Aparelho tipo scanner cria sua própria biblioteca digital


O Czur Scanner é um dispositivo que promete tornar a digitalização de documentos e livros algo mais prático. Desenvolvido para operar conectado à uma rede Wi-Fi, o dispositivo conta com tecnologias que fazem da digitalização de livros inteiros um processo mais fácil e que eliminam problemas comuns encontrados por quem tenta realizar esse procedimento com scanners normais.

A lombada do livro causa deformação na página e, mesmo com um scanner amplo, o processo de digitalização da página irá, inevitavelmente, produzir uma imagem distorcida. Com o Czur, a imagem resultante do processo é filtrada por um algoritmo, que identifica a distorção e a corrige.

Czur funciona conectado à Internet e pode ser usado para digitalizar livros inteiros | Foto: Reprodução/YouTube

Czur funciona conectado à Internet e pode ser usado para digitalizar livros inteiros | Foto: Reprodução/YouTube

Outra vantagem do dispositivo é o fato de que, conectado à Internet, ele pode funcionar independente de um computador. Documentos e páginas obtidas pelo scanner podem ser armazenadas num serviço na nuvem, facilitando o acesso aos arquivos e o uso do aparelho, já que, dessa forma, não é necessária a instalação de drivers em um PC para gerenciar o dispositivo.

Outra função interessante do scanner é a perspectiva de usá-lo como projetor. Usando a interface HDMI, o equipamento pode exibir em telas grandes imagens ampliadas de documentos e páginas dispostas em sua base.

O vídeo abaixo, em inglês, mostra o scanner em ação:

O scanner foi apresentado no site Indiegogo, de financiamento coletivo. O projeto já superou a meta de arrecadação, mas ainda há tempo para que interessados invistam na iniciativa. Na cota mais barata disponível, é preciso desembolsar US$ 199 [R$ 780]. As entregas estão previstas para janeiro de 2016 e o fabricante envia o produto ao Brasil.

Por Filipe Garrett | Publicado em TechTudo | Globo.com | 20/10/2015, às 07h00

Preciosidades da Biblioteca Monteiro Lobato são digitalizadas


Acervo é comporto por livros didáticos desde o fim do século 19 até meados da década de 1970

A Biblioteca Monteiro Lobato [Rua General Jardim, 485, Vila Buarque, São Paulo/SP] abriga o Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE, constituído por títulos de uso escolar resguardado pelas antigas Bibliotecas Infantis. O espaço reúne várias fases da história e da educação no País desde o fim do século 19 até meados da década de 1970. Cartilhas, primeiras leituras e manuais de ensino, entre outros, compõem esse acervo especial, que contempla todas as disciplinas escolares dos cursos primário e secundário. Mais de 30 títulos antigos já foram digitalizados. Para mais informações, clique aqui.

PublishNews | 26/05/2015

Jornadas Culturais aborda digitalização


11º edição do evento acontece no dia 29 de abril

As Jornadas Culturais 2015, uma série de dez eventos realizados ao longo do ano com foco na preservação da memória, abrirá inscrições a partir de 14 de abril, para o segundo encontro que acontecerá em 29 de abril, na Universidade Presbiteriana Mackenzie [Rua Itambé, 143, Prédio1 ou Rua Maria Antônia, 307, Higienópolis, São Paulo/SP]. Com o tema Digitalização de documentos arquivísticos, o evento contará com palestra de Millard Schisler, mestre em Artes Visuais e especialista em organização, preservação e digitalização de acervos bidimensionais. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas a partir do dia 14/04 no site do Itaú Cultural.

PublishNews | 08/04/2015

Editora investe na digitalização de seu catálogo da área médica


Pelo menos 200 obras da Elsevier já estão disponíveis em formato digital

A editora Elsevier está ampliando o seu catálogo de e-books das áreas médica e veterinária. Dos mais de 880 títulos em formato digital à venda nos parceiros online, 219 já estão disponíveis em formato digital. Dentre as obras disponíveis em formato digital estão os clássicos Guyton e Hall, Gray’s Anatomia, Cecil Medicina, e Netter Atlas de Anatomia.

PublishNews | 03/03/2015

Empresa faz conversão de eBooks sem custos iniciais para editoras


Digitaliza Brasil aposta na parceria com editoras para fazer o mercado do livro digital crescer no Brasil

Em atividade desde 2013, a Digitaliza Brasil acaba de colocar na rua um novo modelo de negócio. A empresa, especializada em conversão e distribuição digital de livros, está abrindo às editoras a possibilidade de converter seus livros para o digital sem nenhum custo inicial. A proposta é fazer a conversão, organizar os metadados e começar a distribuição sem que as editoras coloquem a mão no bolso. A remuneração pela conversão é descontada quando o livro for vendido. Uma vez que os custos da conversão tenham sido cobertos, a empresa passa a fazer a ser remunerada apenas pela distribuição. Para Igdal Parnes, sócio-fundador da empresa, é uma forma de aumentar o número de editoras brasileiras no mundo digital. “Se a gente não for parceiro das editoras, o mercado de e-books não vai decolar no Brasil. Nesse modelo, as editoras entram no mundo digital sem colocar um tostão no negócio”, comentou Igdal que deixou a direção geral da Campus em 2012 e montou a Digitaliza. A empresa, que segundo Igdal tem pouco mais de 30 editoras na cartela de clientes, faz a distribuição digital para as maiores plataformas de vendas de e-books: Amazon, Apple, Google, Saraiva, Cultura e Barnes & Noble. “A nossa filosofia é passar a maior porcentagem de receitas para as editoras. É uma maneira de mostrar para o mercado que a gente está junto com as editoras”, disse. Nesse modelo recém lançado, a Digitaliza diz que já está convertendo cerca de 500 livros e a expectativa é que esse número chegue a seis mil até o fim do ano. “Temos capacidade para isso”, bate no peito. Sobre a chegada da BookWire ao mercado brasileiro [leia matéria sobre isso clicando aqui], Igdal diz estar confiante no potencial da Digitaliza. “Acredito que o mercado brasileiro é ainda muito pequeno, mas torço para que tenha espaço para todos”, disse ao PublishNews. Atualmente, no Brasil, há, além da Digitaliza e da BookWire, outros três players: Xeriph, DLD e Acaiaca. Contatos com a Digitaliza podem ser feitos pelo e-mail igdal@digitalizabrasil.com.br.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 26/02/2015

Preservação da memória


Livro reúne especialistas de conservação de arte digital e de digitalização de acervos

Futuros possíveis: arte, museu e arquivos digitais [Peirópolis/Edusp, 648 pp., R$ 69] trata-se do primeiro livro brasileiro dedicado à reflexão sobre a preservação da memória e da cultura digital, reunindo especialistas da área de conservação de arte digital e de digitalização de acervos. Fruto de seminário realizado na USP em 2012, a obra, organizada por Giselle Beiguelman [FAU-USP] e Ana Gonçalves Magalhães [MAC-USP], conta com artigos de um time de experts nacionais e internacionais que abordam da preservação da arte “nativamente” digital aos processos de conservação de acervos digitalizados.

PublishNews | 02/12/2014

Mato Grosso põe na web 700 obras raras de seus autores


Primeiras obras já estão disponíveis em plataforma de Biblioteca Estadual. Público poderá ter acesso a obras publicadas no século XVII e XIX.

Obra de Rubens de Mendonça também está online. Foto: Biblioteca Pública

Obra de Rubens de Mendonça também está online. Foto: Biblioteca Pública

A Secretaria de Estado de Cultura [SEC] em parceria com a Casa Barão de Melgaço passou a disponibilizar a partir da última quinta-feira [27] um acervo de livros raros de autores mato-grossenses que foram digitalizados e ficarão à disposição do público. As obras estão disponíveis para download em uma plataforma virtual inserida no site da Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça, a maior de Mato Grosso.

Pelo menos 691 obras tidas como raras passaram pelo processo de digitalização desde o ano de 2012, quando o projeto teve início.

Uma parceria do Instituto Geográfico de Mato Grosso com a Casa Barão de Melgaço, o projeto tem como intuito disponibilizar, por meio da internet, livros de importantes autores e historiadores de Mato Grosso ao público nacional e internacional. O acervo compreende obras literárias, populares e científicas.

Todas as obras foram selecionadas por historiadores que tiveram como critério as normas estipuladas pela Biblioteca Nacional.

Segundo a historiadora responsável pelo projeto, Fernanda Machado, foram digitalizados livros do século XVII e XIX. Obras que estavam esgotadas e foram publicadas apenas uma vez também tiveram prioridade. Alguns volumes não podem ser mais manuseados e somente historiadores têm acesso a eles.

De imediato, a Biblioteca Pública Estevão de Mendonça deve disponibilizar as obras nas quais os direitos autorais já foram cedidos pela família ou pelo próprio escritor.

As primeiras obras disponibilizadas são livros dos escritores e historiadores Estevão e Rubens de Mendonça, além do historiador Paulo Pitaluga. Inicialmente, 50 obras devem estar a disposição do público em geral.

Publicado originalmente em G1 | 30/11/2014, às 10h51

Biblioteca Central da UFPB vai digitalizar 10 mil teses e dissertações


Previsão é a de que todo o acervo esteja disponível em 2015.Em torno de 3 mil teses e dissertações já estão digitalizadas.

Em torno de 10 mil teses e dissertações impressas produzidas na UFPB vão passar pelo processo de digitalização a partir de novembro. Material será disponibilizado na internet. [Foto: Maurício Pereira da Costa ]

Em torno de 10 mil teses e dissertações impressas produzidas na UFPB vão passar pelo processo de digitalização a partir de novembro. Material será disponibilizado na internet. [Foto: Maurício Pereira da Costa ]

Teses e dissertações produzidas em quase quatro décadas na Universidade Federal da Paraíba, que antes se restringiam à consulta presencial, vão estar disponíveis a partir de 2015 com mais de 10 mil títulos correspondentes à produção de 1970 até 2007. Outros três mil títulos já estão disponíveis na plataforma da Base Digital de Teses e Dissertações Brasileiras, vinculada ao Ministério da Educação e Cultura [Mec]. A Biblioteca Central da instituição está entrando em contato com os autores para solicitar autorização de digitalização e publicação posterior.

A intenção é tornar toda a produção acadêmica da pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba acessível à população, que atualmente só tem a busca presencial como alternativa de pesquisa no próprio prédio da Biblioteca Central, no Campus I, em João Pessoa.

A bibliotecária e diretora da Divisão de Serviço ao Usuário, Susiquine Ricardo da Silva, explicou que a partir de novembro o trabalho de digitalização começa e todo o acervo deve estar disponível em 2015. “Esse trabalho vai tornar acessível todo esse trabalho de pesquisa realizado em âmbito nacional e internacional. Atualmente, esse acervo só está disponível na Biblioteca Central e não pode ser emprestado. Poucos alunos e professores têm acesso. Com a digitalização ampliamos a possibilidade de divulgação das pesquisas da UFPB”, frisou.

O Setor de Coleções Especiais, onde ficam armazenadas as coleções de dissertações e teses recebe a visita diária de 15 usuários, nos três turnos, para consultar os exemplares. O acervo impresso da Bibilioteca Central da UFPB é de 13 mil dissertações e teses impressas. Desse total, 3 mil já estão inseridas na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações [BDBT].

Por Wagner Lima | Publicado originalmente em Portal G1 | 21/09/2014

Bibliotecas podem digitalizar livro sem autorização, decide corte europeia


O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que o direito dos autores pode ser flexibilizado em prol do compartilhamento do conhecimento. Por isso, uma biblioteca pode digitalizar uma obra mesmo contra a vontade do detentor dos direitos autorais e disponibilizar essa obra para o público. O documento digitalizado pode até ser impresso ou salvo em cartões de memória pelos leitores, mas, nesse caso, é necessário que seja paga uma quantia ao autor, como se a obra tivesse sido comprada.

A decisão da corte, anunciada recentemente, joga luzes sobre como as bibliotecas têm de se portar frente ao aumento da procura por livros digitais, os chamados e-books. Pelo entendimento firmado, ainda que a editora ofereça à biblioteca a obra digitalizada, esta pode recusar e fazer a sua própria digitalização.

O julgamento aconteceu num pedido de esclarecimentos feito pelo Tribunal Federal de Justiça da Alemanha. Lá, uma biblioteca se negou a adquirir a versão digital de determinados livros e decidiu escanear a obra para disponibilizar para os usuários em seus terminais de leitura. A editora não gostou e reclamou à Justiça, alegando ser a detentora dos direitos autorais.

Como regra geral, cabe ao autor o direito exclusivo de autorizar ou proibir a reprodução e comunicação das suas obras. A Diretiva 2001/29/CE do Parlamento Europeu, no entanto, prevê algumas exceções. Uma dessas exceções garante que as bibliotecas disponibilizem em computadores internos a obra para os leitores acessarem.

Ao analisar o conflito, o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou que esse direito das bibliotecas também garante a elas que digitalizem obras sem consultar seus autores. Esses livros devem ficar disponíveis gratuitamente apenas em computadores internos. O tribunal avaliou que o leitor pode imprimir ou salvar partes da obra em um cartão de memórias. Mas, nesse caso, deve ser paga uma contrapartida ao detentor do direito autoral.

Consultor Jurídico | 19/09/2014

Empresa de TI explica desafio de digitalizar a Biblioteca do Vaticano


A empresa japonesa NTT Data começou, entre março e abril deste ano, um longo processo para digitalizar todo o acervo da Biblioteca Apostólica do Vaticano. Ao todo, são 82 mil manuscritos, totalizando mais de 41 milhões de páginas. São números que já dão uma ideia da dimensão do trabalho que os 50 envolvidos enfrentam – e que fica mais complicado se considerarmos os diferentes tipos de documentos guardados no local e a alta exigência de espaço para armazenar tudo.

Há manuscritos muito frágeis, que precisam de cuidados especiais no manuseio”, explicou a INFO Dalton Dallavecchia, executivo da NTT Data no Brasil. Conforme descreveu o brasileiro, alguns dos documentos não podem ser muito abertos, resistindo no máximo a um ângulo de aberutra de 100 graus. “Usamos suportes especiais de livros nesses casos, além de um software que corrige as imagens que não foram capturadas em um ângulo raso”, completa.

A biblioteca, inaugurada ainda em 1475, ainda conta com algumas obras orientais escritas em rolos enormes, que precisam ser escaneadas aos poucos, em partes separadas. O trabalho todo gera vários pedaços, que depois são unificados com a ajuda de ferramentas dos softwares utilizados no processo de virtualização.

Armazenamento e big data – Para a primeira fase da iniciativa, uma pequena parcela do acervo será escaneada. Mas mesmo que não represente muito, serão necessários 3 Petabytes para armazená-la. E segundo Dallavecchia, o conjunto todo de manuscritos, que deve ser totalmente escaneado em quatro anos, exigirá pelo menos 20 PB de capacidade de armazenamento – ou 20 milhões de GB, para deixar mais claro.

Os arquivos ficam em servidores baseados na tecnologia Isilon, da norte-americana EMC, voltada para guardar documentos por um longo período. O uso da plataforma também está relacionado à ideia da NTT Data e do Vaticano de disponibilizar o acervo digital a pesquisadores e internautas pelo mundo: ela é voltada para gerenciamento de big data, e caracterizada como uma solução escalável [scale-out]. Ou seja, conforme a demanda de acessos ao grande volume de dados da biblioteca cresce, mais nós [nodes] são adicionados, mantendo o sistema estável.

Digitalização – O número aparentemente exagerado de Petabytes, aliás, tem muito a ver com a qualidade das imagens. O executivo da NTT Data explica que o aparelho usado na digitalização “captura a imagem dos manuscritos com resolução óptica de 400 dpi, usando diferentes tipos de fontes de luz para melhorar a qualidade”.

É uma ação complicada, que envolve por vezes até uma armação para segurar as obras apenas parcialmente abertas – mas que leva só “dois minutos para digitalizar uma página do tamanho de uma folha A4”. No fim das contas, cada scanner é capaz de capturar pelo menos 150 volumes em um ano.

Se quiser acompanhar o progresso do trabalho, dá para checar algumas das páginas digitalizadas na página da própria Biblioteca Apostólica do Vaticano. Por ora, estão disponíveis 975 volumes, e para ver cada um deles, é só clicar no respectivo livro aberto e depois na folha que aparecerá à direita.

info.abril.com.br | 21/08/2014

Ministério da Cultura investe na integração de acervos digitais


O Ministério da Cultura [MinC] está desenvolvendo um projeto para integrar coleções digitais de arquivos, bibliotecas e museus brasileiros. O objetivo é facilitar e ampliar o acesso da população a documentos em diversos formatos, como textual, iconográfico, áudio e vídeo.

A Secretaria de Políticas Culturais trabalha, atualmente, na definição de padrões e protocolos para que seja possível acessar, de uma única vez, informações sobre temas específicos em diferentes acervos digitais públicos.

Hoje, caso alguém queira fazer uma pesquisa, precisa acessar cada acervo separadamente. Com a interoperabilidade dos sistemas, será possível criar ambientes em que uma pessoa que esteja, por exemplo, pesquisando sobre maracatu tenha acesso, ao mesmo tempo, a filmes sobre o tema armazenados pela Cinemateca Nacional, a livros do acervo da Biblioteca Nacional e a músicas guardadas pela Funarte [Fundação Nacional das Artes]“, explica o coordenador-geral de Cultura Digital do MinC, José Murilo Carvalho Junior.

Outro fato interessante é que esse conteúdo armazenado nos diversos acervos também poderá ser acessado por meio de aplicativos desenvolvidos por terceiros para diferentes tipos de mídias, como computadores, celulares e tablets“, completa.

José Murilo destaca também que a implantação de uma plataforma digital pública que disponibilize, de forma aberta [open data], dados organizados relativos à cultura brasileira permitirá mais transparência na governança e na promoção do acesso à cultura, além do apoio ao desenvolvimento de aplicações e serviços inovadores; e novas oportunidades de negócios e empregos. “É um arranjo que busca pôr em prática a visão do governo como plataforma para a ação colaborativa da sociedade“, observa.

O edital Preservação e acesso aos bens do patrimônio afro-brasileiro, lançado em dezembro de 2013 pelo MinC, em parceria com a Fundação Palmares e a Universidade Federal de Pernambuco, vem sendo a ferramenta utilizada para levantar subsídios e articular estratégias interinstitucionais para a integração dos acervos públicos.

Escolhemos esse recorte temático [história e cultura afro-brasileira] para delimitar o escopo do trabalho e ser possível integrar todos os projetos selecionados pelo edital. Estamos formando expertise nacional que permita a interoperabilidade entre os diferentes acervos e fomentando aplicações que promovam o compartilhamento de recursos, especialmente os de infraestrutura tecnológica, para assegurar a preservação, a manutenção e o acesso livre e permanente aos ativos digitais gerados neste concurso e, futuramente, aos demais acervos digitais do país“, explica.

Por meio desse trabalho, o Ministério da Cultura está gerando subsídios para a criação de uma futura política nacional para coleções digitais que envolva a digitalização e a disponibilização de acervos arquivísticos, bibliográficos, documentais e museológicos referentes ao patrimônio cultural, histórico, educacional e artístico brasileiros.

A digitalização de acervos representa um grande desafio para os gestores públicos. São necessários recursos significativos em infraestrutura tecnológica e também na formação e manutenção de recursos humanos especializados nas diversas etapas que envolvem a digitalização, a catalogação e a publicação de conteúdos digitais. Para trabalharmos tudo isso de forma ordenada, é importantíssimo que haja uma política de Estado específica para o tema“, considera José Murilo.

O trabalho que vem sendo desenvolvido no País tem como referência experiências bem-sucedidas nos Estados Unidos e na Europa. Servidores do MinC visitaram a Biblioteca Digital Europeana, em Haia, na Holanda, considerada referência mundial em oferta de informações ao público por meio de plataforma digital, e o JISC, em Londres, entidade especializada em informações e tecnologias digitais para educação e pesquisa, entre outras instituições. Também vem sendo levada em conta a experiência da Biblioteca Digital Pública Americana, criada em 2013.

Tivemos a oportunidade de conhecer de perto o que há de mais moderno em cultura digital. A Europeana, por exemplo, reúne acervos de bibliotecas, arquivos e museus dos países membros da União Europeia em 27 línguas. Essas experiências vêm sendo bastante relevantes para o trabalho que estamos realizando aqui no Brasil“, destaca José Murilo.

Portal Brasil – 19/08/2014

Biblioteca da Câmara conclui digitalização de 200 obras raras


Foi concluído o projeto de digitalização de 200 obras raras do acervo da Biblioteca Pedro Aleixo, da Câmara dos Deputados. Os livros e periódicos, que datam dos séculos 16 ao 20, já podem ser acessados gratuitamente na página Biblioteca Digital na internet.

No total, a Câmara possui cerca de 4.600 obras raras e 108 títulos de periódicos raros. As 200 obras digitalizadas foram selecionadas a partir de aspectos como conteúdo, elevado valor histórico e demanda de consultas.

Entre os títulos digitalizados recentemente estão coletâneas da legislação do Império e edições do Jornal das Trincheiras [órgão da Revolução Constitucionalista de 1932]. A obra mais antiga que está disponível no formato digital é um relato em latim, do ano de 1537, sobre as grandes expedições de navegadores como Cristóvão Colombo e Américo Vespúcio.

Preservação do acervo

O projeto de digitalização foi concluído seis meses antes do previsto, já que a expectativa era finalizá-lo em dezembro deste ano. A digitalização foi feita com o uso de escâneres planetários, equipamentos que registram o material impresso em alta resolução sem danificar as páginas do arquivo.

As publicações digitalizadas estão disponíveis no site www.camara.leg.br, nos menus “Documentos e Pesquisa”, “Biblioteca Digital” e “Obras Raras”. Para acessar, clique aqui.

Câmara dos Deputados | 30/07/2014 | Da Redação PT

Empresa cria versões digitais de livros e cresce 400% em um ano


O mercado de livros digitais é uma tendência e cresce no Brasil. Em 2013, as versões digitais representaram quase 5% do setor editorial e, em 2014, devem fechar com uma participação de 10%. O e-book está conquistando adeptos no Brasil por causa da praticidade, interatividade e do baixo custo.

O empresário Greg Bateman veio dos Estados Unidos para investir no mercado brasileiro de e-books. Sua empresa, a Hondana, cresceu 400% no ano passado. “Quando eu cheguei aqui no Brasil, em 2012, os livros digitais eram 1% do mercado editorial. Neste ano, acho que vamos chegar até 10% do mercado”, diz o empresário.

Esta alta é impulsionada pelo aumento das vendas de computadores, tablets e smartphones no país. Em 2014, deverão ser vendidos mais de 70 milhões de aparelhos, de acordo com a IDC Brasil, empresa de consultoria do setor de tecnologia da informação.

A empresa de Greg Bateman tem capacidade para digitalizar 100 livros por mês. Ela é contratada por editoras e recebe prontos os textos, fotos, vídeos e áudios. Em dois anos de atividade, a empresa já digitalizou 2.500 livros. O faturamento do negócio foi de mais de R$ 100 mil em 2013.

A adaptação de um livro físico para a versão digital pode demorar três semanas, de acordo com o tamanho da obra e da ferramenta que vai oferecer ao leitor. No e-book é possível regular o tamanho da fonte, o brilho da tela e a cor do fundo. Além disso, o leitor ainda pode fazer anotações, pesquisar o significado de palavras e compartilhar trecho em redes sociais.

A DSOP, editora especializada em livros de educação financeira, contratou a empresa de Greg Bateman e todo o acervo foi digitalizado. Hoje, 5% do faturamento vêm do comércio de e-books.

Hoje, a editora lança simultaneamente as versões física e digital. O volume virtual não tem custos de impressão, distribuição e logística, por isso sai bem mais em conta para o cliente final. Mas apesar de todos os atrativos do e-book, o livro de papel ainda está muito longe de acabar.

G1 – 25/05/2014

Jornais da Biblioteca Pública serão digitalizados


Secretário Felipe Melo autorizou a aquisição de equipamentos que viabilizarão a digitalização de todos os jornais, tamanho standard, que integram o rico acervo da Biblioteca Pública do Estado. Deve assinar também ordem de serviço para as obras de recuperação do Memorial Cruz e Souza, nos fundos do Palácio Cruz e Souza.

Clickrbs.com.br | 16/05/2014

Livraria do Vaticano irá digitalizar arquivos e publicá-los na Internet


A livraria do Vaticano iniciou um projeto nesta quinta-feira para digitalizar milhares de manuscritos históricos, datados da origem da Igreja ao século XX, que ficarão disponíveis online.

Trabalhando com a empresa japonesa de tecnologia NTT Data, a livraria pretende escanear e digitalizar arquivos de cerca de 1,5 milhão de páginas de sua coleção de manuscritos, que compreende 82 mil itens e 41 milhões de páginas. O projeto inicial levará quatro anos e pode ser ampliado.

A livraria do Vaticano data do século XIV e é uma das coleções de documentos históricos mais importantes do mundo. Inclui 1,6 milhão de livros e grande coleção de fotografias e moedas, assim como arquivos manuscritos.

Os manuscritos que serão digitalizados remetem à América Pré-Colombiana à China e ao Japão, passando por todas as línguas e culturas que marcaram a Europa“, disse monsenhor Jean-Louis Brugues, arquivista e bibliotecário da Igreja Católica.

A livraria usará scanners NTT para gravar os manuscritos e software para gerenciar a coleção. Técnicos da companhia japonesa irão trabalhar com bibliotecários do Vaticano.

Por Antonio Denti | Reuters | 20/03/2014, às 18:13

Empresa japonesa digitalizará 15 mil manuscritos da Biblioteca do Vaticano


A empresa japonesa NTT DATA irá digitalizar cerca de 3 mil manuscritos da Biblioteca do Vaticano num período de quatro anos, e 15 mil no total até 2018, no âmbito de um acordo inédito assinado nesta quinta-feira [20].

Durante uma coletiva de imprensa, o arquivista e bibliotecário do Vaticano, o francês Jean-Louis Bruguès, o prefeito da Biblioteca, o italiano Cesare Pasini, e o presidente e CEO da NTT DATA Corporation, Toshio Iwamoto, apresentaram o acordo no valor de 18 milhões de euros [US$ 22,6 milhões] e válido até 2018, que constitui apenas “a primeira fase da colaboração” entre as duas partes.

O bispo Casini explicou que o grande projeto para digitalizar todos os livros da Biblioteca começou há alguns anos e que o contrato com a NTT DATA vai possibilitar a digitalização de um total de 15 mil manuscritos até 2018.

A NTT DATA e a Biblioteca Apostólica do Vaticano [BAV] assinaram um contrato inicial para a operação que digitalizará e preservará cerca de 80.000 volumes e 41 milhões de páginas, que podem ser consideradas patrimônio histórico da humanidade, escritas entre o II e o XX séculos“, informou Iwamoto.

A Biblioteca do Vaticano é única em razão de sua variedade geográfica e antiguidade dos documentos. Dez manuscritos de valor histórico e artístico estão entre os 3.000 que serão digitalizados pela NTT DATA, segundo o Vaticano.

O bispo Bruguès ressaltou a vontade da Santa Sé “em disponibilizar este imenso tesouro que lhe foi confiado, oferecendo-o para livre consulta na web“.

Os manuscritos que serão digitalizadas vão da América pré-colombiana ao Extremo Oriente chinês e japonês, passando por todas as línguas e culturas que alimentaram a Europa“, observou o prelado francês.

A missão da Biblioteca é “levar à periferia as mais diversas culturas“, acrescentou, repetindo uma fórmula do Papa Francisco.

A NTT DATA Corporation, que fornece serviços em mais de 40 países, foi selecionada por ser especializada na preservação a longo prazo de manuscritos digitalizados.

G1 | 20/03/14

Sesc de Sorocaba [SP] possui aparelho que converte o texto digitalizado em áudio ou para o sistema braile


Os livros podem ser ouvidos com a ajuda da tecnologia. O ato de transformar as palavras impressas em som ocorre com o auxílio de um equipamento desenvolvido às pessoas com deficiência visual. O aparelho está instalado na biblioteca do Sesc Sorocaba e também é capaz de converter o texto digitalizado para o sistema braile.

Basta o visitante da biblioteca escolher uma obra na prateleira e solicitar a digitalização do conteúdo. A pessoa não precisa ser matriculada no Sesc Sorocaba.

O scanner Sara é um dos mais modernos de atualidade no segmento de acessibilidade aos deficientes visuais. O objetivo do aparelho é permitir a leitura de livros, revistas e jornais por pessoas com baixa visão ou ausência total dela.

A aparelhagem permite a leitura dos livros e periódicos de forma autônoma. O scanner é conectado a outro equipamento, que converte o texto digitalizado para o sistema braile e pode ser utilizado também com o pen-drive e CD. O deficiente visual tem a opção de gravar o texto selecionado e, caso a pessoa não seja alfabetizada em braile, existe a opção de ouvir o conteúdo da obra.

O aparelho usa a mais recente tecnologia para o reconhecimento e leitura de caracteres de uma maneira clara. Uma voz quase humana sintetizada, com 36 opções com timbres masculinos e femininos, não chega a desapontar os ouvidos mais exigentes.

Um dos problemas do scanner é a falta de leitura de letras cursivas. Caso haja uma assinatura escrita a mão em uma carta digitada no computador, o aparelho compreenderá a carta mas não a assinatura.

Segundo o consultor de informática Fabiano Lopes de Castro, 35 anos, o aparelho tem outro problema. “Caso seja digitalizada uma página dividida em colunas, como a folha de um jornal, o software não entenderá essa divisão e fará a leitura por voz de todas as linhas horizontais. Com isso, fica incompreensível“, conta.

Mesmo assim, Castro garante que o Sara é o melhor da atualidade. O consultor de informática fala com propriedade, pois utiliza um equipamento similar na Associação Sorocabana de Atividades para Deficientes Visuais [Asac].

Castro perdeu a visão há dez anos em decorrência de diabetes. Ele morava em Itapeva e, após parar de enxergar, mudou-se para Sorocaba. Desde então, utiliza o equipamento para ler e estudar. “Eu, particularmente, prefiro ouvir. Mas cada um é cada um. Tem gente que prefere ler em braile“, comenta.

A biblioteca do Sesc Sorocaba também disponibiliza um ampliador de caracteres. O aparelho aumenta a imagem do documento colocado na bandeja e a exibe em um tela de LCD. O equipamento é destinado às pessoas com baixa visão. Além disso, o aparelho possibilita a mudança de contraste, cores de fundo e letra e, ainda, insere margens e guias para orientar a leitura.

A biblioteca do Sesc Sorocaba funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 21h30. O local também fica aberto aos sábados, domingos e feriados das 9h30 às 18h. Mais informações pelo telefone [15] 3332-9332.

Cruzeiro do Sul – 04/01/14

Noruega quer disponibilizar todos os seus livros para leitura gratuita on-line


Biblioteca Nacional da NoruegaEm até 23 anos, a Noruega pretende disponibilizar a seus habitantes, pela internet, todos os livros publicados no país, independentemente de estarem protegidos ou não por direitos autorais.

Conforme seus endereços de IP [espécie de identificação de um computador na rede], os noruegueses terão disponíveis obras que vão da Idade Média aos dias de hoje, graças a uma iniciativa da Biblioteca Nacional da Noruega.

Desde 2006, a instituição tem digitalizado a íntegra de seu acervo, tornando todos os textos passíveis de serem lidos on-line e encontrados por ferramentas de busca, como Google, Yahoo! e Bing. Os livros que estiverem em domínio público poderão ainda ser baixados pelos internautas.

Pela legislação, todo conteúdo publicado no país, em qualquer meio, deve ser guardado na Biblioteca Nacional da Noruega. Isso quer dizer que não só livros, mas jornais, fotografias e transmissões radiofônicas e televisivas constituirão o acervo digital.

Outras nações como Reino Unido, Finlândia e Holanda também buscam digitalizar seu acervo físico, mas a Noruega foi uma das primeiras a aderir à ideia de servir como repositório eletrônico do patrimônio cultural da nação.

FOLHA DE S.PAULO | TEC | 16/12/2013, às 03h25

Noruega irá digitalizar e disponibilizar de graça todo seu acervo de livros


Até 2020, a Biblioteca Nacional da Noruega pretende digitalizar todo o seu acervo e oferecer o conteúdo de forma gratuita para qualquer pessoa no território do país

A BIBLIOTECA NACIONAL DA NORUEGA (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

A BIBLIOTECA NACIONAL DA NORUEGA (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

Pode-se dizer que a Noruega planeja digitalizar todos os livros em norueguês. Isso porque, até 2020, a Biblioteca Nacional do país, deverá criar versões eletrônicas para todo seu acervo – e, por lei, todo livro publicado [e todo conteúdo midiático] no país deve ter uma cópia na instituição.

Mas não é só isso. Todo esse conteúdo será disponibilizado gratuitamente não apenas para quem está nas instalações da biblioteca, mas para qualquer um que acesse o sistema de dentro da Noruega. Se seu IP indicar que você está no país, voilá, as portas norueguesas do conhecimento se abrem.

Quando vocês dizem que todo o acervo da biblioteca será aberto digitalmente, isso inclui obras que ainda estão protegidas pelas leis de copyright?“, você pode perguntar. E a resposta é um sonoro SIM. Enquanto no Brasil temos sérias restrições pelos direitos autorais, regulamentados em 1998, antes da era da informação na nuvem, a Noruega quebra as paredes impostas pelos monopólios intelectuais. E, enquanto isso, nossas leis permitem que obras entrem em domínio público apenas 70 anos depois do ano subsequente da morte do autor.

A medida não só estimula uma maior distribuição da cultura, como também a sua preservação. Como aponta este artigo do The Atlantic, quando os futuros arqueólogos da internet buscarem entender a nossa civilização, encontrarão imagens de celebridades, Tumblrs engraçadinhos e GIFs. E, quando forem estudar os noruegueses, terão acesso à toda literatura produzida no país. Tudo porque nossa arte estava restrita ao meio físico, ou protegida por leis muito severas. Nesse sentido, a Noruega poderá ser, no século XVII, o que a Grécia antiga foi para o Renascimento: fonte de inspiração por sua riqueza de registros.

POR LUCIANA GALASTRI | Publicado originalmente e clipado à partir de 12/12/2013, às 15H12

Bíblia de Gutenberg é digitalizada


Fewer than 50 copies of Gutenberg's Bible survive today, and the Bodleian's copy is one of only seven complete examples in the British Isles

Fewer than 50 copies of Gutenberg’s Bible survive today, and the Bodleian’s copy is one of only seven complete examples in the British Isles

Bíblias antigas e textos bíblicos das bibliotecas Bodleian [da universidade de Oxford] e do Vaticano foram digitalizados e disponibilizados para o público pela primeira vez. O primeiro livro impresso da Europa, a Bíblia de 1455 de Gutenberg, é um dos textos agora acessíveis no site do projeto liderado por Oxford e a cidade do Vaticano. O projeto, de 2 milhões de libras, vai digitalizar 1,5 milhão de páginas nos próximos 3 anos. Uma seleção de livros hebraicos e gregos também serão contemplados no projeto, que prevê também a digitalização de obras de Homero, Sófocles, Platão e Hipócrates, em uma fase mais avançada do projeto.

The Hebrew Kennicott Bible owes its name to the English Hebraist Benjamin Kennicott, who was the librarian of the Radcliffe Library in Oxford

The Hebrew Kennicott Bible owes its name to the English Hebraist Benjamin Kennicott, who was the librarian of the Radcliffe Library in Oxford

BBC | 03/12/2013

Noruega está digitalizando todos os livros noruegueses


A Biblioteca Nacional da Noruega está planejando digitalizar todos os livros até os anos 2020. Sim. Todos. Os. Livros. Em norueguês, pelo menos. Centenas de milhares. Todos os livros da biblioteca. Se por acaso você estiver na Noruega [visto pelo IP do computador], você poderá acessar todas as obras do século 20, inclusive as sob copyright. Obras sem copyright estarão disponíveis para download.

Por Alexis C. Madrigal | The Atlantic | 03/12/2013

Google derrota autores em ação contra biblioteca online


O Google venceu, na semana passada, um longo processo aberto por escritores e editoras que o acusavam de copiar, sem permissão, milhões de livros para sua biblioteca online. O juiz Denny Chin, de Manhattan, aceitou o argumento da empresa de que a digitalização de mais de 20 milhões de livros para a ferramenta Google Books e a disponibilização de trechos dos textos online constituía “fair use” [algo como uso justo, ou aceitável] sob a lei de direitos autorais dos EUA. Se sobreviver a uma esperada apelação, a decisão permitirá que o Google continue a expandir sua biblioteca – que, de acordo com a companhia, ajuda os leitores a ter acesso a livros que não encontrariam em outro lugar.

O juiz afirmou que a digitalização dos livros facilita a vida de estudantes, professores, pesquisadores e do público em geral, enquanto mantém uma “consideração respeitosa” pelos direitos dos autores. Ele acredita que a iniciativa do Google é “transformadora”, dando aos livros um novo sentido, e deve impulsionar as vendas, e não prejudicá-las. Chin ressaltou ainda que a empresa tomou as medidas necessárias para evitar que as pessoas tenham acesso às cópias completas dos livros. “Na minha opinião, o Google Books tem benefícios públicos significativos. De fato, toda a sociedade se beneficia”, completou.

Vida nova a livros esquecidos

Paul Aiken, diretor executivo do sindicato dos autores dos EUA – instituição que abriu o processo, em 2005 – afirmou que o grupo ficou desapontado com a decisão e que planeja apelar. “O Google fez edições digitais sem autorização de quase toda a valiosa literatura mundial protegida por direitos autorais, e lucra com a exposição destes trabalhos. Tal digitalização de massa e exploração excede os limites da defesa do fair use”, declarou.

O Google deu início à biblioteca online em 2004 depois de chegar a acordos com grandes bibliotecas de pesquisa para digitalizar obras atuais e esgotadas. Entre as parceiras do projeto estão as bibliotecas das universidades de Harvard, Oxford, Stanford, Universidade da California, Universidade do Michigan e a Biblioteca Pública de Nova York. Segundo o juiz, a digitalização deu “vida nova” a livros esgotados e antigos que “estavam esquecidos” nos cantos das bibliotecas.

Observatório da Imprensa | 19/11/13

Google vence escritores em julgamento sobre digitalização de livros


O Google venceu nesta quinta-feira [14] uma disputa jurídica contra um grupo de escritores que acusava a empresa pela digitalização de milhões de livros por meio do Google Books.

O juiz Denny Chin, de Nova York, aceitou o argumento da companhia de que a digitalização de mais de 20 milhões de livros e a disponibilização de fragmentos na internet não infringiam leis de direitos autorais americanas.

Caso a associação de escritores não recorra da decisão, o Google poderá continuar a expandir sua biblioteca on-line. A empresa afirma que o escaneamento dos livros ajuda os leitores a localizar obras que não poderiam ser encontradas de outra forma.

A decisão representa uma virada na disputa judicial, que começou em 2005, quando escritores e editoras entraram com um processo. O Google estima que deveria mais de US$ 3 bi [R$ 6,9 bi] às editoras se a Authors Guild, associação de advogados que defende os autores, vencesse. A defesa pedia US$ 750 [R$ 1.746] para cada livro digitalizado.

“Essa é uma grande vitória para o Google e dá amparo à defesa de outros resultados de busca com os quais a empresa trabalha, como notícias e imagens“, afirma James Grimmelmann, professor de direito da Universidade de Maryland, que acompanhou o caso.

Para o juiz Chin, a digitalização facilita que estudantes, professores, pesquisadores e o público encontre livros, mantendo “consideração respeitosa” pelos direitos autorais. Ele também disse que o escaneamento é “transformador”, dando aos livros novos propósitos e caráter. Também avaliou que a medida aumentaria as vendas, ao invés de diminui-las.

RECURSO

Paul Aiken, diretor executivo da Authors Guild, disse que o grupo está decepcionado e pretende recorrer da decisão. “O Google faz edições digitais não autorizadas de quase todas as valiosas obras de literatura que possuem direitos autorais e lucra com elas.”

O Google lançou o Google Livros após um acordo em 2004 com as principais bibliotecas acadêmicas para digitalizar obras atuais e fora de circulação. Entre as instituições estavam as bibliotecas das universidades de Harvard, Oxford, Stanford, Califórnia, Michigan e a biblioteca pública de Nova York.

DA REUTERS | 14/11/2013, às 18h16

Vitória do Google: Juiz apoia Google Books


Google BooksDepois de mais de oito anos de litígio, o juiz Denny Chin dispensou o processo da Associação dos Autores [Authors Guild – AG] sobre o projeto de digitalização do Google. “Na minha opinião, o Google Books traz benefícios públicos significativos,” escreveu Chin. “Ajuda o progresso das artes e ciências, ao mesmo tempo mantendo uma consideração respeitosa dos direitos dos autores e outros indivíduos criativos, sem impactar negativamente nos direitos de copyright”, afirmou.

Em resposta à afirmação da AG de que a digitalização teria efeito negativo no mercado de livros, Chin rebateu, dizendo que a declaração não faz sentido: “Pelo contrário, é razoável assumir que o Google Books apenas aumenta as vendas de livros, para o benefício dos detentores de copyrights”. Paul Aiken, diretor da AG, contou ao Publishers Weekly que a irá recorrer da decisão. “O Google fez edições digitais não autorizadas de quase toda a literatura mundial protegida por copyright e lucra com a divulgação desses trabalhos. Do nosso ponto de vista, uma digitalização e exploração de massa assim excede em muito os limites do fair use, usados na defesa”.

Por Andrew Albanese | Publishers Weekly | 14/11/2013

Distrito escolar nos EUA troca livros e cadernos por laptops a 24 mil alunos


Por Ana Carolina Moreno | Publicado originalmente e clipado à partir do Portal G1, em São Paulo | 30/07/2013, às 18h12

‘Conversão digital’ foi feita nas 42 escolas de Huntsville, no Alabama.
Segundo o distrito, proficiência em matemática subiu de 48% para 78%.

Sala de aula no distrito escolar de Huntsville: só o laptop na carteira (Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Sala de aula no distrito escolar de Huntsville: só o laptop na carteira (Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Um distrito escolar nos Estados Unidos decidiu mergulhar de cabeça na “conversão digital” há um ano e, hoje, colhe frutos como o aumento da proficiência dos alunos e a redução dos casos de indisciplina. No início do ano letivo de 2012-2013, o distrito de escolas de Huntsville, no Alabama, aboliu os livros didáticos e os cadernos em 100% de suas 42 escolas, que têm 24 mil alunos. Eles foram trocados por laptops para todos os alunos e professores, que podem levar o equipamento para casa. Os computadores foram equipados com um currículo digital que inclui, além de livros eletrônicos, conteúdo interativo e multimídia.

No caso das crianças da pré-escola ao segundo ano, tablets com aplicativos educacionais são guardados nas salas de aula e usados de acordo com a atividade preparada pelo professor. Para garantir a conectividade, o distrito instalou wifi nas escolas e nos ônibus escolares. Além disso, a maioria das salas de aula foram equipadas com lousas inteligentes.

Segundo Rena Anderson, diretora de engajamento comunitário do distrito, isso tudo foi feito sem o aumento do orçamento das escolas. “Nós redirecionamos o orçamento, gastando o que normalmente usamos em livros didáticos, por exemplo”, afirmou ela ao G1.

Os resultados preliminares deixaram todos no distrito “muito surpreendidos”, contou Rena. Três vezes ao ano [no outono, inverno e primavera no Hemisfério Norte], todos os alunos do primeiro ao último ano do ensino básico passam por um teste em matemática e leitura. Desde a implantação do sistema 100% digital, os resultados melhoram a cada avaliação. De acordo com Rena, entre o outono de 2011 e a primavera de 2013 a porcentagem média de alunos de todos os anos proficientes em matemática subiu de 48% para 78%.

No quesito leitura, a média de proficiência era de 46% no outono de 2011. No último teste, feito na primavera de 2013, ela subiu para 66%. O resultado representa a média de todos os alunos dos doze anos do ciclo básico [do 1º ao 12º ano].

Modelo para o país

Alunos mais novos ganham tablets; os maiores, laptops; no ônibus, wifi garante o acesso à web (Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Alunos mais novos ganham tablets; os maiores,
laptops; no ônibus, wifi garante o acesso à web
(Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Rena afirma que muitas escolas já estão fazendo a migração digital, mas Huntsville foi, segundo ela, o primeiro distrito escolar a fazer isso para todas as suas escolas de uma vez. “Dois anos atrás, começamos um programa-piloto com todos os alunos do sexto ano. Todo eles receberam um netbook para levar para casa. Depois daquele primeiro ano, tudo pareceu dar certo, e decidimos que iríamos pular com os dois pés”, explicou ela.

Huntsville agora virou inspiração para outras regiões dos Estados Unidos, e Rena afirma que suas escolas recebem cerca de 100 visitantes por mês de outros distritos, interessados em conhecer de perto a experiência. Segundo ela, o governo da Flórida atualmente estuda implantar o sistema em todas as escolas do estado. Rena sugere a todos os visitantes que não tenham medo de “se adaptarem aos tempos“.

A princípio, a maior resistência veio dos pais, que não sabiam como poderiam ajudar seus filhos a irem bem na escola. Por isso, oficinas foram feitas para mostrar como os pais também teriam acesso, mesmo no computador de casa, às aulas, lições de casa, boletins e relatórios de frequência.

Já os alunos mostraram retorno imediato ao novo sistema. Com a liberdade de progredirem em seu próprio ritmo, o engajamento dos estudantes às aulas aumentou e, com isso, os atos de indisciplina diminuíram. De acordo com um relatório disponível no site oficial do distrito, nove semanas após a conversão, o número de alunos que receberam alguma suspensão por mau comportamento caiu 45%.

Além do currículo digital, Huntsville também testou diversos filtros para garantir que os estudantes não se distraiam navegando pela internet. Atualmente, eles adotaram um sistema que bloqueia conteúdos como redes sociais e jogos nas máquinas dos alunos, mas os permite na dos professores. Além disso, o professor pode acessar, em seu laptop, a tela do computador de um aluno, para saber o que ele está fazendo. Por fim, o filtro bloqueia os serviços de e-mail nos computadores dos estudantes durante o dia, para evitar que eles desperdicem tempo trocando mensagens, mas permite seu uso após o horário escolar, quando eles levam o laptop para casa.

Nos ônibus escolares que fazem as rotas mais compridas, também foram instaladas conexões sem fio. Assim, os estudantes podem estudar, fazer lição de casa ou se entreter no caminho para casa. O distrito ainda lista, em seu site, os hotspots de internet em locais públicos e privados da cidade, para facilitar o acesso dos alunos à rede.

Remanejando custos

São quatro os tipos de gastos que o distrito teve para fazer a conversão digital: os equipamentos individuais dos estudantes, o conteúdo didático digital, a infraestrutura de internet e o treinamento de professores. Em vez de comprar os computadores, eles são alugados por um período de três anos, já que até o fim do contrato novos e melhores modelos estarão disponíveis.

O custo por aluno por ano desse aluguel é de US$ 245 [cerca de R$ 540]. O currículo digital que será instalado nos computadores portáteis custa US$ 120 dólares por aluno por ano [cerca de R$ 260].

Já o treinamento dos professores, que inclui o acompanhamento e assessoramento in loco do trabalho dos docentes, custa US$ 100 por ano por aluno [cerca de R$ 220]. Por fim, Rena explica que há um custo para aumentar a banda da internet e expandir a rede de conexão sem fio, pago uma vez só, no valor de US$ 200 por aluno [cerca de R$ 440].

No total, o custo por aluno por ano gasto no sistema 100% digital para a sala de aula é de R$ 1.020, ou cerca de R$ 24,5 milhões, no caso de todo o distrito de Huntsville, mais o investimento de R$ 10 milhões em infraestrutura.

Para o cientista e professor Rob Kadel, do Centro de Pesquisas de Aprendizagem Online e Rede de Inovação da Pearson nos Estados Unidos, os custos não são necessariamente altos se for levada em conta a economia feita com a conversão. Ele estima que uma escola do ensino médio no país gaste, em média, 150 mil folhas de papel por ano em cartazes e recados para os pais, sem contar os equipamentos como impressoras e máquinas de fotocópia, e os cartuchos de tinta usados para a produção de material impresso.

Segundo o pesquisador, que nos próximos vezes vai aplicar uma série de testes para avaliar o desempenho dos alunos de Huntsville, a alfabetização é um dos poucos momentos em que os cadernos ainda estão presentes na sala de aula, mas as crianças aprendem a escrever em letra cursiva ao mesmo tempo em que também começam a praticar a digitação.

Professores facilitadores

Rob Kadel, pesquisador norte-americano (Foto: Divulgação/Pearson)

Rob Kadel, pesquisador norte-americano
(Foto: Divulgação/Pearson)

Kadel, que veio ao Brasil nesta semana para falar sobre tecnologia educacional, explicou ao G1 que, mais do que a mudança de equipamentos, é necessário promover uma mudança cultural dentro da sala de aula antes de esperar resultados concretos da tecnologia.

“Não é só aprender sobre como clicar nesse botão ou como abrir aquele site, mas como pensar sobre quais são as maneiras mais eficazes para usar esses computadores”, disse ele, que sugere aos gestores escolares primeiro decidirem o que querem fazer com a tecnologia para depois decidir que equipamento comprar.

Segundo ele, também é necessário engajar os professores, que muitas vezes ficam apreensivos a respeito de sua função na sala de aula. Para Kadel, a tecnologia permite que o docente acompanhe com mais facilidade o progresso individual de cada aluno e, por isso, seu papel passa a ser mais o de um facilitador: para os estudantes mais avançados, os currículos digitais permitem que eles vão comprovando o domínio dos conteúdos e avançando sem precisar esperar os demais. Já no caso dos alunos com alguma dificuldade, o professor pode dar um atendimento diferenciado e garantir que eles aprendam.

Por Ana Carolina Moreno | Publicado originalmente e clipado à partir do Portal G1, em São Paulo | 30/07/2013, às 18h12

Por dentro da Brasiliana USP


Como funciona a digitalização de uma biblioteca de raridades

Dentro da Universidade de São Paulo, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin foi criada em 2005. O prédio construído especialmente para receber o acervo do Dr. José Mindlin, que tem mais de 40 mil volumes, só ficou pronto no começo de 2013, mas a digitalização de seu acervo começou bem antes: em 2008, foi formada a equipe que seria responsável pelo projeto da Brasiliana USP, a versão digital da Mindlin, que foi ao ar em julho de 2009. A empreitada incluía também a criação de uma plataforma de software para disponibilizar o conteúdo, além de providenciar a parte de hardware, como scanners, servidores e storage. Fomos conhecer de perto o processo de digitalização de tantos volumes raros e históricos.

A Plataforma Corisco, nome do software open source da biblioteca, foi criada a partir do DSpace, projeto também de código aberto do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o conhecido MIT, com recursos da HP para custear o projeto. “É um software extremamente bem sucedido, com talvez centenas de instituições ao redor do mundo utilizando-o. Ele é escrito em Java, portanto tem uma tecnologia moderna voltada para a Web”, diz Edson Satoshi Gomi, coordenador de tecnologia da informação da Biblioteca Brasiliana.

Gomi, que também é professor do Departamento de Engenharia da Computação da Escola Politécnica da USP, explica o que a Plataforma Corisco tem a mais em relação ao DSpace puro. “O que nós fizemos adicionalmente foi colocar algumas camadas que não existem no original. A primeira camada que colocamos foi uma interface web, que permite uma customização da cara, e o segundo componente que agregamos foi o que chamamos de visualizador de itens do acervo, sejam eles livros, imagens ou mapas.

Outras duas camadas ainda serão implementadas: uma ferramenta para gerir todo o processo de digitalização e registrar metadados e outra para a preservação digital das imagens em alta resolução. “O volume de imagens que estamos produzindo é relativamente grande e o que é mais caro nesse processo todo é este trabalho de digitalização. Portanto, julgamos importante manter este conjunto de imagens de uma forma íntegra que não se perca isso ao longo dos anos.

Maria Bonita e suas irmãs

E este volume de imagens é realmente enorme: a Maria Bonita e suas irmãs, apelido dado pela equipe da biblioteca às máquinas fabricadas pela canadense Kirtas, são equipadas com câmeras Canon de 21 megapixels – os modelos da linha Kabis têm duas câmeras em x, cada uma virada para uma página do livro; já o modelo Skyview, voltado para a digitalização de mapas, cartazes e jornais, tem apenas uma, que se desloca em dois eixos para varrer toda a extensão do material. Cada câmera é ligada num computador que, por sua vez, é ligado a um servidor. As imagens aparecem em tempo real no monitor do scanner.

Cada página “bruta”, por assim dizer, é uma fotografia com definição considerável [ainda que a imagem antes do recorte inclua também uma parte considerável do suporte em que o livro é colocado]. “As imagens que nossos scanners produzem”, explica Gomi, “são imagens de altíssima resolução. Tipicamente, cada imagem pode ocupar uma dezena de megabytes de tamanho. Se multiplicarmos isso pela quantidade de páginas, não é incomum um livro ter vários gigabytes de tamanho.

O livro é posto aberto numa mesa e o scanner vira as páginas através de uma espécie de aspirador de pó, que gruda as folhas por sucção e as vira. O processo é automático, mas tem que ser acompanhado por um funcionário, que ajusta a posição do livro vez ou outra, para as imagens não ficarem tortas. A velocidade máxima é de 2.500 páginas por hora.

Engana-se quem pensa que é arriscado colocar um livro raro numa máquina dessas. “Existe uma preocupação nossa com a integridade dos livros”, diz Gomi. “Mas é importante chamar a atenção de que o fato de termos um livro raro não significa que ele está em mal estado ou fragilizado, muito pelo contrário. Muitas vezes, livros antigos estão em estado tão bom que são relativamente robustos.

A digitalização é só o começo de todo o processo. O que se segue é bem trabalhoso: o processo de recorte e tratamento da imagem. Segundo Gomi, já foram digitalizados 20 terabytes de material, mas nem tudo está disponível para acesso justamente porque falta esta etapa, que é um gargalo no fluxo de trabalho.

O objetivo é reduzir ao máximo o tamanho do arquivo e, ao mesmo tempo, garantir a legibilidade. Por isso, os arquivos em .pdf, cada um deles com cerca de 10MB, podem não ter exatamente a mesma cor das páginas do livro original, além de o contraste ser muito mais marcante.

269ejA última etapa é o reconhecimento dos caracteres. Se você já sofreu com um programa de OCR, sabe o quanto é difícil. Aqui o problema é ainda maior, como explica Gomi. “O OCR é ainda, digamos, um problema em aberto. Para textos impressos com caracteres modernos, ele reconhece com uma certa precisão, mas nós estamos aqui tratando de textos antigos, além de muitos manuscritos.

Paralelamente, são cadastrados os metadados de cada material, padronizados segundo o esquema Dublin Core, o mesmo do DSpace.

Quando está tudo pronto, o livro fica disponível no site da Brasiliana Digital. Ele pode ser visualizado na própria página sem a necessidade de plug-ins, para facilitar o uso escolar, ou baixado – é um arquivo .pdf, então talvez não fique muito bom no seu e-reader.
Aberto para todos

Mas a disponibilização do acervo para o público não é o único produto do projeto: o código-fonte da Plataforma Corisco está aberto para quem quiser usar. O Instituto Paulo Freire, por exemplo, já adotou o sistema. Mas open source não quer dizer de graça: já foram gastos mais de R$ 3 milhões no projeto, com recursos de entidades como o BNDES e a Fapesp.

Uma parte considerável desse valor foi para bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado. A Plataforma Corisco, além de tudo, é um projeto de pesquisa: para chegar onde está hoje, foram precisos erros e acertos. A primeira versão da edição original do livro de Hans Staden, por exemplo, foi disponibilizada com 1 gigabyte de tamanho [!] e isso só foi percebido porque um professor do grupo de desenvolvedores não conseguia baixá-lo.

A postura de ir resolvendo cada um dos problemas encontrados parece ser intrínseca à formação de bibliotecas digitais, como explica Gomi. “Não faz muito sentido se criar um padrão de como se constrói uma biblioteca digital. Certamente, há a necessidade de se ter uma liberdade nesse sentido, porque os tipos de acervo que podem ser construídos são muito variados. Podemos ter bibliotecas digitais de livros, de músicas, até de arquitetura, porque hoje é possível fazer digitalização 3D.

Outro ponto a ser notado é o respeito aos direitos autorais: os mais de 3 mil itens disponíveis que estão em domínio público. Segundo Gomi, são mais de 1500 acessos únicos por dia e visitantes de vários países, inclusive daqueles que não falam português. Definitivamente, a Brasiliana USP leva o acervo do Dr. José Mindlin para muito mais longe do que uma biblioteca física.

Publicado originalmente e clipado à partir de Gizmodo Brasil | 26/06/13

A edição digital na Rússia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 08/11/2012

Octavio Kulesz entrevista Natalia Erokhina, da empresa digital russa ABBY, e conversa sobre o mercado editorial digital no país.

Octavio Kulesz: Você poderia descrever em poucas palavras sua trajetória e a da ABBYY?

Natalia Erokhina: Estudei na Universidade Estatal Russa para as Humanidades e me formei em inteligência artificial – uma especialização que combina duas áreas de conhecimento: programação de software e linguística. Nos últimos dez anos trabalhei em diferentes empresas de software e de alta tecnologia russas. Atualmente sou gerente de desenvolvimento de mercados para América Latina na ABBYY – uma empresa líder em reconhecimento de texto, captura de dados e tecnologias linguísticas.

Entre os produtos da ABBYY figuram aplicações para reconhecimento e conversão de documentos [FineReader e PDF Transformer], programas de captura de dados para o processamento de formulários, documentos semiestruturados e desestruturados [FlexiCapture and FormReader], todos programas que oferecem um bom panorama das tecnologias de reconhecimento de ABBYY, sua linha Lingvo de dicionários eletrônicos e outros produtos linguísticos. A empresa constitui um dos centros globais mais destacados no que se refere a inteligência artificial e reconhecimento de documentos. ABBYY também conta com sua própria editora, ABBYY Press e com uma agência de soluções linguísticas, ABBYY Language Services.

OK: Quais são os principais atores da edição digital russa?

NE: O mercado da edição digital na Rússia é relativamente jovem e ainda se encontra em estado de desenvolvimento. A demanda de conteúdo digital cresce e, de acordo com as estimativas dos especialistas, a venda de e-books duplica a cada ano.
Pelo que estou vendo, existe a percepção de que o mercado está mudando. As tecnologias da informação evoluem sem pausa, o que obriga as editoras grandes e médias a implementarem projetos próprios e trabalharem em suas estratégias digitais.

O mercado das publicações eletrônicas está constituído principalmente pelas editoras que lançam projetos novos ou intensificam suas iniciativas digitais anteriores [EksmoProsvescheniyeDrofaAST Press], assim como por distribuidores digitais de grande envergadura [em primeiro lugar LitRes, depois Wexler e Ozon]. Em alguma medida, ABBYY também poderia ser considerada uma empresa deste tipo.

OK: Como é a atitude geral dos editores russos em relação à era digital?

NE: A indústria editorial costuma ser conservadora. No entanto, com a chegada da era de informatização total, este setor também teve que se adaptar às tendências contemporâneas. Acho que, no final das contas, as editoras russas compreendem que estes são tempos de transformações consideráveis e que a maneira de oferecer conteúdos mudou. Os líderes do mercado já estão se movendo ativamente na arena digital, mas eu diria que a maioria ainda se encontra tentando achar o caminho.

O certo é que a preparação de publicações eletrônicas de qualidade requer recursos financeiros e investimento. O desenvolvimento destes processos inclui múltiplas etapas: requerimentos técnicos, revisão e reestruturação de conteúdos, design de interfaces, programação, testes, etc. Além disso, a grande variedade de plataformas [Windows, Mac OS, Android, iOS, etc.] implica a necessidade de adaptações técnicas adicionais que em alguns casos duplicam os custos. Claramente, as novas ferramentas de edição facilitam a agilização do processo, mas sua implementação também exige investimento em capacitação. Por outro lado, o desenvolvimento de um produto digital isolado não é suficiente: na verdade, o processo de publicação também exige uma boa estratégia de distribuição, um ponto muito intensivo em recursos humanos. Isto inclui um trabalho diário de promoção, gestão de resenhas de clientes, atualizações técnicas e análises dinâmicas de resultados de vendas, políticas de preços, assim como estabelecer na prática canais de comercialização eficazes.

Por isso, os editores devem se enfrentar ou com uma mudança radical de seus modelos de negócios [e à criação de seus próprios departamentos de software e de venda], ou encontrar um sócio tecnológico que cobrirá esta parte do processo.

Na Rússia, as principais editoras estão tentando, agora, desenvolver das duas formas [por exemplo, a AST Press e a Drofa trabalham com sócios em determinadas áreas, enquanto desenvolvem seus próprios projetos digitais]. No entanto, a solução mais aceitada é a cooperação mútua entre editoras e empresas de software que oferecem apoio na criação de conteúdo eletrônico [como por exemplo ABBYY] e outras empresas especializadas em distribuição digital [como Litres – 54% –, Wexler, Ozon e também ABBYY].

OK:É possível dizer que está aumentando a presença do digital entre os leitores?

NE: Claro. Os leitores russos estão se acostumando cada vez mais a ler em dispositivos portáteis. De acordo com SmartMarketing, o volume total de e-readers se multiplicou por 3 comparado com 2010. Os analistas explicam que este mercado já atravessou sua juventude e chegou ao patamar de um crescimento sustentado. São também interessantes os resultados obtidos pela equipe do site RBC [Russian Business Consulting]: de acordo com suas investigações, 53,1% da audiência do portal [composta majoritariamente por jovens e homens de negócios] utiliza e-readers para ler livros.

As marcas mais populares são PocketBook, Sony, Wexler e Onyx. No entanto, de acordo com diversas estimativas, as vias de acesso mais generalizadas ao conteúdo eletrônico na Rússia continuam sendo o PC e os smartphones. Por outro lado, a venda de tablets também está crescendo: os especialistas coincidem que, em um futuro próximo, os e-readers serão substituídos por versões multifuncionais. A opinião corrente é que as publicações eletrônicas deveriam contribuir para desenvolver a cultura de leituras na Rússia, porque permitem um acesso muito mais direto e econômico ao conteúdo, não só para os habitantes de Moscou e São Petersburgo, mas também para os habitantes de todas as províncias russas, como por exemplo a Sibéria ou o extremo leste do país.

OK: A pirataria volta sempre aos debates sobre edição digital. Como você vê este fenômeno na Rússia?

NE: A pirataria constitui, realmente, um dos tópicos mais críticos na Rússia, como ocorre em outros países. As editoras perdem milhões de dólares a cada ano por causa do gigantesco número de downloads ilegais. Ao mesmo tempo, a falta de legislação adequada a respeito da edição eletrônica explica a permanência de tantos players ilegais no mercado russo.

O certo, no campo do conteúdo legal, é que os maiores provedores são LitRes, Elkniga e Bookee.
A lei antipirataria da Rússia é, por um lado, relativamente estrita, pois implica responsabilidade individual. No entanto, sua aplicação na prática é muito mais complicada. Assim, as grandes lojas e os editores precisam enfrentar o fenômeno das publicações ilegais com seus próprios meios, chegando ao ponto de que alguns tentaram converter em legal a oferta ilegal.

Na minha opinião, o problema da pirataria poderia ser resolvido em parte não só com a melhora dos sistemas de proteção, mas oferecendo conteúdos de qualidade a preços acessíveis. Todos sabemos que os livros pirateados que se encontram na web costumam ter erros, símbolos mal interpretados, etc. Assim, até certo ponto, para os usuários seria muito mais simples comprar um livro legal em uma loja confiável, se o preço não for proibitivo.

Como comparação, no Ocidente, o preço de um ebook oscila entre os 10 e 15 dólares, enquanto que na Rússia está perto dos 3 dólares. Vários especialistas indicam também que a indústria editorial russa não está fornecendo conteúdo suficiente aos leitores. Por exemplo, LitRes possui uns 50.000 títulos, enquanto que o principal site de textos ilegais em russo, Lib.rus.ec, chega à cifra de 200.000 [para mais informações, recomendo visitar o artigo de Vladimir Kharitonov: “Steps into the Digital Future”].

OK: Qual será o impacto dos e-books e outras ferramentas digitais na Rússia? Você vê alguma oportunidade em especial? E quais são os desafios?

NE:Considero que o desenvolvimento da indústria do e-book oferecerá aos diferentes estratos da sociedade russa – tanto em Moscou quanto em São Petersburgo e outras regiões – a oportunidade de ler mais. Com a expansão da Internet, as regiões mais distantes do país terão acesso à mesma qualidade e quantidade de livros que as regiões centrais, o que contribuirá em grande medida para fomentar a cultura leitora em todo o território e a elevar o nível geral da educação. No mundo impresso, é difícil encontrar variedade, mas no eletrônico podemos acessar e baixar textos de um modo muito simples. Os estudantes já estão aproveitando esta vantagem.

Da mesma forma, o tema dos materiais eletrônicos está sendo debatido ativamente na indústria educativa russa. Se estas discussões tomam a forma de projeto governamental, o mais provável é que a iniciativa receba fundos, o que estimula o negócio editorial.

Agora, entre os maiores desafios para o surgimento de um mercado de e-books na Rússia esta a dificuldade de encontrar modelos de negócios claros para a venda de conteúdos. Atualmente, existem 3 variantes: venda de e-books como arquivos, modelos de assinatura e aplicações multimídia. O problema é que os processos de compra são um pouco mais complicados que nos EUA, já que a infraestrutura baseada na conexão entre e-readers e lojas online se encontra ainda em etapa de desenvolvimento.

Outro tema é que, por um lado, o público russo não está muito acostumado à ideia de comprar conteúdo legal [como acontece nos EUA] e, por outro lado, os métodos de pagamento [cartões de crédito, por exemplo] só se massificaram nos últimos anos. Isto leva, então, ao flagelo da pirataria, somado aos problemas técnicos de como se processam os pagamentos.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 08/11/2012

Non ducor, duco

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Google chega a acordo


O Google e a APP [Associação dos Editores Norte-Americanos, na tradução] chegaram a um acordo, encerrando sete anos de litígio sobre os direitos autorais -o Google já digitalizou cerca de 15 milhões, em um projeto que visa criar a maior biblioteca digital do mundo. Na última quinta, os dois lados anunciaram que as editoras tornarão livros e revistas disponíveis para digitalização por parte da gigante da internet. Outros termos do acerto não foram divulgados.

PROCESSO CONTINUA

O acordo, porém, não põe fim à ação que a Authors Guild [associação sem fins lucrativos que reúne autores e profissionais do ramo literário] move contra o Google. Em 2005, a APP e a Authors Guild processaram a empresa por acreditar que as digitalizações violavam direitos autorais. Na época, o Google concordou em pagar US$ 125 milhões aos autores que tiveram seus livros digitalizados e localizar e compartilhar receitas com autores de obras que ainda seriam digitalizadas.

Folha de S.Pailo | TEC | 8 de outubro de 2012

Biblioteca Nacional de Portugal apresenta serviço de digitalização sob demanda


Biblioteca Nacional de Portugal [BNP] apresentou ontem, 18 de Setembro, um serviço de digitalização a pedido. O programa EOD – eBooks on Demand, destina-se a preservar e divulgar livros completos que estão no domínio público. São disponibilizados em formato PDF.

BNP tem em acervo digital constituído por várias obras do seu Fundo Geral, publicadas entre 1700 e 1850.

Características dos Ebooks EOD

•    O livro eletrónico EOD é uma versão digital de um livro, entregue num único ficheiro PDF.

•    Para acesso e leitura não é necessário instalar nenhum outro software.

•    Contém texto reconhecido automaticamente: é possível pesquisar por palavra, copiar e colar o texto integral eletrónico ou ilustrações.

•    Pode imprimir todo o livro ou um conjunto selecionado de páginas, sempre que quiser.

•    Complementarmente ao pedido de digitalização, também é possível encomendar a reimpressão do livro digitalizado, encadernado em capa mole [exemplos na imagem acima].

Mais informações aqui.

eBook Portugal | 19 de Setembro de 2012

O que vem pela frente: globalização e digitalização


Varejistas vão ditar as regras muito mais do que os grandes grupos editoriais, conclui estudo

Dentro do grupo das 54 maiores editoras do mundo, a renda ainda é bastante concentrada: as dez primeiras do ranking detêm mais da metade das receitas. Ano após ano, contudo, a fatia vem diminuindo. Há cinco anos, as dez maiores ficavam com 58,16% da receita total, agora têm 54,02%.

Para os organizadores do estudo conduzido pela Rüdiger Wischenbart Content and Consulting, essa queda pode ser atribuída a dois fatores. De um lado, o desmembramento dos negócios de educação e ciências por parte de algumas grandes editoras. De outro, o crescimento de empresas provenientes dos mercados emergentes. O aumento da receita consolidada dos 30 grupos que ficam entre a 21ª e a 50ª posições reflete isso: ela saltou de 9,9 bilhões de euros em 2007 para 12,9 bilhões em 2011.

Nos últimos dois anos, editoras do Brasil à Coreia, passando pela Rússia e outros países, foram incluídas no ranking. “Elas têm em comum não apenas o fato de que crescem em seus mercados domésticos, como também começam a ser ativas internacionalmente, fazendo parcerias com grupos europeus e norte-americanos, com uma clara ênfase em educação, enquanto o mercado de livros gerais têm um papel menor – talvez com exceção dos livros para crianças e jovens adultos”, afirma o estudo. O levantamento destaca os investimentos em novas tecnologias feitos por grupos emergentes e, ainda, o papel do governo na compra e distribuição de material escolar – com destaque para o Brasil – e também no estabelecimento de metas digitais – o Brasil é citado novamente neste ponto, mas a ênfase é na Coreia, que prevê a digitalização de todos os livros didáticos até 2015.

O Ranking Global destaca ainda que a globalização ainda segue um padrão hierárquico “de centro e periferias”, com grandes grupos europeus e norte-americanos, como Pearson e Hachette, ampliando seus negócios em países como Brasil, China, Índia, Rússia, “e logo, provavelmente, na região do Golfo” e em lugares como México e Indonésia. “Até agora, no entanto, quase não surgiram parcerias horizontais, por exemplo entre empresas chinesas e brasileiras.

O estudo conclui que, diante de tantas novas oportunidades, não se pode camuflar o quão desafiador é criar negócios em economias emergentes, onde as empresas enfrentam “múltiplas ameaças, de infraestrutura precária a pirataria altíssima e turbulências econômicas em geral”.

Quem vai ditar as regras?

Em 2012 e além, a globalização e a digitalização não serão definidas exclusivamente, ou mesmo de forma predominante, pelos grupos editoriais listados neste ranking, mas pela expansão das plataformas que, tradicionalmente, seriam chamadas de varejistas”, afirma o estudo. O exemplo mais claro dessa direção é dado pela Amazon, que assume todos os papeis – publica, vende, aluga, presta serviços para autores, editoras e terceiros, e, claro, aos leitores.

Outras empresas seguem nessa linha, vide Google e Apple abrindo lojas digitais em várias partes do mundo, e também a Barnes& Noble e a Kobo, que estão expandindo sua presença global. Além disso, em mercados tão díspares como a Suécia ou a Índia, há uma série de iniciativas locais investindo para criar uma base de usuários antes que os grandes concorrentes globais entrem no mercado.

Com as ambições dos grupos editoriais líderes do mundo de ampliar sua presença global e não permitir que os varejistas e suas plataformas multifacetadas tomem os mercados internacionais todos para si, e com a digitalização pronta para redefinir o segmento de educação numa escala global, e logo também o de segmento de livros trade, a agitação no mercado editorial e livreiro está apenas começando”, conclui o levantamento.

PublishNews | 26/06/2012

Google e editoras francesas têm acordo sobre digitalização de livros na Internet


Gigante norte-americana quer digitalizar todos os livros do mundo até ao final da década apesar das queixas recorrentes em tribunais. Fotografia: AFP

Gigante norte-americana quer digitalizar todos os livros do mundo até ao final da década apesar das queixas recorrentes em tribunais. Fotografia: AFP

A Google conseguiu finalmente chegar a um acordo com o Sindicato Nacional da Edição [SNE] francês, para a digitalização de obras de autores franceses e a sua disponibilização no serviço de livros Google Books, informou ontem a Reuters.

De acordo com a agência, até aqui a França opunha-se à passagem dos livros para o universo online da Google e levou a tribunal, em diversas ocasiões, a empresa norte-americana.

Nos últimos anos, a Google digitalizou diversos livros franceses disponíveis em bibliotecas norte-americanas sem autorização dos autores nem das editoras, o que levou a um braço de ferro nos tribunais ente as editoras francesas e a gigante norte-americana. Em 2009, a Google acabou mesmo por ser condenada ao pagamento de uma multa por violação dos direitos de autor.  Este é o segundo acordo que acontece em França, um dos países europeus que mais tem batalhado para proteger os direitos dos seus autores e editores, depois de no ano passado a Hachette Livre ter permitido a digitalização e venda online de mais de 40 mil livros, dos quais milhares não estão comercialmente disponíveis, mas estão abrangidos pelos direitos de autor.

Muitas das obras digitalizadas, por serem antigas, já se encontravam esgotadas, estando a partir de então disponíveis para venda na plataforma da Google.

Com este novo acordo, assinado na segunda-feira e que, segundo a SNE, “respeita os direitos de autor”, a França passa a ter mais autores e editoras representados no serviço da Google.

Este anúncio marca um avanço positivo para actualizar a herança impressa de França no âmbito dos direitos de autor e contribui para alargar a disponibilidade de livros digitais”, escreveu o Sindicato Nacional da Edição, que representa cerca de 600 editoras e seis mil autores franceses e francófonos.

Segundo o acordo, as editoras é que decidem que livros são digitalizáveis e se são para venda ou não, ficando salvaguardado que se as editoras quiserem podem solicitar a retirada de uma obra já digitalizada.  “Cabe agora a cada editora decidir se quer ou não estabelecer um acordo com a Google sobre os direitos de autor”, disse à BBC Antoine Gallimard, presidente da SNE, explicando que as receitas das vendas das obras vão ser divididas entre a Google, as editoras e os autores. Nos Estados Unidos têm sido recorrentes as queixas em tribunais contra a empresa norte-americana, que quer digitalizar todos os livros do mundo até ao final da década. Até agora, a empresa Google conta já com mais de 20 milhões de obras digitalizadas.

Publicado originalmente em Jornal de Angola |  16/06/2012

A biblioteca da utopia


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 12/06/2012

revista do Massachusetts Institute of Technology, o MIT, publicou recentemente um artigo sobre o projeto da Harvard University de digitalizar os acervos das bibliotecas universitárias. Comentar sobre o assunto vem bem a calhar no contexto das discussões sobre cópias não autorizadas e digitalizadas para difusão pela internet. Quem se dispõe a analisar o assunto com seriedade logo se vê diante da imensidade de problemas e soluções alternativas, que vão muito além da digitalização não autorizada de uns tantos livros de ciências sociais.

O projeto de Harvard descende diretamente do falecido Google Book Search, o projeto que Larry Page imaginou em 2002 e que pretendia digitalizar todos os livros impressos no mundo. Sim. Todos. Só assim, dizia o cofundador do Google, a empresa poderia cumprir sua missão de tornar toda a informação mundial “universalmente acessível e útil”.

O Google desenvolveu uma tecnologia que permitia o escaneamento ultrarrápido das páginas de um livro, com lentes que compensavam a curvatura das páginas provocadas pela encadernação. Aperfeiçoou também seus programas de Optical Character Recognition [OCR], para os mais variados formatos de letras e idiomas, de modo a permitir o funcionamento dos mecanismos de busca.

Quando lançou publicamente o projeto, em 2004, Page conseguiu de imediato a adesão de cinco das maiores bibliotecas do mundo, incluindo as de Harvard e Oxford. E quase imediatamente começaram as reações contrárias ao projeto, geralmente focando no ponto de que este daria à companhia uma posição altamente favorável para a futura comercialização do conteúdo digitalizado, prejudicando outras empresas. Além disso, a concentração dessa informação pelo Google abriria o espaço para a censura e controle da difusão da informação. Note-se bem: comercialização do conteúdo, que passaria a ser acessível, mas não gratuito. O projeto do Google incluía a posterior comercialização – através de e-books – dos livros. E tudo com o devido pagamento de direitos autorais.

A Association of American Publishers e a Author’s Guild – o sindicato dos autores dos EUA –, imediatamente protestaram, considerando que a empreitada, mesmo se permitisse a consulta a apenas trechos de livros na pesquisa, constituía um enorme ataque aos direitos autorais.

O Google propôs um acordo, envolvendo o pagamento de direitos autorais e a venda de assinaturas para acesso ao conteúdo integral dos livros das bibliotecas, o que só aumentou a resistência. Universidades europeias se recusaram a participar e outras iniciativas começaram a ser esboçadas.

Alguns analistas consideram que, se o Google continuasse a escanear com base no “fair use” da Convenção de Berna – e da legislação dos países signatários – e usasse o material tão somente para indexar informações, poderia ter prosseguido. Mas, ao propor o acordo, que teria chancela do judiciário, se meteu num pântano legal que terminou por liquidar o projeto.

Além da acusação de tentativa de monopolizar a digitalização mundial dos livros, alguns pontos finos da legislação de direito autoral se tornaram pedras no meio do caminho do projeto. Um desses é o das “obras órfãs”. O que é isso?

Uma obra impressa é protegida automaticamente pela legislação, mesmo que seu autor, ou autores, não a registrem nos escritórios de direitos autorais de cada país. Mesmo entre as obras registradas, há uma quantidade delas das quais se sabe o nome do autor, mas não se o próprio ainda está vivo e se o prazo de vigência da proteção legal ainda está ativo. Isso sem falar dos livros publicados, mas que saíram do mercado – as leis de D.A. são, hoje, universalmente retroativas. Essas são as “obras órfãs”. Como se pode perceber, mesmo que houvesse a disposição de pagar direitos por sua reprodução, seria muito difícil encontrar os beneficiários. O Google propôs constituir um fundo que recolheria esses direitos até o aparecimento dos autores ou a certeza de que haviam entrado em domínio público, quando então esses recursos seriam revertidos para ampliação de acervos de bibliotecas, programas de leitura etc.

Não adiantou. O acordo foi definitivamente sepultado há alguns meses pelo judiciário dos EUA.

Mas a ideia da digitalização não morreu.

Um dos críticos mais contundentes do projeto do Google foi o historiador Robert Darnton. Sucede que Darnton foi nomeado, em 2007, como diretor do sistema de bibliotecas da Harvard University. A partir dessa posição, tenta por de pé o projeto da Digital Public Library of America. Que, essencialmente, tem o mesmo escopo do projeto googliano: digitalizar tudo.

Diz a matéria da revista do MIT:

Se bibliotecas e universidades trabalhassem juntas – argumentou Darnton –, financiadas por organizações filantrópicas, poderiam construir uma verdadeira biblioteca pública digital da América. A inspiração de Darnton não veio dos tecnólogos de hoje, e sim dos grandes filósofos do Iluminismo. As ideias circulavam pela Europa e atravessaram o Atlântico no século XVIII, impulsionadas pelas tecnologias da imprensa e dos correios. Pensadores como Voltaire, Rousseau e Thomas Jefferson viam a si mesmos como cidadãos da República das Letras, uma meritocracia de livres pensadores que transcendia as fronteiras nacionais. Era uma época de grande fervor e fermentação intelectual, mas a República das Letras era ‘democrática apenas em princípio’, como Darnton apontou em um ensaio na New York Review of Books: ‘na prática era dominada pelos bem nascidos e pelos ricos’.

E prossegue a matéria:

Com a internet, podemos finalmente retificar essa iniquidade. Ao colocar cópias digitais online, argumentou Darnton, podemos abrir as coleções das grandes bibliotecas do país para quem quer que tenha acesso à rede. Podemos criar uma ‘República Digital das Letras’ que seria realmente livre e aberta e democrática e que nos permitiria ‘efetivar os ideais do Iluminismo a partir dos quais foi fundado nosso país’.

Com um acadêmico de tanto prestígio como Darnton à frente, e princípios tão nobres a justificá-lo, a suposição é de que o projeto poderia avançar sem dificuldades.

Ledo engano.

O sepultamento da proposta de acordo do Google aumentou as expectativas e o projeto de Darnton ganhou apoios importantes, e mecanismos substanciais de financiamento. Começou também a ganhar objeções.

Em maio passado, uma reunião do grupo dos Chief Officers of State Library Agencies [grosso modo, os responsáveis pelos sistemas estaduais de bibliotecas, se tal coisa existisse no Brasil] aprovou uma resolução pedindo que a DPLA mudasse de nome. A razão? Ao se apresentar como “a” Biblioteca Pública do país, a DPLA reforça a “crença infundada de que as bibliotecas públicas podem ser substituídas em 16.000 comunidades nos EUA por uma biblioteca nacional digital”, e que isso dificultaria ainda mais a obtenção de recursos orçamentários para essas bibliotecas. Parou por aí? Não. O projeto foi acusado de arrogante na presunção de que uma única biblioteca pudesse satisfazer as necessidades diferentes do público e de pesquisadores, que são muito diferentes.

E o dissenso continuou. Por exemplo: os arquivos serão centralizados em servidores próprios ou os mecanismos de busca apontariam para os servidores das bibliotecas afiliadas? Que outros materiais, além de livros, seriam incluídos na DPLA? E como a DPLA se apresentaria ao público: com acesso direto ou como uma “câmara de compensação” entre as várias bibliotecas, transferindo o trânsito para os respectivos websites? No mesmo número da revista do MIT que anuncia o projeto de Darnton, é publicado também outro, de autoria de Brester Kahle e Rick Prelinger, que afirma que o projeto centralizador de Darnton pode ser tão perigoso para a liberdade de expressão quanto era o do Google. E Kahle é o fundador do Internet Archive. E os lançamentos? Darnton, por exemplo, diz que só deveriam ser digitalizados os livros com mais de dez anos de lançamento, para “ficar de fora das questões comerciais”. E os metadados, essenciais para a pesquisa e que, como “banco de dados”, são eventualmente produzidos por outras empresas, que prestam serviços para editoras e bibliotecas, e têm uma proteção específica de uso?

Porque, de fato, voltou com toda a força a questão dos direitos autorais. Para o Google e para a DPLA, essa é uma questão não resolvida. Para alguns dos envolvidos, só poderia ser solucionada com medidas internacionais, como uma revisão da Convenção de Berna que diminuísse o tempo de vigência da proteção [hoje é de 70 anos após a morte do autor, na maioria dos países] e estabelecesse outras exceções, todos os dois assuntos muito controversos. Não apenas por parte das editoras e dos próprios autores – os de sucesso cuidam muito bem do seu patrimônio! –, mas também pelos estúdios e outros produtores de materiais audiovisuais.

Além dos direitos autorais, está subjacente também uma questão de patrimônio. Afinal, essas bibliotecas foram financiadas com recursos de várias fontes para aquelas universidades, e não apenas são seu patrimônio como geram renda, de diferentes maneiras, para seu sustento.

O pano de fundo disso tudo é o das condições para a apropriação social da produção intelectual individual. É certo o grande avanço, desde o Iluminismo, do reconhecimento da autoria: a obra é a expressão de um labor intelectual próprio e personalíssimo [ainda que possa ser coletiva], e isso gera direitos do[s] autor[es] sobre sua fruição, inclusive financeira, ainda que por um período determinado de tempo [que foi aumentado progressivamente nos dois séculos e meio desde que as primeiras leis de direito autoral foram promulgadas]. O “domínio público” se estabelece depois desse período de apropriação individual.

Não vale o argumento de que cada autor produz suas obras através das leituras de outros, já que, de qualquer maneira, cada leitura gera uma apropriação e uma expressão individual do conjunto dos conteúdos. Se colocarmos dez “intelectuais leitores” lendo os mesmos dez livros, o que cada um deles irá concluir e eventualmente produzir a partir dessa leitura certamente será diferente da produção dos demais.

Na verdade isso tudo remete à grande questão da apropriação individual do fruto do trabalho versus a apropriação social, coletiva. Algo que outros filósofos debatem também desde o século XVIII, e que encontrou uma expressão sintética no século XIX: “De cada qual segundo sua capacidade, a cada um segundo suas necessidades”, disse o filósofo de Trier, um tal de Karl Marx.

Mas isso exige outro tipo de sociedade, de organização social. Por enquanto, no regime capitalista, o caldo engrossa tanto com a apropriação do trabalho físico quanto do trabalho intelectual.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 12/06/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Resultado da “Promoção FineReader”


Quais são as vantagens da digitalização dos livros?

O autor da resposta mais criativa [e que ganhou da ABBYY Brasil uma licença do software FineReader 11 Edição Brasil] foi Julio César de Sousa Dias com o seguinte comentário:

Digitalizar é preservar e dar liberdade. Preserva o meio-ambiente, preserva o texto, preserva o conhecimento. Dá liberdade de levar quantos livros quiser para onde quiser, dá liberdade de moldar o livro ao seu jeito, dá liberdade de uso. FineReader nos torna um leitor excelente.

Parabéns, Julio César. Manda aqui pra gente o seu e-mail.

O ABBYY FineReader 11 Edição Brasil é um software OCR que permite converter documentos em papel [livros, revistas e quaisquer documentos em geral] e arquivos PDF para formatos editáveis [por exemplo, Word, Exel, etc.] e para formatos mais usado em eBooks como ePub, FB2, HTML e o formato do Amazon Kindle.

Para participar desta promoção basta comentar este post com a sua resposta e nome e aguardar o resultado.

Até o final de fevereiro, a ABBYY Brasil irá sortear dentre os participantes aquele com a resposta mais criativa.

O resultado será publicado aqui mesmo no nosso blogsite.