títulos, a editora que publica as obras de Thalita, a Rocco, se uniu à Record, Sextante, L&PM, Planeta e Objetiva – as maiores do País – para formar a DLD [Distribuidora de Livros Digitais]. “É muito bom para o autor que o trabalho esteja disponível em vários formatos”, diz Thalita. “Mas o papel ainda tem uma longa vida pela frente.

Os defensores do e-book argumentam que ele sempre será mais barato [em torno de R$ 20] por não ter o custo de impressão. Mas nem todos concordam. “O livro digital é barato porque parte do preço é dividido com o título impresso”, diz Marcelo Duarte, jornalista e diretor-editorial da editora Panda Books, que tem 42 de seus 380 títulos em versão para iPad. Ele acredita que versões exclusivas para e-readers serão mais salgadas. “A impressão é apenas parte do custo. Há outros processos, como diagramação, tradução e edição”, afirma Duarte.

Uma coisa é certa: não dá mais para desprezar o mercado brasileiro. Mesmo não havendo dados sobre as vendas por aqui, o enorme potencial é consenso. O segmento educacional é prova disso. O Ministério da Educação e Cultura [MEC] realizou recentemente um pregão para adquirir 900 mil tablets. Os equipamentos serão repassados aos professores do ensino médio das escolas públicas ainda este ano. Não por acaso, a Apple estaria apostando no segmento de livros eletrônicos didáticos.

Independentemente de a Apple ou a Amazon virem para o Brasil, as empresas daqui estão estabelecidas e são bem-sucedidas”, defende Karine, da CBL. Recém-chegada de um dos maiores eventos do setor, a London Book Fair, na Inglaterra, ocorrido na semana passada, Karine ficou impressionada com o interesse dos estrangeiros pelo País. “Quando eu dizia que era brasileira, invariavelmente ouvia: ‘O Brasil está bombando!’”, conta. De fato, o País atrai quem domina o segmento como uma mina de ouro.

Quando a Amazon lançou o Kindle nos EUA, em 2007, o mercado de e-books americano praticamente não existia. Hoje, no entanto, a empresa vende mais livros digitais do que em papel. Segundo a Associação Americana de Livros, as vendas de e-books naquele país cresceram 117% em 2011. Com cada vez mais brasileiros tendo acesso a bens de consumo e à cultura, não é de admirar a ferocidade com que os gigantes da tecnologia estão travando a guerra pelo nosso mercado.

Por André Julião | Publicado originalmente por Isto É | 24/04/2012

Apagão de eBooks na Cultura


Rede perde títulos devido a problemas no servidor e falta de backup

A Livraria Cultura enfrenta um “apagão” de e-books desde quarta-feira passada, 11, devido a um problema em um servidor da empresa onde ficam hospedados os títulos digitais das editoras brasileiras. Segundo o site Revolução eBook, que noticiou o problema, a falta de backup teria feito com que inúmeros títulos fossem perdidos e não pudessem ser restaurados, de forma que vários e-books ficaram indisponíveis para venda nos últimos dias. Apenas os títulos fornecidos pela DLD [agregadora das editoras Sextante, Objetiva, Planeta, Record, L&PM e Rocco] e os e-books da editora Leya, que também tem distribuição própria, não teriam sido afetados. Procurada pelo PublishNews, a Cultura informou que de fato teve problemas com seu servidor e que estes “estarão resolvidos nos próximos dias”, mas não deu detalhes, nem confirmou ou negou as informações veiculadas.

A estimativa divulgada pelo Revolução eBook é que cerca de 3,5 mil livros digitais tenham sido perdidos – em março, a Cultura informou ter cinco mil e-books brasileiros em seu catálogo, número relevante no mercado nacional, embora menor que os catálogos de Saraiva, Gato Sabido e Iba, por exemplo. O site informou ainda que a Cultura estaria se preparando para começar a trabalhar com a Xeriph, distribuidora que tem um dos maiores catálogos do país e que é do mesmo grupo que a Gato Sabido, para restaurar o mais rapidamente possível a venda de livros digitais. A rede não confirma.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 17/04/2012

Ciência Moderna cria distribuição digital própria


Há dois anos, a Ciência Moderna decidiu criar uma ferramenta própria para distribuir seus e-books, ao invés de usar o serviço dos chamados agregadores que já operam no Brasil – como a Xeriph ou, recentemente inaugurada, a Acaiaca Digital. Na semana passada, a editora carioca especializada em livros técnicos e científicos colocou no ar esse sistema, que permitirá disponibilizar os cerca de 110 livros eletrônicos que possui em catálogo para qualquer livraria que tenha uma operação de comércio eletrônico.

Já fechamos acordo com quatro pequenas redes para a venda de nossos e-books, e a ideia é negociar com vários outros nos próximos meses, grandes e pequenos”, afirma George Meireles, gerente da Ciência Moderna. Segundo ele, há por parte da editora uma preocupação em mostrar para os livreiros menores, especialmente, que a venda de livros digitais não é nenhum bicho de sete cabeças. “Muitos nos ligavam insistentemente querendo saber se o negócio de e-books estava restrito às empresas que dispõem de tecnologia. Queremos desmistificar a operação digital e mostrar que ela é muito simples.” Para isso, a casa elaborou um manual com as instruções para que os e-commerces consigam oferecer seus títulos.

A Ciência Moderna começou a vender e-books em março do ano passado em seu próprio site. Meireles explica que é uma característica da empresa ter o controle direto sobre as várias etapas do negócio do livro, por isso o investimento em gráficas próprias e, agora, num agregador.

No Brasil, há outros exemplos de editoras que controlam diretamente a distribuição de seus livros digitais. A multinacional Leya é uma delas. A multinacional Leya é uma delas. Já Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM fazem o mesmo por meio da distribuidora DLD, da qual são sócias.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 14/02/2012

Acaiaca inaugura plataforma digital


Até o fim de março, distribuidora pretende oferecer o acervo de e-books brasileiros para varejistas nacionais e internacionais

Depois de 46 anos atuando como distribuidora de livros físicos, a Acaiaca inaugurou em dezembro sua plataforma para distribuir e-books. Foi uma espécie de “soft-opening”, com um total de 300 títulos eletrônicos incluídos. Agora, o número chega a 600 e deve passar para pelo menos três mil até o fim de março, porção que engloba os e-books mais relevantes do acervo existente no país, calculado em dez mil títulos – só para comparação, a empresa trabalha com 70 mil títulos ativos no mercado de livros físicos.

O objetivo da Acaiaca Digital é atender as principais plataformas nacionais e internacionais de varejo. Por enquanto, foi fechado um acordo de distribuição com a Amazon, varejista on-line americana. Outros estão em processo de negociação, afirma José Henrique Guimarães, presidente da empresa, sem dar detalhes.

O plano de entrar no mercado digital começou há três anos, quando o empresário vislumbrou que as novas tecnologias eletrônicas causariam mudanças radicais na cadeia do livro. O primeiro mês da Acaiaca Digital reforçou a percepção de que as transformações serão aceleradas. “Estou bastante surpreso com a recepção do mercado”, afirma Guimarães. “2012 será um grande ano para o mercado digital no Brasil e a expansão será rápida nos próximos três anos”, diz.

Guimarães chama atenção para o fato de que mais editoras estão dispostas a publicar seus best-sellers e seus títulos novos na versão digital, o que deve ser um incentivo para a leitura de e-books. Além da maior oferta de títulos, o executivo também prevê uma redução no preço das publicações eletrônicas e o surgimento de tablets mais acessíveis.

Entre os serviços prestados pela Acaiaca Digital, estão armazenagem, conversão e distribuição de e-books, gerenciamento das vendas e pagamentos. Para o futuro, há planos de oferecer impressão sob demanda. “No Brasil, ainda se pensa em impressão sob demanda como um serviço para tiragens pequenas. Mas é, na verdade, a possibilidade de as editoras trabalharem com estoque zero”, afirma.

A Acaiaca Digital vai disputar o mercado com outras distribuidoras de publicações eletrônicas já estabelecidas, como a Xeriph, a DLD e a Singular. A distribuidora do grupo Abril, Iba, também deve entrar em operação este ano.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 05/01/2012

Livro eletrônico ainda engatinha no País, mas já mobiliza mercado editorial


Crescente consumo de conteúdo digital está transformando a indústria de dispositivos móveis, livrarias, editoras e distribuidoras

Prever se o iPad será mesmo o aparelho queridinho nos próximos dez anos ou se um e-reader [aparelho para leitura digital] tem condições de desbancar os tablets parece dúvida sem resposta no terreno da tecnologia. Mas o crescente consumo de conteúdo digital, ao contrário, é consenso. O e-book [livro eletrônico], especialmente, está transformando tanto a indústria de dispositivos móveis como livrarias, editoras e distribuidoras brasileiras.

A Xeriph, espécie de depósito virtual de 5,5 mil e-books que conecta editoras a livrarias, recebia 1 ou 2 títulos virtuais por semana em dezembro de 2010, ano de sua criação. Hoje, são mais de 100. As editoras parceiras, no mesmo período de comparação, saltaram de 20 para 170 – aproximadamente 90% do total de editoras envolvidas na produção de e-books no Brasil.

Esse avanço pode ser visto com nitidez nas livrarias, que agora incorporam em seu quadro de funcionários equipe dedicada apenas aos livros digitais. Na Cultura, o volume de e-books vendidos dobra a cada três meses e a receita desse setor chega a 1% do faturamento total da companhia, R$ 300 milhões no ano passado.

Como caminhamos, a participação dos e-books nas vendas totais será de 5% em 2013“, diz o coordenador da equipe de e-books da Livraria Cultura, Mauro Widman. A concorrente Saraiva, sem revelar valores, também mostra progresso. Sua loja de livros virtuais ocupa a 60.ª posição entre as 103 lojas físicas no quesito vendas, acima até da loja da Rua Augusta, endereço movimentado em São Paulo.

Apesar do crescimento constatado, estimar quanto a venda de e-books movimenta no País, no momento, é difícil. Na maior parte das livrarias e editoras, a participação marginal do e-book em relação ao faturamento total do negócio cria a política de não abrir os valores. Isso deve mudar quando o Brasil chegar perto dos Estados Unidos. Em 2010, a receita do setor editorial com livros virtuais foi de US$ 878 milhões no país, segundo a Associação de Editoras Americanas.

Milagre. O acervo brasileiro de e-books tem cerca de 7 mil títulos, incluindo produções nacionais e estrangeiras, apontam estimativas do mercado. O da Amazon, pioneira no segmento, tem 950 mil títulos. Seria medíocre a posição do Brasil, se não analisadas as particularidades do setor.

Duda Ernanny, presidente da Xeriph e da primeira livraria digital do País, a Gato Sabido, diz ser um milagre a empresa ter uma pequena margem de lucro. “Ainda não há uma boa base de leitores digitais no País, nosso acervo é pequeno, os direitos autorais para obras virtuais não estão inclusos em antigos contratos com escritores e os aparelhos são caros.

O iPad, lançado há um ano a R$ 1.650 na versão mais simples, foi o responsável pelo estímulo dos e-books no Brasil. Mas e-readers, como o Kindle, não pegaram por aqui. Afinal, o que compensa mais: um aparelho de R$ 800 que serve para ler livro ou um de R$ 1.700, para também navegar na internet, tirar foto, gravar vídeo e muito mais?

Esse fator colabora com a projeção de mais de 400 mil tablets vendidos em 2011, de acordo com a empresa de pesquisa IDC. Para a indústria, seriam 400 mil bibliotecas em potencial. O problema, por ora, continua sendo o pequeno acervo. “Em vez de muitas obras para poucas prateleiras, hoje temos muitas prateleiras para poucas obras“, diz Hernanny.

Pouco a pouco. O movimento nas editoras mostra que as prateleiras vagas no ciberespaço serão preenchidas pouco a pouco. A Zahar, uma das primeiras a produzir livros digitais no Brasil, hoje tem 450 e-books em seu catálogo, o equivalente a 1% de seu faturamento. Sextante, Objetiva, Record, Rocco, L&PM e Planeta devem terminar este ano com 1,2 mil livros digitais, distribuídos pela empresa que criaram em conjunto, a Distribuidora de Livro Digital. Sua previsão de faturamento é de R$ 1,5 milhão.

Na Campus Elsevier – braço da secular editora holandesa Elsevier, que já publicou teses do físico Galileu Galilei -, a atenção se volta para os livros virtuais. São 500 e-books, com a expectativa de mil para o fim do ano que vem. O presidente da empresa, Igdal Parnes, garante ser o maior acervo do Brasil.

O processo de inserção dos e-books no mercado é lento, diz o executivo. “Em termos de produção editorial, ele não é necessariamente mais barato. O e-book não demanda impressão, mas exige infraestrutura tecnológica para armazená-lo. E a parcela de dinheiro referente ao direito autoral é maior quando o livro é digital.

Nesse caso, o autor fica com 25% do dinheiro recebido pela editora com o valor de capa. Quando o livro é físico, 20% vai para o autor.

Além disso, não é simples transformar o arquivo do livro [o encaminhado à gráfica] em e-book. O melhor formato para leitura de livros em aparelhos eletrônicos é o e-pub, cujo custo é de R$ 209 por conversão.

Ou seja, isso pesa para editoras que querem milhares de livros em e-pub. Essa seria a principal razão para a predominância de livros em pdfs no acervo brasileiro.

POR NAYARA FRAGA | O Estado de S.Paulo | 10 de dezembro de 2011, às 3h10

eBooks brasileiros em pauta na PublishersLaunch


Sérgio Machado, da Record, foi o representante brasileiro no painel que reuniu editores da Itália, Alemanha, China e Estados Unidos

Sérgio machado

A possibilidade de crescimento do mercado brasileiro de livro digital está na mira de editores internacionais e a organização da Conferência PublishersLaunch escolheu Sérgio Machado, presidente do Grupo Record, uma das editoras que integram a distribuidora de livros digitais DLD, para contar o que o Brasil anda fazendo nesse sentido. O painel, realizado nesta segunda-feira, dia 10, em Frankfurt, contou ainda com a participação de Riccardo Cavallero, da Mondadori [Itália]; Kris Kliemann, da Wiley [Estados Unidos]; Michale Justus, da S. Fischer Verlag [Alemanha].

Para Machado, em três anos os e-books devem ter 10% de market share no Brasil. Mas isso só vai acontecer se houver um número razoável de e-books, e-readers baratos e se a compra for fácil. Depois disso, ele acredita, o crescimento será muito rápido.

Entre os assuntos abordados estava o interesse da Amazon pelo país, e ele contou que a empresa não pretende concorrer na venda de livros impressos. “Ela entendeu que pode ser um pesadelo distribuir livros no Brasil”, completou. Por outro lado, sabe-se que Amazon já está conversando com a DLD, editoras e livrarias para conhecer o mercado e organizar sua estratégia. E que também está procurando um profissional para representá-la em São Paulo.

Por fim, Sérgio Machado disse que o exemplo da Barnes & Noble, rede de livrarias que se aventurou pelo mundo digital e criou o seu próprio e-reader, é de grande valia e pode ser muito útil se quisermos chegar logo no mesmo nível dos outros países. E chegou a fazer previsões: “Cedo ou tarde, um player local vai fazer um acordo com a Barnes & Noble para usar a tecnologia dela e acelerar o processo para poder concorrer com a Amazon”.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 11/10/2011

Na era do eBook, Bienal do Rio é analógica


Evento brasileiro menospreza livros digitais; visitantes utilizam tablets para acessar redes sociais e tirar fotos

Para diretora da feira, mercado ainda não começou no Brasil; Ziraldo autografou tablets com HQ digital

A era do livro digital já começou: e-books são lançados diariamente e os aparelhos para leitura proliferam.

Quem passeou pela Bienal do Livro do Rio, encerrada ontem, viu poucos sinais desse novo mercado.

Em sua 15ª edição, a feira foi um típico evento do século 20, feito para, grosso modo, vender papel. Nas raras editoras em cujos estandes havia algum sinal de e-books, o que se via era um ou dois tablets ou e-readers encostados num canto.

O mercado do livro digital ainda não começou no Brasil“, disse à Folha Sonia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [que organiza a Bienal]. “Ele vai ter uma virada quando os aparelhos digitais de leitura se popularizarem.

Nesse sentido, a feira poderia ter começado a conscientização com seu estande Bienal Digital, onde havia 16 tablets de fabricantes distintos, todos atraindo muitos visitantes -estes, no entanto, nada liam: jogavam, navegavam na web e tiravam fotos.

Os e-books foram mais discutidos do que vistos e lidos -houve palestras sobre eles e um colóquio para debater as bibliotecas da era digital.

Uma das apresentações contrariou a noção de que o mercado do livro digital ainda não começou no país. Carlos Eduardo Ernanny, criador da Xeriph [distribuidora de e-books que reúne mais de 150 editoras], disse já ter um catálogo de mais de 6.000 títulos digitais, a maior parte de editoras pequenas.

Quando se olha para as grandes editoras nacionais, o cenário é diferente: a DLD, distribuidora de e-books que reúne Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM, tem hoje 650 títulos nesse formato, nem 1% do acervo total dessas editoras.

Nos bastidores, não há editora no Brasil que não esteja se mexendo“, disse Pascoal Soto, da LeYa. “Estamos atrasados em relação a Europa e EUA, mas temos de nos mexer para sobreviver.

FEIRA DE E-BOOKS?

Se os efeitos da tecnologia no mercado editorial foram debatidos, a discussão sobre como será uma bienal de e-books ainda é incipiente.

A gente tem até brincado sobre isso, se perguntando se, quando o mercado migrar para o digital, a feira vai continuar“, disse Sonia Jardim.

Um exemplo de como a feira pode continuar existindo em versão digital foi dado por Ziraldo, que lançou uma HQ para o iPad e esteve no estande da editora Melhoramentos para autografar tablets.

O esquema é análogo ao dos livros tradicionais: o leitor leva a obra [no caso, 15 fãs levaram iPads com a HQ] e o autor a autografa [em uma parte criada especialmente para isso] no aparelho.

POR MARCO AURÉLIO CANÔNICO | DO RIO | Para a Folha de S.Paulo | 12 de setembro de 2011

O que se ganha em um congresso?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Nos dias 26 e 27 de julho passado aconteceu o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Foram doze eventos, entre palestras e mesas-redondas, além da apresentação de trabalhos científicos em uma sala anexa. Boa frequência, apesar do preço salgado. Poucas perguntas e ainda menos discussões. A plateia permaneceu passiva depois da maior parte das palestras/mesas-redondas, e mesmo as perguntas feitas não provocaram grandes discussões.

Não pretendo comentar todas as palestras ou discussões. Quero apenas chamar atenção para alguns tópicos que me pareceram os mais interessantes.

O primeiro ponto a destacar é que esta segunda versão do Congresso do Livro Digital teve menos “vendedores de soluções” que o primeiro. Achei isso bem positivo. É um tanto abusivo pagar para ouvir um monte de gente querendo vender soluções desenhadas para outro ambiente de negócios e estágios tecnológicos muito diferentes dos que temos aqui.

Ainda assim, ausências se fizeram notar, principalmente a das empresas em desenvolvimento de distribuição e conversão de conteúdos digitais já presentes no Brasil. Não se teve notícias nem da empresa formada pelo consórcio que organizou a DLD – Distribuidora de Livros Digitais [Objetiva, Record, Sextante, Planeta, Rocco e L&PM], nem do “Minha Biblioteca”, a versão brasileira do programa iniciado pala Ingram nos EUA e que aqui inclui o GEN, Atlas, Grupo A e a Editora Saraiva. E também nada da Xeriph, distribuidora de conteúdo digital que não está vinculada a nenhum grupo editorial. Na minha opinião, faltou também outro tema relevante: o uso de conteúdo digital nas universidades públicas, já que há anos tanto a CAPES/CNPq quanto a FAPESP investem grandes somas na aquisição de revistas acadêmicas em formato digitalizado. Pode ser que em outro congresso os organizadores se lembrem disso.

Como acontece em qualquer evento do gênero, houve momentos interessantes e outros que chegaram a ser patéticos. Um deles, que vou me poupar de mencionar, me fez lembrar o movimento de criação de um partido anti-powerpoint que andou aparecendo na Europa, e “brindou” a plateia com uma dessas apresentações que às vezes aparecem na Internet, cheia de lugares comuns, fotos comovedoras e mensagens de autoajuda. Quase saí para entrar online e pedir filiação nesse partido…

Outra apresentação que chegou perto do patético foi a do representante da Digisign, empresa conceituada na certificação digital mas que, aparentemente, não sacou a dos e-books. Quer garantir a inviolabilidade do conteúdo com DRMs que funcionam com tokens ou somente online. Acabam inventando um e-book acoplado com jaca ou melancia. Imaginem se para ler um conteúdo for preciso fazer uma operação similar à de acessar a conta corrente bancária…

A palestra mais instigante e sensata, sem dúvida, foi a do Ed Nawotka, editor do Publishing Perspectives. Ed fugiu totalmente da futurologia e colocou de modo muito simples: os editores só podem – ou melhor, devem – se preparar para as contingências do futuro da edição digital com os mecanismos mais abrangentes de coleta de informações sobre seu público, com o uso amplo de metadados. Já comentei no meu blog que os editores brasileiros estão uns dez anos atrasados nisso.

Algo que perpassou várias palestras e mesas redondas foi a confusão – que acredito não deliberada, mas nem por isso menos daninha – entre os diferentes tipos de conteúdo digital que podem ser acessados pelo público leitor. Quando sabemos que o leitor de e-books mais popular no mundo é o Kindle, com sua tela sem cores e que privilegia totalmente a leitura de textos; quando sabemos que a iBookstore acoplada nos aparelhos da Apple perde feio para o iTunes, e que a venda de livros no iPad e nos iPhones está sendo muito menor que o esperado; quando sabemos que o Nook e o Kobo seguem pelo mesmo rumo do Kindle, eu me pergunto: a que vem tantas apresentações sobre “enhanced e-books” e sobre conteúdos compartilhados em redes digitais? Acredito que o conteúdo de livros didáticos e de livros infantis vá exigir telas coloridas [e a Amazon já prometeu seu tablet com essas características até o final do ano], mas, no momento e como tendência dominante, o que predomina é a leitura de texto. O resto, por enquanto, é jogo interativo online, o fenômeno “transmídia”, que ainda veremos no que vai dar.

Bob Stein, na palestra de abertura, se declarou muito feliz por ter sido pago durante anos para “pensar o futuro do livro” e veio com a ideia de que – no futuro, é claro – o conteúdo seria distribuído gratuitamente e que as pessoas pagariam para participar da “rede de leitores”. Nessa rede todos os leitores fariam anotações, comentários, glosas e o que mais lhes apetecessem acrescentar ao conteúdo original. Quem faz parte do Facebook [eu faço] sabe perfeitamente que a quantidade de comentários inanes que por ali circulam é enorme. Imaginem o sujeito ler um Balzac acompanhado de comentários mandando florzinhas ou sinaizinhos de “curti” a cada página? Se fosse um grupo fechado lendo um ensaio, vá lá. E mais, tanto o Kobo quando o próprio Kindle já permitem acesso – pelo menos parcial – a anotações de outros leitores. Se o Bob Stein ganhou para pensar isso, eu também quero me candidatar a pensador remunerado.

Uma palestra interessante foi a da Dominique Raccah – e mais como vice-presidente do BISG [Book Industry Study Group] que como CEO da Sourcebooks – por ter apresentado dados sobre a demografia comparada de leitores de livros em papel e e-books, mostrando que o fator preço é fundamental na adoção dos e-books. Os leitores do segmento trade – romances, ensaios, autoajuda, etc. – demandam sempre alguma espécie de conteúdo gratuito [download de capítulos, material adicional], além do preço substancialmente mais baixo. Esses leitores também são os que mais usam e-readers, enquanto os universitários acessam conteúdo digital principalmente através de laptops, notebooks e desktops.

A palestra de Joseph Craven [Sterling Publishing], sobre a construção de comunidades verticais desenvolvidas pelos editores em torno de livros ou coleções, também foi muito interessante. Tornou prática e consequente a conversa de uso das redes sociais no negócio de livros, chamando atenção para a interação entre o público leitor/consumidor e os editores, inclusive no que diz respeito ao conteúdo adicional aos livros.

Alguns dos palestrantes abordaram muito de leve uma questão que tem atraído bastante minha atenção. Atualmente, o segmento comercial/industrial que efetivamente está ganhando dinheiro com o conteúdo digital é o dos prestadores de serviço de acesso e as empresas de telecomunicação, que viabilizam esse acesso.

O fato é que uma parte dos custos de “logística” dos e-books é transferido para os consumidores de conteúdo digital que pagam pelo acesso à Internet. Esse é um negócio específico das empresas de telecomunicação e dos provedores de acesso. Essas empresas pressionam todos os produtores de conteúdo para receber um fluxo constante de conteúdo barato ou gratuito. Por sua vez, esse conteúdo gera mais tráfego na rede e agrega receita a essas empresas. Na discussão do conteúdo gratuito não podemos nos esquecer de que, como não existe almoço grátis, estamos pagando pelo acesso e também, com nossas contribuições blogueiras, no Facebook e no Twitter, para proporcionar conteúdo gratuito para essas gigantes que inexoravelmente apresentam suas contas.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Um ano depois…


O que mudou no mercado editorial brasileiro entre o 1° Congresso Internacional do Livro Digital e a edição que se encerra agora

Em um ano, o brasileiro parou de discutir se a chegada do livro digital representaria o fim do livro físico e colocou a mão na massa. No longínquo março de 2010, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Feira do Livro de Frankfurt realizaram o 1º Congresso Internacional do Livro Digital e o clima era de incertezas, com a maioria dos editores ainda sem coragem de arriscar e de investir dinheiro em experimentos.

Mesmo com poucos títulos convertidos para e-books, as livrarias começaram a se mexer. Em abril, a Gato Sabido deixou de reinar sozinha e teve de dividir os clientes com a Livraria CulturaA eBookstore da Saraiva seria inaugurada um mês depois. Hoje, até Ponto Frio, Casas Bahia e Extra vendem livro digital. E Ricardo Eletro, que passou a vender livros este ano, tem planos de incluir as versões digitais em seu site. E tem mais: hoje, até editoras vendem e-books diretamente para o leitor final a partir de seus sites, como é o caso da pioneira Ciência Moderna e do Grupo A.

As distribuidoras Xeriph e DLD também chegaram em 2010 para ajudar as editoras, que já conseguiram produzir, no total, 4 mil títulos em português. O número é pequeno se comparado ao de títulos importados à venda por aqui. Na Saraiva, por exemplo, eles superam os 220 mil. Essas mesmas editoras mandaram seus funcionários estudar, e nisso quem se destacou foi a gaúcha [e italiana] Simplissimo. Ela levou seu curso de produção de e-books para São Paulo e para o Rio e pode continuar viajando se conseguir fechar turmas em outros estados.

Dados de vendas ainda são um mistério, mas boas surpresas aparecem pelo caminho. O Grupo A, por exemplo, produziu um aplicativo para o livro Medicamentos de A a Z e vendeu nada menos do que 2.500 unidades só na AppStore [ele custa US$ 24,99].

As bibliotecas não ficaram de fora do movimento. Neste ano, Saraiva, Atlas, Grupo A e Gen criaram a Minha Biblioteca, uma empresa que pretende vender catálogos digitais para bibliotecas universitárias e que acaba de assinar contrato com a Ingram para a parte tecnológica.

Isso sem contar o interesse da Amazon e da Google, que estão contratando profissionais para atuar no Brasil, e da Kobo, que está trazendo o holandês Pieter Swinkels para cuidar de suas operações na América Latina.

Agora só falta o e-reader ficar mais barato, as editoras encontrarem um ponto de equilíbrio entre o preço do livro físico e do digital, os contratos serem resolvidos e o governo lançar edital para compra de obras digitais.

Ilustração: Jonas Meirelles – http://www.jonasilustracao.blogspot.com

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 28/07/2011

Congresso do Livro Digital aproxima academia e mercado


Organizado pela CBL, evento contará com a presença de profissionais do mercado editorial nacional e internacional e de pesquisadores brasileiros

A organização do 1º Congresso Internacional CBL do Livro Digital se surpreendeu com o sucesso do evento realizado em São Paulo em maio do ano passado e agora quer mais. Cinco pessoas da Comissão do Livro Digital da CBL trabalham para que toda a programação esteja redonda até os dias 26 e 27 de julho, quando será realizada a segunda edição do evento, também em São Paulo.

Com um público esperado de 500 pessoas, o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital deve ampliar as discussões levantadas na primeira edição sobre o impacto da era digital na cadeia produtiva do livro. Além disso, pretende analisar o comportamento do consumidor, discutir assuntos de interesse comum aos empresários e executivos do livro, refletir sobre os principais desafios e oportunidades do mercado e dar orientações sobre a produção e a gestão do livro digital, uma vez que algumas de suas 640 entidades associadas [entre editoras, livrarias e distribuidoras] são pequenas e precisam de apoio para se adaptar às mudanças ocasionadas pela chegada e popularização do livro digital.

Entre os nomes confirmados estão Bob Stein, presidente do Institute for The Future of the Book, que irá falar sobre essa nova geração que já nasceu digital; Dominique Raccah, da Sourcebook e do Book International Study Group, que analisará o comportamento do consumidor; Rochelle Grayson, da BookRiff Media, que dará uma palestra sobre modelos de negócios; Piete Swinkles, da Kobo, e Diego Vorobechik, da Bibliografika, que, junto ao brasileiro Marcos da Veiga Pereira, da Sextante e da DLD, falarão sobre o novo papel das distribuidoras e livrarias no mundo do livro digital.

Além deles, participam Joseph Craven, vice-presidente da Sterling Publishing, em painel sobre as oportunidades para os editores e Martha Gabriel, diretora da New Media Developers, que dará uma palestra sobre o marketing para o livro digital. Dominique Raccah, do Book Industry Study Group e CEO da Sourcebooks, e Edmar Bulla comentarão sobre estratégias para as redes sociais; Ricardo Cavallero, da Random House Mondadori, falará sobre o novo papel do editor; Carlos Viceconti, diretor da Digisign, e Patricia Peck Pinheiro, da Peck Pinheiro Advogados, abordarão a pirataria e os direitos autorais na edição digital. Por fim, Sandra Reimão, da USP, analisará a “cultura do gratuito”. Outros nomes e mesas ainda serão confirmados, e a CBL também avisa que a programação pode sofrer mudanças.

A novidade do evento deste ano é a apresentação de trabalhos científicos. Com essa iniciativa, a CBL pretende aproximar academia e mercado. Foram inscritas dez pesquisas, das quais serão escolhidas entre 4 e 6 para serem apresentadas. Dessas, duas ganharão prêmios em dinheiro e poderão ser publicadas em revistas científicas. Os temas dos trabalhos variam desde os desdobramentos das mudanças causadas pelos livros digitais até educação e negócios. Segundo a comissão, por ser um tema muito novo é essencial que o mercado e a academia olhem juntas para o livro digital. A CBL espera que, com a divulgação dessa nova iniciativa, mais pesquisas sejam inscritas no ano que vem.

O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital tem o apoio da Frankfurter Buchmesse e será realizado no Centro Fecomercio de Eventos [Rua Dr. Plínio Barreto, 285. Bela Vista – São Paulo/SP] e custa R$ 1.050 para associados da própria CBL, R$ 1.250 para associados de entidades congêneres, professores e estudantes, R$ 1.500 para não associados e US$ 925 para estrangeiros. As inscrições deverão ser feitas no site http://www.congressodolivrodigital.org.br.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 25/05/2011

Editoras se unem e levam e-books para bibliotecas universitárias


Grupo A, GEN, Saraiva e Atlas criam a empresa Minha Biblioteca, que começa a operar em 1º de junho

Em 2010, Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM fundaram a DLD para converter seus livros para o formato digital e distribuí-los. Ontem, pouco mais de um mês desde que a DLD começou a operar, outras quatro grandes editoras, mas com forte presença no segmento de livros universitários, também se uniram para uma entrada mais agressiva no mercado de livro digital. Só que dessa vez o foco sai das livrarias e vai para as bibliotecas das universidades brasileiras.

Grupo A, GEN, Saraiva e Atlas inauguram o projeto “Minha Biblioteca” em 1º de junho. Nele, será reunido o catálogo digital das quatro sócias, estimado, hoje, em quatro mil títulos. Funciona assim: com base no interesse da universidade, no número de alunos, na perspectiva de acessos e no potencial de crescimento, a empresa, que também se chama Minha Biblioteca, customiza um catálogo e o vende inteiramente à universidade. Aos alunos dessas instituições é permitido o acesso remoto a todo o conteúdo.

À primeira vista a ideia se parece com a da Pasta do Professor, mas o diretor executivo Richardt Feller, que trocou Curitiba por São Paulo e já está se instalando no escritório da empresa na Avenida Paulista, disse que elas são diferentes. “A Pasta é mais uma contribuição do mercado para evitar a pirataria e legalizar as cópias, mas não tem formato digital. Já o Minha Biblioteca, que também é uma alternativa à pirataria, prevê o ensino de plataforma, com acesso livre de qualquer lugar”. Enquanto no projeto mais antigo é possível comprar o livro fracionado, neste novo só serão vendidos livros inteiros.

Nesse momento, nosso objetivo é levar conteúdo digital a um maior número de alunos do Brasil”, disse. Mas este é só o começo, garante. Agora, as empresas estão concentradas em colocar o “Minha Biblioteca” na rua. A partir da publicação nesta segunda-feira, 23, do comunicado da Saraiva, a equipe – são quatro funcionários – está liberada para divulgar o serviço, apresentá-lo nas universidades, fechar negócios…

O site deve entrar no ar ainda hoje – http://www.minhabiblioteca.com.br

Conheça as editoras envolvidas no projeto

O Grupo A é uma holding formada pelos selos editoriais Artmed, Bookman, Artes Médicas, McGrawHill, Penso e Tekne. Responsável pela publicação de livros científicos, técnicos e profissionais nas áreas de biociências, de ciências humanas e de ciências exatas, sociais e aplicadas, o Grupo possui, entre títulos impressos e e-books, mais de 2 mil títulos em catálogo.

A Editora Atlas, fundada em 1944, conta com mais de 3 mil títulos publicados nas áreas de Contabilidade, Economia, Administração de Empresas, Direito, Ciências Humanas, Métodos Quantitativos e Informática. Suas publicações – livros-textos, livros de referência, dicionários e livros para concursos públicos – visam à melhoria do ensino e da Educação brasileira em sua totalidade.

Formado oficialmente no segundo semestre de 2007, o Grupo Editorial Nacional [GEN] reúne as editoras Guanabara Koogan, Santos, LTC, Forense, Método, Forense Universitária, AC Farmacêutica e EPU. O objetivo do grupo é prover o mais completo conteúdo educacional para as áreas científica, técnica e profissional [CTP]. O GEN oferece um catálogo com mais de 2.800 títulos, alguns dos quais publicados também em Espanhol e distribuídos em toda América Latina.

A Editora Saraiva é a maior editora brasileira no segmento de obras jurídicas e uma das mais importantes editoras de livros universitários nas áreas de administração, economia, contabilidade, marketing e negócios, além de editar obras de interesse geral. Hoje, seu catálogo reúne cerca de 3 mil títulos para o público universitário. É também uma das primeiras no ranking de livros didáticos e paradidáticos para ensino fundamental e médio.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 24/05/2011