Esquenta a disputa pela distribuição digital


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 17/06/2015

DldO PublishNews noticia hoje que a Cosac Naify é a primeira editora a ser distribuída pela DLD sem fazer parte do consórcio que a controla, formado por sete editoras brasileiras. Serão 140 e-books da editora paulistana que passarão a integrar o catálogo da agregadora. Este anúncio é de extrema importância porque marca a entrada da DLD na disputa pelo controle da distribuição digital no Brasil. Se antes a empresa só aceitava distribuir sócios e se comportava mais como um clube, agora ela se torna um agregador comercial de fato. A empresa carioca, aliás, não foi atrás apenas da Cosac Naify, mas tem conversado com vários editores que parecem fazer parte de uma seleção criteriosa, sempre para oferecer seus serviços de distribuição.

Em minha opinião, o lento crescimento do mercado digital brasileiro em 2014 e início de 2015 se deve, em parte à ausência de bons serviços de agregadores no país. Até o ano passado, havia, na prática, apenas a Xeriph e a DLD operando em maior escala no Brasil. E se por um lado a Xeriph merece aplausos e reconhecimento por ter sido a pioneira e por ter feito um excelente trabalho de agregação de conteúdo no mercado brasileiro [arrisco-me a dizer que sem ela, a Amazon teria
Logo_xeriph_bigretardado muito mais sua entrada no Brasil], a verdade é que até o ano passado pelo menos, a empresa ainda não conseguia oferecer aos editores brasileiro o mesmo tipo de serviço e plataforma que empresas estrangeiras como Ingram, Overdrive e DeMarque colocam à disposição no exterior. Enquanto isso, a DLD não tinha interesse em distribuir não-sócios e empresas como Acaiaca Digital e Digitaliza ainda estavam começando. Assim, a distribuição digital no Brasil deixou muito a desejar em 2014.

Agora o cenário é outro, e não apenas pela entrada da DLD na briga. Afinal, já no início de 2015, a distribuidora digital Bookwire iniciou suas atividades no Brasil por meio de uma filial em São Paulo, capitaneada por Marcelo Gioia. Desde então, a empresa já fechou contrato com cerca de 80 editoras e já está distribuindo o conteúdo de 60 delas. A seu favor, Bookwireconta o fato de que a plataforma alemã já é mundialmente reconhecida como um dos melhores sistemas de distribuição de digital do mercado. Além disso, a empresa tem mostrado eficiência em otimização de metadados e serviços de marketing no exterior.

A carioca Xeriph, por sua vez, resolveu questões internas ligadas a saída do grupo Abril do controle da empresa em setembro do ano passado e, depois de avaliar possíveis compradores, decidiu seguir sozinha na operação podendo agora focar mais no negócio da distribuição e menos em assuntos corporativos. Uma das vantagens comparativas da empresa dirigida por Duda Ernanny é seu projeto de plataforma de biblioteca digital que ela vem desenvolvendo.

DigitalizaA Digitaliza, capitaneada por Igdal Parnes, ex-Elsevier, também começa a mostrar a que veio. Seu diferencial é oferecer financiamento dos custos de conversão para os editores que aderirem a sua plataforma. Na Digitaliza, portanto, os editores não precisam desembolsar capital para converter os títulos de seu catálogo. A empresa já distribui cerca de 30 editoras.

AcaiacadigitalFinalmente, a Acaiaca Digital, que chegou a negociar a compra da Xeriph em março e que distribui o catálogo digital da plataforma de self-publishing Clube de Autores, entre outros, parece mais ávida pelo quinhão digital, tanto que quase arrematou a Xeriph. A negociação só naufragou nos momentos finais. E a empresa conta com executivos do calibre de José Henrique Grossi.

Para um mercado que passou 2014 sem grandes opções de distribuição digital para os editores, o segundo semestre de 2015 promete. Agora são cinco agregadores digitais em atuação e, verdade seja dita, não há espaço para todos. Mas a concorrência é sempre saudável e que vença o melhor. Ou, ainda, que vença o livro digital. Ou, mais que isso, que vença o livro.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 17/06/2015

Empresa alemã de distribuição digital chega ao Brasil


BookWire quer, a partir do Brasil, conquistar a América Latina

ens Klingelhöfer, CEO da BookWire

ens Klingelhöfer, CEO da BookWire

A BookWire, a agregadora digital que abocanhou boa parte do portentoso mercado alemão, chegou ao Brasil há pouco mais de um ano. O objetivo é fincar bandeira por aqui para conquistar a América Latina e alcançar a liderança do serviço de distribuição digital no Brasil, hoje ocupado pela Xeriph e pela DLD. De Frankfurt, Jens Klingelhöfer, CEO da BookWire, disse ao PublishNews que a “América Latina é um grande mercado a ser explorado, em especial para o negócio do livro digital. Esse mercado no Brasil apresenta grande dinamismo e nós vemos um grande potencial para as editoras”, comentou. A estrutura brasileira, por enquanto, é enxuta. A subsidiária brasileira é capitaneada por Marcelo Gioia e tem representações em São Paulo e no Rio de Janeiro. De acordo com Jens, a estrutura é ainda enxuta, mas a equipe conta com o apoio do escritório na Alemanha. “Nesse primeiro momento, faremos investimentos significantes na nossa equipe local e na infraestrutura. Além disso, as operações brasileiras se beneficiam em muito das nossas realizações em outros mercados. Somos uma equipe muito ágil e inovadora e, claro, nós tentamos criar sinergias entre as nossas equipes sempre que isso é possível”, disse ao PublishNews.

A BookWire hoje opera fortemente na Alemanha, Áustria, Espanha e Suíça; já marca presença no México e na Rússia e tem parceiros em alguns países da América Latina. Só na Europa, a empresa é responsável pela distribuição de mais de 800 editoras. A presença no Brasil ainda é tímida, mas, a expectativa é crescer muito nos próximos 18 meses, como explica Marcelo Gioia: “estamos bastante conscientes das dificuldades do mercado brasileiro, mas a nossa expectativa é alcançar, nos próximos 18 meses, se não a liderança do mercado, pelo menos, ficar entre as grandes”. Indo pelo mesmo caminho, Jens disse que o foco agora está na aquisição de conteúdos e na conquista de novas editoras para “relações duradouras e de confiança”. “A equipe local vai crescer ao longo dos anos para estabelecer a BookWire como um player relevante no mercado brasileiro”, disse esperançoso Jens.

Além da DLD e da Xeriph, a BookWire tem como concorrentes a Acaiaca e a Digitaliza. “Eu acredito que essas companhias que já atuam no Brasil têm feito um excelente trabalho para desenvolver o mercado. Ao mesmo tempo, estou certo de que nós podemos ser mais competitivos ao oferecer a nossa abordagem de serviços de 360 graus, que permitirá aos editores brasileiros desenvolver seu negócio rapidamente e com êxito”, disse Jens. “A tecnologia da BookWire já é consolidada, parruda, segura e, ao mesmo tempo, simples do ponto de vista da interface com as editoras. Esses pontos aliados à inteligência de marketing e de metadados já desenvolvida pela BookWire são diferenciais importantes da empresa”, comentou Gioia. “Nossa filosofia é baseada na combinação de alta tecnologia e serviços locais que vêm de mãos dadas com uma abordagem global de distribuição. Com isso esperamos atingir a nossa finalidade de alcançar mercados relevantes para os nossos clientes”, completou Jens.

Metadados, como se sabe, é um dos maiores percalços da distribuição digital no Brasil. A insuficiência de dados muitas vezes, se não impede, atrapalha, a “descobertabilidade” e a distribuição. Sabendo dessas questões, Jens não se desanima e se diz otimista com o desafio. “Nós temos larga experiência em desenvolver todos os processos que gravitam em torno da distribuição de e-books e de audiobooks. Os metadados é uma das expertises da BookWire. Nossa plataforma ‘BookWire MACS’ faz um excelente trabalho para facilitar a administração de metadados e de e-books, o que nós consideramos fundamental para o sucesso de distribuição. Além disso, nossa equipe tem um grande know-how para criar ‘produtos perfeitos’ do ponto de vista de metadados. Acreditamos que, em breve, os editores brasileiros caminharão para o entendimento do protagonismo dos metadados no crescimento do mercado digital”, disse.

Os editores que quiserem utilizar os serviços da BookWire não têm que desembolsar nada. Não há custos iniciais e nem riscos. A BookWire recebe uma comissão de distribuição sobre o preço do livro. “A nossa comissão é cobrada a partir do preço efetivo do livro, ou seja, aquele praticado na venda, além disso, não há upload fee ou outras taxas iniciais. A nossa participação depende do sucesso da editora”, enaltece Gioia.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 10/02/2015