Pirataria na mira: editoras descobrem novo site com livros


Marcio Fernandes/Estadão

Marcio Fernandes/Estadão

Às vésperas do segundo aniversário [pelo que dizem na apresentação], só agora o site Le Livros começa a ser descoberto por editoras brasileiras. Ali, podem ser lidos ou baixados [epub, mobi e pdf] mais de 3 mil livros em português, incluindo os lançamentos O Irmão Alemão, de Chico Buarque; Eternidade Por Um Fio, de Ken Follett; e O Capital no Século 21, de Thomas Piketty. Sem pagar nada. É o site mais profissional já criado em português para esse fim polêmico – a discussão pirataria X acesso à cultura é antiga. Há dois meses, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos recebeu a primeira denúncia de um autor. Uma ou outra editora também reclamou. A Record, por exemplo, só tomou conhecimento na quinta, pelo Estado. O passo agora é descobrir os responsáveis e tomar providencias jurídicas – para a tristeza dos mais de 400 mil seguidores no Facebook [muitos dos quais profissionais do mercado editorial e escritores].

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 28 novembro 2014 | 21:18

Direitos Autorais na era digital


Curso do Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio de Janeiro está com inscrições abertas

O Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio de Janeiro [ITS Rio – Praia do Flamengo, 100, Cobertura Flamengo] está com as inscrições abertas para o curso Direitos Autorais no Mundo Conectado. Destinada para quem quer dominar conhecimentos práticos sobre o tema, a iniciativa busca debater as principais tendências e inovações relacionadas à proteção dos direitos autorais no contexto dos avanços tecnológicos.

As aulas acontecem de 25/08 a 24/09, sempre às terças e quintas-feiras, das 19h às 21h, e serão conduzidas por Ronaldo Lemos, doutor pela USP e diretor do projeto Creative Commons no Brasil e co-fundador do projeto Overmundo; Carlos Affonso Souza, doutor pela UERJ e diretor do ITS; Sérgio Branco, doutor em Direito Civil pela UERJ e diretor do ITS, e Bruno Lewicki, doutor pela UERJ que atuou como vice-presidente da Comissão de Direitos Autorais da OAB-RJ [2010-2012]. Para mais informações, clique aqui.

PublishNews | 22/07/2015

Frankfurt investe em plataforma global de Direitos Autorais


Feira do Livro de Frankfurt passa a ser sócia da IPR License

A Feira do Livro de Frankfurt acaba de anunciar “um investimento significativo” na IPR License, plataforma online que permite a aquisição subsidiária de direitos de livros e licenciamentos em escala global. Com isso, a Feira de Frankfurt passa a ter uma participação minoritária na IPR. Juntas, as duas empresas vão trabalhar estratégias de vendas, marketing e de tecnologia com o objetivo de consolidar a plataforma como uma ferramenta padrão para licenciamentos e vendas de direitos na indústria editorial em nível global. A parceria quer, além de promover a venda de direitos e de licenciamentos, permitir que editores internacionais façam transações de seus catálogos de formas simples, rápida e com custo eficiente.

Em comunicado enviado à imprensa, Juergen Boos, diretor da Feira do Livro de Frankfurt, disse: “nos últimos anos, editores têm encontrado novas oportunidades para seus conteúdos. Atividades envolvendo direitos autorais têm crescido no nosso portfólio. Assim, nós identificamos nesse tipo de negócios uma área na qual podemos avançar com nossas ofertas atuais – ou seja, Literary Agents & Scouts Centre, o International Rights Directors Meeting e o nosso envolvimento com o RightsLink e muitos outros eventos especializados para um público mais amplo, ao redor do mundo, onde ainda não temos uma presença”.

A indústria editorial é um negócio global e os direitos são o coração desse negócio. A Feira do Livro de Frankfurt não é apenas o maior e mais importante marketplace para negócios e licenciamentos, é onde também profissionais desse mercado se informam sobre os últimos acontecimentos que impactam a área de direitos autorais. A Feira do Livro de Frankfurt tem uma visão clara para gerar oportunidades extras de negócios para editores e vamos trabalhar em conjunto para garantir que mais oportunidades sejam geradas e monetizadas em nível global. Trabalhar junto com os escritórios da Feira de Frankfurt ao redor do mundo, nos assegura que teremos momentos emocionantes à frente”, declarou Tom Chalmers, diretor da IPR License.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 27/05/2015

Bibliotecas podem digitalizar livro sem autorização, decide corte europeia


O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que o direito dos autores pode ser flexibilizado em prol do compartilhamento do conhecimento. Por isso, uma biblioteca pode digitalizar uma obra mesmo contra a vontade do detentor dos direitos autorais e disponibilizar essa obra para o público. O documento digitalizado pode até ser impresso ou salvo em cartões de memória pelos leitores, mas, nesse caso, é necessário que seja paga uma quantia ao autor, como se a obra tivesse sido comprada.

A decisão da corte, anunciada recentemente, joga luzes sobre como as bibliotecas têm de se portar frente ao aumento da procura por livros digitais, os chamados e-books. Pelo entendimento firmado, ainda que a editora ofereça à biblioteca a obra digitalizada, esta pode recusar e fazer a sua própria digitalização.

O julgamento aconteceu num pedido de esclarecimentos feito pelo Tribunal Federal de Justiça da Alemanha. Lá, uma biblioteca se negou a adquirir a versão digital de determinados livros e decidiu escanear a obra para disponibilizar para os usuários em seus terminais de leitura. A editora não gostou e reclamou à Justiça, alegando ser a detentora dos direitos autorais.

Como regra geral, cabe ao autor o direito exclusivo de autorizar ou proibir a reprodução e comunicação das suas obras. A Diretiva 2001/29/CE do Parlamento Europeu, no entanto, prevê algumas exceções. Uma dessas exceções garante que as bibliotecas disponibilizem em computadores internos a obra para os leitores acessarem.

Ao analisar o conflito, o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou que esse direito das bibliotecas também garante a elas que digitalizem obras sem consultar seus autores. Esses livros devem ficar disponíveis gratuitamente apenas em computadores internos. O tribunal avaliou que o leitor pode imprimir ou salvar partes da obra em um cartão de memórias. Mas, nesse caso, deve ser paga uma contrapartida ao detentor do direito autoral.

Consultor Jurídico | 19/09/2014

Minicurso sobre direito autoral na internet


Atividade será promovida pela Oficina da Palavra

Para discutir questões sobre o direito autoral, a Oficina da Palavra [Rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda, São Paulo/SP] Casa Mário de Andrade promove, de 4 a 8 de agosto, o minicurso Atualidades do Direito de Autor na Internet. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no site das Oficinas Culturais até hoje [25]. Composto por três palestras inter-relacionadas ministradas por advogados especializados, a atividade trata de questões relativas aos direitos autorais na rede. As aulas acontecem das 18h30 às 21h30.

PublishNews | 25/07/2014

Autores independentes vão ganhar mais do que autores tradicionais


Por Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 29/04/2014 | Tradução: Marcelo Barbão

No meu último post previ que os autores de e-books independentes conquistarão 50% do mercado de e-books nos EUA em 2020. Hoje, estou olhando as implicações disto de outro ângulo – os ganhos dos autores. Hugh Howey recentemente jogou um pouco de luz sobre esta questão em seu siteAuthorEarnings.com[examinei o tumulto causado em Hugh Howey and the Indie Author Revolt.

Uma das vantagens normalmente citadas em relação a publicação de e-books independentes é que estes ganham “royalties” muito mais altos do que autores publicados tradicionalmente. Autores da Smashwords ganham tipicamente 60-80% do preço de venda, enquanto que os autores publicados tradicionalmente ganham entre 12,5% e 17,5% do preço de venda. A taxa paga pela editora depende se estão vendendo os livros pelo modelo de distribuidora ou de agência.

Vamos colocar alguns números para dar consistência a estas porcentagens. Um autor distribuído pela Smashwords ganha $2,40 em um e-book de $3,99 vendido através de um de nossos parceiros, enquanto que um autor publicado de forma tradicional ganharia entre 50 e 70 centavos. Para que o autor publicado de forma tradicional ganhasse os mesmos $2,40, o e-book deveria ter um preço entre $13,71 e $19,20. Isto explica porque autores talentosos estão sentindo um forte incentivo para publicarem de forma independente. Os independentes podem colocar um preço mais baixo, mas ainda ganham mais por unidade do que através das editoras tradicionais que cobram mais pelos livros mas continuam a oferecer uma porcentagem menor de royalties.

TABELA 02

A tabela no alto desta página é gerada pelas mesmas estimativas que criaram a tabela à esquerda que eu publiquei no último post.

A tabela no alto foi criada multiplicando a porcentagem do mercado que vai para os autores independentes de e-books [à esquerda] por 60%, e a porcentagem que vai para autores tradicionais por 15%.

Estas porcentagens são aproximações baseadas nas expansões que mencionei acima.

Você pode fazer o download da minha tabela para desenvolver e compartilhar suas próprias estimativas. Nada me deixaria mais feliz do que se alguém com melhores números provasse que minha estimativa de 15% para o mercado de e-books independentes em 2013 está muito alta [significaria que os autores da Smashwords teriam mais espaço para crescer no futuro!].

Confio, no entanto, que os 10 ventos de mudança que identifiquei no último post vão levar os independentes a ganhar cada vez mais mercado nos próximos anos.

O que é inicialmente incrível para mim na nova tabela no alto da página é que 2014 poderia ser o primeiro ano em que o total de dólares ganhos por independentes nas livrarias igualaria o valor ganho pelos autores tradicionais. Em 2020, a comunidade independente de e-books poderia ganhar quase quatro vezes mais do que a comunidade de e-books publicada de forma tradicional se os autores independentes chegarem a 50% do mercado como prevejo.

A seguinte informação incrível é como as curvas são íngremes. Note como é forte a ascensão dos autores independentes. O crescimento linear do mercado que usei como modelo para os independentes na tabela da semana passada leva a um diferencial maior na tabela desta semana em termos dos dólares que vão para os bolsos dos autores independentes em comparação com os bolsos dos autores tradicionais. Em linguagem simples, para cada dólar ganho com um e-book independente, o autor recebe 60 centavos. Para cada dólar ganho com um e-book publicado de forma tradicional, o autor recebe 15 centavos.

Minhas tabelas e suposições também estão limitadas. Meus números não tentam incorporar adiantamentos, por exemplo. É comum que as editoras paguem adiantamentos aos autores que nunca são recuperados pelas vendas dos livros. Em tais situações, a porcentagem de royalties declarada subestima o que o autor ganhou [também representa uma incapacidade da editora de estimar de forma precisa o potencial comercial de um livro].

Um limite adicional da tabela de hoje é que estou assumindo que a porcentagem de royalties vai continuar a mesma. Esta é uma suposição perigosa. Se a Amazon diminuir os valores dos e-books como fez com os com os audiobooks da Audible na outra semana, ela vai romper o modelo e quebrar a banca de muitos autores. Ou as editoras tradicionais poderiam ouvir o chamado dos escritores e aumentar a taxa de royalties. Ou todo mundo poderia aumentar os royalties.

Minhas projeções pintam um quadro de uma comunidade de autores independentes preparada para ganhar uma parte ainda maior dos lucros dos e-books se os impressos continuarem a perder importância.

Mas isso não significa que ser autor independente é a estrada para a riqueza. O aumento dos e-books autopublicados vai levar a uma abundância de livros de alta qualidade que nunca sairão de catálogo. Estes livros, combinados com os lançamentos de e-books das editoras tradicionais, vai acumular as prateleiras de livrarias online e levará a mais e-books de qualidade concorrendo com um número limitado de leitores. Significa que os leitores vão se tornar mais sagazes. Significa que todos os autores – independentes ou não – terão que encarar concorrência mais intensa do que antes.

Bons livros não serão mais bons o suficiente. Leitores querem livros excepcionais. Os independentes vão entregá-los.

Por Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 29/04/2014 | Tradução: Marcelo Barbão

Mark CokerMark Coker é fundador da Smashwords, uma das maiores plataformas de autopublicação e distribuição de e-books do mundo. O site já publicou quase 7 milhões de e-books de autores independentes mundo afora. Mark também é colaborador do Huffington Post e, por isso tudo, tem experiência de sobra para falar sobre esse assunto que anda deixando editores e livreiros de cabelo em pé.

A coluna “O mundo do livro digital” traz as notícias e insights de Coker sobre o mundo do livro digital. Você pode conferir os textos em inglês, no site.

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio


POR EDNEI PROCÓPIO

Hoje, terça-feira, dia 25, às 18h30, estarei lançando [simultaneamente em versão impressa e digital] o meu terceiro livro sobre os eBooks. Será na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, aqui em São Paulo, e tenho o prazer convidar os colegas que acompanham este blog.

Na ocasião, ministrarei uma palestra sobre assunto onde tratarei dos dois eixos centrais que considero importante para a boa manutenção do mercado editorial brasileiro. O primeiro seria o eixo econômico, aquele que viabiliza e sustenta toda a cadeira produtiva do livro. E o segunda eixo é o político que, inevitavelmente, precede o primeiro quando se trata de políticas públicas voltadas ao livro em especial as bibliotecas públicas digitais, os livros digitais didáticos, etc…

Nos meus primeiros dois livros, eu já havia tratado e, de certo modo, refletido toda uma revolução tecnológica prevista por inúmeros especialistas como Michael Hart, Don Tapscott, Chris Anderson e Tim Berners-Lee, líderes que aprecio e cujas ideias projetaram as mídias digitais ao mainstream.

Costumo sempre reafirmar em minhas palestras, cursos e entrevistas que esta revolução tecnológica não só, finalmente, alcançou o mundo dos livros como também transformou profundamente a realidade de seu mercado criando novos horizontes, possibilidades e, claro, desafios. E a questão central agora são exatamente os desafios. O mercado editorial, mesmo com sua consagrada manufatura de produção cultural, alcançou níveis alarmantes de riscos em seu histórico modelo de negócios.

Modelo de negócios para os livros digitais é, portanto, neste meu novo livro, a preocupação central. Nele, faço uma análise profunda do futuro mercantil dos livros frente a uma iminente revolução causada pelo advento da Internet. Em “A Revolução dos eBooks” busco desmistificar os livros digitais usando conceitos básicos que ajudarão profissionais a desbravarem o que considero como um cenário único de oportunidades.

Nos vemos lá! Eddie

Amazon diz que toma ‘medidas cabíveis’ em casos de pirataria


Empresa divulga dados de editores de obras irregulares quando ‘apropriado para cumprimento da lei’

Levei quatro anos para traduzir. É claro que me aborrece‘, diz tradutor que teve trabalho vendido ilegalmente

Por dois anos, as traduções do carioca Fernando Py para os sete volumes de “Em Busca do Tempo Perdido” foram comercializadas irregularmente na plataforma de autopublicação da Amazon.

Cada um dos sete livros era vendido a R$ 8,31, sem a identificação de Py nem a anuência da Ediouro, para a qual ele fez as traduções.

Levei quatro anos para traduzir a obra. É claro que isso me aborrece. Nem tanto pelo dinheiro, mas, principalmente, pela exclusão do meu nome como tradutor“, disse Py, ao tomar conhecimento.

No caso, dada a qualidade das edições, não seria melhor se lhe fosse dado o crédito.

Há tantos erros de grafia, de formatação, de português, que fica difícil avaliar a qualidade da tradução e impossível aproveitar a leitura de um escritor que por si é de difícil leitura“, escreveu, em setembro, um dos leitores que criticaram as edições no site.

Questionada pela Folha, a Amazon informou que “medidas cabíveis são tomadas quando descobrimos títulos infringentes em nossa loja ou quando somos notificados por proprietários dos direitos sobre títulos infringentes“.

Sem o conhecimento da Ediouro [cujas edições estão indisponíveis] nem do tradutor, a loja só tirou os e-books do ar após a Folha questioná-la. Por “proteção à privacidade do usuário”, não informou quem os vendia.

Liberamos informações pessoais e sobre contas quando acreditamos que a liberação é apropriada para cumprimento da lei“, esclarece a empresa em seu site.

Há dezenas de edições do gênero à venda na loja brasileira da Amazon [veja ao lado como reconhecê-las].

Casos similares também foram identificados em outros países. Em 2012, depois que uma autora de livros eróticos descobriu dezenas de edições irregulares nos EUA, a rádio americana NPR questionou a empresa a respeito.

Recebeu resposta similar à enviada agora à Folha,e concluiu que, “uma vez que você [o usuário] concorda com os termos [do contrato], a Amazon não é responsável“.

Pela Lei de Direito Autoral brasileira, quem vende uma obra fraudulenta é “solidariamente responsável com o contrafator“. Gustavo Almeida, advogado especialista em direitos autorais, diz que a loja pode ser multada caso não tome medidas após alertas.

Para ele, esse é um exemplo típico do “problema da transição de Gutenberg para o digital”. “É algo a ser contemplado pelo Marco Civil da Internet“, diz, sobre a regulamentação que abrange a responsabilidade de usuários e provedores e que tramita há anos na Câmara.

COMO RECONHECER O CLÁSSICO PIRATA

  • Falta de informações

Em edições piratas de clássicos, a página de apresentação do livro não discrimina o nome da editora nem o do tradutor da obra

  • Sem folha de rosto

Baixando a amostra grátis do e-book, pode-se ver se há a chamada “folha de rosto”, presente em toda boa edição, com dados sobre a obra. Nas piratas, em geral entra-se direto no texto do livro

  • Diagramação ruim

Edições piratas costumam ter problemas na formatação do texto, como quebras no meio de frases ou todo o conteúdo da obra num parágrafo só

  • Comentários de leitores

Quem teve experiências ruins com a qualidade da edição costuma deixar críticas na página do livro no site

POR RAQUEL COZER | COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 08/02/2014

Piratas à venda


Plataforma de autopublicação da Amazon dá margem ao comércio de obras que lesam detentores de direitos autorais e consumidores

A ferramenta de autopublicação da varejista Amazon, que tanto facilita a vida de escritores interessados em publicar e-books sem intermédio de editoras, tem estimulado um mercado que prejudica detentores de direitos autorais e consumidores.

A plataforma Kindle Direct Publishing [KDP], cuja versão nacional estreou no fim de 2012 no site Amazon.com.br, permite a autores pôr livros no ar em minutos, ganhando de 35% a 70% do valor de capa da obra, enquanto no mercado tradicional o autor fica com até 10%.

Mas a facilidade também dá margem para usuários da maior loja de e-books do mundo ganharem algum dinheiro sem esforço, simplesmente pegando obras disponíveis gratuitamente na rede, formatando-as sem cuidado e colocando-as para venda.

Para facilitar a vida desses editores improvisados, a loja mantém a privacidade de quem vende e-books pelo sistema de autopublicação. Ou seja, o consumidor não sabe de quem está comprando, a não ser que o responsável resolva se identificar.

A Amazon ressalta, nos termos do contrato do KDP, que os interessados só podem oferecer obras cujos direitos detenham ou que estejam em domínio público, ou seja, cujos autores tenham morrido há mais de sete décadas.

Mas é comum que aqueles que usam o sistema para vender obras alheias não chequem se suas traduções para o português também estão em domínio público –os tradutores também são protegidos pela Lei de Direito Autoral.

Assim, quem procurar “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, na Amazon, achará a obra na tradução de Marcelo Backes pela L&PM [R$ 6,65], mas também em uma edição mal diagramada, sem identificação de editora nem de tradutor, e mais cara que a da L&PM, a R$ 8,32.

A tradução não creditada é a do mineiro Galeão Coutinho [1897-1951], que só cai em domínio público em 2022.

A tradutora Denise Bottmann, que há anos denuncia fraudes envolvendo traduções no blog Não Gosto de Plágio, destaca que a falta de dados lesa o consumidor.

“No caso do Werther’, parece-me relevante que os leitores saibam que se trata de uma tradução dos anos 1940 de Galeão Coutinho. Isso permite inferir que foi feita [indiretamente] do francês [e não direto do alemão], que o estilo é o que prevalecia 70 anos atrás; aos interessados, o fato de o tradutor ser quem é há de ser relevante, por sua envergadura intelectual.”

Uma avaliação de leitor no site da Amazon, feita em dezembro de 2012, destaca que a edição é “mal formatada e malfeita”, mas a obra ainda estava à venda até ontem.

À Folha a Amazon informou que “respeita os direitos de propriedade intelectual”.

POR RAQUEL COZER | COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 08/02/2014

Curso “Livro Digital e Direitos Autorais”, com Gilberto Mariot


Segunda-feira, 10/3, das 9h30 às 12h30

Escola do LivroParticipe de um bate-papo da Escola do Livro com o Dr. Gilberto Mariot sobre as mudanças dos direitos autorais diante das novas tecnologias do livro. Conheça as recentes iniciativas que alteraram a legislação autoralista e suas controvérsias, as novidades do setor editorial trazidas pelas novas tecnologias e as diferentes formas de contrato. O palestrante trabalhará com perguntas frequentes sobre o tema. Os participantes do evento poderão antecipar suas dúvidas no ato da inscrição e as principais farão parte do material entregue no final do encontro.

O evento acontecerá na sede da Câmara Brasileira do Livro, Rua Cristiano Viana, 91 – Pinheiros – São Paulo/SP. Investimento: Associados CBL – R$ 150,00; associados de entidades congêneres, professores e estudantes – R$ 240,00; Não associados – R$ 300,00. Mais informações do curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

Gilberto Mariot é especialista em Propriedade Intelectual, com pós-graduação em Comércio Exterior, formado em Gestão de Direitos Autorais e Direto das Novas Tecnologias. Mestre em Direito da Sociedade da Informação. É sócio-fundador da MBK – Sociedade de Advogados, editor e professor de Direito Civil, da Propriedade Intelectual e Internacional Privado.

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

“On the road” poderia estar em domínio público em 2014


Se uma antiga lei de copyright dos EUA ainda estivesse em vigor, muito conteúdo já poderia ser usado livremente. Mas a indústria conseguiu mudar as regras

PRINCIPAL OBRA DE JACK KEROUAC ENTRARIA EM DOMÍNIO PÚBLICO [FOTO: REPRODUÇÃO]

PRINCIPAL OBRA DE JACK KEROUAC ENTRARIA EM DOMÍNIO PÚBLICO [FOTO: REPRODUÇÃO]

Já imaginou se livros como On The Road, de Jack Kerouac e Fim de Partida, de Samuel Beckett, ou pinturas como “Celestial Ride”, de Salvador Dalí, fossem de domínio público? O cenário, na verdade, não é tão fantasioso assim. Isso porque tais obras, de fato, teriam seus direitos autorais derrubados em 2014, caso uma antiga lei de copyright dos Estados Unidos ainda estivesse em vigor.

A regra que valeu até 1978 determinava os direitos autorais por, no máximo, 56 anos. Mais tarde, as leis tornaram-se mais rígidas e as obras passaram a cair em domínio público somente após 50 anos da morte do autor.

Em 1998, a proteção se estendeu outra vez: 70 anos depois da morte de seu criador. Conteúdo produzido entre 1950 e 1963, cujos donos fossem corporações, ainda teve o prazo de copyright aumentado para 95 anos a partir da data de publicação.

Para relembrar todo o material que seria de livre uso hoje, o Centro de Estudo de Domínio Público da Universidade de Duke, no estado da Carolina do Norte, nos EUA, divulgou uma lista com grandes obras que entrariam em domínio público se a lei de direitos autorais criada em 1909 ainda prevalecesse.

Além das obras de Kerouac e Dali, entrariam em domínio público nesse ano os livros O Gato com Chapéu e O Grinch, de Dr. Seuss, e From Russia, with Love, de Ian Fleming. Entre os destaques da lista, ainda estão o filme Funny Face, estrelado por Audrey Hepburn, as músicas de Elvis Presley “All Shook Up” e “Jailhouse Rock”, e a pintura “Las Meninas”, de Picasso.

POR EDSON CALDAS | GALILEU| 06/01/2014, às 19H01

Direito autoral e os novos tempos tecnológicos


A Lei do Direito Autoral e os vários aspectos que a envolvem têm sido foco para discussão. Que obras são protegidas pela lei? Que cuidados ter na utilização de conteúdos protegidos? Como evitar uma reprodução de texto sem autorização expressa do responsável? Quando acontece a pirataria? O que é domínio público? Lei das Biografias. São algumas questões que serão abordadas no curso “O Livro e o Direito Autoral: Biografias, E-books e Mudanças Tecnológicas”, que será realizado pela Escola do Escritor [Rua Deputado Lacerda Franco, 253, São Paulo] no dia 30/11, das 9h às 13h. Os ministrantes serão João Scortecci e Maria Esther Mendes Perfetti e o custo é R$ 165. Para mais informações, clique aqui.

PublishNews | 28/11/2013

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

A Fliporto 2013 promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em módulos, a oficina contará com aulas intensas para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
  • A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio tem 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou “Construindo uma biblioteca digital“, e em 2010 lançou “O livro na era digital“. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

Oficina de eBooks com Ednei Procópio na Fliporto 2013


Ednei Procópio

Uma boa notícia para os amantes dos livros eletrônicos. A Fliporto promove em novembro a oficina gratuita sobre eBooks, livros digitais que podem ser lidos em equipamentos eletrônicos. A oficina será ministrada pelo especialista em eBooks, Ednei Procópio, que volta ao evento a pedidos do público. As inscrições poderão ser feitas no site http://www.fliporto.net.

As aulas acontecerão entre os dias 15 e 17 de novembro, das 10h às 12h, dentro da programação da E-Porto Party. Dividido em nove módulos, a oficina contará com aulas intensas e laboratórios para que os participantes fiquem prontos para contar suas próprias histórias. A programação inclui os temas, o que é um livro digital? A história dos livros digitais no Brasil e no mundo, cadeia produtiva antes e depois dos eBooks, hardwares, softwares, formatos, conversão, digitalização, produção, catálogo, conteúdo e gestão dos direitos autorais.

CONTEÚDO DA OFICINA

  • O que é um Livro Digital
  • A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
  • A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
  • A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
  • A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
  • A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
  • A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
  • A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
  • A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Como editor e sócio-fundador de selos editoriais ajudou na publicação, comercialização e divulgação de mais de mil títulos em versão impressa sob demanda, ebook e audiobook. Em 2005, Procópio publicou Construindo uma biblioteca digital, e em 2010 lançou O livro na era digital. Ednei Procópio fundou a startup LIVRUS (www.livrus.com.br), cujo escritório está sediado em São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar autores e suas obras à era digital.

CURSO | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem estudado sobre a atuação de empresas como Google, Kobo, Apple e Amazon no Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem estar mais próximas do alcance das editoras, e do autor, do que possa imaginar. Mas ainda é preciso preparar-se para um novo cenário no mercado editorial.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores e profissionais que desejam compreender mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O CONTEÚDO

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE O PROFESSOR

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 13 de Julho de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: Das 9h00 às 15h00
20 vagas | Valor único: R$ 170,00

INSCRIÇÕES

Escola do Escritor
Rua Deputado Lacerda Franco, 253 | Pinheiros
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Direto autoral nos EUA


Random HouseA Random House, a maior editora dos Estados Unidos, recuou nas negociações de seus contratos com escritores em quatro selos digitais recém-criados, numa decisão que pode influenciar negociações futuras no mercado editorial. A editora sofreu pressão de agentes literários e de uma associação de autores agrupados em gêneros como horror e ficção científica. Os novos selos digitais Alibi, Flirt, Hydra e Loveswept não vão mais cobrar do autor uma porcentagem do custo de produção e marketing dos livros eletrônicos. Outra concessão feita pela Handom House dis respeito ao que se chamavam de copyright infinito. Se um livro eletrônico vender menos de 300 cópias em 12 meses, o autor tem o direito de recuperar o copyright de sua obra.

O Estado de S.Paulo | Caderno Sábatico | 16/03/2013

Curso | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem falado sobre a chegada de empresas como Google, Kobo, Copia e Amazon ao Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem no entanto estar mais próximas do alcance do autor do que ele possa imaginar. Mas é preciso preparar-se.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores que desejam saber mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O Conteúdo

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

Quem Pode se Beneficiar do Curso

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

Anote na agenda

A Revolução dos Livros Digitais
Quando: 23 de fevereiro de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: 9h00 às 15h00
Valor único: R$ 170,00
Lotação: 20 vagas

Sala de aula

Rua Deputado Lacerda Franco, nº 253
CEP 05418-000 – Pinheiros, São Paulo, SP
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio

Escola do Escritor
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
http://www.escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Apple enfrenta sozinha acusações sobre eBooks


Cinco empresas envolvidas no caso antitruste de preços de livros digitais fecham acordo com o Departamento de Justiça norte-americano

AppleO Departamento de Justiça norte-americano chegou a um acordo com a Macmillan, em um caso antitruste relacionado a preços de e-books. De acordo com o Cnet, apenas a Apple permanece na batalha.

Em abril do ano passado, promotores federais acusaram a Apple e cinco editoras de livros de elevar os preços dos e-books, o que pode ter custado “dezenas de milhões de dólares” aos consumidores.

No mesmo dia, o departamento anunciou que havia acordado com três editoras, mas disse que a Apple e os outras duas editoras optaram por lutar contra as acusações.

A Penguin, uma das duas empresas remanescentes, chegou a um acordo em dezembro. Agora, foi a vez da Macmillan, restando apenas a Apple.

Em um memorando legal, a empresa da maçã chamou os acordos com as demais editoras de “fundamentalmente injustos, ilegais e sem precedentes“. O julgamento contra a Apple está programado para começar em junho.

Olhar Digital | 08 de Fevereiro de 2013 | 18:00h

Os autores e os ambientes digitais | Como publicar no formato digital


Os Autores e os Ambientes Digitais: Como publicar no formato digital

Muito se tem falado sobre  tablets, e-readers, smartphones, aplicativos e plataformas de livros digitais, mas esses termos parecem estar distantes do alcance do autor. Pensando em desmistificar esse assunto aparentemente complicado, será ministrado, durante o “13º Encontro de Férias HUB/SBS | Tecnologia e Educação: desconstruindo mitos e receios“, o workshop OS AUTORES e OS AMBIENTES DIGITAIS: Como publicar no formato digital. O workshop especialmente criado para escritores que desejam saber mais desse novo meio de edição abordará a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo digital.

O workshop OS AUTORES e OS AMBIENTES DIGITAIS: Como publicar no formato digital será ministrado pelo editor Ednei Procópio, que é especialista em eBooks e autor de livros sobre o tema. Mantém o Blog eBook Reader [www.ebookreader.com.br]. É membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e CEO da startup Livrus Negócios Editorais, uma empresa especializada e com o objetivo levar autores e obras para a Era Digital.

ANOTE NA SUA AGENDA

Workshop: Os Autores e os ambientes Digitais: Como publicar no formato digital
Quando: 17 de janeiro, quinta-feira, às 14h
Onde: Instituto Cervantes
Avenida Paulista, 2.439 | Metrô Consolação
Inscrições gratuitas

Apple é multada na China por vender livros pirateados na App Store


XANGAI | Um tribunal chinês multou a Apple em 1 milhão de iuanes [160,4 mil dólares] por aplicativos na App Store venderem livros digitais [ebooks] pirateados, afirmou nesta sexta-feira a agência de notícias oficial Xinhua.

A Apple terá que indenizar oito escritores chineses e duas companhias por violar direitos autorais, segundo a Xinhua.

Um grupo de escritores chineses entrou com uma ação contra a Apple neste ano alegando que aplicativos na App Store vendiam ebooks sem autorização. Os oito autores exigiam 10 milhões de iuanes em indenização.

Estamos desapontados com a decisão. Alguns dos autores que mais vendem na China vão receber somente 7 mil iuanes. A decisão estimula a pirataria“, disse à Reuters o representante do grupo, Bei Zhicheng.

A Apple afirmou em comunicado que “leva muito a sério” a questão de infração de direitos autorais.

Estamos sempre refinando nosso serviço para ajudar os autores a proteger seus direitos“, afirmou a porta-voz da empresa norte-americana Carolyn Wu.

Por Melanie Lee | Reuters | 28/12/2012, às 08h00

China condena Apple por quebra de direito autoral de escritores


Um tribunal de Pequim condenou a Apple hoje a pagar 1,03 milhão de yuans, cerca de US$ 165 mil, a um grupo local de escritores que acusam a fabricante do iPhone de vender cópias de seus livros on-line. As informações foram divulgadas pela agência de notícias do governo, “Xinhua”. Segundo a publicação estatal, oito chineses processaram três companhias, entre elas a Apple, e seus advogados argumentam que um software na App Store continha edições não licenciadas de seus trabalhos. Originalmente, a ação judicial considerava o pagamento de 10 milhões de yuans. Em nota, a empresa de Tim Cook informou que “leva a quebra de direitos autorais bem a sério” e disse que recebeu bem as reclamações feitas pelos escritores. O texto ainda mostra que a Apple está “sempre atualizando seu serviço para melhor atender aos detentores de conteúdo e proteger seus direitos”.

Dow Jones Newswires | Publicado originalmente em Valor Econômico | 27/12/2012, às 14h25

ABDR questiona informações


A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] enviou uma nota ao Link questionando as informações publicadas na coluna publicada no dia 17. A entidade diz que a notificação enviada ao site eBooksBrasil não foi por causa de uma obra em domínio público, como foi publicado – mas, sim, referente a uma tradução que ainda está protegida por direitos autorais.

A obra em questão, A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges, está em domínio público. A tradução que está no eBooksBrasil, segundo o responsável pelo site, é de Frederico Ozanam de Barros – que autorizou a publicação. Mas, segundo a ABDR, não há dados sobre a edição e a tradução da obra na versão disponibilizada do site. A entidade alega que o livro que está no site é uma tradução de Aurélio Barroso Rebello e Laura Alvez, publicada pela editora Ediouro, e ainda protegida por direitos autorais. Portanto, pirata – segundo a ABDR.

A entidade também questiona o processo contra o responsável pelo site Livros de Humanas – segundo a ABDR, a ação foi movida contra um “profissional autônomo de transporte de pessoas” e não contra um “estudante da USP”. A entidade refere-se ao titular do domínio do site, registrado nos EUA.

Veja a íntegra da nota:

A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] gostaria de informar ao OESP a sua versão dos fatos narrados na coluna da jornalista Tatiana de Mello Dias publicada no Caderno Link no dia 17/12/2012.

Referida coluna informava que a ABDR havia enviado uma notificação para o titular do sítio eBooksBrasil remover o conteúdo da obra literária cujo título era A Cidade Antiga de autoria de Fustel de Coulanges que estava em domínio público e que o seu tradutor havia autorizado tal disponibilização.

Ocorre que a notificação da ABDR referia-se a uma tradução dessa obra que ainda goza de proteção da Lei de Direitos Autorais, tradução essa de autoria de Aurélio Barroso Rebello e Laura Alvez. E no conteúdo da obra disponibilizado nesse sítio os dados de sua edição e da sua tradução foram suprimidos, o que prejudicou a identificação da tradução.

No ano de 2.012 a ABDR enviou – em média – 6.395 notificações por mês para sítios que disponibilizam os conteúdos de obras literárias sem autorização dos respectivos titulares de direitos autorais. Do total de mais de 76.400 notificações enviadas, 98,75% dos sítios notificados retiraram os conteúdos disponibilizados ilegalmente em 24h, e em menos de 0,16% dos casos os titulares dos sítios responderam para a ABDR informando que possuíam autorizações dos titulares de direitos autorais para disponibilizar os conteúdos das suas obras.

Relativamente à ação judicial proposta pela ABDR em face do sítio “livrosdehumanas”, também mencionada na matéria do dia 17/12/2012, convém destacar que fora ajuizada em face do seu titular – registrado no órgão registrador de domínios norte-americano – o qual ao se defender no processo asseverou ser um profissional autônomo de transporte de pessoas e não um estudante universitário.

Esta é a posição da nossa entidade sobre os fatos acima.

Por Tatiana de Mello Dias | LINK | 21 de dezembro de 2012, às 18h32

Presidente da ABL defende direitos de autor na internet


À Folha Ana Maria Machado, reeleita na 5ª à frente da entidade, falou também sobre romance político de 1991 que relança agora

A Academia Brasileira de Letras deve se abrir mais às comunidades carentes, à cultura popular e ao exterior a fim de “sair do gueto cultural em que às vezes fica“. Precisa também defender a soberania e o respeito ao trabalho.

Com essas ideias, a escritora Ana Maria Machado, 70, foi reeleita, na quinta, presidente da entidade. O projeto do Marco Civil da Internet é um dos pontos cruciais de discussão no momento. Ela considera essencial preservar os direitos autorais. “Não é posição de política partidária; é uma defesa da cultura nacional“, declara à Folha.

Atualmente, os provedores são alertados por autores ou editores quando textos são usados de forma indevida. Segundo ela, no ano passado houve 80 mil notificações, e as reproduções foram retiradas do ar imediatamente para não caracterizar pirataria.

Está em discussão a proposta de que a retirada do ar só ocorra com ordem judicial. Provedores, que lucram com internautas em busca de conteúdo, querem afrouxar controles. Autores, que vivem da produção de conteúdo, querem defender seus direitos.

Para Machado, foi nessa questão que a ABL pela primeira vez assumiu a frente da luta política. Ela acha que a pressão está surtindo efeito. “Só fizemos isso porque não dependemos do governo; temos posição independente.

Sobre a polêmica acerca da produção de biografias, diz que “biografia autorizada é um contrassenso“. “Não é possível que o Brasil seja o único país a ter uma legislação proibitiva. Isso sempre ocorre com herdeiros totalmente secundários querendo ganhar alguma coisa. Se uma biografia difamar alguém, existe o Judiciário“.

Biografia autorizada é laudação, como elogio em boca própria é vitupério, como já dizia Tia Nastácia“, brinca, lembrando a personagem de Monteiro Lobato. Falando nisso, o que pensa sobre a polêmica que envolve a obra do autor, acusada de racismo?

É lamentável. Não há limite para os pretextos de que as pessoas são capazes para não ler ou para impedir que os outros leiam. A obra dele não fez de ninguém racista.

Autora de mais de cem livros, Machado é premiada por sua produção infantojuvenil. Recebeu a Medalha Hans Christian Andersen, tido como o Nobel da Literatura Infantil. Somente o seu “Bisa Bia, Bisa Bel” vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares.

Artista plástica e depois jornalista, ela enveredou pela literatura quando precisou se exilar em 1969. Seu fusca creme tinha sido utilizado no sequestro naquele ano do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick. Da operação participara seu irmão, Franklin Martins, que foi ministro da Comunicação Social no governo Lula.

Na França, foi aluna de Roland Barthes e fez doutorado em linguística e semiologia, dando aulas na Sorbonne.

Ela relança agora um de seus nove romances. “Canteiros de Saturno” [Alfaguara, R$ 39,90, 304 págs.], de 1991, se passa na transição da ditadura para a democracia. Hoje a autora avalia que o texto teve o mérito de perceber a violência urbana que passava a tomar conta do país.

Mas diz ter “uma relação muito estranha” com a obra. É que, semanas depois de concluir o texto, recebeu o diagnóstico de câncer de mama e teve que passar por uma mastectomia radical. “Foi devastador. Não pude dar entrevista sobre o livro, ele foi muito injustiçado“, afirma.

Foi uma fase dura. Passou pelo tratamento e processou o plano de saúde para reconstituir as mamas. “Entrei na cirurgia com o advogado e a liminar”, recorda. E depois? “Aprendi a relativizar certas coisas, me aborrecer menos e valorizar os meus amigos.

Casada, três filhos, dois netos, ela diz que gosta de escrever todos os dias pela manhã. Para depois da presidência da ABL, um plano: “Tirar um sabático e sair à deriva.

Por Eleonora de Lucena | Folha de S. Paulo | 08/12/2012

Direitos autorais para autores direitos


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 08/11/2012

Esta semana a Academia Brasileira de Letras abrigou autores, compositores, editores e um diretor de um megagrupo de comunicação em uma comissão que representaria os “criadores em defesa de seus direitos autorais”. O evento foi menos um debate e mais uma demonstração institucional para influenciar alguns pontos do Marco Civil da Internet, em discussão na Câmara dos Deputados. Como todos integrantes da mesa estavam alinhados [na “defesa da remuneração do autor”], o que era para ser uma discussão acabou soando como um daqueles coros de Cassandras que, por mais afinadas que sejam em cantar as desgraças eminentes, nunca conseguem mudar o curso das tragédias. [E não mudaram: os direitos autorais ficaram fora do projeto, a pedido do MinC]

Faltou na reunião dos “criadores” uma voz dissonante, e das mais estridentes, como a de Cory Doctorow, que chega ao Brasil na semana que vem, para participar da Fliporto, em Olinda [e que liberou o texto Criatividade versus copyright em licença Creative Commons]. Cory foi um dos primeiros autores a distribuir seus e-books, por conta própria, e gratuitamente. Este é um argumento que usa para provar que o caos da internet não significa a penúria do artista: ele atribui à distribuição gratuita de seus textos o fato de ser autor best-seller do New York Times.

Porém nem mesmo um carbonário como Cory Doctorow tem as respostas para a questão tratada na ABL: como garantir o ganha-pão dos escritores e outros artistas. Segundo a fórmula que ele pomposamente chama de “Segunda Lei de Doctorow”,

É difícil transformar a fama em dinheiro, mas é impossível transformar a obscuridade em dinheiro”. Como bem disse Tim O’Reilly, “o problema para a maioria dos artistas não é a pirataria — é a obscuridade”. Essa é uma excelente observação, mas do jeito que as coisas são, ser meramente reconhecido não garante que você vai ganhar dinheiro suficiente para se manter. O fato é que a maioria dos artistas jamais ganhou dinheiro para se manter e jamais ganhará. […] Não estou celebrando isso, estou apenas mostrando um fato. Porém, mesmo assim, as pessoas continuam fazendo arte.

Ainda que desoladora, esta é uma visão mais adulta que a do grupo da ABL, no sentido que ela não está procurando culpados para linchar [a pirataria! o Google! a internet!] e sim reconhecendo que a situação simplesmente não é a mesma e, portanto, já não podemos lidar com as mesmas regras e conceitos. A presidente Ana Maria Machado, em nome da Academia, pronunciou que

é do interesse de grandes empresas apresentar os artistas e demais produtores de conteúdo como egoístas por não compartilharem suas obras livremente na internet. Ora, por que eles não teriam direito a receber por isso? O tempo da escravidão acabou há muito!

Antes de apontar quem é que estaria obrigando os artistas a compartilharem [isto é, publicarem] livremente, temos que definir que “grandes empresas” entraram no jogo. Se antes autores, publicadores e leitores formavam um triângulo amoroso [quando dava certo], hoje a relação é mais promíscua. Um “conteúdo” produzido por um autor, e publicado por uma editora estará também na mídia social [como o Facebook], além de ser aglutinado por procuradores [como o Google]. Mesmo na forma de livro, agora hávendedores com mais poder que as editoras [como a Amazon]. Assim, para o autor, o modelo tradicional — o de passar uma procuração para a editora fazer o que tem de ser feito, e ir para casa escrever — é apenas uma entre tantas opções. Agora ele pode, tecnicamente, tornar-se seu próprio publicador. [Paradoxalmente, o libertário Cory Doctorow não aconselha a empreitada solo: “uma enorme quantidade de coisas está além do poder dos artistas e requerem uma instituição. Então, autores e editoras ainda são uma boa parceria — quando funciona”.]

Seria mais produtivo, se quisermos descobrir como o autor conseguirá bancar seu queijo-quente, como perguntou Margaret Atwood, abandonar de vez nossos conceitos. O grande entrave às negociações para a viabilização econômica do escritor na era digital é a insistência em enxergar o produto cultural como mercadoria, tal como ela emergiu na Revolução Industrial — estanque e estocável, podendo ser guardada em um galpão, e trancado. O livro digital [e mesmo o impresso sob demanda] não precisa ser contido — ou melhor, não pode ser contido.

Uma frase de efeito sobre a internet, cunhada já há 30 anos, postulava que “the information wants to be free”. Você pode traduzir “free” tanto por “livre” quanto por “gratuita”, e a frase não será menos verdadeira. Porém a segunda parte desse aforismo, que muita gente ignora, é “a informação quer ter valor”. O livro digital está se tornando cada vez mais etéreo, com a tendência à leitura nas nuvens e às bibliotecas, pessoais ou públicas, em sistema de assinatura. Não se vai mais pagar por um livro, vai se pagar pela leitura. Ainda não sabemos como as editoras serão remuneradas nesse novo modelo de negócio, o que dirá da remuneração do autor. Mas os músicos já descobriram como ganhar dinheiro [mal ou bem] com a música, e não com CDs, e talvez os escritores aprendam a ganhar dinheiro com o texto, e não os livros. O compositor Leoni observou que “estamos pensando na internet conforme o modelo antigo: como ganhar dinheiro vendendo música. Talvez não seja nada disso.” Já Claudio Soares opina que, se a indústria desenvolveu um modelo econômico para remunerar o software livre, pode muito bem achar a viabilidade econômica do livro livre.

Enfim… Quando os imortais da ABL ainda eram adolescentes, Marshall McLuhan, falando sobre a chegada de novas mídias, já dizia que “o livro era a extensão do olho” e que “sempre olhamos para o futuro com os óculos do passado”. Pelo visto, para conhecer o futuro do livro, e daqueles que os escrevem, vamos ter que enxergar bem mais longe.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 08/11/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.